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FISIOPATOLOGIA E TERAPIA 
NUTRICIONAL NAS DOENÇAS 
CARDIO-ENDÓCRINO-
METABÓLICAS 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Leticia Fuganti Campos 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Os transtornos alimentares são doenças complexas que estão cada vez 
mais prevalentes, sobretudo na população adolescente, chegando a englobar de 
5 a 10% da população americana. A preocupação excessiva com a imagem 
corporal e os padrões de beleza impostos atualmente geram frequente 
frustração, sobretudo em mulheres jovens, entre 12 e 28 anos. 
Os transtornos alimentares mais comuns são a Anorexia Nervosa (AN) e 
a Bulimia Nervosa (BN), o Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) 
e outros transtornos, como a Vigorexia Nervosa (VN) e a Ortorexia. 
TEMA 1 – ANOREXIA NERVOSA (AN) 
A Anorexia Nervosa (AN) é caracterizada por mudanças extremas nos 
hábitos alimentares associados com uma preocupação excessiva com o peso e 
a forma física. A distorção da imagem corporal é extremamente comum nesses 
pacientes, que mesmo após grande perda de peso se enxergam acima do peso. 
As alterações alimentares são progressivas, e em geral se iniciam com a 
eliminação de alimentos considerados mais calóricos, sobretudo os carboidratos. 
Com o tempo, a restrição calórica evolui e se torna excessiva e com longos 
períodos de jejum, e pode ser associada à prática de exercícios físicos 
extenuantes (que podem inclusive evoluir para complicações por abuso de 
exercício), assim como medicações laxativas, diuréticos ou inibidores de apetite. 
O medo de engordar é uma característica essencial e deve ser 
considerado para diferenciar de outros tipos de anorexia secundárias a doenças 
clínicas ou psiquiátricas. Os pacientes passam a viver exclusivamente com foco 
na dieta, nas restrições calóricas, no peso e na forma corporal, restringindo seu 
campo de interesse e levando ao gradativo isolamento social. Outra 
característica importante é a amenorreia de pelo menos três ciclos menstruais 
consecutivos. Os adolescentes jovens parecem deteriorar mais rapidamente e 
atingir estágios mais graves da doença mais precocemente. 
A AN é o transtorno alimentar mais comum entre adolescentes, com 
prevalência entre 0,3 e 3,7%, e o pico de incidência é aos 14 e aos 17 anos. 
Esse transtorno acomete principalmente meninas, sendo que somente de 5 a 
 
 
3 
10% dos casos são meninos. Em profissões que exigem a magreza para um 
melhor desempenho (como ginastas, patinadoras e bailarinas), a taxa pode 
chegar a 8,6%. As profissões que exigem mais da imagem, como modelos e 
atrizes, também apresentam risco aumentado para o desenvolvimento. 
A etiologia mais aceita para explicar a AN é um modelo multifatorial que 
engloba fatores biológicos (fatores genéticos), psicológicos (principalmente em 
indivíduos frustrados e insatisfeitos), familiares (como a superproteção e 
envolvimento excessivo), socioeconômicos (classes econômicas e urbanização) 
e culturais (sobretudo a ocidental). Sem dúvida, estudos sugerem que os fatores 
psicossociais desempenham um importante papel na AN. 
A AN é uma condição psiquiátrica com consequências potencialmente 
fatais, com estimativas de morbidade e mortalidade em torno de 4 a 
8%. As complicações da AN se assemelham às consequências físicas 
da desnutrição crônica, como anemia, alterações endócrinas, uremia, 
edema periférico, retardo do esvaziamento gástrico, redução da 
lactase e lipase intestinais, hipecolesterolemia, hipoglicemia, 
osteoporose, aumento das enzimas hepáticas e alterações 
hidroeletrolíticas (especialmente hipocalemia, que pode levar a arritmia 
cardíaca e morte súbita). Quando acomete crianças ou adolescentes 
jovens, a restrição calórica excessiva pode interferir na curva de 
crescimento, levando a estaturas menores que o esperado, e pode 
atrasar ou até interromper o desenvolvimento puberal. (Fleitlich et al., 
2000) 
A associação com outros quadros psiquiátricos também pode ocorrer, 
como transtornos do humor, de ansiedade e/ou de personalidade. Os traços de 
personalidade mais comuns em pacientes com AN são obsessividade, 
dependência, rigidez e controle sobre impulsos e perfeccionismo. A depressão 
é o transtorno afetivo mais comum na AN, sendo diagnosticada em 53% dos 
pacientes que buscam tratamento. Questiona-se se a depressão é o resultado 
do comprometimento do estado nutricional ou se possui um papel de 
causalidade, uma vez que já foi descrita em estágios iniciais dos transtornos 
alimentares. A relação entre AN e transtornos ansiosos também tem sido 
bastante estudada, com alta incidência. 
Por ser uma etiologia multifatorial, a AN exige também um tratamento 
multiprofissional, incluindo médico, psicólogo e nutricionista como base da 
terapêutica, e é fundamental que os profissionais envolvidos trabalhem de forma 
integrada. Devido à gravidade da anorexia nervosa, é recomendado também que 
o tratamento seja precoce e contenha um programa intensivo e abrangente. 
 
 
4 
Sempre que o paciente puder contar com suporte familiar e social 
adequado, a recomendação é que o tratamento inicial seja realizado de maneira 
ambulatorial, desde que o paciente esteja metabolicamente estável e não 
apresente critérios de gravidade que exijam tratamento com internação 
hospitalar. 
O tratamento ambulatorial deve preferencialmente envolver: 
• psicoeducação dos pacientes e familiares, com apresentação e discussão 
dos conceitos acerca do quadro clínico e tratamento; 
• reeducação alimentar, com orientações teóricas, abordagens práticas e 
se possível acompanhamento dos pacientes no momento da refeição; 
• uso de medicações – apesar de não existir um agente farmacológico 
específico para AN, o uso de medicamentos para os quadros psiquiátricos 
associados tem se mostrado úteis, como o uso de antidepressivos ou 
ansiolíticos; 
• psicoterapia – é recomendado associar mais de uma abordagem 
(cognitivo-comportamental, interpessoal e a terapia de família); e 
• orientação e ou terapia familiar. 
Quando não houver sucesso no tratamento clínico ambulatorial, a 
internação hospitalar deve ser considerada, assim como em alguns pacientes 
específicos, como os que que apresentem peso corporal inferior a 75% do 
mínimo ideal, risco de desidratação, vômitos persistentes, comorbidades 
importantes, sinais de falência circulatória (como a pressão arterial baixa ou o 
pulso lento), condições psiquiátricas de risco (como auto agressividade). 
Com relação à terapia nutricional, o nutricionista tem papel fundamental 
dentro da equipe multiprofissional envolvida no tratamento de pacientes com NA, 
pois é o responsável pela intervenção e educação nutricional. Para aumentar a 
adesão desses pacientes, é importante que o nutricionista seja flexível, entenda 
seus medos sobre alimentação e peso, e atue de maneira sensível, cuidadosa, 
otimista e livre de julgamentos. A atuação deve ter um enfoque muito mais 
colaborativo do que controlador. 
O atendimento deve ser individualizado e o protocolo deve incluir detalhes 
como saber se o paciente quer ou não saber o peso e acompanhar também a 
composição corporal para assegurar um ganho de peso apropriado. A 
 
 
5 
recomendação de ganho de peso é entre 250g a 450g por semana para 
pacientes em tratamento ambulatorial e entre 900g a 1,3kg por semana para 
pacientes internados em enfermaria. 
A terapia nutricional na AN tem como objetivo reestabelecer boa relação 
com a alimentação e promover dieta balanceada e ao mesmo tempo que forneça 
aporte calórico, de macro e micronutrientes, suficiente para recuperação do 
estado nutricional do paciente. A recomendação calórica é de em torno de 30 a 
40 kcal/kg/dia, mas em algumas situações pode chegar a até 100 kcal/kg/dia 
com a progressão do tratamento. A evolução do aporte calórico deve ser 
gradativa pelo elevado risco de síndrome da realimentação. 
A proporção de macro e micronutrientes não possui especificaçõespara 
esses pacientes, devendo ser igual às recomendações para a população geral. 
Muitas vezes, é necessária a prescrição de suplementos nutricionais para atingir 
as recomendações nutricionais. 
Com relação à nutrição enteral, não há um consenso de Índice de 
Massa Corporal (IMC) ou porcentagem de perda de peso que justifique 
sua prescrição. Alguns autores consideram IMCos 
sentimentos que desencadeiam esses episódios compulsivos e a 
oportunidade de purgação. (Alvarenga; Larino, 2002) 
A seleção de alimentos dos pacientes com BN é variável e diferenciada 
entre as refeições regulares, onde não há presença de compulsão alimentar, e 
as refeições com episódios de compulsão alimentar. Para os pacientes com 
bulimia, o problema não é comer demais, e sim de menos, não se permitindo 
comer o suficiente quando não purgam. 
O padrão alimentar na doença em geral é caótico, isso porque os 
pacientes insistem em começar uma nova dieta, consumindo quantidades 
extremamente pequenas e pouco variada de alimentos, o que pode desencadear 
um episódio bulímico, em que o valor calórico ingerido é extremamente alto, com 
consumo dos alimentos considerados proibidos. É importante destacar que os 
padrões de fome e saciedade na bulimia são anormais. Os pacientes bulímicos 
apresentam disfunções em suas capacidades de percepção e mecanismos de 
 
 
9 
interação envolvidos na regulação do comportamento de ingestão alimentar. 
Assim, apresentam maior urgência para comer, deficiência para detectar a fome 
e alterações no controle da saciedade. 
A BN também é caracterizada por comportamentos alimentares 
perturbados, como expressiva repugnância e um comer social prejudicado, além 
de cognições errôneas sobre conceitos nutricionais e relação de repulsa, ódio e 
incompetência para lidar com o alimento. Assim como na AN, o conhecimento 
nutricional desses pacientes se limita apenas ao valor calórico dos alimentos, 
sendo extremamente necessária a reeducação alimentar. 
O comportamento alimentar deve ser caracterizado e avaliado para que 
se efetue uma mudança comportamental. Um conhecimento em profundidade 
do comportamento alimentar possibilita o planejamento da intervenção 
nutricional necessária para melhorar a qualidade da dieta desses pacientes. As 
atitudes relacionadas ao alimento são bons preditores da ingestão alimentar. A 
mudança em atitudes alimentares é uma medida importante do resultado geral 
nesses pacientes. 
A terapia nutricional na BN objetiva adequar os padrões nutricionais e 
reeducar os comportamentos alimentares inadequados. Os padrões dietéticos 
anormais e suas consequências psicológicas servem para perpetuar a doença e 
contribuem para sua natureza intratável. É importante, portanto, conhecer as 
dietas já realizadas pelo paciente, bem como suas crenças, tabus e/ou restrições 
alimentares. 
É fundamental monitorar o peso das pacientes e esclarecer quanto à 
perda e à variação de peso e compleição física. A retenção de fluídos e as 
flutuações de peso devem ser antecipadamente discutidas com o paciente, que 
está orientado para redução de vômitos e uso de laxantes/diuréticos. Se há 
excesso de peso, uma perda razoável só será conseguida após estabilização do 
comportamento alimentar. Os esforços terapêuticos no tratamento da BN podem 
ser comprometidos pelas adaptações metabólicas que podem levar ao ganho de 
peso quando o ciclo compulsão alimentar — purgação cessa. 
Dentro da abordagem multiprofissional, a terapia nutricional representa 
um pilar extremamente importante para o sucesso no tratamento para 
recuperação completa do paciente. 
 
 
10 
Outra variante da BN é a diabulimia, descrita recentemente como o 
transtorno alimentar mais perigoso. Esse transtorno alimentar é exclusivo de 
pacientes com Diabetes Mellitus e se caracteriza pela omissão da aplicação de 
insulina com o intuito de perda de peso. É mais comum em mulheres jovens, 
entre 15 e 30 anos, e envolve diversos fatores, como o estado emocional e 
psicológico, a autoimagem e mesmo o controle glicêmico do paciente. O foco 
muito grande sobre o que esses pacientes devem comer, e não no sentimento 
sobre a comida, peso e imagem corporal precisa ser reavaliado. 
A associação entre o ganho de peso e a insulina muitas vezes já se inicia 
logo após o diagnóstico, principalmente de Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1), em 
que a perda de peso é frequente e após o início do tratamento com insulina os 
pacientes recuperam esse peso. Estima-se que 1 em cada 5 mulheres omita 
insulina com o intuito de perder peso. A prevalência de mulheres com DM1 com 
transtornos alimentares chega a 10%, mais do que o dobro da população em 
geral — em torno de 4%. O diagnóstico de transtornos alimentares em indivíduos 
com DM tipo 2 (DM2) vem sendo negligenciado e raramente reconhecido, mas 
também deve ser considerado em indivíduos com DM2 que usam insulina. 
As complicações da diabulimia são extremamente graves pelo controle 
metabólico e o aumento do risco para complicações micro e macrovasculares. 
TEMA 3 – TRANSTORNO DA COMPULSÃO ALIMENTAR PERIÓDICA (TCAP) 
Esse transtorno alimentar é caracterizado por episódios de consumo 
excessivo de alimentos associados à sensação de perda de controle, com a 
diferença de que há ausência de comportamento compensatório, como na BN. 
O transtorno foi descrito pela primeira vez em 1950 e passou a ser considerado 
como diagnóstico quando foi incluído no apêndice B do DSM IV em 1994. 
O episódio compulsivo é definido pelo consumo de uma grande 
quantidade de alimentos em um período de tempo determinado (em 
geral até 2 horas). Os pacientes relatam perda de controle tanto 
durante como após um episódio compulsivo, mas mesmo assim esse 
episódio não é compensado com episódio de purgação, e é sempre 
acompanhado por sentimentos de angústia, vergonha, nojo e culpa. É 
importante destacar que esses episódios são esporádicos e diferentes 
de comer em excesso constantemente. Os episódios compulsivos 
incomodam os pacientes, e muitos desses pacientes apresentam 
depressão leve a moderada e preocupação com a forma e peso 
corporal — esses sentimentos são mais comuns em pessoas obesas 
 
 
11 
com transtorno de compulsão alimentar que nas não compulsivas. 
(Azevedo et al., 2004) 
O TCAP possui grande heterogeneidade nos critérios de diagnóstico, por 
falta de padronização da quantidade de alimentos ingerida durante o período 
compulsivo, a duração do episódio e os sentimento após o descontrole. O que 
se tem como definido na literatura é que o TCAP é mais comum em indivíduos 
obesos e não envolve purgação, o que diferencia esse transtorno da BN. A 
prevalência do TCAP é de em torno de 2% em homens e 3,5% em mulheres, e 
a faixa etária é mais alta quando comparados com a BN. 
O diagnóstico é eminentemente clínico e considera os seguintes critérios: 
um episódio de compulsão alimentar pelo menos 1-2 vez/semana no últimos 3-
6 meses (depende da referência), sempre associado à falta de controle sobre 
alimentação e não acompanhado de comportamentos compensatórios. Algumas 
referências sugerem também a necessidade da presença de ≥ 3 dos seguintes 
fatores: comer muito mais rápido do que o normal; comer até se sentir 
desconfortável; comer grandes quantidades de alimento sem sentir fome 
fisicamente; comer sozinho por vergonha e sentir-se nauseado, deprimido ou 
culpado depois de comer excessivamente. 
O tratamento do TCAP também exige abordagem multidisciplinar. A 
Terapia Cognitivo-Comportamental é o tratamento mais pesquisado e 
que tem mais evidência científica. A psicoterapia interpessoal também 
pode ser trazer resultados positivos. Ambas as técnicas resultam em 
taxas de remissão ≥ 60%. É importante destacar, entretanto, que que 
esses tratamentos não resultam em perda ponderal significativa em 
pacientes obesos. Com relação ao tratamento medicamentoso, a 
prescrição de antidepressivos como ISRSs podem apresentar eficácia 
a curto prazo, mas a eficácia a longo prazo é desconhecida. O uso da 
lisdexanfetamina também está aprovada para o tratamento do 
transtorno de alimentação compulsiva moderado a grave e pode 
reduzir o número de dias dos episódios compulsivos. Ainda, a 
lisdexanfetamina pode resultar em uma pequena perda de peso, mas 
sua eficácia a longo prazo é desconhecida. Alguns medicamentossupressores do apetite, como o Topiramato, ou medicamentos que 
induzem a perda ponderal, como o Orlistat, podem ser também úteis 
nesse tratamento. (Attia; Walsh, 2018) 
Com relação à terapia nutricional, é fundamental que o nutricionista faça 
parte da equipe multidisciplinar no tratamento do TCAP para adequar a 
alimentação facilitando melhor prognóstico. É comum que esses pacientes 
relatem consumo inferior às necessidades estimadas, por se sentirem 
constrangidos em revelar a quantidade de alimentos consumidos, omitindo a 
 
 
12 
realidade. O estudo encontrou consumo de lipídeos acima da recomendação. A 
recomendação para esses pacientes é de uma alimentação balanceada, 
seguindo a distribuição de macronutrientes da população em geral. A maioria 
desses pacientes apresenta sobrepeso e obesidade, e as recomendações 
calóricas devem ser ajustadas para esses objetivos. 
TEMA 4 – ORTOREXIA NERVOSA (ON) 
A Ortorexia Nervosa (ON) se caracteriza pela fixação pela alimentação 
saudável de maneira obsessiva, com busca doentia por alimentos extremamente 
saudáveis. Essa busca acaba resultando em restrições alimentares exageradas, 
com impacto negativo na vida social do indivíduo e com risco nutricional por 
carência de macro e micronutrientes. 
O diagnóstico da ON é feito pelo questionário validado pelo Instituto de 
Ciências de Alimentos da Universidade de Roma, o ORTO 15, que 
consiste em 15 perguntas abordando questões sobre a alimentação, 
desde escolha, compra, preparo e consumo de alimentos, além do grau 
de influência no comportamento pessoal. Foi estabelecido um escore 
a cima de 40 pontos como ponto de corte. A principal consequência 
desse transtorno alimentar é que essas privações podem resultar na 
privação de nutrientes essenciais e os pacientes podem 
desenvolverem desnutrição, anemia, hipovitaminoses, hipotensão e 
osteoporose. Ainda, o consumo excessivo de suplementos, comum 
nestes indivíduos, pode resultar também em hipervitaminose. Por fim, 
outra consequência é que esses indivíduos tendem a se isolar 
socialmente, pois as restrições alimentares impedem o convívio social. 
(Bernardes, 2019) 
Assim como nos demais transtornos alimentares, o tratamento da ON 
exige abordagem interdisciplinar, que deve incluir apoio médico, psicológico e 
nutricional. Dentre as terapias utilizadas na ON, a TCC vem sendo estudada e 
tem mostrado melhora importante no reestabelecimento do comportamento 
alimentar desses indivíduos, com melhora na relação com a comida e eliminação 
do comportamento restritivo obsessivo. 
TEMA 5 – VIGOREXIA 
A vigorexia é um transtorno caracterizado pela percepção distorcida da 
imagem corporal e depreciação do próprio corpo, e possui maior prevalência em 
indivíduos no sexo masculino. A atividade física, que usualmente promove 
saúde, se transforma em uma obsessão. O indivíduo com desenvolvimento 
 
 
13 
muscular adequado se vê extremamente fraco. Esse transtorno pode gerar 
afastamento do convívio social devido a problemas psicológicos de distorção da 
imagem corporal. 
A busca incontrolável por um corpo musculoso resulta na privação da 
vida emocional, social e ocupacional por conta das longas horas 
investidas em musculação. O grande objetivo é aumentar a massa 
muscular e diminuir ao máximo a porcentagem de gordura do corpo, o 
que pode levar o corpo a extremos limites de exaustão. Ainda, muitas 
vezes esses indivíduos acabam fazendo o uso indiscriminado e 
proibido de anabolizantes ou esteroides visando ao aumento da massa 
muscular e a diminuição do percentual de gordura corporal. 
(Bernardes, 2019) 
As consequências da vigorexia são: ansiedade e/ou depressão, 
deterioração das relações sociais, insônia, mudanças metabólicas no fígado e 
sistema cardiovascular, aumento no nível de colesterol, diminuição respiratória, 
disfunção erétil, hipertrofia prostática, hipogonadismo e ginecomastia e 
amenorreia ou ciclos menstruais irregulares nas mulheres. 
O tratamento da vigorexia também deve envolver uma equipe 
multidisciplinar com médico, psicoterapeuta, nutricionista e profissionais de 
educação física. Os profissionais de educação física devem ser treinados para a 
identificação precoce desse transtorno e devem atuar ainda na prevenção deste 
transtorno. 
Com relação à terapia nutricional, é importante avaliar detalhadamente a 
ingestão desses indivíduos para adequações individualizadas e progressivas na 
sua alimentação — que em geral se baseiam em dietas hiperproteicas e 
hipoglicídicas pelo medo excessivo do consumo de carboidratos. 
NA PRÁTICA 
A preocupação excessiva com o peso e forma corporal tem aumentado a 
incidência de transtornos alimentares, com diagnóstico cada vez mais precoce. 
O tratamento dos transtornos alimentares constitui um desafio para o profissional 
nutricionista e exige muita empatia, paciência, familiarização com os transtornos 
e engajamento com os demais profissionais da equipe multidisciplinar. 
 
 
 
14 
FINALIZANDO 
A terapia nutricional é um dos principais pilares do tratamento dos 
transtornos alimentares pelo reestabelecimento do padrão alimentar e melhora 
da relação com a comida. O principal objetivo do acompanhamento nutricional 
em pacientes com transtornos alimentares é promover a alimentação saudável 
com a manutenção ou reparação do estado alimentar com associação na 
melhora de hábitos como compulsão, purgação e restrição alimentar exagerada. 
O tratamento e a redução da recidiva dos transtornos alimentares é um 
grande desafio para todos os profissionais de saúde da equipe multidisciplinar, 
e sem dúvida a literatura carece de estudos para o embasamento desse 
tratamento, sobretudo no tratamento nutricional. Futuras investigações podem 
fornecer esclarecimentos sobres o tratamento dos transtornos alimentares, como 
a adequação nutricional, frequência das refeições e as manifestações do 
comportamento alimentar. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
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Association: nutrition intervention in the treatment of anorexia nervosa, bulimia 
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AZEVEDO, A. P. de; SANTOS, C. C. dos; FONSECA, D. C. da. Transtorno da 
compulsão alimentar periódica. Archives of Clinical Psychiatry, São Paulo, v. 
31, n. 4, p. 170-172, 2004. 
_____. Transtorno da compulsão alimentar periódica. Rev. Psiquiatr. Clín., v. 
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FLEITLICH, B. W. et al. Anorexia nervosa da adolescência. Jornal de Pediatria, 
v. 76, n. 3, p. 23-99, 2000.

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