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A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO DE NEUROPSICOPEDAGOGIA COM CRIANÇAS PORTADORAS DE TDAH
Daiane Gonçalves de Almeida
E-mail: dgerjvlg@gmail.com
Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia
Instituto de Pós-Graduação – IPOG
Ariquemes - RO, 09 de janeiro de 2024.
Resumo: O presente estudo é uma reflexão acerca do papel da neuropsicopedagogia no trabalho com crianças portadoras de TDAH. Entende-se que o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, o TDAH como um transtorno neurobiológico que acarreta falta de concentração, de atenção, dificuldades de relacionamento, agitação, impaciência o que atrapalha de forma significativa o processo de aprendizagem. Concomitantemente observa-se um aumento expressivo de alunos com TDAH no ambiente escolar, e paradoxalmente uma formação insuficiente dos professores para lidar com a referida situação, que em grande parte das vezes não estão preparados não sabem para estabelecer propostas metodológicas adequadas para o aluno com TDAH. O transtorno déficit de atenção e hiperatividade ocasiona uma série limitações na aprendizagem e em razão disto se faz necessária a contribuição do neuropsicopedagogo para estabelecer estratégias junto ao professor e assegurar uma maior efetividade na aprendizagem destes indivíduos. Entendendo a importância do aprendizado para o desenvolvimento e vice-versa, entende-se que o ambiente escolar colabora para a transformação social na medida em que fomenta as capacidades intelectuais, as atitudes e o comportamento crítico em relação à sociedade em que está inserida. Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo apontar a grande relevância da contribuição da neuropsicopedagogia para o desenvolvimento cognitivo e emocional e a importância das emoções no processo de aprendizagem para a criança com TDAH. Como recurso metodológico utilizou-se neste estudo a revisão literária, qualitativa e de corte transversal.
Palavras-chave: TDAH. Neuropsicopedagogia. Aspectos Cognitivos. Processo de aprendizagem.
1 INTRODUÇÃO
Na contemporaneidade várias pesquisas acerca do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e os outros distúrbios envolvem a função cognitivo-comportamental e emoções, vem sendo mais necessárias a cada dia, assim como se torna imprescindível que se busque um tratamento integrador visando minimizar os déficits cognitivos e também comportamentais. 
Vários estudos reforçam a hipótese de TDAH possuem características genéticas importantes. Do ponto de vista neuroquímico, o TDAH é considerado Doença com hipofunção da atividade do neurotransmissor catecolaminérgico. O foco está na desregulação central do sistema dopaminérgico, e levando-se em conta que a norepinefrina controla a atenção, organização, planejamento, motivação, cognição, atividade motora, função executiva e sistema de recompensa emocional, todas estas funções passam a ficar com algum grau de comprometimento.
 Ao contrário da crença popular, o TDAH não é superado durante a adolescência. Em alguns casos, parece ser minimizado nesta fase porque algumas pessoas, mas estas apenas aprendem a lidar com essas condições, e dessa forma acabam por abrandar os sintomas. O presente estudo busca abranger a relevância da atuação do neuropsicopedagogo no processo de ensino e aprendizagem visando estabelecer estratégias junto ao professor, de forma a colaborar e permitir que os alunos portadores de TDAH, possam ultrapassar as suas limitações e desenvolver o seus potenciais, adaptando-se ao processo de ensino e aprendizagem às suas necessidades. 
Desta forma a neuropsicopedagogia, vem enquanto produção de um conhecimento científico que surgiu da necessidade de uma mais perfeita compreensão do processo de aprendizagem, neste sentido seria a aplicação da psicologia à pedagogia.	
E tem parte de dois enfoques específicos para a sua atuação que é o preventivo e terapêutico. A criança deve viver cada fase de sua vida em seu devido tempo para que alcance o desenvolvimento emocional, físico, educacional e social de forma gradual e de acordo com tempo e ritmo maturacional e a neuropsicopedagogia ajuda isto. 
Este estudo se justifica no fato de que a neuropsicopedagogia propõe considerar a relevância do processo de ensino-aprendizagem, tornando assim necessário entender quais contribuições da inserção de métodos adequados na aprendizagem identificando mecanismos que favoreçam tal aprendizagem e também verificar a possibilidade de ensinar, por meio de estratégias relacionadas ao contexto maturacional da criança. 
Esta pesquisa é um estudo descritivo, do tipo revisão de literatura. Esse tipo de metodologia se caracteriza na construção de uma análise literária acerca da temática soerguida, que contribua para a discussão acerca de métodos e resultados de outras pesquisas, para fins de organização e alcance do objetivo do estudo.
2 DESENVOLVIMENTO 
2.1 O TRANSTORNO DO DÉFICIT DE APRENDIZAGEM E HIPERATIVIDADE
	O estudo da etiologia do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade tem sido objeto de muitas análises, principalmente desde o início da década de 1990. Apesar da extensa pesquisa, a causa exata do TDAH ainda é desconhecido, entretanto o argumento de que fatores genéticos e ambientais influenciam o desenvolvimento é amplamente aceito na literatura. (BARTOSZECK, 2013).
	De acordo com a Associação Brasileira de Déficit de Atenção, esta patologia foi descrita clinicamente pela primeira vez em 1917 pelo Dr. Von Economo. Na grande maioria das vezes, o TDAH, conhecido pela sigla TDAH, é um problema de saúde mental que possui três características básicas: desatenção, agitação (ou hiperatividade) e impulso. (OLIVIER, 2013).
A característica fundamental do Transtorno de Déficit de Atenção em Hiperativos (TDAH) é um padrão persistente de desatenção, impulsividade e/ou hiperatividade-impulsividade que é mais frequente e severa que o tipicamente observado em indivíduos em um nível comparável de desenvolvimento. (JOSÉ & COELHO,1999, P.43)
	Os tipos, sintomas e intensidade do TDAH variam de pessoa para pessoa, o que significa que, mesmo quando um diagnóstico identifica o transtorno, os comportamentos e os sintomas podem variar de criança para criança. Embora sejam características típicas da infância, as marcas que podem identificar uma criança com TDAH são as três principais características de intensidade, frequência e constância. (BARTOSZECK, 2013).
Entende-se assim que o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) um distúrbio neurobiológico afeta crianças e adultos, manifestando-se por meio de padrões persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Esses sintomas podem interferir consideravelmente nas atividades diárias e no desenvolvimento acadêmico, profissional e social da pessoa afetada. (SENA, 2013)
Os sintomas incluem desatenção, hiperatividade e impulsividade. A desatenção se manifesta na dificuldade em manter a atenção em tarefas, cometer erros por descuido e ter dificuldade em seguir instruções. A hiperatividade envolve agitação motora e dificuldade em permanecer sentado em situações que exigem isso. A impulsividade inclui tomada de decisões precipitadas e dificuldade em aguardar a vez em atividades em grupo. (BARTOSZECK, 2013).
As causas do TDAH são complexas e envolvem fatores genéticos, ambientais, complicações durante a gravidez e o parto, exposição a toxinas e história familiar do transtorno. O diagnóstico é feito por meio da observação de comportamentos específicos, relatos de sintomas e avaliações neuropsicológicas. O tratamento abrange intervenções comportamentais, como terapia comportamental e estratégias de gerenciamento de tempo, além de abordagens farmacológicas, como o uso de medicamentos estimulantes. Adaptações no ambiente educacional, como modificações curriculares e suporte individualizado, também são fundamentais. (SENA, 2013)
Embora o TDAH seja crônico, muitos indivíduos experimentam melhorias significativas com intervenções adequadas. A pesquisa contínua busca compreender melhor as causas e desenvolver abordagens de tratamentomais personalizadas. O diagnóstico precoce, a intervenção apropriada e o apoio contínuo são cruciais para que as pessoas com TDAH possam gerenciar seus sintomas e alcançar seu potencial máximo. A compreensão do TDAH é fundamental para reduzir o estigma associado e promover ambientes favoráveis ao desenvolvimento pleno desses indivíduos. (BARTOSZECK, 2013).
Portanto, é preciso ter atenção especial para observar e compreender o comportamento dessas crianças no ambiente de aprendizagem, pois os professores devem contribuir para esse processo de formação da autoestima e da autoimagem, evitando assim que esses alunos sejam constantemente apontados como diferentes, e também prestar atenção aos métodos e estratégias de ensino, para ajudar a adquirir atitudes, emoções, cognições e valores sociais além do conhecimento. (BARTOSZECK, 2013).
	De acordo com Silva (2009, p. 213): 
O cérebro de um TDAH, em forma e aparência, em nada difere dos cérebros que não apresentam um funcionamento TDAH, a diferença está no íntimo dos circuitos cerebrais que são movidos e organizados pelos neurotransmissores, que seriam os combustíveis que alimentam, modulam e fazem funcionar todas as funções cerebrais. Assim, os neurotransmissores seriam a gasolina dos carros, as quedas-d’água que geram a energia das grandes hidroelétricas ou mesmo a energia atômica das usinas nucleares. 
O início da vida escolar de uma criança é uma ocasião importante e a ida da mesma para a escola é um momento que junta alegria e ansiedade, tanto para ela quanto para os pais. As reações neste momento são muitas, crises de ansiedade, medo do novo e do desconhecido, insegurança, e outros sentimentos que surgem quando forçada a confrontar-se com uma situação nova. (OLIVIER, 2013).
Tal quadro tanto pode progredir de modo positivo, com uma resposta satisfatória da criança, quanto também de forma negativa onde a criança apresenta reações imprevisíveis como tentativa de fuga, agressão ou autoagressão, o que pode em situações mais graves conduzir a um comportamento fóbico. (OLIVIER, 2013).
	De acordo com Silva (2009, p.71): 
O desempenho escolar das crianças com TDAH é marcado pela instabilidade. Um exame nos boletins escolares ou nos registros dos professores pode ilustrar bem o problema. Em um momento, ela é brilhante. Em outro, inexplicavelmente, não consegue aprender os conteúdos ministrados. Tais momentos tão díspares, muitas vezes, são bastante próximos no tempo. Não é incomum que se alternem de um dia para outro. A instabilidade de atenção é a causa desse sobe e desce no desempenho. Caso a criança seja também hiperativa, o problema pode agravar-se, pois, além da desatenção, a incapacidade de se manter quieta em sua carteira a impedirá não só de aprender, como também de conquistar e manter amizades.
	Há de se considerar um aumento significativo de alunos com TDAH no ambiente escolar, na atualidade e em contrapartida percebe-se um preparo insuficiente dos professores para lidar com tais situações, que na maioria das vezes não estão preparados e não sabem estabelecer propostas metodológicas adequadas para o aluno com TDAH. (OLIVIER, 2013).
	O transtorno déficit de atenção e hiperatividade causa incontestavelmente limitações e dificuldades na aprendizagem e por isso a necessidade de um profissional preparado para estabelecer estratégias junto ao professor e assegurar uma maior efetividade na aprendizagem destes alunos. (BOSSA,2017)
	Muskart (2012, p.135) afirma que: 
Estudos sobre conhecimentos e percepção dos professores a respeito do TDAH alertam para pouca informação referente ao mesmo e a necessidade de maior comprometimento dos professores com o diagnóstico, o manejo e o tratamento dessas crianças. 
	É a falta de informação e de aparelhamento da escola e dos professores que faz com que os casos de TDAH se agravem, e uma das principais consequências é a rejeição que o aluno enfrenta. Neste sentido Porto (2007, p.71-72) assegura que: 
[...] são frequentemente rejeitados pelo ensino tradicional, acabam acolhidos em escolas experimentais ou especializadas. Outro agravante apresentado é a discriminação das diferenças. As crianças têm de se adaptar a um padrão estabelecido de comportamento. Na escola, os comportamentos, sob a marca de agressivos, são pouco tolerados.
O papel da escola e do educador é promover a aprendizagem de maneira adequada que colabore com a sociabilidade, instituindo no cotidiano da criança o prazer de aprender, deve também propor desafios que estimulem as oportunidades de se desenvolver e aprender através de uma educação colaborativa, cooperativa, com o mínimo de exclusões possíveis. (BARTOSZECK, 2013).
Também é papel fundamental mediar, conciliar e trabalhar para sanar os conflitos, negociando e ensinando a cada um a assumir as devidas responsabilidades por suas ações e também pelo seu comportamento. Desta forma, a criança age de modo consciente e não fica imputando culpa aos outros. (OLIVIER, 2013). 
A escola deve ter profissionais bem treinados, habilidosos e que tenham informações sobre o TDAH. O professor deve aceitar cada aluno com suas características e necessidades específicas, promovendo a motivação em sala de aula, tornando a aprendizagem prazerosa, reconhecendo os limites individuais e ter flexibilidade para adaptar e modificar o programa para o conforto dos portadores de TDAH. (SENA, 2013, p.84) 
	Quando os vestígios de TDAH são percebidos dentro da sala de aula, é necessário que o professor registre esses comportamentos, por um período de seis meses e ir comunicando os pais e a direção escolar, para que juntos possam encaminhar esse aluno para uma equipe multidisciplinar. E como grande aliado dos pais, professores e comunidade escolar que convivem com alunos com TDAH que surge à figura do neuropsicopedagogo. 
O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento que pode resultar em déficits no desempenho pessoal, social, acadêmico ou profissional. Conforme indicado pela Associação Brasileira do Déficit de Atenção - ABDA, a prevalência global do TDAH varia entre 5% e 8%. No Brasil, uma pesquisa realizada em 2020 revelou que 7,6% dos estudantes investigados, com idades entre 6 e 17 anos, exibiram sintomas de TDAH.
É inadequado afirmar que houve um aumento nos casos de TDAH ao longo do tempo; ao contrário, temos observado um aumento nos diagnósticos. As pessoas com TDAH estão sendo mais identificadas e recebendo maior apoio nos serviços de saúde e educação. Estamos lidando de maneira mais eficaz com estigmas que costumavam ser associados a esse público, muitas vezes resultando na ausência de diagnóstico e tratamento adequados.
2.2 A NEUROPSICOPEDAGOGIA A FAVOR DA INCLUSÃO
A Neuropsicopedagogia é uma disciplina emergente, dedicada a abordar questões ligadas à aprendizagem humana e ao desenvolvimento cerebral. O termo é construído a partir da combinação de diversas áreas essenciais para a atuação desse profissional. (OLIVIER, 2013).
A Neuropsicopedagogia (NEURO + PSICO + PEDAGOGIA) é fundamentada na integração dos campos das neurociências, da psicologia e da pedagogia, com foco no processo de aprendizado humano. Ancorada e sustentada por investigações relacionadas à aprendizagem, a concepção da neuropsicopedagogia abrange múltiplas disciplinas do conhecimento humano. (OLIVIER, 2013).
Segundo a Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia (SBNPp) em seu artigo 10º do Código Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia este ramo pode ser definido da seguinte forma: 
A Neuropsicopedagogia é uma ciência transdisciplinar, fundamentada nos conhecimentos das Neurociências aplicada à educação, com interfaces da Pedagogia e Psicologia cognitiva que tem como objeto formal de estudo a relação entre o funcionamento do sistema nervoso e a aprendizagem humana numa perspectiva de reintegração pessoal, social e educacional (SBNPp, 2016, p. 4)
A função do profissional em Neuropsicopedagogia concentra-se na compreensão das dificuldades enfrentadas pelo indivíduo e na assistênciapara desenvolver materiais educativos pertinentes, direcionados aos alunos com necessidades especiais, seja em termos físicos ou cognitivos. Essa área está intrinsecamente relacionada com a neurociência, a qual estabelece uma conexão entre os âmbitos educacional e de saúde em sua definição. (OLIVIER, 2013). 
De acordo com Bartoszeck, a neurociência representa um segmento do conhecimento biológico que se vale das descobertas de suas subdivisões, como a neurofisiologia, a neurofarmacologia, o complexo psiconeuroimuno, a psicologia evolutiva, a neuroimagem, para elucidar o funcionamento do sistema nervoso (BOSSA, 2017)
A neurociência se apresenta como uma valiosa aliada no processo de aprendizagem e serve como uma base sólida para a Neuropsicopedagogia e sua atuação abrangente, a qual procura amalgamar estudos provenientes de conhecimentos prévios, tanto de profissionais da educação quanto da área da saúde. (BARTOSZECK, 2013). 
Quando se fala da importância da neuropsicopedagogia para a inclusão escolar, observam-se os domínios dos conhecimentos da neurociência que são relevância fundamental para a atuação do neuropsicopedagogo, uma vez que sua responsabilidade está centrada na compreensão das dificuldades enfrentadas pelo indivíduo, além de prestar auxílio na formulação de intervenções embasadas em princípios da neurociência e abordagens psicopedagógicas. (BOSSA,2017)
Considerando o artigo 29:
Ao Neuropsicopedagogo com formação na área Institucional, conforme descrito no Capítulo V, fica delimitada sua atuação com atendimentos neuropsicopedagógicos exclusivamente em ambientes escolares e/ou instituições de atendimento coletivo. §1º. Entende-se que sua atuação na área de Institucional, ou de educação especial, de educação inclusiva escolar deve contemplar: a) Observação, identificação e analise do ambiente escolar nas questões relacionadas ao desenvolvimento humano do aluno nas áreas motoras, cognitivas e comportamentais; b) Criação de estratégias que viabilizem o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem do aluno; c) Encaminhamento do aluno a outros profissionais quando o caso for de outra área de atuação/especialização (SBNPp, 2016, p. 5).
No contexto da inclusão, ressalta-se que as dificuldades de aprendizagem têm uma longa história no âmbito educacional, uma vez que sua origem pode ser interna (vinculada a fatores orgânicos) ou externa (associada a influências ambientais). Diversas categorias de classificação surgem de acordo com a intensidade do problema, podendo ser agrupadas como distúrbios, transtornos ou dificuldades. (BOSSA,2017)
Os transtornos acompanhados de distúrbio têm uma origem intrínseca e não são influenciados pelo desejo do indivíduo de executar atividades conforme as expectativas da família, escola ou sociedade. Essas condições são resultado de uma disfunção na região frontal do cérebro, o que resulta em perturbações devido a problemas na recepção de estímulos e na integração de informações. Isso compromete a capacidade de atenção seletiva e leva ao surgimento de impulsividade e dificuldades na coordenação visomotora. (BOSSA,2017)
Conforme Olivier (2013): 
A síndrome e o transtorno podem confundir-se, pois podem demonstrar os mesmos sintomas e/ou sinais. Enquanto não pode identificar a patologia, este conjunto de sinais e sintomas é chamado de síndrome. A partir do momento em que se define a patologia, o quadro passa a ser chamado de transtorno. Resumindo, a diferença entre síndrome e transtorno é a identificação da patologia [...] (OLIVIER, 2013, p. 36). 
No entanto, os distúrbios específicos de aprendizagem são condições que impactam o funcionamento do sistema nervoso central, resultando em desempenhos aquém do esperado em avaliações padronizadas de leitura, escrita ou matemática, e interferindo, portanto, no desempenho escolar ou em tarefas que demandem tais habilidades. (SEABRA; DIAS; ESTANISLAU; TREVISAN citados por ESTANILAU e BRESSAN, 2014).
Para que sejam reconhecidos como tais, é necessário descartar outros fatores que possam justificar o baixo desempenho, conforme mencionado entre as dificuldades de aprendizagem. De modo geral, os distúrbios específicos de aprendizagem têm uma base genética hereditária, devem acarretar prejuízos e mantêm-se persistentes ao longo da vida (SEABRA; DIAS; ESTANISLAU; TREVISAN citados por ESTANILAU e BRESSAN, 2014).
A fim de compreender o processo de socialização e aprendizagem em crianças e adolescentes, é crucial que profissionais das áreas de saúde e educação unam esforços, busquem oportunidades de formação contínua para abordar os distúrbios escolares, e assim, encontrem abordagens teóricas e práticas para identificar adequadamente esses distúrbios, oferecer orientação às famílias e instituições de ensino, efetuar encaminhamentos e desenvolver estratégias de intervenção pertinentes. Nessa perspectiva, acreditamos que seja viável criar condições que facilitem o acesso e favoreçam a permanência desses indivíduos em ambientes educacionais inclusivos.
 2.3 A NEUROPSICOPEDAGOGIA E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O ALUNO COM TDAH
	A neuropsicopedagogia, enquanto produção de um conhecimento científico surgiu da necessidade de uma mais perfeita compreensão do processo de aprendizagem, neste sentido seria a aplicação da psicologia à pedagogia. E tem parte de dois enfoques específicos para a sua atuação que é o preventivo e terapêutico. A criança deve viver cada fase de sua vida em seu devido tempo para que alcance o desenvolvimento emocional, físico, educacional e social de forma gradual e de acordo com tempo e ritmo maturacional e a neuropsicopedagogia ajuda isto. (BOSSA, 2017)	
Entende-se que o professor é um orientador para o aluno e não um chefe. E neste sentido não se deve trabalhar somente a reprodução, a memorização, porque grande parte dos alunos simplesmente esquecem os ensinamentos após a aula.  Desta forma, esta teoria sugere que os alunos aprendam fazendo. (CRUVINEL, 2014)
Neste contexto surge a neuropsicopedagogia, enquanto produção de um conhecimento científico que surgiu da necessidade de uma mais perfeita compreensão do processo de aprendizagem, neste sentido seria a aplicação da neuropsicologia à pedagogia. (DOMINGOS, 2020)	
E tem parte de dois enfoques específicos para a sua atuação que é o preventivo e terapêutico. A criança deve viver cada fase de sua vida em seu devido tempo para que alcance o desenvolvimento emocional, físico, educacional e social de forma gradual e de acordo com tempo e ritmo maturacional e a neuropsicopedagogia ajuda isto. (BOSSA,2017)	
	A neuropsicopedagogia propõe na busca de auxiliar os alunos com TDAH, considerar a relevância do processo de ensino-aprendizagem, observando que alguns fatores importantes que não sendo devidamente considerados, podem ser motivo deste insucesso dos alunos na educação infantil, tornando assim necessário entender quais contribuições da inserção de métodos adequados na aprendizagem e no processo de alfabetização; identificar mecanismos que favoreçam tal aprendizagem e também verificar a possibilidade de ensinar, por meio de estratégias relacionadas ao contexto maturacional e às limitações de cada criança. (DOMINGOS, 2020)	
	Vale destacar entre as intervenções deste profissional a utilização dos jogos lúdicos e a introdução de atividades ligadas à arteterapia, como desenhos, pintura, colagem, modelagem, entre outras pode ajudar bastante. 
Quando falamos em lidar com portadores de TDAH, falamos também em interdisciplinaridade, ou seja, são necessárias também outras intervenções, entre elas a psicopedagógica, que se volta para a construção de condições para que o sujeito possa situar-se de forma adequada, e o comportamento patológico situar-se em um segundo plano (STROH, 2010, p.93).
Trabalhando com o suporte da neuropsicopedagogia consegue-se despertar nos alunos com TDAH, um maior interesse no aprendizado. Entendendo a importância do aprendizado para o desenvolvimento e vice-versa, entende-se que o ambiente escolar colabora para a transformação social na medida em que fomentaas capacidades intelectuais e com o aluno com TDAH, não deve ser diferente, as atitudes e o comportamento crítico em relação à sociedade em que está inserida devem também serem fomentados. (BOSSA,2017)
Alunos com TDAH de acordo com Rodhe (2003 apud Muszkat, 2012; p.143): 
[...] necessitam de uma estrutura bem definida, de uma sala de aula estruturada e com número pequeno de alunos, uma organização dinâmica e flexível, o aluno deve sentar-se próximo ao professor, no meio de colegas tranquilos e as aulas devem ser rotineiras e claras, as regras devem ser claras e curtas e é necessário estabelecer consequências para o não cumprimento das tarefas.
Com este estudo chegou-se aos seguintes resultados, a Psicologia e a Educação tratam do encontro de dois campos absolutamente relevantes do ser humano, que apesar de distintos, se assemelham quando se trata de falar sobe comportamento e sobre o sujeito, conforme anteriormente mencionado, o que justifica sua conexão. Contudo, a Educação se dá por meio de uma promoção educativa, e a Psicologia por meio de uma promoção profilático-terapêutica. (DOMINGOS, 2020)	
Sendo assim, apesar de que ambas lidam com a promoção humana e se realizem através de funções diferentes, surge aí, um grande o desafio para o neuropsicopedagogo em promover a junção entre os dois campos e encontrar o ponto de interseção entre ambos, de forma a utilizá-los em prol da aprendizagem da criança voltada para o sujeito, com olhar que priorize a singularidade e não somente o todo. (BOSSA,2017)	
O estudo busca abordar e se faz necessário o conhecimento dos num contexto geral, aspectos que norteiam as intervenções neuropsicopedagógicas junto a alunos com TDAH, de forma a direcionar o profissional de forma a permitir que o trabalho a ser executado, produzindo resultados satisfatórios e ajudando a criança a ser acompanhada. (CRUVINEL, 2014)	
O neuropsicopedagogo sempre deve ter um olhar atento em relação ao seu aluno/paciente, ou seja, na maneira que a criança experimenta e aprende sobre o mundo que está inserida, ele sempre deve propor experiências significativas para que ela possa aprender limites, regras e trocas de experiências por meio das interações e das brincadeiras. (BOSSA,2017)	
Ao avaliar uma criança com TDAH, ou que possua qualquer outra dificuldade de aprendizado ou qualquer comprometimento no desenvolvimento, devem ser observadas com mais atenção pois a infância é uma etapa de grande importância para o conhecimento e a aprendizagem das crianças, sendo através do convívio com outras crianças e da socialização que eles desenvolvem várias habilidades, fazendo melhorar o seu desempenho escolar para seu futuro, onde as primeiras descobertas e aprendizagens iniciarão. (CRUVINEL, 2014)	
O neuropsicopedagogo deve sempre ser um mediador nas dificuldades de forma a orientar e dar equilíbrio à criança nesta aprendizagem, transformando uma realidade que pode ser de segregação e preconceito em momentos de enriquecimento cognitivo e pessoal, não se preocupando somente com o seu as convencionalidades, mas também com o inovar na prática neuropsicopedagógica de improvisar com intencionalidades nas atividades propostas.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A Neuropsicopedagogia é uma disciplina contemporânea, embora suas bases científicas tenham uma história considerável no campo da pesquisa sobre a mente humana. É uma ciência de natureza transdisciplinar, que recebe contribuições da psicologia, psicopedagogia, pedagogia, psicanálise, neurologia e sociologia das neurociências. Os profissionais que operam nesse campo têm como objetivo estabelecer conexões entre o processo de aprendizagem e o funcionamento do cérebro humano, utilizando uma ampla gama de abordagens para mediar e consolidar o conhecimento estruturado e desta forma contribuir de forma efetiva com a educação inclusiva.
Reconhece-se a importância da pesquisa como um fio condutor para a atuação do neuropsicopedagogo no ambiente escolar, especificamente no que se refere à inclusão. Espera-se que este estudo possa servir como uma base para pesquisas futuras ou até mesmo como um referencial para futuras regulamentações que validem a presença do neuropsicopedagogo nas instituições educacionais. Isso é crucial, uma vez que a educação é construída por meio da colaboração de diversos profissionais oriundos de disciplinas diversas.
No caso da criança portadora de TDAH, isto se faz evidente, e o desenvolvimento e o amadurecimento emocional trazem benefícios para a vida do indivíduo, benefícios estes que variam desde o equilíbrio, a segurança, a autossuficiência e tantas outras características que chegam com a maturidade emocional. E neste sentido a contribuição da neuropsicopedagogia é latente
E nesta tarefa que a princípio, parece ser utópica, surge uma perspectiva educacional inovadora, que dá ao educador o papel que protagonize o desenvolvimento cognitivo em razão do desenvolvimento emocional, estimulando sonhos da criança e com base neles estipular objetivos e metas a serem alcançados e mesmo superadas.
É essencial instituir um vínculo de confiança e, sobretudo de afetividade na relação da aprendizagem escolar que vejam sob a perspectiva de que não existem alunos ruins e nem “atrasados” no processo educacional, as diferenças e dificuldades da criança com TDAH, são na verdade aspectos que precisam ser trabalhados num contexto geral, considerando que cada criança é singular dentro dos aspectos tanto cognitivos, quanto emocionais, afetivos e mesmo sociais.
O sucesso emocional da criança com TDAH está intrinsecamente relacionado com a percepção da própria capacidade em lidar, acompanhar, articular e mudar sentimentos antagônicos que dificultam a persistência da busca por um objetivo ou meta. Ela pode sentir e ao não saber lidar com o ato de pedir ajuda, piorar ao invés de melhorar.
Por fim, há que se entender que é fundamental que se conheça a realidade da criança com TDAH, que se trabalhe nela a capacidade de despertar o interesse em expressar e reconhecer sua emoção, e que crie vínculos de confiança e também afetivos, com o intuito de se impedir que o medo, ou qualquer outro sentimento negativo se transforme em algo maior que prejudique o seu desenvolvimento e o seu processo de aprendizagem.
REFERÊNCIAS
BARTOSZECK, Amauri Betini. Neurociência em benefício da Educação. Diferentes olhares que se complementam. [S.l.: s.n.], 2013. Disponível em:2016. Disponível online em: www.sbnpp.com.br. Acesso em: 10 de dez. 2023.
SENA, Simone Silva Neto. Distraído e a 1000 por hora. 3ª Ed – Belo Horizonte: Artesã Editora, 2013. 
SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes Inquietas: TDAH: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
SILVA, M. & RODRIGUES, G. Crianças com Necessidades Educativas Especiais. Apostila. 2011. 
UNESCO. Declaração Mundial sobre Educação para Necessidades Especiais. Salamanca. 2021. Disponível em: https://mail.google.com/mail/u/0/?tab=rm&ogbl#inbox?projector=1. Acesso em: 10 dez. 2023.

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