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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - CEDERJ LICENCIAURA EM PEDAGOGIA DISCIPLINA: DINÂMICA E ORGANIZAÇÃO ESCOLAR • AULA 05 - A ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO PAÍS: CONSTITUIÇÕES FEDERAIS • OBJETIVOS Analisar as Constituições Federais e como apresentam a Educação Nacional ao longo do tempo; Observar como a Constituição Federal organiza a Educação Nacional; Conhecer os princípios da Educação Nacional. • ORIENTAÇÕES Leia o texto da aula e o material complementar. Realize as atividades propostas, como forma de se aprofundar nos conteúdos trabalhados. Apresentação Como a Educação Nacional está organizada? Como as escolas decidem sobre as ofertas, os prazos, as durações do período letivo e tantas outras questões pertinentes à educação? Sabemos que há uma Lei que orienta a Educação do país: a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (comumente chamada de LDB ou LDBEN). Essa Lei, porém, não pode desrespeitar a Lei máxima do país em seus princípios e normatizações. Assim, se queremos entender sobre a organização da Educação, precisamos conhecer o que a Constituição Federal fala sobre o tema e como está relacionada com a LDB. 1. INTRODUÇÃO Em 20 de dezembro de 1996 foi promulgada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de n° 9.394, lei vigente até os dias atuais. Depois de quase três décadas em vigor, entretanto, várias modificações já foram feitas em seu texto. Isso UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - CEDERJ LICENCIAURA EM PEDAGOGIA DISCIPLINA: DINÂMICA E ORGANIZAÇÃO ESCOLAR acontece porque a própria educação brasileira vem se transformando, e, como já apontado, os documentos legais ratificam questões contemporâneas que emergem da sociedade. Portanto, podemos dizer que a Lei sofreu várias modificações em seu texto no intento de organizar a Educação Nacional dentro das necessidades sociais prementes. Apesar disso, muitas pessoas ainda recorrem a termos, expressões ou ideias das leis anteriores para se referir aos processos educacionais atuais. Um exemplo, é quando as pessoas ainda se referem ao Ensino Fundamental e ao Ensino Médio como Primeiro e Segundo grau, respectivamente. Muitas vezes são externadas também dúvidas sobre as etapas da educação obrigatórias ou questões curriculares. Como futuras professoras é essencial estarmos atentos às determinações e princípios atuais definidos pela Lei e normas vigentes. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional está sujeita à Constituição Federal – lei máxima do país. A Constituição indica sobre quais princípios a Educação Nacional deve estar alicerçada e quais normas básicas de organização devem ser seguidas. Podemos compreender um pouco da História da Educação Nacional por observarmos as mudanças ocorridas nas propostas educacionais presentes nas Constituições do país. Nesta aula conversaremos um pouco sobre a Constituição e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 2. EDUCAÇÃO PARA TODOS Uma das coisas que discutimos nas primeiras aulas, foi como ao longo da história as propostas e políticas educacionais foram se transformando em atenção às demandas sociais emergentes. Destacamos que, a partir de meados do século XX, a defesa do direito à educação para todos ganhou visibilidade - sendo tema de diversos eventos internacionais, dos quais muitos países participaram. No Brasil, podemos observar na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394/96) a preocupação em atender aos sujeitos outrora excluídos dos processos educacionais institucionalizados, colocando em evidência a Educação como direito fundamental. Para os estudos dessa aula, vamos iniciar nossa leitura na descrição dos princípios da Educação Nacional, indicados na Lei supracitada em seu Artigo 3°: UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - CEDERJ LICENCIAURA EM PEDAGOGIA DISCIPLINA: DINÂMICA E ORGANIZAÇÃO ESCOLAR I – Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II – Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III – Pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV – Respeito à liberdade e apreço à tolerância; V – Coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI – Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII – valorização do profissional da educação escolar; VIII – Gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX – Garantia do padrão de qualidade; X – Valorização da experiência extraescolar; XI – Vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. XII – Consideração com a diversidade étnico-racial (Brasil, 1996). A preocupação com a “igualdade de condições” já se manifestava na Constituição Federal de 1988 e a Lei 9.394/96 reiterou este princípio. Ao lermos outros artigos da Lei, veremos a preocupação com aqueles que: • Foram excluídos do sistema escolar por condições físicas, psicológicas, sociais e econômicas; • Não conseguiram ou não puderam cursar os anos de escolaridade previstos para a sua faixa etária; • Pertencem a grupos étnicos historicamente excluídos ou que enfrentam barreiras; • Que residem longe das instituições de ensino; A Constituição Federal de 1988 representou um avanço importante em relação à organização da Educação do Brasil. Se dermos uma olhada no que as Constituições brasileiras falam sobre Educação perceberemos que a Constituição atual é mais detalhada a respeito dos princípios básicos em relação à oferta educacional. Vamos ver algumas alterações e conversar sobre elas: 2.1: SOBRE O DIREITO À EDUCAÇÃO Veja a seguir o que as Constituições Federais falam sobre o tema: Constituição de 1934: Definia a educação como direito de todos, de responsabilidade da família e dos Poderes Públicos (Art. 149). UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - CEDERJ LICENCIAURA EM PEDAGOGIA DISCIPLINA: DINÂMICA E ORGANIZAÇÃO ESCOLAR Constituição de 1937: Definiu o ensino primário como obrigatório e gratuito, apesar de ser cobrada uma taxa mensal definida como “contribuição módica” (Art. 130). Constituição de 1946: Determina que a educação é direito de todos e apresenta os princípios de liberdade e solidariedade (Art. 166). Constituição de 1967: Além do que já estava definido na Constituição anterior, acrescenta que deve ser assegurada a igualdade de oportunidades e acrescenta o princípio da “unidade nacional” aos princípios já apresentados (Art. 168). Constituição de 1988: Definiu a educação como direito de todos e dever do Estado e família (Art. 205). Vemos que desde a primeira Constituição brasileira se fala em educação como direito. Apesar disto, uma consulta mais atenta nos mostrará que nas décadas de 1930 e 1940, se assegurava principalmente a educação nos anos iniciais (chamada de instrução ou educação primária), e, para que uma família com poucos recursos pudesse gozar de educação gratuita, necessitava comprovar sua condição econômica. Na década de 1960, se fala em igualdade de oportunidades. Isso evidenciava que as propostas das Constituições anteriores não haviam assegurado acesso igualitário, havia necessidade de se pensar em formas de ingresso à escolarização diferentes. Lembramos também que, nessa década, o Brasil estava sob regime do governo militar e o princípio da unidade nacional, era uma questão importante. Na Constituição de 1988, o documento atual, vemos o resultado de discussões após o processo de redemocratização. Isto é, se fala em Educação como direito de todos e dever do Estado e da Família. Reconhece-se, portanto, a responsabilidade e dever do Estado em assegurar o direito à Educação. 2.2: SOBRE OS PRINCÍPIOS E NORMAS DA EDUCAÇÃO NACIONAL Não basta a legislação afirmar que a educação é um direito. Há a necessidade dese afirmar as bases em que será organizada, isto é, seus princípios normativos. Vejamos o que dizem as Constituições: Constituição de 1934: Gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário, ministradas no idioma nacional. A matrícula seria efetivada depois aprovação em avaliações (Art. 150). UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - CEDERJ LICENCIAURA EM PEDAGOGIA DISCIPLINA: DINÂMICA E ORGANIZAÇÃO ESCOLAR Constituição de 1937: Estado deveria favorecer e fundar instituições artísticas, científicas e de ensino. Constituição de 1946: Educação primária gratuita para todos, ministrada apenas na língua nacional. A escolarização posterior poderia ser gratuita para quem comprovasse que não poderia pagar. Constituição de 1967: O ensino passa a ser gratuito e obrigatório dos 7 aos 14 anos. Depois disso, comprovada falta de recursos, a educação poderia ser gratuita, ou ser ofertada bolsas no caso do ensino superior. A determinação para a educação ser ministrada em língua nacional foi mantida. (Art. 168). Constituição de 1988: Define os seguintes princípios: Igualdade de condições de acesso e permanência, liberdade, pluralismo de ideias, gratuidade e qualidade de ensino (Art. 206). Toda a Educação Básica passa a ser obrigatória, incluindo educação infantil e ensino médio. Toda a escolarização brasileira é oferecida gratuitamente para os estudantes em instituições públicas. O princípio da gratuidade vem sendo apresentado desde a primeira Constituição Brasileira. Porém, o princípio foi se tornando progressivamente mais abrangente, como a própria noção de direito. Isto é: a priori, a gratuidade seria para quem buscasse essa opção e estaria ligada apenas aos anos iniciais. Hoje, toda a educação brasileira pode ser acessada de forma gratuita – da educação infantil ao nível superior. Além disso, vemos a ideia de obrigatoriedade ser inserida também de forma gradual. Note que apenas as séries iniciais eram obrigatórias nas primeiras Constituições. Atualmente, toda a Educação Básica (Educação Infantil-4 e 5 anos, Ensino Fundamental e Ensino Médio) é obrigatória. Além disso, notamos que a preocupação com o ingresso (acesso) à escolarização se ampliou, visto que a Constituição atual fala em ‘igualdade de condições de permanência’. Percebeu-se que não era suficiente levar o estudante à escola, mas seria necessário pensar formas de que conseguisse permanecer, com sucesso, na escola. Esses destaques nos ajudam a pensar em como a desigualdade econômica pode ter afetado (e ainda podem afetar) o acesso à Educação. Talvez você (ou alguém da sua família) se lembre de taxas que eram cobradas para que os estudantes pudessem frequentar escolas públicas. Essas taxas, por si só, já impediam algumas pessoas de estarem no espaço escolar, visto que as famílias que não podiam pagar acabavam não UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - CEDERJ LICENCIAURA EM PEDAGOGIA DISCIPLINA: DINÂMICA E ORGANIZAÇÃO ESCOLAR enviando seus filhos para a escola. Além disso, havia o alto custo com materiais, vestimenta e alimentação que muitas vezes eram inacessíveis para as famílias. A própria organização familiar – a ajuda nas tarefas domiciliares e profissionais – poderiam dificultar o ingresso ou a permanência dos estudantes. É interessante observar que documentos internacionais demonstravam preocupação com trabalho infantil, com as meninas que enfrentavam dificuldades escolares por se ocuparem de cuidados na e da família, com crianças e jovens de comunidades nômades, com famílias com pessoas com deficiências. A questão da permanência está intimamente ligada a outros princípios acrescidos pela Constituição vigente: liberdade, pluralidade e qualidade. A escola não deveria mais ser pensada como um prêmio ou bônus para alguns. A escola não podia mais ser pensada apenas para um grupo. Deveria ser pensada de forma plural, diversa, permitindo que todos se sentissem acolhidos nela. Esses princípios refletem as noções sobre escola e seus papéis discutidos no século XX. Como consideração adicional, note que um dos princípios que aparece de forma recorrente nas Constituições é em relação a língua em que a educação deve ser oferecida. Esse detalhe reflete nossa questão histórica: um território plural, com muitos povos imigrantes e originários - com suas diversas línguas - e que foi colonizado por outra nação que impôs sua língua. As políticas linguísticas de um país refletem muito de sua história. 2.3: SOBRE A ORGANIZAÇÃO DA OFERTA EDUCACIONAL Vimos que, a princípio, as Leis não atribuíam ao Estado a maior parte da responsabilidade em relação à Educação. Falava-se em responsabilidade da família, de empresas e, com o passar do tempo, o Estado passou a se tornar responsável por oferecer Educação de qualidade e gratuita a todos. Se tornando, inclusive, responsável por cobrar da família sua responsabilidade na escolarização das crianças. Leia o quadro abaixo: Constituição de 1934: A educação é responsabilidade da União, Estados e Municípios. Em relação à União, deveria fixar o plano nacional, oficializar estabelecimentos de ensino, organizar os sistemas educativos e organizar educação supletiva. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - CEDERJ LICENCIAURA EM PEDAGOGIA DISCIPLINA: DINÂMICA E ORGANIZAÇÃO ESCOLAR Constituição de 1937: O Estado deveria atender a quem não tivesse condições de frequentar escolas particulares, além disso é definida a sua responsabilidade em oferecer educação adequada “às faculdades, aptidões e tendências” de cada um. Define-se a necessidade de educação promovida por indústrias e sindicatos para os filhos de seus funcionários. Além disso se fala sobre educação profissional para jovens. Constituição de 1946: Cada sistema de ensino terá obrigatoriamente serviços de assistência educacional que assegurem aos alunos necessitados condições de eficiência escolar. Os Estados e o Distrito Federal organizarão os seus sistemas de ensino. Constituição de 1967: Além da assistência educacional, prevê a oferta educacional por parte de empresas para empregadores e seus filhos. Constituição de 1988: Estabelece a Educação Básica Gratuita dos 4 aos 17 anos de idade. Estabelece a oferta de ensino regular no período noturno e para quem está fora da faixa etária. Determina a oferta de atendimento especializado para estudantes com deficiência e atendimento por meio de programas suplementares para resolver questões de material, transporte, alimentação e saúde. Inclui a obrigatoriedade de se zelar pela frequência do estudante. Ao ler podemos destacar que o Estado tem o dever de oferecer educação gratuita para todos durante toda a educação básica, mas nem sempre foi assim. A oferta de apenas uma parte da escolarização de forma gratuita acabava por deixar uma parcela significativa da população de fora. Além disso, muitos que conseguiam ingressar encontravam dificuldades para permanecer na escola. Para muitos faltava material ou uniforme; alguns precisavam ajudar no sustento da família – quer trabalhando quer cuidando da casa (fato comum entre meninas); outros, devido a sérios problemas econômicos ou sociais, enfrentavam fome; outros viviam tão longe das instituições escolares que não conseguiam chegar até a escola... esses dados foram fundamentais para as mudanças ocorridas entre a Constituição de 1967 e a de 1988. Vemos na Constituição atual que, além de melhorar as condições de acesso, há a determinação de se cuidar da permanência através de programas suplementares: material escolar gratuito, transporte, alimentação e saúde. Há ainda a determinação de que estudantes com deficiência ingressem na escola e recebam educação adequada às suas especificidades. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - CEDERJ LICENCIAURA EM PEDAGOGIA DISCIPLINA: DINÂMICA E ORGANIZAÇÃO ESCOLAR2.4: SOBRE A ORGANIZAÇÃO DO CURRÍCULO Além dos princípios norteadores, é necessário organizar também a questão curricular, isto é, quais conhecimentos serão discutidos na escola. Na disciplina de currículo, vocês poderão fazer discussões importantes sobre como esses conhecimentos são estabelecidos ou propostos, e, até mesmo, o que não está determinado, mas é praticado. Aqui, entretanto, vamos nos reservar a observar como essa organização aparece em documentos legais. Constituição de 1934: Proposta da criação de um Plano Nacional e da criação do Conselho Nacional de Educação (Art.152). Institui o ensino religioso de oferta obrigatória, mas de frequência facultativa. Constituição de 1937: Institui a educação física, o ensino cívico e o de trabalhos manuais como obrigatórios (Art. 131). Mantém o Ensino Religioso (Art. 133). Constituição de 1988: Define que alguns conteúdos serão fixados para o ensino fundamental, uma base comum, mas que respeite a diversidade do país. Mantém o ensino religioso. Define a língua portuguesa como língua oficial, porém, assegura às comunidades indígenas o ensino em suas línguas maternas (Art. 210). Há a intenção de se ter uma organização por meio de documentos (Plano Nacional de Educação, Planos Municipais de Educação, entre outros) e que deveriam ser estabelecidos conteúdos comuns para todo o país. Vimos que a Constituição de 1937 define alguns temas: educação física, ensino cívico e trabalhos manuais, como obrigatórias. Mas é a Constituição de 1988 que determina a existência de plano curricular comum. 2.5: SOBRE AS METAS DA EDUCAÇÃO NACIONAL Apenas a Constituição de 1988 define metas para a Educação. São as seguintes: I - erradicação do analfabetismo; II - universalização do atendimento escolar; UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - CEDERJ LICENCIAURA EM PEDAGOGIA DISCIPLINA: DINÂMICA E ORGANIZAÇÃO ESCOLAR III - melhoria da qualidade do ensino; IV - formação para o trabalho; V - promoção humanística, científica e tecnológica do País. VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto (Art. 214). Alguns problemas que permaneceram na educação brasileira ao longo das décadas podem ser percebidos se lermos atentamente os documentos. Citamos, por exemplo, a meta de erradicar o analfabetismo, que demonstra que ao final do século XX esse ainda era um dilema importante a ser resolvido. A questão dos recursos também evidencia que para atender aos princípios determinados de liberdade, pluralismo, igualdade de acesso e permanência, qualidade, seria necessário um investimento constante na educação. 3. ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO, SEGUNDO A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9.394/96 perpetua os princípios determinados pela Constituição Federal, como já dito, e ajuda a estabelecer ações para que sejam mais tangíveis. Segundo Brzezinski (2013), os princípios contidos na LDB poderiam ser reagrupados da seguinte forma: 1. Condições de garantia da universalidade do ensino escolar: incisos I (igualdade de condições de acesso e permanência na escola; VI (gratuidade do ensino público). 2. Princípio da expressão da liberdade: incisos II (liberdade de pensamento e de sua expressão); III (pluralidade de ideias e de concepções pedagógicas); IV (respeito à liberdade e à tolerância); V (espaço para a livre – iniciativa na oferta do ensino). 3. Princípios relacionados ao conteúdo do ensino: incisos IX (garantia de padrão de qualidade); X (valorização da experiência humana). 4. Princípios relacionados com o mundo sociocultural: inciso XI (vinculação entre a educação, o trabalho e as práticas sociais). 5. Princípio da democratização do poder: inciso VIII (gestão democrática do ensino público) (p. 42-43). A exposição de tais princípios na Lei é uma possibilidade para a reflexão sobre as condições da Educação nacional e a possibilidade de buscar melhorias, recorrendo às autoridades – e a própria organização da sociedade civil – para fazer cumprir as propostas ali delineadas. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - CEDERJ LICENCIAURA EM PEDAGOGIA DISCIPLINA: DINÂMICA E ORGANIZAÇÃO ESCOLAR A Educação Nacional está organizada de forma que os elementos que a compõem estejam alinhavados e integrados, favorecendo objetivos comuns e, ainda assim, respeitando particularidades de gestores, comunidades, profissionais. Falamos, portanto, de sistemas de ensino – de diferentes esferas e níveis. Tais sistemas devem se ater ao que é determinado pela LDBEN 9.394/96, porém organizando-se de forma atender suas especificidades locais. A Constituição federal e a Lei de Diretrizes e Bases mencionam sistemas de ensino federal, estaduais e municipais. Em cada uma destas esferas existem órgãos responsáveis pela administração dos sistemas: Federais Ministério da Educação (MEC) Conselho Nacional de Educação (CNE) Estaduais Secretaria Estadual de Educação (SEE) Conselho Estadual de educação (CEE) Delegacia Regional de Educação ou Subsecretaria de Educação Municipais Secretaria Municipal de educação (SME) Conselho Municipal de Educação (CME) Segundo o artigo 211 da Constituição Federal, a Educação Básica obrigatória é de responsabilidade de estados e municípios – sendo prioridade dos municípios a oferta de Educação Infantil e Ensino Fundamental e dos estados (e Distrito Federal) a oferta de Ensino Fundamental e Médio. O sistema federal de ensino é composto de instituições, órgãos e normas sob a responsabilidade da União. Entre elas: universidades federais, institutos federais (IF’s) centros federais de educação tecnológica (Cefets), escolas técnicas federais e agrotécnicas, Colégio Pedro II e instituições de educação especial. 4. CONCLUSÃO É válido notar que a todo momento podemos ler menções aos sistemas de ensino em suas diferentes esferas, mas não a um sistema nacional de ensino. Alguns autores (LIBÂNEO, J. Et alli, 2012) têm defendido que o Brasil ainda não tem plenamente estabelecido um sistema único nacional. As disparidades entre as diferentes regiões brasileiras – geográficas, culturais, sociais, econômicas – levam a diferenças na UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - CEDERJ LICENCIAURA EM PEDAGOGIA DISCIPLINA: DINÂMICA E ORGANIZAÇÃO ESCOLAR organização dos sistemas de ensino. Em tempo, tais diferenças estão resguardadas nos dispositivos legais quando é dito na LDBEN: Art. 26 – Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio devem ter base comum, a ser complementada em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura da economia e dos educandos. Vemos, portanto, que a ‘parte diversificada’ a ser acrescida aos currículos e a própria organização de dias letivos, avaliação – entre outros itens – compõem o cenário da Educação Brasileira. Dito isto, precisamos compreender a Base Nacional Comum – a organização dos níveis, a oferta mínima de horas letivas, as etapas, o currículo e etc. – para então discutir sobre as possibilidades de atender as especificidades regionais e locais. Conhecemos um pouco das particularidades da Educação Brasileira apresentadas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A seguir, continuaremos conhecendo um pouco da realidade nacional, entendendo como estão organizados os Níveis, etapas e modalidades de ensino. ATIVIDADES • Leia a Declaração Mundial de Educação Para Todos e tente descrever como as ideias ali descritas aparecem na Constituição Brasileira atual. • Leiatoda a seção da Constituição Federal que trata da Educação Nacional, artigos 205 a 214. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei nº 9.394 de 22 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes Bases da Educação Nacional, 1996. _______. Constituição Federal de 1988. _______. Constituição Federal de 1967. _______. Constituição Federal de 1946. _______. Constituição Federal de 1937. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - CEDERJ LICENCIAURA EM PEDAGOGIA DISCIPLINA: DINÂMICA E ORGANIZAÇÃO ESCOLAR _______. Constituição Federal de 1934. BRZEZINSKI, Iria (Org.). LDB/1996 Contemporânea: Contradições, Tensões, Compromissos. São Paulo: Cortez, 2014. LIBÂNEO, José Carlos. OLIVEIRA, J. F., TOSCHI, M. S. Educação Escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2012.