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Poderes da Administração: hierárquico,
disciplinar, regulamentar, e de polícia.
Poder de polícia: conceito. Polícia judiciária
e polícia administrativa
28 de fevereiro de 2005
Sumário: Introdução: Poderes da Administração. Poder hierárquico. Poder disciplinar. Poder
regulamentar. Poder de polícia. Conceito. Polícia administrativa. Polícia judiciária.
Características. Conclusões.
 
Introdução: Poderes da Administração. (1)
Os poderes de que dotada a Administração Pública são necessários e proporcionais às
funções à mesma determinados. Em outras palavras, a Administração Pública é dotada de
poderes que se constituem em instrumentos de trabalho.
Os poderes administrativos surgem com a Administração e se apresentam conforme as
demandas dos serviços públicos, o interesse público e os fins aos quais devem atingir. São
classificados em poder vinculado e poder discricionário, segundo a necessidade de prática
de atos, poder hierárquico e poder disciplinar, de acordo com a necessidade de se organizar
a Administração ou aplicar sanções aos seus servidores, poder regulamentar para criar
normas para certas situações e poder de polícia, quando necessário se faz a contenção de
direitos individuais em prol da coletividade.
Poder hierárquico.
28/11/24, 11:29 Poderes da Administração: Guia Completo (2022)
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Poder hierárquico é o de que dispõe o Executivo para organizar e distribuir as funções de
seus órgãos, estabelecendo a relação de subordinação entre o servidores do seu quadro de
pessoal.
Inexistente no Judiciário e no Legislativo, a hierarquia é privativa da função executiva, sendo
elemento típico da organização e ordenação dos serviços administrativos.
O poder hierárquico tem como objetivo ordenar, coordenar, controlar e corrigir as
atividades administrativas, no âmbito interno da Administração Pública. Ordena as
atividades da administração ao repartir e escalonar as funções entre os agentes do Poder,
de modo que cada qual exerça eficientemente o seu cargo, coordena na busca de harmonia
entre todos os serviços do mesmo órgão, controla ao fazer cumprir as leis e as ordens e
acompanhar o desempenho de cada servidor, corrige os erros administrativos dos seus
inferiores, além de agir como meio de responsabilização dos agentes ao impor-lhes o dever
de obediência.
Pela hierarquia é imposta ao subalterno a estrita obediência das ordens e instruções legais
superiores, além de se definir a responsabilidade de cada um.
Do poder hierárquico são decorrentes certas faculdades implícitas ao superior, tais como dar
ordens e fiscalizar o seu cumprimento, delegar e avocar atribuições e rever atos dos
inferiores.
Quando a autoridade superior dá uma ordem, ela determina, de maneira específica, os atos
a praticar ou a conduta a seguir em caso concreto. Daí é decorrente o dever de obediência.
Já a fiscalizar é o poder de vigiar permanentemente os atos praticados pelos seus
subordinados. Tal se dá com o intuito de mantê-los de acordo com os padrões legais
regulamentares instituídos para a atividade administrativa.
Delegar é conferir a outrem delegações originalmente competentes ao que delega. No
nosso sistema não se admitem delegações entre os diferentes poderes, nem de atos de
natureza política.
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As delegações devem ser feitas nos casos em que as atribuições objeto das primeiras forem
genéricas e não fixadas como privativas de certo executor.
Avocar é trazer para si funções originalmente atribuídas a um subordinado. Nada impede
que seja feita, entretanto, deve ser evitada por importar desprestígio ao seu inferior.
Rever os atos dos inferiores hierárquicos é apreciar tais atos em todos os seus aspectos para
mantê-los ou invalidá-los.
MEIRELLES destaca subordinação de vinculação administrativa. A subordinação é decorrente
do poder hierárquico e admite todos os meios de controle do superior sobre o inferior. A
vinculação é resultante do poder de supervisão ministerial sobre a entidade vinculada e é
exercida nos limites que a lei estabelece, sem retirar a autonomia do ente supervisionado.(2)
Poder disciplinar.
Faculdade de punir internamente as infrações funcionais dos servidores, o poder disciplinar
é exercido no âmbito dos órgãos e serviços da Administração. É considerado como
supremacia especial do Estado.
Correlato com o poder hierárquico, o poder disciplinar não se confunde com o mesmo. No
uso do primeiro a Administração Pública distribui e escalona as suas funções executivas. Já
no uso do poder disciplinar, a Administração simplesmente controla o desempenho dessas
funções e a conduta de seus servidores, responsabilizando-os pelas faltas porventura
cometidas.
Marcelo CAETANO já advertia:
“o poder disciplinar tem sua origem e razão de ser no interesse e na necessidade de
aperfeiçoamento progressivo do serviço público.”(3)
O poder disciplinar da Administração não deve ser confundido com o poder punitivo do
Estado , realizado por meio da Justiça Penal. O disciplinar é interno à Administração,
enquanto que o penal visa a proteger os valores e bens mais importantes do grupo social
em questão.
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A punição disciplinar e a penal têm fundamentos diversos. A diferença é de substância e não
de grau.
Poder regulamentar.
Poder regulamentar é o poder dos Chefes de Executivo de explicar, de detalhar a lei para
sua correta execução, ou de expedir decretos autônomos sobre matéria de sua competência
ainda não disciplinada por lei. É um poder inerente e privativo do Chefe do Executivo. É, em
razão disto, indelegável a qualquer subordinado.
O Chefe do Executivo regulamenta por meio de decretos. Ele não pode, entretanto, invadir
os espaços da lei.
MEIRELLES conceitua que regulamento é ato administrativo geral e normativo, expedido
privativamente pelo Chefe do Executivo, por meio de decreto, visando a explicar modo e
forma de execução da lei (regulamento de execução) ou prover situações não disciplinadas
em lei (regulamento autônomo ou independente).
Poder de polícia.Conceito.
MEIRELLES conceitua: “Poder de polícia é a faculdade de que dispõe a Administração Pública
para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em
benefício da coletividade ou do próprio Estado”.(4)
Explica o autor que poder de polícia é o mecanismo de frenagem de que dispõe a
Administração Pública para conter os abusos do direito individual.
Já em relação à polícia sanitária, não há como se medir o seu campo de atuação.(5)
Podemos falar a respeito das situações de perigo presente ou futuro que lesem ou
ameacem lesar a saúde e a segurança dos indivíduos e da comunidade. Amplo é o poder
discricionário decorrente em virtude da amplitude própria do bem a ser protegido pelo
Estado.
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DI PIETRO explica que o poder de polícia do Estado pode agir em duas áreas de atuação
estatal. São as áreas administrativa e judiciária.(6)
Polícia administrativa.
A polícia administrativa tem um caráter preventivo. Seu objetivo será não permitir as ações
anti-sociais. Entretanto, a diferença não é absoluta. A polícia administrativa protege os
interesses maiores da sociedade ao impedir, por exemplo, comportamentos individuais que
possam causar prejuízos maioresà coletividade.
DI PIETRO se utiliza da seguinte opinião de Álvaro Lazzarini para distinguir a polícia
administrativa da polícia judiciária:
“a linha de diferenciação está na ocorrência ou não de ilícito penal. Com efeito, quando atua
na área do ilícito puramente administrativo (preventivamente ou repressivamente), a polícia
é administrativa. Quando o ilícito penal é praticado, é a polícia judiciária que age”.
A polícia administrativa é regida pelo Direito Administrativo, agindo sobre bens, direitos ou
atividades.
A polícia administrativa é dividida entre diferentes órgãos da Administração Pública. São
incluídos aqui a polícia militar e os vários órgãos de fiscalização como os das áreas da
saúde, educação, trabalho, previdência e assistência social.(7)
Polícia judiciária.
A polícia judiciária é de caráter repressivo. Sua razão de ser é a punição dos infratores da lei
penal.
A polícia judiciária se rege pelo Direito Processual Penal. Ela incide sobre pessoas.
A polícia judiciária é exercida pelas corporações especializadas, chamadas de polícia civil e
polícia militar.(8)
Características.
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As características do poder de polícia que costumam ser apontadas são, segundo Maria
Sylvia Zanella DI PIETRO, a discricionariedade, a auto-executoriedade e a coercibilidade.(9)
A discricionariedade é uma liberdade existente ao administrador para agir quando a lei
deixa certa margem de liberdade para a escolha da oportunidade ou da conveniência de
agir, ou, como diz DI PIETRO, “o motivo ou o objeto”, do ato a ser realizado. Quando a
Administração Pública tiver que decidir “qual o melhor momento de agir, qual o meio de
ação mais adequado, qual a sanção cabível diante das previstas na norma legal. Em tais
circunstâncias, o poder de polícia será discricionário”.(10)
Pode-se dizer, no entanto, que o poder de polícia pode ser discricionário ou vinculado.(11)
Outra característica é a auto-executoriedade. Ela é a possibilidade da Administração utilizar
seus próprios meios para executar as suas decisões sem precisar recorrer ao Poder
Judiciário.
Como opina DI PIETRO:
“Pelo atributo da auto-executoriedade, a Administração compele materialmente o
administrado, usando meios diretos de coação. Por exemplo, ela dissolve uma reunião,
apreende mercadorias, interdita uma fábrica”.(12)
Finalmente, o poder de polícia tem como característica a coercibilidade indissociavelmente
ligada à auto-executoriedade.
Lembra a autora: “O ato de polícia só é auto-executório porque dotado de força coercitiva”.
(13)
Conclusões.
Em primeiro lugar, pressupõe-se que todos são iguais perante a lei. No Brasil, desde 1988,
realmente o são. Entretanto, o povo brasileiro conquistou o direito de viver uma democracia
republicana, onde os esforços do governo devem se dirigir ao atendimento do bem,
comum. Isto porque o povo é o soberano nas relações sociais e políticas que se sucedem
dentro do nosso conjunto de leis em vigor, de leis que devem ser observadas.
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Há de se considerar que os poderes da administração o são em razão mesmo da
organização política e social estabelecida a partir da nossa Constituição. O poder de polícia
é aquela capacidade, é aquele poder que o Estado tem de delimitar a utilização das
liberdades individuais em prol do bem comum.
Dentro do contexto atual, de que vivemos dentro de um Estado de Direito, há de haver um
verdadeiro respeito às leis pelo Poder Público para que prevaleçam as raízes, os próprios
pensamentos sobre os quais foi elaborado o modelo de Estado adotado em nossa
Constituição.
São notórios os exemplos de desrespeito à lei por parte de órgãos e agentes públicos em
prejuízo não só aos indivíduos que fazem parte das relações onde o poder é
verdadeiramente desviado, mas também a toda a nação brasileira.
Todos os nossos esforços devem ser efetivados no sentido de que tais desvios sejam
detectados, e que se punam os responsáveis.
 
Bibliografia: CAETANO, Marcelo, Do Poder Disciplinar, Lisboa, 1932; DI PIETRO, Maria Sylvia
Zanella, Direito Administrativo, São Paulo: Atlas, 2004; MEIRELLES, Hely Lopes, Direito
Administrativo Brasileiro, São Paulo: Malheiros, 1999.
Notas:
1 – MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, São Paulo: Malheiros, 1999.
2 – MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, São Paulo: Malheiros, 1999.
3 – Do Poder Disciplinar, Lisboa, 1932, p.25.
4 – MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, São Paulo: Malheiros, 1999,
p.115
4 – MEIRELLES (1999:125).
6 – (2004:112).
7 – (2004:113).
8 – (2004:112).
9 – (2004:113)
10 – (2004:113).
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11 – (2004:114).
12 – (2004:114).
13 – (2004:115).
 
 
Informações Sobre o Autor
 
Francisco Mafra.
 
Doutor em direito administrativo pela UFMG, advogado, consultor jurídico, palestrante e
professor universitário. Autor de centenas de publicações jurídicas na Internet e do livro “O
Servidor Público e a Reforma Administrativa”, Rio de Janeiro: Forense, no prelo.
 
 
Direito Administrativo Revista 20
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1. Informações Sobre o Autor
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28/11/24, 11:29 Poderes da Administração: Guia Completo (2022)
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