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Correntes Excitomotoras Introdução São destinadas a provocar contração dos músculos estriados Os parâmetros de estimulação devem obrigatoriamente ser adaptados a natureza sã ou lesional das estruturas neuromusculares Princípios Fisiológicos da Eletroestimulação O conhecimento de que a condução elétrica por sistemas biológicos altera eventos fisiológicos e patológicos é tão antigo quanto a descoberta de que os sistemas biológicos são um meio condutor (NELSON, 2003). Desde a contração da perna da rã descrita por Galvani até o formigamento causado por um eletroestimulador nervoso transcutâneo, a palavra eletroterapia comumente traz à tona o conceito de correntes de que estimulam o corpo (LOW, 2001) Efeitos Neurofisiológicos A fibra nervosa e as fibras musculares fazem parte de um todo, a Unidade Motora (UM) que compreende a célula do corno ventral da medula, o axônio, as ramificações axiais distais, as sinapses neuromusculares e as fibras musculares. Cada neurônio inerva um determinado número de fibras musculares em quantidade mais ou menos grande, definindo a taxa de inervação Algumas Unidades Motoras comportam um número restrito de fibras musculares, enquanto outras contêm milhares Cada fibra muscular só possui uma placa motora, cujo mediador químico é a acetilcolina Taxa de Inervação Os músculos com propriedades contráteis grosseiras (gastrocnêmicos, por exemplo), são constituídos de Unidades Motoras da qual cada uma inerva um número grande de fibras musculares Enquanto os músculos finos, com propriedades contráteis discriminativas (músculos da mímica facial) pertencem às Unidades Motoras com taxa muito fraca de inervação Modulação nos Movimentos Cada músculo dispõe de uma repartição variável em Unidade Motora de diferentes taxa de inervação, em função de sua finalidade funcional, grosseira ou fina O organismo pode, assim, modular o funcionamento muscular em função do objetivo procurado, jogando com a escolha do músculo a ser contraído de um lado, e sobre a qualidade das Unidades Motoras a serem excitadas do outro lado Cada Unidade Motora constitui um gerador de força primária que controla um número definido de fibras musculares A saída do gerador medular pode ser regulada entre um valor mínimo, que corresponde à soma efeitos tensionais, resultante do disparo elementar de cada uma das fibras pertencentes a Unidade Motora E um valor máximo caracterizado pela tensão desenvolvida pelo conjunto das fibras musculares para a frequência de fusão tetânica Duas formas de movimentos podem ser consideradas: A contração balística: caracterizada por contração muito rápida, que se traduz pela explosão de uma tempestade de potenciais de Unidade Motora, de curta duração A contração em ascensão lenta: caracterizada por uma contração lenta durante a qual a força desenvolvida, em condições isométricas ou em condições isotônicas, aumenta linearmente no tempo, assistimos a um recrutamento progressivo das diferentes unidades motoras, com aumento da frequência Se considerarmos o limiar de aparecimento dessas duas modalidades de contração, constatamos que os limites balísticos são inferiores aos limiares em ascensão Segundo a força de um movimento progressivamente crescente, a participação dessas Unidades Motoras dará o segundo limiar No que se refere ao nervo, é preciso insistir sobre o fato de que a fibra nervosa é principalmente constituída pelo axoplasma que é o órgão da condução nervosa, rodeado por uma capa de natureza lipídica, a bainha de mielina ou bainha de Schwann Este é resistente às estimulações elétricas externas, mas estas são interrompidas regularmente, criando curtas zonas ao nível das quais o axoplasma entra em contato com o meio externo Portanto com estimulações elétricas eventuais, os nódulos de Ranvier, do ponto de vista fisiológico, o influxo nervoso motor progride saltando de um nó de Ranvier a outro, o que condiciona sua rapidez (condução saltatória) As fibras nervosas são agrupadas em feixes no seio de um mesmo nervo, que compreende assim fibras de conduções e de calibres diferentes Neurônio Estrelado Tipos de Lesões Nervosas O primeiro estímulo atinge os nervos e depois transfere para os músculos Neuropraxia É uma lesão funcional do nervo que diminui a velocidade de condução do nervo. A neuropraxia é resultado de uma compressão do fluxo de axoplasma ao axônio distal, promovendo uma anóxia local nos axônios por compressão dos vasos sanguíneos. Ocorre um fenômeno de adelgaçamento da fibra nervosa com desmielinização focal (diminuição axoplasmática intensa e localizada). A condução nervosa está preservada acima e abaixo do local da lesão, não ocorrendo degeneração Walleriana (decomposição química da bainha de mielina em material lipídico e fragmentação das neurofibrilas). Uma vez removido o processo compressivo, ocorre remielinização, reaparecendo a condução em dias ou semanas, com função nervosa condutiva normal. Neste tipo de lesão, o NET (teste de excitabilidade nervosa), o MST (teste de estimulação máxima) e a ENG (eletroneurografia) estão normais, e a EMG (eletromiografia) falha ao mostrar potências de ação voluntários, já que estes não ultrapassam o bloqueio. Na neuropraxia as lesões traumáticas do nervo são mais leves, a alteração patológica presente é uma desmielinização das fibras nervosas. Este fenômeno leva à perda da condutividade, mas sem qualquer degeneração dos axônios. Clinicamente, pode haver paralisia motora completa na região do nervo atingido com perda de sensibilidade ou não. A condução de estímulos elétricos dos músculos paralisados é praticamente normal; há uma resposta a estes estímulos tanto para o de longa como para o de curta duração (corrente galvânica e farádica). A recuperação é espontânea num espaço de dias ou semanas, não apresentando a seqüência anatômica de inervação. Axonotmese É uma ruptura do axônio que diminui a velocidade de condução do nervo, lesão parcial mas há lesão estrutural As pressões locais mais acentuadas no nervo podem causar interrupção da continuidade dos axônios sem lesão significativa para o seu estroma. Estroma: refere-se ao tecido conectivo, não funcional de sustentação de uma célula, tecido ou órgão, serve para sustentar as células funcionais do órgão. O estroma é distinto do parênquima Em consequência , os axônios distais ao local da agressão degeneram e há paralisia motora e sensitiva completa. Este é o tipo mais comum de lesão traumática de nervo associado com fraturas. Como resultado dessa degeneração do axônio, cessa a condução de estímulos elétricos do nervo, ficando alterada a excitabilidade elétrica dos músculos paralisados Nestas condições, um estímulo elétrico é propagado pelas fibras musculares diretamente, e não pela inervação intramuscular. Os músculos denervados respondem apenas aos estímulos de longa duração, originando as reações de degeneração que são as respostas ao galvanismo (estímulos de longa duração) mas não ao faradismo (estímulos de curta duração). Seguindo-se às alterações elétricas de excitabilidade, ocorre exaustão do músculo. Caso a degeneração seja prolongada, surge uma substituição gradual do músculo por tecido conjuntivo. Esta mudança é irreversível. Em axonomtese , desde que o estroma do nervo seja preservado, ocorre a regeneração dos axônios e ele atravessa o foco da lesão, continuando distalmente até as terminações nervosas motoras e sensitivas. Os axônios em grande número permanecem em suas respectivas bainha de Schwann, e o grau de recuperação após essas lesões se aproxima do normal. Há possibilidade , todavia, de que o tempo necessário para completar a regeneração venha a exceder o tempo limite que é imposto para o desenvolvimento de lesões secundárias nos músculos. O ritmo de regeneração do axônio após a secção atinge cerca de um milímetro (1mm) por dia. Então seria necessário tempomais longo que um ano para que ocorra reinervação dos músculos intrínsecos da mão, após a axonotmese do fascículo medial da raiz cervical, trazendo modificações marcantes e desfavoráveis nos músculos Neurotmese Ruptura total do nervo onde não há velocidade de condução do nervo. Caracteriza-se pela transsecção total do nervo, incluindo o perineuro. Implica em degeneração axonal severa quando as extremidades nervosas separadas não são unidas cirurgicamente. Como não há continuidade axonal, a regeneração por brotamento axonal não ocorre. Na fase aguda, também se caracteriza por pseudobloqueio da condução e assim como na axonotmese, atividade espontânea anormal surge após aproximadamente 2 semanas. Aqui, nenhuma melhora da condução nervosa motora ou potencial de reinervação podem ser observados na EMG realizada algumas semanas ou meses após o trauma. Portanto, é impossível distinguir axonotmese de neurotmese nas primeiras semanas após a lesão. Quando regeneração começa a ocorrer na axonotmese, observa-se melhora da amplitude dos potenciais motores e o surgimento dos potenciais de reinervação. Na neurotmese, nada disso ocorre. Nenhuma reinervação é vista, pois não há continuidade das fibras lesadas. A vascularização do músculo e do nervo é bem desenvolvida, seu déficit é responsável por lesões e queda de troficidade Portanto, é preciso enfatizar a importância que há em realizar contrações musculares que permitem aumentar a vascularização Tipologia Muscular Os métodos histológicos e eletrofisiológicos permitem distinguir 2 principais grupos de Unidades Motoras: grupo I e grupo II O grupo II é subdividido em IIa e IIb A diferença e as características dessas Unidades Motoras dependem estreitamente da célula do corno ventral da medula, que é responsável pelo estabelecimento e manutenção das propriedades fisiológicas do nervo e histoquímica do músculo. Classificação dos tipos de fibras musculares Três tipos de Contração Muscular É preciso também descrever as fibras IIc que são uma forma de transição entre as fibras de tipo I e as fibras de tipo II São encontradas principalmente nos lactentes (transição entre as fibras I de origem fetal e o futuro contingente de fibras II da criança) As pessoas em imobilização em imobilização pós- traumática ganham em algumas semanas numerosas fibras IIc, elas também podem aparecer durante os processos de enervação Enervação: secção de um nervo ou de um grupo de nervos inervando uma região do corpo Os músculos tem constituição mista, associando diferentes tipos de fibras Músculos de contração rápida: Músculos brancos Tem predominância de fibras II, Tem contração de curta duração (exemplo: extensor do carpo) Músculos de contração lenta: Músculos vermelhos Tem predominância de fibras I Tem contração de longa duração e sustentada (exemplo: gastrocnêmios) Tetanização Os nervos podem conduzir os influxos a frequências elevadas, não fusão dos sinais nervosos, no limite superior é tributário dos períodos refratários Ao contrário, ao nível do músculo há a fusão dos espasmos: que se em razão de frequências muito baixas observamos espamos musculares isolados. Para frequências mais elevadas, contatamos a formação de espasmos isolados em contrações fasciculares ou vibratórias (tétano incompleto) Em torno de 30pps, a fusão é completa (tétano completo) Sistema Muscular No que refere-se a patologias musculares, a eletroterapia excitomotora tem inúmeras aplicações, onde as principais indicações gerais são: A estimulação do músculo sadio, normalmente inervado A estimulação do músculo desnervado, total e parcialmente O tratamento das amiotrofias devidas à inatividade ou não utilização O restabelecimento das amplitudes de movimento Os processos de facilitação neuromuscular proprioceptiva A luta contra a contratura e a espaticidade O aumento do recrutamento motor nas pessoas sadias Músculo Normalmente Inervado É uma lesão funcional do nervo que diminui a velocidade de condução do nervo. Objetivos de estímulo: Buscamos as correntes tetanizantes A intensidade deve ser aumentada bem gradualmente na primeira sessão de tratamento a fim de sensibilizar o paciente, diminuir a sua apreensão e evitar o aparecimento de uma contratura reflexa O estabelecimento de um trem tetanizante não deve ser brusco, mas deve conter uma rampa As fases de contração são alternadas com fases de relaxamento, de repouso, a fim de evitar fadiga muscular Em média a fase de repouso deve ser o dobro da fase de contração A duração da rampa é incluída na fase de contração Lembramos que definimos um índice de trabalho Relação Índice de Trabalho = Tempo de contração x 100/ciclo total (contração + repouso) Exemplo: 4 x 100/12 = 33% 1 x 3: indicado para músculos hipotrofiados – fase inicial do tratamento 2 x 2: indicado para músculos já treinados – fase intermediária do tratamento 3 x 1: indicado para músculos normais – fase final do tratamento Músculos Parcialmente Desenervados Nesse grupo, que compreende no interior de um mesmo nervo fibras nervosas sadias e degeneradas Objetivos de estímulo Estimular as fibras desenervadas sem excitar as estruturas neuromusculares sadias O pulsos são trapezoidais de longa duração com um tempo de estabilização progressiva (correntes inclinação variável ou progressivas) Por meio da utilização de pulsos com inclinação variável, contatamos que o limiar (reobase) se eleva na medida em que a demora da estabilização da intensidade aumenta Podemos assim desenhar uma curva na qual se observa que, para além de certo tempo de demora, podemos de modo teórico, aumentar indefinidamente a intensidade da corrente sem chegar ao limiar das fibras musculares normais Essa inclinação foi denominada inclinação limite de Fabere Músculo Totalmente Desenervado Quando todas as fibras musculares de um músculo são separadas de seu axônio, dizemos que o músculo está totalmente desenervado O comando voluntário é ineficaz As fibras musculares pulsam em repouso de forma intrínseca, anárquica, dando origem a pequenos potenciais, breves, os potenciais de fibrilação Objetivos de estímulo Quando se tem esta patologia os pulsos de curta duração são ineficazes Pois ocorre tetanização que não somente são ineficazes mas que trazem riscos nefastos durante a reinervação Então trabalhar com pulsos de longa duração Noção de Ponto Motor Existe na superfície do corpo humano pontos privilegiados nos quais o limiar de contração se revela mínimo ao nível dos músculos e nervos No que se refere aos nervos, o ponto motor correspondente as zonas cutâneas ao nível dos quais o nervo é situado superficialmente. O ponto motor muscular corresponde as zonas de projeção cutânea da região muscular mais rica em placas motoras. Quer se trate do ponto motor nervoso ou muscular, a estimulação é feita pela excitação das fibras nervosas por uma estrutura neuromuscular normalmente inervada A desenervação normalmente leva ao desaparecimento das placas motoras e, portanto, ao desaparecimento do ponto motor, onde esses pontos são marcados com ajuda de canetas topográficas