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Auto Anônimo - Curso de Direito Administrativo

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tendo em 
vista o contingente operacional de indivíduos que agem em nome do Estado, 
aplica-se um regime jurídico próprio. 
O regime jurídico a ser aplicado e observado pelo indivíduo que opera 
em nome da Administração Pública pode assumir caráter público ou privado, 
dependendo da natureza da atividade a ser desempenhada pelo agente. Daí o 
emprego de expressões que vão identificar a natureza do vínculo existente 
entre o sujeito ‘contratado’ pelo Estado e a Administração. Nascem, assim, as 
expressões “servidor estatutário” e “servidor celetista”. 
É claro que não há nenhuma heresia em se dizer que a CLT constitui-se 
num regime jurídico. 
Pois bem, levando-se em consideração o documento jurídico do qual 
dimanam os princípios, conceitos, regras e valores juríd icos a regerem 
determinada categoria de agentes públicos temos: 
 
8.Agentes Públicos. 
 
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a) agentes públicos políticos; 
b) agentes públicos administrativos; 
c) agentes públicos delegados; 
d) agentes públicos honoríficos; 
e) agentes credenciados (Lei nº 8.666/93,Art.13) 
 
 
2.1.Agente Público Político. 
 
Conceitua-se o agente público político como sendo a pessoa física 
investida de funções essenciais e estratégicas de Estado, regidos diretamente 
pela Carta Política em seus direito, deveres, obrigações, responsabilidades, 
penalidades, garantias e privilégios funcionais. 
São agentes públicos políticos os titulares dos órgãos institucionais de 
Poder do Estado (Poderes legislativo, Executivo e Judiciário), bem como os de 
controle estatal (Tribunal de Contas e Ministério Público). Todos estes agentes 
detêm prerrogativas funcionais que se materializam em atos de soberania 
estatal. 
Suas atuações são marcadas por ampla liberdade decisória, ou seja, 
detêm a faculdade de avaliação de conveniência, oportunidade, adequação, 
eficiência o propriedade para a prática de certos atos. Vocalizam a vontade do 
Estado sem que com isso se queira induzir a idéia de que formam uma classe 
apartada da sociedade que regem. Afinal, tendo seu regime jurídico 
diretamente estabelecido na Constituição Federal, não poderiam divergir dos 
preceitos nela estabelecidos. Preceitos que, em última instância, representam 
a própria vontade geral da nação. Assim, são agentes vocacionados à 
satisfação do interesse público e legitimados pelos mesmos. 
“São os componentes do Governo nos seus primeiros escalões, 
investidos em cargos, funções, mandatos ou comissões, por nomeação, 
eleição, designação ou delegação para o exercício de atribuições 
constitucionais.” 
 
Nesta categoria de agentes encontramos os seguintes agentes públicos: 
• Chefes do Executivo (C.F/88, Arts.76, 28, 29, 32); 
• Membros do legislativo (C.F/88, Arts. 45, 46, 53, 54, 55, 56, 27, 29, 32); 
• Membros do Judiciário (C.F/88, Arts. 92, 93, 95); 
• Membros do Ministério Público (C.F/88, Arts. 127, 128, 129); 
• Membros dos Tribunais de Conta (C.F/88, Arts. 70 - 75). 
 
8.Agentes Públicos. 
 
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Os exemplos acima referem-se aos agentes políticos de esfera federal. Por 
simetria, são também considerados agentes políticos aqueles que exercem 
funções institucionais análogas no âmbito estadual, distrital e municipal, tais 
como governadores, prefeitos, deputados estaduais e vereadores, magistrados 
da justiça estadual, membros do MP estadual e dos tribunais de contas. 
 
 
2.2.Agente Público Administrativo. 
 
Representa a grande massa de agentes públicos inseridos nos diversos 
órgãos públicos, sejam estes independentes, autônomos superiores ou 
subalternos. 
Sua função precípua é a execução do que tiver sido determinado por 
seus superiores. Assim, encontram-se sujeitos à hierarquia funcional. 
Seu regime jurídico é de natureza legal e não detêm atribuições de 
natureza política. Seu maior ou menor grau funcional é correspondente ao 
nível estrutural e organizacional de seu cargo ou função. 
Comumente a doutrina particulariza esta categoria de agentes nos 
chamados servidores públicos. E aqui nasce uma pequena questão que não 
tem merecido adequado tratamento da parte dos cultores do direito 
administrativos. O que é, ou, qual o conceito jurídico de servidor público? 
Partindo-se da expressão “servidor” e conjugando-se este termo no âmbito dos 
agentes administrativos, cremos ser toda e qualquer pessoa física investida de 
atribuições públicas, de caráter permanente ou não, desempenhadas no 
espectro direito ou indireto da Administração Pública brasileira, tal qual ela é 
formada. Assim, o conceito abrange agentes que atuem em órgãos de pessoas 
jurídicas de direito público ou privado prestadoras de serviços públicos, seja 
em caráter estatutário ou celetista. 
Modestamente, divergimos da idéia que afeta a expressão servidor 
público apenas àqueles agentes que atuem nas pessoas jurídicas de direito 
público. Os sectários deste raciocínio buscam, inclusive, referendar sua 
postura na idéia de que servidor público é o estatutário, não sendo possível 
estender o conceito aos chamados celetistas. Cremos que a equívoco se 
encontra na má concepção do conceito de regime jurídico e estatuto. 
Lembremo-nos que em sentido lato a palavra estatuto pode ser utilizada no 
campo privado. Afinal, um condomínio residencial tem seu estatuto. Os 
funcionários do Banco do Brasil têm seu estatuto, tantos outros exemplos 
poderíamos oferecer. 
Eis que em sentido amplo entende-se como servidor público aquele que 
serve. Executando tarefas de natureza quase sempre profissional e específica, 
seja no setor público ou privado da Administração, todo e qualquer que age no 
sentido de prestar utilidades ao público encaixa-se no conceito amplo de 
servidor. 
8.Agentes Públicos. 
 
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Referendando esta postura disciplina o Código Penal no artigo 327 o 
conceito de funcionário público na sua abrangência maior, responsabilizando 
criminalmente todo aquele que afeta bem juridicamente protegido pelo direito 
penal agindo na condição de funcionário público ainda que interinamente, 
esteja ocupando a hierarquia funcional que for, da mais humilde às mais 
elevadas. 
Não ousamos dizer que pensamentos diferentes do aqui registrado 
estejam errados. Daí a venia. Dependendo do ângulo que se aborde a questão 
é possível termos posicionamento diferente. Há até quem sustente que para 
ser servidor público o requisito essencial é a realização de concurso público de 
provas ou de provas e títulos. Veja que neste caso teríamos uma outra linha de 
abordagem da qual, reitero, divergimos. 
É por isso mesmo que o primeiro artigo da Lei no 8.112/90, regime 
jurídico do servidor federal, diz: “Para os efeitos desta lei, servidor é a pessoa 
legalmente investida em cargo público”. Vamos analisar melhor: para que o 
legislador do estatuto funcional federal tenha expressamente dito para os 
efeitos desta lei, temos aí sinal claro de sua consciência sobre o conturbado 
conteúdo da expressão servidor público. Daí que para os efeitos da referida lei 
a abrangência da expressão não alcança os agentes celetistas. Mas num 
campo de apreciação teórica e mesmo, constitucional, todos são servidores. 
Poderíamos, assim, cuidar da expressão servidor público em dois 
sentidos, a saber, lato e estrito. Ou seja, o sentido lato teria o alcance geral da 
doutrina e da disciplina constitucional e penal. Para esse efeito seria todo e 
qualquer agente que fosse selecionado via concurso público, ou não, para 
provimento de cargo efetivo, bem como aqueles servidores excedentes, em 
comissão, titulares de cargos de confiança, e servidores temporários. No 
sentido estrito seguiríamos a disciplina legal específica. 
 
 
2.3.Agente Público Delegado. 
 
 Os agentes delegados são aqueles que recebem do Poder Público a 
competência para a efetivação de serviços públicos, normalmente classificados