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Auto Anônimo - Curso de Direito Administrativo

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à Administração 
Pública pois, sem eles, ela não conseguiria fazer sobrepor a vontade da lei à 
vontade individual, ou o interesse público ao interesse privado”. 
 
 
4.Espécies. 
 
 Hely Lopes Meirelles sustenta a existência das seguintes espécies de 
poderes administrativos: 
a) vinculado; 
b) discricionário; 
c) hierárquico; 
d) regulamentar; 
e) disciplinar; 
f) de polícia. 
 
Para Maria Sylvia Zanella di Pietro, são poderes administrativos: 
a) normativo; 
b) disciplinar; 
c) decorrentes da hierarquia; 
d) de polícia. 
 
Diógenes Gasparini dedica sua obra apenas aos poderes regulamentar 
e de polícia, não significando dizer que ele não reconheça a existência de 
outras expressões de poderes administrativos. 
 
 
 
9.Poderes Administrativos 
 
 
 125 
 
 
Considerando as lições de Hely Lopes Meirelles, tem-se que: 
• Poder vinculado é aquele cujo direito vigente regra de uma tal 
maneira o exercício de suas prerrogativas que o agente público 
competente para a sua efetivação não dispõe de “espaço” para 
subjetividades e casualismos. A lei regra estritamente os aspectos 
constitutivos e operativos do ato de maneira tal a, metaforicamente, 
tornar-se o roteiro (script) e o agente o ator. 
• Poder Discricionário é o que o Direito, por contingência ou por 
razões especiais, defere à Administração, e em vias de 
conseqüência ao agente público, a capacidade de avaliar a 
conveniência, a oportunidade, a utilidade, a necessidade, a 
adequação, a razoabilidade, a proporcionalidade, a pertinência para 
a realização do ato ou contrato administrativo. Assim, no poder 
discricionário defere-se à Administração Pública um certo grau de 
liberdade de escolha que permite ao agente público aquilatar o ato 
quanto a sua pertinência executiva. 
• Poder hierárquico é a faculdade reconhecida ao administrador 
público para escalonar os serviços e atividades administrativas, 
considerando a posição estatal dos diversos órgãos, bem como a 
natureza da investidura de seus agentes, distribuindo atribuições 
que vão evidenciar maior ou menor grau de discricionariedade e 
vinculação, conforme se encontrem nos níveis mais elevados ou 
subalternos de administração, nascendo daí a noção de hierarquia e 
de dever de obediência, de uns em relação aos outros. 
• Poder Regulamentar é a faculdade reconhecida aos Chefes do 
Poder Executivo de criar normas em nível administrativo com o 
propósito de detalhar a lei, esclarecendo-a para a sua fiel execução, 
bem como expedir decretos autônomos, desde que autorizados 
diretamente pela Constituição, casos em que se excepciona a 
reserva legal. 
• Poder disciplinar é a faculdade reconhecida ao administrador 
público para prevenir e reprimir a prática de infração disciplinar no 
âmbito interno da administração, impondo sanções previstas em lei 
e observado o princípio do devido processo legal e todos os seus 
corolários. 
• Poder de Polícia – Obs. Será estudado em aparte. 
 
 
 
 
 
 
9.Poderes Administrativos 
 
 
 126 
 
 
Agora, considerando as lições de Maria Sylvia Zanella di Pietro: 
• Poder normativo e poder regulamentar não se confundem, pois 
este supõe aquele. Esta é a crítica feita pela ilustre professora à 
forma de abordagem do não menos iluminado professor Hely Lopes 
Meirelles. Para di Pietro, o poder regulamentar é exercido 
especificamente para dar condições para o fiel cumprimento dos 
comandos contidos na lei. O papel da norma regulamentar é 
explicar, detalhar, esclarecer e minudenciar os comandos legais, 
que por natureza e vocação são gerais e abstratos. Para tanto, 
defere-se ao administrador público da mais alta hierarquia do Poder 
Executivo o poder administrativo normativo de regulamentar a lei por 
intermédio de decretos regulamentares. Outrossim, este poder 
regulamentar pode, conforme a competência pré-estabelecida na lei, 
estar sob a tutela de órgão colegiado máximo e não sob o domínio 
do titular do Executivo. É o caso das resoluções baixadas por 
conselhos, comissões, câmaras, juntas, comitês, etc. Assim, cabe 
ao legislador definir no próprio corpo da lei a que órgão ou agente 
competirá o exercício do poder administrativo normativo que 
regulamente o disposto em lei e que afete os interesses da 
administração. De regra, quando a lei não menciona a quem 
compete a atividade normativa regulamentar, esta é assumida 
diretamente pelo titular do Executivo. A regulamentação por meio de 
resolução é, de regra, explicitamente determinada no corpo da lei. 
Portanto, a regulamentação por resolução deve ser expressa, 
enquanto a regulamentação por decreto pode ser expressa ou 
tácita, bastando observar neste último caso a pertinência temática e 
os limites jurídicos traçados pela própria normatividade da lei. 
Assim, tanto o decreto quanto a resolução representam atos 
administrativos normativos de vocação regulamentar, variando entre 
si em função da autoridade ou órgão donde promanem. Esclareça-
se, entretanto, e ainda seguindo o discurso da admirável autora, que 
o poder administrativo normativo não se limita à função 
regulamentar, pois que se esprai por toda a malha administrativa, 
observadas as regras de competência. O poder normativo, assim, é 
poder imanente à administração, encontrando limite apenas na sua 
disposição hierárquica que escalona as competências funcionais 
normativas e executivas de cada órgão que compõe a estrutura 
piramidal da Administração. Quão mais inferior o órgão na escala 
hierárquica administrativa, menor e mais limitada será a capacidade 
de elaboração de normas administrativas atribuídas a seus 
dirigentes (portarias, circulares, editais, instruções), uma vez que os 
órgãos subalternos de administração destinam-se a execução 
concreta de serviços públicos específicos, tornando-se impróprias as 
atividades administrativas de cunho normativo. 
• Na percepção da autora ora em destaque é inadequado falar-se em 
poder discricionário e poder vinculado. Afirma peremptoriamente 
que “os chamados poderes discricionários e vinculados não existem 
9.Poderes Administrativos 
 
 
 127 
 
 
como poderes autônomos; a discricionariedade e a vinculação são, 
quando muito, atributos de outros poderes ou competências da 
Administração”. 
• Em relação ao poder disciplinar sustenta a administrativista os 
mesmos termos explicativos geralmente apresentados pelos 
diversos doutrinadores. 
• Poderes decorrentes da hierarquia são aqueles que se 
fundamentam na organização administrativa verticalizada, onde se 
plasmam as relações de coordenação e de subordinação. Em face 
desse contexto hierárquico e considerando a dinâmica 
organizacional administrativa surgem poderes decorrentes da 
hierarquia, tais como: 
¾ o poder de editar atos normativos (portarias, instruções, 
circulares, resoluções internas, ordens de serviço, etc) de 
alcance interno e de conteúdo geral, inconfundíveis com os 
regulamentos; 
¾ o poder de dar ordens aos subalternos, implicando 
imediato e correlato dever de obediência; 
¾ o poder de controlar, fiscalizar e auditar as atividades de 
seus subalternos; 
¾ o poder de aplicar sanções disciplinares; 
¾ o poder de avocar e de delegar competências, se 
autorizado por lei, regulamento ou norma interna. 
 
Atenção: dica de estudo complementar. 
 Vale muito a pena o candidato (especialmente para concursos a cargos 
de 3º grau escolar), se tiver disponibilidade, fazer uma leitura do Decreto 
nº2.954, de 29 de janeiro de 1999. Trata-se do decreto que estabelece as 
regras para a redação de atos normativos da competência dos órgãos do 
Poder Executivo. Para esse efeito, deve ser lido também o Decreto nº 3.930, 
de 19 de setembro de 2001, alterando o Decreto anterior no que tange à 
redação das medidas provisórias. 
 
 
5.Hierarquia