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Auto Anônimo - Curso de Direito Administrativo

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da Administração; 
e) operado por agente público competente. 
 
 
5.Requisitos, Elementos ou Pressupostos de Validade. 
 
Na doutrina do consagrado prof. H.L. Meirelles, são cinco os requisitos 
necessários à validade jurídica dos atos administrativos, a saber: competência, 
finalidade, forma, motivo e objeto. Os três primeiros são considerados 
elementos de regime vinculado (competência, finalidade e forma), os dois 
últimos (motivo e objeto), conforme a espécie do ato administrativo, podem ser 
submetidos a regime jurídico vinculado ou discricionário. 
É importante salientar que a um certo debate entre os doutrinadores 
quando à denominação do tema, ou seja, devemos tratar o assunto com a 
intitulação “requisitos”, “elementos” ou “pressupostos” de validade do ato? Tal 
discussão tem-se mostrado irrelevante para a quase totalidade dos concursos 
públicos. 
Por outro lado, agora fazendo uma breve reflexão de ordem didática, 
cabe raciocinarmos acerca da denominação geral do próprio tema em 
destaque, ou seja, por que requisitos de validade? 
Os elementos competência, finalidade, forma, motivo e objeto são 
considerados requisitos de validade (não importando para o nosso estudo a 
discussão doutrinária anteriormente referida sobre as expressões “requisitos”, 
“pressupostos” ou elementos”) porque o ato administrativo somente se mostra 
apto, juridicamente, para os propósitos a que se destina se os contiver. Ou 
seja, pertence à anatomia do ato administrativo a presença desses elementos. 
São esses elementos que o constituem, que o estruturam. Portanto, são esses 
elementos que lhe conferem a qualidade jurídica necessária para ser 
considerado válido no mundo do Direito. Todos os elementos, sem exceção, 
devem estar presentes em qualquer ato administrativo, sob pena de fadá-lo à 
invalidade jurídica. Reiteramos, o ato somente terá valor jurídico como ato 
administrativo na medida em que manifestem presentes todos esses 
elementos, sem nenhum vício que os comprometa ou macule. 
 
 
10.Atos Administrativos. 
 
 
 
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Para guardar, sugere-se: COM petência 
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Obs.1.: Requisitos de validade pelo Código Civil. 
 
Doutrinariamente, o ato administrativo é considerado uma espécie do 
gênero ato jurídico. Sendo assim, os requisitos de validade exigidos para este 
também se mostram presentes para aquele. 
Estabelece o Código Civil de 2002 em seu artigo 104 que o ato jurídico 
terá por requisitos de validade: 
a) agente capaz; 
b) objeto lícito, possível, determinado ou determinável; 
c) forma prescrita ou não defesa em lei. 
Agente capaz traduz a noção de que o indivíduo que produz o ato deve 
dispor da aptidão jurídica necessária para ser responsável por seus próprios 
atos, de maneira a mostrar condições de o autorizem a contrair direitos e a se 
vincular a deveres e obrigações. 
Objeto lícito indica que o ato deve projetar-se sobre eventos, 
pretensões ou coisas amparados pela ordem jurídica. Assim, não pode ser 
objeto de relação jurídica, evento apontado como ilícito pelo Direito. Para a 
validade do ato é necessário que o objeto sobre o qual ele repousa se mostre 
correto e lícito. 
O objeto é, propriamente, “aquilo” sobre o quê se projeta o interesse do 
indivíduo. O ato resulta de uma vontade elaborada no interior e na 
subjetividade de uma pessoa que entende ser útil ou necessário à satisfação 
de seus interesses adquirir, conservar, transmitir, modificar ou extinguir direitos 
e obrigações. Para tanto, realiza atos para ver realizada a sua pretensão. Tais 
direitos e obrigações, assim, constituem-se no próprio objeto do ato. No 
exemplo da compra e venda de um jornal, funciona como objeto do ato a 
transmissão da titularidade sobre o bem. A aquisição de canabis sativa, por 
sua vez indica objeto ilícito, se não autorizado por lei. 
 
A forma prescrita representa a forma estabelecida pela lei para a 
prática de certos atos jurídicos. A desobediência ao requisito forma implica 
contaminação do ato, tornando-o inválido para surtir efeitos no mundo jurídico. 
Forma não defesa quer dizer forma não proibida, ou seja, para determinadas 
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situações e casos a lei não prevê forma certa para a implementação de atos. 
Entretanto, o fato de a lei não disciplinar a forma para a realização de 
determinados atos não autoriza que a pessoa se valha de uma liberdade sem 
limites para a realização do mesmo. É necessário que o ato não ofenda ou 
comprometa o sistema jurídico como um todo. Como exemplo veja -se a 
“liturgia jurídica” a ser seguida por aqueles que querem comprar um imóvel ou 
contraírem núpcias. Há todo um ritual a ser obedecido e cumprido. 
 
Obs.2.:Requisitos exclusivos ou específicos? 
 
Quanto aos requisitos de validade dos atos administrativos que vamos 
melhor estudar adiante, registre-se que não são requisitos exclusivos e sim 
específicos. Explica-se: não podemos dizer que agente competente seja um 
requisito exclusivo dos atos administrativos, pois que para a prática de atos 
legislativos, por exemplo, é necessário que o agente também detenha 
competência para tal, como é o caso da sanção ou veto do Presidente da 
República. Tais atos são, conforme disciplina o artigo 84, IV e V da 
Constituição Federal, privativos daquele agente. Atos judiciais (jurisdicionais) 
também vão pelo mesmo caminho. Uma sentença, por exemplo, é ato de 
determinado agente. 
 
 
5.1.Competência. 
• Idéia central. 
Nada mais é do que a delimitação legal das atribuições cometidas ao 
agente que pratica o ato. 
A Lei no 4.717/65, que disciplina a ação popular, esclarece em seu artigo 
2o que a incompetência fica caracterizada quando o ato não se inclui nas 
atribuições legais do agente que o praticou. 
Conforme salienta José dos Santos Carvalho Filho, se no campo privado 
a presunção jurídica milita a favor da capacidade para a prática de atos 
jurídicos, por força do princípio da autonomia da vontade, no campo público 
“não há presunção de competência administrativa; esta há de originar-se de 
texto expresso.” 
 
• Competência ou sujeito? 
Maria Sylvia Zanella di Pietro sustenta que melhor é denominar o 
primeiro elemento de validade do ato administrativo por sujeito do que por 
competência, pois “a competência é apenas um dos atributos que ele deve ter 
para a validade do ato; além de competente, deve ser capaz, nos termos do 
Código Civil.” 
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• Agente competente e agente capaz: diferença. 
Agente competente é diferente de agente capaz. Aquele pressupõe a 
existência deste. Todavia, capacidade não quer dizer competência, já que este 
“não é para quem quer, mas sim para quem pode”. 
O ato praticado por agente incompetente é inválido por lhe faltar um 
elemento básico de sua perfeição, qual seja o poder jurídico para manifestar a 
vontade da Administração. 
 
• Competência: sentidos leigo e técnico. 
Portanto, competência, para o direito, não tem o sentido leigo que 
normalmente é utilizado, ou seja, com o significado de eficiência, 
operatividade, diligência, tirocínio, etc. Não é, assim, uma qualidade, mas um 
requisito de configuração do ato e pressuposto para a sua validade.