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Priscila Tanaca - O Contrato de Trabalho e Previdência Privada - Ano 2006

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entidades coletivas
111 LEITE, Celso Barroso. “A Proteção Social no Brasil”, p. 105. Editora LTR, 1972.
112 Esta expressão “fundo de pensão” passou a ser popularizada para designar as entidades fechadas
de previdência complementar. Segundo Silvio Wanderley do Nascimento (in Regulação e Previdên-
cia Complementar Fechada, p. 84) a utilização desta expressão é errônea pois o vocábulo fundo
traz a idéia de conjunto de haveres ou recursos financeiros destinados a atender determinado fim.
Os fundos são de regra despersonalizados e isto não se encaixa com a definição da EFPC pois
esta necessariamente tem personalidade jurídica.
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referidas na lei. Preexiste uma relação que antecipará a relação da entidade de previ-
dência complementar.
Segundo descrição de Flavio Martins Rodrigues,113 “As entidades fechadas de
previdência complementar são pessoas jurídicas ‘armazenadoras’ de recursos vertidos
pelos trabalhadores na fase produtiva de suas vidas. Os ativos econômicos das EFPC’s,
em verdade, destinam-se a ‘devolver’ a esses próprios indivíduos valores financeiros no
momento em que não podem mais trabalhar ou prover o sustento de seus dependentes.
São situações próprias especiais, a merecer tratamento específico da sociedade, inclu-
sive quanto a aspectos de natureza tributária.”
Assim, é importante ressaltar que a entidade fechada é sempre uma pessoa jurí-
dica. “Não se pode considerar atividade de previdência privada a simples instituição de
pecúlio por morte, no âmbito limitado de uma empresa, de uma fundação ou de outra
entidade de natureza autônoma, desde que administrado exclusivamente sob a forma de
rateio entre os participantes: são as denominadas mútuas, não dotadas de personalida-
de jurídica”114 .
Segundo estabelece o art. 32 da Lei Complementar 109/2001; “As entidades fe-
chadas têm como objeto a administração e execução de planos de benefícios de nature-
za previdenciária.”
O antigo ordenamento regulatório da previdência privada (arts. 1º e 39 da Lei
6.435/77) estabelecia como objetivo das entidades fechadas a administração de pla-
nos previdenciários permitindo a operação de outras atividades não previdenciárias.
O novo texto legal em vigor restringiu às entidades fechadas apenas a execução de
planos de benefícios de natureza previdenciária, mas o parágrafo único desse disposi-
tivo abre exceção no que se refere à prestação de serviços assistenciais à saúde
pelas entidades fechadas, desde que elas, por ocasião da publicação da lei, já de-
113 RODRIGUES, Flavio Martins. “Fundos de Pensão: temas jurídico”, p. 04. Editora Renovar, 2003.
114 ROMITA, Aryon Sayão. “Estrutura da Relação de Previdência Privada (Entidades Fechadas)”, Revis-
ta de Previdência Social, nº 252, nov/2001, p. 780.
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sempenhassem tal atividade.
“A intenção do legislador foi conferir às entidades fechadas apenas a
operação de benefícios previdenciários de natureza complementar, impos-
sibilitando-as de empreender qualquer outra atividade. Sendo assim, o ob-
jetivo destas entidades está relacionado com a concessão e a manutenção
de benefícios previdenciários, não podendo conceder serviços ou presta-
ções em espécie.”115
Elas desempenham importante papel mediante a prestação de atividade suple-
tiva, colaborando com a função social exercida pelo poder público. A Lei 6.435/77,
revogada pela LC 109/2001, reconhecia que tais entidades enquadravam suas ativi-
dades na área de competência do Ministério da Previdência e Assistência Social:
“As entidades fechadas consideram-se complementares ao sistema ofi-
cial de previdência e assistência social, enquadrando suas atividades nas
áreas de competência do Ministério da Previdência e Assistência Social
(sic).”116
Segundo o estabelecido na Instrução Normativa SPC nº 37, de 2002117 , são ca-
racterizados os planos de benefícios oferecidos por entidades fechadas de previdência
complementar os que oferecem cobertura para os seguintes riscos: sobrevivência,
invalidez, morte, reclusão e doença.
Conforme explicação de João Paulo Cunha,118 “Os fundos de pensão brasileiros
possuem um mecanismo institucionalmente amadurecido, voltado para a formação de
115 CORREIA, Marcus Orione Gonçalves (coordenador). “Previdência Privada – Doutrina e Comentários
à Lei Complementar n. 109/01”. Editora LTR, 2005, p.286.
116 Art. 34 da revogada Lei 6.435/77.
117 Art. 1º, § 1º da Instrução Normativa SPC 37, de 11.04.2002.
118 CUNHA, João Paulo Rodrigues da. “(IN)Aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor às Enti-
dades Fechadas de Previdência Privada”, Revista de Previdência Social, nº 273, ago/2003, p. 664.
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poupança estável e de longo prazo. Atuando sob o regime de capitalização, a reserva de
recursos sustenta a retomada do crescimento econômico nacional, financiando projetos
no setor privado e colaborando para fortalecer a independência do país em relação à
poupança externa que se constitui na história financiadora de sua economia. Como não
visam lucros, seus ganhos são reinvestidos e, ao final, incorporados às reservas neces-
sárias ao pagamento das aposentadorias e pensões.
Por serem entidades que não têm finalidade lucrativa e não distribuem parcela de
seu patrimônio, suas contribuições são investidas para a formação do fundo previdenciário,
o qual, a posteriori, mantém os benefícios dos próprios participantes, não se caracteri-
zando a receita dessas contribuições em remuneração ou preço no sentido geral de
pagamento em um contexto comercial.”
Iremos encontrar 3 figuras na relação existente nas entidades de previdência pri-
vada fechada: a empresa (ou grupo de empresas) denominada patrocinadora; as pes-
soas jurídicas de entidade profissional, classista ou setorial em que seus participantes
podem ser denominados membros, associados, filiados sindicalizados ou cooperados
é denominada instituidora; e os sujeitos participantes que são os empregados de uma
empresa ou grupo de empresas, associados, os servidores públicos estatutários, os
empregados públicos e os servidores temporários.
Segundo definição dada pelo professor Hely Lopes Meirelles,119 os servidores
públicos constituem subespécies dos agentes públicos administrativos, categoria que
abrange a grande massa de prestadores de serviços à administração e a ela vinculada
por relações profissionais, em razão de investidura em cargos e funções, a título de em-
prego e com retribuição pecuniária. O doutrinador classifica como sendo servidor públi-
co, em sentido amplo, todos os agentes públicos que se vinculam à Administração Pública
direta e indiretamente, sob o regime estatutário, administrativo, especial ou celetista.
Os servidores públicos, em sentido estrito, são os estatutários, os titulares de
119 “Direito Administrativo”. Editora Malheireiros, 24ª edição, 2000, p. 365.
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cargo público efetivo e em comissão, integrantes da administração direta, das autarquias
e das fundações com personalidade jurídica de Direito Público.
Os empregados públicos são titulares de emprego público e não de cargo públi-
co e seguem o regime jurídico da CLT, portanto, não são submetidos ao regime de
previdência peculiar, como os titulares efetivos e os agentes políticos.
Os contratados por tempo de serviço determinado são os servidores públicos
submetidos ao regime jurídico administrativo previsto no art. 37, IX da CF.
Esses planos são acessíveis somente aos empregados das patrocinadoras ou
associados/membros das instituidoras, visando à complementação das prestações
fornecidas pelo Regime Geral de Previdência Social.
Importante ressaltar o inciso II do § 2º do art. 31 da LC 109 que estabelece que
as entidades fechadas constituídas por instituidores devam ofertar exclusivamente pla-
nos de benefícios na modalidade de contribuição definida (nesta modalidade o segu-
rado tem conhecimento prévio do quantum a aportar mas desconhece o valor das
prestações). Inova o inciso I