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Teorias do Estado - Kant e a Filosofia Política do Liberalismo

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Teoria Política Contemporânea
Kant e a Filosofia Política do Liberalismo I
BOBBIO, Noberto. Estado e Direito no Pensamento de Emanuel Kant. São Paulo: Editora Mandarim, 2000. pp. 15-76.
Estado Constitucional Desenvolve do Absoluto. Problemática: limites do poder estatal.
Segundo BOBBIO (2000), o Estado nasce com a tendência para colocar-se como poder absoluto. O Estado pode ser entendido como uma forma de organização de uma comunidade humana. Como poder absoluto entende-se como o poder que não conhece limites, uma vez que não reconhece acima de si mesmo nenhum outro poder = Soberania.
Estado absoluto, nasce da dissolução da sociedade medieval, que era de caráter eminentemente pluralista, o direito segundo o qual estava regulada originava-se de diferentes fontes de produção jurídica, estava organizado em diversos ordenamentos jurídicos.
O Estado que nasce da dissolução da sociedade pluralista medieval, se dá pelos processos de unificação: 1) unificação de todas as fontes de produção jurídica, na lei, como expressão da vontade do soberano; e 2) unificaaco de todos os ordenamentos jurídicos superiores e inferiores ao Estado no ordenamento jurídico estatal, cuja expressão máxima é a vontade do príncipe, através de duas direções: a) liberação operada pelas monarquias absolutas em relação aos poderes superiores como a Igreja e o Império; e b) na absorção dos ordenamentos jurídicos inferiores, motivando então a luta do rei contra os senhores feudais. A monarquia absoluta é a forma de Estado em que não se reconhece mais outro ordenamento jurídico que não seja o estatal, e outra fonte jurídica do ordenamento estatal que não seja a lei. o poder estatal é absoluto porque se tornou definitivamente o único poder capaz de produzir o direito, isto é, de produzir normas vinculatorias para os membros da sociedade sobra a qual impera, e portanto, não conhecendo outros direitos senão o seu próprio, nem podendo conhecer limites jurídicos para o próprio poder.
Estado absoluto no pensamento de Hobbes: 1) a teoria segundo a qual a única fonte de direito é a vontade do soberano; e 2) teoria segundo a qual a Igreja não constitui um ordenamento superior ao ordenamento estatal, porque, como ordenamento juridico, identifica-se como o estatal; nas relações dos Estados entre si, não existe nenhum poder superior aos Estados Singulares e que portanto, vale entre lees o estado de natureza, ou seja, o estado segundo o qual não existe outro direito a não ser o do mais forte, a tese de que os ordenamentos jurídicos inferiores ao Estado adquirem relevância jurídica somente através do reconhecimento conferido a eles pelo soberano, motivo pelo qual não podem ser considerados ordenamentos originários nem autônomos.
Maquiavelismo é um aspecto da luta para a formação do Estado absoluto. O príncipe acima das leias, nao se queria dizer que estivesse também acima das leis divinas e morais, através do maquiavelismo os limites são quebrados, o príncipe não é mais somente acima dos ordenamentos jurídicos mas também além do ‘bem e do mal’, acima dos vínculos morais que delimitam a ação dos simples mortais. Através da interpretação do livro ‘O príncipe’ de Maquiavel, segundo a qual a ação política, i.e., a ação voltada para a conquista e manutenção do Estado, é uma ação que não possui um fim próprio de utilidade e não deve ser julgada por meio de critérios diferentes dos de conveniência e oportunidade, a ação política é vista como uma categoria distinta da moral e da religião, implicando como nem moral nem imoral, mas amoral. O Maquiavelismo chega a fazer parte da ‘Razão de Estado’, que acompanhou a consolidaão do Estado Absoluto, o termo pode ser entendido como que o estado tem as suas próprias razoes, que o individuo desconhece, em nome de tais razões, o Estado pode agir de maneira diferente daquela pela qual o individuo deveria comporta-se nas mesmas circunstacias.
Teorias sobre os limites do poder estatal o Estado moderno, liberal e democrático, surgiu da reação contra o Estado Absoluto. Nasce das fases culminantes das revoluções Inglesa do século XVII e da Revolução Francesa, sendo acompanhado por teorias políticas cujo propósito fundamental era o de encontrar um remédio contra o absolutismo do poder do príncipe. Da tradição inglesa recebeu o nome de ‘constitucionalismo’. São encontrados três grandes grupos: 1) Teoria dos direitos naturais, ou jusnaturalismo: segundo esta teoria o Estado tem um limite externo que decorre do fato de que, alem do direito proposto pela vontade do príncipe (direito positivo), existe um direito que não é proposto por vontade alguma, mas pertence ao individuo, a todos os indivíduos, pela sua própria natureza de homens, independentemente de participação dessa ou daquela comunidade política, esses direitos são os direitos naturais que, preexistindo ao Estado, dele não depende, e, não dependendo do Estado, teste tem o dever de reconhecê-los e garanti-los integralmente. O Estado que se modela segundo o reconhecimento dos direitos naturais individuais é o Estado Liberal. 2) Teorias da separação dos poderes. Existem outras teorias que impõem ao Estado limites internos: independentemente do fato que o poder estatal tenha que deter-se diante de direitos preexistentes ao Estado, elas sustentam que a melhor maneira de limitar esse poder é quebrá-los, de acordo com: a) a massa do poder estatal não seja concentrada numa só pessoa, mas distribuída entre diversas pessoas; b) as diferentes funções estatais não sejam confundidas num só poder, mas sejam atribuídas a órgãos distintos. Representa assim o Estado Constitucional, como aquele Estado no qual os poderes legislativo, executivo e judiciário são independentes um do outro e em posição tal que podem controla-se reciprocamente. 3) Teorias da soberania popular ou democracia. Segundo essas teorias não se trata de conter o poder limitando-o por meio de direitos naturais ou da distribuição para órgãos diferente, mas de alcançar a participação de todos os cidadãos. Segundo Rousseau, trata-se de uma verdadeira quebra do poder estatal, pertencendo a todos é como se não pertencesse totalmente a ninguém. O remédio contra o abuso do poder não é tanto a limitação deste, mas a mudança incondicional do seu titular. O ponto de partida é a hipótese de que o poder fundamental no consenso popular não pode cometer abusos, ou seja, que o povo não pode exercer o poder que lhe pertence contra si mesmo. Esses três grupos de teorias podem ser consideradas as etapas principais através das quais se desenvolve o pensamento político dos séculos XVII e XVIII até Kant.
O característico do Estado Liberal e democrático não é tanto a maneira pela qual é justificado ou instituído, mas os limites que lhe são atribuídos, ou os meios escolhidos para impedir o abuso de poder. Existem três grupos de teorias sobre o fundamento do poder estatal 1) Teorias do fundamento teológico do poder. O poder do soberano deriva de Deus, no sentido de que o poder máximo que um homem ou um grupo de homens tem sobre os outros pode encontrar a sua própria justificação somente no fato de que ele é uma manifestação do poder que Deus tem sobre o mundo. 2) Teorias do fundamento histórico do poder. O poder é o resultado de determinados acontecimentos históricos ou de uma determinada direção do desenvolvimento histórico, que concentraram numa pessoa, numa classe, num povo, a forca para governar outros homens. Palavra chave: tradição. 3) teorias do fundamento voluntarista do poder. O fundamento do poder está no livre acordo dos homens, que, num certo período do desenvolvimento histórico, decidiram a criação do Estado, tem lugar nesse grupo as teorias do contratualismo. As doutrinas do contratualismo foram geralmente sustentadas pelos defensores do Estado liberal; mas existe também quem, como Thomas Hobbes, fundamentasse a soberania absoluta de forma contratual, sustentando que os indivíduos, para constituir o Estado, renunciam voluntariamente e, portanto com base num acordo recíproco aos seus direitos em favor do soberano,