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Teorias do Estado - Kant e a Filosofia Política do Liberalismo

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qual os homens estão obrigados a viver no estado de natureza e o medo do soberano, era preferível o segundo e que, no fundo, os homens submetem-se com prazer à obediência a um soberano para sair da anarquia. Reconhecia que anarquia e Estado eram dois males; mas o mal menor era o segundo. Construiu sua teoria de maneira a mostrar a necessidade da passagem do estado de natureza para o estado civil, como passagem de um estado de liberdade para um estado de servidão. Porque sendo um estado de guerra perpetua, o estado de natureza contradizia o instinto fundamental do homem, que é a conservação da vida. Para sair dele precisava suprimi-lo; para suprimi-lo os homens renunciavam a todos os direitos naturais e os atribuíam, segundo um acordo recíproco, a uma pessoa ou a um grupo de pessoas às quais conferiam o poder supremo de comandar e comprometiam-se a obedecer em qualquer circunstância. Os homens compravam a segurança pelo preço da servidão.
A solução de Locke tinha sido considerar a passagem do estado de natureza para o estado civil não como uma transmutação completa, mas como uma espécie de integração que permitisse a instauração de um Estado que obtivesse os benefícios da sociedade civil sem perder os da sociedade natural. 
A solução dada por Hobbes levava ao Estado Absoluto a de Locke ao Estado Liberal.
Rousseau volta a teoria de Hobbes, mas dá a ela um sentido democrático, ele pensa que entre o estado natural e estado civil não existe meio-termo. Nega que o estado civil seja incompatível com a liberdade, seu problema torna-se, portanto conciliar o Estado com Liberdade. Diante da alternativa de Hobbes, ou liberdade ou Estado, ele tenta responder com uma síntese: e liberdade e Estado. A solução de Rousseau é dada na formula do contrato, o contrato social, tal como o apresenta, é também um ato coletivo de renuncia aos direitos naturais, mas a renuncia não é feita em favor de um terceiro, mas por um em favor de todos, ou seja, por individuo (considerado singularmente) par si mesmo (como membro de uma totalidade). Tanto Hobbes quanto Rousseau concebem o contrato social como um contrato de alienação dos próprios direitos. Mas enquanto para Hobbes a alienação acontece em favor do soberano considerado como uma entidade distinta da multidão que o investe dos próprios direitos, para Rousseau a alienação acontece em favor da comunidade inteira, ou do corpo político, do qual é manifestação suprema a vontade geral, que é exatamente a vontade dos indivíduos contraentes. Para Rousseau, ao reunicar a liberdade natural o individuo reencontra uma liberdade mais plena e superior, que é a liberdade civil, ou liberdade no Estado.
São três formulas: Liberdade do Estado (Locke), Servidão no Estado (Hobbes) e Liberdade no Estado (Rousseau).
A diferença entre estado liberal do tipo de Locke e Estado democrático pode ser reduzida em ultima analise a uma diferença entre duas concepções da liberdade: o liberal entende a liberdade como não-impedimento, ou seja, a faculdade de agir sem ser dificultado pelos outros, e, então, a liberdade de cada um varia de acordo com o âmbito no qual pode mover-se sem encontrar obstaculuos; o democratico, todavia, entende a liberdade como autonomia, e entao, quanto maior a vontade de quem faz as leis de se identificar com a vontade de quem deve obedecer a essas leis. Segundo o liberal, o Estado vai se tornando mais próximo de seu ideal à medida que suas ordens vão se limitando; para o democrático, isso acontece a medida que as ordens exprimem mais a vontade geral. No primeiro, o problema fundamental da liberdade coincide com a salvaguarda da liberdade natural, no segundo, com a eliminação da liberdade natural, que é anárquica, e na sua transformação em liberdade civil, que é obediência à vontade geral. Rousseau, pensou poder conciliar a instituição do Estado com a liberdade, visando a uma liberdade que não é a desordem dos instintos, mas a participação consciente e de acordo com a lei do Estado. 
Kant e a Filosofia Política do Liberalismo I