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NUTRIÇÃO E DISTÚRBIOS NUTRICIONAIS DE 
CÃES E GATOS 
 
ATIVIDADES LÚDICAS AFRICANAS 
 
 
1
 
1 
Sumário 
NUTRIÇÃO E DISTÚRBIOS NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS ........ 0 
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 
INTRODUÇÃO ......................................................................................... 3 
COMPORTAMENTO ALIMENTAR DE CÃES E GATOS ........................ 5 
EXIGÊNCIA ALIMENTAR DE CÃES E GATOS ...................................... 5 
ALIMENTOS FUNCIONAIS ..................................................................... 7 
TIPOS DE RAÇÕES PARA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO ........................ 12 
ALIMENTAÇÃO POR FASES DA VIDA DOS CÃES ............................. 15 
ALIMENTAÇÃO POR FASES DA VIDA DOS GATOS .......................... 18 
GESTAÇÃO E LACTAÇÃO DE CÃES E GATOS .................................. 22 
NOVOS PONTOS DE VISTA SOBRE AS RECOMENDAÇÕES 
NUTRICIONAIS ................................................................................................ 25 
INFORMAÇÃO SOBRE DIGESTIBILIDADE DE INGREDIENTES ........ 27 
SAÚDE, QUALIDADE E EXPECTATIVA DE VIDA ............................... 27 
PAPEL DA NUTRIÇÃO NA PREVENÇÃO E SUPORTE DE AFECÇÕES
 ......................................................................................................................... 28 
MICROBIOTA DO TRATO GASTRINTESTINAL E SUA IMPORTÂNCIA 
NA IMUNIDADE ............................................................................................... 31 
DIFERENÇAS ENTRE CÃES E GATOS ............................................... 33 
EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS .............................................................. 34 
APORTE ENERGÉTICO DOS ALIMENTOS ......................................... 36 
CÁLCULO DA QUANTIDADE DE ALIMENTO ...................................... 37 
FONTES DE CARBOIDRATO PARA CÃES E GATOS ......................... 39 
FONTES DE PROTEÍNA PARA CÃES E GATOS ................................. 41 
REFERÊNCIAS ..................................................................................... 46 
 
file://192.168.0.2/E$/PostagemNova/CIÊNCIAS%20AGRÁRIAS%20E%20VETERINÁRIA/NUTRIÇÃO%20ANIMAL/NUTRIÇÃO%20E%20DISTÚRBIOS%20NUTRICIONAIS%20DE%20CÃES%20E%20GATOS/NUTRIÇÃO%20E%20DISTÚRBIOS%20NUTRICIONAIS%20DE%20CÃES%20E%20GATOS.docx%23_Toc56525710
 
2
 
2 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3
 
3 
INTRODUÇÃO 
A relação entre o homem e os animais de estimação já se encontra 
estabelecida há séculos. Mesmo sem códigos de comunicação verbal 
inteligíveis, exceto as manifestações de afeto, os animais de estimação 
ou pets conquistaram lugar no consumo de massas só pelo fato de 
necessitarem e exigirem cuidados especiais (YABIKU, 2003). 
Pesquisas científicas relacionadas à nutrição de animais de 
companhia, principalmente nos últimos 10 anos, deixaram de focar a 
dicotomia entre as necessidades mínimas e teores máximos, 
sobretudo quanto ao estabelecimento das recomendações nutricionais 
(CARCIOFI; JEREMIAS, 2010). 
O conhecimento das necessidades mínimas deixou de ser tão 
importante e, cada vez mais, busca-se entender o papel da nutrição na 
promoção de saúde, bem-estar e longevidade (YABIKU, 2003). 
No início desta década foi formado um comitê pelo Conselho Nacional de 
Pesquisas Norte Americano para revisar as publicações sobre necessidades 
nutricionais de cães (Canis lupus familiaris) e gatos (Felis catus). 
Segundo Carciofi e Jeremias (2010) foi atribuída a esse comitê a tarefa 
de revisar estas publicações e transformá-las em um único documento, 
que veio a ser publicado em 2006, o NRC - Nutrient requirements of 
dogs and cats. 
Antes do lançamento do NRC para cães e gatos havia apenas 
informações dispersas sobre a biodisponibilidade de nutrientes e necessidades 
nutricionais de animais de companhia. 
O progresso na nutrição de cães e gatos exigia informações mais 
precisas sobre as necessidades das diversas fases da vida 
(especialmente a reprodução e manutenção), juntamente com os 
valores de biodisponibilidade dos nutrientes dos ingredientes das 
dietas (CAPPILLI et al., 2016). 
A partir desta demanda pesquisadores e indústria de alimentos para cães 
e gatos têm respondido, redirecionando objetivos e métodos de pesquisa. 
 
4
 
4 
A pesquisa nutricional tem, assim, se diversificado em objetivos 
abrangendo áreas como longevidade, gerontologia, bem-estar, 
imunidade, beleza de pelo e pela função digestiva, função cognitiva, 
saúde oral e prevenção de doenças degenerativas, dentre as quais se 
pode incluir o manejo nutricional de extenso número de condições 
como endocrinopatias, obesidade, distúrbios gastrointestinais, 
distúrbio alérgicos, entre outros (CARCIOFI, 2005; CARCIOFI, 2007; 
CARCIOFI, 2008 e CARCIOFI; JEREMIAS, 2010). 
Segundo NRC (2006) o importante e correto conhecimento das fases 
de vida do animal ajuda a determinar, de maneira lógica, o manejo 
alimentar aplicado a estas fases visando um ótimo estado de saúde e 
qualidade de vida. 
O objetivo desta revisão é realizar um levantamento sobre os principais 
conceitos relacionados à nutrição de cães e gatos nas diferentes fases de vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5
 
5 
COMPORTAMENTO ALIMENTAR DE CÃES E GATOS 
A base do consumo alimentar é genética, onde os animais, de certa 
forma atribuem conceitos de ingestão dos alimentos com base em seus 
antepassados e o período de domesticação (CAPPILLI et al., 2016). 
Em tempos remotos os animais ingeriam alimentos de uma forma 
incerta, visto que a quantidade também era irregular, muito diferente 
dos atuais manejos e formas alimentares (YABIKU, 2003). 
Ogoshi et al (2015) afirmam que cães e gatos são animais 
anatomicamente carnívoros, pois apresentam caninos bem 
desenvolvidos, ausência de amilase salivar, estomago bastante 
desenvolvido e extremamente ácido. 
Apesar disso, ressaltam que mesmo assim, pela própria história evolutiva 
do cão, a sua dieta tem característica mais onívora enquanto que a do gato indica 
uma dieta mais carnívora. 
Cães e gatos apresentam-se como carnívoros, porém com hábitos e 
formas alimentares muitas vezes classificadas como de uma espécie onívora. 
Silva Junior et al. (2006) ressaltam que há um senso comum em dizer 
que os cães são classificados como carnívoros não restritos e os gatos 
como carnívoros restritos. 
 
EXIGÊNCIA ALIMENTAR DE CÃES E GATOS 
Assim como a dieta humana, a saúde dos cães depende de uma 
alimentação correta e balanceada que contenha um amplo conjunto de 
nutrientes para suprir todas as necessidades diárias, são eles: 
proteínas, gorduras, carboidratos,APORTE ENERGÉTICO DOS ALIMENTOS 
Dentre os constituintes dos alimentos, os carboidratos, lipídeos e as 
proteínas são os grandes fornecedores de energia para o organismo animal. 
Toda a energia contida no alimento é denominada de energia bruta (EB). 
Cães e gatos, assim como os demais animais, não conseguem extrair 
totalmente a energia do alimento. A energia disponível para o organismo é 
chamada de energia metabolizável (EM). A EM de um alimento pode ser 
determinada a partir de resultados de experimentos com animais, mas um 
método experimental rápido que combina a utilização de animais com equações 
de predição é a estimativa das perdas urinárias da energia digestível por 
equações, para estimar a EM. 
As perdas pela urina são preditas pelo conteúdo de proteína digestível, 
em que para cães usa-se a subtração de 1,25kcal/g da proteína digestível e para 
gatos, 0,9 kcal/g da proteína digestível. 
O NRC (2006) fornece equações de predição mais detalha que é utilizada 
a nível experimental. Entretanto, para os tutores, há uma alternativa mais simples 
para obter conteúdo de energia metabolizável. 
 
3
7 
37 
A predição pode ser feita pelos fatores de Atwater, os quais consideram 
que 1g de proteína bruta (PB), 1g de extrato etéreo (EE) e 1g de extrativo não 
nitrogenado (ENN - corresponde aos carboidratos da dieta, exceto a fibra) 
geram, respectivamente, 4kcal, 9kcal e 4kcal de EM nos alimentos de alta 
qualidade e dietas naturais e 3,5kcal, 8,5kcal e 3,5kcal em alimentos de baixa 
qualidade. 
Assim: EM alimento alta qualidade (kcal/kg) = (4 x g PB)+(9 x g EE)+(4 x 
g ENN) EM alimento baixa qualidade (kcal/kg) = (3,5 x g PB)+(8,5 x g EE)+(3,5 
x g ENN) Exemplo: Rótulo alimento: UM= 12%; PB= 28%; EE=13%; MF=6%; 
MM=7,5% ou UM= 120 g/kg; 280 g/kg; 130 g/kg; 60 g/kg; 75 g/kg de alimento 
ENN(g/kg)= 1000-UM-PB-FB-EE-MM = 335 g EM= (280 x 3,5)+(130 x 8,5)+(335 
x 3,5) EM = 3257,5 ~ 3258kcal/kg de alimento. 
 
 
CÁLCULO DA QUANTIDADE DE ALIMENTO 
A quantidade de alimento a ser fornecida é calculada considerando a 
energia metabolizável do alimento (estimada ou determinada in vivo) e a 
necessidade energética estimada para o animal. 
Sendo assim é determinada como: Quantidade de alimento (kg) = 
necessidade energética do animal (kcal por dia) energia metabolizável do 
alimento (kcal por kg) Exemplo: NE=1892kcal por dia EM alimento: 3258kcal/kg 
Quantidade de alimento=1892 = 0,580kg ou 580 gramas por dia. 
Na natureza, os canídeos caçam em matilhas, havendo disputas e 
dessa maneira ingerem rápido. Dependendo da raça, comem 4 a 8 ou 
até mesmo mais refeições, geralmente durante o período diurno, com 
algumas raças também se alimentando durante o período noturno 
(NRC, 2006). 
Assim, recomenda-se fornecer a quantidade calculada, de preferência, 
dividida em no mínimo duas porções diárias e separar os animais para não haver 
competição. Já os felídeos (exceto os leões) geralmente são caçadores 
solitários. 
 
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38 
O gato por seu pequeno porte, na natureza só conseguiria presas 
pequenas e para atender suas necessidades energéticas diárias precisava fazer 
várias caças diárias. 
Gatos comem voluntariamente 12-20 refeições por dia uniformemente 
distribuído pelo período diurno e noturno (NRC, 2006). 
Dessa maneira, para eles, o alimento deve ficar disponível durante 24 
horas, já que restrição de horários pode levar a diminuição de consumo, exceto 
em casos de problemas com obesidade. 
Estima-se, no Brasil, um crescimento de 667% na produção de alimentos 
industrializados para cães e gatos nos últimos 10 anos. 
Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos 
para Animais de Estimação (Anfalpet, 2007), em 2006, a produção 
nacional de ração para animais de companhia foi de 1.687.404 
toneladas, um crescimento de 8% em relação ao ano anterior, com 
movimentação de dois bilhões de reais. 
Este crescimento teve suporte em avanços científicos e tecnológicos, 
no aprimoramento do processo de produção em larga escala e na 
disponibilidade de matérias primas, especialmente os subprodutos de 
origem animal. Vê-se no mundo uma explosão do número de marcas 
de dietas comerciais prontas para o consumo, com formulações cada 
vez mais sofisticadas e específicas (Steiff & Bauer, 2001). 
Estabeleceu-se, com isto, elevada competitividade, o que tem levado à 
segmentação de produtos que apresentam padrões comerciais e nutricionais 
distintos. 
As empresas, de um lado, têm desenvolvido produtos específicos, com o 
intuito de chamar a atenção do consumidor para um alimento diferenciado e de 
elevado valor nutricional, com consequente maior custo. Estes apresentam 
formulação mais sofisticada, com o emprego de ingredientes selecionados e 
melhor processamento. 
Por outro lado, também são produzidos alimentos econômicos, de baixo 
valor agregado e que competem no mercado apenas por preço, sendo 
formuladas com ingredientes mais baratos. Desta forma, o mercado pet absorve 
hoje ampla gama de ingredientes e subprodutos, empregados na produção de 
alimentos variados, com densidades nutricionais e digestibilidades distintas. 
 
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Ao lado desta expansão e sofisticação do mercado, um levantamento dos 
dados científicos disponíveis sobre nutrição e, principalmente, sobre alimentos 
para cães e gatos, demonstra uma surpreendente escassez de informações. 
Apesar de se registrar progresso no conhecimento acerca das 
necessidades nutricionais de cães e gatos (NRC, 2006), são 
necessárias informações mais precisas sobre quase todos os 
nutrientes. Não se conhece, tampouco, as biodisponibilidades dos 
nutrientes nos alimentos empregados nas formulações (Bontempo, 
2005), o que faz com que, via de regra, as formulações sejam 
baseadas nos nutrientes brutos, não nos disponíveis. 
Não se dispõem de tabelas de composição dos alimentos para cães e 
gatos que apresentem estimativas de nutrientes digestíveis, como 
ocorre para suínos e aves, como exemplo em Rostagno, et al. (2005). 
 
 
FONTES DE CARBOIDRATO PARA CÃES E GATOS 
Na maioria das rações extrusadas para cães e gatos, os amidos 
constituem a maior fonte de energia (Cheeke, 1999). 
Podem representar de 40 a 55% da matéria seca destes alimentos 
(Kronfeld, 1975), fornecendo de 30% a 60% de sua energia 
metabolizável. Suas características nutritivas dependem da 
composição dos seus açúcares, de seus tipos de ligação química, de 
fatores físico-químicos de digestão (Van Soest, 1994) e de seu 
processamento (Holste et al., 1989; Wolter et al., 1998). 
Apesar de sua suscetibilidade à ação enzimática dos monogástricos, há 
uma porção do amido que é resistente à hidrólise. 
Sua digestibilidade é afetada por sua forma física, interações entre 
proteína e amido, integridade de seus grânulos e pela presença de 
fatores antinutricionais, como o tanino (Rooney & Pflugfelder, 1986). 
As razões para a digestão incompleta do amido podem ser separadas 
em fatores intrínsecos e extrínsecos (Englyst et al., 1992). Dentre os 
fatores intrínsecos incluem-se: inacessibilidade física do amido; 
resistência dos grânulos à ação enzimática; formação de amido 
retrogradado. 
A inacessibilidade física ocorre quando o amido encontra-se contido em 
uma estrutura celular, como grãos e sementes integrais ou parcialmente moídas, 
 
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40 
sendo inacessíveis à ação enzimática. A resistência do grânulo depende da sua 
composição em amilopectina e amilose e de sua estrutura cristalina. 
A estrutura cristalina é classificada de acordo com a difração aos raios-X, 
em formas A, B e C. 
Os grânulos nas formas B e C são mais resistentes à ação enzimática do 
que os grânulos na forma A. 
O amido retrogradado é formado durante o resfriamento do amido 
gelatinizado, ocorrendo sua recristalização nas formas B e C, maisresistentes à digestão (Englyst & Cummings, 1990; Annison & Topping, 
1994; Englyst et al., 1996; Lobo & Silva, 2003). 
Os fatores extrínsecos que influenciam a digestibilidade do amido no 
intestino delgado são: tempo de trânsito intestinal, concentração de 
amilase disponível para a quebra do amido e a presença de outros 
componentes da dieta que retardem a hidrólise enzimática (Englyst & 
Cummings, 1990; Englyst et al., 2003). 
O processamento do amido, incluindo sua moagem e cozimento 
durante o processo de extrusão, é fundamental para aumentar sua 
digestibilidade para os carnívoros (Murray et al., 2001). 
Em relação ao tamanho das partículas, têm-se como regra geral que 
quanto mais finamente moído, melhor a digestibilidade, mas isto não é sempre 
verdadeiro, como será discutido adiante. 
Meyer (1997) relata que a digestibilidade do amido varia conforme a 
fonte e o processamento da matéria prima. Assim, apesar dos amidos 
de arroz e trigo apresentarem digestão acima de 97% mesmo sem 
tratamento algum, para apresentarem boa digestão (99% e 100%) 
pelos cães, o amido de milho precisa ser moído e micronizado e os 
amidos de batata e mandioca, cozidos. 
Wolter et al. (1998) compararam a digestibilidade de dois carboidratos 
em sua forma crua e gelatinizada. Demonstraram que o processo de 
gelatinização não foi importante para a digestibilidade ileal do amido 
de trigo, resultando em 99,4% para o amido cru e 98,0% para o 
gelatinizado. 
Contudo, para o amido de mandioca, a digestibilidade ileal aumento de 
57,6%, para o amido cru, para 97,4%, para o gelatinização. Murray et 
al. (1999) compararam a digestibilidade das farinhas de cevada, milho, 
batata, arroz, sorgo e trigo para cães. 
 
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Os resultados demonstraram digestibilidade ileal do amido acima de 99% 
para todas as fontes, mas a digestão da proteína, matéria orgânica, matéria seca 
e a qualidade das fezes variaram entre as dietas, destacando a importância da 
fonte de amido sobre a digestão geral da ração. Mesmo entre cultivares de um 
mesmo grão existem diferenças quanto à digestibilidade do amido. 
Estudando o arroz, Belay et al. (1997) demonstraram menor 
digestibilidade para o arroz de grão longo, devido à sua maior 
proporção de amilose. Carciofi, et al. (2008) estudaram, em dietas 
isonutrientes, seis fontes de amido para cães. 
A diferença entre este estudo e os anteriormente citados é que, neste, 
foram empregados grãos inteiros ou farinhas integrais, da forma como são 
empregados pela indústria, enquanto que nos experimentos anteriores foram 
empregados amidos puros ou farinhas refinadas. 
As farinhas de grãos são constituídas basicamente por amido e 
proteína, ao passo que a constituição dos grãos moídos, mais 
rotineiramente empregados nas rações, inclui o pericarpo, o germe e a 
aleurona, que conferem lípides, fibras e cinzas (Hoseney, 1994), 
tornando as vezes difícil a extrapolação dos resultados para situações 
práticas. A fibra, presente nos grãos integrais, é também um nutriente 
importante e que necessita ser avaliado, pois esta interfere na digestão 
do alimento (Burrows, et al., 1982, Fahey et al., 1990a; Fahey et al., 
1990b). 
 
FONTES DE PROTEÍNA PARA CÃES E GATOS 
Vários autores (Johns et al., 1986; Wang & Parsons, 1998) verificaram 
efeito negativo da temperatura elevada durante o processamento de 
proteínas animais sobre a digestibilidade de aminoácidos para animais 
de produção. 
Johnson et al., (1998) também verificaram menor coeficiente de 
digestibilidade de aminoácidos totais em dietas para cães contendo 
farinha de carne e ossos processada à 143o C, em relação à 
processada a 129o C. 
Em um dos poucos estudos que avaliaram o efeito do tratamento 
térmico em alimentos para felinos, Hendriks et al. (1999) empregaram 
alimentos úmidos com aproximadamente 60% de derivados cárneos. 
Por meio da determinação dos coeficientes de digestibilidade de 
 
4
2 
42 
aminoácidos em ratos, constataram que quanto maior o tempo no qual 
os alimentos foram submetidos à 121,1o C, menor foi a digestibilidade 
dos aminoácidos. Ácido aspártico foi o aminoácido mais afetado, tendo 
sua digestibilidade caído de 78,3 para 40,2% após 24,2 minutos a 
121,1o C. 
 As fontes proteicas vegetais, por outro lado, apresentam composição 
mais uniforme, com menor variação entre partidas e fornecedores. No entanto, 
possuem fatores antinutricionais como inibidores de enzimas, lectinas, tanino, 
fitato, polissacarídeos não amiláceos, dentre outros, que quando presentes 
podem influenciar negativamente a disponibilidade de seus nutrientes. 
O tratamento térmico e industrial à que são submetidos, no entanto, pode 
reduzir e ou mesmo eliminar alguns destes fatores, melhorando 
significativamente a qualidade destas matérias-primas. 
Carciofi, et al (2006) avaliaram quatro formulações para cães, cada 
uma contendo uma única fonte de proteína: farelo de soja, farelo de 
glúten de milho 60%, farinha de vísceras de frango e farinha de carne 
e ossos. 
A fonte proteica em estudo representou 85% da proteína da ração. Na 
figura 4 encontram-se ilustrados os coeficientes de digestibilidade encontrados 
para cada ração. 
A dieta à base de farelo de soja apresentou o menor coeficiente de 
digestibilidade aparente da matéria seca, as dietas com farinha de carne e ossos 
e glúten de milho apresentaram valores intermediários e a farinha de vísceras de 
frango o maior valor. 
Estudo semelhante, também pelo método da substituição, foi 
conduzido em gatos por de-Oliveira et al. (2006). Verificaram, também, 
que o glúten de milho 60% e a soja micronizada foram bem digeridos 
pelos gatos, sendo tão bem digeridos ou até melhor aproveitados que 
a farinha de vísceras de frango e a farinha de carne e ossos. Desta 
forma, proteínas vegetais podem ser alternativa interessante também 
para felinos, apesar das restrições apresentadas por alguns autores 
(Funaba et al., 2001). 
Em função de suas boas digestibilidades e composição química, gluten 
de milho 60%, soja micronizada e farinha de vísceras de frango apresentaram 
maiores teores de energia metabolizável. 
 
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3 
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Atentar para as diferenciações nutricionais que ocorrem nas diversas 
fases da vida de um cão ou gato é uma importante ferramenta para garantir, 
entre outros pontos, a longevidade do animal em questão. De modo grosseiro, 
as variações nutricionais são muito mais gritantes entre etapas fisiológicas 
distintas que entre necessidades nutricionais entre espécies diferentes, em uma 
mesma etapa fisiológica. 
O crescimento é um dos Períodos mais críticos em termos nutricionais, 
sendo necessário cobrir todos os requisitos dos animais para um bom 
desempenho e, ao mesmo tempo, evitar um superconsumo. 
Um subconsumo leva a quadros genéricos de perda de peso, problemas 
dermatológicos, etc., enquanto que uma dieta desbalanceada pode levar a 
problemas específicos. Uma alimentação caseira cuja base seja a carne bovina 
poderá conduzir a uma deficiência de cálcio com um quadro de osteodistrofia, 
maus aprumos, menor crescimento e agravamento de displasia (em raças 
predispostas. Por outro lado, o superconsumo pode levar também a problemas 
graves, principalmente nas raças grandes ou gigantes. Já na fase adulta é 
importante observar os requisitos nutricionais adequando-se os mesmos de 
acordo com mudanças no grau de atividade, raça, de temperatura ambiente, 
entre outros fatores. 
Ao contrário dos países europeus onde grande parte das raças criada é 
de caça (atividade média a pesada), no Brasil os cães normalmente são criados 
como animais de companhia (pouca atividade) ou guarda territorial (atividade 
leve a média). 
A nutrição adequada nesta fase, a mais longa de todas as etapas 
fisiológicas, será determinante em garantir saúde e longevidade ao animal. Na 
faseadulta o maior erro nutricional encontrado é o superconsumo de alimentos. 
Pesquisas sobre a população de cães e gatos levados às universidades ou 
clínicas veterinárias mostram que de 25 a 33% dos cães e 25% dos gatos são 
obesos e 40% dos cães adultos apresentam sobrepeso, condição definida pelo 
excesso de peso entre 10 a 20 % do peso ideal. 
Esta porcentagem pode chegar até 75% em cães idosos. A obesidade é 
o problema nutricional mais importante na clínica de pequenos animais e 
 
4
4 
44 
apresenta uma firme tendência a um aumento progressivo relacionado ao 
aumento da população de animais de estimação em todo o mundo. 
Os animais de estimação dos grandes centros urbanos estão cada vez 
mais concentrados em pequenos espaços (apartamentos) e com vida 
sedentária, e a conjunção de três fatores; castração, disponibilidade alta de 
alimentos e manejo inadequado do proprietário, aumenta, em muito, o 
aparecimento da enfermidade. 
Nas fases de gestação e lactação as mudanças fisiológicas são imensas 
e rápidas, exigindo um manejo nutricional criterioso. 
Considerando a elevada produção de leite de uma cadela, em função do 
tamanho da ninhada, além do alto valor energético do leite, as necessidades 
energéticas durante o período de lactação são bastante altas. 
Quando a cadela alcança o máximo de produção leiteira (entre a terceira 
e quarta semana de lactação), as necessidades energéticas totais são da ordem 
de três a quatro vezes a necessidade de manutenção, dependendo do tamanho 
da ninhada. Já as gatas acumulam reservas corporais durante a gestação; sendo 
mobilizadas durante a posterior lactação, entretanto é necessário um manejo 
nutricional adequado para manutenção do crescimento adequado dos lactentes 
e para evitar demasia perda corporal da lactante. Na senilidade a alimentação 
deve tentar contornar ou dar suporte a sinais, tanto físicos como metabólico 
inerentes à idade, diminuir ou eliminar os sinais clínicos de enfermidades e 
manter um peso corporal adequado. 
Animais velhos apresentam tendências à obesidade, perdas gustativas e 
problemas dentários, insuficiência renal crônica, problemas hepáticos e 
cardíacos. 
Tomando-se como referência à vida média de um cão como 12 anos e a 
de um gato como 14 anos, a maioria dos cães e gatos é considerada geriátrica 
aos sete anos de idade, entretanto cães de raças gigantes podem ser 
considerados geriátricos aos cinco anos de idade, por apresentarem uma vida 
média mais curta (em torno de 9 a 10 anos). Entretanto, a idade pela qual o 
paciente e considerado geriátrico sofre influências de fatores ambientais, 
sanitários e nutricionais. 
 
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45 
Entretanto, uma nova abordagem nutricional baseada em modificações 
quantitativas e qualitativas são necessárias devido às alterações físicas e 
metabólicas, celulares e orgânicas, particulares ao processo de envelhecimento. 
A quantidade de nutrientes requerida por unidade de peso corporal 
pode mudar, e a maneira de fornecer esses nutrientes ao animal pode 
precisar de modificações (Case et al., 1998). 
Assim, o manejo da alimentação depende da dieta normal do animal e 
do seu estado de saúde atual. Por isso é importante questionar o 
proprietário sobre a quantidade e a marca da ração oferecida, se é 
fornecido comida caseira ou algum tipo de suplementação. A história, 
exame físico e a avaliação laboratorial completa do animal devem 
permitir que o veterinário decida se a dieta atual é adequada e 
identifique a presença de qualquer doença crônica que possa exigir 
uma modificação dietética. Se o cão ou gato estiver saudável, o clínico 
deve então decidir se é necessária uma dieta especial para o animal 
idoso (Buffington, 1991). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4
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46 
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Veterinary Medical Association, v.221, p.1559-67, 2002.vitaminas, minerais e água 
(CAPPILLI et al., 2016). 
De acordo com Yabiku (2003) é importante também a adição de 
ingredientes funcionais como prebióticos, fibras especiais, auxiliadores 
da saúde articular, entre outros, que promovem a saúde, bem-estar e 
contribuem para uma maior longevidade. 
 
6
 
6 
Outro fator que se deve levar em conta na dieta dos cães é a idade e 
o estilo de vida, com o objetivo de promover um equilíbrio nutricional 
nas diferentes fases. Segundo o NRC (2006), os cães atletas ou muito 
agitados geralmente necessitam de alimentos ricos em nutrientes com 
alto valor energético, já os castrados e sedentários precisam ter a dieta 
adaptada ao estilo de vida. 
O nível reduzido de atividade física precisa ser equilibrado com uma 
alimentação de baixo teor calórico e de nutrientes especiais para apoiar 
esta condição (YABIKU, 2003). 
A falta ou excesso de nutrientes pode desequilibrar o sistema 
fisiológico do animal e predispor o organismo ao mau desenvolvimento 
corporal e constituição óssea, obesidade, alterações reprodutivas, 
dentre outros (CARCIOFI, 2005). Uma alimentação adequada ao cão 
filhote, por exemplo, propicia boas condições para sua saúde e 
consequentemente para seu desempenho futuro (CARCIOFI; 
JEREMIAS, 2010). No entanto, os gatos possuem características 
peculiares em relação ao manejo e dieta, sendo de extrema 
importância uma atenção especial quanto à alimentação para garantir 
uma melhor saúde e bem-estar (CARCIOFI, 2008). 
De acordo com Cappilli et al. (2016), devido ao metabolismo específico, 
estes animais têm necessidades nutricionais diferentes dos cães, 
como: maior exigência proteica; assim como do aminoácido arginina, 
da vitamina B6 e da niacina (respectivamente cerca de duas, três e 
quatro vezes maiores em relação aos cães); ingestão de vitamina A 
pré-formada na dieta e dificuldade em digerir carboidratos. 
Apesar dos gatos serem considerados fisiologicamente carnívoros por 
necessitarem de nutrientes específicos, os quais só são encontrados 
na carne; com o advento do avanço nas tecnologias de processamento 
dos alimentos, como a extrusão, é permissível o uso de ração na 
alimentação dos felinos contendo uma grande fração de carboidrato, 
porém respeitando o equilíbrio dos nutrientes (SILVA JÚNIOR et al., 
2006). 
Vale ressaltar que os gatos não conseguem sintetizar o ácido 
araquidônico (um ácido graxo da família ômega 6) e o aminoácido 
taurina, sendo fundamental que estejam presentes na dieta. A 
 
7
 
7 
alimentação quando filhote é de suma importância, pois é o período em 
que acontece o desenvolvimento de todos os tecidos e órgãos. Na fase 
adulta é necessário oferecer um alimento que contenha todos os 
nutrientes necessários para o bom desenvolvimento e manutenção do 
animal (CARCIOFI, 2005; CARCIOFI, 2008). 
 
ALIMENTOS FUNCIONAIS 
Os alimentos funcionais englobam tanto alimentos quanto ingredientes 
que cumprem as funções nutricionais básicas ao serem ingeridos, e 
vão além, produzindo efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos 
benéficos à saúde. Estes alimentos demonstram ser capazes de 
controlar funções corporais no sentido de auxiliar na proteção contra 
enfermidades como câncer, osteoporose, doenças coronárias, entre 
outras (SOUZA et al., 2003; BORGES et al., 2011). 
A nutrição de cães e gatos, atualmente tem-se equiparado à nutrição 
dos humanos, com a adição de ingredientes funcionais aos alimentos. 
Esses alimentos são formulados ou modificados pela inclusão de 
fibras, prebióticos, probióticos, ácidos graxos poliinsaturados e os 
minerais quelatados (BORGES et al., 2011). 
 
Fibras 
Em um passado não muito remoto, a importância da fibra na alimentação 
de animais monogástricos era questionada, pois acreditava-se que possuía 
função apenas na formação do bolo fecal e na manutenção do trânsito intestinal, 
com efeitos sobre a diluição da energia e redução na digestibilidade dos demais 
nutrientes. 
Portanto, era considerada apenas uma substância inerte nas rações 
de carnívoros e onívoros e a sua quantificação nos alimentos tinha o 
objetivo de estabelecer o limite máximo de inclusão de ingredientes 
(ROQUE et al., 2006). 
A fibra dietética apresenta dois conceitos um fisiológico e outro 
químico. O conceito fisiológico descreve a fibra dietética como 
indisponível para fonte energética, por ser um componente dos 
alimentos que não sofre hidrólise pelas enzimas digestivas dos 
mamíferos. Já o conceito químico define a fibra dietética como um 
polissacarídeo não amiláceo e lignina (FISCHER, 2011). Quanto às 
 
8
 
8 
propriedades físico-químicas, a fibra alimentar é dividida em insolúvel 
e solúvel em água. 
As fibras insolúveis sofrem fermentação na flora intestinal de forma 
muito reduzida e são responsáveis por aumentar e dar consistência à 
massa fecal e aumentar o peristaltismo intestinal. Já as solúveis 
servem como substrato para a fermentação no cólon, aumenta a 
viscosidade do bolo alimentar e assim reduzem o esvaziamento 
gástrico (MAIORKA e OLIVEIRA, 2014). Os principais ácidos graxos 
voláteis (AGV) produzidos durante a fermentação das fibras são o 
acetato, propionato e o butirato. 
O principal efeito direto da produção de AGV relaciona-se com a 
acidificação do cólon que contribui para evitar a proliferação em demasia de 
bactérias indesejadas. 
Animais que recebem fibras moderadamente fermentáveis apresentam 
cólon com uma área maior e hipertrofia da mucosa, otimizando a 
digestibilidade dos nutrientes (BORGES et al., 2011). 
O NRC (2006) não estabelece nenhuma recomendação com relação 
aos teores mínimos de fibra e nenhum limite que deve conter nos 
alimentos destinados a cães e gatos. A grande maioria dos alimentos 
comercializados contém um teor entre 1 e 4% da matéria seca, exceto 
os produtos com fins terapêuticos. 
A inclusão de fibra na dieta de cães é hoje reconhecida como necessária 
para a manutenção da saúde do trato gastrointestinal, além da prevenção de 
doenças como o câncer de cólon. Apesar de poucos nutricionistas considerarem 
a importância da fibra na nutrição e carnívoros, já existem alimentos comerciais 
contendo fibras dentro dos parâmetros estudados. 
 
Probióticos e Prebióticos 
Os probióticos são microrganismos vivos adicionados aos alimentos, que 
ao serem fornecidos continuamente na dieta, afetam de forma benéfica o 
organismo animal no desenvolvimento da microbiota intestinal. São utilizados a 
fim de evitar infecções entéricas e gastrointestinais. 
Os microrganismos empregados como probióticos são integrantes não 
patogênicos da flora microbiana normal, como as bactérias ácido-
lácticas e leveduras (ANFALPET, 2010). Segundo França et al. (2011), 
esses microrganismos atuam para desfavorecer a colonização da 
 
9
 
9 
microbiota intestinal por microrganismos patogênicos como a 
Salmonella, Escherichia coli e outros patógenos potenciais. 
Estes microrganismos também sintetizam vitaminas, enzimas e ácidos 
graxos voláteis, que podem ter efeito benéfico sobre a saúde gastrintestinal, e 
ajudam na absorção de nutrientes. 
Resultados positivos são encontrados relacionados a utilização dos 
probióticos nas dietas de animais de produção. Feliciano et al. (2009) 
avaliaram os efeitos da suplementação de dois tipos de probióticos 
para cães filhotes que receberam dois tipos de dieta, de alta e de baixa 
qualidade, e verificaram que o probiótico contendo Bifidobacterium e 
Lactobacillus apresentou efeitos positivos no trato gastrointestinal, 
principalmente quando administrado junto com dietas de menor 
qualidade. 
Contudo, em se tratando de cães e gatos os efeitos são variáveis e ainda 
não foram totalmente comprovados. Outra problemática relaciona-se com a 
dificuldade no processamento, pois os alimentossecos são extrusados e 
passam por altas temperaturas por poucos segundos (180°C) o que já é 
suficiente para matar os microrganismos. 
Logo, os probióticos devem ser adicionados após a extrusão (BORGES 
et al., 2011). Os prebióticos são oligossacarídeos não digeridos no 
organismo animal, mas seletivamente fermentados pelos 
microrganismos do trato gastrintestinal (TGI) que podem estar 
presentes nos ingredientes da dieta ou adicionados a ela através de 
fontes exógenas concentradas (SILVA; NORNBERG, 2003). 
O principal papel dos prebióticos é promover o desenvolvimento e/ou 
ativar o metabolismo de determinado grupo de bactérias benéficas ao trato 
intestinal. Atuam bloqueando os sítios de aderência e assim paralisando e 
diminuindo a capacidade de fixação de algumas bactérias patogênicas na 
mucosa intestinal. 
O êxito desses compostos é dependente da sua não hidrolização pelas 
enzimas digestivas, o que possibilita chegarem sem danos ao intestino 
grosso onde são fermentados pelos microrganismos ali presentes. Os 
prebióticos mais empregados na alimentação animal são os 
mananoligossacarídeos (MOS), os frutoligossacarídeos (FOS) e os 
glucoligossacarídeos (GOS) (BRITO, et al., 2014). 
Segundo Silva e Nornberg (2003), os prebióticos são compostos 
biologicamente seguros à saúde humana e animal, justificando o seu 
 
1
0 
10 
uso alternativo em substituição a antibióticos promotores de 
crescimento. Entretanto, seus efeitos nem sempre são comprovados 
devido a vários fatores, tais como, composição química dos demais 
ingredientes, dosagem usada ou estresse dos animais. 
 
Ácidos graxos poliinsaturados 
Os ácidos graxos são fontes energéticas de grande importância para 
os animais carnívoros, como os cães e os gatos. Eles também 
possuem função estrutural importante nos organismos vivos, na forma 
de fosfolipídios, como constituintes das membranas celulares, são 
também cofatores enzimáticos, transportadores de eletrons, pigmentos 
fotossensíveis, ancoras hidrofóbicas para proteínas, agentes 
emulsificantes no trato digestivo, hormônios e mensageiros 
intracelulares (TREVIZAN; KESSLER, 2009; NELSON; COX, 2011). 
De acordo com Nelson e Cox (2011) os ácidos graxos podem ser 
classificados como ácidos graxos poli-insaturados, os quais são ácidos 
carboxílicos com cadeias hidrocarbonadas de comprimento variado, 
contendo mais de uma dupla ligação, apresentando-se na forma líquida 
em temperatura ambiente, o que é favorável ao sistema circulatório. 
Na dieta de cães e gatos é de suma importância suprir os ácidos graxos 
poli-insaturados denominados de Ômega 3 (Ácido alfa-linolênico) e os 
Ômega 6 (Ácido Linoleico e Araquidônico), pois esses ácidos são 
considerados essenciais, ou seja, o organismo é incapaz de sintetizá-
los (WORTINGER, 2009). 
Além disso, os ácidos graxos linoleicos são precursores de vários ácidos 
graxos, sendo essencial para manter as estruturas apropriadas para as 
membranas, o crescimento normal, a manutenção do estado da pele, como a 
regulação da permeabilidade da água, e o transporte de lipídeos pelo sangue. 
Já o ácido araquidônico é essencial, principalmente para os gatos, na 
formação de eicosanóides, que afetam diretamente nas funções 
reprodutoras (CASE, et al., 1998). Segundo Wortinger (2009) os cães 
têm mecanismos que conseguem converter o ácido linoleico em 
araquidônico ou em gama-linolênico, assim se fornecido ácido linoleico 
em quantidades adequadas, pode suprir as necessidades de ácido 
araquidônico e gama-linolênico. Já os gatos requerem uma fonte de 
ácido araquidônico na dieta, pois falta atividade da enzima 
deltadesaturase, que é produzida pelas células do fígado, assim são 
incapazes de fazer conversões de ácido linoleico em araquidônico. 
 
1
1 
11 
De acordo com Case et al., (1998) gatas gestantes que não recebem 
ácido araquidônico apresentam alterações das plaquetas e 
trombocitopenia, podendo ocasionar nos gatos também ligeira 
mineralização dos rins, atraso no crescimento, deterioração na 
cicatrização de feridas, e desenvolvimento de lesões cutâneas. 
Estes ácidos graxos são encontrados em óleos vegetais e estão 
presentes em níveis significativos em vísceras de animais e derivados 
de peixes, de forma que seu conteúdo usual em alimentos comerciais, 
feitos a partir de ingredientes vegetais, carne e subprodutos de 
animais, são normalmente baixos, mas suprem as exigências 
(TREVIZAN; KESSLER, 2009). 
 
Minerais quelatados 
De acordo com Wortinger (2009) os minerais são a porção inorgânica 
da dieta, sendo utilizados pelo organismo como componentes 
estruturais, como porções dos líquidos corpóreos e como eletrólitos 
cofatores de sistemas enzimáticos e hormonais. 
Os minerais podem ser denominados como quelatados, ou seja, são 
todos os compostos formados por íons metálicos sequestrados por 
substâncias orgânicas como aminoácidos, peptídeos ou complexos 
polissacarídeos que proporcionam a esses íons alta disponibilidade 
biológica, alta estabilidade e solubilidade. (KIEFER, 2005). 
A maioria dos alimentos para cães e gatos fornecem os minerais em 
sua forma simples (não quelatada), sendo assim a maioria dos 
elementos minerais, para serem absorvido, devem fazer uma ligação 
iônica com os aminoácidos que se encontram livres no estômago e 
intestino, ou aqueles presentes na membrana das células do trato 
intestinal, assim frequentemente ocorrem competições de diferentes 
minerais para se ligarem aos mesmos aminoácidos, contudo 
impedindo que alguns minerais sejam absorvidos (BORGES et. al., 
2011). 
No entanto o uso de minerais quelatados nas dietas de cães e gatos 
diminuem os riscos da não absorção, pois entram no trato intestinal já 
ligados aos ligantes, assim o mineral quelatado é absorvido pelo 
organismo e nele se mantém intacto, ou seja, as suas ligações com 
seus ligantes permanecem inalteradas (BORGES et. al., 2011). 
 
 
 
1
2 
12 
TIPOS DE RAÇÕES PARA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
No Brasil a indústria de rações destinadas aos cães e gatos teve um 
crescimento satisfatório nos últimos anos. A produção do país passou 
de 1,15 para 1,93 milhões de toneladas somente entre os anos de 2001 
e 2009, respectivamente o que representou um aumento de 68% em 
apenas 8 anos (SINDIRAÇÕES, 2009). 
Até o princípio do século XX, a alimentação dos animais de estimação 
se restringia aos restos da alimentação de seu proprietário. Com o 
início da produção de rações comerciais as opções nos mercados só 
têm se expandido. Hoje a grande maioria dos proprietários de cães e 
gatos só alimentam seus animais com rações comerciais no lugar de 
dietas caseiras (WORTINGER, 2009). 
A classificação geral dos alimentos comerciais para os animais de 
estimação é feita de acordo com a fabricação, os métodos de 
conservação e a quantidade de umidade. Estas categorias 
compreendem: os alimentos secos, os enlatados e os semiúmidos 
(CASE, et al., 1998). 
 
Alimentos Secos 
Os alimentos secos ou desidratados destinados aos animais de estimação 
apresentam entre 6 e 10% de umidade e 90% ou mais de matéria seca. Estes 
alimentos são vendidos sob a forma de biscoitos, farinhas, pedaços triturados e 
pellets expandidos e extrusados. 
Os alimentos comumente empregados incluem cereais em grãos, 
produtos de carne, aves ou peixes, alguns produtos lácteos e 
suplementos vitamínicos e minerais (CASE et al., 1998; WORTINGER, 
2009). 
Os carboidratos nestas dietas correspondem a mais de 50% da 
formulação, sendo responsáveis por 30 a 60% da energia 
metabolizável (EM). A grande maioria das dietas produzidas no Brasil 
são extrusadas. Essas dietas apresentam como maior vantagem sua 
facilidade de conservação, manuseio e custo (FORTES, 2005). 
Ainda de acordo com Fortes (2005), o processo de conservação das 
dietas secas está relacionado à baixa umidadeem conjunto aos 
antioxidantes, antifúngicos e acidificantes. Outro aspecto importante é 
o uso de embalagens adequadas, que impedem a entrada de água, 
oxigênio e luz no produto, prologando sua vida de prateleira. 
 
1
3 
13 
Segundo Wortinger (2009) as rações secas contêm maior teor de 
nutrientes e energia por unidade de peso quando comparadas com as 
de maior conteúdo de umidade. Com relação a densidade calórica os 
alimentos secos apresentam entre 3.000 e 4.500 Kcal de EM/kg. 
Quantitativamente os alimentos destinados aos gatos, possuem uma 
densidade energética pouco maior que a dos cães. Uma das 
desvantagens dos alimentos secos relaciona-se com sua menor 
palatabilidade, especialmente os produtos com baixo percentual de 
gorduras ou com ingredientes de escassa digestibilidade. Mas nos 
últimos anos a indústria alimentícia de pets tem se preocupado, na 
busca por ingredientes de alta qualidade, com muito sabor e 
digestibilidade (CASE, et al., 1998). 
 
Alimentos úmidos 
As rações úmidas estão disponíveis no mercado de forma enlatada, 
em sachês e bandejas de plástico. O teor de umidade nestes alimentos 
varia entre 72 e 85%. Estas rações podem fornecer desde uma 
alimentação completa e equilibrada, servir como alimento suplementar 
ou petisco saboroso (WORTINGER, 2009). 
Os alimentos úmidos de alta qualidade devem atender as exigências 
nutricionais do NRC (NATIONAL RESEARCH COUNCIL) e do 
WALTHAM (CENTRE FOR PET NUTRITION) (WALTHAM, 2007). 
Os alimentos mais empregados na produção de rações úmidas incluem: 
carnes, carne mecanicamente separada, vísceras de frango, peixes, farinha de 
soja, amido de milho, pectinas, gomas entre outros. 
Com relação ao processo de fabricação estes são preparados sob 
temperatura e pressão elevadas para eliminação de bactérias nocivas 
o que lhes confere largos períodos nas prateleiras. Normalmente são 
produtos caros devido a todo o processamento necessário, elevado 
teor de água e tipo de embalagem (CASE, et al., 1998; FORTES, 
2005). 
Segundo Waltham (2007) os alimentos úmidos apresentam entre 60 e 
130 Kcal/100g enquanto que os alimentos secos por volta de 
350Kcal/100g. Algumas das vantagens dos alimentos úmidos são: 
 
● Contribui para a manutenção do balanço hídrico ótimo do organismo 
animal; 
 
1
4 
14 
● Textura ideal, é mais facilmente mastigado e engolido, principalmente 
por filhotes e animais idosos; e 
● Níveis próximos dos ótimos para a concentração de macronutrientes 
tanto para cães quanto para gatos. 
 
 
Alimentos semiúmidos 
Os alimentos semiúmidos apresentam entre 15 e 30% de água, e os 
ingredientes comumente utilizados são tecidos animais congelados ou frescos, 
cereais, gorduras e açúcares simples. Para conservação destas rações são 
empregados umectantes como açúcares, sais e glicerol e outros conservantes. 
Por conterem alta percentagem de açúcares simples possuem maior sabor e 
digestibilidade. 
Embora alimentos com teores de açúcares simples mais elevados 
sejam mais atrativos para cães do que para os gatos (CASE, et al., 
1998). O conteúdo de EM dos alimentos semiúmidos varia entre 3.000 
e 4.000Kcal/Kg de matéria seca. E com relação ao teor proteico estas 
rações apresentam entre 20 e 28% e entre 8 e 14% de gorduras, 
tomando como base a matéria seca (WORTINGER, 2009). 
O processo de conservação destes produtos ocorre através de 
umectantes, antioxidantes, baixo pH, antifúngicos e baixa umidade. 
Por causa destes quesitos as embalagens das rações semiúmidas são 
relativamente mais caras quando comparadas as das rações secas, 
pois as mesmas devem evitar a perda de água que prejudicaria a 
plasticidade e palatabilidade do produto (FORTES, 2005). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1
5 
15 
ALIMENTAÇÃO POR FASES DA VIDA DOS CÃES 
Cães Neonatos 
As 48 horas iniciais pós-parto são os momentos primordiais para o 
desenvolvimento e crescimento para toda a vida do animal. Para esse período é 
necessário que as fêmeas forneçam o alimento inicial, o colostro, tendo como 
função de alimentar e imunizar os filhotes. 
Após as primeiras 48 horas o leite perde a capacidade de imunizar, 
desenvolvendo somente a função de alimento (LAZZAROTTO, 2000). 
Nas quatro primeiras semanas, os filhotes devem se alimentar por volta 
de 3 a 6 vezes por dia. 
A ingestão intensa de leite materno ajuda a minimizar as enfermidades e 
proporciona um melhor desenvolvimento inicial. Em média após a 5ª semana os 
filhotes necessitam de uma suplementação alimentar, esses suplementos são 
comercialmente produzidos por várias empresas para serem oferecidos até o 
desmame. 
De acordo com Bordin (2014), esse oferecimento deve seguir as 
orientações dos fabricantes, tendo como condições básicas: 
● Umidificar estes alimentos com água morna, facilitando a ingestão; 
● Ofertar por no máximo 30 minutos; 
● Não adicionar leite de outros animais; 
● Período médio de desmame por volta de 45 dias de idade. 
 
Cães em Crescimento 
Após o desmame os animais deverão se adaptar a uma nova realidade, 
sem a mãe e uma nova dieta alimentar, com somente alimentos processados. O 
período de crescimento dos animais podem variar de 7 a 12 meses iniciais, 
dependendo do porte da raça. 
Conforme o proposto por Bordin (2014), raças caninas de grande porte, 
como Dogue Alemão, estabiliza seu ganho de peso por volta dos 12 
meses de idade com peso próximo aos 80 kg, enquanto cães de 
pequeno porte, como o Poodle Miniatura, estabiliza o seu ganho de 
peso por volta dos seis meses com aproximadamente três quilos. 
A intensidade de ganho de peso e desenvolvimento são de 35 vezes o 
peso inicial para o peso adulto. Deve-se observar que o crescimento 
deve ser de forma definitiva e equilibrada. Recomenda-se a utilização 
 
1
6 
16 
de dietas formuladas específicas para esta fase da vida do animal, 
associando o fornecimento de alimentos ideal ao crescimento animal, 
a fim de desenvolver os constituintes orgânicos de forma equilibrada 
(LAZZAROTTO, 2000). 
O rápido crescimento de raças de grande porte, predispõe o surgimento 
de problemas ósseos, assim com o fornecimento de uma dieta equilibrada 
nutricionalmente, minimiza o desenvolvimento dessas enfermidades. As 
necessidades energéticas podem ser calculadas conforme a Tabela 1: 
 
 
Na prática alguns elementos alimentares devem ser observados: 
Dieta altamente digestível, completa e balanceada para o crescimento; 
● Determinar um manejo alimentar controlado no fornecimento de 
alimentos – 3 refeições diárias; 
● Relacionar o crescimento ao tipo de alimento fornecido – dieta X curva 
de crescimento; 
● Raças grandes e gigantes não devem apresentar níveis suplementares 
de cálcio, além dos níveis da dieta ofertada; 
● Um esquema de exercícios deve ser estipulado durante o crescimento. 
(WOLFARTH et al., 2011) 
 
1
7 
17 
Cães Adultos 
Cães adultos, são os animais que não estão em nenhum estado 
reprodutivo ou em atividade intensa e, nesse caso, deve-se adequar 
uma dieta alimentar completa e balanceada sem ultrapassar os níveis 
ideais de energia, para evitar problemas de obesidade (SÁ, 2002). 
Em um contexto geral, os animais que estão em um estado de 
manutenção podem apresentar uma vida condicionada e restrita, e 
recomenda-se o fracionamento da alimentação em três refeições 
diárias. Nesse caso utiliza-se uma fórmula para calcular a necessidade 
energética desses animais (BORGES et al., 2011). 
 
 
Onde: 
● NEM = necessidade energética 
● P = peso vivo do animal em kg, 
● K = 99 – inativos; 132 – ativos; ou 160 – grande atividade. Outro fator 
de suma importância é a oferta de água fresca e à vontade aos animais, pois 
todos os processos metabólicos necessitam de hidratação. 
 
Cães Idosos 
Com a expectativa devida dos cães, deve-se observar os padrões 
nutricionais e de saúde desses animais. Quando equilibrada a nutrição 
desses animais, possibilita melhor qualidade de vida, reduzindo os 
possíveis problemas metabólicos em função da idade avançada 
(BORGES et al., 2011). 
As diferenças de raças, porte e ritmos de vida, podem variar os 
parâmetros de velhice dos animais, recomenda-se observar cada 
animal em especial. Algumas reações clínicas são notadas em cães 
idosos como: diminuição da constituição de tecido muscular magro, 
aumento da quantidade de gordura corpórea, problemas articulares 
variáveis, diminuição da quantidade de água corporal (SÁ, 2002). 
De acordo com Bordin et al. (2014) alguns pontos devem ser 
observados para uma melhor alimentação destes animais: 
● Consultas, revisões clínicas e nutricionais ao menos 2 vezes ao ano; 
● Manter uma dieta adequada e balanceada para idosos; 
 
1
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18 
● Valor proteico da dieta, com alta qualidade e mais digestível; 
● Regular a quantidade de alimento e energia ingerida; 
● Evitar a obesidade; 
● Atividade física associada à nutrição, ambos equilibrados; 
● Dietas terapêuticas podem ser recomendadas. 
 
 
ALIMENTAÇÃO POR FASES DA VIDA DOS GATOS 
Gatos Neonatos 
A primeira semana de vida dos gatos é extremamente crítica e irá definir 
seu desenvolvimento ao longo de sua vida, pois esses animais são 
fisiologicamente e neurologicamente imaturos, tendo baixas porcentagens de 
gordura corpórea. 
Contudo, são preconizados alguns cuidados essenciais, 
principalmente no que desrespeito a alimentação, para o bom 
desenvolvimento dos recém-nascidos (WORTINGER, 2009; CASE et. 
al, 1998). 
O principal alimento que o recém-nascido deve receber nas primeiras 
24 às 72h é o colostro, no qual agregara imunidade, devido os 
anticorpos presentes, além de ser rico em proteína e gordura que iram 
suprir a demanda nutricional do animal (WORTINGER, 2009). 
Os gatos recém-nascidos devem permanecer com as mães, já os 
rejeitados devem ser aleitados separadamente com leite comercial 
destinado a espécie, de 4 a 6 vezes ao dia. No entanto deve se atentar 
aos cuidados sanitários com animais órfãos, pois o leite comercial não 
fornece anticorpos, sendo que esses animais são mais susceptíveis a 
doenças, pois geralmente não mamaram o colostro (WORTINGER, 
2009). 
Prats (2005) desenvolveu uma formula caseira para formular 
sucedâneo do leite felino no qual é uma ferramenta opcional na falta 
de sucedâneo do leite formulado industrialmente. 
 A receita é composta de 90 mL de leite condensado, 120 mL de iogurte 
integral, três a quatro gemas de ovos e 90 mL de água. 
 
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19 
Segundo Case et. al. (1998) os alimentos sólidos podem ser 
introduzidos na 3ª ou 4ª semana de vida, sendo ofertado juntamente 
com leite ou água morna para amolecer e facilitar a ingestão. 
A quantidade de leite ou água deve diminuir gradativamente até a 5ª 
semana, na qual pode ser ofertado o alimento completamente sólido. 
 
Gatos em Crescimento 
A fase de crescimento e desenvolvimento é relativamente curta o que 
se dá quando os gatos atingem a maturidade com média de 45 vezes 
o peso ao nascimento. Para garantir um crescimento com um tamanho 
normal para os filhotes, é necessário garantir uma dieta bem 
equilibrada (CASE, et al., 1998). Ainda Case et al., (1998), ressalta que 
no período de crescimento os gatos necessitam de uma quantidade 
superior de energia metabolizável (EM) do que a exigida para a 
manutenção dos gatos adultos. 
Mesmo que um gato adulto ativo necessite de 70 kcal de EM por kg de 
peso corporal, os gatos na fase de crescimento necessitam de, no mínimo, 160 
kcal de EM por kg de peso corporal durante todo o período de seu crescimento. 
Segundo Seixas et al. (2003), os gatos em crescimento necessitam de 
mais alimentos ricos em proteína que os gatos adultos devido a 
formação dos novos tecidos associado à fase de crescimento. 
A proteína desse alimento deve ser de alta qualidade e de fácil digestão, 
para garantir a liberação de todos os aminoácidos essenciais para o crescimento 
e desenvolvimento. 
A crença que se deve adicionar cálcio e fósforo nas rações para os gatos 
e cães não é justificada pelos perfis nutricionais recomendados pela Association 
of America Feed Control Official (AAFCO), pois a quantidade de cálcio e fósforo 
exigido pelo organismo desses animais na fase de crescimento é muito baixa 
(1% para cálcio e 0,8% para fósforo). 
É sabido que as rações comercializadas contêm níveis desses dois 
elementos acima do recomendado, fornecendo assim mais do que o 
suficiente para esses animais em crescimento (WORTINGER, 2009). 
Wortinger (2009) ressalta que, os cães e gatos ao serem levados para 
um novo lar após o desmame, normalmente são submetidos a uma 
nova ração. Porém essa mudança deve ser feita de forma gradual a 
 
2
0 
20 
partir do terceiro dia, com o fornecimento da mesma ração consumida 
antes de deixar a mãe. 
Os felinos apresentam um comportamento alimentar que os diferenciam 
dos cães principalmente na fase de crescimento. 
A sua alimentação consiste no consumo frequente de pequenas 
quantidades de alimento ao longo do dia. Sendo assim, quanto mais 
ativo o gato mais frequente será sua alimentação podendo ser 
fornecida como dieta de livre escolha ou ad libitum (WORTINGER, 
2009). 
 
Gatos adultos 
Segundo Case et al. (1998) diferente dos cães, os gatos não são 
animais vorazes, pois possuem o hábito de se alimentar durante várias 
vezes ao dia em pequenas porções e manter um peso ideal, podendo 
ser submetidos a uma dieta ad libitum. (WALTHAM, 2007). 
Case et al. (1998) considera como gatos adultos aqueles que não estão 
em período de gestação, lactação ou trabalho ativo. Geralmente eles 
atingem sua fase adulta aos 10 e 12 meses de idade paralisando seu 
peso aos 18 meses. 
A manutenção da fase adulta geralmente vai dos 12 meses aos oito anos 
de vida. Para esses animais em manutenção adulta, a alimentação deve conter 
as seguintes características básicas, como: 
● Proporcionar quantidade e a disponibilidade correta de nutrientes para 
manter a saúde física, mental e as atividades; 
● Favorecer o melhor estado de saúde e, dessa maneira, reduzir a 
suscetibilidade a doenças; 
● Ser suficientemente rica em nutrientes para permitir que o animal supra 
as suas exigências nutricionais ao se alimentar e; 
● Ser suficientemente saborosa para assegurar um consumo adequado. 
Os gatos não necessitam de amplas variedades de rações, basta ração 
de boa qualidade para suprir as necessidades nutricionais e uma boa 
disponibilidade de água. O que ocorre, é que muitos proprietários condicionam 
os animais a maus hábitos alimentares. 
A mudança frequente de dieta pode causar problemas gástricos 
produzindo disenteria e vômito (WORTINGER, 2009). 
 
2
1 
21 
Wortinger, (2009) comenta que, as exigências nutricionais diárias de 
gatos castrados são reduzidas em 24 a 33% quando comparada as de 
gatos inteiros. 
Essas reduções nutricionais se dão pela redução da taxa metabólica 
basal, pois os gatos castrados não diminuem as suas atividades. 
 
Gatos idosos 
A capacidade funcional dos órgãos dos gatos começa a cair logo depois 
que ele atinge a idade adulta, o que corresponde ao terço final da vida. 
Ruiz (2013) ressalta que, os diferentes sistemas que constituem o 
organismo começam a envelhecer em velocidades diferentes, sendo 
essa velocidade dependente de muitos fatores relacionados a vida do 
animal, como a genética, o ambiente e a alimentação. 
Os animais idosos necessitam dos mesmos nutrientes que 
necessitavam nas fases de vida anteriores, porém, em proporção e 
quantidades diferentes, alguns mais e outros menos, como a energia 
metabolizável (em menor quantidade).A proteína também deve ser fornecida em menor quantidade e deve 
ser de qualidade elevada, para garantir melhor digestibilidade (CASE, 
et al., 1998). A falência renal crônica e o hipertiroidismo são as doenças 
mais comuns em gatos idosos. 
Para amenizar o surgimento desses problemas da idade, deve se ter 
maior cuidado com a higiene oral, assim como, a disponibilidade de 
água limpa (CAMILO et al., 2014). 
Segundo Ruiz (2013), à medida que os gatos vão envelhecendo, cai a 
sua eficiência digestiva, principalmente para os lipídios e proteínas. 
Com isso, nota-se que os gatos com função digestiva comprometida, 
tem tendência em aumentar o consumo diário de alimento, com o 
objetivo de compensar o efeito descrito anteriormente. 
A recomendação aos proprietários é que continuem fornecendo a 
mesma quantidade de ração aos gatos quando atingem o terço final da 
vida, porém esses alimentos devem ser de alta digestibilidade, 
principalmente para proteína e lipídios (Case, et al., 1998). 
 
 
 
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2 
22 
GESTAÇÃO E LACTAÇÃO DE CÃES E GATOS 
Segundo Cappilli et al. (2016) as fases destinadas à reprodução de 
cães e gatos são fases que requerem maior atenção alimentar, pois 
além das fêmeas, os filhotes que estão sendo gestados ou mesmo 
lactentes, necessitam de uma nutrição adequada para o 
desenvolvimento de ambos. A fêmea necessita de uma capacidade de 
manutenção e desenvolvimento dos filhotes e condições alimentares e 
ambientais para a lactação. 
Os filhotes necessitam de condições para o correto desenvolvimento 
embrionário e após o nascimento, para o seu crescimento. 
Segundo Carciofi e Jeremias (2010) alguns fatores básicos são 
recomendados durante a gestação e lactação, como: 
a) Durante a gestação: 
● Alimentos de alta digestibilidade e específico para a fase; 
● Valores energéticos controladas até a quinta semana; 
● No terço final da gestação – pequenas porções diárias; 
● Valorizar o conceito nutricional pela fase fisiológica; 
● Observar ganho de peso das fêmeas – 20% na média; 
 
b) Durante a lactação: 
● Alimentos de alta digestibilidade e específico para a fase; 
● Administrar quantidade e qualidade energética evitando perda de peso; 
● Fornecer duas vezes o valor de energia de manutenção para a fêmea 
evitar emagrecimento; 
● Água limpa e a vontade sempre; 
● Redução do consumo a partir da 3° semana de lactação. 
Ao final da lactação os animais devem receber uma dieta que 
possibilite a recuperação corpórea e reprodutiva da fêmea (CARCIOFI, 
2005; CARCIOFI, 2007). No período de desmame a redução alimentar 
é realizada para evitar a intensa e contínua produção láctea 
desnecessária, podendo gerar problemas com as mamas – mastites 
(CARCIOFI; JEREMIAS, 2010). Outro ponto a ser considerado é a 
perda de peso durante a lactação, fato este que não pode ser maior 
que 10% do peso corpóreo normal da fêmea. 
A complementação alimentar com cálcio nas dietas não deve ser 
realizada, as dietas industriais fornecidas nesta fase são completas e 
 
2
3 
23 
balanceadas, podendo esta suplementação gerar problemas fetais 
com inadequado desenvolvimento (CARCIOFI, 2007). 
Os avanços na nutrição de animais de companhia são evidentes e vários 
conceitos aplicados à nutrição humana nos últimos anos têm sido aplicados à 
nutrição dos pets. 
Os proprietários destes animais, em grande maioria, abandonaram as 
dietas caseiras e passaram a fornecer dietas comerciais balanceadas e 
nutricionalmente completas, sendo capazes de suprir as necessidades diárias 
de seus animais em todas as fases de vida. 
Os proprietários de pets atualmente buscam produtos que não só 
sustentem nutricionalmente seus animais de estimação, mas que também 
proporcionem a eles uma melhor qualidade de vida. 
Cães e gatos são classificados como carnívoros, porém ambos 
apresentam particularidades quanto as suas necessidades nutricionais de 
acordo com sua fase de vida, sendo os gatos considerados carnívoros 
obrigatórios e os cães facultativos. 
Logo, é de extrema importância o conhecimento das características 
fisiológicas e das exigências das diferentes espécies nas diferentes fases de vida 
para que se possa atender a demanda de um mercado que está em franca 
expansão, o da Nutrição de Pets. 
Pesquisas científicas relacionadas à nutrição de animais de companhia, 
principalmente nos últimos 10 anos, deixaram de focar a dicotomia necessidades 
mínimas e teores máximos, sobretudo quanto ao estabelecimento das 
recomendações nutricionais. 
O conhecimento das necessidades mínimas deixou de ser tão importante 
e, cada vez mais, busca-se entender o papel da nutrição na promoção de saúde, 
bem-estar e longevidade. A adequação da composição nutricional, matriz de 
ingredientes, processamento do alimento, entre outros, às necessidades 
específicas de cada estágio de vida, à condição fisiológica, ao estilo de vida e às 
diversas condições fisiopatológicas que acometem estes animais têm ocupado 
os temas principais de pesquisa. 
 
2
4 
24 
Este novo direcionamento de objetivos científicos é em grande parte 
explicado pela mudança da condição de experimentação e importância que cães 
e gatos assumiram na sociedade. 
No início da pesquisa estes eram encarados como animais de laboratório, 
usados em protocolos que, embora adaptados à sua fisiologia e necessidades 
comportamentais específicas, em pouco se diferenciavam dos empregados em 
roedores e outros animais de pesquisa. 
Hoje inseridos na estrutura familiar, as informações científicas que 
resultam em impacto social e econômico requerem protocolos, métodos e 
propósitos de investigação totalmente diferentes, que se aproximam bastante da 
própria dinâmica investigativa da nutrição humana. 
Recebendo informações nutricionais da mídia, proprietários passaram a 
se interessar também em como a alimentação poderia afetar a saúde de seus 
animais. A partir desta demanda pesquisadores e indústria de alimentos para 
cães e gatos têm respondido, redirecionando objetivos e métodos de pesquisa. 
A pesquisa nutricional tem, assim, se diversificado em objetivos 
abrangendo áreas como longevidade, gerontologia, bem-estar, imunidade, 
beleza de pele e pelos, função digestiva, função cognitiva, saúde oral e 
prevenção de doenças degenerativas, dentre as quais pode-se incluir o manejo 
nutricional de extenso número de condições como urolitíases, neoplasias, 
cardiopatias, nefropatias, artropatias, endocrinopatias, obesidade, distúrbios 
gastrointestinais, distúrbio alérgicos, entre outros. 
Paralelo a toda esta pesquisa em saúde, verificam-se alguns estudos 
sobre ingredientes e muito poucos sobre processo, aspectos não tão bem 
conhecidos para cães e gatos e que necessitariam de mais investigação. Este 
texto traz breve revisão sobre algumas destas novas abordagens em pesquisa, 
não necessariamente destacando os mais importantes ou mais extensamente 
investigados, mas também àqueles que são mais familiares aos autores desta 
revisão. 
 
 
 
2
5 
25 
NOVOS PONTOS DE VISTA SOBRE AS RECOMENDAÇÕES 
NUTRICIONAIS 
No início desta década foi formado um comitê pelo Conselho Nacional 
de Pesquisas Norte Americano para revisar as publicações sobre 
necessidades nutricionais de cães e gatos, anteriormente reunidas no 
Nutrient Requirements of Dogs (1985) e no Nutrient Requirements of 
Cats (1986). 
Foi atribuída a esse comitê a tarefa de revisar estas publicações e 
transformá-las em um único documento, que veio a ser publicado em 
2006 (NRC, 2006). Antes do lançamento do NRC (2006) haviam 
apenas informação dispersas sobre a biodisponibilidade de nutrientes 
e necessidades nutricionais de animais de companhia. 
O progresso na nutrição de cães e gatos exigia informações mais 
precisas sobre as necessidades das diversas fases da vida 
(especialmentea reprodução e manutenção), juntamente com os 
valores de biodisponibilidade dos nutrientes dos ingredientes das 
dietas (Morris & Rogers, 2004). 
O Comitê analisou e sintetizou milhares de artigos científicos publicados 
nos últimos 25 anos. Fez recomendações nutricionais baseadas no nível de 
atividade física e estágio de vida do animal. A publicação também analisa a 
forma como os nutrientes são metabolizados, os indícios de deficiência 
nutricional e doenças relacionadas à má nutrição. 
Há discussão abrangente dos aditivos alimentares para animais de 
estimação e tabelas detalhando a composição dos ingredientes 
normalmente utilizados, em texto de referência para pesquisadores, 
fabricantes de alimentos e os veterinários. Deixando clara a 
preocupação com a qualidade de vida, longevidade e até mesmo com 
a obesidade, a última edição do NRC (2006) estabeleceu novas 
necessidades energéticas diárias para cães e gatos e dividiu as 
necessidades dos nutrientes em quatro categorias distintas, diferente 
das versões anteriores (NRC, 1985, 1986) que apresentavam apenas 
as necessidades mínimas e máximas. As novas categorias criadas 
estão descritas a seguir: 
§ Necessidades mínimas (NM) - representa a concentração ou quantidade 
mínima biodisponível do nutriente que supre as necessidades em um 
determinado estado fisiológico. 
 
2
6 
26 
§ Ingestão adequada (IA) - representa a concentração ou a quantidade de 
um nutriente que supre as necessidades em uma determinada fase da vida, 
estimada nos casos em que não foram determinadas experimentalmente as NM. 
É baseada em dados de estudos sobre o assunto já publicados com cães e 
gatos, e, em alguns casos, em dados comparativos retirados de estudos em 
outras espécies. 
§ Ingestão recomendada (IR) - expressão do inglês "recommended 
allowance", representa a concentração ou quantidade recomendada de um 
nutriente em dieta prática formulada para um determinado estado fisiológico. A 
IR é baseada na NM e, se for caso, inclui fator de segurança para nutrientes com 
biodisponibilidade não determinada. Quando não existe NM, a IR é baseada na 
IA. 
§ Limite superior de segurança (LSS) - valores baseados na concentração 
ou quantidade máxima de nutrientes que não está associada a efeitos adversos 
em cães e gatos. Infelizmente, os valores de LSS não estão disponíveis para 
muitos nutrientes, especialmente para minerais e vitaminas. 
Evidencia-se, assim, um enfoque próximo ao da nutrição humana no 
novo texto do NRC (2006). Mesmo existindo muitas lacunas sobre as 
necessidades nutricionais mínimas, estas foram contornadas pela 
proposição das IR. Os nutrientes que ainda carecem de estudos para 
estabelecimento de suas NM estão listados na Tabela 1. 
Destacam-se, em termos de IR, a inclusão dos ácidos graxos 
aracdônico, eicosapentaenóico e docosahexaenoico, tanto para cães 
como para gatos (Bauer, 2008). Desta forma, a semelhança da 
formulação de aminoácidos, a formulação de ácidos graxos exige a 
inclusão de vários ingredientes com vistas à obtenção de 
concentrações específicas destes nutrientes para cada espécie ou 
faixa etária. 
 
 
 
 
https://www.scielo.br/img/revistas/rbz/v39sspe/05t01.gif
 
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INFORMAÇÃO SOBRE DIGESTIBILIDADE DE INGREDIENTES 
O conhecimento sobre biodisponibilidade dos nutrientes nos alimentos 
empregados nas formulações evoluiu pouco nos últimos anos 
(Bontempo, 2005, Carciofi et al., 2006). 
A produção destas informações, inclusive, vem se reduzindo 
recentemente devido ao maior enfoque em saúde das pesquisas mais 
recentes (Carciofi et al., 2009). Mesmo métodos de estudo da 
digestibilidade dos alimentos é área pouco pesquisada para cães 
(Carciofi et al., 2007) e gatos (Vasconcellos et al., 2006; Vasconcellos 
et al., 2007). 
A escassez de informações faz com que, via de regra, as formulações 
para animais de companhia sejam baseadas nos nutrientes brutos, não 
nos disponíveis (Fortes et al., 2010), indicando a necessidade de 
pesquisas na área de caracterização físico-química dos ingredientes 
utilizados pela indústria, de forma a aperfeiçoar a utilização destes nas 
formulações (Fahey, 2003; Carciofi, 2008). Talvez por isto, ao menos 
no Brasil, produtos com problemas de composição de rótulo (Carciofi 
et al., 2006) e com baixa digestibilidade e energia metabolizável ainda 
estejam disponíveis no mercado (Carciofi et al., 2009). 
 
 
SAÚDE, QUALIDADE E EXPECTATIVA DE VIDA 
Os avanços na nutrição de animais de companhia têm seguido aqueles 
verificados na nutrição humana. Vê-se no mundo uma explosão do 
número de marcas de dietas comerciais prontas para o consumo, com 
formulações cada vez mais sofisticadas e específicas (Steiff & Bauer, 
2001). 
Os conceitos de nutrição estão se expandindo para além da fronteira 
da sobrevivência e satisfação da fome para enfatizar a utilização de 
alimentos que promovam bem-estar, melhora de saúde e redução do 
risco de doenças (Fahey, 2003). Têm se buscado compreender como 
a dieta pode maximizar a expectativa e a qualidade de vida pela 
utilização de ingredientes e nutrientes que desenvolvam a capacidade 
de resistir a doenças e melhorem a saúde (Tzortzis et al., 2003). 
Exemplo disso são estudos recentes sobre a influência da restrição 
energética sobre a expectativa e qualidade de vida em cães (Kealy et 
 
2
8 
28 
al., 2002), ou sobre o uso de nutrientes por felinos idosos (Teshima et 
al., 2010). 
Nos últimos anos, as pesquisas em nutrição de animais de companhia 
têm também dado maior ênfase aos aspectos metabólicos desencadeados pela 
ingestão dos alimentos. 
Os efeitos metabólicos do alimento estão relacionados com alterações 
de saúde a longo prazo, que podem se estabelecer ao longo de vários 
meses ou anos de ingestão alimentar. Alguns exemplos incluem as 
urolitíases, nefropatias, alterações articulares, distúrbios cardio-
circulatórios, obesidade, intolerância aos carboidrados (Diabetes 
Mellitus), dentre outras, todas relacionadas com a qualidade de vida e 
longevidade de cães e gatos (Carciofi, 2007). 
 
 
PAPEL DA NUTRIÇÃO NA PREVENÇÃO E SUPORTE DE 
AFECÇÕES 
O emprego de alimentos na promoção de saúde se estende por 
diversas áreas, como saúde bucal (Carciofi et al., 2007), suporte 
nutricional em condições de hospitalização (Brunetto et al., 2010) e 
suporte nutricional em afecções clínicas diversas (Tortola et al., 2009; 
Jeremias et al., 2009). Este é um tópico bastante amplo, não sendo 
objetivo desta revisão fazer apanhado completo sobre o mesmo. 
Alguns pontos com quantidade importante de pesquisas na última década 
seriam: 
 
Obesidade 
A obesidade está transformando-se em um dos grandes desafios dos 
nutricionistas e pesquisadores no século XXI (Budsberg, 2010). Esta 
se tornou o problema de saúde mais frequente em cães e gatos de 
estimação. Segundo o último levantamento da Associação Médica 
Veterinária Americana, 40% dos cães dos Estados Unidos apresentam 
sobrepeso ou são obesos. A principal preocupação médica na 
obesidade é que esta está associada a muitas doenças, com efeitos 
prejudiciais sobre a saúde e longevidade dos cães e gatos (Michel et 
al., 2008). 
 
2
9 
29 
Os problemas a que os animais de companhia obesos podem estar 
predispostos incluem doenças ortopédicas, diabetes mellitus, 
anormalidades no perfil lipídico, doenças cardiorrespiratórias, 
urinárias, distúrbios reprodutivos, neoplasias (tumores de mama, 
carcinoma de células de transição), doenças dermatológicas e 
complicações anestésicas (German, 2006). Tem sido demonstrado 
que a obesidade aumenta o estresse oxidativo em crianças obesas, 
gatos e outras espécies. 
O estresse oxidativo pode resultar em danos no DNA, com alterações 
posteriores na expressão gênica, sinalização celular, mutações, morte 
e transformação celular.Estes efeitos do dano oxidativo podem 
predispor os animais e os seres humanos a numerosas doenças, 
incluindo o câncer (Cline et al., 2009). 
Opções terapêuticas nutricionais têm sido investigadas para cães 
(Carciofi et al., 2005; Brunetto et al., 2008) e gatos (Vasconcellos et al., 
2009) obesos. 
Importante preocupação com dieta restrita de energia, no entanto, é 
que esta cubra todas as necessidades de nutrientes essenciais, 
especialmente aminoácidos. Em estudos com humanos e animais 
obesos, o aumento da proteína dietética tem sido eficaz para manter a 
massa corporal magra (Diez et al., 2002; Vasconcellos et al., 2009). 
 
Metabolismo de carboidratos 
O estudo das respostas glicêmicas e insulínicas dos alimentos se 
remete, em última instância, ao estudo do metabolismo de 
carboidratos. Características intrínsecas aos próprios carboidratos, 
como amidos e fibras, bem como dos alimentos, incluindo composição 
química e processamento, são importantes. Seu estudo é necessário 
para cães e gatos, pois parece se relacionar com a manutenção da 
composição corporal e a incidência de doenças degenerativas 
(Carciofi, 2007). 
Alimentos industrializados secos apresentam grande quantidade de 
carboidratos em sua composição, empregados por questões de 
processamento de extrusão e custos, havendo importante controvérsia 
científica sobre suas consequências metabólicas para cães (Carciofi et 
al., 2008) e gatos (De-Oliveira et al., 2008). 
Este debate foi recentemente posto em voga com a publicação do 
artigo "The carnivore connection to nutrition in cats" (Zoran, 2002), no 
entanto parece ter havido certo exagero e ao menos para felinos 
 
3
0 
30 
sadios, os teores de amido normalmente empregados parecem não 
causar malefício algum. 
O controle glicêmico pode estar prejudicado em alguns estágios 
fisiológicos e condições de saúde, como diabetes melitus, obesidade, 
gestação, estresse, infecção, câncer e idade avançada (Kahn et al., 
2001). Acredita-se que a utilização de dietas que minimizem e 
estendam a onda glicêmica pós-prandial proporciona, para animais 
nestas condições, o restabelecimento mais rápido e fácil da glicemia 
(Bouchard & Sunvold, 1999), aspecto que promete futuros estudos em 
nutrologia veterinária. 
 
Formulação de macroelementos e urolitíases 
As urolitíases são a causa mais comum de doença obstrutiva do trato 
urinário inferior em cães e gatos (Wagner et al., 2006). A formação de 
urólitos no trato urinário é problema clínico significativo para animais 
de companhia em muitos países (Robertson et al., 2002). Sabe-se que 
a dieta influencia a composição da urina, de modo que determinados 
fatores alimentares desempenham papel significativo no aumento do 
risco ou na prevenção de urolitíases (Stevenson & Rutgers, 2006). 
Atualmente, pesquisadores e empresas buscam a produção de alimentos 
que atuem na prevenção das urolitíases por estruvita e oxalato de cálcio, os dois 
tipos mais comuns de urólitos. O desafio na formulação dos alimentos é conciliar 
as medidas preventivas, já que as mesmas são praticamente opostas em relação 
a cada um destes urólitos. Em geral, estruvita associa-se a um pH urinário 
alcalino e oxalato de cálcio a pH urinário ácido, sendo necessário se determinar, 
por meio da supersaturação urinária, o ponto de equilíbrio entre ambos. 
Nos últimos anos foram interessantes os avanços nesta área. Sabe-se 
hoje que a relação entre os macroelementos que compões a dieta, 
expressa como o excesso de bases do alimento, apresenta grande 
correlação com o pH urinário e com equilíbrio ácido-básico de cães e 
gatos (Zentek & Schulz, 2004; Jeremias, 2009). 
Trabalhos recentes também demonstraram que o pH urinário, por si só, 
não permite avaliar o risco de formação de urólitos no trato urinário de 
cães e gatos. Atualmente, a pesquisa sobre esse tema está focada na 
determinação da supersaturação relativa, um método que avalia o risco 
de formação de cristais urinários com base no nível de saturação de 
sais de fraca solubilidade, tais como o oxalato de cálcio e a estruvita 
 
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(Allen & Kruger, 2000). É o método mais utilizado em humanos e foi 
validado para a urina de cães e de gatos, representando o futuro desta 
área de investigação (Robertson et al., 2002). 
 
 
MICROBIOTA DO TRATO GASTRINTESTINAL E SUA 
IMPORTÂNCIA NA IMUNIDADE 
O equilíbrio da microbiota intestinal é necessário para as funções 
digestiva e imunológica dos animais. Saúde comprometida, 
susceptibilidade às infecções e taxa de crescimento diminuída podem 
ser sinais de desequilíbrio da microbiota. Estratégias dietéticas para 
estabelecer e manter o status de eubiose têm incluído o emprego de 
prebióticos e probióticos (Czarnecki-Maulden, 2008; Carciofi & Gomes, 
2010). 
Diferentemente de outros monogástricos e humanos, a pesquisa sobre 
a microbiota intestinal de cães e gatos é ainda limitada (Hussein & 
Sunvold, 2000). No início desta década, ainda havia escassez de 
informações em animais de companhia sobre o efeito de prebióticos na 
digestibilidade dos nutrientes, função imunológica intestinal e 
populações microbianas no intestino grosso (Buddington & Sunvold, 
2000; Swanson et al., 2002). 
Nos últimos 10 anos foi importante a modificação ocorrida no 
direcionamento da pesquisa científica em nutrição de animais de companhia, 
bem como o avanço do conhecimento nesta área. 
O modo como cães e gatos estão inseridos na sociedade, a preocupação 
dos proprietários com alimentação e o desenvolvimento industrial motivado pelo 
aquecimento econômico do setor, sem dúvida, contribuíram em grande parte 
para o direcionamento do atual perfil de pesquisas, como foco principal em 
estudos sobre formulação de alimentos capazes de maximizar a expectativa e a 
qualidade de vida, pela utilização de ingredientes e nutrientes que desenvolvam 
a capacidade de resistir à doenças e melhorem a saúde. 
Apesar desta evolução, muitos aspectos ainda permanecem 
desconhecidos na nutrição de cães e gatos, necessitando-se de estudos em 
caracterização físico-química, efeitos de processo, biodisponibilidade e 
respostas metabólicas dos ingredientes utilizados pela indústria. Paralelo à esta 
 
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necessidade de informações básicas, a importância e interação da dieta e 
manejo alimentar com a saúde gastrointestinal, imunidade e afecções como 
urolitíases, nefropatias, artropatias, dematopatias, distúrbios cardiocirculatórios, 
obesidade, diabetes mellitus, dentre outras, também despontam em cenário 
futuro como horizontes importantes de pesquisa. 
Durante o processo de domesticação, ou seja, quando a criação, cuidados 
e alimentação passaram a ser totalmente controlados por seres humanos, os 
cães e os gatos exerceram diversas funções como fonte de alimento próxima ao 
homem nômade, proteção contra outros animais, caça de pragas, companhia e 
atualmente são considerados membros efetivos da família. Ambos os cães e 
gatos domésticos são membros da ordem Carnívora, o que indica espécies que 
se especializaram no hábito alimentar carnívoro e por isso apresentam anatomia 
peculiar. No entanto, pertencem a diferentes ramos da ordem e, 
consequentemente, têm herdado distintos legados de preferências alimentares 
e comportamento de seleção de alimentos. 
Enquanto que a história evolutiva do cão sugere uma dieta mais onívora 
na natureza, a história do gato indica que esta espécie consumia uma dieta a 
base de carne durante seu desenvolvimento evolutivo. 
A permanência do gato com uma dieta altamente especializada resultou 
em adaptações metabólicas que se manifestam como particularidades nas 
exigências nutricionais. Desse modo, os alimentos disponíveis no mercado 
apresentam características determinadas basicamente pelas diferenças nas 
exigências nutricionais e nos hábitos alimentares de cada uma destasespécies. 
O entendimento das diferenças interespécies é de importância prática, 
uma vez que alguns utores (responsáveis) podem erroneamente acreditar que 
gatos podem ser alimentados como se fossem cães. 
O avanço nas pesquisas sobre nutrição nos últimos anos promoveu maior 
entendimento sobre as necessidades nutricionais destes animais, e 
consequentemente, houve uma grande evolução na alimentação dos mesmos. 
Os alimentos, atualmente, buscam além de nutrir, a promoção da saúde, 
bem-estar e longevidade. Porém, com a enorme quantidade de alimentos 
comerciais prontos para o consumo, com formulações cada vez mais 
sofisticadas, facilitam que os tutores estejam propensos a cometerem outro erro 
 
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primário no manejo alimentar: a superalimentação. De forma simultânea, a 
maioria dos animais de companhia sofre com a humanização, vivendo em 
espaços reduzidos culminados em ociosidade. 
Nesse caso, pode-se considerar que o grande problema nutricional em 
animais de companhia atualmente é um consumo de energia maior do que a 
demanda, o que pode ser comprovado pelos altos índices de obesidade em 
ambas as espécies atualmente. Acredita-se que mais da metade da população 
pet nos Estados Unidos apresenta sobrepeso ou obesidade (Association for Pet 
Obesity Prevention, 2015). Assim sendo, os objetivos do presente trabalho são 
evidenciar as diferenças nos requerimentos nutricionais e fornecer informações 
que permitam mensurar a quantidade e o manejo do alimento, visando retardar 
ou prevenir a progressão de distúrbios que possam comprometer a qualidade de 
vida e reduzir o tempo de vida de cães e gatos. 
 
 
DIFERENÇAS ENTRE CÃES E GATOS 
Para entender sobre nutrição e alimentação de cães e gatos é necessário 
saber primeiramente as diferenças nutricionais entre essas espécies. Ambas as 
espécies são da classe Mammalia e a ordem Carnívora, mas de superfamílias 
distintas, sendo que o cão (Canis familiaris) pertence à moderna superfamília 
Canoidea e o gato à superfamília Feloidea (Felis catus). 
Na superfamília Canoidea há famílias com hábitos alimentares 
diversificados, a Ursídae (ursos) e a Procionidae (texugos) são 
onívoras, a Alurídae (pandas) são estritamente herbívoras e as 
carnívoras incluem a Canidae (cães) e a Mustelidae (doninhas) (Case 
et al, 2011). 
A superfamília Feloidea inclui famílias estritamente carnívoras: 
Viveridae (ginetas), Hyaenidae (hienas) e a Felidae (gatos) (Case et 
al., 2011). 
Desta maneira, um ponto em comum entre cães e gatos é que são 
animais anatomicamente carnívoros, com dentes caninos bem 
desenvolvidos, ausência de amilase salivar, estômago bastante 
desenvolvido e com pH rigorosamente ácido apto a digerir proteínas e 
 
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intestino grosso curto (Murgas et al., 2005) realçando baixa capacidade 
de fermentação e aproveitamento de carboidratos. 
No entanto, a história evolutiva do cão sugere uma dieta mais onívora na 
natureza, a história do gato indica que esta espécie consumia uma dieta a base 
de carne através de seu desenvolvimento evolutivo. 
 
 
EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS 
A nutrição é o estudo dos alimentos, os seus nutrientes e outros 
componentes, incluindo as ações dos nutrientes específicos, as suas 
interações com o outro, e seu equilíbrio dentro de uma dieta. As seis 
categorias de nutrientes são água, carboidratos, proteínas, gorduras, 
sais minerais e vitaminas, os quais têm funções específicas e 
contribuem para o crescimento, manutenção dos tecidos do corpo e 
saúde ótima (Case et al., 2011). 
Os nutrientes, principalmente carboidratos, lipídeos e proteínas, 
produzem energia quando oxidados pelo metabolismo. Por ter revisado e 
reunido inúmeras publicações cientificas a respeito das necessidades 
nutricionais e por fazer recomendações nutricionais baseadas no nível de 
atividade de cães e gatos, o NRC (2006) consiste em uma das principais 
referências bibliográficas para a nutrição e alimentação desses animais e por 
isso será bastante citado no texto que segue. A energia dietética corresponde a 
um dos principais reguladores de consumo voluntário de animais, incluindo cães 
e gatos. Assim, todos os nutrientes se apresentam balanceados conforme a 
densidade energética do alimento. Para cães e gatos, tanto os requisitos 
energéticos como valor energético dos alimentos, se expressam em energia 
metabolizável (EM) uma vez que em carnívoros as perdas energéticas pela urina 
são muito importantes. 
As necessidades energéticas de cães e gatos, como em outras espécies 
animais, se calculam segundo o peso metabólico (PM). O PM correlaciona o 
peso corporal (PC) ao crescimento alométrico do animal, uma vez que a perda 
de calor é proporcional a superfície corpórea. 
 
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Desse modo, as necessidades energéticas de um animal dependem mais 
do seu PM do que do seu PC. Para o cálculo do PM em cães o NRC (2006) 
recomenda usar o expoente 0,75 por melhor acomodar variações nas 
proporções dos órgãos em cães. Isto porque, as inúmeras raças caninas 
existentes apresentam uma gama de PC (entre 1,0 a 100kg) e padrões de 
crescimentos distintos, consequentemente, requisitos nutricionais e manejos 
alimentares diferentes. Já para gatos não obesos utiliza o expoente 0,67, pois a 
espécie não apresenta grande variação entre as raças, no entanto, para animais 
obesos o expoente é 0,4. 
A necessidade energética para manutenção (NEM) é a energia 
necessária para suportar o equilíbrio energético (onde a EM é igual à produção 
de calor), acima de um longo período de tempo. 
Dessa forma, a NEM pode variar com qualquer fator que influencie na 
produção de calor. Isso inclui a energia exigida para termo regulação, atividade 
espontânea e exercício moderado. Nesse sentido, um animal adulto em 
manutenção corresponde àquele que não está na fase de gestação ou lactação 
e não realiza atividades intensas. 
As necessidades energéticas diárias variam com as diversas etapas 
fisiológicas e deste modo o NRC (2006) de cães e gatos também sugere 
métodos de predição para cada fase. O crescimento corresponde à fase de 
desmama até atingir o PC adulto. O período de maior intensidade do crescimento 
em cães e gatos se dá até os sete primeiros meses de vida. 
Em raças grandes este intervalo pode se estender até por volta dos 12 
meses iniciais. Independente da raça, os cães atingem 50% da altura corporal 
bem antes de atingir 50% do peso adulto. Para estimar as necessidades 
energéticas de cães em crescimento, o NRC (2006) introduz as estimativas do 
peso quando adulto (dependente da raça) e logaritmo neperiano (mais de acordo 
com os modelos de crescimento não linear). Na Tab. 4 e 5 estão as equações 
de predição das necessidades energéticas de cães e gatos, respectivamente. 
Para um desempenho reprodutivo satisfatório, o ganho de PC na gestação deve 
incluir o ganho tecidual na preparação para lactação, fetal, placentário e as 
renovações teciduais. 
 
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A mudança de ganho de PC de cadelas e gatos difere consideravelmente 
durante gestação e lactação. As gatas tendem a perder peso durante a lactação 
independentemente da sua dieta. Desse modo, é recomendável para gatas 
prenhes uma dieta para aumentar 40 a 50% de energia. Assim para elas a 
recomendação de ingestão de energia passa a ser 140 xPC 0,67. 
Cadelas gestantes não requerem muita energia nos dois terços iniciais da 
gestação, sendo considerada nessa fase a NEM. 
Apenas no terço final, quando há um crescimento expressivo dos fetos, 
há um incremento de 26 kcal/kg de PC. 
A quantidade de leite e o conteúdo de energia contido no leite são 
importantes fatores na estimativa das exigências energéticas de cadelas e gatas 
durante a lactação. O NRC (2006) para estimar as necessidades nessa fase 
considera o número de filhotes e o estágio de lactação.

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