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Teoria Geral das Obrigações e 
Classificações das Obrigações. 
Pesquisa direcionada ao estudo, da teoria geral das obrigações, 
bem como das classificações das obrigações, conteúdo da 
disciplina de Direito Civil. 
Obrigação Propter rem: existem obrigações que geram efeitos 
reais. É o caso da obrigação propter rem, ou própria da coisa; 
também denominada obrigação ambulatória, pois segue a coisa 
onde quer que se encontre. A título de exemplo, podem ser citadas 
as obrigações tributárias que recaiam sobre o imóvel (v.g., IPTU) e 
a obrigação do proprietário de pagar as despesas de condomínio. 
Em suma, a obrigação propter rem ou própria da coisa está no 
meio do caminho entre os direitos pessoais patrimoniais e os 
direitos reais. Assim, as obrigações reais ou propter rem (também 
conhecidas como ob rem) são as que estão a cargo de um sujeito, à 
medida que este é proprietário de uma coisa, ou titular de um 
direito real de uso e gozo dela. Exemplo típico é a obrigação do 
proprietário do imóvel pagar as despesas de condomínio, pelo que 
prevê o art. 1.345 do CC, uma vez que o adquirente do imóvel em 
condomínio edilício responde por tais débitos, que acompanham a 
coisa para onde quer que ela vá. 
 
-Obrigação de dar: 
As obrigações de dar, que têm por objeto prestações de coisas, 
consistem na atividade de dar (transferindo-se a propriedade da 
coisa), entregar (transferindo-se a posse ou a detenção da coisa) ou 
restituir (quando o credor recupera a posse ou a detenção da coisa 
entregue ao devedor). Subdividem-se, todavia, em obrigações de 
dar coisa certa (arts. 233 a 242 do CC/2002) e de dar coisa incerta 
(arts. 243 a 246 do CC/2002). 
-Obrigação de dar coisa certa: 
Nesta modalidade de obrigação, o devedor obriga-se a dar, entregar 
ou restituir coisa específica, certa, determinada. E assim, o credor 
não está obrigado a receber outra coisa senão aquela descrita no 
título da obrigação. Nesse sentido, clara é a dicção do 
art. 313 do CC/2002: “O credor não é obrigado a receber prestação 
diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa”. Aplica-se, 
também, para as obrigações de dar coisa certa, o princípio jurídico 
de que o acessório segue o principal (acessorium sequitur 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10644457/artigo-1345-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713724/artigo-233-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713361/artigo-242-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/589767/conflito-de-competencia-cc-2002-pb-1991-0008014-4
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713289/artigo-243-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713192/artigo-246-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/589767/conflito-de-competencia-cc-2002-pb-1991-0008014-4
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10710048/artigo-313-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/589767/conflito-de-competencia-cc-2002-pb-1991-0008014-4
principale) ou princípio da gravitação jurídica. Dessa forma, não 
resultando o contrário do título ou das circunstâncias do caso, o 
devedor não poderá se negar a dar ao credor aqueles bens que, sem 
integrar a coisa principal, secundam-na por acessoriedade 
(art. 233 do CC/2002). 
-Quanto aos riscos: 
Em caso de perda ou perecimento (prejuízo total), duas situações 
diversas, todavia, podem ocorrer: 
a) se a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da 
tradição (da entrega da coisa), ou pendente condição suspensiva (o 
negócio encontra-se subordinado a um acontecimento futuro e 
incerto: o casamento do devedor, por exemplo), fica resolvida a 
obrigação para ambas as partes, suportando o prejuízo o 
proprietário da coisa que ainda não a havia alienado (art. 234, 
parte inicial, do CC/2002); 
b) se a coisa se perder, por culpa do devedor, responderá 
este pelo equivalente (valor da coisa), mais perdas e danos 
(art. 234, parte final, do CC/2002). Nesse caso, suportará a perda o 
causador do dano, já que terá de indenizar a outra parte. Imagine a 
hipótese de o devedor, por culpa ou dolo, haver destruído o bem 
que devia restituir. 
Em caso de deterioração (prejuízo parcial), também duas hipóteses 
são previstas em lei: 
a) se a coisa se deteriora sem culpa do devedor, poderá o 
credor, a seu critério, resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, 
abatido de seu preço o valor que perdeu (art. 235 do CC/2002); 
b) se a coisa se deteriora por culpa do devedor, poderá o 
credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que se 
acha, com direito a reclamar, em um ou em outro caso, a 
indenização pelas perdas e danos (art. 236 do CC/2002). 
-As obrigações de restituir coisa certa: 
a) Na obrigação de restituir coisa certa, ocorrendo a perda da 
coisa sem culpa do devedor e antes da tradição, aplica-se a 
máxima pela qual a coisa perece para o dono (res perit domino), 
suportando o credor o prejuízo, conforme determina o 
art. 238 do CC. Pelo mesmo dispositivo, o credor, proprietário da 
coisa que se perdeu, poderá pleitear os direitos que já existiam até 
o dia da referida perda. A regra é das mais importantes, devendo 
ser ilustrada. Como primeiro exemplo, imagine-se o caso de uma 
locação, em que há o dever de devolver o imóvel ao final do 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713724/artigo-233-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/589767/conflito-de-competencia-cc-2002-pb-1991-0008014-4
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713694/artigo-234-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/589767/conflito-de-competencia-cc-2002-pb-1991-0008014-4
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713694/artigo-234-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/589767/conflito-de-competencia-cc-2002-pb-1991-0008014-4
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713655/artigo-235-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/589767/conflito-de-competencia-cc-2002-pb-1991-0008014-4
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713621/artigo-236-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/589767/conflito-de-competencia-cc-2002-pb-1991-0008014-4
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713515/artigo-238-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
contrato. No caso de um incêndio causado por caso fortuito ou 
força maior e que destrói o apartamento, o locador (credor da 
coisa) não poderá pleitear um novo imóvel do locatário (devedor da 
coisa) que estava na posse do bem, ou o seu valor correspondente; 
mas terá direito aos aluguéis vencidos e não pagos até o evento 
danoso. Outro exemplo pode ser visualizado diante da vigência de 
um comodato, cujo veículo é roubado à mão armada, estando na 
posse do comodatário (devedor da coisa). A coisa perece para o seu 
dono (comodante), não respondendo o comodatário sequer pelo 
valor do automóvel. 
b) Determina o art. 239 do CC/2002 que, na obrigação de 
restituir, se a coisa se perder por culpa do devedor, 
responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos. Assim, no 
caso por último descrito, caso o locatário seja responsável pelo 
incêndio que causou a perda total do apartamento, diga-se provado 
o seu dolo ou a sua culpa, o locador poderá pleitear o valor 
correspondente ao bem, sem prejuízo de perdas e danos. 
c) Havendo deterioração sem culpa do devedor na 
obrigação de restituir, o credor somente pode exigir a coisa no 
estado em que se encontrar, sem direito a qualquer indenização 
(art. 240, primeira parte, do CC). Isso porque se a coisa perece para 
o dono totalmente, por igual perece parcialmente. Ilustrando, se na 
locação o imóvel for destruído parcialmentepor uma enchente, o 
credor (locador) somente poderá pleitear a coisa, no estado em que 
se encontrar. 
d) Por fim, na obrigação de restituir coisa certa, havendo 
deterioração da coisa com culpa do devedor, o credor passa 
a ter o direito de exigir o valor equivalente à coisa, mais as perdas e 
danos que o caso determinar (conforme o art. 240, segunda parte, 
que manda aplicar o art. 239 do CC). Na verdade, como o caso é de 
deterioração, o comando deveria mandar aplicar o art. 236, que 
traz regra equivalente. Diante desse equívoco do legislador, 
complementando a norma, prevê o Enunciado n. 15 do Conselho da 
Justiça Federal, aprovado na I Jornada de Direito Civil, que “as 
disposições do art. 236 do novo Código Civil também são aplicáveis 
à hipótese do art. 240, in fine”. Em suma, se o credor quiser, 
poderá ficar com a coisa no estado em que se encontrar ou exigir o 
seu equivalente, mais perdas e danos, como consta do 
art. 236 do CC. 
 
 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713472/artigo-239-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/589767/conflito-de-competencia-cc-2002-pb-1991-0008014-4
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713426/artigo-240-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713426/artigo-240-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713472/artigo-239-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713621/artigo-236-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713426/artigo-240-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713621/artigo-236-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
-Obrigação de solver dívida em dinheiro: 
A obrigação de solver dívida em dinheiro é uma espécie de 
obrigação de dar que, pelas suas peculiaridades, merece um exame 
especial. Abrange prestação consistente em dinheiro, reparação de 
danos e pagamento de juros, isto é, dívida pecuniária, dívida de 
valor e dívida remuneratória. 
Segundo ÁLVARO VILLAÇA AZEVEDO: “o pagamento em 
dinheiro consiste, assim, na modalidade de execução obrigacional 
que importa a entrega de uma quantia de dinheiro pelo devedor ao 
credor, com liberação daquele. É um modo de pagamento que deve 
realizar-se, em princípio, em moeda corrente, no lugar do 
cumprimento da obrigação, onde esta deverá cumprir-se, segundo 
o art. 947 36 do CC”. 
O Código Civil de 2002 disciplina as obrigações pecuniárias nos 
arts. 315 e seguintes. Uma das inovações positivadas é a constante 
do art. 317, que dá poderes ao juiz para corrigir o valor econômico 
do contrato, se motivos imprevisíveis, supervenientes, tornarem 
manifestamente desproporcional o valor da prestação devida, em 
cotejo com aquele pactuado ao tempo da celebração do negócio. 
Trata-se de aplicação específica da teoria da imprevisão, apenas 
para reconhecer ao juiz poderes para atualizar monetariamente a 
prestação contratual, uma vez que as regras genéricas da 
imprevisão, autorizadoras da resolução ou da revisão dos termos da 
própria avença, encontram-se consignadas nos 
arts. 478 a 480 do Código Civil de 2002. 
-Obrigação de dar coisa incerta: 
Ao lado das obrigações de dar coisa certa, figuram as obrigações de 
dar coisa incerta, cuja prestação consiste na entrega de coisa 
especificada apenas pela espécie e quantidade. É o que ocorre 
quando o sujeito se obriga a dar duas sacas de café, por exemplo, 
sem determinar a qualidade (tipo A ou B). Trata-se das chamadas 
obrigações genéricas. 
Nesse sentido, clara é a norma do art. 243 do Código Civil de 2002: 
“Art. 243. A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e 
pela quantidade”. Ressalte-se, entretanto, que essa 
indeterminabilidade do objeto há que ser meramente relativa, uma 
vez que, se assim não fosse, a finalidade da própria obrigação 
restaria frustrada. Em outras palavras, a prestação genérica (“dar 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10709973/artigo-315-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10701658/artigo-478-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10701594/artigo-480-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713289/artigo-243-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713289/artigo-243-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
duas sacas de café”) deverá se converter em prestação determinada, 
quando o devedor ou o credor escolher o tipo de produto a ser 
entregue, no momento do pagamento (“dar duas sacas de café do 
tipo A”). 
A esse respeito, pontificou CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA: 
“O estado de indeterminação é transitório, sob pena de faltar objeto 
à obrigação. Cessará, pois, com a escolha, a qual se verifica e se 
reputa consumada, tanto no momento em que o devedor efetiva a 
entrega real da coisa, como ainda quando diligencia praticar o 
necessário à prestação” 
A operação, por meio da qual se especifica a prestação, 
convertendo a obrigação genérica em determinada, denomina-se 
“concentração do débito” ou “concentração da prestação devida”. 
Por exemplo: se pois, a qualidade do café é especificada e as sacas 
já foram individualizadas (já foram separadas do gênero e 
apresentadas ao credor ou, então, são as únicas existentes do 
gênero), a obrigação é de dar coisa certa. 
Mas a quem caberia a escolha? Ao credor ou ao devedor? Por 
princípio, o Código Civil, em quase todas as suas normas, prefere o 
devedor, quando a vontade das partes não houver estipulado a 
quem assiste determinado direito. Assim, seguindo a regra geral, a 
concentração do débito efetuar-se-á por atuação do devedor, se o 
contrário não resultar do título da obrigação. 
“Art. 244. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, 
a escolha pertence ao devedor, se o contrário não resultar do título 
da obrigação; mas não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a 
prestar a melhor”. 
Essa liberdade de escolha, todavia, não é absoluta, uma vez que o 
devedor não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a dar a 
melhor. Este dispositivo legal apresenta o princípio da equivalência 
das prestações, pelo qual a escolha do devedor não pode recair 
sobre a coisa que seja menos valiosa nem a mais valiosa, devendo o 
objeto obrigacional recair sempre dentro do gênero intermediário. 
Em tais hipóteses, ao devedor impõe-se escolher a coisa pela 
média. Ressalte-se, todavia, que essa é uma regra legal supletiva, 
que só poderá ser invocada se nada houver sido estipulado no título 
da obrigação (em geral, o contrato). 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
Nas obrigações de dar coisa incerta a prestação é inicialmente 
indeterminada, não poderá o devedor, antes de efetuada a sua 
escolha (antes da concentração do débito), alegar perda ou 
deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito 
(art. 246 do CC/2002). O gênero, segundo tradicional 
entendimento, não perece jamais (genus nunquam perit). “Art. 
246. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou 
deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito”. 
-Obrigação de fazer: 
A obrigação de fazer (obligatio ad faciendum) pode ser conceituada 
como uma obrigação positiva cuja prestação consiste no 
cumprimento de uma tarefa ou atribuição por parte do devedor. 
Exemplos típicos ocorrem na prestação de serviço e no contrato de 
empreitada de certa obra. Nas obrigaçõesde fazer interessa ao 
credor a própria atividade do devedor. Em tais casos, a depender 
da possibilidade ou não de o serviço ser prestado por terceiro, a 
prestação do fato poderá ser fungível ou infungível. A obrigação de 
fazer será fungível quando não houver restrição negocial no sentido 
de que o serviço seja realizado por outrem. 
a) Obrigação de fazer fungível, que é aquela que ainda pode 
ser cumprida por outra pessoa, à custa do devedor originário, por 
sua natureza ou previsão no instrumento. Havendo 
inadimplemento com culpa do devedor, o credor poderá exigir: 
1.º) O cumprimento forçado da obrigação, por meio de tutela 
específica, com a possibilidade de fixação de multa ou “astreintes” 
(art. 497 do CPC/2015, art. 461 do CPC/1973 e art. 84 do CDC, o 
último em havendo relação de consumo). 
2.º) O cumprimento da obrigação por terceiro, à custa do devedor 
originário, nos termos do que dispõem os 
arts. 816 e 817 do CPC/2015, equivalentes aos arts. 633 e 634 do 
CPC/1973 (art. 249, caput, do CC). Na I Jornada de Direito 
Processual Civil, evento promovido pelo Conselho da Justiça 
Federal em agosto de 2017, aprovou-se enunciado que traz 
interessante diálogo entre o Código Civil e o Novo CPC. Conforme o 
seu teor, pode o exequente, em execução de obrigação de fazer 
fungível, decorrente do inadimplemento relativo, voluntário e 
inescusável do executado requerer a satisfação da obrigação por 
terceiro, cumulável ou não com perdas e danos, considerando-se 
que o caput do art. 816, caput, do CPC/2015 não derrogou o 
art. 249, caput, do Código Civil de 2002 (Enunciado n. 103). Vale 
lembrar que o mencionado dispositivo processual estabelece que, 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713192/artigo-246-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/589767/conflito-de-competencia-cc-2002-pb-1991-0008014-4
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28891916/artigo-497-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/174788361/lei-13105-15
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10596143/artigo-84-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28889691/artigo-816-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28889684/artigo-817-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/174788361/lei-13105-15
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713063/artigo-249-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10684371/artigo-816-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713063/artigo-249-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
se o executado não satisfizer a obrigação no prazo designado, é 
lícito ao exequente, nos próprios autos do processo, requerer a 
satisfação da obrigação à custa do executado ou perdas e danos, 
hipótese em que se converterá em indenização. De fato, não se 
pode falar em revogação, mas da necessária compatibilização entre 
os dois comandos, sendo plenamente possível, antes da resolução 
por perdas e danos, exigir o cumprimento por terceiro, 
eventualmente cumulável com a indenização cabível. 
3.º) Não interessando mais a obrigação de fazer, o credor poderá 
requerer a sua conversão em perdas e danos (art. 248 do CC). 
Observação – As medidas acima existem no plano judicial. No 
plano extrajudicial, o art. 249, parágrafo único, do CC, passou a 
possibilitar a autotutela civil, para cumprimento das obrigações de 
fazer fungível, nos seguintes termos: “Em caso de urgência, pode o 
credor, independentemente de autorização judicial, executar ou 
mandar executar o fato, sendo depois ressarcido”. Para ilustrar, 
imagine-se o caso de contratação de uma empreitada. Sendo pago o 
preço antecipadamente e negando-se o empreiteiro a desempenhar 
sua tarefa, o tomador que tem urgência poderá contratar o serviço 
de outrem, pleiteando depois a indenização cabível do empreiteiro 
original. 
b) Obrigação de fazer infungível, que é aquela que tem 
natureza personalíssima ou intuitu personae, em decorrência de 
regra constante do instrumento obrigacional ou pela própria 
natureza da prestação. Em casos de inadimplemento com culpa do 
devedor, o credor terá as seguintes opções: 
1.º) Exigir o cumprimento forçado da obrigação, por meio de tutela 
específica, com a possibilidade de multa ou “astreintes” (mais uma 
vez com base no art. 497 do CPC/2015, no art. 461 do CPC/1973 e 
no art. 84 do CDC, o último se a relação for de consumo). 
2.º) Não interessando mais a obrigação de fazer, exigir perdas e 
danos (art. 247 do CC). 
-Obrigação de não fazer: 
A obrigação de não fazer (obligatio ad non faciendum), tem por 
objeto uma prestação negativa, um comportamento omissivo do 
devedor, é a única obrigação negativa admitida no Direito Privado 
Brasileiro, tendo como objeto a abstenção de uma conduta. Por tal 
razão, havendo inadimplemento, a regra do art. 390 da codificação 
material merece aplicação, in verbis, “nas obrigações negativas o 
devedor é havido por inadimplente desde o dia em que executou o 
ato de que se devia abster”. O que se percebe é que o 
descumprimento da obrigação negativa se dá quando o ato é 
praticado. A obrigação de não fazer é quase sempre infungível, 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713101/artigo-248-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713063/artigo-249-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713031/par%C3%A1grafo-1-artigo-249-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28891916/artigo-497-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/174788361/lei-13105-15
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10596143/artigo-84-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713135/artigo-247-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
personalíssima (intuitu personae), sendo também 
predominantemente indivisível pela sua natureza, nos termos do 
art. 258 do Código Civil. 
1.º) O cumprimento forçado da obrigação assumida, ou seja, a 
abstenção do ato, por meio de tutela específica, com a possibilidade 
de fixação de multa ou “astreintes” (art. 497 do CPC/2015, art. 461 
do CPC/1973 e art. 84 do CDC). 
2.º) Não interessando mais a obrigação de não fazer, o credor 
poderá exigir perdas e danos (art. 251, caput, do CC). 
Observação – Como outra novidade diante do seu antecessor, o 
art. 251, parágrafo único, do CC/2002, introduziu a autotutela civil 
para cumprimento das obrigações de não fazer, nos seguintes 
termos: “Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar 
desfazer, independentemente de autorização judicial, sem prejuízo 
do ressarcimento devido”. 
3º) A despeito de a liberdade negocial imperar especialmente no 
Direito das Obrigações, deve ser observado que não serão 
consideradas lícitas as obrigações de não fazer que violem 
princípios de ordem pública e vulnerem garantias fundamentais. 
Assim, a priori, não se devem reputar válidas obrigações negativas 
que atinjam, em última análise, direitos da personalidade, não 
sendo juridicamente admitidas. Posto isso, quais seriam os efeitos 
decorrentes do descumprimento das obrigações negativas? Se o 
inadimplemento resultou de evento estranho à vontade do devedor, 
isto é, sem culpa sua, extingue-se a obrigação, sem perdas e danos. 
Trata-se, portanto, de um descumprimentofortuito (não culposo) 
da obrigação de não fazer. 
4.º) Pode, todavia, acontecer que o descumprimento da obrigação 
decorra de ato imputável ao próprio devedor, que realizou 
voluntariamente, sem a interferência coercitiva de fator exógeno, a 
conduta que se obrigara a não realizar. Opera-se, então, o 
descumprimento culposo da obrigação de não fazer. Havendo o 
inadimplemento culposo, o credor, além das perdas e danos, 
poderá lançar mão da tutela específica, assim como previsto para 
as obrigações de fazer, podendo, inclusive, atuar pela própria força, 
em caso de urgência, independentemente de autorização judicial. 
5.º) a tutela específica da obrigação de fazer, impondo medidas 
coercitivas para que o devedor cumpra a prestação a que estava 
adstrito, seja de fazer, seja de não fazer. A imediata conversão para 
indenização de perdas e danos não pode mais ser invocada em 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10712533/artigo-258-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28891916/artigo-497-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/174788361/lei-13105-15
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10596143/artigo-84-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10712960/artigo-251-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10712960/artigo-251-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10712930/par%C3%A1grafo-1-artigo-251-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/589767/conflito-de-competencia-cc-2002-pb-1991-0008014-4
qualquer caso de inexecução da obrigação, devendo ser verificado, 
no caso concreto, apenas se é possível, no campo fático, a 
realização da prestação objeto da relação obrigacional e se o credor 
tem efetivo interesse na sua concretização. 
-Classificações das Obrigações: 
-Obrigação liquida: 
A obrigação líquida é aquela obrigação certa, quanto à sua 
existência, e determinada quanto ao seu objeto. Seu objeto é certo e 
individuado; logo, sua prestação é relativa a coisa determinada 
quanto à espécie, quantidade e qualidade. É expressa por um 
algarismo, que se traduz por uma cifra. Pelo Código Civil, art. 397, 
o inadimplemento de obrigação positiva e líquida, no seu termo, 
constitui de pleno direito o devedor em mora. Não havendo prazo 
assinado, começa ela desde a interpelação judicial ou extrajudicial. 
O termo inicial para contagem de juros, se se tratar de obrigação 
líquida, decorre de acordo entre as partes, arbitramento ou 
sentença judicial, visto que o Código Civil, art. 407, estatui: "Ainda 
que se não alegue prejuízo, é obrigado o devedor aos juros da mora 
que se contarão assim às dívidas em dinheiro, como às prestações 
de outra natureza, uma vez que lhes esteja fixado o valor pecuniário 
por sentença judicial, arbitramento, ou acordo entre as partes". 
-Obrigação ilíquida: 
A obrigação ilíquida é aquela incerta quanto à sua quantidade e que 
se torna certa pela liquidação, que é o ato de fixar o valor da 
prestação momentaneamente indeterminada, para que esta se 
possa cumprir; logo, sem liquidação dessa obrigação, o credor não 
terá possibilidade de cobrar seu crédito. Depende, portanto, de 
prévia apuração, por ser incerto o montante de sua prestação, 
tendendo a converter-se em obrigação líquida. Tal conversão se 
realiza, processualmente, mediante liquidação (CPC, art. 586 e 
parágrafos). 
-Obrigações Simples: A obrigação simples é aquela cuja 
prestação recai somente sobre uma coisa (certa ou incerta) ou 
sobre um ato (fazer ou não fazer). Destina-se, portanto, a produzir 
um único efeito, liberando-se o devedor quando cumprir a 
prestação a que se obrigara, seja ela de dar, restituir, fazer ou não 
fazer. Aquela que se apresenta com somente uma prestação, não 
havendo complexidade objetiva. 
-Obrigações cumulativa ou conjuntiva: é uma relação 
obrigacional múltipla, por conter duas ou mais prestações de dar, 
de fazer ou de não fazer, decorrentes da mesma causa ou do mesmo 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10705883/artigo-397-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10705350/artigo-407-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/174788361/lei-13105-15
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28891286/artigo-586-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015
título, que deverão realizar-se totalmente, pois o inadimplemento 
de uma envolve o seu descumprimento total; assim, a oferta de 
uma delas origina um inadimplemento parcial, visto que o credor 
não está obrigado a receber uma sem a outra. o sujeito passivo deve 
cumprir todas as prestações previstas, sob pena de inadimplemento 
total ou parcial. Desse modo, a inexecução de somente uma das 
prestações já caracteriza o descumprimento obrigacional. 
-Obrigações alternativas ou disjuntivas: A obrigação 
alternativa ou disjuntiva é a que contém duas ou mais prestações 
com objetos distintos, da qual o devedor se libera com o 
cumprimento de uma só delas, mediante escolha sua ou do credor. 
P. ex.: se o sujeito passivo se obrigar a construir uma piscina ou a 
pagar quantia equivalente ao seu valor, alforriar-se-á do vínculo 
obrigacional se realizar uma dessas prestações.Caracteriza-se por: 
a) haver dualidade ou multiplicidade de prestações heterogêneas; e 
b) operar a exoneração do devedor pela satisfação de uma única 
prestação, escolhida para pagamento ao credor. 
Havendo duas prestações, o devedor se desonera totalmente 
satisfazendo apenas uma delas. Como ocorre na obrigação de dar 
coisa incerta, o objeto da obrigação alternativa é determinável, 
cabendo uma escolha, do mesmo modo denominada concentração, 
que no silêncio cabe ao devedor (art. 252, caput, do CC),como se 
aduz no famosos brocardo: Plures res sunt in obligatione, una res 
tantum in solutione. A alternativa, que é de início relativamente 
indeterminada, determina-se antes da execução pela escolha de 
uma das prestações. 
ART. 254- Culpa do devedor + Impossibilidade de todas as 
prestações + Escolha não cabe ao credor = Valor da prestação que 
por último se impossibilitou + Perdas e danos. 
ART. 255 (1º PARTE) - Culpa do devedor + Impossibilidade de 
uma das prestações + Escolha cabe ao credor = Prestação 
subsistente ou o valor da prestação que se perdeu + Perdas e 
danos. 
ART. 255 (2º PARTE)- Culpa do devedor + Impossibilidade de 
todas as prestações + Escolha cabe ao credor = Valor de qualquer 
uma das prestações + Perdas e danos. 
ART. 256- SEM CULPA devedor + Impossibilidade de todas as 
prestações= Extingue-se a obrigação. 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10712904/artigo-252-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
-Obrigações facultativa: 
A obrigação facultativa, ou obrigação com faculdade alternativa, 
como preferem os alemães, não está prevista em nosso Código 
Civil, mas pela definição do art. 643 do Código Civil argentino 
infere-se que é aquela que, não tendo por objeto senão uma só 
prestação, permite a lei ou o contrato ao devedor substituí-la por 
outra, para facilitar-lhe o pagamento. Nesta modalidade de 
obrigação não há possibilidade de escolha, mas sim a de 
substituição da prestação devida por outra diferente. Eis por que 
Sílvio de Salvo Venosa prefere designá-la obrigação com faculdade 
de substituição do objeto. Somente uma prestação se encontra 
vinculada, permanecendo in obligatione e in solutione; a outra fica 
in facúltate solutionis, poiso devedor a pagará apenas se preferir 
essa maneira de cumprir a relação obrigacional, desde que não 
esteja em mora. 
ORLANDO GOMES reconhecia os seguintes efeitos às obrigações 
facultativas: 
1) o credor não pode exigir o cumprimento da prestação facultativa; 
2) a impossibilidade de cumprimento da prestação devida extingue 
a obrigação; 
3) somente a existência de defeito na prestação devida pode 
invalidar a obrigação. 
-Obrigações momentânea ou instantânea: 
A obrigação momentânea, instantânea, transitória ou transeunte é 
a que se consuma num só ato em certo momento; como, p. ex., a 
entrega de uma mercadoria, o pagamento à vista de uma jóia, o 
pagamento do transporte num ônibus ou táxi, a restituição de um 
quadro emprestado etc. Nela há uma completa exaustão da 
prestação logo no primeiro momento de seu adimplemento. 
Havendo descumprimento dessa obrigação, a sua resolução terá 
força retroativa, de onde a menor possibilidade de conflitos 
intertemporais. 
-Obrigação de execução continuada ou periódica: 
A obrigação de execução continuada, duradoura, contínua, de trato 
sucessivo ou periódica é a que se protrai no tempo, caracterizando-
se pela prática ou abstenção de atos reiterados, solvendo-se num 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10693167/artigo-643-da-lei-n-10406-de-11-de-janeiro-de-1973
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
espaço mais ou menos longo de tempo. Por exemplo: a obrigação 
do locador de ceder ao inquilino, è importante destacar que a 
obrigação é única, existindo, porém, vários créditos, cada qual com 
sua própria prestação. Nesta espécie de obrigação há maior 
probabilidade de conflitos espácio-temporais, pois, relativamente 
ao seu inadimplemento, sobreleva o fato de que sua resolução será 
irretroativa, pois as prestações seriadas e autônomas ou 
independentes já cumpridas não serão atingidas pelo 
descumprimento das demais prestações, cujo vencimento se lhes 
seguir, uma vez que o seu adimplemento possui força extintiva. 
-Obrigações divisíveis: 
As obrigações divisíveis são aquelas que admitem o cumprimento 
fracionado ou parcial da prestação. A obrigação divisível é aquela 
cuja prestação é suscetível de cumprimento parcial, sem prejuízo 
de sua substância e de seu valor, é uma divisibilidade econômica e 
não material ou técnica. Havendo multiplicidade de devedores ou 
de credores em obrigação divisível, esta presumir-se-á dividida em 
tantas obrigações, iguais e distintas, quantos forem os credores ou 
devedores (CC, art. 257). 
-Obrigações indivisíveis: 
As obrigações indivisíveis, por sua vez, só podem ser cumpridas por 
inteiro, não comportando, por sua natureza (um animal), por 
motivos de ordem econômica (pedra preciosa) ou dada a razão 
determinante do ato negocial (reforma de prédio por vários 
empreiteiros, em que o dono da obra convenciona que pode exigi-la 
por inteiro de qualquer um deles). A indivisibilidade da obrigação 
pode ser: 
d) física ou material: se a sua prestação for indivisível física ou 
materialmente, por não poder ser fracionada em prestações 
homogêneas, cujo valor seja proporcional ao todo; p. ex.: a 
obrigação de restituir coisa alugada, findo o contrato de locação; a 
obrigação de exibir um documento ou de entregar um cavalo de 
corrida etc; 
b) legal ou jurídica: se a prestação for indivisível em virtude de 
disposição legal, que, por motivos variáveis, inclusive econômicos, 
impede sua divisão, embora seja naturalmente divisível; p. ex.: a 
obrigação concernente às ações de sociedade anônima em relação à 
pessoa jurídica (Lei n. 6.404/76, art. 28; CC, art. 1.089); obrigação 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10712567/artigo-257-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1033739/lei-das-sociedades-anonimas-de-1976-lei-6404-76
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11530709/artigo-28-da-lei-n-6404-de-15-de-dezembro-de-1976
de entregar um pequeno imóvel agrário, contendo apenas um 
módulo rural, que não pode ser fracionado por força da Lei 
n. 4.504/64; obrigação cujo adimplemento parcial acarrete perda 
de sua viabilidade econômica; 
c) convencional ou contratual:, se a indivisibilidade de sua 
prestação advier da vontade das partes (CC, arts. 88 e 314), apesar 
de ser materialmente divisível; p. ex.: contrato de conta corrente, 
em que os créditos escriturados se fundem num todo; contrato em 
que dois vendedores de açúcar se obrigam a entregar por inteiro, 
numa só partida, a uma refinaria de açúcar, 5.000 toneladas desse 
produto. 
-Obrigações de Meio: 
A obrigação de meio é aquela em que o devedor se obriga tão-
somente a usar de prudência e diligência normais na prestação de 
certo serviço para atingir um resultado, sem, contudo, se vincular a 
obtê-lo. Seu conteúdo é a própria atividade do devedor, ou seja, os 
meios tendentes a produzir o escopo almejado, de maneira que a 
inexecução da obrigação se caracteriza pela omissão do devedor em 
tomar certas precauções, sem se cogitar do resultado final. O 
obrigado só será responsável se o credor provar a ausência total do 
comportamento exigido ou uma conduta pouco diligente, prudente 
e leal. Obrigação desse tipo é o contrato de prestação de serviços 
profissionais pelo médico ou pelo advogado. Deveras, o médico, 
que se propõe a cuidar de um doente, não pode garantir a sua cura; 
e o advogado o êxito no processo. 
-Obrigação de Resultado: 
A obrigação de resultado é aquela em que o credor tem o direito de 
exigir do devedor a produção de um resultado, tem em vista o 
resultado em si mesmo, de tal sorte que a obrigação só se 
considerará adimplida com a efetiva produção do resultado 
colimado, ou seja, quando o devedor cumprir o objetivo final. 
Como essa obrigação requer um resultado útil ao credor, o seu 
inadimplemento é suficiente para determinar a responsabilidade 
do devedor, já que basta que o resultado não seja atingido para que 
o credor seja indenizado pelo obrigado, que só se isentará de 
responsabilidade se provar que não agiu culposamente. É o que 
ocorre na obrigação decorrente de um contrato de transporte, em 
que o devedor se obriga a levar o passageiro, com segurança, até o 
seu destino. Se não cumprir a obrigação, ressalvadas as hipóteses 
de quebra do nexo causal por eventos fortuitos (um terremoto), 
será considerado inadimplente, devendo indenizar o outro 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/104451/estatuto-da-terra-lei-4504-64
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10724109/artigo-88-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10710012/artigo-314-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
contratante. Ou o contrato em que o mecânico se obriga a consertar 
um automóvel, pois só cumprirá a prestação se o entregar 
devidamente reparado; 
 
-Obrigação de Garantia: 
A obrigação de garantia é a que tem por conteúdo a eliminação de 
um risco, que pesa sobre o credor. Visa reparar as consequências de 
realização do risco. Embora este não se verifique, o simples fato do 
devedor assumi-lo representará o adimplemento da prestação. Tal 
ocorre porque a eliminação do risco, que pesa sobre o credor, 
representa um bem suscetível de aferição econômica, como os 
prêmios de seguro, ou as garantias bancárias que se obtêm 
mediante desconto antecipado de juros. O exemplo típico de tais 
obrigações são os contratos de seguro, em que, mesmo que o bem 
pereça em face de atitude de terceiro (incêndio provocado), a 
seguradora deve responder.

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