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TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
Edgard Teodoro de Moura Filho
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
Prof. Dr, Edgard Teodoro de Moura Filho
Boa Vista
2021
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
FACETEN
1.ª Edição, 2021
Autoria: Prof. Dr. Edgard Teodoro de Moura Filho
Revisão: Prof. Dr. Edgard Teodoro de Moura Filho
Faculdade de Ciências, Educação e Teologia do Norte do Brasil
Av: Bandeirantes, 900, Pricumã
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FICHA CATALOGRÁFICA
CIP-Brasil. Catalogação na fonte
SUMÁRIO
Moura Filho, Edgard Teodoro de.
Teologia Sistemática I - Boa Vista: Editora FACETEN, 2021, p. 88.
1. Teologia Sistemática 2. Ressureição 3. Redenção 4. Igreja Católica I.
Titulo. II. Faculdade de Ciências, Educação e Teologia do Norte do
Brasil.
Bibliotecária Responsável
Emilly Louhanny Silva Ferreira CRB 1144
CDD-230
http://www.faceten.edu.br/
mailto:isef.faceten@gmail.com
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ................................................ 7
VIDA PASTORAL ................................................. 8
1 A DIMENSÃO POLÍTICA, A PRÁTICA HISTÓRICA DE
JESUS ...................................... 15
1.1 O ANÚNCIO DO REINO .................................. 16
1.2 O REINO E A VIDA DOS POBRES EXCLUÍDOS
..................................................................................17
2 QUEM MATA JESUS .......................................... 19
3 POR QUE JESUS MORRE .............................. 23
3.1 A MORTE DE JESUS VISTA COMO MORTE DO
PROFETA ..................................................... 24
3.2 A MORTE DE JESUS COMO MORTE DO MESSIAS
CRUCIFICADO................................... 24
3.3 A MORTE DE JESUS COMO EXPIAÇÃO E
SACRIFÍCIO ........................................................ 25
3.4 A MORTE DE JESUS COMO ATO DE
SOLIDARIEDADE ............................................... 26
4 A DESVINCULAÇÃO DA MORTE DE JESUS DO SEU
CONTEXTO HISTÓRICO ..................... 27
NOVO TESTAMENTO ......................................... 33
6 CONCÍLIOS ECUMÊNICOS ............................ 43
6.1 CONCÍLIOS PRÉ-NICENOS I CONCÍLIO DE NICEIA
I................................................................ 46
6.2 II CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA I, DA IGREJA
CATÓLICA ............................................. 47
6.3 III PRIMEIRO CONCÍLIO DE ÉFESO, DAS
DENOMINAÇÕES PROTESTANTES ................. 48
6.4 IV CONCÍLIO CALCEDÔNIA, DAS IGREJAS
ORTODOXAS ORIENTAIS E DA IGREJA ASSÍRIA DO
ORIENTE ...................................................... 48
6.5 V CONCÍLIO CONSTANTINOPLA II, DA IGREJA
ORTODOXA .......................................... 49
6.6 VI CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA III ..... 49
6.7 VII CONCÍLIO DE NICEIA II .......................... 49
7 SOTERIOLOGIA .............................................. 50
8 A PROVIDÊNCIA SALVADORA ...................... 58
9 OS ASPECTOS DA PROVISAO DE CRISTO QUANTO
A SALVAÇÃO ..................................... 62
10 O QUE É JUSTIFICAÇÃO ............................101
11 SANTIFICAÇÃO .......................................... 103
12 GLORIFICAÇÃO .......................................... 107
CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................. 109
REFERÊNCIAS ..................................................110
Paulo acrescenta:
“Assim também a ressurreição dentre os
mortos. Semeia-se o corpo em corrupção;
ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em
ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se
em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-
se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual.
Se há corpo natural, há também corpo
espiritual.”
(1 Coríntios 15:42-44)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_de_Tarso
https://pt.wikisource.org/wiki/Tradu%C3%A7%C3%A3o_Brasileira_da_B%C3%ADblia/1_Cor%C3%ADntios/XV#15:42-44
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APRESENTAÇÃO
A Ressurreição de Jesus Cristo é a fé cristã de
que Jesus retornou à vida no domingo seguinte à sexta-feira em
que ele foi crucificado. É uma doutrina central da fé e da teologia
cristã e parte do Credo Niceno: "Ressuscitou dos mortos ao
terceiro dia, conforme as
Escrituras".
Os saduceus, que
reconheceram apenas
a Torá (cinco primeiros livros do Antigo Testamento), como
autoridade, não acreditaram em vida após a morte ou em
ressurreição. Porque ouviram dizer que ele ensinou a ressurreição
dos mortos.
Em sua resposta a eles, Jesus disse em Mateus 22:31-
32:
"Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que
Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de
Isaac e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus de mortos, mas
dos vivos”.
A implicação na passagem parece ser a de
que Abraão, Isaque e Jacó estão vivos, embora não mais em
seus corpos físicos.
Prof. Dr. Edgard Teodoro de Moura Filho
https://pt.wikipedia.org/wiki/Saduceus
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tor%C3%A1
https://pt.wikisource.org/wiki/Tradu%C3%A7%C3%A3o_Brasileira_da_B%C3%ADblia/Mateus/XXII#22:31-32
https://pt.wikisource.org/wiki/Tradu%C3%A7%C3%A3o_Brasileira_da_B%C3%ADblia/Mateus/XXII#22:31-32
https://pt.wikipedia.org/wiki/Abra%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Isaque
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jac%C3%B3
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VIDA PASTORAL
Pe. Benedito Ferraro: “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi
crucificado, morto e sepultado […].
Nas formas bem antigas do Símbolo Apostólico, encontra-
se a inclusão da morte de Cristo na História. No Símbolo
Apostólico se professa: “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi
crucificado, morto e sepultado”. Também o Credo Niceno-
constantinopolitano (profissão de fé adotada do 1º Concílio
Ecumênico na cidade de Niceia da Bitínia, atual Iznic, Turquia em
325) o afirma: “Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado”. Padecer significa: “Ser afligido,
atormentado, martirizado por, sofrer, suportar, aguentar, sofrer
dores físicas”.
É imprescindível notar-se que essa evocação do Credo
de fé mostra que a morte de Cristo na cruz é histórica, resultado
de processos históricos e, portanto, o fato melhor atestado de todo
o Novo Testamento. Mesmo ciente que os escritos evangélicos
são produtos das comunidades para tornar a lançar o Kerygma
(palavra usada no Novo Testamento, significando anúncio
mensagem, pregação ou proclamação), a morte de Cristo é
mostrada com fundamento em uma acusação política (cf. At
10,34-43; Jo 19,12-16; Lc 23,2-5; Mt 26,63), fruto de tensões
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econômicas, políticas, religiosas e sociais, (cf. Mc 2,1-36; 7,1-23;
11,1-12,44).
Mais adiante do testemunho canônico, a morte de Jesus
na cruz é comprovada em diversos escritos apócrifos
(Pseudocanônicos, escritos sem inspiração divina). Também
diversos historiadores extra bíblicos, como Flávio Josefo, Plínio,
Suetônio, Tácito, o Moço, testemunham o fato. Serão evocados
dois textos significativos para reflexão: 1) De Flávio
Josefo: “Quando Pilatos, ao saber que ele havia sido acusado
pelos homens mais influentes, condenou-o à crucificação,
aqueles que em primeiro lugar o amavam, não desistiram de sua
Nas formas bem antigas do Símbolo Apostólico, encontra-
se a inclusão da morte de Cristo na História. No Símbolo
Apostólico se professa: “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi
crucificado, morto e sepultado”. Também o Credo Niceno-
constantinopolitano (profissão de fé adotada do 1º Concílio
Ecumênico na cidade de Niceia da Bitínia, atual Iznic, Turquia em
325) o afirma: “Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;das reivindicações jurídicas que a lei tem contra ele (Gl
3. 13; 4. 5).
A terceira palavra é “lutroo”, que significa comprar o
escravo e dar-lhe plena liberdade. Esta palavra é usada para
descrever a redenção como a liberdade da escravidão ao pecado
(1ª Pe 1.18; Tt 2. 14). Entretanto, criado com tanto carinho, o
homem continuou sendo alvo do amor divino. Condenado à morte
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e ao inferno, o homem não possuía meios de salvar-se, embora
Deus quisesse a sua salvação (Rm 6. 23; Sl 49. 7,8). Assim Jesus
veio ao mundo enviado pelo Pai a fim de ser o nosso Redentor
(Lc 19.10; Mc 10.45).
Ao desobedecer a Deus, o homem entrou num processo
de flagelação e debilidade. Por sua própria força era impossível
erguer a cabeça e recuperar-se. Humanamente não havia
alternativa: o homem está debaixo da maldição do pecado (Gl 3.
10-13; Rm 7. 10). O homem escravizou-se ao pecado (Is 52. 3;
Rm 6. 20; 7. 14-15). Algo teria de vir da parte de quem retém todo
o poder. O Deus misericordioso.
Toda a humanidade se encontra “vendida à escravidão do
pecado” (Rm 7.14), e precisa de um redentor que possa resgatá-
la. O preço elevado de tal redenção é a morte. Foi por isso que
para nos resgatar, Jesus morreu em nosso lugar. A quem é devido
o preço da redenção? Evidentemente não é Satanás.
Ele simplesmente escraviza aqueles que escolhem uma
vida de pecado. O preço do resgate é devido à santidade de Deus;
e foi Deus, não Satanás quem aceitou o “pagamento” mediante o
vicário sacrifício de Cristo. O resultado disso a derrota eterna de
Satanás.
A redenção significa um grande negócio efetuado pelo
Filho de Deus. Significa que temos sido transferidos de
propriedade. Antes pertencíamos ao pecado e a Satanás, agora
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pertencemos a Deus. O preço pago foi o sangue do Cordeiro de
Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1. 29).
Entregando-se à crucificação (Jo 10. 17,18), Jesus
submeteu-se a maldição da cruz (Gl 3. 13), sofreu o vexame (Hb
12. 2) e as dores que o pecador merece (Is 53. 4) suportando a
separação do Pai (Mt 27. 46) que deveríamos curtir eternamente.
Assim, o Senhor Jesus tomou o nosso lugar, sendo
castigado em substituição a nós, pagando, desta forma, o nosso
resgate, redimindo-nos da culpa e da condenação (1ªPe 2. 22-
24).
Jesus se declarou Redentor da humanidade quando disse
que Sua missão era a de “[...] dar a Sua vida em resgate por
muitos” (Mt 20. 28). Fomos comprados com Seu sangue:
“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão
dos pecados, segundo as riquezas de sua graça” (Ef 1. 7). Pelo
precioso sangue de Jesus somos resgatados, tirados duma
condenação, livres para uma vida abundante e cheia de benção.
Na carta do apóstolo Pedro ele fala do preço da nossa
redenção. “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis,
como prata ou ouro, que fostes resgatados [...] mas pelo precioso
sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue
de Cristo” (1ª Pe 1. 18-19). Só um ser imaculado (sem mancha)
poderia redimir (resgatar) outro indivíduo pecador. Por morrer a
mais desprezível morte segundo a lei judaica (Dt 21. 22-
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23), morte de cruz. Cristo pode redimir todo o ser humano, até o
mais pecaminoso que vier a crer n’Ele.
A redenção sempre envolve a libertação de algum tipo de
escravidão. A primeira escravidão que subjuga o homem
pecaminoso é a escravidão do poder da culpa. O cristão deve
regozijar-se no fato de que Deus não somente livrou-o da
penalidade do seu crime, mas também pagou o preço da sua
penalidade. Visto que foi pago preço dos seus pecados, o crente
não precisa sentir culpado, nem condenar-se.
Eterna redenção pelo sangue: “Não por meio de sangue
de bodes e de bezerros, mas, pelo seu próprio sangue, entrou no
Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna
redenção. Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza
de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam,
quanto à purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo,
que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a
Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para
servirmos ao Deus vivo” (Hb 9.12-14).
Isto é semelhante ao propósito da substituição e da
reconciliação. Cada aspecto, no entanto, dá uma perspectiva
diferente da morte de Cristo. A substituição vê o sacrifício do ponto
de vista da lei, a reconciliação o vê do ponto de vista de Deus, e
a redenção vê a cruz do ponto de vista do homem que agora está
livre da lei e da culpa pessoal (Gl 3. 13).
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Sem o poder redentor da morte de Cristo não haveria
esperança alguma para a humanidade; estaríamos totalmente
escravizados pelo poder das trevas. Porém, mediante a provisão
de Cristo, todo o homem pode ser libertado do poder das trevas.
“Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o
reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão
dos pecados” (Cl 1. 13-14).
Em Cristo já não estamos escravizados ao poder de
Satanás. Este fato, porém não anula a necessidade de constante
cautela e perseverança para resistir aos ataques do maligno. A
melhor defesa contra Satanás é o uso constante das armaduras
espirituais descrita em Efésios 6. 11-17.
A redenção operada por Cristo não somente nos redime
da culpa do pecado, como também do poder do pecado.
“O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de
toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo
exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tt 2: 14).
A morte de Cristo dotou o homem do poder de servir a
Deus fielmente. É possível haver crentes fracos, mas é impossível
haver crentes sem poder quando se habilitam a usar o poder do
céu que está a sua disposição na luta contra o pecado.
A redenção se completará quando, na volta do Senhor, os
que estiverem vivos forem transformados, e os mortos em Cristo
ressuscitarem (1ª Co 15; 1ª Ts 4. 13-18).
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V EXPIAÇÃO
A palavra “expiação” vem do termo hebraico cofer. Trata-
se de um substantivo do verbo caufar, cobrir. O cofer ou a
cobertura era o nome da tampa ou cobertura da arca da aliança e
constituía o que era chamado propiciatório. A palavra grega
traduzida por expiação é katallage. Isso significa reconciliação
com o favor ou, mais estritamente, os meios ou condições para
que haja reconciliação com o favor; de katallasso, “mudar ou
trocar”. O significado estrito do termo é substituição. Um exame
dessas palavras originais, no contexto em que se apresentam,
mostrará que a expiação é a substituição governamental da
punição dos pecadores pelos sofrimentos de Cristo. São os
sofrimentos de Cristo cobrindo os pecados dos homens.
https://1.bp.blogspot.com/-FpSe4jg0Iaw/WEMA1wcQ83I/AAAAAAAAD-M/KSWSYiCeCc4EwOar-JGMvBaVGY9HBRe9gCLcB/s1600/JESUS+27.jpg
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A palavra é empregada 77 vezes no Antigo Testamento,
sendo usada pela primeira vez em Êxodo 29. 33 por Moisés. A
palavra propiciação é o sinônimo de expiação que no hebraico
tem o mesmo significado. Expiação implica cobrir as culpas,
mediante um sacrifício exigido, cobrir, purificar, fazer expiação,
fazer reconciliação. No verbo (Piel) encobrir, pacificar, propiciar,
expiar pelo pecado e por pessoas através de ritos legais.
No Novo Testamento a palavra expiação do grego
“hilasterion”, embora tenha o mesmo significado com o sacrifício
do Antigo Testamento, porém no N.T., trata-se do sacrifício vicário
de Cristo em expiação pelos nossos pecados.
“Hilasterion” é aquilo que se relaciona com uma
conciliação ou expiação, obter aplacamento ou poder expiador,
expiatório; forma de conciliação ou expiação, propiciação,aspergida com o sangue da vítima expiatória no dia anual de
expiação (este rito significava que a vida do povo, a perda
merecida devido à seus pecados, era oferecida a Deus através do
sangue da vítima (sangue simbolizava vida), e que Deus por esta
cerimônia estava apaziguado e os pecados do povo expiados; um
sacrifício expiatório; uma vítima expiatória. Portanto o escritor aos
Hebreus explica dizendo que: “Quase todas as coisas, segundo a
lei, se purificaram com sangue; e sem derramamento de sangue
não há remissão” (Hebreus 9.22).
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No Antigo Testamento tudo era incompleto, devendo, por
isso, ser repetido os sacrifícios de novo (Hb 9.25). O que Cristo
fez, no entanto, vale de uma vez por todas. Na expiação por ele
realizada nada há de defeituosos, nada de incompleto; não resta
nenhuma lacuna a ser preenchida por nós, nenhum resto de
pecado a expiar. Pelo contrário, pela morte de Cristo não só é
anulada a morte como consequência da queda, como também se
manifesta ainda da parte de Cristo uma grande sombra de vida
(cf. As três vezes repetido “muito mais” no trecho de Rm 5. 15-21,
onde Paulo compara a significância de Cristo à de Adão).
VI Propiciação
Era um ato presente na política internacional no Oriente
antigo, quando um rei de alguma nação, para se manter seguro,
enviava presente a outro rei, de uma nação mais forte. Era um
gesto destinado a cultivar boas relações.
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O verbo hebraico que traz a ideia de propiciação é kipper,
com a ideia de fazer amizade, de juntar partes opostas e até
mesmo em conflito. No Novo Testamento, a ideia mais próxima é
“reconciliação”. A ideia do Novo Testamento se entende bem em
2ª Coríntios 5. 21. O sentido do texto é que Deus ofereceu Cristo
como presente ao mundo para fazer as pazes com o mundo. É
um conceito que nos parece estranho, mas mostra que, no Novo
Testamento, Deus toma a iniciativa, em Jesus, de propor as pazes
ao homem.
Propiciação é alguma coisa que leva alguém a perdoar
uma ofensa recebida, ou a proceder misericordiosamente para
com o ofensor. Duas vezes é Jesus chamado por João (1ª Jo 2. 2
e 4. 10) “a propiciação pelos nossos pecados’, e Paulo fala da
‘redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, [...] como
propiciação”.
Propiciar é aquele que oferece sacrifício em nosso favor.
Cristo foi dado pelo Pai como propiciação pelos pecados daqueles
que tivessem fé no seu sangue derramado. “Sendo justificados
gratuitamente, por sua graça, mediante redenção que há em
Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como
propiciação, mediante a fé, manifestar a sua justiça, por ter Deus,
na sua tolerância, deixando impune os pecados anteriormente
cometidos, tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo
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presente, para Ele mesmo ser justo e o justificador daquele que
tem fé em Jesus” (Rm 3. 24-26).
“Propiciar” alguém significa apaziguar ou pacificar a sua
ira. Devemos realmente crer que Jesus, mediante Sua morte,
propiciou a ira do Pai, induzindo-o a abrir mão dela, e olhar para
nós com favor em vez ira.
Já o profeta Isaías vaticina que toda a iniquidade cairia
sobre Jesus; “...mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de
nós todos. Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a sua
boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha
muda perante seus tosquiadores, Ele não abriu a sua boca”
(Isaías 53. 6). E no vv. 10 deste mesmo capítulo o Senhor diz:
“Quando der Ele a Sua alma como oferta pelo pecado”. Portanto,
o percussor João Batista O chama: “Cordeiro de Deus que tira o
pecado do mundo” (Jo 1 29).
Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por
nós, para que n’Ele fôssemos feitos justiça de Deus” (2ª Co 5. 21).
Isto nos diz que Cristo, o perfeito Filho de Deus, que nunca
cometeu pecado, de acordo com a vontade do Pai, tomou sobre
si toda a nossa culpa para que nós pudéssemos receber por
intermédio d’Ele a justiça de Deus, como se essa fosse a nossa
própria justiça. Este ato de reconciliação agradou em tudo o Pai.
Cristo tornou-se sacrifício numa só pessoa. Ele se deu a
si próprio como sacrifício, em plena obediência à vontade do Pai
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(Hb 7. 27; 9. 28; 10. 7), e isso não ao pelo fato de toda sua vida
ter sido um sacrifício de amor pelos homens (Mt 8. 17; 17. 17; 20.
28). Na verdade Jesus veio e viveu para morrer por ele.
Desde seu aparecimento em público, encontramos em
Jesus não somente uma clara consciência da necessidade de seu
sofrimento e morte, mas, também um claro testemunho do valor
salvício de sua futura morte (Jo 3. 14; 6. 51; 10. 12, 17; Mt 16. 21;
17. 12; 20. 18, 28; Lc 24. 46).
Sua morte não foi casualidade, triste destino, morte de
mártir, mas sim, morte expiatória. Mártires podem morrer em
alegre fé, Cristo morreu sob severas tentações e sofrimentos
íntimos (Lc 22. 44; Mt 27. 46). Deus teve que levar a sério a
condenação do pecado e Jesus levou a sério a obediência. Deus
teve que suportar o pecado dos homens por milhares de anos,
agora o tempo havia se cumprido, o Mediador aparecera, e o
ajuste de contas com o pecado da humanidade deveria,
finalmente acontecer, na própria pessoa desse mediador.
Esse era o santo plano do Pai, e essa era a livre e
espontânea vontade do Filho. Ao identificar-se, em obediência e
amor, com a humanidade culpada, Jesus se transformou, ao
mesmo tempo, em objeto tanto do agrado quanto do castigo de
Deus. Objeto do agrado divino devido à sua obediência, pois “[...]
se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus
em aroma suave” (Ef 5. 2). Objeto do castigo divino devido ao seu
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papel como substituto da humanidade; pois, o juízo caía agora,
não sobre os milhões de pecadores, mas sobre aquele que se
colocava no lugar deles.
Jesus como nossa “propiciação” significa que Ele tomou
sobre si o castigo dos nossos pecados e satisfez o justo juízo de
Deus contra o pecado. O perdão agora é oferecido a todos, no
mundo inteiro, e é recebido pelos que voem a Cristo, com
arrependimento e fé (4. 9, 14; Jo 1. 29; 3. 16; 5. 24).
VII. RECONCILIAÇÃO
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Reconciliação do latim reconciliatio, significa reatamento
de relações entre partes litigantes. O Senhor Jesus com a sua
morte vicária, reconciliou-nos com Deus de maneira definitiva,
clara e eficiente: “E reconciliasse ambos em um só corpo com
Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade” (Ef
2. 16). “E que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por
meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer
sobre a terra, quer nos céus” (Cl 1. 20).
No grego “reconciliasse” do verbo aoristo apokatallasso,
tem o significado de: reconciliar completamente, reconciliar outra
vez, trazer de volta um estado de harmonia anterior.
Reconciliação no gr. “hilascomai” significa propiciação.
Esta Palavra significa: reconciliar, aplacar, meios de tranquilizar
propiciar, conciliação.
https://2.bp.blogspot.com/-iy0DC_S4SNs/WEMCHsfyluI/AAAAAAAAD-U/I68mRXhBn5YJIXK0vMhfGnCnZvDD4shUgCLcB/s1600/JESUS+NOSSA+RECONCILIA%C3%87%C3%83O.jpg
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Tetelestai é uma exclamação de que a obra de
reconciliação entre Deus e o homem estava completa. Cristo tinha
realizado a provisão da salvação, e assim destruiria para sempre
a separação entre Deus e o homem (Is 59. 2).
A reconciliação fala da comunhão restaurada com Deus,
para o pecador que d’Ele se aproxima através do sacrifício
reconciliador de Seu Filho. Isto também não significa que todos
os homens estejam bem com Deus. Este processo de
reconciliação nãodepende exclusivamente da obra do Mediador,
mas depende da disposição da parte alienada de se reconciliar
com o outro. Portanto depende do homem aceitar e crer no
sacrifício de Jesus.
“Tudo provém de Deus que nos reconciliou consigo
mesmo por meio de Cristo, e nos deu o ministério da
reconciliação, a saber, que Deus estava com Cristo, reconciliando
consigo o mundo, não imputando aos homens as suas
transgressões, e nos confiou a palavra de reconciliação. De sorte
que somos embaixadores de Cristo, como se Deus exportasse por
nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que nos
reconcilieis com Deus” (2ª Co 5. 18-21).
Cristo não constrangeu o Pai a nos amar mais: pelo
contrário, Ele promoveu o meio pelo qual o obstáculo entre Deus
e o homem (o pecado), fosse removido. Pelo pecado o homem
estava desligado do Seu Criador, mas, Cristo veio com este
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objetivo de reconciliar, ou seja, harmonizar as relações
interrompidas entre duas pessoas, promovendo o mútuo
entendimento e restaurando a comunicação entre ambos. Na cruz
do Calvário Jesus reconciliou o homem com Deus, restabeleceu
a amizade que outrora fora perdida; é por isso que em João 15.
15, Jesus nos chama de amigos. Jesus veio reconciliar com Deus
não os justos, porém, os pecadores e necessitados.
“Mas Deus prova o Seu próprio amor para conosco, pelo
fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.
Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue,
seremos por Ele salvos da ira. Porque se nós, quando inimigos,
fomos reconciliados com Deus mediante a morte do Seu Filho,
muito mais, estando já reconciliados seremos salvos pela Sua
vida; e não isto apenas, mas, também nos gloriamos em Deus por
nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem acabamos
agora de receber a reconciliação!” (Rm 5. 8-11).
Antes de aceitarmos a Cristo como nosso Redentor,
éramos chamados inimigos de Deus, mas, ao aceitamos a Cristo
como nosso Salvador somos reconciliados o Pai celeste, e
tornamos filhos de Deus por adoção, (cf. Jo 1.12).
A expiação através da morte de Cristo e a reconciliação
como seu fruto e consequência, são colocados de forma especial
clara nas passagens de Hebreus 9. 11ss e 13. 11ss, através da
comparação com o sacrifício pelo pecado no grande dia da
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expiação (Lv 16). “A partir das prefigurações que encontramos na
lei, podemos conhecer da melhor maneira o poder e a eficácia da
morte de Cristo” (Calvino).
VIII PURIFICAÇÃO
A palavra purificação no grego é katharizo, e significa:
tornar limpo, remover pela limpeza, limpar, livrar da contaminação
do pecado e das culpas, num sentido moral, consagrar pela
limpeza ou purificação.
“Mas se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos
comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus purifica de
todo o pecado” (1ª Jo 1. 7).
O pecado é uma transgressão ao nosso Deus, que torna
impura a nossa alma ao praticá-lo. O único meio de purificação é
o sangue de Jesus mediante nossa confissão de fé. O sangue de
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Jesus vertido na Cruz, purifica a nossa alma manchada pelo
pecado. Por isso João diz: “E da parte de Jesus Cristo, a Fiel
Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da
terra. Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos
nossos pecados” (Ap 1. 5).
O homem ao pecar ficou contaminado pelo pecado. O
único meio de purificação exigido pelo Pai, seria o sangue de Seu
Filho Jesus derramado na cruz em favor da humanidade. Este
sangue precioso purifica e liberta o homem da culpa do pecado.
Assim o homem que aceita esta oferta expiatória é declarado
limpo perante Deus.
10 O QUE É JUSTIFICAÇÃO
Pr. Elias Ribas
Colocando de forma bem simples, justificar define
declarar justo; fazer alguém justo diante de Deus. Justificação é
quando Deus declara justo todo aquele que recebe a Cristo, com
fundamento na justiça de Cristo e paga às contas daqueles que O
recebem.
A passagem principal que descreve justificação em
relação aos crentes é Romanos 3: 21-26: "Mas agora, sem lei, se
manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos
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profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus, para todos {e
sobre todos} os que crêem; porque não há distinção, pois todos
pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados
gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em
Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como
propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter
Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados
anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua
justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o
justificador daquele que tem fé em Jesus."
Somos justificados no momento de nossa salvação.
Nossa justiça vem de colocarmos nossa fé no trabalho
completo de Jesus Cristo. Seu sacrifício cobre o nosso pecado,
permitindo com que Deus nos veja como perfeitos e sem qualquer
mancha, como crentes estamos em Cristo, Deus vê a justiça de
Cristo quando Ele olha para nós. Não se deve esquecer que este
fato alcança as exigências de Deus para perfeição; portanto, Ele
nos declara justos, Ele nos justifica. Rm 5: 18-19 resume esse
conceito muito bem: "Pois assim como, por uma só ofensa, veio o
juízo sobre todos os homens para condenação, assim também,
por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para
a justificação que dá vida”. Porque, como, pela desobediência de
um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por
meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos." Por que
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
78
esse pronunciamento de justiça é tão importante? "Justificados,
pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso
Senhor Jesus Cristo" (Romanos 5: 1).
Devido ao fato de justificação que crentes podem ter a
garantia de salvação. É o fato de justificação que deixa Deus
começar o processo de santificação, o processo pelo qual Deus
torna realidade em nossas vidas a posição que já ocupamos em
Cristo.
11 SANTIFICAÇÃO
A santificação é um processo que começa quando alguém
aceita Jesus como salvador e só será completado na
ressurreição. Santificação é o processo de purificação do pecado.
Quando alguém aceita Jesus como salvador, fica
santificado - purificado das consequências do pecado. Todo o
crente é santo. Na caminhada com Jesus, a pessoa passa por
santificação, aprende a rejeitar o pecado e a sujeitar as diferentes
áreas de sua vida a Deus, escolhendo fazer o que é certo. Na
ressurreição, cada pessoa será completamente liberta da
influência do pecado, sendo completamente santificada.
Na Bíblia santificação também pode significar pôr de lado,
separar para Deus. Isso pode acontecer com objetos, comida e
até dias da semana.
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Versículos de Santificação na Bíblia
Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Jo 17:
17.
Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao
mundo. Em favor deles eu me santifico, para que também eles
sejam santificados pela verdade. João 17: 18-19.
Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados,
foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus
Cristo e no Espírito de nosso Deus. 1 Co 6. 11.
Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do
mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença.
Ef 1:4.
Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem
santos; sem santidade ninguém verá o Senhor. Hb 12: 14.
Obedeçam aos meus decretos e pratiquem-nos. Eu sou o
Senhor que os santifica. Lv 20: 8.
Como filhos obedientes, não se deixem amoldarhttps://www.google.com.br/search?q=livro+hist%C3%B3ria+dos+21+conc%C3%ADlios+da+igreja+pdf&sxsrf=ALeKk010lCnKw3P-aoGgcm6rPxOXc2qi4g%3A1619826646979&ei=1peMYICSO6_T1sQPleCiiA8&oq=o+estudo+dos+grandes+conc%C3%ADlios+crist%C3%A3os+e+os+desdobramentos+principais+da+reflex%C3%A3o+cristol%C3%B3gica+sistem%C3%A1tica&gs_lcp=Cgdnd3Mtd2l6EAwyAggAOgcIABBHELADUABYAGDs6A9oAHADeACAAfQEiAH0BJIBAzUtMZgBAaoBB2d3cy13aXrIAQjAAQE&sclient=gws-wiz&ved=0ahUKEwiA1Y-_lKfwAhWvqZUCHRWwCPEQ4dUDCA4
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https://www.gotquestions.org/Portugues/justificacao.html
http://www.bibliaon.com/santificacao
https://portaldascebs.org.br/2018/03/30/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/
https://portaldascebs.org.br/2018/03/30/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/
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85
SOTERIOLOGIA. Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Especial:Pesquisar&se
arch=Definindo+Soteriologia&ns0=1 Acesso em: 22 abr. 2021.
VIDA PASTORAL. Disponível em:
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-
ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/ Acesso
em: 20 abr. 2021.
Carta do XI Encontro de CEBs do Regional Sul I.
[1] Dz., 7; Catecismo da Igreja Católica, nº 184.
[2] Dz., 86; Catecismo da Igreja Católica, nº 184.
[3] Cf. RAMOS, L. Fragmentos dos Evangelhos Apócrifos.
Coleção Bíblia Apócrifa, Vozes, Petrópolis, 1989, p. 106.
______. A paixão de Jesus nos escritos secretos. Coleção Bíblia
Apócrifa, Vozes, Petrópolis, 1991, p. 51).
______. O drama de Pilatos. Coleção Bíblia Apócrifa, Vozes,
Petrópolis, 1991, p. 101.
[4] JOSEFO, F. Antiguidades Judaicas 18,63, Apud CROSSAN, J.
D. Quem Matou Jesus? Rio de Janeiro, Imago, 1995, p. 18 (o grifo
é nosso).
[5] TÁCITO. Anais 15,44, citado por CROSSAN, J. D., op. cit., p.
18.
[6] Cf. MESTERS, C. “Os profetas João e Jesus e os outros
líderes populares daquela época”, em RIBLA, 1 (1988/1), pp. 72-
80.
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Especial:Pesquisar&search=Definindo+Soteriologia&ns0=1
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Especial:Pesquisar&search=Definindo+Soteriologia&ns0=1
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/
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[7] Cf. MESTERS, C., op. cit., p. 74.
[8] Cf. CROSSAN, J. D., op. cit., p. 78.
[9] Cf. JEREMIAS, L. Teologia do Novo Testamento, 1ª Parte. A
Pregação de Jesus, Paulus, SP, 1977, p. 181.
[10] Cf. SEGUNDO, J. L. O Homem de Hoje diante de Jesus de
Nazaré, II/I, Paulinas, SP, 1985, pp. 133-141.
[11] Cf. ECHEGARAY, H. A Prática de Jesus, Vozes, Petrópolis,
1982, pp. 111-159. Cf. especialmente o quadro da p. 143.
[12] Cf. MESTERS, C., op.cit., pp. 75-76.
[13] CROSSAN, J. D., op. cit., p. 175.
[14] CROSSAN, J.D., op. cit., p. 17.
[15] BOFF, L. Paixão de Cristo — Paixão do Mundo,
Vozes, Petrópolis, 1977, p. 37.
[16] Catecismo da Igreja Católica, nº 84; dez., p. 86.
[17] Cf. BRAVO, C. G. Jesús, Hombre en Conflicto, Sal Terrae,
Santander, 1986, pp. 227-228.
[18] JOSEFO, F. A Guerra dos Judeus 5.367, 378, 412, citado por
CROSSAN, J. D., op. cit., p. 27 (o grifo é nosso).
[19] MEDELLÍN, Pobreza da Igreja, nº 2.
[20] PUEBLA, nº 89.
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https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref12https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref13
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Pe. Benedito Ferraro.
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
88padeceu e foi sepultado”. Padecer significa: “Ser afligido,
atormentado, martirizado por, sofrer, suportar, aguentar, sofrer
dores físicas”.
É imprescindível notar-se que essa evocação do Credo
de fé mostra que a morte de Cristo na cruz é histórica, resultado
de processos históricos e, portanto, o fato melhor atestado de todo
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
10
o Novo Testamento. Mesmo ciente que os escritos evangélicos
são produtos das comunidades para tornar a lançar o Kerygma
(palavra usada no Novo Testamento, significando anúncio
mensagem, pregação ou proclamação), a morte de Cristo é
mostrada com fundamento em uma acusação política (cf. At
10,34-43; Jo 19,12-16; Lc 23,2-5; Mt 26,63), fruto de tensões
econômicas, políticas, religiosas e sociais, (cf. Mc 2,1-36; 7,1-23;
11,1-12,44).
Mais adiante do testemunho canônico, a morte de Jesus
na cruz é comprovada em diversos escritos apócrifos
(Pseudocanônicos, escritos sem inspiração divina). Também
diversos historiadores extra bíblicos, como Flávio Josefo, Plínio,
Suetônio, Tácito, o Moço, testemunham o fato. Serão evocados
dois textos significativos para reflexão: 1) De Flávio
Josefo: “Quando Pilatos, ao saber que ele havia sido acusado
pelos homens mais influentes, condenou-o à crucificação,
aqueles que em primeiro lugar o amavam, não desistiram de sua
afeição por ele […]; 2) E a tribo dos cristãos, assim chamados por
causa dele, não desapareceu até hoje”. O segundo texto é de
Tácito: “Cristo, o iniciador do nome, foi condenado à morte no
reinado de Tibério, por sentença do procurador Pilatos, e a
perniciosa superstição foi reprimida naquele momento, para
depois surgir mais uma vez, não apenas na Judeia, pátria da
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
11
doença, mas, na própria capital, onde todas as coisas horríveis ou
vergonhosas do mundo se juntam e encontram eco”.
Desse modo, seguindo o testemunho dos textos
evangélicos e neotestamentários canônicos, assumindo valor
relativo presente nos textos extra canônicos, e levando em
consideração a palavra dos historiadores antigos, percebe-se
com bastante clareza que a morte de Jesus Cristo na cruz é
comprovada e relativa ás questões presentes na realidade
histórica e social. Quando se tenta desvincular a morte de Jesus
Cristo de seu contexto histórico-político-social-religioso,
certamente corre-se a probabilidade de não entende-la e seu
significado com certeza poderá ser com facilidade sofrer
manipulação.
Alguns fatos que ajudam a compreensão do significado
político-teológico da morte de Jesus:
a) Cristo é condenado por
Pilatos como zelota. Isso revela a mão dos romanos e a
dimensão política presente nessa condenação à morte de cruz,
nesse processo de eliminação de um “líder popular”, de fato,
segundo o caráter judiciário da época não era permitido aos
judeus a declaração de sentença de morte, direito reservado aos
romanos que dominavam a Palestina.
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
12
b) A morte de Cristo é experimentada como um
escândalo a ser superado pelas primeiras comunidades (cf. At 1,6,
1 Cor 1,17-31;), por certo, sua mensagem do Reino era carregada
da esperança messiânico-apocalíptica, que prenunciava a
mudança do “éon” (eternidade), do “presente século”, da
“sociedade perversa” e o anúncio da “Nova Terra e Novos Céus”.
c) É a ressurreição que dá sentido à morte de Jesus (cf.
Jo 20,30-31; Lc 24,13-35; At 2,36), recuperando o significado da
prática de Jesus na Palestina do Primeiro Século e colocando-o
definitivamente na história, superando o fracasso da cruz e
entronizando-o no Reino da Glória como grande vencedor e
grande Testemunha da vitória da vida sobre a morte.
1 A DIMENSÃO POLÍTICA DA PRÁTICA HISTÓRICA DE JESUS
Para que se compreenda o significado político da morte
de Jesus, temos de levar em conta alguns aspectos importantes
da Palestina do I Século. A Palestina era uma terra dependente.
Os romanos exerciam um domínio muito grande sobre a
economia, sobre a política e também, mesmo respeitando alguns
aspectos da religião judaica, sobre a religião dos judeus.
O pagamento dos impostos, suspenso a partir da guerra
dos Macabeus (cf. 1 Mc: 13,37. 39-41), era muito grande, e, junto
com outras taxas, chegava a ultrapassar a metade da produção
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
13
dos agricultores a partir de 63 a. C. Além dessa opressão político-
econômica, a população tinha de enfrentar o peso da exclusão
devido ao sistema de pureza, que inviabilizava a salvação para os
pobres, os marginalizados, que não podiam cumprir todas as
exigências da lei (cf. Jo 7,49).
É nesse clima que Jesus entra no cenário da Palestina do
seu tempo. Tempo carregado de expectativas apocalípticas e
messiânicas. Tempo em que o povo esperava pela mudança de
“mundo”.
1.1 O ANÚNCIO DO REINO
O anúncio do Reino, feito por Jesus de Nazaré e seu
grupo de seguidores, para ser bem compreendido, deve ser visto
a partir da realidade de liberdade cerceada em que vivia a
Palestina do I Século. Para enfrentar essa situação de dominação
econômica, de opressão política e de exclusão sociorreligiosa, o
anúncio da chegada do Reino (“Basileia”) soava como uma
grande reviravolta para os “Am-ha-ares”, “os simples da
terra” (cf. Lc 4,16-30; 1,46-56; 16,19-31; Mc 1,4-20; Mt 25,31-46).
O grupo de Jesus se inseria no quadro dos movimentos
populares da época, movimento de resistência em defesa das
tradições e cultura do povo e tinha como preocupações sociais a
eliminação do tributo a Roma (cf. Lc 23,2-5; Mc 12,13-17), bem
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
14
como a defesa do direito à terra e a proclamação do “ano da graça
do Senhor”, o “anojubilar”, com o perdão das dívidas e a
restituição das terras a seus antigos donos, como tradição vinda
dos pais, dos antepassados (cf. Dt 15,1-15; Lc 4,16-19; Lv 25,8-
17; Mc 1,4-20;).
Tanto João Batista quanto Jesus de Nazaré engajaram-se
num programa de revolução social e subversão política em nome
do Deus judeu. Ambos são reconhecidos como profetas pelo povo
(cf. Mt 11, 9; 14, 5; 21, 26; Mc 11, 30-32; Lc 1, 76; Jo 9, 17; Mt 16,
14; 21, 11. 46; Mc 6, 15; Jo 4, 19) e ambos anunciam a chegada
do Reino de Deus e os dois são condenados à morte pelas suas
práticas histórica. Jesus entra na história devido ao Reino, é
perseguido devido à isso e morto por se apresentar como o
portador do Reino.
1.2 O REINO E A VIDA DOS POBRES E EXCLUÍDOS
O anúncio do Reino, feito por Jesus, proclama uma
reviravolta na compreensão da salvação na Palestina do I Século.
Os pobres e marginalizados, devido ao sistema de pureza, já
estavam condenados por antecipação. Jesus se contrapõe ao
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sistema de pureza e anuncia a salvação aos pobres e mulheres
marginalizadas, que vão entrar no Reino, no lugar das
“autoridades”, que se julgam como os puros e dignos (cf. Mt 21,
28-32).
Nesse sentido, o anúncio da chegada do Reino significa
uma mudança real na vida dos pobres e excluídos, realmente,
começam a ter acesso à salvação e não são mais
responsabilizados como pecadores por sua situação de vida.
Jesus não culpa as vítimas e, por esse motivo, despoja o
preconceito contra os pobres no sistema de pureza, que
terminava sendo o grande autenticador do status quo. Sem
dúvida nenhuma de que esse enfrentamento de Jesus com o
sistema social da época o condenou à morte. Como líder popular,
retomando as raízes do direito à terra, contrariava o sistema
latifundiário inteiramente dominado pelos romanos, que se
intitulavam donos da terra; como profeta aguardado pelo povo
desejoso de liberdade, terminou conflitando a interpretação da Lei
feita pelos doutores e escribas (cf. Mc 2,1-3,6); chocou-se com a
compreensão das tradições (cf. Mc 7,1-23) e criticou o Templo,
que terminou sendo o autenticador da apropriação da produçãoem excesso pelo povo através da cobrança de impostos (cf. Mc
11,15-18; 12,1-12).
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2 QUEM MATA JESUS?
Pergunta que nos leva a procura das causas históricas da
condenação de Jesus à morte de cruz. Causas essas, que estão
enraizadas no contexto sócio-histórico da Palestina do I Século.
Jesus é alguém que ousa enfrentar o processo de opressão e
exclusão dominante na sua época, quer pelos romanos, ou pela
classe dirigente dos judeus aproveitadora da situação. Não se
pode esquecer de que tanto Jesus como seus primeiros
seguidores são judeus e procuram retomar as raízes do judaísmo,
sua esperança se fundamentava no Deus que libertou o povo do
Egito (cf. Ex 3,7-10; 20,1-20).
A condenação de Jesus à morte de cruz, é resultado de
tramas históricas oriundas do confronto de práticas: a prática do
Império, da qual participavam também dirigentes do povo judeu,
e a prática messiânica de Jesus, seguida pelos seus discípulos e
depois pelos seus seguidores, movidos pela fé na ressurreição.
Sabe-se que qualquer pretensão messiânica tinha, na
Palestina do I Século, uma significação basicamente política. Era
considerada crime de lesa-majestade e, desse modo, suscetível
de imediato de morte. Na sua totalidade é violenta a repressão
dos romanos. É suficiente a observação de alguns fatos narrados
por Flávio Josefo nas Antiguidades Judaicas: No governo de
Herodes, entre 37 a 4 a.C., foram queimados vivos dois fariseus
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e quarenta de seus alunos (AJ. XVII 6,2- 4;9,1); com Arquelau (4
d.C.), houve um massacre de 3.000 pessoas (AJ. XVII 8,4; 9,1-3).
No semelhante período, Varo, o general romano, deu ordem para
a crucificação de 2.000 rebeldes ao redor de Jerusalém (AJ. XVII
10,8-10).
Nenhuma tentativa de mudança é admitida pelos
romanos. O que leva a crer que situação idêntica tenha
acontecido a Jesus. A união de interesses entre romanos e
dirigentes judeus findou definindo sua condenação. Esta parece
ser a conclusão de J. D. Crossan: “Caifás era o sumo sacerdote
judeu de 18 a 36 d. C. Num século em que tais autoridades
ficavam no cargo no máximo quatro anos, ele permaneceu dezoito
[…] Devemos presumir que os romanos e Caifás trabalhavam em
conjunto porque, enquanto Valério Grato, o predecessor de
Pilatos como governador, começou dispensando Ananus I como
sumo sacerdote e em seguida designou quatro outros entre 15 e
18 d.C., Caifás durou não apenas oito anos sob Grato, como mais
dez sob Pilatos”.
Lc 23,2 deixa entrever claramente que a morte de Jesus
tem uma dimensão política bem nítida: “A acusação começa com
as seguintes palavras: “Achamos este homem fazendo subversão
entre nosso povo, proibindo pagar tributo ao imperador, e
afirmando ser ele mesmo o Messias, o Rei’”. Também em At 5,34-
39, fica patente que a reação dos romanos contra toda e qualquer
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tentativa de modificação da ordem vigente era imediata e violenta:
pena de morte! Tudo indica que com Jesus não tenha sido
diferente: “A morte de Jesus por execução sob Pôncio Pilatos é
mais certa do que qualquer outro fato histórico”.
3 POR QUE JESUS MORRE?
Questão essa que colocada na direção de busca de
sentido da morte de Jesus. O próprio Jesus nunca buscou a sua
morte, mas, a sentiu como consequência de sua prática histórica.
Sendo discípulo de João Batista, que havia sido assassinado, não
deixaria de compreender que, colocando-se no seu seguimento,
certamente teria de enfrentar o mesmo fim.
Isso parece estar bem presente nos textos evangélicos
que procuram retratar a consciência de Jesus frente à
perseguição: “Jerusalém, Jerusalém, você que mata os profetas
e apedreja os que lhe foram enviados” (Lc 13,34). Certamente
Jesus compreende sua morte à luz da tradição do martírio dos
profetas. Porém, são as comunidades que tentam estruturar o
sentido da morte de Jesus, para poder ultrapassar o fosso
causado pela morte. Aqui trabalha a fé pascal e aponta a vitória
da vida sobre a morte, até onde só apareceria fracasso.
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19
3.1 A MORTE DE JESUS VISTA COMO MORTE DO PROFETA
As primeiras comunidades cristãs compreendem a morte
de Jesus na linha da tradição do martírio dos profetas.
Compreendem-na diretamente articulada com a morte dos
profetas (cf. Lc 11,49-51; 13,14; 1 Ts 2,14; At 7,51ss). Ao tempo,
por estarem sendo perseguidas, as comunidades se
compreendem no seguimento de Jesus.
3.2 A MORTE DE JESUS COMO MORTE DO MESSIAS
CRUCIFICADO
Essa interpretação recorre ao Antigo Testamento, para
mostrar que a morte de Jesus está inserida na trama humana com
toda a sua ambiguidade e que Deus nunca abandonou seu Filho.
Fica claro que, diante das grandes expectativas messiânico-
apocalípticas da época, a morte do Messias na cruz era um
verdadeiro escândalo. Como compreender o Messias, que
deveria vir com poder, acabar torturado, execrado, morto como vil
impostor? A fé pascal busca a explicação a partir da presença de
Deus na vida e na morte de Jesus: “Numa dimensão mais
profunda, Deus não o abandonou. Estava com ele no sofrimento
e na morte; não o abandonou, permaneceu com ele na morte, de
tal forma que a ressurreição mostrou presença de Deus nele.
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A ressurreição revela o escondido: o que era escandaloso
para os outros se iluminou pela ressurreição. As profecias da
morte e da ressurreição querem deixar isso bem claro. Começou-
se a ver tudo a partir de Deus: a atuação de Jesus, sua atividade
missionária, sua morte e sua ressurreição. Deus estava agindo
salvificamente em Jesus, no seu caminho, não exclusivamente na
morte, mas em tudo o que lhe aconteceu, fez, falou e viveu. Em
tudo, mesmo na morte”.
3.3 A MORTE DE JESUS COMO EXPIAÇÃO E SACRIFÍCIO
Há diversos textos do Novo Testamento que apontam
para o sentido da morte de Jesus na linha da expiação pelos
pecados e do sacrifício para a salvação do gênero humano. Essa
interpretação acabou influenciando os relatos da Ceia (cf. 1Cor
11, 23-26; Jo 6, 51-58; Mc 14, 22-25; Mt 26, 26-29). Jesus é visto
como o Justo, o Inocente, que com sua morte estabelece uma
nova relação entre o ser humano e Deus. Sua morte é vista como
redentora, expiatória, sacrifical. Alcança o perdão dos pecados e
inaugura uma nova e definitiva aliança de Deus com seu povo.
3.4 A MORTE DE JESUS COMO ATO DE SOLIDARIEDADE
Diversos textos do Novo Testamento apontam na direção
da morte de Jesus como um ato de solidariedade e criador de
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solidariedade. Sua morte, livre e solidária, é apontada como dom
de si (cf. Jo 3, 16; 12, 49-50), como dom de amor (cf. Jo 10, 11.
15; 15, 13), como dom gratuito (cf. 1Jo 3, 16).
Como acontecimento gerador de solidariedade, a morte
de Jesus, a partir desta interpretação, exige o seguimento. Ela nos
liberta da Lei e mostra que se está livres para amar. Liberta-nos
da falsa imagem de Deus e do terror paralisante e torna-nos
corresponsáveis pela implantação da justiça no mundo. O Espírito
do Ressuscitado nos é dado para podermos refazer, na história, o
caminho de Jesus.
4 A DESVINCULAÇÃO DA MORTE DE JESUS DO SEU
CONTEXTO HISTÓRICO
O salto que se está dando parece ser bem grande.
Entretanto, não se tem, neste espaço, a possibilidade de olhar
como a tradição teológica pensou a morte de Jesus no decorrer
desses dois mil anos de história do cristianismo. No entanto, quer-
se mostrar que a separação da morte de Jesus de suas causas
históricas podem desembocar em consequências drásticas para
a fé cristã. É isso que se quer refletir no momento, tenta-se
compreender a quem interessa esse modo de procedimento,
frente à exigência de sacrifícios que o atual desenvolvimento do
Mercado está exigindo.
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Há uma afirmação fundamentalpresente na profissão da
crença e que não se pode deixar de lado sem comprometer o
mistério da encarnação: “E por nós homens-mulheres, e para
nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito
Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem”.
Dessa forma, significa que Jesus entra na conflitividade
humana e sua vida e morte só podem ser compreendidas dentro
do contexto sócio-histórico de sua época. Como afirma
a Gaudium et Spes 22 (única Constituição Pastoral): “Com efeito,
por Sua encarnação, o Filho de Deus uniu-se de algum modo a
todo homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com
inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com
coração humano, tornou-se verdadeiramente um de nós,
semelhante a nós em tudo, exceto no pecado”.
Qualquer tentativa de tirar Jesus das implicações
econômicas, políticas e sociais de sua época é um atentado
contra a encarnação. É uma nova forma de docetismo (doutrina
do séc. II e III) que negava a existência de um corpo material a
Jesus, seria apenas espírito, pelo fato de Jesus ter assumido
verdadeiramente a história humana. Segundo os Evangelhos,
Deus não quer que o Filho morra para “satisfazê-lo”; quer que ele
não se evada magicamente da condição humana, porém, que seja
coerente e que assuma a conflitividade de sua história até o fim,
como consequência da opção pelos pobres, oprimidos,
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
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marginalizados e excluídos de seu tempo. Desvincular a morte de
Jesus das suas motivações humanas e causas históricas é
favorecer uma má compreensão do sentido desta morte como
simplesmente um “destino trágico” ou “determinismo” que
isentam todos de qualquer responsabilidade frente ao crime
cometido.
Para as autoridades romanas, a morte de Jesus é
compreendida como manutenção da ordem do Império, que era
“sagrada e mantida pelos deuses” e que não poderia ser, de modo
algum, atacada. Eis como Flávio Josefo mostra a impossibilidade
de enfrentá-los, pois, lutar contra os romanos seria lutar contra
Deus: “A fortuna, de fato, vinha de lugares diversos para eles
(romanos), e Deus, que percorrera a rota das nações, trazendo a
cada uma o bastão do império, agora descansava sobre a Itália
[…]. Vocês não estão guerreando contra os romanos apenas,
mas também contra Deus […]. A Divindade escapou dos
lugares sagrados e assumiu Sua posição ao lado daqueles contra
quem vocês agora estão lutando”. Para os dirigentes judeus, “a
morte de Jesus é vista como cumprimento da Lei: “Nós temos
uma lei, e segundo esta lei ele deve morrer, porque se fez Filho
de Deus” (Jo 19, 7).
Na verdade é uma forma de “sacrifício” para “purificar” a
cidade. E é também uma forma de manutenção do status
quo favorável ao grupo dominante: “Vocês não sabem nada.
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Vocês não percebem que é melhor um só homem morrer pelo
povo, do que a nação inteira perecer?” (Jo 11 ,49-50). Estamos
diante da legitimação do sacrifício pela Lei e que encobre toda e
qualquer responsabilidade (cf. Lc 4, 22-30).
Hoje, se está diante de uma sociedade que tenta divinizar
o Mercado. Os dominantes atuais fazem diversas promessas,
tentando conquistar a cabeça e o coração das pessoas. Há um
processo de divinização e sacralização do Mercado. Dessa
forma, os dominantes exigem a fé no Mercado, que por sua vez
promete realizar a felicidade de todos. Proclamam que “fora do
Mercado não há Salvação”! Tudo o que possa contrariar o livre
desenvolvimento do Mercado é perigoso e deve ser
imediatamente extirpado.
Na verdade, é isso que presencia-se no Brasil e na
América Latina com a implementação do sistema neoliberal:
crianças de rua, índios, favelados, presidiários, trabalhadores
sem-terra, são “estorvo” e devem ser “removidos”, pois, estão
atrapalhando o livre desenvolvimento do Mercado. Nesse sentido
é possível compreender a lógica desse sistema: a morte dessas
pessoas é o sacrifício exigido pela dinâmica do Mercado para
resolver a crise econômica brasileira e seguir a lógica da
lucratividade: essas pessoas só dão prejuízo, portanto, não têm
o direito de viver. Quem as mata está prestando um serviço à
nação, pois está “limpando a cidade e colaborando com a
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25
sociedade”. As vítimas se tornam culpadas. Devido a isto, é
preciso eliminá-las imediatamente para preservar o futuro da
sociedade!”.
Por que fazer essa aproximação, da morte de Jesus com
a morte dos excluídos de hoje? Exatamente para mostrar que
desvincular a morte de Jesus de suas causas históricas pode nos
levar à legitimação do sacrifício como algo inevitável. Do mesmo
modo, se for desvinculada a morte dos presos e dos favelados de
suas motivações econômicas e políticas, também se está
legitimando a lógica da eliminação. Ninguém se sente
responsável por esses massacres e a própria sociedade nada faz
para que os responsáveis sejam identificados. Há um acordo
tácito, escondido, que é a aceitação do sacrifício de inocentes e
vítimas de uma organização social injusta e insolidária.
5 CRISTOLOGIA: OS TÍTULOS DE JESUS NO NOVO
TESTAMENTO
Até hoje são conhecidos os títulos de Jesus Cristo no
Novo Testamento, bem como a Cristologia segundo São Paulo,
na Carta aos Hebreus e no Apocalipse de João. Será apresentada
a visão sintética da figura de Jesus Cristo conforme os seis títulos
atribuídos a Ele pelos autores sagrados: Filho do Homem,
Senhor, Cristo, Servo de Javé, Filho de Deus e Deus.
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26
O título “Filho do Homem” é expressão semita, que
significa homem, geralmente no seu aspecto frágil e precário,
como no Sl 79 (80),18; Is 51, 12; Jó 25, 6. Jesus se identificou 80
vezes com este título (69 nos Evangelhos Sinóticos e 11 no
Evangelho de João). Ele o preferia por que essa expressão estava
menos que as outras, eivada de conotações políticas. Assim,
evitava que o julgassem como um revolucionário político oposto
ao domínio temporal romano.
Em Dn 7, 13s aparece o termo ‘Filho do Homem’, que nos
vv. 18. 22. 27, é representada pela expressão “o povo dos santos
do Altíssimo”. Ele apor-se-ia aos impérios babilônico, medo, persa
e macedônio, simbolizados por quatro animais. Contudo, a
tradição judaica, representada pelos apócrifos de Henoque e 4º
Esdras e pelos rabinos, entendeu esse ‘Filho do Homem’ em
sentido pessoal, singular, chegando a identificá-lo com o Messias.
Título de caráter secular que designava para eles aquele que
receberia a honra, o império, o reino e a quem todos os povos
obedeceriam. Razão pela qual os judeus ainda esperam o
Messias, sendo Jesus mais um profeta.
No Novo Testamento o título está associado aos poderes
e à autoridade de Jesus. Fora dos Evangelhos só aparece em Ap
1, 13; 14, 4 e dito por Estevão em At 7, 56. O ‘Filho do Homem’
perdoa os pecados (Mc 2, 10); é Senhor do sábado (Mc 2, 28);
virá na glória do Pai (Mc 8, 38; 13, 26); assentar-se-á à direita de
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
27
Deus (Mc 14, 62). Mas também ele é sujeito da Paixão e dos
opróbrios (Mc 9, 31; 10, 33; 14, 21); não tem onde repousar a
cabeça (Mt 8, 20); veio dar a vida em resgate de muitos (Mc
10,45).
O título “Senhor” foi mais usado pelas primeiras
comunidades cristãs em preferência ao título acima. É um termo
já presente no Antigo Testamento que no Novo foi aplicado a
Jesus. Adon (Senhor) designava para Israel o senhorio ou
domínio de Deus (cf. Is 1, 24; 6, 1-8; 43, 1. 21). Quando, por
respeito, os judeus deixaram de pronunciar o nome Javé nas
leituras litúrgicas, ele foi substituído por Adonay (meu Senhor).
Devido a isso, a tradução grega dos LXX traduziu Javé por Kýrios
(Senhor).
O fato de o título ter sido transferido para Jesus exprime
a fé cristã na transcendência e na Divindade de Jesus (cf. Jo 20,
28 “Meu Senhor e meu Deus”). Ele é o Senhor de todos (At 10,
36; Rm 10, 9; 1Cor 12, 3; Cl2, 6). A primitiva invocação aramaica
persistiu no uso das comunidades gregas: Maranatha, nosso
senhor, vem! (cf. 1Cor 16, 22; Ap 22, 20). Para Jesus ressuscitado
os cristãos transferiram os gestos de reconhecimento que eram
tributados somente a Javé (cf. At 2, 20s; 7, 59; Fl 2, 10; Jo 9, 38;
Ap 15, 4).
Porém, o senhorio de Jesus não substitui o de Deus Pai,
mas, significa que a partir da ressurreição, Jesus comunga com a
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
28
soberania de Deus Pai. Também é de notar que a aplicação do
título Kýrios a Jesus não se deve à influência do paganismo, que
assim intitulava os imperadores divinizados. Em 1Cor 8, 5s Jesus
é chamado Kýrios em plena antítese ao politeísmo.
Outro título é Christós (Cristo) a tradução grega do
aramaico Meshiah e do hebraico Mashiah = ungido = Messias.
Ungidos, no Antigo Testamento, eram os reis e sacerdotes de
Israel. O título se tornou apelativo do Rei ou do Filho do Rei Davi
por excelência, que salvaria o seu povo, Israel. Os discípulos de
Jesus o reconheceram como tal Rei e lhe atribuíram o título
designativo de Cristo (cf. Jo 1, 41; 4, 25; 20, 31; Mt 16, 16; Mc 10,
47).
Jesus aceitava esse título (cf. Mc 8, 29; 12, 35-37; Jo 4,
25s), mas, pedia silêncio a quem O proclamasse Messias, por
este termo poder ter conotações políticas, alheias ao reino
messiânico trazido por Ele, como já visto acima. Isso porque, é
num sentido muito mais profundo do que o político e terrestre que
Jesus se apresenta como Messias. Em Mt 4, 1-11 e Lc 4, 1-13
Jesus recusa as tentações do poder terreno oferecido por
Satanás. Em Mc 8, 31-34 chama Pedro de satanás (Adversário)
porque quer poupar da Paixão seu Mestre.
A resposta de Jesus a pergunta feita por João Batista em
Mt 11, 3 demostra claramente como Ele entendia seu
messianismo. Nela foram citados trechos de Isaías que atribuem
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
29
ao Messias à restauração do homem ferido e destroçado no plano
físico e espiritual e chama atenção para o cumprimento de tais
profecias (cf. Mt 11, 4s). Assim, é estabelecida uma ordem de
densidade dos males causados pelo pecado ao homem que vão
desde a cegueira até a morte física. Jesus veio para ser o
vencedor de todos estes males, recriando o homem vulnerável
pela culpa no enunciado da sua frase final globalizante: os pobres
(cegos, coxos […] mortos) são evangelizados (são interpelados e
ressuscitados pela obra do Messias).
A característica especial da missão de Jesus com relação
a sua Paixão é expresso pelo título “Servo de Javé”, que se trata
de uma personagem misteriosa do Livro do profeta Isaías (cf. Is
42, 1-7; 49, 1-6; 50, 4-9; 52, 13-53, 12). Ela representa uma vítima
inocente que se oferece em sacrifício de intercessão e expiação
pelos pecadores. O sofrimento toma um sentido até então
desconhecido. Não é necessariamente consequência de pecados
pessoais, mas, é redenção ou resgate em favor dos pecadores.
Jesus mesmo se identifica como o ‘Servo de Javé’ (cf. Mc
10, 45; 14, 24; Lc 22, 37), que sofreria assumindo a dor e a morte
devidas ao homem pecador (cf. Gn 2, 17; 3, 19) para dar um
sentido novo à sua realidade sofredora. Essa identificação com o
homem leva Jesus a um total despojamento da sua glória eterna
a ponte de fazer às vezes do escravo condenado a cruz (cf. Fl 2,
7). É uma nova maneira de exprimir a recriação do homem
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
30
expressa pelo título Messias. A recriação inclui o perdão de Deus
mediante uma imolação sacrifical.
O título “Filho de Deus” aplicado a Jesus no Novo
Testamento tem matizes diversas. Os demônios proclamam Jesus
como o ‘Filho de Deus’ (cf. Mc 1, 34; 3, 11; 5, 7). Igualmente faz o
centurião romano (Mc 15, 39). Nesses casos a expressão pode
designar simplesmente ‘uma personagem extraordinária’. O título
passa a ter sentido mais profundo nos lábios de Pedro, que
proclama: “Tu é o Messias, o filho de Deus vivo!” em Mt 16, 16. A
revelação a Pedro do mistério de Jesus é obra do Pai Celeste. Foi
somente após a Páscoa que os Apóstolos atingiram a plena
compreensão do sentido da expressão.
a) Em At 9, 20 Paulo prega enfaticamente que Jesus é o
Filho de Deus. A ressurreição manifestou o pleno sentido da
filiação divina esboçada no Sl 2, 7 (cf. At 13, 33). O Apóstolo tem
plena consciência de que na plenitude dos tempos Deus enviou
seu Filho a terra (cf. Gl 4, 4; Rm 8, 3), a fim de que sejamos
reconciliados pela sua morte (cf. Rm 5, 10). A vida cristã é vida
“na fé do Filho de Deus, que nos amou e se entregou por nós” (Gl
2, 20).
b) João professa, do mesmo modo, o título de Filho de
Deus: “Nisto se manifestou o amor de Deus entre nós: Deus
enviou o seu Filho Unigênito ao mundo para que vivamos por Ele”
(1Jo 4, 9s. 14). Esse Filho comunica aos homens a vida eterna
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
31
que vem do Pai (cf. 1Jo 5, 11). Quem crê no Filho, tem vida eterna
(cf. Jo 6, 40); que não crê, está condenado (cf. Jo 3, 18).
c) O próprio Jesus se revelou como Filho de Deus num
sentido singular (cf. Mt 11, 27; 21, 37; Mc 13, 32). Nestes textos
Ele diz que o mistério de sua vida é tal que só o Pai o pode
conhecer. Só Ele está à altura do Pai para conhecê-Lo
adequadamente. Jesus mostra uma familiaridade chamando-O de
ABBA (Paizinho), apelativo que os judeus nunca dirigiriam a Deus
por supor grande intimidade. É à luz destes textos que se há de
entender a declaração do Pai no Batismo e na Transfiguração de
Jesus (cf. Mc 1, 11; 9, 7).
d) A concepção Virginal de Maria apresentada em Lc 1,
26-37 e Mt 1, 16.18-25 também são testemunhos de que Jesus
não é filho dos homens como os demais homens. Ele é o Filho de
Deus, que, tendo Pai no céu, foi entregue pelo próprio Pai a Maria
(sem contato de varão), para que esta lhe pudesse dar a natureza
humana e a entrada numa estirpe humana. A virgindade de Maria
é, portanto, toda relativa à Divindade de Jesus.
O título Filho de Deus se torna claro por excelência ao se
considerar que o Novo Testamento designa Jesus como Deus.
Paulo formula a doxologia: “Cristo […] que é, acima de tudo, Deus
bendito pelos séculos” (Rm 9, 5). Ele é chamado “o grande Deus
e Salvador, Jesus Cristo” (Tt 2, 13). Tomé reconheceu: “Meu
Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28). João abre seu Evangelho com
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
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as seguintes palavras: “No princípio era o Logos, e o Logos estava
junto a Deus, e o Logos era Deus” (Jo 1, 1). Na sua primeira
epístola escreve: “Este (Jesus Cristo) é o Deus verdadeiro e a vida
eterna” (1Jo 5, 20).
O título assim aplicado significa identidade de natureza ou
a substância do Filho com o Pai. De fato, se o Pai é o fim do plano
de salvação dos homens, o Filho o é igualmente: Cl 1, 16; 1Cor 8,
6; Hb 2, 2; Rm 11, 36. Se o Pai julga, o Filho também julga: 1Cor
4,5; 2Cor 5,10; Rm 2, 16; Rm 2, 22. O Filho ou Jesus Cristo é uma
das três Pessoas associadas na fórmula trinitária: (2Cor 13, 13;
Mt 28, 19).
Livro: História dos 21 concílios da Igreja – de Niceia ao
Vaticano II
Publicado em 30 de maio de 2014
O livro: História dos 21 concílios da Igreja – de Niceia ao
Vaticano II traz um resumo dos 21 concílios. A obra apresenta o
contexto histórico de cada concílio, os desafios que tiveram de
enfrentar, revelando os temas e as tramas que tem em comum,
além de relatar fatores e características que fizeram com que cada
um deles fosse relativamente singular. A obra traz um índice
remissivo e bibliografia, que poderá ser bem utilizado em cursos
de História da Igreja. O livro está disponível no
site www.loyola.com.br.
http://www.loyola.com.br/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=9586
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
33
6 CONCÍLIO ECUMÊNICO
Um concílio ecumênico - reunião dos bispos para debater
os problemas doutrinais da Igreja Cristã. São 21 os
concílios ecumênicos. Conforme os cânones 337e 341 do Código
Canônico, um concílio ecumênico serve para reflectir sobre a
doutrina, promulgar dogmas, condenar heresias e, resolver
problemas de interesse da Igreja universal.
As Igrejas cristãs separadas das demais devido a
divergências cristológicas aceitam unicamente os concílios
ecumênicos realizados antes da separação. Até ao séc. IX, sete
concílios são reconhecidos pela Igreja Católica e Igreja Ortodoxa,
pois, foram realizados, antes da separação.
Das denominações Protestantes, Anglicanos, luteranos,
calvinistas e algumas denominações protestantes reconhecem os
quatro primeiros concílios católicos e, em alguns casos, os
primeiros sete. As demais têm visões variadas conforme a sua
doutrina.
As Igrejas Ortodoxas Orientais só aceitam os três
primeiros concílios católicos e rejeitam as decisões do Concílio de
Calcedônia (451) e outros concílios posteriores.
A Igreja Assíria do Oriente só reconhece os primeiros dois
concílios católicos, acabando por rejeitar o I Concílio de Éfeso.
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
34
Desde então, a Igreja Ortodoxa aceita oficialmente os
sete primeiros concílios católicos. De qualquer forma, a Igreja
Ortodoxa continua realizando concílios com a mesma autoridade
dos ecumênicos, chamados Concílios Pan-Ortodoxos.
A Igreja Católica continuou a convocar e realizar concílios
ecumênicos em comunhão plena com o Papa, que passou a ser
a ecumene.
Papas durante os Concílios:
1. São Pedro, Jerusalém, ano de 51 - Os convertidos do
paganismo (novos cristãos) isentos de algumas práticas da lei
mosaica, como a circuncisão. (Cerimônia em que é praticada a
retirada cirúrgica do prepúcio, por razões religiosas e/ou
higiênicas, ritualmente como sinal de inclusão na comunidade
judaica;
2. São Vítor, Concílio (Sinodo) de Roma, ano de 197 -
Examina a questão da data da Páscoa, celebrada diferentemente
no Oriente e no Ocidente;
3. Santo Estevão, Concílio (Sinodo) de Cartago, ano de
256 - Cipriano, bispo de Cartago, reúne 87 bispos africanos.
Discutem o Cisma novaciano;
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
35
4. Sede Vacante, Concílio (Sinodo) de Elvira - Reúne 19
bispos e 24 presbíteros da península Ibérica. Decretam o
celibato do clero;
5. São Silvestre I, Concílio de Arles, convocado em Arles,
no ano de 314 – 33 bispos africanos, na tentativa de evitar o
Cisma donatista (culto religioso cristão, considerado herético e
cismática pelo catolicismo.
6.1 CONCÍLIOS PRÉ-NICENOS - I CONCÍLIO DE NICEIA I
São Silvestre I, Niceia I, ano de 325 – Primeiro Concílio a
reunir a Cristandade, e portanto ecumênico - Condena o
Arianismo como heresia e exila Àrio. Reconhece como dogma a
igualdade de natureza entre o Pai e o Filho. Compõe o Credo
Niceno.
Esses concílios foram na maioria de natureza regional.
Porém, foram imprescindíveis para clarificar diversos aspectos
doutrinais ou disciplinares no início do Cristianismo, tendo suas
decisões, seguidas por muitos cristãos e bispos não participantes
desses encontros. O exemplo dentre todos que serve de norma
modelo dos concílios é o Concílio de Jerusalém (49 d.C.), que
libertou a Igreja cristã nascente das regras antigas da Sinagoga e,
marcou definitivamente o desligamento do cristianismo do
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
36
judaísmo e confirmou para sempre o ingresso dos gentios (não
judeus) na cristandade.
6.2 II CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA I, DA IGREJA
CATÓLICA
São Dâmaso I, Constantinopla I, ano de 381 - Reconhece
como dogma a natureza divina do Espírito Santo no Credo
Niceno-constantinopolitano, recitado na missa. Define o cânon
bíblico e reconfirma, a Bíblia declarada como verdadeira tinha 73
livros, mais firmemente no Sínodo de Hipona.
6.3 III PRIMEIRO CONCÍLIO DE ÉFESO, DAS DENOMINAÇÕES
PROTESTANTES
São celestino I, Éfeso, ano de 431 - Reconhece como
dogma a unidade de pessoa do Verbo Eterno com o corpo e a
alma encarnados de Cristo. Condena o Nestorianismo como
heresia e proclama a maternidade divina da Virgem Maria.
A Igreja Assíria do Oriente não reconhece este concílio e nenhum
dos posteriores.
6.4 IV CONCÍLIO DE CALCEDÓNIA, DAS IGREJAS
ORTODOXAS ORIENTAIS E DA IGREJA ASSÍRIA DO ORIENTE
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
37
São Leão I, Magno, Calcedônia, ano de 451 -
Condenação do Monofisismo. Reconhece como dogma a unidade
das duas naturezas, completas e perfeitas em Jesus Cristo,
humana e divina. É escrita a carta dogmática “Tomo a Flaviano”
pelo Papa Leão I.
As Igrejas Ortodoxas Orientais não reconhecem este
concílio e nenhum dos posteriores.
6.5 V CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA II, DA IGREJA
ORTODOXA
Papa Vigílio, Constantinopla II, ano de 553 - Condena os
ensinamentos de Orígenes e outros. Condena os documentos
semi-nestorianos designados Os três Capítulos.
6.6 VI CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA III
Santo Agatão e São Leão II, Constantinopla III, anos de
680 e 681 - Reconhece como dogma que em Cristo há duas
vontades, uma divina e outra humana. Condena o monotelismo.
6.7 VII CONCÍLIO DE NICEIA II
Papa Adriano I, Niceia II, ano de 787 - Reconhece a
licitude da veneração de imagens (ícones). Condena o
iconoclastas.
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
38
7 SOTERIOLOGIA
Parte da Teologia que trata da salvação do homem.
a) Soteriologia no Cristianismo
A salvação é convencionada através de Jesus Cristo.
Estuda como o evangelho de poder e os ensinos de Jesus e a fé
n'Ele separa das práticas mundanas as pessoas que antes
estariam condenadas pelo pecado e os reconcilia com Deus. Os
cristãos obtém o perdão dos pecados, vida e salvação alcançado
por Jesus Cristo por meio de seu sofrimento inocente, morte e
ressurreição após a morte. A graça da salvação é conseguida
somente pela fé em Jesus, pela da palavra de Deus.
Alguns cristãos acreditam que a salvação é obtida a partir
deles e da vontade de Deus (sinergismo), outros creem que parte
da vontade absoluta de Deus e o homem pela fé é incapaz de
resistir (monergismo).
b) Soteriologia no catolicismo
Coloca a Igreja como canal ideal da graça de Deus. A
união à Igreja pode levar à graça dos céus. Essa graça, na lição
de Santo Agostinho, é unicamente obra de Deus, cabendo ao
homem, somente buscar uma vida de santidade e comunhão,
na fé da salvação. Esta vida de santidade é fortificada por
intermédio dos sacramentos concedidos pela Igreja: batismo,
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
39
comunhão ou eucaristia, confissão ou penitência, crisma ou
confirmação, matrimônio, ordem e unção dos enfermos. Sendo
também função dos cristãos ir em busca dos que estão fora da
Igreja, afim de poderem comungar com a graça de Deus, único
dispensador da Graça.
c) Soteriologia no protestantismo
No protestantismo há variadas tendências, sendo as mais
destacadas o arminianismo e o calvinismo (cada uma delas
admitindo subdivisões). Há também a possibilidade de se aderir
às opções católicas, o tomismo e o molinismo.
Arminismo - as ideias do holandês jacobus Arminius.
Cinco pontos da Remonstrância que afirmam:
1. A eleição (e condenação no dia do julgamento) foi
condicionada pela fé racional ou não fé do homem;
2. A expiação, embora qualitativamente suficiente a
todos os homens, só é eficaz ao homem de fé;
3. Sem o auxílio do Espírito Santo, nenhuma pessoa é
capaz de responder à vontade de Deus;
4. A graça é resistível;
5. Os crentes são capazes de resistir ao pecado, mas,
não estão fora da possibilidade de cair da graça.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Calvinismo
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
40
Calvinismo – doutrina surgida a partir da Reforma
Protestante e das interpretações feitas por Calvino, convertido ao
Protestantismo em 1533, às ideias de Lutero.
Cinco pontos do Calvinismo:
1. A "depravação total", chamada de "incapacidade
total", afirma que, como consequência da queda do homem no
pecado, todapessoa está escravizada pelo pecado. As pessoas
não são, portanto, inclinadas por natureza a amar a Deus, mas
sim a servir aos seus próprios interesses e a rejeitar o comando
de Deus. Defende a incapacidade do ser humano de salvar a si
mesmo do pecado, ao invés de atestar uma completa ausência de
bondade por parte do homem.
2. A "eleição incondicional" afirma que Deus escolheu
os seus Eleitos desde a eternidade, não com base na virtude,
mérito ou fé previstos para essas pessoas; ao contrário, a sua
escolha é incondicionalmente fundamentada somente em sua
misericórdia. Deus escolheu desde a eternidade estender
misericórdia aos que escolheu e reter misericórdia aos não
escolhidos. Os escolhidos recebem a salvação somente por meio
de Cristo. Aqueles não escolhidos recebem a ira, que é justificada
por seus pecados contra Deus.
3. A "expiação limitada", chamada de "redenção
particular", afirma que a expiação substitutiva de Jesus foi definida
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
41
e certa em seu propósito e no que ela realizou. Isso implica que
apenas os pecados dos eleitos foram expiados pela morte de
Jesus. Calvinistas não acreditam, no entanto, que a expiação seja
limitada em seu valor ou poder, mas sim que a expiação é limitada
no sentido de que se destina a alguns e não a todos. [...], para
conceder a eles, e somente a eles, o dom da fé justificadora, e
assim, trazê-los infalivelmente à salvação”.
4. A "graça irresistível", chamada de "graça eficaz",
afirma que a graça salvadora de Deus é efetivamente aplicada
àqueles a quem ele determinou salvar (os Eleitos) e supera a sua
resistência natural em obedecer ao chamado do Evangelho,
trazendo-os para a fé salvadora. Isso significa que quando Deus
tem o propósito soberano de salvar alguém, esse indivíduo
certamente será salvo. A doutrina sustenta que o Espírito Santo,
"graciosamente faz com que o pecador eleito coopere, creia,
arrependa-se, e vá livre e espontaneamente a Cristo".
5. "Perseverança dos santos" conhecida como
"perseverança de Deus com os santos" e "a preservação dos
crentes" ("santos" refere-se a todos os que são separados por
Deus, e não àqueles que são excepcionalmente santos,
canonizados ou no céu) visto que Deus é soberano e a sua
vontade não pode ser frustrada por humanos ou por qualquer
outra coisa ou ser, aqueles a quem Deus chamou à comunhão
com Ele continuarão na fé até o fim. Aqueles que aparentemente
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
42
caem ou nunca tiveram fé verdadeira para começar (1 João 2:19),
ou, se eles são salvos, mas não andam no Espírito, eles serão
divinamente castigados (Hebreus 12: 5-11) e serão levados ao
arrependimento (1 João 3: 6–9).
Tomismo - é a filosofia escolástica de São Tomás de
Aquino, se caracteriza, pela tentativa de conciliar o aristotelismo
com o cristianismo. Procurando integrar o pensamento aristotélico
e neoplatônico, aos textos da Bíblia, gerando uma filosofia do Ser,
inspirada na fé, com a teologia científica.
Principais características do tomismo:
- O caminho da salvação está relacionado com o livre-
arbítrio e com a prática de boas obras.
- Buscou a integração entre o pensamento aristotélico e
neoplatônico com os ensinamentos e doutrinas da Bíblia. Isto é, o
tomismo buscou estabelecer relações entre a base da filosofia
grega e as doutrinas do cristianismo.
- Integração harmônica entre a ciência (racionalismo
aristotélico) e a fé (crenças cristãs). Logo, o tomismo faz parte do
método conhecido como escolástica.
- Valorização do intelectualismo, ou seja, a prevalência do
intelecto (conhecimento) sobre a vontade.
Molinismo é a doutrina sobre a Divina Providência que
leva o nome do jesuíta espanhol Luís de Molina (1535-1600) que
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
43
procura conciliar, em vista do livre-arbítrio, as ideias de que os
seres humanos possuem liberdade significativa ou libertária e de
que Deus possui controle providencial sobre tudo o que ocorre.
A maneira pela qual Deus é capaz de exercer controle
providencial sobre tudo o que ocorre num mundo onde existem
criaturas livres é através de Seu conhecimento médio, isto é,
conhecimento hipotético ou conhecimento contratual de tudo o
que criaturas livres fariam em todas as circunstâncias em que
Deus as colocaria.
8 A PROVIDÊNCIA SALVADORA
A Providência Divina
Artigo Dom Orlando Brandes 21 jul. 2009
Deus é Pai, todo poderoso. Deus é amor. É próprio do
amor cuidar, guiar, conduzir, prevenir. Providência significa amor
sábio e cuidadoso. Amor que protege, conserva, transforma a
história do mundo e das pessoas. É Deus que se interessa pelos
nossos interesses. Deus, rege o mundo. Não há destino cego,
nem acaso, nem poder dos astros. Estamos no coração, nos
braços e nas mãos de um Pai providente, santo, sábio.
O amor de Deus é um amor pelo mundo que Ele mesmo
criou e quer sua continuação e construção. Deus tem projeto e
intenções para com a história e o mundo. Ele dá o rumo, a direção,
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
44
a meta para o mundo e como Pai cuida e sustenta suas criaturas
e seus filhos. A Providência Divina é uma atividade permanente
de Deus, um cuidado permanente. Ele cria e recria, dirige tudo à
plenitude,
Ele cria e recria, dirige tudo à plenitude, não está longe de
nós, nem é mero expectador dos acontecimentos. Ele se auto
limita para poder adaptar-se ao nosso ritmo e assim permitir que
as limitações das criaturas, a lei natural, e a liberdade humana
sigam seus caminhos. Deus segura a manutenção do mundo. Eis
a fé cristã na Divina Providência.
Deus age através da inteligência e da liberdade humana.
Ele não age sozinho. Quer a nossa colaboração, age e trabalha
nas criaturas, numa admirável sinergia entre o Criador e a
criatura. Os homens constroem a história com as intenções e a
graça de Deus. Não há concorrência, há colaboração. Somos co-
criadores do Criador. Deus confia no homem, quer sua
participação, colaboração e ação.
Quando a liberdade humana erra, sai do rumo, a
Providência corrige a rota com a misericórdia e a inspiração do
Espírito. Sempre podemos ter esperança numa situação
desesperadora. Do mal Deus pode tirar o bem. O amor
providencial perdoa, corrige, refaz e recria o que foi desviado ou
destruído. Deus não age sozinho, nem o homem é a única
providência. Pelo contrário o homem é portador da Providência
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
45
Divina, na sua capacidade e previsão e prevenção com o auxílio
da graça.
Se não cremos na Providência caímos nas garras da
fatalidade, do destino, do acaso, da sorte ou do azar, dos astros e
dos espíritos. Deus não é uma energia cósmica universal sem
rosto. Deus é alguém, um Tu, uma consciência, Deus é Pai que
sofre com os sofrimentos de seus filhos e carrega seus fardos.
A oração de súplica é uma atitude de fé na Providência
Divina que tudo conduz para a participação de sua glória. Todas
as criaturas farão parte do novo céu e da nova terra. Que bom ter
fé e saber que há sentido, há rumo, há futuro. Estamos livres do
absurdo porque cremos no Absoluto. A fé na Providência Divina
nos livra das preocupações, dos medos e inseguranças. Tudo
concorre para o nosso bem. Deus age em nossas vidas como
amigo, companheiro, parceiro, torcedor e guia. Quem crê na
Providência livra-se da magia, da astrologia, do destino cego. A
mão do Senhor nos conduz e faz prodígios, portentos e
maravilhas em nossas vidas. Na luz da Providência tudo tem
sentido e meta. Nada é por acaso.
A melhor atitude diante da Providência Divina é a
colaboração de nossa parte. Rezar como se tudo dependesse de
Deus, e trabalhar como se tudo dependesse de nós. Outra atitude
sábia é a da confiança, do saber abandonar-se na bondade,
sabedoria e onipotência de Deus. Fazer tudo para mudar o que é
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
46
possível ser mudado e aceitartudo o que não pode mais ser
mudado, eis a espiritualidade do abandono, da confiança, da
entrega de si nas mãos do Bom Pastor, o Deus da vida.
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
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9 OS ASPECTOS DA PROVISÃO DE CRISTO QUANTO A
SALVAÇÃO
I Salvação
A palavra no grego soxo, significa salvação, libertação e
cura. Jesus veio a este mundo para nos salvar, libertar e curar as
almas necessitadas.
O que o apóstolo João viu testificou e escreveu na sua
carta: “E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para
Salvador do mundo” (1ª Jo 4. 14). Jesus veio ao mundo com este
propósito de salvar o homem, e livrá-lo de uma condenação
eterna. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o
seu Filho unigênito, para que todo aquele que n’Ele crê não
pereça, mas tenha a vida eterna Porque Deus enviou o seu Filho
ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o
mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3. 16-17). Paulo declara: “Que
Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores dos quais
eu sou o principal” (1ª Tm 1. 15) No evangelho segundo Lucas
Jesus diz: “Pois o Filho do homem veio buscar e salvar que se
havia perdido” (Lc 19. 10).
“E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim
importa que o Filho do homem seja levantado” (Jo 3. 14).
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
48
No versículo acima Jesus faz uma antítipo (figura
representada por outra; personagem tipificada no Novo
Testamento), onde Ele compara-se a serpente levantada por
Moisés no deserto.
No livro de Números capítulo 21, a Bíblia descreve o
motivo porque Moises levantou no a serpente de bronze em uma
haste. O tempo em que Israel peregrinou no deserto o povo
murmurou contra Deus e Moises dizendo: “Por que nos fizestes
subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há
pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil” (v. 5).
A consequência desta atitude repreensível e
descontentamento, Deus enviou serpentes que mordiam o povo;
e morreram muitos do povo de Israel. Após a repreensão de Deus,
eles reconheceram o seu pecado e pediram misericórdia a Moisés
dizendo: “Havemos pecado, porque temos falado contra o
SENHOR e contra ti; ora ao SENHOR que tire de nós as
serpentes.
Então, Moisés orou pelo povo” (v. 7). Após a intercessão
de Moisés, disse o Senhor: “Faze uma serpente abrasadora, põe-
na sobre uma haste, e será que todo mordido que a mirar viverá”
(v. 8). E procedeu Moisés como Deus lhe mandara: “Fez Moisés
uma serpente de bronze e a pôs sobre uma haste; sendo alguém
mordido por alguma serpente, se olhava para a de bronze, sarava”
(v. 9).
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
49
Adão e Eva ao serem atingidos pelo veneno da serpente
no jardim do Éden, ficaram infetados pelo vírus chamado pecado,
e assim toda a raça humana ficou contaminada.
A passagem acima, então tipifica Jesus sendo levantado
em uma cruz; e aqueles que fossem contaminados pelo veneno
da serpente (o pecado), olhando para Cristo fossem salvos e
curados e livres da maldição.
A serpente é símbolo de maldição. Cristo Jesus ao ser
pendura na cruz tornou-se maldito por nós, para que fossemos
ricos em glória com Ele. “Cristo nos resgatou da maldição da lei,
fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar. Porque está
escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro) (Gl
3. 13).
Era necessário que o Filho de Deus fosse morto numa
cruz para cumprir os desígnios do Pai e também para cumprir o
que fora dito pelo profeta Isaías “Mas Ele foi ferido pelas nossas
transgressões, e moído pelas nossas iniquidades [...]”. (Is 53. 5).
Cristo não tendo pecado se fez pecado por nós. A cruz
que seria para o pecador ele mesmo levou. Por amor Jesus Cristo
se doou por nós.
1 O recebimento da salvação
1.1 A salvação é um dom de Deus (Ef 2. 8).
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
50
1.2 O Espírito Santo (Jo 16. 8-9), e a Palavra de Deus (Rm
10. 8; 14. 17), operam no interior do homem.
1.3 Para receber a salvação o homem precisa crer em
Jesus (Jo 1. 12-13; At 2. 21).
1.4 Com a boca se confessa para a salvação (Rm 10. 9-
10; Sl 51. 12).
II RESSURREIÇÃO
1 O que significa a palavra ressureição.
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TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
51
A palavra ressuscitar tem origem no termo
grego anistemi, do latim resuscitare, que por sua vez derivou da
palavra resurgere, que literalmente significava “levantar-se
dentre os mortos; erguer-se outra vez; retornar a vida.
A doutrina da ressurreição tem sua base essencialmente
sobre o fato da ressurreição de Cristo. Segundo a Bíblia, Jesus
ressuscitou várias pessoas e foi o primeiro a ressuscitar entre os
mortos.
Verdadeiramente, quando Cristo morreu e ressurgiu
dentre os mortos, raiou um novo dia, teve início a uma nova era.
Esse novo dia é o “dia da salvação” (2ª Co 6. 12), e as bênçãos
“de grande salvação” (Hb 2. 3) as tão ricamente diversas que não
podemos defini-las adequadamente.
Sem a ressurreição, a cruz teria feito de Cristo o maior
mártir do mundo. Mas a cruz, com a ressurreição, fez d’Ele o único
Salvador do mundo.
A Morte Vicária de Cristo (substituto, morte de jesus na
cruz para livrar a humanidade do pecado) removeu todos os
obstáculos legais para o recebimento da vida espiritual, mas
somente o poder da ressurreição poderia levar os homens para
alcançar esta nova vida.
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que,
segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
52
esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os
mortos” (1ª Pe 1. 3).
Paulo reconhecia a importância tanto da cruz como do
túmulo vazio. Declarou que seu velho “eu” pecador fora morto
mediante a identificação com o Salvador crucificado e que lhe fora
concedida vida nova mediante a comunhão com o Salvador vivo.
“Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim
de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou
eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora,
tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a
si mesmo se entregou por mim” (Gl 2. 19-20).
A ressurreição de Cristo é muito mais que um mero evento
histórico. A ressurreição é a prova de que Cristo vive para elevar
aqueles que n’Ele creem, de um estado de morte espiritual para
uma vida espiritual.
“Estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida
juntamente com Cristo, pela graça sois salvos, e, juntamente com
ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em
Cristo Jesus” (Ef 2. 5-6).
O poder de Cristo que nos ressuscita da morte espiritual,
nos dá a esperança da vida eterna. É uma força sobrenatural que
nos capacita a viver abundantemente em Cristo cada dia. Este
poder aumenta cada vez, à medida que conhecemos a Cristo
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
53
profundamente. À medida que temos mais intimidade com Ele,
ficamos cada vez mais conformado a uma vida de santidade.
“Para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a
comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na
sua morte” (Fl 3. 10).
A Bíblia não promete que os crentes serão poupados da
morte física. O que a Bíblia promete é a nossa vitória sobre a
morte.
“O último inimigo a ser destruído é a morte. Onde está, ó
morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O
aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças
a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor
Jesus Cristo” (1ª Co 15. 26, 55-57).
A ressurreição de Cristo é a garantia da vitória sobre a
morte. Cristo foi o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, para
nunca mais morrer, e todos os salvos seguirão o Seu exemplo.
“Mas, de fato, Cristo ressuscitoudentre os mortos, sendo
ele as primícias dos que dormem” (1ª Co 15. 20).
Como ressuscitou e está vivo, ele pode absolver a todos
os que, verdadeiramente arrependidos, creem e o recebem como
Senhor e Salvador de suas vidas (Jo 1. 11 e 12; Ap 3. 20).
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
54
III SUBSTITUIÇÃO
Um dos pontos mais importantes da doutrina da Salvação
é a substituição. Pelo simples motivo Deus condenou o pecado
com a morte (Rm 6. 23). Em Ez 18: 4 Deus usou o seu servo e
decretou “A alma que pecar morrera” E foi confirmada Ez 18: 20,
dizendo que cada um seria responsável pelo seu próprio pecado.
Caso não fosse aceito Cristo como nosso substituto todos
estaríamos mortos. Mas através de Cristo podemos estar vivos
(Ef 2. 1).
Satanás foi taxativo quando disse para Eva, Gn 3.4 “Então
a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis” Eva
pensava em um tipo de morte, Satanás falava de outro, ou seja
entendia o que Deus havia determinado. Muitas pessoas estão
https://2.bp.blogspot.com/-FjGhPBItHDM/WEL-vs3Kk5I/AAAAAAAAD98/fPSB3IKv8f4_ynJypIWJUf-EBHAYGgXowCLcB/s1600/JESUS+O+CORDEIRO+DE+DEUS.jpg
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
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vivendo vegetalmente. Estando o homem no pecado ele não
poderia livrar-se do castigo por isso foi necessário a substituição.
1 O Homem Como Réu.
Quando Deus reuniu as partes Satanás, Adão, Eva, e a
Serpente foi determinado para cada um uma sentença Gn 3.11-
16. Para o homem Deus determinou o trabalho etc. Gn 3: 17-18.
Não precisava mais Deus falar que Adão estava morto pois já era
uma evidencia objetiva tinha pecado estava morto Gn 2. 17.
Preste atenção essa ordem foi dada antes da criação da mulher.
Provavelmente foi Adão quem contou para Eva.
É importante relembrar novamente as causas do pecado
pois sem este ponto de partida seria impossível compreender o
porquê da substituição. Com o pecado o homem estava
literalmente arrasado, é como o sub título “O Homem Como Réu”
no tribunal falam os advogados, os promotores, as testemunhas
o juiz, de uma só pessoa o réu, mesmo todos falando dele mesmo
assim ele continua calado.
2 O Deus da condenação.
Sendo Deus justo Is 45. 21. Deus determinou uma ordem
“Não comerás” se o homem comeu Deus sendo justo tinha que
julgar o erro do homem. Foi julgado considerado culpado veio a
punição (Rm 2. 6-8). Naquele momento o homem estava
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
56
prestando contas a Deus pelo seu erro (Tg 1. 15). O Senhor Deus
não poderia naquele momento tomar outra iniciativa (Is 59. 2).
Deus tomava uma posição de justiça, quem condena o
homem não é Deus mas os nossos pecados, pecado quer dizer
transgressão. A palavra de Deus está a disposição de todos para
examinar, obedecer, ter como regra de fé, mas a humanidade não
Deus ouvido, e tudo isso está diante de Deus, quando
comparecerem perante o Senhor será essa iniquidade quem vai
condenar o homem ímpio.
3 O Deus da Salvação.
Deus é justo e justificador, por causa disso Ele
providenciou a Salvação para o homem Gn 3. 15. Naquela época
seria impossível entender. Deus deu dois parâmetros para essa
palavra “feriras o calcanhar”: 1) coletivo a raça humana esmagaria
o Diabo. 2) No singular o nascimento de Jesus (1º Jo 3. 8). Deus
lançou o homem fora do Jardim Gn 3. 23. Mas a promessa de
restabelecer ao homem foi dado para Abraão (Gn 12. 1-2).
Deus é um ser inigualável, no mesmo momento que Ele
estava condenado, o próprio Deus arruma uma atenuante para o
homem sair da enrascada que ele havia entrado, isso chama-se
graça de Deus (Tt 2. 11). O apóstolo aos Romanos 5. 15 diz que
pelo pecado morreram muitos mas por Jesus a graça abundou.
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
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Movido pela perfeição do Seu santo amor, Deus enviou
Seu Filho Jesus para substitui-se por nós, pecadores. Jesus nos
leva agora a nos voltarmos aos acontecimentos realizados na
Cruz e para as consequências que ela alcançou em nosso favor.
O pecado colocou o homem num dilema horrível. Sendo
incapaz de viver uma vida perfeita, seu pecado o condena à
morte; contudo há uma solução para esta situação crítica: a
substituição vicária de Cristo em seu lugar, que satisfaz a
penalidade da lei mediante Sua morte, a qual cumpriu a existência
divina da retidão humana através da sua vida de obediência.
O resultado da substituição que Cristo, em obediência e
amor, realizou por nós, é o seguinte: Se um carregou a maldição
por todos, satisfazendo assim a justiça e a santidade de Deus,
então os outros foram libertos da maldição por meio d’Ele,
legalmente resgatados por meio do preciosos sangue de Cristo,
reconciliados através da morte do Filho de Deus.
Tão perfeito quanto foi a intervenção de Jesus em favor
dos homens, tão suficiente e completa, válida para todos os
tempos e para todos os homens foi também a expiação. No
Gólgota toda a dívida da humanidade foi paga, e a manhã do
primeiro dia da semana deu testemunho de que “o escrito de
dívida, que era contra nós” fora cancelado (Cl 2. 14; cf. Rm 4. 25).
O que Deus fez em Cristo por meio da cruz é salvar-nos,
revelar-se a si mesmo e vencer o mal. Quem recebeu a
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reconciliação por meio de Cristo tem a certeza que está
reconciliado e justificado através de seu sangue, não precisa
temer nenhum juízo condenatório (Rm 5. 5ss; 8. 1). “Quem os
condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem
ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por
nós” (Rm 8. 34).
4 A penalidade pela culpa do homem
“O homem não somente está excluído do céu devido ao
seu pecado, mas além disto, está sentenciado à morte”. (Ez 18.
4). Deus não pode mentir, Ele proferiu esta sentença, portanto,
terá que julgá-lo.
Deus sendo santo não poderia contemplar o pecado na
vida do homem. Mesmo o homem estando separado de Seu
Criador pelo pecado, Ele O amava e queria que todos os homens
tivessem uma oportunidade de salvação. Por isso Ele enviou Seu
Filho Unigênito, que morreria vicariamente no lugar da totalidade
dos homens, promovendo assim, a salvação para todos aqueles
que escolhessem aceitar pela fé esta obra redentora.
Na cruz do Calvário Jesus Cristo apagou os nossos
delitos e pagou nossa dívida. Nenhum favor da graça divina
poderia ter lugar até que a dívida de toda a transgressão do
pecado fosse paga totalmente.
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A Bíblia diz que: “Aquele que não conheceu pecado, ele o
fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de
Deus” (2ª Co 5. 21). Não quero dizer que Cristo tornou-se pecador,
mas, sim explicar que Ele tomou sobre si a plena responsabilidade
pelos nossos pecados.
5 A insuficiência do homem para salvar-se
A morte vicária de Cristo satisfez as exigências da lei
quanto a morte pelo pecado. Há porém, uma segunda exigência
que precisa ser cumprida para levar o homem ao céu. A
obediência perfeita a Santa Palavra de Deus (Rm 10. 5; Gl 3. 12).
Jesus pagou nossa dívida com Sua morte na cruz do
Gólgota, e com Sua morte Ele abriu o Caminho para o céu. Agora
todos são chamados para entrar por este caminho (Mt 11. 28).
Esse Caminho é Jesus: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida;
ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14. 6). Ele é o novo
Caminho: “Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo
véu, isto é, pela sua carne” (Hb 10. 20).
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IV REDENÇÃO
Redenção do verbo “Redimir” quer dizer “comprar de
volta”. Há três palavras gregas que são traduzidas por redenção.
A primeira é “agorazo”, que significa comprar no mercado de
escravo. Esta palavra é sempre usada para destacar o preço pago
pela nossa salvação (Ap 5. 9).
A segunda palavra “exagorazo”, é semelhante, mas,
acrescenta a ideia de retirar a pessoa do mercado de escravo
após a transação. Esta palavra é usada para destacar a libertação
do crentehttps://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref13
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Pe. Benedito Ferraro.
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