Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Edgard Teodoro de Moura Filho 
 
 
 
 
 
 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
 
 
Prof. Dr, Edgard Teodoro de Moura Filho 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Boa Vista 
2021 
 
 
 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
FACETEN 
1.ª Edição, 2021 
Autoria: Prof. Dr. Edgard Teodoro de Moura Filho 
Revisão: Prof. Dr. Edgard Teodoro de Moura Filho 
 
Faculdade de Ciências, Educação e Teologia do Norte do Brasil 
Av: Bandeirantes, 900, Pricumã 
69309-100 Boa Vista/RR 
Tel: (95) 3625-5477 
www.faceten.edu.br 
E-mail: isef.faceten@gmail.com 
 
©Todos os direitos reservados. 
É proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem 
autorização por escrito da Faceten 
FICHA CATALOGRÁFICA 
CIP-Brasil. Catalogação na fonte 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
Moura Filho, Edgard Teodoro de. 
 
Teologia Sistemática I - Boa Vista: Editora FACETEN, 2021, p. 88. 
 
 
 
 1. Teologia Sistemática 2. Ressureição 3. Redenção 4. Igreja Católica I. 
Titulo. II. Faculdade de Ciências, Educação e Teologia do Norte do 
Brasil. 
 
 
 
 
 
 
Bibliotecária Responsável 
Emilly Louhanny Silva Ferreira CRB 1144 
CDD-230 
 
 
http://www.faceten.edu.br/
mailto:isef.faceten@gmail.com
 
 
SUMÁRIO 
 
APRESENTAÇÃO ................................................ 7 
VIDA PASTORAL ................................................. 8 
1 A DIMENSÃO POLÍTICA, A PRÁTICA HISTÓRICA DE 
JESUS ...................................... 15 
1.1 O ANÚNCIO DO REINO .................................. 16 
1.2 O REINO E A VIDA DOS POBRES EXCLUÍDOS 
..................................................................................17 
2 QUEM MATA JESUS .......................................... 19 
3 POR QUE JESUS MORRE .............................. 23 
3.1 A MORTE DE JESUS VISTA COMO MORTE DO 
PROFETA ..................................................... 24 
3.2 A MORTE DE JESUS COMO MORTE DO MESSIAS 
CRUCIFICADO................................... 24 
3.3 A MORTE DE JESUS COMO EXPIAÇÃO E 
SACRIFÍCIO ........................................................ 25 
3.4 A MORTE DE JESUS COMO ATO DE 
SOLIDARIEDADE ............................................... 26 
4 A DESVINCULAÇÃO DA MORTE DE JESUS DO SEU 
CONTEXTO HISTÓRICO ..................... 27 
NOVO TESTAMENTO ......................................... 33 
6 CONCÍLIOS ECUMÊNICOS ............................ 43 
6.1 CONCÍLIOS PRÉ-NICENOS I CONCÍLIO DE NICEIA 
I................................................................ 46 
6.2 II CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA I, DA IGREJA 
CATÓLICA ............................................. 47 
6.3 III PRIMEIRO CONCÍLIO DE ÉFESO, DAS 
DENOMINAÇÕES PROTESTANTES ................. 48 
6.4 IV CONCÍLIO CALCEDÔNIA, DAS IGREJAS 
ORTODOXAS ORIENTAIS E DA IGREJA ASSÍRIA DO 
ORIENTE ...................................................... 48 
 
 
6.5 V CONCÍLIO CONSTANTINOPLA II, DA IGREJA 
ORTODOXA .......................................... 49 
6.6 VI CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA III ..... 49 
6.7 VII CONCÍLIO DE NICEIA II .......................... 49 
7 SOTERIOLOGIA .............................................. 50 
8 A PROVIDÊNCIA SALVADORA ...................... 58 
9 OS ASPECTOS DA PROVISAO DE CRISTO QUANTO 
A SALVAÇÃO ..................................... 62 
10 O QUE É JUSTIFICAÇÃO ............................101 
11 SANTIFICAÇÃO .......................................... 103 
12 GLORIFICAÇÃO .......................................... 107 
CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................. 109 
REFERÊNCIAS ..................................................110 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Paulo acrescenta: 
 
“Assim também a ressurreição dentre os 
mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; 
ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em 
ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se 
em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-
se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. 
Se há corpo natural, há também corpo 
espiritual.” 
 
(1 Coríntios 15:42-44) 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_de_Tarso
https://pt.wikisource.org/wiki/Tradu%C3%A7%C3%A3o_Brasileira_da_B%C3%ADblia/1_Cor%C3%ADntios/XV#15:42-44
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
7 
 
APRESENTAÇÃO 
 A Ressurreição de Jesus Cristo é a fé cristã de 
que Jesus retornou à vida no domingo seguinte à sexta-feira em 
que ele foi crucificado. É uma doutrina central da fé e da teologia 
cristã e parte do Credo Niceno: "Ressuscitou dos mortos ao 
terceiro dia, conforme as 
Escrituras". 
Os saduceus, que 
reconheceram apenas 
a Torá (cinco primeiros livros do Antigo Testamento), como 
autoridade, não acreditaram em vida após a morte ou em 
ressurreição. Porque ouviram dizer que ele ensinou a ressurreição 
dos mortos. 
Em sua resposta a eles, Jesus disse em Mateus 22:31-
32: 
"Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que 
Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de 
Isaac e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus de mortos, mas 
dos vivos”. 
A implicação na passagem parece ser a de 
que Abraão, Isaque e Jacó estão vivos, embora não mais em 
seus corpos físicos. 
Prof. Dr. Edgard Teodoro de Moura Filho 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Saduceus
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tor%C3%A1
https://pt.wikisource.org/wiki/Tradu%C3%A7%C3%A3o_Brasileira_da_B%C3%ADblia/Mateus/XXII#22:31-32
https://pt.wikisource.org/wiki/Tradu%C3%A7%C3%A3o_Brasileira_da_B%C3%ADblia/Mateus/XXII#22:31-32
https://pt.wikipedia.org/wiki/Abra%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Isaque
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jac%C3%B3
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
8 
 
VIDA PASTORAL 
 
Pe. Benedito Ferraro: “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi 
crucificado, morto e sepultado […]. 
 
Nas formas bem antigas do Símbolo Apostólico, encontra-
se a inclusão da morte de Cristo na História. No Símbolo 
Apostólico se professa: “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi 
crucificado, morto e sepultado”. Também o Credo Niceno-
constantinopolitano (profissão de fé adotada do 1º Concílio 
Ecumênico na cidade de Niceia da Bitínia, atual Iznic, Turquia em 
325) o afirma: “Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; 
padeceu e foi sepultado”. Padecer significa: “Ser afligido, 
atormentado, martirizado por, sofrer, suportar, aguentar, sofrer 
dores físicas”. 
É imprescindível notar-se que essa evocação do Credo 
de fé mostra que a morte de Cristo na cruz é histórica, resultado 
de processos históricos e, portanto, o fato melhor atestado de todo 
o Novo Testamento. Mesmo ciente que os escritos evangélicos 
são produtos das comunidades para tornar a lançar o Kerygma 
(palavra usada no Novo Testamento, significando anúncio 
mensagem, pregação ou proclamação), a morte de Cristo é 
mostrada com fundamento em uma acusação política (cf. At 
10,34-43; Jo 19,12-16; Lc 23,2-5; Mt 26,63), fruto de tensões 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
9 
 
econômicas, políticas, religiosas e sociais, (cf. Mc 2,1-36; 7,1-23; 
11,1-12,44). 
Mais adiante do testemunho canônico, a morte de Jesus 
na cruz é comprovada em diversos escritos apócrifos 
(Pseudocanônicos, escritos sem inspiração divina). Também 
diversos historiadores extra bíblicos, como Flávio Josefo, Plínio, 
Suetônio, Tácito, o Moço, testemunham o fato. Serão evocados 
dois textos significativos para reflexão: 1) De Flávio 
Josefo: “Quando Pilatos, ao saber que ele havia sido acusado 
pelos homens mais influentes, condenou-o à crucificação, 
aqueles que em primeiro lugar o amavam, não desistiram de sua 
Nas formas bem antigas do Símbolo Apostólico, encontra-
se a inclusão da morte de Cristo na História. No Símbolo 
Apostólico se professa: “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi 
crucificado, morto e sepultado”. Também o Credo Niceno-
constantinopolitano (profissão de fé adotada do 1º Concílio 
Ecumênico na cidade de Niceia da Bitínia, atual Iznic, Turquia em 
325) o afirma: “Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;das reivindicações jurídicas que a lei tem contra ele (Gl 
3. 13; 4. 5). 
A terceira palavra é “lutroo”, que significa comprar o 
escravo e dar-lhe plena liberdade. Esta palavra é usada para 
descrever a redenção como a liberdade da escravidão ao pecado 
(1ª Pe 1.18; Tt 2. 14). Entretanto, criado com tanto carinho, o 
homem continuou sendo alvo do amor divino. Condenado à morte 
https://4.bp.blogspot.com/-eH4-ZHAzOF4/WEL_tCeowWI/AAAAAAAAD-A/XyXLoX1BMLMbzVV0vo_QbgALQdOI-oQ0wCLcB/s1600/JESUS+CRISTO.jpg
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
61 
 
e ao inferno, o homem não possuía meios de salvar-se, embora 
Deus quisesse a sua salvação (Rm 6. 23; Sl 49. 7,8). Assim Jesus 
veio ao mundo enviado pelo Pai a fim de ser o nosso Redentor 
(Lc 19.10; Mc 10.45). 
Ao desobedecer a Deus, o homem entrou num processo 
de flagelação e debilidade. Por sua própria força era impossível 
erguer a cabeça e recuperar-se. Humanamente não havia 
alternativa: o homem está debaixo da maldição do pecado (Gl 3. 
10-13; Rm 7. 10). O homem escravizou-se ao pecado (Is 52. 3; 
Rm 6. 20; 7. 14-15). Algo teria de vir da parte de quem retém todo 
o poder. O Deus misericordioso. 
Toda a humanidade se encontra “vendida à escravidão do 
pecado” (Rm 7.14), e precisa de um redentor que possa resgatá-
la. O preço elevado de tal redenção é a morte. Foi por isso que 
para nos resgatar, Jesus morreu em nosso lugar. A quem é devido 
o preço da redenção? Evidentemente não é Satanás. 
Ele simplesmente escraviza aqueles que escolhem uma 
vida de pecado. O preço do resgate é devido à santidade de Deus; 
e foi Deus, não Satanás quem aceitou o “pagamento” mediante o 
vicário sacrifício de Cristo. O resultado disso a derrota eterna de 
Satanás. 
A redenção significa um grande negócio efetuado pelo 
Filho de Deus. Significa que temos sido transferidos de 
propriedade. Antes pertencíamos ao pecado e a Satanás, agora 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
62 
 
pertencemos a Deus. O preço pago foi o sangue do Cordeiro de 
Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1. 29). 
Entregando-se à crucificação (Jo 10. 17,18), Jesus 
submeteu-se a maldição da cruz (Gl 3. 13), sofreu o vexame (Hb 
12. 2) e as dores que o pecador merece (Is 53. 4) suportando a 
separação do Pai (Mt 27. 46) que deveríamos curtir eternamente. 
Assim, o Senhor Jesus tomou o nosso lugar, sendo 
castigado em substituição a nós, pagando, desta forma, o nosso 
resgate, redimindo-nos da culpa e da condenação (1ªPe 2. 22-
24). 
Jesus se declarou Redentor da humanidade quando disse 
que Sua missão era a de “[...] dar a Sua vida em resgate por 
muitos” (Mt 20. 28). Fomos comprados com Seu sangue: 
“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão 
dos pecados, segundo as riquezas de sua graça” (Ef 1. 7). Pelo 
precioso sangue de Jesus somos resgatados, tirados duma 
condenação, livres para uma vida abundante e cheia de benção. 
Na carta do apóstolo Pedro ele fala do preço da nossa 
redenção. “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, 
como prata ou ouro, que fostes resgatados [...] mas pelo precioso 
sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue 
de Cristo” (1ª Pe 1. 18-19). Só um ser imaculado (sem mancha) 
poderia redimir (resgatar) outro indivíduo pecador. Por morrer a 
mais desprezível morte segundo a lei judaica (Dt 21. 22-
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
63 
 
23), morte de cruz. Cristo pode redimir todo o ser humano, até o 
mais pecaminoso que vier a crer n’Ele. 
A redenção sempre envolve a libertação de algum tipo de 
escravidão. A primeira escravidão que subjuga o homem 
pecaminoso é a escravidão do poder da culpa. O cristão deve 
regozijar-se no fato de que Deus não somente livrou-o da 
penalidade do seu crime, mas também pagou o preço da sua 
penalidade. Visto que foi pago preço dos seus pecados, o crente 
não precisa sentir culpado, nem condenar-se. 
Eterna redenção pelo sangue: “Não por meio de sangue 
de bodes e de bezerros, mas, pelo seu próprio sangue, entrou no 
Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna 
redenção. Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza 
de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam, 
quanto à purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo, 
que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a 
Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para 
servirmos ao Deus vivo” (Hb 9.12-14). 
Isto é semelhante ao propósito da substituição e da 
reconciliação. Cada aspecto, no entanto, dá uma perspectiva 
diferente da morte de Cristo. A substituição vê o sacrifício do ponto 
de vista da lei, a reconciliação o vê do ponto de vista de Deus, e 
a redenção vê a cruz do ponto de vista do homem que agora está 
livre da lei e da culpa pessoal (Gl 3. 13). 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
64 
 
Sem o poder redentor da morte de Cristo não haveria 
esperança alguma para a humanidade; estaríamos totalmente 
escravizados pelo poder das trevas. Porém, mediante a provisão 
de Cristo, todo o homem pode ser libertado do poder das trevas. 
“Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o 
reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão 
dos pecados” (Cl 1. 13-14). 
Em Cristo já não estamos escravizados ao poder de 
Satanás. Este fato, porém não anula a necessidade de constante 
cautela e perseverança para resistir aos ataques do maligno. A 
melhor defesa contra Satanás é o uso constante das armaduras 
espirituais descrita em Efésios 6. 11-17. 
A redenção operada por Cristo não somente nos redime 
da culpa do pecado, como também do poder do pecado. 
“O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de 
toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo 
exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tt 2: 14). 
A morte de Cristo dotou o homem do poder de servir a 
Deus fielmente. É possível haver crentes fracos, mas é impossível 
haver crentes sem poder quando se habilitam a usar o poder do 
céu que está a sua disposição na luta contra o pecado. 
A redenção se completará quando, na volta do Senhor, os 
que estiverem vivos forem transformados, e os mortos em Cristo 
ressuscitarem (1ª Co 15; 1ª Ts 4. 13-18). 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
65 
 
V EXPIAÇÃO 
 
A palavra “expiação” vem do termo hebraico cofer. Trata-
se de um substantivo do verbo caufar, cobrir. O cofer ou a 
cobertura era o nome da tampa ou cobertura da arca da aliança e 
constituía o que era chamado propiciatório. A palavra grega 
traduzida por expiação é katallage. Isso significa reconciliação 
com o favor ou, mais estritamente, os meios ou condições para 
que haja reconciliação com o favor; de katallasso, “mudar ou 
trocar”. O significado estrito do termo é substituição. Um exame 
dessas palavras originais, no contexto em que se apresentam, 
mostrará que a expiação é a substituição governamental da 
punição dos pecadores pelos sofrimentos de Cristo. São os 
sofrimentos de Cristo cobrindo os pecados dos homens. 
https://1.bp.blogspot.com/-FpSe4jg0Iaw/WEMA1wcQ83I/AAAAAAAAD-M/KSWSYiCeCc4EwOar-JGMvBaVGY9HBRe9gCLcB/s1600/JESUS+27.jpg
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
66 
 
A palavra é empregada 77 vezes no Antigo Testamento, 
sendo usada pela primeira vez em Êxodo 29. 33 por Moisés. A 
palavra propiciação é o sinônimo de expiação que no hebraico 
tem o mesmo significado. Expiação implica cobrir as culpas, 
mediante um sacrifício exigido, cobrir, purificar, fazer expiação, 
fazer reconciliação. No verbo (Piel) encobrir, pacificar, propiciar, 
expiar pelo pecado e por pessoas através de ritos legais. 
No Novo Testamento a palavra expiação do grego 
“hilasterion”, embora tenha o mesmo significado com o sacrifício 
do Antigo Testamento, porém no N.T., trata-se do sacrifício vicário 
de Cristo em expiação pelos nossos pecados. 
“Hilasterion” é aquilo que se relaciona com uma 
conciliação ou expiação, obter aplacamento ou poder expiador, 
expiatório; forma de conciliação ou expiação, propiciação,aspergida com o sangue da vítima expiatória no dia anual de 
expiação (este rito significava que a vida do povo, a perda 
merecida devido à seus pecados, era oferecida a Deus através do 
sangue da vítima (sangue simbolizava vida), e que Deus por esta 
cerimônia estava apaziguado e os pecados do povo expiados; um 
sacrifício expiatório; uma vítima expiatória. Portanto o escritor aos 
Hebreus explica dizendo que: “Quase todas as coisas, segundo a 
lei, se purificaram com sangue; e sem derramamento de sangue 
não há remissão” (Hebreus 9.22). 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
67 
 
No Antigo Testamento tudo era incompleto, devendo, por 
isso, ser repetido os sacrifícios de novo (Hb 9.25). O que Cristo 
fez, no entanto, vale de uma vez por todas. Na expiação por ele 
realizada nada há de defeituosos, nada de incompleto; não resta 
nenhuma lacuna a ser preenchida por nós, nenhum resto de 
pecado a expiar. Pelo contrário, pela morte de Cristo não só é 
anulada a morte como consequência da queda, como também se 
manifesta ainda da parte de Cristo uma grande sombra de vida 
(cf. As três vezes repetido “muito mais” no trecho de Rm 5. 15-21, 
onde Paulo compara a significância de Cristo à de Adão). 
 
VI Propiciação 
 
 
Era um ato presente na política internacional no Oriente 
antigo, quando um rei de alguma nação, para se manter seguro, 
enviava presente a outro rei, de uma nação mais forte. Era um 
gesto destinado a cultivar boas relações. 
https://4.bp.blogspot.com/-IUCRhfDvvv8/WEMFqZiQDyI/AAAAAAAAD-s/cwN8bBm9L3UVF5J_ILe7XCENmuAQBl_7gCLcB/s1600/JESUS+NOS+LIBERTOU.jpg
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
68 
 
O verbo hebraico que traz a ideia de propiciação é kipper, 
com a ideia de fazer amizade, de juntar partes opostas e até 
mesmo em conflito. No Novo Testamento, a ideia mais próxima é 
“reconciliação”. A ideia do Novo Testamento se entende bem em 
2ª Coríntios 5. 21. O sentido do texto é que Deus ofereceu Cristo 
como presente ao mundo para fazer as pazes com o mundo. É 
um conceito que nos parece estranho, mas mostra que, no Novo 
Testamento, Deus toma a iniciativa, em Jesus, de propor as pazes 
ao homem. 
Propiciação é alguma coisa que leva alguém a perdoar 
uma ofensa recebida, ou a proceder misericordiosamente para 
com o ofensor. Duas vezes é Jesus chamado por João (1ª Jo 2. 2 
e 4. 10) “a propiciação pelos nossos pecados’, e Paulo fala da 
‘redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, [...] como 
propiciação”. 
Propiciar é aquele que oferece sacrifício em nosso favor. 
Cristo foi dado pelo Pai como propiciação pelos pecados daqueles 
que tivessem fé no seu sangue derramado. “Sendo justificados 
gratuitamente, por sua graça, mediante redenção que há em 
Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como 
propiciação, mediante a fé, manifestar a sua justiça, por ter Deus, 
na sua tolerância, deixando impune os pecados anteriormente 
cometidos, tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
69 
 
presente, para Ele mesmo ser justo e o justificador daquele que 
tem fé em Jesus” (Rm 3. 24-26). 
“Propiciar” alguém significa apaziguar ou pacificar a sua 
ira. Devemos realmente crer que Jesus, mediante Sua morte, 
propiciou a ira do Pai, induzindo-o a abrir mão dela, e olhar para 
nós com favor em vez ira. 
Já o profeta Isaías vaticina que toda a iniquidade cairia 
sobre Jesus; “...mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de 
nós todos. Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a sua 
boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha 
muda perante seus tosquiadores, Ele não abriu a sua boca” 
(Isaías 53. 6). E no vv. 10 deste mesmo capítulo o Senhor diz: 
“Quando der Ele a Sua alma como oferta pelo pecado”. Portanto, 
o percussor João Batista O chama: “Cordeiro de Deus que tira o 
pecado do mundo” (Jo 1 29). 
Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por 
nós, para que n’Ele fôssemos feitos justiça de Deus” (2ª Co 5. 21). 
Isto nos diz que Cristo, o perfeito Filho de Deus, que nunca 
cometeu pecado, de acordo com a vontade do Pai, tomou sobre 
si toda a nossa culpa para que nós pudéssemos receber por 
intermédio d’Ele a justiça de Deus, como se essa fosse a nossa 
própria justiça. Este ato de reconciliação agradou em tudo o Pai. 
Cristo tornou-se sacrifício numa só pessoa. Ele se deu a 
si próprio como sacrifício, em plena obediência à vontade do Pai 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
70 
 
(Hb 7. 27; 9. 28; 10. 7), e isso não ao pelo fato de toda sua vida 
ter sido um sacrifício de amor pelos homens (Mt 8. 17; 17. 17; 20. 
28). Na verdade Jesus veio e viveu para morrer por ele. 
Desde seu aparecimento em público, encontramos em 
Jesus não somente uma clara consciência da necessidade de seu 
sofrimento e morte, mas, também um claro testemunho do valor 
salvício de sua futura morte (Jo 3. 14; 6. 51; 10. 12, 17; Mt 16. 21; 
17. 12; 20. 18, 28; Lc 24. 46). 
Sua morte não foi casualidade, triste destino, morte de 
mártir, mas sim, morte expiatória. Mártires podem morrer em 
alegre fé, Cristo morreu sob severas tentações e sofrimentos 
íntimos (Lc 22. 44; Mt 27. 46). Deus teve que levar a sério a 
condenação do pecado e Jesus levou a sério a obediência. Deus 
teve que suportar o pecado dos homens por milhares de anos, 
agora o tempo havia se cumprido, o Mediador aparecera, e o 
ajuste de contas com o pecado da humanidade deveria, 
finalmente acontecer, na própria pessoa desse mediador. 
Esse era o santo plano do Pai, e essa era a livre e 
espontânea vontade do Filho. Ao identificar-se, em obediência e 
amor, com a humanidade culpada, Jesus se transformou, ao 
mesmo tempo, em objeto tanto do agrado quanto do castigo de 
Deus. Objeto do agrado divino devido à sua obediência, pois “[...] 
se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus 
em aroma suave” (Ef 5. 2). Objeto do castigo divino devido ao seu 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
71 
 
papel como substituto da humanidade; pois, o juízo caía agora, 
não sobre os milhões de pecadores, mas sobre aquele que se 
colocava no lugar deles. 
Jesus como nossa “propiciação” significa que Ele tomou 
sobre si o castigo dos nossos pecados e satisfez o justo juízo de 
Deus contra o pecado. O perdão agora é oferecido a todos, no 
mundo inteiro, e é recebido pelos que voem a Cristo, com 
arrependimento e fé (4. 9, 14; Jo 1. 29; 3. 16; 5. 24). 
 
 
 
 
 
 
VII. RECONCILIAÇÃO 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
72 
 
 
Reconciliação do latim reconciliatio, significa reatamento 
de relações entre partes litigantes. O Senhor Jesus com a sua 
morte vicária, reconciliou-nos com Deus de maneira definitiva, 
clara e eficiente: “E reconciliasse ambos em um só corpo com 
Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade” (Ef 
2. 16). “E que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por 
meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer 
sobre a terra, quer nos céus” (Cl 1. 20). 
No grego “reconciliasse” do verbo aoristo apokatallasso, 
tem o significado de: reconciliar completamente, reconciliar outra 
vez, trazer de volta um estado de harmonia anterior. 
Reconciliação no gr. “hilascomai” significa propiciação. 
Esta Palavra significa: reconciliar, aplacar, meios de tranquilizar 
propiciar, conciliação. 
https://2.bp.blogspot.com/-iy0DC_S4SNs/WEMCHsfyluI/AAAAAAAAD-U/I68mRXhBn5YJIXK0vMhfGnCnZvDD4shUgCLcB/s1600/JESUS+NOSSA+RECONCILIA%C3%87%C3%83O.jpg
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
73 
 
Tetelestai é uma exclamação de que a obra de 
reconciliação entre Deus e o homem estava completa. Cristo tinha 
realizado a provisão da salvação, e assim destruiria para sempre 
a separação entre Deus e o homem (Is 59. 2). 
A reconciliação fala da comunhão restaurada com Deus, 
para o pecador que d’Ele se aproxima através do sacrifício 
reconciliador de Seu Filho. Isto também não significa que todos 
os homens estejam bem com Deus. Este processo de 
reconciliação nãodepende exclusivamente da obra do Mediador, 
mas depende da disposição da parte alienada de se reconciliar 
com o outro. Portanto depende do homem aceitar e crer no 
sacrifício de Jesus. 
“Tudo provém de Deus que nos reconciliou consigo 
mesmo por meio de Cristo, e nos deu o ministério da 
reconciliação, a saber, que Deus estava com Cristo, reconciliando 
consigo o mundo, não imputando aos homens as suas 
transgressões, e nos confiou a palavra de reconciliação. De sorte 
que somos embaixadores de Cristo, como se Deus exportasse por 
nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que nos 
reconcilieis com Deus” (2ª Co 5. 18-21). 
Cristo não constrangeu o Pai a nos amar mais: pelo 
contrário, Ele promoveu o meio pelo qual o obstáculo entre Deus 
e o homem (o pecado), fosse removido. Pelo pecado o homem 
estava desligado do Seu Criador, mas, Cristo veio com este 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
74 
 
objetivo de reconciliar, ou seja, harmonizar as relações 
interrompidas entre duas pessoas, promovendo o mútuo 
entendimento e restaurando a comunicação entre ambos. Na cruz 
do Calvário Jesus reconciliou o homem com Deus, restabeleceu 
a amizade que outrora fora perdida; é por isso que em João 15. 
15, Jesus nos chama de amigos. Jesus veio reconciliar com Deus 
não os justos, porém, os pecadores e necessitados. 
 “Mas Deus prova o Seu próprio amor para conosco, pelo 
fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. 
Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue, 
seremos por Ele salvos da ira. Porque se nós, quando inimigos, 
fomos reconciliados com Deus mediante a morte do Seu Filho, 
muito mais, estando já reconciliados seremos salvos pela Sua 
vida; e não isto apenas, mas, também nos gloriamos em Deus por 
nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem acabamos 
agora de receber a reconciliação!” (Rm 5. 8-11). 
Antes de aceitarmos a Cristo como nosso Redentor, 
éramos chamados inimigos de Deus, mas, ao aceitamos a Cristo 
como nosso Salvador somos reconciliados o Pai celeste, e 
tornamos filhos de Deus por adoção, (cf. Jo 1.12). 
A expiação através da morte de Cristo e a reconciliação 
como seu fruto e consequência, são colocados de forma especial 
clara nas passagens de Hebreus 9. 11ss e 13. 11ss, através da 
comparação com o sacrifício pelo pecado no grande dia da 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
75 
 
expiação (Lv 16). “A partir das prefigurações que encontramos na 
lei, podemos conhecer da melhor maneira o poder e a eficácia da 
morte de Cristo” (Calvino). 
 
VIII PURIFICAÇÃO 
 
A palavra purificação no grego é katharizo, e significa: 
tornar limpo, remover pela limpeza, limpar, livrar da contaminação 
do pecado e das culpas, num sentido moral, consagrar pela 
limpeza ou purificação. 
“Mas se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos 
comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus purifica de 
todo o pecado” (1ª Jo 1. 7). 
O pecado é uma transgressão ao nosso Deus, que torna 
impura a nossa alma ao praticá-lo. O único meio de purificação é 
o sangue de Jesus mediante nossa confissão de fé. O sangue de 
https://1.bp.blogspot.com/-3vSKG3OSrYc/WEMDFyGCnSI/AAAAAAAAD-g/xWJsx7gHQ2IcwT5Hhg5ZJGFkvJYdw4yFgCLcB/s1600/JESUS+NOSSA+PURIFICA%C3%87%C3%83O.jpg
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
76 
 
Jesus vertido na Cruz, purifica a nossa alma manchada pelo 
pecado. Por isso João diz: “E da parte de Jesus Cristo, a Fiel 
Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da 
terra. Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos 
nossos pecados” (Ap 1. 5). 
O homem ao pecar ficou contaminado pelo pecado. O 
único meio de purificação exigido pelo Pai, seria o sangue de Seu 
Filho Jesus derramado na cruz em favor da humanidade. Este 
sangue precioso purifica e liberta o homem da culpa do pecado. 
Assim o homem que aceita esta oferta expiatória é declarado 
limpo perante Deus. 
 
 
 
10 O QUE É JUSTIFICAÇÃO 
Pr. Elias Ribas 
Colocando de forma bem simples, justificar define 
declarar justo; fazer alguém justo diante de Deus. Justificação é 
quando Deus declara justo todo aquele que recebe a Cristo, com 
fundamento na justiça de Cristo e paga às contas daqueles que O 
recebem. 
A passagem principal que descreve justificação em 
relação aos crentes é Romanos 3: 21-26: "Mas agora, sem lei, se 
manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
77 
 
profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus, para todos {e 
sobre todos} os que crêem; porque não há distinção, pois todos 
pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados 
gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em 
Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como 
propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter 
Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados 
anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua 
justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o 
justificador daquele que tem fé em Jesus." 
Somos justificados no momento de nossa salvação. 
Nossa justiça vem de colocarmos nossa fé no trabalho 
completo de Jesus Cristo. Seu sacrifício cobre o nosso pecado, 
permitindo com que Deus nos veja como perfeitos e sem qualquer 
mancha, como crentes estamos em Cristo, Deus vê a justiça de 
Cristo quando Ele olha para nós. Não se deve esquecer que este 
fato alcança as exigências de Deus para perfeição; portanto, Ele 
nos declara justos, Ele nos justifica. Rm 5: 18-19 resume esse 
conceito muito bem: "Pois assim como, por uma só ofensa, veio o 
juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, 
por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para 
a justificação que dá vida”. Porque, como, pela desobediência de 
um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por 
meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos." Por que 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
78 
 
esse pronunciamento de justiça é tão importante? "Justificados, 
pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso 
Senhor Jesus Cristo" (Romanos 5: 1). 
Devido ao fato de justificação que crentes podem ter a 
garantia de salvação. É o fato de justificação que deixa Deus 
começar o processo de santificação, o processo pelo qual Deus 
torna realidade em nossas vidas a posição que já ocupamos em 
Cristo. 
 
11 SANTIFICAÇÃO 
A santificação é um processo que começa quando alguém 
aceita Jesus como salvador e só será completado na 
ressurreição. Santificação é o processo de purificação do pecado. 
Quando alguém aceita Jesus como salvador, fica 
santificado - purificado das consequências do pecado. Todo o 
crente é santo. Na caminhada com Jesus, a pessoa passa por 
santificação, aprende a rejeitar o pecado e a sujeitar as diferentes 
áreas de sua vida a Deus, escolhendo fazer o que é certo. Na 
ressurreição, cada pessoa será completamente liberta da 
influência do pecado, sendo completamente santificada. 
Na Bíblia santificação também pode significar pôr de lado, 
separar para Deus. Isso pode acontecer com objetos, comida e 
até dias da semana. 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
79 
 
Versículos de Santificação na Bíblia 
Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Jo 17: 
17. 
Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao 
mundo. Em favor deles eu me santifico, para que também eles 
sejam santificados pela verdade. João 17: 18-19. 
Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, 
foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus 
Cristo e no Espírito de nosso Deus. 1 Co 6. 11. 
Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do 
mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. 
Ef 1:4. 
Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem 
santos; sem santidade ninguém verá o Senhor. Hb 12: 14. 
Obedeçam aos meus decretos e pratiquem-nos. Eu sou o 
Senhor que os santifica. Lv 20: 8. 
Como filhos obedientes, não se deixem amoldarhttps://www.google.com.br/search?q=livro+hist%C3%B3ria+dos+21+conc%C3%ADlios+da+igreja+pdf&sxsrf=ALeKk010lCnKw3P-aoGgcm6rPxOXc2qi4g%3A1619826646979&ei=1peMYICSO6_T1sQPleCiiA8&oq=o+estudo+dos+grandes+conc%C3%ADlios+crist%C3%A3os+e+os+desdobramentos+principais+da+reflex%C3%A3o+cristol%C3%B3gica+sistem%C3%A1tica&gs_lcp=Cgdnd3Mtd2l6EAwyAggAOgcIABBHELADUABYAGDs6A9oAHADeACAAfQEiAH0BJIBAzUtMZgBAaoBB2d3cy13aXrIAQjAAQE&sclient=gws-wiz&ved=0ahUKEwiA1Y-_lKfwAhWvqZUCHRWwCPEQ4dUDCA4
https://www.google.com.br/search?q=livro+hist%C3%B3ria+dos+21+conc%C3%ADlios+da+igreja+pdf&sxsrf=ALeKk010lCnKw3P-aoGgcm6rPxOXc2qi4g%3A1619826646979&ei=1peMYICSO6_T1sQPleCiiA8&oq=o+estudo+dos+grandes+conc%C3%ADlios+crist%C3%A3os+e+os+desdobramentos+principais+da+reflex%C3%A3o+cristol%C3%B3gica+sistem%C3%A1tica&gs_lcp=Cgdnd3Mtd2l6EAwyAggAOgcIABBHELADUABYAGDs6A9oAHADeACAAfQEiAH0BJIBAzUtMZgBAaoBB2d3cy13aXrIAQjAAQE&sclient=gws-wiz&ved=0ahUKEwiA1Y-_lKfwAhWvqZUCHRWwCPEQ4dUDCA4
https://www.google.com.br/search?q=livro+hist%C3%B3ria+dos+21+conc%C3%ADlios+da+igreja+pdf&sxsrf=ALeKk010lCnKw3P-aoGgcm6rPxOXc2qi4g%3A1619826646979&ei=1peMYICSO6_T1sQPleCiiA8&oq=o+estudo+dos+grandes+conc%C3%ADlios+crist%C3%A3os+e+os+desdobramentos+principais+da+reflex%C3%A3o+cristol%C3%B3gica+sistem%C3%A1tica&gs_lcp=Cgdnd3Mtd2l6EAwyAggAOgcIABBHELADUABYAGDs6A9oAHADeACAAfQEiAH0BJIBAzUtMZgBAaoBB2d3cy13aXrIAQjAAQE&sclient=gws-wiz&ved=0ahUKEwiA1Y-_lKfwAhWvqZUCHRWwCPEQ4dUDCA4
https://www.google.com.br/search?q=livro+hist%C3%B3ria+dos+21+conc%C3%ADlios+da+igreja+pdf&sxsrf=ALeKk010lCnKw3P-aoGgcm6rPxOXc2qi4g%3A1619826646979&ei=1peMYICSO6_T1sQPleCiiA8&oq=o+estudo+dos+grandes+conc%C3%ADlios+crist%C3%A3os+e+os+desdobramentos+principais+da+reflex%C3%A3o+cristol%C3%B3gica+sistem%C3%A1tica&gs_lcp=Cgdnd3Mtd2l6EAwyAggAOgcIABBHELADUABYAGDs6A9oAHADeACAAfQEiAH0BJIBAzUtMZgBAaoBB2d3cy13aXrIAQjAAQE&sclient=gws-wiz&ved=0ahUKEwiA1Y-_lKfwAhWvqZUCHRWwCPEQ4dUDCA4
https://www.google.com.br/search?q=livro+hist%C3%B3ria+dos+21+conc%C3%ADlios+da+igreja+pdf&sxsrf=ALeKk010lCnKw3P-aoGgcm6rPxOXc2qi4g%3A1619826646979&ei=1peMYICSO6_T1sQPleCiiA8&oq=o+estudo+dos+grandes+conc%C3%ADlios+crist%C3%A3os+e+os+desdobramentos+principais+da+reflex%C3%A3o+cristol%C3%B3gica+sistem%C3%A1tica&gs_lcp=Cgdnd3Mtd2l6EAwyAggAOgcIABBHELADUABYAGDs6A9oAHADeACAAfQEiAH0BJIBAzUtMZgBAaoBB2d3cy13aXrIAQjAAQE&sclient=gws-wiz&ved=0ahUKEwiA1Y-_lKfwAhWvqZUCHRWwCPEQ4dUDCA4
https://www.google.com.br/search?q=livro+hist%C3%B3ria+dos+21+conc%C3%ADlios+da+igreja+pdf&sxsrf=ALeKk010lCnKw3P-aoGgcm6rPxOXc2qi4g%3A1619826646979&ei=1peMYICSO6_T1sQPleCiiA8&oq=o+estudo+dos+grandes+conc%C3%ADlios+crist%C3%A3os+e+os+desdobramentos+principais+da+reflex%C3%A3o+cristol%C3%B3gica+sistem%C3%A1tica&gs_lcp=Cgdnd3Mtd2l6EAwyAggAOgcIABBHELADUABYAGDs6A9oAHADeACAAfQEiAH0BJIBAzUtMZgBAaoBB2d3cy13aXrIAQjAAQE&sclient=gws-wiz&ved=0ahUKEwiA1Y-_lKfwAhWvqZUCHRWwCPEQ4dUDCA4
https://www.google.com.br/search?q=livro+hist%C3%B3ria+dos+21+conc%C3%ADlios+da+igreja+pdf&sxsrf=ALeKk010lCnKw3P-aoGgcm6rPxOXc2qi4g%3A1619826646979&ei=1peMYICSO6_T1sQPleCiiA8&oq=o+estudo+dos+grandes+conc%C3%ADlios+crist%C3%A3os+e+os+desdobramentos+principais+da+reflex%C3%A3o+cristol%C3%B3gica+sistem%C3%A1tica&gs_lcp=Cgdnd3Mtd2l6EAwyAggAOgcIABBHELADUABYAGDs6A9oAHADeACAAfQEiAH0BJIBAzUtMZgBAaoBB2d3cy13aXrIAQjAAQE&sclient=gws-wiz&ved=0ahUKEwiA1Y-_lKfwAhWvqZUCHRWwCPEQ4dUDCA4
https://www.google.com.br/search?q=livro+hist%C3%B3ria+dos+21+conc%C3%ADlios+da+igreja+pdf&sxsrf=ALeKk010lCnKw3P-aoGgcm6rPxOXc2qi4g%3A1619826646979&ei=1peMYICSO6_T1sQPleCiiA8&oq=o+estudo+dos+grandes+conc%C3%ADlios+crist%C3%A3os+e+os+desdobramentos+principais+da+reflex%C3%A3o+cristol%C3%B3gica+sistem%C3%A1tica&gs_lcp=Cgdnd3Mtd2l6EAwyAggAOgcIABBHELADUABYAGDs6A9oAHADeACAAfQEiAH0BJIBAzUtMZgBAaoBB2d3cy13aXrIAQjAAQE&sclient=gws-wiz&ved=0ahUKEwiA1Y-_lKfwAhWvqZUCHRWwCPEQ4dUDCA4
https://www.gotquestions.org/Portugues/justificacao.html
http://www.bibliaon.com/santificacao
https://portaldascebs.org.br/2018/03/30/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/
https://portaldascebs.org.br/2018/03/30/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
85 
 
SOTERIOLOGIA. Disponível em: 
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Especial:Pesquisar&se
arch=Definindo+Soteriologia&ns0=1 Acesso em: 22 abr. 2021. 
 
VIDA PASTORAL. Disponível em: 
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-
ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/ Acesso 
em: 20 abr. 2021. 
 
Carta do XI Encontro de CEBs do Regional Sul I. 
 
[1] Dz., 7; Catecismo da Igreja Católica, nº 184. 
 
[2] Dz., 86; Catecismo da Igreja Católica, nº 184. 
 
[3] Cf. RAMOS, L. Fragmentos dos Evangelhos Apócrifos. 
Coleção Bíblia Apócrifa, Vozes, Petrópolis, 1989, p. 106. 
 
______. A paixão de Jesus nos escritos secretos. Coleção Bíblia 
Apócrifa, Vozes, Petrópolis, 1991, p. 51). 
 
______. O drama de Pilatos. Coleção Bíblia Apócrifa, Vozes, 
Petrópolis, 1991, p. 101. 
 
[4] JOSEFO, F. Antiguidades Judaicas 18,63, Apud CROSSAN, J. 
D. Quem Matou Jesus? Rio de Janeiro, Imago, 1995, p. 18 (o grifo 
é nosso). 
 
[5] TÁCITO. Anais 15,44, citado por CROSSAN, J. D., op. cit., p. 
18. 
 
[6] Cf. MESTERS, C. “Os profetas João e Jesus e os outros 
líderes populares daquela época”, em RIBLA, 1 (1988/1), pp. 72-
80. 
 
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Especial:Pesquisar&search=Definindo+Soteriologia&ns0=1
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Especial:Pesquisar&search=Definindo+Soteriologia&ns0=1
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref1
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref2
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref3
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref4
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref5
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref6
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
86 
 
[7] Cf. MESTERS, C., op. cit., p. 74. 
 
[8] Cf. CROSSAN, J. D., op. cit., p. 78. 
 
[9] Cf. JEREMIAS, L. Teologia do Novo Testamento, 1ª Parte. A 
Pregação de Jesus, Paulus, SP, 1977, p. 181. 
 
[10] Cf. SEGUNDO, J. L. O Homem de Hoje diante de Jesus de 
Nazaré, II/I, Paulinas, SP, 1985, pp. 133-141. 
 
[11] Cf. ECHEGARAY, H. A Prática de Jesus, Vozes, Petrópolis, 
1982, pp. 111-159. Cf. especialmente o quadro da p. 143. 
 
[12] Cf. MESTERS, C., op.cit., pp. 75-76. 
 
[13] CROSSAN, J. D., op. cit., p. 175. 
 
[14] CROSSAN, J.D., op. cit., p. 17. 
 
[15] BOFF, L. Paixão de Cristo — Paixão do Mundo, 
Vozes, Petrópolis, 1977, p. 37. 
 
[16] Catecismo da Igreja Católica, nº 84; dez., p. 86. 
 
[17] Cf. BRAVO, C. G. Jesús, Hombre en Conflicto, Sal Terrae, 
Santander, 1986, pp. 227-228. 
 
[18] JOSEFO, F. A Guerra dos Judeus 5.367, 378, 412, citado por 
CROSSAN, J. D., op. cit., p. 27 (o grifo é nosso). 
 
[19] MEDELLÍN, Pobreza da Igreja, nº 2. 
 
[20] PUEBLA, nº 89. 
 
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref7
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref8
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref9
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref10
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref11
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref12https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref13
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref14
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref15
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref16
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref17
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref18
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref19
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref20
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
87 
 
Pe. Benedito Ferraro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
88padeceu e foi sepultado”. Padecer significa: “Ser afligido, 
atormentado, martirizado por, sofrer, suportar, aguentar, sofrer 
dores físicas”. 
É imprescindível notar-se que essa evocação do Credo 
de fé mostra que a morte de Cristo na cruz é histórica, resultado 
de processos históricos e, portanto, o fato melhor atestado de todo 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
10 
 
o Novo Testamento. Mesmo ciente que os escritos evangélicos 
são produtos das comunidades para tornar a lançar o Kerygma 
(palavra usada no Novo Testamento, significando anúncio 
mensagem, pregação ou proclamação), a morte de Cristo é 
mostrada com fundamento em uma acusação política (cf. At 
10,34-43; Jo 19,12-16; Lc 23,2-5; Mt 26,63), fruto de tensões 
econômicas, políticas, religiosas e sociais, (cf. Mc 2,1-36; 7,1-23; 
11,1-12,44). 
Mais adiante do testemunho canônico, a morte de Jesus 
na cruz é comprovada em diversos escritos apócrifos 
(Pseudocanônicos, escritos sem inspiração divina). Também 
diversos historiadores extra bíblicos, como Flávio Josefo, Plínio, 
Suetônio, Tácito, o Moço, testemunham o fato. Serão evocados 
dois textos significativos para reflexão: 1) De Flávio 
Josefo: “Quando Pilatos, ao saber que ele havia sido acusado 
pelos homens mais influentes, condenou-o à crucificação, 
aqueles que em primeiro lugar o amavam, não desistiram de sua 
afeição por ele […]; 2) E a tribo dos cristãos, assim chamados por 
causa dele, não desapareceu até hoje”. O segundo texto é de 
Tácito: “Cristo, o iniciador do nome, foi condenado à morte no 
reinado de Tibério, por sentença do procurador Pilatos, e a 
perniciosa superstição foi reprimida naquele momento, para 
depois surgir mais uma vez, não apenas na Judeia, pátria da 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
11 
 
doença, mas, na própria capital, onde todas as coisas horríveis ou 
vergonhosas do mundo se juntam e encontram eco”. 
Desse modo, seguindo o testemunho dos textos 
evangélicos e neotestamentários canônicos, assumindo valor 
relativo presente nos textos extra canônicos, e levando em 
consideração a palavra dos historiadores antigos, percebe-se 
com bastante clareza que a morte de Jesus Cristo na cruz é 
comprovada e relativa ás questões presentes na realidade 
histórica e social. Quando se tenta desvincular a morte de Jesus 
Cristo de seu contexto histórico-político-social-religioso, 
certamente corre-se a probabilidade de não entende-la e seu 
significado com certeza poderá ser com facilidade sofrer 
manipulação. 
Alguns fatos que ajudam a compreensão do significado 
político-teológico da morte de Jesus: 
a) Cristo é condenado por 
Pilatos como zelota. Isso revela a mão dos romanos e a 
dimensão política presente nessa condenação à morte de cruz, 
nesse processo de eliminação de um “líder popular”, de fato, 
segundo o caráter judiciário da época não era permitido aos 
judeus a declaração de sentença de morte, direito reservado aos 
romanos que dominavam a Palestina. 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
12 
 
b) A morte de Cristo é experimentada como um 
escândalo a ser superado pelas primeiras comunidades (cf. At 1,6, 
1 Cor 1,17-31;), por certo, sua mensagem do Reino era carregada 
da esperança messiânico-apocalíptica, que prenunciava a 
mudança do “éon” (eternidade), do “presente século”, da 
“sociedade perversa” e o anúncio da “Nova Terra e Novos Céus”. 
c) É a ressurreição que dá sentido à morte de Jesus (cf. 
Jo 20,30-31; Lc 24,13-35; At 2,36), recuperando o significado da 
prática de Jesus na Palestina do Primeiro Século e colocando-o 
definitivamente na história, superando o fracasso da cruz e 
entronizando-o no Reino da Glória como grande vencedor e 
grande Testemunha da vitória da vida sobre a morte. 
 
1 A DIMENSÃO POLÍTICA DA PRÁTICA HISTÓRICA DE JESUS 
Para que se compreenda o significado político da morte 
de Jesus, temos de levar em conta alguns aspectos importantes 
da Palestina do I Século. A Palestina era uma terra dependente. 
Os romanos exerciam um domínio muito grande sobre a 
economia, sobre a política e também, mesmo respeitando alguns 
aspectos da religião judaica, sobre a religião dos judeus. 
O pagamento dos impostos, suspenso a partir da guerra 
dos Macabeus (cf. 1 Mc: 13,37. 39-41), era muito grande, e, junto 
com outras taxas, chegava a ultrapassar a metade da produção 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
13 
 
dos agricultores a partir de 63 a. C. Além dessa opressão político-
econômica, a população tinha de enfrentar o peso da exclusão 
devido ao sistema de pureza, que inviabilizava a salvação para os 
pobres, os marginalizados, que não podiam cumprir todas as 
exigências da lei (cf. Jo 7,49). 
É nesse clima que Jesus entra no cenário da Palestina do 
seu tempo. Tempo carregado de expectativas apocalípticas e 
messiânicas. Tempo em que o povo esperava pela mudança de 
“mundo”. 
 
1.1 O ANÚNCIO DO REINO 
O anúncio do Reino, feito por Jesus de Nazaré e seu 
grupo de seguidores, para ser bem compreendido, deve ser visto 
a partir da realidade de liberdade cerceada em que vivia a 
Palestina do I Século. Para enfrentar essa situação de dominação 
econômica, de opressão política e de exclusão sociorreligiosa, o 
anúncio da chegada do Reino (“Basileia”) soava como uma 
grande reviravolta para os “Am-ha-ares”, “os simples da 
terra” (cf. Lc 4,16-30; 1,46-56; 16,19-31; Mc 1,4-20; Mt 25,31-46). 
O grupo de Jesus se inseria no quadro dos movimentos 
populares da época, movimento de resistência em defesa das 
tradições e cultura do povo e tinha como preocupações sociais a 
eliminação do tributo a Roma (cf. Lc 23,2-5; Mc 12,13-17), bem 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
14 
 
como a defesa do direito à terra e a proclamação do “ano da graça 
do Senhor”, o “anojubilar”, com o perdão das dívidas e a 
restituição das terras a seus antigos donos, como tradição vinda 
dos pais, dos antepassados (cf. Dt 15,1-15; Lc 4,16-19; Lv 25,8-
17; Mc 1,4-20;). 
Tanto João Batista quanto Jesus de Nazaré engajaram-se 
num programa de revolução social e subversão política em nome 
do Deus judeu. Ambos são reconhecidos como profetas pelo povo 
(cf. Mt 11, 9; 14, 5; 21, 26; Mc 11, 30-32; Lc 1, 76; Jo 9, 17; Mt 16, 
14; 21, 11. 46; Mc 6, 15; Jo 4, 19) e ambos anunciam a chegada 
do Reino de Deus e os dois são condenados à morte pelas suas 
práticas histórica. Jesus entra na história devido ao Reino, é 
perseguido devido à isso e morto por se apresentar como o 
portador do Reino. 
 
 
 
 
1.2 O REINO E A VIDA DOS POBRES E EXCLUÍDOS 
O anúncio do Reino, feito por Jesus, proclama uma 
reviravolta na compreensão da salvação na Palestina do I Século. 
Os pobres e marginalizados, devido ao sistema de pureza, já 
estavam condenados por antecipação. Jesus se contrapõe ao 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
15 
 
sistema de pureza e anuncia a salvação aos pobres e mulheres 
marginalizadas, que vão entrar no Reino, no lugar das 
“autoridades”, que se julgam como os puros e dignos (cf. Mt 21, 
28-32). 
Nesse sentido, o anúncio da chegada do Reino significa 
uma mudança real na vida dos pobres e excluídos, realmente, 
começam a ter acesso à salvação e não são mais 
responsabilizados como pecadores por sua situação de vida. 
Jesus não culpa as vítimas e, por esse motivo, despoja o 
preconceito contra os pobres no sistema de pureza, que 
terminava sendo o grande autenticador do status quo. Sem 
dúvida nenhuma de que esse enfrentamento de Jesus com o 
sistema social da época o condenou à morte. Como líder popular, 
retomando as raízes do direito à terra, contrariava o sistema 
latifundiário inteiramente dominado pelos romanos, que se 
intitulavam donos da terra; como profeta aguardado pelo povo 
desejoso de liberdade, terminou conflitando a interpretação da Lei 
feita pelos doutores e escribas (cf. Mc 2,1-3,6); chocou-se com a 
compreensão das tradições (cf. Mc 7,1-23) e criticou o Templo, 
que terminou sendo o autenticador da apropriação da produçãoem excesso pelo povo através da cobrança de impostos (cf. Mc 
11,15-18; 12,1-12). 
 
 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
16 
 
 
2 QUEM MATA JESUS? 
Pergunta que nos leva a procura das causas históricas da 
condenação de Jesus à morte de cruz. Causas essas, que estão 
enraizadas no contexto sócio-histórico da Palestina do I Século. 
Jesus é alguém que ousa enfrentar o processo de opressão e 
exclusão dominante na sua época, quer pelos romanos, ou pela 
classe dirigente dos judeus aproveitadora da situação. Não se 
pode esquecer de que tanto Jesus como seus primeiros 
seguidores são judeus e procuram retomar as raízes do judaísmo, 
sua esperança se fundamentava no Deus que libertou o povo do 
Egito (cf. Ex 3,7-10; 20,1-20). 
A condenação de Jesus à morte de cruz, é resultado de 
tramas históricas oriundas do confronto de práticas: a prática do 
Império, da qual participavam também dirigentes do povo judeu, 
e a prática messiânica de Jesus, seguida pelos seus discípulos e 
depois pelos seus seguidores, movidos pela fé na ressurreição. 
Sabe-se que qualquer pretensão messiânica tinha, na 
Palestina do I Século, uma significação basicamente política. Era 
considerada crime de lesa-majestade e, desse modo, suscetível 
de imediato de morte. Na sua totalidade é violenta a repressão 
dos romanos. É suficiente a observação de alguns fatos narrados 
por Flávio Josefo nas Antiguidades Judaicas: No governo de 
Herodes, entre 37 a 4 a.C., foram queimados vivos dois fariseus 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
17 
 
e quarenta de seus alunos (AJ. XVII 6,2- 4;9,1); com Arquelau (4 
d.C.), houve um massacre de 3.000 pessoas (AJ. XVII 8,4; 9,1-3). 
No semelhante período, Varo, o general romano, deu ordem para 
a crucificação de 2.000 rebeldes ao redor de Jerusalém (AJ. XVII 
10,8-10). 
Nenhuma tentativa de mudança é admitida pelos 
romanos. O que leva a crer que situação idêntica tenha 
acontecido a Jesus. A união de interesses entre romanos e 
dirigentes judeus findou definindo sua condenação. Esta parece 
ser a conclusão de J. D. Crossan: “Caifás era o sumo sacerdote 
judeu de 18 a 36 d. C. Num século em que tais autoridades 
ficavam no cargo no máximo quatro anos, ele permaneceu dezoito 
[…] Devemos presumir que os romanos e Caifás trabalhavam em 
conjunto porque, enquanto Valério Grato, o predecessor de 
Pilatos como governador, começou dispensando Ananus I como 
sumo sacerdote e em seguida designou quatro outros entre 15 e 
18 d.C., Caifás durou não apenas oito anos sob Grato, como mais 
dez sob Pilatos”. 
Lc 23,2 deixa entrever claramente que a morte de Jesus 
tem uma dimensão política bem nítida: “A acusação começa com 
as seguintes palavras: “Achamos este homem fazendo subversão 
entre nosso povo, proibindo pagar tributo ao imperador, e 
afirmando ser ele mesmo o Messias, o Rei’”. Também em At 5,34-
39, fica patente que a reação dos romanos contra toda e qualquer 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
18 
 
tentativa de modificação da ordem vigente era imediata e violenta: 
pena de morte! Tudo indica que com Jesus não tenha sido 
diferente: “A morte de Jesus por execução sob Pôncio Pilatos é 
mais certa do que qualquer outro fato histórico”. 
 
 
3 POR QUE JESUS MORRE? 
Questão essa que colocada na direção de busca de 
sentido da morte de Jesus. O próprio Jesus nunca buscou a sua 
morte, mas, a sentiu como consequência de sua prática histórica. 
Sendo discípulo de João Batista, que havia sido assassinado, não 
deixaria de compreender que, colocando-se no seu seguimento, 
certamente teria de enfrentar o mesmo fim. 
Isso parece estar bem presente nos textos evangélicos 
que procuram retratar a consciência de Jesus frente à 
perseguição: “Jerusalém, Jerusalém, você que mata os profetas 
e apedreja os que lhe foram enviados” (Lc 13,34). Certamente 
Jesus compreende sua morte à luz da tradição do martírio dos 
profetas. Porém, são as comunidades que tentam estruturar o 
sentido da morte de Jesus, para poder ultrapassar o fosso 
causado pela morte. Aqui trabalha a fé pascal e aponta a vitória 
da vida sobre a morte, até onde só apareceria fracasso. 
 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
19 
 
3.1 A MORTE DE JESUS VISTA COMO MORTE DO PROFETA 
As primeiras comunidades cristãs compreendem a morte 
de Jesus na linha da tradição do martírio dos profetas. 
Compreendem-na diretamente articulada com a morte dos 
profetas (cf. Lc 11,49-51; 13,14; 1 Ts 2,14; At 7,51ss). Ao tempo, 
por estarem sendo perseguidas, as comunidades se 
compreendem no seguimento de Jesus. 
 
3.2 A MORTE DE JESUS COMO MORTE DO MESSIAS 
CRUCIFICADO 
Essa interpretação recorre ao Antigo Testamento, para 
mostrar que a morte de Jesus está inserida na trama humana com 
toda a sua ambiguidade e que Deus nunca abandonou seu Filho. 
Fica claro que, diante das grandes expectativas messiânico-
apocalípticas da época, a morte do Messias na cruz era um 
verdadeiro escândalo. Como compreender o Messias, que 
deveria vir com poder, acabar torturado, execrado, morto como vil 
impostor? A fé pascal busca a explicação a partir da presença de 
Deus na vida e na morte de Jesus: “Numa dimensão mais 
profunda, Deus não o abandonou. Estava com ele no sofrimento 
e na morte; não o abandonou, permaneceu com ele na morte, de 
tal forma que a ressurreição mostrou presença de Deus nele. 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
20 
 
A ressurreição revela o escondido: o que era escandaloso 
para os outros se iluminou pela ressurreição. As profecias da 
morte e da ressurreição querem deixar isso bem claro. Começou-
se a ver tudo a partir de Deus: a atuação de Jesus, sua atividade 
missionária, sua morte e sua ressurreição. Deus estava agindo 
salvificamente em Jesus, no seu caminho, não exclusivamente na 
morte, mas em tudo o que lhe aconteceu, fez, falou e viveu. Em 
tudo, mesmo na morte”. 
 
3.3 A MORTE DE JESUS COMO EXPIAÇÃO E SACRIFÍCIO 
Há diversos textos do Novo Testamento que apontam 
para o sentido da morte de Jesus na linha da expiação pelos 
pecados e do sacrifício para a salvação do gênero humano. Essa 
interpretação acabou influenciando os relatos da Ceia (cf. 1Cor 
11, 23-26; Jo 6, 51-58; Mc 14, 22-25; Mt 26, 26-29). Jesus é visto 
como o Justo, o Inocente, que com sua morte estabelece uma 
nova relação entre o ser humano e Deus. Sua morte é vista como 
redentora, expiatória, sacrifical. Alcança o perdão dos pecados e 
inaugura uma nova e definitiva aliança de Deus com seu povo. 
 
3.4 A MORTE DE JESUS COMO ATO DE SOLIDARIEDADE 
Diversos textos do Novo Testamento apontam na direção 
da morte de Jesus como um ato de solidariedade e criador de 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
21 
 
solidariedade. Sua morte, livre e solidária, é apontada como dom 
de si (cf. Jo 3, 16; 12, 49-50), como dom de amor (cf. Jo 10, 11. 
15; 15, 13), como dom gratuito (cf. 1Jo 3, 16). 
Como acontecimento gerador de solidariedade, a morte 
de Jesus, a partir desta interpretação, exige o seguimento. Ela nos 
liberta da Lei e mostra que se está livres para amar. Liberta-nos 
da falsa imagem de Deus e do terror paralisante e torna-nos 
corresponsáveis pela implantação da justiça no mundo. O Espírito 
do Ressuscitado nos é dado para podermos refazer, na história, o 
caminho de Jesus. 
 
4 A DESVINCULAÇÃO DA MORTE DE JESUS DO SEU 
CONTEXTO HISTÓRICO 
O salto que se está dando parece ser bem grande. 
Entretanto, não se tem, neste espaço, a possibilidade de olhar 
como a tradição teológica pensou a morte de Jesus no decorrer 
desses dois mil anos de história do cristianismo. No entanto, quer-
se mostrar que a separação da morte de Jesus de suas causas 
históricas podem desembocar em consequências drásticas para 
a fé cristã. É isso que se quer refletir no momento, tenta-se 
compreender a quem interessa esse modo de procedimento, 
frente à exigência de sacrifícios que o atual desenvolvimento do 
Mercado está exigindo. 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
22 
 
Há uma afirmação fundamentalpresente na profissão da 
crença e que não se pode deixar de lado sem comprometer o 
mistério da encarnação: “E por nós homens-mulheres, e para 
nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito 
Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem”. 
Dessa forma, significa que Jesus entra na conflitividade 
humana e sua vida e morte só podem ser compreendidas dentro 
do contexto sócio-histórico de sua época. Como afirma 
a Gaudium et Spes 22 (única Constituição Pastoral): “Com efeito, 
por Sua encarnação, o Filho de Deus uniu-se de algum modo a 
todo homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com 
inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com 
coração humano, tornou-se verdadeiramente um de nós, 
semelhante a nós em tudo, exceto no pecado”. 
Qualquer tentativa de tirar Jesus das implicações 
econômicas, políticas e sociais de sua época é um atentado 
contra a encarnação. É uma nova forma de docetismo (doutrina 
do séc. II e III) que negava a existência de um corpo material a 
Jesus, seria apenas espírito, pelo fato de Jesus ter assumido 
verdadeiramente a história humana. Segundo os Evangelhos, 
Deus não quer que o Filho morra para “satisfazê-lo”; quer que ele 
não se evada magicamente da condição humana, porém, que seja 
coerente e que assuma a conflitividade de sua história até o fim, 
como consequência da opção pelos pobres, oprimidos, 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
23 
 
marginalizados e excluídos de seu tempo. Desvincular a morte de 
Jesus das suas motivações humanas e causas históricas é 
favorecer uma má compreensão do sentido desta morte como 
simplesmente um “destino trágico” ou “determinismo” que 
isentam todos de qualquer responsabilidade frente ao crime 
cometido. 
Para as autoridades romanas, a morte de Jesus é 
compreendida como manutenção da ordem do Império, que era 
“sagrada e mantida pelos deuses” e que não poderia ser, de modo 
algum, atacada. Eis como Flávio Josefo mostra a impossibilidade 
de enfrentá-los, pois, lutar contra os romanos seria lutar contra 
Deus: “A fortuna, de fato, vinha de lugares diversos para eles 
(romanos), e Deus, que percorrera a rota das nações, trazendo a 
cada uma o bastão do império, agora descansava sobre a Itália 
[…]. Vocês não estão guerreando contra os romanos apenas, 
mas também contra Deus […]. A Divindade escapou dos 
lugares sagrados e assumiu Sua posição ao lado daqueles contra 
quem vocês agora estão lutando”. Para os dirigentes judeus, “a 
morte de Jesus é vista como cumprimento da Lei: “Nós temos 
uma lei, e segundo esta lei ele deve morrer, porque se fez Filho 
de Deus” (Jo 19, 7). 
Na verdade é uma forma de “sacrifício” para “purificar” a 
cidade. E é também uma forma de manutenção do status 
quo favorável ao grupo dominante: “Vocês não sabem nada. 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
24 
 
Vocês não percebem que é melhor um só homem morrer pelo 
povo, do que a nação inteira perecer?” (Jo 11 ,49-50). Estamos 
diante da legitimação do sacrifício pela Lei e que encobre toda e 
qualquer responsabilidade (cf. Lc 4, 22-30). 
Hoje, se está diante de uma sociedade que tenta divinizar 
o Mercado. Os dominantes atuais fazem diversas promessas, 
tentando conquistar a cabeça e o coração das pessoas. Há um 
processo de divinização e sacralização do Mercado. Dessa 
forma, os dominantes exigem a fé no Mercado, que por sua vez 
promete realizar a felicidade de todos. Proclamam que “fora do 
Mercado não há Salvação”! Tudo o que possa contrariar o livre 
desenvolvimento do Mercado é perigoso e deve ser 
imediatamente extirpado. 
Na verdade, é isso que presencia-se no Brasil e na 
América Latina com a implementação do sistema neoliberal: 
crianças de rua, índios, favelados, presidiários, trabalhadores 
sem-terra, são “estorvo” e devem ser “removidos”, pois, estão 
atrapalhando o livre desenvolvimento do Mercado. Nesse sentido 
é possível compreender a lógica desse sistema: a morte dessas 
pessoas é o sacrifício exigido pela dinâmica do Mercado para 
resolver a crise econômica brasileira e seguir a lógica da 
lucratividade: essas pessoas só dão prejuízo, portanto, não têm 
o direito de viver. Quem as mata está prestando um serviço à 
nação, pois está “limpando a cidade e colaborando com a 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
25 
 
sociedade”. As vítimas se tornam culpadas. Devido a isto, é 
preciso eliminá-las imediatamente para preservar o futuro da 
sociedade!”. 
Por que fazer essa aproximação, da morte de Jesus com 
a morte dos excluídos de hoje? Exatamente para mostrar que 
desvincular a morte de Jesus de suas causas históricas pode nos 
levar à legitimação do sacrifício como algo inevitável. Do mesmo 
modo, se for desvinculada a morte dos presos e dos favelados de 
suas motivações econômicas e políticas, também se está 
legitimando a lógica da eliminação. Ninguém se sente 
responsável por esses massacres e a própria sociedade nada faz 
para que os responsáveis sejam identificados. Há um acordo 
tácito, escondido, que é a aceitação do sacrifício de inocentes e 
vítimas de uma organização social injusta e insolidária. 
 
5 CRISTOLOGIA: OS TÍTULOS DE JESUS NO NOVO 
TESTAMENTO 
Até hoje são conhecidos os títulos de Jesus Cristo no 
Novo Testamento, bem como a Cristologia segundo São Paulo, 
na Carta aos Hebreus e no Apocalipse de João. Será apresentada 
a visão sintética da figura de Jesus Cristo conforme os seis títulos 
atribuídos a Ele pelos autores sagrados: Filho do Homem, 
Senhor, Cristo, Servo de Javé, Filho de Deus e Deus. 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
26 
 
O título “Filho do Homem” é expressão semita, que 
significa homem, geralmente no seu aspecto frágil e precário, 
como no Sl 79 (80),18; Is 51, 12; Jó 25, 6. Jesus se identificou 80 
vezes com este título (69 nos Evangelhos Sinóticos e 11 no 
Evangelho de João). Ele o preferia por que essa expressão estava 
menos que as outras, eivada de conotações políticas. Assim, 
evitava que o julgassem como um revolucionário político oposto 
ao domínio temporal romano. 
Em Dn 7, 13s aparece o termo ‘Filho do Homem’, que nos 
vv. 18. 22. 27, é representada pela expressão “o povo dos santos 
do Altíssimo”. Ele apor-se-ia aos impérios babilônico, medo, persa 
e macedônio, simbolizados por quatro animais. Contudo, a 
tradição judaica, representada pelos apócrifos de Henoque e 4º 
Esdras e pelos rabinos, entendeu esse ‘Filho do Homem’ em 
sentido pessoal, singular, chegando a identificá-lo com o Messias. 
Título de caráter secular que designava para eles aquele que 
receberia a honra, o império, o reino e a quem todos os povos 
obedeceriam. Razão pela qual os judeus ainda esperam o 
Messias, sendo Jesus mais um profeta. 
No Novo Testamento o título está associado aos poderes 
e à autoridade de Jesus. Fora dos Evangelhos só aparece em Ap 
1, 13; 14, 4 e dito por Estevão em At 7, 56. O ‘Filho do Homem’ 
perdoa os pecados (Mc 2, 10); é Senhor do sábado (Mc 2, 28); 
virá na glória do Pai (Mc 8, 38; 13, 26); assentar-se-á à direita de 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
27 
 
Deus (Mc 14, 62). Mas também ele é sujeito da Paixão e dos 
opróbrios (Mc 9, 31; 10, 33; 14, 21); não tem onde repousar a 
cabeça (Mt 8, 20); veio dar a vida em resgate de muitos (Mc 
10,45). 
O título “Senhor” foi mais usado pelas primeiras 
comunidades cristãs em preferência ao título acima. É um termo 
já presente no Antigo Testamento que no Novo foi aplicado a 
Jesus. Adon (Senhor) designava para Israel o senhorio ou 
domínio de Deus (cf. Is 1, 24; 6, 1-8; 43, 1. 21). Quando, por 
respeito, os judeus deixaram de pronunciar o nome Javé nas 
leituras litúrgicas, ele foi substituído por Adonay (meu Senhor). 
Devido a isso, a tradução grega dos LXX traduziu Javé por Kýrios 
(Senhor). 
O fato de o título ter sido transferido para Jesus exprime 
a fé cristã na transcendência e na Divindade de Jesus (cf. Jo 20, 
28 “Meu Senhor e meu Deus”). Ele é o Senhor de todos (At 10, 
36; Rm 10, 9; 1Cor 12, 3; Cl2, 6). A primitiva invocação aramaica 
persistiu no uso das comunidades gregas: Maranatha, nosso 
senhor, vem! (cf. 1Cor 16, 22; Ap 22, 20). Para Jesus ressuscitado 
os cristãos transferiram os gestos de reconhecimento que eram 
tributados somente a Javé (cf. At 2, 20s; 7, 59; Fl 2, 10; Jo 9, 38; 
Ap 15, 4). 
Porém, o senhorio de Jesus não substitui o de Deus Pai, 
mas, significa que a partir da ressurreição, Jesus comunga com a 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
28 
 
soberania de Deus Pai. Também é de notar que a aplicação do 
título Kýrios a Jesus não se deve à influência do paganismo, que 
assim intitulava os imperadores divinizados. Em 1Cor 8, 5s Jesus 
é chamado Kýrios em plena antítese ao politeísmo. 
Outro título é Christós (Cristo) a tradução grega do 
aramaico Meshiah e do hebraico Mashiah = ungido = Messias. 
Ungidos, no Antigo Testamento, eram os reis e sacerdotes de 
Israel. O título se tornou apelativo do Rei ou do Filho do Rei Davi 
por excelência, que salvaria o seu povo, Israel. Os discípulos de 
Jesus o reconheceram como tal Rei e lhe atribuíram o título 
designativo de Cristo (cf. Jo 1, 41; 4, 25; 20, 31; Mt 16, 16; Mc 10, 
47). 
Jesus aceitava esse título (cf. Mc 8, 29; 12, 35-37; Jo 4, 
25s), mas, pedia silêncio a quem O proclamasse Messias, por 
este termo poder ter conotações políticas, alheias ao reino 
messiânico trazido por Ele, como já visto acima. Isso porque, é 
num sentido muito mais profundo do que o político e terrestre que 
Jesus se apresenta como Messias. Em Mt 4, 1-11 e Lc 4, 1-13 
Jesus recusa as tentações do poder terreno oferecido por 
Satanás. Em Mc 8, 31-34 chama Pedro de satanás (Adversário) 
porque quer poupar da Paixão seu Mestre. 
A resposta de Jesus a pergunta feita por João Batista em 
Mt 11, 3 demostra claramente como Ele entendia seu 
messianismo. Nela foram citados trechos de Isaías que atribuem 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
29 
 
ao Messias à restauração do homem ferido e destroçado no plano 
físico e espiritual e chama atenção para o cumprimento de tais 
profecias (cf. Mt 11, 4s). Assim, é estabelecida uma ordem de 
densidade dos males causados pelo pecado ao homem que vão 
desde a cegueira até a morte física. Jesus veio para ser o 
vencedor de todos estes males, recriando o homem vulnerável 
pela culpa no enunciado da sua frase final globalizante: os pobres 
(cegos, coxos […] mortos) são evangelizados (são interpelados e 
ressuscitados pela obra do Messias). 
A característica especial da missão de Jesus com relação 
a sua Paixão é expresso pelo título “Servo de Javé”, que se trata 
de uma personagem misteriosa do Livro do profeta Isaías (cf. Is 
42, 1-7; 49, 1-6; 50, 4-9; 52, 13-53, 12). Ela representa uma vítima 
inocente que se oferece em sacrifício de intercessão e expiação 
pelos pecadores. O sofrimento toma um sentido até então 
desconhecido. Não é necessariamente consequência de pecados 
pessoais, mas, é redenção ou resgate em favor dos pecadores. 
Jesus mesmo se identifica como o ‘Servo de Javé’ (cf. Mc 
10, 45; 14, 24; Lc 22, 37), que sofreria assumindo a dor e a morte 
devidas ao homem pecador (cf. Gn 2, 17; 3, 19) para dar um 
sentido novo à sua realidade sofredora. Essa identificação com o 
homem leva Jesus a um total despojamento da sua glória eterna 
a ponte de fazer às vezes do escravo condenado a cruz (cf. Fl 2, 
7). É uma nova maneira de exprimir a recriação do homem 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
30 
 
expressa pelo título Messias. A recriação inclui o perdão de Deus 
mediante uma imolação sacrifical. 
O título “Filho de Deus” aplicado a Jesus no Novo 
Testamento tem matizes diversas. Os demônios proclamam Jesus 
como o ‘Filho de Deus’ (cf. Mc 1, 34; 3, 11; 5, 7). Igualmente faz o 
centurião romano (Mc 15, 39). Nesses casos a expressão pode 
designar simplesmente ‘uma personagem extraordinária’. O título 
passa a ter sentido mais profundo nos lábios de Pedro, que 
proclama: “Tu é o Messias, o filho de Deus vivo!” em Mt 16, 16. A 
revelação a Pedro do mistério de Jesus é obra do Pai Celeste. Foi 
somente após a Páscoa que os Apóstolos atingiram a plena 
compreensão do sentido da expressão. 
a) Em At 9, 20 Paulo prega enfaticamente que Jesus é o 
Filho de Deus. A ressurreição manifestou o pleno sentido da 
filiação divina esboçada no Sl 2, 7 (cf. At 13, 33). O Apóstolo tem 
plena consciência de que na plenitude dos tempos Deus enviou 
seu Filho a terra (cf. Gl 4, 4; Rm 8, 3), a fim de que sejamos 
reconciliados pela sua morte (cf. Rm 5, 10). A vida cristã é vida 
“na fé do Filho de Deus, que nos amou e se entregou por nós” (Gl 
2, 20). 
b) João professa, do mesmo modo, o título de Filho de 
Deus: “Nisto se manifestou o amor de Deus entre nós: Deus 
enviou o seu Filho Unigênito ao mundo para que vivamos por Ele” 
(1Jo 4, 9s. 14). Esse Filho comunica aos homens a vida eterna 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
31 
 
que vem do Pai (cf. 1Jo 5, 11). Quem crê no Filho, tem vida eterna 
(cf. Jo 6, 40); que não crê, está condenado (cf. Jo 3, 18). 
c) O próprio Jesus se revelou como Filho de Deus num 
sentido singular (cf. Mt 11, 27; 21, 37; Mc 13, 32). Nestes textos 
Ele diz que o mistério de sua vida é tal que só o Pai o pode 
conhecer. Só Ele está à altura do Pai para conhecê-Lo 
adequadamente. Jesus mostra uma familiaridade chamando-O de 
ABBA (Paizinho), apelativo que os judeus nunca dirigiriam a Deus 
por supor grande intimidade. É à luz destes textos que se há de 
entender a declaração do Pai no Batismo e na Transfiguração de 
Jesus (cf. Mc 1, 11; 9, 7). 
d) A concepção Virginal de Maria apresentada em Lc 1, 
26-37 e Mt 1, 16.18-25 também são testemunhos de que Jesus 
não é filho dos homens como os demais homens. Ele é o Filho de 
Deus, que, tendo Pai no céu, foi entregue pelo próprio Pai a Maria 
(sem contato de varão), para que esta lhe pudesse dar a natureza 
humana e a entrada numa estirpe humana. A virgindade de Maria 
é, portanto, toda relativa à Divindade de Jesus. 
O título Filho de Deus se torna claro por excelência ao se 
considerar que o Novo Testamento designa Jesus como Deus. 
Paulo formula a doxologia: “Cristo […] que é, acima de tudo, Deus 
bendito pelos séculos” (Rm 9, 5). Ele é chamado “o grande Deus 
e Salvador, Jesus Cristo” (Tt 2, 13). Tomé reconheceu: “Meu 
Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28). João abre seu Evangelho com 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
32 
 
as seguintes palavras: “No princípio era o Logos, e o Logos estava 
junto a Deus, e o Logos era Deus” (Jo 1, 1). Na sua primeira 
epístola escreve: “Este (Jesus Cristo) é o Deus verdadeiro e a vida 
eterna” (1Jo 5, 20). 
O título assim aplicado significa identidade de natureza ou 
a substância do Filho com o Pai. De fato, se o Pai é o fim do plano 
de salvação dos homens, o Filho o é igualmente: Cl 1, 16; 1Cor 8, 
6; Hb 2, 2; Rm 11, 36. Se o Pai julga, o Filho também julga: 1Cor 
4,5; 2Cor 5,10; Rm 2, 16; Rm 2, 22. O Filho ou Jesus Cristo é uma 
das três Pessoas associadas na fórmula trinitária: (2Cor 13, 13; 
Mt 28, 19). 
 
Livro: História dos 21 concílios da Igreja – de Niceia ao 
Vaticano II 
Publicado em 30 de maio de 2014 
O livro: História dos 21 concílios da Igreja – de Niceia ao 
Vaticano II traz um resumo dos 21 concílios. A obra apresenta o 
contexto histórico de cada concílio, os desafios que tiveram de 
enfrentar, revelando os temas e as tramas que tem em comum, 
além de relatar fatores e características que fizeram com que cada 
um deles fosse relativamente singular. A obra traz um índice 
remissivo e bibliografia, que poderá ser bem utilizado em cursos 
de História da Igreja. O livro está disponível no 
site www.loyola.com.br. 
http://www.loyola.com.br/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=9586
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
33 
 
 
6 CONCÍLIO ECUMÊNICO 
Um concílio ecumênico - reunião dos bispos para debater 
os problemas doutrinais da Igreja Cristã. São 21 os 
concílios ecumênicos. Conforme os cânones 337e 341 do Código 
Canônico, um concílio ecumênico serve para reflectir sobre a 
doutrina, promulgar dogmas, condenar heresias e, resolver 
problemas de interesse da Igreja universal. 
As Igrejas cristãs separadas das demais devido a 
divergências cristológicas aceitam unicamente os concílios 
ecumênicos realizados antes da separação. Até ao séc. IX, sete 
concílios são reconhecidos pela Igreja Católica e Igreja Ortodoxa, 
pois, foram realizados, antes da separação. 
Das denominações Protestantes, Anglicanos, luteranos, 
calvinistas e algumas denominações protestantes reconhecem os 
quatro primeiros concílios católicos e, em alguns casos, os 
primeiros sete. As demais têm visões variadas conforme a sua 
doutrina. 
As Igrejas Ortodoxas Orientais só aceitam os três 
primeiros concílios católicos e rejeitam as decisões do Concílio de 
Calcedônia (451) e outros concílios posteriores. 
A Igreja Assíria do Oriente só reconhece os primeiros dois 
concílios católicos, acabando por rejeitar o I Concílio de Éfeso. 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
34 
 
Desde então, a Igreja Ortodoxa aceita oficialmente os 
sete primeiros concílios católicos. De qualquer forma, a Igreja 
Ortodoxa continua realizando concílios com a mesma autoridade 
dos ecumênicos, chamados Concílios Pan-Ortodoxos. 
A Igreja Católica continuou a convocar e realizar concílios 
ecumênicos em comunhão plena com o Papa, que passou a ser 
a ecumene. 
 
 
Papas durante os Concílios: 
1. São Pedro, Jerusalém, ano de 51 - Os convertidos do 
paganismo (novos cristãos) isentos de algumas práticas da lei 
mosaica, como a circuncisão. (Cerimônia em que é praticada a 
retirada cirúrgica do prepúcio, por razões religiosas e/ou 
higiênicas, ritualmente como sinal de inclusão na comunidade 
judaica; 
2. São Vítor, Concílio (Sinodo) de Roma, ano de 197 - 
Examina a questão da data da Páscoa, celebrada diferentemente 
no Oriente e no Ocidente; 
3. Santo Estevão, Concílio (Sinodo) de Cartago, ano de 
256 - Cipriano, bispo de Cartago, reúne 87 bispos africanos. 
Discutem o Cisma novaciano; 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
35 
 
4. Sede Vacante, Concílio (Sinodo) de Elvira - Reúne 19 
bispos e 24 presbíteros da península Ibérica. Decretam o 
celibato do clero; 
5. São Silvestre I, Concílio de Arles, convocado em Arles, 
no ano de 314 – 33 bispos africanos, na tentativa de evitar o 
Cisma donatista (culto religioso cristão, considerado herético e 
cismática pelo catolicismo. 
 
6.1 CONCÍLIOS PRÉ-NICENOS - I CONCÍLIO DE NICEIA I 
São Silvestre I, Niceia I, ano de 325 – Primeiro Concílio a 
reunir a Cristandade, e portanto ecumênico - Condena o 
Arianismo como heresia e exila Àrio. Reconhece como dogma a 
igualdade de natureza entre o Pai e o Filho. Compõe o Credo 
Niceno. 
Esses concílios foram na maioria de natureza regional. 
Porém, foram imprescindíveis para clarificar diversos aspectos 
doutrinais ou disciplinares no início do Cristianismo, tendo suas 
decisões, seguidas por muitos cristãos e bispos não participantes 
desses encontros. O exemplo dentre todos que serve de norma 
modelo dos concílios é o Concílio de Jerusalém (49 d.C.), que 
libertou a Igreja cristã nascente das regras antigas da Sinagoga e, 
marcou definitivamente o desligamento do cristianismo do 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
36 
 
judaísmo e confirmou para sempre o ingresso dos gentios (não 
judeus) na cristandade. 
 
6.2 II CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA I, DA IGREJA 
CATÓLICA 
São Dâmaso I, Constantinopla I, ano de 381 - Reconhece 
como dogma a natureza divina do Espírito Santo no Credo 
Niceno-constantinopolitano, recitado na missa. Define o cânon 
bíblico e reconfirma, a Bíblia declarada como verdadeira tinha 73 
livros, mais firmemente no Sínodo de Hipona. 
 
 
6.3 III PRIMEIRO CONCÍLIO DE ÉFESO, DAS DENOMINAÇÕES 
PROTESTANTES 
São celestino I, Éfeso, ano de 431 - Reconhece como 
dogma a unidade de pessoa do Verbo Eterno com o corpo e a 
alma encarnados de Cristo. Condena o Nestorianismo como 
heresia e proclama a maternidade divina da Virgem Maria. 
A Igreja Assíria do Oriente não reconhece este concílio e nenhum 
dos posteriores. 
 
6.4 IV CONCÍLIO DE CALCEDÓNIA, DAS IGREJAS 
ORTODOXAS ORIENTAIS E DA IGREJA ASSÍRIA DO ORIENTE 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
37 
 
São Leão I, Magno, Calcedônia, ano de 451 - 
Condenação do Monofisismo. Reconhece como dogma a unidade 
das duas naturezas, completas e perfeitas em Jesus Cristo, 
humana e divina. É escrita a carta dogmática “Tomo a Flaviano” 
pelo Papa Leão I. 
As Igrejas Ortodoxas Orientais não reconhecem este 
concílio e nenhum dos posteriores. 
 
6.5 V CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA II, DA IGREJA 
ORTODOXA 
Papa Vigílio, Constantinopla II, ano de 553 - Condena os 
ensinamentos de Orígenes e outros. Condena os documentos 
semi-nestorianos designados Os três Capítulos. 
 
6.6 VI CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA III 
Santo Agatão e São Leão II, Constantinopla III, anos de 
680 e 681 - Reconhece como dogma que em Cristo há duas 
vontades, uma divina e outra humana. Condena o monotelismo. 
6.7 VII CONCÍLIO DE NICEIA II 
Papa Adriano I, Niceia II, ano de 787 - Reconhece a 
licitude da veneração de imagens (ícones). Condena o 
iconoclastas. 
 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
38 
 
7 SOTERIOLOGIA 
Parte da Teologia que trata da salvação do homem. 
a) Soteriologia no Cristianismo 
A salvação é convencionada através de Jesus Cristo. 
Estuda como o evangelho de poder e os ensinos de Jesus e a fé 
n'Ele separa das práticas mundanas as pessoas que antes 
estariam condenadas pelo pecado e os reconcilia com Deus. Os 
cristãos obtém o perdão dos pecados, vida e salvação alcançado 
por Jesus Cristo por meio de seu sofrimento inocente, morte e 
ressurreição após a morte. A graça da salvação é conseguida 
somente pela fé em Jesus, pela da palavra de Deus. 
Alguns cristãos acreditam que a salvação é obtida a partir 
deles e da vontade de Deus (sinergismo), outros creem que parte 
da vontade absoluta de Deus e o homem pela fé é incapaz de 
resistir (monergismo). 
b) Soteriologia no catolicismo 
Coloca a Igreja como canal ideal da graça de Deus. A 
união à Igreja pode levar à graça dos céus. Essa graça, na lição 
de Santo Agostinho, é unicamente obra de Deus, cabendo ao 
homem, somente buscar uma vida de santidade e comunhão, 
na fé da salvação. Esta vida de santidade é fortificada por 
intermédio dos sacramentos concedidos pela Igreja: batismo, 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
39 
 
comunhão ou eucaristia, confissão ou penitência, crisma ou 
confirmação, matrimônio, ordem e unção dos enfermos. Sendo 
também função dos cristãos ir em busca dos que estão fora da 
Igreja, afim de poderem comungar com a graça de Deus, único 
dispensador da Graça. 
c) Soteriologia no protestantismo 
No protestantismo há variadas tendências, sendo as mais 
destacadas o arminianismo e o calvinismo (cada uma delas 
admitindo subdivisões). Há também a possibilidade de se aderir 
às opções católicas, o tomismo e o molinismo. 
Arminismo - as ideias do holandês jacobus Arminius. 
Cinco pontos da Remonstrância que afirmam: 
1. A eleição (e condenação no dia do julgamento) foi 
condicionada pela fé racional ou não fé do homem; 
2. A expiação, embora qualitativamente suficiente a 
todos os homens, só é eficaz ao homem de fé; 
3. Sem o auxílio do Espírito Santo, nenhuma pessoa é 
capaz de responder à vontade de Deus; 
4. A graça é resistível; 
5. Os crentes são capazes de resistir ao pecado, mas, 
não estão fora da possibilidade de cair da graça. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Calvinismo
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
40 
 
Calvinismo – doutrina surgida a partir da Reforma 
Protestante e das interpretações feitas por Calvino, convertido ao 
Protestantismo em 1533, às ideias de Lutero. 
Cinco pontos do Calvinismo: 
1. A "depravação total", chamada de "incapacidade 
total", afirma que, como consequência da queda do homem no 
pecado, todapessoa está escravizada pelo pecado. As pessoas 
não são, portanto, inclinadas por natureza a amar a Deus, mas 
sim a servir aos seus próprios interesses e a rejeitar o comando 
de Deus. Defende a incapacidade do ser humano de salvar a si 
mesmo do pecado, ao invés de atestar uma completa ausência de 
bondade por parte do homem. 
2. A "eleição incondicional" afirma que Deus escolheu 
os seus Eleitos desde a eternidade, não com base na virtude, 
mérito ou fé previstos para essas pessoas; ao contrário, a sua 
escolha é incondicionalmente fundamentada somente em sua 
misericórdia. Deus escolheu desde a eternidade estender 
misericórdia aos que escolheu e reter misericórdia aos não 
escolhidos. Os escolhidos recebem a salvação somente por meio 
de Cristo. Aqueles não escolhidos recebem a ira, que é justificada 
por seus pecados contra Deus. 
3. A "expiação limitada", chamada de "redenção 
particular", afirma que a expiação substitutiva de Jesus foi definida 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
41 
 
e certa em seu propósito e no que ela realizou. Isso implica que 
apenas os pecados dos eleitos foram expiados pela morte de 
Jesus. Calvinistas não acreditam, no entanto, que a expiação seja 
limitada em seu valor ou poder, mas sim que a expiação é limitada 
no sentido de que se destina a alguns e não a todos. [...], para 
conceder a eles, e somente a eles, o dom da fé justificadora, e 
assim, trazê-los infalivelmente à salvação”. 
4. A "graça irresistível", chamada de "graça eficaz", 
afirma que a graça salvadora de Deus é efetivamente aplicada 
àqueles a quem ele determinou salvar (os Eleitos) e supera a sua 
resistência natural em obedecer ao chamado do Evangelho, 
trazendo-os para a fé salvadora. Isso significa que quando Deus 
tem o propósito soberano de salvar alguém, esse indivíduo 
certamente será salvo. A doutrina sustenta que o Espírito Santo, 
"graciosamente faz com que o pecador eleito coopere, creia, 
arrependa-se, e vá livre e espontaneamente a Cristo". 
5. "Perseverança dos santos" conhecida como 
"perseverança de Deus com os santos" e "a preservação dos 
crentes" ("santos" refere-se a todos os que são separados por 
Deus, e não àqueles que são excepcionalmente santos, 
canonizados ou no céu) visto que Deus é soberano e a sua 
vontade não pode ser frustrada por humanos ou por qualquer 
outra coisa ou ser, aqueles a quem Deus chamou à comunhão 
com Ele continuarão na fé até o fim. Aqueles que aparentemente 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
42 
 
caem ou nunca tiveram fé verdadeira para começar (1 João 2:19), 
ou, se eles são salvos, mas não andam no Espírito, eles serão 
divinamente castigados (Hebreus 12: 5-11) e serão levados ao 
arrependimento (1 João 3: 6–9). 
Tomismo - é a filosofia escolástica de São Tomás de 
Aquino, se caracteriza, pela tentativa de conciliar o aristotelismo 
com o cristianismo. Procurando integrar o pensamento aristotélico 
e neoplatônico, aos textos da Bíblia, gerando uma filosofia do Ser, 
inspirada na fé, com a teologia científica. 
Principais características do tomismo: 
- O caminho da salvação está relacionado com o livre-
arbítrio e com a prática de boas obras. 
- Buscou a integração entre o pensamento aristotélico e 
neoplatônico com os ensinamentos e doutrinas da Bíblia. Isto é, o 
tomismo buscou estabelecer relações entre a base da filosofia 
grega e as doutrinas do cristianismo. 
- Integração harmônica entre a ciência (racionalismo 
aristotélico) e a fé (crenças cristãs). Logo, o tomismo faz parte do 
método conhecido como escolástica. 
- Valorização do intelectualismo, ou seja, a prevalência do 
intelecto (conhecimento) sobre a vontade. 
Molinismo é a doutrina sobre a Divina Providência que 
leva o nome do jesuíta espanhol Luís de Molina (1535-1600) que 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
43 
 
procura conciliar, em vista do livre-arbítrio, as ideias de que os 
seres humanos possuem liberdade significativa ou libertária e de 
que Deus possui controle providencial sobre tudo o que ocorre. 
 A maneira pela qual Deus é capaz de exercer controle 
providencial sobre tudo o que ocorre num mundo onde existem 
criaturas livres é através de Seu conhecimento médio, isto é, 
conhecimento hipotético ou conhecimento contratual de tudo o 
que criaturas livres fariam em todas as circunstâncias em que 
Deus as colocaria. 
 
 
8 A PROVIDÊNCIA SALVADORA 
A Providência Divina 
Artigo Dom Orlando Brandes 21 jul. 2009 
 
Deus é Pai, todo poderoso. Deus é amor. É próprio do 
amor cuidar, guiar, conduzir, prevenir. Providência significa amor 
sábio e cuidadoso. Amor que protege, conserva, transforma a 
história do mundo e das pessoas. É Deus que se interessa pelos 
nossos interesses. Deus, rege o mundo. Não há destino cego, 
nem acaso, nem poder dos astros. Estamos no coração, nos 
braços e nas mãos de um Pai providente, santo, sábio. 
O amor de Deus é um amor pelo mundo que Ele mesmo 
criou e quer sua continuação e construção. Deus tem projeto e 
intenções para com a história e o mundo. Ele dá o rumo, a direção, 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
44 
 
a meta para o mundo e como Pai cuida e sustenta suas criaturas 
e seus filhos. A Providência Divina é uma atividade permanente 
de Deus, um cuidado permanente. Ele cria e recria, dirige tudo à 
plenitude, 
Ele cria e recria, dirige tudo à plenitude, não está longe de 
nós, nem é mero expectador dos acontecimentos. Ele se auto 
limita para poder adaptar-se ao nosso ritmo e assim permitir que 
as limitações das criaturas, a lei natural, e a liberdade humana 
sigam seus caminhos. Deus segura a manutenção do mundo. Eis 
a fé cristã na Divina Providência. 
Deus age através da inteligência e da liberdade humana. 
Ele não age sozinho. Quer a nossa colaboração, age e trabalha 
nas criaturas, numa admirável sinergia entre o Criador e a 
criatura. Os homens constroem a história com as intenções e a 
graça de Deus. Não há concorrência, há colaboração. Somos co-
criadores do Criador. Deus confia no homem, quer sua 
participação, colaboração e ação. 
Quando a liberdade humana erra, sai do rumo, a 
Providência corrige a rota com a misericórdia e a inspiração do 
Espírito. Sempre podemos ter esperança numa situação 
desesperadora. Do mal Deus pode tirar o bem. O amor 
providencial perdoa, corrige, refaz e recria o que foi desviado ou 
destruído. Deus não age sozinho, nem o homem é a única 
providência. Pelo contrário o homem é portador da Providência 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
45 
 
Divina, na sua capacidade e previsão e prevenção com o auxílio 
da graça. 
Se não cremos na Providência caímos nas garras da 
fatalidade, do destino, do acaso, da sorte ou do azar, dos astros e 
dos espíritos. Deus não é uma energia cósmica universal sem 
rosto. Deus é alguém, um Tu, uma consciência, Deus é Pai que 
sofre com os sofrimentos de seus filhos e carrega seus fardos. 
A oração de súplica é uma atitude de fé na Providência 
Divina que tudo conduz para a participação de sua glória. Todas 
as criaturas farão parte do novo céu e da nova terra. Que bom ter 
fé e saber que há sentido, há rumo, há futuro. Estamos livres do 
absurdo porque cremos no Absoluto. A fé na Providência Divina 
nos livra das preocupações, dos medos e inseguranças. Tudo 
concorre para o nosso bem. Deus age em nossas vidas como 
amigo, companheiro, parceiro, torcedor e guia. Quem crê na 
Providência livra-se da magia, da astrologia, do destino cego. A 
mão do Senhor nos conduz e faz prodígios, portentos e 
maravilhas em nossas vidas. Na luz da Providência tudo tem 
sentido e meta. Nada é por acaso. 
A melhor atitude diante da Providência Divina é a 
colaboração de nossa parte. Rezar como se tudo dependesse de 
Deus, e trabalhar como se tudo dependesse de nós. Outra atitude 
sábia é a da confiança, do saber abandonar-se na bondade, 
sabedoria e onipotência de Deus. Fazer tudo para mudar o que é 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
46 
 
possível ser mudado e aceitartudo o que não pode mais ser 
mudado, eis a espiritualidade do abandono, da confiança, da 
entrega de si nas mãos do Bom Pastor, o Deus da vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
47 
 
 
9 OS ASPECTOS DA PROVISÃO DE CRISTO QUANTO A 
SALVAÇÃO 
I Salvação 
A palavra no grego soxo, significa salvação, libertação e 
cura. Jesus veio a este mundo para nos salvar, libertar e curar as 
almas necessitadas. 
O que o apóstolo João viu testificou e escreveu na sua 
carta: “E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para 
Salvador do mundo” (1ª Jo 4. 14). Jesus veio ao mundo com este 
propósito de salvar o homem, e livrá-lo de uma condenação 
eterna. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o 
seu Filho unigênito, para que todo aquele que n’Ele crê não 
pereça, mas tenha a vida eterna Porque Deus enviou o seu Filho 
ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o 
mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3. 16-17). Paulo declara: “Que 
Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores dos quais 
eu sou o principal” (1ª Tm 1. 15) No evangelho segundo Lucas 
Jesus diz: “Pois o Filho do homem veio buscar e salvar que se 
havia perdido” (Lc 19. 10). 
“E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim 
importa que o Filho do homem seja levantado” (Jo 3. 14). 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
48 
 
No versículo acima Jesus faz uma antítipo (figura 
representada por outra; personagem tipificada no Novo 
Testamento), onde Ele compara-se a serpente levantada por 
Moisés no deserto. 
No livro de Números capítulo 21, a Bíblia descreve o 
motivo porque Moises levantou no a serpente de bronze em uma 
haste. O tempo em que Israel peregrinou no deserto o povo 
murmurou contra Deus e Moises dizendo: “Por que nos fizestes 
subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há 
pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil” (v. 5). 
A consequência desta atitude repreensível e 
descontentamento, Deus enviou serpentes que mordiam o povo; 
e morreram muitos do povo de Israel. Após a repreensão de Deus, 
eles reconheceram o seu pecado e pediram misericórdia a Moisés 
dizendo: “Havemos pecado, porque temos falado contra o 
SENHOR e contra ti; ora ao SENHOR que tire de nós as 
serpentes. 
Então, Moisés orou pelo povo” (v. 7). Após a intercessão 
de Moisés, disse o Senhor: “Faze uma serpente abrasadora, põe-
na sobre uma haste, e será que todo mordido que a mirar viverá” 
(v. 8). E procedeu Moisés como Deus lhe mandara: “Fez Moisés 
uma serpente de bronze e a pôs sobre uma haste; sendo alguém 
mordido por alguma serpente, se olhava para a de bronze, sarava” 
(v. 9). 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
49 
 
Adão e Eva ao serem atingidos pelo veneno da serpente 
no jardim do Éden, ficaram infetados pelo vírus chamado pecado, 
e assim toda a raça humana ficou contaminada. 
A passagem acima, então tipifica Jesus sendo levantado 
em uma cruz; e aqueles que fossem contaminados pelo veneno 
da serpente (o pecado), olhando para Cristo fossem salvos e 
curados e livres da maldição. 
A serpente é símbolo de maldição. Cristo Jesus ao ser 
pendura na cruz tornou-se maldito por nós, para que fossemos 
ricos em glória com Ele. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, 
fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar. Porque está 
escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro) (Gl 
3. 13). 
Era necessário que o Filho de Deus fosse morto numa 
cruz para cumprir os desígnios do Pai e também para cumprir o 
que fora dito pelo profeta Isaías “Mas Ele foi ferido pelas nossas 
transgressões, e moído pelas nossas iniquidades [...]”. (Is 53. 5). 
Cristo não tendo pecado se fez pecado por nós. A cruz 
que seria para o pecador ele mesmo levou. Por amor Jesus Cristo 
se doou por nós. 
1 O recebimento da salvação 
1.1 A salvação é um dom de Deus (Ef 2. 8). 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
50 
 
1.2 O Espírito Santo (Jo 16. 8-9), e a Palavra de Deus (Rm 
10. 8; 14. 17), operam no interior do homem. 
1.3 Para receber a salvação o homem precisa crer em 
Jesus (Jo 1. 12-13; At 2. 21). 
1.4 Com a boca se confessa para a salvação (Rm 10. 9-
10; Sl 51. 12). 
 
 
 
 
II RESSURREIÇÃO 
 
 
 
1 O que significa a palavra ressureição. 
https://3.bp.blogspot.com/-bYg-k8liP9A/WEL-TQXxDmI/AAAAAAAAD94/fdSxfNRqp2gXlKJFlp7JknXBW2N9v6ZhACLcB/s1600/JESUS+13.jpg
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
51 
 
A palavra ressuscitar tem origem no termo 
grego anistemi, do latim resuscitare, que por sua vez derivou da 
palavra resurgere, que literalmente significava “levantar-se 
dentre os mortos; erguer-se outra vez; retornar a vida. 
A doutrina da ressurreição tem sua base essencialmente 
sobre o fato da ressurreição de Cristo. Segundo a Bíblia, Jesus 
ressuscitou várias pessoas e foi o primeiro a ressuscitar entre os 
mortos. 
Verdadeiramente, quando Cristo morreu e ressurgiu 
dentre os mortos, raiou um novo dia, teve início a uma nova era. 
Esse novo dia é o “dia da salvação” (2ª Co 6. 12), e as bênçãos 
“de grande salvação” (Hb 2. 3) as tão ricamente diversas que não 
podemos defini-las adequadamente. 
Sem a ressurreição, a cruz teria feito de Cristo o maior 
mártir do mundo. Mas a cruz, com a ressurreição, fez d’Ele o único 
Salvador do mundo. 
A Morte Vicária de Cristo (substituto, morte de jesus na 
cruz para livrar a humanidade do pecado) removeu todos os 
obstáculos legais para o recebimento da vida espiritual, mas 
somente o poder da ressurreição poderia levar os homens para 
alcançar esta nova vida. 
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, 
segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
52 
 
esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os 
mortos” (1ª Pe 1. 3). 
Paulo reconhecia a importância tanto da cruz como do 
túmulo vazio. Declarou que seu velho “eu” pecador fora morto 
mediante a identificação com o Salvador crucificado e que lhe fora 
concedida vida nova mediante a comunhão com o Salvador vivo. 
“Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim 
de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou 
eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, 
tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a 
si mesmo se entregou por mim” (Gl 2. 19-20). 
A ressurreição de Cristo é muito mais que um mero evento 
histórico. A ressurreição é a prova de que Cristo vive para elevar 
aqueles que n’Ele creem, de um estado de morte espiritual para 
uma vida espiritual. 
“Estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida 
juntamente com Cristo, pela graça sois salvos, e, juntamente com 
ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em 
Cristo Jesus” (Ef 2. 5-6). 
O poder de Cristo que nos ressuscita da morte espiritual, 
nos dá a esperança da vida eterna. É uma força sobrenatural que 
nos capacita a viver abundantemente em Cristo cada dia. Este 
poder aumenta cada vez, à medida que conhecemos a Cristo 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
53 
 
profundamente. À medida que temos mais intimidade com Ele, 
ficamos cada vez mais conformado a uma vida de santidade. 
“Para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a 
comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na 
sua morte” (Fl 3. 10). 
A Bíblia não promete que os crentes serão poupados da 
morte física. O que a Bíblia promete é a nossa vitória sobre a 
morte. 
“O último inimigo a ser destruído é a morte. Onde está, ó 
morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O 
aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças 
a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor 
Jesus Cristo” (1ª Co 15. 26, 55-57). 
A ressurreição de Cristo é a garantia da vitória sobre a 
morte. Cristo foi o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, para 
nunca mais morrer, e todos os salvos seguirão o Seu exemplo. 
“Mas, de fato, Cristo ressuscitoudentre os mortos, sendo 
ele as primícias dos que dormem” (1ª Co 15. 20). 
Como ressuscitou e está vivo, ele pode absolver a todos 
os que, verdadeiramente arrependidos, creem e o recebem como 
Senhor e Salvador de suas vidas (Jo 1. 11 e 12; Ap 3. 20). 
 
 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
54 
 
 
III SUBSTITUIÇÃO 
 
Um dos pontos mais importantes da doutrina da Salvação 
é a substituição. Pelo simples motivo Deus condenou o pecado 
com a morte (Rm 6. 23). Em Ez 18: 4 Deus usou o seu servo e 
decretou “A alma que pecar morrera” E foi confirmada Ez 18: 20, 
dizendo que cada um seria responsável pelo seu próprio pecado. 
Caso não fosse aceito Cristo como nosso substituto todos 
estaríamos mortos. Mas através de Cristo podemos estar vivos 
(Ef 2. 1). 
Satanás foi taxativo quando disse para Eva, Gn 3.4 “Então 
a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis” Eva 
pensava em um tipo de morte, Satanás falava de outro, ou seja 
entendia o que Deus havia determinado. Muitas pessoas estão 
https://2.bp.blogspot.com/-FjGhPBItHDM/WEL-vs3Kk5I/AAAAAAAAD98/fPSB3IKv8f4_ynJypIWJUf-EBHAYGgXowCLcB/s1600/JESUS+O+CORDEIRO+DE+DEUS.jpg
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
55 
 
vivendo vegetalmente. Estando o homem no pecado ele não 
poderia livrar-se do castigo por isso foi necessário a substituição. 
1 O Homem Como Réu. 
Quando Deus reuniu as partes Satanás, Adão, Eva, e a 
Serpente foi determinado para cada um uma sentença Gn 3.11-
16. Para o homem Deus determinou o trabalho etc. Gn 3: 17-18. 
Não precisava mais Deus falar que Adão estava morto pois já era 
uma evidencia objetiva tinha pecado estava morto Gn 2. 17. 
Preste atenção essa ordem foi dada antes da criação da mulher. 
Provavelmente foi Adão quem contou para Eva. 
É importante relembrar novamente as causas do pecado 
pois sem este ponto de partida seria impossível compreender o 
porquê da substituição. Com o pecado o homem estava 
literalmente arrasado, é como o sub título “O Homem Como Réu” 
no tribunal falam os advogados, os promotores, as testemunhas 
o juiz, de uma só pessoa o réu, mesmo todos falando dele mesmo 
assim ele continua calado. 
2 O Deus da condenação. 
Sendo Deus justo Is 45. 21. Deus determinou uma ordem 
“Não comerás” se o homem comeu Deus sendo justo tinha que 
julgar o erro do homem. Foi julgado considerado culpado veio a 
punição (Rm 2. 6-8). Naquele momento o homem estava 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
56 
 
prestando contas a Deus pelo seu erro (Tg 1. 15). O Senhor Deus 
não poderia naquele momento tomar outra iniciativa (Is 59. 2). 
Deus tomava uma posição de justiça, quem condena o 
homem não é Deus mas os nossos pecados, pecado quer dizer 
transgressão. A palavra de Deus está a disposição de todos para 
examinar, obedecer, ter como regra de fé, mas a humanidade não 
Deus ouvido, e tudo isso está diante de Deus, quando 
comparecerem perante o Senhor será essa iniquidade quem vai 
condenar o homem ímpio. 
3 O Deus da Salvação. 
Deus é justo e justificador, por causa disso Ele 
providenciou a Salvação para o homem Gn 3. 15. Naquela época 
seria impossível entender. Deus deu dois parâmetros para essa 
palavra “feriras o calcanhar”: 1) coletivo a raça humana esmagaria 
o Diabo. 2) No singular o nascimento de Jesus (1º Jo 3. 8). Deus 
lançou o homem fora do Jardim Gn 3. 23. Mas a promessa de 
restabelecer ao homem foi dado para Abraão (Gn 12. 1-2). 
Deus é um ser inigualável, no mesmo momento que Ele 
estava condenado, o próprio Deus arruma uma atenuante para o 
homem sair da enrascada que ele havia entrado, isso chama-se 
graça de Deus (Tt 2. 11). O apóstolo aos Romanos 5. 15 diz que 
pelo pecado morreram muitos mas por Jesus a graça abundou. 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
57 
 
Movido pela perfeição do Seu santo amor, Deus enviou 
Seu Filho Jesus para substitui-se por nós, pecadores. Jesus nos 
leva agora a nos voltarmos aos acontecimentos realizados na 
Cruz e para as consequências que ela alcançou em nosso favor. 
O pecado colocou o homem num dilema horrível. Sendo 
incapaz de viver uma vida perfeita, seu pecado o condena à 
morte; contudo há uma solução para esta situação crítica: a 
substituição vicária de Cristo em seu lugar, que satisfaz a 
penalidade da lei mediante Sua morte, a qual cumpriu a existência 
divina da retidão humana através da sua vida de obediência. 
O resultado da substituição que Cristo, em obediência e 
amor, realizou por nós, é o seguinte: Se um carregou a maldição 
por todos, satisfazendo assim a justiça e a santidade de Deus, 
então os outros foram libertos da maldição por meio d’Ele, 
legalmente resgatados por meio do preciosos sangue de Cristo, 
reconciliados através da morte do Filho de Deus. 
Tão perfeito quanto foi a intervenção de Jesus em favor 
dos homens, tão suficiente e completa, válida para todos os 
tempos e para todos os homens foi também a expiação. No 
Gólgota toda a dívida da humanidade foi paga, e a manhã do 
primeiro dia da semana deu testemunho de que “o escrito de 
dívida, que era contra nós” fora cancelado (Cl 2. 14; cf. Rm 4. 25). 
O que Deus fez em Cristo por meio da cruz é salvar-nos, 
revelar-se a si mesmo e vencer o mal. Quem recebeu a 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
58 
 
reconciliação por meio de Cristo tem a certeza que está 
reconciliado e justificado através de seu sangue, não precisa 
temer nenhum juízo condenatório (Rm 5. 5ss; 8. 1). “Quem os 
condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem 
ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por 
nós” (Rm 8. 34). 
4 A penalidade pela culpa do homem 
“O homem não somente está excluído do céu devido ao 
seu pecado, mas além disto, está sentenciado à morte”. (Ez 18. 
4). Deus não pode mentir, Ele proferiu esta sentença, portanto, 
terá que julgá-lo. 
 Deus sendo santo não poderia contemplar o pecado na 
vida do homem. Mesmo o homem estando separado de Seu 
Criador pelo pecado, Ele O amava e queria que todos os homens 
tivessem uma oportunidade de salvação. Por isso Ele enviou Seu 
Filho Unigênito, que morreria vicariamente no lugar da totalidade 
dos homens, promovendo assim, a salvação para todos aqueles 
que escolhessem aceitar pela fé esta obra redentora. 
Na cruz do Calvário Jesus Cristo apagou os nossos 
delitos e pagou nossa dívida. Nenhum favor da graça divina 
poderia ter lugar até que a dívida de toda a transgressão do 
pecado fosse paga totalmente. 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
59 
 
A Bíblia diz que: “Aquele que não conheceu pecado, ele o 
fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de 
Deus” (2ª Co 5. 21). Não quero dizer que Cristo tornou-se pecador, 
mas, sim explicar que Ele tomou sobre si a plena responsabilidade 
pelos nossos pecados. 
 
5 A insuficiência do homem para salvar-se 
A morte vicária de Cristo satisfez as exigências da lei 
quanto a morte pelo pecado. Há porém, uma segunda exigência 
que precisa ser cumprida para levar o homem ao céu. A 
obediência perfeita a Santa Palavra de Deus (Rm 10. 5; Gl 3. 12). 
Jesus pagou nossa dívida com Sua morte na cruz do 
Gólgota, e com Sua morte Ele abriu o Caminho para o céu. Agora 
todos são chamados para entrar por este caminho (Mt 11. 28). 
Esse Caminho é Jesus: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; 
ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14. 6). Ele é o novo 
Caminho: “Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo 
véu, isto é, pela sua carne” (Hb 10. 20). 
 
 
 
 
 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
60 
 
IV REDENÇÃO 
 
Redenção do verbo “Redimir” quer dizer “comprar de 
volta”. Há três palavras gregas que são traduzidas por redenção. 
A primeira é “agorazo”, que significa comprar no mercado de 
escravo. Esta palavra é sempre usada para destacar o preço pago 
pela nossa salvação (Ap 5. 9). 
A segunda palavra “exagorazo”, é semelhante, mas, 
acrescenta a ideia de retirar a pessoa do mercado de escravo 
após a transação. Esta palavra é usada para destacar a libertação 
do crentehttps://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref13
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref14
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref15
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref16
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref17
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref18
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref19
https://www.vidapastoral.com.br/autor/b/benedito-ferraro/significado-politico-teologico-da-morte-de-jesus/#_ftnref20
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
87 
 
Pe. Benedito Ferraro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I 
 
88

Mais conteúdos dessa disciplina