Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ 
 
 
 
 
 
ISABELA FRANCISCO RIBEIRO 
 
 
 
 
 
 
 
HÁBITOS DE CONSUMO DE PRODUTOS BUBALINOS E SUA DIVULGAÇÃO EM 
DIFERENTES REGIÕES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DOIS VIZINHOS 
2024
13 
 
1 INTRODUÇÃO 
A bubalinocultura possui um grande potencial de crescimento no Brasil 
devido às diversas vantagens que essa atividade oferece em comparação com a 
criação de gado bovino tradicional (VIEIRA, et al 2011). 
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 
2022 o rebanho de búfalos no Brasil chegou em cerca de 1,59 milhões de cabeças, 
tendo como maior produtor da criação o estado do Pará. 
Búfalos são animais mais resistentes a doenças, e produzem carne e leite 
de alta qualidade, ricos em nutrientes e com um mercado em expansão (PAULIN, et 
al., 2021). São considerados animais rústicos, pois são bem adaptados a solos de 
baixa fertilidade, terrenos alagadiços, sendo capazes de converter alimentos fibrosos 
em proteínas de alto valor (carne e leite), apresentando longevidade e possibilidade 
de ocupar áreas geográficas nas quais às demais espécies de ruminantes não se 
adaptariam (VIEIRA, et al., 2011). 
 Das várias raças existentes no mundo, o Brasil possui quatro (Murrah, 
Mediterrâneo, Jafarabadi e Carabao) que são reconhecidas pela Associação 
Brasileira de Criadores de Búfalos, nas quais tem dupla aptidão (carne e leite). 
Os benefícios de consumo de produtos de bubalinos já é visto tanto para o 
consumo de carne, como para o leite, e os seus subprodutos, como a mozzarella de 
búfala, nas quais tem um alto valor nutricional, trazendo benefícios para a saúde dos 
consumidores, porém o alto valor de aquisição e também a baixa oferta são fatores 
que limitam a adesão dos consumidores. 
No entanto, a falta de conhecimento e divulgação impede o crescimento 
significativo desse setor. Este trabalho visa identificar como está o consumo de 
produtos de bubalinos e seu conhecimento pelos consumidores, identificando como 
a criação é conhecida pelos consumidores de diferentes regiões e mostrando um 
pouco dos seus benefícios. 
2 OBJETIVOS 
14 
 
2.1 OBJETIVO GERAL 
Identificar e analisar quais os perfis dos consumidores de produtos bubalinos 
e qual seu nível de conhecimento sobre a criação, divulgando informações sobre 
os benefícios de seu consumo. 
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
− Analisar se há o consumo de carne, leite e queijo de búfalo em diferentes 
regiões 
 
− Identificar o perfil dos consumidores, visualizando a idade, gênero e qual 
região se encontra. 
 
− Divulgar os benefícios do consumo de produtos de bubalinos. 
 
15 
 
3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 
3.1 PANORAMA ATUAL DA BUBALINOCULTURA NO BRASIL 
A bubalinocultura no Brasil tem se expandido lentamente, mas com 
perspectivas promissoras. A criação de búfalos ainda enfrenta desafios no Brasil, 
como a falta de investimentos em pesquisa e tecnologia, muitos produtores ainda 
utilizam técnicas tradicionais de manejo e produção, o que limita o potencial da 
atividade, além de que, como a produção ainda é relativamente pequena, dificulta a 
comercialização dos produtos e seu conhecimento pelos consumidores. Os 
principais estados produtores incluem o Pará, a Ilha de Marajó e o Maranhão, onde 
as condições climáticas e geográficas são favoráveis à criação de búfalos. Estudos 
mostram que os búfalos são mais resistentes a doenças como a brucelose e a 
tuberculose, comuns no gado bovino, o que reduz os custos com medicamentos e 
tratamentos veterinários (ALVES e SILVA, 2020). 
No Brasil são reconhecidos quatro grupos genéticos pela Associação 
Brasileira dos Criadores de Búfalo (ABCB), classificados como Murrah, 
Mediterrâneo, Jafarabadi e Carabao, sendo os três primeiros classificadas como 
búfalos de rio e o último como búfalo de pântano (ABCB, 2020). 
O búfalo possui características zootécnicas de elevada fertilidade, produção 
de longa duração, baixas morbidade e mortalidade, maior capacidade na digestão 
de fibras e grande adaptabilidade às mais adversas condições, além de ser uma 
espécie de alta qualidade em termos de tração, carne e leite (NASCIMENTO, et al., 
2023). 
Os bubalinos possuem uma habilidade natural de se adaptar a variações de 
temperatura e condições climáticas, porém, são bastante suscetíveis ao estresse 
térmico em altas temperaturas, sendo necessário para o sucesso da bubalinocultura 
fornecer condições de sobrevivência próprias à criação e o controle e a profilaxia 
devem consistirem em manejo adequado, vacinações de todo o rebanho 
(NASCIMENTO, et al., 2023). 
Apesar dos ótimos benefícios do consumo, pesquisas mostram que o 
acesso aos produtos bubalinos é um pouco restrito, pois poucas pessoas já 
consumiram carne, leite ou subprodutos dessa espécie animal. Por motivos como 
alto valor aquisitivo, falta de oferta no mercado ou não ter conhecimento dos 
16 
 
benefícios, fazendo com que haja uma certa limitação no mercado, e não tenha 
tanta procura dos consumidores no Brasil. 
3.2 CARNE 
A carne de búfalo é valorizada por seu alto valor nutricional, ela tem 
aparência similar à carne bovina, porém a gordura é totalmente branca. O índice de 
gordura intramuscular é muito menor que o da carne bovina, permitindo que ao 
retirar a gordura intermuscular, obtenha-se uma carne mais magra e saudável. 
Segundo PRADO et al., (2014), a carne de búfalo possui menor teor de gordura e 
colesterol em comparação à carne bovina, além de apresentar uma alta 
concentração de proteínas de alta qualidade. 
 Uma das vantagens da criação de búfalos de acordo com COSTA (2016), é 
que eles têm uma maior eficiência na conversão de pasto em carne, necessitando 
de menos alimento para produzir a mesma quantidade de carne que o gado bovino. 
Além disso, os búfalos são mais resistentes a doenças, reduzindo a necessidade de 
medicamentos e produtos químicos que podem impactar negativamente o meio 
ambiente. 
A carne de búfalo apresenta-se como uma alternativa viável e rentável para 
os produtores rurais, os custos de produção são menores devido à maior resistência 
dos búfalos a condições adversas e à menor necessidade de suplementação 
alimentar, sendo assim, sua rusticidade pode trazer lucratividade para os produtos, 
tornando a criação de búfalos uma opção econômica atrativa (LIMA, 2017). 
3.3 LEITE 
O leite de búfala é conhecido por seu alto valor nutricional. Segundo 
QUEIROGA et al., (2007), o leite de búfala contém maior teor de gordura, proteínas, 
cálcio e fósforo em comparação ao leite de vaca. Essa composição rica torna-o 
especialmente benéfico para a saúde óssea e muscular. Além disso, o leite de 
búfala possui menor quantidade de colesterol e é uma excelente fonte de vitaminas, 
como a vitamina A e a vitamina B12. 
Os benefícios à saúde do consumo de leite de búfala são significativos. De 
acordo com FERNANDES, et al., (2011), o leite de búfala tem propriedades anti-
inflamatórias e antioxidantes devido à presença de componentes bioativos. Isso 
17 
 
pode contribuir para a prevenção de doenças crônicas e melhorar a saúde geral dos 
consumidores. Além disso, estudos mostram que a caseína presente no leite de 
búfala é mais fácil de digerir, tornando-o uma opção viável para pessoas com 
intolerância ao leite de vaca (VARGAS et al., 2014), o leite de búfala contém a 
proteína beta caseína A2, que não causa alergias e facilita a digestão e não provoca 
os desconfortos intestinais. 
3.4 QUEIJO DE BÚFALA (MOZZARELLA DE BÚFALA) 
O queijo de búfala, especialmente a famosa mozzarella de búfala, tem 
ganhado destaque no Brasil devido aos seus benefícios nutricionais, sabor 
diferenciado e vantagens econômicas. 
O queijo de búfala é conhecido por seu alto valor nutricional, ele contém 
maior teor de proteínas e minerais como cálcio e fósforo em comparação ao queijo 
de vaca, além disso, a gordura presente noqueijo de búfala é rica em ácidos graxos 
insaturados, que são benéficos para a saúde cardiovascular (SOUZA, et al., 2011). 
O sabor e a qualidade do queijo de búfala são frequentemente mencionados 
como superiores. De acordo com SILVA, et al., (2013), a mozzarella de búfala 
possui uma textura mais cremosa e um sabor mais suave e delicado em 
comparação com a mozzarella de vaca, o que a torna preferida por muitos 
consumidores. Essa superioridade de sabor está ligada ao perfil de ácidos graxos e 
à qualidade das proteínas presentes no leite de búfala. 
4 MATERIAL E MÉTODOS 
Foi realizado um questionário para fazer um levantamento de como é o 
consumo de produtos bubalinos em diferentes regiões e também o conhecimento 
dos mesmo sobre os benefícios da carne, leite e queijo de búfala, foi obtido 60 
respostas. 
No questionário foi perguntado a idade, gênero, localização(estado) e se o 
questionado já consumiu produtos de bubalinos. 
Após isso foi mostrado os benefícios do leite de búfala, e logo em seguida 
questionado se já houve o consumo do mesmo, isso também foi feito para a carne e 
em seguida o queijo de búfala. 
https://forms.gle/zmsaAqvD44UKXc2EA
18 
 
Foi perguntado qual a razão de não consumir produtos bubalinos, e se após 
o questionário despertou o interesse de compra e consumo desses produtos, e no 
final foi colocado três links de acesso a informações sobre a bubalinocultura. 
 
5 RESULTADOS 
Foi visto que 60% (36 respostas) que responderam ao questionário tem idade de 20 
a 25 anos, 28,3% (17 respostas) tem de 25 a 30 anos, 6,7% (4 respostas) menos de 
20 anos, e 5% (3 respostas) de 30 a 40 anos, não houve nenhuma resposta de 
pessoas com mais de 40 anos. 
Fonte: Autoria Própria (2024) 
 
Foi visto que 56,7% (34 respostas) foram do gênero feminino e 43,4% (26 respostas) 
do gênero masculino. 
Fonte: Autoria Própria (2024) 
19 
 
 
Foi visto que 61,7% (37 respostas) já consumiram produtos bubalinos, e 38,3% (23 
respostas) não consumiram nenhum produto. 
Fonte: Autoria Própria (2024) 
 
Foi visto que 56% (34 respostas) são do estado do Paraná, 37% (22 respostas) são 
do estado de São Paulo, 5% (3 respostas) são de Minas Gerais, e 2% (1 resposta) 
do Rio Grande do Sul. 
 
Fonte: Autoria Própria (2024) 
 
Foi visto que 81,7% (49 respostas) não consumiram leite de búfala, 13,3% (8 
respostas) já consumiram leite de búfala, e 3% (5respostas) talvez já tenham 
consumido leite de búfala. 
56%
37%
2%5%
Qual o seu estado?
Paraná
São Paulo
Rio Grande do Sul
Minas Gerais
20 
 
Fonte: Autoria Própria (2024) 
 
Foi visto que 70% (42 respostas) não consumiram carne de búfalo, 25% (15 
respostas) já consumiram carne de búfalo, e 5% (3 respostas) talvez já tenham 
consumido carne de búfalo.
 
Fonte: Autoria Própria (2024) 
 
Foi visto que 61,7% (37 respostas) já consumiram leite de búfala, 33,3% (20 
respostas) não consumiram leite de búfala, e 5% (3 respostas) talvez já tenham 
consumido queijo de búfala.
21 
 
 
Fonte: Autoria Própria (2024) 
Foi visto que 40% (24 respostas) não consome produtos bubalinos por falta 
de oferta no mercado, 30% (18 respostas) pelo alto valor dos produtos, 26,7% (16 
respostas) por não terem conhecimento, 1,7% (1 resposta) não apreciam os 
produtos, e 1,7% (1 resposta) pois não foi incluído no hábito diário.
 
Fonte: Autoria Própria (2024) 
 
Foi visto que 95% (57 respostas) houve-se a curiosidade de comprar e consumir 
produtos bubalinos após ver os benefícios mostrados dentro do questionário e 5% (3 
respostas) não tiveram curiosidade após visualizar o questionário.
22 
 
 
Fonte: Autoria Própria (2024) 
6 CONCLUSÃO 
A bubalinocultura tem um grande potencial de crescimento no Brasil, mas 
enfrenta desafios que precisam ser superados através de estratégias eficazes de 
divulgação e desenvolvimento de produção. A educação e capacitação dos 
produtores, juntamente com campanhas de marketing bem elaboradas, inovação 
tecnológica, melhoria da infraestrutura e uma abordagem estratégica de mercado, 
são essenciais para o sucesso deste setor. A colaboração entre produtores, 
pesquisadores, instituições educacionais e o governo é crucial para transformar a 
bubalinocultura em uma atividade econômica significativa e sustentável, tendo visto 
que na visão dos consumidores os maiores problemas é a baixa oferta e 
consequentemente o alto valor dos produtos no mercado. 
23 
 
REFERÊNCIAS 
ALVES, P. R.; SILVA, J. E. Bubalinocultura no Brasil: Perspectivas e Desafios. 
Revista Brasileira de Zootecnia, v. 49, p. 123-130, 2020. 
COSTA, R. G., QUEIROGA, R. C. R. E., & MEDEIROS, A. N. (2016). "Sustainable 
livestock production: an analysis of Brazilian buffalo farming." Ciência Rural, 46(12), 
2230-2237. DOI: 10.1590/0103-8478cr20151345. 
FERREIRA, L. G.; MENDES, C. R. A Importância da Capacitação de Produtores 
Rurais na Bubalinocultura. Agronegócio Hoje, v. 36, p. 45-53, 2019. 
FERNANDES, M. F., MOURA, A. F., & SANTOS, G. R. (2011). "Bioactive 
compounds in buffalo milk and their health benefits." Ciência Rural, 41(12), 2128-
2133. DOI: 10.1590/S0103-84782011001200027. 
LIMA, L. D., SOUZA, B. B., & OLIVEIRA, M. E. (2017). "Economic viability of buffalo 
meat production in the Northeast of Brazil." Revista Brasileira de Gestão e 
Desenvolvimento Regional, 13(1), 85-97. DOI: 10.1590/S1677-
04342017000100008 
MARTIN, A. A., SILVA, J. F., SANTOS, R. A., & COSTA, C. (2015). "Fatty acid 
profile and cholesterol content in buffalo meat." Revista Brasileira de Saúde e 
Produção Animal, 16(3), 672-682. DOI: 10.1590/S1519-99402015000300023. 
MARTINS, H. M.; CARVALHO, L. C. A Expansão da Bubalinocultura: Desafios e 
Oportunidades. Agropecuária em Foco, v. 15, p. 95-102, 2020. 
NASCIMENTO, S. DA, J. A.; JUNIOR, N. de. G.; OLIVEIRA, DE. A. P.; FANTIN, R. 
B.; DANTAS, A. Bubalinocultura no Brasil: principais raças, características e 
importancia ao agronegócio, 2023. Disponível 
em:https://peerw.org/index.php/journals/article/view/193/165 
PAULIN, L. M. S.; FERREIRA NETO, J. S. Brucelose em búfalos.Arquivos do 
Instituto Biológico, v. 75, p. 389-401, 2021. Disponivel 
em:https://www.scielo.br/j/aib/a/MJqyhghtfRLh4bPqwmDPb7B/?lang=pt. Acesso em: 
30 dez. 2021 
PRADO, I. N., PRADO, R. M., PRADO, J. M., ROTTA, P. P., LEMOS, A. L., & SILVA, 
R. R. (2014). "Carcass characteristics and chemical composition of the Longissimus 
muscle of crossbred bulls and bubalus finished in feedlot." Revista Brasileira de 
Zootecnia, 43(8), 446-454. DOI: 10.1590/S1806-92902014000800006. 
QUEIROGA, R. C. R. E., COSTA, R. G., & MEDEIROS, A. N. (2007). "Chemical and 
physical properties of buffalo milk." Revista Brasileira de Zootecnia, 36(5), 1709-
1715. DOI: 10.1590/S1516-35982007000800030. 
RODRIGUES, T. F.; ALMEIDA, M. V. Estratégias de Marketing para Produtos 
Bubalinos. Marketing Rural e Agronegócio, v. 27, p. 67-75, 2022. 
24 
 
SILVA, J. R., MOURA, A. F., & SANTOS, G. R. (2013). "Sensory evaluation of 
buffalo and cow milk mozzarella." Ciência e Tecnologia de Alimentos, 33(2), 343-
349. DOI: 10.1590/S0101-20612013005000057. 
SILVA, A. C.; PEREIRA, M. J. Inovações Tecnológicas na Bubalinocultura. 
Tecnologia Agropecuária, v. 30, p. 34-42, 2019. 
SOUZA, R. A., COSTA, R. G., & QUEIROGA, R. C. R. E. (2011). "Nutritional value of 
buffalo cheese." Revista Brasileira de Zootecnia, 40(8), 1787-1793. DOI: 
10.1590/S1516-35982011000800028. 
SOUZA, F. A.; OLIVEIRA, R. M. Tecnologia e Inovação na Criação de Búfalos. 
Ciência Animal Brasileira, v. 21, p. 88-97, 2021. 
VARGAS, F. C., SOUZA, B. B., & OLIVEIRA, M. E. (2014). "Digestibility and 
nutritional aspects of buffalo milk proteins." Revista Brasileira de Nutrição Animal, 
26(2), 215-224. DOI: 10.1590/S1519-99402014000200009. 
VIEIRA, N. J.; TEIXEIRA, S. C.; KUABARA, Y. M.; OLIVEIRA, de A. A. D. VIEIRA, 
J.N. Bubalinocultura no Brasil: Short communication. PUBVET, Londrina, V. 5,N. 2, 
Ed. 149, Art. 1003, 2011.