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- -1 Apresentação da unidade 1 - Concepções em Avaliação Educacional Luzia Alves da Silva Olá, caro estudante! Nesta unidade, serão apresentadas as principais concepções de avaliação educacional adotadas no decorrer da história da educação brasileira, com ênfase para aquelas que, atualmente, são defendidas por pesquisadores e estudiosos da contemporaneidade. Veremos, ainda, os fundamentos legais e filosóficos, os principais espaços em que a avaliação é utilizada, bem como os condicionantes que as determinam e os impactos destes no êxito e/ou no fracasso escolar dos alunos. Assim, serão abordadas, no decorrer da unidade, as diferentes funções da avaliação, os mecanismos mais utilizados por quem a executa e os critérios adotados. A compreensão de tais pressupostos se constitui como condição importante e necessária à atuação de alguém que se propõe a se tornar professor. https://www.youtube.com/embed/MP7LjbD8SvU - -1 Avaliação educacional: histórico e concepções no Brasil Luzia Alves da Silva Introdução Caro estudante, você frequentou ou conhece alguém que frequentou a escola na década de 1970? Nesse período, pode-se afirmar que os estudos eram, no Brasil, algo valorizado por todas as famílias? O objetivo deste tópico, o primeiro da unidade, é demonstrar as principais concepções acerca da avaliação utilizadas pelos professores e demais membros das equipes pedagógicas das instituições de ensino durante as décadas de 1970 e 1980. Será dado destaque às influências do contexto sociopolítico da época no processo de escolarização da população brasileira. Bons estudos! A escola brasileira nas décadas de 1960 a 1980 O Brasil, até a década de 1970, era um país que tinha como principal fonte econômica a agricultura e a pecuária. Dessa forma, a maioria das famílias vivia na zona rural. O acesso à escola era possível para uma pequena parcela da população. Tal contexto se justificava, primeiramente, pelo fato de que a educação ainda estava em fase de consolidação, enquanto espaço democrático e acessível a todos, e também porque as famílias – principalmente as pertencentes à classe trabalhadora – não a entendiam enquanto algo a ser valorizado para os filhos. - -2 Figura 1 - Sala de aula Fonte: spass, Shutterstock, 2019. As famílias eram numerosas e, assim, os filhos maiores deveriam auxiliar no sustento dos irmãos. Outro ponto a ser considerado dizia respeito ao fato de que, do ponto de vista dos pais, o filho que chegava a frequentar a escola nem sempre conseguia êxito. Às vezes, porque tinha que trabalhar, às vezes por alguma dificuldade de aprendizagem. Eram condições que acabavam por colocar o aluno em uma situação desfavorável, já que o modelo de educação vigente não levava em conta tais questões. O professor estava ali para ministrar as aulas. O estudante deveria ser interessado, aplicado e disciplinado para alcançar o êxito almejado (ALVES, 2013). Não havia a preocupação de que o aluno possuísse algum tipo de necessidade específica. - -3 Figura 2 - Falta de compreensão por parte do aluno Fonte: hxdbzxy, Shutterstock, 2019. Apesar do contexto sociopolítico, em que é possível identificar a predominância na ênfase à educação profissional, objetivando suprir a necessidade de mão-de-obra para incentivar o desenvolvimentismo no Brasil (ALVES, 2013), observa-se, no exemplo descrito a seguir, que, conforme já visto, a frequência na escola não era para todos. - -4 Infelizmente, sabe-se que, até o final da década de 1970, tal conduta estava presente no ideário de muitas famílias. Aliás, algumas iam até mais longe e acabavam por privar também os homens de frequentar a escola, uma vez que, mesmo com pouca idade, precisavam trabalhar para o sustento da família (ALVES, 2013). Para compreender a concepção de avaliação educacional que permeava o entendimento dos gestores e educadores nas instituições de ensino na década de 1970, faz-se necessário, antes disso, identificar e compreender a concepção de educação da época, bem como os fatores sociais, econômicos e políticos que contribuíam para tal situação. Influências da Ditadura Militar na educação brasileira O contexto político do Brasil nas décadas de 1960 e 1970 foi marcado pela vigência da Ditadura Militar (1964- 1985), contexto este que, em termos econômicos, objetivava ampliar o desenvolvimento industrial e, em consequência disso, necessitava de mão-de-obra qualificada para dar conta de tal propósito (FURLAN, 2012). Nessa perspectiva, a educação, para dar conta de formar trabalhadores, deveria possuir um caráter tecnicista e orgânico, ou seja, ser sistêmica, baseada em práticas bem-sucedidas e articulada com o funcionamento da sociedade (ALVES, 2013). O trabalho da escola nessa tendência pedagógica era “treinar” os alunos para atuarem no mercado de trabalho. EXEMPLO Os pais de Mariana são idosos e vieram de Alagoas para São Paulo em 1980. Ambos possuíam 15 anos quando se mudaram. A mãe, dona Tereza, conta que os dois se conheceram na viagem e que ela jamais imaginou que um dia pudessem se casar. Segundo ela, "[...] ele, sempre que podia, estava com um livro ou uma revista nas mãos. Eu sentia muita inveja dele pois meu sonho era também estudar. No entanto, meus pais diziam que isso não era para as mulheres”. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/978-85-216-2249-9 - -5 Por outro lado, no aspecto social, o regime militar buscava impor à população brasileira uma conduta de submissão e obediência aos princípios impostos pelos governantes. Para alcançar tal propósito, a escola contribuía na medida em que atuava fundamentada na teoria comportamentalista, ensinando e/ou transmitindo os valores propagados pelo regime (ALVES, 2013). Em consequência disso, nesse período a avaliação era "[...] apenas um ato de verificação" (ALVES, 2013, p. 4), já que o modelo de organização tradicional predominante nas instituições escolares tinha, por premissa, que o detentor do conhecimento era o professor. Ao aluno, cabia duas questões: ser disciplinado e aprender o que era transmitido pelos professores em sala de aula. Para Alves (2013, p. 5), naquele período o processo avaliativo não era uma temática que merecia discussão, apenas "[...] o professor ensinava, o aluno deveria aprender e o primeiro julgava (pesando e medindo) se o segundo havia cumprido o seu papel de aprendiz”. FIQUE ATENTO O caráter tecnicista e orgânico da educação era representado de forma clara e objetiva pela predominância da implementação de cursos profissionalizantes para os alunos que terminavam o 1º grau. - -6 Figura 3 - Professor em papel de vigilante da aprendizagem Fonte: Szasz-Fabian Ilka Erika, Shutterstock, 2019. Já a partir da segunda metade da década de 1970, alguns profissionais representativos da área da educação passam a estudar e discutir com vistas a propor alterações não só nas metodologias de avaliação, mas também no processo de ensino-aprendizagem de maneira geral. Em 1980, seguindo a perspectiva de estudiosos de outros países (Emilia Ferreiro, Jean Piaget, entre outros), também no Brasil determinados pesquisadores começam a desenvolver estudos mais específicos sobre a temática da avaliação educacional e, principalmente, disseminá-los através de fóruns, simpósios temáticos, aulas nos cursos de graduação e pós-graduação e palestras e/ou audiências públicas (ALVES, 2013). A premissa, sempre, era a urgência de se repensar os processos avaliativos utilizados nas instituições de ensino. FIQUE ATENTO Nas décadas de 1980 e 1990, os principais pesquisadores brasileiros que se destacaram na busca de formas e/ou teorias propondo mecanismos diferenciados para os processos avaliativos foram: Cipriano Luckesi, José Carlos Libâneo, Paulo Freire, Jussara Hoffmann, Pedro Demo, Ana Maria Saul, Demerval Saviani, entre outros. - -7 Faz-se relevante enfatizar que, apesar do empenho e dedicação dos pesquisadores aqui destacados e de outros tantos no intuito de propor um formato diferenciado aos processos avaliativos nas escolas, tanto em termos teóricoscomo metodológicos, apenas no início da década de 1990 tais encaminhamentos passam a ser considerados pelas equipes pedagógicas das instituições de ensino (FURLAN, 2012). Figura 4 - Processos avaliativos nas escolas Fonte: spass, Shutterstock, 2019. Dessa forma, é relevante destacar que a década de 1990 representou um marco na história da educação brasileira, e não só pela implementação de novos métodos de ensino e avaliação. Foi também nessa época que a educação se consolidou enquanto espaço democrático de ensino e aprendizagem para a maioria da população brasileira em idade escolar. Vale o destaque, aqui, da história da escolarização das pessoas com deficiência no Brasil. Somente com a Constituição Federal de 1988 e a criação da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, mediante a lei 7.853/1990, elas passam a ter o direito de inserção, ainda que de maneira cautelosa e gradativa, nas escolas regulares (GARCIA, 2014). Fechamento Este tópico teve como objetivo discutir as formas de organização e de implementação da educação brasileira nas décadas de 1970, 1980 e 1990. Destacaram-se, ao longo do que acabamos de estudar, os aspectos ligados à avaliação educacional, foco primordial da disciplina, e as influências da ditadura militar, do contexto socioeconômico e do modelo tecnicista de educação brasileira vigente. - -8 Referências ALVES, J. F. Avaliação educacional: da teoria à prática. Rio de Janeiro, LTC, 2013. FURLAN, E. Educação na década de 1970: formação sem informação. [S. I.: s. n., 2012]. GARCIA, V. G. Avanços e desafios das políticas para pessoas com deficiência. , 2014 Disponível em:Brasil Debate . Acesso em: 12 mar.http://brasildebate.com.br/avancos-e-desafios-das-politicas-para-pessoas-com-deficiencia/ 2019. VILLAS BOAS, B. M. de F. Avaliação: interações com o trabalho pedagógico. Campinas: Papirus, 2017. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/978-85-216-2249-9 http://brasildebate.com.br/avancos-e-desafios-das-politicas-para-pessoas-com-deficiencia/ - -1 Conceituando avaliação educacional Luzia Alves da Silva Introdução Caro estudante, você sabe o significado da palavra avaliação? E qual o principal objetivo de se realizar uma avaliação educacional? A quem esse processo se destina? Neste tópico, estudaremos o conceito de avaliação a partir das contribuições de diversos autores dedicados a aprofundar suas pesquisas na temática. Veremos também o papel da avaliação no contexto escolar, além de identificar os principais instrumentos e mecanismos utilizados atualmente para realizar o processo avaliativo no interior das instituições de ensino. Bons estudos! Avaliação: significado, sentido e finalidade Quando pensamos na palavra avaliação, vários conceitos vêm logo à mente: ato de avaliar, de julgar, de apreciar, de aferir, de medir, de examinar. Cada um desses significados terá sua finalidade de acordo com o contexto no qual a avaliação será utilizada: no veículo que se quer vender ou comprar, no trabalho almejado, no vestibular ou no concurso, em sala de aula, no consultório médico ou odontológico. - -2 Figura 1 - Conceito de avaliação Fonte: anaken2012, Shutterstock, 2019. Conforme escreve Costa (2004, p. 5): Observa-se que a ação de avaliar é tarefa inerente ao pensar, ao sentir e ao agir humano, historicamente tem se desvelado das mais variadas formas no dia-a-dia: na opinião das pessoas acerca das outras, acerca de si, de objetos, de situações. Constantemente o ser humano sente a necessidade de refletir e decidir sobre determinadas situações: escolher caminhos e/ou encaminhar soluções, [...] ou seja, decidir sobre algo, ou alguma coisa, a partir de critérios que são sim objetivos, mas que estão diretamente relacionados aos seus interesses, necessidades e condições de existência, ações que exigem decisões individuais ou coletivas conforme as intenções subjacentes e os encaminhamentos que precisam ser dados nas situações em que estejam envolvidos. Nesse sentido, é importante que o processo avaliativo seja realizado mediante critérios e estratégias estabelecidos, na maioria das vezes, em conformidade com os objetivos que se têm com o referido processo. - -3 Dando continuidade ao processo histórico e, de certa maneira, buscando fundamentar teoricamente o conceito de avaliação educacional, vamos, com base em Alves (2013), abordar os principais pensadores da década de 1990 que subsidiaram e ainda subsidiam os fundamentos norteadores das concepções de avaliação educacional presentes nas instituições de ensino. • Edgar Morin, francês, propôs a teoria da complexidade. Para ele, o professor precisa trabalhar os conteúdos de forma articulada e interligada, com o objetivo de desenvolver, nos alunos, pensamentos complexos. Nessa direção, defende que a avaliação seja organizada com base em mecanismos que valorizem a articulação entre as disciplinas do currículo e a partir de critérios e estratégias fundamentadas em teorias que valorizem a interrelação entre os conhecimentos enquanto meio para a ampliação da consciência humana (ALVES, 2013). • Philippe Perrenoud, autor sueco, fundamentado no construtivismo, é o principal defensor da teoria do desenvolvimento das competências. Propõe um modelo de avaliação baseado nas habilidades pessoais e sociais. • César Coll, pesquisador espanhol, fundamentado também no construtivismo, defende o ensino com base na transdisciplinaridade e nos temas transversais. Teve contribuição decisiva na elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), principalmente na proposição dos fundamentos norteadores da avaliação. Fundamentos que propõem um ensino e, consequentemente, métodos avaliativos baseados em uma perspectiva de valorização do desenvolvimento de habilidades intelectuais e sociais, bem como do desempenho interpessoal durante a realização de tarefas acadêmicas e cotidianas. Pressupostos atualmente retomados com maior ênfase na Base Nacional Curricular Comum e que trará aos educadores a responsabilidade de desenvolver estudos com vistas a articular seus princípios com os demais documentos que norteiam as ações pedagógicas nas instituições de ensino. (ALVES, 2013). EXEMPLO Professora Mara é responsável por uma das turmas de pré-escola do Centro de Educação Infantil em que atua. Na proposta pedagógica adotada pela instituição, consta como conteúdo a ser trabalhado “noções de lateralidade”. Ela o desenvolveu com os alunos tendo por proposto o constante na BNCC, ou seja, adotou como uma das estratégias pedagógicas os campos de experiências. Para tanto, utilizou-se de atividades envolvendo o corpo das crianças, as quais possibilitaram à professora identificar o estágio de desenvolvimento psicomotor em que se encontrava cada uma e, ao mesmo tempo, demonstraram o nível de aprendizagem delas referente ao conceito de lateralidade. • • • - -4 Figura 2 - Avaliação educacional Fonte: Oksana Kuzmina, Shutterstock, 2019. • Fernando Hernandez, espanhol, é defensor do trabalho com pesquisas e projetos. Segundo o educador, é determinante para o êxito escolar que os estudantes tenham liberdade para desenvolver as atividades de ensino e os professores sejam mais valorizados. • Bernardo Toro, filósofo colombiano, tem por objetivo, enquanto educador e ativista social, defender o acesso ao conhecimento científico a todos os sujeitos. Concebe o espaço escolar enquanto uma organização que deve ser pensada e organizada coletivamente. • António Nóvoa, português, é autor de livros sobre a atuação do professor, que, para ele, tem assumido tarefas que não são de sua responsabilidade. Propõe, por conta disso, uma urgente reorganização nas estruturas das instituições de ensino, bem como no papel do professor frente ao processo avaliativo. • Almerindo J. Afonso, teórico português, defende que a avaliação deve ser compreendida como uma ciência, que suas ações permeiam não apenas o ato pedagógico em si, mas, também, o trabalho docente, a organização das instituições de ensino e o desenvolvimento das políticaseducacionais (ALVES, 2013). • Domingos Fernandes, estudioso também de Portugal, defende a avaliação de caráter formativo (ALVES, 2013), no entanto, aponta a necessidade de reformulação dos princípios adotados até então sob a defesa de que o caráter formativo proposto atualmente não conseguiu superar determinados paradigmas, como a avaliação por notas e o viés unilateral do ato avaliativo. Ressalta-se, ainda, as contribuições do autor nas reflexões e debates relativos às políticas de avaliação em nível mundial. • • • • • - -5 É importante reforçar que os autores citados discutem a avaliação de maneira integrada ao processo educativo, entendendo-o como parte importante na organização da sociedade. Fundamentos teórico-metodológicos da avaliação educacional Tendo por base os princípios propostos pelos pensadores acima, cabe agora destacar alguns fundamentos teóricos necessários para que os profissionais da educação consigam possibilitar aos alunos processos avaliativos coerentes e consistentes, revendo práticas, estratégias e critérios, sempre na perspectiva do sucesso acadêmico dos alunos. A avaliação é elemento constitutivo do processo educacional. Em outras palavras, é parte integrante do planejamento do professor, enquanto instrumento de aferição e de subsídio ao ensino e à aprendizagem dos alunos (VILLAS BOAS, 2017). https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/978-85-216-2249-9 - -6 Figura 3 - Professor enquanto instrumento para aprendizagem dos alunos Fonte: India Picture, Shutterstock, 2019. Nesse contexto, o professor deve entender a avaliação como uma ferramenta que possibilita identificar e conhecer o nível de desenvolvimento do aluno em diferentes momentos: quando chega na escola, no decorrer do processo e após as intervenções realizadas. Assim, ela permite ao professor verificar os avanços alcançados e as limitações apresentadas, rever práticas, retomar conteúdos já abordados e, principalmente, identificar as condicionantes que ocasionaram o insucesso (VILLAS BOAS, 2017). FIQUE ATENTO Sobre o papel da avaliação educacional enquanto elemento constitutivo do planejamento, o professor João Luiz Gasparin destaca a necessidade de haver constante articulação entre planejamento, conteúdo, metodologia e avaliação. Facilita-se, assim, a reorganização ou reestruturação de estratégias e metodologias (GASPARIN, 2011). - -7 Um aspecto relevante a ser ressaltado é o fato de que o processo educativo não é estático. Por isso, ele próprio precisa estar sob constante avaliação. Assim é possível, no caso de insucessos, sua reestruturação ou readequação, em conformidade com as demandas apresentadas pelo nível de aprendizagem dos alunos e a organização das estratégias desenvolvidas em sala de aula. Nesse contexto, os mecanismos de avaliação utilizados pelos educadores se constituem fundamentais. Devem subsidiar o processo de aprendizagem dos estudantes, através da aferição dos conhecimentos científicos apropriados, e evidenciar os resultados alcançados a partir das estratégias utilizadas em sala de aula. Ou seja, a avaliação deve permitir ao professor identificar não apenas a qualidade das apropriações dos alunos, bem como o quanto as suas próprias estratégias pedagógicas foram ou não adequadas (GASPARIN, 2011). Figura 4 - Interação entre professor e alunos Fonte: Shutterstock, 2019. Os mecanismos adotados pelos professores para avaliar a qualidade da aprendizagem precisam considerar, então, não apenas o domínio individual de cada aluno, mas também as estratégias pedagógicas utilizadas e as mediações estabelecidas no decorrer das aulas. Esses mecanismos devem ser entendidos, sempre, enquanto instrumentos para identificar os êxitos e fracassos do processo educativo como um todo, de forma a possibilitar a readequação dos aspectos indicados como insatisfatórios. - -8 Ressalte-se que os mecanismos e estratégias de avaliação adotados pelos professores estão estreitamente ligados a dois aspectos importantes: a fundamentação teórica e aos objetivos a serem alcançados com a referida avaliação. Com base em tais pressupostos é que o professor estabelece os critérios e determina os mecanismos que irá utilizar (GASPARIN, 2011). Fechamento Neste tópico, abordou-se, de forma rápida, algumas concepções de ensino e avaliação propostas por pensadores destacados da década de 1990 em nível mundial. Vale ressaltar que mais adiante na unidade serão apresentados pesquisadores brasileiros que muito têm contribuído no debate atual sobre a temática. As concepções desses autores e de outros ainda não mencionados fundamentam as práticas pedagógicas desenvolvidas em sala de aula. Com base nelas é que o educador vai elaborar seu planejamento e desenvolvimento. Logo, é importante que aprimore constantemente seus estudos com novas perspectivas teóricas, para que, caso se identifique com alguma delas, possa rever suas práticas e seus posicionamentos diante do processo educativo. Referências ALVES, J. F. Avaliação educacional: da teoria à prática. Rio de Janeiro: LTC, 2013. COSTA, M. R. S. da. A trajetória histórica da avaliação: do dia a dia à sistematização educacional. GT 15 – Avaliação Educacional. [S. I.]. 2004. Disponível em: https://docplayer.com.br/6947920-A-trajetoria-historica-da- avaliacao-do-dia-a-dia-a-sistematizacao-educacional.html. Acesso em: 13 mar. 2019. GASPARIN, J. L. Planejamento e avaliação. [S. I.]. 2011. Disponível em: http://portal.pmf.sc.gov.br/arquivos/ arquivos/pdf/14_02_2011_11.10.46.f10026cfdb3402723ee1bd9293bf915d.pdf. Acesso: 12 mar. 2019. FIQUE ATENTO A escolha das estratégias e/ou mecanismos avaliativos deve ser realizada de forma cuidadosa e tendo por base critérios coerentes e objetivos, tendo em vista que possuem papel determinante na ação avaliativa. Ou seja, o ensino de excelência é aquele em que planejamento dos conteúdos, o encaminhamento das atividades, a execução das aulas e a avaliação pedagógica se articulam e se convergem. https://docplayer.com.br/6947920-A-trajetoria-historica-da-avaliacao-do-dia-a-dia-a-sistematizacao-educacional.html http://portal.pmf.sc.gov.br/arquivos/arquivos/pdf/14_02_2011_11.10.46.f10026cfdb3402723ee1bd9293bf915d.pdf - -9 SANTOS, A. M. R. dos. Planejamento, avaliação e didática. São Paulo: Cengage Learning, 2015. VILLAS BOAS, B. M. de F. Avaliação: interações com o trabalho pedagógico. Campinas: Papirus, 2017. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788522123728 https://bv4.digitalpages.com.br/#/legacy/epub/149578 - -1 Avaliação educacional: fundamentos legais e filosóficos Luzia Alves da Silva Introdução Caro estudante, veremos, neste tópico, uma abordagem acerca dos pressupostos legais e filosóficos da avaliação educacional, com destaque para a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e suas atualizações. Estudaremos, também, a concepção de avaliação na filosofia cristã. De início, já surgem alguns questionamentos: Em que medida uma lei pode interferir no processo avaliativo que ocorre no interior da escola? Avaliar é uma ação pedagógica – por que temos que estudar suas bases filosóficas? Vamos procurar respondê-los ao longo do texto, o terceiro da unidade. Bons estudos! Fundamentação teórica sobre o processo avaliativo Toda ação humana, antes de executada, é elaborada mentalmente (LEONTIEV, 1978). Essa afirmativa procura indicar que o homem é o único animal com capacidade e possibilidade de raciocinar e, principalmente, refletir antes de agir. Quando tem pela frente uma determinada ação a ser realizada, e ao parar para refletir sobre suas possíveis consequências, pode-se afirmar que o ser humano está realizando uma avaliação. Ou seja, avaliar não é uma ação desenvolvida apenas no âmbito escolar. Ela é utilizada antes de cada ato que alguém se propõe a realizar. - -2 Figura 1 - Refletir antes de agir Fonte: Ollyy, Shutterstock, 2019. Por outro lado, é relevante compreender que a capacidade de reflexão e de organização do pensamento não é algo nato: As propriedades biologicamente herdadasdo homem não determinam as suas aptidões psíquicas. As faculdades do homem não estão virtualmente contidas no cérebro. O que o cérebro encerra virtualmente não são tais ou tais aptidões especificamente humanas, mas apenas a aptidão para a formação destas aptidões. (LEONTIEV, 1978, p. 257). - -3 Figura 2 - Aprendizagem da criança Fonte: ESB Professional, Shutterstock, 2019. Leontiev (1978) alerta para o fato de que a criança, para se humanizar, precisa aprender em situações de ensino interativas e relacionais. A aprendizagem é condição imprescindível ao desenvolvimento humano. Nesse processo, a aprendizagem se dará através do acesso à cultura e da apropriação dos conhecimentos historicamente produzidos – sendo que tal apropriação deve ter, como instrumento principal de mediação, a linguagem (LEONTIEV, 1978). Assim precisa ser compreendido o processo avaliativo: a partir de bases teóricas consistentes e adequadas. Não EXEMPLO Ana Clara queria ser professora, mas dizia não ter disposição para ler e estudar teorias, por isso, não continuaria o curso de Pedagogia. Certo dia, porém, surgiu a oportunidade de auxiliar uma professora em uma atividade pedagógica na escola. Ana se colocou à disposição na hora, mas, após os primeiros 45 minutos, começou a entendeu que precisaria conhecer o contexto de vida daquelas crianças, entender aspectos centrais das teorias do ensino, da aprendizagem e da avaliação, tendo em vista as necessidades individuais e do grupo. Ana Clara, então, compreendeu que ser professor exige estudo e preparo adequado. - -4 Assim precisa ser compreendido o processo avaliativo: a partir de bases teóricas consistentes e adequadas. Não de maneira aleatória e com estratégias equivocadas. O ser humano, como dito anteriormente, possui capacidade para produzir conhecimentos, mas não a partir do nada, e sim de algo já produzido (ALVES, 2013). Concepção filosófica cristã de avaliação educacional A proposição de processos avaliativos demanda do professor o domínio dos conteúdos trabalhados, a noção qualitativa e quantitativa do tempo necessário que os alunos precisam na apropriação dos referidos conteúdos, a organização de estratégias de ensino adequadas e a elaboração de critérios coerentes e consistentes com as atividades propostas. Tais ações exigem que o professor possua, além de base teórica, determinados princípios para poder olhar e analisar o processo de ensino-aprendizagem como um todo. São princípios construídos socialmente e fundamentados em valores culturais, sociais e religiosos (LEONTIEV, 1978). A avaliação educacional baseada na filosofia cristã entende o homem enquanto sujeito integral e que busca seguir os ensinamentos de Cristo no desenvolvimento físico, mental, sócio-emocional e espiritual (COLLI; NETO, 2013). Partindo desse pressuposto, a avaliação educacional tem por princípio a crença de que a fé deve ser o referencial para todos os homens e que o respeito e a defesa incondicional da vida vêm em primeiro lugar. SAIBA MAIS Para se aprofundar sobre o tema, indicamos a leitura do livro Planejamento, avaliação e didática, da autora Ana Maria Rodrigues dos Santos. Editora Cengage Learning. Ano: 2015. Disponível em: https://biblioteca.sophia.com.br/9198/index.asp?codigo_sophia=570658 https://biblioteca.sophia.com.br/9198/index.asp?codigo_sophia=570658 - -5 Figura 3 - A fé como referencial Fonte: Stocksnapper, Shutterstock, 2019. Pode-se dizer que a ação da filosofia cristã na avaliação educacional diz respeito à forma de escolha dos critérios e aos conceitos utilizados, bem como à fundamentação filosófica adotada, a qual tem, por princípio, a formação integral do homem – não apenas social, mas também espiritual, em uma perspectiva de avaliação à serviço das aprendizagens a partir da interação com Deus e com os demais agentes educacionais (professores, gestores, família, pares etc.). Segundo Colli e Neto (2013, p. 412-413): https://www.youtube.com/embed/MP7LjbD8SvU - -6 Segundo Colli e Neto (2013, p. 412-413): Porém, o cristianismo não estabelece nenhum culto ou supervalorização do corpo, assumindo uma nova concepção da natureza humana onde o corpo e alma não são antagônicos, mas se dão numa relação sobre sua própria síntese. Simplesmente não se pode separar a alma do corpo, sendo, portanto, o "espiritual" e o "carnal" relativos tanto ao corpo como à alma. Há, portanto, não no corpo, nem na alma somente, mas no ser humano como um todo, uma tensão constante. Diante disso, a especificidade da filosofia cristã de avaliação está na forma de compreensão do processo avaliativo e na intencionalidade de tal processo, ou seja, nos objetivos e na ação prática a ser utilizada. Fundamentos legais Veremos agora os principais aspectos relativos ao processo de avaliação educacional contidos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB n. 9.394/96), para conhecer os subsídios legais que norteiam as práticas educativas nas instituições de ensino. A primeira situação que merece destaque na LDB diz respeito à incumbência da União. Nos incisos VI e VIII do art. 9º, estabelece que a União deverá: [...] assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental, médio e superior, em colaboração com os sistemas de ensino, objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino [...] assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior, com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino [...] (BRASIL, 1996). Atualmente, a União tem utilizado, para cumprir os incisos, a Política Nacional de Avaliação e Exames da Educação Básica, regulamentada pelo Decreto nº 9.432/18, e o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES. Em seu art. 13, a LDB disciplina a função do professor e, no inciso V, caracteriza como função do professor "[...] ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional [...]". FIQUE ATENTO Entre os mecanismos de avaliação da Política Nacional de Avaliação, destaca-se o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), realizado com estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental e do 1º ano do Ensino Médio. No SINAES, o destaque é o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), organizado para estudantes que estão concluindo o ensino superior. - -7 O art. 24 da LDB estabelece as regras de organização e funcionamento do ensino fundamental e médio. Disciplina, inclusive, as regras para reclassificação ou ingresso de alunos em qualquer série ou etapa, exceto a primeira. (BRASIL, 1996). Ainda no art. 24, o inciso V aborda os critérios para aferição do rendimento escolar dos alunos. Destacam-se, aqui, [...] a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais; b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar; c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado; d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito; e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos [...] (BRASIL, 1996). No que se refere à Educação Infantil, os mecanismos para disciplinar a avaliação educacional constam no inciso I do art. 31: "[...] avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental" (BRASIL, 1996). FIQUE ATENTO Pelo art. 24 da LDB, as instituições de ensino fundamental e médio devem cumprir 800 horas de efetivo trabalho com alunos. Elas poderão ser distribuídas em no mínimo 200 dias letivos, excluindo os dias de conselho de classe, reuniões pedagógicas e dias para exames de recuperação.- -8 Figura 4 - Desenvolvimento da criança Fonte: alphaspirit, Shutterstock, 2019. A LDB estabelece no art. 36 a organização curricular para o ensino médio, destacando-se a implementação de mecanismos avaliativos convergentes à aprendizagem dos estudantes. Os art. 46 e 47 disciplinam os critérios e as formas de avaliação no ensino superior, incluindo a possibilidade de aceleração e aproveitamento de saberes. Por fim, o art. 67 aborda as formas de valorização profissional dos docentes, tendo como um dos requisitos a avaliação de desempenho. - -9 Fechamento Neste tópico, estudamos três temas importantes. Primeiro, abordamos a relevância da fundamentação filosófica para a elaboração de critérios e mecanismos de avaliação educacional. Na sequência, vimos com destaque os fundamentos da filosofia cristã e suas contribuições e particularidades relacionadas ao processo avaliativo. Por fim, verificamos em detalhes os principais aspectos relativos à avaliação educacional propostos na legislação brasileira, com foco na LDB n. 9.394/96. Referências ALVES, J. F. Avaliação educacional: da teoria à prática. Rio de Janeiro: LTC, 2013. BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. .Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira Disponível em: . Acesso em: 13 mar. 2019.http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm COLLI, G. A.; NETO, W. R. A ambivalência humana: uma perspectiva cristã. ,Revista Theologica Xaveriana Bogotá, v. 63, n. 176, p. 403-438, jul./dez. 2013. Disponível em: http://www.scielo.org.co/pdf/thxa/v63n176 /v63n176a05.pdf. Acesso em: 13 mar. 2019. LEONTIEV, A. N. . Lisboa: Horizonte, 1978.O desenvolvimento do psiquismo SANTOS, A. M. R. dos. Planejamento, avaliação e didática. São Paulo: Cengage Learning, 2015. Disponível em: https://biblioteca.sophia.com.br/9198/index.asp?codigo_sophia=570658 Acesso em: 13 mar. 2019. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/978-85-216-2249-9 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/978-85-216-2249-9 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm http://www.scielo.org.co/pdf/thxa/v63n176/v63n176a05.pdf http://www.scielo.org.co/pdf/thxa/v63n176/v63n176a05.pdf http://www.scielo.org.co/pdf/thxa/v63n176/v63n176a05.pdf https://biblioteca.sophia.com.br/9198/index.asp?codigo_sophia=570658 Apresentação da unidade 1 - Concepções em Avaliação Educacional Topico 1 - Avaliação educacional histórico e concepções no Brasil Introdução A escola brasileira nas décadas de 1960 a 1980 Sala de aula Falta de compreensão por parte do aluno Influências da Ditadura Militar na educação brasileira Professor em papel de vigilante da aprendizagem Processos avaliativos nas escolas Fechamento Referências Topico 2 - Conceituando avaliação educacional Introdução Avaliação: significado, sentido e finalidade Conceito de avaliação Avaliação educacional Fundamentos teórico-metodológicos da avaliação educacional Professor enquanto instrumento para aprendizagem dos alunos Interação entre professor e alunos Fechamento Referências Topico 3 - Avaliação educacional fundamentos legais e filosóficos Introdução Fundamentação teórica sobre o processo avaliativo Refletir antes de agir Aprendizagem da criança Concepção filosófica cristã de avaliação educacional A fé como referencial Fundamentos legais Desenvolvimento da criança Fechamento Referências Topico 4 - Objetos de estudo da avaliação educacional Introdução Avaliação da aprendizagem Componentes curriculares O papel da avaliação na elaboração de políticas públicas em educação Estratégias para contexto educacional Indicadores do processo educativo Avaliação Institucional: papel e objetivos Programas de avaliação das instituições de ensino superior Fechamento Referências Topico 5 - Avaliações externa e interna Introdução Compreendendo os objetivos das avaliações interna e externa Avaliação das habilidades dos estudantes Estratégias pedagógicas Políticas educacionais Programas e projetos em avaliação Ampliação da qualidade de ensino O papel da avaliação de desempenho na elaboração de políticas públicas para a educação Fechamento Referências Topico 6 - Funções da avaliação diagnóstica, formativa e somativa Introdução Saberes e competências na prática docente Com a aprendizagem, o aluno desenvolve habilidades Aperfeiçoamento do educador Avaliação somativa Avaliação somativa Avaliação diagnóstica Avaliação formativa Ensino-aprendizagem Fechamento Referências