Prévia do material em texto
TIPOGRAFIA
AULA 5
Prof. Naotake Fukushima
CONVERSA INICIAL
Já avançamos bastante nos conhecimentos da tipografia e já temos uma
boa familiaridade com as formas das letras. Vamos prosseguir nos
conhecimentos para facilitar o uso das letras, mas para isso vamos conhecer
outros aspectos da tipografia, que vão ajudar ainda mais na habilidade de se
utilizar as fontes.
CONTEXTUALIZANDO
Como vimos no exercício de composição de frases, as fontes podem ser
classificadas pelos seus estilos formais, mas podemos também classificá-las
pelo seu aspecto semântico e simbólico. Assim, nesta aula vamos conhecer
algumas manifestações nesse sentido e em seguida conferir um pouco sobre as
fontes que utilizamos para os textos como primeiros passos para a composição
de textos e os formatos de fontes digitais. Para finalizar, faremos um exercício
que faz perceber as nuances da visualização de uma fonte em dispositivos
eletrônicos.
TEMA 1 – ESTILOS QUE IDENTIFICAM ÉPOCAS E AFINS
Existem profissionais do design que trabalham na produção de filmes,
auxiliando na criação de um ambiente condizente com a época em que se passa
o enredo. Um dos elementos que pode ajudar nessa caracterização é justamente
a tipografia. Mesmo as pessoas leigas em design conseguem inferir uma época
da trama com base no estilo da letra. Isso vale também para representar algo do
futuro ou mesmo para ambientar a história em um outro planeta, por exemplo.
O que possibilita esse feito é que alguns estilos tipográficos estão
intimamente ligados a algum movimento artístico ou época. A seguir, vamos
apresentar algumas dessas manifestações.
1.1 Arte Nouveau
Arte Nouveau foi um estilo internacional amplamente apreciado entre
1890 e 1920 e influenciou as artes e a arquitetura. Neste movimento, utilizaram-
se fontes sinuosas, que se harmonizaram perfeitamente tanto aos desenhos da
época como aos objetos.
Figura 1 – Exemplo de pôster do início do século com uma tipografia do Art
Nouveau
Crédito: Alto Vintage Images/Alamy Stock Photo/Fotoarena.
Figura 2 – Metrô de Paris com uma fonte típica do Art Nouveau
Crédito: Steven Hodel/Shutterstock.
1.2 Movimento psicodélico
Esse movimento foi marcante na esfera musical e dominante nos meados
dos anos 1960. Suas letras eram pouco legíveis (vamos ver mais sobre
legibilidade na próxima aula), mas isso era de propósito, pois a ideia dos artistas
era que somente as pessoas que apreciassem esse movimento ou ideias fossem
capazes de ler.
Figura 3 – Cartaz com arte psicodélica dos anos de 1960. O uso das letras no
estilo psicodélico era importante para a sua caracterização
Crédito: Svekloid/Shutterstock.
1.3 Na ficção
Não são raros os filmes que lançaram mão do recurso de criar uma
tipografia específica e a aplicaram em artefatos cênicos. Assim, no filme O
Senhor dos Anéis, além da utilização de letras medievais, como a uncial,
elaboraram também letras próprias, com forte similaridade ao estilo medieval.
Figura 4 – Letras inventadas para Klingon do seriado Star Trek
Crédito: Szente Akos/Shutterstock.
Figura 5 – Inscrição com letra elaborada para o filme O Senhor dos Anéis
Crédito: Pavel L. Photo and Video/Shutterstock; Alejo Miranda/Shutterstock.
TEMA 2 – TIPOS PARA TEXTOS E TIPOS PARA TÍTULOS
Os tipos para textos são projetados para oferecer uma melhor leitura e
priorizam a comunicação do conteúdo. Para tanto, estes não podem ter ruídos e
devem oferecer clareza. Ao compor um texto, devem-se priorizar parâmetros,
como o desenho da letra e garantir que a mancha tipográfica (área cinza que se
forma onde o texto ocupa na página) seja uniforme, porém sem ser monótona.
Além disso, a fonte deve incluir os acentos necessários para o idioma que vai
ser composta.
Embora uma fonte com serifa seja, muitas vezes, mais indicada para uma
leitura com mais conforto, já que as serifas podem ajudar a unir as letras
visualmente e diferenciando as letras individualmente ao mesmo tempo, é
possível se obterem leituras agradáveis com letras sem serifas também. Assim,
a escolha da fonte vai depender do tipo leitura: se é literatura, que é para leitura
de longo período, ou material institucional, em que se privilegia o estilo e a
identidade da empresa.
Como regra geral, as letras sem serifa funcionam bem em textos curtos,
mesmo sendo um pouco menos legível, mas geralmente são mais visíveis.
Mesmo as fontes com serifa devem se cuidar com as que têm serifas muito
grossas ou longas, pois esses efeitos retardam a leitura e geram um cansaço
visual.
As letras com contrastes entre traços mais finos e grossos são melhores
para leitura. As fontes com traços ascendentes e descendentes destacados são
melhores também.
Figura 6 – Exemplo da Garamond e Helvética
Em seguida, serão apresentadas algumas fontes muito utilizadas para
leitura.
2.1 Garamond
Muitos consideram a fonte criada por Claude Garamond (1480-1561) um
produto artístico de primeira ordem, por isso foi recriada em versão digital por
diversas empresas. Originalmente, a fonte foi criada em 1532 na França, mas
até hoje é apreciada pela sua forma e originalidade.
Figura 7 – Garamond
Crédito: Geared Bull-CC/PD.
A fonte foi uma das primeiras fontes desenvolvidas na versão romana e
itálica. A fonte oferece clareza e harmonia com ótima legibilidade.
2.2 Times New Roman
O jornal The Times, de Londres, contratou o desenvolvimento da fonte
que começou a ser utilizada em 1932. O objetivo da letra era possibilitar uma
boa legibilidade mesmo em papel de baixa qualidade e utilizada em textos
longos. A fonte possui serifas curtas, mas evidentes e oferece uma clareza ao
texto. O principal responsável pela criação foi Stanley Morison, que proporcionou
na época uma economia para o jornal ao possibilitar ocupar mais texto por
página. No Brasil ela está presente nas normas, o que favorece o uso dela e,
assim, tem uma grande familiaridade com o público.
Figura 8 – Times New Roman
2.3 Helvética
Figura 9 – Helvética
Crédito: Dioxaz-CC/PD.
A Helvética é uma das fontes mais utilizadas de todos os tempos e foi
lançada em 1957 por Max Miedinger e Eduard Hoffman com o nome de Neue
Haas Grotesk, na Suíça, e, por essa razão, ficou conhecida como Helvética
devido ao fato de o nome latino da Suíça ser Helvetia.
Caracteriza-se pelo o corte horizontal nas letras “c”, “e”, “g” e “s”, mas a
sua principal característica é a sua configuração simples com traços verticais
mais curtos. O tipo virou um ícone do racionalismo e do funcionalismo no design
dos anos de 1960. Em 2007, no seu cinquentenário, foi feito um documentário
em que mostra como a fonte é utilizada por diversas marcas e serve bem para
textos. Ela foi também a base para a criação da Arial, que é utilizada nas normas
da ABNT.
2.4 Univers
Adrian Frutiger lançou no mercado essa fonte em 1957. A intenção do
autor era criar uma fonte que fosse universal. Não confundir com a fonte
Universal, que também tinha o mesmo propósito desenhado por Herbert Bayer,
em 1925, na Bauhaus. A fonte foi desenvolvida em vários pesos e sua
nomenclatura tinha um sistema numérico onde o primeiro dígito era o peso da
letra e o segundo era a largura. A fonte foi redesenhada no final da década de
1990 e, assim como a Helvética, foi baseada na Akzidenz-Grotesk.
Na ocasião, era muito vantajoso ter diversas variações e teve uma ótima
aceitação, mas além dessa característica, a fonte é muito bem desenhada e
ganhou o mundo. Entre as características, podem-se destacar as conexões que
são mais finas e ascendentes e descendentes curtos.
Figura 10 – Univers
Existem diversas fontes que funcionam bem para textos, há quem diga
que se devem usar sempre os tipos clássicos. No entanto, atualmente as
empresas especializadasem tipografia têm oferecido fontes muito estudadas.
Assim, as fontes apresentadas na disciplina servem como referências de fontes
que funcionam como texto.
TEMA 3 – FORMATO DAS FONTES DIGITAIS
O type designer Erik van Blokland criou uma fonte para ser utilizada em
um site da prefeitura da Minnesota Lake. Essa fonte continha um código que, de
acordo com o clima daquele dia da cidade, a fonte mudava de estilo e espessura.
Assim, quando a página era exibida em um dia quente a fonte ficava fofinha e
arredondada e nos dias frios ela ficava bem fininha com serifa.
Saiba mais
DIATIPO SP 2013 – Erik van Blokland (em inglês - in English). DiaTipo,
12 mar. 2014.
Atualmente a tecnologia permite diversas manipulações nas fontes e
pode exigir um aprendizado de programação. Os arquivos de uma fonte contêm
as fórmulas matemáticas que são processadas no sistema operacional, que
desenha o contorno das letras na tela e na impressão. Existem alguns formatos:
TrueType, Postscript e Open Type, entre eles.
Um conceito importante para se entender quando se fala em fontes é a
diferença entre vetor e bitmap. Os arquivos de fontes, como arquivos, são
vetores (Vector), que, ao serem mostrados na tela ou impressos, são
rasterizados (Raster).
Em alguns arquivos de fontes vêm embutidas as versões em bitmap para
ser exibida em tamanhos pequenos, assim, em vez de rasterizar, utilizam esses
arquivos melhorando a sua visualização.
Figura 11 – Diferença entre vetor e rasterizado
Crédito: Reinekke/Shutterstock.
De fato, as primeiras fontes digitais eram em bitmap e não permitiam, sem
comprometer a qualidade, ser ampliadas ou reduzidas. O que permitiu esse feito
foi a tecnologia outline ou vetor. Essa tecnologia permitiu a redução ou ampliação
livremente. Tecnicamente o que vemos é o resultado da renderização (que é o
processo para gerar o resultado final – nesse caso, uma fonte) de acordo com o
tamanho a ser exibido ou impresso. Existem três formatos: truetype, postscript e
opentype.
3.1 TrueType
TrueType é utilizado pelo sistema operacional Windows. Foi inicialmente
desenvolvido pela Apple. Esse tipo de arquivo tem a extensão .ttf.
3.2 Postscript Type ou Type1
Fontes Postscript Type ou Type1 funcionam com dois arquivos e têm a
extensão .pfb e .pfm. Postscript é uma marca registrada do Adobe, além de a
denominação do formato da fonte ser uma linguagem de gerenciamento de texto
e imagem. É a base dos arquivos PDF e serve para uma impressora imprimir na
sua melhor resolução.
Para essa fonte funcionar, era necessária a utilização do software Adobe
Type Manager e com impressoras PostScript. Era suportado tanto pelo
Macintosh como Windows, mas foi descontinuado em 2005, sendo as fontes
convertidas em OpenType. Mas hoje é possível utilizá-las nos computadores
sem o software de gerenciamento.
3.3 OpenType
O formato OpenType é o formato compatível com os sistemas Macintosh,
Windows e Unix que foi desenvolvido em conjunto pela Microsoft e Adobe com
extensão .otf.
Figura 12 – Aspecto da fonte Trajan Pro-Regular.otf no programa FontForge
Esse formato é superior em vários sentidos do que as antecessoras e
permite diversas funções, por exemplo, é possível incluir 65 mil grifos ou
caracteres, possibilitando o atendimento de diferentes línguas. Permite, assim,
variações tais como as caudais, ligaturas, caracteres contextuais e ornamentais,
entre outras.
Os programas profissionais de editoração permitem acesso aos recursos
de maneira simples. Em uma fonte caligráfica, podem-se embutir regras de
composição de glifos, que conferem um aspecto mais natural à composição.
A Microsoft, juntamente com a Adobe, juntou as tecnologias do Truetype
e do Postscript (Type 1). A Adobe converteu as suas fontes para o formato, assim
ficando esse formato maior número de fontes disponíveis. Atualmente é o
formato majoritário. A versão atual permite fontes com mais de uma cor e em um
único arquivo.
TEMA 4 – MEDIDAS TIPOGRÁFICAS
Quando surgiu a tipografia, não existia uma preocupação para uniformizar
as medidas criando diversas dificuldades como foi o caso das classificações dos
tipos. Era uma verdadeira anarquia, segundo Fontoura e Fukushima (2012), pois
as medidas eram especificadas com várias unidades. Somente no século XVIII,
Pierre Simon Fournier e os familiares do francês Firmin Didot (aquele que
contribuiu com a criação do estilo Didonicas da aula anterior) tentaram
determinar um sistema para permitir a padronização dos tamanhos.
Fournier (1737) estabeleceu uma medida utilizando um impresso antigo
de um texto do filósofo Marco Túlio Cícero e nomeou de cícero. Essa medida,
em seguida, modificou e o Didot (1757) que estabeleceu que 1 cícero seriam 12
pontos. A medida estabelecida pelo Didot é importante, pois é o ponto que é
amplamente utilizado no Brasil. Essa medida foi adotada por quase toda Europa,
mas nos países de língua inglesa se utilizam as paicas: 1 paica é igual a 12
pontos.
Tabela 1 – Medidas nos sistemas Fournier, Didot e Paica
No sistema Fournier:
1 cícero = 11 pontos
1 ponto = 0,349mm
No sistema Didot:
01 cícero = 12 pontos
01 ponto = 0,376 mm
No sistema Paica
1 paica = 12 pontos
1 ponto = 0,351 mm
Para completar as excentricidades da tipografia, o sistema Didot adota as
medidas em ponto para entrelinhas e as médias em cíceros para o comprimento
de linhas. Felizmente essas práticas têm ficado obsoletas como a informática,
mas não deixou de existir por completo. Com a internacionalização da profissão
e possibilidade de trabalharmos via remota, em qualquer lugar, é bom saber da
existência de diversas medidas para não ser surpreendido.
Figura 13 – Equivalência de medidas
4.1 Corpo
A altura de uma letra é chamada de corpo e é estabelecida do ápice da
ascendente até aos pés da descendente e um pequeno espaço em cima e
embaixo. Esses espaços são para que uma letra não encoste na outra tanto em
cima quanto embaixo.
Figura 14 – Altura do corpo ou altura nominal
Outra medida importante é a distância entre a linha de base e a linha de
base da próxima linha, que é representada com entrelinhas (line spacing ou
leading) e medidas geralmente em pontos.
Assim, poden-se representar os blocos de textos com a seguinte
indicação: 10/12, que significa que o texto foi composto em corpo 10 (ou seja 10
pontos) e a entrelinha é 12 pontos. Vários programas veem essa proporção como
padrão. Além dessas 2 medidas, em se tratando de bloco de textos, existe uma
terceira medida, que é a largura da linha. Assim se indica:
Arial 12/19 x 35,5 paicas
Representa que o texto foi composto na fonte Arial e espaçamento
entrelinha e corpo 14 e largura 35,5 picas. Mas essas medidas podem ser
representadas hoje como corpo 12, entrelinha 1,5 (que nesse caso está
proporcional e significa 150%, ou seja, corpo 19) e largura de 15 cm, que é
justamente o texto deste documento ao ser impresso 1:1.
Na medida em que os programas vão sendo difundidos, e mais pessoas
leigas os utilizam, algumas práticas tradicionais sem muita praticidade vão sendo
substituídas por aquelas mais fáceis de serem transmitidas e que parecem mais
coerentes, no entanto isso ocorre de maneira gradual e dependendo de país
para país.
Também temos o set (set-width ou set-size), que é a largura de um tipo.
Essa medida inclui um pequeno espaço, tanto na direita como na esquerda. Esse
espaço serve para uma letra não encoste na outra.
Figura 15 – Letra N da fonte Montserrat – pode-se ver a largura da letra
considerando os espaçamentos laterais de 792 unidades. O set desta letra é de
792 unidades
Saiba mais
A dica mais importante que precisa ser levada em consideração quanto à
decisão de tamanho de fonte para algo impresso para projetos como livro ou
revista é lembrar que o texto será lido com o usuário segurandoo impresso, por
isso é importante fazer provas impressas para conferir no tamanho real. E não
se esquecer de refilar o papel no tamanho do impresso, pois o tamanho do papel
tem uma grande influência sobre a sensação dos elementos em uma página.
Para se alcançar a hierarquia tipográfica, é necessário planejar a relação
entre os elementos do texto principal, título e legendas etc. Mas como esse
assunto já é da disciplina de Design Editorial, aqui será apenas apresentada uma
das formas de pensar sobre a paleta tipográfica como sugestão inicial.
4.2 Fontes para tela
Para trabalhar em fontes para tela, devemos nos aprofundar e ficar muito
atentos às evoluções que ocorrem na área, mas nem sempre isso é fácil. Quanto
ao tamanho da fonte na tela, os programas aceitam a maioria das medidas, ou
seja, ponto (pt), a paica (pc), centímetro (cm), polegada (in) e pixel (px), mas
existem intenções de simplificar esse uso de medidas.
Como a medida px depende do tamanho do dispositivo, ele é relativo.
Assim, 16px em um monitor podem ser diferentes em outro monitor. Na web
utilizamos também a medida em, que também é relativo que neste caso é relativo
ao elemento pai. Assim geralmente se estabelece:
body { font-size: 20px; }
h1 { 1.5em; }
Traduzindo, ao estabelecer o tamanho da fonte (font-size) para 20 px o
h1 (header, que equivale ao título) será 1.5 em ou seja 150% maior que a fonte
padrão ou seja 30 px. Esse tipo de recurso é muito útil na lógica da construção
de site, porque se pode alterar somente um elemento (a fonte padrão assim
dizendo). As outras fontes que serão utilizadas no site se alteram de maneira
relativa. Assim podemos estabelecer um conjunto de tamanhos para ser exibido
em um celular e outro conjunto de tamanhos para ser exibido em uma tela no
desktop.
TEMA 5 – EXERCÍCIO PRÁTICO: RASTREAMENTO DE FONTES PEQUENAS
A necessidade de se reproduzir fonte sempre foi a motivação para a
evolução tecnológica na área da tipografia e ainda está em curso. No início da
reprodução mecânica, a imperfeição acontecia por causa da qualidade da matriz
(o tipo móvel, em que, além de não ter precisão, havia o desgaste), tinta e papel.
Isso foi vivenciado no exercício dos carimbos: o papel enrugado oferecia
resultados estéticos interessantes, mas não era nada preciso. À medida que
esses componentes da impressão evoluíam, tornava-se possível criar formas de
letras ousadas, como foram os casos das letras Bodoni e Didot, com hastes bem
finas.
Figura 16 – Carimbos de borracha
Crédito: Giorgio Morara/Shutterstock.
Os defeitos da reprodução continuam ocorrendo em proporção diferente
até hoje mesmo das telas de alta definição. Quando se reproduz uma fonte bem
pequena, existe uma tecnologia que, para quem está lendo, é imperceptível, mas
para quem projeta as fontes, é muito importante. A etapa de produção que cuida
dessa fase se chama hitting e é realizada por empresas especializadas.
Figura 17 – Exemplo do hitting que só possível perceber ampliando um
dispositivo
Crédito: Nau Nau/Shutterstock.
Neste exercício, a ideia é vivenciar os efeitos da renderização de uma
fonte em um gride simulando o que acontece em uma tela.
5.1 Etapa 1
Pode-se comprar uma folha milimetrada A3 ou faça o download da folha
de gride disponibilizado e imprima em uma folha A3 ou em 2 folhas A4 e cole. O
exercício funciona tanto com módulo de 1 cm como de 2 cm.
Saiba mais
O material complementar encontra-se na plataforma do curso.
Figura 18 – Folha milimetrada
5.2 Etapa 2
No mesmo arquivo, encontram-se diversas fontes. Escolha uma delas e
imprima em uma na folha A3 (ou em 2 folhas A4 para emendar)
5.3 Etapa 3
Utilizando papel vegetal (ou sulfurizê) A3 e faça o contorno da letra com
lápis, pois esse contorno deverá ser eliminado no final.
Figura 19 – Etapa 3 com papel vegetal
5.4 Etapa 4
Sobreponha esse vegetal na folha milimetrada e preencha os módulos
com preto e cinza. Para o preenchimento do cinza, considere a porcentagem
aproximada que o módulo está ocupando. Assim, por exemplo, faça um cinza
50% quando o módulo estiver 50% ocupado. Considere fazer uma gradação de
4 tons pelo menos. Esse cinza pode ser feito com hachuras. Nessa etapa deve
ser observado que, dependendo de onde posicionar a letra em relação ao papel
quadriculado (ou milimetrado), o resultado se altera.
Figura 20 – Exemplo de preenchimento
5.5 Resultado
Esse exercício traz a vivência e a percepção do processo de
rastreamento.
Saiba mais
Para o uso de fontes em sites e APP (aplicativos), geralmente se seguem
as diretrizes do W3C (World Wide Web Consortium ou Consórcio World Wide
Web). W3C é uma comunidade internacional que desenvolve padrões para web
e consultar o site deles é sempre esclarecedor.
Para mais detalhes sobre fonte na WEB, indico que você acesse o link a
seguir:
W3C. Disponível em: . Acesso em: 10 maio 2021.
TROCANDO IDEIAS
Poste o exercício da rasterização e comente os seus resultados com os
colegas.
NA PRÁTICA
Na tópico “Fonte para textos”, foram apresentadas as fontes clássicas,
porém também foi comentado que existem outras fontes que funcionam bem em
textos. Experimente compor várias fontes, perceba as diferenças, escolha a que
mais gostou e pense sobre o que fez você gostar da fonte escolhida. O exercício
de refletir sobre as escolhas sempre ajuda na hora de defendê-las em uma
apresentação. Experimente as facilidades oferecidas pela plataforma do Google
Fonts principalmente na função Popular Pairings (combinações populares) que
ajudam a experimentar as combinações de fontes.
FINALIZANDO
Nesta aula, conferimos um complemento sobre estilo de fontes, textos
para textos, os formatos digitais de fontes, as medidas, além de exercitarmos o
olhar por meio da simulação de uma renderização. Esses conhecimentos
propiciam aprimorar a familiaridade e ao mesmo tempo instrumentalizam o uso
da tipografia nos projetos. Estou certo de que as pessoas que passam por esse
tipo de aprendizado não conseguem mais olhar para um livro ou revista, por
exemplo, sem notar as estratégias que o designer utilizou para que aquele
material ficasse com aspecto harmonioso e com boa leitura, ou, ao contrário, que
faltou conhecimento, e o resultado não ficou tão bom. Até aqui focamos nas
características das letras. Agora temos mais condições de conferir as relações
das letras com as palavras, das palavras com a linha de textos e parágrafos, do
parágrafo com a coluna e da coluna com a página.
REFERÊNCIAS
FONTOURA, A.; FUKUSHIMA, N. Vade-mécum de tipografia. 2. ed. Curitiba:
Insight, 2012.
MEGGS, P. B.; PURVIS, A. W. História do design gráfico. São Paulo: Cosac
Naify, 2009.
ROCHA, C. A letra impressa: dos tipos móveis a tipografia digital. São Paulo:
SENAI-SP, 2013.
AULA 5
CONVERSA INICIAL
CONTEXTUALIZANDO
TEMA 1 – ESTILOS QUE IDENTIFICAM ÉPOCAS E AFINS
1.1 Arte Nouveau
Figura 1 – Exemplo de pôster do início do século com uma tipografia do Art Nouveau
Figura 2 – Metrô de Paris com uma fonte típica do Art Nouveau
1.2 Movimento psicodélico
Figura 3 – Cartaz com arte psicodélica dos anos de 1960. O uso das letras no estilo psicodélico era importante para a sua caracterização
1.3 Na ficção
Figura 4 – Letras inventadas para Klingon do seriado Star Trek
Figura 5 – Inscrição com letra elaborada para o filme O Senhor dos Anéis
TEMA 2 – TIPOS PARA TEXTOS E TIPOS PARA TÍTULOS
Figura 6 – Exemplo da Garamond e Helvética
2.1 Garamond
2.2 Times New Roman
2.3 Helvética
Figura 9 – Helvética
2.4 Univers
TEMA 3 – FORMATO DAS FONTES DIGITAIS
Figura 11 – Diferença entre vetor e rasterizado
3.1 TrueType
3.2 Postscript Type ou Type1
3.3 OpenType
Figura 12 – Aspecto da fonte Trajan Pro-Regular.otf no programa FontForge
TEMA 4 – MEDIDAS TIPOGRÁFICAS
Figura13 – Equivalência de medidas
4.1 Corpo
Figura 14 – Altura do corpo ou altura nominal
Figura 15 – Letra N da fonte Montserrat – pode-se ver a largura da letra considerando os espaçamentos laterais de 792 unidades. O set desta letra é de 792 unidades
4.2 Fontes para tela
TEMA 5 – EXERCÍCIO PRÁTICO: RASTREAMENTO DE FONTES PEQUENAS
Figura 17 – Exemplo do hitting que só possível perceber ampliando um dispositivo
5.1 Etapa 1
5.2 Etapa 2
5.3 Etapa 3
5.4 Etapa 4
5.5 Resultado
Saiba mais
TROCANDO IDEIAS
NA PRÁTICA
FINALIZANDO
REFERÊNCIAS