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TIPOGRAFIA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Naotake Fukushima 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Já avançamos bastante nos conhecimentos da tipografia e já temos uma 
boa familiaridade com as formas das letras. Vamos prosseguir nos 
conhecimentos para facilitar o uso das letras, mas para isso vamos conhecer 
outros aspectos da tipografia, que vão ajudar ainda mais na habilidade de se 
utilizar as fontes. 
CONTEXTUALIZANDO 
Como vimos no exercício de composição de frases, as fontes podem ser 
classificadas pelos seus estilos formais, mas podemos também classificá-las 
pelo seu aspecto semântico e simbólico. Assim, nesta aula vamos conhecer 
algumas manifestações nesse sentido e em seguida conferir um pouco sobre as 
fontes que utilizamos para os textos como primeiros passos para a composição 
de textos e os formatos de fontes digitais. Para finalizar, faremos um exercício 
que faz perceber as nuances da visualização de uma fonte em dispositivos 
eletrônicos. 
TEMA 1 – ESTILOS QUE IDENTIFICAM ÉPOCAS E AFINS 
Existem profissionais do design que trabalham na produção de filmes, 
auxiliando na criação de um ambiente condizente com a época em que se passa 
o enredo. Um dos elementos que pode ajudar nessa caracterização é justamente 
a tipografia. Mesmo as pessoas leigas em design conseguem inferir uma época 
da trama com base no estilo da letra. Isso vale também para representar algo do 
futuro ou mesmo para ambientar a história em um outro planeta, por exemplo. 
O que possibilita esse feito é que alguns estilos tipográficos estão 
intimamente ligados a algum movimento artístico ou época. A seguir, vamos 
apresentar algumas dessas manifestações. 
1.1 Arte Nouveau 
Arte Nouveau foi um estilo internacional amplamente apreciado entre 
1890 e 1920 e influenciou as artes e a arquitetura. Neste movimento, utilizaram-
se fontes sinuosas, que se harmonizaram perfeitamente tanto aos desenhos da 
época como aos objetos. 
 
 
Figura 1 – Exemplo de pôster do início do século com uma tipografia do Art 
Nouveau 
 
Crédito: Alto Vintage Images/Alamy Stock Photo/Fotoarena. 
Figura 2 – Metrô de Paris com uma fonte típica do Art Nouveau 
 
Crédito: Steven Hodel/Shutterstock. 
 
 
1.2 Movimento psicodélico 
Esse movimento foi marcante na esfera musical e dominante nos meados 
dos anos 1960. Suas letras eram pouco legíveis (vamos ver mais sobre 
legibilidade na próxima aula), mas isso era de propósito, pois a ideia dos artistas 
era que somente as pessoas que apreciassem esse movimento ou ideias fossem 
capazes de ler. 
Figura 3 – Cartaz com arte psicodélica dos anos de 1960. O uso das letras no 
estilo psicodélico era importante para a sua caracterização 
 
Crédito: Svekloid/Shutterstock. 
1.3 Na ficção 
Não são raros os filmes que lançaram mão do recurso de criar uma 
tipografia específica e a aplicaram em artefatos cênicos. Assim, no filme O 
Senhor dos Anéis, além da utilização de letras medievais, como a uncial, 
elaboraram também letras próprias, com forte similaridade ao estilo medieval. 
Figura 4 – Letras inventadas para Klingon do seriado Star Trek 
 
Crédito: Szente Akos/Shutterstock. 
 
 
Figura 5 – Inscrição com letra elaborada para o filme O Senhor dos Anéis 
 
 
Crédito: Pavel L. Photo and Video/Shutterstock; Alejo Miranda/Shutterstock. 
TEMA 2 – TIPOS PARA TEXTOS E TIPOS PARA TÍTULOS 
Os tipos para textos são projetados para oferecer uma melhor leitura e 
priorizam a comunicação do conteúdo. Para tanto, estes não podem ter ruídos e 
devem oferecer clareza. Ao compor um texto, devem-se priorizar parâmetros, 
como o desenho da letra e garantir que a mancha tipográfica (área cinza que se 
forma onde o texto ocupa na página) seja uniforme, porém sem ser monótona. 
Além disso, a fonte deve incluir os acentos necessários para o idioma que vai 
ser composta. 
Embora uma fonte com serifa seja, muitas vezes, mais indicada para uma 
leitura com mais conforto, já que as serifas podem ajudar a unir as letras 
visualmente e diferenciando as letras individualmente ao mesmo tempo, é 
possível se obterem leituras agradáveis com letras sem serifas também. Assim, 
a escolha da fonte vai depender do tipo leitura: se é literatura, que é para leitura 
de longo período, ou material institucional, em que se privilegia o estilo e a 
identidade da empresa. 
Como regra geral, as letras sem serifa funcionam bem em textos curtos, 
mesmo sendo um pouco menos legível, mas geralmente são mais visíveis. 
Mesmo as fontes com serifa devem se cuidar com as que têm serifas muito 
grossas ou longas, pois esses efeitos retardam a leitura e geram um cansaço 
visual. 
As letras com contrastes entre traços mais finos e grossos são melhores 
para leitura. As fontes com traços ascendentes e descendentes destacados são 
melhores também. 
 
 
Figura 6 – Exemplo da Garamond e Helvética 
 
Em seguida, serão apresentadas algumas fontes muito utilizadas para 
leitura. 
2.1 Garamond 
Muitos consideram a fonte criada por Claude Garamond (1480-1561) um 
produto artístico de primeira ordem, por isso foi recriada em versão digital por 
diversas empresas. Originalmente, a fonte foi criada em 1532 na França, mas 
até hoje é apreciada pela sua forma e originalidade. 
Figura 7 – Garamond 
 
Crédito: Geared Bull-CC/PD. 
 
 
A fonte foi uma das primeiras fontes desenvolvidas na versão romana e 
itálica. A fonte oferece clareza e harmonia com ótima legibilidade. 
2.2 Times New Roman 
O jornal The Times, de Londres, contratou o desenvolvimento da fonte 
que começou a ser utilizada em 1932. O objetivo da letra era possibilitar uma 
boa legibilidade mesmo em papel de baixa qualidade e utilizada em textos 
longos. A fonte possui serifas curtas, mas evidentes e oferece uma clareza ao 
texto. O principal responsável pela criação foi Stanley Morison, que proporcionou 
na época uma economia para o jornal ao possibilitar ocupar mais texto por 
página. No Brasil ela está presente nas normas, o que favorece o uso dela e, 
assim, tem uma grande familiaridade com o público. 
Figura 8 – Times New Roman 
 
2.3 Helvética 
Figura 9 – Helvética 
 
Crédito: Dioxaz-CC/PD. 
 
 
A Helvética é uma das fontes mais utilizadas de todos os tempos e foi 
lançada em 1957 por Max Miedinger e Eduard Hoffman com o nome de Neue 
Haas Grotesk, na Suíça, e, por essa razão, ficou conhecida como Helvética 
devido ao fato de o nome latino da Suíça ser Helvetia. 
Caracteriza-se pelo o corte horizontal nas letras “c”, “e”, “g” e “s”, mas a 
sua principal característica é a sua configuração simples com traços verticais 
mais curtos. O tipo virou um ícone do racionalismo e do funcionalismo no design 
dos anos de 1960. Em 2007, no seu cinquentenário, foi feito um documentário 
em que mostra como a fonte é utilizada por diversas marcas e serve bem para 
textos. Ela foi também a base para a criação da Arial, que é utilizada nas normas 
da ABNT. 
2.4 Univers 
Adrian Frutiger lançou no mercado essa fonte em 1957. A intenção do 
autor era criar uma fonte que fosse universal. Não confundir com a fonte 
Universal, que também tinha o mesmo propósito desenhado por Herbert Bayer, 
em 1925, na Bauhaus. A fonte foi desenvolvida em vários pesos e sua 
nomenclatura tinha um sistema numérico onde o primeiro dígito era o peso da 
letra e o segundo era a largura. A fonte foi redesenhada no final da década de 
1990 e, assim como a Helvética, foi baseada na Akzidenz-Grotesk. 
Na ocasião, era muito vantajoso ter diversas variações e teve uma ótima 
aceitação, mas além dessa característica, a fonte é muito bem desenhada e 
ganhou o mundo. Entre as características, podem-se destacar as conexões que 
são mais finas e ascendentes e descendentes curtos. 
Figura 10 – Univers 
 
 
 
 
Existem diversas fontes que funcionam bem para textos, há quem diga 
que se devem usar sempre os tipos clássicos. No entanto, atualmente as 
empresas especializadasem tipografia têm oferecido fontes muito estudadas. 
Assim, as fontes apresentadas na disciplina servem como referências de fontes 
que funcionam como texto. 
TEMA 3 – FORMATO DAS FONTES DIGITAIS 
O type designer Erik van Blokland criou uma fonte para ser utilizada em 
um site da prefeitura da Minnesota Lake. Essa fonte continha um código que, de 
acordo com o clima daquele dia da cidade, a fonte mudava de estilo e espessura. 
Assim, quando a página era exibida em um dia quente a fonte ficava fofinha e 
arredondada e nos dias frios ela ficava bem fininha com serifa. 
Saiba mais 
DIATIPO SP 2013 – Erik van Blokland (em inglês - in English). DiaTipo, 
12 mar. 2014. 
Atualmente a tecnologia permite diversas manipulações nas fontes e 
pode exigir um aprendizado de programação. Os arquivos de uma fonte contêm 
as fórmulas matemáticas que são processadas no sistema operacional, que 
desenha o contorno das letras na tela e na impressão. Existem alguns formatos: 
TrueType, Postscript e Open Type, entre eles. 
Um conceito importante para se entender quando se fala em fontes é a 
diferença entre vetor e bitmap. Os arquivos de fontes, como arquivos, são 
vetores (Vector), que, ao serem mostrados na tela ou impressos, são 
rasterizados (Raster). 
Em alguns arquivos de fontes vêm embutidas as versões em bitmap para 
ser exibida em tamanhos pequenos, assim, em vez de rasterizar, utilizam esses 
arquivos melhorando a sua visualização. 
 
 
Figura 11 – Diferença entre vetor e rasterizado 
 
Crédito: Reinekke/Shutterstock. 
De fato, as primeiras fontes digitais eram em bitmap e não permitiam, sem 
comprometer a qualidade, ser ampliadas ou reduzidas. O que permitiu esse feito 
foi a tecnologia outline ou vetor. Essa tecnologia permitiu a redução ou ampliação 
livremente. Tecnicamente o que vemos é o resultado da renderização (que é o 
processo para gerar o resultado final – nesse caso, uma fonte) de acordo com o 
tamanho a ser exibido ou impresso. Existem três formatos: truetype, postscript e 
opentype. 
3.1 TrueType 
TrueType é utilizado pelo sistema operacional Windows. Foi inicialmente 
desenvolvido pela Apple. Esse tipo de arquivo tem a extensão .ttf. 
3.2 Postscript Type ou Type1 
Fontes Postscript Type ou Type1 funcionam com dois arquivos e têm a 
extensão .pfb e .pfm. Postscript é uma marca registrada do Adobe, além de a 
denominação do formato da fonte ser uma linguagem de gerenciamento de texto 
e imagem. É a base dos arquivos PDF e serve para uma impressora imprimir na 
sua melhor resolução. 
Para essa fonte funcionar, era necessária a utilização do software Adobe 
Type Manager e com impressoras PostScript. Era suportado tanto pelo 
Macintosh como Windows, mas foi descontinuado em 2005, sendo as fontes 
convertidas em OpenType. Mas hoje é possível utilizá-las nos computadores 
sem o software de gerenciamento. 
 
 
3.3 OpenType 
O formato OpenType é o formato compatível com os sistemas Macintosh, 
Windows e Unix que foi desenvolvido em conjunto pela Microsoft e Adobe com 
extensão .otf. 
Figura 12 – Aspecto da fonte Trajan Pro-Regular.otf no programa FontForge 
 
Esse formato é superior em vários sentidos do que as antecessoras e 
permite diversas funções, por exemplo, é possível incluir 65 mil grifos ou 
caracteres, possibilitando o atendimento de diferentes línguas. Permite, assim, 
variações tais como as caudais, ligaturas, caracteres contextuais e ornamentais, 
entre outras. 
Os programas profissionais de editoração permitem acesso aos recursos 
de maneira simples. Em uma fonte caligráfica, podem-se embutir regras de 
composição de glifos, que conferem um aspecto mais natural à composição. 
A Microsoft, juntamente com a Adobe, juntou as tecnologias do Truetype 
e do Postscript (Type 1). A Adobe converteu as suas fontes para o formato, assim 
ficando esse formato maior número de fontes disponíveis. Atualmente é o 
formato majoritário. A versão atual permite fontes com mais de uma cor e em um 
único arquivo. 
 
 
TEMA 4 – MEDIDAS TIPOGRÁFICAS 
Quando surgiu a tipografia, não existia uma preocupação para uniformizar 
as medidas criando diversas dificuldades como foi o caso das classificações dos 
tipos. Era uma verdadeira anarquia, segundo Fontoura e Fukushima (2012), pois 
as medidas eram especificadas com várias unidades. Somente no século XVIII, 
Pierre Simon Fournier e os familiares do francês Firmin Didot (aquele que 
contribuiu com a criação do estilo Didonicas da aula anterior) tentaram 
determinar um sistema para permitir a padronização dos tamanhos. 
Fournier (1737) estabeleceu uma medida utilizando um impresso antigo 
de um texto do filósofo Marco Túlio Cícero e nomeou de cícero. Essa medida, 
em seguida, modificou e o Didot (1757) que estabeleceu que 1 cícero seriam 12 
pontos. A medida estabelecida pelo Didot é importante, pois é o ponto que é 
amplamente utilizado no Brasil. Essa medida foi adotada por quase toda Europa, 
mas nos países de língua inglesa se utilizam as paicas: 1 paica é igual a 12 
pontos. 
Tabela 1 – Medidas nos sistemas Fournier, Didot e Paica 
No sistema Fournier: 
1 cícero = 11 pontos 
1 ponto = 0,349mm 
No sistema Didot: 
01 cícero = 12 pontos 
01 ponto = 0,376 mm 
No sistema Paica 
1 paica = 12 pontos 
1 ponto = 0,351 mm 
 
Para completar as excentricidades da tipografia, o sistema Didot adota as 
medidas em ponto para entrelinhas e as médias em cíceros para o comprimento 
de linhas. Felizmente essas práticas têm ficado obsoletas como a informática, 
mas não deixou de existir por completo. Com a internacionalização da profissão 
e possibilidade de trabalharmos via remota, em qualquer lugar, é bom saber da 
existência de diversas medidas para não ser surpreendido. 
 
 
Figura 13 – Equivalência de medidas 
 
4.1 Corpo 
A altura de uma letra é chamada de corpo e é estabelecida do ápice da 
ascendente até aos pés da descendente e um pequeno espaço em cima e 
embaixo. Esses espaços são para que uma letra não encoste na outra tanto em 
cima quanto embaixo. 
Figura 14 – Altura do corpo ou altura nominal 
 
Outra medida importante é a distância entre a linha de base e a linha de 
base da próxima linha, que é representada com entrelinhas (line spacing ou 
leading) e medidas geralmente em pontos. 
Assim, poden-se representar os blocos de textos com a seguinte 
indicação: 10/12, que significa que o texto foi composto em corpo 10 (ou seja 10 
pontos) e a entrelinha é 12 pontos. Vários programas veem essa proporção como 
padrão. Além dessas 2 medidas, em se tratando de bloco de textos, existe uma 
terceira medida, que é a largura da linha. Assim se indica: 
Arial 12/19 x 35,5 paicas 
 
 
Representa que o texto foi composto na fonte Arial e espaçamento 
entrelinha e corpo 14 e largura 35,5 picas. Mas essas medidas podem ser 
representadas hoje como corpo 12, entrelinha 1,5 (que nesse caso está 
proporcional e significa 150%, ou seja, corpo 19) e largura de 15 cm, que é 
justamente o texto deste documento ao ser impresso 1:1. 
Na medida em que os programas vão sendo difundidos, e mais pessoas 
leigas os utilizam, algumas práticas tradicionais sem muita praticidade vão sendo 
substituídas por aquelas mais fáceis de serem transmitidas e que parecem mais 
coerentes, no entanto isso ocorre de maneira gradual e dependendo de país 
para país. 
Também temos o set (set-width ou set-size), que é a largura de um tipo. 
Essa medida inclui um pequeno espaço, tanto na direita como na esquerda. Esse 
espaço serve para uma letra não encoste na outra. 
Figura 15 – Letra N da fonte Montserrat – pode-se ver a largura da letra 
considerando os espaçamentos laterais de 792 unidades. O set desta letra é de 
792 unidades 
 
Saiba mais 
A dica mais importante que precisa ser levada em consideração quanto à 
decisão de tamanho de fonte para algo impresso para projetos como livro ou 
revista é lembrar que o texto será lido com o usuário segurandoo impresso, por 
isso é importante fazer provas impressas para conferir no tamanho real. E não 
se esquecer de refilar o papel no tamanho do impresso, pois o tamanho do papel 
tem uma grande influência sobre a sensação dos elementos em uma página. 
 
 
Para se alcançar a hierarquia tipográfica, é necessário planejar a relação 
entre os elementos do texto principal, título e legendas etc. Mas como esse 
assunto já é da disciplina de Design Editorial, aqui será apenas apresentada uma 
das formas de pensar sobre a paleta tipográfica como sugestão inicial. 
4.2 Fontes para tela 
Para trabalhar em fontes para tela, devemos nos aprofundar e ficar muito 
atentos às evoluções que ocorrem na área, mas nem sempre isso é fácil. Quanto 
ao tamanho da fonte na tela, os programas aceitam a maioria das medidas, ou 
seja, ponto (pt), a paica (pc), centímetro (cm), polegada (in) e pixel (px), mas 
existem intenções de simplificar esse uso de medidas. 
Como a medida px depende do tamanho do dispositivo, ele é relativo. 
Assim, 16px em um monitor podem ser diferentes em outro monitor. Na web 
utilizamos também a medida em, que também é relativo que neste caso é relativo 
ao elemento pai. Assim geralmente se estabelece: 
body { font-size: 20px; } 
h1 { 1.5em; } 
Traduzindo, ao estabelecer o tamanho da fonte (font-size) para 20 px o 
h1 (header, que equivale ao título) será 1.5 em ou seja 150% maior que a fonte 
padrão ou seja 30 px. Esse tipo de recurso é muito útil na lógica da construção 
de site, porque se pode alterar somente um elemento (a fonte padrão assim 
dizendo). As outras fontes que serão utilizadas no site se alteram de maneira 
relativa. Assim podemos estabelecer um conjunto de tamanhos para ser exibido 
em um celular e outro conjunto de tamanhos para ser exibido em uma tela no 
desktop. 
TEMA 5 – EXERCÍCIO PRÁTICO: RASTREAMENTO DE FONTES PEQUENAS 
A necessidade de se reproduzir fonte sempre foi a motivação para a 
evolução tecnológica na área da tipografia e ainda está em curso. No início da 
reprodução mecânica, a imperfeição acontecia por causa da qualidade da matriz 
(o tipo móvel, em que, além de não ter precisão, havia o desgaste), tinta e papel. 
Isso foi vivenciado no exercício dos carimbos: o papel enrugado oferecia 
resultados estéticos interessantes, mas não era nada preciso. À medida que 
esses componentes da impressão evoluíam, tornava-se possível criar formas de 
 
 
letras ousadas, como foram os casos das letras Bodoni e Didot, com hastes bem 
finas. 
Figura 16 – Carimbos de borracha 
 
Crédito: Giorgio Morara/Shutterstock. 
Os defeitos da reprodução continuam ocorrendo em proporção diferente 
até hoje mesmo das telas de alta definição. Quando se reproduz uma fonte bem 
pequena, existe uma tecnologia que, para quem está lendo, é imperceptível, mas 
para quem projeta as fontes, é muito importante. A etapa de produção que cuida 
dessa fase se chama hitting e é realizada por empresas especializadas. 
Figura 17 – Exemplo do hitting que só possível perceber ampliando um 
dispositivo 
 
Crédito: Nau Nau/Shutterstock. 
Neste exercício, a ideia é vivenciar os efeitos da renderização de uma 
fonte em um gride simulando o que acontece em uma tela. 
 
 
5.1 Etapa 1 
Pode-se comprar uma folha milimetrada A3 ou faça o download da folha 
de gride disponibilizado e imprima em uma folha A3 ou em 2 folhas A4 e cole. O 
exercício funciona tanto com módulo de 1 cm como de 2 cm. 
Saiba mais 
O material complementar encontra-se na plataforma do curso. 
 
Figura 18 – Folha milimetrada 
 
5.2 Etapa 2 
No mesmo arquivo, encontram-se diversas fontes. Escolha uma delas e 
imprima em uma na folha A3 (ou em 2 folhas A4 para emendar) 
5.3 Etapa 3 
Utilizando papel vegetal (ou sulfurizê) A3 e faça o contorno da letra com 
lápis, pois esse contorno deverá ser eliminado no final. 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 19 – Etapa 3 com papel vegetal 
 
5.4 Etapa 4 
Sobreponha esse vegetal na folha milimetrada e preencha os módulos 
com preto e cinza. Para o preenchimento do cinza, considere a porcentagem 
aproximada que o módulo está ocupando. Assim, por exemplo, faça um cinza 
50% quando o módulo estiver 50% ocupado. Considere fazer uma gradação de 
4 tons pelo menos. Esse cinza pode ser feito com hachuras. Nessa etapa deve 
ser observado que, dependendo de onde posicionar a letra em relação ao papel 
quadriculado (ou milimetrado), o resultado se altera. 
Figura 20 – Exemplo de preenchimento 
 
5.5 Resultado 
Esse exercício traz a vivência e a percepção do processo de 
rastreamento. 
Saiba mais 
Para o uso de fontes em sites e APP (aplicativos), geralmente se seguem 
as diretrizes do W3C (World Wide Web Consortium ou Consórcio World Wide 
 
 
Web). W3C é uma comunidade internacional que desenvolve padrões para web 
e consultar o site deles é sempre esclarecedor. 
Para mais detalhes sobre fonte na WEB, indico que você acesse o link a 
seguir: 
W3C. Disponível em: . Acesso em: 10 maio 2021. 
TROCANDO IDEIAS 
Poste o exercício da rasterização e comente os seus resultados com os 
colegas. 
NA PRÁTICA 
Na tópico “Fonte para textos”, foram apresentadas as fontes clássicas, 
porém também foi comentado que existem outras fontes que funcionam bem em 
textos. Experimente compor várias fontes, perceba as diferenças, escolha a que 
mais gostou e pense sobre o que fez você gostar da fonte escolhida. O exercício 
de refletir sobre as escolhas sempre ajuda na hora de defendê-las em uma 
apresentação. Experimente as facilidades oferecidas pela plataforma do Google 
Fonts principalmente na função Popular Pairings (combinações populares) que 
ajudam a experimentar as combinações de fontes. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, conferimos um complemento sobre estilo de fontes, textos 
para textos, os formatos digitais de fontes, as medidas, além de exercitarmos o 
olhar por meio da simulação de uma renderização. Esses conhecimentos 
propiciam aprimorar a familiaridade e ao mesmo tempo instrumentalizam o uso 
da tipografia nos projetos. Estou certo de que as pessoas que passam por esse 
tipo de aprendizado não conseguem mais olhar para um livro ou revista, por 
exemplo, sem notar as estratégias que o designer utilizou para que aquele 
material ficasse com aspecto harmonioso e com boa leitura, ou, ao contrário, que 
faltou conhecimento, e o resultado não ficou tão bom. Até aqui focamos nas 
características das letras. Agora temos mais condições de conferir as relações 
das letras com as palavras, das palavras com a linha de textos e parágrafos, do 
parágrafo com a coluna e da coluna com a página. 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
FONTOURA, A.; FUKUSHIMA, N. Vade-mécum de tipografia. 2. ed. Curitiba: 
Insight, 2012. 
MEGGS, P. B.; PURVIS, A. W. História do design gráfico. São Paulo: Cosac 
Naify, 2009. 
ROCHA, C. A letra impressa: dos tipos móveis a tipografia digital. São Paulo: 
SENAI-SP, 2013. 
 
	AULA 5
	CONVERSA INICIAL
	CONTEXTUALIZANDO
	TEMA 1 – ESTILOS QUE IDENTIFICAM ÉPOCAS E AFINS
	1.1 Arte Nouveau
	Figura 1 – Exemplo de pôster do início do século com uma tipografia do Art Nouveau
	Figura 2 – Metrô de Paris com uma fonte típica do Art Nouveau
	1.2 Movimento psicodélico
	Figura 3 – Cartaz com arte psicodélica dos anos de 1960. O uso das letras no estilo psicodélico era importante para a sua caracterização
	1.3 Na ficção
	Figura 4 – Letras inventadas para Klingon do seriado Star Trek
	Figura 5 – Inscrição com letra elaborada para o filme O Senhor dos Anéis
	TEMA 2 – TIPOS PARA TEXTOS E TIPOS PARA TÍTULOS
	Figura 6 – Exemplo da Garamond e Helvética
	2.1 Garamond
	2.2 Times New Roman
	2.3 Helvética
	Figura 9 – Helvética
	2.4 Univers
	TEMA 3 – FORMATO DAS FONTES DIGITAIS
	Figura 11 – Diferença entre vetor e rasterizado
	3.1 TrueType
	3.2 Postscript Type ou Type1
	3.3 OpenType
	Figura 12 – Aspecto da fonte Trajan Pro-Regular.otf no programa FontForge
	TEMA 4 – MEDIDAS TIPOGRÁFICAS
	Figura13 – Equivalência de medidas
	4.1 Corpo
	Figura 14 – Altura do corpo ou altura nominal
	Figura 15 – Letra N da fonte Montserrat – pode-se ver a largura da letra considerando os espaçamentos laterais de 792 unidades. O set desta letra é de 792 unidades
	4.2 Fontes para tela
	TEMA 5 – EXERCÍCIO PRÁTICO: RASTREAMENTO DE FONTES PEQUENAS
	Figura 17 – Exemplo do hitting que só possível perceber ampliando um dispositivo
	5.1 Etapa 1
	5.2 Etapa 2
	5.3 Etapa 3
	5.4 Etapa 4
	5.5 Resultado
	Saiba mais
	TROCANDO IDEIAS
	NA PRÁTICA
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS