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UNIVERSIDADE TIRADENTES CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA Laura Fabian de Andrade Dantas Costa Figueiroa RELATÓRIO DE VIVÊNCIA DO PIESF PORTFÓLIO I ESTÂNCIA – SE 2025 2 LAURA FABIAN FIGUEIROA RELATÓRIO DE VIVÊNCIA DO PIESF PORTFÓLIO I Relatório de vivência apresentado ao Programa de Integração do Ensino em Saúde da Família para obtenção da avaliação parcial da 1ª Unidade. Docente: Clesimary Evangelista Molina Martins Preceptor da UBS: Dra. Elizângela Nunes de Souza USF: Dr. Ivaldo Lima Gaiao 3 ESTÂNCIA – SE 2024 4 SUMÁRIO 1. Introdução 2. Desenvolvimento 3. Conclusão 4. Referencias INTRODUÇÃO A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha um papel essencial na organização do sistema de saúde, sendo a principal porta de entrada para os usuários e responsável por ações de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação. Nesse contexto, a experiência prática na Unidade Básica de Saúde (UBS) Dr. Ivaldo Lima Gaiao tornou-se uma oportunidade valiosa para consolidar conhecimentos teóricos, desenvolver habilidades clínicas e aprimorar a compreensão sobre o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS). O presente portfólio tem como objetivo registrar as experiências e atividades realizadas durante as vivências práticas na UBS, destacando o impacto desse período no processo de aprendizagem e na formação profissional. Ao longo desse percurso, foi possível vivenciar a rotina dos profissionais da saúde, compreender a importância do trabalho interdisciplinar e reconhecer os desafios e potencialidades da APS no atendimento à população. Além de proporcionar o desenvolvimento técnico e científico, essa vivência possibilitou a construção de uma visão mais humanizada e integral do cuidado em saúde, reforçando a 5 necessidade de uma abordagem centrada no paciente e na sua realidade socioeconômica e cultural. A interação com os profissionais e usuários do serviço contribuiu significativamente para o aprimoramento das competências comunicativas, éticas e empáticas, aspectos fundamentais para a prática profissional. Dessa forma, este portfólio busca refletir sobre a importância da APS na formação de profissionais capacitados para atuar de maneira crítica e reflexiva, promovendo a saúde de forma eficaz e acessível à população. A partir do relato das atividades desenvolvidas, espera- se evidenciar a relevância desse período de aprendizado para a consolidação das competências necessárias ao exercício da profissão na área da saúde. DESENVOLVIMENTO - Das práticas 2.1 Caso Clínico 1 No dia 25 de fevereiro de 2025, foi atendido um paciente masculino, 65 anos, com histórico de diabetes tipo 2 e hipertensão arterial. O paciente relatava sintomas como cansaço excessivo, emagrecimento não intencional e dificuldade no controle glicêmico. Durante a consulta, foram aferidos seus sinais vitais, sendo constatada uma pressão arterial de 180x100 mmHg e glicemia de jejum de 200 mg/dL. A anamnese revelou baixa adesão ao regime alimentar e ao uso adequado da medicação prescrita, fatores que contribuíam para o descontrole da sua condição. O paciente relatou ainda dificuldades financeiras para adquirir os medicamentos e manter uma alimentação balanceada, além de possuir um estilo de vida sedentário. Relatou episódios prévios de tontura e visão turva, indicando possíveis complicações decorrentes do diabetes descompensado. Diante do quadro clínico apresentado, foi instituído tratamento com insulina rápida, além de 6 reforço na orientação nutricional e inclusão de um plano de exercícios físicos adequado à sua condição de saúde. O paciente recebeu um plano alimentar detalhado, considerando suas limitações econômicas, e foi encaminhado para acompanhamento com um nutricionista da unidade. Além disso, foi recomendado o monitoramento diário da glicemia capilar e um acompanhamento mais frequente para ajuste da medicação, caso necessário. Para complementar a abordagem diagnóstica e avaliar possíveis complicações associadas ao diabetes e à hipertensão, foram solicitados exames laboratoriais, incluindo hemoglobina glicada, perfil lipídico, função renal e avaliação cardíaca. Também foi solicitado um exame de fundo de olho para avaliar possíveis danos na retina, uma complicação comum em pacientes com diabetes não controlado. A abordagem educativa desempenhou um papel fundamental nesse atendimento, pois possibilitou sensibilizar o paciente sobre a importância da adesão ao tratamento e do monitoramento contínuo de sua saúde, com o objetivo de prevenir complicações a longo prazo e melhorar sua qualidade de vida. A equipe multiprofissional reforçou a necessidade de mudanças no estilo de vida e o paciente foi incentivado a participar de grupos educativos da UBS voltados para o autocuidado e controle do diabetes. Considerações da Literatura De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o diabetes tipo 2 é uma condição progressiva que exige uma abordagem multifatorial para controle adequado. O tratamento inclui mudanças no estilo de vida, com foco na reeducação alimentar, prática de atividades físicas e adesão ao regime medicamentoso. Estudos indicam que a resistência à insulina e a falência progressiva das células beta pancreáticas são fatores determinantes na progressão da doença, justificando a necessidade de intensificação do tratamento ao longo do tempo. A hipertensão arterial, por sua vez, é uma comorbidade frequente em pacientes diabéticos e representa um fator de risco significativo para complicações cardiovasculares. Segundo diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o controle rigoroso da pressão arterial em pacientes diabéticos reduz a incidência de eventos cardiovasculares e renais. Assim, o acompanhamento regular desses pacientes na APS é essencial para a detecção precoce de complicações e para a implementação de estratégias de prevenção. 7 Além disso, a literatura destaca a importância da abordagem interdisciplinar no manejo do diabetes e da hipertensão, com a atuação conjunta de médicos, enfermeiros, nutricionistas e educadores em saúde. Estudos mostram que a educação em saúde contribui significativamente para a melhora da adesão ao tratamento e redução das taxas de descompensação glicêmica e complicações associadas. Portanto, o caso descrito reforça a necessidade de um cuidado contínuo e estruturado para otimizar os desfechos clínicos e a qualidade de vida dos pacientes. 2.2 Caso Clínico 2 No dia 18 de março de 2025, foi atendida uma paciente do sexo feminino, de 72 anos, com queixas de dor torácica e dispneia progressiva. Durante a consulta, foram aferidos seus sinais vitais, revelando uma pressão arterial de 160x90 mmHg e a presença de um sopro sistólico na ausculta cardíaca. A paciente possuía histórico de doenças cardiovasculares, incluindo hipertensão de longa data. A anamnese detalhada revelou que a paciente vinha apresentando fadiga ao realizar pequenas atividades diárias, além de episódios esporádicos de tontura. Considerando a gravidade dos sintomas e a possibilidade de uma cardiopatia estrutural, foi realizado um encaminhamento imediato para o serviço de cardiologia. Além disso, foi iniciada a administração de medicamentos anti-hipertensivos e diuréticos para auxiliar no controle da pressão arterial e reduzir a sobrecarga cardíaca. Foram solicitados exames complementares, incluindo ecocardiograma para avaliação da função cardíaca e presença de possíveis valvopatias, além de um teste ergométrico para mensurar a capacidade funcional da paciente e detectar possíveis isquemias. A abordagem multidisciplinar,envolvendo cardiologista, enfermeiros e nutricionista, foi essencial para o manejo adequado do caso e para a prevenção de complicações como insuficiência cardíaca e eventos coronarianos agudos. 8 Considerações da Literatura Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), sopros cardíacos em idosos devem ser avaliados detalhadamente devido à alta prevalência de valvopatias degenerativas nessa faixa etária. O ecocardiograma é o exame de escolha para a identificação de alterações estruturais, sendo fundamental para o diagnóstico precoce de estenose aórtica ou insuficiência mitral. Estudos indicam que pacientes idosos hipertensos apresentam maior risco de eventos cardiovasculares, e o controle rigoroso da pressão arterial pode reduzir significativamente a incidência de insuficiência cardíaca. Assim, a abordagem precoce e o acompanhamento contínuo são fundamentais para a melhoria da qualidade de vida e prevenção de desfechos adversos. 2.3 Caso Clínico 3 No dia 18 de fevereiro de 2025, foi atendido um paciente masculino, de 55 anos, na UBS com queixas de cefaleia persistente, tontura e sensação de fadiga. Durante a consulta, foi aferida sua pressão arterial, que registrou valores de 170x105 mmHg. O paciente relatou histórico de hipertensão arterial diagnosticada há mais de dez anos, mas com baixa adesão ao tratamento medicamentoso e ausência de acompanhamento regular. A anamnese revelou fatores de risco significativos, incluindo sedentarismo, dieta rica em sódio e gordura, além de antecedentes familiares de hipertensão e doença cardiovascular precoce. O exame físico não apresentou sinais de comprometimento neurológico ou edema periférico, mas constatou-se obesidade grau I e sopro carotídeo leve. Diante do quadro, foi realizado um ajuste na medicação anti-hipertensiva, incluindo a introdução de um inibidor da ECA em associação com um diurético tiazídico. Além disso, foram reforçadas orientações sobre mudanças no estilo de vida, como redução do consumo de sal, aumento da ingestão de frutas e verduras, prática regular de atividade física e controle do peso. O paciente foi encaminhado para acompanhamento com nutricionista e orientado a monitorar sua pressão regularmente. Foram solicitados exames laboratoriais, incluindo perfil lipídico, função renal e eletrólitos, além de um eletrocardiograma para avaliação da função cardíaca. Como medida preventiva, foi agendada uma 9 nova consulta para reavaliação do controle pressórico dentro de um mês. Considerações da Literatura A hipertensão arterial é uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular em todo o mundo. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), aproximadamente 30% da população adulta apresenta hipertensão, sendo a adesão ao tratamento um dos maiores desafios no controle da doença. Estudos indicam que modificações no estilo de vida podem reduzir significativamente os níveis pressóricos e retardar a necessidade de polifarmácia em muitos pacientes. Além disso, a hipertensão arterial frequentemente se associa a outras comorbidades, como diabetes e dislipidemia, aumentando o risco de eventos cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. Assim, uma abordagem multidisciplinar na Atenção Primária à Saúde é essencial para o sucesso terapêutico, garantindo melhor adesão ao tratamento e prevenção de complicações. 3. CONCLUSÃO A experiência vivenciada na UBS Dr. Ivaldo Lima Gaiao foi essencial para o desenvolvimento profissional e acadêmico, proporcionando uma compreensão mais aprofundada sobre o papel da Atenção Primária à Saúde (APS) na promoção, prevenção e tratamento de diversas condições clínicas. Durante esse período, foi possível observar a importância da abordagem integral do paciente, considerando não apenas os aspectos biomédicos, mas também os fatores sociais, emocionais e econômicos que influenciam sua saúde. O acompanhamento dos casos clínicos permitiu vivenciar de perto os desafios e as complexidades da APS, demonstrando a necessidade de um atendimento contínuo e humanizado. Através da escuta ativa, do vínculo com os pacientes e do trabalho interdisciplinar, tornou-se evidente que o sucesso terapêutico não depende apenas da prescrição de medicamentos, mas também da educação em saúde, do apoio psicológico e da criação de estratégias que incentivem a adesão ao tratamento. 10 Outro aspecto fundamental dessa vivência foi a atuação da Dra. Elizângela como preceptora. Seu papel foi essencial para o aprendizado prático, pois além de orientar sobre condutas clínicas e diagnósticas, proporcionou reflexões sobre a importância da empatia e do acolhimento no atendimento ao paciente. Sua experiência e comprometimento foram inspiradores, reforçando a necessidade de um olhar humanizado na prática médica. Além disso, a interação com a equipe multiprofissional destacou a relevância do trabalho em equipe para a condução eficaz dos casos. A atuação conjunta entre médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e demais profissionais foi fundamental para garantir um atendimento mais completo e eficiente. A APS se mostrou um ambiente dinâmico, onde a comunicação e a colaboração entre os profissionais são indispensáveis para garantir a qualidade da assistência prestada à população. A vivência na UBS também possibilitou um maior entendimento sobre os desafios enfrentados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como a limitação de recursos, a alta demanda por atendimentos e a necessidade de estratégias inovadoras para otimizar o cuidado ao paciente. No entanto, também foi possível reconhecer a importância do SUS como um modelo de atenção acessível e inclusivo, garantindo o direito à saúde para toda a população. Dessa forma, este portfólio reflete a importância da APS como um pilar essencial na formação de profissionais de saúde capacitados para atuar de forma ética, técnica e humanizada. A experiência adquirida durante esse período contribuirá significativamente para a prática profissional futura, reforçando o compromisso com um atendimento de qualidade, centrado no paciente e baseado nos princípios da equidade, integralidade e universalidade do SUS. REFERÊNCIAS SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 116, n. 3, p. 516-658, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/. Acesso em: 1 abr. 2025. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES (SBD). Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes – 2022-2023. São Paulo: SBD, 2023. Disponível em: https://www.diabetes.org.br/. https://www.diabetes.org.br/ 11 Acesso em: 1 abr. 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Hipertensão Arterial Sistêmica para o Sistema Único de Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/. Acesso em: 1 abr. 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para o cuidado da pessoa com doença crônica na APS. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/. Acesso em: 1 abr. 2025.