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A INTERVENÇÃO DA PSICOLOGIA NO CAMPO DA SAÚDE DO TRABALHADOR

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA 
CAMPUS CAMPINA GRANDE 
CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE 
DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA 
CURSO DE PSICOLOGIA 
 
 
 
 
 
ANA BEATRIZ DE FARIAS FREIRE 
GABRIEL FELIPE DE SOUZA 
LUIZ FELIPE LEMOS DOS SANTOS 
STEFANNY KAUANN SOUZA VIEIRA 
YASMIN SILVIA CORDEIRO DA SILVA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A INTERVENÇÃO DA PSICOLOGIA NO CAMPO DA SAÚDE DO TRABALHADOR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAMPINA GRANDE - PB 
MAIO - 2024 
 
 
ANA BEATRIZ DE FARIAS FREIRE 
GABRIEL FELIPE DE SOUZA 
LUIZ FELIPE LEMOS DOS SANTOS 
STEFANNY KAUANN SOUZA VIEIRA 
YASMIN SILVIA CORDEIRO DA SILVA 
 
 
 
 
 
 
 
 
A INTERVENÇÃO DA PSICOLOGIA NO CAMPO DA SAÚDE DO TRABALHADOR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho apresentado como exigência de 
avaliação do componente curricular 
Psicologia do Trabalho e Organizacional I, 
ministrado no semestre de 2024.1, pelo 
professor Nelson Aleixo da Silva Junior. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAMPINA GRANDE - PB 
MAIO - 2024 
 
 
 
 
 
 
Resumo 
Este artigo tem como objetivo investigar as intervenções psicológicas mais pertinentes e 
eficazes para prevenir e tratar problemas de saúde mental no ambiente de trabalho. Oferece 
uma análise abrangente sobre o significado do trabalho no contexto capitalista, a evolução dos 
modelos produtivos ao longo da história e a relação entre saúde e trabalho. Recorre a 
implementação efetiva de políticas públicas que visem verdadeiramente garantir a prevenção 
primária, assistência e recursos necessários para promover a saúde integral do trabalhador. 
Palavras-chave: intervenções psicológicas; saúde mental; trabalhador. 
 
Summary 
 
This article aims to investigate the most relevant and effective psychological interventions for 
preventing and treating mental health issues in the workplace. It offers a comprehensive 
analysis of the significance of work in the capitalist context, the evolution of productive 
models throughout history, and the relationship between health and work. It emphasizes the 
effective implementation of public policies that truly ensure primary prevention, assistance, 
and necessary resources to promote the holistic health of workers. 
 
Keywords: psychological interventions; mental health; worker. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. Introdução: 
Desde o surgimento da Revolução Industrial, a interação entre trabalho e saúde são questões 
de muita preocupação e debate. O contexto histórico evidencia diversas barreiras enfrentadas 
pelos trabalhadores nas fábricas desse evento, marcado por jornadas exaustivas, falta de 
segurança e exploração desumana. Nessa perspectiva, esses desafios começaram a ser 
abordados com mais atenção no século XX, com o surgimento de movimentos operários e 
legislações trabalhistas. Dentro deste cenário, a intervenção da psicologia no campo da saúde 
do trabalhador aparece como um meio de entender as necessidades crescentes de abordar os 
desafios enfrentados pelos trabalhadores no ambiente laboral. Seguindo essa ótica, 
focalizamos nossa atenção na saúde mental do trabalhador. Nesse mundo cada vez mais 
globalizado e competitivo, o estresse no trabalho, a sobrecarga de responsabilidades e as 
demandas constantes por produtividade têm se tornado uma realidade omnipresente. Contudo, 
compreender os mecanismos psicológicos ligados ao bem-estar no trabalho passa a ser 
essencial para mitigar os impactos negativos na saúde mental das pessoas. Entretanto, é 
possível perceber uma lacuna existente entre a crescente incidência de problemas de saúde 
mental relacionados ao trabalho e uma disponibilidade limitada de intervenções eficazes. 
Embora haja uma conscientização crescente sobre a importância da saúde mental no ambiente 
de trabalho, ainda há uma carência de estudos específicos que investiguem as estratégias 
psicológicas mais adequadas para promover o bem-estar dos trabalhadores. Por conseguinte, a 
problemática de pesquisa que direciona este estudo, reside na identificação de práticas 
psicológicas eficazes para promover a saúde mental dos trabalhadores. Assim, o objetivo 
principal deste estudo é investigar as intervenções psicológicas mais pertinentes e eficazes 
para prevenir e tratar problemas de saúde mental no ambiente de trabalho. Esta pesquisa visa 
contribuir para o desenvolvimento de políticas e práticas organizacionais mais voltadas para a 
promoção da saúde mental dos trabalhadores. Ao identificar e analisar as intervenções 
psicológicas mais eficazes, espera-se fornecer subsídios para a implementação de estratégias 
preventivas e de intervenção mais adequadas, contribuindo assim para a construção de 
ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos. 
 
2. Fundamentação Teórica: 
 
Esse capítulo apresenta a base teórica dos temas abordados na dissertação, bem como, os 
principais conceitos e elementos utilizados para subsidiar esse estudo. 
 
 
 
2.1 Visão do Significado do Trabalho: 
 
Conforme enfatizado por Antunes (2000), no contexto do sistema capitalista, o trabalho perde 
sua carga de significado, uma vez que se torna uma atividade instrumentalizada para a 
geração de valor para o capitalista. À medida que se manifesta como resultado de fenômenos 
político-econômicos e culturais, os modelos de organização do trabalho se transformam 
constantemente para responder às mudanças que ocorrem no "sistema de sociometabolismo 
do capital", cuja tendência é de expansão contínua (MÉSZÁROS, 2011). Nesse sentido, as 
estratégias de controle do trabalho, além das inovações tecnológicas, abrangem 
inevitavelmente diversas formas de exploração da força de trabalho. Até então, o trabalho era 
frequentemente concebido como um contrato que envolvia a troca entre prestação de serviços 
e pagamento de salário. Embora essa concepção tenha sido amplamente aceita, também 
recebe críticas por não reconhecer adequadamente a importância e a fragilidade do corpo 
humano como objeto central da prestação do trabalho, o que resultaria em uma falta de 
proteção adequada para o trabalhador. Ao reduzir o trabalho a um simples contrato, 
negligencia-se o elemento humano fundamental: a ação humana. Embora na organização 
capitalista o trabalho seja visto primariamente como um meio de obtenção de lucro, de 
mais-valia, é crucial resgatar o valor social do trabalho, aquele que impulsiona a sociedade. 
(BRITO, 2020). Portanto, antes de ser meramente uma moeda de troca, o trabalho é 
essencialmente a força propulsora que conduz o ser humano no caminho do desenvolvimento, 
em todas as suas dimensões: pessoais, sociais, econômicas e culturais (FRANCO; FERRAZ, 
2019) 
 
2.2 Contextualização dos Modelos Produtivos de Trabalho ao Longo da História: 
 
No auge do desenvolvimento industrial, entre o final do século XIX e o início do século XX, 
em um contexto econômico marcado pelo crescimento do capital e da produção, emergiu a 
concepção do Taylorismo como resposta à necessidade de alcançar maior eficiência e 
lucratividade na produção. Esse modelo centralizava o conhecimento na administração, 
reduzindo a classe operária à execução mecânica de tarefas, sem considerar sua contribuição 
intelectual para o processo produtivo. Sob o Taylorismo, os trabalhadores eram submetidos a 
um ritmo de trabalho acelerado, sendo monitorados através de sistemas de controle de tempos 
e movimentos, visando aumentar a produtividade. Taylor introduziu a ideia de uma 
exploração científica do trabalho, onde a gerência desempenhava um papel de controle com o 
 
 
único propósito de maximizar lucros e eficiência. Os trabalhadores, então, eram vistos como 
meros "operários em massa", desprovidos de participação intelectual na produção, resultando 
em uma clara separação entre criatividade e execução. Essa abordagem desvaloriza a 
capacidade humana do trabalhador, equiparando-o a uma máquina cuja função era 
simplesmente gerar lucro através da exploração de sua força de trabalho. Devido à faltade 
autonomia e à gestão autoritária, o modelo Taylorista enfrentou resistência por parte da classe 
operária. Como resposta a esse contexto, surgiu o Fordismo, introduzindo novas concepções, 
como a ideia de que o trabalho sob uma gestão racional só poderia ser sustentado com um 
controle social sobre os trabalhadores, exigindo compensações pelo esforço demandado. No 
entanto, essas medidas de controle não foram suficientes, e a hegemonia do 
Fordismo/Taylorismo começou a declinar na década de 70, devido à resistência dos 
trabalhadores e à rigidez do modelo. Isso levou a uma reestruturação produtiva, com a 
ascensão do Toyotismo, que, embora tenha surgido no Japão nos anos 50, se disseminou 
globalmente a partir da década de 80. O Toyotismo visava flexibilizar o modelo de produção, 
substituindo a rigidez do Fordismo por uma abordagem mais adaptável às demandas do 
mercado. Nesse modelo, os trabalhadores passaram a ser organizados em células de produção, 
sendo instigados a alcançar metas e exercer autocontrole. Qualquer falha na produção poderia 
ser punida pelo próprio grupo de trabalho (FRANCO; FERRAZ, 2019). À medida que 
ocorrem mudanças sociais, industriais e tecnológicas, o mercado de trabalho continua a 
evoluir. Atualmente, observa-se uma tendência de maior integração de recursos tecnológicos, 
impulsionada pela tecnologia da informação, e uma crescente flexibilização das jornadas de 
trabalho. Esse desenvolvimento das forças produtivas resulta em fenômenos globais, como a 
recente "uberização" do trabalho, caracterizada pela oferta de serviços através de plataformas 
digitais, como a Uber, que conecta clientes a prestadores de serviços de forma independente, 
sem vínculos empregatícios tradicionais. (BRITO, 2020) 
 
2.3 A psicologia no estudo do sofrimento psíquico do trabalhador: 
 
A transformação de doenças do trabalhador para doenças do trabalho, segundo 
Vasques-Menezes (2004), representa um importante marco, passando a reconhecer o meio 
laboral como um fator de adoecimento, excluindo a responsabilidade do trabalhador e 
responsabilizando o trabalho. Contudo, seguir somente essa linha de pensamento pode tornar 
o processo de adoecimento impessoal, afastando o trabalhador de sua identidade individual e 
inserindo-o em categorias e dados epidemiológicos, “destituindo-o de seu contexto e de sua 
 
 
historicidade” (KEPPLER; YAMAMOTO, 2016). No Brasil, os transtornos mentais e do 
comportamento representam a terceira maior causa de ausências e incapacidades para o 
trabalho. Em 2016, cerca de 127 mil trabalhadores brasileiros se afastaram por motivo de 
doença ou foram aposentados por invalidez devido a este tipo de transtorno. O cenário 
impacta a realidade dos trabalhadores, suas famílias, empregadores, sistemas de saúde e 
sociedade em geral. Estudos relatam que a maioria dos trabalhadores que experimentam 
transtornos mentais comuns demoram a buscar atendimento especializado ou, muitas vezes, 
não o procuram. Esta demora para ter acesso a um tratamento adequado tende a ocasionar 
problemas no ambiente familiar, pessoal e profissional, por vezes a longo prazo, culminando 
com o absenteísmo e o presenteísmo laboral. Embora diversas profissões sofram com estes 
transtornos, é notável que algumas atividades de trabalho são mais expostas, como as 
vinculadas às organizações de emergência (policiais, bombeiros, equipes de emergência 
médica, entre outras) que trabalham na perspectiva do socorro ou da segurança. A atividade 
profissional exercida pelo policial rodoviário federal é uma das mais estressantes e perigosas 
de acordo com a literatura nacional e internacional, em decorrência do contato com acidentes 
graves, risco constante de morte, violência, ameaças à integridade física e psicológica, 
pressões ambientais e sociais, entre outros riscos. Tal cenário caracteriza os trabalhadores 
destas organizações como um grupo exposto a um alto risco psicossocial, podendo resultar em 
efeitos psicológicos, físicos e sociais negativos, como estresse relacionado com o trabalho, 
esgotamento ou depressão. (GUIMARÃES et.al, 2020). Nesse viés, é possível perceber que a 
temática da Saúde Mental e Trabalho, no Brasil já tem um bom caminho percorrido, contudo, 
muitos dos problemas que impulsionaram o desenvolvimento dessa área persistem, desde o 
início da década de 1980, no Brasil, diversos estudos, pesquisas e atividades de intervenção 
partiram dos serviços públicos de saúde e das entidades sindicais, dando origem ao que 
poderia ser denominado de uma subárea do campo da Saúde do Trabalhador. Entretanto, 
estabelecer esse período não implica que antes dele não existissem atividades focadas na 
saúde mental dos trabalhadores. É importante notar que, desde a década de 1920, nos Estados 
Unidos da América, já havia atividades abrangidas sob o título de Saúde Mental Ocupacional 
(Shartle, 1950), que priorizavam a oferta de assistência psicoterápica aos trabalhadores, 
considerando o trabalho, suas condições e sua organização apenas como pano de fundo para 
os problemas que demandavam essa assistência. Cálculos de custo-benefício eram fortes 
argumentos para a oferta de psicoterapia (SATO; BERNARDO, 2005). No Brasil, as 
chamadas "ciências do comportamento", na década de 1940, também abordavam a saúde 
mental das pessoas que trabalhavam. Bertolli-Filho (1992-1993) demonstra como a medicina, 
 
 
ao lidar com a esfera psicológica, atuava em dois domínios: o primeiro envolvendo a 
construção e aplicação de técnicas para a seleção e adaptação profissional dos trabalhadores (a 
psicotécnica), e o segundo através da análise de operários que apresentavam possíveis 
"transtornos mentais", causados ou resultantes de acidentes que comprometem a existência do 
indivíduo e de seus colegas de trabalho. Nesse segundo domínio, os profissionais de saúde 
mental eram recrutados para atuar como peritos para a Justiça do Trabalho, a fim de subsidiar 
suas decisões nos casos de pedidos de indenização encaminhados pelos trabalhadores 
acidentados. Aqui, tanto a psicanálise quanto o paradigma organicista eram utilizados como 
apoio para a emissão desses laudos. Observa-se que, embora adotassem leituras teóricas 
bastante distintas, as conclusões convergiam para o mesmo diagnóstico: a existência de 
traumas físicos (causados pelo acidente) propiciadores do desenvolvimento de "neuroses de 
responsabilidade" dos patrões pelo acidente de trabalho, sentimento rotulado pela medicina 
como "sinistrose", "neurose de renda", "neurose de desejo" e "indenizofilia" (Bertolli-Filho, 
1992-1993). Esses diagnósticos sustentavam a conclusão de que os trabalhadores acidentados 
eram "simuladores" e, assim, buscavam extorquir as companhias seguradoras. Tanto a 
chamada saúde mental ocupacional quanto as ciências do comportamento buscavam a origem 
dos problemas de saúde mental dos trabalhadores no universo intra-individual, considerando o 
trabalho, suas condições e sua organização meramente como pano de fundo. Assim, ao 
abstrair as condições concretas de trabalho e, principalmente, as relações de trabalho, 
contribuíram para construir uma explicação que "culpabiliza a vítima". Por outro lado, ao 
estar inserida no campo da Saúde do Trabalhador, a Saúde Mental e Trabalho adota as 
relações de trabalho e sua historicidade como matriz de leitura, conforme a formulação da 
Saúde Coletiva descrita por Lacaz (1996; 1997) e Minayo-Gomez & Thedim-Costa (1997). 
Enquanto no âmbito acadêmico o debate pode priorizar a dimensão teórico-metodológica de 
cada uma das abordagens, nos serviços públicos de saúde e nas entidades sindicais ele tem se 
desenvolvido em torno, prioritariamente, do alcance de respostas que considerem a 
diversidade da realidade vivida pelos trabalhadores e a urgência em compreender, lidar e 
modificar as condições que geram os problemas de saúde mental. A diversidade de situações 
apresentadas pela realidade cotidianavivida por eles não respeita as fronteiras 
teórico-metodológicas. Assim, além do debate – importante, diga-se de passagem – em torno 
das teorias e dos métodos mais adequados para compreender, interpretar ou explicar os 
fenômenos de Saúde Mental e Trabalho, busca-se outro tipo de resposta: em que medida esses 
olhares poderão subsidiar ações práticas, individuais e coletivas, que considerem o aparato 
institucional e legal que enquadra as relações de trabalho no Brasil? E, além disso, em que 
 
 
medida as opções teóricas tomadas poderão nos levar a angariar elementos para intervir na 
realidade? Os problemas de ordem prática que se apresentam também exigem que outras 
questões, como direitos trabalhistas e previdenciários, se imponham e demandam a atenção 
dos profissionais de saúde (SATO; BERNARDO, 2005). 
 
4. Desenvolvimento 
 
A relação entre o ambiente de trabalho e a saúde dos profissionais tem sido objeto de 
crescente preocupação na sociedade contemporânea. Com a evolução dos contextos laborais e 
a complexidade das demandas profissionais, os impactos na vida dos trabalhadores têm se 
tornado mais evidentes. Na sociedade moderna, caracterizada pela competitividade, 
globalização e avanços tecnológicos, os profissionais enfrentam uma série de desafios no 
ambiente de trabalho. A pressão por produtividade, a instabilidade econômica, a sobrecarga 
de tarefas e a constante exigência por atualização profissional são apenas alguns dos fatores 
que contribuem para o estresse e a ansiedade no ambiente laboral. Além disso, a crescente 
precarização do trabalho, a falta de segurança no emprego e a dificuldade de conciliar vida 
pessoal e profissional são questões que impactam diretamente a qualidade de vida dos 
trabalhadores. O trabalho é uma dimensão central na vida das pessoas, influenciando não 
apenas a subsistência, mas também a identidade e a qualidade de vida, os impactos do 
ambiente de trabalho na vida dos profissionais são abrangentes e podem afetar diversos 
aspectos. Por exemplo, a exposição prolongada a situações de estresse no trabalho pode 
resultar em sintomas de ansiedade, irritabilidade e insônia. A pressão por metas e resultados 
pode gerar um ambiente de competição prejudicial à saúde mental, levando a quadros de 
esgotamento emocional e burnout. Além disso, a falta de reconhecimento e valorização no 
trabalho pode impactar a autoestima e a motivação dos profissionais, contribuindo para um 
ciclo de insatisfação e desmotivação. Outro aspecto relevante são as desigualdades estruturais 
presentes no mundo do trabalho, que se manifestam em disparidades salariais, discriminação 
de gênero, raça e orientação sexual, e dificuldades de ascensão profissional para determinados 
grupos sociais. A falta de representatividade e de oportunidades equitativas no ambiente de 
trabalho contribui para a perpetuação de injustiças e exclusões, minando a diversidade e a 
pluralidade que deveriam ser valorizadas nas organizações. O profissional que enfrenta um 
ambiente de trabalho tóxico, marcado por assédio moral e falta de apoio emocional, pode 
desenvolver sintomas de ansiedade e depressão. Da mesma forma, um trabalhador submetido 
a jornadas extenuantes e pressão constante por resultados pode apresentar sinais de exaustão 
 
 
física e mental. Na sociedade brasileira atual, a caminhada do trabalho reflete um cenário 
complexo e multifacetado, marcado por desafios e transformações significativas. A história do 
trabalho no Brasil é permeada por um legado de desigualdades, exploração e lutas por direitos 
trabalhistas. Ao longo das décadas, o país passou por diferentes fases econômicas e políticas 
que moldaram as relações de trabalho e influenciam a realidade dos trabalhadores. No 
contexto contemporâneo, o mercado de trabalho brasileiro enfrenta questões como a 
informalidade, o desemprego, a precarização das condições laborais e a crescente 
flexibilização das relações de trabalho. A informalidade ainda é uma realidade para muitos 
brasileiros, que atuam em empregos sem carteira assinada, sem benefícios e com pouca 
segurança em relação ao futuro profissional. O desemprego, por sua vez, é um desafio 
persistente que afeta milhões de pessoas no país, especialmente em períodos de instabilidade 
econômica. A busca por oportunidades de trabalho dignas e estáveis torna-se uma luta 
constante para muitos brasileiros, que enfrentam a falta de qualificação, a discriminação no 
mercado de trabalho e a escassez de vagas compatíveis com suas habilidades. A precarização 
das condições de trabalho, caracterizada por longas jornadas, baixos salários, falta de 
segurança no ambiente laboral e ausência de benefícios sociais, é uma realidade para uma 
parcela significativa da população ativa. A terceirização, a informalidade e a subcontratação 
são práticas comuns em diversos setores, contribuindo para a fragilização dos direitos 
trabalhistas e para a vulnerabilidade dos trabalhadores. Os desafios enfrentados no mercado 
de trabalho brasileiro têm repercussões profundas na vida dos cidadãos do país. A 
informalidade, o desemprego e a precarização das condições laborais impactam diretamente a 
estabilidade financeira, a saúde mental e o bem-estar emocional dos trabalhadores. A falta de 
segurança no emprego e a ausência de benefícios sociais para os trabalhadores informais 
geram incertezas em relação ao futuro e dificultam o acesso a serviços essenciais, como 
assistência médica e previdência. O desemprego não apenas priva os indivíduos de uma fonte 
de renda estável, mas também abala a autoestima, gera ansiedade e desesperança em relação 
ao futuro. A busca por oportunidades de trabalho em um mercado competitivo e muitas vezes 
desigual pode resultar em estresse, impactando negativamente a saúde emocional e o 
equilíbrio psicológico dos desempregados. A precarização das condições de trabalho, 
caracterizada por longas jornadas, baixos salários e falta de segurança no ambiente laboral, 
contribui para o aumento do estresse, da fadiga e do desgaste físico e emocional dos 
trabalhadores. A falta de benefícios sociais e de proteção trabalhista adequada expõe os 
trabalhadores a situações de vulnerabilidade, dificultando a conciliação entre vida pessoal e 
profissional e comprometendo a qualidade de vida no trabalho. Além disso, a discriminação 
 
 
no mercado de trabalho, a escassez de oportunidades de ascensão profissional e a falta de 
vagas compatíveis com as habilidades dos trabalhadores geram desigualdades e exclusões, 
perpetuando padrões de injustiça e marginalização. 
 
3. Problematização 
 
Com base nos dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2013, 
o trabalho é responsável por cerca de dois milhões de mortes por ano, além de 270 milhões de 
acidentes de trabalho e 160 milhões de casos de doenças não fatais. No Brasil, de acordo com 
o Anuário Estatístico da Previdência Social, ainda do mesmo ano, foram registrados 737.378 
acidentes de trabalho, no entanto, é importante ressaltar que esses números provavelmente 
subestimam a verdadeira extensão dos problemas, pois muitos trabalhadores autônomos, 
como empregadas domésticas e outros profissionais informais, não estão totalmente incluídos 
nas estatísticas oficiais. A exclusão desses grupos sugere que o número total de acidentes e 
doenças relacionadas ao trabalho pode ser consideravelmente maior, apontando para lacunas 
significativas na coleta de dados e na proteção desses trabalhadores. Outrossim, a análise 
desses dados revela não apenas uma falha, mas uma preocupante lacuna na proteção e no 
bem-estar dos trabalhadores, ressaltando também problemas que são sintomas de um sistema 
que, em muitos casos, coloca o lucro acima das preocupações humanas básicas e se mostra 
desfavorável aos seus próprios colaboradores. Ademais, a persistência desses problemas ao 
longo dos séculos é um testemunho da complexidade e daresistência dessas questões 
estruturais, visto que, embora o capitalismo tenha avançado consideravelmente e novas 
tecnologias tenham transformado o panorama do trabalho, a preocupação com melhorias nas 
condições de trabalho e na saúde dos trabalhadores não cresceu de maneira proporcional, o 
que reflete uma falha sistêmica, onde os benefícios do progresso econômico não têm sido 
distribuídos de forma equitativa, deixando muitos trabalhadores em situações precárias. Além 
disso, outro fator que perpetua esses dados é a polarização dos trabalhadores, visto que, de um 
lado, há trabalhadores expostos a condições perigosas e precárias, muitas vezes sem acesso 
adequado a medidas de segurança ou proteção laboral. Esses trabalhadores enfrentam riscos 
significativos para sua saúde e bem-estar todos os dias, enquanto lutam para garantir sua 
subsistência. Por outro lado, existe uma parcela da população desempregada ou 
subempregada, disposta a aceitar qualquer condição de trabalho disponível, por mais 
desafiadora que seja, simplesmente para garantir uma fonte de renda mínima. Essa dinâmica 
cria um ciclo vicioso em que os empregadores têm uma posição de vantagem significativa, 
 
 
pois têm uma ampla reserva de mão de obra disposta a aceitar quaisquer condições de 
trabalho, por mais injustas que sejam. Como resultado desse desequilíbrio, os detentores dos 
meios de produção podem explorar essa vulnerabilidade, mantendo salários baixos, negando 
benefícios e negligenciando a segurança no trabalho. Isso perpetua uma espiral de 
desigualdade e exploração, onde os lucros são cada vez mais concentrados nas mãos dos 
empregadores e das empresas, em detrimento da qualidade de vida e do bem-estar dos 
trabalhadores. Em contrapartida a essas problemáticas, no Brasil, a luta pela garantia da 
Segurança do Trabalho (ST) ganhou força a partir da década de 70 com o fortalecimento das 
reivindicações operárias por condições laborais mais seguras e dignas. Esse período viu o 
surgimento de diversas iniciativas, incluindo os Centros de Referência em Saúde do 
Trabalhador (CERESTs), destinados a oferecer assistência especializada e vigilância em saúde 
ocupacional. No entanto, um mapeamento realizado por Isabel Lopes dos Santos Keppler e 
Oswaldo Hajime Yamamoto, que avaliou a atuação dos psicólogos nos CERESTs, identificou 
limitações alarmantes nas políticas de Segurança do Trabalho. Essas limitações são 
principalmente atribuídas à escassez de recursos, o que torna inviável estender o trabalho para 
outros municípios abrangidos pelos centros. Além disso, embora os CERESTs contem com 
equipes multidisciplinares destinadas a garantir uma visão holística dos trabalhadores, essa 
equipe não recebe capacitações específicas para atender às demandas dos usuários dos 
centros. Essas lacunas evidenciam a necessidade de investimentos mais robustos e de 
capacitação contínua para fortalecer efetivamente as políticas de Segurança do Trabalho no 
país e garantir a proteção adequada dos trabalhadores em seus ambientes laborais. Dessa 
forma, torna-se imperativo que a saúde do trabalhador seja uma pauta prioritária nos planos 
governamentais, com a implementação efetiva de políticas públicas que visem 
verdadeiramente garantir a prevenção primária, assistência e recursos necessários para 
promover a saúde integral do indivíduo. Isso inclui não apenas a abordagem física e 
ocupacional, mas também a incorporação dos aspectos psicológicos e sociais que influenciam 
a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, não voltado apenas ao lucro das empresas. O 
desenvolvimento e a execução de tais políticas requerem um compromisso contínuo com o 
investimento em recursos adequados, capacitação das equipes multidisciplinares e uma 
abordagem holística que considere não apenas as condições de trabalho, mas também os 
fatores psicossociais que podem impactar significativamente a saúde ocupacional. Portanto, 
essa abordagem integral é essencial para garantir condições laborais mais seguras, saudáveis e 
dignas para todos os trabalhadores. 
 
 
 
5. Conclusão 
Este estudo teve como objetivo geral analisar a presença da psicologia no campo da saúde do 
trabalhador, por meio de pesquisas feitas em artigos publicados, descrevendo sua relevância 
na compreensão e na intervenção dos problemas enfrentados pelos trabalhadores no ambiente 
laboral, especialmente no que diz respeito ao sofrimento psíquico. Com base nos resultados 
apresentados no presente estudo, pode-se indicar que o objetivo proposto foi alcançado. O 
estudo destaca o contexto histórico que evidencia a importância crescente da intervenção 
psicológica na saúde do trabalhador, desde os desafios enfrentados durante a Revolução 
Industrial até os dilemas contemporâneos relacionados ao estresse, sobrecarga de trabalho e 
competitividade no ambiente laboral. Os principais resultados apresentados no texto 
demonstram que a psicologia desempenha um papel fundamental na promoção do bem-estar 
dos trabalhadores, destacando a importância de abordagens psicológicas eficazes para 
prevenir e tratar problemas de saúde mental no ambiente de trabalho. A análise dos impactos 
do estresse, da sobrecarga de responsabilidades e das demandas por produtividade evidencia a 
relevância de intervenções psicológicas específicas para mitigar tais efeitos negativos. Por 
fim, o estudo discute a complexidade do mercado de trabalho brasileiro, ressaltando os 
desafios enfrentados pelos trabalhadores, como a informalidade, o desemprego e a 
discriminação no ambiente de trabalho. Estes resultados são significativos, pois ressaltam a 
necessidade de políticas e práticas organizacionais voltadas para a promoção da saúde mental 
dos trabalhadores. Ao identificar as intervenções psicológicas mais eficazes, o texto destaca a 
importância de construir ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos, beneficiando não 
apenas os trabalhadores individualmente, mas também as organizações como um todo. Além 
disso, destaca a relevância de abordagens que consideram não apenas os aspectos individuais, 
mas também as condições estruturais e organizacionais que influenciam a saúde dos 
trabalhadores. Apesar dos avanços significativos alcançados neste estudo, percebe-se algumas 
limitações que podem direcionar futuras pesquisas. Por exemplo, seria interessante investigar 
mais profundamente a eficácia de intervenções psicológicas específicas em diferentes 
contextos organizacionais e culturais. Por fim, seria válido realizar estudos longitudinais para 
avaliar o impacto das intervenções ao longo do tempo e identificar possíveis fatores de 
proteção e de risco para a saúde mental dos trabalhadores. 
 
6. Referências Bibliográficas 
 
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