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AULA 1 A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ÂMBITO INVESTIGATIVO: A SITUAÇÃO DAS PESQUISAS NA ÁREA INTRODUÇÃO Observa-se que ao longo do tempo a metodologia aplicada pelos professores de diversas áreas vem sofrendo transformações significativas, reduzindo aos poucos o método de ensino tradicional e tecnicista no desenvolvimento de suas aulas e incorporando novos métodos de ensino. Diante desses aspectos observamos que a partir da implementação de práticas inovadoras, o professor vem se habituando a novas tecnologias, buscando deferentes formas de ensino e pesquisa a serem aplicadas tanto em sala de aula, como também fora dela. Dentro desse contexto, o professor busca aprimorar seus métodos de ensino por meio da reflexão e pesquisa, centralizando seus trabalhos e buscando o aperfeiçoamento de sua prática docente. https://image.freepik.com/fotos-gratis/pessoa-que-tem-ideias-como-metafora-de-lampadas_23- 2148342812.jpg PROFESSOR: EDUCADOR OU PESQUISADOR? Desde o passado, a profissão docente sempre foi de grande importância, como processo de socialização da cultura e dos conhecimentos sistematizados nas diferentes sociedades. Atualmente os professores têm que lidar não só com alguns saberes, como era no passado, mas também com a tecnologia e com a complexidade social que exige cada vez mais reflexões e respostas imediatas aos problemas postos no cotidiano vivenciado por eles mesmos e pelos alunos. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases – LDB (1996), no artigo 43, a educação superior deve incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica buscando desenvolver a ciência, a tecnologia, criação e difusão da cultura. Desse modo, https://image.freepik.com/fotos-gratis/pessoa-que-tem-ideias-como-metafora-de-lampadas_23-2148342812.jpg https://image.freepik.com/fotos-gratis/pessoa-que-tem-ideias-como-metafora-de-lampadas_23-2148342812.jpg desenvolver o entendimento do homem do meio em que vive, promovendo a divulgação dos conhecimentos científicos e técnicos que compõem o patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, publicações ou outras formas de comunicação. Diante desse fato nos vem o seguinte questionamento: existe distinção entre professor e pesquisador? Em uma análise mais criteriosa observamos que são profissões que se interligam e que podem ser trabalhadas em conjunto, tanto um professor pode ser um pesquisador como um pesquisador pode ser um professor. O professor é visto como aquele que coloca em prática o que diz os pesquisadores que seguem modelos clássicos, desconhecendo a prática da sala de aula. Quando um professor é também um pesquisador ele agrega ao seu currículo um ponto positivo, pois consegue aliar prática e teoria. Todo professor deve inovar em sua aula, trazendo novas experiências e ensinando aos seus alunos vários processos de aprendizagem. Tal processo deve ser instigado desde sua formação acadêmica para ser base propulsora de um ensino de qualidade. As qualidades necessárias para um bom professor estão nas dimensões que envolvem suas qualidades emocionais, políticas, éticas, reflexivas e críticas, sobretudo as de caráter do saber. De acordo com Fazenda (2008) é importante que o professor tenha quatro tipos diferentes de competências, caracterizadas por ele como: competência intuitiva onde o professor não se contenta em executar o planejamento elaborado - ele busca sempre alternativas novas e diferenciadas para seu trabalho; competência intelectiva na qual o professor privilegia todas as atividades que procuram desenvolver o pensamento reflexivo; competência prática onde o professor diferentemente do intuitivo, copia o que é bom, pouco cria, mas, ao selecionar, consegue boas cópias, alcança resultados de qualidade e competência emocional. Ele trabalha o conhecimento sempre com base no autoconhecimento. Expõe suas ideias por meio do sentimento, provocando uma sintonia mais imediata. A pesquisa no processo educacional está interligada ao aprendizado e reflexões sobre as práticas cotidianas fazendo a ponte entre os saberes populares e acadêmicos, entre o que os alunos estudam e como percebem dados deste estudo no âmbito familiar e grupos societários. Neste sentido Zeichner apud Pimenta (2003) ressalta a importância de preparar professores para que assumam uma atitude reflexiva em relação ao seu ensino e às condições sociais que o influenciam, reconhecendo nessa tendência de formação reflexiva uma estratégia para melhorar a formação de professores. Ser educador é formar seres pensantes que percebam que podem transformar as suas vidas e a de outras pessoas. Paulo Freire (1985), em seus estudos relata que o indivíduo deve saber sobre a sua realidade, para só então buscar transformá-la. O espaço de aprendizado é, portanto, um meio para a construção da consciência crítica, na interligação entre o aprendizado a partir da realidade vivenciada e a interpretação da sua condição de exploração. Trata-se de interpretar para transformar e neste ponto a educação é a base para os sujeitos refletirem sobre seus processos e sua condição como sujeito atuante na sociedade, diante disso, o capítulo seguinte aborda uma conceituação e reflexão acerca do direcionamento do professor pesquisador. https://image.freepik.com/vetores-gratis/pessoas-fazem-perguntas_102902-2341.jpg CONCEITUANDO E REFLETINDO O PROFESSOR PESQUISADOR Lima (2007), define o professor como o profissional que ministra, relaciona ou instrumentaliza os alunos para as aulas ou cursos em todos os níveis educacionais, segundo concepções que regem esse profissional da educação e o pesquisador, como aquele que exerce a atividade de buscar reunir informações sobre um determinado problema ou assunto e analisá-las, utilizando para isso o método científico com o objetivo de https://image.freepik.com/vetores-gratis/pessoas-fazem-perguntas_102902-2341.jpg aumentar o conhecimento de determinado assunto, descobrir algo novo ou contestar teorias anteriores. O professor deve se preocupar em atingir da melhor forma possível, seus objetivos buscando uma reflexão junto aos alunos, sobre os desafios que permeiam o professor no contexto atual. Neste sentido os objetivos da pesquisa devem ser claros e possuir uma relevância acadêmica e social. A pesquisa é sempre uma investigação para conhecimento da realidade, entendimento sobre a mesma e quando necessário à busca de sua transformação. Demo (2011) define que: Primeiro, é preciso distinguir a pesquisa como princípio científico e a pesquisa como princípio educativo. Nós estamos trabalhando a pesquisa principalmente como pedagogia, como modo de educar, e não apenas como construção técnica do conhecimento. Bem, se nós aceitamos isso, então a pesquisa indica a necessidade de a educação ser questionadora, do indivíduo saber pensar. É a noção do sujeito autônomo que se emancipa através de sua consciência crítica e da capacidade de fazer propostas próprias. (Demo 2011, p. 22). FORMAÇÃO NA PRÁTICA DOCENTE Falar sobre a formação docente requer a consideração de vários aspectos e elementos componentes desta formação. Ao referirmos à formação docente estamos nos voltando não só para os aspectos constituintes da formação formal, importante e expressiva na constituição dos saberes necessários à prática pedagógica, mas também àqueles que compõem e acompanham de modo informal todo o processo formativo como é o caso da cultura e das representações que os docentes trazem consigo e que, muitas vezes, são desconsideradas pela origem de sua existência. https://image.freepik.com/vetores-gratis/conceito-de-pesquisa-para-a-pagina-de-destino_52683-18573.jpg A importância de realizar reflexões acerca das diferentes dimensões da formação e da prática docente e saberese dos modos de comportamento necessários para a reprodução e a manutenção das relações quanto para que eles e elas adquiram os instrumentos essenciais para transcender a cotidianidade. E essa transcendência é fundamental, pois o desenvolvimento dos indivíduos só se efetiva plenamente se as suas vidas não ficarem reduzidas à esfera do cotidiano, se eles elaborarem uma relação consciente a fim de alcançarem a genericidade, ou seja, o desenvolvimento humano genérico (HELLER, 1979). Para a autora, o meio para essa superação é o processo de homogeneização, isto é, o processo em que o indivíduo emprega a sua inteira individualidade humana em uma única questão. Entretanto, como esse processo é raro na maioria dos seres humanos, a ruptura com o cotidiano dá-se como uma forma de manifestação da homogeneização. Como um dos processos de apropriação das objetivações genéricas (por exemplo, a ciência, a arte, a filosofia ou a política), a prática educativa escolar é mediadora entre a esfera da vida cotidiana e as esferas da vida não cotidianas no processo de formação do indivíduo. Assim, o professor, como mediador desse processo, precisa romper com as formas de organização do pensamento cotidiano, superando, portanto, o imediatismo e viabilizando o desenvolvimento de uma atitude mais homogênea com relação à ação pedagógica. Ou seja, “[...] a homogeneização impõe-se no processo educativo escolar antes de mais nada pelo fato de que as esferas não cotidianas da prática precisam que os indivíduos mantenham com elas uma relação homogênea” (DUARTE, 1996, p. 65). EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 42 Isso significaria dizer, parafraseando Heller (1977), que o professor precisa estar imerso no trabalho sobre a estrutura homogênea da educação e da prática pedagógica, bem como das ciências que as sustentam, aprendendo a pensar sobre essa base na realização de cada ação pedagógica. E pensar sobre essa base significa que o professor foi capaz de estabelecer uma relação consciente com a própria consciência (MELLO, 1996). Contudo, esse nível de consciência não é, como afirma Heller (1977), um critério subjetivo. Ele origina-se na realização da atividade humana, portanto também tem origem objetiva. Segundo Leontiev (1978), a atividade humana, originalmente uma atividade imediatamente coletiva, a partir do desenvolvimento das relações entre os homens e os meios de produção, foi-se dividindo em unidades, as quais o referido autor denomina “ações”. Como consequência, deixou de haver coincidência entre o fim da ação, seu resultado imediato e o motivo que leva o homem a agir. Sob determinadas condições sociais, o distanciamento entre o motivo da ação e o seu fim transforma as ações em alienadas e alienantes. Utilizando tal referência com vistas a compreender o trabalho educativo, o qual, por sua natureza, já pertence à esfera das atividades complexas, é possível afirmar que, para que o professor possa compreender a sua atividade pedagógica em sua concreticidade, precisa de mediadores de abstrações, pois essa concreticidade não se apresenta ao professor como consequência imediata do fato de estar nela inserido. O professor precisa apreender em sua consciência a relação entre o objetivo da ação educativa e o motivo da atividade educativa na qual está envolvido, ou seja, o motivo da sua prática pedagógica. Motivo esse que, apesar de ser pessoal, origina-se e desenvolve-se a partir das relações sociais estabelecidas por ele durante o seu processo de desenvolvimento pessoal e profissional. Sendo assim, não se trata de algo intrínseco à sua natureza, mas sim de uma construção social. Nessa compreensão, esta deve ser a finalidade da formação de professores: mediar abstrações de forma a provocar o surgimento de novos motivos, os quais, segundo Leontiev (1978, p. 107), devem estar “[...] deslocado[s] para o seu fim”. A prática pedagógica, nesse sentido, superará a concepção de ação imediata e utilitarista, na direção de uma ação que corresponde a interesses sociais e é considerada, do ponto de vista histórico-social, não apenas como produção de uma realidade material, mas também como criação e desenvolvimento incessantes da própria realidade humana. EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 43 3 AS SITUAÇÕES DE INFLUÊNCIA DO CURSO NA PRÁTICA DAS PROFESSORAS Tomando os princípios teóricos e metodológicos trabalhados durante o curso e analisando as entrevistas e observações, foi possível identificar as professoras envolvidas neste estudo em três situações, segundo a influência que o curso exerceu sobre a sua prática: 1 – Influência teórico- -prática; 2 – Influência no nível teórico ou “em transição”; e 3 – Pouca ou nenhuma influência. A classificação desses três níveis de influência se deu a partir das características em comum entre os elementos de cada um desses grupos. Elementos esses revelados pelas falas das professoras nas entrevistas e nas observações de suas atividades pedagógicas. Isto é, dos atos observados e dos discursos postos em relação aos princípios mais gerais de ensino e de aprendizagem divulgados pelo Curso sobre Alfabetização (que se manifestaram desde a organização do espaço na sala de aula até a relação estabelecida entre o professor e o aluno) é que se efetivou a primeira aproximação do que seriam as características de cada uma das situações de influência do curso sobre a prática dessas educadoras. A primeira delas, a influência teórico-prática, envolve o grupo das alfabetizadoras, no qual se percebeu uma relação mais efetiva com as diretrizes teóricas e metodológicas apontadas pelo curso. Em outras palavras, não apenas uma influência sobre suas concepções de aprendiz, de ensino e de como ensinar, mas também sobre as suas ações de ensino propriamente ditas. Nesse nível de influência, a teoria é vista pelas docentes como uma condição necessária para a realização de uma prática mais consciente. Assim, as professoras conseguem desenvolver ações de ensino mais coerentes com as concepções que verbalizaram sobre os processos de ensino e de aprendizagem. A intenção da sua ação ultrapassa as necessidades imediatas do dia a dia escolar; elas conseguem sustentar as suas ações além das dificuldades, mantendo, pois, maior coerência entre o que falam e o que realizam em sua ação em sala de aula. As professoras desse nível de influência afirmaram que a contribuição do curso foi a de fornecer segurança para a realização de seu trabalho, quer corroborando o que já vinham fazendo antes, mas não tinham certeza se estava correto, quer mudando a trajetória de toda a ação em sala de aula, dando à prática pedagógica um novo sentido. O que vai distinguir essas docentes é a sua percepção do como e o que trabalhar a partir de um quadro teórico específico, o qual elas também passaram a dominar. Elas encontraram no curso o significado compatível EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 44 com o sentido pessoal do seu trabalho, percebendo (mesmo que ainda sincreticamente) uma relação entre a prática e a teoria. As condições objetivas de trabalho dessas educadoras se assemelham às das demais. No entanto, o rompimento comas formas de pensamento cotidiano, ao exercerem a prática pedagógica, e as possibilidades de homogeneização fazem com que essas condições, para as professoras, não limitem definitivamente a sua ação. Do segundo nível de influência, denominado “em transição”, faz parte o conjunto de alfabetizadoras em que, apesar de ter sido possível identificar a influência teórica do curso sobre as percepções delas pertinentes aos elementos da prática pedagógica, não foi possível verificar através da observação uma condução segura de suas ações em sala de aula, de forma que conseguissem manter a coerência com essas percepções. Nesse nível, as professoras reconheceram que o conhecimento profissional deve ultrapassar a mera satisfação das necessidades imediatas, mas, ao entrarem em conflito com as contradições da esfera do cotidiano escolar, o nível de consciência dessas profissionais, limitado pelas condições objetivas de trabalho, era insuficiente para sustentar ações que se mostrassem coerentes com a prática pedagógica verbalizada. Isto é, apesar de alegarem que houve a influência do curso e apontarem em que direção esta ocorreu, foi possível observar que, na organização do seu trabalho pedagógico, os princípios citados sobre a aprendizagem do aluno e da estruturação do ensino segundo a perspectiva do curso aparecem, mas logo são abandonados, quando se deparam com as dificuldades da sala de aula. Por exemplo, à medida que vão enfrentando dificuldades de compreensão do conteúdo pelos discentes ou de seu disciplinamento em sala de aula, as professoras também vão mudando as atividades. Essas vão se aproximando cada vez mais de atividades que exigem pouca elaboração por parte do educando, a exemplo da cópia, dos exercícios de contas, da separação de sílabas, etc., atividades essas desenvolvidas de forma mecanizada, incoerentes, portanto, com a concepção de uma aula voltada para a “construção de conhecimento”, sobre a qual verbalizaram, planejaram e até começaram a desenvolver. Vale a pena ressaltar que, entre o primeiro e o segundo grupo, a distinção só foi possível por causa da utilização da observação não participativa. Se fossem consideradas como fontes apenas as entrevistas, essas diferenças não teriam sido identificadas. EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 45 Por fim, no terceiro nível – pouca ou nenhuma influência – está o grupo de professoras em que não foi identificado nenhum traço dos princípios teóricos básicos trabalhados durante o curso: nem em suas percepções sobre o ensino e a aprendizagem, nem em suas ações em sala de aula. A referência que essas docentes fizeram ao Curso sobre Alfabetização diz respeito apenas a aspectos isolados que vivenciaram durante o mesmo, os quais se referem ou a uma determinada maneira de organizar a atividade em sala de aula, ou a um comportamento específico em relação ao aluno. Nesse grupo de alfabetizadoras, a influência do curso está baseada em situações dispersas e sem relação entre si. No entanto, pode-se afirmar que é coerente com os motivos que as conduziram a procurar e a fazer o curso até o final, pois, à medida que procuravam respostas imediatas para o seu fazer pedagógico, essas foram sendo encontradas em situações específicas, e não na consciência a respeito dos seus fundamentos teóricos. Tal situação significaria dizer que o motivo que corresponde ao sentido da ação pedagógica dessas professoras as impulsionou a procurar no curso respostas às necessidades mais imediatas da sala de aula, demonstrando uma forma de pensamento pragmática. Segue-se, então, a pergunta sobre por que essas professoras se encontram nessas situações de influência do Curso sobre Alfabetização na sua prática e qual seria a interpretação possível para essas diferenças. A próxima aproximação da realidade estudada precisa superar a descrição do aparente. Assim sendo, recorre-se à teoria, que exerce o papel mediador, para integrar as partes dessa realidade, ora fragmentada, em uma totalidade concreta, para sistematizar as respostas sobre o que estaria, na perspectiva de interpretação teórica, determinando essas formas de influência. Através da teoria sobre os saberes cotidiano e não cotidiano, das categorias sentido e significado e da relação entre teoria e prática, empreende-se a interpretação sobre esses níveis diferenciados de influência do evento de formação continuada em questão sobre a prática das professoras alfabetizadoras envolvidas. As docentes cuja prática pedagógica se aproxima das propostas teóricas e metodológicas do curso demonstraram ter iniciado o processo de ruptura com as formas de pensamento cotidiano, hierarquizando, portanto, as suas diferentes atividades e sintetizando-as em uma unidade mais coerente com a sua concepção de mundo, de homem e de educação. Isto EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 46 é, essas alfabetizadoras, apresentando um grau maior de consciência da realidade, conseguem articular melhor os seus diversos fatores usando intencionalmente essa consciência para fazer frente ao condicionamento do cotidiano escolar imposto pelas condições materiais de trabalho. Aproximam-se, dessa maneira, de uma forma de pensamento menos heterogênea, ou seja, a variedade de aspectos que precisam dar conta no dia a dia da escola não limita a sua ação, tal como acontece com as professoras que denominamos “em transição”. Essas últimas, apesar de o grau de consciência pertinente à finalidade de sua atividade ser mais significativo do que o do grupo no qual não foi possível perceber influência do curso, quando se deparam com a multiplicidade de ações que o cotidiano escolar lhes impõe, recorrem a estratégias de ensino que, de certa forma, já automatizaram e que coincidem com práticas mecanicistas de alfabetização. A relação dialética entre a apropriação e a objetivação sugere a importância dos cursos e programas de formação continuada de professores que, como mediadores, podem proporcionar as condições necessárias, mas não suficientes, para potencializar as possibilidades de desenvolvimento da consciência da realidade e dos conflitos que permeiam a prática educativa. Ter consciência da sua consciência e dela utilizar-se intencionalmente, decidindo pelas ações que, em estreita relação com o significado da sua atividade, possibilitem o desenvolvimento humano, é também uma das características do grupo de alfabetizadoras em cuja prática foi possível perceber uma relação entre as diretrizes teóricas e metodológicas do curso e a sua prática pedagógica. Entretanto, contraditoriamente, a prática dessas professoras supera essa mesma teoria, haja vista que o seu grau de consciência, além de marcar as diferenças significativas quanto à clareza dos processos de aprendizagem, à seleção das atividades e ao processo de avaliação, determina também o tipo de relação que desenvolvem com os seus alunos, bem como o compromisso com o sucesso deles, respeitando-os não somente como indivíduos em processo de aprendizagem, mas, principalmente, como seres humanos, sujeitos que pertencem ao gênero humano, social e historicamente situados. A consciência da significação da ação, no que concerne à atividade pedagógica, é que possibilita às professoras – em que percebemos relação entre o curso e a sua prática – discernirem de que mudanças, em suas ações, dependem a qualidade de sua prática pedagógica. Tais mudanças, embora podendo estarinfluenciadas por concepções pedagógicas mais EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 47 veiculadas, mantêm estreita relação entre o significado e sentido (LEONTIEV, 1978) da prática educativa pelo motivo que as conduziram a procurar no curso não respostas prontas sobre como ensinar, mas sim uma compreensão mais radical da sua prática, fornecida, segundo elas mesmas, pelo conhecimento da teoria e, principalmente, pela coerência entre a prática e a teoria. Durante a observação e a entrevista, houve docentes em quem não foi possível perceber qualquer manifestação da influência do curso sobre a sua prática (apesar de afirmarem que o mesmo exerceu influência sobre o seu processo de ensino), as quais criticaram a falta de práticas durante o curso, com as quais, garantiram, poderiam “aprender” o jeito certo de ensinar às crianças. E prática, segundo elas, é o que pode ser imitado, repetido, aplicado a partir de roteiros preestabelecidos. A teoria é considerada como algo distante da realidade da sala de aula, a menos que possa ser aplicada. Enquanto as primeiras professoras manifestaram conhecer não só o processo pedagógico como um todo, prevendo os seus possíveis resultados, mas também as condições objetivas de realização da sua atividade e de aprendizagem dos alunos, as professoras em quem não foi observada a influência do curso demonstraram insegurança em relação ao seu trabalho e dependência em relação à avaliação e intervenção externas. Há, portanto, uma dicotomia teoria/prática evidenciada pelo caráter de imitação, de repetição de outras práticas pedagógicas. No grupo de educadoras denominado “em transição”, a valorização da teoria também foi uma das manifestações de dependência externa, posto que a teoria distanciada da prática pode tornar-se elemento de alienação, isso porque, uma vez distanciada da realidade, os conceitos teóricos apreendidos podem se incorporar ao discurso docente como algo natural, espontâneo, mas não necessariamente como elemento de compreensão da realidade e, portanto, de possibilidade de transformações. E nisto consiste a importância dos cursos de formação continuada de professores, a de que aumentem as possibilidades de ruptura com as formas de pensamento cotidianas para organizar e conduzir sua prática docente, permitindo aos professores neles envolvidos o reconhecimento da relação dialética entre a teoria, a prática social global e a prática pedagógica. Ao se reconhecer esse como o papel da formação de professores, a influência que essa exercerá sobre a prática dos docentes deixará de ser uma condição de características individuais para se tornar um projeto social de transformação. EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 48 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Na Introdução deste trabalho, utilizando Gramsci como referência, foi posto que a transformação, a passagem do ser ao “dever-ser”, implica necessariamente: “[...] a mediação da atividade humana dirigida por fins em função de valores criticamente escolhidos. Isto é, o ‘dever- -ser’ requer uma determinada práxis – aquela dirigida por um dever-ser (por algo que ainda não é, mas que tem possibilidade de vir a ser)” (OLIVEIRA, 1996, p. 8). O desvelamento do real-concreto proporcionado por esse conhecimento, porém, ainda que necessário para a transformação dessa realidade, não é suficiente. É preciso que o sujeito, como aponta Gramsci (1978), além de saber, saiba também como utilizar esse conhecimento. Os resultados apontados por este estudo a respeito da influência dos cursos de formação de professores sobre a sua prática, ao mesmo tempo que reforça a importância de continuidade na formação docente, nega os modelos de formação que, tendo como objetivo a divulgação de teorias ou modelos de ensino, mantêm a situação de dependência dos professores, não promovendo as possibilidades de ruptura com as formas de pensamento cotidianas. Algumas perguntas, assim, tornam-se inquietantes: qual o saber que esses cursos devem privilegiar para provocar nos docentes essa ruptura e a “[...] vontade de plasmar-se a si mesmos e ao mundo[?]” (HELLER, 1977, p. 55-56). Como organizar e desenvolver programas de formação continuada que promovam o enriquecimento interior3 dos professores? E, por fim, quem seriam os agentes formadores capazes de mediar tais possibilidades? É preciso, portanto, pensar no processo de formação de professores como mediação possível capaz de promover a ruptura com as formas espontâneas e pragmatistas de pensamento, vislumbrando o desenvolvimento, por parte dos docentes, de uma consciência intencional da ação de ensinar. Essa ruptura poderá resultar na busca por novos conhecimentos profissionais, novos carecimentos, que ultrapassem a esfera da vida cotidiana, situando-se nas esferas não cotidianas da prática social. No entanto, tal como demonstrado através das professoras do nível de influência denominado “em transição”, a teoria pedagógica, ainda que necessária, não é suficiente para 3 Enriquecimento interior refere-se à passagem de Marx (1975, p. 202) nos manuscritos de 1844: “O homem rico é ao mesmo tempo o homem que necessita de uma totalidade de manifestações humanas; é aquele cuja realização existe como urgência natural interna, como necessidade”. EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 49 garantir a relação entre o significado e o sentido do trabalho docente pelo professor, tampouco para ampliar a sua autonomia. A teoria, tal como aponta Vásquez (1977), por si só, não transforma o mundo. Para que isso aconteça, é preciso que ela saia de si mesma e seja assimilada pelos que deverão ocasionar a transformação. Trata-se, dessa forma, da relação consciente entre a teoria e a prática, sem reduzir nenhuma à outra. Nessa perspectiva, o papel principal de agente de formação, que, em um primeiro momento, possibilitaria a interlocução e a mediação na criação da autonomia, deve ser assumido pela universidade (mais especificamente, pelas faculdades, centros ou departamentos de educação), a qual, tomando como locus a escola, em parceria com os sindicatos dos profissionais da educação, conhecendo e compreendendo as mediações necessárias, produza o salto qualitativo da consciência dos professores. Não estamos negando, com isso, o papel relevante das secretarias estaduais e municipais de educação na promoção da formação continuada de professores, entretanto, devido ao caráter transitório de suas políticas educacionais, entendemos que o seu esforço de continuidade de formação dos seus docentes precisa se dar em parceria com a universidade. E o seu papel principal nessa parceria seria, precipuamente, o de prover e garantir as condições objetivas de trabalho (melhores salários, reorganização da jornada de trabalho, determinação de horários para estudo, etc.), necessárias para que a prática pedagógica seja exercida de uma forma menos alienante. Para concluir, faz-se interessante ressaltar que as considerações aqui apresentadas têm apenas a intenção de mostrar que a formação continuada tem um papel muito importante na mediação entre o cotidiano e o não cotidiano na prática pedagógicado professor. E que também a necessidade de maiores investigações a esse respeito, na perspectiva aqui apresentada, justifica-se, principalmente, para tentar fazer frente à tendência atual, declarada pela presente política educacional, em aumentar o investimento em propostas de formação em serviço de professores que mantêm o caráter da racionalização técnica e de atualização de conteúdos para a “melhoria da qualidade”. Tais propostas implicam uma visão de prática como aplicação da teoria e da prática pedagógica como uma atitude pessoal, organizada a partir de competências intelectuais individuais. EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 50 A dependência da educação nacional quanto a essas políticas aponta para a direção da formação continuada como ato de convencimento dos docentes. As propostas de formação continuada docente têm defendido princípios como os “saberes dos professores”, “a escola como local de profissionalização pedagógica”, etc., que em muito se assemelham à perspectiva de formação de professores citada anteriormente. Caberá, portanto, aos formadores de educadores separar “o joio do trigo”4, a partir da consciência e da intenção em utilizar o conhecimento a respeito do porquê da influência ou não dos eventos de formação continuada de professores para promover a emancipação interior dos profissionais da educação. Isso exigirá o desenvolvimento não de uma mera atividade de formação continuada de professores em si, mas sim uma atividade de formação docente “para-si”, isto é, consciente, intencional e, por conseguinte, relacionada com a finalidade social e historicamente determinada de educar os educadores. 5 REFERÊNCIAS ANDRÉ, M. E. D. A. O papel da pesquisa na formação do professor. In: MIZUKAMI, M. G. N.; REALI, A. M. M. (Org.). Formação de professores: tendências atuais. São Carlos: UFSCar, 1996. p. 95-105. DUARTE, N. A individualidade para-si: contribuição a uma teoria histórico-social da formação do indivíduo. Campinas: Autores Associados, 1996. FORMOSINHO, J. (Coord.). Formação de professores: aprendizagem profissional e acção docente. Porto: Porto, 2009. GRAMSCI, A. Concepção dialética da história. 7. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1987. HELLER, A. O cotidiano e a história. 4. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989. HELLER, A. Sociología de la vida cotidiana. Barcelona: Península, 1977. LEONTIEV, A. N. O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: Horizonte, 1978. MARX, K. O capital: crítica da economia política. São Paulo: Abril Cultural, 1975. 4 Referência a uma parábola bíblica na qual um agricultor percebe plantado no seu terreno tanto o trigo quanto o joio, que são dois grãos muito parecidos na aparência, mas opostos em sua essência e finalidades (Evangelho de Mateus 13: 24-30). EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 51 MELLO, S. A. A obviedade como obstáculo ao desenvolvimento da consciência crítica do educador. 1996. 198 f. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 1996. OLIVEIRA, B. A. O trabalho do educativo: reflexões sobre o paradigma e problemas do pensamento pedagógico brasileiro. Campinas: Autores Associados, 1996. VÁSQUEZ, A. S. Filosofia da práxis. 3. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. Recebido em 16 de agosto de 2016. Aceito em 20 de novembro de 2016. 615Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 18, n. 4, p. 615-628, Out.-Dez., 2012 Formação continuada e educação à distância Relato de Pesquisa educAção A distânciA e formAção continuAdA do professor disTance educaTion and furTher Teacher developMenT Leda Maria Borges da Cunha RODRIGUES1 Vera Lúcia Messias Fialho CAPELLINI2 RESUMO: Tem sido significativo o papel da Educação a Distância (EaD) na formação continuada de docentes. Assim, esta pesquisa teve como objetivo levantar e analisar dados em relação à sua utilização para formação continuada de professores quanto ao processo de inclusão da pessoa com deficiência. Construído e aplicado questionário semiestruturado, participaram da pesquisa 182 alunos do Curso a distância da Unesp-Bauru/SP, realizado em parceria com o Ministério da Educação. Os resultados indicam que a flexibilidade de horário e o atendimento a grande número de alunos, em diferentes áreas geográficas, destacam-se como pontos positivos desta modalidade, porém, para seu sucesso, é necessária a formação adequada dos formadores/tutores na utilização das novas ferramentas no processo de ensino-aprendizagem, sendo imprescindível que os alunos tenham a sensação de serem assistidos em todos os momentos, contribuindo para a construção da comunidade virtual e efetivando, na Educação a Distância, a formação de qualidade. PALAVRAS-CHAVE: Educação especial. Educação à distância. Formação de professores. Inclusão. AbStRACt: Distance Education has had a significant role in further teacher development. The aim of this study was to collect and analyze data related to distance education for the further teacher development related to the inclusion process of people with disability. One hundred and eighty two students from the Distance Training course from Unesp – Bauru / SP participated in the research, constructing and applying a semi-structured questionnaire. The results indicate that scheduling flexibility and attendance of a great number of students in different geographical areas stand out as positive points of this modality, however, for it to be a success, tutors must be adequately prepared to use new tools in the teaching-learning process. It is essential that the students feel they are being assisted in every moment, contributing to the construction of a virtual community and effecting quality development in distance education. KEYWORDS: Special education. Distance education. Teacher development. Inclusion. 1 introdução Pode-se considerar a Educação a Distância (EaD) como grande possibilidade para formação continuada do professor e, em especial, neste trabalho referente à Prática de Educação Especial e Inclusiva. Porém, será que os professores-estudantes consideram este o melhor caminho? Será que as estratégias e a forma de apresentação dos conteúdos propiciam, realmente, aprendizagem? Estas questões surgem em torno da formação continuada do educador e de sua prática, na modalidade de Educação a Distância, neste novo paradigma da inclusão da pessoa com deficiência. Pautou-se nas concepções dos professores-estudantes que participam deste processo, a partir do seguinte tema-problema: será que a modalidade de Educação a Distância contribui para a formação inicial de educadores quanto ao processo de inclusão da pessoa com deficiência? 1Mestranda do Programa de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem - Unesp – Bauru/SP, Pedagoga com Especialização em Práticas de Educação Especial Inclusiva pela UNESP- Bauru/SP. ledaead@gmail.com 2 Profª. Drª. do Departamento de Educação – Unesp -Bauru/SP, Graduada em Pedagogia pela UNIMEP; Mestre e Doutora em Educação Especial pela UFSCar-São Carlos. verinha@fc.unesp.br 616 Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 18, n. 4, p. 615-628, Out.-Dez., 2012 RODRIGUES; L. M. B. C. & CAPELLINI; V. L. M. F. Apresenta-se, então, breve contexto histórico, fundamentação e o embasamento legal da Educação a Distância, além das ferramentas e utilização do ambiente TelEduc para oferta do curso Práticas em Educação Especiale Inclusiva na área de Deficiência Mental (Intelectual). Seguem-se os pressupostos metodológicos, abrangendo: procedimentos iniciais, desenvolvimento e aplicação de questionário semiestruturado, como instrumento de coleta de dados, bem como análise e discussão dos resultados em que se corrobora a hipótese levantada. 2 educAção A distânciA (EAD): breve contexto histórico e fundAmentAção legAl no brAsil A modalidade de EaD ganha, a cada dia, mais espaço com o reflexo dos benefícios do uso da Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) na educação e as mudanças significativas nas estratégias de ensino-aprendizagem; vivencia-se, assim, o momento de expansão da EaD, efetivando-se como modalidade de ensino para formação de grande número de pessoas em todo o mundo. Segundo Barros et al. (2008, p. 6), [...] para entender a Educação a Distância (EaD) é necessário compreender a educação online que engloba todos os elementos que se referem ao virtual e às formas metodológicas atuais or- ganizadas para a aprendizagem. Quando falamos em educação online estamos nos referindo à educação não presencial mediada por tecnologias digitais. Isso engloba vários elementos como a EaD, os E. B. M. learning(s), entre outros. Pode ser entendida como um conjunto de ações de ensino e aprendizagem que são desenvolvidas através de meios telemáticos como a Internet, a videoconferência e a teleconferência. A educação online nos traz questões pedagógicas específi- cas com desafios novos para a EaD e a presencial. Para o uso da educação online um dos maiores desafios está na compreensão da diferença do paradigma virtual e do presencial na utilização das interfaces da tecnologia disponíveis para a aula. A EaD é aplicação de uma metodologia antiga que ocorreu no início da difusão do Cristianismo, em que o apóstolo Paulo utilizava métodos de EaD, pois enviava cartas para as igrejas com finalidade de ensiná-las sobre o Cristianismo. Essa modalidade de EaD também pode ser verificada no século XIX, com o advento das estradas de ferro nos Estados Unidos, facilitando o transporte dos materiais pedagógicos por meio de comboios (GEBRAN, 2002 apud VILELA3, 2006). Ainda, segundo Barros et al. (2008, p. 30), [...] O desenvolvimento da comunicação educativa apresenta-se com o início da escrita; esta comunicação tinha enquanto objetivo propiciar aprendizagem às pessoas ausentes em determi- nado espaço e tempo. Percorrendo os caminhos da história, observamos que na Mesopotâmia, no Egito e na Índia, na Grécia e em Roma, já se encontrava uma rede de comunicação escri- ta que permitiu um significativo desenvolvimento da correspondência. Inicialmente, as cartas eram registros de problemas e fatos do cotidiano pessoal e coletivo; aos poucos, passaram a transmitir informações científicas que, de forma intencional ou não, destinaram-se à instrução e ao conhecimento de algo. 3 A autora cita as referências: SHERRON, G. T; BOETTCHER, J. V. Distance learning: the shift to interactivity. In: Profissional Paper Series, n. 17, 1996. Disponível em: Acesso em: 29 set. 2004. CAMPOS FILHOS, A. S. de. Treinamento à distância para mão-de-obra na construção civil. São Paulo. 2004. 140f. Dissertação (Mestrado em Engenharia) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo: EdUSP, 2004. 617Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 18, n. 4, p. 615-628, Out.-Dez., 2012 Formação continuada e educação à distância Relato de Pesquisa Entre outras formas e meios de comunicação, a Educação a Distância ocorre de várias formas: livro impresso, Correio, rádio, TV e/ou internet. Na literatura, alguns autores identificam quatro gerações. Transcrevem-se abaixo as informações de Vilela, (2006, p. 5): • Primeira geração da EaD (1850-1960): os estudos eram realizados por meio de materiais impressos, enviados por correspondência e, posteriormente, surgiram o rádio e a televisão. • Segunda geração (1960-1985): além de materiais impressos, eram utilizadas transmissões por televisão aberta, rádio, fitas de áudio e vídeo, com interação por telefone, fax, satélite e TV a cabo. • Terceira geração (1985-1995): nesta década, teve sua base em redes de computadores, videoconferências, estações de trabalho multimídia e uso da internet. • Quarta geração (de 1995 até os dias atuais): utiliza como meios de comunicação: correio eletrônico, chat, computador, internet em banda larga, interação por vídeo e ao vivo, videoconferência, fax e papel impresso. O curso que serviu como espaço para pesquisa foi estruturado no ambiente de aprendizagem TelEduc em que se realizam cursos a distância por meio da internet, desenvolvido no Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). De acordo com publicação do MEC (BRASIL, 2007), o TelEduc disponibiliza três grupos de ferramentas a serem utilizadas por alunos e/ou formadores/tutores: • Ferramentas de Coordenação – organizam e subsidiam a dinâmica de um curso; utilizadas pelo professor para disponibilizar material didático de apoio às atividades dos alunos e representadas por inúmeras ferramentas que podem ser encontradas nos diversos ambientes virtuais de aprendizagem, como: Agenda, Dinâmica do Curso, Estrutura do Ambiente, Leituras, Material de Apoio, Atividades, Parada Obrigatória, Perguntas Frequentes e Grupos. • Ferramentas de Comunicação – permitem a interação entre os participantes e estão divididas em dois grupos: síncronas e assíncronas. Síncronas: são aquelas que permitem a comunicação em tempo real (Bate-Papo – Chats – e Vídeo/ Audioconferência). Assíncronas: possibilitam que a interação ocorra sem ser em tempo real, não havendo a necessidade de os participantes estarem reunidos num mesmo espaço de tempo (Perfil, Mural, Correio e Fórum de Discussão) Ferramentas: Correio, Bate-Papo, Fóruns de Discussão, Mural, Portfólio, Diário de Bordo e Perfil. • Ferramentas de Administração – correspondem às ferramentas de apoio ao coordenador e aos formadores, para que eles gerenciem o curso. Ferramentas: Gerenciamento de alunos e de monitores, Gerenciamento de inscrições, Definição das informações gerais sobre o curso, por exemplo, datas de início e fim das inscrições e do curso, seleção de ferramentas disponíveis para o aluno, controle de acesso e visualização das estatísticas. Na modalidade EaD, a internet – ambiente em que se organiza e se estrutura o material do curso e a participação dos alunos e formadores/tutores – contribui para o acesso 618 Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 18, n. 4, p. 615-628, Out.-Dez., 2012 RODRIGUES; L. M. B. C. & CAPELLINI; V. L. M. F. e a efetivação do curso tanto no processo de ensino-aprendizagem como em sua organização administrativa. No Brasil, nos dias atuais, o número de oferta de cursos cresceu significativamente, visando atender à formação continuada do professor em exercício e às transformações na educação. Segundo Moran (2002, p. 13), Outro conceito importante é o de educação contínua ou continuada, que se dá no processo de formação constante, de aprender sempre, de aprender em serviço, juntando teoria e prática, refletindo sobre a própria experiência, ampliando-a com novas informações e relações. Este conceito caracteriza a educação continuada do professor, como uma prática que favorece o repensar de sua atuação, e o coloca numa condição de aprendizagem para as mudanças atuais no contexto educacional; ainda, Palloff e Pratt (2002, p. 40) acrescentam: “A comunidade é o veículo através do qual ocorre a aprendizagem on-line”. Outro ponto de destaque é a comunicação síncrona (em tempo real) – o Bate-Papo. Trata-se de um dos recursos mais utilizados em EaD, pois abrange conferências baseadas em textos. Segundo Rodrigues (2004), o estímulo de contatar com outros em tempo real e o desenvolvimento de um sentido de presença e pertença social promovem o envolvimento e o comprometimento, fundamentais para a formação de uma autêntica comunidadeentre os participantes de um curso em regime de e-learning (Ensino Online). Esta ferramenta é muito útil na sala de aula virtual, fortalecendo a criação da comunidade, promovendo a sensação de estar com o outro, mesmo com grande distância geográfica, mas – para uso dessa ferramenta – Pallott e Pratt (2002) ressaltam que não se deve deixar de levar em consideração os seguintes fatores: a) trabalho preferencial com grupos pequenos (ideal cinco a dez); b) cuidados com o fuso horário; c) determinação prévia das diretrizes do curso, possibilitando igual espaço para os participantes se manifestarem. No cenário atual da educação, está claro que a educação por meio de novas mídias conectadas é uma realidade cada vez mais presente e que evolui de forma irreversível; além disso, devido ao processo de inclusão escolar, é fundamental a formação continuada do professor, visto que muitos, que hoje exercem a docência, não tiveram esses conteúdos e práticas durante sua formação. É importante destacar, também, a grande extensão do território brasileiro, cujo maior volume de pesquisadores da área encontra-se no eixo sul e sudeste, dificultando, assim, o acesso a cursos locais por esses especialistas. No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases (LDBEN) nº. 9394/96 (BRASIL, 1996) estabelece no artigo 80: O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distân- cia, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada. § 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diplomas relativos a cursos de educação a distância. § 3º As normas para produção, controle e avaliação de programas de educação a distância e a 619Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 18, n. 4, p. 615-628, Out.-Dez., 2012 Formação continuada e educação à distância Relato de Pesquisa autorização para sua implementação, caberão aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que incluirá: I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens; II - concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de canais comerciais. O artigo 80 da LDBEN nº. 9394/96 (BRASIL, 1996) foi regulamentado pelo Decreto nº. 5622 de 19 de dezembro de 2005 (BRASIL, 2005), que caracteriza a Educação a Distância como modalidade educacional, explicitando demais disposições e providências, e considera a mediação didático-pedagógica no processo de ensino-aprendizagem com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação. 3 método Inúmeros questionamentos cercam a prática e a utilização da modalidade de Educação a Distância; dessa forma, buscou-se levantar e analisar dados em relação à sua utilização para formação continuada de professores quanto ao processo de inclusão da pessoa com deficiência. Conforme citado anteriormente, este estudo teve como objetivo identificar as representações dos professores-estudantes, tendo como tema-problema: será que a modalidade de Educação a Distância contribui para a formação inicial de educadores quanto ao processo de inclusão da pessoa com deficiência? Optou-se por pesquisa de campo descritiva, com base em Lakatos e Marconi (2003, p. 43), que destacam sua importância para se “conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese, que se queira comprovar, ou ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles”. Para tanto, por meio de pesquisa bibliográfica, foram consultados diversos autores renomados na área, que fundamentaram e embasaram este estudo. Especificamente, para a construção do questionário semiestruturado, composto de 17 questões mistas (abertas e fechadas), consideraram-se os estudos realizados pelas pesquisadoras Rena M. Palloff e Keith Pratt (2002), em sua obra Construindo Comunidades de Aprendizagem no Ciberespaço: estratégias eficientes para salas de aula on-line; tradução da obra original: Building learning communities in cyberspace: effective strategies for the online classroom. Essas autoras são PhDs e professoras de importantes universidades norte-americanas, e este seu livro abrange estudos de caso e exemplos retirados de uma ampla variedade de cursos on-line considerados bem sucedidos. Antes da aplicação do questionário, as questões foram apresentadas para dois juízes, ambos especialistas na área, que as apreciaram e contribuíram com sugestões, evitando-se, assim, linguagem rebuscada e uso de jargões técnicos que poderiam dificultar o entendimento das perguntas por parte dos respondentes. Nesse sentido, os pesquisadores da área de Educação Especial alertam para a necessidade dos cuidados necessários desde o planejamento da coleta de informações até as variáveis que podem afetar os resultados, bem como sua análise (MANZINI, 2003, 2004). 620 Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 18, n. 4, p. 615-628, Out.-Dez., 2012 RODRIGUES; L. M. B. C. & CAPELLINI; V. L. M. F. Deve-se, também, evitar perguntas complexas que envolvam mais de um conceito, baseando-se, apenas, em itens ou tópicos, sem questões previamente estabelecidas de forma sistematizada. No entanto, o uso apenas de itens não garante a fidelidade dos questionamentos para todos os participantes, o que acarretará dificuldades na análise e na interpretação dos dados coletados. Assim, o questionário foi elaborado conforme esses preceitos e disponibilizado no ambiente TelEduc, na ferramenta material de apoio; além dessa disponibilização, encaminharam- se a todos os alunos orientações a respeito do objetivo da pesquisa, utilizando a ferramenta Correio do ambiente TelEduc. A devolução do questionário, devidamente preenchido pelos professores-estudantes, foi arquivada, por meio da ferramenta portfólio individual, na pasta Pesquisa em EaD. A aplicação do questionário ocorreu no período da última disciplina do curso a distância: Práticas em Educação Especial e Inclusiva na área de Deficiência Mental (Intelectual) e, para seu preenchimento, foi solicitado aos participantes, considerarem os conteúdos abordados, estratégias e ferramentas do ambiente de Educação a Distância - TelEduc, sendo as questões pertinentes quanto à formação, à metodologia da Educação a Distância e à inclusão da pessoa com deficiência. Participaram 182 alunos do curso a distância: Práticas de Educação Especial e Inclusiva na área de Deficiência Mental (Intelectual), promovido pelo MEC e UNESP Bauru, em parceria com as Secretarias de Educação Municipais e Estaduais do território nacional. Importante destacar que o número de participantes equivale a 62% dos concluintes do curso a distância. Para levantamento das categorias nas perguntas abertas, analisaram-se e selecionaram- se as respostas, cujas categorias se apresentaram recorrentes, e as perguntas fechadas foram analisadas quanti-qualitativamente, de modo a traçar um perfil dos professores participantes. 4 Análise e discussão dos resultAdos Dentre os resultados analisados, além de abarcar informações sobre Educação a Distância e Formação de professor para o processo de inclusão, também delimitou-se o perfil dos participantes, em que se constatou que a maioria ocupava a função de professor, atendendo, assim, à proposta de formação continuada do Ministério da Educação/Brasil que, por meio das ferramentas de Educação a Distância, capacita os educadores para atuar no processo de inclusão da pessoa com deficiência. O universo da amostra constituiu-se de 99% participantes do sexo feminino e 1% do sexo masculino, na faixa etária de: 41% com idade de 31 a 40 anos; 35%, idade de 41 a 50 anos; 12%, idade 24 a30 anos; 11%, idade de 51 a 60 anos e 1%, idade de 60 a 64 anos. Em resumo, o grande grupo de professores tem de 31 a 50 anos: 87% deles desempenham a função de professor, e 13% ocupam outros cargo/função, sendo: coordenador, diretor, monitor, intérprete de Libras, assistente técnico-pedagógico, assistente de direção, assessor pedagógico, avaliador, fonoaudiólogo, orientador educacional, supervisor e psicopedagogo. 621Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 18, n. 4, p. 615-628, Out.-Dez., 2012 Formação continuada e educação à distância Relato de Pesquisa A tabulação dos resultados aponta que 96% consideram que a modalidade de Educação a Distância atende, inicialmente, à formação continuada de professores para o processo de inclusão da pessoa com deficiência. Mas, na prática, quando é ofertado o curso, muitos desistem, por diversos motivos que interferem em sua participação: receio/medo de utilizar o computador (tecnofobia); falta de organização do tempo; não ter acesso ao computador com internet, sobretudo com banda larga; pensamento equivocado sobre Educação a Distância ser mais fácil; dificuldade para cumprir as atividades práticas, e ausência no ambiente do curso. Considerando-se a Educação a Distância como uma possibilidade para formação continuada, os professores-estudantes consideram este um caminho que propicia aprendizagem e contribui para a formação inicial. Na pesquisa, 96% consideram que o conteúdo do curso contribuiu para iniciar o trabalho e o processo de inclusão da pessoa com deficiência intelectual. Conforme já citado, utilizou-se o computador e a internet para acessar o ambiente do curso (TelEduc). Dentre os pesquisados, 90% possuem computador com conexão à internet, porém, um número significativo de participantes, 37% acessaram o ambiente apenas três dias por semana, e 34% acessaram o ambiente raramente: uma ou duas vezes na semana. Muitos alunos do curso não tinham o hábito de acessar diariamente esse ambiente, mesmo que utilizassem o computador, embora se tenha enfatizado a importância desse acesso diário ao ambiente em que o curso está sendo oferecido. Consequentemente, a baixa frequência ao ambiente virtual acarreta ao aluno acúmulo de atividades e falta de interação com o grupo, uma vez que ele utiliza esse ambiente apenas para buscar informação, realizar tarefa, acessá- lo novamente para depositar a tarefa, fortalecendo a educação nos modelos tradicionais de transmissão de informações. Outro aspecto a se observar é com relação ao uso otimizado do tempo, já que essa organização é fator de extrema importância para o sucesso do curso. O aluno deve planejar suas ações para ser produtivo: não acessar o ambiente a todo o momento, determinar um horário do dia para ler mensagens e responder a elas, em vez de fazê-lo em horários alternados, além de estabelecer prioridades claras para lidar com os conteúdos e as atividades, de acordo com sua importância, o prazo e a necessidade de resposta. Para Palloff e Pratt (2002, p. 62), “Os alunos que usam o meio adequadamente descobrem nele a possibilidade de pesquisar assuntos de outras disciplinas, bem como a de serem mais responsáveis em seus estudos e de gerenciar melhor o seu tempo”. Essas autoras dão sugestões para que os alunos superem as dificuldades sobre o gerenciamento do tempo e do curso, ressaltando: - conecte-se ao curso somente se tiver a intenção de fazer um download (transferência de arqui- vo) ou de ler. - se possível, imprima as mensagens novas para ter mais tempo de lê-las. - depois de ler e revisar as mensagens, formule uma resposta para enviar. Não se sinta na obri- gação de mandar resposta imediata em ambiente assincrônico. - para ser mais cuidadoso com as respostas, prepare-as em um editor de textos e, depois, copie-as e cole-as no site do curso. Se houver pouco espaço no disco rígido, ou se o computador do la- boratório do qual você geralmente envia suas mensagens estiver ocupado, salve suas mensagens em disquete/pen/disco virtual etc. (PALLOFF; PRATT, 2002, p. 64). 622 Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 18, n. 4, p. 615-628, Out.-Dez., 2012 RODRIGUES; L. M. B. C. & CAPELLINI; V. L. M. F. Nessa perspectiva, administrar o tempo, planejar, estabelecer prioridade, ter autonomia em suas ações, bem como recursos adequados para sua realização, são fatores que favorecem o sucesso na realização das tarefas, tornando o aluno mais produtivo, contribuindo, assim, para sua aquisição de novas experiências e novos conhecimentos. Essas novas metodologias que se apresentam atendem a um novo paradigma de construção do conhecimento, de ações e reflexões acerca de aprendizagem efetiva, em que o aluno tem papel fundamental nesse processo. Nesta pesquisa, 85% dos alunos escolheram como principais características que eles devem ter: ser ativo e ter responsabilidade em seu processo de aprendizagem, receber as atividades e executá-las; durante essa execução, realizar trocas com os colegas e tutor, publicar no Portfólio, além de ler Portfólio dos colegas. Outra questão tratou sobre características fundamentais e papel do aluno; 97% escolheram a alternativa responsabilidade, 71% autonomia, 78% ser disciplinado, 92% seriedade em relação ao curso e, 96% interesse. Para aperfeiçoar todo o processo, torna-se imprescindível que o formador e o tutor estejam presentes no ambiente, pois se trata de Educação a Distância e não educação distante; dar retorno ao aluno em todas as atividades realizadas, incentivar e cobrar as atividades e demonstrar, sempre, disposição para sanar as dúvidas e necessidades que os professores- estudantes apresentem. Nesta nova metodologia, aluno e professor rompem com o tradicional e reconstroem seus papéis, favorecendo a construção do conhecimento, a formação de grupo e a troca de experiências. Nesse sentido, foram escolhidas como principais características para o formador/ tutor: responsabilidade; autonomia; criatividade; interesse; ser disciplinado e auxiliar o aluno a disciplinar o tempo; ter seriedade em relação ao curso e pensamento crítico, bem como estar aberto para discussões. No que diz respeito ao papel e à característica do aluno e do formador/tutor, deve haver grande reflexão de ambos quanto à transformação na atuação para aprendizagem a distância (aluno) e para o ensino a distância (formador/tutor), pois o centro da aprendizagem está no aluno, e o formador/tutor media esse processo de construção do conhecimento. Buscou-se saber, também, se houve via dupla de interação na utilização da ferramenta Correio do ambiente TelEduc, que funciona como e-mail do ambiente; 93% consideram ter havido essa interação. Este resultado confirma que os alunos acreditam ser importante a troca, sendo, no ambiente a distância, a ferramenta Correio uma facilitadora dessa comunicação. Medina e Dominguez (2006), após analisar vários modelos de formação de professores, destacam três dimensões importantes: desafios da sociedade tecnológica e a necessidade de situar a escola em lugar adequado; aquisição de um estilo inovador e aberto; simulação e construção de uma concepção educativa. Outra questão abordava saber com quem os participantes trocavam mensagens; o resultado obtido foi que 55% só se comunicaram com o Tutor. Este resultado não é um dado positivo, pois denota relação apenas entre professor-aluno, sem a opção aluno-aluno, e esta última opção é muito importante no processo de aprendizagem, seja virtual, seja presencial. 623Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 18, n. 4, p. 615-628, Out.-Dez., 2012 Formação continuada e educação à distância Relato de Pesquisa Ainda, 16% não utilizaram a ferramenta Correio; este é um dado extremamente preocupante, já que muitas informações, dúvidas e outras orientações são repassadas pelo Correio (e-mail) do ambiente, ficando, assim, esse grupo sem recebê-las. A interação dentro do grupo é fundamental para constituir a comunidade, já que se trocam experiências, sanam-se dúvidas, compartilham-se sentimentos,entre outras situações. Dessa forma, é importante que formador e tutor estejam atentos ao silêncio e à ausência dos alunos que, muitas vezes, não sabem como proceder quanto à utilização de tal ferramenta. Segundo os Referenciais de qualidade para cursos a distância (BRASIL, 2003, p. 9), Junto com a interação professor-aluno, a relação entre colegas de curso, mesmo a distância, é uma prática muito valiosa, capaz de contribuir para evitar o isolamento e manter um processo instigante, motivador de aprendizagem, facilitador de interdisciplinaridade e de adoção de ati- tudes de respeito e de solidariedade ao outro. Sobre a participação ativa dos alunos no ambiente, as autoras Palloff e Pratt (2002) destacam, em um de seus estudos de casos, que o aluno tímido teve participação bem sucedida em ambiente de aprendizagem virtual. Formulou-se, então, uma questão, versando sobre essa temática, para verificar se as respostas dos participantes deste estudo confirmavam os dados encontrados pelas autoras. Os resultados evidenciaram que 46% concordaram plenamente, 45% concordaram parcialmente, e, apenas 9% discordaram, sugerindo, assim, que o mais introvertido poderia ter participação mais ativa na modalidade de EaD. Na Educação a Distância, a pessoa tímida não tem a pressão do meio que, muitas vezes, desfavorece sua participação, por medo de expor verbalmente suas ideias, passando a impressão de não dominar o conteúdo; já o ambiente a distância pode ser favorável para que ela as exponha, sem a pressão do meio e, muitas vezes, com feedback positivo dos colegas e dos formadores em relação à sua participação. Destaca-se que essas autoras mencionam em sua obra que a habilidade de participação e exposição de ideias pode ser desenvolvida num ambiente de Educação a Distância, pois, por meio eletrônico, contribui-se para os trabalhos em aulas presenciais, podendo, assim, o aluno tímido ter mais confiança em sua própria participação. Outro aspecto tratado refere-se à sensação de abandono; quando se perguntou aos alunos participantes do curso sobre terem tido ou não essa sensação, o resultado foi que 82% não a tiveram; 14% a tiveram apenas no início do curso, e 4% durante todo o curso. Com isso, observa-se ser de extrema importância a interação, para se ter um ambiente a distância caloroso, onde as trocas possam promover a construção do conhecimento e oportunizar experiências de socialização, construindo uma comunidade que ensina e que aprende. Sem o apoio e a participação de uma comunidade que aprende, não há cursos on-line. Na criação da comunidade, na sala de aula virtual, deve-se prestar atenção ao desenvolvimento da sensação de comunidade entre os participantes do grupo a fim de que o processo seja bem-sucedido. Então, levando-se em conta a importância da criação da comunidade, e que todos os alunos e professores fazem parte do ambiente ou sala virtual, tem- se resultado satisfatório. 624 Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 18, n. 4, p. 615-628, Out.-Dez., 2012 RODRIGUES; L. M. B. C. & CAPELLINI; V. L. M. F. Em contrapartida, o curso teve 504 alunos inscritos, sendo 294 concluintes, e apenas 182 responderam ao questionário; assim, indaga-se: será que os alunos que não concluíram o curso e os que não responderam à pesquisa tiveram a sensação de abandono? Vale ressaltar que tudo é novo para todos, contudo deve ser criada a cultura de que um ambiente, mesmo que virtual, pode abarcar sensações de contato, novos vínculos, novas trocas de experiências e de crescimento mútuo, não considerando o ambiente apenas como ferramenta computacional onde se buscam informações, realizam-se as atividades e usam-se, novamente, as ferramentas para disponibilizar as atividades para o professor atribuir notas. Deve-se pensar que, numa comunidade de aprendizagem, os participantes dependem um dos outros para alcançar os resultados exigidos pelo curso. Se um deles conectar-se a um site em que nenhuma atividade ocorre há alguns dias, pode sentir-se desestimulado ou ter sensação de abandono, algo como ser o único aluno a comparecer quando até mesmo o professor está ausente (PALLOFF; PRATT, 2002). Uma ferramenta que contribui para a comunidade de aprendizagem é o Bate-Papo, já que aproxima os participantes, mas é necessário que se tenha organização quanto ao seu uso, pois muitas vezes, no Bate-Papo, o aluno está escrevendo e, concomitantemente, chegam mais mensagens; quando ele envia sua opinião, o assunto já pode ser até outro. Elaborou-se uma questão sobre esse tema para identificar a opinião dos participantes; os resultados confirmaram como ideal entre cinco e 10 participantes no Bate-Papo. Nessa perspectiva, para se obter efetiva participação dos alunos no Bate-Papo, é importante o tutor/ formador sugerir de dois a três horários na semana, com duração de, no mínimo, uma hora. Além disso, precisa discutir com eles sobre organização quanto à estratégia de participação, contribuindo para que todos conheçam a opinião dos colegas e participem expondo seus pontos de vista; outro aspecto relevante é pesquisar sua preferência de horários, utilizando a ferramenta Enquete do próprio ambiente TelEduc. É preciso, ainda, romper com o conceito equivocado dos alunos de que aprender on-line não é aprender de verdade. Enfatizar, então, a extrema importância da interação entre eles, além de deixar claro que, para ser bem sucedido em um curso on-line, tem que envolver-se ativamente no processo, ser responsável por sua própria aprendizagem, não atuando, apenas, como mero expectador. Palloff e Pratt (2002, p. 90) destacam esse aspecto com as seguintes considerações: [...] Espera-se dos alunos que questionem as proposições apresentadas pelo professor e por seus colegas, tanto quanto questionam as suas. Ao fazê-lo, produzirão o resultado desejado nessa es- pécie de curso: a construção de novas formas de conhecimento e de novos significados. Quando se envolvem dessa maneira com o processo de aprendizagem, os alunos aprendem a aprender, além de adquirirem a capacidade de pesquisar e de pensar criticamente. No que se refere a essa colocação, alguns participantes desta pesquisa relataram: A Educação a Distância propicia maturidade pessoal que possibilita, além das leituras ofereci- das, desfrutar de complemento que fortalece o aprendizado pessoal, como pesquisa de interesse próprio; o campo é vasto e, acima de tudo, podemos contar com especialista de grande porte para sanar as dúvidas existentes, além do que, os materiais oferecido foram valiosos (T6L). 625Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 18, n. 4, p. 615-628, Out.-Dez., 2012 Formação continuada e educação à distância Relato de Pesquisa A Educação a Distância não transmite informações, ao contrário, a EaD leva o aluno a pen- sar, a pesquisar, a buscar novos conhecimentos. A EaD coloca o aluno paralelo às inovações educacionais e lhe fornece meios para que ele acompanhe essas inovações aprimorando seus conhecimentos (T12M). Na Educação a Distância, o aluno necessita participar ativamente do processo de aprendizagem e não apenas receber a informação (T16M). Palloff e Pratt (2002, p. 17) propõem os seguintes elementos definidores como sendo fundamentais na aprendizagem a distância: a) a separação entre professor e aluno durante, pelo menos, a maior parte de cada processo de instrução; b) o uso de mídia educacional para unir professor e aluno e para transmitir o conte- údo do curso; c) o oferecimento de uma via dupla de comunicação entre o professor, tutor ou agente educacional e o aluno; d) a separação do professor e do aluno no tempo e no espaço; e) o controle volitivo da aprendizagem com o estudante, em vez de com o professor. Essas autoras ainda ressaltam: [...] Esses elementos começam a revelar o desenvolvimento de um novo paradigma educacio- nal. Na arena on-line, o professor pode continuar a definir o conteúdo do curso e a dirigi-lo. Contudo, há espaço para que os alunos explorem o conteúdo de forma colaborativa ou para quebusquem seus interesses. Não há mais uma comunicação unidirecional do conhecimento, vinda de um especialista em determinado assunto. Não há mais a necessidade de que os cursos estruturem-se a partir dos elementos local e tempo (PALLOFF; PRATT, 2002, p. 17). Reforçando esse ponto de vista, Passarelli (2007, p. 49) acrescenta: [...] A EaD também tem sido apontada como principal alavanca do conceito de autonomia do estudante - a distância física entre professor e aluno obriga este último a desenvolver com- portamentos autônomos como planejamento dos períodos de estudo, tempo despendido nas atividades e organização dos conteúdos a serem eleitos. A oferta deste curso para professores e os resultados da pesquisa de campo comprovam o que a literatura já descreve como ponto positivo da EaD, quanto à flexibilidade de horário e atendimento a grande número de alunos em diferentes áreas geográficas, no entanto, o sucesso dessa modalidade depende da formação adequada dos formadores/tutores para utilizarem as novas ferramentas no processo de ensino- aprendizagem. 5 considerAções finAis Concluída a pesquisa, apresentam-se os resultados mais significativos. Dos participantes, 96% consideram que a modalidade de Educação a Distância atende, inicialmente, à formação continuada de professores para o processo de inclusão da pessoa com deficiência. Refletindo sobre o objetivo da pesquisa, pode-se considerar que a formação continuada de professores, por meio da modalidade de Educação a Distância, atende a essa necessidade, porém, é importante destacar que ainda há práticas dessa modalidade que levantam questionamento em relação à qualidade dos cursos ofertados, como por exemplo, cursos que não apresentam metodologia adequada e não conduzem o aluno para a efetiva aprendizagem. 626 Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 18, n. 4, p. 615-628, Out.-Dez., 2012 RODRIGUES; L. M. B. C. & CAPELLINI; V. L. M. F. Ainda, há muito que se pesquisar nesta área; um exemplo é em relação à evasão, que pode ocorrer por diversos motivos, seja de ordem do manuseio do computador, seja na navegabilidade do ambiente, na falta de compromisso do aluno na realização das atividades, já que não há cobrança de forma presencial do professor, seja até mesmo, falta de compromisso do formador/tutor. Na oferta de um curso a distância, é importante que os educadores envolvidos orientem alunos e formadores a administrar o tempo, para que se efetive uma comunidade virtual onde todos tenham a sensação de comunidade ativa. O momento é de transformação na educação, e trabalhar com as tecnologias e com as novas propostas de ensino-aprendizagem contribui para a criação de um novo momento, rompendo com metodologias tradicionais e instrucionistas. Antes da oferta de um curso a distância, é imprescindível que a equipe que atuará receba formação adequada, pois muitos que hoje ofertam ou atuam com EaD, mantêm as metodologias de um curso presencial, tanto na aplicação do conteúdo, como também na avaliação, transformando o curso em cumprimento de tarefas e o ambiente de aprendizagem em depósito de informação. Como citado anteriormente, é preciso romper com o conceito equivocado de que aprender on-line não é aprender de verdade; o sucesso do curso dependerá, entre outros aspectos, da interlocução entre os participantes, da troca de experiências entre colegas e professor, utilizando o ambiente para comunicação e criação da comunidade virtual, que, ao mesmo tempo, aprende e ensina. Defende-se, então, que os resultados confirmam que Educação a Distância contribui para a formação continuada dos educadores no processo de inclusão da pessoa com deficiência. Mas, para isso, é importante estruturar um curso em que os participantes tenham a sensação de estar sendo assistidos em todos os momentos, e que sempre poderão contar com o formador e/ou tutor. Sob essa ótica, em prol de uma educação de qualidade, é momento de promover formação para os envolvidos no processo da oferta de cursos na modalidade de EaD, estruturando-os de forma a criar condições para que os alunos sempre possam contar com o formador e/ou tutor, que deve, então, mediar o processo de aprendizagem e a apropriação de informações que se transformarão em novos conhecimentos. ReferênciAs BARROS, D.M.V. et al. Educação a distância: desafios atuais. Bauru: UNESP/FC, 2008. BRASIL. Lei n. 9.394, de 20-12-1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. In: Diário Oficial da União, ano CXXXIV, n. 248, de 23-12-1996, p. 2833-841, 1996. ______. Secretaria de educação a distância. Referenciais de qualidade para cursos a distância. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2003. 627Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 18, n. 4, p. 615-628, Out.-Dez., 2012 Formação continuada e educação à distância Relato de Pesquisa ______. Decreto nº. 5.622 de 19 de dezembro de 2005. Regulamenta o art. 80 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Disponível em: . Acesso em: 21 nov. 2009. ______. Ambientes virtuais de aprendizagem. In: ______. Formação de formadores para o curso de especialização: educação profissional e tecnológica inclusiva. Brasília, DF: MEC, 2007. Disponível em: . Acesso em: 20 set. 2007. LAKATOS, E.M.; MARCONI, M. Fundamentos da metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003. MANZINI, E.J. Considerações sobre a elaboração de roteiro para entrevista semiestruturada. In: MARQUEZINE, M.C.; ALMEIDA, M.A; OMOTE, S. (Org.). Colóquios sobre a pesquisa em educação especial. Londrina, PR.: Eduel, 2003. p.11-25. ______. Entrevista semiestruturada: análise de objetivos e de roteiros. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE PESQUISA E ESTUDOS QUALITATIVOS, 2, 2004, Bauru, SP. Anais... Bauru: USC, 2004. p. 58-59. MEDINA, A.R.; DOMINGUÉZ, C.D. (Org.). 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Recebido em: 28/11/2012 Reformulado em: 03/06/2012 Aprovado em: 24/10/2012se faz por vários motivos, entre elas, as trajetórias formativas dos professores, a não valorização da cultura e das representações docentes como elementos de formação e posteriormente da produção da prática pedagógica. A educação vem sofrendo uma grande transformação nos processos de ensino-aprendizagem, com reflexos na prática pedagógica. Esse novo contexto imposto pela hegemonia capitalista promoveu inúmeras mudanças na sociedade e nas https://image.freepik.com/vetores-gratis/conceito-de-pesquisa-para-a-pagina-de-destino_52683-18573.jpg formas de relacionamento humano, isto requer novas competências e habilidades, surgindo novas necessidades, uma nova relação entre professores e alunos. A modificação no processo ensino-aprendizagem, nesses novos tempos, exige novos papéis do professor e do aluno no âmbito da sala de aula e fora dela. A prática pedagógica deixa de ser baseada na figura do professor transmissor de informações e o aluno receptor e passa para um novo paradigma baseado no professor orientador e pelo aluno pesquisador. O novo paradigma pedagógico passa a constituir um grande desafio, exigindo o envolvimento entre professor e aluno na construção do conhecimento científico. A função do professor e aluno em sala de aula passa pela motivação da pesquisa, abrindo a mente para a atenção à riqueza da discussão e o sabor do conhecimento, aprendendo a degustá-lo segundo Rubem Alves, procurando novas visões sobre os mais variados temas, apresentando uma maneira própria de compreender a realidade e fazendo seu próprio questionamento, a fim de chegar à elaboração da própria visão sobre as questões cotidianas. O professor enquanto pesquisador não deve concentrar-se apenas na produção de conhecimento a partir dos problemas vividos no dia a dia da sala de aula, não pode abrir mão do campo teórico e científico, por meio da pesquisa-ação deve desenvolver e colocar em contato o aluno com as teorias, a estrutura do trabalho científico, a preocupação com metodologia e propiciar à formulação de uma posição autêntica e independente fundamentada elaboração de um trabalho próprio. Um professor pesquisador é acima de tudo um agente socializador de conhecimento, devendo agir como um mediador entre a relação epistemológica do saber, o aluno e a disciplina de estudo. O professor deve ter um desenvolvimento profissional diferente do domínio de especialistas das matérias na qual foi formado e atua. https://image.freepik.com/vetores-gratis/equipe-de-negocios-colocando-engrenagens-em-uma-lampada- grande-engenharia-de-novas-ideias-inovacao-do-modelo-de-negocios-e-conceito-de-design-thinking_335657- 187.jpg Precisamos romper com o passado, devemos construir novas ideias para pensarmos a educação hoje e amanhã. Para tanto, devemos construir: https://image.freepik.com/vetores-gratis/equipe-de-negocios-colocando-engrenagens-em-uma-lampada-grande-engenharia-de-novas-ideias-inovacao-do-modelo-de-negocios-e-conceito-de-design-thinking_335657-187.jpg https://image.freepik.com/vetores-gratis/equipe-de-negocios-colocando-engrenagens-em-uma-lampada-grande-engenharia-de-novas-ideias-inovacao-do-modelo-de-negocios-e-conceito-de-design-thinking_335657-187.jpg https://image.freepik.com/vetores-gratis/equipe-de-negocios-colocando-engrenagens-em-uma-lampada-grande-engenharia-de-novas-ideias-inovacao-do-modelo-de-negocios-e-conceito-de-design-thinking_335657-187.jpg Um novo cenário baseado em: - Permanentes mudanças; - Inversão na perspectiva da organização curricular; - Construção de redes de conhecimento; - Investimento no capital humano; - Comunidade mundial mais justa e solidária. Um Novo currículo determinado por: - Novos Desafios: contextualização e interdisciplinariedade; - Foco na aprendizagem; - Adquirir Novas Competências e Habilidades: articuladas com conhecimentos, métodos, técnicas e valores; - Autonomia intelectual do professor e aluno. Construir uma Práxis Educacional que privilegie: - Várias situações, diferentes tipos de aprendizagem e diferentes recursos; - A flexibilidade de estratégias; - O desenvolvimento/exercício das competências e habilidades. Mudar a Agenda do Professor que contemple: - A compreensão do processo de aprendizagem; - A identificação das competências e habilidades a serem desenvolvidas e exercitadas; - O conhecimento das articulações existente entre as diversas áreas do conhecimento com a área em que está inserido. - A utilização de novas tecnologias; - A aplicação da informação, tornando-as conhecimentos para se adquirir novas competências. Ter a Pesquisa-ação fundamentada nos seguintes aspectos: - Interação entre pesquisadores e pessoas envolvidas na situação a ser investigada; - Prioridades dos problemas como resultado da interação; - Relação do objeto de investigação com a situação e os problemas encontrados; - Objetivo da pesquisa-ação: resolução do problema ou seu esclarecimento; - Há o acompanhamento das decisões, ações e de toda atividade intencional; - Ampliação do conhecimento de todos inseridos na situação "nível de consciência". REFERÊNCIAS FRANCO, Maria Amélia Santoro. Pedagogia da Pesquisa-Ação. Universidade Católica de Santos. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 3, p. 483-502, set./dez, 2005. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 28. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1986, p. 86. JORDÃO, Rosana dos Santos. A pesquisa-ação na formação inicial de professores: elementos para a reflexão. São Paulo: FEUSP, Formação de Professores/n.08. Disponível em http://www.anped.org.br/reunioes/27/gt08/t0816.pdf Acessado em 30 de outubro de 2007. LIMA, Márcio Antônio Cardoso Lima e MARTINS, Pura Lúcia Oliver. Pesquisa-ação: possibilidade para a prática problematizadora com o ensino. Diálogo Educ., Curitiba, v. 6, n.19, p.51-63, set./dez. 2006. GERALDI, Corinta M; FIORENTINI, Dario; PEREIRA, Elisabete M. de Aguiar. Professor como pesquisador: o enfoque da pesquisa-ação na prática docente. Cartografias do trabalho docente. Campinas: Mercado das Letras, 2003. SOMMER, Vera Lúcia. A pesquisa-ação no processo de ensino-aprendizagem: uma experiência empreendida no Curso de Jornalismo da Univali (Universidade do Vale do Itajaí/Univali). Trabalho apresentado ao NP 02 – Jornalismo, do V Encontro de Núcleos de Pesquisa da Intercom 2005. FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO Aula 1 Produção Uniopet. Copyright © - Todos os direitos reservados. FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INTRODUÇÃO Identificar como ocorre o processo formação do professor, questões que estão intimamente ligadas, os desafios vivenciados pelos mesmos. A formação teórica e prática do professor poderá contribuir para melhorar a qualidade do ensino, visto que, são as transformações sociais que irão gerar mudanças no ensino. FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO Educar exige, ao mesmo tempo, criatividade, flexibilidade, escuta e limite, além de competência acadêmica . Um dos grandes desafios do educador é estar consciente da importância da livre expressão de sentimentos e emoções na formação da personalidade de seu aluno. O professor deve proporcionar um ensino motivador, que permita a construção da aprendizagem dos alunos e que transforme o saber em saber fazer. FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO Professor: educador ou pesquisador? Atualmente os professores tem que lidar não só com alguns saberes, como era no passado, mas também com a tecnologia e com a complexidade social que exige cada vez mais reflexões e respostas imediatas aos problemas postos no cotidiano vivenciado por eles mesmos e pelos alunos. CONCEITUANDO E REFLETINDO O PROFESSOR PESQUISADOR O professor deve se preocupar em atingir da melhor forma possível, seus objetivos buscando uma reflexão junto aos alunos,sobre os desafios que permeiam o professor no contexto atual. Neste sentido os objetivos da pesquisa devem ser claros e possuir uma relevância acadêmica e social. A pesquisa é sempre uma investigação para conhecimento da realidade, entendimento sobre a mesma e quando necessário à busca de sua transformação. FORMAÇÃO CONTINUADA RECAPITULANDO Ao longo desta disciplinas vimos: - INTRODUÇÃO - CONCEITUANDO - FORMAÇÃO CONTINUADA - PROFESSOR PESQUISADOR - FORMAÇÃO CONTINUADA X PESQUISA LEMBRETES • Leitura do material de apoio. • Atividades. • Dúvidas? Utilize o "Fórum de Dúvidas" ou envie uma Mensagem Privada. • Bons estudos! AULA 2 A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ÂMBITO DO ENSINO INTRODUÇÃO Para se adequar às demandas da sociedade atual, a educação brasileira vem passando por contínuas transformações que impactam diretamente a formação do professor, construindo um novo perfil de docente: multifacetário e aberto para o aprendizado contínuo. Entretanto, essas são apenas algumas das características do professor na contemporaneidade. A inserção da tecnologia no ensino, assim como as significativas melhorias na base curricular, ajuda a desenvolver a ideia de um profissional que, para se destacar, precisa atender a uma realidade que requer conhecimentos muito além do saber teórico. https://image.freepik.com/vetores-gratis/local-de-trabalho-de-negocios-com-notebook_98292-5448.jpg O NOVO PERFIL DE ENSINO: EDUCAÇÃO 4.0 E BNCC Em tempos de transformação digital, as habilidades desenvolvidas pelos professores e aplicadas no ensino precisaram ser repensadas. Uma nova realidade para o mercado de trabalho e as alterações na sociedade trouxeram a necessidade de um viés remodelado para educação. https://image.freepik.com/vetores-gratis/local-de-trabalho-de-negocios-com-notebook_98292-5448.jpg EDUCAÇÃO 4.0 Baseada no “learning by doing”, ou seja, “aprenda fazendo”, essa educação 4.0 traz a necessidade de que a escola tenha uma abordagem focada na práxis. Dessa forma, o aluno é colocado como protagonista, em um processo constante de interação com as atividades propostas. Essa é uma realidade capaz de mudar o perfil do educador, que deixa de ser o centro e passa a atuar como um intermediador, engajando os estudantes na rotina do conhecimento e permitindo um aprendizado proativo. Para tal, o uso da tecnologia como suporte educacional e o desenvolvimento das habilidades do professor — ampliadas para além do conhecimento teórico — são desafios a serem superados para tornar o processo de aprender mais efetivo. No entanto, não foi apenas a Educação 4.0 que mudou o perfil de formação do educador. https://image.freepik.com/vetores-gratis/conceito-computador_1308-35665.jpg FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO BRASIL: REALIDADE E DESAFIOS As escolas e os professores devem abraçar uma série de características que desafiam um padrão de ensino tradicional, existente na maioria das instituições escolares. Alguns dos desafios para tal são: ● compreensão das necessidades de cada aluno; ● tempo escasso para o aprendizado continuado; ● engajamento dos educandos, em concorrência com o uso de gadgets; https://image.freepik.com/vetores-gratis/conceito-computador_1308-35665.jpg ● turmas grandes, com perfis distintos e necessidades variadas. Mas afinal, como superar esses desafios? Vamos relembrar também que é muito importante: a motivação. MOTIVAÇÃO E ENGAJAMENTO DOS PROFESSORES Professores são profissionais e funcionários, por isso, a formação continuada é uma contribuição positiva para mantê-los motivados a realizar um trabalho diferenciado — quanto mais bem preparados, melhor será para os estudantes e, consequentemente, para a escola. Os docentes são multiplicadores por essência, portanto, aprimorar os conhecimentos pode gerar maior motivação de compartilhamento com os alunos. As aulas são preparadas cuidadosamente, pensando em como transferir para eles tudo que há de novo e moderno. MELHORIA DA QUALIDADE DO ENSINO Com maior conhecimento e desejo de transferência aos estudantes, a tendência é que as aulas tenham qualidade e melhor aproveitamento, considerando a aplicação dos novos conceitos, métodos e técnicas pedagógicas. A transformação dos alunos poderá ser vista não apenas nas avaliações das disciplinas comuns a todos, mas creditada também à mudança do comportamento social. Isso trará para a escola a visibilidade de um espaço de educação que prioriza, além dos saberes teóricos, a prática desses conceitos. https://image.freepik.com/vetores-gratis/tecnico-de-informatica-com-chave-consertando-a-tela-do-co mputador-com-engrenagens-servico-de-informatica-centro-de-reparo-de-laptop-conceito-de-servico-de-configu racao-de-notebook-ilustracao-isolada-violeta-vibrante-brilhante_335657-952.jpg PROFESSORES ALINHADOS AOS OBJETIVOS DA ESCOLA Para disponibilizar uma educação de qualidade, que corresponda às expectativas propostas, os objetivos dos https://image.freepik.com/vetores-gratis/tecnico-de-informatica-com-chave-consertando-a-tela-do-computador-com-engrenagens-servico-de-informatica-centro-de-reparo-de-laptop-conceito-de-servico-de-configuracao-de-notebook-ilustracao-isolada-violeta-vibrante-brilhante_335657-952.jpg https://image.freepik.com/vetores-gratis/tecnico-de-informatica-com-chave-consertando-a-tela-do-computador-com-engrenagens-servico-de-informatica-centro-de-reparo-de-laptop-conceito-de-servico-de-configuracao-de-notebook-ilustracao-isolada-violeta-vibrante-brilhante_335657-952.jpg https://image.freepik.com/vetores-gratis/tecnico-de-informatica-com-chave-consertando-a-tela-do-computador-com-engrenagens-servico-de-informatica-centro-de-reparo-de-laptop-conceito-de-servico-de-configuracao-de-notebook-ilustracao-isolada-violeta-vibrante-brilhante_335657-952.jpg professores devem se alinhar aos da escola — e a formação continuada tem um papel fundamental nesse sentido. Com ela, os profissionais pedagógicos se verão diante da oportunidade de mudar a mentalidade e levar para dentro da escola uma proposta mais interessante de trabalho para aplicar dentro da sala de aula. Mais abertos às solicitações da diretoria e da coordenação escolar, os docentes conectam mais facilmente às metas e passam a disseminar os valores da escola em uma ação conjunta para que os resultados sejam satisfatórios em benefício de todos. SATISFAÇÃO E FIDELIZAÇÃO DOS ALUNOS Quando os alunos sabem que têm obrigações com a escola, mas que podem cumprir uma jornada mais participativa e integração, dificilmente desejarão sair dela. A manutenção do volume de estudantes é o fator determinante para manter o colégio em funcionamento. Esse comportamento de satisfação faz com que os alunos falem bem da escola, o que, além da retenção, ajudará na atração de novos estudantes. Quanto mais competentes, atualizados e disponíveis se mostrarem os professores, mais os pais e responsáveis se sentirão seguros em manter seus filhos matriculados. FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES: O PODER DA CAPACITAÇÃO A atualização constante nos conhecimentos do corpo docente é uma ferramenta essencial para construção do conhecimento dos alunos. Isso acontece por meio da formação continuada, que representa o constante processo de educação e expansão dos saberes não só pelos estudantes, mas também por parte dos educadores. https://image.freepik.com/vetores-gratis/conceito-de-cursos-on-line_23-2148517396.jpg https://image.freepik.com/vetores-gratis/conceito-de-cursos-on-line_23-2148517396.jpg São algumas das vantagens da formação continuada: ● o processo de desenvolvimento constante do educador; ● a oportunidade de aperfeiçoar práticas pedagógicas e individuais; ● a relação entre o saber que integra o indivíduo e o coletivo; ● o estímulo ao saber integrado às necessidades da sociedade; ● a formação ininterrupta, com potencial para se adequar às rápidas e constantes transformações da sociedade. Percebemos que a profissão de professor é muito árdua,mas que para quem realmente quer fazer a diferença vai em busca de novas possibilidades de incluir em sua prática novas metodologias, que irão contribuir no seu trabalho e na qualidade do ensino. Entre essas alternativas incluem os processos de formação, como a história de vida de alguns professores, alguns que decidem entrar na carreira somente pelo fato de não ter outra opção, outros porque gostam, amam a profissão. Nesse sentido há necessidades de refletir sobre essa prática docente e a partir do momento que há uma reflexão sobre as experiências de vida já está havendo uma relação com o processo de formação. A formação teórica e a prática poderão contribuir para o melhoramento da qualidade de ensino visto que as mudanças sociais que poderão gerar transformações no que tange ao ensino-aprendizagem são decorrentes de um ensino de qualidade, onde será necessária uma qualificação profissional e pessoal. Os docentes precisam de qualificação tanto na área pedagógica como nos campos específicos do conhecimento. A formação inicial deve passar por reformulação profundas. Isso implica em garantir ao profissional um conhecimento básico para a sua atuação no âmbito escolar, pois a aprendizagem ocorre quando por meio de uma experiência mudamos nosso conhecimento anterior sobre uma ideia, comportamento ou conceito. Nesse sentido procuramos sempre adquirir conhecimentos seja através de uma graduação, pós-graduação, seminários, palestras, encontros pedagógicos enfim todos os cursos que venham contribuir para a nossa formação pessoal e profissional. Além disso, colocamos em prática o que aprendemos no exercício da profissão com o desejo de contribuir para um melhor desempenho, uma melhor aprendizagem dos alunos (MELLO, 2000). A importância dessa mudança na prática pedagógica implica a releitura da função do professor como profissional reflexivo e da escola como organização promotora do desenvolvimento do processo educativo. A valorização e melhor remuneração que o profissional docente almeja em boa parte de sua formação e atuação inicial como ainda de sua formação continuada além de boas condições de trabalho, salário e carreira. Munido desses elementos o ambiente dentro e fora da sala de aula dará bons frutos. Essa caminhada em busca de renovação de conhecimento o implicou e se processa durante toda a vida profissional. Esse processo partiu de pressupostos de que o ensino de um nível estreita correlação com outros níveis que complete o outro. Munidos desses saberes elementares, os frutos serão colhidos tanto por parte do docente que estará alcançando seus objetivos quanto ao discente. REFERÊNCIAS MELLO, Guiomar Namo de. Formação inicial de professores para a educação básica: uma (re)visão radical. Revista Perspectiva, São Paulo, v. 11, n. 1. Mar./2000. Disponível em: https://www.scielo.br/j/spp/a/d6PXJjNMc3qJBMxQBQcVkNq/?la ng=pt https://www.scielo.br/j/spp/a/d6PXJjNMc3qJBMxQBQcVkNq/?lang=pt https://www.scielo.br/j/spp/a/d6PXJjNMc3qJBMxQBQcVkNq/?lang=pt FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO Aula 2 Produção Uniopet. Copyright © - Todos os direitos reservados. FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ÂMBITO DE ENSINO Formação de professores no Brasil: realidade e desafios. Alguns dos desafios para tal são: • compreensão das necessidades de cada aluno; • tempo escasso para o aprendizado continuado; • engajamento dos educandos, em concorrência com o uso de gadgets; • turmas grandes, com perfis distintos e necessidades variadas. FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ÂMBITO DE ENSINO Aprendizagem contínua: É essencial investir no uso de novos atrativos capazes de envolver os estudantes e estimular o aprendizado de maneira positiva, mesmo concorrendo com tantos fatores externos que podem tirar o foco do docente no conhecimento e no saber. FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ÂMBITO DE ENSINO Flexibilidade para assumir vários papéis: O ensino multifacetado coloca como prioridade que o professor esteja apto para assumir o papel de docente, mas também a motivar os alunos na busca pelo saber, proporcionando um desenvolvimento completo com o aprendizado e com o ambiente escolar. FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ÂMBITO DE ENSINO Humanização do ensino: Surge um padrão de professor que atua não apenas como portador do conhecimento, mas também tem capacidade para compreender o estudante como um indivíduo, com suas diferenças e peculiaridades. FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ÂMBITO DE ENSINO Principais benefícios: A formação continuada exercita essa possibilidade de troca, de forma que o docente se sinta capaz de permitir que os estudantes tenham desejos e métodos próprios de aprendizagem, mas sempre dentro da proposta pedagógica. FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ÂMBITO DE ENSINO Motivação e engajamento dos professores: Professores são profissionais e funcionários, por isso, a formação continuada é uma contribuição positiva para mantê-los motivados a realizar um trabalho diferenciado — quanto mais bem preparados, melhor será para os estudantes e, consequentemente, para a escola. Os docentes são multiplicadores por essência, portanto, aprimorar os conhecimentos pode gerar maior motivação de compartilhamento com os alunos. As aulas são preparadas cuidadosamente, pensando em como transferir para eles tudo que há de novo e moderno. FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ÂMBITO DE ENSINO Professores alinhados aos objetivos da escola: Para disponibilizar uma educação de qualidade, que corresponda às expectativas propostas, os objetivos dos professores devem se alinhar aos da escola — e a formação continuada tem um papel fundamental nesse sentido. Com ela, os profissionais pedagógicos se verão diante da oportunidade de mudar a mentalidade e levar para dentro da escola uma proposta mais interessante de trabalho para aplicar dentro da sala de aula. Mais abertos às solicitações da diretoria e da coordenação escolar, os docentes conectam mais facilmente às metas e passam a disseminar os valores da escola em uma ação conjunta para que os resultados sejam satisfatórios em benefício de todos. FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ÂMBITO DE ENSINO Satisfação e fidelização dos alunos Formação continuada de professores: o poder da capacitação RECAPITULANDO Ao longo desta disciplinas vimos: - REALIDADE E DESAFIOS - MOTIVAÇÃO - OBJETIVOS DA ESCOLA - FIDELIZAÇÃO DO ALUNO NA FORMAÇÃO LEMBRETES • Leitura do material de apoio. • Atividades. • Dúvidas? Utilize o "Fórum de Dúvidas" ou envie uma Mensagem Privada. • Bons estudos! AULA 3 NOVAS PRÁTICAS PARA VELHOS PROBLEMAS: ALTERNATIVAS METODOLÓGICAS PARA UMA EDUCAÇÃO DE MELHOR QUALIDADE INTRODUÇÃO Vamos iniciar com alguns questionamentos para reflexão: ● O que são as novas metodologias de ensino? ● Qual a importância de novas metodologias de ensino para o aprendizado? ● Quais os benefícios das novas metodologias de ensino? ● Quais as principais novas metodologias de ensino? O QUE SÃO AS NOVAS METODOLOGIAS DE ENSINO? Novas metodologias de ensino são combinações entre conceitos, técnicas e ferramentas inovadoras utilizadas para a construção do saber. Novos caminhos para aprender têm visões bem diferentes a respeito da maneira como o conhecimento é construído, o formato das aulas e avaliações. QUAL A IMPORTÂNCIA DE NOVAS METODOLOGIAS DE ENSINO PARA O APRENDIZADO? As novas metodologias de ensino têm como missão facilitar o processo de aprendizagem, tendo como norteador o empoderamento do aluno. Em vez de simplesmente cumprir suas tarefas, crianças, adolescentes e adultos são estimulados a propor soluções para problemas, pesquisar, debater e fazer experimentos. Desse modo, tomam ciência sobre a importância de sua participação para ampliar os saberes, assumindo mais responsabilidades nessa dinâmica. Fica mais simples, então, que os alunos elaborem suas próprias formas de reter conteúdos e, mais do que isso, de visualizar sua aplicação em problemas durante a rotina. https://image.freepik.com/vetores-gratis/pessoas-lendo-livros-para-ilustracao-vetorial-de-estudo_74855-4807.jpg Nesse sentido, instituições e educadores que optam pelas novas metodologias de ensino apoiam o corpo discente para que haja como protagonista, reforçando um comportamento proativo na busca pelo aprendizado. Ficam de lado as ideias engessadas sobre a simples transmissão de conhecimentos, e entram em foco as reflexões rumo ao compartilhamento dos saberes. https://image.freepik.com/vetores-gratis/pessoas-lendo-livros-para-ilustracao-vetorial-de-estudo_74855-4807.jpg https://image.freepik.com/vetores-gratis/pessoas-lendo-livros-para-ilustracao-vetorial-de-estudo_74855-4807.jpg BENEFÍCIOS DAS NOVAS METODOLOGIAS DE ENSINO Como a expressão sugere, as novas metodologias de ensino não se restringem a uma única opção ou formato. Mas todas elas fornecem maior flexibilidade, tendo algumas vantagens em comum. QUAIS AS PRINCIPAIS NOVAS METODOLOGIAS DE ENSINO? As metodologias de ensino mais atuais têm base no conceito de inovação que, ao contrário do que muita gente acredita, não se restringe ao uso de novas tecnologias. Inovar pode ser definido como resolver um problema de um jeito diferente, englobando tanto as ferramentas quanto os caminhos que levam a essa solução. Ou seja, a inovação inclui técnicas que desafiam o status quo e propõem estratégias diferenciadas para a aprendizagem. Não é preciso se ater aos livros didáticos, tarefas em sala e em casa e conteúdos decorados. Faz mais sentido se concentrar em maneiras de tornar o aprendizado mais simples e natural, priorizando as necessidades e desejos do aluno. Essas são algumas das características das metodologias que explicamos abaixo. 1. Metodologias ativas de aprendizagem Anteriormente, comentamos que a escola tradicional vê os professores como transmissores de conhecimento, enquanto os alunos são meros receptores. As metodologias ativas desafiam essa ideia, colocando o estudante no centro da dinâmica de aprendizagem através de recursos que o despertam para a ação. Daí vem o nome desses métodos, que favorecem uma postura ativa por parte do aluno, em vez do tradicional comportamento passivo. Para isso, são empregadas práticas como a aula invertida, que altera o momento de apresentação de um novo conteúdo. Em vez de o primeiro contato com ele acontecer em sala de aula (ou durante uma aula virtual, no caso da Educação a Distância), ocorre antes disso. https://image.freepik.com/vetores-gratis/alunos-assistindo-webinar-no-computador-estudando-online_ 74855-15522.jpg Geralmente, um material prévio é liberado à classe através de e-mail ou plataformas como os ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), com orientações básicas a respeito do assunto estudado. Vídeos, áudios, jogos, infográficos, exercícios práticos e textos podem integrar essa primeira experiência, que será aprimorada durante a aula. Ao chegar na sala, os alunos trazem suas dúvidas, debatem e comparam respostas sobre o tema proposto, tornando esse período mais dinâmico e divertido. https://image.freepik.com/vetores-gratis/alunos-assistindo-webinar-no-computador-estudando-online_74855-15522.jpg https://image.freepik.com/vetores-gratis/alunos-assistindo-webinar-no-computador-estudando-online_74855-15522.jpg Estudos de caso, resolução de problemas e desafios são outras técnicas que fazem parte do rol de opções dentro das metodologias ativas de aprendizagem. Também são comuns as atividades em times, que partem da divisão da classe em grupos para que eles encontrem soluções colaborativas e fortaleçam o espírito de equipe. 2. Teoria das inteligências múltiplas Você já deve ter ouvido falar, ou até realizado um teste de QI (Quociente de Inteligência) para medir a capacidade do seu cérebro. Porém, a ciência já apontou que existe mais de um tipo de inteligência, sendo que qualquer análise deveria informar qual tipo está sendo estudado. A Teoria das Inteligências Múltiplas, criada pelo psicólogo Howard Gardner, parte dessa premissa, trazendo oito modalidades diferentes. Segundo o especialista, todos os indivíduos possuem os oito tipos de inteligência, em maior ou menor grau, resultando em determinadas tendências e aptidões. Fatores genéticos contribuem para que alguém possua predisposição para tocar um instrumento musical, por exemplo, mas não bastam: é necessário que haja um ambiente favorável para que essa aptidão se desenvolva. Instituições de ensino e educadores vêm investindo nessa nova compreensão para avaliar seus alunos, tendo em mente que todos possuem habilidades e capacidades distintas. https://pt.wikipedia.org/wiki/Howard_Gardner Assim, em vez de utilizar avaliações padronizadas, os estudantes são analisados sob o prisma de cada tipo de inteligência, uma vez que todas elas são importantes para sua evolução. 3. Aprendizagem experimental Essa metodologia rompe os padrões de divisão de disciplinas, unindo professores e alunos na composição de aulas com conteúdo interdisciplinar. Os encontros são pautados por tópicos previamente escolhidos e relacionados a um tema central – como vulcões, por exemplo. É possível compor uma aula que aborde a formação dos vulcões, aqueles que estão ativos nos dias de hoje e as últimas notícias a respeito, combinando saberes que, normalmente, seriam espalhados por aulas de Geografia, Biologia, História e Atualidades. 4. STEM Inspirada pela revolução tecnológica, a educação STEM também tem cunho interdisciplinar. Seu foco é voltado ao desenvolvimento de conteúdos baseados em quatro disciplinas específicas, usadas para formar a sigla STEM: S se refere a Science ou Ciências Naturais, contemplando conceitos de Física, Química e Biologia. T descreve Tecnology ou Tecnologia, mostrando conceitos simples e aprofundados, como linguagem de programação e internet das coisas. E representa Engineering ou Engenharia, que dá suporte para a criação de materiais a partir do conhecimento científico. M abrevia Mathematics ou Matemática, que terá aplicações práticas para solucionar demandas do dia a dia. Juntas, essas matérias oferecem conteúdos essenciais para a formação de profissionais qualificados em inovações tecnológicas aplicáveis, suprindo a carência do mercado nesses setores. Por isso, a metodologia STEM é mais comum na educação técnica ou superior, quando o aluno já manifestou seu desejo em seguir carreira nessas áreas. 5. Ensino híbrido Traduzido do conceito em inglês, blended learning, esse método aumenta a flexibilidade em sala de aula, mesclando online e offline. Em outras palavras, é um meio termo entre a educação presencial e a EaD, tendo como propósito extrair os benefícios desses dois universos. Aulas e atividades de introdução podem ser feitas a distância, deixando para a modalidade presencial os debates e a interação, a troca de saberes entre professores e colegas de classe. Com a popularização do Ensino a Distância, a metodologia híbrida vem ampliando a quantidade de instituições adeptas, pois não exige muitos recursos para ser posta em prática. Assim como nas demais técnicas inovadoras, ela requer maior dedicação por parte do estudante, que precisa acompanhar os conteúdos EaD, de forma que esteja preparado para compartilhar suas impressões em sala de aula. FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO Aula 3 Produção Uniopet. Copyright © - Todos os direitos reservados. NOVAS PRÁTICAS PARA UMA MELHOR QUALIDADE DE EDUCAÇÃO NOVAS METODOLOGIAS: Elas surgem em um contexto de valorização da autonomia, autogestão, praticidade, utilidade e protagonismo do aluno no processo de aprendizagem. A solução passa por investir em formatos inovadores para garantir maior qualidade no aproveitamento dos assuntos aprendidos, a fim de que se tornem aplicáveis no dia a dia. NOVAS PRÁTICAS PARA UMA MELHOR QUALIDADE DE EDUCAÇÃO O que são as novas metodologias de ensino? Novas metodologias de ensino são combinações entre conceitos, técnicas e ferramentas inovadoras utilizadas para a construção do saber. NOVAS PRÁTICAS PARA UMAMELHOR QUALIDADE DE EDUCAÇÃO Qual a importância de novas metodologias de ensino para o aprendizado? As novas metodologias de ensino têm como missão facilitar o aprendizado, empregando princípios como o empoderamento do aluno nesse processo. Em vez de simplesmente cumprir suas tarefas, crianças, adolescentes e adultos são estimulados a propor soluções para problemas, pesquisar, debater e fazer experimentos. NOVAS PRÁTICAS PARA UMA MELHOR QUALIDADE DE EDUCAÇÃO Benefícios das novas metodologias de ensino: 1. Maior autonomia para os alunos; 2. Aumenta o prazer em aprender; 3. Conquista a atenção em sala de aula; 4. Fortalece a autoconfiança; 5. Favorece a preparação e crescimento profissional. NOVAS PRÁTICAS PARA UMA MELHOR QUALIDADE DE EDUCAÇÃO Quais as 5 principais novas metodologias de ensino? 1. Metodologias ativas de aprendizagem; 2. Teoria das inteligências múltiplas; 3. Aprendizagem experimental; 4. STEM; 5. Ensino híbrido. FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ÂMBITO DE ENSINO Qual a melhor metodologia de ensino na formação continuada para adultos? RECAPITULANDO Ao longo desta disciplinas vimos: • Novas metodologias • principais metodologias de ensino • Benefícios das novas metodologias de ensino • Qual a importância de novas metodologias de ensino para o aprendizado? LEMBRETES • Leitura do material de apoio. • Atividades. • Dúvidas? Utilize o "Fórum de Dúvidas" ou envie uma Mensagem Privada. • Bons estudos! AULA 4 EDUCAÇÃO CONTINUADA E A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO A modalidade de EaD ganha, a cada dia, mais espaço com o reflexo dos benefícios do uso da Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) na educação e as mudanças significativas nas estratégias de ensino-aprendizagem. Vivencia-se, assim, o momento de expansão da EaD, efetivando-se como modalidade de ensino para formação de grande número de pessoas em todo o mundo. A EaD é aplicação de uma metodologia antiga que ocorreu no início da difusão do Cristianismo, em que o apóstolo Paulo utilizava métodos de EaD, pois enviava cartas para as igrejas com finalidade de ensiná-las sobre o Cristianismo. Essa modalidade de EaD também pode ser verificada no século XIX, com o advento das estradas de ferro nos Estados Unidos, facilitando o transporte dos materiais pedagógicos por meio de comboios. Entre outras formas e meios de comunicação, a Educação a Distância ocorre de várias formas: livro impresso, Correio, rádio, TV e/ou internet. Vamos lá! GERAÇÕES Na literatura, alguns autores identificam quatro gerações. Transcrevem-se abaixo as informações de Vilela, (2006, p. 5): ● Primeira geração da EaD (1850-1960): os estudos eram realizados por meio de materiais impressos, enviados por correspondência e, posteriormente, surgiram o rádio e a televisão. ● Segunda geração (1960-1985): além de materiais impressos, eram utilizadas transmissões por televisão aberta, rádio, fitas de áudio e vídeo, com interação por telefone, fax, satélite e TV a cabo. ● Terceira geração (1985-1995): nesta década, teve sua base em redes de computadores, videoconferências, estações de trabalho multimídia e uso da internet. ● Quarta geração (de 1995 até os dias atuais): utiliza como meios de comunicação: correio eletrônico, chat, computador, internet em banda larga, interação por vídeo e ao vivo, videoconferência, fax e papel impresso. https://image.freepik.com/vetores-gratis/variedade-de-cursos-on-line-com-professores_52683-37996.jpg Seguimos contextualizando o tema. CONTEXTUALIZAÇÃO Na modalidade EaD, a internet é ambiente em que se organiza e se estrutura o material do curso e a participação dos alunos e formadores/tutores contribui para o acesso e a efetivação do curso tanto no processo de ensino-aprendizagem como em sua organização administrativa. No Brasil, atualmente, o número de oferta de cursos na modalidade à distância cresceu significativamente, visando https://image.freepik.com/vetores-gratis/variedade-de-cursos-on-line-com-professores_52683-37996.jpg atender à formação continuada do professor em exercício e às transformações na educação. Outro conceito importante é o de educação contínua ou continuada, que se dá no processo de formação constante, de aprender sempre, de aprender em serviço, juntando teoria e prática, refletindo sobre a própria experiência, ampliando-a com novas informações e relações. Este conceito caracteriza a educação continuada do professor, como uma prática que favorece o repensar de sua atuação, e o coloca numa condição de aprendizagem para as mudanças atuais no contexto educacional. No cenário atual da educação, está claro que a educação por meio de novas mídias conectadas é uma realidade cada vez mais presente e que evolui de forma irreversível; além disso, devido ao processo de inclusão escolar, é fundamental a formação continuada do professor, visto que muitos, que hoje exercem a docência, não tiveram esses conteúdos e práticas durante sua formação. É importante destacar, também, a grande extensão do território brasileiro, cujo maior volume de pesquisadores da área encontra-se no eixo sul e sudeste, dificultando, assim, o acesso a cursos locais por esses especialistas. No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases (LDBEN) nº. 9394/96 (BRASIL, 1996) estabelece no artigo 80: O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada. § 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diplomas relativos a cursos de educação a distância. § 3º As normas para produção, controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que incluirá: I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens; II - concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de canais comerciais. Nesse contexto, considerando a importância de formação continuada a ser oferecida ao professor e as possibilidades de viabilização pela formação em EAD, é importante refletirmos sobre como o processo de formação continuada em EAD, especificamente o oferecido aos professores da Escola de Educação Básica, contribui para mudanças na prática pedagógica dos docentes. O estudo da formação continuada em EAD traz à tona as políticas de formação, tendo em vista a excelência da aprendizagem, a partir do aprimoramento e aperfeiçoamento da prática pedagógica, em uma perspectiva multidimensional. Formação continuada em EAD Educação a distância consiste em mais um espaço de formação com potencial para contribuir com os processos de ensino e aprendizagem, em que professores e alunos estão separados pelo espaço e/ou tempo. No ensino a distância, convém chamar a atenção de que a ênfase é dada ao papel do professor como alguém que ensina a distância, na maioria das vezes, chamado de tutor. A prática pedagógica do professor/tutor, em sua tarefa de mediação, é o responsável, em grande parte, pela orientação ao aluno, com vistas à promoção da autonomia e desempenho nos processos de ensino e aprendizagem. Dessa forma, a formação continuada em EAD representa mais uma possibilidade de atualização e aprofundamento, no que diz respeito à busca do saber pelos professores aos conteúdos e métodos relacionados aos processos de ensino e aprendizagem. A Formação Continuada é definida como sendo aquela que se realiza ao longo da vida, continuamente, sendo inerente ao desenvolvimento da pessoa humana e relacionando-se coma ideia de construção do ser humano. https://image.freepik.com/vetores-gratis/alunos-estudando-on-line_74855-5584.jpg A formação continuada de docentes ilustra o desafio do renovar-se, do vir a ser professor, tendo em vista a sua complexidade e os desafios do contexto atual que requerem a efetivação de mudanças. Quando o educador busca a formação continuada, fortalece e enriquece o seu aprendizado, em consequência, a sua intervenção junto aos estudantes mostra-se mais qualificada. A formação continuada necessita, desse modo, favorecer a reflexão do professor sobre a sua prática pedagógica acerca do desenvolvimento da aprendizagem e de seu papel como agente transformador de si mesmo e de seus alunos. A formação continuada na modalidade a distância exige, por sua vez, uma estrutura diferente, se comparada à formação presencial, à https://image.freepik.com/vetores-gratis/alunos-estudando-on-line_74855-5584.jpg medida que solicita uma prática pedagógica diferenciada, criando mecanismos e esquemas de referência associados à presença do professor e do estudante, uma vez que decompõe o ato em momentos e lugares diferenciados: o ensino é midiatizado; a aprendizagem resulta do trabalho num ciclo da aprendizagem do estudante integrado com o mundo virtual. É preciso, pois, entender que o mundo virtual não é modismo, é um elemento da política, uma realidade que está fazendo parte do processo de evolução do sistema de ensino atual, sendo que a escola está inserida em uma sociedade tecnológica. Portanto, não podemos continuar trabalhando da mesma maneira, sem incorporarmos esses elementos à realidade do ensino. Questionar e investigar as políticas e as práticas de formação continuada de professores em EAD parece um caminho necessário a ser trilhado na busca de oferecer formação aos docentes, algo que, de fato, implique mudanças na prática pedagógica. Percepção dos professores sobre a formação continuada em EAD As questões da entrevista, totalizando cinco, verteram sobre os ganhos do processo de formação continuada em EAD; as dificuldades; os temas trabalhados nos cursos de formação continuada em EAD; as ferramentas utilizadas na formação continuada em EAD e as mudanças na prática pedagógica, com base nos cursos de formação continuada em EAD. A Formação Continuada é definida como sendo aquela que se realiza ao longo da vida, continuamente, sendo inerente ao desenvolvimento da pessoa humana e relacionando-se com a ideia de construção do ser humano. https://image.freepik.com/vetores-gratis/brilhante-lampada-de-ideia-brilhante-com-engrenagens_3446-347.jp g Ser inovador, como trazer novos instrumentos, ferramentas e novos meios de trabalhar a formação continuada são importantes e a formação a distância contribui para isso. https://image.freepik.com/vetores-gratis/brilhante-lampada-de-ideia-brilhante-com-engrenagens_3446-347.jpg https://image.freepik.com/vetores-gratis/brilhante-lampada-de-ideia-brilhante-com-engrenagens_3446-347.jpg A tecnologia está proporcionando uma interação que antes não acontecia. E antes, o professor vinha, colocava o conhecimento, e o aluno era só um receptor. Agora o aluno passa a contribuir, talvez não como o professor, com o conhecimento, mas com o conhecimento diferente. Onde o professor também está aprendendo e o aluno está aprendendo, de uma forma lúdica, diferente. A participação promovida nos processos formativos em EAD contribuiu para aprendizagem colaborativa, conforme apresentado pelos sujeitos. A troca de ideias e experiências que se dão nos espaços concedidos para a participação favorecem a construção e a reconstrução do conhecimento em que professor/tutor e aluno/professor são partícipes. Os sujeitos pesquisados manifestaram suas angústias a respeito das dificuldades encontradas na formação continuado em EAD. REFERENCIAS BELLONI, Maria Luiza. Educação a distância. 2. ed. Campinas: Autores Associados, 2001. BRASIL. Ministério da Educação. Rede de saberes mais educação: pressupostos para projetos pedagógicos de educação integral. Brasília, DF: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2009. CAMAS, N. P. V. A literatura da informação na formação de professores. In: TONUS, M.; CAMAS, N. P. V. Tecendo fios na educação: da informação nas redes à construção do conhecimento mediada pelo professor. Curitiba: CRV, 2012. p. 47-68. FLICK, Uwe. Introdução à pesquisa qualitativa. 3. ed. Porto Alegre: Artemed, 2009. IMBERNÓN, Francisco. Formação continuada de professores. Porto Alegre: Artmed, 2010. NÓVOA, Antonio (Org.). Vidas de professores. 2. ed. Portugal: Portugal: Porto, 2000. PRADO, M. E. B. B.; VALENTE, J. A. A Educação a distância possibilitando a formação do professor com base no ciclo da prática pedagógica. In: MORAES, M. C. (Org.). Educação a distância: fundamentos e práticas. Campinas: Ed. da Unicamp/Nied, 2002. p. 27-50. PRETI, Oreste. Educação à distância: uma prática educativa medidora e mediatizada. TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. MORAN, J. M. O que é educação a distância. Novos caminhos do ensino a distância. SENAI, Rio de Janeiro, ano 1, n. 5, out-dez. 1994, p. 1-3. Atualizado em 2002. PALLOFF, R.M; PRATT, K. Construindo comunidades de aprendizagem no ciberespaço Trad. Vinícius Figueira. Porto Alegre: Artmed, 2002. PASSARELLI, B. Interfaces digitais na educação. São Paulo: Escola do Futuro da USP, 2007. FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO Aula 4 Produção Uniopet. Copyright © - Todos os direitos reservados. EDUCAÇÃO CONTINUADA E O EAD Em se tratando do desenvolvimento profissional, nas atuais modalidades que se oferece a formação continuada aos professores, convém lembrar a importância do uso da ferramenta da internet nesse processo, que implica desafios aos professores tanto no que tange a sua formação quanto ao que se refere à incorporação das TIC nos processos de ensino e aprendizagem. EDUCAÇÃO CONTINUADA E O EAD A EAD constitui, assim, mais uma forma de compreender o mundo, a partir da necessidade de cada ser humano em continuar aprendendo. No ensino a distância, convém chamar a atenção de que a ênfase é dada ao papel do professor como alguém que ensina a distância, na maioria das vezes, chamado de tutor. EDUCAÇÃO CONTINUADA E O EAD Na formação do professor com base no estar junto virtual o ciclo de aprendizagem é ampliado, provocando reflexões mais profundas uma vez que a interação entre o formador e os professores em formação é mediada pela escrita. Isto obriga o professor a explicar e documentar a sua prática pedagógica e cria meios para articulação entre diferentes tipos de reflexão e entre o conhecimento contextualizado e descontextualizado, difíceis de serem implantados em situações de formação presencial. A interação estabelecida no “estar junto virtual” confere autonomia ao aluno/professor, possibilitando-lhe aprender a aprender, por meio do acesso à informação e ao conhecimento em qualquer tempo e lugar, viabilizando a formação continuada. EDUCAÇÃO CONTINUADA E O EAD Formação continuada em EAD Educação a distância consiste em mais um espaço de formação com potencial para contribuir com os processos de ensino e aprendizagem, em que professores e alunos estão separados pelo espaço e/ou tempo. EDUCAÇÃO CONTINUADA E O EAD A interação estabelecida no “estar junto virtual” confere autonomia ao aluno/professor, possibilitando-lhe aprender a aprender, por meio do acesso à informação e ao conhecimento em qualquer tempo e lugar, viabilizando a formação continuada. A formação de professores, na contemporaneidade, parte de uma postura emancipadora e tem se mostrado um dos pilares para a melhoria qualitativa dos saberes docentes necessários à sua atuação nos processos de ensino e aprendizagem, opondo-se à educação tradicional, que se baseava no instrucionismo e se fundamentava na ação de ensinar como se fosse mera transmissão deinformação ao aluno. EDUCAÇÃO CONTINUADA E O EAD RECAPITULANDO Ao longo desta disciplinas vimos: • PROFESSOR X EAD • ALUNO X EAD • FORMAÇÃO CONTINUADA NO EAD • DESAFIOS E INOVAÇÕES NO EAD LEMBRETES • Leitura do material de apoio. • Atividades. • Dúvidas? Utilize o "Fórum de Dúvidas" ou envie uma Mensagem Privada. • Bons estudos! EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 36 A INFLUÊNCIA DA FORMAÇÃO CONTINUADA NA PRÁTICA DOCENTE MORORÓ, Leila Pio¹* 1Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia lpmororo@yahoo.com.br* RESUMO O texto discute como a formação continuada pode ou não influenciar a prática pedagógica docente. Para tanto, analisa as entrevistas e observações em sala de aula realizadas com doze professoras participantes de um curso de formação continuada. Utiliza como categorias teóricas os conceitos de cotidiano e não cotidiano (Heller) e de sentido e significado (Leontiev). Conclui que a influência que qualquer evento de formação docente venha a exercer sobre a prática de professores depende, principalmente, dos mediadores que possam proporcionar-lhes possibilidades de ruptura com as formas de pensamento cotidiano, permitindo, portanto, a aproximação do seu sentido pessoal do significado social do trabalho docente. PALAVRAS-CHAVE: Formação continuada do professor. Prática pedagógica. Teoria da atividade. THE INFLUENCE OF THE CONTINUING EDUCATION IN TEACHING PRACTICE ABSTRACT This article discusses the possibilities of influence of continuing education on teacher pedagogical practice. Take its participants of a training event as the unit of analysis and uses as theoretical categories the concepts of daily and non-daily (Heller) and sense and meaning (Leontiev). Concludes that the influence any teacher training event will have on the practice of teachers, mainly depends on the mediators that can provide them break opportunities with the everyday thinking forms, allowing therefore the approach of your personal sense of social significance of the teaching. KEYWORDS: Continuing education. Teaching practice. Theory of activity. LA INFLUENCIA DE LA FORMACIÓN CONTINUA EN LA PRÁCTICA DOCENTE RESUMEN El texto analiza cómo la educación continua puede o no influir en la práctica pedagógica de enseñanza. Se analizan las entrevistas y observaciones en el aula hecha con doce profesoras participantes de un curso de educación continua. Utiliza como categorías teóricas los conceptos de cotidiano y no cotidiano (Heller) y de sentido y de significado (Leontiev). Se llega a la conclusión de que la influencia que cualquier evento de capacitación docente tendrá en la práctica de los profesores depende principalmente de los mediadores que puedan proporcionar posibilidades de ruptura con las formas de pensamiento cotidiano, permitiendo así la aproximación de su sentido personal del significado social del trabajo docente. PALABRAS CLAVE: Formación continua de profesores. Práctica pedagógica. Teoría de la actividad. EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 37 1 INTRODUÇÃO A discussão em torno da formação do professor tem tido um impulso significativo nas últimas décadas no Brasil. Em uma breve análise sobre essa temática, é possível atribuir esse fenômeno às novas exigências sociais e econômicas, que tendem para um modelo de escola diferenciado do atual e, consequentemente, de ensino, como também pelos estudos, cada vez mais crescentes nessa área, que vêm influenciando as decisões nas diversas instâncias acadêmicas sobre o tipo de formação a ser proporcionado ao professor. Dentre os vários eixos que tal discussão tem envolvido, o interesse ao desenvolver esta pesquisa centra-se na formação continuada, a qual, sob os padrões de desempenho desenhados para o trabalho docente considerados eficazes para o capital, tem sido apontada como uma das formas de complementação da formação inicial do professor. Essa tendência tem sido confirmada pelas agências de financiamento internacionais (o Banco Mundial, por exemplo) desde a década de 1990, quando definiram que a formação continuada e a formação em serviço deveriam se tornar alvos prioritários de investimentos nas políticas educacionais, uma vez que, segundo eles, a expansão da formação inicial não havia proporcionado os resultados desejados (ANDRÉ, 1996). Procurando avançar além da concepção de complementação, estudos diversos sobre a formação continuada do professor a têm enfatizado como sendo uma necessidade inerente à própria natureza dinâmica e contraditória do fazer pedagógico (FORMOSINHO, 2009). Avaliações sobre as múltiplas e diversas iniciativas de formação continuada e das políticas públicas que as sustentam têm demonstrado que o modelo de formação continuada do professor que mais se expande é o centrado na aquisição de conteúdos específicos relativos ao ensino, mas ao mesmo tempo distanciado da prática pedagógica e da multiplicidade de aspectos contraditórios que a caracterizam. A partir dessas considerações a respeito da formação continuada, o problema da influência1 dos diversos eventos (como iniciativas de formação de professores) na prática pedagógica suscitou algumas indagações: tais eventos provocam mudanças no pensar e no 1 Por influência, entende-se a preponderância das diretrizes teóricas e metodológicas que nortearam os eventos de capacitação sobre as concepções e a prática pedagógica da professora alfabetizadora. Preponderância essa demonstrada pela mudança de orientação de sua prática na direção desejada e proposta pelo evento. EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 38 fazer pedagógico? O que estaria determinando a ocorrência ou não dessas mudanças? A teoria trabalhada nos eventos é suficiente para promover essas mudanças? Essas perguntas definiram o objetivo da pesquisa, que foi o de identificar se houve ou não influência de eventos de formação sobre a prática, procurando compreender quais os prováveis fatores que determinaram essa influência. Para tanto, foi tomado como objeto de análise o Curso sobre Alfabetização, um dos eventos de formação continuada promovidos por uma Secretaria de Educação Municipal de uma cidade do interior da Bahia. A decisão em analisar as participantes desse curso se deu por duas razões: a primeira delas foi a duração do curso, que ultrapassou as 360 horas, exigindo dedicação das participantes por mais de um ano; e a segunda foi o fato de ser o curso coerente, em perspectiva teórica e em metodologias, com o projeto político de educação que se desejava implantar na rede municipal de ensino da época. Tratando-se da temática sobre a formação de professores que já estão no exercício da profissão, considerou-se fundamental a questão da prática pedagógica, entendida sob a ótica da relação teoria e prática, como norteadora dessa reflexão. No entanto, para a compreensão da relação dialética entre a teoria e a prática nas ações pedagógicas, partiu-se de categorias teóricas como: o cotidiano e o não cotidiano (a prática pedagógica é atividade mediadora das esferas cotidianas e não cotidianas da formação do indivíduo), a consciência e a autonomia (aprática pedagógica, na condição de atividade mediadora, precisa ser intencional e ativa), o significado e o sentido (a ação pedagógica precisa ser dirigida por suas finalidades conscientes). Quanto ao caminho investigativo trilhado, partiu-se do pressuposto de que a realidade é complexa, geradora de muitos e diferentes sentidos, que tomam forma relacionados com as diferentes manifestações dos discursos e posições dos sujeitos dentro dela. A pesquisa, portanto, deve permitir evidenciar o objeto de investigação como contraditório, inacabado e em constante transformação, apreendido apenas por aproximações sucessivas. Adotou-se, assim, o método do Materialismo Histórico Dialético. Como procedimentos de investigação, foram utilizadas entrevistas semiestruturadas e sessões de observação não participante. As doze professoras participantes, grosso modo, foram escolhidas aleatoriamente dentre as 47 que haviam concluído todo o curso. Os dois únicos critérios utilizados foram: o de que estivessem atuando em turmas de alfabetização (o que, logo EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 39 de início, excluiu onze professoras do grupo original) e o de que aceitassem participar da pesquisa a partir do primeiro contato estabelecido pela pesquisadora. Das professoras que aceitaram participar da pesquisa, cinco estavam trabalhando em uma mesma unidade escolar e duas em uma outra. Tal situação permitiu tanto observar a interação entre as docentes em seu local de trabalho quanto a relação entre as condições objetivas de trabalho e as práticas pedagógicas das diferentes educadoras. Entre o término do curso e o início da pesquisa, decorreram-se 15 meses. O presente texto compõe-se de cinco partes: a primeira delas contempla esta Introdução. A segunda apresenta o quadro teórico por meio do qual foi desenvolvida a interpretação a respeito do problema, dando destaque à questão da prática docente como pertencente à esfera não cotidiana da vida humana. A terceira desenvolve considerações gerais sobre o porquê da ocorrência ou não da influência do curso sobre a prática das professoras envolvidas neste estudo. A quarta, à guisa de conclusão, traz reflexões a respeito de que tipo de ações transformadoras esta pesquisa impulsiona vislumbrar como prospectiva para a formação continuada de professores. Isto é, evidenciar quais as possibilidades de passagem do ser ao “dever-ser”, que, na concepção de Gramsci (1987, p. 42-43), parte do conhecimento do processo dinâmico da realidade – “relações de força em contínuo movimento” –, podendo ser transformada por sujeitos conscientemente ativos com vistas a novas perspectivas e a partir das possibilidades já existentes. Dessa forma, não basta apenas a existência das possibilidades para que possam “vir a ser” realizadas, é preciso uma prática humana consciente2 que a esse objetivo se direcione. E essa precisa ser a prática pedagógica transformadora dos formadores de professores. A quinta encerra o artigo, dispondo as referências consultadas. 2 AS FORMAS DE PENSAMENTO NÃO COTIDIANAS E A PRÁTICA PEDAGÓGICA Para se encontrar a influência do curso na atuação das alfabetizadoras em sua sala de aula, no primeiro momento foi necessário explicitar as bases teóricas e metodológicas do curso, de forma a evidenciar os elementos essenciais que poderiam caracterizar uma prática coerente 2 A prática humana consciente, neste texto, diz respeito àquela proposta pelo próprio Gramsci, a saber: aquela que, estando ciente das possibilidades, conhece-as profundamente para saber e querer utilizá-las. EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 40 com a teoria veiculada por ele. A intenção, porém, não foi a de avaliar a validade de tal teoria em relação à prática pedagógica, ou, ainda, a de julgar se as professores envolvidos nos eventos de formação estão fazendo certo ou errado ao tomar esse referencial como justificativa para o seu trabalho. O que se pretendia com essa investigação era identificar se houve ou não influência do curso sobre a prática de professoras, isto é, como é que a teoria trabalhada no curso foi incorporada no sentido de transformação da prática de algumas docentes, e, principalmente, entender o que pode ter determinado ou não essa influência. Para discutir esse problema, ele foi abordado sob dois conceitos principais: a relação teoria e prática e as esferas da vida humana – cotidiana e não cotidiana – e sua relação com a prática pedagógica, entendida aqui como a unidade de análise, pois partiu-se do pressuposto de que ela, no processo de trabalho docente, constitui síntese dinâmica e provisória entre a ação de ensinar, as condições subjetivas do professor e as esferas do cotidiano e do não cotidiano da vida humana. Assim, essas últimas, pressupostos de Agnes Heller (1977, 1989) sobre as esferas cotidiana e não cotidiana da vida humana, foram tomadas como ponto de partida para analisar a questão da prática pedagógica, na qual as condições objetivas de trabalho pedagógico são (e foram) construídas, reproduzem-se e também podem proporcionar (por contradição) a ruptura no processo de desenvolvimento de uma consciência intencional da ação de ensinar. Essa ruptura, na perspectiva aqui defendida, é que poderá resultar, por parte do professor, na busca por novos conhecimentos profissionais, novos carecimentos, que ultrapassem a satisfação das necessidades imediatas e emergenciais. Isso porque o ato docente, como pertencente à esfera das atividades complexas do trabalho (não cotidiana), somente nessa esfera pode realizar-se plenamente. Segundo Heller (1989), as objetivações que constituem referência básica da vida do ser humano configuram a vida cotidiana. São elas imprescindíveis para a sobrevivência e para a reprodução social, possibilitando aos indivíduos a construção da mobilidade e da segurança necessárias para a realização de suas ações e para a mútua convivência. A forma característica de apropriação da esfera da vida cotidiana pelos homens e mulheres é a espontaneidade. Eles e elas tendem a considerar o seu ambiente como algo dado, e assim se apropriam espontaneamente dos seus costumes e usos. EDUCAÇÃO & FORMAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Educação & Formação, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 36-51, jan./abr. 2017 DOI: http://dx.doi.org/10.25053/edufor.v2i4.1961 http://seer.uece.br/redufor ISSN: 2448-3583 41 Heller (1989, p. 29) vai afirmar que essa espontaneidade não pode ser superada, pois o homem e a mulher jamais poderiam apropriar-se desse sistema de referência se o submetessem à análise crítica, comprometendo suas próprias sobrevivências. São características também da vida cotidiana a heterogeneidade, o economicismo e a ultrageneralidade, ou seja, o homem e a mulher, para garantirem a conservação de suas existências, precisam realizar, de forma pragmática e imediata, uma grande quantidade de ações indispensáveis (dormir, comer, consumir produtos básicos, fazer higiene pessoal, etc.) sem que, para isso, invistam muito de seus pensamentos inventivos ou tenham que calcular com precisão as consequências de suas ações, inserindo-as, assim, o mais rápido possível, sob alguma universalidade. A vida cotidiana e suas características são fundamentais tanto para a aquisição, pelos homens e mulheres, das capacidades