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REFLEXOLOGIA PODAL AULA 1 Prof.ª Elaine Cristina Pinto da Silva 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula você será introduzido aos conceitos de Reflexologia Podal. Aqui você encontrará a definição de Reflexologia, aprenderá o que são microssistemas e encontrará alguns exemplos destes utilizados na prevenção, no auxílio ao diagnóstico e no tratamento de disfunções orgânicas. Conhecerá também a história da Reflexologia e sua evolução até o desenvolvimento da técnica utilizada atualmente. Por fim, saberá quais os objetivos da aplicação desta técnica milenar. Ao final desta aula, você estará familiarizado com a evolução da Reflexologia podal e também será capaz de entender sua aplicabilidade. TEMA 1 – O QUE É REFLEXOLOGIA? Certas regiões do corpo estão ligadas a outras áreas por meio de sinais elétricos advindos do sistema nervoso. Muitas vezes, partes menores do nosso corpo possuem áreas reflexas que se conectam ao organismo como um todo. Essas partes são denominadas microssistemas, que podem estar em diversas regiões, como pés, mãos, orelhas, olhos, face, língua, pulso, dentre outras (Keet, 2010) (Figura 1). Em cada microssistema, podemos observar sinais do funcionamento do organismo, ou seja, essas regiões são utilizadas como instrumento de investigação das alterações energéticas e metabólicas. Cada alteração observada no microssistema pode ser identificada primeiramente como uma alteração energética do órgão ou região reflexa. Caso a alteração energética desse órgão não seja resolvida, surgem alterações na sua função. Essas alterações podem ser observadas nos microssistemas na forma de edema, pápula, alteração na cor, dor ou sensação de alívio à pressão, dentre outros sinais (Garcia, 1999). Figura 1 – Terapias realizadas em microssistemas do corpo humano 3 Créditos: Gordana Sermek; karelnoppe; Asia Images Group/Shutterstock. Por exemplo, se ao observarmos a orelha de um paciente identificamos uma alteração na coloração da pele no centro do lóbulo, este sinal indica uma alteração no fluxo de energia que chega aos olhos, pois o centro do lóbulo da orelha é a região reflexa dos olhos. Se essa alteração energética não for resolvida, o paciente poderá apresentar algum sintoma de visão ou na estrutura física de seu globo ocular e, consequentemente, o sinal verificado na orelha se intensificará. Outro exemplo comum é encontrar uma irregularidade no tecido quando massageamos a sola dos pés do paciente. Se, ao pressionar a sola dos pés, na região logo abaixo dos dedos, nos depararmos com a sensação de grânulos sob a pele, isso indica um bloqueio energético na região de seu músculo trapézio (região reflexa). Caso essa alteração energética não seja solucionada, o paciente poderá apresentar sintomas como contratura muscular e dor na região do pescoço e ombros e o sinal na sola dos pés se intensificará. Cada microssistema mostra a características do funcionamento de todo o corpo e, geralmente, o sinal demonstrado em um microssistema aparece antes de surgirem sintomas no paciente. Isso acontece porque o microssistema revela primeiramente a qualidade energética que chega ao órgão ou região reflexa e depois a qualidade de seu funcionamento. Se uma determinada área do corpo está com a qualidade energética deficiente, ou então com estagnação de energia, mas ainda não há alteração no funcionamento dessa região ou órgão, os microssistemas demonstrarão essa alteração antes de surgirem os sintomas. Caso a energia desse órgão continue alterada, ocorre a modificação em seu metabolismo e, consequentemente, os sintomas aparecem. Além disso, em alguns microssistemas, o estímulo realizado nas zonas reflexas, como a massagem na sola dos pés, aciona o mecanismo de auto reparo do corpo. Esse estímulo tem o intuito de melhorar a circulação sanguínea, estimular as conexões nervosas e desobstruir a energia do local 4 causando, consequentemente, a melhora funcional da região reflexa. A prática terapêutica por meio da qual se estimula as áreas reflexas dos microssistemas recebe o nome de reflexoterapia, também conhecida como reflexologia. Esta técnica está no rol das Práticas Integrativas e Complementares do SUS desde março de 2017 e o Ministério da Saúde especifica reflexoterapia como sendo o estímulo dos pontos reflexos nos microssistemas das mãos, pés e orelhas (Brasil, 2017). Nesta disciplina estudaremos apenas a reflexologia podal. Por conter mais de 72 mil terminações nervosas, os pés possuem uma relação íntima com o restante do corpo via conexões neurais e, por isso, alguns autores defendem a ideia de que a reflexologia nos pés seja mais eficaz do que a técnica aplicada nas mãos (Gillanders, 2008; Hall, 2011; Silva 2016). A massagem realizada nos pontos reflexos dos pés, além de estimular o mecanismo de autocura do corpo, causa sensação de relaxamento e bem-estar ao paciente, sendo muito eficaz no tratamento dos efeitos negativos do estresse. Além disso, por reequilibrar as funções energéticas e metabólicas do corpo, a reflexologia pode ser utilizada como uma técnica profilática. Isso evita com que o corpo adoeça, pois, o reequilíbrio energético possui efeito cumulativo. TEMA 2 – HISTÓRIA DA REFLEXOLOGIA PODAL A reflexologia é praticada há milhares de anos por diversos povos, não tendo um consenso entre os autores sobre o local correto de surgimento desta técnica. Sabe-se que na antiga China a reflexologia teve suas origens juntamente com a acupuntura e a fitoterapia, porém não foi amplamente estudada pela classe médica como as outras modalidades, sendo somente praticada como medicina popular (Wen; Kuabara, 2010). Há relatos no mais antigo livro chinês sobre a medicina tradicional chinesa, o Huáng Dì Néi Jing, cuja edição em português chama-se Princípios de Medicina Interna do Imperador Amarelo, sobre pontos reflexos espalhados por todo o corpo, inclusive nos pés. Neste livro há trechos sobre a manipulação desses pontos utilizando pressão, porém não descreve a técnica da reflexologia propriamente dita (Wang, 2013). O primeiro registro encontrado especificamente sobre a terapia por pressão nos pés, técnica precursora da reflexologia como é conhecida hoje, foi 5 uma pintura dentro da tumba de um médico no antigo Egito, datado entre 2550 a 2330 a.C. Nesta representação, podemos observar terapeutas aplicando técnicas de massagem nos pés e nas mãos de seus pacientes (Gillanders, 2008; Silva 2016). Na figura, chama a atenção o terapeuta que manipula o pé do paciente a esquerda estar de costas para este. Historiadores acreditam que esta posição era adotada para evitar que a proximidade dos pés ao rosto de outra pessoa gerasse algum constrangimento. Ainda, podemos observar que ambos os pacientes estão com uma das mãos na axila. Por se tratar de uma terapia energética, os egípcios acreditavam que a energia poderia escapar de seus corpos ao ser manipulada. Dessa forma, pressionavam suas axilas para garantir o retorno da energia ao corpo. Além disso, os desenhos próximos aos terapeutas também mostram símbolos de energia, como as pirâmides e a linha em ziguezague (Gillanders, 2008). Figura 2 – Pictograma egípcio representando um tratamento por reflexologia Crédito: Nikki Zalewski/shutterstock. Em paralelo, Hall (2006) cita que foram encontrados na África registros da aplicação da reflexologia em alguns povos primitivos. Ainda, na América do Norte e Central, acredita-se que esta técnica tenha sido praticada e aprimorada pelos índios Cherokee. Estes utilizavam instrumentos de madeira para auxiliar na execução das pressões. Também há relatos de que os Incas, povos da América do Sul, tenham exercido influência na técnica praticada pelos norte- americanos (Gillanders, 2008; Keet, 2010). Pesquisadores acreditam que, a partir do Egito,a terapia por pressão foi difundida pelo Império Romano e, mais tarde, por toda a Europa. Pela facilidade de execução da técnica, o método começou a ser utilizado em locais 6 com grande concentração de pessoas, o que favoreceu o interesse por pesquisas nesta área (Wen, Kuabara, 2010). Por volta do ano de 1913, o Dr. Willian H. Fitzgerald iniciou seus estudos em terapias por pressão ao perceber que estímulos realizados em certas regiões do corpo geravam analgesia. Dr. Fitzgerald era otorrinolaringologista nos Estados Unidos e, em suas cirurgias de pequeno porte, observou que alguns pacientes sentiam muita dor e outros nem tanto. Ao analisar os casos, notou que os pacientes que sentiam menos dor estavam produzindo um efeito analgésico em si próprios pela pressão em determinadas regiões das mãos, seja instintivamente ou pela ação consciente. Então, o próprio médico começou a fazer estímulos em seus pacientes, amarrando elástico em seus dedos das mãos ou colocando grampos de metal. Ao realizar este experimento, constatou que os pacientes que recebiam o estímulo não sentiam dor durante a cirurgia. Foi então que o Dr. Fitzgerald começou a realizar algumas cirurgias sem a utilização de analgesia por fármacos, utilizava apenas a terapia por pressão (Gillanders, 2008; Hall, 2006. Silva, 2016). A partir deste estudo, o médico dividiu o corpo humano em 10 linhas longitudinais que chegavam até as mãos e os pés, desenvolvendo a Zonoterapia, que será estudada a seguir. TEMA 3 – ZONOTERAPIA Dr. Willian H. Fitzgerald desenvolveu a zonoterapia dividindo o corpo em 10 faixas longitudinais que atravessam o corpo separando-o em 10 seguimentos distintos. Cada seguimento se estende desde a cabeça até os pés, chegando em cada um dos dedos. Ou seja, o corpo é dividido em 5 regiões para cada lado. Cada região possui a mesma largura e representa uma divisão do corpo, que vai da cabeça até um dos dedos dos pés. A região central é denominada região 1 e se conecta ao hálux. As regiões laterais se conectam aos demais dedos e seguem a nomenclatura sucessivamente até chegar na zona lateral do corpo (região 5), conectada ao 5º dedo do pé. Isso ocorre em ambos os lados (Hall, 2006). Essa conexão também é feita com os dedos das mãos em uma ramificação dessas linhas que se lateraliza na porção superior do tórax, indo 7 para os braços até chegar as mãos. Tanto as regiões dos pés quanto das mãos se conectam às mesmas porções no corpo, ou seja, a zona 1 do pé e da mão representam a mesma porção no corpo, a região central, conforme ilustra a figura 3. Ao segmentar o corpo em zonas, Dr. Fitzgerald observou que os órgãos pertencentes a uma mesma zona possuem conexão energética entre si. Ou seja, uma dor no cotovelo esquerdo pode se refletir no joelho esquerdo, gerando algum sintoma neste, pois ambas as articulações fazem parte da zona 5. Esse sintoma se mostrará na zona reflexa dos pés e das mãos, especificamente na zona 5, geralmente na forma de dor a compressão. Figura 3 – Zonas longitudinais Crédito: Elaine Cristina Pinto da Silva. Além disso, Dr. Fitzgerald identificou que ao estimular a zona dos pés ou das mãos que representa a região dolorosa do corpo ocorre o alívio dos sintomas em todos os órgãos dessa zona. Tomando o exemplo anterior para ilustrar, ao estimular a zona 5 ocorre não só o alívio dos sintomas do cotovelo como também o reequilíbrio energético das funções do joelho, por serem regiões presentes na mesma zona (Hall, 2006). Vale salientar que a zona 1 possui grande importância, por conter regiões centrais do organismo, como o sistema nervoso, a coluna vertebral, 8 algumas partes do sistema digestório e dos órgãos reprodutores. Por causa disso, esta zona mostra uma maior sensibilidade nos pés (Gillanders, 2008). Aprofundando seus estudos, Dr. Fitzgerald estabeleceu correlações entre os quatro membros, pois estes se encontram na mesma zona. Sendo assim, o médico descreveu que os ombros estão relacionados ao quadril, os cotovelos aos joelhos, os punhos aos tornozelos e as mãos aos pés. Assim, um estímulo realizado na região reflexa do ombro direito também causa ativação no quadril do mesmo lado. A partir dos estudos do Dr. Fitzgerald, alguns pesquisadores aprofundaram ainda mais o conhecimento em zonoterapia. Dentre eles destaca-se a fisioterapeuta Eunice D. Ingham que, por volta de 1930, aperfeiçoou a teoria das zonas reflexas, identificando áreas específicas que estimulavam determinadas regiões do corpo. Seu estudo deu origem ao mapa da reflexologia podal como é conhecido atualmente (Gillanders, 2008; Hall, 2006). Além disso, Eunice traçou linhas transversais que correspondem à linha do ombro, da cintura e do quadril, facilitando assim o trabalho do terapeuta na localização das áreas reflexas (Figura 4). Figura 4 – Linhas transversais Fonte: Autoria própria. 9 TEMA 4 – RFLEXOLOGIA PODAL NA ATUALIDADE Devido ao fato de a reflexologia ter diversas origens, atualmente existem vários mapas dos pontos reflexos, com diferentes localizações de pontos, seguindo basicamente duas escolas: a técnica oriental desenvolvida pelo professor Hang Xion Wen, fundador da Associação Chinesa de Reflexologia; e a técnica ocidental, desenvolvida pela fisioterapeuta Eunice D. Ingham, nos Estados Unidos (Gillanders, 2008; Wen, Kuabara, 2010). Além das diferenças na localização de alguns pontos dos mapas de reflexologia, existe também diferenças nos princípios da técnica, considerando o pensamento oriental e ocidental. Estudaremos esta diferença em conteúdos posteriores. No Brasil, a reflexologia podal ficou mais conhecida após a criação da Associação Brasileira de Reflexologia e Terapias Associadas, em 1994, sendo aplicada em clínicas particulares e SPAs. Porém, a técnica foi incluída como Prática Integrativa e Complementar (PIC) no SUS em março de 2017. Como essa inclusão é recente, podemos encontrar profissionais que executam esta prática em Unidades Básicas de Saúde (UBS) em apenas 54% dos municípios brasileiros, sendo que todas as capitais possuem o serviço (Silva, 2016; Brasil, 2017). Vale ressaltar que a comunidade acadêmica carece de estudos com metodologia validada para que haja maior comprovação científica dos benefícios da reflexologia. Estas pesquisas seriam mais uma justificativa para a implementação desta terapia em 100% dos municípios brasileiros, uma vez que a técnica é um recurso de baixo custo e, sendo implementada em programas de manutenção à saúde e prevenção, reduziria os custos governamentais com saúde. Além da necessidade de mais estudos científicos, também é importante a correta capacitação profissional. Isso assegura a eficácia terapêutica da técnica e evita complicações de saúde resultantes de uma aplicação incorreta (Silva, 2016). 10 Figura 5 – Aplicação da reflexologia podal Crédito: Africa Studio/shutterstock. TEMA 5 – OBJETIVOS DA REFLEXOLOGIA PODAL A reflexologia possui três objetivos principais: manter a saúde, identificar alterações energéticas dos órgãos e atuar como tratamento complementar de uma série de patologias (Wen, Kuabara, 2010). Para explicar como a reflexologia pode atuar nesses objetivos, vamos entender o processo energético de instalação da doença. Os chineses descrevem três estágios desse processo. Primeiro ocorre a alteração no fluxo de energia do órgão ou sistema, podendo ser um bloqueio energético local ou das vias que encaminham a energia para esse sistema. Neste nível ainda não há sintomas. Em um segundo momento, a alteração energética se agrava gerando mal funcionamento do sistema. Nesta etapa, o paciente começa a sentir sintomas. Caso a alteração não seja solucionada, o processo de adoecimento evolui para o terceiro estágio, durante o qual se instala uma alteração física no sistema eos órgãos ficam comprometidos. Neste estágio, pode ocorrer a necessidade de intervenções mais agressivas, como processos cirúrgicos e utilização de fármacos mais potentes. Para entender melhor, tomemos o seguinte exemplo: um paciente pode ter alteração no fluxo de energia que chega ao estômago por uma série de razões, como fatores emocionais ou nutricionais, sendo este o primeiro estágio. Caso essa alteração energética não seja solucionada, o quadro evolui para o segundo estágio, em que há alteração funcional do estômago. Isso gera alguns sintomas como indigestão, queimação estomacal e dor. 11 Caso não seja tratado, o quadro evolui para o terceiro estágio, em que há alteração física no estômago. Exemplos disso são a gastrite e a úlcera estomacal nos casos mais avançados. Entendendo isso, a reflexologia pode ser utilizada nos três estágios, pois causa um reequilíbrio em todo o corpo, desobstruindo os bloqueios energéticos. Mas, justamente por sua atuação ser em grande parte em nível energético, essa terapia é mais efetiva no primeiro estágio, restaurando o fluxo de energia e prevenindo o surgimento dos sintomas. No segundo estágio, o estímulo específico nos pontos reflexos leva ao alívio dos sintomas, porém pode ser necessário um período maior de tratamento. Já no terceiro estágio, a reflexologia atua simplesmente como coadjuvante ao tratamento, não tendo efetividade isolada. É papel do reflexologista detectar as áreas sensíveis dos pés, bem como as áreas com alguma alteração a palpação e realizar o estímulo por pressão específica para que haja efeito terapêutico. Além disso, como a reflexologia reequilibra as funções energéticas de todo o corpo, esta prática pode ser realizada como método de profilaxia, mantendo em harmonia as funções orgânicas. Por ser realizada com técnicas manuais de compressão, essa massagem gera relaxamento e sensação de bem-estar no paciente, quesitos que influenciam diretamente na manutenção a saúde. Ainda, a aplicação da reflexologia pode ser utilizada para complementar a anamnese, pois as regiões que apresentam alterações energéticas no corpo demonstrarão sinais nos pontos reflexos dos microssistemas, que podem aparecer nos pés como nódulos, calosidades, mudanças na coloração da pele e unhas ou alterações de sensibilidade, como dor à pressão executada pelo terapeuta. Vale ressaltar que em nenhuma hipótese a reflexologia pode ser utilizada como método de diagnóstico. Primeiro, porque esta terapia apenas reflete o padrão energético do sistema, não sendo possível verificar especificamente qual patologia o paciente apresenta. E em segundo lugar, o diagnóstico é uma prática privativa da classe médica, sendo necessários exames laboratoriais e consulta clínica para isso (Gillanders, 2008). 12 NA PRÁTICA Machado, Rodrigues e Silva (2013) realizaram um estudo utilizando a reflexologia como tratamento para distúrbios do sono em 3 pacientes. Uma das participantes desse estudo relatou ter sono irregular, com várias interrupções a noite, possuir dificuldade para entrar no sono e ter sonhos conturbados. A paciente referiu sentir-se cansada e desanimada durante o dia, ser ansiosa e fazer uso esporádico de meditação fitoterápica para dormir. Foram realizadas sessões completas de 30 minutos de reflexologia podal uma vez por semana, durante 8 semanas. A partir da 3 semana, as autoras relataram que a participante se sentiu menos ansiosa e teve maior facilidade para iniciar o sono. Após a quinta sessão, a paciente relatou sentir maior disposição durante o dia e ter um sono de melhor qualidade, acordando poucas vezes durante a noite. Ao final do estudo, as pesquisadoras observaram uma melhora significativa na qualidade do sono da participante e que esta não fazia mais uso do fitoterápico para dormir. Em casos de alteração do sono, a reflexologia atua de forma geral no organismo, causando reequilíbrio de todas as funções orgânicas e sensação de relaxamento e bem-estar. Estes fatores aliviam a ansiedade e possibilitam ao paciente ter um sono profundo e reparador a noite. FINALIZANDO A reflexologia podal é uma técnica que utiliza pressão em pontos específicos dos pés relacionados às estruturas e órgãos do corpo, causando assim um efeito terapêutico. Nossos pés, assim como as mãos, orelhas e outras partes do corpo chamadas de microssistemas, possuem a representação de todos órgãos e regiões corporais. Sendo assim, uma alteração fisiológica em determinado órgão reflete na região correspondente dos pés, mostrando algum sinal de irregularidade, como dor a compressão ou alteração na textura da pele. E o contrário também ocorre. Devido à conexão dos pontos dos microssistemas com o corpo todo, ao estimularmos os pontos específicos dos pés ocorre aceleração do mecanismo de reequilíbrio orgânico, o que leva a melhora do funcionamento do órgão ou região e ao alívio dos sintomas. 13 Essa terapêutica é praticada há milhares de anos e por diversos povos, não tendo um lugar específico para sua origem. Sabe-se que, na China, a reflexologia nasceu junto com a acupuntura e tornou-se prática popular entre as pessoas, porém não se tem registros específicos de sua origem. O primeiro registro encontrado sobre a reflexologia foi no antigo Egito, entre os anos de 2550 a 2330 a.C. Foi encontrado um pergaminho dentro de uma tumba, onde se via dois terapeutas realizando a reflexologia. A partir do Egito, a reflexologia se difundiu por toda a Europa. Em 1913, Dr. Willian H. Fitzgerald desenvolveu a zonoterapia, técnica precursora da reflexologia, a partir de seus estudos e pesquisas com seus pacientes. O médico dividiu o corpo em 10 zonas longitudinais, sendo 5 para cada lado do corpo. Cada zona possui comunicação com os pés e as mãos e ao realizar pressão específica em determinada zona, ocorre um efeito terapêutico nos órgãos e regiões presentes nesta zona. A partir dessas pesquisas, a fisioterapeuta Eunice Inghan aprimorou a técnica, delimitando linhas transversais nos pés, equivalentes as linhas transversais do corpo, e desenvolveu o mapa reflexológico utilizado até hoje. Atualmente, existem duas linhas principais da reflexologia, a oriental, que utiliza o mapa Chinês, e a ocidental, com o mapa desenvolvido por Ingham nos Estados Unidos. No Brasil, hoje a reflexologia faz parte do rol das Práticas Integrativas e Complementares disponibilizadas pelo SUS, porém ainda não está disponível em todos os municípios. A maior parte dessas terapias é disponibilizada na rede básica de atenção à saúde, principalmente nas capitais. A reflexologia possui três principais objetivos: reequilibrar o fluxo de energia pelo corpo, prevenindo o surgimento de patologias; aliviar sintomas físicos e emocionais presentes no indivíduo; e ser coadjuvante no tratamento de patologias já instaladas. Devido a isso, esta prática pode ser aplicada como auxiliar no tratamento de diversas patologias, bem como para a prevenção e manutenção da saúde, causando sensação de bem-estar e relaxamento ao paciente. Além disso, essa técnica pode ser utilizada como auxílio na anamnese, já que o terapeuta pode encontrar alguns sinais ao manipular os pés do paciente, como dor em algum ponto reflexo ou irregularidade nos tecidos. Porém, é importante lembrar que não é possível realizar um diagnóstico com a reflexologia, apenas médicos poderão realizam esta prática. 14 REFERÊNCIAS BRASIL. Portaria n. 849, de 27 de março de 2017. Diário Oficial da União, n, 60, Ministério da Saúde/Gabinete do Ministro, Brasília, DF, 28 mar, 2017. GARCIA, Ernesto G. Auriculoterapia. São Paulo: Roca, 1999. GILLANDERS, A. Guia completo de reflexologia: todo o conhecimento necessário para adquirir competência profissional. São Paulo: Pensamento, 2008. HALL, J. E. Guyton; Hall Tratado de Fisiologia Médica. 12. ed.Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. HALL, N. M. Reflexologia: um método para melhorar a saúde. São Paulo: Pensamento, 2006. KEET, L. A bíblia da reflexologia podal. São Paulo: Pensamento, 2010. MACHADO, F. A. V. RODRIGUES, C. M. SILVA, P. A. Influência da reflexologia podal na qualidade do sono: estudo de caso. Caderno de Naturologia e Terapia Complementar. Vol 2, n 3 – 2013. Portal da Secretaria de Atenção Primária a Saúde. Disponível em . Acesso em: 22 jun. 2021. SILVA, N. C. M. Efeito da reflexologia podal sobre a integridade tissular dos pés de pessoas que apresentam “Risco de Integridade da Pele Prejudicada”: um ensaio randomizado. 164f. Tese (Doutorado em Enfermagem Fundamental – Escola de Enfermagem do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016. WEN, H. X., KUABARA, M. Reflexologia podal. São Paulo: Ícone, 2010. https://aps.saude.gov.br/ape/pics/praticasintegrativas https://aps.saude.gov.br/ape/pics/praticasintegrativas Conversa inicial Nesta aula você será introduzido aos conceitos de Reflexologia Podal. Aqui você encontrará a definição de Reflexologia, aprenderá o que são microssistemas e encontrará alguns exemplos destes utilizados na prevenção, no auxílio ao diagnóstico e no trat... Conhecerá também a história da Reflexologia e sua evolução até o desenvolvimento da técnica utilizada atualmente. Por fim, saberá quais os objetivos da aplicação desta técnica milenar. BRASIL. Portaria n. 849, de 27 de março de 2017. Diário Oficial da União, n, 60, Ministério da Saúde/Gabinete do Ministro, Brasília, DF, 28 mar, 2017.