Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

PSICOFARMACOLOGIA 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Anelise Montañes Alcântara 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A psicose é caracterizada como perda do contato com a realidade, sendo 
a característica fundamental dos transtornos psicóticos (Elisabetsky, 2021). A 
psicose acompanha diversas condições psiquiátricas, porém a esquizofrenia 
acaba sendo uma referência para a compreensão das psicoses e a principal 
indicação terapêutica dos antipsicóticos (Graeff; Guimarães, 2021). 
Os transtornos psicóticos mais comuns abrangem mania (transtorno 
bipolar), psicose induzida por drogas (cocaína) e esquizofrenia. A esquizofrenia 
é uma condição grave, crônica e altamente incapacitante, marcada por sintomas 
positivos (delírios, alucinações, comportamento desorganizado), negativos 
(isolamento social, embotamento afetivo, anedonia) e cognitivos (déficits de 
memória e prejuízo da função cognitiva). A prevalência é estimada em 1% da 
população mundial (Elisabetsky, 2021). 
O tratamento com antipsicóticos para esquizofrenia foi introduzido na 
década de 1950, possibilitando menor tempo de hospitalização e outras formas 
de tratamento. Esse período caracteriza a era da psicofarmacologia moderna, 
com o desenvolvimento da clorpromazina, com efeitos antipsicóticos. Tratava-se 
de um primeiro psicofármaco que os psiquiatras acreditavam tratar o transtorno 
mental. Esse psicofármaco foi inicialmente relacionado com o efeito de “calma 
emocional”, em que a pessoa ficaria em um estado de indiferença aos estímulos 
externos, porém sem perda de consciência. Por isso, os antipsicóticos foram 
chamados inicialmente de neurolépticos, que significa “segurar”, “controlar os 
nervos”. Outros antipsicóticos foram lançados nas décadas seguintes, 
semelhantes à clorpromazina, até o aparecimento da clozapina, primeiro 
antipsicótico atípico (Elisabetsky, 2021). Porém, esses medicamentos não curam 
a esquizofrenia e apresentam diversos efeitos colaterais (Graeff; Guimarães, 
2021). 
Com a introdução desses medicamentos foi possível abandonar 
tratamentos amplamente empregados, dentre eles o estado de coma induzido 
por insulina e a lobotomia pré-frontal, uma cirurgia que ocasionava alterações da 
personalidade. A eletroconvulsoterapia também foi amplamente substituída, 
ficando reservada para situações específicas (Graeff; Guimarães, 2021). 
No Brasil, há o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) – 
Esquizofrenia, que estabelece critérios para o diagnóstico, o tratamento, o 
 
 
3 
acompanhamento e a verificação dos resultados terapêuticos que devem ser 
seguidos no Sistema Único de Saúde (Brasil, 2013). Todos os antipsicóticos 
disponíveis no mercado farmacêutico brasileiro estão presentes na lista C1 da 
Portaria n. 344/1998, sendo dispensados mediante apresentação da receita de 
controle especial. 
Esta etapa tem como objetivos: 
1. abordar a esquizofrenia de maneira breve; 
2. conhecer as intervenções psicossociais; 
3. conhecer o tratamento farmacológico das psicoses; 
4. identificar os antipsicóticos típicos e atípicos; 
5. conhecer o perfil de efeitos colaterais dos antipsicóticos. 
TEMA 1 – AS INTERVENÇÕES PSICOSSOCIAIS NA ESQUIZOFRENIA 
A esquizofrenia é considerada a mais grave entre as condições 
psiquiátricas. Trata-se de um transtorno crônico e incapacitante, de natureza 
complexa, com múltiplas manifestações. Apresenta incidência semelhante em 
homens e mulheres. O episódio agudo da esquizofrenia é determinado pela 
presença de sintomas psicóticos positivos, tais como delírios, alucinações e 
agitação psicomotora (Graeff; Guimarães, 2021). 
O primeiro episódio psicótico ocorre após manifestações negativas, como 
o embotamento afetivo (expressão emocional reduzida, expressão facial 
empobrecida), a pobreza de linguagem, a falta de iniciativa, o isolamento social 
e as alterações cognitivas. Os sintomas negativos e as alterações cognitivas 
tendem a piorar com o decorrer da doença. O primeiro episódio tende a aparecer 
no final da adolescência ou no início da idade adulta. Pacientes não tratados 
podem desencadear quadro de esquizofrenia grave (Graeff; Guimarães, 2021). 
As causas da esquizofrenia não são conhecidas, embora haja o 
entendimento de que sejam uma interação de variáveis culturais, biológicas e 
psicológicas. A natureza genética tem um papel no desenvolvimento da 
esquizofrenia, como também os fatores socioambientais, como a exposição a 
traumas e drogas durante a infância e a adolescência. Mecanismos inflamatórios 
também têm sido associados (Graeff; Guimarães, 2021). 
O tratamento com antipsicóticos introduzido na década de 1950 alterou 
de forma significativa a vida das pessoas com esquizofrenia. Estudos 
 
 
4 
evidenciam que os antipsicóticos eliminam ou atenuam as manifestações 
agudas, assim como diminuem a frequência de recidivas, porém não curam a 
esquizofrenia (Graeff; Guimarães, 2021). 
As intervenções psicossociais envolvem a pessoa e seus cuidadores. A 
literatura costuma dar destaque para as orientações diretivas a serem feitas 
pelos profissionais da saúde. Algumas delas são (Opas, 2018): 
• explicar que os sintomas são causados por uma condição de saúde 
mental; 
• explicar que a psicose pode ser tratada e que a pessoa pode se recuperar; 
• esclarecer equívocos comuns sobre as psicoses, como não culpabilizar a 
pessoa ou a família pela causa dos sintomas; 
• esclarecer quanto à necessidade de administração dos medicamentos 
prescritos e ao retorno periódico para o seguimento terapêutico; 
• esclarecer que a piora dos sintomas pode acontecer e que a procura do 
estabelecimento de saúde deve ocorrer o mais rápido possível; 
• orientar a família a planejar uma agenda ocupacional, a fim de evitar o 
estresse da pessoa e dos cuidadores; 
• incentivar a pessoa com psicose a pedir conselhos ao tomar decisões 
importantes, como as relacionadas a dinheiro; 
• manter uma relação de harmonia com a pessoa, pois a confiança mútua 
entre ela e a equipe de saúde é crucial para maior adesão ao tratamento; 
• informar que o uso de álcool e de maconha pode agravar os sintomas 
psicóticos; 
• recomendar uma alimentação mais equilibrada, atividade física, sono 
regular e o autocuidado com a higiene pessoal; 
• explicar que o estresse pode agravar os sintomas psicóticos; 
• incentivar atividades sociais como meio de propiciar apoio psicológico e 
social, por exemplo reuniões familiares, saídas com amigos, visitas a 
vizinhos, atividades sociais no trabalho, esportes e atividades 
comunitárias; 
• oferecer capacitação para habilidades sociais para melhorar as aptidões 
para a vida; 
• orientar cuidadores a não tentar convencer a pessoa de que suas crenças 
são irreais e a oferecer apoio, mesmo diante de comportamentos 
 
 
5 
estranhos; as críticas em relação à pessoa com psicose devem ser 
evitadas; em geral, é melhor que a pessoa viva com a família ou com 
membros da comunidade em um ambiente acolhedor, fora do contexto 
hospitalar; 
• evitar a hospitalização prolongada. 
Perceba que essa lista de atribuições caracteriza uma atuação diretiva, 
de ensino, em que o profissional de saúde assume uma posição de professor na 
orientação de condutas. Essas atribuições referem-se a profissões que têm 
como método terapêutico intervenções voltadas para a parte consciente da 
personalidade. Quando se trata de psicanalistas, essa lista de atribuições não 
se aplica. Elas precisam ser feitas, mas não por psicanalistas. 
A contribuição do psicanalista vai se dar quando este oferecer ao paciente 
a oportunidade de falar livremente como se sente diante de sua condição de 
vida, com tantas orientações de conduta recebidas. É a oportunidade que o 
paciente tem de ser espontâneo ao falar de sua experiência com o tratamento, 
com as limitações e possibilidades de vida. 
Cada vez mais as políticas públicas estão induzindo a inclusão de 
pessoas comesquizofrenia em ambientes educacionais, de trabalho e sociais. 
Identificar e ocupar seu lugar social é um fator de proteção emocional e isso pode 
ser sustentado com a ajuda do método psicanalítico. 
TEMA 2 – ANTIPSICÓTICOS TÍPICOS OU DE PRIMEIRA GERAÇÃO 
Após a clorpromazina foram lançados diversos compostos com 
propriedades farmacológicas semelhantes, mesmo com estrutura química 
diferente (Quadro 1). Ainda que haja muitos antipsicóticos disponíveis, com 
exceção da clozapina não há superioridade de eficácia entre eles. Os típicos 
diferenciam-se quanto à potência, à farmacocinética e ao perfil de efeitos 
colaterais (Graeff; Guimarães, 2021). 
Com o uso dos antipsicóticos, a melhora inicial ocorre com a diminuição 
da ansiedade e da agitação. Esses fármacos são úteis no alívio de sintomas 
positivos e pouco eficazes no alívio dos sintomas negativos da esquizofrenia. 
Porém, alguns antipsicóticos atípicos apresentam alguma eficácia nesses 
sintomas (Graeff; Guimarães, 2021). Há resistência ao efeito benéfico dos típicos 
em torno de 30% dos pacientes com esquizofrenia. 
 
 
6 
O mecanismo de ação está relacionado com a neurotransmissão da 
dopamina. Estados psicóticos podem ser observados após a administração de 
anfetamina (agonista dopaminérgico), que libera dopamina nos terminais 
nervosos e inibe sua recaptação neuronial, e de cocaína, que bloqueia a 
recaptação neuronial de dopamina (Graeff; Guimarães, 2021). 
Quadro 1 – Fármacos antipsicóticos típicos 
Composto Dose diária Observações 
Clorpromazina* 200-800 Baixa potência, ↑ problemas cognitivos e 
cardiovasculares, menos SEP**, mais 
sedação, mais efeitos anticolinérgicos, 
menor incidência de discinecia. 
Tioridazina 150-600 
Mesoridazina 75-300 
Flufenazina 2-20 Alta potência, ↓ problemas cognitivos e 
cardiovasculares, mais SEP, menos 
sedação, menos efeitos anticolinérgicos, 
maior incidência de discinecia. 
Perfenazina 8-32 
Haloperidol* 2-20 
Fonte: Elaborado com base em Graeff e Guimarães, 2021; Costa, 2022. 
Notas: 
* Essas medicações geralmente estão disponíveis na rede pública de saúde. 
** Sintomas extrapiramidais. 
Existem diversos tipos de receptores de dopamina, mas a potência 
terapêutica de vários compostos é diretamente relacionada ao bloqueio dos 
receptores D2. A potência clínica relaciona-se, então, com a afinidade pelo 
receptor D2; em outras palavras, quanto maior a força de ligação com esse 
receptor, menor a dose necessária para produzir efeito antipsicótico. Doses 
terapêuticas de antipsicóticos ocupam de 60 a 70% dos receptores D2 e o uso 
prolongado causa aumento do número desses sítios. Esse fenômeno poderia 
estar envolvido na discinesia tardia (Graeff; Guimarães, 2021). 
A ocupação em mais de 80% dos receptores provoca efeitos 
extrapiramidais. Isso significa que existe uma pequena janela entre a dose eficaz 
e a dose que afeta o sistema motor. Com a descoberta do mecanismo de ação 
dos antipsicóticos e com a observação de que sintomas psicóticos podem ser 
induzidos com agonistas dopaminérgicos, considerou-se que a esquizofrenia 
seria determinada por uma hiperatividade dopaminérgica. Entretanto, nem todos 
 
 
7 
os pacientes respondem ao tratamento, o que limitaria esse raciocínio 
(Elisabetsky, 2021). 
É preciso identificar as principais vias dopaminérgicas do SNC para 
entender as limitações e os efeitos adversos causados pelos antipsicóticos. Os 
sintomas psicóticos estão relacionados com aumento de dopamina na via 
mesolímbica e a hipoatividade na via mesocortical pode explicar os sintomas 
negativos e cognitivos da esquizofrenia. O tratamento com antipsicóticos típicos 
reduz dopamina nas vias (USP, 2015): 
• mesolímbica – controla sintomas positivos; 
• mesocortical – pode piorar sintomas negativos; 
• nigroestriatal – gera efeitos extrapiramidais; 
• tuberoinfundibular – gera aumento de prolactina. 
Esses medicamentos provocam com frequência síndromes 
extrapiramidais. Extrapiramidal refere-se a uma parte do sistema motor que 
controla e modula os movimentos. Esses efeitos podem aparecer de forma 
aguda ou subaguda (horas a semanas) como parkinsonismo (rigidez muscular, 
tremores, marcha em bloco, lentidão dos movimentos), distonias (contração 
muscular tetânica e dolorosa), acatisia (necessidade de movimentação, 
frequentemente das pernas) (Guimarães-Fernandes et al., 2021). 
A acatisia pode ser confundida com sintomas de uma crise psicótica e 
pode-se pensar que o antipsicótico não está fazendo efeito. Caso a dose seja 
aumentada, essa manifestação pode piorar. Nesse sentido, o perfil de efeitos 
adversos dessas medicações deve ser bem conhecido (Elisabetsky, 2021). 
Após anos pode aparecer distúrbio do movimento de instalação crônica, 
a chamada discinesia tardia. Essa discinesia caracteriza-se por movimentos 
involuntários e repetitivos, que podem incluir protusão da língua, movimentos 
rápidos das extremidades e movimentos de contorção de face, tronco e 
membros. Pode apresentar-se de forma irreversível, sendo altamente 
incapacitante. Na tentativa de se prevenir efeitos adversos, pode-se usar a dose 
eficaz mais baixa de antipsicótico (Elisabetsky, 2021). 
Ao se diagnosticar discinesia tardia, o uso de antipsicótico deve ser 
suspenso. Uma possibilidade de prevenção e manejo é usar um antipsicótico 
atípico, com menor propensão de provocar efeitos extrapiramidais. A 
valbenazina é o primeiro fármaco desenvolvido para tratar discinesia tardia. 
 
 
8 
Outros efeitos colaterais incluem a hiperprolactinemia, que se refere a níveis 
aumentados de prolactina no sangue (Elisabetsky, 2021). 
TEMA 3 – ANTIPSICÓTICOS ATÍPICOS OU DE SEGUNDA GERAÇÃO 
Até meados de 1980 um elevado número de compostos antipsicóticos foi 
desenvolvido, contudo um progresso na terapêutica com esses fármacos só foi 
possível com melhor conhecimento de sua farmacocinética e farmacodinâmica, 
o que ocasionou uso mais racional (Graeff; Guimarães, 2021). 
Os novos antipsicóticos receberam a denominação genérica de atípicos. 
No entanto, autores divergem quanto a esses fármacos constituírem um grupo 
independente. Além disso, tem-se questionado o termo atípico, sugerindo-se 
apenas o termo antipsicóticos de segunda geração (Graeff; Guimarães, 2021). 
De acordo com o PCDT de esquizofrenia, essa classificação nem deveria ser 
empregada, tampouco a tipicidade ou o período de síntese. Essa posição 
considera que os antipsicóticos constituem um grupo heterogêneo, com 
mecanismos de ação, eficácia, efeitos adversos e data de desenvolvimento 
distintos entre si (Brasil, 2013). 
Uma dificuldade seria que os efeitos extrapiramidais são em geral 
considerados de forma unitária, porém contemplam diferentes síndromes, como 
distonia aguda, acatisia e parkinsonismo. As escalas para medidas desses 
efeitos, em geral, consideram o conjunto dessas síndromes. Entretanto, a 
propensão dos antipsicóticos atípicos para essas síndromes difere; a 
risperidona, por exemplo, tem menor propensão para induzir parkinsonismo que 
a acatisia (Graeff; Guimarães, 2021). 
O mecanismo de ação comum dos atípicos reside no fato de serem 
antagonistas do 5-HT2A e do D2, com menor afinidade pelo segundo. A 
serotonina exerce um controle inibitório na liberação da dopamina. O bloqueio 
de receptores 5-HT2A favorece a liberação da dopamina, o que acaba 
compensando o bloqueio dopaminérgico na via nigrostriatal e reduzindo as 
consequências motoras (Graeff; Guimarães, 2021). 
Vários estudos clínicos demonstraram que não há superioridade alguma 
dos antipsicóticos atípicos em relação aos típicos. Estudos evidenciam que as 
principais diferenças concentram-se no perfil de efeitos adversos (Graeff; 
Guimarães, 2021). Considerando a heterogeneidade desses fármacos, alguns 
dos mais relevantes são apresentados a seguir. 
 
 
9 
3.1 Clozapina 
É um fármaco igual ou superior aos demais antipsicóticos, sendo maiseficaz em pacientes resistentes. Até 60% dos pacientes que não respondem ao 
tratamento com antipsicóticos típicos podem apresentar melhora com essa 
medicação (Graeff; Guimarães, 2021). 
O maior problema reside no aparecimento de agranulocitose, que se 
caracteriza pela redução acentuada do número de neutrófilos, o que torna o 
paciente suscetível a infecções graves. Devido à potencial letalidade da 
agranulocitose, seu uso é restrito a casos refratários aos tratamentos 
convencionais. Apresenta afinidade por diversos receptores de dopamina (D1, 
D3 e D4), serotonina (5-HT2A e 5-HT2C, 5-HT6 e 5-HT7), histamina (H1), 
muscarínico (M1) e α1 adrenérgico (Cunha, 2020). Vários efeitos adversos 
resultam da alta afinidade que a clozapina tem com receptores muscarínicos, 
noradrenérgicos e histaminérgicos. Os pacientes que utilizam clozapina 
precisam ser monitorados (hemograma) frequentemente (Elisabetsky, 2021). 
3.2 Risperidona e paliperidona 
A risperidona é um antagonista de receptores D2, D4, 5-HT2A, 5-HT7, α1 e 
α2 adrenérgicos e H1. Estudos recentes não conseguiram concluir que a 
risperidona e outros compostos atípicos são mais eficazes que os antipsicóticos 
tradicionais. Em dosagem habitual, a incidência de efeitos extrapiramidais é 
menor comparada com o haloperidol, embora com doses maiores esses 
sintomas apareçam. Recentemente foi introduzida na clínica a paliperidona, 
metabólito ativo da risperidona que vem sendo utilizado pela forma de liberação 
lenta (Graeff; Guimarães, 2021). 
3.3 Olanzapina 
Apresenta estrutura química e propriedades farmacológicas muito 
semelhantes às da clozapina com afinidade por vários receptores (D1, D2, D4, 5-
HT2A, 5-HT2C, H1, α1- adrenérgicos e muscarínicos). Apresenta eficácia pelo 
menos igual à do haloperidol. Em relação à clozapina, essa comparação ainda 
não foi estabelecida. O benefício em relação à clozapina refere-se aos 
parâmetros hematológicos, uma vez que não foram verificados efeitos 
 
 
10 
significativos. Deve ser usada com cautela em pacientes com problemas 
cardíacos, cerebrovasculares e em hepatopatas (Graeff; Guimarães, 2021). 
3.4 Aripiprazol 
Age como agonista parcial de receptores D2. Apresenta afinidade por 
receptores de serotonina, sendo antagonista ou agonista parcial de 5-HT2 e 5-
HT1A. É desprovido de efeitos extrapiramidais, ganho de peso e 
hiperprolactinemia. Ensaios demonstram que é pelo menos tão eficaz quanto o 
haloperidol. Apresenta propriedades antimaníacas e antidepressivas (Graeff; 
Guimarães, 2021). 
De acordo com o PCDT de esquizofrenia, todos os antipsicóticos, com 
exceção da clozapina, podem ser utilizados no tratamento da esquizofrenia sem 
ordem de preferência (considerando somente os selecionados pelo protocolo). 
Os tratamentos devem ser realizados em monoterapia (um medicamento), 
considerando o perfil de segurança e a tolerabilidade do paciente. Em casos de 
falha terapêutica (uso de antipsicóticos por pelo menos seis semanas, em doses 
adequadas, sem melhora de 30% na Escala Breve de Avaliação Psiquiátrica –
Brief Psychiatric Rating Scale – BPRS), um outro antipsicótico deverá ser 
utilizado (Brasil, 2013). 
TEMA 4 – OUTRAS INDICAÇÕES DOS ANTIPSICÓTICOS 
Outros psicofármacos incluem a quetiapina, a zotepina, a ziprasidona e a 
lurasidona. Todos têm propriedades farmacológicas complexas, como 
antagonistas de receptores D4 (quetiapina) e 5-HT2 (zotepina, quetiapina). A 
ziprasidona vai agir como antagonista do 5-HT2C e 5-HT1D, como agonista de 5- 
HT1A, vai aumentar a liberação de dopamina no córtex pré-frontal dorsolateral e 
inibir a recaptação de noradrenalina e serotonina (Graeff; Guimarães, 2021). 
Vários antipsicóticos atípicos, tais como a olanzapina, a risperidona, a 
quetiapina, o aripiprazol e a ziprasidona podem ser indicados (e são eficazes) 
para o controle da mania no transtorno bipolar e provavelmente o início do efeito 
é mais rápido do que com o lítio. Esses fármacos foram aprovados para o 
tratamento de mania aguda e a olanzapina já foi liberada para o tratamento de 
manutenção do transtorno afetivo bipolar I (Graeff; Guimarães, 2021). A 
 
 
11 
clozapina também possui propriedades antimaníacas em adição a suas 
propriedades antipsicóticas (Machado-Vieira et al., 2003). 
A quetiapina foi recentemente aprovada nos Estados Unidos como 
monoterapia em depressão bipolar. Também tem sido utilizada no tratamento 
da insônia devido ao seu potente efeito sedativo. Os antipsicóticos atípicos 
podem ser utilizados como potencializadores de fármacos antidepressivos no 
tratamento da depressão unipolar (Graeff; Guimarães, 2021). 
Os antipsicóticos apresentam um rápido efeito nos episódios maníacos e 
são usados para controlar hiperatividade e sintomas psicóticos nos casos mais 
severos. O uso de antipsicóticos típicos no transtorno afetivo bipolar está 
associado a um aumento dos efeitos colaterais neurológicos. Devem ser dados 
durante um período limitado para evitar a discinesia tardia (Machado-Vieira et 
al., 2003). 
A risperidona e o aripiprazol podem ser usados para controlar sintomas 
de irritabilidade e agressividade em crianças e adolescentes com transtorno do 
espectro autista (Elisabetsky, 2021). Em relação aos prejuízos cognitivos na 
esquizofrenia, foram durante bastante tempo pouco considerados do ponto de 
vista terapêutico. Os pacientes podem apresentar prejuízo na atenção, na 
velocidade de processamento, na memória, dentre outros. Esses sintomas não 
respondem aos antipsicóticos atualmente disponíveis. Contudo, novas 
abordagens estão em desenvolvimento para o tratamento de déficits cognitivos 
na esquizofrenia que incluem drogas nicotínicas (atuam em receptores 
nicotínicos) e facilitadores do sistema glutamatérgico e dopaminérgico mediado 
por receptores D1 (Graeff; Guimarães, 2021). 
Identificou-se que o bloqueio crônico em receptores D2 pode promover 
diminuição de receptores D1 no córtex pré-frontal, o que poderia ser um fator 
agravante de déficits cognitivos (Graeff; Guimarães, 2021). 
Na ausência de tratamentos específicos os antipsicóticos têm sido 
indicados para o manejo de transtornos do controle de impulso e da conduta e 
transtornos de personalidade (por exemplo, borderline). Embora o uso contínuo 
não seja indicado, antipsicóticos atípicos têm sido empregados no manejo de 
sintomas psicóticos e agitação em pacientes com demência. Esses 
medicamentos estão relacionados com o aumento da mortalidade. Seu uso pode 
ser justificado em pacientes com sintomas psicóticos graves e debilitantes, que 
colocam em risco a segurança de pacientes e cuidadores (Elisabetsky, 2021). 
https://www.psymeetsocial.com/blog/artigos/o-que-e-insonia
 
 
12 
TEMA 5 – EFEITOS ADVERSOS DOS ANTIPSICÓTICOS 
O bloqueio de receptores dopaminérgicos é responsável por muitos dos 
efeitos colaterais dos antipsicóticos (Quadro 2). Esse bloqueio (na via 
tuberoinfundibular) aumenta a concentração de prolactina no plasma, resultando 
no aumento de tamanho e sensibilidade dos seios, redução da libido, 
infertilidade, amenorreia e galactorreia (produção de leite) em mulheres e 
ginecomastia em homens. A incidência de hiperprolactinemia é menor com 
antipsicóticos atípicos (Graeff; Guimarães, 2021). 
Os antipsicóticos típicos podem produzir os efeitos adversos 
extrapiramidais, sendo menos frequentes com os antipsicóticos atípicos. Esses 
efeitos ocorrem quando os receptores D2 estão ocupados entre 75% e 80%. 
Entretanto, essa ocupação nunca ultrapassa 67% com a clozapina, o que pode 
explicar seu baixo risco para esses efeitos (Graeff; Guimarães, 2021). 
A síndrome de Parkinson está relacionada a lentidão dos movimentos 
(bradicinesia), tremor variável das extremidades (aumenta com a 
movimentação), imobilidade da expressão facial, alteração da marcha e postura 
rígida (Graeff; Guimarães, 2021). 
As reações distônicas agudas são espasmos dos músculos da face, do 
pescoçoe da língua. A acatisia é um estado de desconforto intenso nos 
membros inferiores, acompanhado da incapacidade de manter as pernas 
paradas. A ocorrência de acatisia não parece ser significativamente menor com 
os antipsicóticos atípicos. 
Em casos de intolerância aos efeitos extrapiramidais, quanto foi realizado 
ajuste da dose do antipsicótico, o uso de biperideno ou propranolol, estará 
indicada a substituição por outro antipsicótico com menor perfil de efeitos 
extrapiramidais, como olanzapina, quetiapina ou ziprasidona. Em caso de 
intolerância com a risperidona, devido ao aumento de prolactina, poderá ser 
substituído por outro antipsicótico (Brasil, 2013). 
 
 
13 
Quadro 2 – Incidência relativa de alguns efeitos colaterais dos antipsicóticos 
 Síndrome 
de 
Parkinson 
Receptores 
muscarínicos* 
Hipotensão 
postural2 
Sedação3 Ganho 
de 
peso 
Clorpromazina ++ ++ ++ +++ +++ 
Flufenazina ++++ + + + +/- 
Tioridazina + +++ +++ +++ ++ 
Haloperidol ++++ + + + +/- 
Clozapina 0 +++ +++ +++ +++ 
Risperidona ++ + ++ + + 
Paliperidona ++ + ++ + + 
Olanzapina + ++ ++ + +++ 
Quetiapina 0 ++ ++ +++ + 
Ziprasidona + + + +/++ +/- 
Aripiprazol 0 0/+ 0/+ 0/+ +/- 
Sulpirida + + 0/+ ++ +/- 
Fonte: Elaborado com base em Graeff e Guimarães, 2021. 
Notas: 
* Boca seca, constipação, visão borrada, retenção urinária etc. 
** Decorrente de bloqueio de adrenoceptores α1; 
*** Decorrente de bloqueio de receptores H1 de histamina. 
A clozapina poderá ser utilizada em caso de refratariedade a pelo menos 
dois antipsicóticos utilizados por pelo menos seis semanas, em doses 
adequadas, e se não houver pelo menos 30% de melhora na escala BPRS. Na 
discinesia tardia e na tentativa de suicídio, o medicamento em uso deve ser 
substituído por clozapina. Em caso de intolerância à clozapina, a troca poderá 
ser por olanzapina, quetiapina, risperidona ou ziprasidona (Brasil, 2013). 
Os antipsicóticos atípicos podem apresentar efeitos metabólitos que 
dificultam a adesão ao tratamento. Esses efeitos contemplam aumento do 
apetite, ganho de peso, hiperglicemia, aumento de triglicerídeos e hipertensão. 
Essas alterações metabólicas tornam o paciente mais suscetível ao 
desenvolvimento de diabetes e a aumento de eventos cardiovasculares. A 
clozapina e a olanzapina tendem a ter mais propensão de ganho de peso e 
demais alterações metabólicas (Elisabetsky, 2021). Caso essas alterações 
metabólicas aconteçam com o uso de olanzapina e quetiapina, deve-se 
considerar a substituição por ziprasidona (Brasil, 2013). 
 
 
14 
Os antipsicóticos estão relacionados à síndrome neuroléptica maligna, um 
transtorno raro e com risco de vida que causa rigidez muscular, hipertermia e 
elevação da pressão arterial (Elisabetsky, 2021). 
Os medicamentos disponíveis na rede pública de saúde para o tratamento 
da esquizofrenia são (Brasil, 2013): 
• risperidona – comprimidos de 1, 2 e 3 mg; 
• quetiapina – comprimidos de 25, 100, 200 e 300 mg; 
• ziprasidona – cápsulas de 40 e 80 mg; 
• olanzapina – comprimidos de 5 e 10 mg; 
• clozapina – comprimidos de 25 e 100 mg; 
• clorpromazina – comprimidos de 25 e 100 mg e solução oral 40 mg/ml; 
• haloperidol – comprimidos de 1 e 5 mg e solução oral 2 mg/ml; 
• decanoato de haloperidol injetável 50 mg/ml. 
A solução injetável é indicada como fármaco de depósito na 
impossibilidade de adesão ao tratamento na forma oral. Após aplicação o 
fármaco vai sendo liberado lentamente durante duas a quatro semanas. Essa 
possibilidade faz com que o risco de recaídas e hospitalizações devido a falta de 
adesão ao tratamento oral seja reduzido (Elisabetsky, 2021). 
A escolha do antipsicótico, em geral, é feita em função do perfil de efeitos 
colaterais, que se assemelha ao dos antidepressivos. O custo do antipsicótico 
atípico é consideravelmente maior em comparação com os típicos, outro fator 
que deve ser considerado na escolha do tratamento, bem como devem ser 
considerados os fármacos já utilizados, o estágio da doença e o risco-benefício. 
Após a melhora clínica, deve-se reduzir a dose na manutenção (Brasil, 2013). 
Tanto os efeitos adversos quanto a eficácia limitada fazem com que a adesão ao 
tratamento seja muito baixa (Elisabetsky, 2021). 
NA PRÁTICA 
Quando as pessoas com sofrimentos mentais e transtornos mentais 
graves não encontram um ambiente social que seja inclusivo, o risco de violência 
social é maior. Alguns filmes retratam episódios da vida real, dentre eles: 
• Bicho de sete cabeças, protagonizado por Rodrigo Santoro; 
• Estamira (documentário). 
 
 
15 
Esses dois filmes retratam a violência institucional que provocou males 
piores do que aqueles que a pessoa já tinha por causa do transtorno mental. Nos 
dois casos os pacientes estavam “em tratamento”. No entanto, o que se observa 
é que o tratamento pode anular a subjetividade das pessoas quando não dá lugar 
para que elas falem sobre o que sentem. O tratamento apenas medicamentoso 
tem foco no controle dos sintomas, mas não podemos chamar de cura uma 
pessoa bem ajustada, mas que foi desprovida de sua singularidade. 
Atualmente o que se busca é alcançar saúde por meio da compreensão 
de que saúde é o bem-estar biopsicossocial e não apenas a ausência de 
doenças. 
Quais seriam os objetivos da psicoterapia de adolescentes com 
diagnóstico de esquizofrenia? Os adolescentes com psicose provavelmente 
poderiam se beneficiar de tratamentos psicológicos apropriados à sua idade, 
considerando que estão saindo de um grupo social primário (família) e se 
inserindo em novos grupos sociais. A psicoterapia de grupo pode ser uma boa 
indicação para que esses pacientes possam se beneficiar de um laço social e 
encontrar um lugar nesse coletivo. Essas intervenções podem expor 
necessidades psicológicas e sociais, tais como o enfrentamento do estigma e da 
exclusão social. 
A psicoterapia pode ser um meio que ajude o paciente a integrar a 
experiência psicótica em seu contexto de vida, dando sentido a essa experiência. 
A psicoterapia pode atuar no sentido de identificar fatores estressores e 
encontrar formas de suportar, modificar ou compreender melhor as situações 
vividas. A psicoterapia pode desenvolver a capacidade de diferenciar, 
reconhecer e lidar com diferentes sensações e sentimentos. Pode aumentar a 
capacidade de gerenciar a própria vida, melhorar a autoestima e diminuir o 
isolamento. 
O que diferencia a psicanálise dos demais métodos psicoterapêuticos é a 
diretividade, ou seja, o discurso do terapeuta. O psicanalista dará oportunidade 
para a simbolização, para a elaboração, seja por meio de atividades artísticas, 
seja pela palavra. O psicanalista poderá ajudar os pacientes com psicose a 
diferenciar o “eu” do “não eu”. Sempre que a intervenção for prescrever e 
recomendar orientações de conduta, não será psicanalítica, pois o terapeuta 
está focando a parte consciente da pessoa, aquela parte que presta atenção, 
que entende racionalmente que é melhor seguir as orientações. O psicanalista 
 
 
16 
não tem como prioridade o treinamento de habilidades sociais nem a 
psicoeducação, ainda que concorde que ela seja feita por enfermeiros, médicos 
e psicólogos. 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, evidenciamos que há um consenso de que os antipsicóticos 
possuem eficácia semelhante para a maioria dos pacientes com esquizofrenia, 
com exceção da clozapina. Sabe-se que os sintomas negativos e cognitivos na 
esquizofrenia não contam com um tratamento farmacológico eficaz. 
Dito isso, os antipsicóticos são selecionados com base no perfil de efeitos 
colaterais e do custo. Há uma baixa adesão ao tratamento e uma parte 
significativa dos pacientes com esquizofrenia não apresentam resposta com o 
uso de antipsicóticos. 
Os antipsicóticos atípicos têm sido usados em transtornos do humor, são 
eficazes em manias do transtorno bipolar e como potencializadores dos 
antidepressivos no tratamento da depressão.Alguns podem ser utilizados na 
irritabilidade e na agressão no transtorno do espectro autista. 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 344, de 12 de maio de 1998. 
_______. Ministério da Saúde. Portaria n. 364, de 9 de abril de 2013. 
COSTA, H. Psicotrópicos em mapas mentais. Farmácia Resumida, 2022. 
CUNHA, A. M. G. (Coord.). Farmacologia. 2. ed. Salvador: Sanar, 2020. 
ELISABETSKY, E. (Org.). Descomplicando a psicofarmacologia: 
psicofármacos de uso clínico e recreacional. São Paulo: Blucher, 2021. 
GRAEFF, F. G.; GUIMARÃES, F. S. Fundamentos da psicofarmacologia. 3. 
ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2021. 
GUIMARÃES-FERNANDES, F. et al. Clínica psiquiátrica: guia prático. 2. ed. 
Santana de Parnaíba: Manole, 2021. 
MACHADO-VIEIRA, R. et al. Neurobiologia do transtorno de humor bipolar e 
tomada de decisão na abordagem psicofarmacológica. R. Psiquiatr. RS, 25 
(suplemento 1), p. 88-105, 2003. 
OPAS – Organização Pan-Americana da Saúde. MI-mhGAP Manual de 
intervenções para transtornos mentais, neurológicos e por uso de álcool e 
outras drogas na rede de atenção básica à saúde: versão 2.0. Brasília: OPAS, 
2018. 
USP – Universidade de São Paulo. Farmacologia clínica. Disponível em: 
. Acesso em: 12 jun. 
2023.

Mais conteúdos dessa disciplina