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MANEJO NUTRICIONAL DE PSITACÍDEOS EM CATIVEIRO 1. PSITACÍDEOS Reino animalia, filo chordata, classe aves, ordem psitaciformes e família psittacidae. Alguns gêneros: Principais espécies criadas como pets não convencionais: papagaio verdadeiro, calopsita, agapornis spp, periquito Australiano, maritaca, cacatua, papagaio ecletus, jandaia e arara canindé. 2. NUTRIÇÃO NA NATUREZA A maioria das espécies de psitacídeos é consideradas generalista quanto à dieta, consumindo grande variedade de espécies e itens vegetais diretamente da copa das árvores ou até mesmo do solo. De modo geral, envolve: sementes, brotos, castanhas, coquinhos, frutas, flores e outros vegetais. Determinadas espécies também consomem insetos e outros pequenos animais. Algumas espécies consomem frutos verdes que contém grandes quantidades de taninos potencialmente tóxicos e, para eliminar os efeitos prejudiciais, comem argila de barrancos de rios > atua como suplemento de sais minerais. Necessidade nutricional varia de acordo com a espécie e forma em que vivem > criados em cativeiro necessitam de menos energia (dieta balanceada evitando a obesidade). Podemos separá-las em: Granívoros > sementes – bicos curtos e robustos com sulcos pronunciados para quebrar sementes Frugívoros > frutas Nectívoros > néctar Onívoros > vegetais e carne 9.000 espécies em todo o mundo > variedade nutricional! Necessidades individuais de casa espécies, variações individuais de idade, reprodução, exercício e doenças. Ecologia nutricional e dietas de psitacídeos selvagens Estratégia de alimentação dietética de um animal (tipo de alimento consumido na natureza) > ferramenta nutricional valiosa. Psitacídeos possuem de 300-400 papilas gustativas > muito seletivos na sua alimentação quando comparado a aves domésticas > seleção pelo tamanho do bico, forma e textura dos alimentos. Papilas gustativas são em menor número do que em mamíferos > mas mesmo assim é um fator importante na rejeição do alimento. Estrutura anatômica que envolve o bico nos da uma dica do que ele pode utilizar como alimento. Percebem muito mais cor do que cheio > qualquer mudança no regime alimentar deve ser gradual > forma física tem influência sobre seu consumo e aproveitamento. Sua ave é o que ela come > se se alimenta mal será uma ave = apática, não atingirá a maturidade sexual no tempo certo, terá problemas de fertilidade e poderá ter um tempo de vida menor. Aves comem as mais variadas coisas que são oferecidas por seus donos > mas nem sempre são os alimentos mais apropriados. Em cativeiro, a maioria é alimentada de forma inadequada > consequência são os distúrbios nutricionais. A desnutrição é comumente diagnosticada em aves psitacídeas em cativeiro > um dos problemas mais relevantes clinicamente. A evolução da nutrição para aves psitacídeas seguiu três estágios: Primeiras dietas baseadas nos hábitos alimentares das aves selvagens > sementes sem suplementos que comumente causavam algum grau de malnutrição. Necessidades nutricionais foram cientificamente determinadas para aves de produção e em parte foram adotadas como padrões para dietas de psitacídeos em cativeiro > objetivo da avicultura é atingir um crescimento máximo ou produção máxima de ovos. Populações de pesquisa de espécies facilmente propagadas > incentivar preferencias alimentares, necessidades nutricionais e capacidades metabólicas. Precisam de uma quantidade de energia muito maior que os cães e gatos > taxas metabólicas são infinitamente superiores (4-6X) > quanto menor a espécie, mais energia e mais gastos porque o metabolismo é maior. Diferente dos mamíferos, as aves não guardam e nem estocam nutrientes necessários para sua alimentação em seu corpo > uma ave necessita diariamente de 40 tipos de nutrientes essenciais ou pode entrar em estado crônico de desnutrição. 3. NUTRIÇÃO PRÁTICA Quantidade de alimento consumido em cativeiro é muito menor do que em vida livre > no entanto, a necessidade diária de aminoácidos, minerais e vitaminas é relativamente constante. = Aves em cativeiro devem adquirir a mesma quantidade diária de nutrientes essenciais que as aves de vida livre > mas com menos alimentos consumidos. Consequentemente, as concentrações (g/Kg) de aminoácidos, vitaminas e minerais devem ser mais altas em dietas em cativeiro. 1. Frutas, legumes e verduras Dietas exclusivamente a base de frutas, legumes e verduras são deficientes em cálcio e outros minerais, vitaminas lipossolúveis e várias vitaminas hidrossolúveis e energia = reduz a densidade de energia total de uma dieta = ingestão calórica insuficiente. Altamente palatáveis e com grande variedade de cor, sabor e textura. 2. Rações de sementes Deficientes em muitos nutrientes essenciais > muitas sementes são excessivamente ricas em gorduras. Sementes oleosas (girassol e cártamo) > níveis excessivos de gordura > deficientes em vitamina A, carotenoides de pró-vitamina A, vitaminas D3, E, B12, K... As dietas baseadas em sementes são impróprias como dietas únicas de manutenção durante um longo período de tempo > a gordura (níveis de energia) são muito altos, os níveis de proteína relativamente baixos e com proteína de baixa qualidade > baixas concentrações de vitamina. Pode desencadear obesidade > fator de risco para lipidose Diferenciação na cor das penas, deficiência de cálcio e fósforo Existem atualmente diversas marcas de rações oferecidas para os psitacídeos, entretanto não se deve optar por uma constituída basicamente por semestre porque ela acaba proporcionando altos índices energéticos e poucos nutrientes essenciais. As misturas comerciais geralmente contém: milho, girassol, cártamo, sementes de abóbora, amendoim, painço, aveia, sorgo, níger, cânhamo, alpista, colza, sésamo... Aves possuem preferência por sementes verdes às maduras > significativamente diferentes em relação a composição proteica. Sementes comerciais são maduras > ricas em energia e pobres em proteína de elevada qualidade e outros nutrientes disponíveis nas sementes saudáveis. 3. Rações pulverulentas e fareladas Aves tem maior dificuldade em consumir e digerir misturas pulverulentas as fareladas grosseira (ponto de areia grossa) > ingredientes pulverulentos tendem a separar-se ou precipitar-se no fundo do comedouro > tem mais desperdício que em rações paletizadas e granuladas. Dentre elas estão as farinhadas: Possibilitam um melhor equilíbrio da dieta, permitem a inclusão de vários componentes como prebióticos, probióticos, suplementos vitamínicos, remédios, vermífugos, premix e aminoácidos. Quando não balanceada pode causar obesidade, desnutrição e morte dos filhotes por carência ou excesso. Para aves adultas > 2 colheres de chá de farinhada balanceada/ dia são suficientes Filhotes junto a mãe > consumo aumenta em função ao número desses e ao potencial da mãe de alimentá-los. Porém: necessidade de PTN dos filhotes é maior que dos adultos Alguns criatórios: adulto 16-18% de PTN e filhote 23%. Podem ser compradas prontas (comerciais) em pet shops ou feitas em casa. Comerciais: balanceada para diversas espécies > período de validade maior Caseira: normalmente feita com ovo cozido normalmente amassado com fubá (alguns criadores misturam Neston) > obrigatório a retirada após algumas horas para não estragar. 4. Rações peletizadas Consumo mais rápido > mais tempo de ócio = pode predispor o aumento do canibalismo. Produtos específicos para aves de pequeno, médio e grandes porte destinados as diferentes fases de vida. Rações comerciais geralmente são extrusadas ou paletizadas com menos de 12% de umidade > eleva o consumo de água pelas aves. Possuem em sua composição ingredientes favoráveis à granulação: milho e farelo de trigo; aromatizantes, corantes e alguns micronutrientes são misturados com óleo e pulverizados sobre os pellets no final do processo > coloração estimula a escolha dos alimentos para as aves e, por isso, geralmente são vermelhos e amarelos. Muitas fornecem dieta balanceada e completa > massua composição nem sempre agrada o paladar das aves comparando com as sementes. São a melhor opção de dieta balanceada para psitacídeos = fonte de energia equilibrada, ácidos graxos essenciais, aminoácidos, vitaminas e minerais > suplementação com frutas e verduras frescas é aconselhável Para produzir as rações comerciais, primeiramente as sementes são processadas e, com isso, os fatores antinutricionais são eliminados > assim como os componentes que são considerados tóxicos para as aves. Poupam tempo do proprietário. 4. RAÇAO BALANCEADA x SEMENTES Como já dito, a análise de nutrientes de uma semente inteira difere da das sementes sem casca > papagaios descascam as sementes. Análise do miolo deve ser tida em conta para o cálculo da composição da porção do alimento realmente ingerida. Podemos ver que existe uma grande variação no teor de energia entre as misturas de sementes O teor médio de energia das sementes é 45% superior aos das dietas formuladas > cuja menor densidade energética se deve a gordura. Granulados: ideal para emagrecimento mas insuficientes para reprodução. 5. Outras fontes de proteínas que as aves apreciam Insetos: Cupim (incluindo as formas aladas) Formigas (especialmente as iças) Moscas (da doméstica até as responsáveis pelo berne e bicheira) Lagartas (que dão origem a mariposas e borboletas) Gafanhotos e esperanças Percevejos do mato Carrapatos e pulgões Outras fontes: Criação de minhocas Criação de oligochetas Aracnídeos Chilopodos e diplópodes (piolhos de cobra) Himenópteos (vespas) e coleópteros (besouros) Lagartas do bicho da seda PROTEÍNAS E AMINOÁCIDOS Aves de companhia granívolas: recomendação mínima de proteína para a manutenção é de 12% > dependendo da biodisponibilidade e do teor de aminoácidos essenciais. Aves insentívoras: exigem proteína mais elevada. Tanto excesso quando deficiência de proteínas e aminoácidos podem ser problemáticos. Fonte de proteína: subprodutos de peixe, carne, ovos, leite e sementes oleaginosas. Excesso de proteína: “asas de anjo” (desvio lateral dos metacarpos) em aves aquáticas em crescimento ou deformidades nas penas + ganho de peso rápido. Além disso, doença renal, mudança no comportamento (bicadas, arrancamento de penas e nervosismo), rejeição de alimentos e regurgitação pode ser visto. A fonte de proteína também pode ser um problema. Calopsitas podem ter dieta com 70% de proteína derivada de vegetais sem que haja efeitos prejudiciais > proteína animal pode ser prejudicial = composição da proteína. Deficiência de proteína e aminoácidos: ganho de peso insuficiente, mau empenamento, penas com linhas de estresse, alterações na cor da plumagem e mau desempenho reprodutivo. Aves insetívoras são propensas a deficiências: necessidade proteica é maior. Incapazes de sintetizar os aminoácidos essenciais > arginina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina, valina, triptofano e treonina. Incapazes de sintetizar glicina o suficiente para atender as demandas metabólicas. Necessidade quantitativa de aminoácidos depende do estado fisiológico da ave: Qualidade das fontes de proteínas > varia com base no equilíbrio de aminoácidos e na digestibilidade. 6. Suplementos minerais Grande necessidade é cálcio e fósforo na proporção 2:1 Boa fonte de cálcio > pedra calcária e casca de ostra Fósforo > farinha de osso e fosfato de rocha Fosfato bicálcico tem os dois (3 colheres de sopa ou 45g/Kg de alimento) Outros minerais em dose mínima: Zn, Mn, Fe Cloreto de sódio (sal) > necessário, mas altamente tóxico se ultrapassar 0,5% Fontes de cálcio > presos a grade da gaiola em disposição da ave: Osso de siba ou sépia > erroneamente conhecido como osso de baleia – molusco da família da lula que possui uma concha interna; é uma forma de limpar o bico > gostam de ficar comendo essa concha > pode-se deixar disponível durante todo o ano 01 pedaço dessa concha em cada gaiola = esfarela com facilidade > colocar um pote logo abaixo para que os farelos caiam e possam ser aproveitados pela ave. Pedra de cálcio: esfarelam menos. Farinha de ostra: bruta ou moída > ideal para mandarim, calopsita e pássaro-preto. Casca de ovo: após quebrar o ovo, lava e ferva as cascas > seque e aqueça no micro-ondas por até 2 minutos até ficar crocante > triture-as e junte na farinhada ou no alimento da sua ave. GRIT: mistura disponível no mercado na composição de areia fina/sedimentos calcáreos, carvão vegetal e farinha de ostra Considerações: em cativeiro a alimentação do pássaro é selecionada, as sementes são facilmente quebradas pelo bico e digeridas > não necessita do Grint para auxiliar na digestão ou precisa de muito pouco. Apenas pombos ingerem a semente sem quebrá-la > Grint auxilia na digestão Aves alimentadas somente com sementes e frutas realmente necessitam de suplementação > o problema é como mensurar. Cálcio e fósforo são os maiores constituintes minerais do corpo do animal > 99% do cálcio e 80% do fósforo ficam no tecido ósseo, onde conferem a rigidez os órgãos. Cálcio também é importante para a coagulação sanguínea, excitabilidade dos nervos e músculos, íon mensageiro intracelular e formação da casca do ovo, ativação enzimática e contração muscular. Cálcio não precisa ser superior a 1% > manutenção Fósforo está envolvido em quase todos os aspectos do metabolismo animal > incluindo o energético (integrante da ATP (adenosina trifosfato)), contração muscular, funcionamento do tecido nervoso, metabolismo de carboidratos, gorduras e aminoácidos, equilíbrio ácido/básico, transporte de metabólitos e na estruturação dos ácidos nucleicos e membrana lipoproteica. Relação entre cálcio e fósforo deve se aproximar de 1,5:1 > dieta contendo 1% de cálcio e 0,7% de fósforo. 5. Dietas mix Quando se opta por oferecer alimentação natural > cuidar na medida dos ingredientes!! 50% de sementes de cereal > pode ser constituída de misturas comerciais de sementes para psitacídeos com menor percentual de sementes de girassol ou, se o criador preferir, pode preparar a mistura = 1 parte de milho, 1 parte de aveia descascada e 1 parte de alpiste + 1/3 do volume total desta mistura sendo compostas por sementes de nabo e um valor equivalente à metade disso de sementes de girassol. As sementes de girassol são muito pobres em vitaminas e minerais + contêm muita gordura e proteína > é o alimento preferido, mas devemos dar com cuidado. 45% deve ser verduras > sempre frescas, limpas e cortadas. Espinafre, cenouras, abóboras, ervilhas, batata, feijão verde, lentilhas e grão (demolhados 12h em água) 2,5% de frutas > quantidade mínima de três tipos de frutas diferentes oferecidas nas mesmas condições que as verduras 2,5% complementos > que possua em sua composição proteína, carboidrato, cálcio e em uma menor proporção componentes que auxiliem na digestão mecânica. Devem ser oferecidos de forma rotatória, 1x por semana. Frutos secos: amendoins, nozes, amêndoas, figos secos Carne fervida (frango) ou peixe magro cozido Ovo cozido Cálcio: farinha de ossos, blocos de cálcio para papagaios, osso de sépia. Grit: pedrinhas para ajudar na digestão Dieta formulada permite controlar o que a ave ingere > porém podem não ter as concentrações corretas de elementos essenciais para determinadas espécies. Se os proprietários suplementam com vegetais, frutos e sementes > pode provocar uma diminuição da dieta formulada e deixar a ave mal nutrida. Contudo, fornecer uma quantidade limitada de alimentos de baixa calorias e elevado teor de água não interferirão de forma apreciável a quantidade ingerida da ração formulada. Uma abordagem dietética é fornecer misturas peletizadas ou extrusadas de ingredientes que forneçam todos os nutrientes necessários em níveis acima dos requisitos estimados. Recomendações atuais: Quando dieta extrusada é oferecida junto com sementes, frutas e legumes > sementes predomina. Extrusada deve ser oferecida como alimento único da dieta ou oferecida com frutas e legumes > desdeque constitua mais de 40% do peso da dieta consumida com base na matéria húmida. Na natureza as aves investem de 40 a 75% do seu dia (4-8 horas) se alimentando/buscando alimento > no cativeiro essas aves acabam não gastando nem 01 hora. Porém, mesmo quando em cativeiro eles retem instintos, comportamentos e necessidades invertes a sua vida em liberdade > situações de ansiedade e stress. Ao reconhecimento do valor nutricional da dieta granulada > adoção como dieta base é recomendada. Porém, embora sejam nutricionalmente desejáveis podem contribuir para um ambiente com poucos estímulos comportamentais > previsibilidade e facilidade em que o alimento é obtido = desenvolvem estereotipias orais ou locomotoras. Picanismo psicogênico > comparado ao TOC. Enriquecimento ambiental: incentiva práticas de forrageamento, procura de alimento, aumenta a atividade física e estimula a cognição e podo-mandibulação, alivia o estresse, a frustação e o tédio. Algumas abordagens: fornecimento de refeições menores, mais frequentes e distribuídas (locais); esconder o alimento; criar brincadeiras, colocar o recipiente do alimento o mais longe do poleiro o possível... Além da ração é importante a inclusão de outros grupos alimentares > complementar = frutas, vegetais e sementes podem ser usados de forma complementar > menor quantidade para que não afete a ingestão da ração balanceada. 6. Distúrbios alimentares Desequilíbrios nutricionais podem gerar doenças primárias e secundárias > anormalidades clínicas específicas, mas, mais frequentemente, aspectos de um problema multifatorial. Má nutrição pode suprimir a capacidade de uma ave de resistir a doenças, prolongar sua recuperação ou diminuir o desempenho reprodutivo. A. Hipervitaminose A Catarata e anormalidades óssea, coloração amarelada da pele e da gordura. B. Hipovitaminose A Hiperqueratose e metaplasia escamosa do epitélio, rinite e blefarite. C. Hipervitaminose D3 Calcificação das vísceras, especialmente os rins > origina a gota visceral. Doenças óssea metabólica > hipovitaminose D + hipocalcemia e hiperfosfatemia Tetania hipocalcêmica > bater violentamente as asas (espasmo), fraturas, encurvamento dos ossos, raquitismo, paralisia, tetania, distocia, garras em pequeno tamanho, polidipsia e poliúria. 7. Nutrientes específicos ÁGUA Aves que evoluíram em regiões áridas, como periquitos-australianos e mandarins, podem sobreviver vários meses sem beber água > fonte metabólica = são uma exceção. A maior parte das aves de companhia consomem diariamente água e fica aflita ou provavelmente morre em 48h se esta for suprimida. Água limpa deve estar disponível o tempo todo. Não administrar medicamentos na água > pode afetar a palatabilidade e diminuir o consumo de água pelo animal. Quantidade exata necessária por dia depende do tamanho, dieta e temperatura ambiente > deixar água disponível faz com que elas bebam o suficiente e, na maioria das vezes, até mais do que as quantidades mínimas descritas. GORDURAS E ÁCIDOS GRAXOS ESSENCIAIS – ENERGIA. São fonte de energia indispensável > gorduras. Ácidos graxos (linoleico e araquidônico) > formação de membranas e organelas de célula > percursores de hormônios e base de psitacofulvinas > pigmento encontrado nas penas de psitacídeos. Recomendação mínima de gordura em aves granívoras é de aproximadamente 4%. Lipogênese ocorre principalmente no fígado > ao contrário dos mamíferos que ocorre no tecido adiposo > doença associada a lipidose hepática em aves de estimação alimentadas com dietas ricas em energia > principalmente se houver limitação de exercício físico. Gorduras em excesso: lipidose hepática, diarreia, penas com textura oleosa, interferência na absorção de outros nutrientes (como o cálcio) e aterosclerose. Deficiência de gordura: perda de peso, crescimento insuficiente e menor resistência a doenças > deficiência de ácido linolênico está associado a menor eficiência metabólica, menor crescimento, hepatomegalia, reprodução reduzida e menor proporção de ovos eclodidos. Ácidos graxos essenciais podem ser destruídos se as gorduras ficarem rançosas > também destrói vitamina E (antioxidante). Fontes de gordura: óleo vegetal e animal, sementes oleaginosas, ovos e gordura animal. A necessidade de energia de manutenção é a quantidade de energia metabolizável (EM) da dieta necessária para suportar o metabolismo basal + energia adicional para atividades e termorregulação. CARBOIDRATOS Proporcionam uma fonte de energia rapidamente convertida em gorduras no fígado. Glucagon é o principal regente do metabolismo de carboidratos em aves (insulina em mamíferos). São a única fonte de energia utilizável pelo sistema nervoso > anormalidades neurológicas podem indicar deficiências numa dieta. Rapinantes e aves pequenas > propensos ao colapso por hipoglicemia quando privados de alimentos. Aves que apresentam sinais neurológicos e estão recebendo somente carne na dieta devem receber suplementação de glicose, vitaminas B, vitamina A e cálcio para tratar essas múltiplas deficiências. VITAMINAS E MINERAIS Vitaminas lipossolúveis Vitamina A O que faz: síntese de mucopolissacarídeos, formação de mucosas e superfícies epiteliais normais, crescimento, visão, desenvolvimento vascular, produção de hormônios da adrenal e a resposta imune. Percursores da vitamina A > formação de pigmentos vermelho e amarelo das penas dos passeriformes. Em psitacídeos esses pigmentos derivam de psitacofulvinas. Fontes: verduras, cenoura, óleo de fígado de peixe, fígado, ovos, leite em pó. Vitamina D Forma ativa da vitamina D necessária para as aves é a D3 (colecalciferol) ao invés da D2 (ergocalciferol). Os percursores da vitamina D ingeridos são convertidos na forma ativa pela ação da luz ultravioleta em porções de pele não cobertas por penas ou óleo das glândulas uropigianas. Vitamina D + hormônio da paratireoide = absorção de cálcio no TGI, aumento de sua absorção nos túbulos renais e incrementar sua mobilização a partir de osso medular. Fontes: óleo de fígado de peixe, ovos, leite em pó. Essencial para a absorção de cálcio pelo TGI e deposição/reabsorção de cálcio nos ossos. Vitamina E Antioxidante que junto com o selênio e aminoácidos que contém enxofre > previne danos as membranas celulares provocado pela peroxidase. Fontes: óleos vegetais, girassol, cártamo, germe de trigo Vitamina K Indispensável a síntese de protrombina e fatores de coagulação. Bactérias intestinais são uma fonte natural de K2 > tamanho pequeno do intestino de algumas espécies de aves!!! K1 é uma fonte alternativa > plantas verdes. Fontes: vegetais verdes e ovos. REFERÊNCIAS: TULLY JR., T. N.; DORRESTEIN, G. M.; JONES, A. K. Clínica de Aves. 2 ed. Editora Elsevier, 344p, 2010. FONSECA, L. M. Manejo nutricional de psitacídeos em cativeiro. Casos Clínicos Em Medicina Veterinária. Editora Luminus, 2022. Disponível em: www.academia.edu. Acesso em: 24/03.2025. NASCIMENTO, Angela Sabrina de Freitas. 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