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Direito Individual do Trabalho
Professor: Fabiano Fernandes Luzes
Juiz do Trabalho
Doutorando em Direito do Trabalho e Previdenciário pela UERJ
Mestre em Sociologia e Direito pela UFF
Professor: Fabiano 
Fernandes Luzes
Juiz do Tr abalho – TRT01
Doutor ando e Direito do tr abalho e
Previdenciário - UERJ
Mestre em Sociologia e Direito – UFF
Pós-Gr aduado em Gestão Financeir a de
Empresas – UNESA
Gr aduado em Ciências Econômicas – UFF
Autor do Livro: Neopopulismo e Direito do
Tr abalho
Perguntas Introdutórias:
1 – Para que serve o direito do
trabalho?
2 – Para que existe?
3 – Para quem interessa?
https://www.google.com/imgres?q=direito do trabalho&imgurl=https://www.meuvademecumonline.com.br/blog/wp-content/uploads/2023/03/direito-trabalhista-entenda-tudo-sobre.jpg&imgrefurl=https://www.meuvademecumonline.com.br/blog/direito-trabalhista/&docid=0774cDE__Rbm5M&tbnid=n8XJoMr67HRx6M&vet=12ahUKEwjBq6Tu2euJAxV8KrkGHan2GWcQM3oECGUQAA..i&w=790&h=390&hcb=2&ved=2ahUKEwjBq6Tu2euJAxV8KrkGHan2GWcQM3oECGUQAA
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https://www.google.com/imgres?q=empregador empregadop&imgurl=https://gestaodesegurancaprivada.com.br/wp-content/uploads/Rela%C3%A7%C3%A3o-Empregador-e-Empregado.jpg&imgrefurl=https://gestaodesegurancaprivada.com.br/empregador-empregado-definicoes/&docid=bj5j1G2nTV8sEM&tbnid=qMOBoAZCzqjgiM&vet=12ahUKEwi69JWU2uuJAxVgLrkGHZ8uBAgQM3oECBsQAA..i&w=650&h=306&hcb=2&ved=2ahUKEwi69JWU2uuJAxVgLrkGHZ8uBAgQM3oECBsQAA
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https://www.google.com/imgres?q=escravidao digital contemporanea&imgurl=https://cdn.brasildefato.com.br/media/9e781aabbb4bca1db8619c3d0533fa86.jpg&imgrefurl=https://www.brasildefato.com.br/2018/08/05/combate-ao-trabalho-escravo-sofre-corte-orcamentario-no-brasil-369-mil-sao-afetados/&docid=_5gdSLIXj4jeTM&tbnid=T5HXcavZVnNkSM&vet=12ahUKEwia8und2uuJAxUpLbkGHXwmAAcQM3oECGAQAA..i&w=500&h=333&hcb=2&ved=2ahUKEwia8und2uuJAxUpLbkGHXwmAAcQM3oECGAQAA
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SURGIMENTO E IMPORTÂNCIA 
DO 
DIREITO DO TRABALHO
- elemento trabalho com origem no próprio pensar na origem do homem e na busca de sua sobrevivência
- contextualização histórica....
• Escravidão – sujeição pessoal (diferentes formas na história: guerras; dívida; comércio)
• Servidão – dependência do servo com senhor, com uso da terra e pagamento de tributos
• Trabalho Livre
OBS: revolução industrial nasce no contexto do trabalho livre (mas inserido na temática da dependência...caminhando para
a sujeição????)
- pensar o direito o trabalho demanda uma dupla contextualização:
a) inserido/potencializado como um produto do capitalismo, onde superado o contexto de relações servis, o trabalhador
estaria conectado estruturalmente ao sistema produtivo
b) existência de trabalho livre (ausência de sujeição, com existência de autentica subordinação fático e jurídica...veremos
um novo pensar sobre isso na sequência)
- portanto, a existência de subordinação seria um elemento nuclear da relação empregatícia, e ato contínuo, do próprio
direito do trabalho. Disso, permite a consequente estruturação de institutos, princípios e regras características deste ramo
autônomo do direito.
OBS: é importante destacar que os requisitos da relação de emprego, seriam, segundo o art. 3º, CLT: pessoalidade,
subordinação, onerosidade e não eventualidade
- Godinho conclui que o direito do trabalho seria um fenômeno típico do séc. XIX, e das convergentes condições:
o Econômicas – trabalho livre/subordinado e a grande indústria (e sua posterior concentração)
o Sociais – concentração de grandes massas de trabalhadores nos centros urbanos
o Políticas – ações gestadas no interior da sociedade civil visando contratação e gestão desta força de trabalho
- da própria lógica capitalista de potencialização de seus resultados, com natural exploração direcionada aos trabalhadores,
se percebe que o capitalismo cria espaço de interesses e reivindicações coletivas, viabilizando formação de grupamentos
coletivos (sindicatos), que potencializam suas reivindicações (inclusive através de movimentos sociais de greve)
- como fruto do capitalismo, vemos a existência de uma natural dialética hegeliana no aspecto eminentemente fático –
contrapondo trabalhadores e “empresas/empresários” (inclusive, o que fundamenta a análise marxista deste fenômeno
social, filosófico, econômico e político, objetivando sua conclusão/síntese)
Mesmo havendo legislações internacionais esparsas sobre o tema, podemos apontar como marcos relevantes para sua
concretização:
 Manifesto Comunista (1848);
 Encíclica Rerum Novarum (1891);
 Formação da OIT (1919);
 Constituições Mexicana (1917) e alemã (Weimar – 1919) pioneiras na inclusão da tutela trabalhista no texto
constitucional
Teríamos assim 4 fases de fases de evolução do direito do trabalho:
1. Formação
2. Intensificação
3. Consolidação
4. autonomia.
OBS: deveríamos visualizar ainda uma perspectiva expansionista:
 vertical, quanto à ampliação de direitos
 horizontal, quanto à ampliação de alcançados)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Communist-manifesto.png
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Communist-manifesto.png
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfV1kOLv4uEPBdFZCzHoE5RQtMQFBtl9Qh_9VIJ6Qe0FdhgzKqzad2_Xf-tOpYrJHGVcd6F33ZNNE7tdYUyLScVYzUrHmGAGAVv0_5qthYUevbBKOrWlxxfbFwbo7gPgESJLIA/s1600/Constitui%C3%A7%C3%A3o+de+Weimar+1919.jpg
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfV1kOLv4uEPBdFZCzHoE5RQtMQFBtl9Qh_9VIJ6Qe0FdhgzKqzad2_Xf-tOpYrJHGVcd6F33ZNNE7tdYUyLScVYzUrHmGAGAVv0_5qthYUevbBKOrWlxxfbFwbo7gPgESJLIA/s1600/Constitui%C3%A7%C3%A3o+de+Weimar+1919.jpg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Portada_Original_de_la_Constitucion_Mexicana_de_1917.png
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Portada_Original_de_la_Constitucion_Mexicana_de_1917.png
Direito do Trabalho
seria alocado como
um direito social ou
econômico?
https://www.google.com/imgres?q=d%C3%BAvida&imgurl=https://cdn.pixabay.com/photo/2020/11/08/11/22/man-5723449_640.jpg&imgrefurl=https://pixabay.com/pt/images/search/d%C3%BAvida/&docid=zIBqIBvFdM3IqM&tbnid=-7va0Q4JQW1vDM&vet=12ahUKEwj-3a_6suuJAxXUr5UCHYtXHKEQM3oECBgQAA..i&w=640&h=448&hcb=2&ved=2ahUKEwj-3a_6suuJAxXUr5UCHYtXHKEQM3oECBgQAA
https://www.google.com/imgres?q=d%C3%BAvida&imgurl=https://cdn.pixabay.com/photo/2020/11/08/11/22/man-5723449_640.jpg&imgrefurl=https://pixabay.com/pt/images/search/d%C3%BAvida/&docid=zIBqIBvFdM3IqM&tbnid=-7va0Q4JQW1vDM&vet=12ahUKEwj-3a_6suuJAxXUr5UCHYtXHKEQM3oECBgQAA..i&w=640&h=448&hcb=2&ved=2ahUKEwj-3a_6suuJAxXUr5UCHYtXHKEQM3oECBgQAA
Godinho aponta que o direito do trabalho confere controle e civilidade;
Pensamento distinto (Bernard Edelman), qual seja, que sendo um direito econômico, culmina por legalizar a classe
operária, significando, na prática, o abandono da ambição revolucionária ante a aliança de classes do capitale do trabalho
(haveria a captura) – o sistema jurídico capitalista ao legalizar a classe trabalhadora acaba por neutralizá-la, em sua fase
mais avançada de conscientização da classe operária na perspectiva da luta revolucionária – conforme a práxis marxista.
Nos pautando a linha de Godinho podemos sintetizar este contexto de formação como:
1 – direito do trabalho seria uma consequência de reconhecer o trabalhador como sujeito de direitos, conferindo caráter
público às relações sociais desenvolvidas na esfera privada
2 – Conceito: campo autônomo do direito, que possui estrutura, princípios e regras próprias
https://www.google.com/imgres?q=bernard edelman&imgurl=https://blogdaboitempo.com.br/wp-content/uploads/2016/03/legalizacao-blog.jpg?w%3D584%26h%3D522&imgrefurl=https://blogdaboitempo.com.br/2016/03/23/a-atualidade-da-legalizacao-da-classe-operaria/&docid=fIuIyv74I9IoaM&tbnid=mHoBgiQEKzyXwM&vet=12ahUKEwjT156b2-uJAxUfr5UCHQqZDvwQM3oECGoQAA..i&w=584&h=521&hcb=2&itg=1&ved=2ahUKEwjT156b2-uJAxUfr5UCHQqZDvwQM3oECGoQAA
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CENÁRIO BRASILEIRO: DO SURGIMENTO À 
REFORMA TRABALHISTA 
A CLT SERIA UM
DOCUMENTO QUE
INCLUI OU
EXCLUDENTE DE
TRABALHADORES?
https://www.google.com/imgres?q=d%C3%BAvida&imgurl=https://st2.depositphotos.com/4196725/6214/i/450/depositphotos_62141917-stock-photo-young-cool-black-man-doubting.jpg&imgrefurl=https://depositphotos.com/br/photos/d%C3%BAvida.html&docid=2tbj4FcTVN07-M&tbnid=i-HxfTx-PQd65M&vet=12ahUKEwj-3a_6suuJAxXUr5UCHYtXHKEQM3oECHgQAA..i&w=600&h=492&hcb=2&ved=2ahUKEwj-3a_6suuJAxXUr5UCHYtXHKEQM3oECHgQAA
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- cenário Brasileiro, mesmo havendo leis esparsas que regulassem tangencialmente relações de trabalho, é possível
observar que a CLT, em 1943, é um marco regulatório e civilizatório, pois sintetiza em um único documento as diretrizes
reguladoras das relações de trabalho
- mesmo assim, naquele momento, em virtude da exceção trazida pelo art. 7º, CLT, grande parte dos trabalhadores ficou à
margem daquela regulação ocorrida (rurais e domésticos – ambos, na sua gênese, com grande massa de trabalhadores
egressos do modelo escravagista)
- evolução regulamentadora – Estado de Bem-Estar Social seguido de crise
- movimento flexibilizador: inserido em algo global, com início na década de 70, e críticas reiteradas ao Estado de Bem-Estar
Social, agregado a novas formas de produção econômica, em especial pela automação e avanço tecnológico, ganhando
mais corpo na década de 80 com as medidas de Regan (EUA) e Thatcher (Inglaterra) de desregulação e combate aos entes
sindicais
- após o impeachment sofrido pela presidente Dilma, somado ao avançar de um ideal alinhado à direita conservadora, e
uma lógica econômica ultraliberal, espaço para avançar o PL 6781/16 (incialmente possuindo menos de 10 artigos a serem
alterados/incluídos; após este contexto político, gerou a alteração/inclusão de mais de 100 artigos)
- de forma direta pela L. 13.467/17 (altera CLT), mas tendo ainda a L. 13.429/17 (altera a L. 6019/74, incluindo a
terceirização irrestrita)
OBS: velocidade de sua aprovação, sendo seguido pela MP 808/17, apenas após o início da vigência da Lei 13.467/17 (que
demonstram a renúncia do Presidente da República ao dever de efetivar seu necessário controle sobre aquela texto legal –
art. 66, CF)
- prometeu: desburocratizar, modernizar a legislação e gerar empregos
OBS: se pautou em uma retórica da CLT ser obsoleta e de origem fascista (Arnaldo Sussekind, em artigo publicado, destaca
que ser equivoco indicar ser uma cópia da Carta del Lavoro pois esta possuía 11 princípios de Direito do Trabalho, ao passo
que a CLT teria 922 artigos); desconsidera que até 2017 este texto tivesse ultrapassado a marca de 2,8 mil alterações
(inclusões, revogações, supressões, novas redações, dentre outros)
OBS: afirmação do Min. Luís Roberto Barroso, que consta no relatório do Senado, de que o Brasil teria 98% das demandas
trabalhistas, com apenas 3% da população (refutado em artigo do professor da UFRJ Rodrigo Carelli, com dados concretos
sobre litígios mundo)
Principais diretrizes da Reforma:
- flexibilização - tornar menos rígidas algumas disposições (ex.: banco de horas)
- desregulamentação - revogar a legislação existente (ex: horas in itineri)
- ruptura/fratura normativa de conceitos (espaço; tempo; remuneração; tipos de vínculos)
*excluir o Estado da atuação reguladora e fiscalizadora
Efeitos: informalização das relações trabalhista, precarização do trabalho e perda de receitas previdenciárias e tributárias
(em um ciclo lógico de precarização social)
OBS: apesar de chamada de reforma trabalhista, o Professor Ricardo Antunes lhe qualifica como sendo uma “contrarreforma
trabalhista” ....por que????
https://www.google.com/imgres?q=ricardo antunes&imgurl=http://www.iea.usp.br/imagens/ricardo-antunes-perfil/image_preview&imgrefurl=http://www.iea.usp.br/imagens/ricardo-antunes-perfil/view&docid=OYnADGCbAk6aUM&tbnid=DtnxpnPA8lZ_6M&vet=12ahUKEwi5ydnX2-uJAxXYhJUCHYyUNa0QM3oECC0QAA..i&w=180&h=180&hcb=2&itg=1&ved=2ahUKEwi5ydnX2-uJAxXYhJUCHYyUNa0QM3oECC0QAA
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COVID 19 E OS REFLEXOS 
SOBRE O 
DIREITO DO TRABALHO
Estado de Calamidade reconhecido pelo Decreto Legislativo 06/2020
Pandemia COVID19 apresentou diversos reflexos sobre o fato social trabalho e consequentemente sobre direito do trabalho
Diversas foram as normatizações oriundas do Poder Executivo (MP 927/2020; MP 928/20; MP 931/20; MP 936/20, convertida na L. 14.020/20; MP
944/20; MP 945/20; MP 946/20; MP 948/20)
L. 13.979/20; L. 13.842/20 (ocorrência de leis temporárias e excepcionais – vinculado a determinado tempo/condição)
• Lei Excepcional - criada para vigorar sob determinadas condições excepcionais (calamidade, guerra etc). Sua vigência se dá, apenas, no período de
tais condições, ou seja, fora dos períodos “normais”
• Lei Temporária – criada com uma lógica de ciência de quando cessará seus efeitos, ou seja, é certa a data do seu término; é uma lei criada para ficar
vigente, somente, por um período determinado.
Características principais das leis excepcionais e temporárias são:
A) Autorrevogabilidade (autorrevogáveis) – não precisam de outra lei para revogá-las, pois uma tem período condicional (até que termine a
excepcionalidade) e a outra tempo determinado (até o término previsto desde sua criação).
B) Ultratividade (ultrativas) – é o fenômeno de que os fatos cometidos dentro de sua vigência, mesmo após a extinção, continuam a ter efeitos.
Logo, os fatos praticados dentro do período da lei excepcional ou temporária (mesmo que já extintas) continuam a produzir efeitos. Os efeitos dos
atos praticados não extinguem-se com elas!
Do contexto, e da manifestação do STF sobre tais conteúdos, ficaram evidenciados neste contexto temporal:
A – regras que, sob o anúncio de preservação de empregos, aprofundaram sucessivas flexibilizações em institutos trabalhistas, alcançandodireitos
como Férias, recolhimento de FGTS, teletrabalho, possibilidade de suspensão do contrato de trabalho
*OBS: redução de salário sem participação dos sindicatos (endossada pelo STF)
B – jurisprudência de crise, permitindo inclusive flexibilização de direitos constitucionalmente previstos
OBS: Pergunta: a quem competirá indicar o que seria crise? E havendo crise econômica, com vivenciado de forma mais clara em 80?
Jurisdição de Exceção
MC na ADI6357 (29/03/2020)
“...Há, porém, situações onde o surgimento de condições supervenientes absolutamente imprevisíveis afetam radicalmente a possibilidade de
execução do orçamento planejado, tendo a própria LRF, em seu artigo 65, estabelecido um regime emergencial para os casos de reconhecimento de
calamidade pública, onde havera ́ a dispensa da recondução de limite da dívida, bem como o cumprimento da meta fiscal; evitando-se, dessa maneira,
o contingenciamento de recursos; além do afastamento de eventuais sanções pelo descumprimento de limite de gastos com pessoal do funcionalismo
público.
...
A temporariedade da não incidência dos artigos 14, 16, 17 e 24 da LRF e 114, caput, in fine, e § 14, da LDO/2020 durante a manutenção do
estado de calamidade pública; a proporcionalidade da medida que se aplicará, exclusivamente, para o combate aos efeitos da pandemia do
COVID-19 e a finalidade maior de proteção à vida, à saúde e a subsistência de todos os brasileiros, com medidas sócio econômicas protetivas
aos empregados e empregadores estão em absoluta consonância com o princípio da razoabilidade, pois, observadas as necessárias justiça e
adequação entre o pedido e o interesse público.
Presentes, portanto, os requisitos do fumus boni iuris e do periculum in mora, para a concessão da medida cautelar pleiteada, pois comprovado o
perigo de lesão irreparável, bem como a plausibilidade inequívoca e os evidentes riscos sociais e individuais, de várias ordens, caso haja a manutenção
de incidência dos referidos artigos durante o estado de calamidade pública, em relação as medidas para a prevenção e combate aos efeitos da
pandemia de COVID-19...”
MC na ADI 6363:
- no voto do Ministro Gilmar Mendes, foi destacado que pelo fato da CF não prever tais hipóteses, seria possível sustentar a ocorrência de “lacunas na constituição”
- no voto do Ministro Fux, foi destacado que haveria a prevalência da negociação individual sobre a negociação coletiva, não cabendo aos Sindicatos adentrarem ou obstarem
a vontade destes
- no voto do Ministro Barroso, foi destacado que o fato social se sobrepõe ao próprio direito, e que cabe a existência de uma interpretação que busque salvar os empregos
Outro argumento: no contexto da pandemia, exigir o parecer de sindicatos sobre acordos individuais pode ser pior para os trabalhadores. Se os acordos forem dificultados, é
provável que muitos patrões optem por demitir seus funcionários, em decorrência da crise econômica.
Conclusão: O contexto vivenciado pela COVID, somado ao avanço
da lógica liberal desregulamentadora, culminaram por convergir
para um perfil de informalização do mercado de trabalho,
somado ainda à precarização dos vínculos formais, e
consequente empobrecimento da sociedade (e como efeito
deste, incremento da concentração de renda)
https://www.google.com/imgres?q=concentracao de renda&imgurl=https://cdn.brasildefato.com.br/media/6cb36dff2320b859d6f598a2f6ed2e59.jpg&imgrefurl=https://www.brasildefatopr.com.br/2018/08/23/editorial-a-concentracao-de-renda-no-brasil-e-no-mundo&docid=BHQNuHdI_H6D-M&tbnid=2jRyrPtTb7U9fM&vet=12ahUKEwiVxqS7y-uJAxWDppUCHRExOCgQM3oECGEQAA..i&w=472&h=332&hcb=2&ved=2ahUKEwiVxqS7y-uJAxWDppUCHRExOCgQM3oECGEQAA
https://www.google.com/imgres?q=concentracao de renda&imgurl=https://cdn.brasildefato.com.br/media/6cb36dff2320b859d6f598a2f6ed2e59.jpg&imgrefurl=https://www.brasildefatopr.com.br/2018/08/23/editorial-a-concentracao-de-renda-no-brasil-e-no-mundo&docid=BHQNuHdI_H6D-M&tbnid=2jRyrPtTb7U9fM&vet=12ahUKEwiVxqS7y-uJAxWDppUCHRExOCgQM3oECGEQAA..i&w=472&h=332&hcb=2&ved=2ahUKEwiVxqS7y-uJAxWDppUCHRExOCgQM3oECGEQAA
FONTES DO TRABALHO
Fontes do Direito do Trabalho
- divide-se em:
 Materiais – caracteriza-se na reivindicação dos trabalhadores; são os elementos que fazem com que os Estados e Empresas tutelem um
direito; também é caracterizado por acontecimentos políticos, sociais, filosóficos e econômicos.
o Econômico – pauta-se na existência e evolução do capitalismo
o Social – pauta-se nos distintos processos de agregação de trabalhadores
o Político – pauta-se nos movimentos sociais, de cunho reivindicatório
o Filosófico – pauta-se na influência de ideias e pensamentos
 Formais – é a norma (comando geral, abstrato, imperativo e impessoal), agindo de forma coercitiva e obrigatória sobre o agente social;
seria possível apontar duas teorias sobre a origem das fontes formais (teoria monista – existe uma unidade central, de onde provêm as
fontes, que seria o Estado; teoria pluralista – existiriam distintos centros de positivação jurídica na sociedade).
o Autônomas (também é chamada de primária/não estatal/profissional) – discutido diretamente pelas partes interessadas, sem a
participação do Estado (ex.: acordo e convenção; regulamento); tende a ser um meio democrático; não pode ser contraditória
ao núcleo essencial do Direito do Trabalho
o Heterônomas (também é chamada de fonte imperativa/estatal/indireta) – há participação do Estado
Fontes Heterônomas
Legislação/Estrutura Normativa - analisar a estrutura normativa:
• Constituição Federal;
• Tratados Internacionais (ex: convenções da OIT – inclusive com debate se estas seriam de natureza supralegal, tendo em
vista a natureza do direito do trabalho como sendo um direito humano/fundamental);
• Legislação (ordinária e complementar);
• MP (STF já reconheceu que matérias trabalhistas seria de natureza relevante/urgente);
• Regulação infralegal (aqui, citamos as normas regulamentadores emanadas do Ministério do Trabalho);
• Sentenças normativas (natureza híbrida, pois formalmente são decisões judiciais, mas materialmente passam a ter força
de lei entre as partes)
Fontes Heterônomas
Pirâmide
De
Kelsen 
Como 
funcionaria 
na lógica 
trabalhista?
https://www.google.com/imgres?q=d%C3%BAvida&imgurl=http://alimentodiario.net/wp-content/uploads/2015/10/duvida_logo.png&imgrefurl=https://alimentodiario.net/onde-ha-duvida-nao-existe-a-fe/&docid=F-Pg_WkUe9nk0M&tbnid=IHyyCMkm7aC38M&vet=12ahUKEwjw_Nugu-uJAxW7qJUCHWboHLkQM3oFCIABEAA..i&w=591&h=591&hcb=2&ved=2ahUKEwjw_Nugu-uJAxW7qJUCHWboHLkQM3oFCIABEAA
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Fontes Autônomas
a) ACT e CCT – natureza híbrida, pois formalmente são contratos, mas materialmente passam a ter força de lei entre as partes
- criam regras jurídicas para o futuro; é um acordo de vontade entre as partes envolvidas; prazo de vigências não superior a 2 anos
- quanto à aderência de suas novas condições ao contrato de trabalho:
 1ª Corrente – aderência irrestrita (ingressaria para sempre nos contratos)
 2ª Corrente – aderência limitada pelo prazo (vigora pelo prazo estipulado no diploma)
 3ª Corrente – aderência limitada por revogação (vigora até que haja novo diploma que o revogue;)
OBS: alteração pela reforma trabalhista - art. 614, §3º, CLT – Sum. 277, TST declarada inconstitucional pelo STF - ADPF 323)
b) Usos e Costumes
- é o ato reiterado de determinada conduta; temos como exemplo a gorjeta; temos como exemplo processual o protesto em audiência para consignar em
ata, evitando preclusão; será bem representado quando exerce coerção sobre os agentes sociais, visando determinada atitude
- deveser geral e impessoal (do contrário não será fonte)
- Ex.: café e bolo fornecido pela empresa; não trabalho em carnaval
3 – Outras Figuras
a) Laudo Arbitral - decisão de caráter normativo tomada por alguém escolhido pelas partes; OBS: na sua essência, é de
cunho heterônomo; apesar da resistência ao seu uso (art. 1º, L. 9307/96 só permite para direitos disponíveis), o art.
507-A, CLT passa a prever expressamente a possibilidade de clausula compromissória (crítica: pela premissa da
possibilidade, o mais adequado seria o uso do compromisso arbitral, pois ocorre após a o litígio ser instaurado)
b) Regulamento de Empresa - norma espontaneamente expedida pelo empregador para regular sua empresa de forma
geral, abstrata e impessoal (Súmula 51, I, TST; Súmula 77, TST; Súmula 186, TST – previsões expressas de aplicação de
regulamento); crítica: não é fonte, dado ser uma ato unilateral do empregador); art. 611-A, VI, CLT prevê
expressamente a possibilidade de negociação coletiva disciplinar regulamento
c) Jurisprudência – pacificação pelas cortes sobre determinados temas de forma reiterada; ganha mais relevância a
fixação de temas vinculantes como: Teses prevalecentes em IRDR / IAC / IRR; súmulas vinculantes; tema em RG
- Dúvida : decisão do pleno, em sede de Arg.Inc, seria caso de decisão a ser seguida pela estrutura do Poder Judiciário
ligado àquele regional? Art. 927, V, NCPC
d) Princípios do Direito do Trabalho
(Professor Marcos Dias)
Fontes subsidiárias - art. 8º, § 1º, CLT - O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho.
Nas lacunas existentes do texto celetista, nosso ordenamento civilista/ordinário, será a fonte subsidiária utilizada para buscar a
solução e enfrentamento
Ex.1: terceirização ilícita, fruto de coação/assédio financeiro
Além do art. 9º, CLT, que é expresso ao destacar que “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de
desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação
Temos a necessidade de interpretar o caso frente aos dois grande conjuntos civilistas:
- teoria geral dos contratos
- teoria do negócio jurídico – onde temos de forma mais clara a análise dos defeitos do negócio jurídico
Ex. 2 qual o alcance da equiparação salarial?
A alteração do art. 461, CLT via reforma trabalhista nos aponta como men legislatoris um racional de vincular ao local físico
(basta ver a redação anterior do mesmo artigo, que vinculava antes a mesma localidade – permitindo alcançar região
metropolitana).
Alteração trazida reforma remete na sequência ao “mesmo estabelecimento empresarial”
Entretanto, alteração no art. 1.142, CC (via L. 14.195/21), passa a prever expressamente que estabelecimento seria autêntico
“fundo de comercio” (Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por
empresário, ou por sociedade empresária.
Pergunta: a alteração posterior do código civil, fonte subsidiária, permite concluir um aumento do escopo territorial para fins
de equiparação salarial? Com a palavra, os tribunais...
HERMENÊUTICA TRABALHISTA
Hermenêutica - é a ciência da interpretação; busca o real significado da norma, através de aplicação de princípios e
métodos
- a interpretação ocorre:
• na elaboração da norma;
• na interpretação da norma (compreender sentido/extensão da norma)
- formas de interpretação:
 Constitucional – quando se analisa a norma com suporte constitucional;
 Interpretação Tradicional (Savigny)
a) Gramatical / Tradicional / Literal (“verba legis”) – o interprete deve buscar o significado das palavras, já que o
legislador não as teria escolhido em vão
b) Histórico-Evolutiva – a norma deve adequar-se a um novo contexto social, dando à lei novo sentido;
c) Histórica – busca a verdadeira intenção do legislador;
d) Lógica/Teleológica (“mens legis”) – norma interpretada pela sua finalidade;
e) Sistemática / Holística – parte da premissa de que toda ciência é sistematizada (quanto à ordem, quanto à disposição
de seus artigos); leva em conta o sistema jurídico como um todo
f) Extensiva – objetiva alcançar uma maior amplitude do que o descrito no texto legal;
g) Restritiva – a lei é mais ampla do que o idealizado pelo legislador;
h) Autêntica – quando a interpretação emana do próprio órgão que elaborou a lei
 Haverá interpretação jurisprudencial quando emanar dos tribunais
 Haverá interpretação doutrinária quando emanar dos estudiosos do direito
i) In Dúbio pro Misero – devemos adotar interpretação mais favorável ao trabalhador
j) Declarativa – quando apenas declara o sentido da norma
 Interpretação Consequencialista – cumpre a quem legisla e a quem julga avaliar os impactos daquela decisão
dentro do contexto; decorre de uma estrutura normativa, ou mesmo de uma decisão judicial (art. 5º, 20, LINBD)
o Art. 5o Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.
o Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos
sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão.
o Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de
ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas.
o Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a invalidação de ato, contrato,
ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas consequências jurídicas e
administrativas.
o Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar as condições para
que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais, não se podendo
impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das peculiaridades do caso, sejam anormais ou
excessivos.
Questão: até que ponto vivemos um estrito consequencialismo econômico, e não vivenciamos um consequencialismo
social? Vide: art. 1º, L. . 13.874/19 – Declaração de Direitos de Liberdade Econômica; arts. 113, § 1º e 2º, CC/02; arts.
421 e art. 421-A, CC/02 (redação dada pela , L. 13.874/19 – “...contratos civis e empresariais presumem-se paritários e
simétricos...”)
L. 13.874/19 – Declaração de Direitos de Liberdade Econômica
Art. 1º Fica instituída a Declaração de Direitos de Liberdade Econômica, que estabelece normas de proteção à livre iniciativa e ao livre exercício de atividade econômica e
disposições sobre a atuação do Estado como agente normativo e regulador, nos termos do inciso IV do caput do art. 1º, do parágrafo único do art. 170 e do caput do art. 174 da
Constituição Federal.
§ 1º O disposto nesta Lei será observado na aplicação e na interpretação do direito civil, empresarial, econômico, urbanístico e do trabalho nas relações jurídicas que se
encontrem no seu âmbito de aplicação e na ordenação pública, inclusive sobre exercício das profissões, comércio, juntas comerciais, registros públicos, trânsito, transporte e
proteção ao meio ambiente.
§ 2º Interpretam-se em favor da liberdade econômica, da boa-fé e do respeito aos contratos, aos investimentos e à propriedade todas as normas de ordenação pública sobre
atividades econômicas privadas.
Código Civil – alteração dada pela L. 13.874/19
“Art. 113. ......................................................................................................................
§ 1º A interpretação do negócio jurídico deve lhe atribuir o sentido que:
I - for confirmado pelo comportamento das partes posterior à celebração do negócio;
II - corresponder aos usos, costumes e práticas do mercado relativas ao tipo de negócio;
III - corresponder à boa-fé;
IV - for mais benéfico à parte que não redigiu o dispositivo, se identificável; e
V - corresponder a qual seria a razoável negociação das partes sobre a questão discutida, inferida das demais disposições do negócio e da racionalidadeeconômica das partes,
consideradas as informações disponíveis no momento de sua celebração.
§ 2º As partes poderão livremente pactuar regras de interpretação, de preenchimento de lacunas e de integração dos negócios jurídicos diversas daquelas previstas em lei.”
(NR)
“Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato.
Parágrafo único. Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da intervenção mínima e a excepcionalidade da revisão contratual.” (NR)
“Art. 421-A. Os contratos civis e empresariais presumem-se paritários e simétricos até a presença de elementos concretos que justifiquem o afastamento dessa presunção,
ressalvados os regimes jurídicos previstos em leis especiais, garantido também que:
I - as partes negociantes poderão estabelecer parâmetros objetivos para a interpretação das cláusulas negociais e de seus pressupostos de revisão ou de resolução;
II - a alocação de riscos definida pelas partes deve ser respeitada e observada; e
III - a revisão contratual somente ocorrerá de maneira excepcional e limitada.”
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art1iv
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art170p
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art174
../../../LEIS/2002/L10406.htm#art113§1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm#art421.0
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm#art421a
Questão importante: mutação constitucional e conceitos/elementos estruturantes
É uma forma interpretativa que aponta a possibilidade de alterar o sentido de uma norma sem a mudança expressa do
texto, visando que se reflitam as realidades sociais, econômicas e políticas.
O STF já adotou esta técnica em diversos casos, como a possibilidade de união estável homoafetiva, ampliando o conceito
de casa para alcançar qualquer habitação coletiva ocupada
***Tema subordinação – até que ponto não teríamos uma alteração do próprio fenômeno social, admitindo assim uma
nova conceituação deste fenômeno, a luz da evolução da sociedade, da tecnologia e da própria estrutura econômica e
gerencial (pensemos os conceitos de família, de gênero não estritamente binário)
Pensemos que a própria existência de um contrato sem tempo a disposição (intermitente), não afasta a ocorrência de
subordinação, que é jurídica.
A própria horizontalização da estrutura empresarial já demonstra não termos mais o organograma empresarial clássico,
sem afastar a ocorrência de subordinação através de outras formas de controle.
Pensar a subordinação em lógica estrutural/algorítmica, é atualizar seu conceitos a luz da nova sociedade que
vivenciamos.
Reflexão do dia: o Direito do Trabalho possui uma autêntica lógica intergeracional, pois nossas decisões hoje impactam
as gerações vindouras.
Sendo assim, ficam as questões a serem estudadas, e talvez respondidas:
Que direito do trabalho queremos?
Que regulação queremos?
Queremos regulação?
Que trabalho efetivamente queremos?
Que sociedade, afinal, queremos?
FIM
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