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IGA Brasil © Todos os direitos reservados. 2 COZINHA ORIENTAL POR TRÁS DA CULINÁRIA JAPONESA A culinária japonesa é uma das mais fortes e tradicio- nais no mundo todo. Foi difundida e popularizada pelo globo por volta dos anos 1950, depois da Segunda Guerra Mundial, e hoje é facilmente achada em qualquer país – devidamente adaptada para os costumes locais, claro. A base da refeição japonesa é o arroz, consumido em praticamente todas as refeições, e acompanhado por sopa, legumes, peixe grelhado ou cru. O arroz japonês contém muito mais amido que o nosso, e é feito de uma maneira que fique ligeiramente empapado, para facilitar a pegada com hashi, além de não ser temperado durante o cozi- mento, como o nosso. Lá, antes de fazer o arroz é fervido uma mistura de vinagre, sal e açúcar, chamada Amasu, que é jogado frio por cima do arroz depois de pronto, e misturado de uma maneira específica até que esfrie. Por ser um país insular, ou seja, formado por várias ilhas, o consumo de carne se baseia em peixes. Carnes vermelhas raramente são consumidas, embora não seja algo conside- rado inapropriado. O modo de preparo dos ingredientes também é muito importante, pois cada método de cocção visa extrair o máximo de sabor possível, e normalmente a refeição completa não contém duas preparações feitas do mesmo modo. O mais comum é arroz + sopa + 3 acompa- nhamentos (frito, cozido, assado, grelhado etc). Hoje, o Japão é conhecido por ser dono de uma gas- tronomia refinada e saudável, muito preocupada com a apresentação e composição do prato como um todo, bus- cando a perfeição em cada mordida. Esse resultado veio de décadas de adaptação e mudança, com algumas influências estrangeiras ao longo do caminho, mas é principalmente fruto da perseverança e cultura do próprio país. É o país com mais restaurantes premiados pelo Guia Michellin do mundo, e virou referência em perfeccionismo para todos. O QUINTO GOSTO Nos continentes ocidentais falamos apenas de 4 gostos principais – doce, salgado, azedo e amargo. Já no oriente, em específico no Japão e China, um quinto sabor apareceu: o Umami. No Brasil, ele quase não é conhecido e disse- minado, mas já foi aceito e comprovado cientificamente que é real. No Japão o gosto é bem conhecido e o mais procu- rado nos pratos. Umami, sem tradução para o Português, é derivado das palavras japonesas Umai (delicioso) e Mi (gosto), e é o sabor que sentimos quando comemos tomate, parmesão, cogumelos ou algum caldo feito com carne. É aquele gosto contínuo na boca, mesmo depois de engolir o alimento, que aumenta a salivação. Ainda é difícil falar sobre ele no Brasil, mas sua popu- laridade vem crescendo, e a comunidade gastronômica tem aceitado cada vez mais seu uso. O Comitê Umami, filiado ao Umami Information Center, é o responsável por espalhar cada vez mais essa informação, ministrando cursos e avaliando grades de cursos de Gastronomia, Nutrição e Engenharia de Alimentos, para acrescentar essa informação em quantos possíveis. CULINÁRIA NIPO BRASILEIRA Tivemos nosso primeiro encontro oficial com a cultura nipônica em 1908, com o começo do programa de imi- gração de japoneses para o Brasil, onde 781 passageiros desembarcaram no porto de Santos e foram acomodados em fazendas paulistas, tentando se adaptar à nova cultura. Essa adaptação, no entanto, não foi bem-sucedida, e em 1909 apenas 191 japoneses tinham ficado nas fazendas, as outras voltaram para o país de origem. Em 1910, uma nova leva de imigrantes chega ao Brasil. Desta vez 906 pessoas são trazidas para se acomodar na região agrícola de São Paulo, e a adaptação ocorreu um pouco melhor, com uma região já habitada por imigrantes há 2 anos e a cultura um pouco mais estabelecida. O programa de imigração continuou e no final de 1912 já haviam comunidades japonesas estabelecidas no Sul do País, no Paraná, e em 1913 em Minas Gerais. No começo do programa de imigração, os japoneses foram alocados na Hospedaria dos Imigrantes, que for- necia comida para todos, mas não se preocupava muito em fazer comidas típicas. Havia muito arroz, sim, mas não o arroz que eles estavam acostumados. O nosso arroz era mais solto, mais temperado, normalmente feito com banha de porco e alho, e servido com feijão salgado – que lá era mais consumido como doce. E os acompanhamentos não ajudavam: farofa, milho, mandioca, carne vermelha e poucos legumes, o completo oposto do que eles estavam acostumados. Esse foi um dos maiores motivos para que tantos japoneses não tenham ficado no país. UM POUCO DE TEORIA! IGA Brasil © Todos os direitos reservados. 3 COZINHA ORIENTAL Faca afiada Tábua Plástico filme Shamoji GLOSSÁRIO • Shin mai – Arroz novo, colhido recentemente e estocado a pouco tempo. Cozinha com menos água e tem aroma e sabor levemente diferente. • Amasu – tempero para arroz japonês • Kome – Grão de arroz cru • Gohan – Arroz cozido, sem tempero • Shari – Arroz para sushi temperado • Sudare – Esteira usada para auxiliar no modo de pre- paro de sushis. • Shamoji – Colher de arroz específica para mexer o arroz, mais larga. • Nori – fatias finas e secas de alga, usadas para enrolar sushis. Conforme o tempo foi passando e os imigrantes se adap- tando, a culinária conseguiu achar um equilíbrio. Trouxeram frutas e legumes de fora para cultivar aqui, aprenderam a usar nosso arroz e comiam com bacalhau, o mais próximo de peixe fresco que tínhamos para oferecer na região. Bolinhos feitos de farinha de mandioca e de milho também foram introduzidos nos costumes, e quando as famílias japonesas começaram a sair das fazendas para ir morar na cidade, no bairro da Liberdade em São Paulo, os primeiros pequenos restaurantes japoneses abriram. Estes restaurantes começaram sendo apenas para apre- ciação local de imigrantes, mas na década de 1980 houve uma popularização muito grande da culinária japonesa em São Paulo, principalmente por se tratar de uma culinária mais saudável e exótica, e em 1990 já era bem comum achar versões de sushis em vários restaurantes brasileiros. Foi exatamente assim que começamos a adaptar as re- ceitas originais japonesas ao gosto brasileiro. Pratos frios como o sushi ganharam recheios diferentes, mais tropicais, como morango, manga, pepino e queijo. E o yakisoba, que originalmente é apenas um macarrão com vegetais picados grosseiramente, carne e shoyo, ficou bem mais cremoso e temperado, com muito mais caldo. Pratos japoneses apareceram em formato de ro- dízio, coisa que não existe no Japão, trazendo um preço bem mais em conta e a produção em grande escala de sushis e sashimis – coisa que não é bem-vista, pois serve o peixe menos fresco. Outras invenções brasileiras que viraram febre foram os hot-rolls (sushis empanados e fritos) e os temakis (cones de alga recheados com arroz e peixe cru, e também fritos). Nada usual, mas que venderam muito bem no país e ajudaram a popularizar ainda mais a culinária japonesa. Hoje, é difícil achar restaurantes que façam a verdadeira culinária japonesa, sem nenhuma adaptação, mas não impossível! Algumas casas da época do programa de imigração ainda estão abertas e funcionando no bairro da Liberdade. UTENSÍLIOS IMPORTANTES Sudare IGA Brasil © Todos os direitos reservados. 4 COZINHA ORIENTAL • Gari – Gengibre em conserva no vinagre e açúcar. • Kani – carne de caranguejo prensada. • Niguiri – Porção pequena de arroz coberto com peixe ou camarão. • Hossomaki – Arroz sobre folha de nori e recheado, enrolado fi no de forma que a alga fi que na parte externa. • Hot roll – Hossomaki empanado com panko e frito em imersão. • Uramaki – Arroz sobre folha de nori e recheado, enrolado de forma que o arroz fi que na parte externa. • Temaki – Lá, é qualquer sushi grande enrolado sem o sudare, podendo ser tanto em formato de cone quanto de rolo. METODOLOGIA O workshop terá aproximadamente 2h30min de duração, e deve conter todas as receitas propostas nesse material. Os grupos deverãofazer todas as receitas determinadas com acompanhamento próximo do docente, que deve primeiro ler todas as receitas em voz alta, explicar cada uma passo a passo e retirar qualquer dúvida. A quantidade de cada receita depende do número de alunos no workshop, e pode variar, mas sempre dentro dos padrões da receita, sem afetar sua técnica. Servir todas as preparações ao mesmo tempo. RECEITAS Ingredientes: • Arroz Shin-Mai 4 xíc. • Água 5 xíc. Ingredientes: • Vinagre de Arroz 1 xíc. • Saque 20 ml. • Açúcar 20 g. • Sal 1 pitada Gohan Amasu (preparar apenas 2 xícara de arroz por bancada) (preparar apenas 1/2 receita por bancada) Modo de Preparo: 1. Lave o arroz com água corrente, até que a água saia transparente. 2. Leve o arroz e a água a uma panela, e deixe cozinhar em fogo médio até que ferva. Então tampe a panela e deixe cozinhar até a água secar. Desligue o fogo e deixe o arroz descansar com a panela tampada por mais 10 minutos. 3. Passe o arroz para um pote grande, para permitir mis- turar o amasu com mais praticidade. 4. Usando uma colher específi ca para mexer sushi, despeje o amasu por cima do gohan e misture com movimentos delicados, cuidando para não quebrar os grãos de arroz. Mexa enquanto o arroz ainda estiver quente, até que comece a esfriar. Modo de Preparo: 1. Misture todos os ingredientes e leve ao fogo médio, até ferver e derreter completamente os grãos de açúcar. Deixe esfriar completamente antes de misturar no Gohan. IGA Brasil © Todos os direitos reservados. 5 COZINHA ORIENTAL Ingredientes: • Salmão • Camarão • Wasabi • Shari Ingredientes: • Salmão • Pepino • Kani • Manga • Cream Cheese • Nori • Shari Ingredientes: • Salmão • Pepino • Kani • Manga • Cream Cheese • Nori • Shari Niguiri Hossomaki Uramaki Modo de Preparo: 1. Corte o lombo de salmão em um pedaço com 1 cm espessura, e limpe o camarão, deixando o rabo. Faça um corte na parte de baixo, para que ele se abra e grelhe rapidamente. 2. Cortar cada pedaço do salmão em lâminas bem finas, e passar um pouco de wasabi em baixo. Pegar uma porção pequena de arroz com as mãos umedecidas em água e formar um formato oval. Cobrir com uma lâmina de salmão ou um camarão, com o wasabi contra o arroz. Ajeitar com os dedos, fazendo pressão para que o for- mato do arroz fique correto, junto com o peixe em cima. Modo de Preparo: 1. Corte a folha de nori ao meio e coloque a metade em cima do sudare, então espalhe uma camada do shari (arroz já cozido e temperado), sem apertar demais ou amassar o arroz, e deixando um espaço de 2cm na parte superior da alga sem arroz. 2. Na parte central do arroz, coloque o recheio cortado em tiras e com a ajuda do sudare, comece a enrolar a alga no sentido oposto ao seu corpo, fazendo uma leve pressão, mas sem apertar demais, para que o recheio não vaze. Passe um pouco de água na parte da alga que Modo de Preparo: 1. Corte a folha de nori ao meio e coloque a metade em cima do sudare, então espalhe uma camada do shari (arroz já cozido e temperado), sem apertar demais ou amassar o arroz, e deixando um espaço de 2 cm na parte superior da alga sem arroz. 2. Vire a alga ao contrário, deixando o arroz em contato com o sudare (que deve estar coberto com plástico filme aqui), e coloque o recheio no meio, no mesmo lugar do hossomaki. Enrole da mesma maneira feita anteriormente, fazendo uma leve pressão com o sudare para firmar o rolinho. 3. Passe o rolo por um pouco de gergelim torrado e com uma faca bem afiada e úmida, corte na metade até chegar na espessura desejada. ficou sem arroz e use para grudar e manter o rolo inteiro. Com uma faca bem afiada e úmida, corte o rolo pela metade, e então pela metade de novo. Continue cortando as peças na metade, até chegar na espessura desejada, dessa forma, os tamanhos sempre serão iguais. IGA Brasil © Todos os direitos reservados. 6 COZINHA ORIENTAL Hot roll Modo de Preparo: 1. Com o hossomaki já enrolado, mas sem cortar, empane o rolo em farinha de trigo, ovo batido e farinha panko. Frite até dourar, então corte normalmente – sempre pela metade. Modo de Preparo: 1. Corte todos os ingredientes em tiras ou cubos médios. Corte a alga na metade e coloque shari em apenas na metade, deixando os dois cantos da alga sem arroz. Coloque o recheio na diagonal, em direção da ponta de cima da alga, que ficou sem arroz. Modo de Preparo: 1. Misture a farinha com a água com gás e as claras, sem bater demais para não perder o ar. A massa deve ser quase líquida, cobrindo com uma camada fina o dedo, quando afundado nela. 2. Após branquear os legumes, corte em pedaços pequenos, que deem para comer de uma vez. Corte o peixe-branco da mesma forma. Passe pela mistura e coloque imediatamente no óleo quente, até que doure. Deixe escorrer em papel absorvente e sirva logo em seguida. Ingredientes: • Farinha de Trigo 100 g. • Ovos 2 un. • Panko 100 g. • Hossomaki 1 un. Ingredientes: • Água com Gás gelada 250 ml. • Farinha 250 g. • Claras 3 un. • Sal 2 g. • Legumes branqueados • Camarão • Peixe Branco Ingredientes: • Macarrão para Yakisoba 300 g. • Shoyu 200 ml. • Água 200 ml. • Óleo de Gergelim 10 ml. • Hondashi 5 g. • Açúcar 20 g. • Gengibre 20 g. • Nori 1 un. • Amido de Milho 10 g. Ingredientes: • Salmão • Cebolinha • Cream Cheese • Kani • Pepino • Manga • Shari • Nori Temaki Tempurá Yakisoba Misto 2. Pegue a ponta de baixo da alga, sem arroz, e leve até em cima para o meio da alga, já formando o temaki. Passe um pouco de água nas bordas da metade da alga que ficou sem arroz e grude bem apertado envolta do temaki, para prender o formato. IGA Brasil © Todos os direitos reservados. 7 COZINHA ORIENTAL Ingredientes: • Saquê 100 ml. • Peito de frango 70 g. • Alcatra 70 g. • Brócolis 50 g. • Acelga 50 g. • Cenoura 50 g. • Repolho 50 g. • Cebola 50 g. • Pimentão verde 50 g. Modo de Preparo: 1. Comece cortando todos os legumes e as carnes em pe- daços pequenos, tirinhas fáceis de pegar com hashi, e que caibam inteiras na boca, e picando muito bem o gengibre e a alga. 2. Sele as carnes picadas em uma frigideira grande com óleo de gergelim e reserve. Na mesma frigideira, acrescente um pouco mais de óleo de gergelim e refogue os legumes rapidamente. 3. Aumente o fogo e misture o shoyo, a água, o hondashi, açúcar, o gengibre e a alga. Deixe ferver. 4. Dilua o amido de milho no saque e quando o molho estiver fervendo, acrescente de uma vez, mexendo bem. Volte as carnes para o molho e acerte os temperos: caso queira mais suave, acrescente açúcar. Modo de Preparo: 1. Misture todos os ingredientes e leve a uma panela em fogo médio até que comece a ferver, então abaixe o fogo para mínimo e deixe o molho reduzir até chegar na consistência de calda – 107°C. Deve ser grosso, mas não muito. 2. Caso passe do ponto, acrescentar um pouco de água e voltar ao fogo para derreter. 3. Para aromatizar com outros ingredientes, ferva junto em pedaços grandes e retire no final da cocção, ou, em caso de limão e abacaxi, misture 50ml de suco puro e deixe reduzir normalmente. Ingredientes: • Shoyu 200 ml. • Saque 100 ml. • Açúcar 100 g. • Opcional: aromatizar com gengibre, limão ou abacaxi. Tarê 5. Em uma panela com bastante água (sem sal) cozinhe o macarrão para yakisoba até estar al dente. Escorra e salteie rapidamente com um pouco de óleo de gergelim. Acrescente o molho e salteie um pouco mais, até misturar. Sirva com cebolinha picada por cima. ANOTAÇÕES