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A avaliação do PTH deve ser feita concomitante à avaliação de cálcio, pois no hiperparatireoidismo primário ocorre uma produção excessiva de PTH, em uma ou mais glândulas da paratireoide e, consequentemente, a hipercalcemia. Já no hiperparatireoidismo secundário, o aumento da produção de PTH é devido a outra doença, como a insuficiência renal crônica, que gera uma diminuição dos níveis de cálcio e estimula a glândula a produzir mais hormônios, na tentativa de elevar os níveis de cálcio. No hipoparatireodismo, os níveis de cálcio e PTH estão diminuídos. MÓDULO 3 Descrever o perfil dos marcadores tumorais mais comumente determinados no laboratório clínico MARCADORES TUMORAIS Os marcadores tumorais são macromoléculas presentes no tumor, no sangue ou em outros fluidos biológicos, cujo presença ou alterações estão relacionados com a formação e o desenvolvimento de células neoplásicas. São normalmente substâncias (proteínas, glicoproteínas, receptores celulares etc.) normais ou anormais e até mesmo mutações genéticas, induzidas pelas células cancerígenas, que aumentam sua expressão ou, então, passam a ser detectadas na presença das neoplasias. Imagem: Shutterstock.com Formação e desenvolvimento das células cancerosas Elas são dosadas no sangue e nos demais líquidos corpóreos por diferentes metodologias e auxiliam na avaliação do prognóstico, na resposta terapêutica em casos de recidiva ou doença residual. Quando dosados direto dos tumores, podem ser úteis para indicar o estadiamento, estimar o prognóstico e o tipo de tratamento, e, nesse caso são dosados a partir de testes imuno-histoquímicos. A partir de agora, vamos conhecer os principais marcadores tumorais. Vamos juntos? ANTÍGENO PROSTÁTICO ESPECÍFICO (PSA) Este marcador tumoral é considerado como um dos que apresentam maior utilidade clínica, sendo produzido no interior dos ductos prostáticos, abundante no líquido seminal e cuja função tem sido associada a liquefazer o coágulo seminal, após a ejaculação. Normalmente, o PSA encontra-se em concentrações muito baixas na corrente sanguínea, sendo a maior concentração ligada à alfa-1-antiquimotripsina (ACT) e alfa-2-macroglobulina, inibidores das serina-proteases, de modo que apenas uma pequena fração encontra-se livre na forma circulante. ATENÇÃO A hiperplasia benigna prostática leva a um aumento do PSA. Assim, a dosagem de PSA é específica do tecido prostático, mas não específica para uma neoplasia. Desta forma, para o diagnóstico devemos correlacionar os valores encontrados com os dados clínicos (toque retal) para confirmar a neoplasia. Sua avaliação plasmática é bastante indicada como auxiliar no diagnóstico do câncer de próstata, elevando a sua sensibilidade quando realizado junto ao exame de toque retal, e com um valor preditivo positivo de 20% com valores levemente elevados (entre 4,0ng/mL e 10,0ng/mL), e de 60% quando se detectam índices maiores do que 10ng/mL. Imagem: Shutterstock.com Diagrama da ilustração do câncer de próstata. A avaliação do PSA é muito importante para o estadiamento do paciente com carcinoma de próstata; no entanto, exceto para valores extremos, esse marcador não é suficientemente preciso para indicar sozinho o estadiamento da doença. Os valores séricos variam severamente nas diferentes faixas etárias, e os pontos de corte podem oscilar de 2,5 a 4,0ng/mL para a indicação de biópsia e 5,0ng/mL para aqueles com idade superior a 50 anos, empregando como valores de referência (VR) de 2,5ng/mL para homens até 50 anos. Ao longo dos anos, para melhorar o diagnóstico do câncer de próstata, foram introduzidos novos parâmetros utilizando-se isoformas do PSA, nível sérico, volume prostático, ajuste pela idade e cinética de elevação. EXEMPLO A relação PSA livre sobre PSA total acrescenta especificidade ao diagnóstico de câncer de próstata, pois pacientes com hiperplasia benigna da próstata produzem mais PSA encontrados na forma livre do que os com processos neoplásicos. Dessa forma, a relação PSA livre/total é menor em casos de adenocarcinoma. Para entender mais sobre a dosagem do PSA, não deixe de visitar o Explore +! Α-FETOPROTEÍNA/ALFAFETOPROTEÍNA (AFP) A síntese dessa proteína, abundante no soro fetal, ocorre no fígado, saco vitelino e intestino do feto. Ela está associada ao transporte plasmático e de manutenção da pressão oncótica. No adulto, as taxas séricas estão entre 5ng/mL e 15ng/mL, e níveis acima de 500ng/mL são altamente sugestivos de malignidade, e, quando superam 1000ng/mL, são indicativos de presença de neoplasia. Esse marcador pode estar elevado em casos de tumores gastrintestinais, hepatite, cirrose, hepatocarcinoma e tumores intestinais. Abaixo, ilustramos os estágios da lesão hepática. Imagem: Shutterstock.com Estágio 1 - Fígado saudável. Imagem: Shutterstock.com Estágio 2 – Fígado gorduroso. Imagem: Shutterstock.com Estágio 3 – Fibrose hepática. Imagem: Shutterstock.com Estágio 4 – Cirrose hepática. Imagem: Shutterstock.com Estágio 5 - Câncer no fígado. Como a AFP é utilizada para detectar vários tumores, outros exames devem ser solicitados para confirmar o local de desenvolvimento da doença. Nos tumores de intestino, sua dosagem é contraindicada para rastreamento da doença, mas é amplamente adotado na monitorização da terapia para o carcinoma de testículo. A sua detecção indica persistência da doença e a sua concentração sérica ajuda no cálculo da estimativa do tempo de crescimento tumoral. Imagem: Shutterstock.com Carcinoma de testículo. SAIBA MAIS A AFP também pode ser coadjuvante como teste de gravidez, pois detecta gravidez normal após sete dias de implantação embrionária. ENOLASE NEURÔNIO-ESPECÍFICA (NSE) Este marcador tumoral é, de fato, uma enzima catalisadora da via glicolítica anaeróbia, estando distribuída em todos os tecidos do corpo, que é empregada para o diagnóstico e no tratamento dos tumores neuroendócrinos. Além disso, tem importância no diagnóstico de carcinoma de pulmão, normalmente muito mais elevado na doença disseminada do que na localizada. Imagem: Shutterstock.com Carcinoma de pulmão. A dosagem desse marcador apresenta grande sensibilidade, ligada ao estágio da doença, e funciona como monitor terapêutico da resposta do paciente à quimioterapia, em que suas taxas podem aumentar ou diminuir, conforme a resposta ao tratamento e a fim de prever a recidiva da doença. CALCITONINA Como já aprendemos, a calcitonina é produzida pela glândula tireoide, além do T3 e T4, após estimulação com o TSH hipofisário. Esse hormônio é produzido pelas células C parafoliculares, sendo estimulado pelo cálcio, e funciona, fisiologicamente, como um antagonista do paratormônio, inibindo a reabsorção óssea pelo controle do número e atividade dos osteoblastos. Apresenta como VR 19pg/mL (homens) e 14pg/mL (mulheres). A sua dosagem é empregada no acompanhamento e rastreio dos casos de carcinoma medular da tireoide, e apresenta uma sensibilidade de 90% nos indivíduos com história familiar e/ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo II. A calcitonina pode se tornar aumentada em pacientes com altos índices de reposição óssea por causa de metástases esqueléticas. SAIBA MAIS Elevações nas taxas desse marcador também podem ser devidas a: anemia perniciosa, insuficiência renal crônica, cirrose alcoólica, hiperparatireoidismo, doença de Paget e síndrome de Zollinger-Ellison. HORMÔNIO CORIÔNICO GONADOTRÓFICO (HCG) Esse marcador tumoral também é utilizado como como teste indicativo de gravidez, como mencionado anteriormente. A fração β (β -HCG) é bastante utilizada para diagnóstico, monitorização e prognóstico de tumores de testículo e ovário, encontrando-se elevada no coriocarcinoma. ANTÍGENO CARCINOEMBRIONÁRIO (CEA) Inicialmente, o CEA foi descrito como um marcador de adenocarcinoma de cólon e reto, e em cólon fetal, entretanto, estava ausente no tecido colônico de um adulto saudável. No entanto, sabemos, atualmente,que ele é produzido pelas células da mucosa gastrintestinal, sendo parte da família das imunoglobulinas e apresentando uma maior produção em fumantes (VR = 7ng/mL) quando comparados a não fumantes (VR = 3,5ng/mL). Nas neoplasias malignas, altos níveis de CEA são encontrados em 9% dos teratomas de testículo, e em cerca de 85% dos casos de carcinoma colorretal metastático, além de câncer de pulmão, pâncreas, trato gastrintestinal, trato biliar, tireoide, cérvice e mama, e em distúrbios como a cirrose alcoólica, doença de Crohn, doenças hepáticas e intestinais, bronquite, tabagismo e insuficiência renal. Assim, é útil para a detecção de malignidade em estágio inicial, e níveis em elevação podem indicar recidiva. Imagem: Shutterstock.com Câncer de cólon. SAIBA MAIS O CEA pode ser encontrado também em outras neoplasias, como pulmão, pâncreas, trato biliar, tireoide e mama. ANTÍGENO TUMORAL DA BEXIGA (BTA) Essa proteína é sintetizada por diversas células tumorais nas vias urinárias, sendo utilizadas para o rastreio de câncer de bexiga. Ela raramente é expressa em células normais, mas pode estar presente em pacientes com litíase urinária, irritação da bexiga e uso de sonda vesical. Imagem: Shutterstock.com Câncer de bexiga. Imagem: Shutterstock.com CA15.3 (ANTÍGENO DO CÂNCER 15.3) O CA15.3 é marcador tumoral do câncer de mama. Esse é um antígeno do tipo glicoproteína secretado pelas células epiteliais glandulares, com VR de 25U/mL. Na maioria dos casos, já são observados nos estágios iniciais da doença aumento na concentração plasmática do CA15.3. Ele é empregado também no prognóstico da doença, uma vez que valores muito elevados tem relação com a menor sobrevida dos pacientes, e a diminuição é associada à regressão em cerca de 80% dos pacientes. O CA 15.3 pode estar aumentado em outras condições, são elas: câncer de ovário, pulmão, colo uterino, hepatocarcinoma e linfomas, além de enfermidades variadas, como hepatite crônica, tuberculose, sarcoidose e lúpus eritematoso sistêmico. Assim, sua especificidade e sensibilidade relativamente baixas fazem com que essa dosagem sozinha não seja utilizada como ferramenta de diagnóstico, rastreamento, estadiamento ou acompanhamento após tratamento primário do câncer de mama. CA-125 (ANTÍGENO DO CÂNCER 125) Esse marcador tumoral é uma glicoproteína empregada como uma das ferramentas para o diagnóstico do câncer de ovário, na avaliação da resposta ao tratamento e presença de recaídas do câncer epitelial de ovário, pois sua elevação plasmática ocorre de 2 a 12 meses de qualquer evidência clínica de recorrência da doença. Seu VR é de 35U/mL e além de importante para o diagnóstico, prognóstico e avaliação de recaídas nos tumores ovarianos, sua dosagem auxilia na avaliação do estadiamento da doença. Há muitas situações clínicas nas quais esse marcador se mostra alterado, são elas: cirrose, cistos de ovário, endometriose, hepatite, pancreatite, carcinoma gástrico, câncer de mama e linfoma não Hodgkin. Imagem: Shutterstock.com Câncer epitelial de ovário. CA19.9 (ANTÍGENO DO CÂNCER 19.9) CA 19.9 é carboidrato de superfície celular, denominado antígeno de Lewis, que é excretado superficialmente pela célula cancerosa, alcançando a circulação, e, assim, pode ser detectado. Normalmente, o VR tido como normal é de 37U/mL. Esse marcador auxilia a avaliação do estadiamento da doença e acompanhamento da resposta terapêutica dos cânceres de pâncreas e demais tumores do trato biliar e do câncer colorretal. No entanto, sua sensibilidade pode ser variada, de acordo com o local do tumor: pâncreas: 70% a 94%; vesícula biliar: 60% a 79%; hepatocelular: 30% a 50%; gástrico: 40% a 60%; e colorretal: 30% a 40%. Pode ser um marcador positivo para o câncer do ovário, de mama, de pulmão e de cabeça e pescoço, ainda que raramente elevado nesses casos. SAIBA MAIS Outras enfermidades como a cirrose hepática, pancreatite, doença inflamatória intestinal e doenças autoimunes podem elevar o CA 19.9. Atualmente, é um dos marcadores tumorais com sensibilidade mais elevada e especificidade no diagnóstico diferencial do câncer de pâncreas e de vesícula, com quase 80% de sensibilidade e especificidade, se maior do que 20U/mL. Aplicável na avaliação da resposta à quimioterapia no câncer de pâncreas. Imagem: Shutterstock.com Câncer de pâncreas. CA72.4 (TAG 72) O CA 72.4 é altamente sensível para o câncer, mas sem ser órgão-específico, não sendo utilizado para um tipo específico de neoplasias. Por exemplo, seus níveis encontram-se elevados em 55% dos casos de câncer de cólon, 50% dos casos câncer de estômago, 45% para pâncreas e trato biliar e 63% para carcinoma mucinoso de ovário. O VR é 6U/mL, sendo utilizado frequentemente no controle de remissão e recidiva de carcinomas de trato gastrintestinal (gástrico, cólon, pâncreas e trato biliar). Cerca de metade dos pacientes com câncer gástrico apresentam níveis elevados de CA 72.4, tornando-o, portanto, mais sensível do que o CEA e o CA 19.9 nessa enfermidade. Imagem: Shutterstock.com Câncer de mama. CA27.29 (ANTÍGENO DO CÂNCER 27.29) Esse antígeno não tem sensibilidade e especificidade satisfatórias para ser aproveitado para o diagnóstico de câncer. Entretanto, é um marcador tumoral disponível para a detecção de recorrência de câncer mamário, com sensibilidade de 58% e especificidade de 98%, considerando um VR de até 38U/mL. Diante disso, a sua indicação fica limitada ao segmento de pacientes com diagnóstico de câncer de mama, com maior vantagem em permitir a detecção precoce de recorrências, viabilizando tempo aceitável para decisões terapêuticas adequadas. CA50 (ANTÍGENO DO CÂNCER 50) Uma glicoproteína utilizada como marcador tumoral em uma variedade de carcinomas epiteliais (câncer gastrintestinal e de pâncreas). A maioria dos pacientes com câncer de pâncreas e pacientes com câncer colorretal em estágios mais avançados também apresenta elevação plasmática desse marcador. MCA (ANTÍGENO MUCOIDE ASSOCIADO AO CARCINOMA) O MCA é um marcador de natureza glicoproteica usado para monitorar o carcinoma de mama. Seu VR é de 11U/mL, mas não há indicação para o diagnóstico de doença. Valores aumentados desse marcador também são encontrados nas doenças benignas de mama, tumores de ovário, de colo uterino, endométrio e próstata. CROMOGRANINA A (SECRETOGRANINA I) É um grupo de proteínas comuns em diversos tecidos neuroendócrinos, sendo empregado em diferentes neoplasias que acometem o sistema endócrino, como feocromocitoma, síndrome carcinoide, carcinoma medular da tireoide, adenoma hipofisário, carcinoma das células das ilhotas pancreáticas, carcinoma pulmonar de células pequenas e neoplasia endócrina múltipla. O intervalo dos valores de referência séricos é de 10ng/mL a 50ng/mL. Imagem: Shutterstock.com Câncer de tireoide. NMP 22 (PROTEÍNA DA MATRIZ NUCLEAR) Esse marcador é uma proteína da matriz nuclear com importante função de regulação do ciclo celular. Assim, fica fácil entendermos que pacientes com recidiva de tumor ou com a doença invasiva apresentarão índices mais elevados deste marcador tumoral. Empregado para câncer de bexiga e avaliado em amostras de urina. CATEPSINA D O marcador catepsina D é uma endoprotease lisossomal ácida, distribuída em todas as células, bastante analisada em câncer de mama. Sua atuação na carcinogênese parece estar associada à estimulação da síntese de DNA e mitose, durante a regeneração dos tecidos e facilitar a dispersão das células cancerígenas pelo corpo, devido ao seu poder proteolítico, permitindo e facilitando o início e a progressão da metástase. Dessa forma, o aumento da concentração plasmática desse marcador tem associação direta com a capacidade invasiva tumoral e metástases para linfonodos axilares, e ligação com o pior prognóstico de câncer de mama. Imagem: Shutterstock.com Metástase. P53 Você, certamente, já escutou que a proteína p53 é sintetizada pelo gene de mesmo nome,que funciona como supressor tumoral. Essa proteína atua impedindo a divisão celular de células danificadas e estimulando o reparo e indução da apoptose nas células com danos ao DNA. Já é conhecido que vários tumores apresentam mutações nos genes que codificam a p53, levando a perda de função dessa proteína. A detecção dessas mutações nos genes é medida diretamente pelos ensaios de biologia molecular ou, indiretamente, pelos ensaios de imuno-histoquímica e pela dosagem da proteína, sendo relacionadas com os piores prognósticos e a presença de tumores mais agressivos. Β2-MICROGLOBULINA A A β2-Microglobulina é um glicoproteína presente em todas as células nucleadas e em pequenas concentrações no soro 2,0µg/mL (até 60 anos) e 2,6µg/mL (após os 60 anos de idade). Uma elevação nas concentrações plasmáticas deste marcador está presente em pacientes com linfomas não Hodgkin e mieloma múltiplo. Além disso, no mieloma múltiplo ele é o mais importante fator de prognóstico. ATENÇÃO Como percebemos, esses marcadores podem, muitas vezes, estar aumentados em diferentes tipos de neoplasias, e sozinhos não indicam a presença de câncer, sendo necessários exames adicionais e complementares para auxiliar o diagnóstico, como biopsias e diagnóstico de imagem. CÂNCER DE MAMA: UMA QUESTÃO DE SAÚDE PARA HOMENS E MULHERES Assista a este vídeo em que a especialista trata do câncer de mama, os seus principais marcadores tumorais e o diagnóstico empregado nesta neoplasia. VERIFICANDO O APRENDIZADO