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CONSUMIDOR
OFERTA E PUBLICIDADE NAS RELAÇÕES DE CONSUMO
SUMÁRIO
1. Introdução	3
2. Informação correta e precisa	4
3. Oferta de componentes e peças de reposição	7
4. Venda por telefone	8
5. Solidariedade do fornecedor e a teoria da aparência	8
6. Publicidade	10
6.1 Publicidade enganosa	13
6.2 Publicidade abusiva	16
6.3 Contrapropaganda	19
DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO	20
BIBLIOGRAFIA UTILIZADA	20
ATUALIZADO EM 01/11/2023[footnoteRef:1] [1: As FUCS são constantemente atualizadas e aperfeiçoadas pela nossa equipe. Por isso, mantemos um canal aberto de diálogo (setordematerialciclos@gmail.com) com os alunos da #famíliaciclos, onde críticas, sugestões e equívocos, porventura identificados no material, são muito bem-vindos. Obs1. Solicitamos que o e-mail enviado contenha o título do material e o número da página para melhor identificação do assunto tratado. Obs2. O canal não se destina a tirar dúvidas jurídicas acerca do conteúdo abordado nos materiais, mas tão somente para que o aluno reporte à equipe quaisquer dos eventos anteriormente citados. ] 
OFERTA E PUBLICIDADE NAS RELAÇÕES DE CONSUMO
1. Introdução
O art. 30 do Código de Defesa do Consumidor apresenta-nos o efeito vinculante da oferta publicitária, ao estatuir que:
Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado.
Esse efeito vinculante retira seu fundamento de validade do princípio da boa-fé objetiva e de seus deveres anexos (ex.: lealdade, informação, cooperação) e alcança inclusive os consumidores por equiparação (bystanders), na forma do art. 29 do CDC. 
Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas.
Em outras palavras, qualquer pessoa que tenha sido exposta a alguma publicidade ilícita – seja enganosa, seja abusiva – terá respaldo legal contra o fornecedor vinculado a essa publicidade, ainda que não tenha adquirido o produto ou serviço ofertado. 
A consequência legal do descumprimento, pelo fornecedor, do dever de vinculação à publicidade é ensejar, para o consumidor, o cumprimento forçado da obrigação, execução específica e a indenização por perdas e danos.
 Art. 35. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor poderá, alternativamente e à sua livre escolha:
        I - exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade;
        II - aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente;
        III - rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos.
	DESCUMPRIMENTO DE OFERTA PUBLICITÁRIA
	Execução específica da obrigação (ou conversão em perdas e danos se for impossível)
	Aceitar outro produto ou a prestação de serviço equivalente
	Direito de rescisão do contrato
#SELIGA: Igualmente, constitui fundamento de validade do art. 30 do CDC o dever de coibir o exercício abusivo do poder econômico. Nas palavras do STJ: “o art. 170 da CF dispõe: A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...). para esse fim, presta-se a intervenção estatal no domínio econômico, que, dentre outras medidas, consubstancia-se na repressão ao abuso do poder econômico consistente em medidas estatais que positivam impedimentos à formação ilegal de carteis ou a práticas comerciais abusivas.” (STJ, REsp 677.585).
2. Informação correta e precisa
Segundo prevê o art. 31, caput, do Código de Defesa do Consumidor:
Art. 31. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores.
Desse dever de informação decorre a necessidade de se interpretar contra o fornecedor quaisquer cláusulas contratuais (incluídos anúncios publicitários) que contenham ou possam conter dubiedades, contradições. A interpretação em favor da parte vulnerável, o consumidor, é medida que se impõe e se coaduna com a principiologia do CDC.
#DEOLHONAJURIS: No caso de relação de consumo instrumentalizada por contrato de adesão, as cláusulas contratuais que foram redigidas pela própria seguradora devem ser interpretadas da forma mais favorável à parte que apenas aderiu ao contrato (consumidora aderente), de acordo com o que dispõe o art. 47 do CDC. Assim, em um determinado contrato de seguro de saúde, havia uma cláusula prevendo que os tratamentos de saúde necessários ao filho da segurada também seriam cobertos, desde que este tivesse nascido durante a vigência do pacto. O filho de uma segurada dependente precisou de tratamento e a seguradora negou, afirmando que a cobertura restringe-se ao filho da “segurada titular” e que, no caso concreto, o indivíduo era filho da “segurada dependente”, razão pela qual não teria direito ao tratamento. O STJ deu razão à consumidora e afirmou que, caso a seguradora pretendesse restringir o campo de abrangência da cláusula contratual, deveria ter especificado serem elas aplicáveis apenas a titular do seguro. STJ. 3ª Turma. REsp 1133338-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 2/4/2013 (Info 520).
*(Atualizado em 10/05/2020) #DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ A cláusula de não renovação do seguro de vida, quando constituiu faculdade conferida a ambas as partes do contrato, assim como a de reajuste do prêmio com base na faixa etária do segurado, mediante prévia notificação, não configuram abusividade. No seguro de vida em grupo, não há abusividade na cláusula que permite a não renovação do contrato ou a renovação condicionada a reajuste por faixa etária. É válida a cláusula contratual que confere a prerrogativa de a seguradora optar por não renovar o contrato de seguro de vida em grupo. Também é válida a cláusula contratual que preveja a possibilidade de alteração da cobertura contratada e de reajuste por implemento de idade, mediante prévia comunicação, quando da formalização da estipulação da nova apólice. Em outras palavras, no contrato de seguro de vida em grupo, não há abusividade no reajuste por implemento de idade quando da formalização da nova apólice. Tais cláusulas são decorrentes da própria natureza do contrato. STJ. 4ª Turma. REsp 1.769.111-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 10/12/2019 (Info 665).
A informação deve, pois, ser CORRETA, CLARA, PRECISA, OSTENSIVA e EM LÍNGUA PORTUGUESA. 
#OLHAOGANCHO: 
A operadora de plano de saúde só poderá validamente alterar a lista de conveniados, ou seja, só poderá fazer o descredenciamento de estabelecimentos hospitalares, clínicas médicas, laboratórios, médicos e outros serviços, se cumprir dois requisitos legais previstos no art. 17 da Lei nº 9.656/98 (Lei dos Planos de Saúde): a) deverá substituir a entidade conveniada que saiu por outra equivalente, de forma a manter a qualidade dos serviços contratados inicialmente; e b) deverá comunicar os consumidores e à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) com 30 dias de antecedência. Esses dois deveres existem mesmo que a iniciativa pelo descredenciamento tenha partido de clínica médica. STJ. 1ª Turma. REsp 1561445-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 13/08/2019 (Info 654).
O médico deverá ser condenado a pagar indenização por danos morais ao paciente que teve sequelas em virtude de complicações ocorridas durante a cirurgia caso ele não tenha explicado ao paciente os riscos do procedimento. O dever de informar é dever de condutadecorrente da boa-fé objetiva e sua simples inobservância caracteriza inadimplemento contratual, fonte de responsabilidade civil per se. A indenização, nesses casos, é devida pela privação sofrida pelo paciente em sua autodeterminação, por lhe ter sido retirada a oportunidade de ponderar os riscos e vantagens de determinado tratamento que, ao final, lhe causou danos que poderiam não ter sido causados caso não fosse realizado o procedimento, por opção do paciente. O dever de informação é a obrigação que possui o médico de esclarecer o paciente sobre os riscos do tratamento, suas vantagens e desvantagens, as possíveis técnicas a serem empregadas, bem como a revelação quanto aos prognósticos e aos quadros clínico e cirúrgico, salvo quando tal informação possa afetá-lo psicologicamente, ocasião em que a comunicação será feita a seu representante legal. Para que seja cumprido o dever de informação, os esclarecimentos deverão ser prestados de forma individualizada em relação ao caso do paciente, não se mostrando suficiente a informação genérica (blanket consent). O ônus da prova quanto ao cumprimento do dever de informar e obter o consentimento informado do paciente é do médico ou do hospital, orientado pelo princípio da colaboração processual, em que cada parte deve contribuir com os elementos probatórios que mais facilmente lhe possam ser exigidos. STJ. 4ª Turma. REsp 1540580-DF, Rel. Min. Lázaro Guimarães (Desembargador Convocado do TRF 5ª Região), Rel. Acd. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/08/2018 (Info 632).
O fornecedor de alimentos deve complementar a informação-conteúdo "contém glúten" com a informação-advertência de que o glúten é prejudicial à saúde dos consumidores com doença celíaca. STJ. Corte Especial. EREsp 1515895-MS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/09/2017 (Info 612).
Não existe obrigação legal de se inserir nos rótulos dos vinhos informações acerca da quantidade de sódio e de calorias (valor energético) existentes no produto. STJ. 3ª Turma. REsp 1605489-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 4/10/2016 (Info 592).
No caso em que, nas informações divulgadas por plano de saúde aos seus usuários, determinado hospital particular figure como instituição credenciada sem ressalvas, se o usuário optar pela realização de tratamento contratado e disponibilizado pelo aludido hospital, a operadora do plano será obrigada a custeá-lo, ainda que o serviço seja prestado em parceria com instituição não credenciada, cuja unidade de atendimento funcione nas dependências do hospital, sendo irrelevante o fato de haver, na mesma localidade, outras instituições credenciadas para o mesmo tipo de tratamento de saúde. Ex: João, cliente do plano de saúde, precisava fazer quimioterapia. Na página do plano na internet consta que o Hospital São Carlos integra a rede credenciada. Dentro deste hospital, no setor de oncologia, funciona o Instituto Santa Marta. Diante disso, ele pediu as guias de serviço para fazer a quimioterapia lá. O plano de saúde não autorizou alegando que o Instituto Santa Marta, apesar de funcionar dentro do Hospital São Carlos, é uma instituição diferente e que apenas o Hospital é credenciado. João terá direito de fazer o tratamento lá. Quando um hospital credenciado não prestar determinados serviços para os usuários do plano, este deverá informar ao consumidor, de forma clara, qual é a restrição existente e quais as especialidades oferecidas pela entidade que não estão cobertas, sob pena de todas elas estarem incluídas no credenciamento. STJ. 3ª Turma. REsp 1613644-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 20/9/2016 (Info 590).
Ainda que haja abatimento no preço do produto, o fornecedor responderá por vício de quantidade na hipótese em que reduzir o volume da mercadoria para quantidade diversa da que habitualmente fornecia no mercado, sem informar na embalagem, de forma clara, precisa e ostensiva, a diminuição do conteúdo. STJ. 2ª Turma. REsp 1364915-MG, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 14/5/2013 (Info 524).
Se houver descredenciamento de médicos ou hospitais, a operadora de plano de saúde tem o dever de informar esse fato individualmente a cada um dos associados. STJ. 3ª Turma. REsp 1144840-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/3/2012 (Info 493).
*(Atualizado em 24/01/2022) #DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ #ATENÇÃO 
Em junho de 2022, o STJ decidiu que:
1 - O rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar é, em regra, taxativo;
2 - A operadora de plano ou seguro de saúde não é obrigada a arcar com tratamento não constante do rol da ANS se existe, para a cura do paciente, outro procedimento eficaz, efetivo e seguro já incorporado ao rol;
3 - É possível a contratação de cobertura ampliada ou a negociação de aditivo contratual para a cobertura de procedimento extra rol; 
4 - Não havendo substituto terapêutico ou esgotados os procedimentos do rol da ANS, pode haver, a título excepcional, a cobertura do tratamento indicado pelo médico ou odontólogo assistente, desde que
(i) não tenha sido indeferido expressamente, pela ANS, a incorporação do procedimento ao rol da Saúde Suplementar;
(ii) haja comprovação da eficácia do tratamento à luz da medicina baseada em evidências;
(iii) haja recomendações de órgãos técnicos de renome nacionais (como CONITEC e NATJUS) e estrangeiros; e
(iv) seja realizado, quando possível, o diálogo interinstitucional do magistrado com entes ou pessoas com expertise técnica na área da saúde, incluída a Comissão de Atualização do rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar, sem deslocamento da competência do julgamento do feito para a Justiça Federal, ante a ilegitimidade passiva ad causam da ANS.
STJ. 2ª Seção. EREsp 1886929-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 08/06/2022 (Info 740).
ATUALIZAÇÃO LEGISLATIVA QUE IMPLICARÁ MUDANÇA DE ENTENDIMENTO
Ocorre que, depois de uma grande mobilização popular, o Congresso Nacional editou a Lei nº 14.454/2022, que buscou superar o entendimento firmado pelo STJ. 
A Lei nº 14.454/2022 alterou o art. 10 da Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/98), incluindo o § 12, que prevê o caráter exemplificativo do rol da ANS: 
Art. 10 (...) § 12. O rol de procedimentos e eventos em saúde suplementar, atualizado pela ANS a cada nova incorporação, constitui a referência básica para os planos privados de assistência à saúde contratados a partir de 1º de janeiro de 1999 e para os contratos adaptados a esta Lei e fixa as diretrizes de atenção à saúde.
Vale ressaltar, contudo, que, para o plano de saúde ser compelido a custear, é necessário que esteja comprovada a eficácia do tratamento ou procedimento, nos termos do § 13, também inserido:
§ 13. Em caso de tratamento ou procedimento prescrito por médico ou odontólogo assistente que não estejam previstos no rol referido no § 12 deste artigo, a cobertura deverá ser autorizada pela operadora de planos de assistência à saúde, desde que:
I - exista comprovação da eficácia, à luz das ciências da saúde, baseada em evidências científicas e plano terapêutico; ou
II - existam recomendações pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), ou exista recomendação de, no mínimo, 1 (um) órgão de avaliação de tecnologias em saúde que tenha renome internacional, desde que sejam aprovadas também para seus nacionais.
A Lei nº 14.454/2022 entrou em vigor no dia 22/09/2022.
*(Atualizado em 29/01/2021) #DEOLHONAJURIS Esclarecimentos posteriores ou complementares desconectados do conteúdo principal da oferta (informação disjuntiva, material ou temporalmente) não servem para exonerar ou mitigar a enganosidade ou abusividade Viola os princípios da vulnerabilidade, da boa-fé objetiva, da transparência e da confiança prestar informação por etapas e, assim, compelir o consumidor à tarefa impossível de juntar pedaços informativos esparramados em mídias, documentos e momentos diferentes. Cada ato de informação é analisado e julgado em relação a si mesmo, pois absurdo esperar que, para cada produto ou serviço oferecido,o consumidor se comporte como Sherlock Holmes improvisado e despreparado à busca daquilo que, por dever ope legis inafastável, incumbe somente ao fornecedor. Seria transformar o destinatário-protegido, à sua revelia, em protagonista do discurso mercadológico do fornecedor, atribuindo e transferindo ao consumidor missão de vasculhar o universo dos meios de comunicação para ter uma informação completa. STJ. 2ª Turma. REsp 1.802.787-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 08/10/2019 (Info 679).
3. Oferta de componentes e peças de reposição
Ainda na linda do que estatui o princípio da boa-fé objetiva, o art. 32 do CDC determina que o fornecedor deve disponibilizar a compra de componentes e peças de reposição do produto adquirido pelo consumidor. Isto é, os deveres parcelares da cláusula da boa-fé objetiva permanecem impositivos mesmo após a conclusão do contrato. 
Art. 32. Os fabricantes e importadores deverão assegurar a oferta de componentes e peças de reposição enquanto não cessar a fabricação ou importação do produto.
Parágrafo único. Cessadas a produção ou importação, a oferta deverá ser mantida por período razoável de tempo, na forma da lei.
Seria um verdadeiro desserviço que o fornecedor pudesse retirar da linha de produção e do mercado as peças e componentes de que necessitam os consumidores pata fazer funcionar o produto adquirido, obrigando-os a adquirir novos produtos ou mesmo desembolsar valores buscando soluções que devem ser dadas pelo próprio fornecedor.
Observe que mesmo após cessada a produção, o fornecedor /deve disponibilizar os componentes e peças por tempo razoável, de modo que a utilização do produto adquirido não reste inutilizada.
4. Venda por telefone
Para garantir os direitos básicos do consumidor (art. 6º do CDC), imperioso que este possa identificar o fornecedor do produto ou serviço em todas as formas de comercialização que a sociedade atual incorporou. É nesse sentido o dever de transparência consubstanciado no art. 33 do CDC:
Art. 33. Em caso de oferta ou venda por telefone ou reembolso postal, deve constar o nome do fabricante e endereço na embalagem, publicidade e em todos os impressos utilizados na transação comercial.
Parágrafo único.  É proibida a publicidade de bens e serviços por telefone, quando a chamada for onerosa ao consumidor que a origina.  
Atento às práticas abusivas de fornecedores que impunham altos valores ou longos períodos em espera nas chamadas para vendas por telefone, o legislador acrescentou o parágrafo único ao art. 33 proibindo que o ônus da ligação seja repassado ao consumidor.
5. Solidariedade do fornecedor e a teoria da aparência
Já vimos no estudo da principiologia do CDC e da responsabilidade nas relações de consumo que a regra para imputação do dever de indenização é a solidariedade, isto é, todos aqueles que participam da cadeia de consumo tornam-se solidariamente responsáveis pelos danos sofridos pelo consumidor.
#OLHAOGANCHO: 
Há responsabilidade solidária de todos os integrantes da cadeia de fornecimento por vício no produto adquirido pelo consumidor, aí incluindo-se o fornecedor direto (ex: concessionária de veículos) e o fornecedor indireto (ex: o fabricante do automóvel). Os integrantes da cadeia de consumo, em ação indenizatória consumerista, também são responsáveis pelos danos gerados ao consumidor, não cabendo a alegação de que o dano foi gerado por culpa exclusiva de um dos seus integrantes. STJ. 3ª Turma. REsp 1684132/CE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/10/2018. STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1183072/SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 02/10/2018.
Como regra geral, as sociedades consorciadas apenas se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade, de acordo com o disposto no art. 278, § 1º, da Lei nº 6.404/76. Essa regra, no entanto, não é absoluta. Há solidariedade entre as sociedades consorciadas em relação às obrigações derivadas de relação de consumo desde que essas obrigações guardem correlação com a esfera de atividade do consórcio. Existe previsão nesse sentido no art. 28, § 3º do CDC, que preconiza: “as sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste código.” STJ. 3ª Turma. REsp 1635637-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 18/09/2018 (Info 633).
Não poderia ser diferente quanto às relações estabelecidas entre o fornecedor e seus prepostos ou representantes comerciais: aquele não se esquiva da solidariedade e do dever de indenizar ao alegar que não possui relação jurídica direta com o consumidor. É o que estabelece o art. 34 do CDC:
Art. 34. O fornecedor do produto ou serviço é solidariamente responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes autônomos.
Nesse sentido, importante destaque tem a teoria da aparência que privilegia a boa-fé objetiva e torna verdadeira juridicamente a realidade vista aos olhos do consumidor, ainda que o fornecedor assim não o quisesse. Em outras palavras, fornecedor (e preposto ou representante comercial) será aquele que se apresenta como tal frente ao consumidor, levando-o a crer que trata com quem deveria tratar. 
#DEOLHONAJURIS: 
“Responsabilidade civil. Atendimento hospitalar. 1. Quando o paciente procura o hospital para tratamento, principalmente naqueles casos de emergência, e recebe atendimento do médico que se encontra em serviço no local, a responsabilidade em razão das circunstâncias danosas da terapia pertence ao hospital. Em tal situação, pouco releva a circunstância de ser o médico empregado do hospital, porquanto ele se encontrava vinculado ao serviço de emergência oferecido. Se o profissional estava de serviço no plantão, tanto que cuidou do paciente, o mínimo que se pode admitir é que estava credenciado para assim proceder. O fato de não ser assalariado nesse cenário não repercute na identificação da responsabilidade do hospital.” (STJ, REsp 400.843). 
O conceito legal de “fornecedor” previsto no art. 3º do CDC abrange também a figura do “fornecedor aparente”, que consiste naquele que, embora não tendo participado diretamente do processo de fabricação, apresenta-se como tal por ostentar nome, marca ou outro sinal de identificação em comum com o bem que foi fabricado por um terceiro, assumindo a posição de real fabricante do produto perante o mercado consumidor. O fornecedor aparente, em prol das vantagens da utilização de marca internacionalmente reconhecida, não pode se eximir dos ônus daí decorrentes, em atenção à teoria do risco da atividade adotada pelo CDC. Dessa forma, reconhece-se a responsabilidade solidária do fornecedor aparente para arcar com os danos causados pelos bens comercializados sob a mesma identificação (nome/marca), de modo que resta configurada sua legitimidade passiva para a respectiva ação de indenização em razão do fato ou vício do produto ou serviço. STJ. 4ª Turma. REsp 1580432-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 06/12/2018 (Info 642).
6. Publicidade 
No estudo sobre a publicidade no CDC é sempre preciso iniciar distinguindo os termos publicidade e propaganda. 
#SELIGA:
	PUBLICIDADE
	PROPAGANDA
	Propaganda com propósito comercial e objetivo de lucro.
	Divulgação e propagação de ideias, de forma ampla (podem ser ideias políticas, sociais, morais e etc.).
#ATENÇÃO: Embora tal distinção seja relevante, o CDC utiliza a expressão “contrapropaganda” de forma atécnica para se referir a uma sanção administrativa que pode ser aplicada àqueles que violarem os parâmetros legais da publicidade nas relações de consumo (art. 56, XII do CDC).
A publicidade a que refere o CDC, portanto, é aquela dos fornecedores de produtos/serviços que visam alcançar a coletividade de consumidores, e consumidores de forma individualizada também, e, com isso, fazer funcionar a cadeia de consumo com o acúmulo de lucros. Nada mais legítimo e juridicamente protegido pelo ordenamento.
Porém, o CDC veda que essa publicidade traga efeitos nocivos e negativos aos consumidores e usa de ferramentas para coibirpráticas tidas como abusivas e ilícitas. Esse é, aliás, um direito básico do consumidor.
Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços;
#OLHAOGANCHO: Tal é a importância de se regulamentar a publicidade, que o Brasil conta com o CONAR, o Conselho Nacional de Autorregulamentação publicitária.
Para tanto, a lei primeiro estabelece os parâmetros que a publicidade consumerista deve seguir.
Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal.
Parágrafo único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação à mensagem.
Nos termos do art. 36, caput, o consumidor tem o direito de que a mensagem veiculada pelo fornecedor seja identificada como publicidade, isto é, é preciso uma transparência na interlocução, de modo que o consumidor saiba que se trata de uma publicidade e possa, então, decidir por si só se contrata ou não aquele produto/serviço.
É verdade que atualmente as formas de comunicação contam com infindáveis técnicas de alcance de consumidor, trazendo publicidade de forma implícita em suas mensagens. É o caso, por exemplo, da chamada merchandising, uma forma de publicidade disfarçada. Embora o CDC não proíba expressamente essa técnica, um esforço hermenêutico sobre a redação do art. 36, caput, pode levar a uma punição do fornecedor pelo seu descumprimento ao praticar a merchandising.
Além disso, é dever do fornecedor manter os dados técnicos que lastreiam as informações publicitárias, o que reforça o dever de verdade e correção que as informações veiculadas no âmbito das relações de consumo devem ter (lembrem-se: o fundamento jurídico é o princípio da boa-fé objetiva).
Nos termos do art. 38 da Lei 8.078/1990, o ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe a quem as patrocina. Essa inversão do ônus da prova é automática, não dependendo de qualquer pedido do consumidor (inversão ex lege ou ope legis)
Art. 38. O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe a quem as patrocina.
#ATENÇÃO: Não confundir com a inversão do ônus da prova tratada pelo art. 6º, VIII, do CDC, que traz requisitos bem definidos para a sua concessão, quais sejam a verossimilhança das alegações ou a hipossuficiência do consumidor no caso concreto.
#RESUMEAÍ:
	PRINCÍPIOS APLICÁVEIS À PUBLICIDADE
	PRINCÍPIO DA IDENTIFICAÇÃO DA MENSAGEM PUBLICITÁRIA
	
Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal.
	PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO CONTRATUAL DA PUBLICIDADE
	Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado.
	
PRINCÍPIO DA VERACIDADE DA PUBLICIDADE
	Art. 37. § 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.
	PRINCÍPIO DA TRANSPARÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DA PUBLICIDADE
	Art. 36.  Parágrafo único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação à mensagem.
	
PRINCÍPIO DO ÔNUS DA PROVA A CARGO DO FORNECEDOR
	
Art. 38. O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe a quem as patrocina.
	
PRINCÍPIO DA CORREÇÃO DO DESVIO PUBLICITÁRIO
	Imposição da sanção administrativa da contrapropaganda, feita às expensas do infrator.
Art. 60. A imposição de contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer na prática de publicidade enganosa ou abusiva, nos termos do art. 36 e seus parágrafos, sempre às expensas do infrator.
§ 1º A contrapropaganda será divulgada pelo responsável da mesma forma, freqüência e dimensão e, preferencialmente no mesmo veículo, local, espaço e horário, de forma capaz de desfazer o malefício da publicidade enganosa ou abusiva.
6.1 Publicidade enganosa
O art. 37 do CDC veda qualquer publicidade que se apresente enganosa. É enganosa toda publicidade que seja capaz de induzir o consumidor a erro sobre algum aspecto relacionado ao produto ou serviço adquirido, de forma que se aquela informação fosse verdadeira, o consumidor não teria finalizado a contratação. O §1º traz a definição de publicidade enganosa:
Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.
§ 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.
§ 3° Para os efeitos deste código, a publicidade é enganosa por omissão quando deixar de informar sobre dado essencial do produto ou serviço.
Assim, o consumidor deve ter amplo e livre acesso a todas as informações relacionadas ao produto/serviço contratado, de forma que possa ser instruído quanto ao seu conteúdo, quanto às formas corretas de sua utilização e quanto aos preços envolvidos na transação consumerista. É o cumprimento do dever de prestar informação correta, clara, de fácil entendimento, precisa e ostensiva (de fácil constatação).
Todos os riscos que envolvem a utilização daquele produto/serviço, portanto, também devem ser de amplo conhecimento dos consumidores.
A informação enganosa é verificada segundo um critério objetivo, portanto, de modo que a intenção ou o elemento subjetivo do fornecedor é irrelevante para a sua configuração. Em outras palavras, ainda sem culpa o fornecedor é responsabilizado pelos danos causados pela veiculação de publicidade enganosa.
Além disso, não somente a incorreção ou a insuficiência de informações podem configurar enganosidade, mas também a sua ausência, no que a lei chamou de publicidade enganosa por omissão, no art. 37, §3º do CDC. Isso vai ocorrer toda vez que a publicidade deixar de trazer ao consumidor informação essencial de tal forma que, se a tivesse antes da contratação, não a teria levado a termo. 
#ATENÇÃO: Publicidade enganosa resultante de erro de terceiro.
“A publicidade enganosa vincula a empresa por ela beneficiada, ainda que tenha havido erro de terceiro na veiculação da informação. Se uma empresa de refrigerante, mediante técnica publicitária, divulga a existência de tampinhas premiadas, deve indenizar o consumidor que faz jus à premiação, pouco importando que a outra empresa, contratada pela empresa de refrigerantes, tenha errado na grafia das coordenadas premiadas. (STJ, REsp 327.257, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª T., j. 22/06/04, p. DJ 16/11/04).” Fonte: Manual de Direito do Consumidor, Felipe Braga Netto).
*(Atualizado em 30/08/2020) #DEOLHONAJURIS Erro grosseiro de sistema não obriga empresas a emitir passagens compradas a preço muito baixo. Importante!!! Caso concreto: em decorrência de uma falha no site da empresa de turismo Decolar.com, constou que duas passagens aéreas, ida e volta, de Brasília para Amsterdã (Holanda) custariam cerca de R$ 1 mil. Um casal tentou efetuar a compra, fazendo uma reserva no site. Dois dias depois, contudo, eles receberam um e-mail da empresa explicando que houve uma falha, cancelando a reserva. Não houve necessidade de estorno no cartão de crédito,pois a cobrança não foi feita no momento da reserva. Os consumidores ajuizaram ação pedindo a emissão dos bilhetes no valor que havia sido ofertado. O STJ, entretanto, não acolheu o pedido. Para o Tribunal, o erro sistêmico grosseiro no carregamento de preços e a rápida comunicação ao consumidor podem afastar a falha na prestação do serviço e o princípio da vinculação da oferta. O Código de Defesa do Consumidor não é somente um conjunto de artigos que protege o consumidor a qualquer custo. Antes de tudo, ele é um instrumento legal que pretende harmonizar as relações entre fornecedores e consumidores, sempre com base nos princípios da boa-fé e do equilíbrio contratual. No caso, os consumidores promoveram a reserva de bilhetes aéreos com destino internacional a preço muito aquém do praticado por outras empresas aéreas, não tendo sequer havido a emissão dos bilhetes eletrônicos (e-tickets) que pudessem formalizar a compra. Agrega-se o fato de que os valores sequer foram debitados do cartão de crédito e, em curto período, os consumidores receberam e-mail informando a não conclusão da operação. Nesse contexto, é inadmissível que, diante de inegável erro sistêmico grosseiro no carregamento de preços, possa se reconhecer a falha da prestação dos serviços das empresas, que prontamente impediram o lançamento de valores na fatura do cartão de crédito utilizado, informando, ainda, com antecedência necessária ao voo, o cancelamento da operação. Por conseguinte, não há que se falar em violação do princípio da vinculação da oferta (art. 30 do CDC). STJ. 3ª Turma. REsp 1.794.991-SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/05/2020 (Info 671).
#SELIGA:
	
CHAMARIZ
	Uma forma de enganação bastante usada é o “chamariz”: uma modalidade que não está
necessariamente atrelada ao produto ou serviço em si. Exemplo: “chamariz” da liquidação. Anuncia-se a liquidação, com grandes descontos, e, quando consumidor chega à loja, a liquidação é restrita a uma única prateleira.
	
INFORMAÇÃO DISTORCIDA
	Informações falsas ou distorcidas sobre o produto ou o serviço em si.
Essa publicidade será enganosa quando se puder compará-la ao produto ou serviço real, concreto, da forma como ele se apresenta, para que serve, como é utilizado etc., e na comparação se puder identificar divergência que haja sido capaz de fazer com que o consumidor tenha adquirido o produto ou o serviço.
	
AMBIGUIDADE
	Se o anúncio brinca com o sentido ambíguo de seu texto ou se utiliza da ambiguidade com o intuito de confundir, será enganoso se não puder ser entendido num dos sentidos possíveis.
	
PUFFING
	É a técnica publicitária da utilização do exagero. Ele não é proibido desde que o exagero seja: EVIDENTE, INOFENSIVO e, simultaneamente, não tenha capacidade de enganar o consumidor.
*(ATUALIZADO EM 01/11/2023) 
Condicionador de ar. Propaganda enganosa. Publicidade enaltecendo a característica de ser silencioso. Danos morais coletivos. Ausência de prejuízo ao consumidor. A publicidade do tipo puffing, cuja mensagem enaltece o fato de um aparelho de ar condicionado ser "silencioso", não tem aptidão para ser fonte de dano difuso, pois não ostenta qualquer gravidade intolerável em prejuízo dos consumidores em geral. REsp 1.370.677-SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 17/10/2023. – INFO STJ – 792 – 24/10/2013
É lícita a peça publicitária em que o fabricante ou o prestador de serviço se autoavalia como o melhor naquilo que faz, prática caracterizada como puffing
Caso concreto: STJ considerou lícita a propaganda veiculada pela Heinz, que afirmava: “Heinz, melhor em tudo o que faz”.
A expressão utilizada impugnada, utilizada pela empresa como claim, caracteriza-se como puffing, ou seja, é recurso que utiliza o exagero publicitário como método de convencimento dos consumidores.
STJ. 4ª Turma. REsp 1759745-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 28/2/2023 (Info 765).
	TEASER
	Técnica que busca despertar a curiosidade do consumidor (ex.: “não compre carro até amanhã”) para anunciar um novo produto ou promoção em seguida.
#ATENÇÃO: Para a aferição da enganosidade não é necessário que o consumidor seja o concretamente considerado. Para saber da enganação é suficiente que se leve em consideração o consumidor ideal. O anúncio é enganoso antes mesmo de atingir qualquer consumidor em concreto, basta ter sido veiculado.
#DEOLHONAJURIS:
A ausência de informação relativa ao preço, por si só, não caracteriza publicidade enganosa. Para a caracterização da ilegalidade omissiva, a ocultação deve ser de qualidade essencial do produto, do serviço ou de suas reais condições de contratação, considerando, na análise do caso concreto, o público alvo do anúncio publicitário. STJ. 4ª Turma. REsp 1705278-MA, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 19/11/2019 (Info 663).
É enganosa a publicidade televisiva que omite o preço e a forma de pagamento do produto, condicionando a obtenção dessas informações à realização de ligação telefônica tarifada. STJ. 2ª Turma. REsp 1428801-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 27/10/2015 (Info 573).
#OLHAOGANCHO: Publicidade de palco.
A responsabilidade pela qualidade do produto ou serviço anunciado é do seu fabricante ou prestador. O entendimento é da Quarta Turma, fixado no julgamento do REsp 1.157.228. Nesse processo, a Rede Bandeirantes de Televisão e o apresentador Gilberto Barros foram condenados pela justiça gaúcha a indenizar um telespectador por falha em serviço anunciado em programa ao vivo. O caso tratou de propaganda enganosa de empréstimo oferecido por instituição financeira.
O relator do recurso, ministro Aldir Passarinho Junior (aposentado), esclareceu que a chamada “publicidade de palco” – espécie de comercial ao vivo no qual a mensagem do anunciante é promovida pelo próprio apresentador ou outra pessoa – continua sendo propaganda. A participação do apresentador, ainda que fale sobre a qualidade do produto ou serviço anunciado, não o torna corresponsável ou garantidor das obrigações do anunciante.
Segundo o ministro, a tese adotada pelo tribunal gaúcho atribui à emissora uma parceria e corresponsabilidade que não existem em contrato nem no CDC ou outra lei. Dessa forma, a “publicidade de palco” não implica a corresponsabilidade da empresa de televisão ou do apresentador pelo anúncio divulgado. “O apresentador está ali como garoto-propaganda e não na qualidade de avalista do êxito do produto ou serviço para o telespectador que vier a adquiri-lo”, conclui Aldir Passarinho Junior.
6.2 Publicidade abusiva 
O art. 37 do CDC também veda qualquer publicidade que seja abusiva. Diferentemente da publicidade enganosa, que induz o consumidor a erro, a publicidade abusiva é aquela ilícita por trazer como conteúdo o abuso de direito, capaz de agredir valores sociais.
Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.
§ 2° É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança.
#ATENÇÃO: Para a caracterização da publicidade abusiva, levam-se em conta os valores da comunidade e o senso geral comum.
#OLHAOGANCHO #DEFENSORIA #SANGUEVERDE: Publicidade infantil.[footnoteRef:2] [2: Fonte: https://www.defensoria.sp.def.br/dpesp/Conteudos/Materia/MateriaMostra.aspx?idItem=57433&idModulo=9569] 
Antigamente, o mercado não via “valor econômico” na criança; posteriormente, passou a percebê-la como influenciadora do adulto no ato de compra e, hoje, a compreende como um consumidor e cliente. Nesse contexto, o direito brasileiro proíbe, em homenagem à proteção dos direitos fundamentais de proteção da criança (art. 227 da Constituição de 1988), e de defesa do consumidor (art. 5º, XXXII, da Constituição de 1988), a publicidade que se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança.
A proibição dapublicidade que se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, no sistema jurídico brasileiro, resulta de lei formal (art. 37, §2º, do Código de Defesa do Consumidor).
O art. 39, do Código de Defesa do Consumidor, ao proibir as práticas abusivas pelo fornecedor, estabelece no rol de condutas vedadas, em que expressamente se percebe do inciso IV: “prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou serviços”.
Diversos estudos apontam que a publicidade e outras práticas comerciais influenciam na decisão de consumo de crianças e adolescentes, e suas respectivas famílias, com efeitos negativos à convivência familiar e à socialização.
Esse tipo de publicidade é proibido pela legislação brasileira, sendo considerada potencialmente abusiva porque se destina a um público altamente suscetível a qualquer tipo de apelo emotivo e subliminar, aspectos característicos da propaganda comercial. Em 2014, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) editou a Resolução nº 163 considerando abusiva toda publicidade direcionada ao público infantil com a intenção de persuadi-lo ao consumo de qualquer produto ou serviço.
#SELIGA: Resolução 163 CONANDA, sobre a abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente.
Art. 1º Esta Resolução dispõe sobre a abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente, em conformidade com a política nacional de atendimento da criança e do adolescente prevista nos arts. 86 e 87, incisos I, III, V, da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990.
§ 1º Por 'comunicação mercadológica' entende-se toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas independentemente do suporte, da mídia ou do meio utilizado.
§ 2º A comunicação mercadológica abrange, dentre outras ferramentas, anúncios impressos, comerciais televisivos, spots de rádio, banners e páginas na internet, embalagens, promoções, merchandising, ações por meio de shows e apresentações e disposição dos produtos nos pontos de vendas.
Art. 2º Considera-se abusiva, em razão da política nacional de atendimento da criança e do adolescente, a prática do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança, com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço e utilizando-se, dentre outros, dos seguintes aspectos:
I - linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores;
II - trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança;
III - representação de criança;
IV - pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil;
V - personagens ou apresentadores infantis;
VI - desenho animado ou de animação;
VII - bonecos ou similares;
VIII - promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil; e
IX - promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil.
§ 1º O disposto no caput se aplica à publicidade e à comunicação mercadológica realizada, dentre outros meios e lugares, em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais televisivos, em qualquer horário, por meio de qualquer suporte ou mídia, seja de produtos ou serviços relacionados à infância ou relacionados ao público adolescente e adulto.
§ 2º Considera-se abusiva a publicidade e comunicação mercadológica no interior de creches e das instituições escolares da educação infantil e fundamental, inclusive em seus uniformes escolares ou materiais didáticos.
§ 3º As disposições neste artigo não se aplicam às campanhas de utilidade pública que não configurem estratégia publicitária referente a informações sobre boa alimentação, segurança, educação, saúde, entre outros itens relativos ao melhor desenvolvimento da criança no meio social.
Art. 3º São princípios gerais a serem aplicados à publicidade e à comunicação mercadológica dirigida ao adolescente, além daqueles previstos na Constituição Federal, na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, Estatuto da Criança e do Adolescente, e na Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, Código de Defesa do Consumidor, os seguintes:
I - respeito à dignidade da pessoa humana, à intimidade, ao interesse social, às instituições e símbolos nacionais;
II - atenção e cuidado especial às características psicológicas do adolescente e sua condição de pessoa em desenvolvimento;
III - não permitir que a influência do anúncio leve o adolescente a constranger seus responsáveis ou a conduzi-los a uma posição socialmente inferior;
IV - não favorecer ou estimular qualquer espécie de ofensa ou discriminação de gênero, orientação sexual e identidade de gênero, racial, social, política, religiosa ou de nacionalidade;
V - não induzir, mesmo implicitamente, sentimento de inferioridade no adolescente, caso este não consuma determinado produto ou serviço;
VI - não induzir, favorecer, enaltecer ou estimular de qualquer forma atividades ilegais.
VII - não induzir, de forma alguma, a qualquer espécie de violência;
VIII - a qualquer forma de degradação do meio ambiente; e
IX - primar por uma apresentação verdadeira do produto ou serviço oferecido, esclarecendo sobre suas características e funcionamento, considerando especialmente as características peculiares do público-alvo a que se destina.  
Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
*(Atualizado em 29/01/2021) #DEOLHONAJURIS É abusiva a publicidade de alimentos direcionada, de forma explícita ou implícita, a crianças. A decisão de comprar gêneros alimentícios cabe aos pais, especialmente em época de altos e preocupantes índices de obesidade infantil, um grave problema nacional de saúde pública. Diante disso, consoante o art. 37, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor, estão vedadas campanhas publicitárias que utilizem ou manipulem o universo lúdico infantil. Se criança, no mercado de consumo, não exerce atos jurídicos em seu nome e por vontade própria, por lhe faltar poder de consentimento, tampouco deve ser destinatária de publicidade que, fazendo tábula rasa da realidade notória, a incita a agir como se plenamente capaz fosse. STJ. 2ª Turma. REsp 1.613.561-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 25/04/2017 (Info 679).
#DEOLHONAJURIS:
É possível o redirecionamento da condenação de veicular contrapropaganda imposta a posto de gasolina matriz à sua filial. Ainda que possuam CNPJ diversos e autonomia administrativa e operacional, as filiais são um desdobramento da matriz por integrar a pessoa jurídica como um todo. Eventual decisão contrária à matriz por atos prejudiciais a consumidores é extensível às filiais. Obs: a contrapropaganda é uma medida imposta nos casos de veiculação de publicidade inverídica ou abusiva, que busca anular ou compensar os efeitos nocivos da publicidade ilícita. A finalidade, portanto, é corrigir o desvio cometido na publicidade antijurídica veiculada pelo fornecedor. STJ. 3ª Turma. REsp 1655796-MT, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 11/02/2020 (Info 665).
A Lei nº 9.294/96 estabelece que as fabricantes de cigarro são obrigadas a inserir, nas embalagens e nos maços do produto, uma imagem e uma mensagem informando sobre os malefícios do tabaco para a saúde. O que algumas fabricantes de cigarro começaram a fazer? Inseriram, dentro das embalagens, um “cartão” móvel, de papel, do tamanho exato da embalagem. Um dos lados do cartão traz a mensagem e a foto determinados pelo Ministério da Saúde. No entanto, é possível virar o cartão e, neste outro lado, há o logotipo da empresa. Assim, o consumidor pode retirar do plástico esse cartão e virar o seu lado, de forma que a mensagem e a imagem de advertência ficarão cobertos. O STJ entendeu que a inserção de cartões informativos no interior das embalagens de cigarros não constitui prática de publicidade abusiva apta a caracterizar dano moral coletivo. O suposto dano moral coletivo estaria alicerçadona possibilidade de o consumidor utilizar os cartões para obstruir a advertência sobre os malefícios do cigarro. Assim, a responsabilidade civil estaria sendo imputada a alguém que não praticou o ato, além do dano ser presumido, uma vez que não se tem notícia que algum consumidor os teria utilizado para encobrir as advertências. O fumante que se utiliza dos cartões inserts ou onserts quer tampar a visão do aviso dos malefícios que ele sabe que o cigarro causa à saúde. STJ. 3ª Turma. REsp 1703077-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Moura Ribeiro, julgado em 11/12/2018 (Info 642).
O art. 54, § 3º do CDC prevê que, nos contratos de adesão, o tamanho da fonte não pode ser inferior a 12. Essa regra do art. 54, § 3º NÃO se aplica para ofertas publicitárias. Assim, as letras que aparecem no comercial de TV ou em um encarte publicitário não precisam ter, no mínimo, tamanho 12. STJ. 3ª Turma. REsp 1602678-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 23/5/2017 (Info 605).
6.3 Contrapropaganda 
Consiste em um dos instrumentos fornecidos pelo CDC para a defesa dos princípios e orientações imperativos das relações de consumo. Possui natureza jurídica de sanção administrativa e poderá ser aplicada sempre que o fornecedor incorrer em publicidade enganosa ou abusiva.
Art. 60. A imposição de contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer na prática de publicidade enganosa ou abusiva, nos termos do art. 36 e seus parágrafos, sempre às expensas do infrator.
§ 1º A contrapropaganda será divulgada pelo responsável da mesma forma, freqüência e dimensão e, preferencialmente no mesmo veículo, local, espaço e horário, de forma capaz de desfazer o malefício da publicidade enganosa ou abusiva.
§ 2° (Vetado)
§ 3° (Vetado).
*(Atualizado em 10/05/2020) #DEOLHONAJURIS: Se a matriz havia sido condenada a publicar contrapropaganda, mas encerrou suas atividades, essa condenação poderá ser redirecionada para a filial. É possível o redirecionamento da condenação de veicular contrapropaganda imposta a posto de gasolina matriz à sua filial. Ainda que possuam CNPJ diversos e autonomia administrativa e operacional, as filiais são um desdobramento da matriz por integrar a pessoa jurídica como um todo. Eventual decisão contrária à matriz por atos prejudiciais a consumidores é extensível às filiais. Obs: a contrapropaganda é uma medida imposta nos casos de veiculação de publicidade inverídica ou abusiva, que busca anular ou compensar os efeitos nocivos da publicidade ilícita. A finalidade, portanto, é corrigir o desvio cometido na publicidade antijurídica veiculada pelo fornecedor. STJ. 3ª Turma. REsp 1.655.796-MT, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 11/02/2020 (Info 665).
	DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO
	DIPLOMA
	DISPOSITIVO
	Código de Defesa do Consumidor
	Art. 30 a 38
	BIBLIOGRAFIA UTILIZADA
Interesses Difusos e Coletivos - Adriano Andrade, Cleber Masson, Landolfo Andrade.  
Manual de Direito do Consumidor à luz da jurisprudência do STJ, Felipe Braga Netto.
Manual de Direito do Consumidor, Flávio Tartuce.
Cavalcante, Márcio André Lopes, Informativos esquematizados do Dizer o Direito.
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