Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

A TERCEIRIZAÇÃO 
TRABALHISTA E A 
RESPONSABILIDADE POR 
VERBAS TRABALHISTAS
Programa de Pós-Graduação EAD
UNIASSELVI-PÓS
Autoria: Mariana dos Reis André Cruz Poli
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Reitor: Prof. Hermínio Kloch
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Equipe Multidisciplinar da 
Pós-Graduação EAD: Carlos Fabiano Fistarol
 Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
 Cristiane Lisandra Danna
 Norberto Siegel
 Camila Roczanski
 Julia dos Santos
 Ariana Monique Dalri
 Bárbara Pricila Franz
 Marcelo Bucci
Revisão de Conteúdo: Lucilaine Ignacio da Silva
Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais
Diagramação e Capa: UNIASSELVI
Copyright © UNIASSELVI 2018
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
 UNIASSELVI – Indaial.
P766a
 Poli, Mariana dos Reis André Cruz
 A terceirização trabalhista e a responsabilidade por verbas tra-
balhistas. / Mariana dos Reis André Cruz Poli – Indaial: UNIASSELVI, 2018.
 108 p.; il.
 ISBN 978-85-53158-41-6
 1.Direito do trabalho – Brasil. 2.Terceirização – Legislação – Brasil. 
II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
CDD 344.8101
Mariana dos Reis André Cruz Poli
Mestre em Direito Constitucional do Programa Stricto 
Sensu em Direito de Pós-graduação da Instituição 
Toledo de Ensino de Bauru-SP. Especialista em 
Direito Público pela Universidade Gama Filho. 
Especialista em Direito Tributário pela Fundação 
Getúlio Vargas de São Paulo. Advogada.
Sumário
APRESENTAÇÃO.....................................................................07
CAPÍTULO 1
Introdução ao Estudo da Terceirização Trabalhista ......09
CAPÍTULO 2
Caracterização e Efeitos Jurídicos ...................................23
CAPÍTULO 3
CAPÍTULO 4
CAPÍTULO 5
CAPÍTULO 6
CAPÍTULO 7
CAPÍTULO 8
Especificidade da Administração Pública...........................37
Terceirização Através da Lei Nº 6.019/74 ...........................47
Terceirização e Responsabilidade ......................................67
Pontos Relevantes da Terceirização Trabalhista ...........79
Aspectos Processuais ......................................................... 91 
Do Controle da Terceirização ..........................................103
APRESENTAÇÃO
Este livro foi elaborado com o objetivo de ressaltar as alterações ocorridas 
na Lei 6.019/1974, bem como na aplicação da Súmula 331, do Tribunal Superior 
do Trabalho, no tocante a Terceirização Trabalhista, em decorrência da aprovação 
em 2017 das Leis nº 13.429 e 13.467.
O livro apresentará lacunas, bem como não esgotará todo o tema, pois, por se 
tratar de legislação nova no âmbito trabalhista, ainda há necessidade de aguardar 
o posicionamento que será adotado pela doutrina majoritária e jurisprudência.
A matéria, Terceirização Trabalhista, é examinada não apenas de forma 
conceitual, mas também, através de análise de questões controvertidas 
verificadas, principalmente, após a Reforma Trabalhista de 2017.
Com o estudo da evolução histórica deste instituto será possível compreender 
o seu desenvolvimento e a sua criação ao longo da evolução da legislação no 
Brasil e no mundo, bem como o motivo pelo qual adotaram as terminologias 
utilizadas na legislação e o fundamento, o momento político e social que era vivido 
quando foi fomentada a utilização da Terceirização Trabalhista.
 Igualmente, será possível caracterizar os tipos de terceirizações que existem 
em nosso ordenamento jurídico, bem como quais serão os efeitos que cada um 
deles trará para o contrato de prestação de serviços, levando-se em consideração 
a responsabilidade do tomador de serviços e do fornecedor de mão de obra 
através do presente instituto.
Ainda, será observado e demonstrado em quais hipóteses será possível a 
contratação de empresa terceirizada pela Administração Pública, bem como quais 
serão as suas responsabilidades perante as verbas trabalhistas do empregado 
terceirizado, diante de suas especificidades.
 
Através da identificação das alterações realizadas na Lei nº 6.019/74, será 
possível identificar a possibilidade de aplicação da lei do trabalho temporário para 
a terceirização trabalhista, bem como as hipóteses de pactuação, as formalidades 
e prazos estabelecidos e que devem ser respeitados, sob pena de, muitas vezes, 
ser considerada a nulidade do contrato de prestação de serviços formalizado 
entre tomador e terceirizante.
A partir da análise do presente livro, será possível compreender as 
diferenciadas situações de terceirização trabalhista que podem ocorrer no dia 
a dia, bem como a forma correta de garantir os direitos deste instituto, quando 
violados, junto ao poder judiciário.
Por fim, e não menos importante, restará evidente as limitações da 
terceirização trabalhista.
Bons estudos!
CAPÍTULO 1
Introdução ao Estudo da 
Terceirização Trabalhista
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Compreender o surgimento, a evolução, o conceito e os fundamentos da 
terceirização trabalhista, identificando suas funções e características.
� Analisar as relações de trabalho em relação à terceirização com base nos 
direitos e garantias fundamentais.
� Analisar a influência da Lei 13.429/2017 na terceirização.
10
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
11
Introdução ao Estudo da Terceirização 
Trabalhista
 Capítulo 1 
Contextualização
A terceirização trabalhista surgiu em decorrência da globalização e de crises 
econômicas suportadas pelos mais diversos países como forma de baixar custo 
de produção.
Assim, restará devidamente demonstrado com a evolução e contexto 
históricos do surgimento deste instituto, a terceirização trabalhista, que este foi 
criado tão somente para atender às necessidades das empresas, o que gerou 
muito desgastes e fraudes em detrimento do empregado.
Com ele surge o modelo trilateral de relação socioeconômica e jurídica, 
sendo que até então se falava apenas em relação bilateral de trabalho.
Toda essa construção normativa e de costume restará devidamente 
demonstrada neste capítulo.
Evolução Histórica da Terceirização 
Trabalhista
Conforme lição de Sergio Pinto Martins (2017, p. 22, que norteia todo este 
estudo sobre a evolução histórica desse instituto, a terceirização surgiu no 
Brasil, pelas multinacionais, “por volta do ano de 1950, pelo interesse que tinham 
em se preocupar apenas com a essência do seu negócio”, com o objetivo de 
desverticalizar as empresas, gerando novos empregos e novas empresas 
especializadas em determinado ramo de prestação de serviços, sendo a 
terceirização, um ramo bastante dinâmico, e que deve ser compatibilizado com a 
legislação vigente.
Este fenômeno possui realidade histórico-cultural e deve ser analisado de 
acordo com a noção do seu desenvolvimento dinâmico no transcurso do tempo, 
uma vez que ao estudar o passado, compreende-se o que ocorreu com o instituto 
durante o passar dos anos, tantos seus progressos como retrocessos.
Para se ter ideia, na Grécia, tivemos as primeiras aparições da terceirização 
trabalhista, já que as pessoas alugavam escravos, os quais eram usados no 
trabalho nas minas.
Frisa-se que as terceirizações surgiram, com maior ou menor intensidade 
em alguns países, mas em razão das crises econômicas passadas nestes locais, 
12
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
já que em época de crise o empresário busca diminuir o custo da produção, 
principalmente do que lhe é mais oneroso, ou seja, a mão de obra.
A terceirização também esteve presente no período da Segunda Guerra 
Mundial, oportunidade em que as indústrias bélicas estavam assoberbadas 
de trabalho e não estavam conseguindona Lei nº 
6.019/1974.
� Diferenciar as hipóteses de aplicação das penas privativas de liberdade e 
restritiva de direitos.
Professora convidada:
Gabriela Gavioli
48
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
49
Terceirização Através da Lei Nº 6.019/74 Capítulo 4 
Contextualização
A Lei nº 6.019/1974 sofreu duas alterações no ano de 2017, a primeira foi 
com o advento da Lei nº 13.429, de 31 de março, e a segunda modificação foi 
com a Lei nº 13.467, de 13 de julho.
A Lei nº 13.429/2017 alterou os dispositivos legais da Lei nº 6.019/1974, que 
dispõe sobre o trabalho temporário, e versa sobre as relações de trabalho na 
empresa de prestação de serviços a terceiros.
Já a segunda Lei, nº 13.467/2017, também conhecida como Reforma 
Trabalhista, alterou diversos artigos da Lei nº 6.019/1974, inclusive, incluindo 
novas regras para a terceirização trabalhista. 
Assim, a partir da análise do artigo 1º da Lei nº 6.019/1974, nota-se que, 
com a alteração realizada pela Lei no 13.429/2017, as relações de trabalho na 
empresa de trabalho temporário, na empresa de prestações de serviços e nas 
respectivas tomadoras de serviço e contratante são regidas pela Lei do Trabalho 
Temporário, in verbis: 
Art. 1o As relações de trabalho na empresa de trabalho 
temporário, na empresa de prestação de serviços e nas 
respectivas tomadoras de serviço e contratante regem-se por 
esta Lei.
Assim, é possível concluir que os temas relativos ao trabalho 
temporário e a terceirização agora são regidos pela mesma legislação, 
sendo que até a entrada em vigor da Lei nº 13.429/2017, a terceirização 
era disciplinada tão somente pela Súmula 331, do TST, a qual teve sua 
aplicação suspensa, ou até mesmo revogada, ainda que parcialmente.
Que os temas 
relativos ao trabalho 
temporário e a 
terceirização agora 
são regidos pela 
mesma legislação.
Do Trabalho Temporário
O artigo 2º da Lei no 6.019/1974, com a redação dada pela Lei no 13.429/2017, 
conceitua trabalho temporário como sendo:
Aquele prestado por pessoa física contratada por uma empresa 
de trabalho temporário que a coloca à disposição de uma 
empresa tomadora de serviços, para atender à necessidade de 
substituição transitória de pessoal permanente ou à demanda 
complementar de serviços (grifo nosso).
50
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
A fim de esclarecer o que é uma demanda complementar, o §2º, do artigo 2º, 
da Lei no 6.019/1974, cuja redação foi incluída pela Lei no 13.429/2017, de forma 
expressa, dispõe que:
§2o Considera-se complementar a demanda de serviços que 
seja oriunda de fatores imprevisíveis ou, quando decorrente de 
fatores previsíveis, tenha natureza intermitente, periódica ou 
sazonal (grifo nosso).
Exemplificando o que é considerado fator de natureza periódica, 
temos o caso do afastamento da gestante por 120 (cento e vinte) dias. 
Já um caso sazonal, podemos citar os casos de safra. 
Segundo Mauricio Delgado Godinho (2012, p. 461), o fator 
natureza periódica pode ser dividido em duas hipóteses:
A primeira dessas hipóteses (necessidade transitória de 
substituição de pessoal regular e permanente da empresa 
tomadora) diz respeito a situações rotineiras de substituição 
de empregados originais da empresa tomadora (férias; licença-
maternidade; outras licenças previdenciárias etc.).
A segunda dessas hipóteses (necessidade resultante de 
acréscimo extraordinário de serviços da empresa tomadora) 
abrange situações de elevação excepcional da produção ou de 
serviço da empresa tomadora. 
Evidente, portanto, que são estritas as hipóteses de formalização da 
pactuação de contrato temporário.
 
Ainda, o mesmo artigo 2º, da Lei no 6.019/1974, em seu parágrafo 1º, 
cuja redação também foi incluída pela Lei no 13.429/2017, de forma expressa, 
estabelece um proibitivo para a contratação de trabalhador temporário, vejamos:
§1o É proibida a contratação de trabalho temporário para 
a substituição de trabalhadores em greve, salvo nos casos 
previstos em lei (grifo nosso).
A proibição acima prevista na legislação tem o intuito de não inviabilizar a 
greve, pois se o empregador contratar temporários para substituir os grevistas, 
não haverá qualquer efeito a paralização dos obreiros grevistas.
Importante salientar que, em caso de greve abusiva é possível a 
contratação de trabalhador temporário, conforme artigos 9º e 14 da Lei 
nº 7.783/1989, a qual dispõe sobre o exercício do direito de greve, define as 
atividades essenciais, regula o atendimento das necessidades inadiáveis da 
comunidade e dá outras providências.
Exemplificando o 
que é considerado 
fator de natureza 
periódica, temos o 
caso do afastamento 
da gestante por 120 
(cento e vinte) dias. 
Já um caso sazonal, 
podemos citar os 
casos de safra.
51
Terceirização Através da Lei Nº 6.019/74 Capítulo 4 
Para que não pairem dúvidas sobre o que é greve abusiva e que permite a 
contratação de trabalhador temporário, vale transcrever os artigos 9º e 14 da Lei 
no 7.783/1989, in verbis:
Art. 9º Durante a greve, o sindicato ou a comissão de 
negociação, mediante acordo com a entidade patronal ou 
diretamente com o empregador, manterá em atividade equipes 
de empregados com o propósito de assegurar os serviços cuja 
paralisação resultem em prejuízo irreparável, pela deterioração 
irreversível de bens, máquinas e equipamentos, bem como a 
manutenção daqueles essenciais à retomada das atividades 
da empresa quando da cessação do movimento.
[...]
Art. 14 Constitui abuso do direito de greve a inobservância 
das normas contidas na presente Lei, bem como a 
manutenção da paralisação após a celebração de acordo, 
convenção ou decisão da Justiça do Trabalho. (grifo nosso)
Parágrafo único. Na vigência de acordo, convenção ou 
sentença normativa não constitui abuso do exercício do direito 
de greve a paralisação que:
I - tenha por objetivo exigir o cumprimento de cláusula ou 
condição;
II - seja motivada pela superveniência de fatos novos ou 
acontecimento imprevisto que modifique substancialmente a 
relação de trabalho.
Para Gustavo Filipe Barbosa Garcia (2018, p. 221), embora apontado por 
parte da doutrina que o trabalho temporário é uma modalidade expressamente 
prevista em lei de terceirização, 
[...] no trabalho temporário o que ocorre, na realidade, não 
é a contratação de serviços especializados pela empresa 
prestadora (terceirizada), mas sim o fornecimento de mão de 
obra, em regra vedado pelo sistema jurídico, embora admitido, 
excepcionalmente, nas hipóteses legais em questão [...].
No entanto, uma vez ausentes as razões justificadoras do contrato de 
prestação de serviços temporários e, ainda assim, este for firmado, a relação de 
emprego será reconhecida diretamente com o tomador de serviço, uma vez que a 
relação triangular existente é fraudulenta, nos termos do artigo 9º da CLT. Vejamos:
Art. 9º - Serão nulos de pleno direito os atos praticados com 
o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos 
preceitos contidos na presente Consolidação.
Saliente-se que, na terceirização lícita, não há pessoalidade e subordinação 
direta entre o empregado da prestadora de serviço e a empresa tomadora de 
serviço, sendo certo que, uma vez que para o tomador de serviço não “importa” o 
profissional que vai realizar o serviço, o seu interesse é que a tarefa seja realizada 
com qualidade e dentro do prazo estipulado.
52
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Nos termos do artigo 3º, da Lei nº 6.019/1974, a prestação de serviço 
realizada pelo trabalhador temporário é executada por intermédio da empresa de 
trabalho temporário. Logo, o enquadramento sindical a que se refere o artigo 577, 
da CLT, será realizado com base na atividade principal da prestadora de serviço.
Segue a transcrição do artigo 3º da Lei no 6.019/1974 e do artigo577, da 
CLT, respectivamente:
Art. 3º É reconhecida a atividade da empresa de trabalho 
temporário que passa a integrar o plano básico do 
enquadramento sindical a que se refere o art. 577, da 
Consolidação da Leis do Trabalho.
Art. 577 O Quadro de Atividades e Profissões em vigor fixará o 
plano básico do enquadramento sindical.
Segundo o artigo 4º da Lei no 6.019/74, já com as alterações trazidas pela Lei 
no 13.429/2017, empresa de trabalho temporário é:
Art. 4o Empresa de trabalho temporário é a pessoa jurídica, 
devidamente registrada no Ministério do Trabalho, 
responsável pela colocação de trabalhadores à disposição 
de outras empresas temporariamente. (grifo nosso) 
A alteração trazida pela Lei no 13.429/2017 permitiu a realização do trabalho 
temporário no âmbito rural.
Na sequência, o artigo 5º da Lei no 6.019/74, também com a redação alterada 
pela Lei no 13.429/2017, define empresa tomadora de serviço como sendo:
Art. 5o Empresa tomadora de serviços é a pessoa jurídica ou 
entidade a ela equiparada que celebra contrato de prestação 
de trabalho temporário com a empresa definida no art. 4o desta 
Lei. (grifo nosso)
Portanto, da análise da redação do artigo 5º, é possível concluir 
que pessoa física não pode ser tomadora de serviços no trabalho 
temporário, bem como faz com que seja necessária a reflexão sobre o 
que é entidade equiparada à pessoa jurídica.
Por entidade equiparada a pessoa jurídica, podemos entender que são as 
consideradas empresas individuais e os entes despersonalizados, como os 
condomínios, por exemplo, já que estes recebem tratamento jurídico equivalente 
ao da pessoa jurídica.
Importante ressaltar que para o funcionamento de uma empresa de trabalho 
temporário é necessário preencher os requisitos previstos no artigo 6º, da Lei no 
6.019/74, também alterado pela Lei nº 13.429/2017, a seguir transcrito:
Pessoa física não 
pode ser tomadora 
de serviços no 
trabalho temporário.
53
Terceirização Através da Lei Nº 6.019/74 Capítulo 4 
Art. 6o São requisitos para funcionamento e registro da empresa 
de trabalho temporário no Ministério do Trabalho?
a) (revogada); 
b) (revogada); 
c) (revogada); 
d) (revogada); 
e) (revogada); 
f) (revogada); 
I - prova de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica 
(CNPJ), do Ministério da Fazenda; 
II - prova do competente registro na Junta Comercial da 
localidade em que tenha sede; 
III - prova de possuir capital social de, no mínimo, R$ 100.000,00 
(cem mil reais). 
Parágrafo único. (Revogado). 
Para ser o contrato celebrado entre a empresa de trabalho temporário e o 
tomador de serviços, é necessário o cumprimento das formalidades previstas no 
artigo 9º, da Lei nº 6.019/74, também alterado pela Lei nº 13.429/2017, vejamos: 
Art. 9o O contrato celebrado pela empresa de trabalho temporário 
e a tomadora de serviços será por escrito, ficará à disposição 
da autoridade fiscalizadora no estabelecimento da tomadora 
de serviços e conterá: (grifo nosso) 
I - qualificação das partes; 
II - motivo justificador da demanda de trabalho temporário; 
III - prazo da prestação de serviços; 
IV - valor da prestação de serviços; 
V - disposições sobre a segurança e a saúde do trabalhador, 
independentemente do local de realização do trabalho. 
§ 1o É responsabilidade da empresa contratante garantir 
as condições de segurança, higiene e salubridade dos 
trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas 
dependências ou em local por ela designado. 
 § 2o A contratante estenderá ao trabalhador da empresa de 
trabalho temporário o mesmo atendimento médico, ambulatorial 
e de refeição destinado aos seus empregados, existente nas 
dependências da contratante, ou local por ela designado. 
§ 3o O contrato de trabalho temporário pode versar sobre o 
desenvolvimento de atividades-meio e atividades-fim a serem 
executadas na empresa tomadora de serviços (grifo nosso).
A partir da análise do § 1º do artigo transcrito, é possível observar que a 
tomadora de serviço é a responsável pelo ambiente de trabalho onde será 
prestado serviço, ou seja, ela tem de “garantir as condições de segurança, higiene 
e salubridade”, além de estender, ao trabalhador temporário, os mesmos 
benefícios que seus funcionários possuem, conforme disposição do parágrafo 
segundo do citado artigo de lei.
Saliente-se que, diferentemente do que é garantido aos trabalhadores 
temporários, em primeira análise da legislação vigente, não é obrigação do 
54
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
tomador de serviço estender para os funcionários terceirizados, os 
mesmos benefícios que são concedidos aos seus empregados.
Por fim, verifica-se que o trabalho temporário, por ser uma 
modalidade excepcional, pode ocorrer, tanto da atividade-meio como 
da atividade-fim da empresa tomadora de serviços, o que anteriormente 
somente era possível esse tipo de contrato de prestação de serviço 
quando se tratava da atividade-meio.
Após a entrada em vigor das Leis nº 13.427 e no 13.467, ambas do ano 
de 2017, estes conceitos não são mais relevantes, já que possibilitaram a 
terceirização de toda e qualquer atividade da empresa tomadora de serviços.
Vejamos o artigo 4º-A, da Lei nº 13.467/2017, também denominada de 
Reforma Trabalhista:
Art. 4o-A. Considera-se prestação de serviços a terceiros 
a transferência feita pela contratante da execução de 
quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade 
principal, à pessoa jurídica de direito privado prestadora de 
serviços que possua capacidade econômica compatível com a 
sua execução (grifo nosso).
Em que pese já estar superada a discussão da doutrina e jurisprudência 
acerca do tema, importante salientar que atividade-meio e atividade-fim, na 
lição de Gustavo Filipe Barbosa Garcia, (2018, p. 401, grifo nosso), é: “Atividade 
meio é a de mero suporte, acessória ou periférica, que não integra o núcleo, ou 
seja, a essência das atividades empresariais do tomador, enquanto a atividade-
fim é a que compõe a atividade principal da empresa”. 
Assim, da análise dos conceitos transcritos, verifica-se que a atividade-
meio é aquela que não é a preponderante da empresa, por exemplo, limpeza e 
vigilância de uma agência bancária. Já a atividade-fim é a principal da tomadora 
de serviços, por exemplo, empresa de transporte de carga, o motorista que faz o 
deslocamento da carga atua em sua atividade-fim.
Interessante que, ao aprofundar o estudo acerca do artigo 4º-A, da Lei no 
6.019/1974, conclui-se que a empresa prestadora de serviço poderá ser tão 
somente pessoa jurídica de direito privado, não podendo mais ser pessoa 
física e, tampouco, empresário individual, como possibilitava a antiga redação do 
artigo 4º, da Lei ora em comento. 
A título de curiosidade, segue transcrição do artigo revogado pela Reforma 
Trabalhista:
Não é obrigação 
do tomador de 
serviço estender 
para os funcionários 
terceirizados, os 
mesmos benefícios 
que são concedidos 
aos seus 
empregados.
55
Terceirização Através da Lei Nº 6.019/74 Capítulo 4 
Art. 4º - Compreende-se como empresa de trabalho 
temporário a pessoa física ou jurídica urbana, cuja atividade 
consiste em colocar à disposição de outras empresas, 
temporariamente, trabalhadores, devidamente qualificados, 
por elas remunerados e assistidos (grifo nosso).
Conforme bem salientado por Gustavo Filipe Barbosa Garcia (2018, p. 401), 
a jurisprudência, até a entrada em vigor da Reforma Trabalhista, era no sentido de 
que “em regra, admitia a terceirização apenas de serviço de vigilância, limpeza, 
e de atividades-meio da empresa tomadora”. Neste sentido, era o inciso III, da 
Súmula 331, do TST:
III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação 
de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de 
conservaçãoe limpeza, bem como a de serviços especializados 
ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a 
pessoalidade e a subordinação direta.
Em continuidade ao estudo do artigo 4º-A, da Lei no 6.019/1974 temos os 
parágrafos 1º e 2º, ambos inseridos pela Lei nº 13.429/2017, in verbis:
§ 1o A empresa prestadora de serviços contrata, remunera 
e dirige o trabalho realizado por seus trabalhadores, ou 
subcontrata outras empresas para realização desses 
serviços.
§ 2o Não se configura vínculo empregatício entre os 
trabalhadores, ou sócios das empresas prestadoras de serviços, 
qualquer que seja o seu ramo, e a empresa contratante (grifo 
nosso).
O trabalho humano não pode ser tratado como mercadoria, uma vez que 
é constitucionalmente protegido, sendo certo que em sendo tratado como 
objeto, acarretará afronta a um direito fundamental, qual seja, dignidade da 
pessoa humana.
Ainda assim, a Lei nº 13.429/2017 permitiu a terceirização em cadeia, ou 
seja, a empresa prestadora de serviço subcontrata outras empresas para realizar 
o serviço contratado pela tomadora, o que se depreende da simples análise da 
parte final do parágrafo 1º, do artigo 4º-A, da Lei no 6.019/74, “ou subcontrata 
outras empresas para realização desses serviços”.
Em primeiro momento, é possível concluir que a Reforma Trabalhista trará 
cada vez mais a precarização da mão de obra, pois as empresas subcontratadas 
para a prestação de serviço para o tomador a fim de conseguir mercado terão 
que ter preços competitivos, e muitas vezes, muito abaixo do mercado, o que 
depreciará o empregado como pessoa, gerando baixos salários e mínimas 
garantias de condições de trabalho. 
56
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
A terceirização em cadeia não pode ser confundida com quarteirização, 
conforme nos ensina Gustavo Filipe Barbosa Garcia, (2018, p.402):
[...] a rigor, essa hipótese pode se distinguir da quarteirização, 
na qual certa empresa é contratada para administrar e gerir 
os diversos contratos de prestação de serviços mantidos pela 
empresa contratante.
Diferentemente do esposado no inciso III, da Súmula 331, do TST, transcrito, 
o §1º do artigo 4º- A, da Lei nº 6.019/1974, ampliou as possibilidades de não 
caracterização de vínculo de emprego com o tomador de serviço, pressupondo, 
por óbvio, que a terceirização tenha respeitado os requisitos do artigo 4º-B, da Lei 
nº 6.019/1974, inserido pela Lei nº 13.429/2017:
Art. 4o-B. São requisitos para o funcionamento da empresa de 
prestação de serviços a terceiros: 
I - prova de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica 
(CNPJ); 
II - registro na Junta Comercial; 
III - capital social compatível com o número de empregados, 
observando-se os seguintes parâmetros: 
a) empresas com até dez empregados - capital mínimo de R$ 
10.000,00 (dez mil reais); 
b) empresas com mais de dez e até vinte empregados - capital 
mínimo de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais 
c) empresas com mais de vinte e até cinquenta empregados 
- capital mínimo de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais); 
d) empresas com mais de cinquenta e até cem empregados - 
capital mínimo de R$ 100.000,00 (cem mil reais); 
e) empresas com mais de cem empregados - capital mínimo de 
R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais).
Diante da flexibilização acima apontada, principalmente no que tange ao 
não reconhecimento de vínculo de emprego entre o prestador de serviço e o 
tomador o legislador instituiu uma “quarentena” de 18 (dezoito) meses para que o 
seu funcionário, dispensado imotivadamente ou por acordo, seja recontratado na 
modalidade de pessoa jurídica, garantindo assim que não ocorra fraude através 
da chamada “pejotização”.
Vejamos o artigo 5º - C, da Lei nº 6.019/1974, inserido pela Reforma 
Trabalhista de 2017:
Não pode figurar como contratada, nos termos do art. 
4o-A desta Lei, a pessoa jurídica cujos titulares ou sócios 
tenham, nos últimos dezoito meses, prestado serviços à 
contratante na qualidade de empregado ou trabalhador 
sem vínculo empregatício, exceto se os referidos titulares ou 
sócios forem aposentados (grifo nosso).
57
Terceirização Através da Lei Nº 6.019/74 Capítulo 4 
Mas, o legislador permitiu uma exceção, em caso de aposentadoria do 
funcionário, não há necessidade de aguardar o período de 18 (dezoito) meses 
para a sua contratação como pessoa jurídica.
Ainda, em respeito a hipossuficiência do trabalhador, o legislador quando 
da edição da Lei nº 13.467/2018, incluiu o artigo 5º - D, na Lei nº 6.019/1974, 
aplicando a mesma “quarentena” de 18 (dezoito) meses para que o funcionário 
da tomadora posso prestar serviço nas suas dependências por meio da empresa 
prestadora de serviços. Vejamos:
Art. 5o-D O empregado que for demitido não poderá prestar 
serviços para esta mesma empresa na qualidade de 
empregado de empresa prestadora de serviços antes do 
decurso de prazo de dezoito meses, contados a partir da 
demissão do empregado (grifo nosso).
Não é demais rememorar que, caso reste caracterizada a contratação por 
empresa interposta, ou seja, a mascaração do vínculo de emprego por fraude, 
deverá ser aplicado o princípio da primazia da realidade, ou seja, a verdade dos 
fatos, combinado com a nulidade do contrato de prestação de serviço nos termos 
do artigo 9º da CLT e, consequente reconhecimento de vínculo de emprego com 
o tomador de serviço.
Ademais, a empresa que intermediou a mão de obra de forma fraudulenta 
responde de forma solidária pelos créditos trabalhistas, nos termos dos artigos 
942 do Código Civil e 8º, parágrafo 1º da CLT, respectivamente:
Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do 
direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; 
e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão 
solidariamente pela reparação.
Parágrafo único. São solidariamente responsáveis com os 
autores os coautores e as pessoas designadas no art. 932.
Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, 
na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme 
o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros 
princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do 
trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito 
comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de 
classe ou particular prevaleça sobre o interesse público.
§ 1º O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho. 
Retomando a questão da terceirização da atividade-fim, temos, segundo 
Sergio Pinto Martins (2017, p. 128), o artigo 170 da Constituição Federal, o qual 
prevê que “a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e 
na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os 
58
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
ditames da justiça social, observados os seguintes princípios”, que permite e 
justifica a possibilidade da terceirização da atividade-fim.
Ainda, verifica-se que, diante da natureza da contratação do trabalhador 
temporário, existe a subordinação jurídica dele em relação ao tomador de 
serviços, sendo que com a reforma trabalhista, não há mais a possibilidade 
de vínculo de emprego entre ela e o trabalhador temporário. Vale transcrever 
o artigo 10, da Lei no 6.019/74, já alterado:
Art. 10. Qualquer que seja o ramo da empresa tomadora 
de serviços, não existe vínculo de emprego entre ela e os 
trabalhadores contratados pelas empresas de trabalho 
temporário.
No entanto, em que pese a disposição legal acima apontada, uma 
vez demonstrado que o trabalho temporário foi realizado de forma 
irregular, com violação ao artigo 9º da Lei no 6.019/74, o vínculo de 
emprego com o tomador de serviços será reconhecido, respondendo 
a empresa de trabalho temporário de forma solidária com a empresa 
tomadora de serviços, nostermos do artigo 942, do CC, transcrito.
O reconhecimento de vínculo empregatício com o tomador de 
serviços será possível em razão do reconhecimento da nulidade decorrente de 
atos fraudulentos praticados no momento da contratação da empresa interposta, 
fato este que será possível a partir da aplicação do artigo 9º, da CLT, vejamos:
Art. 9º - Serão nulos de pleno direito os atos praticados com 
o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos 
preceitos contidos na presente Consolidação.
O contrato de trabalho temporário não pode exceder o prazo de 180 (cento 
e oitenta) dias, conforme disposto no artigo 10, §1º da Lei no 6.019/74, prazo este 
que foi alterado pela reforma trabalhista, Lei nº 13.429/17, podendo ser prorrogado 
por mais 90 (noventa) dias, desde que comprovada a manutenção das condições 
transitórias que o ensejaram (artigo 10, §2º, da Lei no 6.019/74). Vejamos:
Art. 10
[...]
§ 1o O contrato de trabalho temporário, com relação ao mesmo 
empregador, não poderá exceder ao prazo de cento e 
oitenta dias, consecutivos ou não. 
§ 2o O contrato poderá ser prorrogado por até noventa dias, 
consecutivos ou não, além do prazo estabelecido no § 1o deste 
artigo, quando comprovada a manutenção das condições que 
o ensejaram (grifo nosso).
Uma vez 
demonstrado que o 
trabalho temporário 
foi realizado de 
forma irregular, 
com violação ao 
artigo 9º da Lei no 
6.019/74, o vínculo 
de emprego com o 
tomador de serviços 
será reconhecido.
59
Terceirização Através da Lei Nº 6.019/74 Capítulo 4 
No entanto, o contrato de trabalho temporário não se confunde com o 
contrato por prazo determinado previsto na CLT, uma vez que este é realizado 
diretamente entre empregador e empregado e aquele é firmado entre empresas, 
cuja natureza é civil, quais sejam, empresa tomadora de serviços e empresa de 
trabalho temporário.
Ainda, nos termos do §4º, do artigo 10, da Lei no 6.019/74, também incluído 
pela Reforma Trabalhista, prevê, de forma expressa, que não é possível o contrato 
de experiência previsto no parágrafo único do artigo 445, da CLT, para o caso de 
trabalho temporário, in verbis:
Art. 10
[...]
§ 4o Não se aplica ao trabalhador temporário, contratado pela 
tomadora de serviços, o contrato de experiência previsto no 
parágrafo único do art. 445 da Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1o de 
maio de 1943. 
Art. 445 CLT O contrato de trabalho por prazo determinado não 
poderá ser estipulado por mais de 2 (dois) anos, observada a 
regra do art. 451.
Parágrafo único. O contrato de experiência não poderá exceder 
de 90 (noventa) dias.
O contrato de experiência, nos termos do artigo 443, §2º, alínea c, da CLT, 
é uma modalidade de contrato por prazo determinado, firmado diretamente entre 
empregador e empregado, não se confundindo, portanto, com o trabalhador 
terceirizado. Vejamos:
Art. 443 O contrato individual de trabalho poderá ser acordado 
tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito, por prazo 
determinado ou indeterminado, ou para prestação de trabalho 
intermitente.
[...]
§ 2º - O contrato por prazo determinado só será válido em se 
tratando:
a) de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a 
predeterminação do prazo; 
b) de atividades empresariais de caráter transitório; 
c) de contrato de experiência (grifo nosso). 
O trabalhador temporário que cumprir o período estipulado nos §§ 1o e 2o do 
artigo 10 da Lei no 6.019/74, incluído pela Reforma Trabalhista, somente poderá 
ser colocado à disposição da mesma tomadora de serviços em novo contrato 
temporário, após noventa dias do término do contrato anterior, sendo certo que o 
desrespeito a esta regra expressa da lei acarretará o reconhecimento de vínculo 
direto com o tomador (§6º, do artigo 10, Lei no 6.019/74).
60
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Art. 10
[...]
§ 6o A contratação anterior ao prazo previsto no § 5o deste 
artigo caracteriza vínculo empregatício com a tomadora. 
O parágrafo 7º, do artigo 10, da Lei no 6.019/74, prevê que “a contratante 
é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao 
período em que ocorrer o trabalho temporário” (grifo nosso), ou seja, as verbas 
trabalhistas eventualmente devidas e cobradas pelo empregado em sede de 
Reclamação Trabalhista, devem ser pagas primeiramente pela empresa de 
trabalho temporário e somente após esgotados todos os meios de cobrança em 
relação a ela, é que a empresa tomadora será responsabilizada.
Ainda, neste sentido, temos o artigo 14 da Lei no 6.019/74, o qual dispõe que 
“as empresas de trabalho temporário são obrigadas a fornecer às empresas 
tomadoras ou clientes, a seu pedido, comprovante da regularidade de sua 
situação com o Instituto Nacional de Previdência Social”. (grifo nosso)
No tocante à contribuição previdenciária, importante ressaltar o disposto no 
artigo 31, da Lei no 8.212/91, já que a tomadora de serviços deverá reter 11% do 
valor bruto da nota fiscal emitida, vejamos:
Art. 31 A empresa contratante de serviços executados 
mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de 
trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do 
valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços 
e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, 
a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente 
ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia 
útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário 
naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. 
Ressalte-se que o §5º, do artigo 33, da Lei no 8.212/91 é expresso 
no sentido de que a empresa tomadora é diretamente responsável pela 
contribuição previdenciária. Vejamos:
Art. 33
[...]
§ 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente 
autorizadas sempre se presume feito oportuna e 
regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo 
lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando 
diretamente responsável pela importância que deixou de 
receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta 
Lei (grifo nosso).
A empresa tomadora 
é diretamente 
responsável pela 
contribuição 
previdenciária.
61
Terceirização Através da Lei Nº 6.019/74 Capítulo 4 
O artigo 16 da Lei no 6.019/74 reconhece a responsabilidade 
solidária do tomador de serviço pelo pagamento de contribuição 
previdenciária, pela remuneração e indenização do período da 
prestação e serviços, no caso de falência da empresa do trabalhador 
temporário. Vejamos:
 
Art. 16 No caso de falência da empresa de trabalho 
temporário, a empresa tomadora ou cliente é 
solidariamente responsável pelo recolhimento das 
contribuições previdenciárias, no tocante ao tempo 
em que o trabalhador esteve sob suas ordens, assim como em 
referência ao mesmo período, pela remuneração e indenização 
previstas nesta Lei.
O contrato de trabalho celebrado entre empresa de trabalho temporário e 
cada um dos assalariados colocados à disposição de uma empresa tomadora ou 
cliente será, obrigatoriamente, escrito e dele deverão constar, expressamente, os 
direitos conferidos aos trabalhadores pela Lei no 6.019/74 (artigo 11).
Ainda, será nula de pleno direito qualquer cláusula de reserva, proibindo a 
contratação do trabalhador pela empresa tomadora ou cliente ao fim do prazo em 
que tenha sido colocado à sua disposição pela empresa de trabalho temporário.
Em consonância com o artigo 12, da Lei no 6.019/74, ficam assegurados aos 
trabalhadores temporários os direitos a seguir descritos:
Art. 12 Ficam assegurados ao trabalhador temporário os 
seguintes direitos:
a) remuneração equivalente à percebida pelos empregados de 
mesma categoria da empresa tomadora ou cliente calculados 
à base horária, garantida, em qualquer hipótese, a percepção 
do salário mínimo regional;
b) jornada de oito horas, remuneradas as horas extraordinárias 
não excedentesde duas, com acréscimo de 20% (vinte por 
cento);
c) férias proporcionais, nos termos do artigo 25 da Lei nº 5.107, 
de 13 de setembro de 1966;
d) repouso semanal remunerado;
e) adicional por trabalho noturno;
f) indenização por dispensa sem justa causa ou término 
normal do contrato, correspondente a 1/12 (um doze avos) do 
pagamento recebido;
g) seguro contra acidente do trabalho;
h) proteção previdenciária nos termos do disposto na Lei 
Orgânica da Previdência Social, com as alterações introduzidas 
pela Lei nº 5.890, de 8 de junho de 1973 (art. 5º, item III, letra 
"c" do Decreto nº 72.771, de 6 de setembro de 1973).
O artigo 16 da 
Lei no 6.019/74 
reconhece a 
responsabilidade 
solidária do 
tomador de serviço 
pelo pagamento 
de contribuição 
previdenciária.
62
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Além desses direitos, devem ser assegurados ao trabalhador 
temporário os direitos sociais previstos no artigo 7º, da Constituição 
Federal de 1988, o qual em seu “caput” e incisos prevê que: “são 
direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à 
melhoria de sua condição social”.
A empresa tomadora de serviço é obrigada a comunicar a empresa 
de trabalhador temporário a ocorrência de todo tipo de acidente, 
considerando-se como local de trabalho tanto aquele onde se efetua a 
prestação de serviço quanto a sede da empresa de trabalho temporário.
Nos termos do artigo 13, da Lei no 6.019/74, “constituem justa causa 
para rescisão do contrato do trabalhador temporário os atos e circunstâncias 
mencionados nos artigos 482 e 483, da Consolidação das Leis do Trabalho, 
ocorrentes entre o trabalhador e a empresa de trabalho temporário ou entre 
aquele e a empresa cliente onde estiver prestando serviço”.
A fim de explicitar as hipóteses de justa causa, seja aquela aplicada pelo 
empregador, seja aquela aplicada pelo empregado, é importante transcrever os 
artigos 482 e 483 da CLT:
Art. 482 Constituem justa causa para rescisão do contrato 
de trabalho pelo empregador: (grifo nosso)
a) ato de improbidade;
b) incontinência de conduta ou mau procedimento; 
c) negociação habitual por conta própria ou alheia sem 
permissão do empregador, e quando constituir ato de 
concorrência à empresa para a qual trabalha o empregado, ou 
for prejudicial ao serviço; 
d) condenação criminal do empregado, passada em julgado, 
caso não tenha havido suspensão da execução da pena; 
e) desídia no desempenho das respectivas funções; 
f) embriaguez habitual ou em serviço; 
g) violação de segredo da empresa;
h) ato de indisciplina ou de insubordinação;
i) abandono de emprego;
j) ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra 
qualquer pessoa, ou ofensas físicas, nas mesmas condições, 
salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; 
k) ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas físicas 
praticadas contra o empregador e superiores hierárquicos, 
salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; 
l) prática constante de jogos de azar.
m) perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em 
lei para o exercício da profissão, em decorrência de conduta 
dolosa do empregado. 
Parágrafo único - Constitui igualmente justa causa para 
dispensa de empregado a prática, devidamente comprovada 
Além desses 
direitos, devem 
ser assegurados 
ao trabalhador 
temporário os 
direitos sociais 
previstos no artigo 
7º, da Constituição 
Federal de 1988.
63
Terceirização Através da Lei Nº 6.019/74 Capítulo 4 
em inquérito administrativo, de atos atentatórios à segurança 
nacional. 
Art. 483 O empregado poderá considerar rescindido o 
contrato e pleitear a devida indenização quando: (grifo 
nosso)
a) forem exigidos serviços superiores às suas forças, defesos 
por lei, contrários aos bons costumes, ou alheios ao contrato; 
b) for tratado pelo empregador ou por seus superiores 
hierárquicos com rigor excessivo; 
c) correr perigo manifesto de mal considerável; 
d) não cumprir o empregador as obrigações do contrato; 
e) praticar o empregador ou seus prepostos, contra ele ou 
pessoas de sua família, ato lesivo da honra e boa fama; 
f) o empregador ou seus prepostos ofenderem-no fisicamente, 
salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem;
g) o empregador reduzir o seu trabalho, sendo este por peça 
ou tarefa, de forma a afetar sensivelmente a importância dos 
salários.
§ 1º - O empregado poderá suspender a prestação dos 
serviços ou rescindir o contrato, quando tiver de desempenhar 
obrigações legais, incompatíveis com a continuação do serviço.
§ 2º - No caso de morte do empregador constituído em empresa 
individual, é facultado ao empregado rescindir o contrato de 
trabalho.
§ 3º - Nas hipóteses das letras "d" e "g", poderá o empregado 
pleitear a rescisão de seu contrato de trabalho e o pagamento 
das respectivas indenizações, permanecendo ou não no 
serviço até final decisão do processo. 
É vedado à empresa do trabalho temporário cobrar do trabalhador 
qualquer importância, mesmo a título de mediação, podendo apenas 
efetuar os descontos previstos na legislação vigente, conforme 
disposição do artigo 18, da Lei no 6.019/74. Esta infração importa no 
cancelamento do registro para funcionamento da empresa de trabalho 
temporário, sem prejuízo das sanções administrativas e penais cabíveis.
Foi acrescentado, pela Reforma Trabalhista, o artigo 19-A, na Lei 
no 6.019/74, o qual prevê que o descumprimento da Lei do Trabalhador 
Temporário acarretará à empresa infratora, o pagamento de multa, 
sendo que a fiscalização, a autuação e o processo de imposição das multas 
reger-se-ão pelo Título VII da Consolidação das Leis do Trabalho (artigos 626 a 
642 da CLT).
As disposições da Lei no 6.019/74, após a Reforma Trabalhista, não se 
aplicam às empresas de vigilância e transporte, vejamos:
Art. 19-B. O disposto nesta Lei não se aplica às empresas 
de vigilância e transporte de valores, permanecendo as 
respectivas relações de trabalho reguladas por legislação 
Esta infração 
importa no 
cancelamento 
do registro para 
funcionamento 
da empresa de 
trabalho temporário, 
sem prejuízo 
das sanções 
administrativas e 
penais cabíveis.
64
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
especial, e subsidiariamente pela Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de 
maio de 1943. 
Ainda, nos termos do artigo 19-C, da Lei no 6.019/74, também incluído 
pela Lei no 13.429/17, os contratos em vigência, se as partes assim acordarem, 
poderão ser adequados aos termos desta Lei. 
Atividade de Estudos:
1) É possível a terceirização para os aeronautas? Justifique.
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
Algumas Considerações
Diante do atual cenário, ou seja, após a Reforma Trabalhista, verificam-se 
significativas alterações para a terceirização, já que desde novembro de 2017, 
a Lei do Trabalhador Temporário, no 6.019/74, é que regulamenta a relação do 
terceirizado.
Mas nem todas as regras existentes na Lei no 6.019/74 são aplicadas ao 
trabalhador terceirizado, o que é possível verificar da ausência de obrigatoriedade 
em conceder todos os benefícios do empregado da tomadora de serviços ao 
terceirizado, mas tal benefício deve ser concedido ao trabalhador temporário.
Não mantendo esses mesmos direitos, poderia dizer que os trabalhadores 
terceirizados, ao não poderem utilizar, por exemplo, o refeitório da tomadora de 
serviços, estão sofrendo ato discriminatório no ambiente de trabalho ou que está 
sendo violado o princípio da dignidade da pessoahumana, ou ainda, que há 
violação as convenções interacionais da Organização Internacional do Trabalho.
65
Terceirização Através da Lei Nº 6.019/74 Capítulo 4 
São questões para reflexão, pois estamos em uma época de incertezas, 
de inexistência de decisões dos Tribunais Regionais do Trabalho, ou mesmo do 
Tribunal Superior do Trabalho, de como serão acolhidas as questões pertinentes 
à Reforma Trabalhista.
Referências
BRASIL. Súmulas da Jurisprudência Uniforme do Tribunal Superior do Trabalho. 
Resolução nº 220, de 18 de setembro de 2017. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2018.
BRASIL. Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis 
do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, 
e as Leis nos 6.019, de 3 de janeiro de 1974, 8.036, de 11 de maio de 1990, e 
8.212, de 24 de julho de 1991, a fim de adequar a legislação às novas relações 
de trabalho. Promulgada em 13 de julho de 2017. Disponível em: . Acesso em: 
15 maio 2018.
BRASIL. Lei n. 13.429 de 31 de março de 2017. Altera dispositivos da Lei n. 
6.019, de 3 de janeiro de 1974, que dispõe sobre o trabalho temporário nas 
empresas urbanas e dá outras providências; e dispõe sobre as relações de 
trabalho na empresa de prestação de serviços a terceiros. Promulgada em 31 
de março de 2017. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2018.
BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil, em 
10 de janeiro de 2002. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2018.
BRASIL. Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre a organização da 
Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências. Promulgada 
em 24 de julho de 1991. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2018.
BRASIL. Lei n. 7.783, de 28 de junho de 1989. Dispõe sobre o exercício do direito 
de greve, define as atividades essenciais, regula o atendimento das necessidades 
inadiáveis da comunidade, e dá outras providências. Promulgada em 28 de junho 
de 1989. Disponível em: . 
Acesso em: 15 maio 2018.
66
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Promulgada 
em 5 de outubro de 1988. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2018.
BRASIL. Lei n. 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Dispõe sobre o Trabalho 
Temporário nas Empresas Urbanas, e dá outras Providências. Promulgada em 
3 de janeiro de 1974. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2018.
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 11. ed. São Paulo: 
Editora LTr, 2012.
GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Curso de direito do trabalho. 12. ed. rev., 
atul. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2018.
MARTINS, Sergio Pinto. Terceirização no direito do trabalho. 14. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2017.
CAPÍTULO 5
Terceirização e Responsabilidade
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Definir qual responsabilidade é aplicada em situações de terceirização.
� Identificar a limitação da responsabilidade dos tomadores de serviços.
Professora convidada:
Gabriela Gavioli
68
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
69
Terceirização e Responsabilidade Capítulo 5 
Contextualização
A responsabilidade do tomador de serviços já era tratada pela Lei no 6.019/74, 
em seu artigo 16, dispondo de forma expressa que a solidariedade existiria 
somente em caso de falência de empresa de trabalho temporário, vejamos:
[...] no caso de falência da empresa de trabalho temporário, a 
empresa tomadora ou cliente é solidariamente responsável 
pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, no tocante 
ao tempo em que o trabalhador esteve sob suas ordens, assim 
como em referência ao mesmo período, pela remuneração e 
indenização previstas nesta Lei. (grifo nosso).
Conforme ensinamento de Delgado (2012, p. 466) 
[...] não obstante solidária a responsabilidade criada pela Lei 
n. 6.019/74, sua hipótese de incidência era sumariamente 
restrita: incidiria apenas havendo falência da empresa 
fornecedora de força de trabalho (rectius: insolvência). Além 
disso, a responsabilidade não abrangeria todas as verbas do 
contrato envolvido, mas somente aquelas poucas especificadas 
pela Lei n. 6.019/74. (grifo nosso).
Esse pequeno leque de limitações apresentado pela Lei no 6.019/74 sempre 
foi debatido e questionado “pelos operadores jurídicos, em busca de fórmula 
responsabilizatória mais consentânea com a realidade socioeconômica e 
normativa trabalhista” (DELGADO, 2012, p. 466).
A fim de regulamentar a questão da responsabilidade, o Tribunal Superior do 
Trabalho, em dezembro de 1993, editou a Súmula 331, inciso IV, in verbis:
IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte 
do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do 
tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive 
quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das 
fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades 
de economia mista, desde que hajam participado da relação 
processual e constem também do título executivo judicial. 
(grifo nosso).
Portanto, o entendimento jurisprudencial, convertido em Súmula do Tribunal 
Superior do Trabalho, é no sentido de que o tomador de serviço deve ser 
responsabilizado de forma subsidiária pelas verbas trabalhistas reconhecidas 
em Reclamação Trabalhista. No entanto, faz uma exigência, que a tomadora 
de serviço tenha participado da lide processada e julgada em referida justiça 
especializada.
70
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Assim, diante da ausência de claros e diretos textos legais que 
regulamentassem a questão da responsabilização nos casos de terceirização, em 
2017, foi editada a Lei no 13.429, a qual “dispõe sobre as relações de trabalho 
na empresa de prestação de serviços a terceiros”, inclusive regulamentando a 
responsabilidade das tomadoras de serviços e das terceirizantes de mão de obra. 
Conforme lição de Garcia (2018, p.399),
os temas relativos ao trabalho temporário e à terceirização 
passaram a ser disciplinados no mesmo diploma legal, 
sabendo-se que, até então, a Lei 6.019/74 dispunha apenas 
sobre trabalho temporário, enquanto a terceirização era objeto 
de orientação firmada pela jurisprudência, notadamente por 
meio da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho.
Diante desse novo cenário jurídico, será analisada a responsabilidade do 
tomador de serviços, à luz da Lei no 13.429/17 e no 13.467/17.
Da Responsabilidade do Tomador de 
Serviços
Conforme já estudado anteriormente, o artigo 4º - A, da Lei no 6.019/74, 
conceitua prestação de serviços a terceiros como sendo:
Artigo 4º A. Considera-se prestação de serviços a terceiros a 
transferência feita pela contratante da execução de quaisquer 
de suas atividades, inclusive sua atividade principal, à pessoa 
jurídica de direito privado prestadora de serviços que possua 
capacidade econômica compatível com a sua execução.
Com isso, no ensinamento de Garcia (2018, p. 400):
A terceirização, entendida como prestação de serviços a 
terceiros, passa a ser entendida como transferência feita pela 
contratante da execução de quaisquer de suas atividades, 
inclusive a sua atividade principal, à pessoa jurídica de direito 
privado prestadora de serviço.
Ainda, em análise ao artigo 4º - A, da Lei no 6.019/74, na lição de Garcia(2018, p. 401), temos que “a empresa prestadora de serviços a terceiros, 
assim, não pode ser pessoa física, nem empresário individual, devendo ser 
necessariamente jurídica”.
A intermediação de mão de obra, mesmo após a edição das Leis no 13.429/17 
e no 13.467/17, continua não sendo permitida, uma vez que caracteriza fraude ao 
vínculo de emprego com o seu empregador (artigo 9º da CLT) e em violação ao 
71
Terceirização e Responsabilidade Capítulo 5 
valor social do trabalho, o qual é constitucionalmente protegido (artigo 1º, inciso 
IV), ora transcritos, respectivamente:
CLT:
Artigo 9º - Serão nulos de pleno direito os atos praticados com 
o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos 
preceitos contidos na presente Consolidação.
Constituição Federal de 1988
Artigo 1º
[...]
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
A proteção constitucional do valor social do trabalho nada mais é que a 
proibição da intermediação de mão de obra, pois o trabalho não é, e tampouco 
pode ser considerado mercadoria.
Em termos de responsabilidade da prestadora de serviços, importante 
esclarecer que o legislador, ao editar a Lei no 13.429/17, apontou de forma 
expressa quais são elas, nos termos do §1º, do artigo 4º - A, da Lei no 6.019/74:
§1o A empresa prestadora de serviços contrata, remunera 
e dirige o trabalho realizado por seus trabalhadores, ou 
subcontrata outras empresas para realização desses serviços. 
(grifo nosso).
Portanto, em primeiro momento, uma vez não havendo o pagamento 
das verbas trabalhistas do funcionário da prestadora de serviço, é dela a 
responsabilidade pelo pagamento dos valores reconhecidos como devido em 
eventual Reclamação Trabalhista, sendo certo, no entanto, que em um segundo 
momento a tomadora poderá responder de forma subsidiária, conforme será 
estudo.
Ainda, quando estamos diante da terceirização lícita, na lição de Garcia 
(2018, p. 403):
A fiscalização, o controle e a organização das atividades 
do empregado (do serviço terceirizado) não devem ser feitos 
pelo tomador, mas sim pelo empregador, que é a empresa 
prestadora. Na hipótese em análise, a relação jurídica do 
tomador é com a referida empresa, e não com os empregados 
desta.
Da mesma forma, quem deve exercer o poder disciplinar, 
perante o trabalhador terceirizado, é o seu empregador. 
Na terceirização, o empregado não deve ser subordinado de 
forma direta ao tomador dos serviços, mas sim à empresa 
prestadora, uma vez que esta exerce o poder de direção. (grifo 
nosso).
72
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Na terceirização, nos termos do artigo 5º- A, da Lei nº 6.079/1974, com a 
redação dada pela Lei nº 13.467/2017, a “contratante é a pessoa física ou 
jurídica que celebra contrato com empresa de prestação de serviços relacionados 
a quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade principal”.
Portanto, a partir da análise do artigo 5º - A, acima apontado, a 
contratante, ou seja, a tomadora de serviços, pode terceirizar quaisquer 
de suas atividades, seja a atividade-meio ou a atividade-fim, perdendo a 
relevância da distinção entre elas, que antes da “Reforma Trabalhista”, 
era crucial no momento de apurar a responsabilidade das partes 
envolvidas, como se observa da simples análise do inciso III, da Súmula 
331, do TST, aplicável aos casos de terceirização até a edição da Lei no 
13.467/17:
Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação 
de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) 
e de conservação e limpeza, bem como a de serviços 
especializados ligados à atividade-meio do tomador, desde 
que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. (grifo 
nosso)
Importante relembrar que o contrato de prestação e serviços deve conter, 
nos termos do artigo 5º - B, da Lei nº 6.019/1974, os seguintes requisitos incluídos 
pela Lei no 13.429/17:
Art. 5o-B. O contrato de prestação de serviços conterá: 
I - qualificação das partes;
II - especificação do serviço a ser prestado;
III - prazo para realização do serviço, quando for o caso;
IV – valor. (grifo nosso).
Portanto, da leitura do inciso II, do artigo 5º - B, acima citado, verifica-se que o 
serviço contratado pela tomadora pode ser de sua atividade-fim, mas é obrigatório 
ser específico, não podendo haver empresas terceirizantes de cunho genérico, já 
que estas não poderão celebrar contrato de prestação de serviço sem que seja 
considerado fraudulento. Vale trazer à baila a lição de Garcia (2018, p. 401):
Portanto, a terceirização só é admitida quanto a serviços 
especificados. 
Em outras palavras, a empresa prestadora de serviços 
não pode prestar serviços genéricos, pois não se admite 
a terceirização, pela empresa contratante (tomadora), de 
atividade sem especificação.
A contratante, diferentemente da empresa prestadora de serviços, pode 
ser pessoa física ou jurídica, sendo certo que somente poderão ser contratados 
serviços específicos da tomadora.
Tomadora de 
serviços, pode 
terceirizar quaisquer 
de suas atividades, 
seja a atividade-
meio ou a atividade-
fim.
73
Terceirização e Responsabilidade Capítulo 5 
Ainda, o parágrafo primeiro do artigo 5º - A, da Lei no 6.019/1974, proíbe a 
utilização, pelo tomador, do trabalhador em atividade distinta daquela do objeto 
do contrato firmado com a empresa fornecedora de mão de obra, sob pena de ser 
caracterizado desvio de função, e a partir da aplicação do princípio da primazia da 
realidade, a nulidade do contrato de trabalho firmado entre trabalhador e empresa 
prestadora de serviços. Vejamos:
Artigo 5º-A
[...]
§1º É vedada à contratante a utilização dos trabalhadores em 
atividades distintas daquelas que foram objeto do contrato com 
a empresa prestadora de serviços. 
Em continuidade, na análise do artigo 5º-A, da Lei nº 6.019/1974 
verifica-se em seu parágrafo segundo que a prestação de serviços 
pode ocorrer nas dependências da empresa tomadora de serviços ou a 
distância, como é o caso do teletrabalho, uma vez que não há distinção 
legal em relação ao empregado que presta serviços na empresa ou 
a distância, o que se depreende da análise do artigo 6º da CLT, cuja 
redação foi dada pela Lei nº 12.551/2011. 
Vale transcrever o parágrafo segundo do artigo 5º-A da Lei no 6.019/74, bem 
como o artigo 6º da CLT, respectivamente:
Artigo 5º-A
[...]
§ 2o Os serviços contratados poderão ser executados nas 
instalações físicas da empresa contratante ou em outro 
local, de comum acordo entre as partes. (grifo nosso).
[...]
Artigo 6º Não se distingue entre o trabalho realizado no 
estabelecimento do empregador, o executado no domicílio 
do empregado e o realizado a distância, desde que estejam 
caracterizados os pressupostos da relação de emprego. (grifo 
nosso).
Ainda, importante ressaltar que é responsabilidade da contratante (tomador 
de serviço) garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos 
trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas dependências ou local 
previamente convencionado em contrato (artigo 5º-A, parágrafo 3º, da Lei nº 
6.019/74).
Portanto, o tomador é o responsável por fornecer um ambiente de trabalho 
seguro, salubre e sadio para seus funcionários e para os trabalhadores 
terceirizados, independentemente do local da prestação de serviços, já que este 
pode ocorrer nas dependências da empresa tomadora de serviços ou a distância.
A prestação de 
serviços pode 
ocorrer nas 
dependências da 
empresa tomadora 
de serviços ou a 
distância, como é o 
caso do teletrabalho,
74
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Logo, as indenizações decorrentes desses infortúnios são de 
responsabilidade solidária tanto da empresa prestadora de serviços (real 
empregadora do funcionário) como da tomadora, já que esta tem o dever de 
cuidar do meio ambiente de trabalho. Corroborando nosso estudo, temos a lição 
de Garcia(2018, p. 410):
Logo, se o empregado terceirizado prestar serviço no 
estabelecimento da empresa tomadora ou em outro local 
pactuado entre as partes, esta responde pela higidez do meio 
ambiente de trabalho, inclusive em casos de acidentes de 
trabalho e doenças ocupacionais.
Sendo assim, as indenizações decorrentes desses 
infortúnios são de responsabilidade solidária tanto da 
empresa prestadora de serviço, por ser empregadora, como 
da empresa contratante, por ter o dever de cuidar do meio 
ambiente de trabalho. (grifo nosso).
A contratante pode estender ao trabalhador da empresa de prestação de 
serviços o mesmo atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinado aos 
seus empregados, existente nas dependências da contratante, ou local por ela 
designado (artigo 5º-A, § 4º, da Lei no 6.019/74).
Nota-se que se trata de uma faculdade do tomador de serviços em 
relação ao trabalhador terceirizado, o que difere da previsão legal em relação ao 
trabalhador temporário, não podendo deixar de mencionar a previsão do artigo 9º, 
§2º, da Lei no 6.019/74, acrescido pela Reforma Trabalhista, in verbis:
Artigo 9º
[...]
§ 2o A contratante estenderá ao trabalhador da empresa 
de trabalho temporário o mesmo atendimento médico, 
ambulatorial e de refeição destinado aos seus empregados, 
existente nas dependências da contratante, ou local por ela 
designado. (grifo nosso).
No entanto, o legislador não poderia deixar de garantir direitos ao prestador 
de serviços que trabalha nas dependências da tomadora. Assim, dispõe o artigo 
4º-C, da Lei no 6.019/74, com redação dada pela Lei no 13.467/17:
Art. 4o C. São asseguradas aos empregados da empresa 
prestadora de serviços a que se refere o art. 4o- A desta Lei, 
quando e enquanto os serviços, que podem ser de qualquer 
uma das atividades da contratante, forem executados nas 
dependências da tomadora, as mesmas condições: 
I - relativas a: 
a) alimentação garantida aos empregados da contratante, 
quando oferecida em refeitórios; 
b) direito de utilizar os serviços de transporte; 
75
Terceirização e Responsabilidade Capítulo 5 
c) atendimento médico ou ambulatorial existente nas 
dependências da contratante ou local por ela designado; 
d) treinamento adequado, fornecido pela contratada, quando 
a atividade o exigir. 
II - sanitárias, de medidas de proteção à saúde e de segurança 
no trabalho e de instalações adequadas à prestação do 
serviço. (grifos nosso).
Caso seja de interesse das partes contratantes, estas podem estabelecer 
que os empregados da contratada farão jus a salário equivalente ao pago aos 
empregados da contratante, além de outros direitos não previstos no artigo 4º-C, 
da Lei no 6.019/74.
Saliente-se que, diferentemente do que ocorre com o trabalhador temporário, 
trata-se de mera faculdade o pagamento de igual salário nos casos de 
terceirização, sendo certo que para o temporário, tal garantia é um dever, 
conforme se depreende da leitura do artigo 12, a, da Lei no 6.019/74, vejamos:
Art. 12 - Ficam assegurados ao trabalhador temporário os 
seguintes direitos:
a) remuneração equivalente à percebida pelos empregados 
de mesma categoria da empresa tomadora ou cliente 
calculados à base horária, garantida, em qualquer hipótese, a 
percepção do salário mínimo regional. (grifo nosso).
 
Segundo o artigo 4º-C, §2º, da Lei no 6.019/74, cuja redação foi dada pela 
Lei no 3.467/2017, nos contratos que impliquem mobilização de empregados 
da contratada em número igual ou superior a 20% (vinte por cento) dos 
empregados da contratante, esta poderá disponibilizar aos empregados da 
contratada os serviços de alimentação e atendimento ambulatorial em outros 
locais apropriados e com igual padrão de atendimento, com vistas a manter o 
pleno funcionamento dos serviços existentes. Logo, resta evidente que se trata, 
mais uma vez, de faculdade do tomador de serviços.
Nos termos do artigo 5º-A, §5º, a empresa contratante é subsidiariamente 
responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que 
ocorrer a prestação de serviços, e o recolhimento das contribuições previdenciárias 
observará o disposto no art. 31, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. Este 
entendimento já era sedimentado pela Súmula 331, inciso IV do TST, vejamos:
IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte 
do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do 
tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que 
haja participado da relação processual e conste também do 
título executivo judicial.
76
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Portanto, no momento de terceirizar suas atividades, a empresa tomadora tem 
o dever de contratar empresas idôneas, bem como de fiscalizar, acompanhando o 
correto cumprimento dos preceitos trabalhistas, sob pena de responder de forma 
subsidiária pelas verbas trabalhistas devidas ao prestador de serviços.
Esclareça-se, por oportuno, que a devedora principal sempre será 
a empresa fornecedora da mão de obra, sendo que tal fato não exclui a 
responsabilidade do tomador, como descrito alhures. 
Como a responsabilidade é subsidiária, e não solidária, há 
necessidade de esgotar todo o patrimônio da devedora principal, que também é 
a real empregadora do funcionário, para tão somente, após, a empresa tomadora 
de serviços ser responsabilizada pelo débito trabalhista, o que pode dificultar a 
celeridade e a efetividade na satisfação do crédito trabalhista.
A devedora 
principal sempre 
será a empresa 
fornecedora da mão 
de obra.
Sobre o benefício de ordem que deve ser seguido nos casos de 
responsabilidade subsidiaria do tomador de serviço, é interessante 
a leitura do artigo abaixo apontado. Disponível em: .
Em havendo cláusula no contrato de prestação de serviços que exclua a 
responsabilidade da tomadora de serviços, esta será considerada nula, pois se 
trata de norma de ordem pública, cogente, e, portanto, irrevogável pela vontade 
das partes.
Entretanto, a tomadora de serviços é responsável de forma subsidiária, tão 
somente, pelo período em que o trabalhador da empresa contratada prestou 
serviços, de forma efetiva, em suas dependências, nos termos da Súmula 331, 
inciso VI, do TST, vejamos:
VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços 
abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes 
ao período da prestação laboral.
No caso de o tomador de serviço ser ente da administração pública, deve 
ser respeitada a Lei nº 8.666/93, a qual dispõe sobre licitações, em especial a 
regra contida em seu artigo 71, §1º, vejamos:
77
Terceirização e Responsabilidade Capítulo 5 
Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos 
trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes 
da execução do contrato. (grifo nosso).
§ 1o A inadimplência do contratado, com referência 
aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não 
transfere à Administração Pública a responsabilidade por 
seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou 
restringir a regularização e o uso das obras e edificações, 
inclusive perante o Registro de Imóveis. (grifo nosso).
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a Ação Declaratória de 
Constitucionalidade 16-9/DF, que tem como objeto o artigo de lei acima transcrito, 
confirmou o entendimento de ser vedada a responsabilização automática da 
Administração Pública, sendo possível sua condenação, no entanto, quando 
houver prova inequívoca de sua conduta omissiva ou comissiva na 
fiscalização dos contratos. 
Atividade de Estudos:
1) A faculdade concedida ao tomador de serviços quanto a permissão 
do trabalhador terceirizado utilizar, por exemplo, o refeitório ou o 
tratamento ambulatorial fornecido aos seus empregados diretos e 
aos temporários pode ser considerado discriminatório? Justifique.
Algumas Considerações
Evidente, portanto, que são responsáveis, tomadora de serviços e 
fornecedorade mão de obra, pelas verbas trabalhistas do funcionário prestador 
de serviços, sendo certo que esta responsabilidade poderá ser subsidiária ou 
solidária, dependendo do débito, já que a primeira é pelas verbas trabalhistas e a 
segunda pelos débitos previdenciários.
78
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Referências
BRASIL. Súmulas da Jurisprudência Uniforme do Tribunal Superior do 
Trabalho. Resolução n. 220, de 18 de setembro de 2017. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
_______. Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis 
do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei n. 5.452, de 1o de maio de 1943, e 
as Leis n. 6.019, de 3 de janeiro de 1974, n. 8.036, de 11 de maio de 1990, e n. 
8.212, de 24 de julho de 1991, a fim de adequar a legislação às novas relações 
de trabalho. Promulgada em 13 de julho de 2017. Disponível em: . Acesso em: 
17 jul. 2018.
_______. Lei n. 13.429, de 31 de março de 2017. Altera dispositivos da Lei 
n. 6.019, de 3 de janeiro de 1974, que dispõe sobre o trabalho temporário nas 
empresas urbanas e dá outras providências; e dispõe sobre as relações de 
trabalho na empresa de prestação de serviços a terceiros. Promulgada em 31 de 
março de 2017. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018. 
______. Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso 
XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da 
Administração Pública e dá outras providências. Promulgada em 21 de junho de 
1993. Disponível em: . 
Acesso em: 17 jul. 2018.
______. Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre a organização da 
Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências. Promulgada 
em 24 de julho de 1991. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018. 
______. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Promulgada 
em 5 de outubro de 1988. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
______. Lei n. 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Dispõe sobre o Trabalho 
Temporário nas Empresas Urbanas, e dá outras Providências. Promulgada em 
3 de janeiro de 1974. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 11. ed. São Paulo: 
Editora LTr, 2012.
GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Curso de direito do trabalho. 12. ed. rev., 
atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2018.
CAPÍTULO 6
Pontos Relevantes da Terceirização 
Trabalhista
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Identificar a aplicação das situações diferenciadas que podem ocorrer na 
terceirização trabalhista.
� Compreender a aplicação das situações diferenciadas que podem ocorrer na 
terceirização trabalhista.
80
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
81
Pontos Relevantes da Terceirização Trabalhista Capítulo 6 
Contextualização
Há situações da terceirização trabalhista que devem ser tratadas de forma 
desiguais, a fim de garantir a igualdade entre todos.
São situações peculiares, que geram dúvidas nos aplicadores do direito, por 
exemplo, o caso do enquadramento sindical na terceirização, das empresas de 
vigilância, do dono da obra e empreitada, além do contrato de facção.
Assim, passaremos a tratar desses casos.
Do Enquadramento Sindical na 
Terceirização
As alterações trazidas pela Lei nº 13.429/17 na Lei nº 6.019/17 foram 
omissas em relação a qual sindicato pertence o trabalhador terceirizado, qual 
a Convenção Coletiva e/ou Acordo Coletivo de Trabalho deve ser seguido por 
estes prestadores de serviços.
Nos termos do artigo 581, §§ 1º e 2º da CLT, em regra, o enquadramento 
sindical decorre da atividade econômica preponderante do real empregador, ou 
seja, da empresa prestadora de serviço. Vejamos:
Art. 581. Para os fins do item III do artigo anterior, as empresas 
atribuirão parte do respectivo capital às suas sucursais, filiais 
ou agências, desde que localizadas fora da base territorial da 
entidade sindical representativa da atividade econômica do 
estabelecimento principal, na proporção das correspondentes 
operações econômicas, fazendo a devida comunicação às 
Delegacias Regionais do Trabalho, conforme localidade da 
sede da empresa, sucursais, filiais ou agências.
§ 1º Quando a empresa realizar diversas atividades 
econômicas, sem que nenhuma delas seja preponderante, 
cada uma dessas atividades será incorporada à respectiva 
categoria econômica, sendo a contribuição sindical devida 
à entidade sindical representativa da mesma categoria, 
procedendo-se, em relação às correspondentes sucursais, 
agências ou filiais, na forma do presente artigo. 
§ 2º Entende-se por atividade preponderante a que 
caracterizar a unidade de produto, operação ou objetivo 
final, para cuja obtenção todas as demais atividades 
convirjam, exclusivamente em regime de conexão 
funcional. (grifo nosso).
82
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Saliente-se que, nos casos de terceirização lícita, o empregador do 
funcionário terceirizado é a empresa prestadora de serviços, sendo esta sua 
atividade econômica. Assim, conclui Gustavo Filipe Barbosa Garcia (2018, p. 417) 
sobre o tema:
[...] que o empregado da empresa prestadora de serviço 
não integra a categoria profissional da empresa contratante 
(tomadora), mas sim a categoria dos empregados de empresa 
de prestação de serviços.
Com isso, em tese, não se aplicam os direitos decorrentes das 
normas coletivas dos empregados da empresa tomadora aos 
empregados das prestadoras dos serviços, gerando possível 
tratamento não isonômico entre trabalhadores terceirizados e 
contratados diretamente pela tomadora, ainda que inseridos no 
mesmo setor e contexto de atividade.
Não é demais rememorar a questão da precarização da mão de obra e, 
principalmente, da relação de trabalho, já mencionadas em capítulo anterior, 
diante da possibilidade de não haver garantia dos mesmos direitos e benefícios 
para os funcionários contratados diretamente pelo tomador de serviço e daquele 
que presta serviço no mesmo ambiente de trabalho que ele, exercendo, muitas 
vezes igual função, para o terceirizado.
A precarização da relação de trabalho ocorrerá diante da ausência de 
garantias de direito ao terceirizado, já que a empresa prestadora de serviço 
poderá pagar, por exemplo, salário inferior ao recebido pelo empregado contratado 
diretamente pelo tomador de serviço.
Mas, ainda que estejamos diante desse cenário, há que ser aplicado o 
Princípio Constitucional da Igualdade, a fim de garantir, mesmo que judicialmente, 
o mesmo nível remuneratório do trabalhador registrado diretamente pelo tomador 
que realiza a mesma função do empregado terceirizado.
Portanto, caberá a todas as partes integrantes do Judiciário Trabalhista 
(advogados, juízes, membros do ministério público do trabalho) e dos sindicatos 
(trabalhador e empregador), diante à Reforma Trabalhista ocorrida no ano de 2017, 
a construção de novos entendimentos, e a busca pela verdade real e garantia 
dos direitos dos empregados terceirizados, a fim de se evitar a precarização da 
relação de trabalho.
83
Pontos Relevantes da Terceirização Trabalhista Capítulo 6 
Das Empresas de Vigilância
Em relação as empresas de vigilância e de transporte de valores, há 
previsão expressa na Lei nº 6.019/74, com a inclusão do artigo 19-B, pela Lei nº 
13.429/2017 que, por ter legislaçãoprópria, não se aplica a estes casos a lei do 
trabalho temporário. Vale transcrever o artigo 19-B, da Lei 6.019/74:
Art. 19-B. O disposto nesta Lei não se aplica às empresas 
de vigilância e transporte de valores, permanecendo as 
respectivas relações de trabalho reguladas por legislação 
especial, e subsidiariamente pela Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de 
maio de 1943. (grifo nosso).
A Lei nº 7.102/1983 dispõe sobre “segurança para estabelecimentos 
financeiros, estabelece normas para constituição e funcionamento das empresas 
particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte de valores, e dá 
outras providências”.
No entanto, a doutrina ainda assim defende a responsabilidade subsidiária do 
tomador de serviços, conforme entendimento de Gustavo Filipe Barbosa Garcia 
(2018, p. 418):
[...]defende-se o entendimento de que a contratante (tomadora) 
de serviços prestados por empresas de vigilância e transporte 
de valores é subsidiariamente responsável pelas obrigações 
trabalhistas referentes ao período em que ocorrer a prestação 
laboral, com fundamento na analogia (arts. 8º e 455 da CLT) e 
na Súmula 331, itens IV e VI do TST.
A fim de maior entendimento do posicionamento doutrinário acima transcrito, 
vale trazer à baila os artigos da CLT e os incisos da Súmula, nos termos que segue:
Art. 8º da CLT As autoridades administrativas e a Justiça 
do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, 
decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por 
analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais 
de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de 
acordo com os usos e costumes, o direito comparado, 
mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou 
particular prevaleça sobre o interesse público. (grifo nosso)
§ 1º O direito comum será fonte subsidiária do direito do 
trabalho. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017)
§ 2o Súmulas e outros enunciados de jurisprudência editados 
pelo Tribunal Superior do Trabalho e pelos Tribunais Regionais 
do Trabalho não poderão restringir direitos legalmente 
previstos nem criar obrigações que não estejam previstas em 
lei. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
84
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
§ 3o No exame de convenção coletiva ou acordo coletivo de 
trabalho, a Justiça do Trabalho analisará exclusivamente a 
conformidade dos elementos essenciais do negócio jurídico, 
respeitado o disposto no art. 104 da Lei no 10.406, de 10 de 
janeiro de 2002 (Código Civil), e balizará sua atuação pelo 
princípio da intervenção mínima na autonomia da vontade 
coletiva. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
Art. 455 da CLT - Nos contratos de subempreitada responderá 
o subempreiteiro pelas obrigações derivadas do contrato de 
trabalho que celebrar, cabendo, todavia, aos empregados, o 
direito de reclamação contra o empreiteiro principal pelo 
inadimplemento daquelas obrigações por parte do primeiro. 
(grifo nosso)
Parágrafo único - Ao empreiteiro principal fica ressalvada, nos 
termos da lei civil, ação regressiva contra o subempreiteiro e a 
retenção de importâncias a este devidas, para a garantia das 
obrigações previstas neste artigo.
Súmula nº 331 do TST
CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE 
(nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) 
- Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011.
[...] 
IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, 
por parte do empregador, implica a responsabilidade 
subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas 
obrigações, desde que haja participado da relação 
processual e conste também do título executivo judicial. 
[...] 
VI - A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços 
abrange todas as verbas decorrentes da condenação 
referentes ao período da prestação laboral. (grifo nosso).
Portanto, a partir da aplicação analógica da legislação conclui-se que se 
aplica às empresas de vigilância e transportes de valores, de forma analógica, 
a responsabilidade subsidiária da tomadora de serviços, já que esta também 
tem o dever de garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos 
trabalhadores terceirizados que laboram nas suas dependências ou outro local 
previamente convencionado.
Do Dono da Obra e Empreitada
Outra forma de contratar prestação de serviço por meio da terceirização é 
pelo contrato de empreitada. Logo, há que ser analisada a posição do dono da 
obra nestes casos concretos, especialmente no tocante a sua responsabilidade 
pelas verbas trabalhistas não pagas pelo empreiteiro.
O artigo 455, caput, da CLT, é expresso no sentido de responsabilizar o 
subempreiteiro pelas verbas trabalhistas devidas em decorrência do contrato de 
trabalho que celebrar. 
85
Pontos Relevantes da Terceirização Trabalhista Capítulo 6 
Em continuidade à análise do dispositivo legal, verifica-se que a 
responsabilidade pelas verbas trabalhistas não pagas é ampliada ao empreiteiro 
principal. Logo, mesmo o empreiteiro não sendo o empregador, ele é responsável 
pelo inadimplemento de verbas trabalhistas. Vejamos:
Art. 455 - Nos contratos de subempreitada responderá o 
subempreiteiro pelas obrigações derivadas do contrato de 
trabalho que celebrar, cabendo, todavia, aos empregados, 
o direito de reclamação contra o empreiteiro principal pelo 
inadimplemento daquelas obrigações por parte do primeiro. 
(grifo nosso).
Apesar de possuir a responsabilidade do caput, do artigo 455 da CLT, o 
parágrafo único de referido artigo, lhe garante o direito de ação regressiva contra 
o subempreiteiro e a retenção dos valores que são devidas a ele. Vejamos:
Parágrafo único - Ao empreiteiro principal fica ressalvada, nos 
termos da lei civil, ação regressiva contra o subempreiteiro e a 
retenção de importâncias a este devidas, para a garantia das 
obrigações previstas neste artigo.
A partir da lição de Gustavo Filipe Barbosa Garcia (2018, p. 419) é possível 
concluir que a responsabilidade do empreiteiro é subsidiária, in verbis:
Logo, apesar da responsabilidade do empreiteiro, a lei indica 
que o responsável principal, na realidade, é o empregador 
(subempreiteiro). Desse modo, entende-se que o empreiteiro 
responde de forma subsidiária pelos créditos trabalhistas 
devidos aos empregados empreiteiro.
Ainda, importante lembrar que nesta seara, além do empreiteiro e 
subempreiteiro, tem o dono da obra, restando necessária a análise de sua 
responsabilidade, já que a legislação vigente não previu a sua responsabilidade 
de forma automática, nos termos da lição de Gustavo Filipe Barbosa Garcia (2018, 
p. 419):
O dispositivo em questão, ao tratar da relação do empreiteiro 
com subempreiteiro, não prevê a responsabilidade 
automática do dono da obra, ou seja, daquele que 
contratou o empreiteiro, quanto às obrigações trabalhistas 
pertinentes aos empregados deste último. (grifo nosso).
Diante dessa questão controvertida, foi criada a Orientação Jurisprudencial 
191 da SBDI-I, do TST:
86
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
191. CONTRATO DE EMPREITADA. DONO DA OBRA DE 
CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE. (Nova redação) 
- Res. 175/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011.
Diante da inexistência de previsão legal específica, o contrato 
de empreitada de construção civil entre o dono da obra 
e o empreiteiro não enseja responsabilidade solidária 
ou subsidiária nas obrigações trabalhistas contraídas 
pelo empreiteiro, salvo sendo o dono da obra uma empresa 
construtora ou incorporadora. (grifo nosso).
Logo, não sendo a empresa uma construtora ou incorporadora, tão somente 
contrata o empreiteiro, ou seja, é mera dono da obra, e não tomador de serviço 
terceirizado, não responde de forma automática pela obrigação trabalhista 
decorrente da relação empregado e empreiteiro.
A contrario sensu, conforme disposição final da Orientaçãoproduzir em larga escala como era 
necessário. Diante de tal fato, verificou-se a possibilidade de delegar a terceiros 
algumas fases da fabricação de armas, e assim conseguir aumentar a produção, 
fornecendo todo armamento necessário para a guerra. 
Como já informado anteriormente, no Brasil, a ideia de terceirização foi 
trazida pelas empresas multinacionais, por volta do ano de 1950, quando elas 
entenderam por bem se preocupar tão somente com a essência do seu negócio. 
Como exemplo, temos as montadoras, que visavam, já naquela época, apenas 
à montagem final dos veículos automotores, terceirizando a produção de 
determinadas peças e outras fases da produção de componentes dos automóveis.
Outra forma de terceirização surgiu no ano de 1964, uma vez que a Lei 
nº 4.594 prevê em seu artigo 17 que a seguradora não pode vender seguros 
diretamente ao segurando, precisando se valer da prestação de serviços do 
corretor autônomo ou de corretoras de seguro.
As empresas terceirizadas de limpeza e conservação surgiram em 1967, 
sendo consideradas as pioneiras no Brasil.
Ainda, a legislação, em 1966, por meio dos Decretos nº 1212 e nº 1216, de 
referido ano, permitiu a prestação de serviços de segurança bancário por meio de 
empresa de segurança privada.
Já o Decreto nº 62756, de 22 de maio de 1968, trouxe as regras necessárias 
de funcionamento das agências de colocação ou intermediação de mão de obra, 
tornando lícita a contratação de funcionários por estas agências.
Com o advento do Decreto-Lei nº 1034, de outubro de 1969, que trata 
das medidas de segurança das instituições bancárias, caixas econômicas e 
cooperativas de créditos, também se verificou a possibilidade de contratação de 
terceiros para vigilância ostensiva, desde que respeitado o disposto no artigo 2º 
de referido Decreto-Lei, ou seja, que o serviço fosse exercido por elemento sem 
antecedentes criminais e com aprovação da Polícia Federal. Já o artigo 4º de 
referido Decreto-Lei era expresso no sentido de que as instituições financeiras 
poderiam admitir funcionários de segurança ou contratá-los a partir de empresas 
especializadas.
13
Introdução ao Estudo da Terceirização 
Trabalhista
 Capítulo 1 
As empresas de serviços temporários surgiram nos Estados Unidos, quando 
um advogado contratou uma datilógrafa tão somente para datilografar um recurso 
de 120 laudas, já que sua secretária estava doente e não pôde executar o serviço 
em tempo hábil. Assim, iniciou uma empresa de fornecimento de mão de obra 
temporária.
Em 3 de janeiro de 1972, na França, foi editada a Lei nº 72-1, que trata 
do trabalho temporário, definindo que pessoas físicas ou jurídicas colocavam, 
provisoriamente, à disposição dos tomadores de mão de obra, ou clientes, 
as pessoas assalariadas, que seriam remuneradas para um determinado fim, 
podendo, inclusive, ser utilizado no meio rural.
No ano de 1973, a locação de mão de obra no Brasil se tornou frequente, 
havendo mais de 50.000 trabalhadores nessas condições na cidade de São 
Paulo, prestando serviços a mais de 10.000 empresas, sendo certo que o único 
objetivo dessas empresas era a mão de obra mais barata, sem ter que arcar com 
os custos do registro de funcionários.
Em 1974, o Deputado João Alves apresentou o Projeto de Lei nº 1.347, o 
qual se transformou na Lei nº 6.019/74, dispondo sobre o Trabalho Temporário 
nas Empresas Urbanas e dá outras providências.
Nesse contexto, em 1974, surge a primeira norma brasileira que efetivamente 
cuidou da Terceirização, Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, a qual regula o 
trabalho temporário, restando evidente que nosso legislador buscou subsídios na 
Lei Francesa nº 72-1 para edição desta lei, já que a semelhança entre elas é 
evidente. Frise-se, por oportuno, que o Decreto nº 73.841, de 13 de março de 
1974, regulamentou a legislação brasileira em comento.
Essa legislação tinha como cerne a regulamentação do trabalho temporário, 
já que alguns trabalhadores não podiam trabalhar de forma permanente e em 
período integral, como o caso, por exemplo, dos estudantes, jovens em idade de 
prestação de serviço militar, donas de casa, aposentados, dentre outros, e não 
concorrer com o trabalho permanente.
Assim, os bancos passaram a terceirizar suas atividades, inclusive 
contratando funcionários para cumprir jornadas de oito horas diárias e não mais 
as seis horas dos bancários.
Em 1983, mais precisamente em 20 de junho do referido ano, é editada a 
Lei nº 7.102, a qual legislou sobre a segurança dos estabelecimentos financeiros, 
permitindo a exploração de serviços de vigilância e de transporte de valores 
14
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
no setor financeiro, revogando o Decreto-Lei nº 1.034. A Lei nº 7.102 foi 
regulamentada pelo Decreto nº 89.056, de 24 de novembro de 1983.
Assim, a partir das Leis nº 6.019/74 e nº 7.102, tivemos a triangulação da 
relação de trabalho (empregado, empregador e tomador de serviços), não sendo 
mais bilateral a referida relação (empregado e empregador).
O fenômeno da terceirização vem sendo usado no mundo inteiro, 
principalmente na Europa. Em nosso país, passou a ser adotado pelas empresas, 
evidenciando a passagem da era industrial para a dos serviços.
Posteriormente, nos países industrializados, surgiu a quarteirização, ou seja, 
foi criado o fenômeno de gerenciamento de empresas terceirizadas.
Deixando agora de analisar o aspecto econômico, passamos a estudar 
o aspecto jurídico da terceirização, já que este fenômeno trouxe problemas na 
esfera trabalhista quanto à existência ou não de relação de emprego entre a 
pessoa terceirizada e sua ex-empresa.
Saliente-se que o artigo 170, inciso VIII, da Constituição Federal (BRASIL, 
1988), estabelece o princípio de que a ordem econômica busca o pleno emprego, 
sendo que, por ser uma regra programática, deve ser complementada por lei 
ordinária, não podendo valer a interpretação de que a terceirização é proibida 
quando implica diminuição de postos de trabalho nas empresas, uma vez que o 
dispositivo constitucional é apenas um princípio a ser buscado. Na lição de Sergio 
Pinto Martins (2017, p. 25):
Os conflitos trabalhistas que decorrem da terceirização são 
relacionados à existência ou não da relação de emprego, 
dando ensejo à definição de uma posição da jurisprudência do 
TST, consubstanciada inicialmente na Súmula 256 do Colendo 
Tribunal Superior do Trabalho e posteriormente na sua revisão 
pela Súmula 331.
Não podemos deixar de mencionar a lição de Rafael Caldera (1985, p. 18) 
de que:
O Direito do trabalho não pode ser inimigo do progresso, porque 
é fonte e instrumento do progresso. Não pode ser inimigo da 
riqueza, porque sua aspiração é que ela alcance um número 
cada vez maior de pessoas. Não pode ser hostil aos avanços 
tecnológicos, pois eles são efeito do trabalho.
15
Introdução ao Estudo da Terceirização 
Trabalhista
 Capítulo 1 
Portanto, há necessidade de conciliação entre os avanços tecnológicos, 
aptos, inclusive, a gerar novos empregos.
Apenas a título de ilustração, as estatísticas do TST mostram um grande 
número de processos sobre terceirização, conforme se depreende do quadro 
a seguir, extraído da obra Terceirização no direito do trabalho, de Sergio Pinto 
Martins (2017):
Quadro 1 – Processos decorrentes da terceirização
Ano Número de processos
2011 9.296
2012 16.181
2013 16.438
2014 15.082
Até abril de 2015 16.323
Fonte: Martins (2017, p. 26).
Não podemos deixar de analisar a Lei nº 13.429, de 31 de março 2017, a qual 
alterou a Lei nº 6.019/74, já que com o advento desta lei a terceirização passou a 
ter um diploma legal no Brasil, ainda que inserido dentro da Lei nº 6.019/74, que 
trata do trabalho temporário.
Terceirização no Direito Comparado
Em uma breve análise acerca da terceirização no direito comparado, vemos 
que há países que proíbem a utilização da terceirização, por considerarem 
prejudicial ao trabalhador,Jurisprudencial 
acima transcrita é possível concluir que o dono da obra, em sendo empresa 
construtora ou incorporadora, responde “de forma solidária ou subsidiária, pelas 
obrigações trabalhistas originadas de contratos de emprego mantidos pelo 
empreiteiro” (GARCIA, 2018, p. 419). 
Assim, aplica-se a estes casos o artigo 5º-A, §5º da Lei nº 6.019/74, 
acrescentado pela Lei nº 13.429/2017 e Súmula 331, inciso IV, do TST, uma 
vez que se trata de terceirização de serviço pela empresa incorporadora ou 
construtora.
No entanto, uma vez havendo terceirização ilícita, ou seja, intermediação 
de mão de obra de forma irregular, por meio de empresa interposta, forma-se o 
vínculo de emprego diretamente com a empresa tomadora, conforme disposto na 
Súmula 331, inciso I, do TST, desde que não seja integrante da Administração 
Pública. Vejamos:
Súmula 331, do TST:
I - A contratação de trabalhadores por empresa interposta é 
ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos 
serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, 
de 03.01.1974).
Na lição de Gustavo Filipe Barbosa Garcia (2018, p. 420), o Tribunal Superior 
do Trabalho, no julgamento de incidente de recurso de revista repetitivo, fixou as 
seguintes teses jurídicas a respeito do dono da obra:
I) A exclusão de responsabilidade solidária ou subsidiária 
por obrigação trabalhista a que se refere a Orientação 
Jurisprudencial 191 da SDI-1 do TST não se restringe à pessoa 
física ou micro e pequenas empresas, compreende igualmente 
empresas de médio e grande porte e entes públicos (decidido 
por unanimidade);
87
Pontos Relevantes da Terceirização Trabalhista Capítulo 6 
II) A excepcional responsabilidade por obrigações trabalhistas 
prevista na parte final da Orientação Jurisprudencial 191, por 
aplicação analógica do artigo 455 da CLT, alcança os casos 
em que o dono da obra de construção civil é construtor ou 
incorporador e, portanto, desenvolve a mesma atividade 
econômica do empreiteiro (decidido por unanimidade);
III) Não é compatível com a diretriz sufragada na Orientação 
Jurisprudencial 191 da SDI-1 do TST jurisprudência de Tribunal 
Regional do Trabalho que amplia a responsabilidade trabalhista 
do dono da obra, excepcionando apenas "a pessoa física ou 
micro e pequenas empresas, na forma da lei, que não exerçam 
atividade econômica vinculada ao objeto contratado" (decidido 
por unanimidade);
IV) Exceto ente público da Administração Direta e Indireta, 
se houver inadimplemento das obrigações trabalhistas 
contraídas por empreiteiro que contratar, sem idoneidade 
econômico-financeira, o dono da obra responderá 
subsidiariamente por tais obrigações, em face de aplicação 
analógica do artigo 455 da CLT e culpa in eligendo 
(decidido por maioria, vencido o ministro Márcio Eurico 
Vitral Amaro). (Ricardo Reis e Carmem Feijó/GAB). Matéria 
publicada originalmente em 17/5/2017 e republicada em 
18/5/2017 com correção do conteúdo. Processo: IRR-190-
53.2015.5.03.0090.
A partir de uma simples análise ao item IV, acima transcrito, verifica-se 
que a responsabilidade do dono da obra é subsidiária pelo inadimplemento dos 
créditos trabalhistas devido pelo empreiteiro, quando comprovada a contratação 
de empreiteiro sem idoneidade econômico-financeira, decorrentes da aplicação 
dos artigos 8º e 455 da CLT.
Portanto, o subempreiteiro, o empreiteiro e o dono da obra (empresa 
construtora ou incorporadora) respondem pelas verbas trabalhistas devidas em 
decorrência do contrato de trabalho firmado entre trabalhador e empreiteiro, cada 
qual no limite de suas responsabilidades.
Atividades de Estudos:
1) Há desrespeito de legislação vigente à responsabilização do 
dono da obra, sem haver previsão legal? Fundamente.
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
88
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
2) Associação Civil com finalidade específica pode ser equiparada a 
empresa prestadora de serviços? Justifique. Exemplifique.
_______________________________________________________
_______________________________________________________
______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
Algumas Considerações
Com o estudo deste capítulo foi possível compreender que há diversas formas 
de utilizar a terceirização, sendo que para alguns casos há legislação específica, 
bem como entendimentos diversificados, mas que se aplicam, também, a elas 
as disposições da Lei no 6.019/74, com as alterações da Lei no 13.429/2017 e no 
13.467/2017.
Ainda em que pese a particularidade de cada caso concreto, há que ser 
aplicada a subsidiariedade ou solidariedade dos tomadores de serviços, sendo 
que a responsabilização dependerá das circunstâncias da infração legislativa.
Por fim, qualquer que seja a forma de terceirização, restou evidente que 
esta deve ser realizada de forma lícita, não podendo ser utilizada de empresa 
interposta ou mesmo fraudar a legislação vigente, sob pena de ser considerado 
nulo o contrato de prestação de serviço e reconhecimento de vínculo empregatício 
com o tomador de serviços.
Referências
BRASIL. Súmulas da Jurisprudência Uniforme do Tribunal Superior do 
Trabalho. Resolução n. 220, de 18 de setembro de 2017. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
89
Pontos Relevantes da Terceirização Trabalhista Capítulo 6 
______. Lei n. 13.429, de 31 de março de 2017. Altera dispositivos da Lei n. 
6.019, de 3 de janeiro de 1974, que dispõe sobre o trabalho temporário nas 
empresas urbanas e dá outras providências; e dispõe sobre as relações de 
trabalho na empresa de prestação de serviços a terceiros. Promulgada em 31 de 
março de 2017. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
______. Lei n. 7.102, de 20 de junho de 1983. Dispõe sobre segurança 
para estabelecimentos financeiros, estabelece normas para constituição e 
funcionamento das empresas particulares que exploram serviços de vigilância e 
de transporte de valores, e dá outras providências. Promulgada em 20 de junho 
de 1983. Disponível em: . 
Acesso em: 17 jul. 2018.
______. Lei n. 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Dispõe sobre o Trabalho 
Temporário nas Empresas Urbanas, e dá outras Providências. Promulgada em 
3 de janeiro de 1974. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação 
das Leis do Trabalho. Aprovada em 1º de maio de 1943. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
______. Orientação Jurisprudencial SBDI-I. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
______. Tribunal Superior do Trabalho. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Curso de direito do trabalho. 12. ed. rev., 
atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2018.
90
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
CAPÍTULO 7
Aspectos Processuais
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo vocêterá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
�	Identificar o órgão competente para analisar as questões oriundas das relações 
de terceirização.
� Identificar a necessidade do litisconsórcio passivo.
� Compreender a aplicação da lei de terceirização nos termos da regra de direito 
intertemporal. 
92
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
93
Aspectos Processuais Capítulo 7 
Contextualização
As relações advindas da terceirização devem ser analisadas pela Justiça 
quando não cumpridas as determinações legais que regem a contratação, seja 
em relação ao trabalhador, seja na relação entre tomador de serviços e empresa 
prestadora de serviços.
Assim, serão abordados, neste tópico, os aspectos processuais que regem, 
regulamentam a relação processual para solução de conflitos dos casos que 
envolvem as terceirizações, bem como a regra de direito intertemporal aplicável 
ao processo e ao caso concreto quando da análise da justiça especializada em 
questão.
Da Competência
A Constituição Federal, em seu artigo 114, caput, dispõe sobre a competência 
da Justiça do Trabalho.
Referido artigo da nossa Carta Magna, em 2004, com o advento da Emenda 
Constitucional nº 45, sofreu alteração, ampliando a competência da Justiça do 
Trabalho, já que permitiu que esta processasse e julgasse todas as ações que 
sejam oriundas da relação de trabalho, sendo que anteriormente esta justiça 
especializada podia processar e julgar, tão somente, as lides decorrentes da 
relação de emprego, ou seja, aquelas decorrentes do contrato de trabalho. 
Assim dispõe o artigo 114, incisos I e IX da Constituição Federal:
Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: 
I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os 
entes de direito público externo e da administração pública 
direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e 
dos Municípios; 
[...]
IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, 
na forma da lei. (grifos nosso)
 A Lei nº 6.019/74, em seu artigo 19, prevê que: “Competirá à Justiça do 
Trabalho dirimir os litígios entre as empresas de serviço temporário e seus 
trabalhadores”.
Pois bem evidente que a legislação que rege, hoje, a terceirização trabalhista 
é expressa em reconhecer que a competência para processar e julgar os conflitos 
existentes nas relações de terceirização é da Justiça do Trabalho, apenas 
sedimentando o que já era reconhecido pela nossa jurisprudência. Segundo 
Maurício Godinho Delgado (2012, p. 471),
94
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
A situação do trabalho temporário jamais ensejou dúvidas 
significativas na jurisprudência: enquadrando-se como 
emprego a relação entre o trabalhador temporário e a respectiva 
empresa terceirizante, a competência para conhecer e julgar 
suas lides situava-se na Justiça do Trabalho. Nesse aspecto, 
o texto da Lei n. 6.019/1974, enfatizando tal competência 
(art.19), era, em substância, redundante.
Continua Maurício Godinho Delgado (2012, p. 471), que surgiu 
“questionamento sobre a natureza empregatícia (ou não) do vínculo entre os 
sujeitos do contrato temporário. A par disso, despontava também neste quadro 
a relação responsabilizatória com o tomador dos serviços (art. 16, da Lei no 
6.019/74)”.
O artigo 16 da Lei no 6.019/74 dispõe que há responsabilidade solidária entre 
as empresas quanto ao recolhimento da contribuição previdenciária, evitando-se, 
assim, qualquer controvérsia quanto à competência judicial. Vejamos:
Art. 16 - No caso de falência da empresa de trabalho temporário, 
a empresa tomadora ou cliente é solidariamente responsável 
pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, no 
tocante ao tempo em que o trabalhador esteve sob suas 
ordens, assim como em referência ao mesmo período, pela 
remuneração e indenização previstas nesta Lei. (grifo nosso).
 Portanto, não pairam dúvidas que a competência para dirimir as questões 
atinentes a terceirização é da Justiça Trabalhista.
Do Litisconsórcio Passivo
Foi reconhecida pela jurisprudência majoritária que a responsabilidade 
subsidiária somente será reconhecida se o tomador de serviço fizer parte do 
processo judicial trabalhista, constando em seu polo passivo, pois somente assim 
restarão garantidos seus direitos constitucionais do contraditório e da ampla 
defesa, disposto no artigo 5º, inciso LV, in verbis:
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos 
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla 
defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifo nosso).
Corroborando o entendimento jurisprudencial, foi editada a Súmula 331, 
inciso IV do TST, vejamos:
95
Aspectos Processuais Capítulo 7 
IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte 
do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do 
tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que 
haja participado da relação processual e conste também 
do título executivo judicial. (grifo nosso).
Portanto, a partir de uma análise constitucional e infralegal, para que o 
tomador de serviços seja responsabilizado, ele deve estar no polo passivo da 
demanda trabalhista.
Do Direito Intertemporal
Neste tópico estudaremos como será realizada a aplicação da lei nova 
nos casos concretos cujos processos já estão em curso, aqueles que serão 
distribuídos, e aqueles que começaram e acabaram, com sentença transitada em 
julgada antes da vigência da Reforma Trabalhista.
Ainda, será abordada a mesma linha de raciocínio para aplicação da lei 
material no direito intertemporal, já que há casos concretos iniciados e terminados 
antes da vigência da Lei no 13.467/17, aqueles que iniciaram após a entrada 
em vigor da referida lei e casos que se iniciaram antes da Lei no 13.467/17 e se 
perduram após a vigência.
A Lei no 13.467/17, em seu artigo 6º, dispôs que “esta Lei entra em vigor após 
decorridos cento e vinte dias de sua publicação oficial” (grifo nosso), ou seja, 
ela não teve eficácia imediata, apresentando, assim, um período de vacatio legis 
de 120 (cento e vinte) dias, passando a viger em 11/11/2017, sendo que no direito 
processual, iniciou-se em 13/11/2017, já que foi a segunda-feira posterior a data 
de início da vigência.
Apenas a título de recordação, vacatio legis é o período que decorre entre 
a publicação da lei no Diário Oficial e a data em que esta norma, efetivamente, 
passa a ter vigência e ser aplicada para todos os cidadãos brasileiros.
Ainda, a fim de regulamentar a regra de direito intertemporal, temos o §1º, do 
artigo 8º, da LC 95/98, in verbis:
Art. 8º A vigência da lei será indicada de forma expressa e de 
modo a contemplar prazo razoável para que dela se tenha 
amplo conhecimento, reservada a cláusula "entra em vigor na 
data de sua publicação" para as leis de pequena repercussão.
§ 1º A contagem do prazo para entrada em vigor das leis 
que estabeleçam período de vacância far-se-á com a 
inclusão da data da publicação e do último dia do prazo, 
entrando em vigor no dia subsequente à sua consumação 
integral. (grifo nosso).
96
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Toda a legislação deve ser analisada sob três aspectos, quais sejam: 
vigência, eficácia e validade.
Portanto, faremos a abordagem separada do direito intertemporal, uma para 
o direito material e outra para o direito processual.
a) Do direito material
Para a aplicação das normas de Direito Material, temos que ter em mente 
dois artigos, quais sejam, o artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal, o qual 
consagra o princípio da segurança jurídica, ao dispor que “a lei não prejudicará 
o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”, bem como o artigo 6º 
da Lei de Introdução as Normas de Direito Brasileiro, abaixo transcrito:
Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediatoe geral, respeitados 
o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa 
julgada. (grifo nosso) (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 
1957)
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a 
lei vigente ao tempo em que se efetuou. (Incluído pela Lei nº 
3.238, de 1957)
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu 
titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aquêles cujo 
comêço do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição pré-
estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. (Incluído pela Lei 
nº 3.238, de 1957)
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial 
de que já não caiba recurso. 
Portanto a incidência da lei nova é imediata, mas é irretroativa, ou seja, 
atos ocorridos antes de 11/11/2017 são regidos pela lei anterior, já os fatos que 
acontecerem após 11/11/2017 são regidos pela lei nova.
No entanto, há grande discussão, hoje, quanto à possibilidade de aplicação 
imediata da Reforma Trabalhista quando esta for benéfica ao trabalhador, 
por exemplo, o parcelamento das férias em 3 (três) períodos, esta poderia ter 
aplicação imediata, independentemente da data de inicio do contrato de trabalho 
vigente, com fundamento no princípio da condição mais benéficas.
Em contrapartida, há quem defenda que as normas que são maléficas não 
podem ser aplicadas de imediato no contrato de trabalho vigente.
A jurisprudência, no entanto, firmou entendimento de que o princípio da 
condição mais benéfica é aplicado nos casos de cláusulas pactuadas, ou seja, 
97
Aspectos Processuais Capítulo 7 
em caso de Convenção Coletiva de Trabalho ou Acordo Coletivo de Trabalho, 
bem como as alterações dos Contratos de Trabalho que tragam prejuízo ao 
empregado.
A Súmula 51, do TST, é expressa no sentido de que o empregado fará opção 
por um regulamento da empresa, quando coexistir dois regulamentos, vejamos:
Súmula nº 51 do TST
NORMA REGULAMENTAR. VANTAGENS E OPÇÃO PELO 
NOVO REGULAMENTO. ART. 468 DA CLT (incorporada a 
Orientação Jurisprudencial nº 163 da SBDI-1) - Res. 129/2005, 
DJ 20, 22 e 25.04.2005
I - As cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem 
vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os 
trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do 
regulamento. (ex-Súmula nº 51 - RA 41/1973, DJ 14.06.1973)
II - Havendo a coexistência de dois regulamentos da 
empresa, a opção do empregado por um deles tem efeito 
jurídico de renúncia às regras do sistema do outro. (ex-OJ 
nº 163 da SBDI-1 - inserida em 26.03.1999) (grifo nosso).
Ainda, neste sentido, temos o artigo 468, da CLT, o qual consagra o princípio 
da inalterabilidade contratual lesiva, in verbis:
Art. 468 - Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a 
alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, 
e ainda assim desde que não resultem, direta ou 
indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de 
nulidade da cláusula infringente desta garantia. (grifo nosso).
 
Portanto, normas jurídicas e cláusulas contratuais, seja cláusula de Acordo 
ou Convenção Coletiva de Trabalho ou de Contrato de Trabalho, são tratadas de 
forma diversa, não podendo ser aplicado o princípio da aplicação da condição 
mais benéfica quando se tratar de lei. 
Mas, quando estamos diante da Reforma Trabalhista, que trata de reforma 
de um direito social, esta nova legislação, deve ser aplicada com ponderação, 
analisando caso a caso, bem como qual o direito violado. A fim de exemplificar, 
temos em nosso ordenamento o princípio da irredutibilidade salarial, nesse caso 
não pode aplicar aos contratos em curso a redução salarial, mesmo agora sendo 
permitido, para os “hipersuficientes” (trabalhadores que tem salário superior a 
dois tetos da previdência e curso superior completo) negociar as suas cláusulas 
contratuais.
Superadas estas questões, conclui-se que:
98
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
• Para os contratos iniciados e terminados antes da vigência da Reforma 
Trabalhista, aplica-se a Lei da época.
• Para os contratos iniciados após a Reforma Trabalhista, aplica-se a lei 
nova.
• Para os contratos iniciados antes da Reforma e que se perduram após a 
reforma, vai depender do caso concreto.
b) Do direito processual
Neste tópico trataremos da eficácia da norma processual e seus reflexos em 
atos processuais anteriores e posteriores à Lei no 13.467/17. 
Conforme visto no tópico anterior, o artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição 
Federal assegura que a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico 
perfeito e a coisa julgada, o que é corroborado pelo artigo 6º, da LINBD.
Os artigos 14 e 1.046 do Código de Processo Civil, que são aplicáveis 
supletivamente e subsidiariamente à Justiça do Trabalho (art. 15, CPC), dispõem 
que a norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos 
processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações 
jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada, conforme transcritos 
abaixo, respectivamente:
Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável 
imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos 
processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas 
sob a vigência da norma revogada. (grifo nosso).
Art. 1.046. Ao entrar em vigor este Código, suas disposições 
se aplicarão desde logo aos processos pendentes, ficando 
revogada a Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973. (grifo nosso)
§ 1o As disposições da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, 
relativas ao procedimento sumário e aos procedimentos 
especiais que forem revogadas aplicar-se-ão às ações 
propostas e não sentenciadas até o início da vigência deste 
Código.
§ 2o Permanecem em vigor as disposições especiais dos 
procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplicará 
supletivamente este Código.
§ 3o Os processos mencionados no art. 1.218 da Lei nº 5.869, 
de 11 de janeiro de 1973, cujo procedimento ainda não tenha 
sido incorporado por lei submetem-se ao procedimento comum 
previsto neste Código
Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos 
eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições 
deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. 
(grifo nosso).
§ 4o As remissões a disposições do Código de Processo Civil 
revogado, existentes em outras leis, passam a referir-se às que 
lhes são correspondentes neste Código.
99
Aspectos Processuais Capítulo 7 
§ 5o A primeira lista de processos para julgamento em ordem 
cronológica observará a antiguidade da distribuição entre os já 
conclusos na data da entrada em vigor deste Código.
Conclui-se, portanto, que não há como afastar a vigência e aplicabilidade 
da nova regra processual aos processos iniciados antes do dia 11 de novembro 
de 2017, pois a sua incidência é imediata, respeitando, contudo, o ato jurídico 
perfeito, direito adquirido e coisa julgada.
Assim, nos processos em andamento, os atos processuais já ultrapassados 
e os em curso quando da vigência da reforma trabalhista não serão afetos por 
esta, mas aqueles que não tenham ocorrido ou iniciado ficarão sujeitos às novas 
regras processuais, pois nenhum litigante tem direito adquirido a que o processo 
iniciado na vigência da lei antiga continue sendo por ela regulado, em detrimento 
da lei nova.
A Instrução Normativa no 41/2018, do TST, a qual “dispõe dobre a aplicação 
das normas processuais da Consolidação das Leis do Trabalho alteradas pela 
Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017”, em seu artigo 1º, reconheceu a aplicação 
imediata das normas processuais aos processos em andamento, vejamos:
Artigo 1º A aplicação das normas processuais previstas na 
Consolidação das Leis do Trabalho alteradas pela Lei nº 
13.467, de 13 de julho de 2017, com eficácia a partir de 11 
de novembro de 2017, é imediata, sem atingir, no entanto, 
situações pretéritas iniciadas ou consolidadas sob a égide da 
lei revogada.
Logo, evidente que a aplicaçãoimediata da norma processual que foi alterada 
pela Lei nº 13.467/2017 é pacífica pelo nosso ordenamento jurídico.
Atividade de Estudos:
1) Qual é a diferença entre relação de emprego e relação de trabalho?
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
100
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Algumas Considerações
Os aspectos processuais são importantes para garantir que o tomador de 
serviço seja responsabilizado, ainda que de forma subsidiária, pelas verbas 
trabalhistas devidas pela empresa prestadora de serviço em razão da não 
observância do seu dever fiscalizatório.
Referências
BRASIL. Instrução Normativa n. 41, de 2018. Dispõe dobre a aplicação das 
normas processuais da Consolidação das Leis do Trabalho alteradas pela Lei n. 
13.467, de 13 de julho de 2017. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
______. Súmulas da Jurisprudência Uniforme do Tribunal Superior do 
Trabalho. Resolução n. 220, de 18 de setembro de 2017. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
______. Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis 
do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei n. 5.452, de 1o de maio de 1943, e 
as Leis n. 6.019, de 3 de janeiro de 1974, n. 8.036, de 11 de maio de 1990, e n. 
8.212, de 24 de julho de 1991, a fim de adequar a legislação às novas relações 
de trabalho. Promulgada em 13 de julho de 2017. Disponível em: . Acesso em: 
17 jul. 2018.
______. Lei Complementar n. 95, de 26 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre a 
elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis, conforme determina 
o parágrafo único do art. 59 da Constituição Federal, e estabelece normas para a 
consolidação dos atos normativos que menciona. Promulgada em 26 de fevereiro 
de 1998. Disponível em: . 
Acesso em: 17 jul. 2018.
______. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Promulgada 
em 5 de outubro de 1988. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
101
Aspectos Processuais Capítulo 7 
______. Lei n. 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Dispõe sobre o Trabalho 
Temporário nas Empresas Urbanas, e dá outras Providências. Promulgada em 
3 de janeiro de 1974. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
______. Decreto Lei n. 4.657, de 4 de setembro de 1942. Lei de Introdução às 
normas do Direito Brasileiro. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. 11. ed. São Paulo: 
LTr. 2012. 
102
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
CAPÍTULO 8
Do Controle da Terceirização
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Identificar o limite da utilização terceirização. 
�	Analisar da legislação vigente a fim de garantir remuneração justa, as respons-
abilidades trabalhistas e a atuação sindical.
104
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
105
Do Controle da Terceirização Capítulo 8 
Contextualização
O controle da terceirização é realizado através da fiscalização.
Segundo Sérgio Pinto Martins (2017, p. 223), fiscalizar, em sentido amplo 
é “inspecionar, sindicar, censurar”. Já seu conceito para o Direito do Trabalho, o 
qual deve ser interpretado em seu sentido estrito, é “verificar a observância da 
norma legal e orientação em sua aplicação”.
A fiscalização é realizada pelo Fiscal do Trabalho, o qual tem por atribuições, 
assegurar em todo o território nacional, nos termos do artigo 11, da Lei no 
10.593/2002: 
I - o cumprimento de disposições legais e regulamentares, 
inclusive as relacionadas à segurança e à medicina do 
trabalho, no âmbito das relações de trabalho e de emprego; 
(grifo nosso)
II - a verificação dos registros em Carteira de Trabalho e 
Previdência Social - CTPS, visando a redução dos índices de 
informalidade;
III - a verificação do recolhimento e a constituição e o 
lançamento dos créditos referentes ao Fundo de Garantia do 
Tempo de Serviço (FGTS) e à contribuição social de que trata 
o art. 1o da Lei Complementar no 110, de 29 de junho de 2001, 
objetivando maximizar os índices de arrecadação; 
IV - o cumprimento de acordos, convenções e contratos coletivos 
de trabalho celebrados entre empregados e empregadores;
V - o respeito aos acordos, tratados e convenções internacionais 
dos quais o Brasil seja signatário;
VI - a lavratura de auto de apreensão e guarda de documentos, 
materiais, livros e assemelhados, para verificação da 
existência de fraude e irregularidades, bem como o exame da 
contabilidade das empresas, não se lhes aplicando o disposto 
nos arts. 17 e 18 do Código Comercial.
VII - a verificação do recolhimento e a constituição e o 
lançamento dos créditos decorrentes da cota-parte da 
contribuição sindical urbana e rural.
 
Verifica-se que, normalmente, o Fiscal do Trabalho tem por objetivo fazer a 
fiscalização do meio ambiente de trabalho, orientando as empresas para que estas 
cumpram a legislação vigente e, em sendo o caso, aplicar multa aos infratores.
Também fiscalizam as empresas terceirizantes, já que, conforme inciso I, do 
artigo 22, da Lei no 10.593/2002, a fiscalização é da relação de emprego, e não 
apenas da relação de trabalho.
A Lei nº 6.019/74, com a Reforma Trabalhista, dispõe que o descumprimento 
do disposto nesta lei sujeita a empresa infratora ao pagamento de multa, sendo 
106
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
que a fiscalização, a autuação e o processo de imposição das multas reger-se-ão 
pelo Título VII da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O disposto na Lei nº 6.019/74 não se aplica às empresas de vigilância 
e transporte de valores, permanecendo as respectivas relações de trabalho 
reguladas por legislação especial, e subsidiariamente pela Consolidação das Leis 
do Trabalho (CLT), conforme artigo 19-B da lei em comento.
Ainda permite o artigo19-C, da Lei nº 6.019/74, que os contratos em vigência, 
se as partes assim acordarem, poderão ser adequados aos termos desta lei. 
Dos Direitos do Trabalhador 
Terceirizado
A Lei no 6.019/74, regulamentadora da terceirização trabalhista, após a edição 
da Reforma Trabalhista, não exige isonomia de tratamento entre os trabalhadores 
terceirizados e os temporários, ou mesmo em relação aos que possuem vínculo 
direto com o tomador de serviços, salvo a remuneração do trabalhador temporário.
Conforme já estudado anteriormente, o trabalhador será contratado, 
remunerado e fiscalizado pela empresa prestadora de serviços, nos termos do 
§1º, do artigo 4º-A, da Lei nº 6.019/74, in verbis:
§ 1o A empresa prestadora de serviços contrata, remunera 
e dirige o trabalho realizado por seus trabalhadores, ou 
subcontrata outras empresas para realização desses serviços. 
(grifo nosso).
Portanto, em que pese o princípio da isonomia salarial, da igualdade, da 
dignidade da pessoa humana, da não discriminação remuneratória, a interpretação 
literal do artigo de lei acima transcrito deixa claro que não é dever da tomadora 
de serviço garantir ao trabalhador terceirizado os mesmos benefíciosque são 
oferecidos para seus funcionários e para os temporários.
Em consequência, a categoria sindical à qual pertencerá o trabalhador 
terceirizado será determinada a partir da atividade preponderante desenvolvida 
pela empresa prestadora de serviços, já que é empregado dela e não da tomadora 
de serviços. Neste sentido, observa-se o disposto no artigo 581, §§ 1 º e 2º, da 
CLT, vejamos:
107
Do Controle da Terceirização Capítulo 8 
Artigo 581
[...]
§ 1º Quando a empresa realizar diversas atividades econômicas, 
sem que nenhuma delas seja preponderante, cada uma 
dessas atividades será incorporada à respectiva categoria 
econômica, sendo a contribuição sindical devida à entidade 
sindical representativa da mesma categoria, procedendo-se, 
em relação às correspondentes sucursais, agências ou filiais, 
na forma do presente artigo. 
§ 2º Entende-se por atividade preponderante a que 
caracterizar a unidade de produto, operação ou objetivo final, 
para cuja obtenção todas as demais atividades convirjam, 
exclusivamente em regime de conexão funcional. (grifo nosso).
Logo, conforme bem salientado por Gustavo Filipe Barbosa Garcia (2018, 
p. 417), “o empregado da empresa prestadora de serviço não integra a categoria 
profissional da empresa contratante (tomadora), mas sim a categoria dos 
empregados de empresas de prestação de serviço”.
Com isso, é possível gerar tratamento desigual, não isonômico, entre os 
trabalhadores terceirizados e os contratados diretamente pela tomadora, ainda 
que laborarem no mesmo setor e contexto.
Este cenário, após Reforma Trabalhista, pode gerar a precarização da mão 
de obra, das relações de trabalho, com redução do nível salarial dos obreiros 
terceirizados, devendo ser aplicada a nova legislação com cautela e ponderação. 
Atividade de Estudos:
1) Pode haver reconhecimento da isonomia salarial entre o 
trabalhador terceirizado e o funcionário diretamente contratado 
pela tomadora de serviços? Justifique. 
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
108
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Algumas Considerações
Todas as empresas são fiscalizadas pelos fiscais do trabalho, sendo certo 
que tanto o tomador de serviços como a empresa fornecedora de mão de obra 
são responsáveis pelo trabalhador, cada qual no limite da sua responsabilidade, 
mas são.
A tomadora é responsável, principalmente, pelo meio ambiente de trabalho, 
mas não pode em razão disso cometer atos discriminatórios em relação ao 
trabalhador terceirizado, por exemplo, não permitir que ele utilize seu refeitório.
Portanto, a terceirização após a Reforma Trabalhista deve ser aplicada 
com ponderação, a fim de que as empresas não sofram futuras reclamações 
trabalhistas aumentando seu passivo e, às vezes, tendo que encerrar suas 
atividades.
Referências
BRASIL. Lei n. 10.593, de 6 de dezembro de 2002. Dispõe sobre a reestruturação 
da Carreira Auditoria do Tesouro Nacional, que passa a denominar-se Carreira 
Auditoria da Receita Federal - ARF, e sobre a organização da Carreira Auditoria-
Fiscal da Previdência Social e da Carreira Auditoria-Fiscal do Trabalho, e dá outras 
providências. Promulgada em 6 de dezembro de 2002. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
BRASIL. Lei n. 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Dispõe sobre o Trabalho 
Temporário nas Empresas Urbanas, e dá outras Providências. Promulgada em 
3 de janeiro de 1974. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação 
das Leis do Trabalho. Aprovada em 1º de maio de 1943. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018.
GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Curso de direito do trabalho. 12. ed. rev., 
atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2018.
MARTINS, Sergio Pinto. Terceirização no direito do trabalho. 14. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2017.como é o caso da Itália e da Suécia.
Já outros países admitem apenas a contratação de trabalhador temporário, 
como é o caso da França, Bélgica e Noruega, por exemplo.
No caso da Alemanha, Inglaterra e Suíça, por exemplo, a terceirização não 
é regulamentada, o que acaba dando maior força às negociações coletivas de 
trabalho.
Por fim, o Japão prevê a terceirização e a regulamenta, inclusive, possuindo 
legislação específica que trata da matéria.
16
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Terminologia
São vários os nomes utilizados para denominar a contratação de terceiros 
pela empresa para prestação de serviços ligados a sua atividade-meio, tais 
como terceirização, terciarização, subcontratação, filialização, reconcentração, 
desverticalização, exteriorização do emprego, focalização, parceria etc. 
Em que pese haver diversas nomenclaturas para o tema na obra do professor 
Sergio Pinto Martins (2017), trataremos de algumas das terminologias utilizadas, 
já que há, no Brasil e no mundo, diversas formas de denominar a terceirização. 
Vejamos:
• Terciarização: decorre do fato de que o setor terciário, na 
cadeia produtiva, é o setor de serviços, já que o primário é a 
agricultura e o secundário, a indústria.
• Terceirização: entende-se pelo fato de a empresa contratar 
serviços de terceiros para a realização da sua atividade-
meio.
• Reconcentração e desverticalização: são processos de 
terceirização. Na primeira, as empresas são concentradas 
em uma espécie de fusão, sendo que a desverticalização é 
o descarte de atividades não rendosas dentro da empresa 
(próximo a nossa terceirização), bem como a contratação 
de serviços de terceiros para aqueles serviços que antes 
eram executados pela própria empresa, normalmente em 
empresas de menor porte (MARTINS, 2017, p. 27).
No Brasil, inicialmente, o termo terceirização foi utilizado na administração de 
empresas, sendo utilizado, posteriormente, pelos tribunais trabalhistas, podendo 
ser descrito como contratação de terceiros para realização de atividades que não 
constituam o objeto principal da empresa.
Segundo Maurício Godinho Delgado (2012, p. 435), a expressão 
terceirização “resulta de neologismo oriundo da palavra terceiro, compreendido 
como intermediário, interveniente”. 
O vínculo de emprego se forma com o empregador aparente, ou seja, com 
a prestadora de serviços, desde que preenchidos os requisitos legais, caso 
contrário, nos termos do princípio trabalhista da primazia da realidade, o vínculo 
de emprego será com seu real empregador, ou seja, com o tomador.
Em países mais adiantados surgiu a terceirização gerenciada, ou a chamada 
quarteirização, que é a contratação de uma empresa especializada que gerencia 
as empresas terceirizadas. Essa empresa passa a administrar os fornecedores da 
17
Introdução ao Estudo da Terceirização 
Trabalhista
 Capítulo 1 
terceirizante, em razão do grande número deles. Exemplo de quarteirização é a 
empresa GR, integrante do Grupo Ticket Serviços, que gerencia os fornecedores 
da IBM.
É importante salientar que já se fala, no Brasil, da desterceirização, ou seja, 
a retomada pela empresa dos serviços terceirizados, uma vez que restou constado 
que a terceirização foi falha, não houve a mesma qualidade do terceirizante na 
prestação de serviços.
Conceito
A terceirização é uma “relação trilateral”, ou seja, é composta pelo 
“trabalhador, intermediador de mão de obra e o tomador de serviços”. Nessa 
conceituação, temos que o intermediador de mão de obra é o empregador 
aparente, formal ou dissimulado e o tomador de serviços, o empregador real ou 
natural, conforme muito bem observado por Volia Bomfim Cassar (2016, p. 480).
Segundo Maurício Godinho (2012, p. 435), “terceirização é o fenômeno pelo 
qual se dissocia a relação econômica de trabalho da relação justrabalhista que lhe 
seria correspondente”.
Para Sergio Pinto Martins (2017, p. 31), terceirização é “a possibilidade 
de contratar empresa prestadora de serviços para a realização de atividades 
específicas da tomadora”, compreendendo ainda, “uma forma de contratação 
que vai agregar a atividade-fim de uma empresa, normalmente a que presta os 
serviços, à atividade meio de outra”. 
A partir da análise desses conceitos de terceirização, verifica-se que seu 
objetivo é permitir a flexibilização das empresas para que estas possam continuar 
competitivas no mercado, já que a contratação de uma empresa prestadora de 
serviço de atividade-meio reduz os custos da tomadora com folha de pagamento.
Conclui-se, também, a partir dos conceitos de terceirização, que esta não 
se confunde com empreitada e com subcontratação, isso porque, naquela o 
interesse é no resultado de uma única obra, por exemplo, construção de um muro. 
Já a subcontratação visa à contratação de mão de obra para suprir o aumento de 
produção pontual.
Ainda, a terceirização se distingue do contrato de trabalho, uma vez que este 
é bilateral e aquele é trilateral, além disso, sua natureza jurídica é de contrato de 
prestação de serviços, sendo uma forma de gerir de mão de obra.
18
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Fundamentos
A terceirização decorre da necessidade dos empresários de buscar 
alternativas para reduzir seu custo de produção a fim de se manterem competitivos 
no mercado, em decorrência da globalização ou crise econômica mundial, 
conforme restou devidamente demonstrado alhures.
Diante de tal cenário, e da inexistência de legislação que proibisse as formas 
de exteriorização de mão de obra, as mais diversas foram criadas, gerando ato 
ilícito, em violação ao artigo 187, do Código Civil, já que este dispõe que “[...] 
comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente 
os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons 
costumes” (Brasil, 2002).
Com esta busca das empresas de solucionar um problema capital, de 
mercado e consequente abuso em face dos trabalhadores, não restou alternativa 
ao judiciário, senão ampliar as hipóteses de terceirização, cancelando a Súmula 
287, do C. TST e editando a Súmula 331, a seguir transcrita:
Súmula nº 331 do TST
CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE 
(nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à 
redação) - Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 
31.05.2011
I – A contratação de trabalhadores por empresa interposta é 
ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos 
serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, 
de 03.01.1974). 
II – A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa 
interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da 
Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, 
II, da CF/1988).
III – Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação 
de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de 
conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados 
ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a 
pessoalidade e a subordinação direta.
IV – O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte 
do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do 
tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que 
haja participado da relação processual e conste também do 
título executivo judicial.
V – Os entes integrantes da Administração Pública direta e 
indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições 
do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no 
cumprimento das obrigações da Lei nº 8.666, de 21.06.1993, 
19
Introdução ao Estudo da Terceirização 
Trabalhista
 Capítulo 1 
especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações 
contratuais e legais da prestadora de serviço como 
empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero 
inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela 
empresa regularmente contratada.
VI –A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços 
abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes 
ao período da prestação laboral (BRASIL, 2017).
Ocorre que, muitas vezes, o vínculo de emprego, na verdade, está 
mascarado, sendo que o verdadeiro empregador é o tomador de serviços. Nestes 
casos, há que ressaltar que há violação de vários princípios, sejam constitucionais 
ou do próprio Direito do Trabalho, sendo que a seguir estão elencados alguns dos 
princípios violados com a contratação de prestadores de serviços, com a única 
intenção de burlar a legislação trabalhista vigente, vejamos:
• da proteção ao empregado; 
• da norma mais favorável; 
• da condição mais benéfica ;
• do tratamento isonômico entre os trabalhadores que prestam serviços em 
uma mesma empresa;
• do único enquadramento sindical;
• do único empregador.
O princípio da proteção ao empregado, por exemplo, tem força constitucional, 
nos termos do artigo 7º, caput, da Constituição Federal, já que traz um rol 
exemplificativo, em seus diversos incisos, dos direitos dos trabalhadores, 
direitos mínimos que devem ser respeitados, dispondo que “são direitos dos 
trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua 
condição social”. 
Logo, a ausência de um dos requisitos da Lei nº 6.019/74 ou da Lei nº 
7.102/83 gera nulidade da cláusula de intermediação de mão de obra, com o 
reconhecimento de vínculo direto com o tomador de serviços.
Ainda, a Instrução Normativa nº 3/97, do Ministério do Trabalho, vem tentando 
inibir os abusos das empresas em fraudar a terceirização. Verifica-se que se trata 
de um trabalho em conjunto de várias esferas, judiciais ou administrativas, para 
que as fraudes sejam extintas, bem como sejam respeitadas as leis, a Constituição 
Federal e as Instruções Normativas, como forma de inibir a utilização ilegal da 
terceirização trabalhista.
20
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Atividades de Estudos:
1) Qual o objetivo da terceirização? 
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
2) Quando a terceirização surgiu no Brasil? 
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
Algumas Considerações
A partir da análise do presente capítulo foi possível observar toda a influência 
histórica que acarretou na criação deste instituto de direito do trabalho, qual seja, 
a terceirização trabalhista, bem como seu conceito, restando evidenciado que se 
trata de uma situação diferenciada, já que é uma relação jurídica trilateral, e não 
bilateral como ocorre nos contratos de trabalhos convencionais, cujo objetivo é 
puramente mercantil, visando à diminuição do custo da mão de obra.
21
Introdução ao Estudo da Terceirização 
Trabalhista
 Capítulo 1 
Referências
BRASIL. Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Dispõe sobre o trabalho 
temporário nas empresas urbanas, e dá outras providências. Promulgada em 3 de 
janeiro de 1974. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2018.
_____. Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983. Dispõe sobre segurança 
para estabelecimentos financeiros, estabelece normas para constituição e 
funcionamento das empresas particulares que exploram serviços de vigilância e 
de transporte de valores, e dá outras providências. Promulgada em 20 de junho 
de 1983. Disponível em: 
. Acesso em: 12 jun. 2018.
______. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Promulgada 
em 5 de outubro de 1988. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2018.
______. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil, em 10 de 
janeiro de 2002. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2018.
______. Resolução nº 220 de 18 de setembro de 2017. Súmulas da Jurisprudência 
Uniforme do Tribunal Superior do Trabalho. Divulgado no Diário Oficial da 
Justiça do Trabalho em 21, 22 e 25 de setembro de 2017. Disponível em: 
. Acesso em: 12 jun. 2018.
CALDERA, Rafael. Discurso. Anais do XI Congresso Internacional de Direito 
do Trabalho e Seguridade Social. Caracas, 1985, v.1, p. 18.
CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do trabalho. 12. ed. São Paulo: Método, 2016.
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 11. ed. São Paulo: 
LTr, 2012.
MARTINS, Sergio Pinto. Terceirização no direito do trabalho. 14. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2017.
22
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
CAPÍTULO 2
Caracterização e Efeitos Jurídicos
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Identificar as características e espécies de terceirização.
� Compreender os efeitos jurídicos da terceirização, identificando o vínculo do 
terceirizado com o tomador de serviços, bem como a necessidade de salário 
equitativo.
24
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
25
Caracterização e Efeitos Jurídicos Capítulo 2 
Contextualização
A terceirização para a doutrina majoritária pode ser lícita ou ilícita, sendo que, 
para alguns autores, deveria ser classificada como regular ou irregular, uma vez 
que este tipo de prestação de serviços não é proibido pela legislação vigente.
Assim, dentro desse contexto, passaremos a analisar, sob a égide das 
normas vigentes em nosso ordenamento jurídico, a caracterização e os efeitos 
jurídicos da terceirização no direito do trabalho.
Terceirização Lícita e Ilícita
Primeiramente, faz-se importante mencionar que não existe norma vedando 
a contratação de serviços por terceiros em nosso ordenamento jurídico vigente, 
sendo que, de forma geral, são dois os limites da terceirização, quais sejam: a) os 
constitucionais; b) os legais.
Não podemos esquecer que a terceirização, como não é vedada pelo 
ordenamento jurídico vigente, precisa ser analisada sob o crivo do princípio da 
dignidade da pessoa humana, o qual contempla um dos objetivos fundamentais 
da República Federativa do Brasil, previsto no artigo 3º, inciso III, da Constituição 
Federal, qual seja, “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as 
desigualdades sociais e regionais” (BRASIL, 1988, grifo nosso).
Ainda, é necessário fazer a sistematização do inciso III, do artigo 3º da CF, 
anteriormente transcrito, com o artigo 170, da Constituição Federal, restando 
devidamente demonstrado serem lícitos quaisquer serviços, vejamos: “a ordem 
econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem 
por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, 
observados os seguintes princípios” (BRASIL, 1988, s.p.). 
Portanto, o Código Civil, de forma lícita, e com fundamento nos artigos 
constitucionais mencionados alhures, trata, de forma totalmente lícita, da 
prestação de serviços, em seus artigos 593 a 609, bem como da empreitada, em 
seus artigos 610 a 626.
Assim, resta evidente que essa forma de contratação nem sempre é ilegal ou 
ilícita, sendo considerada válida, legal ou lícita, sempre que cumpridosos ditames 
legais.
26
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
A partir da análise do inciso I, da Súmula 331, do C. TST é possível concluir 
que, uma vez constada a fraude, o vínculo de emprego será diretamente com o 
tomador de serviços, não sendo esta a regra, mas a exceção. Vejamos:
Súmula nº 331 do TST
CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE 
(nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) 
- Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011
I - A contratação de trabalhadores por empresa interposta é 
ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador 
dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 
6.019, de 03.01.1974) (BRASIL, 2011, s.p.).
Frise-se, por oportuno, que a aplicação do inciso transcrito somente será 
possível quando da aplicação conjunta do artigo 9º da CLT “serão nulos de pleno 
direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a 
aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação” (BRASIL, 1943, s.p.), 
já que se faz necessário o reconhecimento da nulidade de um negócio jurídico, 
para que seja celebrado outro.
Conforme preconizado por Sergio Pinto Martins (2017, p. 214), e para melhor 
entender os tipos de terceirização, vale transcrever a distinção entre terceirização 
legal ou lícita e ilegal ou ilícita:
A terceirização legal ou lícita é a que observa os preceitos 
legais relativos aos direitos dos trabalhadores, não pretendendo 
fraudá-los, distanciando-se da existência da relação de 
emprego. A terceirização ilegal ou ilícita é a que se refere à 
locação permanente de mão de obra, que pode dar ensejo a 
fraudes e a prejuízos aos trabalhadores. (grifo nosso) 
Ainda, segundo Vólia Bomfim Cassar (2016, p. 489), as terceirizações têm 
que ser classificadas como regulares e irregulares, “porque não há lei que as 
proíba”. 
 
A partir dessa distinção, analisaremos de forma detalhada as terceirizações 
lícitas e ilícitas.
a) Terceirização Lícita
As terceirizações lícitas, segundo Maurício Godinho Delgado (2012, p. 449), 
“estão, hoje, claramente assentadas pelo texto da Súmula 331,TST”, constituindo 
quatro grandes grupos de situações sociojurídicas delimitadas, quais sejam, 
trabalho temporário, atividade de vigilância, atividade de conservação e limpeza e 
serviços ligados à atividade-meio do tomador de serviços. 
27
Caracterização e Efeitos Jurídicos Capítulo 2 
Para Sergio Pinto Martins (2017, p. 214), “a terceirização é lícita, pois toda 
a espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial, pode ser contratada 
mediante retribuição (artigo 594 do Código Civil)”. 
A partir desses conceitos de terceirização lícita, é importante analisar 
algumas das suas hipóteses previstas em nosso ordenamento jurídico:
a) Trabalho temporário (Lei nº 6.019/74 e Súmula 331, I, do 
C. TST): nesta situação será lícita a terceirização por se tratar 
de necessidade transitória, seja pela substituição de pessoal 
permanente, seja pelo aumento inesperado de serviços da 
empresa, de forma extraordinária. Explica-se ainda que este 
tipo de prestação de serviços para o tomador não pode superar 
180 (cento e oitenta) dias.
b) Vigilantes: (Lei nº 7.102/83 e Súmula 331, III, do C. TST): 
hoje, com a redação da Súmula 331, do C. TST, qualquer 
atividade empresária ou pessoa física, pode contratar vigilante 
através de empresas especializadas.
c) Conservação e limpeza (Súmula 331, III, do C. TST): este 
foi um dos primeiros ramos a entrar na atividade terceirizante 
no Brasil.
d) Serviços ligados à atividade-meio (Súmula 331, do C. TST): 
não se trata de um grupo expresso, bastando que a atividade 
terceirizada não seja a preponderante da empresa tomadora 
dos serviços. 
Além disso, não podemos deixar de elencar outras hipóteses de terceirização 
lícita, vejamos: a empreitada (artigos 610 a 626, do CC), a subempreitada (artigo 
455, da CLT), das empresas que estejam no formato da Lei Complementar nº 
116/2003, representante comercial autônomo (Lei nº 4.886/65), compensação de 
cheques, estagiários (Lei nº 11.788/2008) e cooperativas (Lei nº 12.690/2012).
A terceirização na prestação de serviços de telecomunicação também é 
possível, Lei nº 9.472/1997, artigo 94, inciso II, quanto à instalação e manutenção 
de telefones. Vejamos:
Art. 94. No cumprimento de seus deveres, a concessionária 
poderá, observadas as condições e limites estabelecidos pela 
agência:
[...]
II - contratar com terceiros o desenvolvimento de atividades 
inerentes, acessórias ou complementares ao serviço, bem 
como a implementação de projetos associados. (grifo nosso)
§ 1° Em qualquer caso, a concessionária continuará sempre 
responsável perante a agência e os usuários.
§ 2° Serão regidas pelo direito comum as relações da 
concessionária com os terceiros, que não terão direitos 
frente à agência, observado o disposto no art. 117 desta Lei.
(grifo nosso)
28
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Na prestação de serviços terceirizados não podem estar presentes os 
elementos do artigo 3º da CLT, entre o tomador de serviços e do prestador, 
principalmente a subordinação, sendo certo que o tomador pode exigir, de forma 
técnica, como será prestado o serviço, mas não pode solicitar que a prestação 
de serviços seja realizada por uma pessoa determinada, e tampouco, poderá 
controlar a sua jornada de trabalho, por exemplo.
Importante relembrar neste momento as disposições do artigo 3º da CLT, 
vejamos:
Art. 3º - Considera-se empregado toda pessoa física que 
prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob 
a dependência deste e mediante salário.
Parágrafo único - Não haverá distinções relativas à espécie 
de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho 
intelectual, técnico e manual. (BRASIL, 1943, s.p.).
Portanto, a fim de manter a licitude da terceirização, bem como não 
caracterizar a relação de emprego entre o tomador e o prestador, nos ditames de 
Sergio Pinto Martins (2017, p. 216), a terceirizada tem que seguir algumas regras, 
quais sejam:
a) Idoneidade econômica.
b) Assunção de riscos.
c) Especialização no serviço.
d) Direção dos serviços prestados.
e) Utilização do serviço, principalmente na atividade-meio.
f) Necessidade extraordinária e temporária dos serviços.
Ainda, conforme entendimento de Martins (2017, p. 217), o quadro de 
funcionários da empresa prestadora de serviços será composto por empregados 
contratados por prazo indeterminado, ou seja, permanentes, porém, “prestando 
serviços para tomadores de diversos”. Já na tomadora, “a mão de obra extra será 
utilizada apenas quando necessária”. 
O artigo 6º da CLT dispõe que “não se distingue entre o trabalho realizado 
no estabelecimento do empregador, o executado no domicílio do empregado 
e o realizado a distância, desde que estejam caracterizados os pressupostos 
da relação de emprego”. (Brasil, 1943, grifo nosso). Logo, deve-se evitar a 
terceirização para pessoas físicas, já que é muito fácil a caracterização do vínculo 
empregatício nestas hipóteses, bem como priorizar a contratação com pessoa 
jurídica.
29
Caracterização e Efeitos Jurídicos Capítulo 2 
Não é demais rememorar que, nos termos do artigo 3º da CLT, anteriormente 
transcrito, o contrato de trabalho se dá com pessoa física, não havendo falar em 
vínculo de emprego entre pessoas jurídicas. 
Aplica-se nestes casos o princípio da primazia da realidade, prevalecendo, 
sempre, a verdade dos fatos, a relação que verdadeiramente ocorreu entre 
prestador e tomador, independentemente do nome contratual dado à situação 
jurídica, restando evidenciada a relação de emprego, nos moldes do artigo 3º da 
CLT, esta será reconhecida, considerando nulo o contrato firmado.
Portanto, não é possível generalizar afirmando que toda terceirização é 
ilícita ou lícita, uma vez que dependerá do caso concreto e da realidadefática 
vivenciada pelas partes naquele determinado caso concreto.
A Lei nº 13.429/2017 não pode impedir a terceirização, pois isso prejudicaria o 
sistema econômico e financeiro, uma vez que não seriam mais criadas empresas 
e, tampouco, postos de trabalhos em nosso país.
A distinção da terceirização lícita ou legal da terceirização fraudulenta, ilícita 
ou ilegal não é matéria fácil, cabendo ao poder judiciário que faça essa análise 
caso a caso.
Atividades de Estudos:
1) Da análise do estudo realizado acerca da terceirização lícita, é 
possível afirmar que uma empresa que terceirizar secretárias é 
lícita? Justifique e fundamente.
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
2) O ex-funcionário da tomadora, agora como autônomo ou 
microempreendedor, deve ser contratado como terceirizado? 
Justifique e fundamente.
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
30
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
b) Da ausência de pessoalidade e subordinação diretas
A terceirização não pode ser utilizada de forma a burlar, fraudar a legislação 
contida na Consolidação das Leis Trabalhistas, razão pela qual o inciso III, da 
Súmula 331, do TST, tomou o cuidado de prever, esta somente será possível 
quando ausentes a pessoalidade e a subordinação direta, vejamos:
Súmula nº 331 do TST
CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE 
(nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) 
- Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 
[...]
III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação 
de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de 
conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados 
ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a 
pessoalidade e a subordinação direta.
Frise-se que a subordinação direta e a pessoalidade existirão entre o 
empregado e a empresa terceirizante, jamais com a empresa tomadora de 
serviços, pois se este último fato ocorrer, estaremos diante de uma terceirização 
fraudulenta.
Repise-se, por oportuno, a exceção do inciso I, da Súmula 331, do TST, uma 
vez que no caso de trabalho temporário, não se exige a ausência de pessoalidade 
e subordinação entre obreiro e tomador de serviços. 
Conforme salientado por Mauricio Godinho Delgado (2012, p. 451), o trabalho 
temporário “é a única modalidade de terceirização lícita em que se permite 
a pessoalidade e a subordinação diretas do trabalhador terceirizado perante o 
tomador de serviços”. 
c) Da terceirização ilícita
Portanto, toda terceirização realizada sem a observância dos ditames 
da Súmula 331, do TST, bem como da legislação apontada no tópico em que 
tratamos da terceirização lícita, será ilícita, pois estaremos diante de uma tentativa 
de fraudar, burlar os artigos 2º e 3º da CLT, já que existirá um vínculo de emprego 
mascarado.
Nestes casos será analisado com qual empresa realmente existe o vínculo 
de emprego (prestadoras e tomadoras), com base no princípio da primazia da 
realidade. 
31
Caracterização e Efeitos Jurídicos Capítulo 2 
Segundo Gustavo Felipe Barbosa Garcia (2018, p. 70), princípio da primazia 
da realidade “indica que, na relação de emprego, deve prevalecer a efetiva 
realidade dos fatos, e não eventual forma construída em desacordo com a 
verdade”.
d) Dos efeitos jurídicos da terceirização
A terceirização acarreta dois efeitos jurídicos, devidamente previstos no 
inciso I, da Súmula 331, do TST, quais sejam: a) reconhecimento de vínculo 
empregatício com o tomador de serviços; b) o chamado salário equitativo; os 
quais serão abordados separadamente.
e) Do vínculo com o tomador de serviços
O vínculo de emprego com o tomador de serviços será reconhecido sempre 
que ficar caracterizada que foi fraudulenta a contratação de mão de obra por 
empresa interposta, conforme previsto no inciso I, da Súmula 331, do TST, 
(BRASIL, 2011).
Conforme já estudado anteriormente, a contratação de mão de obra por 
empresa interposta não é ilegal, a não ser quando esta for fraudulenta, ou 
seja, tenha a intenção de frustrar a aplicação da lei trabalhista vigente em uma 
determinada relação de trabalho. 
Portanto, nos termos do inciso I, da Súmula 331, do TST, (BRASIL, 2011), 
uma vez constatada a fraude, será nulo o contrato de trabalho firmado com a 
empresa interposta, com o consequente reconhecimento de vínculo de emprego 
com a empresa tomadora de serviços, aplicando-se, de imediato, a norma coletiva 
da categoria da tomadora, bem como todos os benefícios que os seus funcionários 
possuem.
Frise-se, no entanto, que há uma exceção para esta regra, qual seja, nos 
casos de trabalho temporário, já que estes contratos terão prazo de 180 dias, 
consecutivos ou não, prorrogáveis por mais 90 dias, §§ 1º e 2º, do artigo 10, da 
Lei nº 6.019/74, vejamos:
Art. 10. Qualquer que seja o ramo da empresa tomadora de 
serviços, não existe vínculo de emprego entre ela e os 
trabalhadores contratados pelas empresas de trabalho 
temporário. (grifo nosso).
§1o O contrato de trabalho temporário, com relação ao mesmo 
empregador, não poderá exceder ao prazo de cento e 
oitenta dias, consecutivos ou não. (grifo nosso).
32
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
§2o O contrato poderá ser prorrogado por até noventa dias, 
consecutivos ou não, além do prazo estabelecido no § 1o deste 
artigo, quando comprovada a manutenção das condições que 
o ensejaram. (grifo nosso).
Não podemos deixar de observar que o artigo 10, parágrafos 1º e 2º da 
Lei nº 6.019/74, foi introduzido pela Lei nº 13.429/2017, denominada “Reforma 
Trabalhista”, que será abordada no tópico do trabalho temporário.
Portanto, é evidente que, uma vez constada fraude na contratação de 
empresa interposta, haverá o reconhecimento de vínculo de emprego direto com 
o tomador de serviços.
f) Da isonomia: salário equitativo
Primeiramente, há que ser recordado que os trabalhadores, necessariamente, 
devem ter tratamento isonômico na relação de emprego, ou seja, não podem ser 
tratados de formas distintas, que acarretem diferenças salariais ou exercício de 
funções.
No entanto, quando há contratação de empresa terceirizada para a prestação 
de serviços nos tomadores, ainda que de forma lícita, há dúvidas quanto à 
manutenção da isonomia entre estes funcionários, pois, normalmente, não há 
tratamento isonômico entre o obreiro terceirizado em face dos trabalhadores 
pertencentes ao quadro de funcionários da empresa tomadora.
O artigo 7º, inciso XXXII, da CF, traz preceito antidiscriminatório, e taxativo, 
uma vez que garante os direitos básicos dos trabalhadores urbanos ou rurais, 
bem como proíbe qualquer distinção entre os mais variados tipos de trabalho. 
Vejamos:
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de 
outros que visem à melhoria de sua condição social:
[...]
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico 
e intelectual ou entre os profissionais respectivos; (BRASIL, 
1988, s.p., grifo nosso)
Já o artigo 461, da CLT, com sua redação alterada pela Lei nº 13.467/2017, 
dispõe que “sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao 
mesmo empregador, no mesmo estabelecimento empresarial, corresponderá 
igual salário, sem distinção de sexo, etnia, nacionalidade ou idade” (BRASIL, 
2017, grifo nosso). Logo, o trabalho exercido por dois trabalhadores para o mesmo 
empregador acarreta o direito à equiparação salarial.
33
Caracterização e Efeitos Jurídicos Capítulo 2 
Por sua vez, o artigo 12, alínea “a” da Lei nº 6019/74,garante ao trabalhador 
terceirizado “remuneração equivalente à percebida pelos empregados de 
mesma categoria da empresa tomadora ou cliente calculados à base horária, 
garantida, em qualquer hipótese, a percepção do salário mínimo regional” 
(BRASIL, 1974, s.p., grifo nosso). Evidente a existência do que hoje, chamamos, 
de salário equitativo.
Verifica-se, portanto, que, a partir da análise da alínea “a”, do artigo 12, da 
Lei nº 6019/74, de modo a mitigar o caráter antissocial da fórmula terceirizante, 
foi dada interpretação de que todas as parcelas de caráter salarial que são 
devidas aos empregados originários da entidade tomadora são estendidas aos 
trabalhadores terceirizados, havendo diversos julgados neste sentido.
No entanto, a jurisprudência não é pacífica neste sentido, mantendo a 
interpretação de que se a terceirização é lícita, o salário é do padrão remuneratório 
da prestadora de serviços e não da tomadora, sendo certo que hoje, temos muitos 
postos de trabalhos de empresas terceirizadas com salários inferiores aos salários 
dos tomadores de serviços.
Isso porque, na terceirização temos uma triangulação, sendo que um 
empregado pertence ao tomador de serviço e o outro à empresa prestadora 
de serviços, não havendo como falar em equiparação salarial, já que um dos 
requisitos para a equiparação é prestar serviço para o mesmo empregador.
Esclareça-se que a regra do artigo 12, da Lei nº 6.019/74, 
é aplicável tão somente aos trabalhadores temporários, não se 
estendendo a todas as classes e tipos de empresas terceirizadas.
Conforme observado por Martins (2017, p. 171), “não pode 
ser aplicada por analogia a regra da alínea ‘a’ do art. 12 da Lei nº 
6.019/74 em relação a outras empresas que fazem terceirização, 
como empresas de segurança, vigilância e transporte de valores, 
empresas de limpezas ou outras” (grifo nosso), uma vez que o serviço 
de segurança, previsto na Lei nº 7102/83, é norma posterior à lei de 
temporários e não trouxe regra neste sentido, o que poderia ter feito.
Já o serviço de limpeza e conservação não é regulamentado, não possui 
norma regulamentando esta atividade, não podendo ser aplicada a analogia neste 
caso. A Orientação jurisprudencial 383 da SDBI-1 do TST afirma que:
Esclareça-se que 
a regra do artigo 
12, da Lei nº 
6.019/74, é aplicável 
tão somente aos 
trabalhadores 
temporários, não 
se estendendo a 
todas as classes e 
tipos de empresas 
terceirizadas.
34
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
383. TERCEIRIZAÇÃO. EMPREGADOS DA EMPRESA 
PRESTADORA DE SERVIÇOS E DA TOMADORA. 
ISONOMIA. ART. 12, “A”, DA LEI Nº 6.019, DE 03.01.1974. 
(mantida) - Res. 175/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 
31.05.2011
A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa 
interposta, não gera vínculo de emprego com ente da 
Administração Pública, não afastando, contudo, pelo princípio 
da isonomia, o direito dos empregados terceirizados às 
mesmas verbas trabalhistas legais e normativas asseguradas 
àqueles contratados pelo tomador dos serviços, desde que 
presente a igualdade de funções. Aplicação analógica do art. 
12, “a”, da Lei nº 6.019, de 03.01.1974.
Já Delgado (2012, p. 454) entende que é “plenamente compatível com as 
demais situações-tipo de terceirização” aplicar a analogia, possibilitada no artigo 
8º da CLT, quando conjugada à norma Constitucional e com a alínea “a”, do artigo 
12, da Lei nº 6.019/74.
A priori, comungamos do entendimento de Sergio Pinto Martins (2017), já 
que se trata de empregadores diferentes, quais sejam, tomador de serviços e 
prestador de serviços, bem como por inexistir legislação específica que autorize a 
equiparação salarial.
No entanto, frise-se a necessidade de interpretar a legislação sempre à luz 
da Constituição Federal e dos princípios de direito do trabalho.
Algumas Considerações
Com o estudo da terceirização lícita e ilícita é possível observar que uma vez 
demonstrada que a terceirização foi realizada por empresa interposta de forma a 
mascarar a relação de emprego com o tomador de serviço, esta será considerada 
nula de pleno direito, bem como poderá ser reconhecido o vínculo de emprego 
diretamente com a empresa onde é prestado o serviço, aplicando o princípio da 
primazia da realidade. 
35
Caracterização e Efeitos Jurídicos Capítulo 2 
Referências
BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das 
Leis do Trabalho. Aprovada em 1 de maio de 1943. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2018.
______. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Promulgada 
em 5 de outubro de 1988. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2018.
______. Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Dispõe sobre o trabalho temporário 
nas empresas urbanas, e dá outras providências. Promulgada em 3 de janeiro 
de 1974. Disponível em: . 
Acesso em: 12 jun. 2018.
______. Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983. Dispõe sobre segurança 
para estabelecimentos financeiros, estabelece normas para constituição e 
funcionamento das empresas particulares que exploram serviços de vigilância e 
de transporte de valores, e dá outras providências. Promulgada em 20 de junho de 
1983. Disponível em: 
. Acesso em: 12 jun. 2018.
______. Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997. Dispõe sobre a organização dos 
serviços de telecomunicações, a criação e funcionamento de um órgão regulador 
e outros aspectos institucionais, nos termos da Emenda Constitucional nº 8, de 
1995. Promulgada em 16 de junho de 1997. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2018.
______. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil, em 10 de 
janeiro de 2002. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2018.
______. Resolução nº 220 de 18 de setembro de 2017. Súmulas da Jurisprudência 
Uniforme do Tribunal Superior do Trabalho. Divulgado no Diário Oficial da Justiça 
do Trabalho em 21, 22 e 25 de setembro de 2017. Disponível em: 
. Acesso em: 12 jun. 2018.
______. Resolução nº 220 de 18 de setembro de 2017. 01 – Subseção I Especializada em 
Dissídios Individuais – SBDI I. Divulgado no Diário Oficial da Justiça do Trabalho em 
21, 22 e 25 de setembro de 2017. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2018.
36
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do trabalho, 12. ed. São Paulo: Método, 2016.
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 11. ed. São Paulo: 
LTr, 2012.
GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Curso de direito do trabalho. 12. ed. rev., 
atul. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2018.
MARTINS, Sergio Pinto. Terceirização no direito do trabalho. 14. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2017.
CAPÍTULO 3
Especificidade da Administração 
Pública
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Identificar a possibilidade de contratação de prestadores de serviços pela
 administração pública.
� Identificar a responsabilidade da administração pública nos casos de 
 terceirização.
Professora convidada:
Gabriela Gavioli
38
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
39
Especificidade da Administração Pública Capítulo 3 
Contextualização
A terceirização de mão de obra na administração pública é plenamente 
possível, inclusive sendo realizada de forma lícita, conforme restará plenamente 
demonstradoneste capítulo.
Na verdade, a terceirização na administração pública já vem 
ocorrendo, conforme se observa da coleta de lixo e transporte público, 
além da medição de consumo de água, de gás, energia elétrica, dentre 
outros serviços que já são realizados por meio de empresa interposta, 
ou seja, de mão de obra terceirizada.
Como ensina Delgado (2012, p. 455), o que gera dúvidas em 
relação a essa forma de contratar, é que a Constituição Federal de 
1988 “colocou a aprovação prévia em concurso público de provas ou 
de provas e títulos” para investidura em cargo ou emprego público, 
regra esta que impôs óbice ao reconhecimento de vínculo entre o 
tomador de serviços (poder público) e o prestador de serviços, ainda 
que caracterizada a ilicitude da terceirização.
Portanto, ao analisar o artigo 37, inciso II e parágrafo 2º da 
Constituição Federal, é possível observar que é inviável, juridicamente, o 
reconhecimento de vínculo de emprego entre o trabalhador e a administração 
pública, ainda que reste caracterizada a terceirização ilícita, uma vez que a forma 
da contratação é a essência do ato de contratação de trabalhadores. Vejamos:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer 
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal 
e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, 
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, 
também, ao seguinte: 
[...]
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de 
aprovação prévia em concurso público de provas ou de 
provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade 
do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as 
nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre 
nomeação e exoneração.
[...]
§ 2º A não observância do disposto nos incisos II e III implicará 
a nulidade do ato e a punição da autoridade responsável, 
nos termos da lei (BRASIL, 1988, s.p., grifo nosso).
Corroborando o texto constitucional, bem como consagrando o entendimento 
do Tribunal Superior do Trabalho, foi editado o inciso II, da Súmula 331, do TST, 
prevendo, expressamente, que não gera vínculo de emprego com a administração 
pública a contratação irregular de empresa interposta. Vejamos:
A terceirização 
na administração 
pública já vem 
ocorrendo, conforme 
se observa da 
coleta de lixo e 
transporte público, 
além da medição de 
consumo de água, 
de gás, energia 
elétrica, dentre 
outros serviços que 
já são realizados por 
meio de empresa 
interposta, ou seja, 
de mão de obra 
terceirizada.
40
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Súmula nº 331 do TST
CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE 
(nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) 
- Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 
[...]
II - A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa 
interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da 
Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 
37, II, da CF/1988). (BRASIL, 2011, s.p., grifo nosso).
Saliente-se que não poderá a administração pública terceirizar serviços que 
lhe são peculiares, tais como justiça, segurança pública, fiscalização, diplomacia, 
dentre outros.
A administração pública pode terceirizar serviços através da concessão e 
permissão, nos termos da Lei nº 8.987/95, a qual regulamenta o artigo 175 da 
Constituição Federal, ao prever que “incumbe ao Poder Público, na forma da 
lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de 
licitação, a prestação de serviços públicos” (BRASIL, 1995).
Os conceitos de permissão e concessão estão previstos no artigo 2º, incisos 
II e IV da Lei nº 8.987/95, transcritos a seguir:
Art. 2o Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se:
[...]
II - concessão de serviço público: a delegação de sua 
prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na 
modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de 
empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, 
por sua conta e risco e por prazo determinado; 
[...]
IV - permissão de serviço público: a delegação, a título 
precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, 
feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que 
demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e 
risco (BRASIL, 1995, s.p., grifo nosso).
Ainda é possível verificar a possibilidade de terceirização dos 
serviços públicos a partir da simples leitura do artigo 25, parágrafo 
1º, da Lei nº 8.987/95, no qual restou possibilitada a contratação de 
terceiros para o “desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias 
ou complementares ao serviço concedido, bem como a implementação 
de projetos associados” (BRASIL, 1995).
Portanto, é evidente que há possibilidade de terceirização de 
serviços públicos, mas que o reconhecimento da sua ilicitude não gera o 
direito ao reconhecimento de vínculo de emprego entre a administração 
pública e o empregado terceirizado.
Há possibilidade 
de terceirização 
de serviços 
públicos, mas que 
o reconhecimento 
da sua ilicitude não 
gera o direito ao 
reconhecimento 
de vínculo de 
emprego entre 
a administração 
pública e o 
empregado 
terceirizado.
41
Especificidade da Administração Pública Capítulo 3 
Do Inciso II da Súmula 331, do TST
Conforme estudado no tópico anterior, o inciso II, do artigo 37 da 
Constituição Federal, prevê que a investidura em cargo ou emprego 
público depende de aprovação em concurso público, sendo certo que 
tal regra é aplicada para a administração pública direta, indireta ou 
fundacional.
Em análise ao inciso XXI, do artigo 37, da Constituição Federal, é possível 
contratar serviços de terceiros pela administração pública, desde que realizada a 
contratação por meio de licitação, corroborando também a disposição do artigo 
175 da CF.
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as 
obras, serviços, compras e alienações serão contratados 
mediante processo de licitação pública que assegure 
igualdade de condições a todos os concorrentes, com 
cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, 
mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, 
o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica 
e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das 
obrigações. (BRASIL, 1988, s.p., grifo nosso).
Portanto, não há falar em vínculo de emprego entre o trabalhador terceirizado 
e a administração pública direta, indireta ou empresas estatais. 
Frise-se, ainda, que da leitura do texto constitucional em questão, qual seja, 
artigo 37, inciso II, o trabalhador que não foi aprovado em concurso público não 
pode ser considerado como empregado público, sendo certo que não respeitar 
esse preceito legal também violaria o princípio da legalidade.
O requisito concurso público é essencial à validade do negócio jurídico. 
Lembrando que a validade do negócio jurídico está regulamentada no Código 
Civil Brasileiro, nos artigos transcritos a seguir:
Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:
I - agente capaz;
II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
III - forma prescrita ou não defesa em lei.
Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá 
de forma especial, senão quando a lei expressamente a 
exigir.
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
Tal regra é 
aplicada para a 
administração 
pública direta, 
indireta ou 
fundacional.
42
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
IV - não revestir a forma prescrita em lei;
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere 
essencial para a sua validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhea prática, 
sem cominar sanção. (BRASIL, 2002, s.p.).
O “caput” do artigo 37 da Constituição Federal dispõe que a administração 
pública está adstrita ao princípio da legalidade, sendo que o princípio da primazia 
da realidade não pode prevalecer diante desta regra de ordem pública.
Isso porque a norma constitucional está acima das regras ordinárias da CLT, 
bem como dos princípios do Direito do Trabalho, que somente são aplicados em 
caso de lacuna na lei, nos termos do artigo 8º da CLT, in verbis:
Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do 
Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, 
decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, 
por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, 
principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo 
com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre 
de maneira que nenhum interesse de classe ou particular 
prevaleça sobre o interesse público. (BRASIL, 1943, s.p.).
Em que pese haver posicionamentos diversos sobre a existência 
ou não de direitos trabalhistas a serem pagos para o trabalhador 
terceirizado, filiamo-nos ao posicionamento do Sergio Pinto Martins 
(2017, p. 199) que afirma que, minoritária na jurisprudência, “a falta de 
concurso tanto é ilegal para a administração como para o trabalhador, 
que deveria saber de sua necessidade, pois não pode ignorar a lei (art. 
3º da Lei de Introdução)”.
Saliente-se que, estando a administração pública adstrita ao 
princípio da legalidade, não há falar em aplicação do princípio da 
primazia da realidade, em razão da hierarquia de normas. 
Estando a 
administração 
pública adstrita 
ao princípio da 
legalidade, não há 
falar em aplicação 
do princípio 
da primazia da 
realidade, em razão 
da hierarquia de 
normas.
Da Responsabildiade da Administração 
Pública
A administração pública tem o dever de fiscalizar o contrato de prestação 
de serviços firmado entre ela e a empresa prestadora de serviços, conforme se 
observa dos artigos 58, inciso III e 67 caput, ambos da Lei nº 8.666/93, in verbis:
43
Especificidade da Administração Pública Capítulo 3 
Art. 58. O regime jurídico dos contratos administrativos 
instituído por esta Lei confere à Administração, em relação a 
eles, a prerrogativa de:
[...]
III - fiscalizar-lhes a execução;
Art. 67. A execução do contrato deverá ser acompanhada 
e fiscalizada por um representante da Administração 
especialmente designado, permitida a contratação de terceiros 
para assisti-lo e subsidiá-lo de informações pertinentes a essa 
atribuição (BRASIL, 1993, s.p.).
Ainda o artigo 68 da Lei nº 8.666/93 dispõe que “o contratado deverá manter 
preposto, aceito pela Administração, no local da obra ou serviço, para representá-
lo na execução do contrato” (BRASIL, 1993, s.p., grifo nosso).
Portanto, a execução do contrato deverá ser fiscalizada e 
acompanhada por um representante da administração pública, sendo 
certo que esta poderá responder por ação ou omissão, quando causar 
prejuízo a outrem, conforme disposto no artigo CC. Portanto, uma 
vez demonstrada a culpa da administração pública, esta responderá 
subsidiariamente pelas verbas trabalhistas dos prestadores de 
serviços terceirizados.
Corroborando esse entendimento, vale transcrever os incisos IV e 
V, da Súmula 331, do C. TST: 
Súmula nº 331 do TST
CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE 
(nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) 
- Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 
[...]
IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do 
empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador 
dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja 
participado da relação processual e conste também do título 
executivo judicial.
V - Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta 
respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item 
IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento 
das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente 
na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e 
legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida 
responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das 
obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente 
contratada. (BRASIL, 2011, s.p., grifo nosso).
No entanto, o simples fato de a empresa interposta não pagar as 
verbas trabalhistas aos seus funcionários não transfere de forma automática 
a responsabilidade destes valores para a administração pública, devendo 
ser devidamente comprovada culpa dela, ou seja, a falta de fiscalização e 
acompanhamento do contrato de prestação de serviços.
Demonstrada 
a culpa da 
administração 
pública, esta 
responderá 
subsidiariamente 
pelas verbas 
trabalhistas dos 
prestadores 
de serviços 
terceirizados.
44
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
Atividades de Estudos:
1) A administração pública responde subsidiariamente em qualquer 
situação pelas verbas trabalhistas devidas ao empregado da 
empresa terceirizada?
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
Algumas Considerações
Restou evidente que nos casos de terceirização com ente público, há 
um contrato administrativo firmado com a empresa prestadora de serviço 
especializado, precedido de um processo de licitação.
A Lei nº 13.429/2017, também conhecida como Reforma Trabalhista, não é 
aplicada apenas para a esfera privada, podendo dar margem ao entendimento de 
que pode ser aplicada, em tese, à administração pública.
Não há falar em vínculo de emprego com a administração pública do 
empregado da terceirizada, tendo em vista que está ausente o requisito de 
aprovação em concurso público, previsto no artigo 37, II, e parágrafo 2º, da 
Constituição Federal de 1988.
45
Especificidade da Administração Pública Capítulo 3 
Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Promulgada 
em 5 de outubro de 1988. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2018.
______. Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre a organização da 
Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências. Promulgada 
em 24 de julho de 1991. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2018. 
______. Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995. Dispõe sobre o regime de 
concessão e permissão da prestação de serviços públicos previsto no art. 175 da 
Constituição Federal, e dá outras providências. Promulgada em 13 de fevereiro de 
1995. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2018.
______. Resolução nº 220 de 18 de setembro de 2017. Súmulas da Jurisprudência 
Uniforme do Tribunal Superior do Trabalho. Divulgado no Diário Oficial da 
Justiça do Trabalho em 21, 22 e 25 de setembro de 2017. Disponível em: 
. Acesso em: 12 jun. 2018.
CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do trabalho. 12. ed. São Paulo: Método, 2016.
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 11. ed. São Paulo: 
LTr, 2012.
MARTINS, Sergio Pinto. Terceirização no direito do trabalho. 14. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2017.
46
 A TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA E A RESPONSABILIDADE POR VERBAS 
 TRABALHISTAS
CAPÍTULO 4
Terceirização Através da Lei Nº 
6.019/74
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Identificar as alterações realizadas pela reforma trabalhista

Mais conteúdos dessa disciplina