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DIREITO CIVIL
OBRIGAÇÕES – PARTE I
Livro Eletrônico
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Obrigações - Parte I
DIREITO CIVIL
Roberta Queiroz
Sumário
Aula 5 ................................................................................................................................................. 3
1. Introdução ..................................................................................................................................... 3
2. Direito das Obrigações .............................................................................................................. 3
2.1. Elementos Obrigacionais .......................................................................................................12
2.2. Classificação das Obrigações .............................................................................................. 17
2.3. Modalidades Clássicas Obrigacionais .............................................................................. 18
2.4. Obrigação Alternativa .......................................................................................................... 33
2.5. Obrigação Divisível ou Indivisível ...................................................................................... 36
RESUMO ...........................................................................................................................................40
Questões de Concurso ................................................................................................................. 54
Gabarito ........................................................................................................................................... 62
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Obrigações - Parte I
DIREITO CIVIL
Roberta Queiroz
AULA 5
1. Introdução
Olá, tudo bem com você? Na aula passada terminamos a parte geral do Direito Civil, bom, né?
Agora é só alegria... só se deliciar com a parte especial...
Essa aula é muito especial, pois inaugura um estudo muito interessante que é a parte de 
obrigações...
O nosso tema do coração dessa aula é sempre traduzido 
em uma relação jurídica entre credor e devedor e, tenho certeza, 
é algo que vocês vivem todos os dias...
Vamos para mais um capítulo da nossa novela de Direito Civil...
Neste encontro, vocês vão aprender um pouco do lindo universo das obrigações... Eu sei 
que vocês têm medo dessa parte, mas pode apostar que será muito legal aprender obrigações.
Então, como sempre, estamos seguindo a ordem do Código Civil...
Veja que sensacional:
• Obrigações: artigos 233 a 420 do Código Civil.
Essa parte é bem extensa; como podem ver são muitos artigos, então vamos dividir o nos-
so estudo em dois momentos: Parte I e Parte II.
Não se preocupe, vai ser bem tranquilo...
Vamos começar a brincadeira de hoje????
Será que hoje teremos cerejinha hoje?
Acho que teremos um bolo todo de cerejas... 🍒🍒🍒
2. dIreIto das obrIgações
Falar em “obrigações” é falar de uma relação jurídica entre credor e devedor.
É o primeiro livro da Parte Especial do Código Civil e vai do art. 233 ao 420.
As normas referentes às obrigações são muito claras e objetivas, não havendo muitas 
discussões jurisprudenciais sobre elas, chega a ser matemático.
Estruturalmente, as obrigações são divididas no Código Civil da seguinte forma e nos se-
guintes artigos:
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Obrigações - Parte I
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Nós vamos passar por todos esses pontos nas nossas aulas, mas eu quero que você 
observe, inicialmente, que o Código inicia o tema trabalhando a obrigação de dar, ou seja, já 
inicia mostrando as modalidades das obrigações.
Entretanto, nós temos uma série de considerações doutrinárias a fazer sobre os aspectos 
gerais das obrigações, antes de iniciarmos o estudo das modalidades.
Lembre-se que o direito das obrigações é muito racional, nele, o que não faz sentido 
está errado.
O professor Carlos Roberto Gonçalves traz os seguintes ensinamentos:
Direito obrigacional é o vínculo jurídico que confere ao credor (sujeito ativo) o direito de exigir 
do devedor (sujeito passivo) o cumprimento de uma determinada prestação. Corresponde a uma 
relação de natureza pessoal, de crédito e débito, de caráter transitório, cujo objeto consiste numa 
prestação economicamente aferível.1
É importante ressaltar que o direito das obrigações trata de relações de natureza pessoal, 
por causa das expressões que vocês poderão encontrar em outras leis, como por exemplo:
Art. 46, CPC. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será propos-
ta, em regra, no foro de domicílio do réu.
Falar em direito pessoal é o mesmo que falar em direito de crédito, direito obrigacional. 
Nós estaremos nos referindo às mesmas situações.
No conceito trazido pelo professor Carlos Roberto Gonçalves, podemos absorver várias 
informações importantes: 
Na primeira frase, nós temos os elementos obrigacionais: o vínculo, os sujeitos (ativo e 
passivo) e a prestação.
Na segunda frase, temos uma característica das obrigações: o caráter transitório.
1 GONÇALVES, Carlos Roberto. Coleção Direito Civil Brasileiro 2020: Obrigações. Vol. II. 18 ed. Saraiva. 2020
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Em uma das nossas primeiras aulas, trouxemos o conceito de personalidade jurídica 
como sendo a aptidão genérica para titularizar direitos e deveres.
Na ocasião, eu ressaltei que prefiro falar “deveres”, em vez de “obrigações”, já que estas, 
no Direito Civil, remetem a um aspecto patrimonial (caráter economicamente aferível).
E, nesse caso da personalidade jurídica, nem sempre os deveres terão caráter patrimonial. 
Exemplo disso é o direito de família, que possui o dever de fidelidade, proteção dos filhos... 
nenhum desses deveres tem caráter patrimonial.
Quando falamos em deveres patrimoniais, são aqueles economicamente aferíveis. O pro-
fessor Cristiano Chaves2 menciona que a “barriga de aluguel” ou “gestação em comodato”, 
temos uma espécie de obrigação que seria regulada pelo direito obrigacional, que não tem 
aspecto patrimonial.
Assim, é possível, excepcionalmente, que haja obrigação regida pelo direito das obriga-
ções que não tenha caráter patrimonial.
Mas essa NÃO é a regra!
Portanto, no Direito Civil, existem deveres com ou sem caráter patrimonial.
Havendo caráter patrimonial, tratar-se-á, em regra, do direito das obrigações.
No nosso ordenamento jurídico, é muito trabalhado o conceito de patrimônio.
Quando falamos do patrimônio de alguém, nos referimos a um conjunto de situações (re-
lações jurídicas, direitos), contendo aspectos patrimoniais e não patrimoniais.
Vamos adentrar nesse ponto apenas para estabelecer uma diferença entre direitos reais 
e direitos obrigacionais.
O ordenamento jurídico brasileiro adota uma teoria dualista, que divide categoricamente 
em duas situações diferentes: de um lado os direitos reais e, de outro, os direitos obrigacionais.
2 Chaves de Farias,entregar ao credor 50 computa-
dores ou 50 impressoras a escolha caberá ao devedor.
O que não pode ser feito neste caso, é o cumprimento da obrigação mediante entrega de 
25 computadores e 25 impressoras.
Tal situação encontra respaldo na regra de ouro disposta no artigo 313, do CC: “O credor 
não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa”.
Todavia, caso o devedor consinta em receber prestação diversa, ter-se-á dação em paga-
mento ou novação objetiva, como vimos.
Para melhor explicar essa modalidade, vamos observar os artigos correspondentes:
Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou. 
§ 1º Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra.
No nosso exemplo da obrigação dos 50 computadores OU 50 impressoras, o devedor não 
pode optar por entregar 25 computadores ou 25 impressoras. Isto porque o credor não é obri-
gado a receber prestação diversa da que lhe é devida. Deve ser ou um ou outro. Não dá para 
ser metade de ambos.
Perceba que o devedor não é OBRIGADO.
Se ele quiser receber de forma diversa do acordado, a lei não impede. Nesse caso, estaria ca-
racterizada a dação em pagamento, que é uma forma especial de pagamento, como mencionado.
§ 2º Quando a obrigação for de prestações periódicas, a faculdade de opção poderá ser exercida 
em cada período.
Exemplo: durante um ano, no dia 10 de cada mês, a partir de janeiro, eu devo te entregar 50 
computadores ou 50 impressoras.
Não importa se, em janeiro, eu optei por te entregar 50 computadores.
A cada dia 10 de cada mês eu farei uma nova escolha entre as duas opções acordadas.
Este artigo é muito cobrado em provas! ATENÇÃO.
§ 3º No caso de pluralidade de optantes, não havendo acordo unânime entre eles, decidirá o juiz, 
findo o prazo por este assinado para a deliberação. “Optantes”, nesse caso, são devedores.
Exemplo: se eu tenho dois devedores, A e B, que se obrigaram a entregar 50 computadores ou 
50 impressoras, ambos deverão chegar a um consenso. Havendo divergência, quem decide é 
o JUIZ (não é o credor!).
§ 4º Se o título deferir a opção a terceiro, e este não quiser, ou não puder exercê-la, caberá ao juiz 
a escolha se não houver acordo entre as partes.
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Art. 253. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexequível, 
subsistirá o débito quanto à outra.
Exemplo: eu tenho que entregar a caneta verde ou a roxa. Eu, devedora, escolherei uma delas 
para fazer a entrega. Se eu escolhi a verde e algo acontece a ela antes da entrega, subsiste a 
obrigação em relação à roxa.
Art. 254. Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não competindo 
ao credor a escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou, 
mais as perdas e danos que o caso determinar.
No exemplo acima, imagine que, por culpa minha, após o perecimento da caneta verde, 
algo acontece com a roxa, causando a sua perda também, antes da entrega. Nesse caso, eu 
devo pagar o valor da roxa, mais perdas e danos.
Art. 255. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se impossível por culpa 
do devedor, o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra, com perdas 
e danos; se, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem inexequíveis, poderá o credor 
reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização por perdas e danos.
No nosso exemplo das canetas, se a escolha couber ao credor (você), e a sua opção for 
a caneta verde (que perece antes da entrega), você poderá escolher entre receber o valor da 
caneta verde, com perdas e danos, ou a caneta roxa. Se ambas perecerem, poderá escolher o 
valor de qual receberá a restituição, somada às perdas e danos.
Art. 256. Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor, extinguir-se-á a 
obrigação.
Sempre que a obrigação não puder ser cumprida sem culpa do devedor, resolver-se-á.
Ufa, entendeu?
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2.5. obrIgação dIvIsível ou IndIvIsível
Chegamos em uma parte do estudo das obrigações que somente é relevante estudar 
quando houver pluralidade de credores e ou devedores.
Isso porque, caso haja simplesmente um credor e um devedor, não importa se o objeto é 
divisível ou não, deve ser cumprido.
O problema é quando o objeto é divisível ou indivisível e há mais de um credor e/ou mais 
de um devedor.
Veja que precisamos lembrar o conceito de bens divisíveis e indivisíveis, sendo que divisí-
veis são os que se podem fracionar sem alteração na sua substância, diminuição considerá-
vel de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam. Por exemplo, o dinheiro, saca de café etc.; 
já os bens indivisíveis são aqueles que não admitem fracionamento, pois, se houver, perdem 
sua qualidade. Têm-se como exemplo de bens indivisíveis os animais.
Trazendo o mesmo conceito, obrigações divisíveis ocorrem quando podem ser fraciona-
das quanto ao número de sujeitos.
As indivisíveis são as obrigações nas quais seja impossível realizar esse fracionamento.
Veja que divisível ou indivisível é em relação ao objeto.
Exemplo: Uma obrigação que trate de dinheiro é divisível (veja como é importante saber a 
classificação dos bens).
Por outro lado, se o objeto for um celular, será indivisível.
Exemplo:
🍒 Obrigação divisível: “D” deve para “C” o valor de R$ 3.000,00 (três mil reais). A obrigação 
será extinta com o seu adimplemento (pagamento do valor devido).
🍒 Obrigação indivisível: “D” deve para “C” um cavalo, com valor de mercado de R$ 3.000,00 
(três mil reais). Lembre-se que, por ser um bem indivisível, ele não poderá ser fracionado, sob 
pena de não atingir a sua finalidade ou causar diminuição do valor. A obrigação será extinta 
com a entrega do cavalo.
Fica tudo fácil de entender quando há apenas um credor e um devedor.
Agora, vejamos essas mesmas situações com pluralidade de credores e/ou devedores.
🍒 Obrigação divisível:
Art. 257, CC. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta 
presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores.
Caso: suponha que a obrigação seja de pagar R$ 3.000,00 (três mil reais) em dinheiro.
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TRÊS CREDORES E 
UM DEVEDOR UM CREDOR E TRÊS DEVEDORES
👦 👦 👦 ------ � 👦 ------ � � � 
Nesse caso, o devedor 
pagará R$ 1.000,00 
(mil reais) a cada um 
dos credores e estará 
livre da obrigação.
Nesse caso, cada um dos devedores pagará R$ 1.000,00 (mil 
reais) ao credor e estarão livres.
Se um deles pagar valor superior à sua cota-parte (exemplo: 
R$ 1.500,00), não poderá cobrar o valor excedente dos demais 
devedores, uma vez que NÃO existe solidariedade. Ele deverá 
tentar solucionar o problemajunto ao credor e não aos demais 
devedores.
De igual forma, se um paga a dívida inteira, não extingue a 
obrigação dos demais – pagou porque quis.
Agora o bicho pega quando é caso de obrigação indivisível...
Caso: suponha que a obrigação seja de entregar um cavalo, no valor de mercado de R$ 
3.000,00 (três mil reais).
TRÊS CREDORES E UM DEVEDOR UM CREDOR E TRÊS DEVEDORES
👦 👦 👦 ------ � 👦 ------ � � � 
O devedor deverá entregar o cavalo para 
todos os credores em conjunto.
Ele apenas poderá entregar para um 
deles se houver autorização (“caução de 
ratificação”).
Aí, aplicar-se-á o art. 260 do CC, 
frequentemente cobrado nas provas.
Não atendida essa condição, não será 
considerada adimplida a obrigação.
O credor poderá exigir o cavalo (inteiro) 
de qualquer um dos devedores. Ou 
seja, qualquer um é obrigado pelo todo. 
Perceba que NÃO estamos tratando de 
solidariedade!
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Supondo que o devedor entregue o cavalo 
aos três credores, mas ele fique sob a 
responsabilidade de um deles, este deverá 
repassar o valor das cotas-partes de cada 
um dos demais (R$ 1.000,00 para cada).
Se um dos credores (A) perdoar a dívida, os 
demais (B e C) poderão exigir o cavalo.
Só que, quando B ou C receber o cavalo 
(lembre-se que ele tem valor de mercado 
de R$ 3.000,00), deverá devolver ao 
devedor a cota do que perdoou (A), no valor 
de R$ 1.000,00 (mil reais) e deverá pagar R$ 
1.000,00 (mil reais) a C, já que essa seria a 
sua cota-parte.
É a dicção do art. 262, CC.
Assim, o devedor que entregou o cavalo ao 
credor sub-roga-se na qualidade de credor 
perante os demais devedores.
Se o cavalo morrer por culpa de um dos 
devedores (A), cada um dos devedores 
pagará o valor correspondente a sua cota-
parte (R$ 1.000,00), mas só o devedor A 
(causador do dano) responderá por perdas 
e danos.
Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não 
suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão deter-
minante do negócio jurídico.
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado 
pela dívida toda.
Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos 
outros coobrigados.
“Sub-rogar” significa “tomar o lugar de”
Art. 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira; mas o 
devedor ou devedores se desobrigarão, pagando: I – a todos conjuntamente; II – a um, dando este 
caução de ratificação dos outros credores.
Art. 261. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos outros assistirá o 
direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total.
Art. 262. Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros; 
mas estes só a poderão exigir, descontada a quota do credor remitente. Parágrafo único. O mesmo 
critério se observará no caso de transação, novação, compensação ou confusão.
Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos.
Se, no nosso exemplo, o cavalo morrer, aplicam-se as regras da divisibilidade.
§ 1º Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de todos os devedores, responderão 
todos por partes iguais.
§ 2º Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas perdas e 
danos.
Gente, muito cuidado para não aplicar regras de solidariedade onde ela não existe!
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Se a questão não der nenhum indicativo de sua existência, deverão ser aplicadas as re-
gras da divisibilidade e indivisibilidade.
Nos casos em que existe solidariedade, não importa se a obrigação é divisível ou indivi-
sível – todos os devedores responderão pelo todo e todos os credores terão direito ao todo, 
mas isso vamos ver na próxima aula...
Mas nossa aula não acabou...
Hora de ler o resumo e lembrar de tudinho...
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RESUMO
Bem, meu(minha) amigo(a), nessa aula começamos nosso estudo sobre obrigações.
Muitos artigos e muitas regras, mas vocês perceberam que são regras muito matemáticas...
Eu costumo dizer que a parte de obrigações é a parte mais objetiva do direito civil, na qual 
o que não faz sentido está errado.
Mas vamos lá, vamos recordar o abordado nesse encontro...
Falar em “obrigações” é falar de uma relação jurídica entre credor e devedor.
As normas referentes às obrigações são muito claras e objetivas, não havendo muitas 
discussões jurisprudenciais sobre elas, chega a ser matemático.
O professor Carlos Roberto Gonçalves traz os seguintes ensinamentos:
Direito obrigacional é o vínculo jurídico que confere ao credor (sujeito ativo) o direito de exigir 
do devedor (sujeito passivo) o cumprimento de uma determinada prestação. Corresponde a uma 
relação de natureza pessoal, de crédito e débito, de caráter transitório, cujo objeto consiste numa 
prestação economicamente aferível.5
Falar em direito pessoal é o mesmo que falar em direito de crédito, direito obrigacional. 
Nós estaremos nos referindo às mesmas situações.
No conceito trazido pelo professor Carlos Roberto Gonçalves, podemos absorver várias 
informações importantes:
Na primeira frase, nós temos os elementos obrigacionais: o vínculo, os sujeitos (ativo e 
passivo) e a prestação.
Na segunda frase, temos uma característica das obrigações: o caráter transitório.
Em uma das nossas primeiras aulas, trouxemos o conceito de personalidade jurídica 
como sendo a aptidão genérica para titularizar direitos e deveres.
Na ocasião, eu ressaltei que prefiro falar “deveres”, em vez de “obrigações”, já que estas, 
no Direito Civil, remetem a um aspecto patrimonial (caráter economicamente aferível).
E, nesse caso da personalidade jurídica, nem sempre os deveres terão caráter patrimonial. 
Exemplo disso é o direito de família, que possui o dever de fidelidade, proteção dos filhos... 
nenhum desses deveres tem caráter patrimonial.
Na categoria dos direitos obrigacionais, que nós estamos estudando agora, encontrare-
mos relações entre sujeitos.
De um lado, o credor (ou os credores) e, o outro, o devedor (ou os devedores).
Quando falamos de direito obrigacional, nos referimos a uma relação entre credor e devedor.
Só que eu posso me utilizar de uma relação obrigacional para adquirir um direito real, 
por exemplo: contrato de compra e venda – imagine um contrato de compra e venda de um 
5 GONÇALVES, Carlos Roberto. Coleção Direito Civil Brasileiro 2020: Obrigações. Vol. II. 18 ed. Saraiva. 2020.
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celular pelo valor de R$ 1.000,00. Nele, há a transmissão de um direito real sobre um bem 
(propriedade), por meio de uma obrigação.
Aliás, uma grande fonte de obrigações são os contratos, assim como os atos unilaterais, 
ou, melhor dizendo, os atos jurídicos em si que vimos na aula de Atos.
Os direitos reais estão na lei, enquanto os obrigacionais podem ser criados, a partir da 
previsão legal, pelas partes, ou seja, não estão elencados em um rol taxativo.
Quando eu celebro um contrato de compra e venda, estou compactuando uma obrigação.
O objeto desse contrato é um direito real, mas a simples pactuação da obrigação não gera 
o direito real.
Assim, se eu faço um contrato com você de compra e venda de um apartamento, não bas-
ta assinar o contrato, para que você seja o dono (proprietário) do imóvel.
A assinatura do contrato apenas cria em uma obrigação.
Em se tratando de bem imóvel, o direito real só se transmite com o registro e em se tratan-
do de bem móvel, o direito real será transmitido com a tradição/entrega do bem, veja:
Art. 1.226. Os direitos reais sobre coisas móveis, quando constituídos, ou transmitidos por atos 
entre vivos, só se adquirem com a tradição.
Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só 
se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 
1.247), salvo os casos expressos neste Código.
Imagine que eu te ofereço meu celular pelo valor de R$1.000,00 e nós assinamos um contrato 
de compra e venda.
Você me entrega o dinheiro no ato da assinatura do contrato e eu prometo entregar o celular 
no dia seguinte.
Na volta para casa, eu me encontro com João e ofereço o mesmo celular pelo mesmo valor.
Ele aceita, paga o preço e eu entrego o celular para ele.
Quem é o proprietário do celular?
João, pois foi a quem se deu a entrega do bem móvel, conforme artigo 1.226 do CC. Entendeu?
Você nunca poderá ajuizar uma ação reivindicatória do bem contra João, porque é uma 
ação que discute propriedade, é uma ação petitória.
Evidentemente temos as ações possessórias, que discutem a posse, e as ações petitórias, 
que discutem a propriedade.
A ação reivindicatória e a imissão na posse, cuja diferença veremos em aulas futuras, são 
demandas que discutem propriedade.
Você não tem como ajuizar uma ação reivindicatória contra João com base em um con-
trato de compra e venda, porque nele há somente uma relação obrigacional, ainda que o ob-
jeto seja a propriedade de um celular, porque a propriedade não se concretizou (não houve a 
tradição, Brasil!).
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DIREITO CIVIL
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Então, o direito obrigacional, por si só, não gera o direito real, porque temos a aplicabili-
dade dos artigos 1.226 e 1.227 do Código Civil que tratam da forma com a qual o direito real 
é transmitido.
Não podemos deixar de lembrar das figuras híbridas, que são situações que tem con-
comitantemente o direito obrigacional e o direito real, porque não tem como mencionar ser 
essa determinada figura hibrida como sendo exclusivamente de direito real ou como sendo 
exclusivamente de direito obrigacional, justamente porque tem um pouquinho de cada uma.
A doutrina menciona, então, tais situações, como sendo figuras híbridas as seguintes:
OBRIGAÇÕES PROPTER REM – obrigação própria da coisa; obrigações ob rem; obrigação da 
própria coisa: É a obrigação que se origina com a coisa, transmite-se com a coisa, chamada 
de obrigação ambulatorial.
Aonde a coisa vai, ela vai junto, porém, existe uma relação de credor e devedor.
A doutrina quando fala dessa modalidade, menciona a questão da taxa condominial como 
exemplo claro.
Ex.: sou obrigada a ser proprietária de um apartamento, em um condomínio edilício? Não.
Mas se porventura eu adquiro essa propriedade, eu me torno responsável pela taxa 
condominial.
Tem-se uma obrigação, porque tem credor e devedor.
O proprietário é o devedor e o condomínio é o credor.
Essa relação obrigacional surge a partir de um direito real – a propriedade do apartamen-
to – imóvel.
Outros exemplos: o IPTU e o IPVA.
Ninguém é obrigatório ser proprietário de um veículo, mas se me torno proprietária desse 
veículo, devo pagar o imposto.
O IPVA é uma relação obrigacional, tem o devedor (proprietário do veículo) e o credor (fa-
zenda pública), mas surge em virtude de um direito real.
Veja que quando falamos em obrigação propter rem, falamos em obrigações de ambulato-
riais, ou seja, aonde a coisa vai, a obrigação vai junto.
A jurisprudência deste Superior Tribunal orienta que, em se tratando a dívida de condomí-
nio de obrigação propter rem e partindo-se da premissa de que o próprio imóvel gerador 
das despesas constitui garantia ao pagamento da dívida, o proprietário do imóvel pode 
figurar no polo passivo do cumprimento de sentença, ainda que não tenha sido parte na 
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ação de cobrança originária, ajuizada, em verdade, em face dos promitentes comprado-
res do imóvel? (REsp 1.696.704/PR, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado 
em 08/09/2020, DJe 16/09/2020)6
🍒 Ônus reais: são obrigações que acabam limitando o uso/gozo da propriedade, acabam 
gerando efetivamente uma relação entre sujeitos, gera um verdadeiro gravame.
Recai sobre uma determinada coisa e restringe num ou noutro grau o direito que o titular 
tem em relação ao direito real.
Por exemplo, usufruto, enfiteuse, superfície, direitos reais de garantia como penhor, hipo-
teca e anticrese.
Quando se fala em superfície, por exemplo, que entrou no ordenamento jurídico a partir do 
CC de 2002, substituindo o instituto das enfiteuses, que eram institutos perpétuos, tratadas 
pelo CC de 1916.
A superfície tem um período determinado, mas o proprietário do bem sede ao superficiário 
o domínio útil da coisa, a possibilidade de construir, de edificar, de plantar naquele imóvel.
Existe uma restrição, um gravame de usar e gozar do efetivo proprietário.
🍒 Obrigações com eficácia real: é aquela obrigação na qual se dá uma eficácia real – con-
cede-se eficácia de direito real – erga omnes.
Quando se fala em direito real, uma grandiosíssima característica é que esses direitos são 
direitos erga omnes e as obrigações, por sua vez, são inter partes.
Isso porque um direito obrigacional, vai produzir efeitos exclusivamente entre credor e 
devedor, exclusivamente entre as partes.
Quando temos uma obrigação e atribuímos a ela uma eficácia real, essa obrigação está 
produzindo um efeito, em vez de somente inter partes, uma eficácia contra todos, erga omnes.
Imagine que, eu alugo meu apartamento para João por prazo de 36 meses; quando completa 
1 ano, eu decido vender o imóvel.
De acordo com a lei de inquilinato (Lei n. 8.245/1991), o locador deve deixar que o loca-
tário exerça o direito de preferência, devendo notificar o locatário de que pretende vender o 
imóvel para saber se esse locatário tem interesse em comprar o imóvel.
Imagine que João, locatário, manifesta recusa na compra do imóvel e um terceiro mani-
festa interesse.
Esse terceiro, adquirente do imóvel, é obrigado a respeitar as regrasdo contrato de loca-
ção e manter João no imóvel?
Não, podendo, inclusive, retirar o locatário do imóvel, não será uma ação de despejo, por-
que ele não é parte no contrato de locação. Será uma ação de imissão na posse.
6 STJ – REsp 1696704-PR, AgInt no REsp 1501768-PR, AgInt no REsp 1804404-PR, AgInt no REsp 1565327-PR
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https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?i=1&b=ACOR&livre=((%27RESP%27.clas.+e+@num=%271696704%27)+ou+(%27REsp%27+adj+%271696704%27.suce.))&thesaurus=JURIDICO&fr=veja
https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?i=1&b=ACOR&livre=((%27AIRESP%27.clas.+e+@num=%271501768%27)+ou+(%27AgInt no REsp%27+adj+%271501768%27.suce.))&thesaurus=JURIDICO&fr=veja
https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?i=1&b=ACOR&livre=((%27AIRESP%27.clas.+e+@num=%271804404%27)+ou+(%27AgInt no REsp%27+adj+%271804404%27.suce.))&thesaurus=JURIDICO&fr=veja
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Mas a pergunta é: existe algum mecanismo que o locatário possa utilizar para que, mes-
mo com a alienação do imóvel, ele não seja retirado do imóvel?
Sim, se àquela obrigação houver sido dado o efeito erga omnes.
Neste caso, com observância do artigo 576 do CC, vejamos:
Art. 576. Se a coisa for alienada durante a locação, o adquirente não ficará obrigado a respeitar o 
contrato, se nele não for consignada a cláusula da sua vigência no caso de alienação, e não constar 
de registro.
§ 1º O registro a que se refere este artigo será o de Títulos e Documentos do domicílio do locador, 
quando a coisa for móvel; e será o Registro de Imóveis da respectiva circunscrição, quando imóvel.
§ 2º Em se tratando de imóvel, e ainda no caso em que o locador não esteja obrigado a respeitar 
o contrato, não poderá ele despedir o locatário, senão observado o prazo de noventa dias após a 
notificação.
Tem-se, claramente, uma obrigação inter partes, podendo dar a ela uma eficácia real, a 
partir da promoção do registro e que seja previsto uma cláusula nesse sentido.
Uma obrigação que, ab initio é de efeito inter partes, mas tem-se a atribuição de uma eficá-
cia real, erga omnes, contra todos.
Essas são as denominadas figuras híbridas, que estão alocadas entre um direito real e um 
direito obrigacional.
Destaquei em nosso desenho os elementos: subjetivo, objetivo e o vínculo, vejamos:
a) Subjetivo: relacionado aos sujeitos da relação obrigacional – ativos ou passivos, credor 
e devedor, respectivamente.
b) Objetivo/Material: consiste em uma denominada prestação.
Deve-se lembrar as condutas inerentes às obrigações.
Tem-se três situações clássicas, que consistem na tripartição obrigacional:
Veja que em relação à essa questão, pode-se classificar o objeto da 
obrigação.
Quando se fala em obrigação de dar, fazer e não fazer, estamos nos refe-
rindo ao objeto imediato da relação obrigacional.
Dar o quê? Fazer o quê? Não fazer o quê?
Se diz: “devo lhe dar o carro”, dar é o objeto imediato.
Quando falamos: “dar o quê?”, o que é dado? O quê?
Estamos falando do objeto mediato da relação obrigacional.
Veja que a obrigação é composta por três elementos.
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c) Imaterial/Vínculo: é o elemento espiritual que liga um sujeito no outro; é imaginário.
É completamente uma situação abstrata, espiritual, ninguém vê, mas sabemos que 
ele está ali.
Exemplo: Se alguém deve mil reais a outra pessoa; pode não ver, mas sabe-se que existe 
a relação entre credor e devedor, existe uma “corda” abstrata que os unem.
Deste ponto, temos o chamado BINÔMIO OBRIGACIONAL: SCHULD e HAFTUNG, no qual 
Schuld é o débito – relação estática do direito civil – obrigações; e Haftung é a responsa-
bilidade patrimonial – relação dinâmica do processo civil; é uma mera sujeitabilidade, uma 
possível sujeição do patrimônio para pagamento da dívida contraída, pode ser que aconteça, 
pode ser que não, caso haja o pagamento.
Em tempo, não podemos esquecer que a obrigação na qual o credor não pode cobrar ju-
dicialmente, é inexigível. Contudo, o devedor que paga uma obrigação natural não pode pedir 
de volta o que pagou, pois não é um pagamento indevido.
Dentre as modalidades de obrigações que colacionamos, as mais importantes que preci-
sam ser sempre serem lembradas são:
• Fracionárias: são obrigações nas quais teremos a pluralidade de devedores ou credo-
res, cada um deles obrigado ou responsável apenas por parte da dívida.
• Conjuntas: são obrigações nas quais haverá pluralidade de devedores ou credores, im-
pondo-se a todos o pagamento conjunto de toda a dívida, não se autorizando aos cre-
dores exigi-la individualmente, bem como responsáveis por toda a obrigação.
• Disjuntivas: são obrigações nas quais os devedores se obrigam alternativamente ao 
pagamento da dívida. Se um cumpre a obrigação, os demais são, automaticamente, 
exonerados.
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• Solidárias: modalidade clássica de prova. Teremos solidariedade quando, na mesma 
obrigação, concorre uma pluralidade de credores, cada um com direito à dívida toda 
(solidariedade ativa), e/ou uma pluralidade de devedores, cada um obrigado à dívida 
por inteiro (solidariedade passiva). Não precisa preocupar, pois veremos mais adiante.
• Alternativas: são obrigações que têm por objeto duas ou mais prestações, sendo que o 
devedor exonera-se cumprindo apenas uma delas.
• Divisíveis e indivisíveis: são obrigações que, por conta do objeto, podem ser divisíveis, 
admitindo o cumprimento fracionado da obrigação; nas obrigações indivisíveis, por ter 
objeto indivisível, só podem ser cumpridas por inteiro. Essa modalidade somente é re-
levante quando há pluralidade de credores e/ ou devedores. Também não precisa pre-
ocupar, vamos estudá-la mais adiante.
Igualmente importante, mencionamos as regras as obrigações de DAR, FAZER e NÃO FAZER.
O “dar” no direito civil significa dar coisa, podendo ser na modalidade ENTREGAR ou 
RESTITUIR.
A obrigação de dar coisa pode envolver uma coisa que já seja certa, definida, ou pode en-
volver uma coisa incerta.
A coisa certa é a que já está individualizada, qualificada, quantificada.
A coisa incerta é coisa que é definida pelo gênero.
Exemplo: Vou te dar este IPhone, é este que interessa e não outro.
Exemplo: vou te dar um IPhone -está definindo o gênero, pois IPhone tem vários 
modelos.
Evidentemente, depois que a coisa incerta é escolhida ela torna-se certa.
Em outras palavras:
🍒 Obrigação de dar coisa certa: envolve uma coisa já qualificada; quantificada; especifi-
cada; individualizada. Por exemplo, “te darei esteeste carro”.
🍒 Obrigação de dar coisa incerta: é aquela cuja incerteza é temporária, pois logo após, 
conseguirei discriminar a coisa. Por exemplo, “voute dar um carro fiat”.
Mas antes de entender tudo, precisamos observar uma regra de ouro do direito obriga-
cional – o credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, conforme 
artigo 313 do CC.
Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais 
valiosa.
Acerca do assunto, devemos identificar se o DAR é entregar ou restituir, após, devemos 
definir quem é o dono e quem é o devedor.
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Prof., pelo amor de Nossa Senhora do Direito Civil, me explica o motivo pelo qual eu pre-
ciso saber disso...
Explico: lembra da regra do res perit domino? Pois bem, o perecimento da coisa segue a 
regra do res perit domino, ou seja, a coisa perece para o dono.
Por isso precisamos identificar quem é o dono, e isso depende da modalidade do dar, se 
entregar ou restituir.
O dono da coisa na modalidade de entregar é devedor (enquanto a coisa permanece com 
o proprietário – antes da tradição –, ele é dono, mas após a relação jurídica, o proprietário 
passa a ser devedor, pois cabe a ele a entrega do bem).
Na modalidade restituir, o dono da coisa é o próprio credor (aquele que emprestou o bem, 
por exemplo, é o dono, e aquele que deve restituir o bem é devedor).
Prof., me dá exemplo...
Exemplo na obrigação de entregar: se em um contrato de compra e venda de um celular, antes 
da entrega do bem, a coisa perece nas mãos do proprietário. Quem é o dono? Quem está com 
a coisa. Logo o dono é o devedor, pois ele deve entregar o telefone para quem comprou.
LEMBRE-SE: SEMPRE QUE A COISA SE PERDER POR CULPA DO DEVE-
DOR, DEVEMOS COLOCAR PERDAS E DANOS, CERTO?
Se em um contrato de compra e venda de um celular, antes da entre-
ga do bem, a coisa perece nas mãos do proprietário, sem culpa sua 
(lembre: ele é o dono da coisa e é o devedor). Quem sofrerá a perda 
é o dono da coisa, devendo este devolver o valor que foi pago pelo 
comprador. Porém, se antes da entrega, a coisa perecer por culpa do 
proprietário (que é o devedor), a coisa perecerá ao dono, mas este de-
verá responder por perdas e danos, ou seja, haverá incidência de in-
denização por perdas e danos pelo não cumprimento da obrigação + 
devolução do equivalente (valor que foi pago).
Exemplo na obrigação de restituir: se “A” pede emprestado o celular de “B”. Quem é o dono? 
Quem está com a coisa? Não. O dono é quem deve receber de volta a coisa, ou seja, o credor. 
Não foi ele que emprestou? Então...
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LEMBRE-SE: SEMPRE QUE A COISA SE PERDER POR CULPA DO 
DEVEDOR, DEVEMOS COLOCAR PERDAS E DANOS, CERTO?
se “A” pede emprestado o celular de “B”. E no momento do uso a 
coisa vem a se perder sem culpa de “A”, “B” sofrerá a perda do bem 
em virtude de ser o dono – ele é o credor. Agora, se o perecimento 
do celular ocorre por culpa de “A”, muito embora o credor sofra com 
a perda, “A” deverá indenizar “B” com perdas e danos em razão do 
não cumprimento da obrigação e a incidência de sua culpa.
Cuidado: perdas e danos constituem somatório de indenização que a parte pode pleitear 
em virtude do não cumprimento de uma obrigação. Por exemplo, dano moral, lucro cessante, 
dano emergente, honorários de advogado, entre outras.
DAR – ENTREGAR
PERECIMENTO
SEM CULPA: (art. 234 – 1ª parte) Obrigação extinta para ambas as 
partes, que voltam ao status quo ante; se já recebeu pela coisa tem 
que devolver o valor (art. 492).
COM CULPA: (art. 234 – 2ª parte) Responde o devedor por perdas e 
danos mais o equivalente.
DETERIORAÇÃO
SEM CULPA: (art. 235) Credor pode resolver a obrigação ou aceitar a 
coisa, abatido do preço o valor que perdeu.
COM CULPA: (art. 236) Credor pode exigir o equivalente ou aceitar 
a coisa no estado em que se acha, com direito de reclamar perdas e 
danos.
DAR – RESTITUIR
PERECIMENTO
SEM CULPA: (art. 238) O credor sofre a perda, ressalvados os direitos 
até o dia da perda.
COM CULPA: (art. 239) Responde pelo equivalente mais perdas e 
danos.
DETERIORAÇÃO
SEM CULPA: (art. 240) Credor recebe como se encontra a coisa e sem 
direito a indenização.
COM CULPA: (art. 239) Responde pelo equivalente mais perdas e 
danos.
Falamos ainda sobre alguns artigos importantes...
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Art. 237 do CC. Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e acresci-
dos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a 
obrigação. Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes.
Veja que o dispositivo acima diz respeito à obrigação de dar na modalidade entregar e, 
portanto, o dono é o devedor.
Resolver a obrigação no direito civil significa desfazer a obrigação, é o retorno do sta-
tus quo ante.
Ex.: se na compra e venda de uma fazenda, por exemplo, mas antes da tradição, tem-se a 
ocorrência da avulsão (deslocamento terra e acréscimo na propriedade), fazendo com que a 
propriedade fique ainda maior.
O vendedor pode exigir aumento no preço, mas se não houver concordância do compra-
dor, haverá devolução do valor, desfazendo-se o negócio.
Isso porque, os melhoramentos e os acrescidos da coisa autorizam o aumento do preço.
Assim, se a obrigação é de entregar, em um determinado momento acontece a tradição. 
Até a tradição, o dono da coisa é o devedor (dono), junto dos seus melhoramentos e acresci-
dos, podendo o devedor exigir o aumento no preço, e se o credor não anuir, resolve a obrigação.
Ou seja, se tem o melhoramento na coisa, antes da tradição, exige-se o aumento no preço, 
se o credor não concordar, resolve a obrigação, quando resolve é porque desfaz a obrigação.
Obs.: � frutos pendentes são aqueles que ainda não foram colhidos, pois não estão no 
momento de serem retirados da coisa.
Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes 
da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até 
o dia da perda.
Lembre-se, na restituição, o dono é o próprio credor.
O credor sofre a perda porque ele é o dono.
Ex.: se até o dia da perda da coisa, o devedor pagava ao credor aluguel pelo uso do celular, 
serão devidos os aluguéis até o dia do perecimento, se ocorreu sem culpa do devedor.
Se houver culpa, aplicaremos o artigo 239: Se a coisa se perder por culpa do devedor, res-
ponderá este pelo equivalente, mais perdas e danos.
Mas e se for caso de deterioração, já mencionamos nos quadros anteriores, aplicaremos 
o artigo 240: Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, recebê-la-á o credor, 
tal qual se ache, sem direito a indenização; se por culpa do devedor, observar-se-á o disposto 
no art. 239.
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Agora, diferente de se tratar de perecimento e deterioração, é a questão de acrescidos e 
melhoramentos na restituição. Como vimos, na entrega os melhoramentos e acrescidos são 
do devedor, por ser o dono, podendo exigir aumento no preço, mas e na restituição?
Bem, aqui aplicaremos os seguintes artigos:
Art. 241. Se, no caso do art. 238, sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa, sem despesa ou 
trabalho do devedor, lucrará o credor, desobrigado de indenização.
Art. 242. Se para o melhoramento, ou aumento, empregou o devedor trabalho ou dispêndio, o caso 
se regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de bo-
a-fé ou de má-fé.
Parágrafo único. Quanto aos frutos percebidos, observar-se-á, do mesmo modo, o disposto neste 
Código, acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé.
Quando o melhoramento ocorrer na restituição é preciso analisar se aquele que deve resti-
tuir deve ser ressarcido pelo acréscimo. Lógico, se ele acrescentou algo ao bem e irá devolver 
o bem ao dono, deverá ser indenizado pelo acréscimo. Concorda?
Ou seja, precisamos saber se o devedor trabalhou para aquele acréscimo ou não.
Em caso negativo, este não possui direito a nada, mas se sim, o credor deverá indenizá-lo.
Aqui aplica-se a regra do possuidor de boa-fé ou má-fé (art. 1219 e 1220 do CC).
Qualquer possuidor (boa-fé ou má-fé) poderá realizar qualquer tipo de benfeitoria.
O que define as benfeitorias é a destinação dela e não quem faz essa benfeitoria.
O possuidor de boa-fé, sim, por todas as benfeitorias. Quando se tratar de benfeitorias útil 
ou necessária, ele terá o direito de retenção do bem.
Na benfeitoria voluptuária, ele terá o direito de levantamento, caso não atrapalhe a estru-
tura do bem.
O possuidor de má-fé, se tratando de benfeitoria necessária, terá direito a indenização, 
mas sem retenção.
No que tange a benfeitoria útil e voluptuária, não terá direito a indenização.
Mas qual o valor que o credor vai pagar por essa benfeitoria?
Ao possuidor de boa-fé, deve-se pagar o valor atual da benfeitoria.
Ao possuidor de má-fé, pagará o valor atual ou o valor de custo, evidentemente, pagará 
que for de menor valor.
As obrigações de dar coisa incerta, onde se define o gênero e a quantidade do objeto, são 
também denominadas de “obrigações genéricas”.
Essa incerteza gera uma certa indeterminabilidade, embora ela seja temporária.
Essa indeterminabilidade se dá até o momento em que ocorre a escolha por parte 
do devedor.
A partir de então, a obrigação será de entregar coisa CERTA e, com isso, aplicar-se-ão as 
regras do art. 233 a 242 do Código Civil.
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Obrigações - Parte I
DIREITO CIVIL
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Seguimos falando das obrigações de fazer e de não fazer.
A obrigação de fazer é uma prestação positiva e quanto à possibilidade de substituição, 
classifica-se em:
🍒 Fungível: a obrigação pode ser prestada pelo próprio devedor, mas, caso ele não possa 
ou não queira prestar a obrigação, poderá indicar um terceiro.
Tem a característica da substitutividade.
🍒 Infungível: é insubstituível.
A obrigação só poderá ser cumprida pelo próprio devedor.
Já a obrigação de não fazer é um dever de abstenção de um fato. Desse modo, a execução 
da obrigação de não fazer, é um fazer, e o credor requererá o desfazimento daquilo que não 
deveria ser sido feito.
É um dever negativo, um dever geral de abstenção (não faça!) e pode ser classificada como:
🍒 Instantânea: também chamada de “transeunte”. É uma obrigação irreversível. Não ad-
mite desfazimento.
🍒 Permanente: admite desfazimento. É reversível.
Outro ponto objeto da aula de hoje foi sobre obrigações alternativas, que são aquelas em 
que há uma pluralidade de objetos, desde o início o devedor se compromete a cumprir uma 
prestação em caráter alternativo, ele só irá se desobrigar cumprindo um objeto ou outro.
As obrigações alternativas não envolvem incertezas, mas envolve a prestação dois obje-
tos ou mais, por exemplo, “você tem que me entregar o carro preto ou o carro vermelho”.
São caracterizadas pelo “ou”.
Possuem mais de uma forma de satisfação da obrigação.
Existe uma única obrigação que pode ser satisfeita de mais de uma forma, conforme es-
colha do devedor, via de regra.
Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou.
§ 1º Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra.
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Obrigações - Parte I
DIREITO CIVIL
Roberta Queiroz
Por fim, convém lembrarmos que temos as obrigações divisíveis, quando podem ser fra-
cionadas quanto ao número de sujeitos, por ter objeto divisível.
As indivisíveis são as obrigações nas quais seja impossível realizar esse fracionamento, 
pois o objeto é indivisível.
Veja que divisível ou indivisível é em relação ao objeto. Exemplo: Uma obrigação que trate 
de dinheiro é divisível (veja como é importante saber a classificação dos bens).
Por outro lado, se o objeto for um celular, será indivisível.
Exemplo:
🍒 Obrigação divisível: “D” deve para “C” o valor de R$ 3.000,00 (três mil reais). A obrigação 
será extinta com o seu adimplemento (pagamento do valor devido).
TRÊS CREDORES E 
UM DEVEDOR UM CREDOR E TRÊS DEVEDORES
👦 👦 👦 ------ , 👦 ------ . / 0 
Nesse caso, o devedor 
pagará R$ 1.000,00 
(mil reais) a cada um 
dos credores e estará 
livre da obrigação.
Nesse caso, cada um dos devedores pagará R$ 1.000,00 (mil 
reais) ao credor e estarão livres.
Se um deles pagar valor superior à sua cota-parte (exemplo: 
R$ 1.500,00), não poderá cobrar o valor excedente dos demais 
devedores, uma vez que NÃO existe solidariedade. Ele deverá 
tentar solucionar o problema junto ao credor e não aos demais 
devedores.
De igual forma, se um paga a dívida inteira, não extingue a 
obrigação dos demais – pagou porque quis.
🍒 Obrigação indivisível: “D” deve para “C” um cavalo, com valor de mercado de R$ 3.000,00 
(três mil reais). Lembre-se que, por ser um bem indivisível, ele não poderá ser fracionado, sob 
pena de não atingir a sua finalidade ou causar diminuição do valor. A obrigação será extinta 
com a entrega do cavalo.
TRÊS CREDORES E UM DEVEDOR UM CREDOR E TRÊS DEVEDORES
👦 👦 👦 ------ 5 👦 ------ 7 8 9 
O devedor deverá entregar o cavalo para 
todos os credores em conjunto.
Ele apenas poderá entregar para um 
deles se houver autorização (“caução de 
ratificação”).
Aí, aplicar-se-á o art. 260 do CC, 
frequentemente cobrado nas provas.
O credor poderá exigir o cavalo (inteiro) 
de qualquer um dos devedores. Ou 
seja, qualquer um é obrigado pelo todo. 
Perceba que NÃO estamos tratando de 
solidariedade!
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DIREITO CIVIL
Roberta Queiroz
Não atendida essa condição, não será 
considerada adimplida a obrigação.
Supondo que o devedor entregue o cavalo 
aos três credores, mas ele fique sob a 
responsabilidade de um deles, este deverá 
repassar o valor das cotas-partes de cada 
um dos demais (R$ 1.000,00 para cada).
Se um dos credores (A) perdoar a dívida, os 
demais (B e C) poderão exigir o cavalo.
Só que, quando B ou C receber o cavalo 
(lembre-se que ele tem valor de mercado 
de R$ 3.000,00), deverá devolver ao 
devedor a cota do que perdoou (A), no valor 
de R$ 1.000,00 (mil reais) e deverá pagar R$ 
1.000,00 (mil reais) a C, já que essa seria a 
sua cota-parte.
É a dicção do art. 262, CC.
Assim, o devedor que entregou o cavalo ao 
credor sub-roga-se na qualidade de credor 
perante os demais devedores.
Se o cavalo morrer por culpa de um dos 
devedores (A), cada um dos devedores 
pagará o valor correspondente a sua cota-
parte (R$ 1.000,00), mas só o devedor A 
(causador do dano) responderá por perdas 
e danos.
É um breve resumo...
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Obrigações - Parte I
DIREITO CIVIL
Roberta Queiroz
QUESTÕES DE CONCURSO
Agora precisamos treinar bastante.
Aqui você vai fazer as questões sobre o tema da aula de hoje já cobradas na OAB pela FGV, 
bem como questões mais antigas...
Contudo, vocês vão perceber que algumas questões de obrigações serão abordadas na próxi-
ma aula, quando devemos continuar o tema...
Respira e vai!!!!!
Logo após você responder, você encontrará o gabarito e o comentário.
Faça uma análise de quantas questões você acertou, se ficar abaixo de 80% de acerto, volte e 
leia o material novamente e refaça as questões!
Tenha compromisso comigo, hein?!
Depois volte aqui e preencha esses dados...
Divirta-se!!!!!
001. (FGV/2016/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XIX – PRIMEIRA FASE) A peça Li-
berdade, do famoso escultor Lúcio, foi vendida para a Galeria da Vinci pela importância de R$ 
100.000,00 (cem mil reais). Ele se comprometeu a entregar a obra dez dias após o recebimento 
da quantia estabelecida, que foi paga à vista.
A galeria organizou, então, uma grande exposição, na qual a principal atração seria a escultu-
ra Liberdade. No dia ajustado, quando dirigia seu carro para fazer a entrega, Lúcio avançou o 
sinal, colidiu com outro veículo, e a obra foi completamente destruída. O anúncio pela galeria 
de que a peça não seria mais exposta fez com que diversas pessoas exercessem o direito de 
restituição dos valores pagos a título de ingresso.
Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta.
a) Lúcio deverá entregar outra obra de seu acervo à escolha da Galeria da Vinci, em substitui-
ção à escultura Liberdade.
b) A Galeria da Vinci poderá cobrar de Lúcio o equivalente pecuniário da escultura Liberdade 
mais o prejuízo decorrente da devolução do valor dos ingressos relativos à exposição.
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DIREITO CIVIL
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c) Por se tratar de obrigação de fazer infungível, a Galeria da Vinci não poderá mandar execu-
tar a prestação às expensas de Lúcio, restando-lhe pleitear perdas e danos.
d) Com o pagamento do preço, transferiu-se a propriedade da escultura para a Galeria da Vin-
ci, razão pela qual ela deve suportar o prejuízo pela perda do bem.
Gente, essa questão é muito tranquila e reflete bem o que conversamos na aula de hoje...
Veja que podemos estampar aqui a situação de que se trata de obrigação de entregar coisa 
certa, qual seja, a peça liberdade.
No dia da entrega, o Lúcio bateu o carro por imprudência dele mesmo, ou seja, agiu com culpa.
Sempre que houver culpa no descumprimento da obrigação, nós acrescentamos o quê???? 
Perdas e danos, certo?
Pronto, marcamos letra b – A Galeria da Vinci poderá cobrar de Lúcio o equivalente pecuni-
ário da escultura Liberdade mais o prejuízo decorrente da devolução do valor dos ingressos 
relativos à exposição.
Artigos?
Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, 
salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.
Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tra-
dição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a 
perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos.
Art. 237. Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e acrescidos, 
pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a 
obrigação.
Art. 1.267. A propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição.
Ficou fácil, fácil...
Letra b.
002. (FGV/2016/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XIX – PRIMEIRA FASE) No dia 2 de agos-
to de 2014, Teresa celebrou contrato de compra e venda com Carla, com quem se obrigou a 
entregar 50 computadores ou 50 impressoras, no dia 20 de setembro de 2015. O contrato foi 
silente sobre quem deveria realizar a escolha do bem a ser entregue.
Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta.
a) Trata-se de obrigação facultativa, uma vez que Carla tem a faculdade de escolher qual das 
prestações entregará a Teresa.
b) Como se trata de obrigação alternativa, Teresa pode se liberar da obrigação entregando 
50 computadores ou 50 impressoras, à sua escolha, uma vez que o contrato não atribuiu a 
escolha ao credor.
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DIREITO CIVIL
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c) Se a escolha da prestação a ser entregue cabe a Teresa, ela poderá optar por entregar a Car-
la 25 computadores e 25 impressoras.
d) Se, por culpa de Teresa, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não competindo a 
Carla a escolha, ficará aquela obrigada a pagar somente os lucros cessantes.
Lembra que ao longo da aula eu falei sobre esse caso?
Pois bem, trata-se de obrigação alternativa...
Conversamos que, via de regra, a escolha cabe ao DEVEDOR.
Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou.
Marcamos, portanto, letra b – Como se trata de obrigação alternativa, Teresa pode se liberar 
da obrigação entregando 50 computadores ou 50 impressoras, à sua escolha, uma vez que o 
contrato não atribuiu a escolha ao credor.
Letra b.
003. (FGV/2015/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XVII – PRIMEIRA FASE) Gilvan (devedor) 
contrai empréstimo com Haroldo (credor) para o pagamento com juros do valor do mútuo no 
montante de R$ 10.000,00. Para facilitar a percepção do crédito, a parte do polo ativo obriga-
cional ainda facultou, no instrumento contratual firmado, o pagamento do montante no termo 
avençado ou a entrega do único cavalo da raça manga larga marchador da fazenda, conforme 
escolha a ser feita pelo devedor.
Ante os fatos narrados, assinale a afirmativa correta.
a) Trata-se de obrigação alternativa.
b) Cuida-se de obrigação de solidariedade em que ambas as prestações são infungíveis.
c) Acaso o animal morra antesda concentração, extingue-se a obrigação.
d) O contrato é eivado de nulidade, eis que a escolha da prestação cabe ao credor.
Mais uma questão tranquila e que envolve o mesmo tema da anterior, obrigação alternativa...
Escolha cabe ao devedor, via de regra...
Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou.
§ 1º Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra.
§ 2º Quando a obrigação for de prestações periódicas, a faculdade de opção poderá ser exercida 
em cada período.
§ 3º No caso de pluralidade de optantes, não havendo acordo unânime entre eles, decidirá o juiz, 
findo o prazo por este assinado para a deliberação.
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Obrigações - Parte I
DIREITO CIVIL
Roberta Queiroz
§ 4º Se o título deferir a opção a terceiro, e este não quiser, ou não puder exercê-la, caberá ao juiz a 
escolha se não houver acordo entre as partes.
Art. 253. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexequível, 
subsistirá o débito quanto à outra.
Letra a.
004. (FGV/2014/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XV – PRIMEIRA FASE) Donato, psiquia-
tra de renome, era dono de uma extensa e variada biblioteca, com obras de sua área profissio-
nal, importadas e raras. Com sua morte, seus três filhos, Hugo, José e Luiz resolvem alienar 
a biblioteca à Universidade do Estado, localizada na mesma cidade em que o falecido residia. 
Como Hugo vivia no exterior e José em outro estado, ambos incumbiram Luiz de fazer a entre-
ga no prazo avençado. Luiz, porém, mais preocupado com seus próprios negócios, esqueceu-
-se de entregar a biblioteca à Universidade, que, diante da mora, notificou José para exigir-lhe 
o cumprimento integral em 48 horas, sob pena de resolução do contrato em perdas e danos.
Nesse contexto, assinale a afirmativa correta
a) José deve entregar a biblioteca no prazo designado pela Universidade, se quiser evitar a 
resolução do contrato em perdas e danos.
b) Não tendo sido ajustada solidariedade, José não está obrigado a entregar todos os livros, 
respondendo, apenas, pela sua cota parte.
c) Como Luiz foi incumbido da entrega, a Universidade não poderia ter notificado José, mas 
deveria ter interpelado Luiz.
d) Tratando-se de três devedores, a Universidade não poderia exigir de um só o pagamento; 
logo, deveria ter notificado simultaneamente os três irmãos.
Aqui eis uma questão que envolve a parte que estudamos sobre obrigações, mas também, a 
parte de contratos que já vou adiantar aqui...
Bom, veja que se trata de obrigação de entregar coisa – uma universalidade de bens.
Todos se tornam obrigados a entregar a coisa, pois trata-se de universalidade, em tese, 
indivisível.
Assim, temos que marcar a letra a.
Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir 
exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos.
Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não 
suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão deter-
minante do negócio jurídico.
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado 
pela dívida toda.
Letra a.
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005. (FGV/2011/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO III – PRIMEIRA FASE) João deverá en-
tregar quatro cavalos da raça X ou quatro éguas da raça X a José. O credor, no momento do 
adimplemento da obrigação, exige a entrega de dois cavalos da raça X e de duas éguas da 
raça X. Nesse caso, é correto afirmar que as prestações
a) alternativas são inconciliáveis, havendo indivisibilidade quanto à escolha.
b) alternativas são conciliáveis, havendo divisibilidade quanto à escolha.
c) facultativas são inconciliáveis, quando a escolha couber ao credor.
d) facultativas são conciliáveis, quando a escolha couber ao credor.
Nesta questão temos em evidência uma obrigação alternativa, aplicando, novamente, nosso 
artigo 252 e seguintes do CC. Veja que João deverá entregar quatro cavalos da raça X ou qua-
tro éguas da raça X a José.
Nessa questão, temos a incidência dos artigos:
Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não 
suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão deter-
minante do negócio jurídico.
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado 
pela dívida toda.
Agora veja também que o cerne da questão é, exatamente, que a escolha cabe ao devedor, não 
podendo o credor influenciar em tal ato.
Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou.
§ 1º Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra.
Letra a.
006. (FGV/2010/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO II – PRIMEIRA FASE) Assinale a alterna-
tiva que contemple exclusivamente obrigação propter rem:
a) a obrigação de indenizar decorrente da aluvião e aquela decorrente da avulsão.
b) a hipoteca e o dever de pagar as cotas condominiais.
c) o dever que tem o servidor da posse de exercer o desforço possessório e o dever de pagar 
as cotas condominiais.
d) a obrigação que tem o proprietário de um terreno de indenizar o terceiro que, de boa-fé, 
erigiu benfeitorias sobre o mesmo.
Coloquei essa questão aqui para que você possa recordar sobre as figuras híbridas...
Lembra?
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A aluvião é forma de aquisição de propriedade que não gera indenização (artigo 1.250 do CC), 
vamos ver mais adiante...
A hipoteca, que também veremos mais adiante, é direto real de garantia e não obrigação de-
corrente do direito real. Já pagar as cotas condominiais é obrigação propter rem, pois decorre 
do direito de propriedade, colacionamos aqui na aula a orientação do STJ sobre o tema.
O servidor da posse não tem o dever de exercer o desforço possessório, mas o direito de exer-
cer o desforço, caso ele deseje, evidentemente, conforme artigo 1210 do CC.
Marcamos a letra d, pois o proprietário de um terreno tem a obrigação, que decorre do direito 
de propriedade, de indenizar o terceiro que, de boa-fé, erigiu benfeitorias em seu terreno.
Embora seja uma questão que envolve muitos temas que serão vistos oportunamente, é uma 
excelente oportunidade para lembrar das obrigações ambulatoriais, propter rem, ob rem...
Letra d.
007. (CESPE/2010/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO I – PRIMEIRA FASE) Acerca das obri-
gações de dar, fazer e não fazer, assinale a opção correta.
a) No caso de entrega de coisa incerta, se houver, antes da escolha, perda ou deterioração do 
bem, ainda que decorrente de caso fortuito ou força maior, a obrigação ficará resolvida para 
ambas as partes.
b) Em caso de obrigação facultativa, o perecimento da coisa devida não implica a liberaçãodo devedor do vínculo obrigacional, podendo-se dele exigir a realização da obrigação devida.
c) É divisível a obrigação de prestação de coisa indeterminada.
d) Tratando-se de obrigação de entrega de coisa certa, a obrigação será extinta caso a coisa 
se perca sem culpa do devedor, antes da tradição ou mediante condição suspensiva.
Essa é fácil, embora não seja a regra de cobrança pela FGV o formato de questão sem contex-
tualização, é boa questão para memorização.
Temos aqui a incidência dos seguintes artigos:
Letra a: Art. 246. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da 
coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito.
Na letra b veja que o credor não pode exigir essa faculdade, não havendo dever quanto a esta, 
daí porque, perecida a coisa devida como faculdade, não se pode exigi-la do devedor.
Na letra c tem-se uma mistura dos conceitos, divisível é a obrigação que pode ser fracionada.
E a letra d que pode ser marcada com base no artigo Art. 234. Se, no caso do artigo antece-
dente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição 
suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda resultar de culpa do 
devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos.
Letra d.
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DIREITO CIVIL
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008. (CESPE/2008/OAB-SP/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – PRIMEIRA FASE) Constitui obri-
gação de fazer materialmente infungível aquela que
a) recaia sobre prestação de coisa certa.
b) não admita substituição da pessoa do devedor por outrem, em decorrência da natureza da 
obrigação, do contrato ou das circunstâncias da situação concreta.
c) possa ser prestada por terceira pessoa.
d) seja referente a coisas ainda não individualizadas, porque designadas apenas pelo gênero 
a que pertencem e à sua qualidade, peso ou medida.
Pessoal, questão antiga, mas também bastante interessante, embora não seja no formato 
FGV, mas muito bacana para relembrarmos o conceito de obrigação de fazer infungível...
Lembre-se que é aquela cuja obrigação somente pode ser implementada pelo contratado, é 
também chamada de obrigação personalíssima.
Durante a nossa aula eu expliquei essa modalidade usando o exemplo de ter contratado Ivete 
Sangalo para tocar em minha festa; veja, é uma obrigação infungível, personalíssima, somen-
te Ivete pode cumprir essa obrigação.
Assim, nessa questão podemos marcar a letra b que estabelece que a obrigação de fazer 
materialmente infungível aquela que não admita substituição da pessoa do devedor por ou-
trem, em decorrência da natureza da obrigação, do contrato ou das circunstâncias da situa-
ção concreta.
Letra b.
009. (CESPE/2008/OAB-SP/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – PRIMEIRA FASE) Segundo a le-
gislação civil, o adquirente do imóvel em condomínio edilício responde pelos débitos condo-
miniais, ainda que anteriores à data de sua aquisição. Nesse contexto, a referida obrigação 
denomina-se
a) obrigação eficacial.
b) obrigação com ônus pessoal.
c) obrigação propter rem ou obrigação híbrida.
d) obrigação natural.
Mais uma questão para lembrarmos da obrigação propter rem – aquela que acompanha a 
coisa, como taxa condominial, IPVA, IPTU...
Letra c.
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DIREITO CIVIL
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Terminamos mais um momento do nosso curso...
Sigamos firmes em nosso propósito.
Vamos vencer e, cada dia que passa, estamos mais próximos do sonho real.
Bj, bj da profa.
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GABARITO
1. b
2. b
3. a
4. a
5. a
6. d
7. d
8. b
9. c
Roberta Queiroz
Mestre em Direito pela Universidade Católica de Brasília, com dissertação na área de Direito Processual 
Civil – Negócios Jurídicos Processais. Especialista em Direito Processual Civil, pela Universidade 
do Sul de Santa Catarina, em novembro de 2009. Graduada em Direito, pela Universidade Católica de 
Brasília, em dezembro de 2005. Foi professora universitária do curso de Direito da Universidade Católica 
de Brasília. Docente nas disciplinas de Direito Civil e Direito Processual Civil desde 2007 para pós-
graduação, preparatório de Exame de Ordem e concursos das carreiras jurídicas. Professora de cursos 
de aperfeiçoamento na advocacia em Direito Civil e Processo Civil na Escola Superior da Advocacia de 
Brasília – ESA/DF. Coordenadora do curso preparatório para Exame de Ordem do Gran Cursos Online. 
Advogada inscrita na OAB-DF.
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	Aula 5
	1. Introdução
	2. Direito das Obrigações
	2.1. Elementos Obrigacionais
	2.2. Classificação das Obrigações
	2.3. Modalidades Clássicas Obrigacionais
	2.4. Obrigação Alternativa
	2.5. Obrigação Divisível ou Indivisível
	RESUMO
	Questões de Concurso
	Gabarito
	AVALIAR 5: 
	Página 63:Cristiano. Rosenvald, Nelson. Curso de Direito Civil – Obrigações. 14ª ed. rev. atual. amp. Editora JusPo-
divm. 2020.
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Obrigações - Parte I
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Na categoria dos direitos obrigacionais, que nós estamos estudando agora, encontrare-
mos relações entre sujeitos.
De um lado, o credor (ou os credores) e, o outro, o devedor (ou os devedores).
Já nos direitos reais, teremos uma relação entre sujeitos e coisas.
Há algumas críticas a esse conceito, dizendo que, tecnicamente, relação jurídica apenas 
pode acontecer entre sujeitos, nunca entre sujeitos e objetos.
Porém, isso não é relevante para nós, não neste momento.
No estudo dos direitos reais, precisaremos daqueles conceitos que trouxemos nas aulas 
de bens (bens móveis, imóveis, fungíveis, infungíveis...).
É importante que a gente faça essa distinção entre direitos reais e obrigacionais, para que 
você não os confunda, já que são demasiadamente cobrados em prova.
Os direitos reais são estudados dentro do direito das coisas, que abrange vizinhança, direi-
tos reais e posse; veja que direito das coisas não se confunde com direitos reais. Em verdade, 
esse é espécie daquele.
Art. 1.225, CC. São direitos reais:
I – a propriedade;
II – a superfície;
III – as servidões;
IV – o usufruto;
V – o uso;
VI – a habitação;
VII – o direito do promitente comprador do imóvel;
VIII – o penhor;
IX – a hipoteca;
X – a anticrese.
XI – a concessão de uso especial para fins de moradia;
XII – a concessão de direito real de uso;
XIII – a laje.
Assim, os direitos reais gravitam em torno da propriedade.
Na verdade, a propriedade é um direito real genuíno.
Já as obrigações estão previstas no Código Civil a partir do art. 233, como vimos, e sempre 
teremos essa relação entre sujeitos – credor e devedor.
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Obrigações - Parte I
DIREITO CIVIL
Roberta Queiroz
Com base no desenho acima, veja que o direito obrigacional pode servir para adquirir um 
direito real.
Quando falamos de direito obrigacional, nos referimos a uma relação entre credor e devedor.
Só que eu posso me utilizar de uma relação obrigacional para adquirir um direito real, 
por exemplo: contrato de compra e venda – imagine um contrato de compra e venda de um 
celular pelo valor de R$ 1.000,00. Nele, há a transmissão de um direito real sobre um bem 
(propriedade), por meio de uma obrigação.
Aliás, uma grande fonte de obrigações são os contratos, assim como os atos unilaterais, 
ou, melhor dizendo, os atos jurídicos em si que vimos na aula de Atos.
Os direitos reais estão na lei, enquanto os obrigacionais podem ser criados, a partir da 
previsão legal, pelas partes, ou seja, não estão elencados em um rol taxativo.
Quando eu celebro um contrato de compra e venda, estou compactuando uma obrigação.
O objeto desse contrato é um direito real, mas a simples pactuação da obrigação não gera 
o direito real.
Assim, se eu faço um contrato com você de compra e venda de um apartamento, não bas-
ta assinar o contrato, para que você seja o dono (proprietário) do imóvel.
A assinatura do contrato apenas cria em uma obrigação.
Em se tratando de bem imóvel, o direito real só se transmite com o registro e em se tratan-
do de bem móvel, o direito real será transmitido com a tradição/entrega do bem, veja:
Art. 1.226. Os direitos reais sobre coisas móveis, quando constituídos, ou transmitidos por atos 
entre vivos, só se adquirem com a tradição.
Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só 
se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 
1.247), salvo os casos expressos neste Código.
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Obrigações - Parte I
DIREITO CIVIL
Roberta Queiroz
Apenas a tradição ou o registro transferem a propriedade.
Portanto, não basta a mera assinatura do contrato.
Imagine que eu te ofereço meu celular pelo valor de R$1.000,00 e nós assinamos um con-
trato de compra e venda.
Você me entrega o dinheiro no ato da assinatura do contrato e eu prometo 
entregar o celular no dia seguinte.
Na volta para casa, eu me encontro com João e ofereço o mesmo celular 
pelo mesmo valor.
Ele aceita, paga o preço e eu entrego o celular para ele.
Quem é o proprietário do celular?
João, pois foi a quem se deu a entrega do bem móvel, conforme artigo 1.226 do CC. Entendeu?
Você nunca poderá ajuizar uma ação reivindicatória do bem contra João, porque é uma 
ação que discute propriedade, é uma ação petitória.
Evidentemente temos as ações possessórias, que discutem a posse, e as ações petitórias, 
que discutem a propriedade.
A ação reivindicatória e a imissão na posse, cuja diferença veremos em aulas futuras, são 
demandas que discutem propriedade.
Você não tem como ajuizar uma ação reivindicatória contra João com base em um con-
trato de compra e venda, porque nele há somente uma relação obrigacional, ainda que o ob-
jeto seja a propriedade de um celular, porque a propriedade não se concretizou (não houve a 
tradição, Brasil!).
Então, o direito obrigacional, por si só, não gera o direito real, porque temos a aplicabili-
dade dos artigos 1.226 e 1.227 do Código Civil que tratam da forma com a qual o direito real 
é transmitido.
Outra observação feita no nosso último desenho: é possível que haja direitos reais como 
acessórios dos direitos obrigacionais.
Isso ocorre, por exemplo, quando temos direitos reais de garantia (o penhor, a hipoteca e 
a anticrese).
Imagina que você chega na caixa econômica e diz assim: caixa econômica, me empresta 
R$ 500.000,00 para que eu possa comprar um apartamento? E a caixa econômica diz: sim, 
empresto, mas você vai me dar o próprio apartamento em garantia até que você quite essa 
dívida comigo, ok?
Se você pede um empréstimo à Caixa Econômica Federal para a compra de um aparta-
mento, haverá uma relação obrigacional (credor, devedor, prestação...).
Se a CEF pedir o próprio apartamento em garantia, isso é uma hipoteca, um direito real.
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Obrigações - Parte I
DIREITO CIVIL
Roberta Queiroz
Agora imagina que você vai num banco qualquer e fala assim: banco, me empresta R$ 
50.000,00? E o banco diz: sim, empresto, mas você deve me dar algum bem garantia. E, nesse 
caso, você dá o seu relógio em garantia...
Hum... o que temos aqui?
Se for dado um relógio em garantia, será o caso de penhor.
Já a anticrese ocorrerá quando o credor utilizar o bem do devedor para tirar-lhe os frutos 
e pagar-se, vamos falar mais sobre isso na aula correspondente.
Mesmo com essas duas observações que fizemos, é importante que você se lembre quedireitos obrigacionais e direitos reais são institutos DIFERENTES.
Se, de um lado, eu tenho direitos obrigacionais, e, de outro, os direitos 
reais, será que existe um instituto que seja ponto de intersecção entre eles?
Existe algum instituto que carregue características de ambos? Res-
posta: SIM!
São as chamadas “FIGURAS HÍBRIDAS”.
Elas não podem ser chamadas categoricamente de direito real, porque possuem caracte-
rísticas de direito obrigacional, e, tampouco, podem ser categorizadas como de direito obri-
gacional, porque também possuem características de direito real.
Vixe, prof., e agora?
Agora vou te mostrar cada uma...
Então...
Vimos claramente as diferenças entre direitos obrigacionais e direitos reais, mas existem 
algumas figuras que não podem ser mencionadas exclusivamente sendo de direito real o de 
direito obrigacional, porque sempre tem uma carga de um ou de outro.
Os direitos reais constituem uma situação jurídica em que tem um determinado sujeito e 
se relaciona com determinado bem.
Quando se fala em obrigações, está diante de uma relação entre dois sujeitos: credor 
e devedor.
Existe alguma situação que pode ter uma figura que se encontre no meio termo, que seja 
tanto de direito obrigacional, quanto de direito real?
Sim, existem três figuras que são denominadas como figuras híbridas; são situações que 
tem concomitantemente o direito obrigacional e o direito real, porque não tem como men-
cionar ser essa determinada figura hibrida como sendo exclusivamente de direito real ou 
como sendo exclusivamente de direito obrigacional, justamente porque tem um pouquinho 
de cada uma.
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A doutrina menciona, então, tais situações, como sendo figuras híbridas.
🍒 OBRIGAÇÕES PROPTER REM – obrigação própria da coisa; obrigações ob rem; obrigação 
da própria coisa: É a obrigação que se origina com a coisa, transmite-se com a coisa, chama-
da de obrigação ambulatorial.
Aonde a coisa vai, ela vai junto, porém, existe uma relação de credor e devedor.
A doutrina quando fala dessa modalidade, menciona a questão da taxa condominial como 
exemplo claro.
Ex.: Sou obrigada a ser proprietária de um apartamento, em um condomínio edilício? Não.
Mas se porventura eu adquiro essa propriedade, eu me torno responsável pela taxa 
condominial.
Tem-se uma obrigação, porque tem credor e devedor.
O proprietário é o devedor e o condomínio é o credor.
Essa relação obrigacional surge a partir de um direito real – a propriedade do apartamen-
to – imóvel.
Outros exemplos: o IPTU e o IPVA.
Ninguém é obrigatório ser proprietário de um veículo, mas se me torno proprietária desse 
veículo, devo pagar o imposto.
O IPVA é uma relação obrigacional, tem o devedor (proprietário do veículo) e o credor (fa-
zenda pública), mas surge em virtude de um direito real.
Veja que quando falamos em obrigação propter rem, falamos em obrigações de ambula-
toriais, ou seja, aonde a coisa vai, a obrigação vai junto.
A jurisprudência deste Superior Tribunal orienta que, em se tratando a dívida de condomí-
nio de obrigação propter rem e partindo-se da premissa de que o próprio imóvel gerador 
das despesas constitui garantia ao pagamento da dívida, o proprietário do imóvel pode 
figurar no polo passivo do cumprimento de sentença, ainda que não tenha sido parte na 
ação de cobrança originária, ajuizada, em verdade, em face dos promitentes comprado-
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res do imóvel? (REsp 1.696.704/PR, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado 
em 08/09/2020, DJe 16/09/2020)3
🍒 Ônus reais: são obrigações que acabam limitando o uso/gozo da propriedade, acabam 
gerando efetivamente uma relação entre sujeitos, gera um verdadeiro gravame.
Recai sobre uma determinada coisa e restringe num ou noutro grau o direito que o titular 
tem em relação ao direito real.
Por exemplo, usufruto, enfiteuse, superfície, direitos reais de garantia como penhor, hipo-
teca e anticrese.
Quando se fala em superfície, por exemplo, que entrou no ordenamento jurídico a partir do 
CC de 2002, substituindo o instituto das enfiteuses, que eram institutos perpétuos, tratadas 
pelo CC de 1916.
A superfície tem um período determinado, mas o proprietário do bem sede ao superficiário 
o domínio útil da coisa, a possibilidade de construir, de edificar, de plantar naquele imóvel.
Existe uma restrição, um gravame de usar e gozar do efetivo proprietário.
🍒 Obrigações com eficácia real: é aquela obrigação na qual se dá uma eficácia real – con-
cede-se eficácia de direito real – erga omnes.
Quando se fala em direito real, uma grandiosíssima característica é que esses direitos são 
direitos erga omnes e as obrigações, por sua vez, são inter partes.
Isso porque um direito obrigacional, vai produzir efeitos exclusivamente entre credor e 
devedor, exclusivamente entre as partes.
Quando temos uma obrigação e atribuímos a ela uma eficácia real, essa obrigação está 
produzindo um efeito, em vez de somente inter partes, uma eficácia contra todos, erga omnes.
Imagine que, eu alugo meu apartamento para João por prazo de 36 meses; quando com-
pleta 1 ano, eu decido vender o imóvel.
De acordo com a lei de inquilinato (Lei n. 8.245/1991), o locador deve deixar que o loca-
tário exerça o direito de preferência, devendo notificar o locatário de que pretende vender o 
imóvel para saber se esse locatário tem interesse em comprar o imóvel.
Imagine que João, locatário, manifesta recusa na compra do imóvel e um terceiro mani-
festa interesse.
Esse terceiro, adquirente do imóvel, é obrigado a respeitar as regras do contrato de loca-
ção e manter João no imóvel?
Não, podendo, inclusive, retirar o locatário do imóvel, não será uma ação de despejo, por-
que ele não é parte no contrato de locação. Será uma ação de imissão na posse.
Mas a pergunta é: existe algum mecanismo que o locatário possa utilizar para que, mes-
mo com a alienação do imóvel, ele não seja retirado do imóvel?
Sim, se àquela obrigação houver sido dado o efeito erga omnes.
3 STJ – REsp 1696704-PR, AgInt no REsp 1501768-PR, AgInt no REsp 1804404-PR, AgInt no REsp 1565327-PR
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https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?i=1&b=ACOR&livre=((%27AIRESP%27.clas.+e+@num=%271501768%27)+ou+(%27AgInt no REsp%27+adj+%271501768%27.suce.))&thesaurus=JURIDICO&fr=veja
https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?i=1&b=ACOR&livre=((%27AIRESP%27.clas.+e+@num=%271804404%27)+ou+(%27AgInt no REsp%27+adj+%271804404%27.suce.))&thesaurus=JURIDICO&fr=veja
https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?i=1&b=ACOR&livre=((%27AIRESP%27.clas.+e+@num=%271565327%27)+ou+(%27AgInt no REsp%27+adj+%271565327%27.suce.))&thesaurus=JURIDICO&fr=veja
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Obrigações- Parte I
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Neste caso, com observância do artigo 576 do CC, vejamos:
Art. 576. Se a coisa for alienada durante a locação, o adquirente não ficará obrigado a respeitar o 
contrato, se nele não for consignada a cláusula da sua vigência no caso de alienação, e não constar 
de registro.
§ 1º O registro a que se refere este artigo será o de Títulos e Documentos do domicílio do locador, 
quando a coisa for móvel; e será o Registro de Imóveis da respectiva circunscrição, quando imóvel.
§ 2º Em se tratando de imóvel, e ainda no caso em que o locador não esteja obrigado a respeitar 
o contrato, não poderá ele despedir o locatário, senão observado o prazo de noventa dias após a 
notificação.
Tem-se, claramente, uma obrigação inter partes, podendo dar a ela uma eficácia real, a 
partir da promoção do registro e que seja previsto uma cláusula nesse sentido.
Uma obrigação que, ab initio é de efeito inter partes, mas tem-se a atribuição de uma eficá-
cia real, erga omnes, contra todos.
Essas são as denominadas figuras híbridas, que estão alocadas entre um direito real e um 
direito obrigacional.
Essas duas grifadas em verde são mais comuns em prova...
2.1. elementos obrIgacIonaIs
Estamos estudando uma relação jurídica entre credor e devedor.
A partir dessa relação jurídica vamos identificar os elementos obrigacionais.
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Destaquei em nosso desenho os elementos: subjetivo, objetivo e o vínculo, vejamos:
a) Subjetivo: relacionado aos sujeitos da relação obrigacional – ativos ou passivos, credor 
e devedor, respectivamente.
b) Objetivo/Material: Consiste em uma denominada prestação.
Deve-se lembrar as condutas inerentes às obrigações.
Tem-se três situações clássicas, que consistem na tripartição obrigacional:
Veja que em relação à essa questão, pode-se classificar o objeto da 
obrigação.
Quando se fala em obrigação de dar, fazer e não fazer, estamos nos refe-
rindo ao objeto imediato da relação obrigacional.
Dar o quê? Fazer o quê? Não fazer o quê?
Se diz: “devo lhe dar o carro”, dar é o objeto imediato.
Quando falamos: “dar o quê?”, o que é dado? O quê?
Estamos falando do objeto mediato da relação obrigacional.
Veja que a obrigação é composta por três elementos.
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c) Imaterial/Vínculo: é o elemento espiritual que liga um sujeito no outro; é imaginário.
É completamente uma situação abstrata, espiritual, ninguém vê, mas sabemos que 
ele está ali.
Exemplo: se alguém deve mil reais a outra pessoa; pode não ver, mas sabe-se que existe a 
relação entre credor e devedor, existe uma “corda” abstrata que os unem.
Desse vínculo surge o binômio obrigacional: schuld – débito (relação estática); e haftung 
– responsabilidade patrimonial.
É o quê, prof.? Não me xinga...
Calma...
Relembre:
Veja que quando falamos de obrigação, estamos falando de VÍNCULO.
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O Schuld e o Haftung são situações que correspondem, respectivamente, em débito e res-
ponsabilidade; são expressões que têm origem no direito alemão. É... aqui a gente é chique...
Sabemos que, quando alguém contrai uma obrigação, passa a ser devedor e, com isso, 
passa a ter responsabilidade pelo cumprimento da obrigação (débito – schuld) e, caso não 
cumpra tal obrigação, terá seus bens penhorados em demanda judicial (responsabilidade pa-
trimonial – haftung)
A responsabilidade patrimonial primária é de quem tem o próprio schuld, quem é o deve-
dor, previsto no art. 789 do CPC.
Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de 
suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei.
A responsabilidade patrimonial secundária, prevista no artigo 790 do CPC está ligada a 
quem não é o devedor, mas responde com seu patrimônio para o cumprimento da obrigação.
Art. 790. São sujeitos à execução os bens:
I – do sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito real ou obrigação 
reipersecutória;
II – do sócio, nos termos da lei;
III – do devedor, ainda que em poder de terceiros;
IV – do cônjuge ou companheiro, nos casos em que seus bens próprios ou de sua meação respon-
dem pela dívida;
V – alienados ou gravados com ônus real em fraude à execução;
VI – cuja alienação ou gravação com ônus real tenha sido anulada em razão do reconhecimento, 
em ação autônoma, de fraude contra credores;
VII – do responsável, nos casos de desconsideração da personalidade jurídica
Então, quando te questionarem qual é o binômio obrigacional, o que você vai responder?
BINÔMIO OBRIGACIONAL: SCHULD X HAFTUNG
Schuld – débito – relação estática do direito civil – obrigações.
Haftung – responsabilidade patrimonial – relação dinâmica do processo civil; é uma mera 
sujeitabilidade, uma possível sujeição do patrimônio para pagamento da dívida contraída, 
pode ser que aconteça, pode ser que não, caso haja o pagamento.
Agora vem a seguinte questão... dois questionamentos “catigurias”...
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A resposta é sim, para as duas perguntas...
É possível schuld sem o haftung? Sim. Quando?
Imagine uma situação em que se tem uma dívida, mas não tem a responsabilidade patri-
monial, não é exigível.
Exemplo: dívida de jogo tolerado. Você até pode apostar, mas não se pode cobrar, inexigível.
Exemplo: dívida que esteja “prescrita” (lembre-se que na aula de prescrição eu digo que falar 
dívida prescrita é errado, pois o que prescreve não é a dívida e sim a pretensão, por isso colo-
quei aqui entre aspas).
Trata-se, me verdade, de obrigações naturais, nas quais a obrigação existe, mas não pode 
ser cobrada, ou seja, tem-se o schuld, mas não se tem o haftung.
É possível haftung sem schuld? Sim também, é a responsabilidade secundária, prevista no 
artigo 790, do CPC que colacionamos acima.
Exemplo: o fiador, porque não é o que adquiriu a dívida, mas o que poderá vir a responder com 
o seu patrimônio caso ocorra o inadimplemento daquela obrigação.
Belezura?
Esse tema é tão legal que foi cobrado em prova de magistratura... segura a mão que eu 
vou colocar para vocês lá parte de questões...
Mas o que é essa tal de obrigação natural? É a obrigação na qual o credor não pode cobrar 
judicialmente, é inexigível. Contudo, o devedor que paga uma obrigação natural não pode pe-
dir de volta o que pagou, pois não é um pagamento indevido, veja:
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2.2. classIfIcação das obrIgações
Segundo a doutrina, temos as seguintes modalidades:
QUANTO AO ELEMENTO SUBJETIVO – SUJEITOS
a) Fracionárias: são obrigações nas quais teremos a pluralidade de devedores ou credo-
res, cada um deles obrigado ou responsável apenas por parte da dívida.
b) Conjuntas: são obrigações nas quais haverá pluralidade de devedores ou credores, im-
pondo-se a todos o pagamento conjunto de toda a dívida, não se autorizando aos credores 
exigi-la individualmente, bem como responsáveis por toda a obrigação.
c) Disjuntivas: são obrigações nas quais os devedores se obrigam alternativamente ao pa-
gamento da dívida. Se um cumpre a obrigação, os demais são, automaticamente, exonerados.
d) Solidárias: modalidade clássica de prova. Teremos solidariedade quando, na mes-
ma obrigação, concorre uma pluralidade de credores, cada um com direito à dívida toda 
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(solidariedade ativa), e/ou uma pluralidade de devedores, cada um obrigado à dívida por intei-
ro (solidariedade passiva). Não precisa preocupar, pois veremos mais adiante.
QUANTO AO ELEMENTO OBJETIVO – PRESTAÇÃO
a) Alternativas: são obrigações que têm por objeto duas ou mais prestações, sendo que o 
devedor exonera-se cumprindo apenas uma delas.
b) Facultativas: aquelas que têm um único objeto e o devedor tem a faculdade de substi-
tuir a prestação devida por outra de natureza diversa, previamente estipulada.
c) Cumulativas: são obrigações que têm por objeto uma pluralidade de prestações a se-
rem cumpridas conjuntamente.
d) Divisíveis e indivisíveis: são obrigações que, por conta do objeto, podem ser divisíveis, 
admitindo o cumprimento fracionado da obrigação; nas obrigações indivisíveis, por ter objeto 
indivisível, só podem ser cumpridas por inteiro. Essa modalidade somente é relevante quando 
há pluralidade de credores e/ ou devedores. Também não precisa preocupar, vamos estudá-la 
mais adiante.
e) Líquidas e ilíquidas: obrigações líquidas são aquelas certas quanto à existência e de-
terminadas quanto ao objeto, possuem a prestação quantificada; nas ilíquidas não há espe-
cificação do quantum devido para o seu cumprimento, devendo ser submetidas à liquidação.
QUANTO AO ELEMENTO ACIDENTAL
a) Obrigação condicional: condicionadas a evento futuro e incerto; ligadas ao conceito de 
condição que trabalhamos anteriormente.
b) Obrigação a termo: exigibilidade subordinada a evento futuro e certo, ligadas ao concei-
to de termo que também estudamos.
c) Obrigação modal: possuem um encargo (ônus) imposto a uma das partes, que experi-
mentará benefício maior, por exemplo: de dou a casa para que institua uma creche.
QUANTO AO CONTEÚDO
a) Obrigações de meio: são obrigações nas quais o devedor se obriga a empreender a ati-
vidade sem garantir o resultado esperado. A obrigação do advogado é de meio.
b) Obrigações de resultado: o devedor se obriga não apenas a empreender a ativida-
de, mas, principalmente, produzir o resultado. A entrega do resultado conforme prometido 
deve ocorrer.
c) Obrigações de garantia: são obrigações nas quais o objeto é exatamente eliminar quais-
quer riscos que possam ocorrer e, caso ocorram devem ser reparados.
2.3. modalIdades clássIcas obrIgacIonaIs
Nesse momento, importante mencionarmos as regras específicas sobre as obrigações de 
DAR, FAZER e NÃO FAZER.
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Obrigações - Parte I
DIREITO CIVIL
Roberta Queiroz
2.3.1. Obrigação de Dar
O “dar” no direito civil significa dar coisa, podendo ser na modalidade ENTREGAR ou 
RESTITUIR.
A obrigação de dar coisa pode envolver uma coisa que já seja certa, definida, ou pode en-
volver uma coisa incerta.
A coisa certa é a que já está individualizada, qualificada, quantificada.
A coisa incerta é coisa que é definida pelo gênero.
Exemplo: Vou te dar este IPhone, é este que interessa e não outro.
Exemplo: vou te dar um IPhone - está definindo o gênero, pois IPhone tem vários 
modelos.
Evidentemente, depois que a coisa incerta é escolhida ela torna-se certa.
Em outras palavras:
🍒 Obrigação de dar coisa certa: envolve uma coisa já qualificada; quantificada; especifi-
cada; individualizada. Por exemplo, “te darei esteeste carro”.
🍒 Obrigação de dar coisa incerta: é aquela cuja incerteza é temporária, pois logo após, 
conseguirei discriminar a coisa. Por exemplo, “vou te dar um carro fiat”.
Mas antes de entender tudo, precisamos observar uma regra de ouro do direito obriga-
cional – O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, conforme 
artigo 313 do CC.
Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais 
valiosa.
Assim, se a obrigação é de dar, o devedor deve dar aquilo, exatamente aquilo e tão somen-
te aquilo o qual se comprometeu.
Evidentemente, se o devedor oferecer algo diverso do que é devido e o credor aceitar, tudo 
bem; o que não é possível é que o credor seja obrigado a aceitar. Uma coisa é ele aceitar por 
vontade própria, outra coisa é ele ser obrigado a aceitar, isso não pode.
É por isso que o credor deve receber exatamente aquilo que foi pactuado, mas, em razão 
da autonomia da vontade, o credor poderá consentir em receber prestação diversa da devida.
Observe que, a entrega de coisa diversa somente poderá ocorrer com o consentimento do 
credor, no caso, poderá ser uma dação em pagamento ou, até mesmo, uma novação objetiva, 
mas falaremos disso mais adiante.
Vamos começar conversando sobre a obrigação de dar coisa certa.
a) Obrigação de dar coisa certa e incerta
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Acerca do assunto, devemos identificar se o DAR é entregar ou restituir, após, devemos 
definir quem é o dono e quem é o devedor.
Prof., pelo amor de Nossa Senhora do Direito Civil, me explica o motivo pelo qual eu pre-
ciso saber disso...
Explico: lembra da regra do res perit domino? Pois bem, o perecimento da coisa segue a 
regra do res perit domino, ou seja, a coisa perece para o dono.
Por isso precisamos identificar quem é o dono, e isso depende da modalidade do dar, se 
entregar ou restituir.
O dono da coisa na modalidade de entregar é devedor (enquanto a coisa permanece com 
o proprietário – antes da tradição –, ele é dono, mas após a relação jurídica, o proprietário 
passa a ser devedor, pois cabe a ele a entrega do bem).
Na modalidade restituir, o dono da coisa é o próprio credor (aquele que emprestou o bem, 
por exemplo, é o dono, e aquele que deve restituir o bem é devedor).
Prof., me dá exemplo...
Exemplo na obrigação de entregar: se em um contrato de compra e venda de um celular,antes 
da entrega do bem, a coisa perece nas mãos do proprietário. Quem é o dono? Quem está com 
a coisa. Logo o dono é o devedor, pois ele deve entregar o telefone para quem comprou.
LEMBRE-SE: SEMPRE QUE A COISA SE PERDER POR CULPA DO DEVE-
DOR, DEVEMOS COLOCAR PERDAS E DANOS, CERTO?
Se em um contrato de compra e venda de um celular, antes da entre-
ga do bem, a coisa perece nas mãos do proprietário, sem culpa sua 
(lembre: ele é o dono da coisa e é o devedor). Quem sofrerá a perda 
é o dono da coisa, devendo este devolver o valor que foi pago pelo 
comprador. Porém, se antes da entrega, a coisa perecer por culpa do 
proprietário (que é o devedor), a coisa perecerá ao dono, mas este de-
verá responder por perdas e danos, ou seja, haverá incidência de in-
denização por perdas e danos pelo não cumprimento da obrigação + 
devolução do equivalente (valor que foi pago).
Exemplo na obrigação de restituir: se “A” pede emprestado o celular de “B”. Quem é o dono? 
Quem está com a coisa? Não. O dono é quem deve receber de volta a coisa, ou seja, o credor. 
Não foi ele que emprestou? Então...
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LEMBRE-SE: SEMPRE QUE A COISA SE PERDER POR CULPA DO DE-
VEDOR, DEVEMOS COLOCAR PERDAS E DANOS, CERTO?
se “A” pede emprestado o celular de “B”. E no momento do uso a 
coisa vem a se perder sem culpa de “A”, “B” sofrerá a perda do bem em 
virtude de ser o dono – ele é o credor. Agora, se o perecimento do ce-
lular ocorre por culpa de “A”, muito embora o credor sofra com a perda, 
“A” deverá indenizar “B” com perdas e danos em razão do não cumpri-
mento da obrigação e a incidência de sua culpa.
Cuidado: perdas e danos constituem somatório de indenização que a parte pode pleitear 
em virtude do não cumprimento de uma obrigação. Por exemplo, dano moral, lucro cessante, 
dano emergente, honorários de advogado, entre outras.
Agora vamos complicar só um pouquinho...
Veja as regras sobre perecimento e deterioração, considerando o que falamos acima...
 Quem suporta o prejuízo? Se antes da tradição, o prejuízo é do DONO res perit domi-
no. LEMBRE-SE DO DONOLEMBRE-SE DO DONO – ENTREGAR: DEVEDOR / RESTITUIR: CREDOR.
Vamos ter assim:
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DAR – ENTREGAR
PERECIMENTO
SEM CULPA: (art. 234 – 1ª parte) Obrigação extinta para ambas as 
partes, que voltam ao status quo ante; se já recebeu pela coisa tem 
que devolver o valor (art. 492).
COM CULPA: (art. 234 – 2ª parte) Responde o devedor por perdas e 
danos mais o equivalente.
DETERIORAÇÃO
SEM CULPA: (art. 235) Credor pode resolver a obrigação ou aceitar a 
coisa, abatido do preço o valor que perdeu.
COM CULPA: (art. 236) Credor pode exigir o equivalente ou aceitar 
a coisa no estado em que se acha, com direito de reclamar perdas e 
danos.
DAR – RESTITUIR
PERECIMENTO
SEM CULPA: (art. 238) O credor sofre a perda, ressalvados os direitos 
até o dia da perda.
COM CULPA: (art. 239) Responde pelo equivalente mais perdas e 
danos.
DETERIORAÇÃO
SEM CULPA: (art. 240) Credor recebe como se encontra a coisa e sem 
direito a indenização.
COM CULPA: (art. 239) Responde pelo equivalente mais perdas e 
danos.
Vamos colocar também nosso esquema feito à mão...
Bom, vamos continuar, pois ainda precisamos falar de alguns artigos importantes...
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Art. 237 do CC. Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e acresci-
dos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a 
obrigação. Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes.
Veja que o dispositivo acima diz respeito à obrigação de dar na modalidade entregar e, 
portanto, o dono é o devedor.
Resolver a obrigação no direito civil significa desfazer a obrigação, é o retorno do sta-
tus quo ante.
Ex.: se na compra e venda de uma fazenda, por exemplo, mas antes da tradição, tem-se a 
ocorrência da avulsão (deslocamento terra e acréscimo na propriedade), fazendo com que a 
propriedade fique ainda maior.
O vendedor pode exigir aumento no preço, mas se não houver concordância do compra-
dor, haverá devolução do valor, desfazendo-se o negócio.
Isso porque, os melhoramentos e os acrescidos da coisa autorizam o aumento do preço.
Assim, se a obrigação é de entregar, em um determinado momento acontece a tradição. 
Até a tradição, o dono da coisa é o devedor (dono), junto dos seus melhoramentos e acresci-
dos, podendo o devedor exigir o aumento no preço, e se o credor não anuir, resolve a obrigação.
Ou seja, se tem o melhoramento na coisa, antes da tradição, exige-se o aumento no preço, 
se o credor não concordar, resolve a obrigação, quando resolve é porque desfaz a obrigação.
Obs.: � frutos pendentes são aqueles que ainda não foram colhidos, pois não estão no 
momento de serem retirados da coisa.
Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes 
da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até 
o dia da perda.
Lembre-se, na restituição, o dono é o próprio credor.
O credor sofre a perda porque ele é o dono.
Ex.: se até o dia da perda da coisa, o devedor pagava ao credor aluguel pelo uso do celular, 
serão devidos os aluguéis até o dia do perecimento, se ocorreu sem culpa do devedor.
Se houver culpa, aplicaremos o artigo 239: Se a coisa se perder por culpa do devedor, res-
ponderá este pelo equivalente, mais perdas e danos.
Mas e se for caso de deterioração, já mencionamos nos quadros anteriores, aplicaremos 
o artigo 240: Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, recebê-la-á o credor, 
tal qual se ache, sem direito a indenização; se por culpa do devedor, observar-se-á o disposto 
no art. 239.
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Agora, diferente de se tratar de perecimento e deterioração, é a questão de acrescidos e 
melhoramentos na restituição. Como vimos, na entrega os melhoramentos e acrescidos são 
do devedor, por ser o dono, podendo exigir aumento no preço, mas e na restituição?
Bem, aqui aplicaremos os seguintes artigos:
Art. 241. Se, no caso do art. 238, sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa, sem despesa ou 
trabalho do devedor, lucrará o credor, desobrigado de indenização.
Art. 242. Se para o melhoramento, ou aumento, empregou o devedor trabalho ou dispêndio, o caso 
se regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidorde bo-
a-fé ou de má-fé.
Parágrafo único. Quanto aos frutos percebidos, observar-se-á, do mesmo modo, o disposto neste 
Código, acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé.
Quando o melhoramento ocorrer na restituição é preciso analisar se aquele que deve resti-
tuir deve ser ressarcido pelo acréscimo. Lógico, se ele acrescentou algo ao bem e irá devolver 
o bem ao dono, deverá ser indenizado pelo acréscimo. Concorda?
Ou seja, precisamos saber se o devedor trabalhou para aquele acréscimo ou não.
Em caso negativo, este não possui direito a nada, mas se sim, o credor deverá indenizá-lo.
Aqui aplica-se a regra do possuidor de boa-fé ou má-fé (art. 1219 e 1220 do CC).
Qualquer possuidor (boa-fé ou má-fé) poderá realizar qualquer tipo de benfeitoria.
O que define as benfeitorias é a destinação dela e não quem faz essa benfeitoria.
Lembre-se que temos as seguintes benfeitorias: necessárias, úteis e voluptuárias.
Lembra do conceito? O artigo 96 do Código Civil define:
Art. 96. As benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias.
§ 1º São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, 
ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor.
§ 2º São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem.
§ 3º São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore.
O possuidor que realiza essas benfeitorias deve ser indenizado?
O possuidor de boa-fé, sim, por todas as benfeitorias. Quando se tratar de 
benfeitorias útil ou necessária, ele terá o direito de retenção do bem.
Na benfeitoria voluptuária, ele terá o direito de levantamento, caso não 
atrapalhe a estrutura do bem.
O possuidor de má-fé, se tratando de benfeitoria necessária, terá direito a indenização, 
mas sem retenção.
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No que tange a benfeitoria útil e voluptuária, não terá direito a indenização.
Mas qual o valor que o credor vai pagar por essa benfeitoria?
Ao possuidor de boa-fé, deve-se pagar o valor atual da benfeitoria.
Ao possuidor de má-fé, pagará o valor atual ou o valor de custo, evidentemente, pagará 
que for de menor valor.
Veja os artigos:
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, 
bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem 
detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias 
e úteis.
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe 
assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias.
Art. 1.222. O reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé, tem o direi-
to de optar entre o seu valor atual e o seu custo; ao possuidor de boa-fé indenizará pelo valor atual.
CUIDADO: em se tratando de LOCATÁRIO, a lei do inquilinato (Lei n. 
8245/91), trabalha de maneira diferente as benfeitorias e as indeniza-
ções por parte do locador, deve-se ler o art. 35 e 36.
O locatário tem direito a indenização pelas benfeitorias necessárias, 
pelas benfeitorias uteis apenas quando houver o consentimento do lo-
cador e as voluptuárias não terá direito, mas tudo decorre da autonomia 
da vontade.
Art. 35. Salvo expressa disposição contratual em contrário, as benfeitorias necessárias introduzi-
das pelo locatário, ainda que não autorizadas pelo locador, bem como as úteis, desde que autori-
zadas, serão indenizáveis e permitem o exercício do direito de retenção.
Art. 36. As benfeitorias voluptuárias não serão indenizáveis, podendo ser levantadas pelo locatário, 
finda a locação, desde que sua retirada não afete a estrutura e a substância do imóvel.
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E quando a obrigação é de entregar coisa incerta? Tem-se à aplicabilidade da escolha e, 
evidentemente, a partir do momento que ocorre a escolha a coisa está individualizada, apli-
cando-se as regras da obrigação de dar, possuindo algumas peculiaridades...
Quando nos referimos à coisa incerta, falamos de uma indeterminabilidade temporária.
Exemplo: eu digo que vou te dar o celular. Qual?
Este que estou segurando, no estado em que se encontra, com alguns defeitos.
Mas, eu posso, também, dizer que vou te dar UM iPhone.
Perceba que eu defini a quantidade e o gênero, mas, ainda assim, não indiquei o aparelho 
exato que vou te entregar, porque existem milhares de celulares dessa maraca no planeta.
Em dado momento, eu teria que delimitar, exatamente, qual seria o objeto da entrega.
É o momento da escolha.
As obrigações de dar coisa incerta, onde se define o gênero e a quantidade do 
objeto, são também denominadas de “obrigações genéricas”.
Essa incerteza gera uma certa indeterminabilidade, embora ela seja temporária.
No nosso exemplo, em dado momento, deveria ser definido qual o modelo 
exato do iPhone a ser entregue.
Essa indeterminabilidade se dá até o momento em que ocorre a escolha.
A partir de então, a obrigação será de entregar coisa CERTA e, com isso, aplicar-se-ão as 
regras do art. 233 a 242 do Código Civil.
Mas, a quem cabe a realização dessa escolha?
Existe alguma limitação para a escolha?
Art. 244. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a escolha pertence ao devedor, 
se o contrário não resultar do título da obrigação; mas não poderá dar a coisa pior, nem será obri-
gado a prestar a melhor.
Na obrigação de dar coisa incerta, em regra, a escolha incumbe ao devedor.
Perceba que destacamos o termo “em regra”.
Isto porque, excepcionalmente, é possível que o contrato estabeleça que a escolha caberá 
ao credor.
O contrato poderia definir que um terceiro fará a escolha?
Entendemos que sim, aplicando, por analogia, o disposto no artigo1.930 do CC, vejamos:
Art. 1.929. Se o legado consiste em coisa determinada pelo gênero, ao herdeiro tocará escolhê-la, 
guardando o meio-termo entre as congêneres da melhor e pior qualidade.
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Art. 1.930. O estabelecido no artigo antecedente será observado, quando a escolha for deixada a ar-
bítrio de terceiro; e, se este não a quiser ou não a puder exercer, ao juiz competirá fazê-la, guardado 
o disposto na última parte do artigo antecedente.
Portanto, seria possível que a escolha fosse deixada ao arbítrio de terceiro.
Vale lembrar que, caso o contrato seja silente a esse respeito, aplica-se a regra: a escolha 
caberá ao devedor.
Ao momento da escolha, denominamos “momento de concentração de escolha”.
Aqui, aplica-se o já mencionado art. 244 do CC, que prega que o devedor não será obriga-
do a prestar coisa pior, nem melhor.
Portanto, seguirá a razoabilidade, a média.
Se a escolha se der ainda no cumprimento da obrigação, não havendo demanda judicial, 
o credor poderá rejeitá-la.
Mas e se isso ocorrer no curso de um processo judicial?
Imagine que eu dei entradaem uma ação contra você, cobrando o cumprimento de uma 
obrigação de entregar coisa incerta, escolhendo uma coisa muito melhor do que média rela-
cionada à coisa avençada.
Ou então, cabendo a escolha ao devedor, eu, na qualidade de credora, rejeitei a escolha.
Nessa oportunidade, eu ajuízo uma ação de consignação em pagamento e apresen-
to a coisa.
Você fica irritado, porque a coisa tem uma qualidade fora do razoável.
Evidentemente, você fará uso do Código de Processo Civil, sendo que os artigos 806 a 810 
tratam da execução para entrega de coisa certa, ao passo que os artigos 811 a 813 tratam da 
execução para entrega de coisa incerta.
Código de Processo Civil:
Art. 811. Quando a execução recair sobre coisa determinada pelo gênero e pela quantidade, o exe-
cutado será citado para entregá-la individualizada, se lhe couber a escolha. Parágrafo único. Se a 
escolha couber ao exequente, esse deverá indicá-la na petição inicial.
Art. 812. Qualquer das partes poderá, no prazo de 15 (quinze) dias, impugnar a escolha feita pela 
outra, e o juiz decidirá de plano ou, se necessário, ouvindo perito de sua nomeação.
Art. 813. Aplicar-se-ão à execução para entrega de coisa incerta, no que couber, as disposições da 
Seção I deste Capítulo.
Feita a escolha, serão seguidas as regras da execução de obrigação de dar coisa certa.
Se a escolha for extrajudicial, poderá ocorrer a rejeição.
Todavia, sendo ela judicial, poderá haver a impugnação, aplicando-se a regra do art. 812 
do CPC (“Incidente de impugnação de escolha”).
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DIREITO CIVIL
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Como você pode observar, as regras do direito material a respeito das obrigações estão 
intimamente ligadas às regras do direito processual acerca da execução.
É comum ouvirmos a expressão que diz que “o gênero nunca perece”. Se eu me compro-
meto a te entregar UM iPhone, eu não posso alegar perecimento, porque o gênero não perece.
No entanto, seria equivocado afirmar que o gênero NUNCA perece.
E se a obrigação fosse de entregar um animal que estivesse em extinção?
O professor Pablo Stolze4 faz uma ponderação reflexiva que vamos destacar:
Art. 246, CC. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, ainda 
que por força maior ou caso fortuito.
O mencionado artigo faz essa referência de que “o gênero nunca perece”.
Mas o nível da sua prova requer um maior aprofundamento, então você precisa saber que 
se o gênero for limitado na natureza, pode, sim, perecer.
Pablo Stolze cita o exemplo do animal em extinção.
Merece destaque, também, o fato de que o juiz poderá fixar astreintes, que são multas ju-
diciais fixadas para compelir o sujeito a cumprir a obrigação – meios indiretos ou coercitivos 
–, ao determinar o cumprimento da obrigação.
As astreintes poderão ser fixadas pelo juiz do conhecimento ou da execução.
Vale lembrar que as astreintes não podem ter efeito perverso, como, por exemplo, ultra-
passar demasiadamente o valor da obrigação principal.
Se isso acontecer, o juiz poderá manipular o quantum dessas multas.
A obrigação de entregar coisa, por sua vez, pode se referir a qualquer coisa (um copo, uma 
caneta, dinheiro...).
Isso, no Direito Civil!
Porém, o legislador processual optou por diferenciar coisas e dinheiro, o que não ocorre 
aqui no direito material. Aqui é tudo coisa.
No Processo Civil há um procedimento para a entrega de coisas e outro para pagar quan-
tia, com regras específicas.
Por isso, quando falamos de astreintes no Processo Civil, significa dizer que, na verdade, 
nesse campo, as astreintes são fixadas para a entrega de coisa que não seja dinheiro.
Se for dinheiro, existe uma multa fixa, legal, tanto para o título judicial quanto para o ex-
trajudicial.
4 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Manual De Direito Civil – Volume Único – 3ª Ed. 2019. Saraiva.
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b) Obrigação de fazer
É a obrigação que tem por objeto a prestação de um fato, podendo ser personalíssima 
(infungível) ou não personalíssima (fungível).
Abrange o serviço humano em geral, seja material ou imaterial.
Constitui-se de atos e serviços – qualquer atividade lícita, possível e vantajosa, por exem-
plo: a pessoa contrata um advogado para redigir um contrato; contrata cantor para cantar na 
festa de casamento; contrata um pedreiro para construir uma casa, dentre outras variadas 
possibilidades de obrigação de fazer.
Assim como a obrigação de dar, a obrigação de fazer é uma obrigação positiva. É a obri-
gação de prestar atividade humana que seja lícita e possível.
É um dever positivo de prestação de um “serviço” humano geral que deve ser lícito.
Por isso, a obrigação de fazer é uma prestação positiva.
Quanto à possibilidade de substituição, classifica-se em:
🍒 Fungível: a obrigação pode ser prestada pelo próprio devedor, mas, caso ele não possa 
ou não queira prestar a obrigação, poderá indicar um terceiro.
Tem a característica da substitutividade.
Exemplo: eu contrato um pedreiro para construir um muro em minha casa. Isso é um 
contrato lícito de prestação de serviços, com uma obrigação de fazer. Se o pedreiro estiver 
impossibilitado ou não quiser realizar o serviço, poderá indicar um terceiro, com a mesma 
qualificação, para fazê-lo.
🍒 Infungível: é insubstituível.
A obrigação só poderá ser cumprida pelo próprio devedor.
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Ocorre quando você contrata um sujeito para que ele realize determinada ação, fazen-
do constar no contrato que somente ele poderá prestar o serviço, ou nos casos em que há 
presunção de infungibilidade, em que você contrata o profissional exclusivamente por suas 
qualidades.
Exemplo: eu contrato Ivete Sangalo para cantar na minha festa de casamento. Não é neces-
sário que a infungibilidade conste no contrato, uma vez que ela é inerente à própria situação. 
Se eu contratei a Ivete, eu não quero a Cláudia Leitte, ainda que ela também seja uma cantora 
famosa.
A partir dessa análise, podemos verificar como vamos resolver o inadimplemento de uma 
obrigação de fazer.
Se não houver culpa do devedor resolve-se a obrigação.
O problema é se houver culpa do devedor.
Nesse caso, se o devedor não cumprir a obrigação de fazer por sua vontade, ou seja, por 
sua culpa, precisamos saber se a obrigação é fungível ou infungível.
Se for infungível, somente pode ser cumprida pelo devedor, caso ele não cumpra haverá 
obrigação de indenizar por perdas e danos; se, por outro lado, for fungível, pode pedir que a 
obrigação seja cumprida por terceiro ou perdas e danos (art. 816 do CPC).
Não é possível cobrar os dois, pois correria o risco de haver enriquecimento ilícito (rece-
beria duas vezes pela mesma coisa).
Se você contratar o terceiro, deverá ser ressarcido por isso. Você pode antecipar o paga-
mento do terceiro e, posteriormente, cobrar o valor ao devedor principal.
Havendoemergência ou urgência, é possível a contratação sem autorização judicial, às 
custas do devedor.
Notadamente, as obrigações em geral possuem íntima ligação com o direito processual 
civil, especialmente, no estudo do processo de execução, pois quando se fala em execução 
tem-se o cumprimento de uma obrigação (direito subjetivo de crédito).
Assim sendo, o princípio da especialidade é a busca da tutela específica, ou seja, é conce-
der aquilo que foi pactuado entre as partes; que é de direito do credor.
Diante disso, as técnicas executivas devem ser suficientes para alcançar ao credor a tu-
tela específica.
As técnicas indiretas executivas de coerção que são utilizadas para fazer cumprir uma 
obrigação podem ser de duas modalidades:
• prisão, utilizada para prisão civil do devedor de alimentos;
• multas, que podem ser: o multas legais (previstas na lei – obrigação de dar quantia 
certa) ou multas judiciais – astreintes (podem ser fixadas pelo juiz na sentença e na 
execução, não transitam em julgado, pode ser majorada se insuficiente, ou reduzida se 
excessivamente onerosa).
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Vale mencionar que as astreintes são fixadas de acordo com o caso concreto e a favor 
do credor.
Assim, importante observarmos o disposto nos artigos 814 e seguintes do Código de Pro-
cesso Civil:
Art. 814. Na execução de obrigação de fazer ou de não fazer fundada em título extrajudicial, ao 
despachar a inicial, o juiz fixará multa por período de atraso no cumprimento da obrigação e a data 
a partir da qual será devida. (astreintes) Parágrafo único. Se o valor da multa estiver previsto no 
título e for excessivo, o juiz poderá reduzi-lo.
Art. 815. Quando o objeto da execução for obrigação de fazer, o executado será citado para satis-
fazê-la no prazo que o juiz lhe designar, se outro não estiver determinado no título executivo.
O artigo 815 não define o prazo porque dependerá do que deve ser feito. O prazo para re-
digir um contrato, por exemplo, poderá ser de 20 dias, enquanto o prazo para construir uma 
casa deverá ser maior. Isso deverá ser analisado à luz do caso concreto.
c) Obrigação de não fazer
A obrigação de não fazer tem por objeto uma prestação negativa, um comportamento 
omissivo do devedor, e está regulado nos artigos 250 e 251 do CC.
É um dever de abstenção de um fato. Desse modo, a execução da obrigação de não fazer, 
é um fazer, e o credor requererá o desfazimento daquilo que não deveria ser sido feito.
É um dever negativo, um dever geral de abstenção (não faça!).
Enquanto na obrigação de fazer o inadimplemento ocorre quando o devedor não faz o que 
se comprometeu, na obrigação de não fazer o inadimplemento ocorre quando ele FAZ o que 
se comprometeu a não fazer.
Então veja:
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Adimplemento: NÃO faz.
Inadimplemento: faz.
Exemplo: se você diz para eu não colocar a caneta em cima da mesa, enquanto ela estiver na 
minha mão (e não na mesa), eu estarei adimplente.
A partir do momento que eu colocar a caneta em cima da mesa, estarei inadimplente.
A violação do não fazer é um fazer!
Em eventual processo de execução, haverá determinação para que o devedor desfaça o 
que ele fez. Sendo assim, havendo inadimplemento, surgirá uma obrigação positiva (fazer), 
que será desfazer o que foi feito.
No nosso exemplo da caneta, a ação de execução seria para determinar a retirada da ca-
neta de cima da mesa (desfazer).
O “desfazer” é um fazer, uma obrigação positiva.
Pode decorrer de um contrato ou da própria lei.
Veja, ainda, que a obrigação de não fazer pode ser dividida em:
🍒 Instantânea: também chamada de “transeunte”. É uma obrigação irreversível. Não ad-
mite desfazimento.
Exemplo: imagine que a Coca-Cola te contrata, sob a condição de que você não revele os 
segredos da marca. Se você revela os segredos para alguém, isso será irreversível. Isso só 
poderá ser solucionado com perdas e danos.
🍒 Permanente: admite desfazimento. É reversível.
Exemplo: no direito de vizinhança, há a previsão para que não se construa a menos de 1,5 
m do muro do vizinho. Em área rural, a distância é de 3 m. Caso você construa nessa área, 
poderá desfazer a obra. Por isso, é reversível. Quem cumpre essa obrigação é o próprio deve-
dor. Diante da sua impossibilidade, o credor poderá contratar terceiro (com a devida restitui-
ção posterior) e indenizar em perdas e danos, conforme art. 823 do CPC.
Perceba que não é um OU outro. É um E outro.
Isto porque, além da obrigação de desfazer, o devedor responderá pelas perdas e danos 
pela violação do contrato.
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Bom, vimos as regras sobre as modalidades clássicas de obrigação.
Agora, vamos dar continuidade, mas observe que as obrigações que vamos conversar 
agora levam em consideração essas modalidades clássicas de dar, fazer e não fazer.
Na aula de bens, vimos uma classificação base (bens móveis e imóveis) e todas as outras 
delas derivam. O mesmo ocorre com as obrigações: temos uma classificação base (dar, fazer 
e não fazer) e o resto deriva disso.
2.4. obrIgação alternatIva
Obrigações alternativas são aquelas em que há uma pluralidade de objetos, desde o início 
o devedor se compromete a cumprir uma prestação em caráter alternativo, ele só irá se deso-
brigar cumprindo um objeto ou outro.
As obrigações alternativas não envolvem incertezas, mas envolve a prestação dois obje-
tos ou mais, por exemplo, “você tem que me entregar o carro preto ou o carro vermelho”.
São caracterizadas pelo “ou”.
Possuem mais de uma forma de satisfação da obrigação.
Existe uma única obrigação que pode ser satisfeita de mais de uma forma.
Exemplo: eu digo para você me entregar 50 computadores OU 50 impressoras; nós tere-
mos uma obrigação que consiste em um “dar” (“entregar”), mas o “ou” vai indicar que ela 
é alternativa.
Você deve lembrar que, no âmbito das obrigações, via de regra, a escolha cabe ao devedor.
Em regra, dar-se-á ao devedor a alternativa de escolha.
Contudo, nada impede que seja estipulado de forma diversa, por exemplo, pactuam que a 
escolha será do credor; do terceiro; por sorteio etc. (art. 252 do CC).
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Desse modo, se eventualmente o credor interpuser uma ação de execução decorrente 
de um título executivo extrajudicial em face do devedor, a qual prevê o cumprimento de uma 
obrigação alternativa, deve-se oportunizar ao devedor seu direito de escolha.
Retomando o exemplo que dei acima, se o devedor deve

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