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Tema: 
Contrato de Seguro
Disciplina: Contratos Empresariais
Professora: Karin Cristina Bório Mancia
Seguro
1. Noções gerais – Conceito - Características:
• Origem na Idade Média: preocupação com os
riscos inerentes ao transporte marítimo;
• A partir do século XIX: generalização do
seguro; seguro marítimo deu origem a várias
modalidades de proteção ao risco.
Seguro
• Conceito doutrinário: “contrato [...] em que
uma empresa assume a obrigação de ressarcir o
prejuízo sofrido por outrem, em virtude de
evento incerto, mediante pagamento de certa
importância” (Fran Martins, 2019)
• Conceito legal: art. 757, CC. “Pelo contrato de
seguro, o segurador se obriga, mediante o
pagamento do prêmio, a garantir interesse
legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a
coisa, contra riscos predeterminados.”
Seguro
• Partes: (i) Segurado, que paga o prêmio; (ii) o
Segurador, que em troca do recebimento deste prêmio
assume a obrigação de garantir o segurado contra os
riscos preestabelecidos;
• Benefíciário: quem receberá da seguradora a
importância do seguro;
• Art. 757, § único, CC: Somente pode ser parte como
segurador entidade para tal fim legalmente autorizada;
• Prova do contrato de seguro: art. 758, CC – é um
contrato consensual;
• O contrato de seguro é típico contrato de adesão.
Seguro
• As cláusulas do contrato de seguro são
regulamentadas por um órgão estatal
específico, a Superintendência de Seguros
Privados (SUSEP), na forma do Decreto-lei
73/1966 (com alterações introduzidas pela
LC 126/2007) – contrato dirigido;
• Característica típica: mutualidade (forma
de socialização dos riscos entre os diversos
segurados); cálculo atuarial (probabilidade
de ocorrer o evento risco).
Seguro
• Forte regulamentação estatal: o Poder Público
assume papel de regulamentador e fiscal do sistema
de seguros; Sistema Nacional de Seguros Privados
(Dec.-lei 73, 21.11.1966).
• Sistema Nacional de Seguros Privados: a) Conselho
Nacional de Seguros Privados (CNSP) –
regulamentadora; b) Superintendência de Seguros
Privados (SUSEP) – executiva; c) Resseguradores
(art. 8º, c, Dec.-lei 73/1966); d) sociedades
seguradoras (S/A autorizadas); e) corretores
(pessoas físicas ou jurídicas) – art. 775, CC.
Seguro
• Ramos: a) seguro social; b) seguro privado.
2. Classificação:
– Bilateral;
– Oneroso;
– Consensual;
– Aleatório ou Comutativo???
Seguro
• Segundo Fábio Ulhoa Coelho (2014, p. 185)
“Com a entrada em vigor do Código Civil de 2002 e a
significativa mudança na definição legal da obrigação
da seguradora (que passa a ser de garantir interesse
legítimo do segurado), [...] o seguro deve ser
considerado contrato comutativo porque inexiste álea
na obrigação contraída pela seguradora”.
Seguro
3. Regras gerais: art. 757 a 777, CC.
• Art. 759, CC – proposta escrita;
• Art. 765, CC – boa-fé objetiva;
• Art. 766 e § ún, CC – declarações inexatas;
• Art. 760 e § ún, CC – apólice;
• Art. 761, CC – cosseguro;
• Art. 763, CC – mora – caracterização – STJ
necessário interpelação ?
Seguro
• Súmula 616. A indenização securitária é devida
quando ausente a comunicação prévia do segurado
acerca do atraso no pagamento do prêmio, por
constituir requisito essencial para a suspensão ou
resolução do contrato de seguro.
• Art. 768, CC – agravamento intencional;
embriagues em acidente de trânsito (REsp 1.485.717/SP,
DJE 14/12/2016).
• Art. 769, CC – obrigação de comunicar à
seguradora;
• Art. 770, CC – diminuição do risco – reduz o
prêmio?
• Art. 771, CC – sinistro. Pagamento em dinheiro –
art. 776, CC.
Seguro
4. Espécies:
4.a. Seguro de dano (art. 778 a 788, CC): visam
amparar os riscos a que estão sujeitas as coisas,
decorrentes dos danos de um evento incerto;
• Finalidade: recomposição patrimonial;
indenizar o prejudicado por todas as perdas
materiais suportadas em seu patrimônio;
• CC, art. 778: limite do valor do interesse
segurado quando da conclusão do contrato;
Seguro
• Os seguros de danos se subdividem em:
a) Seguros de coisas propriamente ditos:
abrangendo prejuízos sofridos pelo
segurado em seu patrimônio pessoal;
b) Seguro de responsabilidade civil: aquele
que garante o pagamento de danos
causados pelo segurado a terceiro, por atos
ilícitos, ou seja, sua finalidade consiste em
indenizar prejuízo ocasionado em
consequência da responsabilidade do
segurado perante terceiro.
Seguro
• CC, art. 781: indenização - limite - valor do
bem no momento da ocorrência do sinistro;
» O proponente precisa dimensionar o valor do bem a
ser garantido previamente ao início da vigência do
seguro, mas ele somente saberá se o valor definido por
ele foi adequado, na data da ocorrência do sinistro,
porque é neste momento que se compara o valor
contratado (definido pelo segurado), com o valor do
bem (apurado pela seguradora), ou seja, em regra o
contratante somente ficará sabendo em momento
posterior à contratação, considerando que o prazo de
vigência do contrato é, via de regra, de 12 (doze)
meses.
Seguro
• Em resumo: ocorrência do sinistro =
recomposição do patrimônio.
• Natureza INDENIZATÓRIA;
• Pode o segurado optar por segurar seu
interesse por valor inferior ao que ele
efetivamente vale (infrasseguro)?
• Sobresseguro (mesmo interesse): possível?
• Cosseguro (parciais): possível?
Seguro
• Após ser indenizado pelo segurador, o segurado
não poderá pleitear o recebimento de
indenização do causador do dano, sub-
rogando-se o segurador nos direitos daquele
em relação aos direitos e ações que lhe
competirem.
• A seguradora tem o direito de demandar o
ressarcimento dos danos sofridos pelo segurado
depois de realizada a cobertura do sinistro,
sub-rogando-se nos direitos anteriormente
titularizados pelo segurado, nos termos do
artigo 786 do Código Civil e da Súmula 188 do
STF.
Seguro
• Seguro de responsabilidade civil: art. 787,
CC;
• Assunto super debatido, especialmente no
âmbito das grandes sociedades empresárias
(especialmente) anônimas – seguro de
responsabilidade civil dos administradores
(famosíssimo D & O, que significa Directors
and Officers);
Seguro
• Seguros contratados de forma obrigatória:
art. 788, CC;
Art. 788. Nos seguros de responsabilidade legalmente
obrigatórios, a indenização por sinistro será paga
pelo segurador diretamente ao terceiro prejudicado.
Parágrafo único. Demandado em ação direta pela
vítima do dano, o segurador não poderá opor a
exceção de contrato não cumprido pelo segurado, sem
promover a citação deste para integrar o
contraditório.
• Mais conhecido é o DPVAT – Seguro
Obrigatório de Danos Pessoais Causados
por Veículos Automotores (prêmio é pago pelos
proprietários dos veículos junto com o IPVA).
Seguro
• Quem é o polo passivo em uma ação de
cobrança do seguro DPVAT?
DIREITO CIVIL. SEGURO OBRIGATÓRIO. VEÍCULOS IDENTIFICADOS.
LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DE QUALQUER
SEGURADORA. A indenização do seguro obrigatório (DPVAT) pode ser cobrada de
qualquer seguradora que opere no complexo, mesmo antes da vigência da Lei n.
8.441/92, independentemente da identificação dos veículos envolvidos na colisão ou
do efetivo pagamento dos prêmios. Precedentes. Recurso especial conhecido e
provido. (REsp 602.165/RJ, Rel. Min. CESAR ASFOR ROCHA, QUARTA TURMA,
DJ 13.9.2004)
• Súmula 257, STJ: A falta de pagamento do
prêmio do seguro obrigatório de danos pessoais
causados por veículos automotores de vias
terrestres (DPVAT) não é motivo para a recusa
do pagamento da indenização.
Seguro
4.b. Seguro de pessoa:
• Objeto: prestação devida em caso de morte, ou
sobrevivência do segurado ou de acidentes
pessoais com morte;
• O segurador obriga-se a efetuar o pagamento
de uma determinada quantia previamente
estipulada em contrato a uma determinada
pessoa que dele será beneficiária, e se o seguro
for de acidentes pessoais, poderá ser o próprio
segurado o beneficiário.
Seguro
• Visam assegurar a pessoa humana dos riscos
de lesão, morte, saúde, moléstia, invalidez,
etc, que lhe podem sobrevir no curso da
existência do segurado.
• Os seguros de pessoasse subdividem em:
i) Seguros de vida: com base na duração da
vida, visam garantir a herdeiros do segurado
ou terceiros-beneficiários por ele indicado, no
caso de sua morte, o pagamento de quantia
certa, renda ou outro benefício;
Seguro
ii) Seguros contra acidentes corporais: visam
garantir uma prestação de um capital no caso
de sobrevir acidente à pessoa segurada – lesão
à integridade física – no caso de ficar enfermo
ou inválido, tornando-o incapaz (temporária
ou permanentemente), parcial ou totalmente,
para o exercício de qualquer atividade
profissional;
Seguro
• Ainda, quanto ao número de segurados por
apólice:
i) Seguros de vida individuais;
ii) Seguros de vida coletivos ou seguros de grupo
(geralmente pertencentes a uma empresa,
associação ou entidade pública).
Seguro
• Não respeita nenhum limite quanto ao
valor devido pelo segurador em caso de
sinistro.
• Permitida a estipulação de mais de um
seguro relacionado a uma mesma pessoa.
• Natureza NÃO É indenizatória.
• Código Civil, art. 789 – capital segurado;
Seguro
• Geralmente é feito pela própria pessoa cuja
vida está sendo segurada, mas pode ocorrer
que alguém venha a segurar a vida de um 3º
indicando a si próprio como beneficiário – CC,
art. 790.
• Permite-se que se institua seguro em benefício
do companheiro(a).
• Capital pago em caso de morte não integra o
espólio – CC, art. 794. Paga-se diretamente ao
beneficiário e não se paga imposto de
transmissão ‘causa mortis’.
Seguro
• Suicídio e o seguro de vida: artigo 798, e
Súmula 610 do STJ: “O suicídio não é
coberto nos dois primeiros anos de vigência
do contrato de seguro de vida, ressalvado o
direito do beneficiário à devolução do
montante da reserva técnica formada” – art.
797, par un, CC. (Cancelada – Sum. 61 do
STJ);
• Absoluta irrelevância da premeditação!
Seguro
• Art. 799, CC: morte causada em virtude de
transporte arriscado ou da prática de
esportes perigosos – não exime o segurador;
• Art. 800, CC: contrariamente ao seguro de
dano, no seguro de pessoas, o segurador
não pode sub-rogar-se nos direitos e ações
do segurado, ou do beneficiário, contra o
causador do sinistro.
Seguro
5. Seguros empresariais
• Seguro pode ser civil ou empresarial. Este
último se caracteriza quando o segurado é
empresário e a garantia um insumo da
empresa; ausente qualquer desses elementos, é
civil o seguro;
• Aplica-se o CDC aos seguros civis (relação de
consumo entre as partes);
• No seguro empresarial, o CDC só se aplica em
favor do segurado se demonstrada a sua
vulnerabilidade em face da seguradora.
Seguro
▪ Principais seguros empresariais:
i) Seguro agrícola – empresário agricultor/ riscos de
perda de sua plantação;
ii)Seguro de crédito – contratado pelo empresário que
fornece crédito a outros empresários ou mesmo a
consumidores (insolvência do devedor);
iii)Seguro de responsabilidade civil – pex.
fornecedor/acidente de consumo. Ainda,
profissionais liberais;
iv)Seguro de transporte: riscos do transporte.
Seguro
6. Resseguro e retrocessão
•Resseguro: é o seguro do seguro; tem como
objetivo pulverizar o risco.
•Resseguro: “instrumento de distribuição da
cobertura de risco entre 2 companhias, sendo uma
delas a seguradora, que contrata com os
segurados, e a outra, a resseguradora, que cobre
parte da prestação, na hipótese de verificação do
sinistro”. (Fábio Ulhoa Coelho, 2014, 181).
Seguro
• Resseguro: LC 126/2007;
• Resseguro X Cosseguro: neste último, há a
contratação de vários seguros parciais em
relação ao mesmo interesse, sendo a soma das
indenizações limitadas ao valor do bem; no
resseguro, o segurado contrata como o
segurador, que por sua vez irá contratar com o
ressegurador, não havendo nenhuma obrigação
para com o segurado.
Seguro
• Retrocessão: cessão de um ressegurador a
outro ressegurador de parcela ou da totalidade
do risco assumido.
• Retrocessão é o resseguro do resseguro.
Seguro
7. Decisões recentes – entendimento STJ:
➢Transportadora não recebe valor de seguro se
não fizer registro de carga (averbação de carga
perante a seguradora);
➢O pedido do pagamento de indenização à
seguradora suspende o prazo de prescrição até
que o segurado tenha ciência da decisão.
(Súmula 229 do STJ)
Seguro
➢No seguro de automóvel, é lícita a cláusula
contratual que prevê a exclusão da cobertura
securitária quando comprovado pela
seguradora que o veículo sinistrado foi
conduzido por pessoa embriagada ou drogada.
➢Súmula 609 do Superior Tribunal de Justiça:
“a recusa de cobertura securitária, sob a
alegação de doença preexistente, é ilícita se
não houve a exigência de exames médicos
prévios à contratação ou a demonstração de
má-fé do segurado”.

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