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MED UNIFTC 2022.2 – 7º semestre | Anna Beatriz Fonseca CÂNCER DE PÊNIS EPIDEMIOLOGIA Muito raro em países desenvolvidos; Incidência: 0,3 a 1/100.000 nos EUA, 4,2 a 4,4/100.000 Paraguai e Uganda; Brasil 1,3 a 2,7/100.000 Norte e NE do Brasil: Pico entre 60-70 anos e raro antes dos 20 anos de idade. FATORES PREDISPONENTES Principais: Higiene pessoal, fimose e HPV (correlação pouco esclarecida); Inflamação crônica (influência da limpeza): Balanopostite, líquen escleroso e atrófico e balanite xerótica; Tabagismo (subprodutos tóxicos saem pelo suor e se acumulam no esperma); Radiação ultravioleta. PATOLOGIA O tipo mais comum é o carcinoma escamocelular que possui variações: Clássico, verrucoso, basalóide, sarcomatóide (muito agressivo) e adenoescamoso. QUADRO CLÍNICO Lesão peniana crônica ulcerada ou vegetante com ou sem linfadenopatia inguinal. Varia desde lesões verrucosas (parecidas com HPV) até lesões ulceradas crônicas (> 1 mês): Úlceras crônicas começam a ser tratadas com ATB (vibramicina, doxiciclina) e já colhe biópsia (pode ser IST ou câncer). DIAGNÓSTICO Biopsia incisional da lesão - tanto verrucosa, quanto ulcerada, que deve pegar toda espessura até a parte de tecido saudável. A biopsia excisional sabe até onde a lesão vai – pode ser realizada em alguns casos. TRATAMENTO Amputação parcial/total do pênis: É preferível fazer a parcial se conseguir manter uma haste peniana suficiente para direcionar o jato da urina ou manter a vida sexual ativa; A total acompanha uretroscopia perineal, que realoca a uretra em região de períneo (abaixo do saco escrotal). Respectivamente, amputação parcial e total. Linfadenectomia Inguinal bilateral radical ou modificada. TUMORES TESTICULARES EPIDEMIOLOGIA Tumor raro que compreende 1 a 1,5% das neoplasias masculinas, mas, apesar disso, é o tumor sólido mais comum em homens entre 15 e 35 anos de idade. Incidência: 2,2 casos/100.000 habitantes (Brasil) - mais frequente em brancos que negros e amarelos; Taxa de cura > 90% a partir dos anos 90. FATORES DE R ISCO Criptorquidia (testículos não descidos); Atrofia testicular; Infertilidade; Desequilíbrio hormonal; História familiar Síndrome de Klinefelter; Presença de tumor contralateral. TIPOS TUMORES GERMINATIVOS (97%) Seminomas (40-45%): Clássico (mais comum), anaplásico e espermatocítico (mais comum em idosos); Tumores urogenitais tumores urogenitais UROLOGIA MED UNIFTC 2022.2 – 7º semestre | Anna Beatriz Fonseca Não seminomatosos (35-40%): Carcinoma embrionário (15- 20%), teratocarcinoma (20-25%), coriocarcinoma (0-1%), teratoma (8-10%). TUMORES NÃO GERMINATIVOS (RAROS) Tumor de células de Leydig; Tumor de células de Sertoli; Sarcomas; Linfomas e metástases. QUADRO CLÍNICO É inespecífico. Aumento do volume testicular (51 a 61%): Dor local (31 a 34%) - não é o mais frequente; Nódulo testicular palpável (23 a 31%) - bem frequente; Dor lombar e/ou abdominal (6%) - irradiação devido aos nervos locais; Antecedente de trauma escrotal (3 a 5%); Hidrocele (10%); Massa abdominal retroperitoneal (4%); Gânglios supraclaviculares e/ou inguinais (2%); Ginecomastia (2%) - distúrbios hormonais. DIAGNÓSTICO Geralmente faz o diagnóstico por imagem e o tipo de câncer é descoberto com anatopatológico em cirurgia. USG - imagem hipoecogênica; RMN (melhor para avaliação local); Marcadores tumorais: Alfafetoproteína, beta-HCG quantitativo e LDH (relacionado com o volume tumoral). ESTADIAMENTO TC de tórax sem contraste (avaliar pulmões); TC ou RNM de abdome (avaliar retroperitôneo); TC de crânio (avaliar metástase cerebral); Cintilografia óssea (avaliar comprometimento do esqueleto); PET-TC - avalia massas linfonodais residuais > 3cm. TRATAMENTO Não abre o testículo, pois isso viola o tumor, então deve fazer abertura na virilha (inguinotomia) com clampeamento precoce do cordão espermático para que a manipulação do testículo não leve células malignas para via linfática e pode atingir retroperitônio. Orquiectomia radical (ideal) – excelente resultado se associado com quimioterapia: Taxa de cura de cerca de 95% em estágios iniciais; Radioterapia não funciona. Linfadenectomia retroperitoneal – caso linfonodo positivo. Atentar para acervar os espermatozoides dos pacientes em idade fértil.