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Enfª. Andréia Saraiva- 2025 2 URGÊNCIA X EMERGÊNCIA A diferença entre urgência e emergência está na gravidade da situação e na necessidade de resposta médica. Urgência Definição: Situação que exige assistência rápida, mas que não apresenta risco iminente de morte. Exemplos: Fraturas simples. Crises de hipertensão sem complicações graves. Febre alta persistente. Tempo de Resposta: O atendimento deve ser realizado em curto prazo para evitar complicações. Emergência Definição: Condição crítica e potencialmente fatal que requer intervenção imediata para preservar a vida ou prevenir danos irreversíveis. Exemplos: Parada cardiorrespiratória. Infarto agudo do miocárdio. Traumas graves, como hemorragias extensas. Tempo de Resposta: Atendimento deve ser feito imediatamente, com prioridade máxima. DIRETRIZES DA REDE DE ATENÇÃO ÀS URGÊNCIAS, REDE DE ATENÇÃO ÀS URGÊNCIAS – (RAU) E CLASSIFICAÇÃO DE RISCO. A Rede de Atenção às Urgências (RAU) é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, criada para organizar e integrar os serviços de saúde voltados para situações de urgência e emergência. Aqui estão os principais aspectos: Diretrizes da Rede de Atenção às Urgências Objetivo: Reordenar a atenção à saúde em situações de urgência, garantindo acesso rápido e qualificado aos serviços. Componentes: Promoção e Prevenção: Atuação em saúde pública para reduzir riscos. Atenção Básica: Identificação precoce de condições que podem evoluir para urgências. SAMU 192: Atendimento móvel para casos graves. UPA 24h: Unidades de Pronto Atendimento para estabilização de pacientes. Sala de Estabilização: Espaços em unidades básicas para suporte inicial. Unidades Hospitalares: Atendimento especializado em casos complexos. Atenção Domiciliar: Cuidados em casa para pacientes com condições crônicas. Rede de Atenção às Urgências (RAU) Funcionamento: Integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde. Fluxos claros para encaminhamento de pacientes entre serviços. 3 Articulação entre promoção, prevenção, atendimento pré-hospitalar e hospitalar. Prioridades: Traumatologia, cardiovascular e cerebrovascular. Redução da morbimortalidade por acidentes e violências. Classificação de Risco Definição: Processo de triagem para identificar a gravidade do caso e priorizar o atendimento. Métodos: Protocolo de Manchester: Utiliza cores para classificar a urgência (vermelho, laranja, amarelo, verde e azul). Critérios: Baseados em sinais vitais, sintomas e condições clínicas. Objetivo: Garantir que os casos mais graves sejam atendidos primeiro, otimizando os recursos disponíveis. EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS: Emergências traumáticas exigem uma abordagem sistemática para garantir o manejo adequado das vítimas. Biomecânica do Trauma Definição: Estudo das forças envolvidas no trauma e seus efeitos no corpo humano. Cinemática do Trauma: Avaliação do mecanismo do trauma, como colisões, quedas ou impactos. Identificação de possíveis lesões com base na energia transmitida ao corpo. Importância: Permite prever lesões ocultas e orientar o atendimento inicial. Atendimento Inicial do Trauma Objetivo: Garantir a estabilização da vítima e prevenir complicações. Protocolo XABCDE: X (Exsanguinating): risco de morte causada pela perda grave de sangue. https://pt.wikipedia.org/wiki/Morte https://pt.wikipedia.org/wiki/Hemorragia 4 A (Airway): Garantir vias aéreas pérvias e proteger a coluna cervical. B (Breathing): Avaliar respiração e ventilação, tratar pneumotórax ou hemotórax. C (Circulation): Controlar hemorragias e estabilizar a circulação. D (Disability): Avaliar estado neurológico e nível de consciência. E (Exposure): Expor o paciente para identificar lesões, combatendo hipotermia. *AVDI: Alerta, Voz, Dor e Inconsciência. Avaliação Primária e Secundária Avaliação Primária: Foco em condições de risco imediato à vida. Realizada simultaneamente à reanimação, seguindo o protocolo XABCDE. Avaliação Secundária: Exame detalhado da cabeça aos pés após estabilização inicial. Inclui história clínica e exames complementares para identificar lesões ocultas. Técnicas Básicas de Imobilização Objetivo: Prevenir agravamento de lesões e garantir transporte seguro da vítima. Métodos: Uso de colar cervical para estabilização da coluna. Imobilização de membros com talas rígidas ou macias. 5 Fixação adequada do paciente em prancha rígida para transporte. Pneumotórax Hipertensivo Definição: Acúmulo de ar no espaço pleural, causando aumento da pressão intratorácica e colapso pulmonar. Sinais e Sintomas: Dispneia grave e cianose. Desvio da traqueia para o lado oposto. Hipotensão e choque. Tratamento: Descompressão imediata com agulha no segundo espaço intercostal. Inserção de dreno torácico para drenagem do ar. Pneumotórax Aberto Definição: Ferimento na parede torácica que permite a entrada de ar no espaço pleural. Sinais e Sintomas: Som de sucção na respiração. Hipóxia e dor torácica intensa. Tratamento: Cobertura do ferimento com curativo oclusivo em três lados. Inserção de dreno torácico para estabilização. Tórax Instável Definição: Fratura de múltiplas costelas em dois ou mais pontos, causando movimento paradoxal da parede torácica. 6 Sinais e Sintomas: Respiração irregular e dor intensa. Hipóxia progressiva. Tratamento: Ventilação assistida para estabilização. Fixação externa em casos graves. Tamponamento Cardíaco Definição: Acúmulo de líquido no pericárdio, impedindo o enchimento adequado do coração. Sinais e Sintomas: Hipotensão severa. Turgência jugular e abafamento de bulhas cardíacas. Tratamento: Pericardiocentese para drenagem do líquido. Suporte hemodinâmico e ventilatório. Choque: Tipos e Classificação Definição: Estado de hipoperfusão tecidual que leva à falência orgânica. Tipos: Hipovolêmico: Perda de volume sanguíneo (ex.: hemorragias). Cardiogênico: Disfunção do coração como bomba (ex.: infarto). Obstrutivo: Obstrução ao fluxo sanguíneo (ex.: embolia pulmonar). Distributivo: Alteração na distribuição do fluxo sanguíneo (ex.: choque séptico). Trauma Cranioencefálico (TCE) Definição: Lesão no crânio ou encéfalo causada por impacto ou forças externas. 7 Classificação: Leve: Escala de Glasgow 13-15. Moderado: Glasgow 9-12. Grave: Glasgow ≤ 8. Cuidados: Monitorar sinais neurológicos e pressão intracraniana. Garantir vias aéreas pérvias. Trauma Raquimedular Definição: Lesão na medula espinhal que pode causar déficits motores e sensoriais. Classificação: Completo ou incompleto, dependendo da preservação das funções abaixo da lesão. Cuidados: Imobilização imediata. Monitoramento de sinais vitais e prevenção de complicações. Coma Definição: Estado de inconsciência profunda com ausência de resposta a estímulos. Causas: Traumas, intoxicações, AVC, entre outros. Cuidados: Monitoramento contínuo. Avaliação neurológica frequente. Morte Encefálica Definição: Cessação irreversível das funções cerebrais. 8 Critérios Diagnósticos: Ausência de reflexos do tronco encefálico. Teste de apneia positivo. Importância: Base para doação de órgãos. Queimaduras Definição: Lesões causadas por calor, substâncias químicas, eletricidade ou radiação. Classificação: Primeiro grau: Apenas epiderme. Segundo grau: Epiderme e derme. Terceiro grau: Camadas mais profundas. Quarto grau: inervações e osso. Cuidados: Resfriar a área queimada. Prevenir infecções e tratar a dor. EMERGÊNCIAS CLÍNICAS Emergências clínicas exigem intervenção rápida para preservar a vida do paciente. Parada Cardiopulmonar (PCR) Definição: Cessação súbita da atividade cardíaca e respiratória. Sinais e Sintomas: Perda de consciência. Ausência de pulso e respiração. Conduta: Início imediato da reanimação cardiopulmonar (RCP). 9 Uso de desfibrilador externo automático (DEA), se disponível.Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) Definição: Obstrução de uma artéria coronária, causando isquemia e necrose do músculo cardíaco. Sinais e Sintomas: Dor torácica intensa e prolongada. Sudorese, náuseas e dispneia. Conduta: Administração de ácido acetilsalicílico (AAS) e nitratos. Monitoramento cardíaco e encaminhamento para unidade especializada. 10 Acidente Vascular Encefálico (AVE) Definição: Interrupção do fluxo sanguíneo cerebral, podendo ser isquêmico ou hemorrágico. Sinais e Sintomas: Déficits neurológicos súbitos (fraqueza, dificuldade na fala). Assimetria facial e perda de coordenação. Conduta: Identificação rápida pelo protocolo FAST (Face, Arms, Speech, Time). Encaminhamento urgente para avaliação neurológica. Crise Convulsiva Definição: Atividade elétrica anormal no cérebro, causando movimentos involuntários. Sinais e Sintomas: Perda de consciência e contrações musculares. Salivação excessiva e respiração irregular. Conduta: Proteger o paciente contra lesões. Não tentar conter os movimentos ou colocar objetos na boca. Edema Agudo de Pulmão (EAP) Definição: Acúmulo súbito de líquido nos pulmões, dificultando a troca gasosa. 11 Sinais e Sintomas: Dispneia intensa e sensação de sufocamento. Tosse com expectoração espumosa. Conduta: Administração de oxigênio e diuréticos. Monitoramento hemodinâmico e suporte ventilatório. EMERGÊNCIAS METABÓLICAS Cetoacidose Diabética (CAD): Definição: Complicação grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, cetonemia Sinais e Sintomas: Poliúria, polidipsia, náusea, vômito, hálito cetônico e desidratação. Tratamento: Administração de insulina, reposição de líquidos e correção de eletrólitos. Hipoglicemia: Definição: Nível de glicose no sangue abaixo de 70 mg/dL. Sinais e Sintomas: Sudorese, tremores, palpitações, confusão mental, tontura e convulsões. Tratamento: Administração de glicose oral ou intravenosa e monitoramento contínuo. Hiperglicemia: Definição: Nível elevado de glicose no sangue, geralmente acima de 200 mg/dL. Sinais e Sintomas: Poliúria, polidipsia, fadiga, visão turva e náusea. Tratamento: Ajuste de insulina e hidratação. 12 Intoxicação Intoxicação Exógena: Definição: Exposição a substâncias tóxicas, como medicamentos, produtos químicos ou drogas. Sinais e Sintomas: Náusea, vômito, alterações neurológicas, dificuldade respiratória e alterações cardíacas. Tratamento: Lavagem gástrica, administração de antídotos específicos e suporte ventilatório. Intoxicação por Animais Peçonhentos: Definição: Envenenamento causado por picadas ou mordidas de animais como cobras, aranhas e escorpiões. Sinais e Sintomas: Dor local, edema, necrose, alterações neurológicas e choque. Tratamento: Administração de soro antiveneno, controle da dor e monitoramento de complicações. ASPECTOS LEGAIS DO SOCORRISTA Socorrista: Profissional ou pessoa capacitada para prestar primeiros socorros em situações de emergência, garantindo suporte inicial até a chegada de atendimento especializado. Finalidade: Preservar a vida, prevenir complicações e oferecer conforto à vítima. Aspectos Legais do Socorrista Omissão de Socorro: No Brasil, a omissão de socorro é considerada crime, conforme o artigo 135 do Código Penal. O socorrista tem o dever de prestar assistência, desde que não coloque sua própria segurança em risco. Responsabilidade: O socorrista deve agir dentro dos limites de sua capacitação, evitando práticas que possam agravar a situação da vítima. Os 10 Mandamentos do Socorrista 1. Manter a calma: Garantir controle emocional para agir com eficiência. 2. Garantir a segurança: Priorizar a segurança do socorrista, da equipe e da vítima. 3. Pedir ajuda: Acionar serviços de emergência rapidamente. 13 4. Avaliar a situação: Identificar riscos e necessidades da vítima. 5. Liberar vias aéreas: Garantir a permeabilidade das vias respiratórias. 6. Verificar respiração: Avaliar se a vítima está respirando adequadamente. 7. Controlar hemorragias: Aplicar técnicas para estancar sangramentos. 8. Imobilizar lesões: Prevenir agravamento de fraturas ou traumas. 9. Proteger a vítima: Evitar exposição a novos riscos. 10. Ser socorrista, não herói: Agir com prudência e dentro dos limites da capacitação. Principais Atribuições do Socorrista Avaliação inicial: Identificar sinais vitais e condições da vítima. Intervenção imediata: Aplicar técnicas de primeiros socorros, como RCP e controle de hemorragias. Comunicação: Relatar informações importantes aos serviços de emergência. Educação: Promover conscientização sobre prevenção de acidentes e primeiros socorros. ENGASGO, ASFIXIA E MANOBRA DE HEINLICH. Engasgo e asfixia podem ser situações perigosas, mas a manobra de Heimlich é uma técnica eficaz para ajudar alguém que está sufocando devido à obstrução das vias respiratórias. Engasgo parcial: A pessoa ainda consegue tossir e respirar, então é importante incentivá-la a continuar tossindo para tentar expelir o objeto. Engasgo total: A pessoa não consegue respirar, falar ou tossir. Nesse caso, a manobra de Heimlich deve ser aplicada imediatamente. Como realizar a manobra de Heimlich: Em adultos e crianças maiores: 1. Fique atrás da vítima e envolva sua cintura com os braços. 2. Feche uma das mãos em um punho e posicione- a acima do umbigo. 3. Segure o punho com a outra mão e pressione para dentro e para cima com força. 4. Repita até que o objeto seja expelido. 14 Em bebês menores de um ano: 5. Coloque o bebê de bruços sobre seu antebraço, apoiando a cabeça. 6. Dê cinco tapas firmes entre as escápulas (nas costas). 7. Vire o bebê de barriga para cima e faça cinco compressões no peito com dois dedos. 8. Continue até que o objeto seja expelido ou a ajuda médica chegue. Se a vítima perder a consciência, chame imediatamente ajuda médica e inicie a reanimação cardiopulmonar (RCP). DESMAIO (SÍNCOPE) O desmaio é uma perda temporária de consciência causada pela redução do fluxo sanguíneo no cérebro. Pode ocorrer por diversos motivos, como: Causas: Queda de pressão arterial, problemas cardíacos, jejum prolongado, desidratação, estresse ou dor intensa. Sinais e sintomas: Tontura, palidez, suor frio, náusea, visão turva, fraqueza e sensação de desmaio iminente. Conduta: Se perceber que vai desmaiar, sente-se e abaixe a cabeça entre os joelhos ou deite-se com as pernas elevadas. Se alguém desmaiar, deite a pessoa de costas e eleve as pernas para melhorar o fluxo sanguíneo. Se não houver respiração ou pulso, chame emergência e inicie a ressuscitação cardiopulmonar (RCP). 15 DESIDRATAÇÃO A desidratação ocorre quando a perda de líquidos no corpo é maior que a reposição, causando desequilíbrio de eletrólitos. Pode afetar qualquer pessoa, mas é mais perigosa em bebês, crianças e idosos. Causas: Baixa ingestão de água, diarreia, vômitos, febre, diabetes, consumo excessivo de álcool. Sinais e sintomas: Sede intensa, boca seca, urina escura, fraqueza, tontura, dor de cabeça, cãibras musculares. Conduta: Casos leves: Aumentar a ingestão de líquidos e consumir soro caseiro. Casos graves: Buscar atendimento médico imediato, pois pode ser necessário soro intravenoso. Prevenção: Beber água regularmente, evitar exposição excessiva ao calor e manter uma alimentação equilibrada. Anotações __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________