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PLÁSTICA E 
ESTÉTICA
Jaqueline Ramos Grabasck
Sistemas de 
proporcionalidade e escala
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Explicar o que são proporção e escala.
  Reconhecer os principais sistemas de proporcionalidade.
  Identificar os fundamentos da escala.
Introdução
Com o passar dos anos, diversos estudos foram elaborados para gerar 
elementos referenciais que auxiliassem a elaboração de projetos arqui-
tetônicos que pudessem ser considerados belos e harmônicos, e todos 
esses projetos têm em comum a aplicação da proporção e da escala 
nas edificações.
Os sistemas de proporcionalidade resultam em projetos que trans-
mitem equilíbrio e, consequentemente, beleza perante o olhar do ser 
humano. Já a escala é responsável por garantir a correta compreensão 
da ideia do projetista, além de possibilitar o reconhecimento do conceito 
de cada ambiente por meio da sua ambientação.
Neste capítulo, você estudará sobre os conceitos de proporção e 
escala na arquitetura, reconhecendo os principais sistemas de proporcio-
nalidade aplicados em obras com o passar dos anos. Também será capaz 
de diferenciar o uso da escala humana e da escala visual na elaboração 
de um projeto. 
1 Proporção e escala
Proporção é a combinação harmônica entre um ou mais elementos, assim 
como desses elementos com um todo, de maneira que gere equilíbrio. Já a 
escala refere-se à comparação do tamanho de um elemento com o tamanho 
de um elemento referência ou uma unidade de medidas, a fi m de indicar o 
seu tamanho real. Tanto a escala como a proporção podem ser distorcidas por 
meio do distanciamento e das perspectivas geradas pelo desenho, além de se 
apresentarem distintas para cada observador, tendo como foco a sua utilização 
para determinar a ordem e a harmonia de uma composição visual específi ca.
Escala
A escala refere-se às dimensões de um elemento em comparação com outro 
considerado referência ou com uma unidade de medidas previamente conhecida, 
visando demonstrar o tamanho real do elemento (Figura 1a). Ching (2013) com-
plementa que a escala inclui a nossa percepção e o nosso julgamento referentes 
ao tamanho de algo para realizar determinada comparação. Além da comparação 
entre as dimensões dos elementos, é consenso entre autores, como Ching (2013) 
e Abbud (2018), que a escala atua como a relação estabelecida entre o tamanho 
dos espaços e as pessoas, independentemente se esses espaços são lugares es-
pecífi cos ou não. A Figura 1b elucida essa relação entre os espaços e as pessoas.
Figura 1. (a) Maquete de uma residência representando o seu tamanho real. (b) Croqui com 
a escala representada pela relação do espaço com as figuras humanas.
Fonte: (a) Jacob Lund/Shutterstock.com; (b) Farrelly (2014, p. 99).
(a)
(b)
Sistemas de proporcionalidade e escala2
Na arquitetura, ao utilizar a escala para realizar um desenho, indica-se 
a representação da edificação como uma ilustração em comparação com 
o tamanho real da edificação, onde a escala é representada por uma razão 
matemática (CHING, 2013). Essa razão matemática pode variar de 1:1, que 
corresponde à escala real do elemento, geralmente, utilizada em detalhes 
de mobiliários e materiais, como também de 1:1000, que corresponde a um 
milésimo do tamanho real do elemento. A escala a ser utilizada será definida 
conforme o nível de detalhamento que o projeto deverá apresentar, a fim de 
transmitir todas as informações necessárias para a sua correta compreensão. 
No Quadro 1, são apresentadas diferentes escalas conforme o tipo de projeto 
a ser empregado.
 Fonte: Adaptado de Farrelly (2014). 
Escala Uso
1:1 Detalhes de mobiliário e materiais
1:2 Detalhes de mobiliário e materiais
1:5 Detalhes de interiores e de edificações
1:10 Detalhes de interiores e de edificações
1:20 Detalhes de interiores e de edificações
1:50 Detalhes de interiores e plantas baixas 
de edificações pequenas
1:100 Plantas completas de edificações maiores
1:200 Plantas completas de edificações maiores 
e plantas de localização
1:500 Plantas de localização e do entorno imediato
1:1000 Plantas de situação e contexto
1:1250 Plantas de situação em mapas parciais
1:2500 Plantas de situação em mapas grandes
 Quadro 1. Escalas conforme o uso 
Freire (2013) indica que a forma, a escala e a proporção são elementos 
estruturantes de uma composição, de maneira que a escala se relaciona com 
os elementos e espaços perante os seres humanos e a paisagem no qual estão 
3Sistemas de proporcionalidade e escala
inseridos. A proporção é um complemento da escala, relacionando de maneira 
harmoniosa as constituintes dos elementos e os espaços com as partes e com 
o todo, visando ao equilíbrio.
Proporção 
Proporção é a relação apropriada e harmoniosa entre duas partes ou com o 
todo. Refere-se a um conjunto ordenado de relações matemáticas ligadas às 
dimensões de uma forma ou do espaço em si. Abbud (2018) complementa 
que a proporção pode ser defi nida como toda a sensação que é causada ao 
ser humano, como o aconchego, a grandiosidade, a pequenez, a imponência, 
a monumentalidade, o bem-estar, entre outras, resultantes de como o mundo 
é percebido pelo ser humano mediante a utilização de seus sentidos: tato, 
olfato, visão e audição. A Figura 2 apresenta a relação harmoniosa gerada pela 
proporção por meio do projeto de uma casa tradicional japonesa, elaborada 
com o uso de uma malha que garante a proporção adequada tanto na defi nição 
dos espaços em planta baixa como na forma da edifi cação, representada por 
sua elevação.
Figura 2. Uso de proporção na elaboração de uma casa tradicional japonesa.
Fonte: Ching (2013, p. 322). 
Sistemas de proporcionalidade e escala4
Além de ser observada no desenho arquitetônico e na definição da volu-
metria, a proporção é encontrada na distribuição dos sistemas estruturais, nos 
materiais e nos processos industriais no âmbito arquitetônico. Com relação 
ao sistema estrutural, o projetista pode utilizar uma modulação para elaborar 
o projeto, criando um ritmo na distribuição de pilares, vigas e fundações, 
configurando, assim, um equilíbrio entre esses elementos e a composição dos 
ambientes. Vigas e pilares dimensionados para trabalhar em harmonia com os 
materiais utilizados em paredes e lajes resultam em ambientes mais limpos, 
sem recortes desnecessários nos planos verticais e horizontais. 
A proporção entre dimensões de materiais e tamanhos de ambientes também 
é essencial para configurar harmonia em um projeto arquitetônico, assim como 
a distribuição de aberturas e a organização de mobiliários. Geralmente, os 
projetos são elaborados com materiais que apresentam dimensões padronizadas 
como portas, janelas, cerâmicas, blocos, tubulações, sistemas de coberturas 
e diversos outros elementos. Contudo, o projetista pode optar por materiais 
confeccionados exclusivamente para determinada obra, desde que sejam 
adequados às dimensões da edificação e que mantenham o equilíbrio com 
a composição pretendida. A Figura 3 exemplifica a utilização de aberturas 
com dimensões especiais, porém a sua distribuição na volumetria garante o 
equilíbrio necessário para não sobrecarregar visualmente a obra, assim como 
as dimensões apresentadas pelos volumes que configuram a volumetria atuam 
de maneira harmoniosa entre as partes e o todo.
Figura 3. Proporção em volumes e aberturas.
Fonte: korisbo/Shutterstock.com.
5Sistemas de proporcionalidade e escala
Com o passar do tempo, diversas teorias de proporções foram desenvolvi-
das, porém todas apresentam princípios e valores que se mantêm em termos 
arquitetônicos. Ching (2013) sinaliza as seguintes teorias da proporção como 
principais: seção áurea, ordens clássicas, teorias renascentistas, modulor, Ken 
e antropometria.
2 Sistemas de proporcionalidade
De modo geral, a proporcionalidade pode ser defi nida como o equilíbrio entre 
dois elementos ou mais, de maneira que os sistemas de proporcionalidade 
sejam os responsáveis porconfi gurar a harmonia que cada parte deve apre-
sentar na composição como um todo. Ching (2013) indica que os sistemas de 
proporcionalidade estabelecem relações visuais coerentes entre as partes, mas 
também das partes com o todo. Com o passar do tempo, o observador passa 
a ver o todo na parte e a parte no todo. Freire (2013) defi ne os sistemas de 
proporcionalidade como sistemas destinados à criação do sentido de ordem 
entre os elementos de uma composição. É consenso entre os autores, entretanto, 
que os sistemas proporcionais abrangem a seção áurea, as ordens clássicas, as 
teorias renascentistas, o modulor, o Ken e a antropometria.
Seção áurea
De acordo com Unwin (2013), a seção áurea foi desenvolvida por Leonardo da 
Vinci, ao fi nal do século XV, mediante a elaboração de um desenho do corpo 
humano ideal determinado por Vitrúvio, apresentando proporções geométricas 
com medidas que o relacionam às da natureza e às do universo, vinculadas 
diretamente à arquitetura (Figura 4).
Sistemas de proporcionalidade e escala6
Figura 4. Corpo humano ideal.
Fonte: Adaptada de Вера Мошегова/Shutterstock.com.
A seção áurea corresponde à razão entre duas seções de uma reta ou duas 
dimensões de uma figura plana, de maneira que a menor das duas dimensões 
estará para a maior, assim como a maior estará para a soma de ambas (CHING, 
2013). A progressão da série Fibonacci (1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, ...) se aproxima da 
seção áurea, sendo que a soma dos dois números anteriores corresponde ao 
próximo número a ser apresentado, ou seja, 1 + 2 = 3, assim como 5 + 8 = 13. 
Essa progressão se aproxima da sessão áurea à medida que a sua progressão 
é infinita. 
Dessa maneira, as formas geométricas dimensionadas conforme a seção 
áurea apresentam um padrão de crescimento que se mantém semelhante em 
todas as partes, assim como na elaboração do conjunto como um todo. Na 
Figura 5, Ching (2013) apresenta esses padrões de crescimento mediante a 
elaboração de diagramas, com dimensões que aumentam progressivamente.
7Sistemas de proporcionalidade e escala
Figura 5. Padrão de crescimento com base na seção áurea.
Fonte: Ching (2013, p. 303).
A seção áurea foi utilizada por diversos arquitetos e aplicada em fachadas 
e plantas baixas, de maneira a delimitar espaço e gerar composições harmô-
nicas, assim como para o desenvolvimento de mobiliários. Le Corbusier, por 
exemplo, utilizou a seção áurea para elaborar a planta baixa da Assembleia 
Legislativa de Chandigarh, localizada na Índia. Vasconselos, Silva e Gonsales 
(2013) apresentam a planta baixa da Assembleia constituída por dois retân-
gulos áureos justapostos, complementada por retângulos áureos menores que 
configuram a projeção da sua cobertura (Figura 6).
Sistemas de proporcionalidade e escala8
Figura 6. Planta baixa da Assembleia Legislativa de Chandigarh (Índia).
Fonte: Ching (2013, p. 322).
A seção áurea é utilizada desde a Antiguidade, aplicando as proporções 
do corpo humano na elaboração de edificações, esculturas e movimentos 
artísticos em geral. Ching (2013) define a seção áurea como a razão entre duas 
seções de uma reta, podendo utilizar-se também de uma figura, apresentando 
propriedades geométricas e algébricas notáveis. Em termos de equação, a seção 
áurea pode ser expressa algebricamente da seguinte forma:
Essa equação pode ser facilmente visualizada por meio da seção de reta, 
representada na Figura 7, de forma que a menor das duas seções de reta está 
para a maior, assim como a maior estará para a soma de ambas.
9Sistemas de proporcionalidade e escala
Figura 7. Seção áurea representada por construção geométrica.
Fonte: Ching (2013, p. 102).
Ordens clássicas
Na Antiguidade, os gregos e os romanos utilizavam as ordens clássicas com o 
objetivo de criar elementos belos e harmônicos. Todo o sistema dimensional 
baseava-se no diâmetro da coluna, utilizado como unidade de medida básica. 
Ching (2013) indica que o diâmetro da coluna era referência para determinar o 
fuste, o capitel, o pedestal abaixo, o entablamento acima (Figura 8a) e o sistema 
de espaçamento entre as colunas, conhecido como intercolúnio. Entretanto, 
o autor afi rma que o diâmetro da coluna não conferia uma unidade fi xa de 
medida, pois toda a edifi cação tinha que apresentar proporcionalidade entre 
os seus elementos de composição, a fi m de conferir harmonia à edifi cação 
como um todo. O sistema de espaçamento das colunas tinha como base o seu 
diâmetro; dessa maneira, o diâmetro da coluna vinha a determinar a extensão 
da edifi cação. A Figura 8b traz exemplifi cações de cada uma das tipologias 
que compõem as ordens clássicas, que são: Toscana, Dórica, Jônica, Coríntia 
e Compósita.
Sistemas de proporcionalidade e escala10
Figura 8. (a) Partes da coluna. (b) Ordens clássicas.
Fonte: (a, b) Adaptada de Ching (2013).
Entablamento
Capitel
Fuste
Base
Pedestal
Toscana Dórica Jônica Coríntia Compósito
Summerson (1982) afirma que as ordens clássicas sempre apresentaram 
uma personalidade, de maneira que a ordem Dórica era considerada mais 
primitiva, com valores mais acessíveis, utilizada para transparecer uma postura 
marcial, assim como representava a proporção, a força e a graça, advindas do 
corpo masculino. Geralmente, era empregada em igrejas dedicadas aos santos 
mais extrovertidos, mas também era utilizada para figuras combativas em 
geral. Assim como a ordem Dórica, a Toscana também era considerada mais 
primitiva, apresentando valores mais acessíveis, utilizada para demonstrar 
rudeza e força, em geral, com aplicação em edificações que representavam 
fortificações e prisões.
Já a ordem Jônica representava a esbelteza feminina, destinada a igrejas 
que abrigavam santos tranquilos, mas também utilizadas para homens que 
indicavam o saber. Seguindo na comparativa feminina, a ordem Coríntia 
representava a figura de uma menina delgada, utilizada, principalmente, 
para a Virgem Maria. Entretanto, a sua aplicação demonstrava abundância, 
luxo e opulência, assim como apresentava um valor mais elevado frente às 
demais. Para a ordem Compósita, o autor não indica nenhuma caracterização, 
11Sistemas de proporcionalidade e escala
apenas ressalta o excesso de detalhes que a compunham e, consequentemente, 
acresciam o seu valor em relação às demais.
Teorias renascentistas
Na Renascença, os arquitetos retomaram o sistema matemático grego das 
proporções, utilizando a Teoria de Pitágoras das médias para as razões dos 
intervalos da escala musical grega, descrita por Ching (2013) como uma pro-
gressão ininterrupta de razões, confi gurando a base para defi nir as proporções 
que norteiam a arquitetura. Seguindo esses preceitos, o arquiteto Andrea 
Palladio defi niu sete formatos ideais de plantas baixas, classifi cando-os como 
os mais belos e proporcionais, que podem ser observados na Figura 9a.
Além das definições para os formatos de plantas baixas, Andrea Palladio 
também apresentou configurações para determinar a altura dos ambientes, 
a fim de obter a proporção ideal entre a largura e o comprimento do espaço. 
Dessa maneira, ambientes com tetos planos deveriam apresentar altura e lar-
gura iguais, enquanto ambientes quadrados com tetos abobadados deveriam 
apresentar uma altura que correspondesse a mais de um terço da largura do 
ambiente. Já para ambientes distintos, Ching (2013) afirma que o arquiteto 
sinalizava a utilização da Teoria de Pitágoras das médias, que são: a aritmética, 
a geométrica e a harmônica, uma vez que a altura do ambiente deve ser igual 
à média entre os dois extremos da largura e do comprimento (Figura 9b).
Sistemas de proporcionalidade e escala12
 Figura 9. (a) Formatos ideais de plantas baixas segundo Andrea Palladio. (b) Altura dos 
ambientes conforme as determinações de Andrea Palladio.
Fonte: (a, b) Ching (2013, p. 315).
(a)
(b)
Além de criar ambientes proporcionais e belos, as teorias renascentistas 
acabavam, muitas vezes, gerando edificações simétricas, devido à precisão 
obtida com a utilização dascaracterísticas desenvolvidas por Andrea Palladio.
13Sistemas de proporcionalidade e escala
Modulor
O Modulor é o sistema de proporcionalidade criado por Le Corbusier que 
visa à unifi cação da matemática mediante a utilização da seção áurea e as 
dimensões do corpo humano. Dessa maneira, as dimensões apresentadas por 
Le Corbusier compreendem as necessidades dos usuários devido aos estudos 
funcionais elaborados para a defi nição do Modulor. Unwin (2013) descreve 
o Modulor como um sistema mais complexo de proporções, em comparação 
com a seção áurea, pois possibilitava a utilização de diversas posições, como 
sentado, apoiado e abaixado, de forma a relacionar as proporções humanas com 
as demais criações naturais. Na Figura 10, Ching (2013) traz a malha básica 
com dimensões proporcionais, defi nidas conforme a seção áurea, utilizando 
como referência 113, 70 e 43 cm.
Figura 10. Malha básica do Modulor.
Fonte: Ching (2013, p. 318).
Para a elaboração do Modulor, Le Corbusier começou duplicando um 
quadrado de 1x1 da seção áurea de forma a inserir uma figura humana com 
1,83 m de altura, em que o umbigo, a cabeça e um braço levantado são os 
pontos referenciais de fechamento dos quadrados. Cambiaghi (2012) com-
plementa que Le Corbusier não utilizava o sistema decimal em seus projetos, 
mas dimensões com aplicabilidade universal, por se tratar de dimensões do 
próprio ser humano, visando obter a relação perfeita entre a arquitetura e a 
escala humana.
Ken 
Com origem no Japão, o shaku é considerado a unidade de medida tradicional 
japonesa, porém Ching (2013) indica que, na segunda metade da Idade Média, 
Sistemas de proporcionalidade e escala14
foi inserido no país o ken, tornando-se uma medida absoluta, que evoluiu para 
um módulo estético, que rege a organização da estrutura, dos materiais e do 
espaço da arquitetura japonesa. O autor ainda ressalta que a malha de Ken é 
a referência para a organização dos ambientes, gerando espaços retangulares 
que podem ser dispostos de diversas maneiras, como linear, zigue-zague ou 
aglomerados, devido às pequenas dimensões do módulo que confi guram 
praticamente uma grelha, facilitando a sua combinação, além de conferir 
rigor formal, garantindo também fl exibilidade a composição arquitetônica 
(Figura 11). 
Esses módulos são compostos por tatames que apresentam como dimensão 
padrão 3 × 6 shaku ou 0,5 × 1 ken, podendo apresentar pequenas variações 
devido à acomodação das colunas. Como as dimensões dos ambientes podem 
variar conforme a combinação de tatames, o pé-direito é definido pelas medi-
das de cada ambiente, de modo que, para fins de cálculo, o pé-direito deverá 
compreender o número de tatames multiplicado por 0,3.
Figura 11. Exemplificação de residência organizada com malha ken.
Fonte: Ching (2013, p. 324).
Além da sua utilização para determinar a organização dos ambientes e 
do pé-direito, o ken também é empregado na composição das fachadas, de-
finindo módulos para aberturas e paredes cegas, a fim de gerar composições 
harmônicas e belas na própria volumetria.
15Sistemas de proporcionalidade e escala
Antropometria 
A antropometria relaciona as dimensões e as proporções do corpo humano 
com o espaço que será utilizado (Figura 12a). Dessa maneira, os espaços são 
projetados com a fi nalidade de atender às necessidades e às restrições de cada 
usuário, resultando em um ambiente funcional e confortável. Ao confi gurar 
um ambiente com o mobiliário e os demais objetos que compõem as neces-
sidades dos usuários, o profi ssional estará abrangendo também o conceito de 
ergonomia (Figura 12b), que confi gura a adaptação do espaço ao bem-estar 
das pessoas, resultando, consequentemente, no aumento da produtividade e 
do desempenho desses usuários.
Figura 12. (a) Representação das dimensões e proporções do corpo humano. (b) Medidas 
ergonômicas.
Fonte: (a) Ching (2013, p. 326); (b) Ching (2013, p. 327).
(a)
(b)
Sistemas de proporcionalidade e escala16
Além das constituintes de um espaço, a antropometria abrange as áreas de 
movimentação, descanso e desenvolvimento de atividades, sendo essencial 
a aplicação de conceitos ergonômicos para que resulte em espaços confor-
táveis e seguros para os usuários. A antropometria associada aos princípios 
ergonômicos é amplamente utilizada em projetos de interiores, assim como 
no design de mobiliário, visando à elaboração de elementos específicos às 
necessidades e restrições dos usuários.
3 Escala
A escala é responsável por causar sensações ao ser humano, sejam positivas 
ou negativas, variando conforme a confi guração dos espaços, das suas cons-
tituintes e das vivências e memórias das pessoas que ocupam esses locais. 
Ela é representada pela comparação de um elemento com outro, podendo 
ser um elemento padrão ou uma unidade de medida (Figura 13). No estudo 
da arquitetura, a escala é utilizada para representar o tamanho real de um 
desenho, podendo variar conforme o nível de detalhamento e as áreas que 
devem ser apresentadas.
Figura 13. Escala representada por elementos padrões.
Fonte: Ching (2013, p. 329).
17Sistemas de proporcionalidade e escala
Escala humana 
A escala humana utiliza como referência as proporções e dimensões do corpo 
humano, compreendendo a movimentação, o descanso e as atividades a serem 
desenvolvidas no ambiente, de maneira a criar um local que proporcione 
conforto e bem-estar aos seus usuários, relacionando-se diretamente com 
os elementos que compõem esses ambientes em tamanho real. Abbud (2018) 
afi rma que a escala humana relaciona os espaços adequados às dimensões 
dos seres humanos (Figura 14).
Figura 14. Espaços adequados ao ser humano.
Fonte: Ching (2013, p. 332).
Enquanto Farrelly (2014) ressalta que a escala é um fator fundamental no 
projeto de arquitetura, representando a ideia do projetista mediante o uso de 
um sistema de medidas conhecido universalmente, de maneira a possibilitar 
a comunicação adequada do que se pretende desenvolver em determinado 
espaço. A compreensão da escala faz-se essencial para elaborar um projeto 
arquitetônico, assim como para realizar a ocupação adequada do espaço a ser 
projetado. Ao inserir elementos em um projeto arquitetônico, como mobiliários 
e calungas, gera-se o entendimento necessário dos conceitos definidos para 
cada ambiente, as proporções e os espaços em si.
Gehl (2015) vai mais longe e afirma que, com o uso da escala humana, as 
cidades apresentavam espaços menores, com sinalizações menores, dispostas 
na altura do olhar do observador, o que tornava a arquitetura sensual. Contudo, 
com a chegada dos grandes espaços, perdeu-se a atenção para o detalhe, e a 
Sistemas de proporcionalidade e escala18
arquitetura deixou de priorizar a escala humana para atender às necessidades 
do macro, deixando de lado as necessidades do indivíduo em si.
Abbud (2018) sinaliza que grandes ambientes têm por objetivo receber 
multidões como, por exemplo, áreas esportivas, onde a escala humana é deixada 
de lado pelo fato de não fazer tanta diferença na vida das pessoas que por 
ali circulam. Contudo, o autor também indica que, no contexto urbanístico, 
a vegetação poderia ser utilizada para corrigir e melhorar as proporções e as 
escalas que configuram os espaços que compõem as cidades. Unwin (2013) 
complementa que a escala humana é referência ao tamanho de algo em relação 
a uma pessoa, de maneira que a experiência que os lugares geram em cada 
pessoa é afetada diretamente pela escala de composição desse espaço.
Escala visual 
De acordo com Ching (2013), a escala visual indica que o tamanho ou a propor-
ção de determinado elemento pode ser admitido perante a comparação com um 
elemento previamente conhecido. A escala visual possibilita a identifi cação de 
espaços e alturas de edifi cações, podendo determinar o número de pavimentos 
existentes por meio da quantidade de janelas dispostas em suas fachadas, de 
maneira que essas dimensões são facilmente reconhecidas devido ao fato de 
as aberturas, geralmente,apresentarem dimensões padronizadas. Entretanto, 
portas e janelas com dimensões distintas das usuais podem ser utilizadas para 
confundir a percepção do observador, além de difi cultar, consequentemente, 
a compreensão das dimensões reais desses espaços. 
A escala visual e a escala humana podem ser trabalhadas de maneira 
complementar, como pode ser observado, por exemplo, nas fachadas das 
catedrais. Ching (2013) sinaliza os portais da Catedral de Notre Dame, em 
Reims, na França, que apresenta portais de acesso proporcionais à fachada 
principal, indicando uma escala visual harmônica com o contexto em que se 
encontra. Entretanto, ao se aproximar da edificação, o observador encontra 
portas proporcionais à escala humana, tornando o observador mais próximo 
do contexto da edificação.
Ching (2013) indica que, entre as dimensões encontradas em um ambiente, 
a altura é a principal responsável por apresentar maior diferença com relação 
à escala do local. Entretanto, alguns fatores também podem interferir na 
escala do ambiente, como o seu formato, a sua cor e o padrão adotado para 
as superfícies delimitadoras, o formato das aberturas e a sua distribuição, a 
natureza do ambiente e a escala dos elementos que o compõem.
19Sistemas de proporcionalidade e escala
A escala de um projeto arquitetônico está condicionada às suas dimensões 
— largura, comprimento e altura —, assim como à percepção do ser humano 
com relação ao espaço projetado. Dessa maneira, é essencial que a proporção 
e a distribuição dos ambientes em plantas baixas sejam harmônicas, para gerar 
áreas de circulação e desenvolvimento de atividades confortáveis e seguras. 
Entretanto, a composição volumétrica também deve ser considerada e bem 
planejada, visando ao equilíbrio de cheios e vazios. Para a perfeita compreensão 
do projeto arquitetônico, podem ser utilizadas diversas estratégias, contudo, 
é essencial a combinação adequada da escala humana e da escala visual, 
garantindo uma composição volumétrica harmônica e que proporcione bem-
-estar e conforto aos seus usuários.
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Sistemas de proporcionalidade e escala20
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21Sistemas de proporcionalidade e escala