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Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Curso (TURMA) – Nome da disciplina
TÍTULO DO RESUMO EXPANDIDO
Autor: Nome do Acadêmico[footnoteRef:1] [1: Acadêmico do Curso de XXX em XXXXXXXXXX; E-mail: fulanodetal@aluno.uniasselvi.com.br ] 
Professor Regente: Nome do Orientador[footnoteRef:2] [2: Professor Regente da disciplina ] 
MOTIVO DA ESCOLHA DO OBJETO DE ESTUDO
O presente estudo surge do envolvimento pessoal e acadêmico da autora com a temática da seletividade alimentar em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Enquanto mãe atípica, vivencia cotidianamente os desafios impostos pela seletividade alimentar do filho, condição que afeta diretamente a nutrição, o bem-estar emocional da família e a qualidade da convivência social. Acompanhando o desenvolvimento da criança com o suporte de uma terapeuta ocupacional, foi possível observar mudanças significativas no comportamento alimentar e na aceitação de novos alimentos, especialmente quando associadas a estratégias de integração sensorial. Essa vivência não apenas despertou um interesse profundo pela área, como também se tornou motivação para a escolha do tema, por reconhecer na Terapia Ocupacional um campo de atuação essencial à saúde e autonomia de pessoas com TEA. Como estudante do curso de Terapia Ocupacional, este trabalho representa uma oportunidade de aprofundamento técnico e científico sobre uma demanda concreta de cuidado, ao mesmo tempo em que dialoga com a recente promulgação da Lei nº 15.131/2025. Essa norma passou a garantir às pessoas com TEA, no âmbito do SUS, o acesso à terapia nutricional adequada, observando protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas (BRASIL, 2025). Nesse contexto, torna-se ainda mais relevante investigar a interface entre integração sensorial, seletividade alimentar e os impactos dessa legislação sobre a prática profissional e o atendimento especializado. 
ESTRATÉGIAS DE ANÁLISE DO OBJETO
Para a análise do objeto de estudo, optou-se por realizar uma pesquisa qualitativa de caráter descritivo, fundamentada em revisão bibliográfica sistematizada de artigos científicos publicados nos últimos cinco anos, com ênfase em estudos nacionais voltados à atuação da Terapia Ocupacional junto a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seletividade alimentar. A seleção dos materiais buscou contemplar diferentes perspectivas teórico-práticas, priorizando investigações que evidenciem a relação entre disfunção do processamento sensorial e comportamento alimentar atípico. 
A análise centrou-se, especialmente, nos achados apresentados por Oliveira e Souza (2022), que, por meio de estudo de caso, demonstraram melhora significativa no repertório alimentar de uma criança com TEA após 17 meses de intervenção baseada em integração sensorial, reforçando a eficácia dessa abordagem terapêutica. Também foram considerados os apontamentos de Gama et al. (2020), cuja revisão narrativa destacou a relevância da intervenção precoce da terapeuta ocupacional na modulação sensorial, e de Oliveira et al. (2022), que evidenciaram a redução da seletividade alimentar após 40 sessões de integração sensorial. Ademais, o estudo fenomenológico de Uchoa et al. (2024) permitiu ampliar a análise para a dimensão subjetiva e relacional da seletividade alimentar, revelando os impactos vivenciados pelas mães e os desafios enfrentados no cotidiano familiar. Por fim, a análise da Lei nº 15.131/2025 complementou o estudo ao introduzir o eixo jurídico-político, contextualizando o direito à terapia nutricional no SUS como conquista recente que exige articulação com práticas interdisciplinares e com as diretrizes da Terapia Ocupacional.
CONSIDERAÇÕES CRÍTICAS E CRIATIVAS
A análise crítica do objeto de estudo permitiu identificar a seletividade alimentar como um fenômeno multifatorial e complexo, cujas causas ultrapassam as barreiras físicas do ato de comer, enraizando-se em dimensões sensoriais, afetivas e sociais. Tal constatação reforça a importância de se adotar uma abordagem ampliada e interdisciplinar no cuidado à criança com TEA, em que a Terapia Ocupacional deixa de ser vista como complementar e passa a ocupar papel central na construção de estratégias individualizadas e responsivas. Considerando o advento da Lei nº 15.131/2025, que assegura à população com TEA o acesso à terapia nutricional adequada no SUS, torna-se urgente repensar os modelos de atenção à saúde, ampliando os protocolos clínicos para além da nutrição estritamente biomédica e incluindo as práticas integrativas da Terapia Ocupacional com base em evidências científicas e humanização do cuidado.
A partir do confronto entre as evidências empíricas e as vivências pessoais como mãe e estudante de Terapia Ocupacional, surgiu a proposta conceitual de integrar o olhar clínico-sensorial ao cotidiano da família, ressignificando o momento da refeição como uma experiência ocupacional partilhada e significativa. Essa perspectiva propõe a construção de um plano terapêutico centrado na criança, mas que valorize as narrativas familiares como recurso terapêutico e como via de acesso às subjetividades envolvidas no processo alimentar. A partir do estudo de Uchoa et al. (2024), que destacou o sofrimento psíquico materno frente à seletividade alimentar, e dos dados apresentados por Oliveira e Souza (2022), que demonstraram avanços clínicos por meio da integração sensorial, propõe-se o fortalecimento de ações integradas entre terapeutas ocupacionais, nutricionistas e cuidadores, com foco na promoção da autonomia alimentar e da saúde mental da díade mãe-filho. A criatividade nesse contexto não reside na invenção de técnicas isoladas, mas na capacidade de reorganizar o cuidado com base em escuta, vínculo e compromisso ético com o desenvolvimento integral da criança.
REFLEXÕES FINAIS
A elaboração deste estudo representou não apenas uma experiência de aprofundamento teórico e técnico sobre a atuação da Terapia Ocupacional no contexto do Transtorno do Espectro Autista, mas também um exercício de escuta sensível e comprometida com os desafios reais enfrentados por crianças e famílias atravessadas pela seletividade alimentar. A escolha do objeto de estudo revelou-se extremamente atual e pertinente, sobretudo diante da promulgação da Lei nº 15.131/2025, que reforça o direito à nutrição adequada e à terapia nutricional no SUS para pessoas com TEA. Durante a construção da análise, as principais dificuldades estiveram relacionadas à complexidade do tema e à seleção criteriosa de fontes científicas que respeitassem a integridade das informações, sem recorrer a interpretações distorcidas ou genéricas. No entanto, essas mesmas exigências abriram a possibilidade de estabelecer conexões profundas entre a prática clínica, a legislação e os relatos vivenciais.
A leitura crítica dos estudos de caso e das pesquisas qualitativas permitiu compreender que, embora a seletividade alimentar seja uma condição comum no espectro autista, suas manifestações e impactos são únicos em cada criança, exigindo do terapeuta ocupacional uma postura ética, criativa e interdisciplinar. Como estudante e mãe atípica, este trabalho proporcionou um espaço de reflexão sobre minha trajetória pessoal e profissional, reafirmando o compromisso com um cuidado centrado na criança, mas que também acolha a família e a rede de apoio como protagonistas do processo terapêutico. Caso pudesse refazer o trabalho, teria incluído uma escuta direta de outros cuidadores, a fim de fortalecer o caráter participativo da análise. Ainda assim, os objetivos propostos foram plenamente alcançados, pois foi possível identificar a importância da integração sensorial como recurso de enfrentamento à seletividade alimentar, bem como refletir sobre os desafios e avanços trazidos pela recente legislação. A experiência reforçou, por fim, a convicção de que o conhecimento acadêmico se torna verdadeiramente transformador quando se conecta com as realidades vividas e promove a construção de práticas mais humanas, inclusivas e eficazes.
REFERÊNCIASBRASIL. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Brasília, DF: dez. 2012. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm. Acesso em: 08 jun. 2025.
BRASIL. Lei nº 15.131, de 29 de abril de 2025. Altera a Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012, para especificar a nutrição adequada e a terapia nutricional a ser aplicada à pessoa com transtorno do espectro autista. Brasília, DF: abr. 2025. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-15.131-de-29-de-abril-de-2025-551234219. Acesso em: 08 jun. 2025.
GAMA, Bruna Tayná Brito et al. Seletividade alimentar em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA): uma revisão narrativa da literatura. Revista Artigos.Com, Belém, Escola Superior da Amazônia, v. 17, p. 1–11, 2020. Disponível em: https://www.revistaartigose.com.br/index.php/artigose/article/view/2259. Acesso em: 10 jun. 2025.
OLIVEIRA, Pâmela Lima de; SOUZA, Ana Paula Ramos de. Terapia com base em integração sensorial em um caso de Transtorno do Espectro Autista com seletividade alimentar. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, São Carlos, Universidade Federal de São Carlos, v. 30, e2824, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2526-8910.ctoRE21372824. Acesso em: 10 jun. 2025.
OLIVEIRA, Carla de Sousa et al. Terapia de integração sensorial e comportamento de seletividade alimentar no transtorno do espectro autista: estudo de caso. Research, Society and Development, [S.l.], v. 11, n. 15, e252111526665, 2022. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v11i15.26665. Acesso em: 09 jun. 2025.
LEMES, Monike Alves et al. Comportamento alimentar de crianças com transtorno do espectro autista. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, Associação Brasileira de Psiquiatria, v. 72, n. 3, p. 136–142, jul./set. 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpsiq/a/YWZQLLqLVDsTwC6TxQgLnYm/. Acesso em: 08 jun. 2025.
UCHOA, Brunna Karoliny Pereira et al. “Esse menino não come” – Narrativas de mães sobre seletividade alimentar e autismo. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, São Carlos, Universidade Federal de São Carlos, v. 32, e3848, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2526-8910.ctoAO396738481. Acesso em: 10 jun. 2025.

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