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BRIEFING E PLANEJAMENTO AULA 1 Prof. Alexandre Correia dos Santos 2 CONVERSA INICIAL Pensar táticas e estratégias para uma nova campanha não é algo tão simples quanto os nossos clientes pensam. A grande maioria acha que é só ter uma boa ideia, formular uma frase de impacto e veicular com uma foto que transmita aquilo que a marca quer passar. O problema é que não existe uma tecla atalho em um software gráfico como o Adobe Photoshop ou o Adobe Illustrator que, ao ser acionada, gere uma arte para o off ou digital perfeita. Qualquer job demanda trabalho, demanda insights, boas ideias que nem sempre vêm facilmente. Criar aleatoriamente não fará de uma campanha algo de fato efetivo, alinhado com as metas e objetivos do cliente que trará como consequência bons resultados para a marca, produtos ou serviços. Qualquer trabalho exige um levantamento prévio de mercado, um estudo da concorrência, avaliação do público-alvo, entre outros ingredientes que, bem pensados e alinhados, trarão bom resultado. Isso é Briefing e Planejamento. Reunir os profissionais certos, com um Brief bem passado, que estão voltados a criar um planejamento viável e consonante com as informações do cliente, respeitando as melhores características dos produtos e serviços que são os “objetos” da comunicação. Esta será a base da nossa caminhada: ajudar a criar um levantamento de mercado preciso, com todas as informações necessárias para a reunião dos melhores profissionais para formularem um ótimo planejamento para que a campanha (seja on-line ou off-line) entregue o que os clientes mais desejam e aguardam ao dispor verbas para investimento em comunicação: resultados. Bons estudos! Divirta-se, aprenda a “brifar”, discutir o brief e planejar melhor! 3 CONTEXTUALIZANDO Toda e qualquer campanha comunicacional tem um estudo e um planejamento atuando por trás, dando suporte para os textos, imagens, roteiros e frases de impacto. Nada ali deve ser aleatório. Qualquer nó desatado pode trazer consequências irreparáveis para o job, trabalho. A base do planejamento advém do levantamento prévio de mercado. Ou seja, para começar qualquer discussão acerca do que criar ou planejar, precisamos conhecer a fundo o negócio do cliente. Conheceremos o brief (palavra do inglês) que significa (Mini Michaelis, 2009, p. 30) sumário, síntese, fazer resumo de; informar; adj. breve; curto; resumido; conciso. E que é exatamente isto: um resumo sobre o que precisamos comunicar. Em seguida, conheceremos o briefing, que é a reunião que ordena estas informações: a primeira reunião de briefing é o atendimento ou o planejamento que realiza diretamente no cliente, e a segunda reunião de briefing é a síntese, a passagem das informações levantadas junto ao cliente para o time da agência de publicidade ou de marketing digital (como exemplos). Essas informações, que devem ser muito assertivas, devem ser a base para a construção de ideias e insights do time da agência. Aqui, cabe um comentário importante: o mercado, por uma razão rasa de determinismo (e erro semântico), costuma usar o termo briefing para o documento e para as reuniões. Nossos próprios clientes (e pares) incorrem neste “erro”. Vamos combinar o seguinte: nós (academia) precisamos mostrar o que é correto em termos de semântica e aplicação de termos em nossas atividades. Com isso, o mercado e os demais profissionais – quem sabe – se acostumam a pronunciar de forma inequívoca os termos abarcados pela comunicação e marketing. Como diz o meme “errado não está”, mas usar briefing para todos os passos incomoda um pouco nossos ouvidos acostumados e preparados para a pesquisa. Que o mercado evolua junto com a pesquisa! Vamos conhecer o brief, o briefing, o atendimento e o planejamento como vitais para a construção de uma campanha off-line ou on-line assertiva, exata! Juntos nos divertiremos em busca do conceito perfeito! 4 TEMA 1 – CONHECENDO O CLIENTE E AS ÁREAS DE ATUAÇÃO Compreender quem é o nosso cliente é papel fundamental de qualquer empresa que trabalhe com comunicação, independentemente da área em que atue. Não há como bem atender às necessidades e anseios de comunicação de uma marca ou empresa se eu não a conhecer profundamente para, a partir disso, poder começar a pensar em como atendê-lo promocionalmente. Vale lembrar que o cliente de uma agência de marketing on-line, por exemplo, pode variar entre um cliente físico (personalidade, artista, ator/atriz, político) ou o que chamamos de pessoa jurídica ou cliente organizacional (ou ainda, empresarial). Seja para trabalhar o nome de um artista, por exemplo, ou para trabalhar uma linha completa de produtos de determinada marca e empresa, precisamos conhecer profundamente todo o histórico do que – em breve – iremos criar, promover, anunciar, propagandear. Mas, afinal, quem é de fato o nosso cliente? A empresa, a marca, o produto ou o serviço? A resposta: não raro, todos. A agência (e seus profissionais) têm que estar preparados para atender uma solicitação que pode envolver todos estes agentes ou diversos tipos de demanda. Além disso, é importante definir a abrangência de atuação da agência literalmente no negócio do cliente. Há quem defenda que a boa empresa de comunicação é aquela que participa de todas as etapas de construção de uma marca (produto ou serviço) e, com isso, atuando inclusive no desenvolvimento do plano estratégico de marketing ou das etapas de formulação de um produto, desde o seu início colaborando com as pesquisas de mercado, composição do produto ou serviço, táticas de precificação ou estratégias de preços (pricing), bem como na definição de público-alvo, de estabelecimento de praças e pontos de vendas, entre outras atribuições inerentes ao trabalho de um profissional da comunicação. Se for o caso, a agência de comunicação (seja uma agência de marketing on-line, de publicidade e propaganda ou de assessoria de comunicação – como exemplos práticos) estará presente em todas as instâncias do projeto. Se não estiver, essa empresa de comunicação será responsável apenas pela etapa de promoção da marca, produto ou serviço (O “P” de promoção dos 4Ps1). Esse envolvimento da agência com os seus clientes é a grande discussão no mercado de marketing e publicidade. Até que ponto a agência de publicidade 1 Teoria dos 4p´s criada por Jerome Mcarthy na década de 60 e empregada até hoje no marketing. 5 (por exemplo) deve se envolver no marketing do cliente? A sua atuação não deveria estar restrita apenas à promoção e divulgação? Essas perguntas estão diretamente vinculadas ao relacionamento com o cliente. Atualmente, os próprios clientes estão exigindo um envolvimento maior das agências com o seu negócio. Afinal, para poder criar uma comunicação assertiva, objetiva e que traga resultados, é sabido que esse envolvimento implica conhecer a fundo cada um dos clientes (seu portfólio, seus produtos e serviços e sobretudo, sua marca) da carteira da agência. Há clientes – inclusive – que enxergam as agências como verdadeiras empresas de marketing e que (inclusive) entregam anúncios comerciais. Estas são chamadas de agências full service2. Antigamente, o ponto focal de uma agência de comunicação era exclusivamente o atendimento, mas, com o tempo e com a evolução do relacionamento e das formas de se fazer comunicação, esse profissional (o atendimento) passou a ganhar ainda mais espaço dentro das organizações, deixando de ser aquele “ente” passivo que, quando era chamado pelo cliente, iria visitá-lo para em seguida propor soluções comunicacionais para os problemas da marca (produto ou serviço). A propaganda e o marketing passaram a ser objetos que ganharam status de imprescindível para o sucesso de um negócio. Consequentemente, os custos também aumentaram,mantêm completamente conectados ao seu cliente. Quanto à prospecção, cada atendimento ou cada contato carrega consigo uma metodologia própria. Segundo pesquisa da Operand (2022), as indicações continuam sendo o melhor caminho para a conquista de novos clientes. Gráfico 1 – Ações mais eficazes para prospecção de clientes Fonte: elaborado com base em Operand, 2022, p. 42. Portanto, 41,75% das prospecções de novos clientes surgem de indicações de antigos clientes (Operand, 2022). Se avaliarmos esses resultados, a indicação se revela um sinal de que o trabalho que as agências fazem com os clientes que já são da sua carteira é tão bem-feito que esses mesmos clientes advogam pela agência. Logo, fica claro que, quanto melhor a relação entre a agência e os seus clientes, melhores serão os resultados alcançados por todos, e as indicações serão naturais. Em segundo lugar em importância para uma boa prospecção de clientes está a importância de se fazer contato direto. Ou seja, elencar um rol de possíveis clientes e prospectar esse alvo usando estratégias como a formulação 4 de um bom portfólio físico ou on-line. Porém, perceba que apenas 26,56% das conquistas de clientes são por meio de contato direto. Primeiro porque muitas marcas têm receio declarado do trabalho oferecido por agências de marketing, publicidade e comunicação. Não é incomum ouvir clientes reclamando das péssimas experiências que tiveram com agências: ora por um trabalho mal realizado, ora por atendimentos em que as agências surgiram, prospectaram, brifaram e simplesmente sumiram! Essa prática, por sinal, infelizmente é muito comum entre pequenas agências: recebe um orçamento, promete um retorno rápido e some na mesma velocidade, por falta de competência para entregar aquilo de que o cliente necessita. Por incrível que pareça, entre clientes e agências pequenas impera uma tendência de que aqueles que atendem e entregam o trabalho minimamente bom consigam sobreviver a uma relação cliente-agência. E isso não deveria ser a exceção. Em seguida, em relevância para atração de clientes, vêm as parcerias estratégicas: é aquela gráfica que a agência sempre autoriza trabalhos, aquela produtora que sempre faz bons preços, que tem como tendência atender ao que chamamos de clientes diretos. Ou seja, determinada marca, ao invés de buscar uma agência para realizar um folder ou um spot para rádio, como exemplo, vai direto ao fornecedor do material. Ou seja, ao invés de pagar uma agência, recorre diretamente ao fornecedor, para contornar os custos de criação. O problema é que nem sempre a gráfica ou a produtora de áudios dão conta de criar, escrever e roteirizar um material; assim, indicam agências parceiras para atenderem a esse fim. O mesmo acontece com contatos publicitários dos veículos de comunicação: clientes desavisados ou inexperientes tendem a ir direto ao canal de televisão e indicar que precisam de um comercial, sem saber que, para tanto, o material precisa ser escrito, criado, roteirizado, produzido, masterizado para, daí sim, ser veiculado. Lembremos que, para conversarmos de igual para igual com um cliente, precisamos entender que, do lado de lá, além de um cliente cheio de pressa, cobrança e ansiedade por resultados, tem um indivíduo com as próprias manias, qualidades e problemas. Cada cliente gera uma experiência diferente. E que bom que é assim! 5 TEMA 2 – A RELAÇÃO COM AS ÁREAS DA COMUNICAÇÃO A relação entre um diretor de arte e o pessoal do setor de atendimento ou de planejamento de uma agência não varia segundo a demanda. Até porque o diretor de arte não necessariamente trabalha apenas com off ou on-line. Salvo uma agência que trabalhe exclusivamente com meio digital, que não realize nenhuma tarefa off-line (nem mesmo concepção de um cartão de visitas!), os hábitos (e vícios) são comuns a todos os departamentos. Porém, há uma regra evidente nesse aspecto: há sempre muito trabalho e pouco prazo! Gozar de um bom prazo acontece quando o cliente é extremamente organizado e está com o prazo de planejamento estendido ou o atendimento da agência é ativo e logrou êxito ao negociar com o cliente um prazo compatível com a demanda. Mas repetimos: esse cenário é muito raro. Trabalhar em comunicação, independentemente da área, é viver a campanha, é literalmente se dedicar ao job, ao cliente, à demanda. É uma atividade de que raramente as pessoas “se desligam”, mesmo fora do horário comercial. A cabeça trabalha loucamente, buscando soluções para a tarefa que se está realizando. Imagine que a equipe da agência de mídia digital está passeando em um shopping, na hora do almoço... Certamente o diretor de arte estará validando com checking os logotipos, as cores e os layouts de lojas, o redator observará folders, lettering de vitrines e imaginará roteiros para possíveis clientes, o atendimento pensará se uma dada marca é atendida por alguma agência digital e o planejamento formulará oportunidades on-line para futuros prospects, especulando se a marca tem presença digital, site e ações em mídias sociais. É inevitável! Sempre estamos criando links com demandas paradas sobre a nossa mesa ou gerando novos insights para cada uma das nossas presentes ou futuras tarefas. Quando falamos especificamente de clientes de mídia digital (salvo as boas e raras exceções), esses acreditam em milagres e imaginam que a criação de um post para uma rede social, por exemplo, é um simples apertar de botão. Trata-se esse de um erro mais comum do que imaginamos. Por isso é que o cliente que é mal atendido acha que pautou por brief um novo job e que esse deverá estar pronto na tarde seguinte ao pedido. Regime hospitalar, entende? É uma emergência e o remédio tem que fazer efeito 10 minutos após a sua aplicação. 6 Mas, na prática, não é assim que as coisas funcionam. Ser atendido prontamente significa que o cliente espera que seus problemas comunicacionais sejam resolvidos. Isso implica, muitas vezes, a agência ter que trabalhar em regimes e horários especiais. Agora, por que uma agência perde um cliente? Veja o Gráfico 2. Gráfico 2 – Por que as agências perdem clientes Fonte: Adaptado de Operand, 2022, p. 43. Em primeiro lugar, pois, as agências perdem clientes porque os clientes não percebem valor no serviço prestado. Ou seja, aos olhos do cliente, a agência não lhe entrega resultados. Quantas vezes falamos dessa entrega de resultados, ao longo da nossa caminhada? Convenhamos que qualquer um de nós, ao sermos mal atendidos, agimos muito parecidamente: ou reclamamos e cobramos uma solução, ou simplesmente abrimos mão daquele produto e serviço e não mais estabelecemos uma relação com aquela marca. Exatamente o mesmo acontece com a relação entre a agência e o cliente. Já falamos de relacionamento e do quão importante é a manutenção dessa boa relação. Entregas em atraso, falta de respostas, ausência de resultados, atendimento ruim prejudicam qualquer relação comercial. O segundo e não menos importante motivo para perda de clientes por agências é que a concorrência entre prestadores de serviços de comunicação é extremamente alta. Primeiro por parte de agências regularmente inscritas nesse mercado, legais e que fazem parte de entidades representativas como o Cenp e sindicatos como o Sindicato das Agências de Propaganda (Sinapro), que possui capilaridade na maioria das capitais do Brasil. Fora isso, entre as agências de marketing digital, as agências de comunicação integrada e, ainda, os 7 profissionais que trabalham em regime freelancer, como em todas as áreas, muitos se destacam pelo bom serviço prestado e pelos custos praticados e há aqueles em que ocorre exatamente o contrário, com prestação de serviços ruins, que acabam por macular a própria imagem da prestação de serviços em comunicação. Acredite: essa é uma áreaem que muitos clientes se orgulham de suas escolhas por agências e fornecedores; mas também é importante saber que nela existem clientes que prometem nunca mais contratar serviços de agências de marketing e/ou comunicação. Justiça seja feita, isso acontece em todas as áreas de prestação de serviços, claro. Mas, em comunicação e no marketing, seja on- line, seja off-line, ser taxado como trambiqueiro ou charlatão causa um grande prejuízo. Empresas que têm esse tipo de experiência muitas vezes não contratam mais agências. Mesmo que reconheçam a importância do marketing e da comunicação, chegam a abrir, no seu próprio negócio, o que denominamos house, um departamento específico, interno, que trabalhará com a sua marca e com os seus produtos e serviços, em regime integral. Continuando a análise do report da Operand (2022), as agências perdem os seus clientes também por responsabilidade própria, ao lhes faltar proatividade para atenderem melhor ou ainda não atenderem, mesmo, às suas contas, por não proporem planejamentos coerentes com a realidade do mercado e o segmento do cliente, por não proporem novas soluções para problemas antigos. Como dito anteriormente, isso vai minando e desgastando a relação. O resultado é a insatisfação e a quebra ou não renovação do contrato de publicidade e propaganda, que em casos de dificuldade ou recessão é o primeiro a ser revisto pela maioria das empresas que dependem de agências de marketing e comunicação. TEMA 3 – A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO Para todo planejamento há uma meta. Por mais incrível que pareça, muitas empresas nasceram, cresceram e prosperaram com um planejamento muito básico, num cenário em que o empreendedor provavelmente tinha muito boa vontade e um bom produto ou serviço nas mãos, conhecia um pouco do mercado, da concorrência e sabia quem era seu público. Isso funcionava bem há décadas atrás, até porque muitas marcas nasciam dessa forma. Hoje, com a 8 facilidade de pesquisa on-line, planos de negócios pipocam sob todas as formas e meios. São raros os negócios que prosperam e perenizam sem eles. Por sinal, mesmo com planejamento, as chances de se quebrar antes mesmo de virar uma marca de verdade são sempre muito maiores. Não por um acaso, especialmente aqui no Brasil, apenas 60% das empresas sobrevivem aos 5 primeiros anos de vida, isso levando em consideração condições normais de mercado, sem se prever catástrofes, pandemias e debilidades na economia, que impactam diretamente os negócios. O empresário, abandonando o seu negócio, por consequência deixa de gerar empregos (Vieceli, 2021). Essa introdução é basicamente para mostrar o quão complicado é a vida do planner1. Trabalhar com o imprevisível, com a concorrência previsível, com o imponderável (as intempéries) ou, possivelmente, como no Brasil, geralmente com pouco fluxo de caixa no começo do negócio é ter a certeza de que existem grandes chances de os negócios não prosperarem. O planejamento de uma agência de propaganda e publicidade deve trabalhar exatamente com esses mesmos cenários. Ele – quase que por mágica, mas baseado em dados reais – precisa prever os movimentos da também da campanha que será entregue ao cliente. O planner precisa, assim, conhecer profundamente todas as características inerentes ao negócio do cliente. Precisa conhecer, além do mercado, quem é o seu público consumidor, quem são os seus concorrentes e, mais do que tudo, aonde o cliente gostaria de chegar com aquela campanha. Ter metas bem desenhadas e estabelecidas é o início de um bom planejamento – agora, abra-se um conselho: estamos tratando de metas reais, bem formuladas e baseadas em características e cenários tangíveis, que os executivos (ou a marca) possam realmente atingir. Há agências, no mercado, que trabalham com dados irreais e prometem mundos e fundos para o seu cliente e ao não atingirem tais resultados, começam a ter problemas na relação cliente/agência. O mesmo serve para a campanha publicitária: toda e qualquer campanha deve ser pensada exclusivamente com o fim de atingir objetivos claros: vender mais produtos e serviços, tornar a marca mais conhecida, informar sobre uma novidade, convidar os clientes a conhecerem uma nova ação. Percebe? Tratam-se o que citamos de gatilhos de ações claros, atingíveis, alcançáveis e não devaneios ou loucuras desejadas pelo dono da marca, por exemplo. Não existem muitas opções: o que 1 Planner é o(a) profissional de planejamento; o planejador ou a planejadora de uma campanha. 9 objetivamos? Um resultado promocional ou institucional? Se for para vender a imagem da empresa ou da marca – institucional; se for para vender um produto ou serviço – promocional. O objetivo da campanha também pode envolver os dois cenários: institucional e promocional (marca e portfólio da empresa). Assim, sempre que o planner trabalhar com números, que esses sejam reais, que obedeçam a um cenário favorável ou pior (desfavorável), mas que a campanha proporcione aos seus players o atingimento dos resultados previstos. Dessa forma, o planner trabalhará baseado em dados de mercado, com ajuda do departamento de pesquisa, conhecendo a fundo o negócio do cliente, avaliando o mercado, o cenário (micro e macroambientes) para subsidiar a criação e a mídia com dados reais e objetivos para formulação da campanha, com base no budget (orçamento) fornecido pelo cliente ou, ainda, desenhado por ele. TEMA 4 – OS DIFERENTES NÍVEIS DE COMUNICAÇÃO Já percebemos que o cliente de comunicação sempre solicitará novos trabalhos ou jobs com status de urgência. O pior é que o dono da agência fará o possível e o impossível para promover a entrega do projeto mesmo com prazo exíguo, porque está de olho no faturamento, e o atendimento fará de tudo para cumprir o prometido, por conta da preservação do relacionamento existente. Como dito anteriormente, não há como planejar e ter resultados ótimos a curto prazo. Curto prazo é para ações de bota-fora, liquidações, fechamento de pontos de vendas, fechamento de marcas ou fins de coleções de moda, por exemplo, por conta da mudança de estações; ou, ainda, para concessionárias de veículos que promovam ações para “derreter” o seu estoque, por conta da troca de modelos de veículos, ano a ano. Se o apelo da campanha não for muito vantajoso ou convidativo para alavancar resultados, o fechamento não vai alcançar os benefícios almejados. Por isso é que indicamos que todo e qualquer trabalho (por meio de contrato ou não) deva ter um prazo bom. Primeiro, para que o cliente possa avaliar o trabalho da agência, ao longo do prazo estipulado; segundo, para que a agência possa planejar, propor, aplicar e avaliar resultados. Isso demanda tempo, exige um prazo razoável para se avaliar o que deu certo e o que não trouxe resultados efetivos. Aqui vale um lembrete: esvaziar prateleiras de produtos por conta de uma queima de ofertas é uma coisa. Outra coisa é 10 conseguir resultados para posicionamento de uma marca, por exemplo. Então, cuidado ao avaliar a efetividade e os resultados de uma campanha. Uma análise é obter X, em faturamento. Outra é tentar mensurar o quanto a marca ganhou com uma dada exposição. E se campanhas normais demandam tempo para acontecer, campanhas de posicionamento de marca (por exemplo) exigem ainda mais paciência de todas as partes, porque existem níveis de comunicação a serem contemplados, em uma campanha. A comunicação pode atuar em conjunto com outras ferramentas ou em ações isoladas. Hoje, por exemplo, falamos muito em comunicação integrada de marketing (CIM), em que são utilizados diferentes recursos para promoção de marcas, produtos e serviços. Falando especificamente dos recursos comunicacionais, esses obtêm êxito, nos seus intentos e objetivos, quando levam o consumidor a experenciar todas as etapas (níveis) de comunicaçãopossíveis com relação ao consumo. Sant’Anna (2013, p. 72) preconiza haver diferentes níveis de percepção do consumidor. a. Desconhecimento: primeiro nível, o mais baixo da comunicação. Aqui, podemos enquadrar os consumidores que nunca ouviram falar da marca ou do produto e serviço e, por isso, nunca tiveram contato com determinadas empresas e seus produtos. b. Conhecimento: o maior esforço da publicidade e propaganda aqui precisa ser no sentido de aproximar a marca do seu público-alvo. É o momento da apresentação da marca aos consumidores. É importante causar uma boa impressão nos futuros clientes dos produtos e serviços. c. Compreensão: ocorre quando os nossos clientes conhecem as marcas e seus produtos (ou serviços), uma vez que já tiveram um primeiro “encontro”, são capazes de reconhecer a marca, as embalagens e, provavelmente, já tenham pesquisado um pouco sobre o que – de fato – está sendo ofertado e têm uma boa noção disso. As pesquisas, normalmente, se dão (na sua maioria) na internet. d. Convicção: a escolha do cliente não se dá apenas pela ciência de que um produto ou serviço (ou marca) satisfaz seus desejos e necessidades. É sabido que o cliente, além de escolhas racionais, também as faz por questões emocionais. As escolhas do cliente são racionais porque o produto serve exatamente para determinada finalidade (tem uma função); 11 e são emocionais porque a marca (por algum motivo) desperta seus desejos e/ou necessidades (emoções). e. Ação: trata-se do momento da verdadeira razão da publicidade e propaganda e ocorre quando o call-to-action funciona integralmente e o consumidor realiza a compra (ou se prepara para isso). Isso demonstra um movimento premeditado do consumidor para realizar a sua compra. O mais bacana da comunicação é que não existe fórmula ou ciência exata no sentido de prever os movimentos do cliente ou das marcas, com seus produtos e serviços. O cliente, na verdade (nós somos assim!), é extremamente imprevisível, falível, no sentido de comprar por impulso (por emoção), mas muitas vezes completamente consciente da sua compra, seja por convicção, seja por racionalidade. Esse esquema de 5 ações ou diferentes níveis de comunicação parece a receita de bolo ideal – em outras palavras, se o nosso planejamento comunicacional estiver alinhado com o preço, com o produto, com as formas de venda, com o público –, a certeza de sucesso. Mas não! Não existe fórmula mágica. As marcas que hoje são líderes de mercado, seja por suas vendas, seja pela lembrança da marca, de sua tradição e qualidade, carregam em si muito planejamento, milhões e milhões de reais em investimentos em marketing e comunicação, em logística de entrega, em satisfação dos seus clientes. E isso, por óbvio, leva muito tempo para ser alcançado. Então, é importante saber que nem sempre a conta fecha: o produto é excelente, a marca é tradicional, o bem tem uma função importante, o público está muito bem desenhado e a comunicação (promoção) está perfeita, porém não vendemos o quanto gostaríamos. Não raro isso acontece. E esse é apenas um rápido exemplo do quão complexo é esse processo comunicacional. Por isso, cuidado com os prazos! Isso faz com que o profissional da área permanentemente se aprimore, se especialize, busque novos recursos, encontre novas formas de comunicação. Isso nos mantém vivos, curiosos, sempre atrás de conceitos mais efetivos e precisos nas campanhas dos nossos clientes, entregando-lhes aquilo que eles mais nos cobram: resultados! Afinal, o dinheiro (a verba) é sempre dele, do cliente; mas, a reputação pelo serviço que lhe é prestado é nossa. 12 TEMA 5 – O PASSO A PASSO DE UMA CAMPANHA Uma campanha de comunicação, seja ela on-line, seja off-line (ou feita para os dois ambientes), com todas as suas rotinas, processos e caminhos, começa e termina sempre no cliente. Em outras palavras, o atendimento prospecta e ganha a conta, ou mesmo a agência é procurada pelo cliente (indicação é um ótimo caminho!) e passa a trabalhar com ele. O atendimento aplica o brief no cliente e, juntos, preenchem a ferramenta, o documento que vai guiar a campanha. Depois da reunião de briefing, todos os profissionais já estão pautados e sabem quais os primeiros passos para pensar em soluções, por meio de mensagens, escolha de bons canais de comunicação e das melhores ações para o cliente. Uma vez ela criada, redigida e revisada, os primeiros layouts da campanha são apresentados para o cliente. Acertados todos os pontos, campanha aprovada e autorizada, o próximo caminho é a sua veiculação nos meios escolhidos pontualmente para o momento e o cliente. Figura 1 – Passo a passo de uma campanha 13 Nesse esquema da Figura 1, você já consegue identificar quem são os responsáveis e os envolvidos por cada uma das etapas? Vamos lá, passo a passo: o brief e a condução da passagem de briefing são atribuições do departamento de atendimento; uma vez que todos os profissionais envolvidos no job estão cientes do conteúdo e do histórico da empresa, cabe aos departamentos de pesquisa e planejamento alimentarem ainda mais (com informações estratégicas) a ferramenta, transformando-a em fonte de consulta e norteadora das atividades específicas àquele trabalho. O setor que cuidará da concepção e da redação das mensagens é o departamento de criação e a mídia ficará responsável pela escolha dos canais eletrônicos, digitais ou off-line, dos meios e veículos da campanha. Figura 2 – Responsáveis pelo passo a passo de uma campanha 14 Uma vez já trabalhada e concebida, a campanha passa pela prévia ou review interno das suas ações, em que são testados conceitos, publicações on- line, motes, peças, layouts, roteiros, mockups, storyboards, orçamentos e prazos que, em um segundo momento, serão – integralmente – apresentados ao cliente. Novamente, o atendimento entra em cena e leva todo o material (a campanha) para que o cliente possa julgá-la. Se demandar correções, não for aprovada ou receber sugestões de alterações, a campanha retornará à agência, para tais providências. Se aprovada, a etapa seguinte é a de execução, produção ou veiculação da campanha. A avaliação da campanha e dos seus resultados (sejam positivos, sejam negativos) é feita por todos os envolvidos nos processos: mídia, atendimento, planejamento, criação, redação, direção de arte, pesquisa – que se encarregarão de criar um documento para apresentação dos resultados para o cliente. Se a campanha foi um sucesso, se preparam novas etapas. E, se tiver que se corrigir, alguns de seus passos, também se alternam ou retificam certas ações. TROCANDO IDEIAS É muita informação, não é mesmo? Mas se acalme! Podemos perceber que tudo o que estudamos até aqui, além de ter uma verdadeira razão (ou razão de ser), segue um princípio, tem início, meio e fim. Isso é planejar. Isso é notar a importância de se acertar desde o início do projeto; de realizar pesquisas pontuais; de levantar dados; de pesquisar mercados; de reconhecer oportunidades. Esse é o nosso papel! Sigamos em frente, sempre! NA PRÁTICA Lembra aquele projeto de brief que sugerimos em outro momento? Que tal transformar as informações e dados que você levantou para uma campanha digital em publicação voltada a diferentes mídias sociais? Pense numa campanha de três meses para alavancar a venda do produto que você pesquisou, seguindo a rota do brief que você desenhou e projetou. Perceba como suas ideias de layout e de mídia (em que redes irá veicular e postar esses materiais) estarão completamente alinhadas ao que levantou de informações assertivas do(s) seu(s) cliente(s). Pratique isso! Transformar um montão de 15 informações possíveis a respeito do cliente e viabilizar isso em forma de post é sensacional! Experimente! FINALIZANDO Trabalhar com planejamento não é algofácil, rápido e que não exija a entrega de esforço e resultado de várias pessoas diferentes, de áreas distintas. Um bom produto, quando com bons preços, boa capilaridade e boa promoção, tem boas chances de prosperar e ser bem-aceito pelo mercado e pelos diferentes públicos a que se destina. Produto ruim (não se esqueça!) se vende apenas uma vez. O cliente ou consumidor insatisfeito, atual, fará o possível para divulgar as péssimas experiências que teve com a marca, influenciando um grande grupo de pessoas, que potencializarão o alcance dessas reclamações. Não é incomum percebermos casos, quase que diários, de marcas que, devido ao grande número de reclamações e a péssimas repercussões de suas ações, quebraram ou desistiram do negócio. Vamos trabalhar, cada vez mais, para que aquilo que planejamos seja condizente com tudo o que o produto e o serviço que representamos entregam de benefícios. Esse deverá sempre ser o nosso alvo e objetivo. Bons estudos! Até a próxima! 16 REFERÊNCIAS OPERAND. Pesquisa Censo Agências 2022. Joinville, 2022. Disponível em: . Acesso em: 3 jun. 2022. SANT’ANNA, A. Publicidade e propaganda: teoria, técnica e prática. São Paulo: Editora Cengage, 2013. VIECELI, L. Quase 600 mil empresas fecham as portas e dificultam recuperação do emprego. Folha de S.Paulo, 18 set. 2021. Disponível em: . Acesso em: 3 jun. 2022. BRIEFING E PLANEJAMENTO AULA 4 Prof. Alexandre Correia dos Santos 2 CONVERSA INICIAL Como vimos até aqui, a palavra de ordem é planejamento. Aliás, serve para a vida, não é mesmo? Um gasto não previsto, uma conta a mais no orçamento e um custo com saúde podem implicar no desmonte de um “planejamento” mensal que antes não enxergávamos como importante em nossa vida. No marketing, na comunicação e na estratégia, esse cenário não é diferente. Aprenderemos agora como trabalhar com algumas ferramentas e estratégias de mercado para conseguir promover nossas marcas, produtos e serviços que consigamos prospectar e atender. Já conversamos bastante sobre brief e briefing, mas ainda abordaremos aspectos importantes na formação de um plano de comunicação para clientes reais. Conheceremos a permuta, importante ação para viabilizar projetos entre as marcas e seus públicos por meio do investimento em produtos e serviços em troca da divulgação de ações. Entenderemos também como se constroem planejamentos voltados ao patrocínio, também estratégia que costuma alavancar a marca e divulgar produtos e serviços. Compreenderemos ainda como funcionam as verbas cooperadas, em que duas marcas ou mais se cotizam, dividindo igualitariamente os orçamentos para buscar resultados conjuntos, para, em seguida, perceber como se dá a promoção de vendas. CONTEXTUALIZANDO Nem sempre uma empresa tem uma política regular de investimento em comunicação e marketing. Além disso, não são todas as organizações que trabalham de uma forma... digamos, profissional. Perceba que – não raro – recebemos relatos de dirigentes ou decisores de empresas alegando que a internet, por exemplo, não traz resultados práticos para a marca, que não vende produtos e serviços. Mas por quê? Porque esses mesmos empresários não investem como deveriam em comunicação. Porque realizaram algumas poucas ações “mambembes” e não tiveram resultado algum. Não é incomum ouvir também que as ações digitais são realizadas por algum familiar dos diretores da empresa. Acreditem. Muito embora esse cenário de alguns anos para cá tenha evoluído, com 3 os investimentos em digital/internet sendo cada vez mais comuns e passando a representar importantes parcelas do share1 de investimentos em comunicação, ainda há pessoas com uma visão bem distorcida sobre esforços de marketing e comunicação. Cabe a nós, profissionais de comunicação, marketing ou mídias sociais, apresentarmos nossas “armas” e provar com resultados que um plano de ação bem desenvolvido e implementado pode resultar em importantes benefícios para as organizações. Vamos conhecer novas ferramentas e formas de se fazer promoção para trazer cada vez mais resultados para os nossos clientes. Bons estudos e ótimos trabalhos! TEMA 1 – PERMUTA Um dos assuntos caros ao planejamento e ao atendimento de uma conta comercial seja on-line (gestão de mídias sociais) ou off-line (mídias tradicionais) está diretamente relacionada à administração de permutas em um relacionamento publicitário digital. Segundo o minidicionário Aurélio, permuta advém de permutar – ato ou efeito de realizar trocas, dar, mutuar, trocar entre si2. Quando falamos em trocas entre dois agentes comerciais, partimos do pressuposto de que ambos ganharão em partes isonômicas, ou seja, os dois lados terão benefícios conjuntos e iguais nessa ação. Não é incomum agências, profissionais de comunicação e influenciadores formalizarem contratos de permuta como pagamento de serviços prestados para marcas, fornecedores, produtos e serviços. Nessa forma de negociação, as marcas investem em formas de comunicação, sem investir financeiramente (ainda que exista o custo do produto trocado), mas que, ainda assim, implica em não dispender ou alocar dinheiro na ação. Vamos a um exemplo: determinado atleta, em vez de comprar seus suplementos, vitaminas e energéticos, faz um contrato de divulgação de uma loja (ou marca) de produtos e passa a divulgar essa marca em seus eventos, competições, site, blog ou vídeos que protagonize junto ao público. Assim, o atleta e a marca combinam um valor X de produtos que corresponda ao número de ações 1 Share – neste caso, assume um caráter de “fatia de mercado” nos investimentos publicitários. 2 Mini Dicionário Aurélio, p. 418. 4 que o profissional realizará em termos de mídia. Obviamente que ambos utilizarão referências de valores compatíveis com suas atividades. Uma coisa é o valor de mídia que um atleta olímpico pode movimentar e o que um atleta amador consegue impactar. Esse tipo de troca pode acontecer em todas as áreas: agência permutar com uma fábrica de móveis o mobiliário do escritório versus a campanha publicitária anual daquele cliente, a marca trocar produtos que fabrica com um veículo de comunicação, o influenciador trocar ações de comunicação em suas plataformas de divulgação em troca de algum benefício gerado pela marca. São múltiplas as possibilidades que podem facilitar ou viabilizar um negócio no âmbito da comunicação, da publicidade e do marketing digital. Em um primeiro momento, esse tipo de ação é importante para a marca “pesquisar ou sentir” a recepção da comunicação entre novos consumidores, por exemplo. Pode servir para posicionamento em um novo mercado ou forma de comunicação também, haja vista que lançar mão de influenciadores na comunicação é algo relativamente “novo”, mas que tem trazido excelentes resultados para as marcas e, por consequência, para os seus criadores. Favorece também empresas de pequeno porte, ou que estejam sem verba para determinadas ações, mas que podem investir com produtos (ou serviços) nas suas ações comerciais. Para formalizar essa ação, é importante formalizar um contrato ou termo de parceria entre as partes, para que o documento garanta segurança nesta negociação justamente porque deve ser mais assertiva e transparente possível: com a empresa entregando aquilo que é justo e fora prometido e para o influencer (nesse caso) poder entregar todos os comprovantes de ações, bem como os resultados que essas práticas trouxeram em termos de penetração, impacto e resultado. Data driven3 e analytics são importantes comprovantesnessa etapa, muito embora nem todos os profissionais gostem de realizar medições ou analisar suas atividades. Nesse caso, essa prática é imprescindível. Claro que precisamos utilizar o bom senso em alguns casos de permuta: se a parceria for a simples permuta da utilização de uma camiseta da marca em um evento, em troca de alguns produtos – tudo bem. Talvez a formalização de um contrato para este fim afaste o influenciador dessa ação. Agora, se o produto recebido for algo valoroso ou caro para a marca, é fundamental estabelecer esse 3 Orientação a dados – preocupação com acompanhamento, avaliação e mensuração de dados e resultados. 5 contrato como forma de segurança para as duas partes. Caso o personagem ou a marca não aceite a contratação mútua por motivos diversos (até por inexperiência), o que devemos fazer é buscar substitutos para ambos, mesmo que a estratégia a ser desenvolvida seja a mesma. Marcas e indivíduos podem não aceitar permutas por diferentes motivações. Cabe a nós respeitarmos as decisões de não contratação e efetivação de uma permuta. A permuta é uma boa forma de negociação e, se bem tratada, bem acordada, pode trazer vantagens e ganhos para as duas partes. TEMA 2 – PATROCÍNIO Já falamos sobre a permuta como importante estratégia de comunicação e que traz resultados tangíveis para as partes (desde que bem trabalhado e cumprido por ambas), servindo, principalmente, para aquelas marcas que não dispendem, em um primeiro momento, de verbas vultosas para a promoção de seus produtos e serviços. Agora, vamos falar em uma segunda forma de ferramenta estratégica comunicacional, que é o patrocínio. Muitas pessoas confundem patrocínio com permuta, mas são duas coisas bem diferentes. Na permuta, está clara a sua função: divulgar uma marca por meio de interações do contratado com os seus públicos de interesse; já no patrocínio, a verdadeira razão é bem semelhante com essa definição, porém, o patrocinado, além de divulgar a marca, deve ter uma conduta e uma boa intenção com a marca por ser, geralmente, a verdadeira “cara” da marca. Vamos imaginar o quão difícil seria – por exemplo – a marca de energéticos Red Bull promover a sua marca por meio de ações de marketing e comunicação, nos quatro-cantos do mundo. Seria minimamente impossível se pensar em um planejamento de mídia capaz de contemplar todos os países do mundo, em que a marca tenha presença. Já havia pensado nisso? Salvo raríssimas exceções, a marca está presente nas maiores praças do mundo, com uma capilaridade que poucas empresas conseguiram na história. Aqui no Brasil, por exemplo, patrocinam4 atletas de alta performance de diferentes esportes: Henrique Avancini (Mountain Bike), Alisson Cerutti (vôlei de praia), Duda Lisboa (vôlei de praia), Flakes Power (e-sports), Lucas Chumbo (surf), Yndiara Asp (Skate), Fernanda Maciel (corrida), Cacá Bueno (stockcar), Letícia Bufoni (skate) e Carlos Burle (surf), como alguns exemplos de dezenas de 4 Disponível em: . Acesso em: 12 set. 2022. 6 esportistas que são patrocinados pela marca. Claro que, além de patrocínio a um esportista (nesse caso, uma pessoa física), existe também os patrocínios a eventos. Desde uma cota de participação na produção de um evento ao patrocínio integral de um projeto. Ainda dentro do escopo da marca Red Bull, ultimamente (no Brasil), a empresa tem investido pesadamente em patrocínio de eventos de e-sports e games on-line que, segundo dados da empresa Technet Immersive, já fatura o dobro5 das indústrias da música e do cinema em conjunto. Segundo a pesquisa Game Brasil, a marca em novembro de 2021 era a mais conhecida (91,4%) e consumida (63,8%) pelos gamers dentro da categoria de energéticos. Assim, a marca organiza e patrocina eventos como o Red Bull Solo Q, que é considerado mundialmente o maior torneio de LoL x1 voltados a todos os jogadores amadores do mundo. A pergunta é: quantos jovens são impactados por ações da marca ao longo do ano, no mundo inteiro? Esse é o objetivo do patrocínio. Independentemente de ser um patrocínio a um atleta, a uma personalidade, a um artista ou patrocínio de um evento, essa estratégia pode ser uma importante ferramenta, dando visibilidade, posicionando e provocando a memória ou lembrança de marca de um cliente ou consumidor. A principal função do patrocínio é persuadir, captar a atenção de determinado público fora do mainstream (corrente principal, tendência), por exemplo, em locais diferentes do convencional. Muitas vezes, com uma vantagem: o consumidor ou público-alvo é impactado muito mais em um momento de esporte ou lazer do que em momentos tradicionais como em um comercial de 30 segundos ou em um ponto de venda comum. É a marca interagindo com o público em seu momento de entretenimento. Assim, o patrocínio entra como importante ferramenta de estratégia, marketing e comunicação, por tentar atingir objetivos diretamente relacionados à consciência do valor da marca, posicionamento e imagem da empresa, para ter como resultado e consequência o crescimento do volume de vendas da marca. Assim, o principal retorno dessa modalidade de investimento em comunicação é na marca, na promoção da imagem institucional e na promoção da marca. Há diferentes categorias de patrocínio de eventos, mas elencamos as quatro principais: a) patrocínio esportivo; 5 Disponível em: . Acesso em: 21 jun. 2022. 7 b) patrocínio cultural; c) patrocínio social; d) patrocínio relacionado a causas sociais e meio ambiente. O patrocínio esportivo, como já vimos, abrange uma infinidade de esportes, impactando atletas de esportes tradicionais e alta performance (como surf e vôlei) passando por atletas de esportes on-line (e-sports) e, ainda, atletas de esportes menos conhecidos, como hóquei, corrida de aviões e até corrida de aviões de papel (Red Bull paper wings). Vale lembrar que, ainda que usemos exemplos multinacionais, donos de budgets milionários, o patrocínio pode ser feito por uma pequena empresa da região em que moramos. Há possibilidade de negociação para todo tipo de bolso ou investimento. Já o patrocínio cultural oferece e aproxima o lazer e o entretenimento das pessoas. Perceba também que a marca entra em um momento feliz e despreocupado dos diferentes públicos a que se destina. Empresas como Petrobrás, Bradesco, Santander, Caixa Econômica Federal e Itaú são exemplos de grandes marcas que têm com uma das principais estratégias de marketing investir pesadamente em patrocínio cultural. Esse tipo de ação promove o acesso de cultura a diferentes públicos. O patrocínio social está diretamente relacionado a gerar valor para a marca, conquistando (literalmente) o coração do consumidor. Se, por meio do patrocínio cultural, o objetivo é por meio da arte de conquistar a simpatia do seu público, no patrocínio social, o objetivo principal é agregar valor à marca. Por meio de ações em patrocínio social, ajudar entidades sociais ou pessoas em situação de vulnerabilidade é bem percebida pelos diferentes públicos da marca. Aqui, a parceria é entre uma empresa e a marca, sendo o benefício desse contrato a satisfação das duas partes, contribuindo para os necessitados e gerando credibilidade para a empresa. Por fim, o patrocínio voltado a causas sociais (diferente do patrocínio social) reserva parte dos seus lucros da venda de produtos ou serviços para repasse a ações ou entidades beneficentes e filantrópicas. A diferença é que, enquanto uma investe no evento ou no patrocínio da causa, a outra dedica parte do faturamento como repasse para as ações. Todos esses diferentes tipos de patrocínios são importantes para os dois lados do balcão: para o patrocinado e para o patrocinador, uma vez que todos os esforços são voltados para o crescimento dosdois lados. 8 TEMA 3 – A PROMOÇÃO DE VENDAS A definição mais simples e que reflete bem o papel da promoção de vendas dentro do composto de comunicação e/ou marketing é muito assemelhada aos conceitos de merchandising: a promoção de vendas deve ser entendida como múltiplas ferramentas estratégicas de promoção, que têm como principal característica ações de curto prazo, que visam despertar o desejo e a resposta dos consumidores. É justamente por essa similaridade que esses compostos são formativos e complementares no mix de comunicação integrada. Assim, a promoção de vendas é largamente utilizada como suporte aos demais compostos deste mix e é facilmente compreendida por meio do trinômio: 1. benefício adicional; 2. tempo de ação e promoção; 3. objetivo (ou meta) estabelecida. O benefício adicional tem como vantagem intrínseca adicionais que são benefícios extras ao se adquirir o produto, preferencialmente diferenciais frente à concorrência. Por tempo determinado, justamente para delimitar tal benefício e estimular o consumidor a comprar o quanto antes; sim, é por isso que a maioria das ações promocionais carrega a reboque a frase: “ofertas válidas até 00/0000 ou enquanto durarem os estoques”. Tal afirmação também é uma salvaguarda a um erro durante o processo que comprometa as vendas. Assim, a empresa alega o fim dos estoques e, por consequência, o fim da promoção. Além disso, ao “datar” uma campanha, obriga o cliente a ir até o ponto de vendas para realizar suas compras, convencendo o seu público de que as ofertas, após essas datas, se encerrarão. Não menos importante, o objetivo específico é o atingimento das metas e objetivos estipulados pelo departamento comercial da marca do produto ou serviço. Tais objetivos têm que ser viáveis, passíveis de valoração e atingimento. Os objetivos de uma promoção variam conforme a empresa e o tipo de negócio, beneficiando tanto a empresa como o consumidor. Alguns objetivos: a) motivar a força de vendas – estimular com alguma vantagem os vendedores; b) aumentar as vendas – a promoção – por óbvio, objetiva um aumento importante de vendas, mensurado pelo estoque disponível para a promoção, por exemplo; c) estimular mercados iniciais – é favorecer o crescimento exponencial de 9 mercados recém-abertos – em fase ou estágio de maturidade; d) apresentar novos produtos para os clientes. Em ampliação de portfólio de produtos e serviços, por exemplo, a promoção tende a destacar o novo em detrimento dos antigos produtos da mesma marca. e) A promoção é boa para a organização. Para o consumidor, por outro lado, a ação entrega vantagens. A promoção representa uma recompensa lucrativa e compensatória pela antecipação da compra se diretamente associada à economia e uma possível e perceptível redução de custos. Ainda há as sensações emocionais: aquele consumidor orgulhoso por ter aproveitado e realizado uma compra em uma condição vantajosa. As ações promocionais que são voltadas para o preço (estratégia de precificação) têm a preferência dos consumidores, e são as mais utilizadas no mercado. Há aqui uma variável fundamental na hora da compra, que é a análise (e a comparação) do preço, explorando no consumidor o desejo de levar vantagem, promovendo, assim, a sua autoestima, além de favorecer a base da relação de troca do marketing, que é a satisfação. TEMA 4 – MÍDIAS COOPERADAS Uma das forças motrizes da mídia é a capacidade de inovação e eficiência que os diferentes canais (desde que bem trabalhados) podem entregar para as marcas. Trabalhar duas marcas concomitantemente em uma mesma mídia ou veículo dilui os custos de veiculação e deve trazer para as empresas um resultado oportuno para a promoção de seus portfólios. Um bom projeto de mídia cooperada, em que duas empresas dividem os custos e, por consequência, ombreiam o mesmo espaço comercial, publicitário on- line ou off-line, aumenta ou potencializa as possibilidades das marcas (principalmente no varejo), de parceiros com produtos similares ou complementares, fazendo-os alcançar públicos distintos com uma mesma verba. Isso porque, ainda que tenham escopos ou metas diferentes, ambas têm objetivos em comum: alcançar bons resultados, projetar a sua marca e vender mais. Essa cooperação pode ser por meio de um anúncio em outdoor (32 folhas), em um anúncio de TV (30 segundos) ou em um post do Facebook (exemplos entre centenas de possibilidades). No outdoor e na TV, basta as marcas discutirem uma forma isonômica de dividirem o espaço comercial. 10 No Facebook, as lojas que utilizam anúncios dinâmicos conseguem abrir um segmento do seu próprio catálogo com produtos ou serviços de uma marca específica. Essa mesma marca pode usar esse segmento por meio da veiculação de anúncios dinâmicos dirigidos a um público específico (pessoas que demonstraram interesse em mecanismos de busca, por exemplo) ou ainda na própria loja ou qualquer site da rede. A loja de varejo Magalu (Magazine Luiza)6, por exemplo, é líder em anúncios cooperados na rede, ora com representantes da marca, ora com empresas parceiras. Porém, como em tudo que envolva planejamento, há algumas boas práticas nessa modalidade de promoção de vendas: a) planejamento sempre: pensar as táticas e estratégias, bem como definir metas e objetivos plausíveis são fundamentais na construção do projeto; b) distribuir verba para ações cooperadas é muito mais que simplesmente “dividir” o orçamento e dirigir para diferentes veículos. Além de apoio, precisamos compreender as necessidades do parceiro, alinhar com as necessidades da nossa marca e, assim, buscar os melhores resultados; c) como dito anteriormente, o foco sempre é no resultado. A verba cooperada pode não trazer bons resultados na construção da marca, mas, então, deve gerar intensa demanda nos pontos de venda, por exemplo; d) se o parceiro não está acostumado a investir em marketing digital, crie pequenos projetos, para que, aos poucos (por meio da mensuração dos resultados), ele perceba a importância de se investir no on-line. Esta adaptação é fundamental para o sucesso do projeto; e) Apostar em segmentos ou nichos de mercado facilita a conversação entre as marcas e os seus públicos. A grande capilaridade das mídias sociais favorece o direcionamento das ações e uma consequente economia de recursos em mídias digitais; f) relacionamento é uma palavra de ordem. Não há como dividir uma verba cooperada se não existir um bom relacionamento entre as marcas. Por isso que os processos têm que ser o mais transparentes possível, assertivos; para justificar as verbas e a comunicação entre os anunciantes dever ser objetiva, fluida. 6 Um dos maiores grupos varejistas do Brasil: . Acesso em: 21 jun. 2022. 11 g) a avaliação e a mensuração dos resultados devem ser conjuntas, para que as marcas percebam onde estão acertando e onde podem melhorar ainda mais em suas ações. TEMA 5 – GERENCIAMENTO DA CONTA PUBLICITÁRIA NAS MÍDIAS SOCIAIS Pensar a verba publicitária nas mídias sociais ou digitais é muito similar a trabalhar com a mídia tradicional. Obviamente que a diferença habita nos formatos de mídia de veiculação e nas formas de controle e análise de resultados. As alegrias e mazelas da relação com o cliente são as mesmas. Trouxe resultados, comemora-se; não performou ou converteu a boa comunicação em números para o cliente, revisa-se. Essa equação é a base para qualquer relacionamento entre a agência e o cliente. Quando essa conta não fecha, começam os problemas no relacionamento e é necessária a DR: discutir a relação e focar nos pontos fracos e nos problemas para tentar reverter o cenário desfavorável. A falta de resultados mina qualquer relação (e sem trocadilhos). Por isso, o ideal é você tratar sempre a conta publicitária, desde o início darelação, como algo que deve perdurar e ser bem atendida por um longo espaço de tempo. Como já vimos, resultados a curto prazo são possíveis em apenas alguns casos específicos. Assim, tratando bem o cliente (e a relação), a certeza de uma boa fase de relacionamento é ponto pacífico para os dois lados. Conhecer todos os formatos possíveis e atuais de mídia social ou digital se torna um grande desafio para o profissional que deseja trabalhar com mídia (nesse caso, digital) devido ao gigantesco número de possibilidades existentes para investimento em comunicação. O ideal é sempre estar focado em pesquisar quais as possibilidades que se abrem àquele cenário definido para o cliente, para que não se desperdice dinheiro nem o principal capital da maioria das organizações: seu tempo. Importante não esquecer: como em muitas ações – mídias sociais possuem características próprias, o que a torna única, exclusiva, exigindo ações específicas que deem conta das suas necessidades. A seguir, algumas características específicas desses tipos de comunicação: Mídias tradicionais Mídias sociais A marca controla a informação A audiência controla a informação 12 Mensagens unidirecionais Mensagens bidirecionais Estabelece um diálogo Testa diferentes conversações Repete as mensagens Adapta as mensagens Foco na marca Foco na audiência Agrega valor para a audiência Visa educar a audiência Empresa cria conteúdos Usuários cria conteúdos | cocriação Essas diferenças ou especificidades próprias de cada formato de comunicação ou promoção fazem das nossas práticas algo único, porém diverso, experencial, que, a cada nova ação ou novo planejamento, possamos pensar sempre nos nossos objetivos: levar as marcas e seus portfólios por meio do aumento de pontos de contatos e pela experiência de novas oportunidades do fazer comunicar. TROCANDO IDEIAS Conhecer o cenário das mídias sociais, todas as suas possibilidades enquanto alternativas de investimento em comunicação e marketing, bem como compreender os métodos, as formas e formatos e (principalmente) como se avaliar os investimentos e os resultados dessas ações são tarefa de quem trabalha com planejamento. Como já abordamos, as possibilidades e alternativas são múltiplas e, se isso não for levado em consideração, poderá comprometer os resultados de quem pensa a comunicação das marcas. NA PRÁTICA Você conhece todas as alternativas existentes hoje no digital para as mídias sociais? Você testou algumas das opções de ferramentas possíveis para promoção, posicionamento ou construção de marca por meio de investimentos na internet? Sugerimos que você crie um rol (um elenco) de possíveis plataformas, aplicativos, redes sociais e estratégias possíveis para a composição de um plano de mídia para um cliente de internet. Além do desafio de se pesquisar quais as alternativas possíveis de investimento em digital, o objetivo dessa prática é fazer 13 com que você sempre atualize essa lista, que será sua companheira nos planejamentos daqui para a frente. FINALIZANDO Conhecer o todo das mídias sociais, além de um grande desafio, é uma forma de se compreender todas as possibilidades de se lançar mão dessas ferramentas para possíveis estratégias comunicacionais. Vale lembrar que a forma de se pensar ou construir os planos de comunicação é a mesma para as mídias tradicionais, digitais e para ações no media. Por isso que, ainda que nosso foco seja promover marcas (produtos e serviços), nossa atividade não é apenas pensar em ações de e-mail marketing ou posts em redes sociais. Esta é apenas a função “fim” do planejamento. Por isso que reforçamos a importância de se pensar a marca, a comunicação, montar o planejamento e sempre atualizar os conhecimentos em mídias sociais. O que se fala hoje talvez não se escreva amanhã. Bons estudos! 14 REFERÊNCIAS MAGAZINE Luiza. Disponível em: . Acesso em: 21 jun. 2022. MINI MICHAELIS, São Paulo: Melhoramentos, 2009. RED BULL. Disponível em: . Acesso em: 21 jun. 2022. TECHNET Immersive. Disponível em: Acesso em: 21 jun. 2022. 1 BRIEFING E PLANEJAMENTO AULA 5 Prof. Alexandre Correia dos Santos 2 CONVERSA INICIAL Como construir o passo a passo de um planejamento? Reforçamos que o marketing (como conceito) advém do final dos anos 1950, início dos anos 1960, com grande contribuição de Jerome McCarthy, autor da Teoria dos 4Ps, utilizada em larga escala até hoje. Esse termo completa mais de 60 anos e, até hoje, ninguém ousou apresentar um modelo ideal de plano ou planejamento de comunicação simplesmente porque trabalhamos com arte, com indivíduos, com hábitos, com comportamentos, o que torna essa atividade (da ciência exata) uma tarefa impossível. Assim, reforçamos que não há um planejamento ideal (exato) que traga resultados assertivos e exatamente como o determinado. E querem realmente saber? Este é o grande desafio que devemos enfrentar diariamente e, por sua vez, é a motivação necessária para, cada vez mais, usarmos todas as estratégias e táticas possíveis para alcançar todos os resultados esperados. Vamos lá conhecer novas ações e formas de comunicação! CONTEXTUALIZANDO Como não há uma receita exata de bolo, para resolvermos os problemas de comunicação, não há um roteiro pré-definido e engessado que o atendimento e o planejamento devam seguir para o atingimento de objetivos. Os passos do atendimento a uma marca e o Brief se naturalizam a partir da prática diária das ações relacionadas com planejamento. Se, no início, os profissionais precisam de um pedaço de papel que oriente todas as suas ações, com o passar do tempo, isso se torna automático, justamente pela prática. Desta forma, o que pretendemos aqui é criar o escopo, o “esqueleto” dos passos da construção de um planejamento para que cada profissional desenvolva a sua própria forma de levantamento e projeto de informações. Além disso, mostramos a importância da pesquisa em comunicação, a definição dos “problemas” a serem enfrentados pelos diferentes profissionais da agência e a definição dos objetivos para que encontremos sempre as melhores soluções para os problemas dos nossos clientes, afinal, esta é a verdadeira razão da nossa profissão. Buscar as melhores soluções para o enfrentamento dos problemas de nossos clientes, ressaltando a importância do relacionamento neste importante contrato de trabalho. Bons estudos, excelentes trabalhos! 3 TEMA 1 – PASSO A PASSO DE UM JOB Agora vamos acompanhar um desenho de um possível roteiro passo a passo da formulação de um planejamento de comunicação. Claro que os passos são os básicos para uma relação comercial e pode variar de práticas conforme a leitura do ambiente e da experiência dos envolvidos na negociação. Em primeiro lugar, o atendimento faz a prospecção1, ou seja, escolhe um cliente potencial e investe na conquista da conta, lembrando que os clientes (ou possíveis clientes) vêm principalmente da indicação de outros clientes da agência, da prospecção direta e por consulta direta do cliente à agência. Uma vez o cliente conquistado, surge o primeiro Job2 de um cliente Y, que está pronto para ser trabalhado pela agência. Assim, o atendimento conversa pela primeira vez com o cliente para conhecer o “objeto” da comunicação, ou aquilo que deverá ser trabalhado pela agência. Pode ser a promoção de uma marca (institucional) ou promoção de produto ou serviço do portfólio dessa marca. Ou ainda, trabalhar a marca e seus produtos simultaneamente. Aqui é o momento de ouro: o atendimento deve extrair e ser capaz de bem formular as principais características do “objeto”, levantando ohistórico, especificidades, características, ações já realizadas etc. Como vimos, nessa etapa, é imprescindível pontuar tudo aquilo que possa servir de subsídio para os profissionais da agência conseguirem trabalhar o “problema comunicacional” dentro da empresa. Em seguida, é realizada uma reunião de pauta (Briefing) com as diversas áreas da agência, para que todos os responsáveis pelos departamentos conheçam o novo cliente, o Brief recém-desenhado e o Job a ser realizado. Nesta reunião, encontram-se diretor de criação, o atendimento, o planejamento, a mídia, a pesquisa, enfim, todas as áreas que farão parte do projeto. Como já vimos, dependendo do tamanho da agência, é possível que atendimento e planejamento estejam personificados em uma mesma pessoa. O atendimento, responsável direto pela conta do cliente, primeiro apresenta tudo o que levantou em termos de dados com o cliente, apresenta o objeto da discussão e debate com os demais todas as características: É um produto? Um 1 Prospecção é a atividade de buscar novos clientes para compor a carteira da agência. 2 Job, “trabalho” em inglês, em uma agência de publicidade, é o projeto a ser desenvolvido. A mesma definição é utilizada por outras áreas. 4 serviço? É vender a marca? É posicionamento? É tudo ao mesmo tempo? Além, obviamente, de estabelecer qual o orçamento ou a verba de campanha. Aqui, devem ser discutidas práticas, conceitos e estratégias que devem ser desenvolvidas para aquele caso ou problema específico. Esse exemplo deixa clara a necessidade de se pensar job por job, cliente por cliente. Hoje, a máxima de que “todos os clientes são praticamente iguais” não cabe mais nas agências, ou, pelo menos, nas boas agências. Como são todos diferentes, partimos do pressuposto de que os problemas serão distintos e, por consequências, as soluções também serão diferenciadas. Problemas, históricos, características conhecidas e verba e formato de campanhas definidas, as equipes se dividem para cada departamento discutir quais soluções serão importantes especificamente para aquele cliente. Que linha de criação devemos seguir? Quais as melhores mídias para programar? Quais plataformas serão ideais para a presença online? Quais as principais características da concorrência? Quais os dados de pesquisa serão importantes para subsidiar o planejamento de comunicação do cliente? Este é o momento da ajuda mútua: o planejamento distribui entre os seus pares as possibilidades, formas e possíveis formatos de comunicação, a pesquisa subsidia todos os departamentos com pesquisa inerentes àquilo que o cliente pretende ou deseja, dados sobre mercado, sobre público, dados a respeito da concorrência entre outros; a criação começa a esboçar as possibilidades de motes de campanha e a mídia procura os melhores canais e mídias para a promoção do objeto. Vale lembrar que diferentes departamentos podem subsidiar o trabalho de escolha de mídia. A pesquisa, por exemplo, deverá entregar relatórios relacionados ao cliente e ao projeto em andamento, que deixe claro o perfil do público, do cliente ou do público-alvo que a campanha deva atingir. Claro que o(a) profissional de mídia também utilizará recursos de percepção pessoal ou feeling daquilo que possa ser a melhor solução para o cliente. Dados de mídia digital, por exemplo: devo anunciar no Facebook, no Instagram ou em ambos? É tarefa da expertise ou experiência do(a) profissional de mídias em saber traduzir o momento de mercado em oportunidade para o cliente. Agora, todos os departamentos estão empenhados em definir qual o melhor plano para o cliente: quais meios, quais veículos, quais motes ou temas, quais ações devem ser escolhidas desde que estejam adequadas às verbas, aos públicos-alvo, além de alinhada com os planos e objetivos do cliente. 5 Na sequência, o profissional de mídia começa a elaborar orçamentos e cotação de preços, online e offline para aquela campanha; para aquela necessidade pontual, ou para as soluções elencadas pelos profissionais da agência para o cliente. Descontos são negociados, prazos de pagamento estipulados e cronograma de ações ajustados. Assim que todos os departamentos finalizam a sua parte, o plano é apresentado ao atendimento e ao diretor da agência para que sejam aparadas possíveis “arestas” ou pequenas falhas possíveis de projeto. Vale lembrar que, dependendo do organograma ou fluxograma da agência (ou até mesmo do modelo e planta arquitetônica do escritório), nem todos os departamentos possuem interface direta uns com os outros. Em outras palavras, é possível que os diferentes departamentos tenham trabalhado o mesmo job, de formas distintas, e essa reunião serve justamente para todos alinharem os discursos e soluções que têm um mesmo fim, que é (ou deve ser) contemplar os desejos e necessidades do cliente da pauta. Uma vez tudo alinhado e aparado, é hora de preparar as artes e layouts, mockups, pilotos, enfim, tudo o que possa servir de apoio para o atendimento e (normalmente) o planejamento (se não forem a mesma pessoa), saírem e defender com afinco e convicção a campanha frente ao cliente. Se o atendimento comprar as boas ideias da agência, isso facilitará em muito a sua apresentação perante o cliente. Agora é a hora que esse profissional precisa vender, de fato, as soluções para os problemas comunicacionais do cliente. O atendimento sai para o cliente e, por meio de mais uma reunião, apresenta a nova campanha: o cliente analisa as possibilidades, checa as ações e confere valores de mídia. Alterações invariavelmente são solicitadas e fazem parte do dia a dia desses profissionais. O cliente recebe o plano adequado às suas solicitações e pedidos. Uma vez aprovada, o cliente assina os documentos que validam as ações, dando aval para a continuidade da implantação da campanha. Agora, a mídia renegocia mais uma vez com os veículos, na esperança de ainda conseguir mais alguma vantagem para o seu cliente. Essa negociação deve ser o mais transparente possível, e o cliente deve acompanhar todos os passos. A criação e a arte-final preparam os materiais para produção e impressão em gráficas, por exemplo, se a demanda for offline, além disto, também preparam as artes para veiculação na rede e nas mídias sociais, checam ações, cronograma e posição e agendamento dos posts nas diferentes redes sociais; checam as 6 demais ações de mídias digitais ou sociais. A agência envia uma autorização por meio de carta-acordo aos veículos, ou autoriza as plataformas para veiculação dos materiais dos clientes, resumindo e explicitando todas as condições combinadas entre as partes, como descontos, bonificações por veiculação e o valor total acordado com aquele veículo. É importante saber que com cada veículo é realizada uma negociação. O veículo devolve a carta-acordo assinada pelo seu departamento comercial ou departamento de vendas ou, ainda, formaliza a negociação final de veiculação. O mesmo vale para a maioria das ações realizadas com plataformas online de mídia. Agora, a mídia está apta a começar a preparar os pedidos de inserção (PIs3) que autoriza os fornecedores a veicular os comerciais do cliente da agência. Cada veículo possui o seu modelo próprio de PI Em tese, os mapas são muito semelhantes, sendo que o que troca é o nome e a marca do veículo ou algumas formas de preenchimento do pedido. Alguns veículos possuem sistema próprio de autorização e pedido de inserção, que devem ser preenchidos e demandados online. Isso serve para veículos ou meios tradicionais ou digitais. O próximo passo é a formalização das veiculações junto ao cliente. A agência envia as autorizações de pagamento (APs), para que os clientes assinem ainda antes das veiculações. Agora, a campanha está pronta para ir ao ar, ou passar a ser veiculada digitalmente nas múltiplas plataformas comunicacionais.Uma vez veiculado, o checking realiza a conferência para verificar se todos os espaços que foram contratados, foram disponibilizados, veiculando o material do cliente. Neste caso, no online, os relatório são acessados dentro das próprias ferramentas. Avaliação de checking, analytics e criação de relatórios é imprescindível com material de comprovação de veiculação e como base para análise de resultados. O departamento operacional ou administrativo da agência emite os documentos para que o cliente pague pelas veiculações. O departamento de mídia realiza o trabalho de pós-veiculação, orientando planilhas que comprovem todas as ações. E, por fim, são apresentados os resultados coletados ao longo de todo o processo em reuniões para os envolvidos na agência (até como forma de agradecimento pelo empenho e envolvimento no 3PIs – Entende-se como pedido(s) de inserção(ões). 7 projeto) e para avaliar resultados junto ao cliente para que sejam demandadas novas ações ou revisadas as que entregaram pouco resultado efetivo para as soluções propostas para o cliente. Prontos para iniciar um novo job, de preferência do mesmo cliente, porque é sinal de que estamos no caminho certo do relacionamento de longo prazo. TEMA 2 – A PRÉ-CAMPANHA Avaliar o Brief, tanto na construção junto ao cliente, quanto junto aos profissionais da agência para start do projeto, é importantíssimo para o projeto em andamento. Esperamos que, a essa altura, já esteja completamente compreendida a importância e a função do Brief como marco inicial (e vital) para qualquer projeto. Nunca é demais lembrar que o Brief tem como função principal evidenciar as características e os requisitos principais de um cliente, marca, produto ou serviço e que deve ser na medida, ou seja, sem exagerar ou nem mesmo economizar nos detalhes ali apontados. Como já visto também, não há um modelo base para a criação de um Brief. Não há uma receita ou fórmula pronta. Como vimos, com o passar do tempo, a formulação dos questionamentos mais importantes do documento passará a ser natural, a fluir tranquilamente no discurso corrente do atendimento e/ou planejamento, tornado essa atividade algo simples, mas necessário para o levantamento prévio de dados. Esse documento, além de norteador de campanhas, serve como um acordo formal de contratação do serviço indicando para os profissionais envolvidos no projeto que há um trabalho em tráfego naquele momento dentro dos processos da agência de comunicação, servindo com uma “declaração de trabalho”. Aqui cabe uma importante observação: na grande área da educação, o Brief também tem um conceito de Behavior Rating Inventory of Executive Function4, que é um relatório de comportamento de crianças e adolescentes e na área da administração, Brief assume um caráter de Sumário Executivo muito parecido com o formato utilizado na comunicação, com a diferença que é um documento usado pela alta administração de uma empresa para organizar dados e documentos de um projeto executivo. Como dito há pouco, o Brief, além de servir como documento referencial de 4 Inventário de classificação de comportamento da função executiva. 8 dados do cliente (histórico, características etc.), pode (e deve) servir como um norteado dos objetivos do projeto. Desta forma, serve como documento que ordenará, inclusive, o cronograma de atividades e de entrega (veiculação) da campanha do cliente. Isto dá um caráter formal ao projeto, alinhando as tarefas diárias com a nova demanda, ou novo job. Ainda que tenhamos pensado exaustivamente na importância desse documento, não custa reforçar que, para se conseguir uma boa avaliação nesse roteiro, ou processo, há características que devem ser respeitadas: a) Mantenha apenas texto relevante: detalhes que não serão importantes para os times da agência também não são relevantes nesse documento. O trabalho do atendimento (ou do planejamento) é justamente identificar quais os pontos mais importantes para compor o Brief. b) Deixar muito claro quais são os objetivos a serem alcançados com aquele job, com aquele trabalho que está sendo discutido. Como já dito, quando não temos um objetivo aonde chegarmos com o nosso projeto “está ok”, justamente porque não definimos uma meta alcançável. c) Ao criar um cronograma, o foco não deve ser apenas no início da prospecção, tempo de criação e produção e, por fim, entrega. d) Devemos incluir marcos principais e/ou datas importantes para nortear as equipes e apontar estágios do andamento do projeto. e) O segredo do sucesso de um Brief é conectar as pessoas certas e os times ao momento da verdade do projeto. Todos os interessados e envolvidos devem ter acesso às informações da marca, produto ou serviço. Você sabe de fato qual o tipo de conteúdo que os clientes (ou personas) da marca que você promove consome? Ainda que pareça básico isto, devemos lembrar que raramente os times estão com demanda apenas de um Job. Na correria diária, os profissionais, geralmente, estão envolvidos com uma série de trabalhos com diferentes temáticas e objetivos. TEMA 3 – A PESQUISA E OS PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS Metaforicamente falando, a pesquisa está para o planejamento como o queijo está para a goiabada. Os dois separados funcionam, mas juntos, então, fica melhor ainda! O departamento de pesquisa, hoje, se tornou uma ferramenta importantíssima para qualquer profissional de comunicação. Seja como suporte 9 para o planejamento, buscando novas ferramentas, casos de sucesso, dados de mercado, dados de consumidores, relatórios de BI (Business Intelligence) entre outros, essa área serve de “bandeja” dados para que o planner possa trabalhar ainda mais assertivamente. Para a mídia offline ou online, a pesquisa pode fomentar novas oportunidades de espaços comerciais e publicitários, pode buscar melhores encaixes com melhores preços, investigar o que já foi veiculado pelo cliente, marca ou empresa. Para a criação, pode servir como base e ponto de partida para a criação de grandes campanhas, realizando um levantamento criativo do que já fora criado para determinado segmento de mercado, por exemplo. Lembrando que o planejamento é a equação do “passado com o futuro”. Ou seja, passado é o padrão, ou tudo o que a marca já realizou em termos de campanhas online, por exemplo. Futuro são os planos, ou aquilo que planejamos para a marca daqui para a frente. Em resumo, a função principal da pesquisa é retroalimentar todos os departamentos de uma agência, ao longo dos processos operacionais, informando- os continuamente com dados sobre os clientes, a concorrência, o mercado e os consumidores. Como já dito antes, o mercado das mídias sociais vive em ebulição com lançamentos diários de novas oportunidades em termos de campanhas e possibilidades de mídias para anunciantes. Uma das premissas importantes para qualquer profissional de comunicação é a “referência”. Ou seja, nossa sugestão é que antes de se esboçar um planejamento, desenhar uma campanha, sugerir uma mídia, uma plataforma, que essas áreas se municiem de ferramentas que “norteiem” suas ações. Por melhor que seja o repertório do profissional ter bases relacionadas à área, ao produto e ao mercado, inspirarão ainda mais a tarefa. Nas pequenas agências digitais, essa tarefa ainda é realizada pelo planejamento ou por alguém do atendimento. Mas a sugestão é que, independentemente de um departamento estruturado, as pessoas busquem por si novas referências. A nova geração de criativos, planners e atendimentos está ricamente subsidiada com o que há de melhor em termos de inteligência de mercado. Os veículos e plataformas se especializaram, os meios se expandiram e as fontes dessas informações estão cada vez mais precisas, por uma necessidade latente de mercado. Quanto mais assertivas as informações, mais altas as chances dea campanha publicitária impactar, ou seja, acertar precisamente aquilo que os 10 clientes esperavam em termos de conceito, em termos de conteúdo e de forma para suas empresas e marcas. Exemplo prático: você sabe, de fato, que tags e hashtags utilizar em cada uma das mídias para alinhar os conceitos e promover a convergência entre as publicações? Hoje, os veículos e plataformas, por exemplo, disponibilizam online mapas completos de programação em seus Mídia Kits, divididos por audiência, por público, por segmento, facilitando a vida de quem precisa de dados precisos (e preciosos) sobre os meios para defesa de seus planejamentos e mídias. Como são inúmeras as possibilidades de veiculação em mídias sociais, a intenção está longe de ser elencar ou listar quais as possibilidades disponíveis no mercado. Vale lembrar que, quando falamos de mídias sociais, falar em presença na rede não significa a marca figurar em todos os canais possíveis e imaginários. Não é, inclusive, essa a função do planejamento. Como visto, tudo dependerá da verba, do tamanho da marca, das possibilidades de criação e geração de conteúdo, entre outras possibilidades e oportunidades para os planos de comunicação. TEMA 4 – PROBLEMAS E OPORTUNIDADES Quanto mais competitivo o mercado que o nosso cliente esteja inserido, mais complexos são os diagnósticos e formas de se pensar o marketing ou o plano de comunicação para aquele cliente. Hoje, vivemos um mundo cada vez mais competitivo, acirrado, onde marcas – produtos e serviços – batalham por consumidores cada vez mais informados. Uma empresa que não invista em desenvolvimento de planos estratégicos, seja contratando especialistas externos ou preparando pessoal interno, para pensar e estruturar estratégias relacionadas ao mercado de atuação, tende a disputar espaço com players que investem pesadamente em diferentes rotinas de marketing, aumentado a sua capacidade de previsibilidade e de ação, num mercado hostil, competitivo, que não aceita erros. Para Kotler (2009), não basta simplesmente uma empresa sugerir que atua em “negócios”, aquela revenda de carros que está no “negócio de automóveis”, ou de roupas que está no “negócio de vestuário”. Esses negócios precisam ser percebidos como oportunidades e processos de satisfação de um cliente e não apenas como uma unidade de processo de produção de mercadorias ou serviços. Com isto, é certo afirmar que é o marketing (o seu diagnóstico assertivo e suas ações eficientes) que, na grande maioria das vezes, garante público para as 11 marcas, seus produtos e serviços, porque partimos do pressuposto que não existem meios ou formas mais viáveis de crescimento e percepção de marca, sem se investir em ações mercadológicas, sejam de cunho estratégico (posicionamento, desenvolvimento de novos produtos), sejam com objetivos de divulgação: promoção e veiculação da marca. Compreender como os nossos clientes chegam até os nossos produtos, consomem nossos serviços e percebem a nossa marca, é objetivo do diagnóstico mercadológico, afinal, determinada organização pode investir milhares de reais em comunicação, promoção, e não conseguir resultados esperados (isto é mais comum do que parece). Quando não há planejamento efetivo, gastar verbas milionárias com ações equivocadas, infelizmente, fazem parte do negócio. Com isso, o diagnóstico prevê ações possíveis de investimentos, rotas (e mudanças de rumo), timing, entre outras variáveis que poderão influenciar diretamente no negócio. Diagnosticar é muito mais que validar relatórios, gráficos ou planilhas, é compreender quais as necessidades (daquele momento) para o estabelecimento de divulgação, lançamento de novos produtos, posicionamento, alteração de ações de uma empresa. Um diagnóstico, ou plano estratégico, deve seguir um fluxo, como sugere Kotler (2009): Fonte: Santos, 2022. 12 Precisamos, primeiro, compreender qual a missão, visão e valores do negócio. Falaremos desses processos mais para frente, mas adiantamos que o bom estabelecimento desses fatores é imprescindível para um bom diagnóstico. Em seguida, devemos relacionar os objetivos e missões da organização, com uma perfeita análise diagnóstica de dois ambientes: internos – relacionados à empresa e ao mercado de atuação; e externos – diretamente influenciado por fenômenos ou processos externos e, muitas vezes, incontroláveis. Em seguida, definir logicamente metas e objetivos, afinal, sem um norte para se seguir ou alcançar, é impossível se traçar objetivos (em outras palavras, para onde a empresa estiver seguindo, “deve” estar bom). Com metas bem estabelecidas e alcançáveis, devemos formular as estratégias que serão recomendadas e aplicadas à organização. Próximo passo: o estabelecimento e a elaboração de programas de desenvolvimento, incentivo, relacionamento, comunicação e mercado. Por fim, a implementação dos planejamentos: com suas estratégias e táticas claras, bem formuladas e a mensuração de resultados, ou seja, o feedback de resultados, avaliando a continuidade (ou não) das ações propostas e implementadas até aquele momento da organização. Pensar em relacionamento com clientes, por exemplo, faz parte de um planejamento iniciado após um amplo diagnóstico de que a empresa precisa iniciar um tratamento mais próximo junto aos seus clientes, visando uma melhor interação, estreitando a relação da marca com aquele público-alvo. Estamos acostumados a pensar na pré-venda e na venda. Será que não deveríamos nos preocupar também com o pós-venda para, de alguma forma, garantir que o nosso cliente retorne a transacionar com a nossa organização? Nós estabelecemos metas para campanhas e promoções porque, com base em diagnósticos relacionados com a organização, o mercado de atuação e comportamento de compra do público-alvo foi levado em consideração. Aliás, ignorar ou desprezar tais dados em estabelecimento de metas e construção de novos planejamentos também é uma forma de virar as costas para o mercado, dando margem de atuação para a concorrência que, certamente, estará atenta a qualquer vacilo dos demais players de mercado. 13 TEMA 5 – PONTOS FORTES E FRACOS, OPORTUNIDADES E AMEAÇAS Uma das ferramentas mais utilizadas estrategicamente para definição de cenários de atuação de uma organização ou empresa é a matriz SWOT. A Matriz SWOT – formada pelas iniciais de Strenghts, Weaknesses, Opportunities and Treaths – tem sua definição em português como PFOA – Potencialidades, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças – ou, ainda, FOFA – Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças. Essa matriz auxilia os consultores e/ou gestores a terem uma visão sistêmica e holística da empresa, desde que todos os departamentos estejam envolvidos na produção, análise e mensuração dos resultados dessa ferramenta analítica. Por ser uma ferramenta de aplicação relativamente simples, ela pode ser usada em diferentes cenários e momentos de uma empresa. Da criação de um novo produto, análise de uma loja em e-commerce, até a verificação de rotinas de uma grande empresa, é a ferramenta mais indicada e largamente utilizada para esses fins justamente para a perfeita compreensão do posicionamento que a empresa deve ter no ambiente em que ela atua. A seguir, o modelo básico da matriz SWOT: Fonte: Santos, 2022. Dentro ainda do nosso exemplo desta etapa, um restaurante de “comida caseira”, situado em Curitiba, capital do Paraná: vamos preencher cada um dos quadrantes da matriz para facilitar o seu entendimento: vamos tentar imaginar o seguinte cenário (ainda que hipotético): restaurante pequeno, que atende até 80 14 pessoas simultaneamente, localizado em um bairro de classe média, com bom atendimento, que atende de segunda a sábado, apenas na hora do almoço, com estacionamento para 20 carros, com bom preço (compatível com ae esse ciclo fez com que as empresas passassem a supervalorizar as formas de comunicação e sobretudo a ter uma maior preocupação com o investimento eficiente e, por consequência, passar a exigir das agências um retorno totalmente baseado em resultados. Dentro desse cenário, o atendimento da agência de comunicação passou a não ser apenas uma ponte de conversação entre os diferentes departamentos da agência com o seu cliente, mas, com uma atuação ainda mais analítica e técnica, passou a mediar este relacionamento (agência com o cliente) com um trabalho baseado no processo de liderança por ter que trabalhar com clientes externos (as marcas, produtos e serviços) e internos (pares da agência e fornecedores), e assumir uma postura de tomada de decisões importantes para o processo. Agora podemos dizer que o papel do atendimento (e do planner – planejamento) frente a esse novo cliente é reagir frente a um mercado que muda constantemente e ainda fazer com que a agência e seus pares reajam positivamente frente a esses novos desafios. 2 Full Service – agência que atende a todas as demandas possíveis da comunicação e do marketing. Trabalha desde comunicação integrada, até ações on-line, offline, tradicionais, no media e below the line. 6 Dentro desse cenário contemporâneo repleto de desafios para todos os lados, aquela imagem retrógrada de cliente que tomava todas as decisões e chamava a agência apenas para produzir os comerciais está superada na imensa maioria dos casos; apontamos maioria porque – feliz ou infelizmente – ainda há clientes que tratam os profissionais de comunicação como meros indivíduos que têm a capacidade de transformar uma ideia em anúncio. Nada mais do que isso. Mas vale reforçar que este mesmo cliente tem um pé atrás quando a agência (independentemente da sua área de atuação) promete mundos e fundos com base na sua reputação de uma agência full service e que engloba todos os serviços possíveis de comunicação e é orientada para resultados. Para alguns clientes, essa agência (que atua em todas as áreas), em algum momento, irá falhar. Por ser uma negociação notadamente voltada para o comercial, que envolve riscos, também põe à prova as formas de atuação da agência. Hoje, o profissional de comunicação não precisa apenas atender o cliente. Ele precisa definitivamente pensar como o cliente. Uma regra básica de mercado é a que uma empresa só passa a ter um produto ou serviço valioso (que de fato agrega valor) quando este é vendido, esvaziando uma prateleira, gerando o resultado. Com isso, até a velha máxima do “cliente tem sempre razão” precisa ser revista nesse tipo de relação. Por isso a importância da agência em participar do início do processo até o seu fim (neste caso, a venda), acompanhando todas as etapas até as últimas consequências. Aqui, o atendimento não deve falar o que cliente quer ouvir, mas sim aquilo que – de fato – ele precisa ouvir. Assim, a agência passa a definir, criar, pensar, planejar, produzir e controlar ações comunicacionais que correspondam aos objetivos traçados por ela e pelo seu cliente, não cabendo mais a simples tarefa de executar aquilo que o cliente deseja. Dessa forma, o risco é partilhado. TEMA 2 – O ROTEIRO PARA CONSTRUÇÃO DO BRIEF Para iniciarmos de pronto o levantamento prévio acerca de um cliente, marca, empresa, produto ou serviço, precisamos conhecer a fundo todos os detalhes daquilo que pretendemos divulgar enquanto profissionais de comunicação. Apenas por uma questão semântica e corretiva (como já explicado), diferenciemos brief de briefing; no Dicionário Oxford (2007, p. 279), brief está traduzido como algo breve, resumido – em poucas palavras. Já briefing, no Dicionário Oxford (2007, p. 279) está traduzido como instruções e informações 7 essenciais. Podemos compreender então que brief é um grande documento com o resumo de todos os dados mais importantes de uma organização (ou de seus produtos e serviços) para subsidiar os diferentes profissionais de uma agência de comunicação integrada, por exemplo, para a partir dessas informações desenvolver uma perfeita campanha de comunicação integrada. Como já é sabido, o atendimento é o profissional responsável pela conta (publicitária) do cliente e, por consequência, o indivíduo que, através de reuniões de briefing, irá coletar tais dados para – posteriormente – repassar e alimentar a criação, o planejamento, a pesquisa, a mídia, para que seja o ponto de partida (ou o norteador) do desenvolvimento da campanha (do novo job) dentro da agência. Já o briefing, por conceito, é a fase de seleção e organização do planejamento de comunicação integrada que envolve estratégia e táticas. Segundo a história da comunicação, o briefing teve origem na Segunda Guerra Mundial, quando os comandantes militares desenhavam as melhores estratégias e táticas e precisavam posteriormente ordenar (comandar) assertivamente os melhores ataques, instruindo os principais oficiais sobre quais as melhores estratégias para a guerra. Hoje, o briefing é utilizado em larga escala, por exemplo em corridas de carros e motos, onde o diretor de prova, momentos antes da corrida, instrui equipes e pilotos sobre as condições de asfalto, tempo e pista, por exemplo. Grosseiramente traduzindo para a nossa língua tupiniquim, brifar, resumidamente, significa transmitir para os nossos pares (dentro da agência de comunicação) as informações mais importantes para os diferentes profissionais e departamentos sobre a marca e produtos e serviços do cliente, para que possam servir de ponto de partida, de norte para a criação do planejamento e para as peças que serão usadas na promoção. Situação atual de mercado e de segmento de atuação, dados sobre portfolio, players concorrentes, preços, características, políticas de distribuição e praças de vendas, para que juntos avaliem pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades (análise SWOT) para aquela campanha. Etapas da construção de um brief para formulação do briefing, mas um apontamento importante: ainda que digamos que ambos são “resumos”, essa organização não deve ser simplificada, rasa, econômica em tópicos importantes e preponderantes para a formatação da campanha. • Avaliação do planejamento estratégico da organização: primeiro passo é avaliar o cenário que a organização se encontra, posicionamento, avaliação 8 de reputação da marca, entre outros fatores que sejam importantes para a construção de um cenário. Precisamos, assim, saber quais os reais intentos da empresa ao contratar uma agência para a promoção de sua marca e seus produtos e serviços. • Criação de um histórico completo da empresa: dados como a criação da organização (quando, como e onde) e o porquê do seu surgimento. Dados como estrutura física e virtual, porte – quantidade de funcionários, número de fábricas (bem como sua localização), de filiais, faturamento por segmento, faturamento global – bruto e líquido. Nota importante: nem sempre as empresas (até por proteção de dados e informações estratégicas) fornece informações que possam ferir a LGPD3 vigente na empresa. Assim, é tarefa do atendimento, pesquisa e planejamento (através de levantamentos reais e de estimativas de mercado) mensurar tais valores para subsidiar os demais departamentos com todas as informações mais importantes. Nesse trabalho, deve-se incluir informações gerais da concorrência também. • Percepção do Cenário atual: através de instrumentos como matriz SWOT, BCG entre outras, para avaliar pontos fortes e pontos fracos, oportunidades e ameaças, missão, visão e valores, perspectivas próprias de futuro, posicionamento de mercado e, o mais importante, quais os seus intentos relacionados com metas e objetivos futuras. • Descrição do mercado ou segmento de atuação: a redação de um cenário do mercado (local e global), tamanho, segmentosqualidade da comida servida) e que tem espaço físico e potencial para crescer, desde que seus proprietários invistam em obras e desenvolvimento de um novo buffet. Comida por quilo e com buffet livre, reconhecida pela sua qualidade e sabor. Concorrência grande no entorno pela sua localização, concorrendo inclusive com shoppings e players diretos. Ainda que com uma reflexão bem superficial do ambiente interno e externo do nosso objeto de análise, nossa matriz SWOT ficaria mais ou menos como no próximo exemplo, sendo que a análise pode até ser realizada com o auxílio de uma empresa consultora ou um analista de marketing, porém, o seu preenchimento, produção e mensuração dos resultados obtidos deve contar com todas as instâncias de uma organização. Qualquer cenário diferente deste pode supor uma não participação efetiva de todas as partes, comprometendo os resultados obtidos, por mais subjetiva que seja essa forma de verificação. Fonte: Santos, 2022. Neste caso específico, ficam claros os quadrantes de oportunidades e 15 pontos fortes, com a clara distinção dos pontos fracos e ameaças. Assim, estão ressaltados todos os pontos fortes ou forças que são, entre outros, diferenciais do restaurante. Em oportunidades, abrir o cardápio para atendimento à noite pode ser uma oportunidade, bem como a ampliação do espaço físico do salão de atendimento, o que implicaria no imediato aumento do número de mesas a ser atendidas. Cabe ressaltar que grande parte das empresas peca em aumentar o seu espaço físico e manter o seu antigo corpo técnico e de atendimento. Como ponderamos anteriormente, não há sentimento pior do que ser mal atendido, não é mesmo? Trabalhar com delivery, atualmente, também é diferencial competitivo frente aos diversos novos pedidos feitos via aplicativos. Como fraquezas ou pontos fracos, pontuamos não estar atento aos movimentos da concorrência, não se preocupar a médio e longo prazo com a possibilidade de aumento da demanda e, por isso mesmo, da ampliação de espaço físico (que implica em crescer e contratar), não se preocupar com serviços de entrega, frente a uma concorrência que cada vez mais usa os aplicativos desse tipo de serviço e que vigoram no mercado, mudar esse cenário é imprescindível para o cumprimento da métrica de ir até onde o consumidor se encontra. O item recessão implica diretamente no consumo de refeições fora de casa e, normalmente, é um dos itens revistos por grande parte da população assalariada. O delivery, novamente, toma forma como ameaça por tirar parte dos consumidores que poderiam estar consumindo na casa. Uma boa análise desses fatores, conjuntamente dentro de uma organização, favorece a compreensão de um cenário mais claro, mais objetivo, em que os pontos preponderantes, sejam eles positivos ou não, saltam aos olhos de todos os envolvidos nessa atividade analítica. Realizar esse tipo de reflexão é fundamental para compreendermos os diferentes níveis de interação organizacional, seja com o mercado, seja com os nossos consumidores. Agora vem a pergunta mais importante neste exercício: Que ações promocionais eu posso desenvolver para posicionar esse restaurante? Pelo visto, o serviço e os produtos entregues pela marca são bons. E sua presença na rede? E o conteúdo e a informação que a marca entrega em termos de comunicação para os seus clientes? Percebem? Aqui, exatamente aqui, começa o nosso trabalho enquanto profissionais de comunicação. Temos os dados e as análises do cliente. Agora é preencher bem o Brief com informações importantes e que subsidiem a criação e o planejamento e pensar nas ações de divulgação da marca, quais conteúdos podemos gerar e em quais plataformas o cliente pode (e deve) ter 16 presença. Use essa ferramenta, sem moderação, mas com parcimônia e cuidado na colocação dos itens para que sejam todos contemplados em um futuro planejamento da organização. Dar o feedback para os funcionários que participaram da construção desse cenário, no sentido de deixar claras quais as mudanças possíveis, são fundamentais para conseguir um retorno efetivo desta prática! Exercite! Você vai perceber que é muito enriquecedor esse momento de análise e reflexão. Surgirão pontos que talvez não sejam percebidos no dia a dia da organização. TROCANDO IDEIAS Já não é mais segredo que quanto melhor conhecermos o nosso objeto (cliente, marca, produto ou serviço) mais potencializamos a chance de criar uma campanha online ou offline assertiva, objetiva com focos claros, bem desenhados. NA PRÁTICA A sugestão aqui é que você pratique, mesmo que mentalmente, ações possíveis para pequenos clientes do seu entorno. Exemplo: certamente, você mora em um bairro (ou município) que é cercado por pequenos comércios, correto? Faça um passeio a pé, de bicicleta, carro ou ônibus (aqui não importa o meio de transporte) e gere insights mentais de que ações online você realizaria para cada um daqueles clientes, marcas ou fachadas visitadas por você. Perceberá que, muito em breve, você estará (ainda que não perceba) formulando pequenos planos de comunicação para marcas que você tem maior contato ou proximidade. Teste. É uma sensação muito bacana. FINALIZANDO Nesta etapa, percebemos que ferramentas, como o modelo SWOT, são importantes aliados na compreensão e no levantamento de dados das marcas que queremos promover. Além disso, não nos cansamos de reforçar que o levantamento prévio de mercado (Brief) e as reuniões de discussão com o cliente e com os pares da agência são fundamentais para iniciar um projeto de comunicação. 17 Com isso, atrair os nossos diferentes públicos para nossos verdadeiros intentos que nada mais é que aproximar as marcas que representamos ou promovemos, estabelecendo verdadeiras conversações e relacionamentos entre as partes! Bons estudos! 18 REFERÊNCIAS KOTLER, P. Marketing para o século XXI. São Paulo: Ediouro, 2009. MINI MICHAELIS. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2009. 2 BRIEFING E PLANEJAMENTO AULA 6 Prof. Alexandre Correa dos Santos 3 CONVERSA INICIAL Nesta etapa, literalmente colocaremos as mãos na massa. Vimos todos os processos necessários e anteriores do planejamento de comunicação. Desde o primeiro contato com o cliente, passando pela montagem de um roteiro de Brief, dados necessários para o levantamento prévio de mercado e ainda, como interagem os atores desse grande processo de promoção da comunicação de nossas marcas. Em seguida, conhecemos o papel do atendimento dentro dessa grande engrenagem. Discutimos sobre a importância do relacionamento com os clientes internos (nossos pares dentro da agência) e com os clientes externos. Falamos intensamente na palavra – planejamento – o relacionamento com as diferentes áreas da mídia digital e social. Relembramos o quão importante é estabelecer planos de longa duração com os nossos clientes, uma vez que, a curto prazo, são poucas as ações e o retorno, dependendo do objetivo da campanha. Conversamos rapidamente sobre algumas ferramentas de negociação na área do planejamento de comunicação como a permuta, o patrocínio e a cooperação das verbas. Decupamos completamente a rotina de um Job dentro de uma agência, reforçando que as práticas entre o off-line e o on-line são basicamente as mesmas. E por quê? Basicamente as boas agências integradas de comunicação, agências de publicidade e propaganda e agências aqui denominadas digitais advêm do modelo tradicional, com raríssimas exceções. O modelo de Brief, o Briefing, a própria função do executivo de contas (ou atendimento) é exatamente a mesma em qualquer dessas áreas por uma razão muito simples: essa “convergência” do off- line para o on-line é experimentada pela maioria das pessoas que trabalha comcomunicação. As formas, os formatos, as experiências derivam do tradicional, passam pelo below the line, no media e chegam até o on-line ou digital, mas no fundo, são expertises complementares, onde um formato complementa o outro. Vamos adiante! Bons estudos! 4 CONTEXTUALIZANDO Diferentemente de algumas profissões, trabalhar com comunicação demanda do indivíduo uma responsabilidade dobrada: primeiro porque carregamos um sentido de influenciadores, formadores de opinião, uma vez que aproximamos marcas dos seus públicos-alvo por meio do estabelecimento de conversações entre uma organização e seus clientes. Assim, somos responsáveis por aquilo que estamos publicando, promovendo, vendendo. Depois, temos uma responsabilidade no sentido de mediadores da comunicação: pensar a comunicação, a mensagem, a escolha dos públicos, dos receptores, as causas e efeitos da propaganda e os sentidos estimulados – também faz parte – do nosso dia a dia. Nunca devemos esquecer que trabalhamos com a verba dos anunciantes, das pessoas que apostaram em determinado momento naquilo que estabelecemos como contrato profissional com o nosso cliente de comunicação. E sabe o que é pior? Nem todo cliente enxerga o gasto com comunicação como investimento. Para eles, todo o orçamento investido é custo. Faz parte também do nosso trabalho primeiro convencer o cliente de que valores empregados em comunicação são INVESTIMENTOS e por segundo, que em um momento de aperto, de dificuldade ou retração, esse investimento tem que ser maior e não o primeiro item a ser cortado. A nossa tarefa não é simples, mas é fantástica! TEMA 1 – MÃOS NA MASSA | MONITORAMENTO DE AÇÕES A frequência de publicação e o impulsionamento das ações, sejam on-line ou off-line, são muito semelhantes. O termo frequência e a denominação impulsionar sempre foram largamente usadas na mídia. Pensar se devemos aumentar a quantidade de inserções em rádio ou intensificar a frequência de publicações em determinada rede social devido à curva crescente de acessos ao conteúdo da marca demanda ações e estratégias de impacto que usamos para qualquer ação comunicacional. A diferença reside nas ferramentas de mensuração de resultados. Enquanto na mídia off-line ou tradicional lançamos mão de relatórios dos veículos de comunicação, na mídia social ou no digital recorremos a recursos disponibilizados pelas plataformas como Analytics (Google, Instagram, YouTube) ou ainda, contamos com o apoio e suporte de ferramentas como Analytics Pro, Sprinklr, Scup, 5 Hootsuite, entre muitos outros recursos. Enquanto nas mídias tradicionais, os recursos inerentes à publicação são relativamente escassos, nas mídias sociais surgem cada vez mais dados: perfis de público, hábitos de acesso como horários e tempo de permanência dentro de uma página (por exemplo), curtidas, reações (positivos ou não), comentários, compartilhamentos, alcance e engajamento entre diversas outras. Além disso, hoje, os(as) mídias e os profissionais de planejamento levam em conta ainda o que chamamos de horário nobre: quais os melhores dias e horários para veicular (ou postar) uma campanha em determinada rede? Aqui, diferentemente de alguns anos atrás, avaliar os melhores horários, o tempo que o público permanece conectado, os hábitos de navegação, são vitais para uma avaliação de atuação em rede. Vale lembrar que independentemente do ponto de contato, o consumidor é MUITO falível e pouco constante. Existe uma máxima que diz que a única coisa que temos igual é o fato de “sermos todos diferentes”. Nas mídias sociais, isto é fato. E como no provérbio, estamos sempre alternando nossos hábitos, costumes e ações. E como já afirmamos, várias vezes, não basta a marca ter presença digital. Um site estático ou um perfil desatualizado afastará os seus clientes da marca. Atenção a esse apontamento. Parece óbvio, mas não é. Quantos sites ou perfis você visitou recentemente e percebeu que estavam desatualizados? Lembra da afirmação que nem todas as marcas administram profissionalmente as suas redes? Pois então! Agora, abordaremos alguns tópicos importantes para compreensão do papel do planner de mídias sociais: • Cada cliente de um público-alvo, uma cabeça: ou seja, como vimos, não há consumidor que pense exatamente como o outro. Por isso que trabalhamos “grupos” de clientes para tentar diminuir a diferença entre os diferentes tipos de público. Pensar uma estratégia para uma marca que tenha como alvo jovens de 21 a 27 anos, não pode ser igual a pensar táticas para homens de 40 a 50 anos. De novo! Parece óbvio, mas justamente a maioria das marcas esquece disso! São hábitos, vidas, comportamentos, costumes completamente distintos. Cada público ou audiência precisa ser respeitada dentro das suas especificidades, porque a chance de serem encantados é muito maior. Compreender os seus “padrões” de comportamento é vital para o sucesso. 6 • Assim como os clientes, as redes também são distintas e têm diferentes formas de atuação: já perceberam que os públicos do Facebook e do Instagram (empresas de uma mesma holding, a Meta1) não são necessariamente os mesmos? E o que dizer de quem é heavy user do Twitter? Quem dedica seu tempo ao Pinterest? E quem se informa diariamente via WhatsApp? Notaram as diferentes nuances e mais do que isso, os desafios que o planner precisa enfrentar? • Mais uma vez: a boa repercussão ou resultado de uma campanha está diretamente relacionada com o início, meio e fim de um plano estratégico de comunicação. O plano, o discurso, o mote, as imagens e a música, quando bem alinhados em uma série de posts, são reflexo exclusivo de um bom levantamento prévio de mercado. • Mensurando resultados: em mídia, existe um termo largamente utilizado chamado ROI (Return on investiments2) que versa sobre os resultados obtidos com determinada campanha, versus o investimento empregado no desenvolvimento do projeto. O ROI, como em outros aspectos, também precisa ser percebido de forma diferente nas aplicações voltadas para o digital. O foco deve ser na perenidade da marca e no relacionamento com o cliente. Lembra da história de se estabelecer metas e objetivos alcançáveis, tangíveis? Fora isso, estabelecer formas e meios de mensurar contagem de visitas, de compartilhamentos, de curtidas, de impressões, de leads, de conversão de leads, reações etc., são boas formas de comparação de performance. Hoje dispomos de aplicativos capazes de gerar excelentes relatórios de resultados como os já citados, além do MLabs, Dashgoo, mais os resultados analíticos das plataformas e relatórios anuais genéricos como o bom Webshoppers3 da e-bit. • Crise e risco: ter presença digital significa monitorar todos os aspectos da marca, como já vimos full time: sem finais de semana, sem feriados, 365 dias ao ano, 24 horas por dia, 7 dias na semana. A Internet é mestre em alavancar, mas também destruir reputações comerciais, do dia para noite. Todos conhecemos casos recentes de empresas que quebraram ou de marcas que desapareceram após tropeços on-line. 1 https://about.facebook.com/company-info/ A meta foi criada em 2021 para agregar todos os produtos e serviços do portfólio da organização. 2 o departamento de mídia tem como míster também, avaliar os indíces de roi das mídias e plataformas usadas em uma campanha. 3 https://nielseniq.com/global/pt/landing-page/ebit/nielseniq-ebit-brasil/webshoppers/ 7 Por fim, trabalhar com comunicação, não é para amadores. Como formadores de opinião, nós temos a obrigação de sermos assertivos, sem nunca levarmos nossos clientes (nem seus consumidores) ao erro. O castigo, invariavelmente é a derrota irremediável da marca. TEMA 2 – O BRANDED CONTENT NO PLANEJAMENTO Nós, enquanto profissionais de comunicação, devemos ensinar a nossos clientes que nemtodas as campanhas serão capazes de esvaziar uma prateleira, por exemplo. Isso não significa não trazer resultados (contrariando tudo o que dissemos até aqui). Significa dizer que resultados não necessariamente se baseiam apenas no número de camisetas vendidas em uma loja de roupas. Algumas campanhas podem, sim, ter resultados na divulgação ou no posicionamento da marca, por exemplo. Por isso que sempre defendemos que a marca, para ser lembrada, precisa ser vista em diferentes pontos de contato pelo seu público-alvo. Trabalhar conteúdo de marca implica desenvolver ações práticas on-line e/ou off-line, no caso de mídias sociais que contemple ações focadas na atenção à marca com a produção de conteúdo, investimentos em projetos editoriais como vídeocasts, podcasts, revistas on-line ou para download, porque ainda que todas essas ferramentas demandem trabalho, projeto, criação, conteúdo, produção etc., são mais práticas na sua veiculação na internet, por exemplo. Mas, de novo: tudo tem que ser bem planejado, produzido e monitorado. Com o aumento desses pontos de contato (ações comunicacionais) com os seus públicos, a chance de reconhecimento e/ou posicionamento de marca, a chance de aumentar o engajamento são grandes. Assim, um conceito para branded content4 é permitir e promover o fortalecimento do relacionamento da marca com os seus públicos, por meio da entrega de conteúdo relevante para esses clientes. Vale lembrar que trabalhar brand content não é apenas a geração de conteúdo, mas a gestão desse conteúdo. Promover, gerir e produzir conteúdo para determinada marca não é utilizar apenas um canal de comunicação com o público e se encarregar de apenas falar bem da empresa ou da organização. Gerar conteúdo relevante implica tratar em diferentes canais – alinhados com o seu público – para gerir e postar mensagens que entreguem ao público, conteúdo bem cuidado, que tenha passado por uma revisão, com boa curadoria, 4 branded content - A sua tradução literal é conteúdo de marca. 8 primeiro para tornar o leitor ou público bem-informado e segundo (se todos os passos foram respeitados) torná-lo uma espécie de “advogado” da marca: esse público fala e recomenda a empresa a seus pares, tornando-se importante stakeholder5 da marca. Por fim, reforçamos uma palavra de ordem na gestão e produção de conteúdo para mídias sociais: relevância. Essa palavra de nortear todas as ações de mensagem criadas pela e para a marca. TEMA 3 – ONDE INVESTIR NAS MÍDIAS SOCIAIS? Vale lembrar que mídias sociais não são meramente redes sociais que abrangem Facebook, Instagram, WhatsApp etc. Por favor, não é isso. Seria muito leviano e raso (determinismo tecnológico), achar que investir em Internet seria aplicar os orçamentos somente nessas plataformas. E vamos contar um segredo: a maioria das marcas se limita a isso. E sabe qual deve ser a sua motivação? talvez o concorrente da marca que você administra não se limite a isso. Por isso que devemos buscar todas as melhores alternativas e empregar os esforços neste sentido. Anote isto: hoje as marcas, de uma forma geral e principalmente as mais ativas, não estão mais brigando por audiência; essas empresas estão brigando e investindo em atenção. Como dissemos, mídias sociais não se resumem a redes sociais. Ao longo do Curso, você deve ter aprendido isso, da melhor forma possível. Assim, aproveitamos apenas para relembrar quais as mídias mais utilizadas de forma geral, independentemente de verba e plano ou planejamento de comunicação: • As redes sociais de conteúdo e que reúnem grupos de interesse: Flickr, Slideshare, Pownce entre outras. • As redes sociais mais conhecidas, que têm como objetivo principal postar e compartilhar diferentes informações e conteúdo, que promovem de diferentes formas a interação e a cooperação entre seus usuários. Facebook, Instagram, WhatsApp, Pinterest, LinkedIn, Tiktok, Messenger etc. • Microblogs: têm como objetivo principal compartilhar conteúdo e informações de formas rápidas e eficazes: Twitter, Tumblr e Pownce. • Blogs: muito usados para compartilhar informações e conteúdo relevante de 5 Stakeholders – partes ou grupos interessados na marca. São clientes, seguidores de marca que contribuem para o desenvolvimento de conceitos e da própria empresa. São cocriadores de conteúdo, uma vez que interagem nas redes das organizações. 9 forma orgânica para principalmente seus públicos, aproximando mais a marca, produtos e serviços de seus clientes. Agendor, HubSpot, RD Station, PipeDrive, Mercado Livre, Intercom, Lahar, entre outros. • Diferentes formatos de mídias online possíveis: Adwords, Yahoo Bing, AdRoll, AdSonar, Infolinks, DNTX, entre outras plataformas de anúncios online. • Ações de BIGData, SEO, propostas de Fanpages, Landing pages, anúncios de pre. middle e postroll, planos de app mobile, criação de hotsites, fóruns, banners, intranet, advergames, geotargeting entre inúmeras estratégias podem e devem ser usadas na busca da atenção dos públicos. Aqui ainda cabe distinguir mídias sociais de mídias digitais, que é algo mais amplo, mais abrangente e que comportam os inúmeros dispositivos e modos de armazenamento digital, sejam estes de dados ou de conteúdo eletrônico, podendo ser texto, áudio, jogos, de imagem(fotos) e/ou de vídeo. Esse tipo de mídia abrange ainda os dispositivos de armazenamento como os drives SSDs e as unidades flash, mas contemplam também diferentes formatos de modelos de transmissão de conteúdo e de informações via canais digitais: e- mails, e-mails marketing, textos eletrônicos, mensagens instantâneas, notícias e informações de veículos e plataformas informacionais de comunicação (jornais e revistas on-line) e ainda aplicativos de forma geral, diferentes buscadores on-line, TVs e Redes de TVs on-line, diversos tipos de e-commerce, portais em geral e, obviamente, as próprias mídias sociais. TEMA 4 – A PROMOÇÃO DE UMA MARCA Devemos sempre lembrar que a comunicação de uma forma em geral, com suas habilitações em Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, promoção de vendas e outros campos, são caudatárias do Marketing. Ou seja, todas as ferramentas e instrumentos de comunicação que formos utilizar em uma Campanha promocional estarão servindo aos objetivos planejados dentro do escopo do Marketing. 10 Figura 1 – Promoção Fonte: Santos, 2022 Propaganda, Publicidade, Merchandising, Relações-Públicas e Promoção de Vendas são ferramentas imprescindíveis ao composto de Marketing, sendo que cada uma contribui em diferentes usos e aplicações, dependendo de qual demanda que a área necessita. Exemplo: se estiver falando de um produto de consumo em massa, a propaganda e a publicidade serão usadas com todos os seus instrumentos, criação de campanha, análise de mídia (meios e veículos), e lançando mão de seus diferentes formatos – on-line, off-line, below the line e no media, para impulsionar a marca ou a promoção. Já as relações-públicas, neste mesmo caso, servem como mecanismo de lembrança para fixação de imagem institucional; além disso, a promoção de vendas vem como apoio, como reforço nesse planejamento para levar o consumidor à compra, uma vez que é estimulado, através de frequentes ações – por exemplo – de merchandising, que estreitarão a relação da marca (instituição) ou do produto com todos os seus públicos. Em resumo, todas essas ações – se bem planejadas – deverão trazer como resultado o estreitamento da relação do consumidor com a marca, através do aumento dos pontos de contato. Afinal, marca que não é vista, não é lembrada! Para Cobra (2009), são componentes relevantes na análise das ações promocionais: 1. A natureza do mercado em que a marca atua; 2. Possíveis canais de distribuição e padrão dessa distribuição; 3. A decisão de compra, parte de quem? Indivíduo, família,a indústria? 4. Qual o ciclo de vida do produto? 11 5. As especificidades do produto: é bem de consumo, bem industrial, consumo durável? Em tese, para cada uma dessas respostas, devemos pensar um planejamento assertivo, completo, para atingir os intentos dos planners da campanha, trazendo resultados para o cliente de comunicação. Cada uma das áreas da comunicação que se prestam à promoção tem sua efetividade posta à prova, segundo a sua aplicação. Isso sugere que, muitas vezes, relações-públicas aplicadas a um tipo de cliente podem trazer muito mais resultado que uma ação de alta frequência no horário nobre de rádio, por exemplo. Para Cobra (2009), fica mais fácil compreender o impacto dos compostos promocionais, segundo o tipo do produto ou serviço que dependa deste tipo de instrumentalização. Tabela 1 – Impacto do composto promocional Impacto do composto promocional Tipo de produto ou serviço Propaganda Relações Públicas Promoção de Vendas Merchandising Industrial Consumo de Massa Consumo Durável Serviço de Saúde Serviço Público Serviços Industriais Legenda: alto impacto | médio impacto | baixo impacto Assim, fica claro que a comunicação é mais eficaz quando há um desconhecimento ou pouca consciência de um consumidor em relação à marca ou produto; quando as vendas globais do setor estão em fase de franco crescimento; 12 quando o produto possui diferenciais competitivos em relação a outros players de mercado. Não há como não utilizar tais ferramentas como instrumentos de promoção. A marca e o produto (de uma forma em geral) necessita de diferentes formas de comunicação, o que torna o Marketing uma tarefa mágica, inspiradora, evidentemente indispensável para exposição ao mercado e para estabelecer uma melhor conversação entre as empresas e os seus públicos. TEMA 5 – A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO INTEGRADA Falamos ao longo deste estudo sobre trabalhar a marca de forma integrada e como promover uma marca. Ou seja, pensar a empresa de forma que consigamos aumentar os pontos de contato do consumidor com a marca, para consolidar uma conversação, um relacionamento entre a empresa e o seu consumidor. Falar em integração da comunicação significa esgotar todas as possibilidades e literalmente fazer com que a marca “orbite” junto ao cliente. Implica usar mídias on-line, off-line, tradicionais, no media, promoção de vendas, merchandising, ações de relações- públicas e todos os subterfúgios para chamar a atenção dos nossos públicos. Mas, antes de falarmos de planejamento estratégico da CIM, devemos pensar primeiro em um ambiente micro. Afinal, qual o plano estratégico da empresa? Precisamos de um ponto de partida e pensar a empresa (ou a marca) de dentro para fora. As primeiras perguntas que devemos formular estão diretamente relacionadas com a nossa forma de comunicar: a) O que pensaremos no planejamento de CIM? Qual o nosso objetivo? Vender a marca (institucional) ou vender o portfólio (promoção de produtos e serviços). Ou ainda, promover ambos? Esta primeira pergunta é muito importante porque teremos três caminhos diferentes a percorrer dependendo da resposta do nosso cliente. O primeiro está relacionado com vender a marca – através da promoção ou da propaganda institucional; o segundo caminha passa por pensar ações diretamente relacionados com os produtos e serviços desta empresa; e o terceiro e geralmente o mais utilizado (não que seja o mais certo) é promover a instituição e seus produtos e serviços concomitantemente. Por isso que – não raro – vimos campanhas “sem pé, nem cabeça” sendo veiculadas Brasil a fora. Ora, se a nossa empresa ainda não goza de uma reputação consolidada de 13 mercado ou segmento de atuação, a primeira coisa que devemos planejar é como apresentar (ou posicionar) essa marca no mercado. É um caminho natural: primeiro torno a empresa conhecida, para em seguida promover seus produtos. O inverso é possível? Claro, acontece. Mas, principalmente se a empresa possui um portfólio numeroso de produtos, submarcas e serviços, o mais preciso é consolidar a organização e sua reputação, para em seguida vender sua produção. Não existe uma ordem ou um formato básico de promoção: primeiro veicula a marca e depois o produto e serviço. A verdade é que o cliente, normalmente, quer aproveitar da melhor forma possível a sua verba. E muitas vezes (impõe) que a propaganda deve conter “tudo ao mesmo tempo agora”, citação que ilustra bem a situação e o álbum da banda de rock nacional – Titãs. O tudo ao mesmo tempo agora, significa muitas vezes a gosto do cliente, incluir em uma mesma peça gráfica, por exemplo: a marca, o histórico da empresa, promoções de preços, características de produtos e a oferta de serviços. Sim. Não raro, os clientes das agências contratam verdadeiras “obras de arte” e seus anúncios denotam verdadeiros proclames da década de 50, onde em detrimento do bom layout e visual, os anúncios pareciam grandes depositórios de informações completamente aleatórias e desconexas. Cabe ao profissional de atendimento e/ou planejamento (que tem maior contato com o cliente) convencer que essa prática tem que ser gradativa, que deve seguir regras mínimas de formatos e formas e que as coisas se dão por etapas. Primeiro, veicula a marca (se a empresa não for conhecida) ou, se precisamos de reforço, posicionamento ou inserção dessa empresa no mercado, para depois pensar em levar o seu portfólio ao encontro dos seus públicos. Tentar forçar a veiculação de informações que podem jogar contra a marca, infelizmente, é prática repetida de muitos profissionais de comunicação, que com o tempo, perdem mercado deixando marcas e máculas impossíveis de remediação em todos os segmentos e todas as áreas. TROCANDO IDEIAS Procuramos abordar todas as possibilidades relacionadas a estabelecer práticas de conversação e relacionamento da nossa marca com os nossos clientes. Reforçamos que aqui – longe disso – nossa intenção não foi entregar uma receita de bolo, ou um passo a passo de como planejar para um cliente. Por 14 quê? Como dissemos, devemos tratar cliente a cliente de forma única. De um jeito que ele se sinta realmente privilegiado por ter um pano ou planejamento de comunicação dedicado a encontrar soluções importantes para aquele problema específico, daquele cliente especial. Não “adapte” um planejamento pensado para uma marca de venda de carros para uma estratégia voltada para um bar ou restaurante. Além de feio, precisamos salvaguardar cada uma das especificidades, cada uma das características, da personalidade da marca, do produto ou serviço dos nossos clientes. Desta forma, certamente você fará a diferença no mercado. NA PRÁTICA Pratique. Crie esboços de Brief e desenhe algumas opções de investimentos em mídias sociais, respeitando as especificidades dos seus clientes. Trabalhar com o digital, com a internet, é criar, gerir e pensar cada vez diferente, sobre cada uma das características da plataforma, ou da ação e valorizar os diferenciais dos nossos clientes. Mãos à obra! É a única forma de aprendermos cada vez mais, com nossos acertos e, principalmente, com os nossos erros. FINALIZANDO Trabalhar com mídias sociais é algo prazeroso e que traz muito orgulho ao avaliar resultados práticos, derivados de um esforço de comunicação. Conviver com mídias sociais é estabelecer relacionamentos de longo prazo com as marcas e sobretudo com os clientes dessas empresas. Percebem? Nossa responsabilidade é gigante. Não podemos levar nossos pares ao erro. Um produto ruim com boa comunicação, boa propaganda, só se vende uma vez. Invista em conhecimento voltado para compreender o funcionamento das inúmeras redes disponíveis para ações de digital. Abra um blog, escreva e entenda o seu funcionamento. Avaliee manipule dados de relatórios analíticos. A parte de arte e geração de conteúdo será apenas um serviço complementar. O que vale é o plano, o projeto – a ideia. Todos estes exercícios farão de você um(a) analista de mídias sociais e verdadeiro especialista em marcas. Até breve! Bons estudos. 15 REFERÊNCIAS COBRA, M. Marketing Básico. São Paulo, Editora Atlas, 2009. 1 2 Pesquise na internet quais são as maiores agências de marketing digital e/ou de propaganda e publicidade do Brasil, e quais são os seus maiores e mais antigos clientes. Faça o mesmo na sua cidade, ou na sua região. Você perceberá que a maioria dos cli... 3 ConvErsa inicial TEMA 1 – A RELAÇÃO ENTRE AGÊNCIA E CLIENTE TEMA 2 – A RELAÇÃO COM AS ÁREAS DA COMUNICAÇÃO TEMA 3 – A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO TEMA 4 – OS DIFERENTES NÍVEIS DE COMUNICAÇÃO TEMA 5 – O PASSO A PASSO DE UMA CAMPANHA TROCANDO IDEIAS NA PRÁTICA Lembra aquele projeto de brief que sugerimos em outro momento? Que tal transformar as informações e dados que você levantou para uma campanha digital em publicação voltada a diferentes mídias sociais? Pense numa campanha de três meses para alavancar a... FINALIZANDO REFERÊNCIAS 4 5 6(ou nichos possíveis), além de suas tendências e perspectivas. • Compreensão do consumidor e/ou cliente: descrição detalhada do perfil do seu cliente (que já consome a marca – produtos e serviços) e do consumidor (indivíduo que compra produtos e serviços) daquele segmento de mercado. Percebe aqui mais uma diferença semântica? Descrição ainda de informações de hábitos, cultura, perfil econômico, psicológico e demográficos destes clientes e consumidores. Comportamento, atitudes desses indivíduos: são usuários, compradores, decisores, influenciadores, iniciadores ou pessoas que experimentam uma única vez nossa marca? • Avaliação concorrencial: relato de todas as informações possíveis da concorrência e dos players do segmento (que podem ser complementadas 3 LGPD – Lei geral de proteção de dados pessoais. 9 com informações estratégicas levantadas pelo departamento de pesquisa, por exemplo). Quais os diferenciais da marca em relação aos demais? Quais as diferenças qualitativas e de performance? Quais são os investimentos (ainda que estimados) dos demais concorrentes em criação, promoção e veiculação? Share of Market (participação de mercado) do ambiente e do segmento, Share of Mind (índice de lembrança da marca) e Share of Heart (marcas do coração, índice de relacionamento com a marca ou Lovemarks) de cada concorrente direto, se houver, e tivermos recursos de obtenção de tais índices. • Preparação de pesquisas de marketing: anexar, junto a esses documentos, materiais disponibilizados pelo cliente ou pesquisas contratadas pela própria agência acerca da empresa (marca, produto ou serviço). • Descrição dos produtos e serviços: descrever o portfólio de produtos e serviços, bem como suas características, formatos, formas, preços, design, sua verdadeira razão (por que os consumidores optam pela nossa marca e não pela concorrência) atributos, benefícios etc. • Avaliação da embalagem: descrever sua estética, a praticidade e as formas ou formatos de apresentação e proteção dos produtos. • Mensuração dos dados com relação à marca da empresa, para gerar um caráter de dimensionamento da conta a trabalhar. Agora devemos avaliar a fatia de mercado da organização usando os mesmos critérios de estudo dos concorrentes: a) Share of Market – participação (fatia) de mercado que a empresa possui; b) Share of Mind – como está a lembrança de marca da empresa; c) Share of Heart – índice de relacionamento da marca de coração: nossos clientes “advogam” e defendem a nossa marca? • Compreensão da Política de preços e de lucro: todas as informações possíveis sobre preços, precificação, preço-base, custos, gastos, descontos, prazos e formas de pagamento, políticas de crédito etc. • Localização de Praça, pontos de vendas e distribuição: verificar quais as políticas vigentes de logística e distribuição para os produtos e/ou serviços que entrarão na campanha de promoção: quais os canais intermediários? Representantes, vendas diretas, telemarketing ativo, marketplaces, e- commerce da empresa, entre outros. Como funciona a parte de entrega? E o estoque? Expedição, transporte e entregas são realizados pela própria 10 empresa ou é terceirizada? E o pós-vendas? É ativo? Como funcionam suporte técnico, assistência técnica e garantia? • Avaliação dos índices e métricas de desempenho de vendas: Os produtos que vendemos são sazonais? Vendem o ano inteiro? São de consumo regular mensal? É venda direta ou indireta? Quantos consumidores e/ou clientes têm contato com a nossa marca? E o quanto vende? Quais as ações mais recentes para aumentar as vendas? Aqui cabe uma pausa rápida: qualquer planejamento nada mais é do que a equação padrão + plano. Padrão é tudo aquilo que já realizamos e que deu certo (o que deu errado também é aprendizado) e plano que é tudo aquilo que pretendemos realizar. É pensar nas ações que trouxeram bons resultados e planificar ações que possam nos trazer ótimos frutos. • Previsão de planos para o futuro: lançamento de novos produtos, conquistar novos consumidores e torná-los clientes regulares, aumentar a participação de mercado? E queremos chegar aonde? Aumentar quantos % em relação aos objetivos anteriores? • Avaliação do Budget4 e desempenho: qual orçamento a empresa pretende investir em promoção, marketing e comunicação? De onde virá a verba para as ações de marketing? (Vale lembrar que além de ser um investimento, não existe uma regra mágica para o quanto deve ser aplicado em ações comunicacionais). Tudo deve ser avaliado, levando em conta orçamentos possíveis, balanços, lucro líquido, lucro bruto e, por fim, qual o ponto de equilíbrio do portfólio para justificar a sua produção e, por consequência, oferta. • Percepção da Comunicação: assim como na análise de desempenho de vendas, precisamos, junto ao departamento de marketing e comunicação, avaliar o que deu certo e o que deu errado até então em termos de promoção. Quais mídias trouxeram mais retorno? Quais investimentos em campanha promoveram melhor a nossa marca? E o que deu errado? Onde investimentos força e verba, porém por algum motivo (apontar a razão) as ações trouxeram um baixo resultado? O que fora realizado nos últimos vinte e quatro meses? • Colocação e posicionamento de mercado: quais as metas da empresa? Há alguma oportunidade se desenhando ou uma lacuna (um vácuo) de 4 BUDGET neste caso, tem caráter de orçamento. 11 segmento a ser ocupado? Que tipo de consumidor podemos transformar e tornar cliente da(s) nossa(s) marca(s)? • Por fim, a definição de verba. Qual o valor a ser investido a médio e longo prazo para promoção da marca (institucional) e/ou comunicação dos produtos e serviços dos portfólios da organização? Nota importante: todos esses itens são um esboço, um rough (rascunho) de um possível brief que deverá ser formulado, preenchido e revisado pelo atendimento em conjunto com o cliente, para se tornar o roteiro principal a ser seguido pelos profissionais da agência. Obviamente serão realizadas pesquisas junto aos canais do cliente (sites, marketplaces, visitas a lojas físicas, degustação e/ou experiência com os produtos que serão promovidos etc.). Mas aqui cabe um apontamento: esse “esqueleto” serve de base para a construção de um brief e pode ser seguido a pari passu, conforme descrevemos item a item, ou ser ainda mais decupado ou resumido para aplicação junto aos responsáveis da organização. A priori, estas são as informações mais importantes para a boa formatação de um planejamento completo de comunicação e de marketing. Com o tempo, essa estruturação será automática nos seus processos. Claro que profissionais que aplicam esse questionário há muito tempo têm claros todos os itens que devem ser perguntados e pesquisados, estruturando (até mentalmente) outros formatos de plano e coleta de dados. Há quem se conforme e consiga desenvolver um plano completo, por meio da prática e de uso da pirâmide invertida do jornalismo, citada para a estruturação de uma notícia ou fato que tenha acabado de acontecer, lançando mão das perguntas básicas, mas importantes: quem, quando, onde, quanto, como, por que etc. Mais uma vez, é um bom ponto de partida. Assim, o que pretendíamos e entregamos aqui é um roteiro completo de brief, e cabe a cada um de nós desenvolver aquele que melhor responda às nossas perspectivas e necessidades de mercado. Experimente desenvolver as suas próprias ferramentas, os seus próprios documentos. É incrível e traz um bom sentimento de compreensão dos processos. Em seguida, veremos os tópicos ainda mais detalhados. 12 TEMA 3 – LEVANTAMENTO PRÉVIO DE MERCADO Como vimos no tópico anterior, podemos sim roteirizar o levantamento prévio do histórico ou dos dados do cliente. Esperamos que, nesse momento, já seja ponto pacífico a importância de se conhecer a marca,a organização, bem como os produtos e serviços por ela oferecidos, na sua totalidade. Vimos que o profissional de atendimento tem como uma de suas funções transmitir tudo o que aprendeu sobre aquele cliente para que todas as ações dentro da agência e que são prévias a uma sequência de posts em uma rede social, por exemplo, quanto mais assertivas forem, mais corretas e efetivas serão as ações a serem desenhadas pela agência. Não custa lembrar que por mais que a agência tenha participado desde o início de um projeto de lançamento de um novo produto ou serviço, quem realmente entende daquilo que está para ser promovido é o cliente. Assim, os profissionais que participarem desse levantamento prévio de mercado não devem demonstrar desconhecimento acerca do objeto de campanha, mas sim aproveitar esse momento de busca por informações para dirimir todas as dúvidas que, por acaso, possam surgir. Ninguém apresentará boas informações, ou, ainda, melhores informações senão aqueles que foram responsáveis pela criação, pela concepção e autoria daquele produto ou serviço. Esse levantamento implica também em usar diferentes modelos de ação no sentido de empreender forças para conhecer mais profundamente as características principais inerentes à marca, produto ou serviço. Ainda que não precisemos ir tão a fundo na pesquisa e na experiência de produto ou serviço como preconizado no filme Do que as mulheres gostam5 (2001), onde Nick Marshall, protagonizado por Mel Gibson, é um publicitário mundialmente conhecido por grandes campanhas e que trabalha em uma das maiores agências de publicidade e propaganda de Chicago, nos Estados Unidos. Ao longo do filme, ele ganha poderes de compreender como pensam as mulheres e passa a “roubar” as melhores ideias da diretora de criação da agência – Darcy McGuire, estrelada por Helen Hunt – mas que, em vez de apenas ouvir sua voz “anterior” se apaixona pela colega de trabalho. Paralelamente a tudo isso, Marshall passa a experimentar (literalmente) todos os produtos que a agência iria divulgar. De meias finas à 5 Do que as mulheres gostam – 9/3/2001. 2h07 min. de filme. (Comédia, romance). Direção de Nancy Mendes, roteiro de Josh Goldsmith e Cathy Yuspa. Elenco: Mel Gibson, Helen Hunt e Marisa Tomei – Título original do Filme – What women want – Produtora Europa Filmes. 13 produtos de depilação e maquiagem, o publicitário busca compreender como as mulheres pensam (e reagem) para assim poder criar as melhores campanhas publicitárias e obter melhores resultados e prêmios. Se você ainda não assistiu ao filme, vá em frente, porque vale muito a pena! É hilário. Obviamente que, no mundo real, também devamos experenciar os produtos, serviços ou marcas para que possamos conhecê-los a fundo para, a partir disso, pensar em soluções, estratégias possíveis para comunicar e estabelecer uma conversação com o seu público-alvo. Afinal, como convencer alguém da importância do uso de uma marca se não a conheço? Há inúmeras formas de isso acontecer. Desde visitas pontuais ao cliente para conhecer seu portfólio (produtos, serviços e marcas), idas ao “chão de fábrica” para conhecer os processos produtivos e compreendê-los do início ao fim, solicitar pesquisas acerca daquele produto ou serviço para avaliar diferentes pontos de vista da mesma marca, porque quando temos noção e compreensão de todas as etapas de um ciclo produtivo, desde a sua concepção até a sua embalagem, por exemplo, fica mais fácil compreender a essência do negócio e poder agir com dados reais. Aqui, o que não existe é um processo fácil, rápido de ser realizado. Como dito anteriormente, quanto melhor elaborado for o processo de coleta e de criação de histórico de informações, melhor o embasamento do projeto e como consequência direta todos os integrantes daquele job na agência terão melhor conhecimento sobre o que – de fato – estão criando, projetando e elaborando. Portanto, ir além do roteiro (padrão) é criar subsídios importantes para a mídia, planejamento e criação, por exemplo. TEMA 4 – EXEMPLOS DE BRIEF Existem centenas de Briefs disponíveis no mercado. Do mais simples aos mais elaborados, costumamos dizer que o melhor Brief é aquele que você vai criar hoje; melhor que o de ontem e inferior ao de amanhã. O que significa isso? Esse não é um processo engessado, fechado, definitivo. Pelo contrário. É um processo de construção e melhoria “eterna”. Ora porque os clientes, produtos e serviços evoluíram, ora porque encontramos outros formas e formatos de melhor conhecer o objeto que trabalhamos. É um processo natural de evolução e aprendizado. O que vamos mostrar a partir de agora é um “esqueleto” de formulação de um Brief. A partir desses dados, você próprio poderá construir seu próprio roteiro para a prospecção e o atendimento a seus clientes, segundo suas necessidades. 14 Você poderá, inclusive, criar diferentes Briefs para cada uma das suas demandas: por exemplo, a marca é sua cliente de marketing digital – assim, você poderá criar um roteiro apenas com detalhes de digital, não cabendo aqui informações sobre mídias tradicionais ou off-line, por exemplo. Então, mãos à obra! Ressalvamos novamente que não são informações definitivas e não passíveis de mudança. Quanto mais “vivo” for esse documento, mais assertivo será. Crie você mesmo(a) o seu Brief6! Será divertido e muito útil para você! A seguir, confira o modelo de briefing: levantamento de mercado. 4.1 O que estamos vendendo? Aqui, você precisa descrever detalhadamente a marca, produto ou serviço. A ideia é desenvolver um roteiro preciso de histórico do cliente. Você poderá abordar, neste tópico, dados como: Proprietários, CNPJ do cliente, Endereço de Matriz e Filiais, Portfólio de produtos ou serviços, custo X benefício, vantagens e desvantagens do produto ou serviço frente à concorrência, concorrência direta e indireta, formas de uso, frequência de compra, local de produção, processos e fases de fabircação, entre outros detalhes que possam ser importantes para os profissionais da criação, planejamento e mídia. Share of Mind, Share of Market, Share of Heart – existem pesquisas sobre o produto, serviço ou marca que iremos vender? Neste primeiro momento, o detalhamento é fundamental para o sucesso do projeto. Vale lembrar quem nem todos os profissionais que trabalharão na campanha devem conhecer o cliente. Quanto melhor for a apresentação, mais dados serão utilizados no embasamento da campanha. Não raro, o mote ou o tema da campanha vem de um insight neste momento da elaboração do brief. 4.2 A quem estamos vendendo? Aqui devemos tratar dos nossos clientes, consumidores e/ou públicos-alvo. • Afinal, quem é o nosso público-alvo? Quem são nossos clientes? • Quem usa o nosso produto ou serviço? • Quais os custos do produto/serviço? Custos de produção e custos do 6 Novamente, vale lembrar que o mercado também usa e valida o termo briefing para o documento que aqui tratamos como Brief. Ainda que não seja errado, é importante usarmos as formas corretas de nominação. Brief é o documento de levantamento de mercado e briefing é a reunião de propspecção, coleta, composição e transmissão dos dados deste levantamento entre representantes da marca e da agência. 15 consumidor final. • Dados geográficos e demográficos: sexo, idade, renda, ocupação, educação. • Localização – onde os clientes moram, trabalham, passeiam etc. • Quem são os decisores e influenciadores de compra? (formais e informais). • Cite as atitudes racionais e emocionais com relação a preço, qualidade, utilidade e conveniência. • Quem é o público da nossa marca, cliente ou consumidor? Saber a quem o produto ou serviço se destina é fundamental para definirmos quais os caminhos da campanha publicitária, bem como quais os meios e veículos que podemos lançar mão para estabeleceros melhores pontos de contato da nossa marca com os nossos clientes. 4.3 Onde estamos vendendo? Onde nosso produto é vendido? (Mercados, lojas, bares, marketplaces, sites?). Área geográfica. (Zona rural ou urbana? – Capital ou interior?) On-line ou fisicamente? Pode expandir? (Onde mais podemos oferecer os nossos produtos?). Como o produto é distribuído para os PDV´s, praças? (Qual a logística). Onde podemos encontrar os produtos e serviços que anunciamos? Como podemos contribuir para aumentar as vendas dos nossos clientes? É papel da agência pensar nas formas de venda para aumentar as possibilidades de negócios. 4.4 Quando estamos vendendo? Hora do dia. Estação. Feriados. Ocasiões especiais? (É um produto segmentado? Dirigido?). É sazonal? Seria possível aumentar estas ocasiões? (Como vender fora de época?). Qual a frequência e hábito de compra de nossa marca, produtos ou serviços? 1 vez por dia, por mês, ao ano, etc. Sabemos que muitos produtos têm sazonalidade. Ou seja, são vendidos em épocas especiais: Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais, Páscoa, Dia das Crianças, entre outros. Entender os hábitos e frequência de compra é fundamental neste passo. 16 4.5 Como estamos vendendo? A verba de promoção foi adequada? (Qual o nível de aplicação da verba?). Essa verba manteve vendas repetidas, assegura vendas continuadas? Como se distribui a verba entre os diversos veículos? (Qual o critério de escolha dos meios?). Quais vantagens ou desvantagens do produto ou métodos de venda em relação à concorrência? (Quais os diferenciais dos nossos produtos?) Procure angariar o máximo de respostas ou informações sobre as atividades financeiras relacionadas à comunicação do cliente. Obviamente que, no início da relação, talvez o cliente não abra completamente a sua vida de investimentos em comunicação, mas se o fizer, aproveite e use isso a favor do planejamento. 4.6 Detalhes importantes do produto / visual e custo-benefício O produto é prático? É bom?. A embalagem (Análise geral: cores, formatos, quantidades, especificações gerais). O preço (É competitivo?) Quais os preços praticados pela concorrência? Métodos de Vendas (Distribuidores? Ou Propaganda?). Esse momento é de suma importância para subsdiar a criação, redação e direção de arte e, posteriormente, o planejamento. Buscar o máximo de referências tornará as escolhas desses departamentos mais facilitadas, aumentando as possibilidades de assertividade nas tomadas de ações. 4.7 Fatores determinantes para a escolha de mídias e veículos Público-alvo visado pelo cliente (Escolher os meios que atinjam o nosso target). Âmbito da campanha (Regional, Nacional?). Atividades dos concorrentes (Seguir um caminho coerente). Natureza da mensagem. Mídia e mensagem não podem estar desassociadas. Oportunidade (Estar atento ao mercado). Informações necessárias para orientar as ações de mídia e de veiculação. Que mídias digitais utilizar no âmbito da campanha? O que poderá trazer resultados mais efetivos nas publicações? Quais mídias e veículos devemos contratar para suporte na campanha? 4.8 Definição dos formatos de planejamento e campanha A campanha será ofensiva ou defensiva? Será lançamento do produto ou 17 serviço, concorrência ou sustentação? Quais os objetivos e metas de campanha? Qual a verba de campanha? Como é determinada a verba para propaganda? (Porcentagem, Comissionamento, relocação?). Alinhar com o cliente os formatos e ações, usando como base todas as informações por ele passadas, também facilitará o trabalho do planejamento, subsidiando tomadas de decisão no sentido de otimizar os passos e processos, visando ao atingimento de objetivos e metas pré-definidas. TEMA 5 – A IMPORTÂNCIA DA REUNIÃO DE BRIEFING O papel do atendimento, com o passar dos anos, ganhou valor, deixando para atrás aquela figura de mero representante da agência dentro do cliente e vice- versa, acumulando, assim, funções ou atividades de facilitador do planejamento, por exemplo. Em pequenas agências, ou naquelas que estão apenas começando, o atendimento, além de atuar como elo, como ponte entre as duas partes, administrando jobs e prazos, também passa a formular planos de marketing e comunicação com os demais departamentos. Novamente, é importante que a atividade composição e redação do Brief, é a parte mais importante do processo de prospecção e atendimento a um cliente de comunicação. O momento da redação, da criação, muitas vezes é solitário. Por isso, aproveitar esses momentos de reunião e consequentemente de “partilha” de conhecimento é fundamental para gerar ideias e insights que possam ser usados na campanha a seguir. Temos dois momentos importantes na primeira fase dos trabalhos. Quando há a reunião de coleta de informações e levantamento de mercado do atendimento com o cliente e quando o atendimento repassa tais informações a todos os profissionais da agência. Portanto, temos duas reuniões de briefing nesse início. No caso de coleta de informações junto ao cliente, o atendimento se reúne normalmente no cliente, com pessoas destacadas para repasse de informações. Pode ser um diretor, pode ser um gerente, alguém do departamento de comunicação ou marketing da empresa ou, ainda, alguém que conheça profundamente aquilo que será o “objeto” de comunicação. Aqui, denominamos objeto o produto, serviço ou marca que será divulgado. Hipoteticamente, vamos imaginar que uma fábrica de refrigerantes regional decide lançar no mercado uma nova marca de água mineral. 18 Sabemos o que é o objeto (neste caso, a água mineral). Esta será lançada apenas regionalmente, no estado do Paraná, por exemplo. O atendimento irá até a empresa para levantar todo o mercado desse novo produto. Reunirá os responsáveis pelo lançamento dentro da empresa e começarão a formular neste encontro de Briefing, o Brief, com as informações necessárias para subsidiar todos os demais departamentos e profissionais da agência. Vale conhecer a fonte, a planta de envase, os profissionais envolvidos na composição e formulação da água mineral, os tipos de embalagens, as formas de comercialização, os pontos de vendas etc. Isso vale para qualquer tipo de produto, serviço, marca ou campanha que possamos realizar. Lembrem: dirimir os riscos para mitigar os prejuízos. Todos ganham com esses processos. TROCANDO IDEIAS Achamos que está clara a importância do Brief neste primeiro momento, bem como a função do atendimento enquanto codificador das informações que serão repassadas em reuniões de briefing para os seus pares, profissionais da agência em que trabalha. Não há distinção em formatos de campanhas, nem de mídias e meios. Se o trabalho for voltado para o on-line ou off-line, os primeiros passos são absolutamente iguais. NA PRÁTICA Lançamos um desafio aqui para você. Pegue o modelo de Brief em anexo e tente preencher com produtos que você conheça e que goste. Descreva-o. Aponte pontos fortes e fracos, formas e formatos, tipos de campanhas já realizadas, público-alvo, sugira novas formas de vendas. É este tipo de prática que naturalizará as suas próximas prospecções e levantamentos de mercado, independentemente de atuar na criação, redação, atendimento, planejamento, mídia ou em qualquer outra função profissional dentro de uma agência. Todos os sujeitos dessa cadeia produtiva devem conhecer profundamente as características e critérios de um bom formulário de levantamento de dados. Mãos à obra! 19 FINALIZANDO Como vimos neste primeiro momento, conhecer o cliente profundamente é quesito básico para o início de qualquer job relacionado à comunicação e ao marketing. Como vender ou – pior – promover algo que não conhecemos (e não acreditamos até então), para um cliente? Para um consumidor? É condição básica de qualquer profissional de comunicação ou marketing quetrabalhe diretamente com marcas, produtos e serviços ser parte integrante do processo. Como dissemos, se tornar o cliente dentro do próprio cliente. Pensar como ele, colaborar como desenvolvimento de um plano ou projeto que culmine com uma campanha perfeita circulando nas ruas ou navegando na rede. É nossa função pensar o produto e serviço (ou marca) para que, assertiva e respeitosamente, possamos aproximá-los do seu principal alvo: o cliente, que não aguenta mais ser enganado por falsos produtos, inverdades ou propaganda enganosa que (infelizmente) depõe contra a nossa função e contra nós mesmos. Até a próxima! Bons Estudos. Saiba mais Sugestão de Filme – Do que as mulheres gostam – 9/3/2001. 2h07 min. de filme. (Comédia, romance). Direção de Nancy Mendes, roteiro de Josh Goldsmith e Cathy Yuspa. Elenco: Mel Gibson, Helen Hunt e Marisa Tomei – Título original do Filme – What Women Want – Produtora Europa Filmes. 20 REFERÊNCIAS MINI MICHAELIS. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2009. DICIONÁRIO OXFORD. Nova Edição. Oxford University Press, 2007. BRIEFING E PLANEJAMENTO AULA 2 Prof. Alexandre Correia dos Santos 2 CONVERSA INICIAL Agora que conhecemos os conceitos de brief e briefing, e que compreendemos parte das funções de um profissional de atendimento, vamos dar seguimento à construção de um levantamento de mercado, considerando os processos de planejamento de uma campanha de comunicação. Reforçamos que, se esse processo inicial for feito com excelência, maiores as chances de a campanha dar certo, de modo assertivo e bem alinhado, entregando o que o cliente exige ao investir em comunicação: resultados. Além disso, tudo o que apresentamos aqui vale para qualquer forma de comunicação: digital, offline, tradicional, below the line e no media. A busca por informações e o levantamento de mercado são muito semelhantes. Os processos e componentes do brief, por exemplo, servem para qualquer um dos casos. Vamos conhecer novos conceitos, analisando as funções do atendimento, do profissional de planejamento (planner), além de alguns formatos de planejamento. Bons estudos! Divirta-se! CONTEXTUALIZANDO Todo e qualquer contrato comercial (B2B) tem como objetivo garantir ganho ou lucro para os dois lados acordados. Ou seja, se uma agência é contratada legalmente para cuidar da conta publicitária de uma empresa, o objetivo é fazer com que a empresa obtenha ganhos com a projeção e o posicionamento de sua marca, e/ou ganhos com a venda de produtos e serviços por ela produzidos. A agência, por sua vez, receberá por aquilo que criou, produziu ou planejou. Porém, como em toda relação, existem momentos de ganhos, mas também momentos (às vezes inevitáveis) de desgaste. O ideal é justamente trabalhar (muito) para que a relação perdure pelo maior tempo possível. Há quem goste de trabalhar por "job”, sem criar efetivamente uma relação com o cliente – mas esses são as exceções. As agências com muitos anos de mercado se orgulham sobretudo do tempo de relacionamento com os seus clientes de suas carteiras. Muitas cresceram justamente a pari passu com os clientes. É isso que queremos mostrar: quanto melhor for o trabalho (considerando uma boa construção e um excelente planejamento), melhor e mais duradoura será a relação. 3 Vamos conhecer outras funções do atendimento e do planejamento, analisando diferentes formas de trabalhar o brief e o briefing. TEMA 1 – ATENDIMENTO E EXECUTIVO DE CONTAS Já estudamos a importância do atendimento para o brief, o briefing e o atendimento ao cliente. O famoso executivo de contas, ou account manager, é o responsável pela carteira de clientes de uma agência de comunicação, independentemente da área de atuação da empresa. Segundo Bona (2012, p. 44), a principal característica da figura de atendimento comercial (ou da profissional de atendimento, espaço largamente ocupado por mulheres) é a empatia. Segundo a autora, esse profissional “precisa ter a capacidade de se colocar no lugar de seu público, com doses maciças de empatia para ambos os lados – agência e cliente”. Ou seja, atende clientes internos e clientes externos ao longo do processo. Além disso, o atendimento precisa apresentar, como habilidade e competência principal, a característica de ser um excelente vendedor. Isso porque, basicamente, essa á a sua função. Afinal, ele faz a prospecção, conquista o cliente e assume a “conta publicitária”, junto com todos os benefícios e mazelas que a relação pode trazer para as duas partes. Essa transação é literalmente um relacionamento; ou seja, o atendimento terá que (com empatia) administrar humores (má e boa vontade) dos dois lados (interno e externo) do processo. Antigamente, o atendimento era visto como um agente passivo. Ou seja, ele aguardava as demandas do cliente da carteira da agência. Hoje, além de ativo, onde prospecta novas oportunidades em termos de novos clientes, ele deve ser proativo, avaliando as necessidades e demandas dos clientes da agência e propondo novas soluções e oportunidades para os prospects. Nessa função, não raro o proprietário (ou sócio) da agência assume o papel de um dos atendimentos. Assim, é possível que, com um pouco de talento, ele seja capaz de perceber os movimentos do mercado, considerando as percepções dos clientes sobre os serviços prestados por ele e por todo o time de propaganda e publicidade. Mesmo em tempos digitais, essa é uma atividade ainda (felizmente) pessoal e física, que exige, entre outros tantos atributos, boa apresentação pessoal, boa oratória, boa capacidade de venda, além da compreensão dos desejos e das necessidades dos clientes e das marcas. A função demanda ainda uma capacidade ímpar de retransmissão das informações captadas para os profissionais que estão 4 aguardando os “jobs” na agência, e que raramente acompanham o atendimento em reuniões externas. Crédito: Andrei Chudinov/Shutterstock. Boa aparência, bom repertório, conhecimentos sobre os negócios do cliente e boa capacidade de venda são características importantes para o profissional de atendimento. Assim, a sua principal função é interpretar aquilo que ele foi levantado em termos de brief, com um relatório completo das atividades que a agência deverá desenvolver, preocupando-se com os mínimos detalhes, como características do cliente, anseios, desejos, particularidades e especificidades. Entra aí um rol enorme de componentes: especificidades de produto, composição de cores, mídia utilizada, verba administrada, entre outros recursos imprescindíveis para a construção de uma campanha publicitária. Vale lembrar que um job ou brief “malpassado” pode gerar uma série de transtornos para a agência, considerando a estrutura e a verba do cliente. O resultado pode ser um desgaste completamente desnecessário para a “relação”. Lembramos que esse acordo tácito entre a agência e os clientes é sim uma relação pessoal, muito próxima a um matrimônio. A partir do momento em que um dos lados começa a falhar, ou dá sinais claros de desgaste, se não há uma curva de manutenção e recuperação, certamente o caminho será a separação, o litígio. 5 Outra característica importantíssima desse profissional é o conhecimento holístico de toda a “cadeia produtiva” envolvida na consecução de uma campanha. Em outras palavras, isso significa que o atendimento, primeiramente, deve conhecer (como ninguém) o negócio do cliente. Em segundo lugar, ele deve conhecer muito sobre mídia e estratégia, para que, com base em sua experiência, ele seja capaz de orientar os profissionais da agência quanto aos caminhos que eles podem começar a seguir. Desta forma, a previsibilidade de riscos e falhas é reduzida, uma vez que a sua compreensão é total em relação aosanseios dos clientes e das marcas que serão trabalhadas pela agência, dirimindo custos de refação1, de retrabalho, além de idas e vindas do material publicitário para a aprovação final e a veiculação. Assim, o principal desafio é compreender as informações mais relevantes sobre o cliente (marca, produto e/ou serviço), considerando ainda as estratégias que podem ser usadas e, principalmente, as tarefas que a agência (que ele representa) dará conta de criar, produzir e veicular. Isso o torna também responsável pela determinação dos “limites possíveis” de uma ideia, de uma estratégia, de uma campanha publicitária. De nada adianta dar carta branca à criação e ao planejamento, por exemplo, se a verba é limitada, se o cliente é tradicional e não gosta de se “aventurar” em novas mídias, ou se as cores usadas desagradam a paleta da marca ou do produto. Você percebe como essas informações são vitais, por exemplo, para a orientação de um departamento de criação? Se os profissionais de criação não tiveram um start, uma base, um ponto de partida, “o céu é o limite” e o resultado virá de devaneios, loucuras e mentes criativas, trazendo diversas incertezas. Não raramente, isso dá certo – porém, posso garantir que a chance de dar errado é muito maior. Devemos lembrar que bom e mau gosto são capacidades discriminativas, ligadas à aprovação ou reprovação de campanhas. Por fim, também é função do atendimento administrar prazos, no sentido de empreender esforços para não sobrecarregar o pessoal da agência, nem frustrar o planejamento e o calendário dos clientes, que não raramente recorrem aos serviços de comunicação com prazos enxutos. 1 Retrabalhos de reimpressão ou de veiculação pagos duplamente pela agência para compensar um possível erro de projeto. Falhas podem significar desgaste com cliente e/ou prejuízo para o projeto. 6 Uma boa dica é procurar, na sua região, grupos ou órgãos organizados que representam a área. No Paraná, por exemplo, existe o GPA-PR2 – Grupo de Planejamento e Atendimento do Paraná, que sistematicamente reúne os seus associados para encontros, workshops, debates etc. Além de oferecer aprendizado, esse é um momento importante de interação, o que ajuda a aumentar a sua rede de contatos, de modo que você estará a par das principais novidades do mercado, transitando junto com profissionais da área. TEMA 2 – RELACIONAMENTO COM O CLIENTE INTERNO Tão difícil quanto administrar uma carteira de clientes da agência é gerir prazos e demandas com o cliente interno. Neste caso, cliente interno são os pares do atendimento dentro de uma agência, independentemente de seu modelo. Sabemos que, quanto menor a agência (não importa a área em que ela atua), mais trabalho os profissionais vão ter. Não raro, será preciso dividir ações e funções. Em uma agência maior, dividida em departamentos, com rotinas e scripts claros entre os clientes internos, cada um sabe exatamente o que fazer no momento certo do processo. Além disso, todos sabem até onde podem ir, sem interferência na tarefa do colega. Veja a seguir o organograma de uma pequena agência de comunicação. Figura 1 – Organograma: agência de comunicação 2 Veja a seguir. Disponível em: . Acesso em: 6 set. 2022. 7 É importante ressaltar que não existe uma agência ou um organograma ideal. Como já vimos, a comunicação e o marketing devem ser tratados como ciências, mas não como ciências exatas. Não existe receita pronta de bolo. Não é incomum perceber que o atendimento faz as vezes de planejamento (planner), acumulando assim duas funções. Ao analisar o organograma de uma agência pequena, percebemos que o número de pessoas que trabalham no grupo é muito menor. Assim, as pessoas acumulam ainda mais funções, de modo que o profissional é ainda mais multitarefas, o que faz com que o trabalho fique ainda mais complexo. O dono da agência, por exemplo, certamente faz parte de todas as operações e departamentos da empresa, principalmente o atendimento. É claro que uma pequena agência poderá entregar uma campanha publicitária integrada, tão boa quanto uma agência maior. Poderá ainda entregar resultados tão sólidos quanto uma agência de médio porte, mas por si só, pela sua própria constituição os profissionais, será necessário trabalhar muito mais do que em outros cenários. Se uma pequena agência souber gerenciar as suas parcerias com terceiros (que produzem campanhas de comunicação integrada, por exemplo), a chance de sucesso é grande, com um custo nominal muito inferior aos demais formatos de operações de publicidade e propaganda. A terceirização dos Jobs e das tarefas comunicacionais é muito comum em nossa área. Vamos analisar os dados a seguir. 8 Figura 2 – Terceirização em agências Fonte: Projeto Operand, 2020. Em uma rápida análise, produção eletrônica, fotografia e gráfica são campeãs de terceirização, por motivos óbvios: salvo pouquíssimas exceções, as agências não estão dentro (não ocupam os mesmos espaços físicos) de editoras e gráficas, ou de produtoras de áudio, fotografia e vídeo. Outro item que salta aos olhos é a produção de sites, que são terceirizados em mais de 44,47% dos casos, no caso de clientes que precisam de ações digitais. Especialmente nessa seara, a divisão de trabalho deve ser extremamente cuidadosa, afinal, de modo similar às ações offline ou tradicionais, o cliente pode simplesmente migrar e seguir para o terceiro (fornecedor) que realizou a ação em parceria. 9 Outros itens chamam a atenção: desenvolvimento de aplicativos (17,81%), produção e geração de conteúdo (12,98%) e gestão de mídias sociais (7,85%), trabalhos da seara digital, que demandam mão de obra especializada e específica. TEMA 3 – RELACIONAMENTO COM O CLIENTE EXTERNO O cliente externo é o cliente de fato. Já o cliente da comunicação, seja offline ou online, é sui generis, ou seja, é único e não carrega nenhuma semelhança com nenhum outro tipo de contratante de serviços. Por quê? Porque é o sujeito que invariavelmente deixa muita coisa para a última hora. Isso implica obviamente que a agência vai ter de trabalhar dobrado. Muitas vezes, com o timing errado, o resultado não vem. Claro que existem boas exceções. Clientes grandes muitas vezes trabalham com um ano de antecedência – ou seja, no ano corrente começam a planejar ações para o ano seguinte. Essa postura dá margem a alterações, mudanças de rumo, sem impactar no andamento da empresa. Quer um exemplo prático? As empresas que sobreviveram à pandemia tiveram fôlego, planejamento (isso inclui dinheiro) e principalmente margem para rever o próprio negócio e propor novos encaminhamentos ou soluções. Claro que também existem bons exemplos de clientes pequenos organizados e conscientes de seus passos e estratégias. Com eles, muitas vezes é até melhor de trabalhar. Por conta disso, como já definimos, o relacionamento entre um atendimento e seu cliente é algo que deve ser duradouro – porém, também pode ser algo complicado e desgastante para todos os lados. A falta de planejamento do cliente traz implicações diretas para os prazos. Ou seja, quando ele nos chama para contratar serviços de digital, criação ou planejamento, o prazo é muito exíguo em relação aos processos, de modo que exige resultados imediatos. Aqui, cabe uma boa “regra”: não vamos conseguir resultados práticos em curto prazo. Reforçamos: o atendimento a um cliente é o processo de relacionamento (com vitórias e derrotas) em médio e longo prazo. No curto prazo, temos ações de bota fora, fechamento de operações, liquidações, fim de coleções etc. Mais para frente, vamos nos aprofundar no tema dos prazos de contratação e entrega. 10 TEMA 4 – DECODIFICAÇÃO DO BRIEF Para que os demais profissionaisda agência de publicidade e propaganda possam decodificar o que foi postado e relatado no escopo do cliente, este documento deve ser claro, bem descrito e assertivo. Vejamos alguns deslizes e erros comuns no preenchimento dessa importante ferramenta. • Não citar o histórico da marca ou do cliente. Por mera causalidade, ou por imaginar que os profissionais da agência conhecem profundamente o cliente com quem trabalham, o atendimento faz um resumo raso do histórico, ou não o faz. Não há cliente no mundo que seja completamente conhecido por nós. Por isso, não economize nos detalhes. • Ser raso na descrição de fatores como cores do logotipo e do manual da marca do cliente. Ora, se temos um manual de marca, inclua tudo o que for relacionado: cores como azul bebê, amarelinho ouro, bege pálido e vermelho queimado não são cores para um diretor de arte ou de criação. Lança mão do velho e bom Pantone e detalha, por favor. • Manter desenhos aleatórios, que na reunião com o cliente faziam sentido, mas para quem não participou da reunião não têm pé nem cabeça. Alguma informação não ajuda no momento da criação ou do planejamento? Deve ser excluída. • Brief sem anexos. Queremos uma camiseta (igual a esta). Oi? Igual a quê? Ou um brief com informações desconexas: “queríamos um material igual aquele enviado por e-mail”. É por essas e outras que o atendimento deve conhecer a fundo todas as instâncias e dinâmicas da agência de que faz parte. Isso evita o vai e vem de informações (às vezes na dinâmica “telefone sem fio”), retrabalhos e refações. Hoje, no mercado, circulam centenas de modelos de briefs. Para o atendimento, por conta da prática, eles podem parecer simples, mas podem confundir os demais integrantes do grupo, levando-os ao erro. Um modelo capaz de atender a todos os departamentos é ideal para essa integração. Podemos ainda citar as seguintes práticas que ajudam nesses processos: compor um time que entende profundamente dos processos da agência; participar de todas as reuniões relacionadas às ações; participar de reuniões curtas, mas produtivas. Quem ganha no final de todas essas práticas é o cliente, a agência e a ação proposta para a integração. 11 TEMA 5 – ÉTICA OPERACIONAL E LEGALIDADE Como toda profissão, é importante que um profissional de comunicação atue, severa e rigorosamente, dentro da ética e da legalidade da grande área da comunicação. Ao se formar, o profissional jura ser fiel a tais propostas de conduta, trabalhando dentro dos limites previstos pelas normativas da função em obviamente, dentro das leis que regram a função no país. Não cabe ao publicitário, por exemplo, criar situações ou soluções comunicacionais que envolvem diferentes agentes (clientes, consumidores, empresas ou marcas) em situações embaraçosas, estimulando ofensas ou discriminando a raça, a condição social, a opção política, a opção religiosa ou a origem de qualquer cidadão. Além disso, nossas campanhas não devem induzir, sugerir ou incentivar atividades relacionadas com crimes, ou que sejam ilegais, enaltecendo, favorecendo ou estimulando tais práticas. Para controlar infrações nesse sentido, foi criado o Conar3 – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, que foi estabelecido como uma espécie de ONG ao final de 1978, durante o III Congresso Brasileiro de Propaganda, com a função principal de fazer valer os princípios e elementos do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. Assim, desde então, esse “tribunal”, sem função e cunho burocrático, passou a regular as práticas publicitárias no Brasil. Com mais de 40 anos de existência, o Conar é capaz de perceber e assimilar as evoluções e normas relacionadas aos aspectos sociais do Brasil, refletindo os avanços, as particularidades e as nuances locais. Uma das funções dessa instituição é manter-se atenta, alerta às mudanças diárias das práticas comunicacionais, preservando a integridade do Código Nacional. Trata-se uma instituição em constante renovação. Vejamos alguns dos preceitos básicos que permeiam e definem a prática e a ética publicitária. • Todo e qualquer anúncio (independentemente de formato ou meio) deve ser honesto e verdadeiro, respeitando as leis vigentes no Brasil. • Toda comunicação deve ser pensada e produzida com o devido senso de responsabilidade social, sem acentuar as diferenciações sociais. Em outras palavras, devemos lembrar que o Brasil é um país de dimensões continentais 3 Disponível em: . Acesso em: 6 set. 2022. 12 e (infelizmente) de diferenças sociais gigantescas. Assim, não podemos promover marcas ou produtos que proporcionem superioridade e, na sua falta, inferioridade. • O publicitário deve conhecer e respeitar a cadeia de produção da marca (produtos e serviços) que representa. Por isso mesmo, deve ser responsável por todas as ações inerentes à organização. • As campanhas e ações comunicacionais devem respeitar o princípio da leal concorrência. No Brasil, por exemplo, é regulada a campanha comparativa entre duas marcas. Existem diferentes regras para a comparação entre dois produtos similares. Justamente por isso, essa é uma das áreas responsáveis por grande parte dos processos julgados pelo Conar. As campanhas muitas vezes vão ao limite dos regramentos, apostando em absolvição junto ao Conar. Porém, não devemos esquecer que trabalhamos com o dinheiro dos nossos clientes. Por isso, não devemos brincar ou testar os limites corretos da boa conduta publicitária. Um comportamento contrário certamente nos faria perder pontos valiosos com os clientes. • A campanha deve, sobretudo, respeitar a atividade publicitária, nunca desmerecendo a confiança dos públicos nas atividades prestadas pela área. Quando abordamos o público da comunicação, devemos pensar em absolutamente todos os públicos, em todas as pessoas que possam ser impactadas por um simples panfleto na porta de um supermercado, considerando ainda o telespectador do horário nobre. Isso torna a nossa profissão ainda mais desafiadora. Se o nosso público são as crianças, precisamos respeitar o Estatuto da Criança e do Adolescente, que é extremamente rígido (e assim deve ser) com o regramento de propagandas enganosas e abusivas que, por exemplo, iniciem as crianças na espiral do consumo. Associar crianças ou mesmo adolescentes em situações incompatíveis com a sua condição é terminantemente proibido, sejam elas ilegais, perigosas ou ainda socialmente condenáveis. Outro tema sensível à publicidade e à propaganda é a veracidade das campanhas criadas e veiculadas. Ou seja, devemos apresentar ao nosso consumidor uma campanha verdadeira do produto oferecido. Tal “veracidade” não se aplica apenas na dimensão do produto. O próprio anúncio deve ser pensado com todas as informações, descrições e alegações 13 comprovadas pela marca e pelo produto. Somos responsáveis por essa etapa da comunicação. Ou seja, se determinado produto promete entregar “puro malte” em sua composição, assim deve ser, rigorosamente. Para se ter uma ideia, até o uso da palavra “grátis” é regulado, justamente para que o consumidor não seja induzido ao erro por má informação ou impulso. Uma outra falha comum do meio publicitário é a falta de pesquisa, de referência, de busca de campanhas publicitárias já realizadas – vale lembrar que o marketing data do final de 1960, mas a propaganda tem registros que datam do final de 1800. Assim, é comum presenciar embates entre empresas por plágio ou por direitos autorais. O art. 38 do Código de Autorregulamentação Publicitária é muito claro, como vemos a seguir. • Deve-se respeitar a proteção à criatividade e à originalidade, condenando anúncios que tenham por base o plágio ou a imitação. Ou seja, se você usar como base o anúncio de um concorrente, certamente você será descoberto e processado.• Será condenado igualmente o anúncio que configurar confusão proposital com qualquer peça de criação anterior. Em outras palavras, não devemos criar peças parecidas, que possam confundir os clientes e consumidores. • O anúncio não poderá infringir marcas, apelos, conceitos e direitos de terceiros, mesmo de fora do país, reconhecidamente relacionados ou associados a outros anunciantes. Por fim, mas não menos importante, devemos lembrar do cunho social da nossa profissão. A responsabilidade social deve ser considerada nos seus mais diversos âmbitos de atuação e aplicação, afinal, somos comunicadores sociais. O anúncio deve assumir a responsabilidade do anunciante, da agência de publicidade e do veículo de comunicação, de modo que não pode transmitir mensagens fora da legalidade. Existem normativas e regramentos para a maioria dos produtos e serviços que seremos convidados a criar (futuramente) em campanhas completas de comunicação. Apenas para citar algumas áreas com regras próprias: alimentos, bebidas, cigarros, bebidas alcóolicas, produtos infantis, produtos e serviços médicos, produtos farmacêuticos, entre tantas áreas que devemos atender. Outro importante norteador de nossas ações é o CDC – Código de Defesa do Consumidor. Os consumidores estão respaldados por essas regras. Sabemos ainda que 14 a internet pode potencializar uma relação mal realizada, por exemplo, entre um cliente e uma marca. Devemos lembrar que trabalhamos com a verba do cliente. Por isso, devemos respeitá-la em todas as suas diferentes aplicações. Do contrário, podemos perder a conta da empresa, bem como ter de pagar processos pela falta de ética e legalidade nas campanhas que criamos e veiculamos, sendo diretamente responsáveis pelo seu teor e conteúdo. Por fim, há um outro lado que deve ser considerado, eticamente: o papel do atendimento na relação entre cliente e agência. Há inúmeros casos de atendimentos que, quando saem da agência em que trabalhavam, carregam junto alguns de seus clientes. Vale lembrar que o contrato é com a agência e não como a pessoa física do atendimento. A prática de assediar clientes antigos é nociva e antiética. Implica, às vezes, em forçá-los a trocar de agência por motivos alheios à sua vontade. Assim, deve existir o entendimento de que tanto o atendimento quanto o cliente que participa dessa prática agem contra os bons princípios de um relacionamento profissional e ético entre dois agentes comerciais. Na sequência, vamos nos aprofundar nesse relacionamento comercial. TROCANDO IDEIAS Fica cada vez mais clara a relação entre o atendimento e o cliente, entre o atendimento e o planejamento, e entre o atendimento/planejamento e o time dentro da agência. Tais relações que parecem simples, mas são complicadas, por uma série de motivos, entre os quais destacamos: falta de um bom brief que explique o cliente; dificuldade em administrar prazos (às vezes até porque o profissional não sabe falar não); dificuldade em administrar a ordem de jobs internos; super ou subvalorização de alguns trabalhos em detrimento de outros. Como em qualquer relacionamento, o ideal é que as partes deem o seu melhor em busca de um bem comum: perenizar e monetizar a relação. Essa é a base desse negócio, que acima de tudo é comercial. 15 NA PRÁTICA Pesquise na internet quais são as maiores agências de marketing digital e/ou de propaganda e publicidade do Brasil, e quais são os seus maiores e mais antigos clientes. Faça o mesmo na sua cidade, ou na sua região. Você perceberá que a maioria dos clientes dessas carteiras não são ocasionais. Eles muitas vezes começaram do zero, como a própria agência. Quando ambos têm a possibilidade de crescer e expandir, a chance de o relacionamento perdurar é enorme. Faça esse exercício. FINALIZANDO Estudamos os processos de levantamento de mercado, bem como as funções dos profissionais que atendem a uma conta comercial. Quem cuida de contas publicitárias (sejam elas online ou offline) preza muito pelos seus contratos. Ganhar clientes não é uma tarefa tão complexa. Uma boa prospecção, respaldada por uma boa agência, com clientes expressivos e com um portfólio repleto de casos de sucesso, atrai novos clientes. O que precisamos ter em mente é que ganhar (ou conquistar) um novo cliente para a carteira da agência não é algo impossível, mas manter o cliente e conquistar novos pedidos de jobs ou trabalhos demanda uma relação de confiança gigantesca, buscando consolidar um relacionamento longevo, forte e cheio de conquistas para as duas partes. Bons estudos! Até a próxima! 16 REFERÊNCIAS BONA, N. Publicidade e propaganda: da agência a campanha. Curitiba: InterSaberes, 2012. OPERAND. Pesquisa Censo Agências. 2020. Disponível em: . Acesso em: 2 jun. 2022. BRIEFING E PLANEJAMENTO AULA 3 Prof. Alexandre Correia dos Santos 2 CONVERSA INICIAL Os passos de uma campanha, da formulação do brief à sua veiculação em diferentes redes sociais ou em diferentes canais de televisão aberta e/ou fechada, seguem protocolos importantes para o sucesso da mensagem. Conhecer o cliente, conhecer de mercado, dos pares de trabalho, das próprias atribuições passam a ser requisitos naturais no desenvolvimento de qualquer plano ou estratégia, nesse sentido. A regra é simples: se você não conhece o campo de batalha, não conhece os seus aliados ou o seu exército, não reconhece o seu inimigo! A pergunta que vale um milhão é: por que você está indo para a guerra? Não conhecemos pessoas que paguem para perder, quem entra numa batalha para ser dizimado, destruído, colocando em xeque o seu negócio, o seu empreendimento. Justamente por isso é que dominar todos os fatores que jogam a favor e contra os nossos planos e estratégias é fundamental para o nosso sucesso, para a nossa vitória. Vamos, a partir de agora, pensar e formular táticas e estratégias para ganhar mais mercados. De nota 7, o mundo está cheio! Bora lá, ser nota 10? CONTEXTUALIZANDO Perder clientes é mais fácil do que conquistar novos parceiros. Há quem, até bem pouco tempo atrás, comemorasse a vitória pela conquista de novos clientes, mas esquecesse de comemorar novos pedidos de antigos clientes. Esta é a essência do nosso negócio: é bom demais comemorar vitórias, novas contas publicitárias, novos contatos, novos parceiros. Mas, experimente comemorar quando clientes antigos pedem novos jobs, novos planejamentos e lançam novos desafios! Essa é a certeza de que o trabalho realizado até aqui está ótimo e que, mais uma vez, o cliente nos dá um voto de confiança, apostando na nossa capacidade de construção de resultados. Vamos lá? Em busca de novas emoções, com nossos antigos aliados?! TEMA 1 – A RELAÇÃO ENTRE AGÊNCIA E CLIENTE A relação dos clientes com os responsáveis pela sua imagem e pela sua presença nas mídias é constante e ininterrupta: desenrola-se 365 dias ao ano, 7 dias na semana e 24 horas por dia. Essa atenção que mantém a relação entre 3 marcas e agências aquecida demanda proximidade, uma vez que o entendimento das questões da marca – de todos os seus cenários, da concorrência e do entorno – demanda flexibilidade e descomplicação, justamente para se ter agilidade. Costumamos brincar que essa relação é como um casamento! Como num casamento, relações passivas, descompromissadas e distanciadas esfriam a ponto de cliente e agência não se relacionarem (ou reconhecerem) mais. Sabe o que isso pode ocasionar? A apresentação de campanhas, por exemplo, completamente desalinhadas com os propósitos e intentos do cliente, amornando ainda mais uma relação que já estava desaquecendo. Demandas do passado passam a assombrar as pautas e jobs da agência não se