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1. Fontes de financiamento:
aceleradoras, incubadoras e hubs
Gestão do design
Unidade 3 - Gestão empresarial e
financiamento
Autor: Francisco Arlindo Alves
Revisor técnico: Renato Medeiros
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Introdução
Nesta unidade, começamos nos aprofundando um pouco mais sobre a essência das startups ,
e as redes de conhecimento e cadeias de investidores que as apoiam em seus primeiros
passos.
Em seguida, abordamos questões relacionadas aos negócios nascentes, como suas fontes de
investimento e financiamento, seu ambiente organizacional e o enquadramento tributário.
Ao final, demonstramos como o planejamento estratégico, inteligente e criativo, e a gestão de
finanças bem executada, contribuem para o desenvolvimento de iniciativas bem-sucedidas.
Paralelamente a revolução provocada pela criação, cada vez maior, de novas empresas
tecnológicas, houve um crescimento substancial de programas que apoiam estes nascentes
empreendimentos. Investidores e outros vários agentes interessados no desenvolvimento
econômico (governos, universidades, instituições e empresários) saem em procura de ideias
promissoras.
Todos estes atores se organizam em estruturas para dar suporte diverso a novos
empreendedores, formando potentes redes de conhecimento e investimentos. São os
programas de aceleradoras, incubadoras e hubs que criam espaços de trocas e aprendizado.
Por meio de sua ação, são germinados "ecossistemas" de inovação, que favorecem o
desenvolvimento de novos negócios.
1.1 Aceleradoras
Qual a característica comum de determinadas empresas de tecnologia, de alcance global,
como Dropbox, Airbnb e Reddit?
Em seu surgimento, estas empresas tiveram o apoio do pioneiro programa de aceleradoras
de tecnologia - da Y-Combinator que forneceu a elas financiamento, instalações e consultoria
de negócios. Criada em 2005, a Y-Combinator já apoiou mais de 2000 empreendimentos.
Segundo dados divulgados pela aceleradora, a soma do valor das empresas associadas,
superou de 155 bilhões de dólares em 2019.
Nos últimos anos, as aceleradoras se espalharam pelo mundo e são uma grande força
propulsora do desenvolvimento econômico e inovação. Mas como funciona uma
aceleradora?
De um lado, um grupo de novos empreendedores com ideias inovadoras e que desejam criar
uma empresa, mas que não possuem recursos e experiência para investir em marketing ,
contratar um programador novo, desenvolver um protótipo, entre outras coisas. Do outro
lado, a empresa aceleradora, que busca incessantemente ideias novas, para investir capital
como financiamento inicial em troca de uma parcela do patrimônio da empresa. Para tornar
o investimento mais bem-sucedido, são fornecidas orientações de profissionais experientes,
e instalações físicas compartilhadas com outras pequenas empresas, por alguns meses.
Um foco determinante destas iniciativas é promover uma educação colaborativa voltada para
o empreendedorismo. Os participantes aprendem e acumulam "capital empreendedor" pela
solução de dúvidas, através dos serviços de consultoria, mas também, pela proximidade física
com outros novos empreendedores nos espaços compartilhados.
Apoiados por investidores ou grandes empresas, os programas de aceleração são muito
receptivos a propostas novas e criativas. Entretanto, devido à sua crescente popularidade são
muito concorridos e tem critérios de seleção rigorosos.
1.2 Incubadoras
Incubadoras de negócios são organizações que amparam o crescimento e/ou
desenvolvimento de novos negócios. Buscando uma compreensão mais profunda, é
esclarecedor resgatar o significado da palavra "incubadora" na medicina. Trata-se de uma
câmara oxigenada com temperatura e a umidade monitoradas para receber recém-nascidos,
que necessitam de cuidados especiais, por um período determinado, até que se fortaleçam
para enfrentar o ambiente externo.
No mundo dos negócios, estes ambientes de crescimento fornecem as condições e
circunstâncias para o nascimento e fortalecimento de empresas sustentáveis, que
contribuem e se beneficiam das trocas de conhecimento, presentes numa atmosfera de
negócios compartilhada em seus estágios iniciais.
Existem vários modelos e estruturas. Algumas são hospedadas por universidades ou agências
públicas, enquanto outras são iniciativas privadas. Suas missões podem não se limitar apenas
aos negócios, mas fomentar, por exemplo, o empreendedorismo estudantil, iniciativas para
resolução de problemas sociais e grupos de pesquisa e inovação.
Podemos destacar 7 características importantes presentes nas incubadoras:
1) Localização em região com infraestrutura tecnológica e culturalmente vocacionada para
negócios;
2) Favorecer um ambiente de prosperidade compartilhada, no qual os novos
empreendimentos apoiam uns aos outros em seus primeiros passos;
3) Facilitar a construção de pontes entre a economia local, escolas de negócios e as
universidades;
4) Ser um polo para o capital humano de membros experientes de uma comunidade
próspera de negócios, mentes pensantes de estudantes e empreendedores;
5) Ajudar na redução de custos iniciais, pela utilização de espaços com serviços jurídicos,
financeiros, de design e marketing, gratuitos ou compartilhados;
6) Oferecer um time de mentores que podem ser especialistas ou empreendedores
experientes;
7) Gerar transferências de credibilidade à nova empresa por estar associada a uma
incubadora conceituada que atrai investidores.
Começar um negócio a partir do zero é uma experiência repleta de desafios, portanto, uma
grande vantagem que as incubadoras proporcionam é a criação da rede para compartilhar
experiências com outros empreendedores, profissionais e especialistas. A proximidade física
entre atores do processo, favorece esta interação.
Como encontrar um bom fornecedor? Como atender a determinado requisito burocrático?
Podem ser perguntas difíceis, e que levariam muito tempo para responder, mas que podem
ser solucionadas numa conversa, ao saborear um café com um vizinho empreendedor,
dentro de uma incubadora.
Você sabia
A Innovation RCA é uma incubadora que funciona como centro de negócios,
empreendedorismo, no Royal College of ArtRoyal College of Art (RCA), universidade
pública de pesquisa, em Londres, no Reino Unido.
Seu programa de incubação é aberto a startups com ideias inovadoras e originais. São
disponibilizados espaços, orientações, conselhos e acesso a investidores. Em 2019,
algumas das propostas selecionadas foram:
● " The Moment " de Lucy Soo Min Jung
● "Cavamo" de Esmeralda Tuomi
● " FreshTag " de Rui Xu
Para saber mais, acesse: https://bit.ly/34PfhuF
1.3 Diferenças entre hubs , aceleradoras e
incubadoras
O conceito de hub, voltado a negócios inovadores, é muito amplo. Podem ser enquadrados
nesta categoria desde comunidades sociais ou espaços de trabalho compartilhado (
coworking ) até centros de pesquisa, públicos ou privados. São iniciativas que favorecem a
transferência ativa de conhecimento entre empreendedores, pesquisadores e especialistas.
Em alguns casos, existe a participação de representantes do setor público e membros da
comunidade acadêmica (pesquisadores, cientistas e professores). Muitos hubs estão ligados a
programas de aceleradoras ou incubadoras. São impulsionadores para ideias promissoras e
inovação.
Considerando isto, quais as principais diferenças entre aceleradoras e incubadoras?
Quadro 1 - Incubadoras x Aceleradoras
https://bit.ly/34PfhuF
Fonte: Elaborado pelo autor, 2020.
As descrições acima se relacionam, em linhas gerais, à maioria das iniciativas recentes.
Podem variar dependendo do tipo e propósito de programa, existindo inclusive modelos
mais híbridos, ou seja, que misturam características de incubadoras e aceleradoras.
Você sabia
O Porto Digital é um dos maiores parques tecnológicos brasileiros, reunindo
incubadoras, aceleradoras e fundos de investimentos, na cidade de Recife, no estado de
Pernambuco. Em 2019, as empresas “embarcadas” atingiram um faturamento de R$ 2,3
bilhões, um aumentode 23,94%, em relação ao ano anterior. Para 2025, a meta é reunir
20 mil colaboradores em 500 a 600 empresas, gerando faturamento de R$ 3,5 bilhões ao
ano.
Figura 1 - Conjunto Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico do Antigo Bairro do Recife onde está localizado
o Parque Tecnológico do Porto Digital. Autor: Hans von Manteuffel. Fonte: Wikimedia, 2020.
Desde 2000, quando foi fundado, suas ações restauraram mais de 138 mil metros
quadrados de prédios históricos. Estes locais passaram a abrigar atividades ligadas a
produção de software , tecnologia da informação e economia criativa, gerando emprego
e renda. Em 2010, o Porto Digital foi descrito pela revista Business Week, como um dos
10 lugares no mundo onde o futuro é criado. Para saber mais:
https://www.portodigital.org/home
1.4 Fontes governamentais e fomento
Governos em todo o mundo oferecem benefícios fiscais ou formas de financiamento, com
juros mais baratos para incentivar o surgimento de novos negócios. No Brasil, algumas das
importantes iniciativas criadas neste campo são:
● Lei de informática (lei nº 8.248):
● Portaria nº 5.894:
https://www.portodigital.org/home
Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia, entre
outros, fornecem linhas de crédito especiais para novas empresas.
2. Gestão empresarial: ambiente
organizacional e questões legais e
tributárias
O ambiente organizacional é o conjunto de elementos, tanto internos como externos, que
atuam sobre o desempenho de uma organização. Um dos elementos que influenciam no
ambiente são as questões legais e tributárias, além de a definição do enquadramento
tributário.
2.1 Ambiente organizacional
Quando pensamos em ambiente, imaginamos tudo que envolve o ser humano, os seres
vivos, a atmosfera, a temperatura e todas as coisas ao seu redor. Da mesma forma, ao nos
referirmos a um ambiente organizacional, pensamos em tudo aquilo que, de alguma forma,
pode influenciar o desempenho de uma organização.
Neste sentido, as organizações são influenciadas por condições do seu ambiente interno e
externo (BARNEY e HESTERLY, 2009).
● Fundo de investimento em participações em internet das coisas - Internet
of Things (IoT):
● BNDES garagem:
● BNDES - Finame:
● Programa de investimento em startups inovadoras (FINEP - Financiadora
de Estudos e Projetos):
O ambiente externo é composto pelos concorrentes, clientes, ações de governos e legislação,
entre outros elementos. Neste contexto, podem surgir ameaças negativas para empresa,
como um novo produto mais barato lançado pela concorrência, novas exigências de clientes
ou problemas com fornecedores. Ou oportunidades favoráveis, com desdobramentos
positivos, o surgimento de um novo mercado promissor, o aumento das vendas ou a criação
de um novo produto inovador.
O ambiente interno é influenciado por elementos como a missão da organização, os recursos
humanos e acionistas. Em relação a sua estrutura interna e a cultura da empresa, muitas
organizações têm se inspirado no "pensamento" das startups . Seria uma forma de
desenvolver e combinar competências, no intuito de criar estruturas mais ágeis, flexíveis e
modernas.
Podemos destacar algumas ideias que representam este modo de funcionamento:
Oferecer uma hierarquia mais horizontal, permitindo que membros de todos os níveis
da organização possam, em algum momento dialogar ou discutir ideias com a equipe
gerencial, derrubando barreiras de comunicação existentes entre cargos
hierarquicamente distantes.
Limitar a burocracia e aprovações excessivas. Ao favorecer processos mais velozes e
reduzir as etapas de aprovação, para tomadas de decisão, ganha-se agilidade. Mudanças
de direção e adaptações em processos podem ser feitas rapidamente, conforme as
circunstâncias ditadas pelo mercado.
Estabelecer processos interativos, ou seja, errar e aprender de modo contínuo e
incremental, para melhorar constantemente.
Usar a tecnologia a seu favor. Empresas com processos muito consolidados, tem medo
da tecnologia pela falta de familiaridade ou suspeita de ineficiência.
Sempre questionar o status quo e ser disruptivo. Buscar novas lógicas e modelos para
realizar algo, tornando obsoletas as maneiras anteriores.
Montar equipes diversas. Indivíduos com diferentes origens, preferências e etnias
podem oferecer múltiplas perspectivas sobre um problema. Estudos do Massachusetts
Institute of Technology (MIT) demonstram que equipes diversas geram receitas 41%
maiores do que as compostas por grupos homogêneos. (ELLISON & MULLIN, 2014).
2.2 Questões legais e tributárias
A Constituição Brasileira define que microempresas e empresas de pequeno porte devem ter
tratamento diferenciado, por meio da simplificação ou redução de obrigações
administrativas, tributárias, trabalhistas, previdenciárias e de crédito.
Seguindo a determinação da constituição, foi criada, em 2006, a Lei Geral das Microempresas
e Empresas de Pequeno Porte. Após sua criação, a lei foi modificada algumas vezes,
buscando apoiar o surgimento e desenvolvimento de novas empresas, diminuição da
informalidade e crescimento econômico (SEBRAE, 2016).
Quanto ao enquadramento tributário, a legislação brasileira prevê as seguintes opções:
Os valores e tetos acima descritos são referentes ao início de 2020.  Para o empreendedor, é
importante tentar prever os valores de faturamento para planejar o enquadramento correto.
Também é necessário verificar as atualizações de valores, tipos e enquadramentos, que são
feitas periodicamente por legisladores e órgãos governamentais.
3. Gestão empresarial: recursos
humanos, técnicos, financeiros e
planejamento estratégico
● Microempreendedor individual (MEI):
● Microempresa (ME):
● Empresa de pequeno porte (EPP):
● Tributação para Microempreendedor individual (MEI):
● Simples Nacional:
● Lucro Presumido:
● Lucro real:
A eficaz utilização e dimensionamento de recursos humanos, financeiros e técnicos, e o bom
planejamento são itens que contribuem para o sucesso de um empreendimento. A alocação
de recursos pode impactar diretamente as atividades da empresa. Aliado a isso, o
planejamento estratégico funciona como um guia para lidar com as incertezas e as
imprevisibilidades, que afetam o alcance dos objetivos da organização.
3.1 Recursos humanos, técnicos, financeiros
3.2 Planejamento estratégico
Um jogador de xadrez bem-sucedido consegue entender as circunstâncias momentâneas de
um jogo. Ao mesmo tempo, ele cria alternativas para várias jogadas à frente. Sua natureza é
metódica e sua visão é complexa. A complexidade do xadrez consiste em ter várias peças
com movimentos diferentes. A interação, entre cada uma delas com o conjunto, gera uma
quantidade de cenários que beiram ao infinito.
● Recursos humanos:
● Recursos financeiros:
● Recursos técnicos:
Figura 2 - “Jogo de xadrez (1922)” criado na escola Bauhaus por Josef Hartwig Wood. Fotografado no Harvard
Museum. Autor: Noah Howard. Fonte Wikimedia, 2020.
O xadrez exige uma visão sistêmica (conceito que discutimos na unidade 1). Um pequeno
erro pode ser crucial. É preciso perceber e calcular a influência de peças menos ou mais
importantes no jogo como um todo. Este cálculo pode, por exemplo, justificar a decisão de
sacrificar uma ou mais peças, durante a partida.   No xadrez, estratégias são rapidamente
executadas e abandonadas, são pensados retrocessos e avanços, realizados movimentos
ofensivos e defensivos, gerando ganhos e perdas. O jogo exige um tipo de Planejamento
Estratégico (CARLAND e CARLAND, 2003).
De modo similar ao xadrez, o planejamento estratégico, no mundo dos negócios tem a ver
com se antecipar ao futuro, planejando os próximos movimentos, tendo objetivos e metas
bem definidas. É um planejamento para enfrentar incertezas e que tenta encontrar as
respostas corretas com antecedência. Seu processo compreende capacidade adaptativa e
ajuste contínuo construindo possíveis cenários e se antecipando a acontecimentos plausíveis.
Entre os passospara realizar um planejamento estratégico podemos destacar:
1) Definir uma visão de futuro
2) Reunir pessoas e informações
3) Determinar a posição estratégica atual e desejada
4) Formular o plano
5) Executar, monitorar, avaliar, revisar e repetir:
Figura 3 - Diagrama em português da análise SWOT. Autor: Júlio Reis. Fonte: Wikimedia, 2020.
Você quer ver
Entenda de maneira simples e direta os princípios básicos, para se fazer uma análise
SWOT. É uma ferramenta útil para identificar os pontos fortes, fracos, oportunidades e
ameaças de um negócio, ajudando a planejar estrategicamente ações de melhoria para
alcançar as metas desejadas. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ac-
YdyFpKpM .
https://www.youtube.com/watch?v=ac-YdyFpKpM
https://www.youtube.com/watch?v=ac-YdyFpKpM
As decisões e readaptações propostas no planejamento estratégico são, muitas vezes,
influenciadas por processos de "pensamento estratégico".  Segundo SOUSA e DIAS (2017), é
um tipo de pensamento que "envolve a intuição, criatividade e inovação" de maneira a
potencializar as organizações com "mais flexibilidade em respostas às variáveis incontroláveis
do ambiente turbulento".
"Quem você quer ser no futuro?" A pergunta proposta por SOUSA e DIAS (2017) explica o que
é o pensamento estratégico. Segundo esta visão, o conceito se relaciona com "construção de
cenários, visão e previsões”. Sua atuação se dá “sobre o futuro incerto, que pode ou não
ocorrer. Elabora planos de contingências para eventualidades e desvios".
4. Gestão empresarial: finanças
A gestão financeira é crucial para qualquer tipo de negócio. Produzir, analisar e tomar
decisões com base em informações financeiras é uma questão vital. Ainda que seja uma área
específica, todos os setores devem dividir responsabilidades e se preocupar, em menor ou
maior grau, com uma boa gestão de finanças, já que toda decisão pode ter impacto no
equilíbrio financeiro da empresa.
Figura 4 - Dinheiro. Fonte: Px Here, 2020.
4.1 Gestão financeira
Segundo Cheng e Mendes (1989), a gestão financeira é a "gestão dos fluxos monetários
derivados da atividade operacional da empresa, em termos de suas respectivas ocorrências
no tempo". Seu objetivo é a busca do equilíbrio entre a "rentabilidade" (maximização dos
retornos econômicos) e a "liquidez" (a capacidade de honrar compromissos). Em outras
palavras, é a procura do equilíbrio entre entradas e saídas de recursos monetários, no
decorrer do funcionamento do negócio.
Uma série de processos, métodos e ferramentas contribuem para monitorar receitas,
despesas e possibilitam um bom planejamento financeiro. Desta forma, é possível avaliar
situações como o momento correto para executar investimentos, tendo em mente os
períodos em que os cuidados com os custos devem ser mais observados. Neste caso, ao
saber o momento exato de gastar e investir, se evita o não-pagamento de fornecedores e
contas importantes que geram multas e juros. Como consequência, deixam de ser
necessários empréstimos, que não iriam de fato impulsionar o negócio, mas cobrir "buracos"
nas contas da empresa e agravar sua saúde financeira.
Empreendedores competentes conseguem definir o momento conveniente para gastar ou
conter custo com base numa boa gestão financeira. Segundo o SEBRAE (2013), a "decisão de
investir e financiar o crescimento da sua empresa deve estar baseada em informações e
controles financeiros precisos".
4.2 Fluxo de caixa, investimentos, preços,
vendas e gestão de custos
O empreendedor pode tomar muitas decisões importantes, com base na ausência ou sobra
de dinheiro na empresa, em um determinado período. Tendo conhecimento sobre a
suficiência dos recursos financeiros, pode decidir inclusive questões relacionadas ao objetivo
do planejamento estratégico, alcançando metas estipuladas ou repensando algumas.
Figura 5 - “Planilha de Fluxo de Caixa”. Fonte: Elaborado pelo Autor, 2020 (adaptada de planilha distribuída pelo
SEBRAE).
Um dos principais instrumentos para gerenciar as opções financeiras, em um período
determinado, é o fluxo de caixa. Para elaborá-lo, todos os recursos financeiros, que entraram
e saíram, são lançados numa tabela. Colunas verticais se referem a dias, meses ou anos. Nas
linhas horizontais, são descritos os diferentes tipos de entradas e saídas de dinheiro,
permitindo acompanhar o saldo de caixa do negócio.
O fluxo de caixa pode ajudar a calcular o chamado ponto de equilíbrio financeiro ou seja,
quando o valor do faturamento (entradas) cobre todos custos (saídas). Se as receitas ficam
iguais aos gastos, o lucro é zero.
O registro e a visualização das informações, asseguram ao gestor, perceber ocorrências
positivas no fluxo de caixa. Por exemplo, quando a área de compras amplia o prazo de
pagamento ou obtém descontos, ou o setor de vendas diminui o prazo de pagamento para
os clientes. Na mesma linha, também é positiva a diminuição do tempo de produção ou o
aumento da eficiência no uso de insumos. (CHENG e MENDES, 1989). Nestas situações, caso
haja demanda para novos investimentos, se pode decidir por usar recursos da própria
empresa, ao invés de empréstimos, evitando juros bancários.
Outro fator essencial para equilíbrio financeiro, é a formação de preço. O preço final de um
produto ou serviço está relacionado a totalidade de recursos investidos em sua produção. Se
a gestão de custos é deficiente, os preços ajudam a diminuir as margens de lucro, alcançando
valores, que superam os oferecidos pelo mercado, tendo como consequência a diminuição
do volume de vendas. O cálculo dos preços de venda se dá, a partir do levantamento dos
custos, mas não se deve desconsiderar os preços dos concorrentes no mercado.
Aliado a isto, é fundamental registrar os gastos de modo minucioso, permitindo a
identificação de despesas desnecessárias para uma gestão de custos eficiente. Como já vimos
anteriormente, os custos se dividem em fixos e variáveis. Os fixos são gastos, que variam
pouco, em relação à produção, como salários, limpeza, segurança e aluguéis, dependendo do
setor de atuação. As variáveis são os gastos para se produzir um produto ou serviço, como os
impostos e matérias primas.
A gestão de custos pode identificar compras excessivas que elevam os níveis de estoque, em
discrepância com o volume de vendas. Ao controlar e delimitar estes custos, se pode evitar
que a empresa passe um período no "vermelho".
Síntese
Entre os itens mais importantes que foram discutidos, podemos enumerar:
O funcionamento de aceleradoras, incubadoras e hubs;
Formas de financiamento para pequenos negócios ou empresas inovadoras;
O ambiente organizacional das empresas;
Os diferentes tipos de enquadramento tributário;
A gestão de recursos e o planejamento estratégico;
O papel da gestão financeira para um negócio bem-sucedido.
A amplitude dos temas abordados nos dá a base para entender alguns aspectos que podem
oferecer uma vantagem estratégica nos primeiros passos de um empreendimento.
Iniciativas inovadoras de qualquer natureza, seja uma startup ou não, devem estar atentas às
possibilidades de colaboração disponíveis, tanto por redes de apoio e aprendizado, como de
possíveis investidores. Estas organizações nascentes, que impulsionam a economia, criam
ambientes organizacionais modernos e flexíveis, favorecendo uma visão complexa dos
caminhos em direção aos seus objetivos. Elas executam a gestão de suas finanças com
inteligência, pensando e planejando estrategicamente cada circunstância, para se adaptar às
situações, de modo ágil e criativo.
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Bibliografia
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Referências Imagéticas:
Figura 1 - Conjunto Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico do Antigo Bairro do Recife onde
está localizado o Parque Tecnológico do Porto Digital. Autor: Hans von Manteuffel. Fonte:
Wikimedia. Disponível em: https://bit.ly/2KljnRP . Acesso em 30 de janeiro de 2020.
Figura 2 - Jogo de xadrez (1922) criado na escola Bauhaus por Josef Hartwig Wood
fotografado no Harvard Museum Autor: Noah Howard. Fonte Wikimedia. Disponível em:
https://bit.ly/2wShQzz . Acesso em 30 de janeiro de 2020.
Figura 3 - Diagrama em português da análise SWOT. Autor: Júlio Reis. Fonte: Wikimedia.
Disponível em: https://bit.ly/2xKXsRb . Acesso em 30 de jan de 2020.
Figura 4 - "Dinheiro" Fonte: Px Here. Disponível em: https://bit.ly/2Vn0rsj . Acesso em 30 de
janeiro de 2020.
Figura 5 - Planilha de Fluxo de Caixa. Criada pelo autor a partir da adaptação de planilha
distribuída pelo SEBRAE. Disponível em:
https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/0_Fluxo_de_Caixa_planilha1.xlsx
. Acesso em 30 de janeiro de 2020.
https://bit.ly/3etL6xo
https://www.sebraemg.com.br/atendimento/imagens/contatoemail/Como-elaborar-um-plano-de-acesso-a-credito.pdf
https://www.sebraemg.com.br/atendimento/imagens/contatoemail/Como-elaborar-um-plano-de-acesso-a-credito.pdf
https://bit.ly/34Qtyaz
https://bit.ly/3ezIUo1
https://bit.ly/2KljnRP
https://bit.ly/2wShQzz
https://bit.ly/2xKXsRb
https://bit.ly/2Vn0rsj
https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/0_Fluxo_de_Caixa_planilha1.xlsx

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