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JOGOS E BRINCADEIRAS NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO: UMA EXPERIÊNCIA A PARTIR DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO Geslaine Kochaniuk Lepinski de Deus Pedagogia: Docência e Gestão Educacional Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná, UNICENTRO, campus Santa Cruz Orientadora: Professora M.ª Sabrina Plá Sandini Resumo A alfabetização é um processo primordial na vida do aluno, pois inicia este no mundo escolar, então aprender a ler e a escrever vai torná-lo um ser humano mais independente, ou seja, a alfabetização torna o aluno um cidadão pleno, pois a partir do momento que se é alfabetizado ele transforma-se no protagonista de seu próprio aprendizado. Os jogos e as brincadeiras são ferramentas poderosas que podem auxiliar o aluno no processo de alfabetização. Sendo assim, o presente estudo objetivou verificar a importância dos jogos e das brincadeiras como estratégia pedagógica no processo de alfabetização e letramento dos alunos do primeiro ciclo do ensino fundamental. Para tanto, explicitamos os conceitos de alfabetização e letramento e identificamos a contribuição dos jogos e das brincadeiras no processo de alfabetização por meio da experiência do Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais, do Curso de Pedagogia da UNICENTRO, realizado em 2018. A fim de cumprir com os objetivos, optamos por uma pesquisa do tipo qualitativa, descritiva e bibliográfica. A experiência do Estágio Supervisionado foi de suma importância revelando que por meio dos jogos, o aluno pode se desenvolver de maneira integral, evidenciando que os jogos e as brincadeiras são uma ferramenta eficiente no processo de alfabetização e também auxilia na socialização da criança com o meio em que está inserida. Palavras-chave: jogos; brincadeiras; alfabetização; letramento; pedagógico. INTRODUÇÃO O presente trabalho traz a importância do uso dos jogos e das brincadeiras, no processo alfabetização e letramento, bem como o aluno pode aprender de maneira integral, por meio deles. Embasando-se na necessidade de se usar ferramentas diferenciadas nesse processo, a problemática norteadora deste trabalho é: o uso dos jogos e das brincadeiras como estratégia pedagógica, realmente ajuda no processo de alfabetização e letramento? Assim, delinearam-se os seguintes objetivos da pesquisa: verificar a contribuição dos jogos e das brincadeiras na alfabetização e letramento dos alunos do primeiro ciclo do ensino fundamental; explicitar o que é alfabetização e letramento; identificar a contribuição dos jogos e brincadeiras no processo de alfabetização e relatar, a partir do estágio supervisionado nos anos iniciais, do Curso de Pedagogia da UNICENTRO, as contribuições dos jogos no processo de alfabetização. A abordagem metodológica dessa pesquisa foi qualitativa, descritiva e bibliográfica. A escolha da pesquisa qualitativa se deu pelo fato desta ser subjetiva, pois um dos pontos fortes é que, o interesse se dá no processo e não no resultado e que também há uma flexibilidade de como se vai conduzir este estudo, (Oliveira 1982, apud, Moreira 2002). Também é descritiva, pois tem a finalidade de descrever um fenômeno, que neste caso é o uso dos jogos e brincadeiras na alfabetização e letramento, sendo assim, “algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações entre variáveis, e pretendem determinar a natureza dessa relação” (GIL, 2002, p.42) e bibliográfica, pois permite ao pesquisador alcançar uma gama de fenômenos mais ampla, pois obtêm informações mesmo não estando diretamente ligado ao objeto de pesquisa. Para fundamentar essa pesquisa usou-se de autores que trabalham com essas temáticas: lúdico, alfabetização e letramento, como: Freire (2011), Santos (2014), Luckesi (2002, 2003, 2015), Ferreiro e Teberosky (1985), Soares (2004), entre outros. Esta pesquisa justifica-se pela curiosidade sobre a temática, que se deu, pelos estudos realizados na disciplina de Alfabetização, do segundo ano do curso de Pedagogia da UNICENTRO, em que foram confeccionados alguns jogos para trabalhar em sala de aula e discutido sobre sua importância na alfabetização. Também para relatar a vivência do Estágio Supervisionado nos anos iniciais, onde se trabalhou com o a oficina de alfabetização e com os jogos que podem ajudar na alfabetização. Alguns autores, como Luckesi, falam sobre os jogos e o brincar, onde estes são usados como atividades lúdicas e onde o aprender dessa forma é mais do que apenas jogar; [...] brincar, jogar, agir ludicamente, exige uma entrega total do ser humano, corpo e mente, ao mesmo tempo. A atividade lúdica não admite divisão; e, as próprias atividades lúdicas, por si mesmas, nos conduzem para esse estado de consciência (LUCKESI, 2002, s. p.). Os jogos podem ser usados como atividades lúdicas, que ajudam no desenvolvimento corporal e cognitivo, por isso a sua importância em sala de aula. Deve-se valorizar também os jogos como ferramentas que vão ajudar nesse processo de alfabetização. O presente estudo é de grande relevância para os discentes do curso de Pedagogia e demais interessados na temática, pois, por meio dela, poderá se perceber a importância de usar os jogos no processo de alfabetização e letramento dos alunos e aprofundar mais o tema da ludicidade na alfabetização. Dessa forma, é necessário reconhecer o valor e a importância dos jogos como ferramentas pedagógicas, visto que o mesmo é muito útil no processo de alfabetização, pois o brincar está permeado na vida do aluno desde o início, e a escola pode usar este artifício como forma de ensino/aprendizagem. Esta pesquisa está dividida em três seções: na primeira, discutiu-se acerca dos conceitos de alfabetização e letramento. Em seguida, debateu-se a questão da alfabetização abordada em documentos e programas do Ministério de Educação e Cultura (MEC). Por fim, destacou-se a contribuição dos jogos e brincadeiras a partir das experiências vividas no Estágio Supervisionado nos anos iniciais, do curso de Pedagogia da UNICENTRO. 1 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: CONCEITOS E DEFINIÇÕES Nesta seção, serão conceituados o que é alfabetização e letramento a partir de estudiosos desses temas como, Soares (2003, 2004), Colello (2004), Tfouni (2005), Ferreiro e Teberosky (1985). Soares (2003) traz uma definição para alfabetização: “[...] aprendizagem da técnica, domínio do código convencional da leitura e da escrita e das relações fonema/grafema, do uso dos instrumentos com os quais se escreve” (SOARES, 2003, p. 16). Nesse contexto, a alfabetização é a aquisição de uma técnica em que leitura e escrita devem ser dominadas, esse processo refere-se ao domínio do código escrito, aprender a codificar e decodificar. Já para Tfouni (2005, p. 9), “[...] a alfabetização refere-se à aquisição da escrita enquanto aprendizagem de habilidades para leitura e escrita e as chamadas práticas de linguagem.” Portanto, alfabetização é o ato de aprender a ler e escrever, adquirir uma nova forma de linguagem. Para tornar mais clara, também foram consultadas as definições de alfabetização segundo o dicionário Escolar da Língua Portuguesa (1975, p.86): “alfabetização, s. f. Ação de alfabetizar, de propagar o ensino da leitura”. Então pode-se dizer que alfabetização é um processo pelo qual o aluno deve passar para ser alfabetizado. As autoras Emília Ferreiro e Ana Teberosky escreveram o livro a Psicogênese da Língua Escrita, considerado um marco para a alfabetização. Nesta obra, mostram a importância do processo de alfabetização na vida dos alunos que entram cada vez mais cedo no ambiente escolar. Elas propõem uma nova forma de ver a leitura e a escrita, guiadas pelas concepções teóricas de Jean Piaget, em que as crianças têm ideias, teorias e concepções que podem ser usadas para confrontar a ideia do outro (FERREIRO; TEBEROSKY,1985, p. 14), ou seja, desde pequenas as crianças são capazes de aprender e apreender. Porém, esse processo de alfabetização não deve ser vista como algo separado; Não é preciso primeiro aprender a técnica para depois aprender a usá-la. E isso se fez durante muito tempo na escola: “primeiro você aprende a ler e a escrever, depois você vai ler aqueles livrinhos lá”. Esse é um engano sério, porque as duas aprendizagens se fazem ao mesmo tempo, uma não é pré-requisito da outra (SOARES, 2003, p. 16). Como é possível perceber, ler e escrever devem andar juntos, o aluno irá aprender a ler, lendo e a escrever, escrevendo, são indissociáveis, pois esses são processos que fazem parte da alfabetização; Ninguém aprende a ler e a escrever se não aprender relações entre fonemas e grafemas – para codificar e para decodificar. Isso é uma parte específica do processo de aprender a ler e a escrever. Linguisticamente, ler e escrever é aprender a codificar e a decodificar (SOARES, 2003, p. 17). Então, pode-se dizer que na alfabetização o aluno precisa passar pelo processo em que aprende a relação entre fonemas e grafemas 1para aprender a ler e a escrever e a codificar e decodificar. Mas esse processo deve partir da realidade do aluno para que este faça sentido para o mesmo, pois o aluno vem para a sala de aula com uma leitura prévia, não esta com que se tem na escola, mas com a leitura do mundo onde vive leitura da sua casa, família, amigos. Desse modo, é possível afirmar que o surgimento do letramento se deu da necessidade que tem o homem moderno do uso da linguagem, tanto escrita como oral, e além de ler e escrever deve saber interpretar o que se lê e escreve. Nesse processo se vê a importância da leitura e a escrita estarem juntas com a necessidade de não apenas saber desenhar as letras ou decifrar os códigos de leitura, o indivíduo hoje necessita saber compreender este processo, pois já não se trata apenas de mero conhecimento e sim uma condição de sobrevivência neste mundo letrado. Dominar a escrita é essencial para a convivência em sociedade (COLELLO, 2004, s. p.). Nesse contexto, não se pensa na alfabetização apenas como uma forma de decodificação. O que se procura é fazer com que o aluno seja capaz de ler e interpretar, ou seja, ser uma pessoa letrada; 1 Fonemas: “são unidades mínimas de sons da fala, representados na escrita pelas letras do alfabeto.” (CARVALHO, 2012). Grafemas: “O grafema é a representação gráfica do fonema. Por exemplo, o fonema pode ser representado pelo grafema “x” (xícara) ou pelo grafema “ch” (chave) — o primeiro com uma letra e o segundo com duas.” (LUZ, 2005, p.40) Letramento é palavra e conceito recentes, introduzidos na linguagem da educação e das ciências linguísticas há pouco mais de duas décadas. Seu surgimento pode ser interpretado como decorrência da necessidade de configurar e nomear comportamentos e práticas sociais na área da leitura e da escrita que ultrapassem o domínio do sistema alfabético e ortográfico, nível de aprendizagem da língua escrita perseguido, tradicionalmente, pelo processo de alfabetização (SOARES, 2004, p. 96). Pode-se dizer então que o letramento vai além de se ter a leitura da palavra, a criança deve saber o seu significado, interpretar o que se está lendo, ou acaba se tornando um analfabeto funcional, ou seja, aquele que apenas decodifica a palavra. Portanto, ao se falar sobre alfabetização e letramento, é possível afirmar que não podem ser divididas. Ser alfabetizado e letrado fará do aluno, um ser mais independente, capaz de seguir seu próprio caminho, já não dependerá tanto dos outros para guiá-lo em suas ações de leitor e poderá viver suas próprias experiências. O professor também deve estar apto a trabalhar de forma dinâmica, por isso é importante à leitura e uso de alguns documentos que os orientarão. No Brasil, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) traz alguns documentos que orientam sobre o processo de alfabetização, como a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e o PNAIC (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa). 1.1 A alfabetização presente em documentos e programas do Ministério da Educação e Cultura (MEC) Esta seção dedica-se a evidenciar, em alguns documentos do Ministério da Educação e Cultura (MEC), a importância da alfabetização no tempo certo. Para isso, os documentos selecionados foram o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC, 2017) e Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018). O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa é um programa do Governo Federal criado em 2012 para garantir a alfabetização das crianças na idade certa e a Base Nacional Comum Curricular é um documento de caráter normativo da Educação Básica. O governo busca, por meio de documentos, assegurar que todas as crianças tenham acesso à escola e a alfabetização, principalmente que esta ocorra na idade certa, pois a criança que entra na escola tem toda capacidade de adquirir esses conhecimentos. O PNAIC, em sua edição de 2017, orienta sobre a alfabetização até o terceiro ano do ensino fundamental, em seu Art. 2º: O Ministério da Educação - MEC, em parceria com os sistemas públicos de ensino dos estados, Distrito Federal e municípios, apoiará a alfabetização e o letramento dos estudantes até o final do 3º ano do ensino fundamental, em escolas rurais e urbanas. § 1º As ações desenvolvidas no âmbito do PNAIC se caracterizam: I - pela integração e estruturação de ações de formação, materiais e referenciais curriculares e pedagógicos que contribuam para a alfabetização e o letramento; II - pelo compartilhamento da gestão do Programa entre a União, estados, Distrito Federal e municípios; e III - pela garantia dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento, a serem aferidos por meio de avaliações externas. § 2º As ações do PNAIC terão como foco os estudantes da pré-escola e do ensino fundamental, cabendo aos professores, coordenadores pedagógicos, gestores escolares e gestores públicos uma responsabilidade compartilhada no alcance do direito da criança de escrever, ler com fluência e dominar os fundamentos da Matemática no nível recomendável para sua idade. (BRASIL, 2017, p. 1 e 2) Como podemos perceber, o governo incentiva a alfabetização dos alunos até o terceiro ano, para tanto, faz algumas ações que irão ajudar na alfabetização e letramento, como a formação dos professores e a preparação de materiais para auxiliar o professor, pois saber ler e escrever é um direito da criança. Porém, em 2018 houve uma alteração na Base Nacional Comum Curricular em que se orientou que a alfabetização se dê até o segundo ano, como podemos verificar pela citação abaixo tirada deste documento: Nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, a ação pedagógica deve ter como foco a alfabetização, a fim de garantir amplas oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética de modo articulado ao desenvolvimento de outras habilidades de leitura e de escrita e ao seu envolvimento em práticas diversificadas de letramentos (BRASIL, 2018, p. 57). Para tanto, o governo investe na formação de professores alfabetizadores, o que é imprescindível para atender as necessidades dos alunos, pois vão cada vez mais cedo para a escola, e ter uma formação adequada se faz necessário para que a alfabetização seja de qualidade e que realmente se obtenha resultados. Isso é evidenciado no artigo 6º do PNAIC. Art. 6º As ações do PNAIC e do PNME compreendem os seguintes eixos: I – Formação Continuada: a) formação em serviço dos coordenadores pedagógicos da educação infantil, dos professores da pré-escola, dos coordenadores pedagógicos e professores do 1º ao 3º ano do ensino fundamental e de classes multisseriadas quepossuem alunos desses anos, dos articuladores e mediadores de aprendizagem das escolas das redes públicas de ensino participantes do PNME; b) formação e constituição de uma rede de formadores para a pré-escola e educação infantil, para o 1º ao 3º ano do ensino fundamental e para o PNME; II – Materiais Didáticos, Literatura e Tecnologias Educacionais: a) livros didáticos de 1º, 2º e 3º ano do ensino fundamental e respectivos manuais do professor a serem distribuídos pelo Programa Nacional do Livro Didático – PNLD; b) obras pedagógicas complementares aos livros didáticos distribuídos pelo PNLD – Obras Complementares; c) obras de referência, de literatura e de pesquisa distribuídas pelo Programa Nacional Biblioteca na Escola – PNBE; d) obras de apoio pedagógico aos professores, distribuídas por meio do PNBE; e) tecnologias educacionais de apoio à alfabetização (BRASIL, 2017, p. 2). Para alcançar a meta de alfabetizar na idade certa, o governo criou por meio da Portaria MEC nº 1.144, de 10 de outubro de 2016 (PNAIC, 2017) – PNME- Programa Nacional Mais Educação, para que possa garantir a aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática, incluindo a alfabetização, portanto, o aluno deve sair do terceiro ano alfabetizado e letrado, é o que se garante por lei, porém, como falado acima a Base Nacional Comum Curricular de 2018 traz que os alunos devem ser alfabetizados até o segundo ano do ensino fundamental dos anos iniciais (BRASIL, 2017). A Base Nacional Comum Curricular (2018) preconiza que o Ensino Fundamental de nove anos é uma das etapas onde se tem mais mudanças entre as crianças e os adolescentes nos aspectos físicos, cognitivos, sociais, afetivos, entre outros, e precisa-se elaborar um currículo que atenda todas essas mudanças, valorizando as ações lúdicas de aprendizagem, pois os alunos precisam desenvolver novas formas de relação com o mundo, ajudando assim na construção do seu próprio conhecimento. Também é nessa fase dos primeiros anos do ensino fundamental que a criança irá desenvolver a sua oralidade e a escrita, vai se deparar com várias situações que vão ajudá-la a desenvolver a observação, a análise, irá argumentar tudo isso potencializa suas descobertas. A BNCC (BRASIL, 2018, p. 56) fala sobre o quão importante é para o aluno a sua convivência com seus iguais e como a sociedade a estimula; As experiências das crianças em seu contexto familiar, social e cultural, suas memórias, seu pertencimento a um grupo e sua interação com as mais diversas tecnologias de informação e comunicação são fontes que estimulam sua curiosidade e a formulação de perguntas. O estímulo ao pensamento criativo, lógico e crítico, por meio da construção e do fortalecimento da capacidade de fazer perguntas e de avaliar respostas, de argumentar, de interagir com diversas produções culturais, de fazer uso de tecnologias de informação e comunicação, possibilita aos alunos ampliar sua compreensão de si mesmos, do mundo natural e social, das relações dos seres humanos entre si e com a natureza (BRASIL, 2018, p. 56). Como aponta a BNCC, a convivência da criança com a família, na sociedade, na cultura e também com as novas tecnologias a estimula a ser mais questionadora, curiosa, ser um ser crítico e criativo, tudo isso vai favorecer na hora de se alfabetizar, pois ela também vai entender qual é o seu papel como cidadão na sociedade e o seu lugar nela, será capaz de interagir com os outros, questionar e ser questionada, ser a construtora de seu conhecimento, sendo ativa e não passiva (BRASIL, 2018). Para que todo esse processo de alfabetização e letramento aconteça, deve-se haver um currículo compatível, que abranja temas que irão fazer sentido a esses alunos e os dois primeiros anos do Ensino Fundamental – Anos Iniciais são de crucial importância. No Ensino Fundamental – Anos Iniciais, os componentes curriculares tematizam diversas práticas, considerando especialmente aquelas relativas às culturas infantis tradicionais e contemporâneas. Nesse conjunto de práticas, nos dois primeiros anos desse segmento, o processo de alfabetização deve ser o foco da ação pedagógica. Afinal, aprender a ler e escrever oferece aos estudantes algo novo e surpreendente: amplia suas possibilidades de construir conhecimentos nos diferentes componentes, por sua inserção na cultura letrada, e de participar com maior autonomia e protagonismo na vida social (BRASIL, 2018, p. 61). O foco nos dois primeiros anos é a alfabetização, por isso o currículo traz práticas que ajudam nesse processo, pois para o aluno ser alfabetizado é sinal de que terá mais autonomia, que não vai depender tanto do adulto e a partir da sua alfabetização ele pode e vai ser um ser social capaz de escrever a sua própria história (BRASIL, 2018). Portanto, é muito importante trabalhar os conteúdos escolares ludicamente, por meio de jogos e brincadeiras, pois estes vão estimular a aprendizagem. A seguir será apresentada a importância dos jogos e brincadeiras como ferramenta pedagógica no processo de alfabetização e letramento. 2 JOGOS E BRINCADEIRAS: SEU USO NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO Nesta seção serão apresentados os conceitos de jogos e brincadeiras, mostrando sua importância para a alfabetização e como as crianças necessitam dessa atividade principalmente para se desenvolver e adaptar-se ao novo contexto que está sendo inserida. Alfabetizar ludicamente usando os jogos e as brincadeiras, pode ajudar no desenvolvimento psicomotor da criança e também no cognitivo. É preciso que o docente saiba como aliar esta prática com o aprendizado e de que forma pode realizar isso no ambiente escolar, principalmente para ajudar na alfabetização dos alunos. Jogos, brincadeiras são instrumentos usados para facilitar a aprendizagem e para a alfabetização são indispensáveis para o desenvolvimento da criança. Embasam teoricamente essa temática, autores como Luckesi (2002, 2003, 2015) e Santos (2014). Segundo o dicionário escolar da Língua Portuguesa (1975, p. 231, 740, 792), jogo se define como: s.m. Brinquedo, folguedo; divertimento; partida esportiva. Brincar: v. rel. Divertir-se; folgar; gracejar. Lúdico: adj. Relativo a brinquedos, jogo, sem mira de resultados materiais Portanto, nesta pesquisa serão usadas as palavras jogos e brincadeiras, como sinônimos, que podem ser usados como ações lúdicas no processo de alfabetização; O que se pode dizer é que “jogo” significa a ação lúdica e não somente a ideia de regras ou competição. Assim, o jogar ou brincar são ações lúdicas que se fundem. Neste sentido, em educação, as expressões “brincadeira, jogo e dinâmica” guardam os mesmos significados, pois são ações lúdicas que preservam as mesmas qualidades e seguem os mesmos padrões de entendimento (SANTOS, 2014, p. 11). A partir desse pensamento é possível afirmar que jogos e brincadeiras, estão ligados e não se pode separá-los, por isso que são de extrema importância para auxiliar na alfabetização, pois ao longo da infância a criança brinca e através da brincadeira ela aprende e na escola não pode ser diferente, já que os alunos a serem alfabetizados ainda são crianças. Do ponto de vista de Colello (2004, p. 19): O movimento, o jogo, a ação corporal e a vivência das sensações constituem o elo entre o eu, o mundo e os outros, e este é o primeiro plano de um fazer mental e expressivo. Tal constatação justifica o esforço para integrar o movimento às esferas educativas, numa dimensão simultaneamente revolucionária e significativa. Ou seja, é por meio das brincadeiras que a criança se descobre, descobre o mundo a sua volta e aos outros, pois no brincar ela interage, imagina, cria e recria e com isto aprende. Brincar faz parte de ser criança e através dessa ferramenta é possível alfabetizar, tornar a criança um ser ativo e não estático na obtenção de um aprendizadosignificativo (COLELLO, 2004). Os jogos e brincadeiras fazem parte da vida de todos os seres humanos, em cada fase da vida tem-se uma maneira de ver esses elementos, e é na infância um dos momentos em que há um significado maior, pois é nesta fase que a criança pode realmente se expressar, brincar livremente sem ter medo do que os outros podem pensar. Na brincadeira ela cria, fantasia, corre, pula e quando se é adulto também há uma necessidade de brincar, porém essa já é limitada, pois já não se vê o brincar como algo apropriado para a idade (COLELLO, 2004). De acordo com Luckesi (2015), brincar é uma atividade própria da criança, elas aprendem brincando, no correr, no pular, brincando de fazer comidinha, enfim várias brincadeiras que a ajudam a aprender, pois brincar é uma ação e através dela a criança aprende. Luckesi (2002, s.p., apud LUCKESI, 1998), conceitua o lúdico como: Tomando por base os escritos, as falas e os debates, que tem se desenvolvido em torno do que é lúdico, tenho tido a tendência em definir a atividade lúdica como aquela que propicia a ‘plenitude da experiência’. Comumente se pensa que uma atividade lúdica é uma atividade divertida. Poderá sê-la ou não. O que mais caracteriza a ludicidade é a experiência de plenitude que ela possibilita a quem a vivencia em seus atos. (LUCKESI, 2002, s.p. apud LUCKESI, 1998), Outros estudos de Luckesi (2003), sobre o lúdico e ludicidade preconizam que a atividade lúdica deve ser vivida plenamente, ou seja, de corpo e mente, caso contrário ela não pode ser chamada de lúdica, deve-se ter uma entrega plena quando se faz esta atividade. Enquanto estamos participando verdadeiramente de uma atividade lúdica, não há lugar, na nossa experiência, para qualquer outra coisa além dessa própria atividade. Não há divisão. Estamos inteiros, plenos, flexíveis, alegres, saudáveis. Poderá ocorrer, evidentemente, de estar no meio de uma atividade lúdica e, ao mesmo tempo, estarmos divididos com outra coisa, mas ai, com certeza, não estaremos verdadeiramente participando dessa atividade. Estaremos com o corpo ai presente, mas com a mente em outro lugar e, então, nossa atividade não será plena e, por isso mesmo, não será lúdica. Brincar, jogar, agir ludicamente, exige uma entrega total do ser humano, corpo e mente, ao mesmo tempo. A atividade lúdica não admite divisão; e, as próprias atividades lúdicas, por si mesmas, nos conduzem para esse estado de consciência. (LUCKESI, 2003, s/p). Levando em conta esses aspectos, pode-se dizer que a atividade lúdica a ser trabalhada pelos professores deve proporcionar ao aluno este estado pleno, onde o jogo e o aluno precisam estar em profunda sintonia, como se um fizesse parte do outro, fossem um só, não se admitindo uma divisão. O aluno deve aprender ludicamente, tudo aquilo que lhe é apresentado deve proporcionar a ele um aprendizado, principalmente na alfabetização onde este é inserido cada vez mais cedo, não deixa de ser criança, mas precisa em muitas vezes abrir mão daquilo que é próprio da idade como o brincar para poder seguir sua trajetória em um mundo letrado (LUCKESI, 2003). Portanto, os jogos e as brincadeiras são importantes no processo de alfabetização e precisam ser vistos pelos professores como uma ferramenta a ser usada constantemente, eles auxiliam na aprendizagem do aluno que por sua vez se torna mais motivado a aprender, faz com que ele se torne um ser mais sociável, pois vai precisar do outro. Por isso, segundo Luckesi (2003) a criança precisa estar em um estado pleno, aprender com o corpo e a mente, não se deve haver uma divisão, ensinar através dos jogos é muito mais do que simplesmente dar ao aluno um jogo que este vai jogar sem ter sentido, jogar por jogar, o aluno precisa entrar no jogo fazer parte dele para que realmente haja o aprendizado (LUCKESI, 2003). Usar os jogos e as brincadeiras pode favorecer a interação dos alunos, a colaboração e uma cumplicidade entre aluno e professor, já que essa prática favorecerá o aprendizado do aluno, que deixa de ser um mero espectador para ser o autor de sua própria aprendizagem. Nesse contexto, o professor deverá usar dos jogos, em sala de aula, para despertar o gosto pelo aprender, deve sempre refletir sobre sua prática para garantir que estão sendo usadas da melhor forma. O professor deve mostrar ao aluno que os jogos e as brincadeiras têm um objetivo que deve ser cumprido, desta maneira se formar um aluno crítico, moral e social (SANTOS, 2014). Neste contexto o professor se torna apenas o mediador do conhecimento. E planejar as aulas com esses jogos também é fundamental para alcançar o objetivo esperado. A organização metodológica é um processo e, como tal, deve ser cuidadosamente planejada. Inicia-se pela classificação dos jogos e elaboração das fichas técnicas de cada um para poder filtrar a essência do jogo e seu poder educativo, fazendo a relação com o que se quer passar através dele (SANTOS, 2014, p. 28). Essa ação do professor deve ser intencional, ter seu fim pedagógico, não deve ser um brincar sem intencionalidade, os jogos devem atingir todas as áreas do desenvolvimento do aluno. Nesta fase, da alfabetização, o cuidado para a escolha dos jogos deve ser ainda maior o aluno deve entender o que está fazendo, entender que o jogo utilizado pelo educador vai ajudá-lo a construir seu conhecimento, que vai aprender a codificar e decodificar, mas não somente isso, ela vai ser uma pessoa letrada, porém não pode confundir essa atividade com o brincar por brincar (SANTOS, 2014). Seguindo com esse pensamento, toda e qualquer atividade que o educador irá preparar deve ser pensada e centrada no perfil do aluno, procurar jogos que condizem com a realidade do aluno e o nível de aprendizado que este se encontra. A alfabetização por meio dos jogos e brincadeiras pode ser importante, tanto para o aluno, quanto para o professor. Para o aluno é uma forma mais dinâmica de se aprender e para o professor vai ajudá-lo a fazer do ambiente escolar um lugar mais agradável onde o aprendizado realmente vai acontecer. As atividades lúdicas podem contribuir de forma significativa para o processo de construção do conhecimento do indivíduo. Diversos estudos em relação isto vêm comprovar que o jogo é uma fonte de prazer e descoberta para a criança (SANTOS, 2014, p. 12). Continuando nessa mesma perspectiva, Santos (2014), vem falar que se deve ficar bem claro que ao trabalhar com os jogos e brincadeiras além de ensinar os conteúdos curriculares, o educador também forma esse aluno em sua plenitude, integralmente, em seus aspectos físicos, cognitivo, afetivo, social e moral. Documentos importantes também falam sobre a importância de usar os jogos e as brincadeiras para a alfabetização, como podemos ver no Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa (2012), em que diz “[...] do ponto de vista físico, cognitivo e social as brincadeiras trazem grandes benefícios para as crianças.” (BRASIL, 2012, p. 7), pode-se dizer então, que as brincadeiras ajudam no desenvolvimento pleno do aluno. Ao brincar, a criança movimenta-se em busca de parceria e exploração de objetos, comunica-se com seus pares, expressa-se por meio de múltiplas linguagens, descobre regras e toma decisões. Assim, desenvolve dimensões importantes no aprendizado dos conhecimentos escolares. (BRASIL, 2012, p. 11) Com isso fica clara a necessidade que se tem de usar os jogos e as brincadeiras como estratégias na escola, pois a criança vai descobrir regras, tomar decisões que a ajudaram a se desenvolver e a interagir com o outro, também aprende a dividir e com tudo isso vai aprender o que é ser um ser social e qual o seu lugar na sociedade. Na sessão a seguir será relatada a experiência vivida no Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais, do curso dePedagogia da UNICENTRO no ano de 2018, em que se trabalhou a partir dos jogos, com alunos que possuíam algumas dificuldades no processo de alfabetização. 3 A CONTRIBUIÇÃO DOS JOGOS, A PARTIR DAS EXPERIÊNCIAS VIVIDAS NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO NO ANOS INICIAIS DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UNICENTRO Nesta seção será apresentado o relato da experiência vivida no Estágio Supervisionado nos anos iniciais, na Escola Municipal Professor Francisco Contini, na cidade de Guarapuava/PR. O estágio supervisionado é disciplina obrigatória no curso de Pedagogia e no ano de 2018, na regência, foi realizada uma oficina de alfabetização, onde se usou os jogos para trabalhar com os alunos de terceiro e quarto ano. Esses alunos, do terceiro e quarto ano, apresentavam dificuldades na alfabetização, tanto na leitura como na escrita, havia alguns alunos no terceiro ano que não sabiam ler e escrever, eram apenas “copistas” e, por consequência, não conseguiam acompanhar o restante da turma, o que dificultava ainda mais o seu desenvolvimento. A opção por trabalhar com jogos partiu depois de entender a sua importância na alfabetização e que através deles os alunos tendem a aprender com mais facilidade, saindo um pouco da rotina escolar da que estão acostumados. Num primeiro momento, foi realizado com os alunos das referidas turmas uma sondagem para constatar em quais níveis de escrita, estavam. A sondagem é uma atividade diagnóstica, e por meio dela o professor pode avaliar o nível de cada aluno e trabalhar a partir dela. A sondagem está contemplada no documento do Programa de Desenvolvimento Profissional Continuado, do Ministério da Educação e Cultura: A sondagem é um dos recursos de que o professor dispõe para conhecer as hipóteses que os alunos ainda não alfabetizados têm sobre a escrita alfabética. É um momento em que também o aluno tem oportunidade de refletir enquanto escreve, com a ajuda do adulto. A sondagem pode ser: uma relação de palavras acompanhadas ou não de frases, uma produção espontânea de texto ou qualquer outra atividade de escrita, desde que seja acompanhada de uma leitura imediata do aluno. Por meio da sondagem podemos perceber se o aluno faz ou não relação entre fala e escrita e, se faz, de que tipo é a relação (BRASIL, 1999, p. 69). Por meio da sondagem, foi possível diagnosticar em qual nível os alunos encontravam-se e as dificuldades que possuíam. Desse modo, foram selecionados jogos para trabalhar com eles. Para amostragem foram selecionados dois alunos, chamados aqui de X e Y, a fim de demonstrar como os jogos podem ajudar no desenvolvimento. Figura 1: Primeira sondagem do aluno X Fonte: coletado pela autora (2018) Figura 2: Primeira sondagem do aluno Y Fonte: coletado pela autora (2018) No caso desses alunos X e Y, observou-se que se encontravam no nível silábico com valor, ou seja, a passagem do silábico para o alfabético. Passagem da hipótese silábica para a alfabética. Vamos propor, de imediato, nossa interpretação deste momento fundamental da evolução: a criança abandona a hipótese silábica e descobre a necessidade de fazer uma análise que vá “mais além” da sílaba pelo conflito entre a hipótese silábica e a exigência de quantidade mínima de grafias [...] e o conflito entre as formas gráficas que o meio lhe propõe e a leitura dessas formas em termos de hipótese silábica (conflito entre uma exigência interna e uma realidade exterior ao próprio sujeito) (FERREIRO; TEBEROSKY, 1985, p. 196). Os jogos foram selecionados com a finalidade de ajudar aos alunos na sua alfabetização. Abaixo segue a tabela com os jogos que foram trabalhados. Tabela 1: Jogos trabalhados JOGOS Bingo das letras Ditado estourado Coordenadas silábicas Caça palavras reciclado Soletrando Fonte: Relatório de Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais, arquivo pessoal da autora (2018) Por meio dos jogos, procurou-se trabalhar as letras e o alfabeto, a formação de palavras e a separação das sílabas, bem como a leitura e a oralidade. A participação dos alunos nos jogos foi bem ativa, houve a colaboração de todos e também teve destaque o trabalho em equipe. Em todos os jogos trabalhados houve participação integral dos alunos, em alguns momentos foi possível perceber que até os mais quietos e tímidos haviam se soltado e estavam interagindo com os seus colegas. A memória, a atenção, o raciocínio, a orientação, entre outros, também foram trabalhados e em cada um obteve-se uma resposta positiva a partir dos jogos. Ao final da oficina, foi realizada uma segunda sondagem e ao analisá-la foi possível perceber que o aluno X foi o que mais se desenvolveu, conseguiu escrever sem muita dificuldade, houve apenas algumas trocas de letras ou a falta delas. Mas os jogos também o ajudaram ainda na interação com os colegas, já que era muito quieto. Também foi perceptível o seu interesse em aprender mais, o qual, no primeiro dia não tinha muito, parecia desinteressado. Com relação ao aluno Y não se obteve muito sucesso com a escrita, não se alcançou o objetivo esperado, que era que este avançasse de nível na alafbetização, porém como o aluno X , este também tinha muitas dificuldades para interagir com os colegas, estava sempre retraído e quase não falava. Nesse aspecto os jogos ajudaram na interação com seus colegas e com os professores, e ao final da oficina pode-se preceber que o aluno Y já estava interagindo mais com os seus colegas. Mas deve-se lembrar que houve pouco tempo para essas atividades e que o professor em sala pode trabalhar o ano todo com os jogos e as brincadeiras, alcançando um melhor resultado. Abaixo segue a segunda sondagem: Figura 3: Segunda sondagem do aluno X Fonte: coletados pela autora (2018) Figura 4: Segunda sondagem do aluno Y Fonte: coletados pela autora (2018) O uso dos jogos na oficina mostrou como é importante ir além. Por meio da experiência relatada, foi possível observar a participação dos alunos com entusiasmo e interesse, o que os ajudou em seu desenvolvimento. Trabalhar com jogos fez perceber o potencial que eles têm na hora de alfabetizar, observou-se que, apesar da oficina ter acontecido com poucos encontros, algumas crianças tiveram uma evolução bem significativa. Os jogos ajudaram a desenvolver, a leitura e a escrita, a interagir com o seu igual, a trabalhar em grupo, o Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa fala sobre esse desenvolvimento: [...] o lúdico satisfaz as necessidades de crescimento da criança, de desenvolvimento das habilidades motoras, de expressão corporal. No que diz respeito aos benefícios cognitivos, brincar contribui para a desinibição, produzindo uma excitação intelectual altamente estimulante, desenvolve habilidades perceptuais, como atenção, desenvolve habilidades de memória, dentre outras. Em relação aos benefícios sociais, a criança, por meio do lúdico, representa situações que simbolizam uma realidade que ainda não pode alcançar e aprendem a interagir com as pessoas, compartilhando, cedendo às vontades dos colegas, recebendo e dispensando atenção aos seus pares. Aprendem, ainda, a respeitar e a serem respeitadas (BRASIL, 2012, p. 7). Na oficina, ficou muito clara a importância que tem o educador na vida de seus alunos. Escolher os jogos certos contribuiu muito para o desenvolvimento deles, mas nada seria possível se não houvesse a participação efetiva na hora de realizar as atividades. Também foi perceptível que o uso dos jogos proporcionou uma maneira diferente de aprender, os alunos se interessavam mais nos momentos que eram usados os jogos, do que no momento em que se trabalhava com registro de atividades, participavam efetivamente, o comportamento também mudou no momento em que jogavam, estavamcentrados e concentrados no que estavam fazendo. O uso dos jogos, do brinquedo, é muito importante para o desenvolvimento da criança, brincar faz parte da sua vida. O brinquedo é um objeto material que carrega em seu contexto questões de ordem: educacional, porque o brinquedo educa; pessoal, porque a ação de brincar deixa sua marca na vida das pessoas; social, porque ele é o “presente” destinado à criança e, por isso, tornou-se uma atividade ritualizada entre pais e familiares; psicológica, porque, no brincar, as pessoas se revelam como são; filosófica, porque a atividade lúdica faz pensar, refletir e questionar sobre a origem das coisas; mística, porque o brincar tem um caráter mágico; histórica, porque através dos brinquedos pode-se descobrir o modo de brincar das crianças em épocas distintas; econômica, porque é um dos produtos mais vendidos no mundo. Tudo isso confere ao brinquedo um valor cultural. Então, podemos dizer que brincar é viver, faz parte da cultura e, em cada enfoque, o brincar vai ganhando nuances que completam seu significado (SANTOS, 2014, p. 13). Então, é possível dizer que por meio do brinquedo, dos jogos, a criança é educada, ela aprende de várias formas, o brinquedo é algo cultural, que traz muitos aspectos históricos, filosóficos que ajudarão a criança a aprender melhor o que faz toda a diferença na hora de se alfabetizar. Para ajudá-los e tornar esse momento mais dinâmico foram trabalhados jogos que foram cuidadosamente selecionados e confeccionados, e optou-se por trabalhar com os jogos de forma lúdica, pelo fato de se aprender melhor por meio deles; Os educadores já perceberam também que a atividade lúdica é uma das mais educativas atividades humanas e não serve somente para aprender os conteúdos escolares, mas também para afiar as habilidades e educar as pessoas a serem mais humanas (SANTOS, 2014, p.7). Refletindo sobre o que a autora afirma, as atividades lúdicas como os jogos e as brincadeiras não servem somente para se trabalhar com os conteúdos que se encontram na matriz curricular, e sim também trabalhar a parte humana do aluno, ajudá-lo a superar suas dificuldades de aprendizagem e de relacionamento, tanto na escola como em toda sociedade. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo buscou evidenciar os conceitos de alfabetização e letramento e salientou a presença dos mesmos nos documentos oficiais. Alfabetização e letramento são termos indissociáveis, devem andar juntos para que o aluno seja um cidadão pleno, capaz de fazer escolhas, interpretar informações, decodificar símbolos e ser protagonista de sua própria história. Para que essa plenitude aconteça, o aluno deve ser alfabetizado e letrado corretamente, a fim de entender melhor a sociedade em que está inserido. Também foi abordada a importância de usar os jogos e brincadeiras como ferramentas pedagógicas de ensino/aprendizagem a fim de auxiliar na alfabetização e letramento. Por meio dos estudos realizados foi possível perceber que alfabetizar não é uma tarefa fácil, no entanto, com o uso dos jogos e das brincadeiras de uma forma lúdica, essa tarefa fica menos onerosa. Por meio das experiências vividas durante o Estágio Supervisionado, foi possível perceber que os jogos e brincadeiras, além de desenvolver no aluno os conteúdos pedagógicos, também desenvolve a motricidade, a cooperação, faz com que o aluno seja mais desinibido, torna a aula mais prazerosa e de fácil compreensão dos conteúdos que se tem na matriz curricular. Dessa forma, foi possível notar que os jogos e brincadeiras são fundamentais para uma alfabetização eficaz, visto que o aluno está entrando cada vez mais cedo na escola, e brincar faz parte do desenvolvimento da criança. É por meio do brincar que a criança inventa e reinventa, cria a recria, simula situações da vida real e interage com os demais. Ao chegar à escola é importante que o laço com o brincar não seja rompido e substituído pelo aprender, e sim que o aprender seja uma continuação do brincar, e a participação e planejamento do docente é fundamental nesse processo. Outro ponto que foi de extremo aprendizado nesta pesquisa foi a vivência do Estágio Supervisionado, onde foi possível comparar sondagens antes e depois da aplicação de jogos. Com essa vivência foi possível perceber como se faz importante o uso dos jogos e brincadeiras em sala de aula para se trabalhar na alfabetização, pois o aluno participa e se mostra interessado, se apropria daquilo que aprendeu e faz com que a sala de aula se torne um ambiente acolhedor e assim ele se desenvolva integralmente. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação. Portaria nº 867, de 4 de julho de 2012. 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