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JOGOS E BRINCADEIRAS NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO: UMA 
EXPERIÊNCIA A PARTIR DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO 
 
Geslaine Kochaniuk Lepinski de Deus 
Pedagogia: Docência e Gestão Educacional 
Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná, UNICENTRO, 
campus Santa Cruz 
 
Orientadora: Professora M.ª Sabrina Plá Sandini 
 
 
Resumo 
 A alfabetização é um processo primordial na vida do aluno, pois inicia este no 
mundo escolar, então aprender a ler e a escrever vai torná-lo um ser humano 
mais independente, ou seja, a alfabetização torna o aluno um cidadão pleno, 
pois a partir do momento que se é alfabetizado ele transforma-se no 
protagonista de seu próprio aprendizado. Os jogos e as brincadeiras são 
ferramentas poderosas que podem auxiliar o aluno no processo de 
alfabetização. Sendo assim, o presente estudo objetivou verificar a importância 
dos jogos e das brincadeiras como estratégia pedagógica no processo de 
alfabetização e letramento dos alunos do primeiro ciclo do ensino fundamental. 
Para tanto, explicitamos os conceitos de alfabetização e letramento e 
identificamos a contribuição dos jogos e das brincadeiras no processo de 
alfabetização por meio da experiência do Estágio Supervisionado nos Anos 
Iniciais, do Curso de Pedagogia da UNICENTRO, realizado em 2018. A fim de 
cumprir com os objetivos, optamos por uma pesquisa do tipo qualitativa, 
descritiva e bibliográfica. A experiência do Estágio Supervisionado foi de suma 
importância revelando que por meio dos jogos, o aluno pode se desenvolver de 
maneira integral, evidenciando que os jogos e as brincadeiras são uma 
ferramenta eficiente no processo de alfabetização e também auxilia na 
socialização da criança com o meio em que está inserida. 
Palavras-chave: jogos; brincadeiras; alfabetização; letramento; pedagógico. 
 
INTRODUÇÃO 
O presente trabalho traz a importância do uso dos jogos e das 
brincadeiras, no processo alfabetização e letramento, bem como o aluno pode 
aprender de maneira integral, por meio deles. 
Embasando-se na necessidade de se usar ferramentas diferenciadas 
nesse processo, a problemática norteadora deste trabalho é: o uso dos jogos e 
 
 
das brincadeiras como estratégia pedagógica, realmente ajuda no processo de 
alfabetização e letramento? 
Assim, delinearam-se os seguintes objetivos da pesquisa: verificar a 
contribuição dos jogos e das brincadeiras na alfabetização e letramento dos 
alunos do primeiro ciclo do ensino fundamental; explicitar o que é alfabetização 
e letramento; identificar a contribuição dos jogos e brincadeiras no processo de 
alfabetização e relatar, a partir do estágio supervisionado nos anos iniciais, do 
Curso de Pedagogia da UNICENTRO, as contribuições dos jogos no processo 
de alfabetização. 
A abordagem metodológica dessa pesquisa foi qualitativa, descritiva e 
bibliográfica. A escolha da pesquisa qualitativa se deu pelo fato desta ser 
subjetiva, pois um dos pontos fortes é que, o interesse se dá no processo e não 
no resultado e que também há uma flexibilidade de como se vai conduzir este 
estudo, (Oliveira 1982, apud, Moreira 2002). 
Também é descritiva, pois tem a finalidade de descrever um fenômeno, 
que neste caso é o uso dos jogos e brincadeiras na alfabetização e letramento, 
sendo assim, “algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação 
da existência de relações entre variáveis, e pretendem determinar a natureza 
dessa relação” (GIL, 2002, p.42) e bibliográfica, pois permite ao pesquisador 
alcançar uma gama de fenômenos mais ampla, pois obtêm informações 
mesmo não estando diretamente ligado ao objeto de pesquisa. 
Para fundamentar essa pesquisa usou-se de autores que trabalham com 
essas temáticas: lúdico, alfabetização e letramento, como: Freire (2011), 
Santos (2014), Luckesi (2002, 2003, 2015), Ferreiro e Teberosky (1985), 
Soares (2004), entre outros. 
Esta pesquisa justifica-se pela curiosidade sobre a temática, que se deu, 
pelos estudos realizados na disciplina de Alfabetização, do segundo ano do 
curso de Pedagogia da UNICENTRO, em que foram confeccionados alguns 
jogos para trabalhar em sala de aula e discutido sobre sua importância na 
alfabetização. Também para relatar a vivência do Estágio Supervisionado nos 
anos iniciais, onde se trabalhou com o a oficina de alfabetização e com os 
jogos que podem ajudar na alfabetização. 
 
 
Alguns autores, como Luckesi, falam sobre os jogos e o brincar, onde 
estes são usados como atividades lúdicas e onde o aprender dessa forma é 
mais do que apenas jogar; 
 
[...] brincar, jogar, agir ludicamente, exige uma entrega total do ser 
humano, corpo e mente, ao mesmo tempo. A atividade lúdica não 
admite divisão; e, as próprias atividades lúdicas, por si mesmas, nos 
conduzem para esse estado de consciência (LUCKESI, 2002, s. p.). 
 
Os jogos podem ser usados como atividades lúdicas, que ajudam no 
desenvolvimento corporal e cognitivo, por isso a sua importância em sala de 
aula. Deve-se valorizar também os jogos como ferramentas que vão ajudar 
nesse processo de alfabetização. 
O presente estudo é de grande relevância para os discentes do curso de 
Pedagogia e demais interessados na temática, pois, por meio dela, poderá se 
perceber a importância de usar os jogos no processo de alfabetização e 
letramento dos alunos e aprofundar mais o tema da ludicidade na 
alfabetização. 
Dessa forma, é necessário reconhecer o valor e a importância dos jogos 
como ferramentas pedagógicas, visto que o mesmo é muito útil no processo de 
alfabetização, pois o brincar está permeado na vida do aluno desde o início, e a 
escola pode usar este artifício como forma de ensino/aprendizagem. 
Esta pesquisa está dividida em três seções: na primeira, discutiu-se 
acerca dos conceitos de alfabetização e letramento. Em seguida, debateu-se a 
questão da alfabetização abordada em documentos e programas do Ministério 
de Educação e Cultura (MEC). Por fim, destacou-se a contribuição dos jogos e 
brincadeiras a partir das experiências vividas no Estágio Supervisionado nos 
anos iniciais, do curso de Pedagogia da UNICENTRO. 
 
1 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: CONCEITOS E DEFINIÇÕES 
 
Nesta seção, serão conceituados o que é alfabetização e letramento a 
partir de estudiosos desses temas como, Soares (2003, 2004), Colello (2004), 
Tfouni (2005), Ferreiro e Teberosky (1985). 
 
 
 Soares (2003) traz uma definição para alfabetização: “[...] 
aprendizagem da técnica, domínio do código convencional da leitura e da 
escrita e das relações fonema/grafema, do uso dos instrumentos com os quais 
se escreve” (SOARES, 2003, p. 16). Nesse contexto, a alfabetização é a 
aquisição de uma técnica em que leitura e escrita devem ser dominadas, esse 
processo refere-se ao domínio do código escrito, aprender a codificar e 
decodificar. 
Já para Tfouni (2005, p. 9), “[...] a alfabetização refere-se à aquisição da 
escrita enquanto aprendizagem de habilidades para leitura e escrita e as 
chamadas práticas de linguagem.” Portanto, alfabetização é o ato de aprender 
a ler e escrever, adquirir uma nova forma de linguagem. 
Para tornar mais clara, também foram consultadas as definições de 
alfabetização segundo o dicionário Escolar da Língua Portuguesa (1975, p.86): 
“alfabetização, s. f. Ação de alfabetizar, de propagar o ensino da leitura”. Então 
pode-se dizer que alfabetização é um processo pelo qual o aluno deve passar 
para ser alfabetizado. 
As autoras Emília Ferreiro e Ana Teberosky escreveram o livro a 
Psicogênese da Língua Escrita, considerado um marco para a alfabetização. 
Nesta obra, mostram a importância do processo de alfabetização na vida dos 
alunos que entram cada vez mais cedo no ambiente escolar. Elas propõem 
uma nova forma de ver a leitura e a escrita, guiadas pelas concepções teóricas 
de Jean Piaget, em que as crianças têm ideias, teorias e concepções que 
podem ser usadas para confrontar a ideia do outro (FERREIRO; TEBEROSKY,1985, p. 14), ou seja, desde pequenas as crianças são capazes de aprender e 
apreender. 
Porém, esse processo de alfabetização não deve ser vista como algo 
separado; 
 
Não é preciso primeiro aprender a técnica para depois aprender a 
usá-la. E isso se fez durante muito tempo na escola: “primeiro você 
aprende a ler e a escrever, depois você vai ler aqueles livrinhos lá”. 
Esse é um engano sério, porque as duas aprendizagens se fazem ao 
mesmo tempo, uma não é pré-requisito da outra (SOARES, 2003, p. 
16). 
 
 
 
 
Como é possível perceber, ler e escrever devem andar juntos, o aluno 
irá aprender a ler, lendo e a escrever, escrevendo, são indissociáveis, pois 
esses são processos que fazem parte da alfabetização; 
 
Ninguém aprende a ler e a escrever se não aprender relações entre 
fonemas e grafemas – para codificar e para decodificar. Isso é uma 
parte específica do processo de aprender a ler e a escrever. 
Linguisticamente, ler e escrever é aprender a codificar e a decodificar 
(SOARES, 2003, p. 17). 
 
 
Então, pode-se dizer que na alfabetização o aluno precisa passar pelo 
processo em que aprende a relação entre fonemas e grafemas 1para aprender 
a ler e a escrever e a codificar e decodificar. Mas esse processo deve partir da 
realidade do aluno para que este faça sentido para o mesmo, pois o aluno vem 
para a sala de aula com uma leitura prévia, não esta com que se tem na 
escola, mas com a leitura do mundo onde vive leitura da sua casa, família, 
amigos. 
Desse modo, é possível afirmar que o surgimento do letramento se deu 
da necessidade que tem o homem moderno do uso da linguagem, tanto escrita 
como oral, e além de ler e escrever deve saber interpretar o que se lê e 
escreve. Nesse processo se vê a importância da leitura e a escrita estarem 
juntas com a necessidade de não apenas saber desenhar as letras ou decifrar 
os códigos de leitura, o indivíduo hoje necessita saber compreender este 
processo, pois já não se trata apenas de mero conhecimento e sim uma 
condição de sobrevivência neste mundo letrado. Dominar a escrita é essencial 
para a convivência em sociedade (COLELLO, 2004, s. p.). 
Nesse contexto, não se pensa na alfabetização apenas como uma forma 
de decodificação. O que se procura é fazer com que o aluno seja capaz de ler 
e interpretar, ou seja, ser uma pessoa letrada; 
 
 
 
1
 Fonemas: “são unidades mínimas de sons da fala, representados na escrita pelas letras do 
alfabeto.” (CARVALHO, 2012). 
 Grafemas: “O grafema é a representação gráfica do fonema. Por exemplo, o fonema pode ser 
representado pelo grafema “x” (xícara) ou pelo grafema “ch” (chave) — o primeiro com uma 
letra e o segundo com duas.” (LUZ, 2005, p.40) 
 
 
Letramento é palavra e conceito recentes, introduzidos na linguagem 
da educação e das ciências linguísticas há pouco mais de duas 
décadas. Seu surgimento pode ser interpretado como decorrência da 
necessidade de configurar e nomear comportamentos e práticas 
sociais na área da leitura e da escrita que ultrapassem o domínio do 
sistema alfabético e ortográfico, nível de aprendizagem da língua 
escrita perseguido, tradicionalmente, pelo processo de alfabetização 
(SOARES, 2004, p. 96). 
 
 
Pode-se dizer então que o letramento vai além de se ter a leitura da 
palavra, a criança deve saber o seu significado, interpretar o que se está lendo, 
ou acaba se tornando um analfabeto funcional, ou seja, aquele que apenas 
decodifica a palavra. 
Portanto, ao se falar sobre alfabetização e letramento, é possível afirmar 
que não podem ser divididas. Ser alfabetizado e letrado fará do aluno, um ser 
mais independente, capaz de seguir seu próprio caminho, já não dependerá 
tanto dos outros para guiá-lo em suas ações de leitor e poderá viver suas 
próprias experiências. 
O professor também deve estar apto a trabalhar de forma dinâmica, por 
isso é importante à leitura e uso de alguns documentos que os orientarão. No 
Brasil, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) traz alguns documentos que 
orientam sobre o processo de alfabetização, como a BNCC (Base Nacional 
Comum Curricular) e o PNAIC (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade 
Certa). 
 
1.1 A alfabetização presente em documentos e programas do Ministério da 
Educação e Cultura (MEC) 
 
Esta seção dedica-se a evidenciar, em alguns documentos do Ministério 
da Educação e Cultura (MEC), a importância da alfabetização no tempo certo. 
Para isso, os documentos selecionados foram o Pacto Nacional pela 
Alfabetização na Idade Certa (PNAIC, 2017) e Base Nacional Comum 
Curricular (BNCC, 2018). 
O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa é um programa do 
Governo Federal criado em 2012 para garantir a alfabetização das crianças na 
 
 
idade certa e a Base Nacional Comum Curricular é um documento de caráter 
normativo da Educação Básica. 
O governo busca, por meio de documentos, assegurar que todas as 
crianças tenham acesso à escola e a alfabetização, principalmente que esta 
ocorra na idade certa, pois a criança que entra na escola tem toda capacidade 
de adquirir esses conhecimentos. 
 O PNAIC, em sua edição de 2017, orienta sobre a alfabetização até o 
terceiro ano do ensino fundamental, em seu Art. 2º: 
 
O Ministério da Educação - MEC, em parceria com os sistemas 
públicos de ensino dos estados, Distrito Federal e municípios, apoiará 
a alfabetização e o letramento dos estudantes até o final do 3º ano do 
ensino fundamental, em escolas rurais e urbanas. 
§ 1º As ações desenvolvidas no âmbito do PNAIC se caracterizam: 
 I - pela integração e estruturação de ações de formação, materiais e 
referenciais curriculares e pedagógicos que contribuam para a 
alfabetização e o letramento; 
II - pelo compartilhamento da gestão do Programa entre a União, 
estados, Distrito Federal e municípios; e 
III - pela garantia dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento, a 
serem aferidos por meio de avaliações externas. 
§ 2º As ações do PNAIC terão como foco os estudantes da pré-escola 
e do ensino fundamental, cabendo aos professores, coordenadores 
pedagógicos, gestores escolares e gestores públicos uma 
responsabilidade compartilhada no alcance do direito da criança de 
escrever, ler com fluência e dominar os fundamentos da Matemática 
no nível recomendável para sua idade. (BRASIL, 2017, p. 1 e 2) 
 
Como podemos perceber, o governo incentiva a alfabetização dos 
alunos até o terceiro ano, para tanto, faz algumas ações que irão ajudar na 
alfabetização e letramento, como a formação dos professores e a preparação 
de materiais para auxiliar o professor, pois saber ler e escrever é um direito da 
criança. Porém, em 2018 houve uma alteração na Base Nacional Comum 
Curricular em que se orientou que a alfabetização se dê até o segundo ano, 
como podemos verificar pela citação abaixo tirada deste documento: 
 
Nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, a ação pedagógica 
deve ter como foco a alfabetização, a fim de garantir amplas 
oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema de escrita 
alfabética de modo articulado ao desenvolvimento de outras 
habilidades de leitura e de escrita e ao seu envolvimento em práticas 
diversificadas de letramentos (BRASIL, 2018, p. 57). 
 
 
 
 
 Para tanto, o governo investe na formação de professores 
alfabetizadores, o que é imprescindível para atender as necessidades dos 
alunos, pois vão cada vez mais cedo para a escola, e ter uma formação 
adequada se faz necessário para que a alfabetização seja de qualidade e que 
realmente se obtenha resultados. Isso é evidenciado no artigo 6º do PNAIC. 
 
Art. 6º As ações do PNAIC e do PNME compreendem os seguintes 
eixos: 
I – Formação Continuada: a) formação em serviço dos coordenadores 
pedagógicos da educação infantil, dos professores da pré-escola, dos 
coordenadores pedagógicos e professores do 1º ao 3º ano do ensino 
fundamental e de classes multisseriadas quepossuem alunos desses 
anos, dos articuladores e mediadores de aprendizagem das escolas 
das redes públicas de ensino participantes do PNME; b) formação e 
constituição de uma rede de formadores para a pré-escola e 
educação infantil, para o 1º ao 3º ano do ensino fundamental e para o 
PNME; II – Materiais Didáticos, Literatura e Tecnologias 
Educacionais: a) livros didáticos de 1º, 2º e 3º ano do ensino 
fundamental e respectivos manuais do professor a serem distribuídos 
pelo Programa Nacional do Livro Didático – PNLD; b) obras 
pedagógicas complementares aos livros didáticos distribuídos pelo 
PNLD – Obras Complementares; c) obras de referência, de literatura 
e de pesquisa distribuídas pelo Programa Nacional Biblioteca na 
Escola – PNBE; d) obras de apoio pedagógico aos professores, 
distribuídas por meio do PNBE; e) tecnologias educacionais de apoio 
à alfabetização (BRASIL, 2017, p. 2). 
 
Para alcançar a meta de alfabetizar na idade certa, o governo criou por 
meio da Portaria MEC nº 1.144, de 10 de outubro de 2016 (PNAIC, 2017) – 
PNME- Programa Nacional Mais Educação, para que possa garantir a 
aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática, incluindo a alfabetização, 
portanto, o aluno deve sair do terceiro ano alfabetizado e letrado, é o que se 
garante por lei, porém, como falado acima a Base Nacional Comum Curricular 
de 2018 traz que os alunos devem ser alfabetizados até o segundo ano do 
ensino fundamental dos anos iniciais (BRASIL, 2017). 
A Base Nacional Comum Curricular (2018) preconiza que o Ensino 
Fundamental de nove anos é uma das etapas onde se tem mais mudanças 
entre as crianças e os adolescentes nos aspectos físicos, cognitivos, sociais, 
afetivos, entre outros, e precisa-se elaborar um currículo que atenda todas 
essas mudanças, valorizando as ações lúdicas de aprendizagem, pois os 
alunos precisam desenvolver novas formas de relação com o mundo, ajudando 
 
 
assim na construção do seu próprio conhecimento. Também é nessa fase dos 
primeiros anos do ensino fundamental que a criança irá desenvolver a sua 
oralidade e a escrita, vai se deparar com várias situações que vão ajudá-la a 
desenvolver a observação, a análise, irá argumentar tudo isso potencializa 
suas descobertas. A BNCC (BRASIL, 2018, p. 56) fala sobre o quão importante 
é para o aluno a sua convivência com seus iguais e como a sociedade a 
estimula; 
 
As experiências das crianças em seu contexto familiar, social e 
cultural, suas memórias, seu pertencimento a um grupo e sua 
interação com as mais diversas tecnologias de informação e 
comunicação são fontes que estimulam sua curiosidade e a 
formulação de perguntas. O estímulo ao pensamento criativo, lógico e 
crítico, por meio da construção e do fortalecimento da capacidade de 
fazer perguntas e de avaliar respostas, de argumentar, de interagir 
com diversas produções culturais, de fazer uso de tecnologias de 
informação e comunicação, possibilita aos alunos ampliar sua 
compreensão de si mesmos, do mundo natural e social, das relações 
dos seres humanos entre si e com a natureza (BRASIL, 2018, p. 56). 
 
Como aponta a BNCC, a convivência da criança com a família, na 
sociedade, na cultura e também com as novas tecnologias a estimula a ser 
mais questionadora, curiosa, ser um ser crítico e criativo, tudo isso vai 
favorecer na hora de se alfabetizar, pois ela também vai entender qual é o seu 
papel como cidadão na sociedade e o seu lugar nela, será capaz de interagir 
com os outros, questionar e ser questionada, ser a construtora de seu 
conhecimento, sendo ativa e não passiva (BRASIL, 2018). 
Para que todo esse processo de alfabetização e letramento aconteça, 
deve-se haver um currículo compatível, que abranja temas que irão fazer 
sentido a esses alunos e os dois primeiros anos do Ensino Fundamental – 
Anos Iniciais são de crucial importância. 
 
No Ensino Fundamental – Anos Iniciais, os componentes curriculares 
tematizam diversas práticas, considerando especialmente aquelas 
relativas às culturas infantis tradicionais e contemporâneas. Nesse 
conjunto de práticas, nos dois primeiros anos desse segmento, o 
processo de alfabetização deve ser o foco da ação pedagógica. 
Afinal, aprender a ler e escrever oferece aos estudantes algo novo e 
surpreendente: amplia suas possibilidades de construir 
conhecimentos nos diferentes componentes, por sua inserção na 
 
 
cultura letrada, e de participar com maior autonomia e protagonismo 
na vida social (BRASIL, 2018, p. 61). 
 
O foco nos dois primeiros anos é a alfabetização, por isso o currículo 
traz práticas que ajudam nesse processo, pois para o aluno ser alfabetizado é 
sinal de que terá mais autonomia, que não vai depender tanto do adulto e a 
partir da sua alfabetização ele pode e vai ser um ser social capaz de escrever a 
sua própria história (BRASIL, 2018). 
Portanto, é muito importante trabalhar os conteúdos escolares 
ludicamente, por meio de jogos e brincadeiras, pois estes vão estimular a 
aprendizagem. A seguir será apresentada a importância dos jogos e 
brincadeiras como ferramenta pedagógica no processo de alfabetização e 
letramento. 
 
2 JOGOS E BRINCADEIRAS: SEU USO NO PROCESSO DE 
ALFABETIZAÇÃO 
 
Nesta seção serão apresentados os conceitos de jogos e brincadeiras, 
mostrando sua importância para a alfabetização e como as crianças 
necessitam dessa atividade principalmente para se desenvolver e adaptar-se 
ao novo contexto que está sendo inserida. 
Alfabetizar ludicamente usando os jogos e as brincadeiras, pode ajudar 
no desenvolvimento psicomotor da criança e também no cognitivo. É preciso 
que o docente saiba como aliar esta prática com o aprendizado e de que forma 
pode realizar isso no ambiente escolar, principalmente para ajudar na 
alfabetização dos alunos. Jogos, brincadeiras são instrumentos usados para 
facilitar a aprendizagem e para a alfabetização são indispensáveis para o 
desenvolvimento da criança. Embasam teoricamente essa temática, autores 
como Luckesi (2002, 2003, 2015) e Santos (2014). 
Segundo o dicionário escolar da Língua Portuguesa (1975, p. 231, 740, 
792), jogo se define como: s.m. Brinquedo, folguedo; divertimento; partida 
esportiva. Brincar: v. rel. Divertir-se; folgar; gracejar. Lúdico: adj. Relativo a 
brinquedos, jogo, sem mira de resultados materiais 
 
 
Portanto, nesta pesquisa serão usadas as palavras jogos e brincadeiras, 
como sinônimos, que podem ser usados como ações lúdicas no processo de 
alfabetização; 
 
O que se pode dizer é que “jogo” significa a ação lúdica e não 
somente a ideia de regras ou competição. Assim, o jogar ou brincar 
são ações lúdicas que se fundem. Neste sentido, em educação, as 
expressões “brincadeira, jogo e dinâmica” guardam os mesmos 
significados, pois são ações lúdicas que preservam as mesmas 
qualidades e seguem os mesmos padrões de entendimento 
(SANTOS, 2014, p. 11). 
 
A partir desse pensamento é possível afirmar que jogos e brincadeiras, 
estão ligados e não se pode separá-los, por isso que são de extrema 
importância para auxiliar na alfabetização, pois ao longo da infância a criança 
brinca e através da brincadeira ela aprende e na escola não pode ser diferente, 
já que os alunos a serem alfabetizados ainda são crianças. 
Do ponto de vista de Colello (2004, p. 19): 
 
O movimento, o jogo, a ação corporal e a vivência das sensações 
constituem o elo entre o eu, o mundo e os outros, e este é o primeiro 
plano de um fazer mental e expressivo. Tal constatação justifica o 
esforço para integrar o movimento às esferas educativas, numa 
dimensão simultaneamente revolucionária e significativa. 
 
Ou seja, é por meio das brincadeiras que a criança se descobre, 
descobre o mundo a sua volta e aos outros, pois no brincar ela interage, 
imagina, cria e recria e com isto aprende. Brincar faz parte de ser criança e 
através dessa ferramenta é possível alfabetizar, tornar a criança um ser ativo e 
não estático na obtenção de um aprendizadosignificativo (COLELLO, 2004). 
Os jogos e brincadeiras fazem parte da vida de todos os seres humanos, 
em cada fase da vida tem-se uma maneira de ver esses elementos, e é na 
infância um dos momentos em que há um significado maior, pois é nesta fase 
que a criança pode realmente se expressar, brincar livremente sem ter medo 
do que os outros podem pensar. Na brincadeira ela cria, fantasia, corre, pula e 
quando se é adulto também há uma necessidade de brincar, porém essa já é 
limitada, pois já não se vê o brincar como algo apropriado para a idade 
(COLELLO, 2004). 
 
 
De acordo com Luckesi (2015), brincar é uma atividade própria da 
criança, elas aprendem brincando, no correr, no pular, brincando de fazer 
comidinha, enfim várias brincadeiras que a ajudam a aprender, pois brincar é 
uma ação e através dela a criança aprende. 
Luckesi (2002, s.p., apud LUCKESI, 1998), conceitua o lúdico como: 
 
Tomando por base os escritos, as falas e os debates, que tem se 
desenvolvido em torno do que é lúdico, tenho tido a tendência em 
definir a atividade lúdica como aquela que propicia a ‘plenitude da 
experiência’. Comumente se pensa que uma atividade lúdica é uma 
atividade divertida. Poderá sê-la ou não. O que mais caracteriza a 
ludicidade é a experiência de plenitude que ela possibilita a quem a 
vivencia em seus atos. (LUCKESI, 2002, s.p. apud LUCKESI, 1998), 
 
Outros estudos de Luckesi (2003), sobre o lúdico e ludicidade 
preconizam que a atividade lúdica deve ser vivida plenamente, ou seja, de 
corpo e mente, caso contrário ela não pode ser chamada de lúdica, deve-se ter 
uma entrega plena quando se faz esta atividade. 
 
Enquanto estamos participando verdadeiramente de uma atividade 
lúdica, não há lugar, na nossa experiência, para qualquer outra coisa 
além dessa própria atividade. Não há divisão. Estamos inteiros, 
plenos, flexíveis, alegres, saudáveis. Poderá ocorrer, evidentemente, 
de estar no meio de uma atividade lúdica e, ao mesmo tempo, 
estarmos divididos com outra coisa, mas ai, com certeza, não 
estaremos verdadeiramente participando dessa atividade. Estaremos 
com o corpo ai presente, mas com a mente em outro lugar e, então, 
nossa atividade não será plena e, por isso mesmo, não será lúdica. 
Brincar, jogar, agir ludicamente, exige uma entrega total do ser 
humano, corpo e mente, ao mesmo tempo. A atividade lúdica não 
admite divisão; e, as próprias atividades lúdicas, por si mesmas, nos 
conduzem para esse estado de consciência. (LUCKESI, 2003, s/p). 
 
 
Levando em conta esses aspectos, pode-se dizer que a atividade lúdica 
a ser trabalhada pelos professores deve proporcionar ao aluno este estado 
pleno, onde o jogo e o aluno precisam estar em profunda sintonia, como se um 
fizesse parte do outro, fossem um só, não se admitindo uma divisão. O aluno 
deve aprender ludicamente, tudo aquilo que lhe é apresentado deve 
proporcionar a ele um aprendizado, principalmente na alfabetização onde este 
é inserido cada vez mais cedo, não deixa de ser criança, mas precisa em 
 
 
muitas vezes abrir mão daquilo que é próprio da idade como o brincar para 
poder seguir sua trajetória em um mundo letrado (LUCKESI, 2003). 
Portanto, os jogos e as brincadeiras são importantes no processo de 
alfabetização e precisam ser vistos pelos professores como uma ferramenta a 
ser usada constantemente, eles auxiliam na aprendizagem do aluno que por 
sua vez se torna mais motivado a aprender, faz com que ele se torne um ser 
mais sociável, pois vai precisar do outro. Por isso, segundo Luckesi (2003) a 
criança precisa estar em um estado pleno, aprender com o corpo e a mente, 
não se deve haver uma divisão, ensinar através dos jogos é muito mais do que 
simplesmente dar ao aluno um jogo que este vai jogar sem ter sentido, jogar 
por jogar, o aluno precisa entrar no jogo fazer parte dele para que realmente 
haja o aprendizado (LUCKESI, 2003). 
Usar os jogos e as brincadeiras pode favorecer a interação dos alunos, a 
colaboração e uma cumplicidade entre aluno e professor, já que essa prática 
favorecerá o aprendizado do aluno, que deixa de ser um mero espectador para 
ser o autor de sua própria aprendizagem. Nesse contexto, o professor deverá 
usar dos jogos, em sala de aula, para despertar o gosto pelo aprender, deve 
sempre refletir sobre sua prática para garantir que estão sendo usadas da 
melhor forma. O professor deve mostrar ao aluno que os jogos e as 
brincadeiras têm um objetivo que deve ser cumprido, desta maneira se formar 
um aluno crítico, moral e social (SANTOS, 2014). 
Neste contexto o professor se torna apenas o mediador do 
conhecimento. E planejar as aulas com esses jogos também é fundamental 
para alcançar o objetivo esperado. 
 
A organização metodológica é um processo e, como tal, deve ser 
cuidadosamente planejada. Inicia-se pela classificação dos jogos e 
elaboração das fichas técnicas de cada um para poder filtrar a 
essência do jogo e seu poder educativo, fazendo a relação com o que 
se quer passar através dele (SANTOS, 2014, p. 28). 
 
Essa ação do professor deve ser intencional, ter seu fim pedagógico, 
não deve ser um brincar sem intencionalidade, os jogos devem atingir todas as 
áreas do desenvolvimento do aluno. Nesta fase, da alfabetização, o cuidado 
para a escolha dos jogos deve ser ainda maior o aluno deve entender o que 
 
 
está fazendo, entender que o jogo utilizado pelo educador vai ajudá-lo a 
construir seu conhecimento, que vai aprender a codificar e decodificar, mas 
não somente isso, ela vai ser uma pessoa letrada, porém não pode confundir 
essa atividade com o brincar por brincar (SANTOS, 2014). 
Seguindo com esse pensamento, toda e qualquer atividade que o 
educador irá preparar deve ser pensada e centrada no perfil do aluno, procurar 
jogos que condizem com a realidade do aluno e o nível de aprendizado que 
este se encontra. 
A alfabetização por meio dos jogos e brincadeiras pode ser importante, 
tanto para o aluno, quanto para o professor. Para o aluno é uma forma mais 
dinâmica de se aprender e para o professor vai ajudá-lo a fazer do ambiente 
escolar um lugar mais agradável onde o aprendizado realmente vai acontecer. 
 
As atividades lúdicas podem contribuir de forma significativa para o 
processo de construção do conhecimento do indivíduo. Diversos 
estudos em relação isto vêm comprovar que o jogo é uma fonte de 
prazer e descoberta para a criança (SANTOS, 2014, p. 12). 
 
 
Continuando nessa mesma perspectiva, Santos (2014), vem falar que se 
deve ficar bem claro que ao trabalhar com os jogos e brincadeiras além de 
ensinar os conteúdos curriculares, o educador também forma esse aluno em 
sua plenitude, integralmente, em seus aspectos físicos, cognitivo, afetivo, social 
e moral. 
Documentos importantes também falam sobre a importância de usar os 
jogos e as brincadeiras para a alfabetização, como podemos ver no Programa 
Nacional de Alfabetização na Idade Certa (2012), em que diz “[...] do ponto de 
vista físico, cognitivo e social as brincadeiras trazem grandes benefícios para 
as crianças.” (BRASIL, 2012, p. 7), pode-se dizer então, que as brincadeiras 
ajudam no desenvolvimento pleno do aluno. 
 
Ao brincar, a criança movimenta-se em busca de parceria e 
exploração de objetos, comunica-se com seus pares, expressa-se por 
meio de múltiplas linguagens, descobre regras e toma decisões. 
Assim, desenvolve dimensões importantes no aprendizado dos 
conhecimentos escolares. (BRASIL, 2012, p. 11) 
 
 
 
 
Com isso fica clara a necessidade que se tem de usar os jogos e as 
brincadeiras como estratégias na escola, pois a criança vai descobrir regras, 
tomar decisões que a ajudaram a se desenvolver e a interagir com o outro, 
também aprende a dividir e com tudo isso vai aprender o que é ser um ser 
social e qual o seu lugar na sociedade. 
Na sessão a seguir será relatada a experiência vivida no Estágio 
Supervisionado nos Anos Iniciais, do curso dePedagogia da UNICENTRO no 
ano de 2018, em que se trabalhou a partir dos jogos, com alunos que possuíam 
algumas dificuldades no processo de alfabetização. 
 
3 A CONTRIBUIÇÃO DOS JOGOS, A PARTIR DAS EXPERIÊNCIAS 
VIVIDAS NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO NO ANOS INICIAIS DO CURSO 
DE PEDAGOGIA DA UNICENTRO 
Nesta seção será apresentado o relato da experiência vivida no Estágio 
Supervisionado nos anos iniciais, na Escola Municipal Professor Francisco 
Contini, na cidade de Guarapuava/PR. O estágio supervisionado é disciplina 
obrigatória no curso de Pedagogia e no ano de 2018, na regência, foi realizada 
uma oficina de alfabetização, onde se usou os jogos para trabalhar com os 
alunos de terceiro e quarto ano. 
 Esses alunos, do terceiro e quarto ano, apresentavam dificuldades na 
alfabetização, tanto na leitura como na escrita, havia alguns alunos no terceiro 
ano que não sabiam ler e escrever, eram apenas “copistas” e, por 
consequência, não conseguiam acompanhar o restante da turma, o que 
dificultava ainda mais o seu desenvolvimento. 
A opção por trabalhar com jogos partiu depois de entender a sua 
importância na alfabetização e que através deles os alunos tendem a aprender 
com mais facilidade, saindo um pouco da rotina escolar da que estão 
acostumados. 
Num primeiro momento, foi realizado com os alunos das referidas 
turmas uma sondagem para constatar em quais níveis de escrita, estavam. A 
sondagem é uma atividade diagnóstica, e por meio dela o professor pode 
 
 
avaliar o nível de cada aluno e trabalhar a partir dela. A sondagem está 
contemplada no documento do Programa de Desenvolvimento Profissional 
Continuado, do Ministério da Educação e Cultura: 
 
A sondagem é um dos recursos de que o professor dispõe para 
conhecer as hipóteses que os alunos ainda não alfabetizados têm 
sobre a escrita alfabética. É um momento em que também o aluno 
tem oportunidade de refletir enquanto escreve, com a ajuda do adulto. 
A sondagem pode ser: uma relação de palavras acompanhadas ou 
não de frases, uma produção espontânea de texto ou qualquer outra 
atividade de escrita, desde que seja acompanhada de uma leitura 
imediata do aluno. Por meio da sondagem podemos perceber se o 
aluno faz ou não relação entre fala e escrita e, se faz, de que tipo é a 
relação (BRASIL, 1999, p. 69). 
 
 
Por meio da sondagem, foi possível diagnosticar em qual nível os alunos 
encontravam-se e as dificuldades que possuíam. Desse modo, foram 
selecionados jogos para trabalhar com eles. Para amostragem foram 
selecionados dois alunos, chamados aqui de X e Y, a fim de demonstrar como 
os jogos podem ajudar no desenvolvimento. 
 
Figura 1: Primeira sondagem do aluno X
 
 Fonte: coletado pela autora (2018) 
 
 
 
Figura 2: Primeira sondagem do aluno Y 
 
 
Fonte: coletado pela autora (2018) 
 
No caso desses alunos X e Y, observou-se que se encontravam no nível 
silábico com valor, ou seja, a passagem do silábico para o alfabético. 
 
Passagem da hipótese silábica para a alfabética. Vamos propor, de 
imediato, nossa interpretação deste momento fundamental da 
evolução: a criança abandona a hipótese silábica e descobre a 
necessidade de fazer uma análise que vá “mais além” da sílaba pelo 
conflito entre a hipótese silábica e a exigência de quantidade mínima 
de grafias [...] e o conflito entre as formas gráficas que o meio lhe 
propõe e a leitura dessas formas em termos de hipótese silábica 
(conflito entre uma exigência interna e uma realidade exterior ao 
próprio sujeito) (FERREIRO; TEBEROSKY, 1985, p. 196). 
 
Os jogos foram selecionados com a finalidade de ajudar aos alunos na 
sua alfabetização. Abaixo segue a tabela com os jogos que foram trabalhados. 
 
 
Tabela 1: Jogos trabalhados 
JOGOS 
Bingo das letras 
 
 
Ditado estourado 
 Coordenadas silábicas 
Caça palavras reciclado 
Soletrando 
Fonte: Relatório de Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais, arquivo pessoal da autora (2018) 
 
Por meio dos jogos, procurou-se trabalhar as letras e o alfabeto, a 
formação de palavras e a separação das sílabas, bem como a leitura e a 
oralidade. A participação dos alunos nos jogos foi bem ativa, houve a 
colaboração de todos e também teve destaque o trabalho em equipe. 
Em todos os jogos trabalhados houve participação integral dos alunos, 
em alguns momentos foi possível perceber que até os mais quietos e tímidos 
haviam se soltado e estavam interagindo com os seus colegas. A memória, a 
atenção, o raciocínio, a orientação, entre outros, também foram trabalhados e 
em cada um obteve-se uma resposta positiva a partir dos jogos. 
Ao final da oficina, foi realizada uma segunda sondagem e ao analisá-la 
foi possível perceber que o aluno X foi o que mais se desenvolveu, conseguiu 
escrever sem muita dificuldade, houve apenas algumas trocas de letras ou a 
falta delas. Mas os jogos também o ajudaram ainda na interação com os 
colegas, já que era muito quieto. Também foi perceptível o seu interesse em 
aprender mais, o qual, no primeiro dia não tinha muito, parecia desinteressado. 
 Com relação ao aluno Y não se obteve muito sucesso com a escrita, 
não se alcançou o objetivo esperado, que era que este avançasse de nível na 
alafbetização, porém como o aluno X , este também tinha muitas dificuldades 
para interagir com os colegas, estava sempre retraído e quase não falava. 
Nesse aspecto os jogos ajudaram na interação com seus colegas e com os 
professores, e ao final da oficina pode-se preceber que o aluno Y já estava 
interagindo mais com os seus colegas. 
 Mas deve-se lembrar que houve pouco tempo para essas atividades e 
que o professor em sala pode trabalhar o ano todo com os jogos e as 
brincadeiras, alcançando um melhor resultado. Abaixo segue a segunda 
sondagem: 
 
 
 
 
Figura 3: Segunda sondagem do aluno X 
 
Fonte: coletados pela autora (2018) 
 
Figura 4: Segunda sondagem do aluno Y 
 
Fonte: coletados pela autora (2018) 
 
 
O uso dos jogos na oficina mostrou como é importante ir além. Por meio 
da experiência relatada, foi possível observar a participação dos alunos com 
entusiasmo e interesse, o que os ajudou em seu desenvolvimento. 
Trabalhar com jogos fez perceber o potencial que eles têm na hora de 
alfabetizar, observou-se que, apesar da oficina ter acontecido com poucos 
encontros, algumas crianças tiveram uma evolução bem significativa. Os jogos 
ajudaram a desenvolver, a leitura e a escrita, a interagir com o seu igual, a 
trabalhar em grupo, o Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa fala 
sobre esse desenvolvimento: 
 
[...] o lúdico satisfaz as necessidades de crescimento da criança, de 
desenvolvimento das habilidades motoras, de expressão corporal. No 
que diz respeito aos benefícios cognitivos, brincar contribui para a 
desinibição, produzindo uma excitação intelectual altamente 
estimulante, desenvolve habilidades perceptuais, como atenção, 
desenvolve habilidades de memória, dentre outras. Em relação aos 
benefícios sociais, a criança, por meio do lúdico, representa situações 
que simbolizam uma realidade que ainda não pode alcançar e 
aprendem a interagir com as pessoas, compartilhando, cedendo às 
vontades dos colegas, recebendo e dispensando atenção aos seus 
pares. Aprendem, ainda, a respeitar e a serem respeitadas (BRASIL, 
2012, p. 7). 
 
Na oficina, ficou muito clara a importância que tem o educador na vida 
de seus alunos. Escolher os jogos certos contribuiu muito para o 
desenvolvimento deles, mas nada seria possível se não houvesse a 
participação efetiva na hora de realizar as atividades. 
Também foi perceptível que o uso dos jogos proporcionou uma maneira 
diferente de aprender, os alunos se interessavam mais nos momentos que 
eram usados os jogos, do que no momento em que se trabalhava com registro 
de atividades, participavam efetivamente, o comportamento também mudou no 
momento em que jogavam, estavamcentrados e concentrados no que estavam 
fazendo. 
O uso dos jogos, do brinquedo, é muito importante para o 
desenvolvimento da criança, brincar faz parte da sua vida. 
 
O brinquedo é um objeto material que carrega em seu contexto 
questões de ordem: educacional, porque o brinquedo educa; pessoal, 
porque a ação de brincar deixa sua marca na vida das pessoas; 
 
 
social, porque ele é o “presente” destinado à criança e, por isso, 
tornou-se uma atividade ritualizada entre pais e familiares; 
psicológica, porque, no brincar, as pessoas se revelam como são; 
filosófica, porque a atividade lúdica faz pensar, refletir e questionar 
sobre a origem das coisas; mística, porque o brincar tem um caráter 
mágico; histórica, porque através dos brinquedos pode-se descobrir o 
modo de brincar das crianças em épocas distintas; econômica, 
porque é um dos produtos mais vendidos no mundo. Tudo isso 
confere ao brinquedo um valor cultural. Então, podemos dizer que 
brincar é viver, faz parte da cultura e, em cada enfoque, o brincar vai 
ganhando nuances que completam seu significado (SANTOS, 2014, 
p. 13). 
 
 
Então, é possível dizer que por meio do brinquedo, dos jogos, a criança 
é educada, ela aprende de várias formas, o brinquedo é algo cultural, que traz 
muitos aspectos históricos, filosóficos que ajudarão a criança a aprender 
melhor o que faz toda a diferença na hora de se alfabetizar. 
Para ajudá-los e tornar esse momento mais dinâmico foram trabalhados 
jogos que foram cuidadosamente selecionados e confeccionados, e optou-se 
por trabalhar com os jogos de forma lúdica, pelo fato de se aprender melhor por 
meio deles; 
 
Os educadores já perceberam também que a atividade lúdica é uma 
das mais educativas atividades humanas e não serve somente para 
aprender os conteúdos escolares, mas também para afiar as 
habilidades e educar as pessoas a serem mais humanas (SANTOS, 
2014, p.7). 
 
 
Refletindo sobre o que a autora afirma, as atividades lúdicas como os 
jogos e as brincadeiras não servem somente para se trabalhar com os 
conteúdos que se encontram na matriz curricular, e sim também trabalhar a 
parte humana do aluno, ajudá-lo a superar suas dificuldades de aprendizagem 
e de relacionamento, tanto na escola como em toda sociedade. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 O presente estudo buscou evidenciar os conceitos de alfabetização e 
letramento e salientou a presença dos mesmos nos documentos oficiais. 
Alfabetização e letramento são termos indissociáveis, devem andar juntos para 
 
 
que o aluno seja um cidadão pleno, capaz de fazer escolhas, interpretar 
informações, decodificar símbolos e ser protagonista de sua própria história. 
Para que essa plenitude aconteça, o aluno deve ser alfabetizado e letrado 
corretamente, a fim de entender melhor a sociedade em que está inserido. 
 Também foi abordada a importância de usar os jogos e brincadeiras 
como ferramentas pedagógicas de ensino/aprendizagem a fim de auxiliar na 
alfabetização e letramento. Por meio dos estudos realizados foi possível 
perceber que alfabetizar não é uma tarefa fácil, no entanto, com o uso dos 
jogos e das brincadeiras de uma forma lúdica, essa tarefa fica menos onerosa. 
Por meio das experiências vividas durante o Estágio Supervisionado, foi 
possível perceber que os jogos e brincadeiras, além de desenvolver no aluno 
os conteúdos pedagógicos, também desenvolve a motricidade, a cooperação, 
faz com que o aluno seja mais desinibido, torna a aula mais prazerosa e de 
fácil compreensão dos conteúdos que se tem na matriz curricular. 
 Dessa forma, foi possível notar que os jogos e brincadeiras são 
fundamentais para uma alfabetização eficaz, visto que o aluno está entrando 
cada vez mais cedo na escola, e brincar faz parte do desenvolvimento da 
criança. É por meio do brincar que a criança inventa e reinventa, cria a recria, 
simula situações da vida real e interage com os demais. Ao chegar à escola é 
importante que o laço com o brincar não seja rompido e substituído pelo 
aprender, e sim que o aprender seja uma continuação do brincar, e a 
participação e planejamento do docente é fundamental nesse processo. 
Outro ponto que foi de extremo aprendizado nesta pesquisa foi a 
vivência do Estágio Supervisionado, onde foi possível comparar sondagens 
antes e depois da aplicação de jogos. Com essa vivência foi possível perceber 
como se faz importante o uso dos jogos e brincadeiras em sala de aula para se 
trabalhar na alfabetização, pois o aluno participa e se mostra interessado, se 
apropria daquilo que aprendeu e faz com que a sala de aula se torne um 
ambiente acolhedor e assim ele se desenvolva integralmente. 
 
 
 
 
 
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