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4-ASPECTOS CONSTRUTIVOS DE
LINHAS DE TRANSMISSÃO
4.1 Componentes de Linhas de
Transmissão
4.1.1 Cabos Condutores
Os condutores constituem os elementos
ativos propriamente ditos da LT. É por meio
deles que se realiza o processo de
transmissão de energia elétrica. Esses
devem possuir características especiais para
se obter um bom desempenho com custo
adequado, como:
 Alta condutividade elétrica, baixa perda por
efeito Joule.
 Boa resistência mecânica e baixo peso
específico.
 Alta resistência à oxidação e à corrosão por
agentes químicos poluentes.
 Baixo custo do investimento e de manutenção.
Cobre e Alumínio
 Atualmente o alumínio é o mais usado, por ser
mais leve e mais barato que o cobre, desde
1908 com a invenção do cabo de alumínio
com alma de aço.
 As normas NBR 5.369/1971 e NBR 7.270/1998
especificam os cabos de alumínio (CA) e os
cabos de alumínio com alma de aço (CAA)
para fins elétricos, com referência comercial no
Brasil igual à adotada na codificação
canadense, que identifica a seção e formação
do condutor.
 A utilização de condutores múltiplos teve início
em 1950 na Suécia e em seguida em outros
países.
 A aplicação de condutores múltiplos ou feixe de
condutores por fase nas LT é feito para a redução
do gradiente de potencial nas superfícies dos
condutores. É comum dois ou quatro cabos
por feixe de condutores por fase (FUCHS,
1977).
 No Brasil, os cabos ACSR (Aluminum Conductor
Steel Reinforced) são os mais frequentemente
usados nas linhas de transmissão. São também
chamados de CAA (alumínio com alma de aço),
tendo o núcleo feito de aço galvanizado e uma
camada externa de alumínio.
 Diferentes combinações de aço e alumínio
proporcionam uma melhor resistência do cabo
contra cargas de ruptura, não prejudicando a
sua ampacidade.
Classificações usuais para os cabos em
linhas de transmissão*
 AAC (all aluminium conductor):
Composto por vários condutores de alumínio encordoados.
 AAAC (all aluminium alloy conductor):
Composto por ligas de alumínio de alta resistência. Tem a
menor relação peso-carga de ruptura e as menores flechas
(i.e., o arco que forma pelo desnível entre os pontos de fixação
dos cabos), porém é o cabo que apresenta a maior
resistência elétrica entre os quatro tipos aqui citados.
*(PINTO, 2014):
 ACSR (aluminium conductor steel-reinforced): composto por
camadas concêntricas de condutores de alumínio sobre uma
alma de aço, podendo ter um condutor ou diversos. A alma de
aço procura dar maior resistência mecânica ao cabo.
 ACAR (aluminium conductor, aluminium alloy reinforced):
composição idêntica à dos cabos ACSR, fazendo uso, porém,
da alma com condutores de alumínio de alta resistência (em
vez da alma com cabos de aço), tendo como consequência
uma relação peso carga de ruptura um pouco maior do que a
do cabo ACSR.
Long exposure photograph of corona discharge on an
insulator string of a 500 kV overhead power line. Corona
discharges represent a significant power loss for electric
utilities.
O efeito Corona ocorre quando um
forte campo elétrico associado com
um condutor de alta tensão ioniza o
ar próximo ao condutor. O ar
ionizado pode se tornar azul e se
tornar audível em forma de
"estalos". O efeito Corona também
libera partículas de O2 e produz
oxigênio tri atômico - O3, ozônio -
um gás corrosivo que destrói
equipamentos de linhas de potência
e coloca em perigo a saúde
humana.
Para evitar a ocorrência do efeito corona, em linhas de EAT
são normalmente utilizados mais de um condutor por fase,
para reduzir as linhas de fluxo do campo elétrico.
4.1.2 Isoladores e Ferragens
Geralmente, os isoladores precisam ter as
seguintes características:
(a) Alta rigidez mecânica, a fim de resistir à carga
do condutor e ao vento.
(b) Alta resistência elétrica, a fim de evitar
correntes de fuga para o solo.
(c) Alta permissividade relativa, para que a rigidez
dielétrica também seja alta.
(d) Não porosidade e livre de rachaduras.
O material mais comumente usado para os
isoladores de linhas de transmissão aéreas
é a porcelana.
Outros materiais, como vidro ou esteatite,
também são utilizados. A porcelana é
mecanicamente mais forte do que o vidro e
oferece menos problemas de fuga de
corrente, sendo ainda menos afetada pelas
mudanças de temperatura.
Há diversos tipos de isoladores, como os rígidos
(pino, bastão, roldana, pilar) e os de campânula
simples. Basicamente, existem três tipos:
(a) De pino (porcelana ou vidro): geralmente,
destinados às redes de distribuição de até 34,5
kV.
(b) De disco (porcelana ou vidro): usados em
linhas de alta e extra-alta-tensão (EAT).
(c) Rígidos (fibra de vidro, resina epóxi e vários
materiais): usados em linhas compactas.
As ferragens são compostas dos seguintes
dispositivos:
• Grampo de suspensão: é responsável por
conectar os cabos condutores aos isoladores e
evita o esmagamento dos fios que constituem
o cabo condutor.
• Anel anticorona: é responsável por distribuir o
potencial elétrico que se concentra nas arestas
ou ângulos das ferragens, sendo esse elemento
tipicamente instalado na lateral do grampo de
suspensão.
• Espaçador: é responsável por impedir que
diferentes condutores se toquem devido à ação
dos ventos, por exemplo.
• Amortecedor de vibração: é responsável por
reduzir a amplitude das vibrações, sendo
dispositivos instalados a cada 50 ou 60 m.
4.1.3 Torres (estruturas)
Nas linhas trifásicas empregam-se
fundamentalmente três disposições de condutores
nas estruturas:
• Disposição triangular: os condutores estão
dispostos segundo os vértices de um triângulo.
• Disposição vertical: os condutores são dispostos
no plano vertical, muito usado em circuito duplo
na LT área urbana.
• Disposição horizontal: os condutores são fixados
no plano horizontal.
Sua principal vantagem reside em permitir
estruturas de menor altura para um mesmo vão
ou distância entre estruturas da LT.
Torres de transmissão com disposição dos condutores (a) triangular, (b)
vertical e (c) horizontal, sendo (a) e (c) de circuito simples e (b) duplo
No Brasil, a norma ABNT NBR 5.422/85 estabelece as diretrizes
para se determinar as faixas de servidão, sendo que essa faixa é
maior quanto maiores forem os níveis de tensão da rede.
Faixa de servidão (ou de segurança) no Brasil para torres de 500, 230 e 138 kV
4.1.4 Cabos para-raios
Esses elementos das LTs são responsáveis por
interceptar as descargas atmosféricas e conduzi-
las para o solo, evitando, assim, prejuízos na
operação do sistema.
Os cabos para-raios são comumente aterrados de
duas formas:
(a) rigidamente aterrados e;
(b) por meio de isoladores de baixa rigidez
dielétrica (FUCHS, 1977).
 Em (a), os cabos são eletricamente conectados
ao solo diretamente por meio das estruturas
das torres metálicas, enquanto em (b), os
cabos ficam eletricamente isolados do solo até
que um determinado valor de tensão (em kV)
atinja esse isolador ionizando os átomos que
compõem esse elemento e fazendo com que
ele deixe de ser isolante.
Por fim, ressalta-se que nos cabos para-raios são
instaladas “bolas laranjas” denominadas de
sinalizadores ou esferas de sinalização, aquelas
que vemos nas LTs sempre que estamos viajando,
e sua função é aumentar a segurança contra
acidentes de aeronaves com a rede elétrica.

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