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PANORAMA BÍBLICO
GÊNESIS
Titulo
Na bíblia hebraica, segundo o método hebreu de nomear os livros com as primeiras palavras do livro, deram-lhe o nome de “Berê’shît” devido à primeira frase, “No princípio”. [1] A Septuaginta (LXX), antiga tradução grega do AT, intitulou esse primeiro livro de Gênesis, seguindo o método de nomear os livros a partir do conteúdo dos mesmos. Gênesis significa “origens”.
Tema
Gênesis, como o “livro dos princípios”, tem como base temática apresentar a origens de todas as coisas, mostrando o Deus Soberano e Criador que conduziu a história de sua criação. Vale ressaltar que os hebreus, recém-libertos, precisavam entender de onde eles vieram, sua origem, de que forma estavam ligados a Deus, isto é, por meio de Sua aliança com os antepassados dos israelitas. Podemos dizer, também, que o livro está estruturado sobre a temática: “A obra de Deus na criação e a origem e a origem da salvação” [2].
Podemos destacar, a partir da perspectiva temática, alguns pontos importantes a respeito do conteúdo do livro. São eles:
· A origem da criação;
· A origem da humanidade;
· A origem da família;
· A origem do pecado na criação;
· A origem das civilizações;
· A origem das alianças de Deus com o homem;
· A origem do povo semita;
· A origem dos patriarcas;
Autor, local e data em que foi escrito.
Apesar de não haver uma identificação do autor, Moisés, no livro de Gênesis, tanto o antigo como o novo testamento atribuem a autoria ao libertador israelita (Êx 17:14; Nm 33:2; Js 8:31; 1Rs 2:3; 2Rs 14:6; Ed 6:18; Ne 13:1; Dn 9:11,13. Ml 4:4; Mt 8:4; Mc 12:26; Lc 16:29; 24:27,44; Jo 5:46; 7:22; At 15:1; Rm 10:19; 1Co 9:9; 2Co 3:15). Além disso, a formação escolar de Moisés faz com que ele seja o candidato mais provável (At 7:22). [3] O livro de Gênesis, provavelmente, foi escrito durante a primeira parte da peregrinação de Israel pelo deserto, em Cades-Barneia, aproximadamente em 1443 a.C. [4] ou entre 1445 e 1405 a. C., isto é , antes de atravessar o Jordão e adentrar na terra prometida. [5]
Esfera de ação
O livro de Gênesis abrange o maior período de tempo narrado entre os livros da bíblia, abrangendo da criação até a morte de José, o ultimo patriarca de Israel, totalizando um período de aproximadamente 2369 anos, [6] baseado nas datações presentes no próprio texto, massorético, em hebraico.
Principais personagens
· Próprio Deus;
· Adão e Eva;
· Caim e Abel;
· Noé;
· Os Patriarcas e Matriarcas;
Cenário e contexto
O cenário histórico e geográfico para os eventos em Gênesis é claramente o crescente fértil, berço das civilizações humanas, que se estendia desde a Mesopotâmia até o Egito. Gênesis abrange três pontos geográficos distintos e sequenciais: (1) a Mesopotâmia (capítulos 1—11); (2) a Terra Prometida (capítulos 12—36); (3) e o Egito (capítulos 37—50). [7] A religião, ou o relacionamento pessoal com Deus, antes do dilúvio, era monoteísta, quase que na sua totalidade. Na época de Abraão, a idolatria tinha se alastrado tanto na Caldéia como no Egito.
Mapa do crescente fértil, ou antigo oriente próximo. Local dos acontecimentos do livro de Gênesis.
Objetivos
Neste livro, Deus revelou a si mesmo, assim como revelou aos filhos de Israel uma nova forma de ver o mundo, que contrastava — às vezes com bastante intensidade — com a dos povos vizinhos de Israel. [8] Deus, em Gênesis, revela as origens do universo, isto é, o início de toda a criação, bem como muitas das primeiras experiências humanas, tais como: o casamento, a família, a comunhão, a queda, o pecado, a redenção, o juízo e as nações. Em Gênesis é explicado às origens de Israel, de que modo eles vieram à existência como povo, as alianças que os ligam ao Deus que os libertou e a terra que seria dado a eles por herança. A estrutura literária de Gênesis é construída sobre a frase muitas vezes recorrente: “a história/genealogia de”, [9] Isto é sobre as genealogias. Genealogia significa: estudo, em exposição cronológica, que tem por objetivo estabelecer a origem de um indivíduo ou família.
Esboço genealógico de Gênesis (“Estas são as gerações”, Hebr. Eleh Toledot). [10]
	A Geração dos céus e da terra (2.4 – porém desde 1.1)
	A Geração de Terá (11.27)
	A Geração de Adão (5.1)
	A Geração de Ismael (25.12)
	A Geração de Noé (6.9)
	A Geração de Isaque (25.19)
	A Geração dos filhos de Noé (10.1)
	A Geração de Esaú (36.1,9)
	A Geração de Sem (11.10)
	A Geração de Jacó (37.2)
Desafios de interpretação
Compreender o livro de Gênesis não é uma tarefa fácil. É comum esbarramos em questões culturais, geográficas, linguísticas, históricas, que nos desestimulam a ler e extrair as importantes lições de fé que tanto os contextos individuais como a mensagem geral traz. O primeiro livro da bíblia irá nos apresentar fatos e acontecimentos que marcaram a história da criação, (A própria criação, a queda, o dilúvio, a dispersão das nações, etc.) ainda que não tenhamos provas externas dos acontecimentos citados, ficamos com o relato das Escrituras. Os costumes e a cultura descritos em Gênesis muitas vezes diferem, e muito, dos costumes atuais, e eles precisam ser explicados tendo como referencial o contexto geográfico local, ou seja, o contexto do antigo Oriente Próximo. Cada costume deve ser tratado, a princípio, de acordo com o contexto imediato da passagem, antes de se fazer qualquer tentativa de explicá-lo com base em costumes registrados em fontes extras bíblicas ou mesmo em outros lugares das Escrituras. 
Esboço
Em termos de conteúdo, Gênesis é composto de duas seções básicas: (1) História primitiva (Gn. 1—11) e (2) História patriarcal (Gn. 12—50). 
A história primitiva, ou pré-história bíblica registra quatro eventos principais:
	1. Criação (Gn. 1—2);
a) Narrativa de toda a criação (Gn. 1);
b) Narrativa da criação do homem (Gn. 2);
2. Queda e suas consequências (Gn. 3—5);
a) A entrada do pecado (Gn. 3);
b) As consequências do pecado e o primeiro homicídio (Gn. 4);
c) A genealogia de Adão (Gn. 5);
	3. Dilúvio (Gn. 6—9);
a) A causa do dilúvio (Gn. 6);
b) A vinda do dilúvio (Gn. 7);
c) A consequência do dilúvio (Gn. 8);
d) A aliança de Deus com Noé (Gn. 9);
4. Dispersão das nações (Gn. 10—11);
a) A genealogia de Noé e o inicio das nações (Gn. 10);
b) A rebelião em Babel, dispersão das nações e a genealogia de Sem (Gn. 11);
Quatro grandes homens se destacam na história patriarcal:
	a) Abraão (Gn. 12:1—25:8): 
a) A jornada rumo à Terra Prometida (Gn. 12:1-9);
b) A libertação dos israelitas do Egito (Gn. 12:10-20);
c) A divisão da terra (Gn. 13);
d) Vitória sobre reis (Gn. 14);
e) A ratificação da aliança (Gn. 15); 
f) A rejeição de Hagar e Ismael (Gn. 16);
g) A confirmação da aliança (Gn. 17);
h) A promessa do nascimento de Isaque (Gn. 18:1-15);
i) Sodoma e Gomorra (Gn. 18:16—19:38);
j) O encontro com os filisteus (Gn. 20);
k) O nascimento de Isaque (Gn. 21); 
l) Abraão e seu ato de fé com relação a Isaque (Gn. 22:1- 19);
m) A Descendência de Naor (Gn. 22:20 – 24);
n) O contexto histórico de Rebeca (Gn. 22:20-24);
o) A morte de Sara (Gn. 23);
p) O casamento de Isaque e Rebeca (Gn. 24);
q) Isaque, o único herdeiro (Gn. 25:1-6);
r) A morte de Abraão (Gn. 27:5-11);
s) A descendência de Ismael (Gn. 25: 12 – 18);
b) Isaque (Gn. 21:1—35:29):
a) Nascimento e casamento (Gn. 21 - 24);
b) Promessas de aliança para Isaque (Gn. 25 - 26);
c) Jacó (Gn. 25:19—50:14):
a) A competição entre Esaú e Jacó (Gn. 25:19-34);
b) A trapaça de Jacó para obter a bênção (Gn. 27:1-40); 
c) Jacó é abençoado em uma terra estranha (Gn. 27:41—32:32);
d) Jacó é enviado a Labão (Gn. 27:41—28:9);
	e) Um anjo em Betel (Gn. 28:10-22);
f) Desentendimentos com Labão (Gn. 29:1-30); 
g) Descendência prometida (29:31—30:24);
h) A saída de Harã (Gn. 30:25—31:55);
i) Anjos em Maanaim e Peniel (Gn. 32);
j) O encontro entre Esaú e Jacó e a reconciliação deles (Gn. 33:1- 17);
k) Acontecimentos e falecimentos de Siquém a Manre (Gn. 33:18 —35:29);
l) As gerações de Esaú (Gn. 36);
e) José (Gn. 37 – 50):
a) Os sonhos de José (Gn. 37:2-11);
b) José é vendido pelo seus irmãos (Gn. 37:12 – 36);
c) A história de Judá e Tamar (Gn. 38);
d) José na casa de Potifar, oficial de Faraó (Gn. 39);
e) José na prisão interpreta dois sonhos (Gn. 40);
f) José interpreta os sonhos de Faraó (Gn. 41: 1 - 36);
g) José é levantado governador sobre o Egito (Gn. 41: 37 – 52);
h) O cumprimento do sonho: Fome sobre a terra (Gn. 41: 53 – 57);
i) O reencontro com a família (Gn. 42-45);
j) Transição para o Êxodo: A jornada para o Egito (Gn. 46: 1 – 27);
k) O reencontro de José e Jacó (Gn. 46: 28 – 34);
l) A ocupação de Gósen (Gn. 47: 1 – 12);
m) José compra as terras do Egito para Faraó (Gn. 47: 13 – 30);
n) Os últimos dias de Jacó e a benção sobre os filhos de José (Gn. 48);
o) Bênçãos sobre as doze tribos (Gn. 49:1 — 28);
p) A morte e o sepultamento de Jacó em Canaã (Gn. 49:29—50:14);
q) A morte de José no Egito (Gn. 50:15-26);
Contribuições singulares
1. A SOBERANIA DE DEUS. A afirmação inicial da Bíblia apresenta Deus como o “Criador” soberano de todas as coisas. Nada revela sobre a sua origem ou passado; apenas surge da eternidade misteriosa para iniciar a sua obra de criação. Como Criador, é chamado de “Elohim” no capítulo 1, enfatizando a sua grandeza ou plenitude, bem como sugerindo a Trindade. [12] Sua soberania é a “pilastra central” do livro.
2. ÚNICO REGISTRO AUTÊNTICO DO INÍCIO. Apesar de terem sido achados vários documentos antigos com vagos relatos sobre a criação do homem, nenhum deles pode comparar-se, sequer remotamente, com o registro específico, simples e majestoso de Gênesis 1 -2. [13] Moisés inspirado por Deus trás um relato autêntico de grande importância para o homem, a saber: inicio da Criação, a formação do homem, o pecado e suas consequências, a formação das primeiras civilizações e povos, etc.
3. A ENTRADA DO PECADO NA CRIAÇÃO. Sem esse registro, seria difícil traçar a origem do pecado e de suas consequências. Deus, em Gênesis, vem nos mostrar claramente que Ele não criou o pecado ou o mal (Cf. Tg. 1. 13, 17; 1Jo. 1.5;). Ele surgiu de dentro do coração do primeiro casal, multiplicando-se exponencialmente até atingir toda a sociedade (Cf. Gn. 6. 5, 11-12) . A entrada do pecado na criação não veio por um mau ambiente, nem a serpente ou o fruto da árvore do bem e do mal. Essas não foram as CAUSAS, mas a OCASIÃO. A causa estava no uso egoísta da vontade humana de rejeitar a vontade soberana de Deus, desobedecendo-lhe. [14]
4. O PROTO-EVANGELHO APRESENTADO EM GÊNESIS. A entrada do pecado trouxe julgamento, mas trouxe também a promessa divina de redenção (Gn. 3.15). Ele prometeu que o “descendente” da mulher iria ferir a cabeça da serpente e a serpente iria ferir o seu calcanhar. [15] É uma descrição resumida do plano de redenção. Esta primeira promessa divina é o “João 3:16” do Antigo Testamento, exortando à fé demonstrada pelo derramamento do sangue animal. [16]
5. A ALIANÇA ABRAÂMICA. A aliança de Deus com Abraão constitui a maior e mais importante parte de Gênesis. Os 11 primeiros capítulos retratam o progresso do pecado, enquanto os últimos 39 revelam o livramento de Deus mediante a aliança. Essa promessa, também chamada de aliança abraâmica, é o fundamento de todo o futuro propósito divino para a humanidade. A vida de Abraão é uma história da dádiva da aliança. Numa série de seis encontros com o patriarca, “Yahweh” (Deus da aliança) estabeleceu a aliança (12:1-3); confirmou-a (12:7); ampliou-a (13:14-17); ratificou-a num ritual (15:8-18); simbolizou-a (17:10); e acrescentou o seu juramento (22:16-18). [17]
Cristologia em Gênesis
A entrada de Jesus na humanidade foi planejada antes do início do tempo e Gênesis segue rastreando as primeiras linhas do projeto de Deus para o nascimento de Jesus. Dos povos da terra, Deus selecionou Abraão para ser o pai de uma nação escolhida, [18] a qual continuou por meio de sua descendência até chegar em Jesus. Gênesis apresenta referencias, tipos, ainda que limitado, para aquele que cumprirá a promessa final. Essas referências cristológicas aparecem na forma de profecias ou de tipos velados. 
Profecias Específicas 
· O “descendente” da mulher no protótipo do evangelho (Gn. 3.15). Um Filho de Eva viria fatalmente ferir e ser temporariamente ferido pela “serpente” ou Satanás (Rm. 16.20).
· A “semente” de Abraão na aliança abraâmica (12:3). Um descendente de Abraão viria abençoar todas as nações com a oferta da justificação pela fé (Atos 3.25; Gálatas 3.7-9).
· Um “Leão” da tribo de Judá seria levantado como o Soberano do mundo (Gênesis 49.8— 10; Apocalipse 5.5). [19]
Tipos humanos de Jesus
· Adão tipificou Cristo como o cabeça da raça; um só dos seus atos afetou toda a raça humana. Como “em Adão” todos morreram, também “todos serão vivificados em Cristo” (Romanos 5.12; 1 Coríntios 15.21-22).
· Abel tipificou Cristo pelo seu “mais excelente sacrifício” de sangue (Gênesis 4.4; Hebreus 11.4). 
· Melquisedeque tipificou Cristo como o Sumo Sacerdote especialmente designado por Deus, sendo também um Sacerdote-Rei (Gênesis 14.18-20; Hebreus 7.1).
· Isaque tipificou Cristo como a longa esperada “semente”, na sua submissão no altar do sacrifício. Isaque é o filho da promessa, assim como Cristo era o filho de Davi, o messias esperado (Gênesis 21, 22, 24; cf. Isaías 7.14; 9.6-7; 11.1-5).
· José tipificou Cristo de muitas maneiras: resistindo ao mal, sendo traído pelos irmãos, e amado pelo pai, sofrendo pelos pecados de outros, tomando uma esposa gentia quando estava no exílio, e finalmente tornando-se soberano do mundo depois de redimir os seus irmãos (Atos 7.9-13). [20]
Tipos não humanos de Jesus
· A luz (Gn. 1. 3-5) – (Is. 9.2; Jo. 9.5; 12.35,46);
· A arca de Noé (Gn. 6 – 8) A ruína da humanidade veio pelo pecado, mas Deus preparou um escape. Quem entrasse na arca estaria salvo do juízo de Deus sobre o mundo. É nesse sentido que a arca tipifica Jesus, o único meio de salvação da perdição eterna.
· O cordeiro (Gn. 22. 8,13) – (Jo. 1.29, 36);
· A escada de Jacó (Gn. 28.10-17; cf. Jo. 1.51) A escada é um tipo de Jesus pelas seguintes relações: pela visão da escada Deus falava com o pecador fazendo-lhe promessas e bênçãos; por Jesus, Deus fala nestes últimos dias (Hb. 1.1) aos pecadores, dando-lhes oportunidades de encontrarem o perdão, a paz com Deus e a felicidade eterna. [21*]
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