Prévia do material em texto
SUMÁRIO 1 - ORIENTAÇÕES BÁSICAS PARA UM BOM DESEMPENHO NESTA DISCIPLINA! ................ 2 2 - TERMINOLOGIA: REGISTRADOR OU TABELIÃO DE PROTESTO? O QUE FAZ UM TABELIÃO DE PROTESTO? ......................................................................................................... 3 2.1 – MAS, AFINAL, O QUE SIGNIFICA “PROTESTAR”? .......................................................... 3 3 - ORIGEM HISTÓRICA DO PROTESTO ..................................................................................... 5 4 - CONCEITO LEGAL DE PROTESTO ........................................................................................ 6 5 - CONCEITO PROCEDIMENTAL DO PROTESTO ..................................................................... 6 6 – PROTESTO COMO ATO JURÍDICO EM SENTIDO ESTRITO ................................................. 7 7 - PRINCÍPIOS DO TABELIONATO DE PROTESTO ................................................................... 9 7.1 - PRINCÍPIOS DO PROTESTO COMO ESPÉCIE DE SERVIÇO PÚBLICO ....................... 10 7.2 - PRINCÍPIOS DO PROTESTO COMO ESPÉCIE DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E REGISTRAIS ............................................................................................................................ 10 7.2.1 – PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE .................................................................................. 10 7.2.2 – PRINCÍPIO DA AUTENTICIDADE ............................................................................. 11 7.2.3 – PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA .................................................................. 11 7.2.4 – PRINCÍPIO DA EFICÁCIA ......................................................................................... 12 7.3 – PRINCÍPIOS DO PROTESTO COMO PROCEDIMENTO ................................................ 12 7.3.1 – PRINCÍPIO DA ROGAÇÃO (OU PRINCÍPIO DA INSTÂNCIA) .................................. 12 7.3.2 – PRINCÍPIO DA CELERIDADE ................................................................................... 13 7.3.3 – PRINCÍPIO DA FORMALIDADE SIMPLIFICADA ....................................................... 14 7.4 – PRINCÍPIOS DO PROTESTO COMO ATO JURÍDICO .................................................... 14 7.4.1 – PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE ................................................................................. 14 7.4.2 – PRINCÍPIO DA INSUBSTITUTIVIDADE .................................................................... 14 7.4.3 – PRINCÍPIO DA UNITARIEDADE ............................................................................... 15 8 – CLASSIFICAÇÃO DO PROTESTO ........................................................................................ 18 8.1 – PROTESTO COMUM ....................................................................................................... 18 8.1.1 – PROTESTO FACULTATIVO ...................................................................................... 18 8.1.2 – PROTESTO NECESSÁRIO (OBRIGATÓRIO OU CONSERVATÓRIO) ..................... 18 8.2 – PROTESTO ESPECIAL ................................................................................................... 21 8.2.1 – PROTESTO ESPECIAL FALIMENTAR ...................................................................... 21 8.2.2 – PROTESTO ESPECIAL PARA COMPROVAÇÃO DE PERDA DE CRÉDITO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL .............................................................................. 22 9 - MOTIVOS DO PROTESTO ..................................................................................................... 24 9.1 - POR FALTA DE PAGAMENTO ......................................................................................... 24 9.2 – POR FALTA DE ACEITE .................................................................................................. 24 9.3 – POR FALTA DE DEVOLUÇÃO ........................................................................................ 24 9.4 – PROTESTO POR FALTA DE DATA DE ACEITE ............................................................. 24 10 – RELEVÂNCIA DA CLASSIFICAÇÃO DO PROTESTO PARA FINS DE REGISTRO ........... 24 11 – FUNÇÕES DO PROTESTO .................................................................................................. 24 11.1 – FUNÇÃO PROBATÓRIA ................................................................................................ 24 11.2 – FUNÇÃO DE INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO ......................................................... 24 11.3 – FUNÇÃO DE CONSTITUIÇÃO DO DEVEDOR EM MORA ............................................ 24 11.4 - FUNÇÃO DO PROTESTO COMO PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE DA AÇÃO DE EXECUÇÃO DE CONTRATO DE CÂMBIO ......................................................................... 24 11.5 – FUNÇÃO DE CARACTERIZAÇÃO DO ESTADO DE FALÊNCIA ................................... 24 11.6 – FUNÇÃO DE RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO ............................................................... 24 12 – OBJETO DO PROTESTO (O QUE PODE SER PROTESTADO) ......................................... 24 12.1 – PROTESTO DE “TÍTULOS” ............................................................................................ 24 12.2 – PROTESTO DE “OUTROS DOCUMENTOS DE DÍVIDA” .............................................. 24 13 – SITUAÇÕES ESPECÍFICAS DE TÍTULOS PROTESTÁVEIS .............................................. 24 13.1 – TÍTULOS EXECUTIVOS EXTRAJUDICIAIS ESTRANGEIROS ...................................... 24 13.2 – CONTRATOS PODEM SER PROTESTADOS? ............................................................. 24 13.3 – PROTESTO DE CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA - CDA .................................................. 24 13.4 – BOLETO BANCÁRIO É PROTESTÁVEL? ..................................................................... 24 13.5 – PROTESTO DE TÍTULOS ELETRÔNICOS E O PROTESTO POR INDICAÇÃO/EXTRATOS .......................................................................................................... 24 13.6 – PROTESTO DE TÍTULOS JUDICIAIS ............................................................................ 24 14 – COMPETÊNCIA TERRITORIAL PARA O PROTESTO ........................................................ 24 15 – QUALIFICAÇÃO NOTARIAL DOS TÍTULOS E DOCUMENTOS DE DÍVIDA ...................... 24 15.1 – ONDE ESTÃO PREVISTOS ESSES REQUISITOS FORMAIS? .................................... 24 15.2 – QUALIFICAÇÃO NOTARIAL E A ANÁLISE DA PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA .......... 24 15.3 – QUALIFICAÇÃO SOBRE OS VÍCIOS FORMAIS E O JUÍZO PRUDENCIAL DO TABELIÃO ................................................................................................................................. 24 16 – SUSCITAÇÃO DE DÚVIDA NO TABELIONATO DE PROTESTO ....................................... 24 17 – LIVROS E ARQUIVOS NO TABELIONATO DE PROTESTO .............................................. 24 17.1 – LIVRO PROTOCOLO ..................................................................................................... 24 17.2 – LIVRO DE REGISTRO DE PROTESTO ......................................................................... 24 17.3 – ÍNDICES ......................................................................................................................... 24 17.4 – ARQUIVOS DE DOCUMENTOS .................................................................................... 24 17.5 – PRAZO DE CONSERVAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS NO TABELIONATO DE PROTESTO .............................................................................................................................. 24 18 – ATENDIMENTO AO PÚBLICO (ORDEM DE SERVIÇO) ..................................................... 24 18.1 – APRESENTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DOS TÍTULOS/DOCUMENTO DE DÍVIDA ......... 24 19 – INTIMAÇÃO NO TABELIONATO DE PROTESTO ...............................................................24 19.1 – INTIMAÇÃO CONVENCIONAL REAL ............................................................................ 24 19.2 – INTIMAÇÃO FICTA POR EDITAL .................................................................................. 24 19.3 – INTIMAÇÃO ELETRÔNICA ............................................................................................ 24 20 – PRAZO PARA PAGAMENTO NO TABELIONATO .............................................................. 24 21 – REGISTRO DO PROTESTO ................................................................................................ 24 22 – DESISTÊNCIA DO PROTESTO PELO APRESENTANTE (OU “RETIRADA”) ................... 24 23 – ORDEM JUDICIAL DE SUSTAÇÃO DO PROTESTO/ORDEM DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DO PROTESTO ............................................................................................................ 24 24 – PROPOSTA DE SOLUÇÃO NEGOCIAL PRÉVIA AO PROTESTO ..................................... 24 24.1 – REQUERIMENTO DE SOLUÇÃO NEGOCIAL PRÉVIA AO PROTESTO ....................... 24 24.2 - PROCEDIMENTO ADOTADO QUANDO A MEDIDA DE SOLUÇÃO NEGOCIAL PRÉVIA AO PROTESTO NÃO FOR EXITOSA ....................................................................................... 24 24.3 – PROCEDIMENTO ADOTADO QUANDO A MEDIDA DE SOLUÇÃO NEGOCIAL PRÉVIA AO PROTESTO FOR EXITOSA ................................................................................................ 24 25 – PROPOSTA PARA RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS JÁ PROTESTADAS .......................... 24 26 – AVERBAÇÕES RETIFICATIVAS DE ERROS MATERIAIS NO PROTESTO ....................... 24 27 – AVERBAÇÃO DE CANCELAMENTO DO PROTESTO ....................................................... 24 27.1 – LEGITIMIDADE E ÔNUS PARA REQUERER O CANCELAMENTO DO PROTESTO ... 24 27.2 – CANCELAMENTO DO PROTESTO PELA VIA ADMINISTRATIVA E PELA VIA JUDICIAL .................................................................................................................................................. 24 28 – CERTIDÕES E INFORMAÇÕES .......................................................................................... 24 28.1 – CERTIDÕES EM FORMA DE RELAÇÃO ................................................................... 24 29 – PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS E A PUBLICIDADE NO TABELIONATO DE PROTESTO .................................................................................................................................. 24 30 – CENTRAL NACIONAL DE SERVIÇOS ELETRÔNICOS COMPARTILHADOS – CENPROT ..................................................................................................................................................... 24 31 – EMOLUMENTOS DO TABELIÃO DE PROTESTO .............................................................. 24 31.1 – DEPÓSITO PRÉVIO E O DEPÓSITO POSTERGADO DOS EMOLUMENTOS ............. 24 32 – MEDIAS DE PREVENÇÃO À LAVAGEM DE DINHEIRO E AO FINANCIAMENTO DO TERRORISMO E PROLIFERAÇÃO DE ARMAS DE DESTRUIÇÃO EM MASSA (PLD/FTP) NO ÂMBITO DO TABELIONATO DE PROTESTO ............................................................................ 24 33 – RESPONSABILIDADE CIVIL DO TABELIÃO DE PROTESTO ............................................ 24 2 1 - ORIENTAÇÕES BÁSICAS PARA UM BOM DESEMPENHO NESTA DISCIPLINA! A maioria das questões de 1ª fase sobre Tabelionato de Protestos exige apenas o conhecimento literal da legislação. Diante disso, tenho duas informações relevantes. A primeira é que o principal diploma normativo sobre protesto é a Lei nº 9.492/97, que é de leitura rápida (tem apenas 41 artigos) e é muito cobrada em provas de concurso de Cartórios. Então, há um custo-benefício muito alto em decorá-la. A segunda informação é que as bancas costumam exigir um nível de memorização muito alto, mudando apenas alguns detalhes da norma na redação das alternativas. Isso dificulta a identificação da alternativa correta. Por isso, repito, é necessário DECORAR a Lei nº 9.492/97. Além disso, é essencial LER e REVISAR os demais diplomas normativos que tratam sobre Tabelionato de Protesto, a saber: 1 » art. 236 da CF/88; 2 » arts. 5º e 11 da Lei nº 8.935/94 (Lei dos Notários e Registradores); 3 » Provimento 149/2023 do CNJ (CNN/CN/CNJ-Extra); 4 » Código de Normas Estadual para o qual é prestado o concurso. Complementando, para garantir um bom desempenho nessa disciplina, também é preciso: 1 » estudar jurisprudência do STJ e STF; 2 » ter noções gerais de doutrina sobre Tabelionato de Protesto. O presente resumo, embora não esgote a disciplina, cumpre satisfatoriamente essa finalidade. Por fim, é preciso treinar bastante por meio de resolução de questões, com o fim de possibilitar uma autoavaliação constante e, assim, a readequação e reforço dos estudos nos pontos necessários para melhor desempenho. Caso o candidato esteja na véspera da prova de 1ª fase e sem tempo disponível para estudar tudo que acima foi sugerido, recomendo, pelo menos, a leitura da Lei nº 9.492/97. 3 2 - TERMINOLOGIA: REGISTRADOR OU TABELIÃO DE PROTESTO? O QUE FAZ UM TABELIÃO DE PROTESTO? Inicialmente, é importante compreender e utilizar a terminologia adequada para cada especialidade das serventias extrajudiciais. Os serviços concernentes ao protesto são espécie do gênero Serviços Notariais e Registrais, cujo fim é garantir os princípios da autenticidade, publicidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos (art. 2º da Lei nº 9.492/97 e art. 1º da Lei 8.935/94). No caso do Tabelião de Protesto, a legislação o denomina como o profissional que exerce a atividade pública de lavrar e registrar o protesto, ou seja, é um profissional do direito que formaliza o instrumento do protesto e o registra no Livro de Protesto. Enfim, a denominação Tabelião de Protesto decorre de uma opção legislativa. Por isso, o correto é Tabelião de Protesto, e não Registrador. 2.1 – MAS, AFINAL, O QUE SIGNIFICA “PROTESTAR”? Protestar significa manifestar descontentamento com algo, reclamar ou se insurgir sobre alguma coisa. Juridicamente, é nesse sentido que pode ser visto o Protesto de título ou documento de dívida. É tornar pública e acessível à sociedade uma situação de descumprimento de uma obrigação. E como é que se torna pública essa informação de descumprimento da obrigação? Por meio de emissão de certidões de protestos registrados (e não cancelados) pelo Tabelião em favor de qualquer pessoa que solicitar tal serviço. Portanto, quem exerce serviço público de Protesto é o Tabelião de Protesto, que é uma pessoa física que presta esse serviço delegado pelo do Poder Público, após aprovação em concurso público, cuja atividade é fiscalizada pelo Poder Judiciário, na forma do art. 236 da CF/88. Portanto, por ora, pode-se dizer que a essência do serviço de protesto é publicizar, por meio do instrumento de protesto, o descumprimento ou a inadimplência de uma obrigação cambial (em geral, em títulos de créditos) ou de uma obrigação constante de um documento de dívida, desde que a obrigação seja certa, líquida e exigível. O conhecimento desse tópico inicial desse resumo é muito básico, mas é cobrado em provas de concurso. 4 COMO ESSE ASSUNTO É COBRADO EM PROVAS? (Crescer Concursos – 2016; CRP 21º Região – PI) Para protocolar documentos de dívidas para cumprimento da obrigação devemos ir a um: A » Cartório de registro de imóvel. B » Cartório de registro civil. C » Tabelionato de protestos. D » Tabelionato de notas. E » Juizado especial. Resposta: Alternativa “C”. (IESES – 2019, TJ-SC, Titular de Serviços de Notas e de Registros) “Protocolizado o título ou documento de dívida, o _________ expedirá a intimação ao devedor, no endereço fornecido pelo apresentante do título ou documento, considerando-se cumprida quando comprovada a sua entrega no mesmo endereço. Aremessa da intimação poderá ser feita por portador do próprio tabelião, ou por qualquer outro meio, desde que o recebimento fique assegurado e comprovado através de protocolo, aviso de recepção (AR) ou documento equivalente. A intimação deverá conter ______ e ________, elementos de identificação do título ou documento de dívida, e prazo limite para cumprimento da obrigação no Tabelionato, bem como número do protocolo e valor a ser pago. A intimação será feita por _______se a pessoa indicada para aceitar ou pagar for desconhecida, sua localização incerta ou ignorada, for residente ou domiciliada fora da competência territorial do Tabelionato, ou, ainda, ninguém se dispuser a receber a intimação no endereço fornecido pelo apresentante. O edital será afixado no ____________ e publicado pela imprensa local onde houver jornal de circulação diária.” Sobre o procedimento de intimação no protesto de títulos marque a alternativa que completa correta e sequencialmente os espaços do enunciado, conforme o texto legal. A » Tabelião de Protesto; nome; endereço do devedor; edital; Registrador de Imóveis. B » Registrador de Imóveis; nome; endereço do devedor; anuncio de rádio; Tabelionato de Protesto. C » Tabelião de Protesto; nome; endereço do devedor; edital; Tabelionato de Protesto. D » Tabelião de Protesto; nome; estado civil; edital; Registrador de Imóveis. 5 Resposta: Alternativa “C”. Comentários: Apenas com o conhecimento da denominação correta da especialidade Tabelionato de Protesto, o candidato, por eliminação das demais alternativas, consegue resolver essa questão. 3 - ORIGEM HISTÓRICA DO PROTESTO Para uma parte da doutrina, o Protesto surgiu no Norte da Itália, no final da Idade Média, visando a proteção da circulação do crédito. Em termos gerais, diz-se que o Protesto surgiu em função do desenvolvimento dos títulos de créditos, os quais, por sua vez, tiveram seu avanço determinado pelo florescimento do comércio a partir do final da Idade Média. Em um primeiro momento, o protesto visava suprir apenas a falta de aceite na letra de câmbio. Mas, em razão da eficácia do protesto para publicizar a falta de aceite da letra de câmbio, aos poucos, tal instrumento passou a ser utilizado também para tornar público o inadimplemento da obrigação cambiária principal (pagamento da obrigação representada no título). A relevância disso reside no fato de que, ainda hoje, o Protesto tem forte influência normativa e jurisprudencial vinculada ao estudo do Direito Cambiário, exigindo um conhecimento robusto do candidato sobre títulos de crédito. De todo modo, atualmente, mesmo havendo forte conexão jurídica entre o Protesto e o Direito Cambiário, a disciplina ora estudada ganhou autonomia daquele e, hoje, é possível o protesto não apenas dos títulos de créditos, mas sim de uma infinidade de outros documentos de dívida, desde que observados requisitos legais caracterizados de uma obrigação pecuniária certa, líquida e exigível. Nesse sentido, eis os ensinamentos de Martha El Debs: “O protesto é, assim, um capítulo na história dos títulos de crédito, especialmente da letra de câmbio. Com o desenvolvimento das relações comerciais, no final da Idade Média, havia necessidade de um mecanismo que conferisse segurança às relações dinâmicas. O protesto foi criado para solucionar os problemas decorrentes da utilização da letra de câmbio. Em um primeiro momento, o protesto tinha por finalidade apenas estabelecer a taxa de juros na data do inadimplemento. Posteriormente foi empregado para caracterizar a falta de aceite, e por fim, utilizado para evidenciar a falta de pagamento. O protesto chega, aos nos dias de hoje com um remédio ao inadimplemento, para sanear os conflitos de crédito presentes e prevenir negócios futuros. É um meio simples, célere 6 e eficaz de satisfação de títulos e documentos de dívida, que não foram honrados em seu vencimento.”1 Quadro Resumo Histórico do Protesto » surgiu no Norte da Itália, no final da Idade Média. 1º momento Finalidade de publicizar a falta de aceite na letra de câmbio. 2º momento Utilizado também para tornar público o inadimplemento da obrigação cambiária principal. 3º momento Hoje, ganhou autonomia do Direito Cambiário. É possível o protesto não apenas dos títulos de créditos, mas sim de uma infinidade de outros documentos de dívida. 4 - CONCEITO LEGAL DE PROTESTO O Protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida (art. 1º, Lei nº 9.492/97). A partir do conceito legal, percebe-se a natureza jurídica do protesto como um ato jurídico, a partir do qual se extrai uma função probatória de demonstrar a inadimplência ou descumprimento de obrigações pelo devedor. Além disso, é assente a função econômica de recuperação do crédito, pois o mercado, a partir do protesto, tende a compelir o devedor a cumprir a obrigação, uma vez que o protesto acaba por abalar a reputação creditícia do devedor. 5 - CONCEITO PROCEDIMENTAL DO PROTESTO O protesto também pode ser visto e estudado como um procedimento, pois pressupõe uma série de atos que se iniciam com a apresentação do título ou documento de dívida na serventia, 1 El Debs, Martha. Legislação Notarial e de Registros Públicos comentada Artigo por Artigo. Editora Juspodivm, 6º Edição/2023. p. 1.307. 7 seguida pela protocolização do título no Livro Protocolo, qualificação notarial pelo Tabelião, intimação do devedor, podendo a atividade ser encerrada com a lavratura e registro do protesto. O art. 3º da Lei nº 9.492/97 evidencia esse caráter procedimental do protesto e nos dá uma visão global dos atos de competência do Tabelião de Protesto: Art. 3º Compete privativamente ao Tabelião de Protesto de Títulos, na tutela dos interesses públicos e privados, a protocolização, a intimação, o acolhimento da devolução ou do aceite, o recebimento do pagamento, do título e de outros documentos de dívida, bem como lavrar e registrar o protesto ou acatar a desistência do credor em relação ao mesmo, proceder às averbações, prestar informações e fornecer certidões relativas a todos os atos praticados, na forma desta Lei. No mesmo sentido, o art. 11 da Lei nº 8.935/94, contém um panorama da atividade, afirmando ser de competência privativa dos tabeliães de protesto: 1 » protocolar de imediato os documentos de dívida 2 » intimar os devedores dos títulos para aceitá-los, devolvê-los ou pagá-los, sob pena de protesto; 3 » receber o pagamento dos títulos protocolizados, dando quitação; 4 » lavrar o protesto, registrando o ato em livro próprio, 5 » acatar o pedido de desistência do protesto 6 » averbar: a) cancelamento do protesto; b) atualização dos registros; 7 » expedir certidões de atos e documentos que constem de seus registros. Por fim, cabe mencionar o destaque dado pela doutrina ao Protesto como sendo um ato misto, pois a um só tempo é LAVRADO (ato notarial) e REGISTRADO (ato registral) (art. 20 da Lei nº 9.492/97). 6 – PROTESTO COMO ATO JURÍDICO EM SENTIDO ESTRITO Sem prejuízo do entendimento do protesto como um procedimento, a doutrina também o considera como um ato jurídico, público, extrajudicial e formal. É um ato jurídico em sentido estrito, pois depende de requerimento do credor/apresentante do título, e dele são geradas consequências jurídicas previstas em lei, independentemente da vontade das partes envolvidas. 8 Verticalizando! Quando se diz que o protesto é ATO JURÍDICO, deve ser lembrada a classificação dos Fatos Jurídicos do Direito Civil, que é de extrema importância para o Direito Notarial e Registral. Segue um resumo da classificação dos Fatos Jurídicos. Fato Material » Acontecimento (humano ou natural) que não produz consequências jurídicas. Fato Jurídico » Acontecimentonatural ou humano que produz consequências jurídicas: cria, modifica, extingue ou conserva direitos e deveres. » Fato Jurídico Natural: acontecimento involuntário (sem vontade humana), que produz efeitos jurídicos. Ex: prescrição e decadência (decurso do tempo). Subdivide-se em: 1) Ordinários: fatos previsíveis, como a morte; 2) Extraordinários: casos fortuitos, são inesperados, ex: os terremotos. » Ato Jurídico em sentido estrito: decorre da vontade humana e caracterizado pela licitude, cujos efeitos são previstos na norma jurídica, mas não podem ser modificados pelas partes. Ex: Protesto; Reconhecimento voluntário do filho (perfilhação), perdão, confissão etc.. » Negócio Jurídico: decorre da vontade humana (elemento volitivo) e cujos efeitos (obrigações) são estabelecidos pelas partes envolvidas. Ato ilícito: Comportamento humano que viola o ordenamento jurídico e, por isso, tem repercussão jurídica. Parte da Doutrina considera o ato ilícito não ser espécie de Ato Jurídico (Stolze, Tartuce, Zeno Veloso). Ato-Fato Jurídico: No ato, embora decorrente de uma ação humana, não há um elemento volitivo válido voltado para o resultado da ação. Exemplos dados pela doutrina: achado de coisa perdida, compra de um doce por uma criança. Verticalizando! O Professor Vitor Kümpel, ao tratar sobre a natureza jurídica do protesto, esclarece que este é “um ato público, pois não obstante o exercício de atividade se dê em caráter privado, a função realizada pelos notários e tabeliães é essencialmente pública, estendendo esta natureza ao ato do protesto. Ainda, o protesto tem a natureza de ato jurídico em sentido estrito, tendo em vista que gera consequências jurídicas previstas em lei, independentemente da vontade das partes, inexistindo qualquer regulação da autonomia privada. O protesto é um ato notarial-registral: 9 I) em primeiro lugar, porque confecciona um título hábil a informar que o devedor está em mora, gerando vários consectários, entre os quais o de dar condição de procedibilidade ou, na visão de alguns, condição de ação na modalidade necessidade para propositura de demanda indenizatória ou de obrigação de dar. II) em segundo lugar, confere o título em que se funda o modo (registro), na medida em que há um assentamento que, por si só, confere publicidade, gerando eficácia erga omnes, nas hipóteses em que a lei ou a apresentação do mesmo autorizam”2. Quadro Resumo Conceito Legal de Protesto Protesto » ato formal e solene. Função probatória de demonstrar a inadimplência ou descumprimento de obrigações pelo devedor. Função econômica de recuperação do crédito. Protesto como Procedimento Protesto é um procedimento, que se inicia com a apresentação do título ou documento de dívida na serventia e, em geral, é finalizado com a lavratura e registro do protesto. Protesto como Ato Jurídico É ato jurídico em sentido estrito, pois decorre da vontade humada, mas suas consequências são determinadas pela lei, independentemente do querer das partes (credor ou devedor). É ato notarial – registral, tendo natureza mista, pois é lavrado (aspecto notarial) e é registrado no Livro de Protesto (aspecto registral) pelo Tabelião de Protesto. 7 - PRINCÍPIOS DO TABELIONATO DE PROTESTO Os princípios do Tabelionato de Protestos podem ser estudados, para fins didáticos, sob 04 aspectos. São eles: 2 KÜMPEL, Vitor Frederico (em Coautoria), Direito Notarial e Registral em Síntese. 1ª Edição/2023, p. 384. 10 a) Protesto como sendo espécie de Serviço Público; b) Protesto como espécie dos Serviços Notariais e Registrais; c) Protesto com um Procedimento e; d) Protesto como Ato Jurídico. 7.1 - PRINCÍPIOS DO PROTESTO COMO ESPÉCIE DE SERVIÇO PÚBLICO A atividade notarial e registral é vista como um serviço público, ainda que prestado por particular. Nesse contexto, a doutrina cita que os princípios próprios da Administração Pública, previstos no caput do art. 37 da CF/88 também norteiam o protesto (e a atividade notarial e registral como um todo), que são: legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência. (Mnemônico: LIMPE) Em razão da proposta deste material, é interessante o aprofundamento desses princípios na disciplina de Direito Administrativo. 7.2 - PRINCÍPIOS DO PROTESTO COMO ESPÉCIE DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E REGISTRAIS Sob este aspecto, são aplicados ao Protesto os princípios gerias que norteiam a atividade notarial e registral como um todo. Tais princípios estão previstos no art. 1º da Lei nº 8.935/94, que diz: “Art. 1º Serviços notariais e de registro são os de organização técnica e administrativa destinados a garantir a Publicidade, Autenticidade, Segurança e Eficácia dos atos jurídicos.” Portanto, são os princípios da publicidade, autenticidade, segurança jurídica e eficácia dos atos jurídicos. Para fins de memorização, costuma-se utilizar o mnemônico “PASE”. 7.2.1 – PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE Por esse princípio, tornam-se disponíveis, por meio da emissão de certidões e informações, as informações constantes no livro de protesto, garantindo cognoscibilidade aos terceiros interessados. Em matéria de protesto, a publicidade estabelece a presunção relativa de que o título apresentado não foi satisfeito, estando em mora o devedor.3 3 KÜMPEL, Vitor Frederico (em Coautoria), Direito Notarial e Registral em Síntese. 1ª Edição/2023, p. 392. 11 É preciso ressaltar que o princípio da publicidade somente tem amparo para os protestos lavrados, registrados e não cancelados. A publicidade também não é ampla quanto aos títulos apenas protocolados, pois somente é possível a emissão de certidão caso haja requerimento do próprio apresentante ou por ordem judicial. 7.2.2 – PRINCÍPIO DA AUTENTICIDADE Também é um princípio aplicável à atividade notarial e registral, e não apenas ao Protesto. Trata-se de um princípio que encerra uma presunção relativa (juris tantum) de veracidade e de legitimidade dos atos praticados pelo tabelião. Essa presunção decorre da fé pública que goza o tabelião de protesto, o qual exerce a qualificação do título, na condição de profissional do direito, prestador de um serviço público delegado pelo Estado. Mas, conforme alerta Vitor Kümpel, essa “presunção de veracidade não confere autenticidade substancial ao negócio subjacente, na medida em que a análise do tabelião de protestos só alcança o aspecto formal e procedimental dos títulos. Aliás, o título apresentado já deve ser revestido dessas qualidades, para fins da lavratura do ato”4. 7.2.3 – PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA É o princípio alicerce de toda a atividade notarial e registral, é o fim último dessa atividade. Segundo ensina a Professora Virgínia Arrais, o que se “vende” na atividade notarial e registral (em todas as suas especialidades) é a segurança jurídica para a sociedade, que é paga por meio dos emolumentos. De fato, pela segurança jurídica, a atividade do tabelião de protesto contribui para a estabilidade e pacificação das relações sociais, com o fortalecimento da economia, pois o mercado atua de forma intensa onde há segurança jurídica, contribuindo para a baixa juros e para a proteção ao crédito. Nesse sentido, explica o Professor Thiago Martins de Oliveira, ao tratar do princípio da segurança jurídica no âmbito do Tabelionato de Protesto: “É o objetivo precípuo da atividade garantir segurança jurídica de forma eficiente, mediante a qualificação jurídica dos atos e fatos submetidos ao notário ou ao registrador, nos termos da lei e em suas causas e efeitos. Diferente não é no tabelionato de protesto, onde o Tabelião qualificará os títulos 4 KÜMPEL, Vitor Frederico (em Coautoria), Direito Notarial e Registral em Síntese. 1ª Edição/2023, p. 391. 12 e documentos que lhe são submetidos a protesto de acordo com a lei e normas administrativas editadas pelo Poderjudiciário, assegurando não só a existência escorreita da obrigação que se pretende protestar, mas também a higidez do procedimento de protesto, a evitar que ele seja utilizado de forma indevida por pessoas mal-intencionadas e em prejuízo de supostos devedores.”5 7.2.4 – PRINCÍPIO DA EFICÁCIA Também é um princípio aplicável a todas as especialidades de serviços notariais e registrais. No âmbito do protesto, este princípio está relacionado com a publicidade. O princípio da eficácia informa que, uma vez protestado o título, este produz efeitos erga omnes, ou seja, gera consequências jurídicas perante terceiros e não apenas entre as partes. De fato, sendo o protesto um ato jurídico em sentido estrito, os seus efeitos alcançam terceiros independentemente da vontade do credor e do devedor. 7.3 – PRINCÍPIOS DO PROTESTO COMO PROCEDIMENTO São os princípios que norteiam a qualificação do Tabelião e a ordem de seu serviço, tendo como função isentar o protesto de vícios e garantir a tecnicidade do ato notarial. Tem-se com exemplos: os Princípios da Rogação, Celeridade e Formalidade Simplificada. 7.3.1 – PRINCÍPIO DA ROGAÇÃO (OU PRINCÍPIO DA INSTÂNCIA) Os serviços e atos da atividade (iniciativa do protesto ou iniciativa de averbação), necessitam de provocação da parte interessada. Exceção a esse princípio é a possibilidade de impulso oficial, quando previsto em lei. Ex: Possibilidade de averbação de retificação de erros materiais, que pode ser efetuada de ofício ou a requerimento do interessado (Obs.: averbação de retificação não depende de homologação judicial). Verticalizando! Em consequência do princípio da rogação, entende-se que o Tabelião não pode protestar senão nos limites definidos no requerimento. 5 OLIVEIRA, Thiago Martins de. Curso de Direito Notarial e Registral para concursos/Tabelionato de Protesto. Editora Chave Mestra; Edição 1ª, p. 21. 13 Isso é que o que se tem chamado de Princípio da Simetria Especular Título-Protesto ou Princípio da Vinculação ou Correlação entre pedido e o protesto. Nas palavras do Professor Thiago Martins de Oliveira, “significa que o Tabelião está adstrito ao que foi solicitado pela parte interessada, não lhe competindo estender ou modificar de ofício aquilo para o que foi provocado. De tal princípio podemos concluir que o protesto extrajudicial é ato da parte, ao passo que compete a essa, no interesse direto da tutela dos seus interesses e indiretamente dos interesses públicos, a prática do ato destinado à certificação e resguardo dos seus direitos, comprovando a mora do devedor e o seu interesse em obter a proteção e os benefícios que a legislação o assegura”6. Segundo Vitor Kümpel, a simetria especular título-protesto representa “uma correlação lógica entre o título e o que é lançado no instrumento de protesto, de modo que este espelhe a transcrição literal do título (…). Há, por consequência, uma relação de imputação entre o título e instrumento do protesto”7. 7.3.2 – PRINCÍPIO DA CELERIDADE O Princípio da Celeridade do Protesto decorre da dinâmica empresarial que exige resolução eficaz e célere de conflitos relacionados ao crédito. Segundo a doutrina, esse princípio se concretiza por meio de prazos diminutos, desde a apresentação, protocolo, intimação e, por fim, o registro do protesto. Legalmente, todo o procedimento deve ocorrer, desde o requerimento de protesto até a certificação final da ocorrência (pagamento, desistência pelo credor ou protesto do título), dentro do prazo de 03 dias úteis. Essa celeridade, diga-se, é o grande atrativo do procedimento do protesto face à cobrança judicial das dívidas, mormente considerando-se que em torno de 50% a 60% das dívidas submetidas a protesto são pagas dentro desse tríduo. Esse princípio é muito próprio do Protesto. O Protesto é um procedimento rápido, ágil e tem o objetivo de não ser moroso.8 No entanto, é preciso mencionar que a Lei nº 9.492/97 recebeu recentes alterações, por meio das quais se observa uma significativa ampliação dos prazos do procedimento do protesto, a exemplo 6 OLIVEIRA, Thiago Martins de. Curso de Direito Notarial e Registral para concursos/Tabelionato de Protesto. Editora Chave Mestra; Edição 1ª, p. 21. 7 KÜMPEL, Vitor Frederico (em Coautoria), Direito Notarial e Registral em Síntese. 1ª Edição/2023, p. 395. 8 OLIVEIRA, Thiago Martins de. Curso de Direito Notarial e Registral para concursos/Tabelionato de Protesto. Editora Chave Mestra; Edição 1ª, p. 20. 14 do ocorreu com o procedimento quando adotada intimação eletrônica e quando houver propostas de medidas de solução negocial prévia ao protesto. Obs.: esses procedimentos serão estudados nos próximos capítulos. 7.3.3 – PRINCÍPIO DA FORMALIDADE SIMPLIFICADA O Princípio da formalidade simplificada ou mitigada está atrelado ao princípio da celeridade, visto que o procedimento não pode ser burocrático, pois não há apego desregrado à forma, mas sim há um equilíbrio com simplicidade e celeridade, sempre buscando evitar risco à segurança jurídica. O Professor Vitor Kümpel explica que “o princípio da formalidade mitigada significa a flexibilização do rigor estabelecido por lei com o objetivo de facilitar a prática dos atos desencadeados, priorizando a rápida consecução dos atos concernentes ao protesto. Pode ser percebido na redução de prazos, na simplificação de procedimentos e em quaisquer outras alterações que otimizam o processo sem prejudicar ou colocar em risco a segurança jurídica formal, imprescindível à atividade”9. 7.4 – PRINCÍPIOS DO PROTESTO COMO ATO JURÍDICO Evidenciando a natureza jurídica do protesto como ato jurídico, a doutrina cita os princípios da oficialidade, da insubstitutividade e da unitariedade. 7.4.1 – PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE Pelo Princípio da Oficialidade, o protesto é um ato essencialmente oficial, pois é lavrado por um Tabelião, na condição de delegatário de serviço público, que o faz investido da fé pública deferida pelo Estado. 7.4.2 – PRINCÍPIO DA INSUBSTITUTIVIDADE Defende-se que este não pode ser substituído por outro ato que tenha os mesmos fins e efeitos do protesto, isto é, que tenha função probatória e/ou constitua em mora do devedor. Há quem defenda que o art. 8º da LUG excepciona esse princípio, pois autoriza que o protesto seja substituído pela “declaração de recusa do aceite ou pagamento”. 9 KÜMPEL, Vitor Frederico (em Coautoria), Direito Notarial e Registral em Síntese. 1ª Edição/2023, p. 388/389. 15 7.4.3 – PRINCÍPIO DA UNITARIEDADE Por esse princípio, evidencia-se que o protesto é uno, pois é tirado em único momento. Cabe esclarecer que o que se protesta é o título ou documento de dívida, e não propriamente o devedor. Assim, como regra, um título somente pode ser protestado uma única vez na mesma obrigação. Segundo Luiz Guilherme Loureiro, é consequência desse princípio: “a) protestado o título por falta de pagamento em que houve a intimação do devedor principal, é inadmissível novo protesto do mesmo título contra os coobrigados; b) tirado o protesto comum, não há necessidade de novo protesto para fins de falência; c) tirado o protesto por falta de pagamento, não se protesta por falta de aceite ou devolução; d) tirado o protesto por falta de aceite ou de devolução, inútil é o protesto por falta de pagamento.”10 Verticalizando! O princípio da unitariedade do protesto comporta exceção, pois é possível o duplo protesto. As principais situações de duplo protesto são as seguintes: a) nos contratos em que se estabelecem prestações periódicas, é possível o protesto das parcelas vencidas, sem prejuízo de um novo protesto para as prestações vincendas, caso estas também não sejam adimplidas no vencimento pelo devedor; b) é possível que haja o cancelamento do protesto a requerimento do credor, em razão de erro substancial nosdados fornecidos ao Tabelião, o que culmina na lavratura de outro protesto; c) é possível o cancelamento de um protesto comum, a fim de que seja lavrado o protesto especial para fins falimentares. COMO ESSE ASSUNTO É COBRADO EM PROVAS? VUNESP – 2024, TJ-SP - Titular de Serviços de Notas e de Registros Quanto ao entendimento da doutrina acerca do Princípio da Formalidade Mitigada, aplicável ao procedimento do protesto, é correto afirmar: 10 LOUREIRO, Luiz Guilherme. Registros Públicos – Teoria e Prática. 12ª Edição. Editora JusPodivm, 2023. p. 1.471. 16 A » consiste no fato de que a apresentação do título a protesto depende de iniciativa do credor ou interessado para os devidos fins previstos em lei. B » resulta na atribuição que tem o Tabelião de Protesto em lavrar e registrar o protesto com segurança jurídica e de forma solene, sendo ato híbrido e dotado de fé pública revestido de segurança jurídica. C » corresponde às características de celeridade e simplificação dos prazos no procedimento da tiragem do protesto, seja quanto à protocolização, observância do tríduo legal, priorizando com segurança jurídica os atos concernentes ao protesto. D » trata do protesto como sendo ato uno e prova insubstituível, não sendo admissível ser suprido por outro documento ou testemunho. Resposta: “C” Comentários: A alternativa “A” relaciona-se ao princípio da Rogação/instância. A alternativa “B” refere-se ao princípio da Oficialidade, por meio do qual o protesto é ato privativo do Tabelião, que o lavra e o registra com fé pública, após exercer a qualificação positiva sobre o título, garantindo segurança jurídica à sociedade sobre o ato praticado. Já na alternativa “D” predomina as características do princípio da insubstitutividade do protesto. Quadro Resumo Princípios do Protesto Protesto como espécie de Serviço Público Princípios da Administração Pública: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade e Eficiência. (Mnemônico: LIMPE). Protesto como espécie dos Serviços Notariais e Registrais Publicidade » tornam-se disponíveis, por meio da emissão de certidões e informações, as informações constantes no livro de protesto, garantindo cognoscibilidade aos terceiros interessados. Autenticidade » gera presunção relativa (juris tantum) de veracidade e de legitimidade dos atos praticados pelo tabelião. 17 Segurança Jurídica » a atividade do tabelião, mediante a qualificação jurídica dos atos e fatos que lhe são submetidos à apreciação, assegura a higidez do protesto, contribuindo para a estabilidade e pacificação das relações sociais. Princípio da Eficácia » informa que o protesto do título gera efeitos jurídicos erga omnes, ou seja, o protesto alcança e produz consequências jurídica para terceiros e não apenas entre as partes. Protesto como Procedimento Princípio da Rogação ou instância » os serviços de protestos dependem de requerimento do apresentante/credor. Princípio da Simetria Especular Título-Protesto ou Princípio da Correlação entre pedido e o protesto » correlação lógica entre o título e o que é lançado no instrumento de protesto, de modo que este espelhe a transcrição literal do título Princípio da Celeridade » o procedimento de protesto deve ser eficaz e célere para resolução de conflitos relacionados ao crédito, com previsão de prazos exíguos. Formalidade Simplificada » o procedimento não pode ser burocrático, não há apego exagerado à forma, buscando um equilíbrio com simplicidade e celeridade Protesto como Ato Jurídico Princípio da Oficialidade » o protesto é um ato oficial, pois é lavrado por um Tabelião, na condição de delegatário de serviço público. Princípio da Insubstitutividade » o protesto não pode ser substituído por outro ato que tenha os mesmos fins e efeitos do protesto. Princípio da Unitariedade » o protesto é uno, pois é tirado em único momento. Exceção: 18 Protesto duplo » 1) protestos diversos para cada uma das prestações vencidas; 2) cancelamento do protesto comum para registro de protesto especial falimentar; 3) cancelamento de protesto por erro substancial, para lavratura de novo protesto 8 – CLASSIFICAÇÃO DO PROTESTO 8.1 – PROTESTO COMUM O protesto comum tem por finalidade testificar ou tornar público o descumprimento da obrigação/circunstância cambiária relevante. O Protesto Comum, por sua vez, subdivide-se em Protesto Facultativo e Protesto Necessário. 8.1.1 – PROTESTO FACULTATIVO É o protesto lavrado “sem requisitos especiais, com a finalidade precípua de recuperar certa dívida pelos efeitos indiretos da publicidade notarial, obter a devolução do título ou o seu aceite.”11 Nesse protesto, deve ser destacado o EFEITO PROBATÓRIO, que tem apenas a função probatória, no que se refere ao ato. É aquele que pode ser dispensado sem maiores prejuízos ao portador. Para reforçar, “tal protesto não conserva ou agrega direitos, mas exerce função meramente comprobatória do descumprimento de obrigação cambial e constitutiva da mora em determinados negócios jurídicos (nesse caso a mora também pode ser provada por notificação judicial, como ocorre com a reserva de domínio)”12. 8.1.2 – PROTESTO NECESSÁRIO (OBRIGATÓRIO OU CONSERVATÓRIO) É o protesto que tem por função assegurar determinados direitos. Não se trata, em verdade, de um dever ou de uma obrigação, mas sim de um ônus, pois, ausente o protesto, o portador do título não pode exercer determinados direitos que são previstos no ordenamento jurídico. Portanto, deve ser destacado o EFEITO CONSERVATÓRIO do Protesto Necessário, pois é ato indispensável para que o portador conserve determinados direitos. 11 OLIVEIRA, Thiago Martins de. Curso de Direito Notarial e Registral para concursos/Tabelionato de Protesto. Editora Chave Mestra; Edição 1ª, p. 34. 12 Loureiro, Luiz Guilherme. Registros Públicos – Teoria e Prática. 12ª Edição. Editora JusPodivm, 2023. p. 1.469. 19 Exemplo de protesto necessário ocorre para que o endosso produza seus efeitos cambiários. Isto é, o protesto é necessário para que o portador do título de crédito possa exercer o direito de regresso contra os coobrigados, por falta de aceite ou de pagamento. Assim, o protesto por falta de data de aceite é necessário para que o portador da letra de câmbio a certo termo de vista, sem data, possa exercitar seu direito de regresso contra os endossantes e o sacador. Igualmente, o protesto por falta de aceite (recusa) é necessário para que o portador da letra de câmbio mova ação cambiária, antes do vencimento, contra os coobrigados. Nesse sentido, Vitor Kümpel esclarece que “na hipótese de protesto de título endossado, que é necessário porque o portador que não o tira, em tempo útil e de forma regular, perde o direito de regresso contra o sacador, endossantes e avalistas”13. Além disso, o endosso lançado após o protesto (endosso póstumo ou tardio) produz efeito tão somente de cessão civil de crédito. Portanto, o protesto afeta os efeitos da transmissão dos títulos de crédito. Verticalizando! Diferenças entre endosso e cessão civil de crédito Endosso (Direito Cambiário) Cessão Civil (Direito Civil) Responsabilidade do endossante » endossante do título responde pela existência e adimplemento do título (responsabilidade pro solvendo). Se o devedor (sacado) não paga o título, o tomador pode cobrar e executar o endossante. Defesa do devedor (sacado) » devedor (sacado) não pode alegar, quando executado pelo endossatário, matérias atinentes a sua relação jurídica com o endossante. E essa vedação ocorre em razão dos princípios dos títulos de crédito: a) autonomia das Responsabilidade do cedente » salvo disposição em contrário, o cedente responde somente pela existência do título (responsabilidade pro soluto). Defesa do devedor (sacado) » devedor (cedido) podeopor exceções pessoais. Ex: o devedor do título (cedido), quando executado pelo cessionário, pode opor questões que manteve com o cedente. Nesse sentido: CC, art. 294 O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que, no momento em 13 KÜMPEL, Vitor Frederico (em Coautoria), Direito Notarial e Registral em Síntese. 1ª Edição/2023, p. 388. 20 obrigações cambiais e b) inoponibilidade das exceções pessoais aos terceiros de boa-fé. que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente. Verticalizando! Em regra, a responsabilidade do endossante é pro solvendo, mas há exceções, são elas: a) É possível estipular na letra de câmbio a Cláusula Endosso “sem garantia”, por meio da qual o endossante transfere a titularidade da letra, mas não se obrigar pelo seu pagamento. (art. 15 da LU). b) O CC estabelece, no art. 914, que o endossante tem responsabilidade apenas pela existência do crédito (tal como a cessão civil de crédito). Para a doutrina, essa previsão do CC só se aplica aos títulos de crédito inominados, ou seja, aqueles que não tem previsão específica em lei especial (CC, art. 903). Ou seja, para os títulos de créditos nominados, que têm regulação dada por lei específica (ex: cheque, duplicata, nota promissória etc.), a responsabilidade do endossante é pro solvendo (endossante responde pelo adimplemento da obrigação constante do título). Verticalizando! Na jurisprudência do STJ, o protesto de cheque pode ser necessário ou facultativo. Se o protesto ocorrer em face de coobrigados, será um protesto necessário para o exercício do direito de regresso. Nesse caso, deve ocorrer antes de expirado o prazo de apresentação (protesto necessário). Se protestado for efetivado em face do emitente, será um protesto facultativo, podendo ocorrer mesmo depois do prazo de apresentação, desde que não escoado o prazo prescricional (protesto facultativo). STJ. 3ª Turma. REsp 1297797-MG, julgado em 24/2/2015 (Info 556). Atenção! Qual o prazo de apresentação do Cheque? a) 30 dias » Se o cheque é da mesma praça do pagamento (município onde foi assinado é o município da agência pagadora). b) 60 dias » Se o cheque for de praça diferente (município onde foi assinado é diferente do município da agência pagadora).14 14 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Protesto do cheque após o prazo de apresentação. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 21 Ainda quanto ao protesto necessário, é preciso citar que parte da doutrina o relaciona como sendo uma condição de procedibilidade ou pressuposto processual para determinadas ações. É o que ocorre, por exemplo, para a ação de execução do contrato de câmbio, que tem como condição de procedibilidade o prévio protesto do título. Nesse sentido, eis o art. 75 da Lei nº 4.728/1965: Art. 75. O contrato de câmbio, desde que protestado por oficial competente para o protesto de títulos, constitui instrumento bastante para requerer a ação executiva. E caso o credor não proteste o título (contrato de câmbio), ainda é possível ter sua pretensão satisfeita pela via Judicial. Mas, nessa situação, o instrumento adequado é o ajuizamento de uma ação de cobrança pelo rito comum, com ampla dilação probatória e, por isso mesmo, muito mais demorada que a ação executiva. 8.2 – PROTESTO ESPECIAL O protesto especial, como bem explica o Professor Thiago Martins de Oliveira, é aquele que “possui requisitos e finalidades específicos, muito embora – importante ressaltar – não haja na lei nenhuma previsão de tais requisitos. Entretanto, em função da gravidade ou relevância dos efeitos do protesto especial, a doutrina e jurisprudência dedicaram-se bem em definir os requisitos específicos. O mais comum e difundido protesto especial é o protesto falimentar, protesto necessário para o ajuizamento de pedido falimentar contra determinada pessoa jurídica empresária”15. 8.2.1 – PROTESTO ESPECIAL FALIMENTAR Para Luiz Guilherme Loureiro e para Vitor F. Kümpel, o protesto especial é aquele necessário para requerer a falência do devedor empresário16, sendo um requisito indispensável para tal protesto que seja tirado no principal estabelecimento do devedor17. Além disso, para solicitar a falência de uma empresa devedora, é necessário que na notificação do protesto seja identificada a pessoa que a recebeu (Súmula 361 do STJ). . Acesso em: 21/11/2024 15 OLIVEIRA, Thiago Martins de. Curso de Direito Notarial e Registral para concursos/Tabelionato de Protesto. Editora Chave Mestra; Edição 1ª, p. 24. 16 Loureiro, Luiz Guilherme. Registros Públicos – Teoria e Prática. 12ª Edição. Editora JusPodivm, 2023. p. 1.469. 17 KÜMPEL, Vitor Frederico (em Coautoria), Direito Notarial e Registral em Síntese. 1ª Edição/2023, p. 388/389. https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/9a1756fd0c741126d7bbd4b692ccbd91 22 Cabe esclarecer que o devedor empresário não é o único legitimado para receber a notificação, pois o que se exige é que haja a identificação do recebedor, seja ele o próprio devedor ou um encarregado de receber notificações. Esse protesto especial, tem como principal função a de caracterizar o estado de falência do devedor. Dispõe o art. 94, I, Lei nº 11.101/05 que será decretada a falência do devedor que, sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida materializada em título ou títulos executivos protestados cuja soma ultrapasse 40 salários mínimos, na data do pedido de falência. Verticalizando! O Prov. nº 149/2023 incorporou o entendimento doutrinário e jurisprudencial de que o protesto falimentar deve ser realizado no principal estabelecimento do devedor, sendo necessário identificação da pessoa que recebe a notificação. Prov. 149/2023: Art. 356-A. O protesto falimentar deve ser lavrado no cartório de protesto da comarca do principal estabelecimento do devedor, contendo a notificação do protesto a identificação da pessoa que a recebeu. (incluído pelo provimento n. 167, de 21.5.2024) Parágrafo único. Nas hipóteses em que a notificação pessoal do protesto não lograr obter a identificação de quem se recusou a assinar a carta registrada ou documento idôneo equivalente, o tabelião poderá realizar a intimação do protesto por edital. (incluído pelo provimento n. 167, de 21.5.2024) 8.2.2 – PROTESTO ESPECIAL PARA COMPROVAÇÃO DE PERDA DE CRÉDITO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL Embora o exemplo mais citado pela doutrina de protesto especial seja o protesto falimentar, o protesto especial não se esgota naquele para fins falimentares, pois há outros protestos especiais. De fato, outra hipótese de protesto especial citada na doutrina é aquele previsto no art. 9º-A da Lei nº 9.430/1996 (redação pela Lei nº 14.043/2020). Esse protesto serve para prova de perda de crédito de uma pessoa jurídica, com o fim de contabilizar os créditos não pagos como despesa para a apuração do lucro real, beneficiando a pessoa jurídica quanto às suas obrigações tributárias perante o Fisco. Nesse sentido, estabelece a Lei nº 9.430/1996: 23 Art. 9º-A. Na hipótese de inadimplência do débito, as exigências de judicialização […] poderão ser substituídas pelo instrumento da Lei nº 9.492/97, e os credores deverão arcar com o pagamento antecipado de taxas, de emolumentos, de acréscimos legais e de demais despesas por ocasião da protocolização e dos demais atos. Esse protesto representa um verdadeiro instrumento de desjudicialização, uma vez que, antes da edição do art. 9º-A da Lei nº 9.430/1996, para que a pessoa jurídica pudesse abater do lucro real os créditos não recebidos, deveria comprovar a inadimplência do devedor perante o Poder Judiciário. Agora, não há mais essa necessidade de judicialização,sendo bastante para tal fim o protesto dos títulos não pagos. COMO ISSO É COBRADO EM PROVAS? VUNESP - 2024 - TJ-SP - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provimento Nos termos da legislação pertinente, assinale a alternativa correta quanto ao protesto especial para fins de registro como perda de crédito na apuração do lucro real da pessoa jurídica. A » Constitui uma forma obrigatória de prova pré-constituída do credor em obter o direito à dedução tributária da perda contábil a ser requerida em juízo. B » É uma alternativa extrajudicial ao ajuizamento de ação judicial para dedução da perda contábil nas hipóteses previstas em lei, devendo o credor arcar com o pagamento antecipado de taxas, emolumentos e demais despesas por ocasião da protocolização e demais atos. C » Na hipótese de inadimplência do débito, as exigências de judicialização para os registros contábeis das perdas poderão ser substituídas pelo instrumento de protesto, com o pagamento dos emolumentos e demais taxas no momento da lavratura do protesto. D » Constitui medida extrajudicial facultativa com finalidade de suspender a ação ajuizada em que se pleiteia a dedução tributária. Resposta: alternativa “B”. Comentários: Lei nº 9.430/1996, Art. 9º-A. Na hipótese de inadimplência do débito, as exigências de judicialização […] poderão ser substituídas pelo instrumento da Lei nº 9.492/97, e os credores deverão arcar com o pagamento antecipado de taxas, de emolumentos, de acréscimos legais e de demais despesas por ocasião da protocolização e dos demais atos. 24 Quadro Resumo Protesto Comum Finalidade » tornar público o descumprimento da obrigação/circunstância cambiária relevante Protesto Facultativo » sem requisitos especiais, com a finalidade precípua de recuperar dívida pelos efeitos indiretos da publicidade notarial. Principal efeito: efeito probatório da inadimplência. Protesto Necessário (obrigatório) » função assegurar determinados direitos. Principal efeito: efeito conservatório. Protesto Especial » possui requisitos e finalidades específicos Ex 1: protesto falimentar » requisitos específicos: tirado no principal estabelecimento do devedor e identificação da pessoa que recebe a notificação. Ex 2: Protesto especial para comprovação de perda de crédito de pessoa jurídica para fins de apuração do lucro real. (...)