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TRADICIONAL Colagenoses GUIA PARETO Olá, aluno Aristo! Neste guia, cuidadosamente elaborado, você terá acesso a um conteúdo de extrema qualidade seguindo a nossa metodologia, baseada no Princípio de Pareto. Isso significa que você estudará especialmente o que mais cai em provas. Mapa da Mina Nesta página, você vê a distribuição geográfica da cobrança deste tema nas provas pelo Brasil, bem como as dez instituições em que ele mais apareceu nos últimos cinco anos. Alta Moderada Baixa⚫ ⚫ ⚫ As 10 provas em que este tema é mais cobrado Instituição SES-PE USP-RP UFMT UFPA UDI IHOA UEPA- BELÉM UNAERP HOB-DF SUS-SP Questões 09 06 06 05 05 05 05 04 04 04 As informações mais importantes são sublinhadas, conforme abaixo: Exemplo Nossa lista de ícones foi cuidadosamente criada para oferecer uma experiência visual intuitiva e informativa. Veja. Questão CCQ Questão de prova oficial, selecionada com base no conteúdo Pareto de cada grande área. Zoom Dê zoom para ver mais detalhes. Box de destaque Compreenda as informações mais importantes. Legenda da Aristo Para além do Pareto Para as questões “fora da curva” (difíceis, decorebas), este tópico traz assuntos que podem te fazer acertá-las! TOP 5 O anti-DNA é o anticorpo mais específico no LES A nefrite lúpica proliferativa difusa é a forma mais grave de acometimento renal pelo LES A esclerose sistêmica afeta principalmente os pulmões e o trato gastrointestinal O fenômeno de Raynaud está associado à esclerose sistêmica Devemos pensar em dermatomiosite na vigência de fraqueza muscular, pápulas de Gottron (patognomônico) e heliotropo 1 2 3 4 5 O nosso TOP 5 CCQ reúne os conteúdos-chave mais relevantes nos últimos cinco anos. https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=62aa6a2be379612718434261 https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=5f5fa62a8c17db9f3a8d763f https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=5f5fa62a8c17db9f3a8d9aa9 https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=627e519a613098cac5ad0101 https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=628dbfdb7b850b0d028ab082 Colagenoses - Sumário 1. Lúpus eritematoso sistêmico (LES) 6 1.1 Epidemiologia 6 1.2 Fisiopatologia 6 1.3 Quadro clínico 7 1.3.1 Manifestações mucocutâneas 7 1.3.2 Manifestações renais 8 Questão 01 8 1.3.3 Manifestações musculoesqueléticas 11 1.3.4 Serosites 11 1.3.5 Manifestações psiquiátricas e neurológicas 11 1.3.6 Hematológico 11 1.4 Autoanticorpos 12 Questão 02 12 1.5 Critérios diagnósticos 13 1.6 Tratamento e prognóstico 15 1.7 Lúpus e gestação 16 1.8 Lúpus fármaco-induzido 16 2. Síndrome do anticorpo antifosfolipídio 17 2.1 Critérios clínicos 17 Colagenoses - Sumário 2.2 Critérios laboratoriais 17 2.3 Tratamento 17 3. Esclerose sistêmica (ES) 18 3.1 Epidemiologia 18 3.2 Fisiopatologia 18 3.3 Clínica e classificação 19 Questão 03 19 3.3.1 Fenômeno de Raynaud 21 Questão 04 21 3.4 Envolvimento de órgãos internos 22 3.5 Diagnóstico 23 3.6 Tratamento 23 4. Polimiosite e dermatomiosite 24 4.1 Clínica 24 Questão 05 24 4.2 Diagnóstico 26 4.3 Tratamento 26 Colagenoses - Sumário 5. Síndrome de Sjögren 27 5.1 Clínica 27 5.2 Diagnóstico 27 5.2.1 Exames complementares 27 5.3 Tratamento 28 7 Colagenoses 1. Lúpus eritematoso sistêmico (LES) O tema principal deste guia será o lúpus eritematoso sistêmico (LES), correspondente a aproximadamente 25% de todas as questões de Reumatologia nas provas! O termo “sistêmico” não está presente sem motivo. Quer conhecer uma doença que pode afetar praticamente qualquer órgão? Apresentamos o lúpus eritematoso sistêmico, uma doença autoimune heterogênea com alto potencial de morbidade e mortalidade. 1.1 Epidemiologia Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a prevalência do lúpus eritematoso sistêmico (LES) é de 65 casos por cada 100.000 habitantes, e houve um aumento recente devido a dois fatores principais: avanços no tratamento e maior detecção de casos leves. Além disso, os principais grupos afetados são: • Sexo feminino (proporção de cerca de 9 para 1). • População negra (com uma incidência até três vezes maior nesse grupo étnico). • Faixa etária de 16 a 55 anos, na qual 65% dos pacientes desenvolvem a doença, o que corresponde ao período da menacme/idade fértil, evidenciando a relação do estímulo estrogênico como ativador e perpetuador do LES. Além disso, é importante notar que o LES tende a se agravar durante a gestação. Guarde bem esse retrato, pois vai te ajudar na prática e nos enunciados: lúpus é uma doença da mulher jovem, principalmente negra. 1.2 Fisiopatologia O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença com mecanismos patogênicos complexos e ainda não completamente compreendidos, o que é típico das condições da área de Reumatologia, não é mesmo? Vários fatores genéticos contribuem para o desenvolvimento dessa condição, sendo que a concordância em gêmeos monozigóticos chega a aproximadamente 60%. Além disso, outros fatores desempenham um papel como possíveis gatilhos da doença: • Exposição à luz ultravioleta, que, de forma simples, estimula a formação de anticorpos contra alguns antígenos nucleares presentes nas células da pele (discutiremos mais adiante quais são esses antígenos). • Uso de certos medicamentos, podendo inclusive gerar um quadro clínico característico, denominado lúpus induzido por fármacos (trabalharemos mais detalhadamente sobre esse tema posteriormente). • Infecções virais, como Epstein-Barr, hepatite C e parvovírus. • Grandes variações hormonais, como na adolescência, gestação e durante a reposição hormonal. • Procedimentos cirúrgicos extensos com significativa ativação inflamatória. 8 Colagenoses Esses fatores desencadeiam a formação e deposição de imunocomplexos nos vasos sanguíneos e em vários tecidos, além da ativação do sistema complemento (SC). Esses processos resultam nas diversas manifestações clínicas que serão exploradas a seguir. 1.3 Quadro clínico Da mesma forma que ocorre em diversas doenças reumatológicas, o lúpus apresenta ciclos de atividade e remissão, podendo ser mais ou menos grave a depender do paciente, dos autoanticorpos envolvidos e do tratamento estipulado. Ao longo do curso da doença, a maioria dos pacientes apresenta febre, perda ponderal, fadiga, anemia de doença crônica e artrite de padrão inflamatório (rigidez matinal que melhora após alguns minutos de movimentação). Quer dar um palpite numa sessão clínica sem ter estudado? Arrisca “lúpus”! Essa patologia pode agredir praticamente qualquer tecido do corpo, por vezes com manifestações clássicas, em outras, o diagnóstico custa a sair se não houver alta suspeita clínica. A seguir, vamos mergulhar no assunto mais importante deste Guia Pareto: as principais manifestações do lúpus. 1.3.1 Manifestações mucocutâneas • Fotossensibilidade: lesões eritematosas, principalmente em colo, braços e face, inclusive com o clássico rash em asa de borboleta (imagem abaixo), o qual poupa habitualmente o sulco nasolabial. A maioria dos pacientes apresenta o anticorpo anti-Ro positivo. Rash malar Fonte: Aristo. 9 Colagenoses • Lúpus discoide: principal lesão crônica, podendo acometer até 20% dos pacientes. Lúpus discoide Fonte: Manual MSD; Imagem cedida por cortesia de Karen McKoy, MD. • Úlceras nasais ou orais: podem ajudar na suspeita clínica. 1.3.2 Manifestações renais Responder na plataforma Questão 01 Estima-se que cerca de 50% dos pacientes com lúpus evoluam com acometimento renal, uma das principais causas de mortalidade relacionadas à doença, disputando a liderança apenas com quadros infecciosos. https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=5f5fa62a8c17db9f3a8d763f 10 Colagenoses Apesar de muito temida, a nefrite lúpica pode ser assintomática em fases iniciais da autoimunidade. Portanto, sempre que houver suspeita de LES, deve-se solicitar exames de função renal, creatinina e proteína urinárias, e sedimentoscopia. Neste último exame, pode-se perceber hematúria dismórficaou cilindros hemáticos, indicativos precisos de lesão glomerular. Na história e exame do paciente - e nos enunciados - podemos buscar relato de edema difuso, hipertensão e “urina espumosa”, o que pode denotar a presença patológica de proteína urinária, comumente acima de 500 mg por dia nos quadros de nefrite lúpica. Além de piora do estado geral, elevação de PCR e VHS, a lesão renal costuma ser acompanhada de consumo do complemento e de aumento do anticorpo anti-DNA dupla-hélice na circulação, marcador mais associado à lesão renal. Ademais, é preconizada a realização de biópsia renal sempre que houver suspeita de nefrite, dado que a análise desse material permite uma melhor decisão sobre o tratamento e a sua duração. A partir do estudo histológico, temos a seguinte classificação (segura o choro! Vamos destacar aquilo que é mais importante logo adiante): • Nefrite lúpica mesangial mínima (classe I). • Nefrite lúpica proliferativa mesangial (classe II). • Nefrite lúpica proliferativa focal (classe III). • Nefrite lúpica proliferativa difusa (classe IV) - forma mais comum e mais grave de nefrite. • Nefropatia membranosa do lúpus (classe V) – pode ser autolimitada ou requerer apenas uso de corticoides. • Nefrite lúpica esclerosante avançada (classe VI) – não há benefício com o tratamento. Direcionamento poupador de neurônio: é relevante saber que as classes IV e V da nefrite lúpica são as mais significativas e geralmente as únicas abordadas em questões de prova. Para diferenciá-las, considere que a nefrite lúpica membranosa (classe V) representa um exemplo típico de síndrome nefrótica com proteinúria significativa, podendo ocorrer sem um aumento substancial da creatinina e mesmo sem as clássicas alterações no anti-DNA e no complemento. Por outro lado, a classe IV atua como uma glomerulonefrite rapidamente progressiva, manifestando-se com hematúria e aumento dos níveis de resíduos nitrogenados. O tratamento da nefrite lúpica classe IV envolve pulsoterapia com metilprednisolona, além de ciclofosfamida ou micofenolato de mofetila. Enquanto isso, na classe V, geralmente, a terapia com corticoides padrão é suficiente. 11 Colagenoses O acometimento grave e rápido pode levar, já no primeiro surto, à destruição irreversível de uma grande quantidade de glomérulos. Portanto, é essencial identificar e iniciar o tratamento precocemente. Lembra do conceito de “glomerulonefrite rapidamente progressiva (GNRP)”? Vamos revisar alguns diagnósticos diferenciais dessa condição em um nível mais avançado: • Nefrite lúpica. • Síndrome de Goodpasture. • Granulomatose com poliangeíte. • Glomerulonefrite pós-estreptocócica (apesar de ser menos comum, frequentemente tem uma resolução favorável mesmo sem terapias mais agressivas). A GNRP pode ser identificada histologicamente pela presença de crescentes glomerulares em mais de 50% dos glomérulos, caracterizando uma lesão extremamente grave. Crescentes glomerulares Fonte: UpToDate. Para além do Pareto 12 Colagenoses 1.3.3 Manifestações musculoesqueléticas Além de fraqueza muscular inespecífica, a maioria dos pacientes com LES apresenta quadros articulares em algum momento da vida, por vezes, de forma intensa e limitante. O padrão clássico é de artrite inflamatória, com edema, rigidez matinal com duração menor que uma hora e sem destruição articular exuberante - lembre-se dessas duas características para ajudar no diagnóstico diferencial com artrite reumatoide. 1.3.4 Serosites As membranas serosas também sofrem o processo inflamatório típico da fisiopatologia do LES, cursando principalmente com derrame. Os locais mais acometidos são: • Espaço pleural: derrame tipicamente bilateral. Quando é unilateral, não possui predomínio de lado, se apresentando como um exsudato; • Pericárdico: caracterizado por dor torácica típica de uma pericardite e dificilmente acarreta complicações graves, como tamponamento cardíaco e pericardite constritiva. • Ascite: muito raro de ocorrer. 1.3.5 Manifestações psiquiátricas e neurológicas Os distúrbios psiquiátricos consequentes do LES mais comuns nas provas são as alterações cognitivas gerais, demência lúpica (fase avançada da doença, rara na prática médica) e a psicose lúpica. Essa última é caracterizada por um quadro de estado confusional, delirium, alucinações visuais ou auditivas, delírios persecutórios e flutuação do nível de consciência. Geralmente aparece já no primeiro ano de doença. Cuidado para não confundir psicose lúpica com a psicose decorrente do uso de corticoide. Para que esta ocorra, existem algumas condições determinantes, tais como o uso de doses altas deste fármaco (> 40 mg/dia de prednisona) e o surgimento sempre nas primeiras semanas de uso. Uma dica importante para ajudar a fechar o diagnóstico de psicose lúpica é a presença do anticorpo anti-P, que sugere fortemente essa patologia. As manifestações neurológicas mais comuns no LES são a cefaleia (do tipo tensional ou migrânea) e as convulsões. 1.3.6 Hematológico As alterações hematológicas mais comuns no LES são aquelas relacionadas aos glóbulos vermelhos, tendo maior destaque aqui as anemias. O seu tipo mais comum é a anemia normocrômica e normocítica, a famosa “anemia de doença crônica”. Outro tipo de anemia, que inclusive faz parte dos critérios diagnósticos de lúpus, é a anemia hemolítica autoimune. Em relação à hemostasia, a alteração mais comum é a trombocitopenia leve. Vez ou outra, as provas podem cobrar a síndrome de Evans, que consiste na associação da anemia hemolítica autoimune com a trombocitopenia autoimune. As células de defesa no LES estão geralmente diminuídas, caracterizando uma leucopenia autoimune, mais especificamente na linhagem dos linfócitos. O VHS está elevado e o sistema complemento (C3, C4, CH50) reduzido. 13 Colagenoses 1.4 Autoanticorpos Responder na plataforma Questão 02 Para auxiliar no diagnóstico, podemos buscar na circulação os próprios anticorpos que levam à doença, sendo possível, muitas vezes, correlacionar marcadores específicos com manifestações específicas. Essa memorização mecânica faz diferença, lamentamos dizer. Felizmente, existem algumas técnicas para facilitar a retenção e, é claro, você deve revisar isso várias vezes ao longo do ano. Anticorpos mais cobrados em provas Qual anticorpo na investigação do lúpus eritematoso sistêmico (LES) está mais relacionado à lesão renal ativa? Anti-dsDNA Qual anticorpo na investigação do LES está relacionado ao lúpus fármaco-induzido? Anti-histonas Qual anticorpo é considerado o mais específico para LES? Anti-Sm Qual anticorpo está associado à psicose lúpica? Anti-P Qual exame laboratorial é comumente usado como teste de triagem do LES? Fator antinuclear (FAN) Qual anticorpo na investigação do LES e da síndrome de Sjögren está rela- cionado ao rash por fotossensibilidade, bloqueio cardíaco congênito e lúpus neonatal? Anti-Ro Fonte: Aristo. https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=62AA6A2BE379612718434261 14 Colagenoses Diversas técnicas são empregadas na determinação do FAN (fator antinúcleo), sendo a imunofluorescência indireta (IFI) a mais comum. Nessa técnica, o soro do paciente é colocado em contato com células de tumor de laringe (HEp-2), que servem como substrato da reação. A análise é realizada por microscopia de fluorescência, permitindo a identificação de padrões característicos. Esse processo é repetido em várias diluições para definir o padrão e o título do FAN. Atualmente, existem 29 padrões de FAN, mas não é necessário conhecer todos eles. É importante ressaltar que um FAN positivo não indica necessariamente uma doença autoimune. Por exemplo, o padrão nuclear pontilhado fino denso é o mais comum na população geral saudável (estudos mostram uma positividade de até 13%), mesmo em títulos elevados. Por essa razão, não é recomendada a solicitação desse exame quando não há suspeita clínica de doença, já que um resultado positivo pode causar confusão. No contexto do lúpuseritematoso sistêmico (LES), o FAN pode ser considerado um exame de alta sensibilidade e baixa especificidade. Devido a essas características, ele é útil para rastreamento, sendo adotado como critério obrigatório inicial no último consenso da EULAR. Para além do Pareto 1.5 Critérios diagnósticos Agora, vamos abordar o tópico dos critérios classificatórios. Não se preocupe! As questões não exigirão detalhes sobre a classificação, nem criarão dúvidas sobre a identificação do lúpus. É suficiente que você conheça as principais características da doença e o papel do FAN como exame de triagem, de acordo com os critérios propostos pelo ACR (American College of Rheumatology)/EULAR em 2019. 15 Colagenoses ↓ ↓ ↓ CRITÉRIO DE ENTRADA OBRIGATÓRIO Fator antinuclear (FAN) com título ≥ 1:80 nas células HEp-2 ou teste equivalente positivo. Se ausente, não classifique como LES. Se presente, aplique os critérios adicionais. CRITÉRIOS ADICIONAIS Dentro de cada domínio, apenas o critério de maior escore é contado para a pontuação total. A ocorrência de um critério em apenas uma ocasião é suficiente. Os critérios não precisam ocorrer simultaneamente. Não considerar um critério se houver uma explicação mais provável que o LES. Pontuação total Classifique como lúpus eritematoso sistêmico se pontuação ≥ 10 Domínios e critérios clínicos Escore Constitucional Febre 2 Hematológico Leucopenia Trombocitopenia Hemólise autoimune 3 4 4 Neuropsiquiátrico Delirium Psicose Crise epiléptica 2 3 5 Mucocutâneo Alopecia não cicatricial Úlceras orais Lúpus cutâneo subagudo ou discoide Lúpus cutâneo agudo 2 2 4 6 Serosite Derrame pleural ou pericárdico Pericardite aguda 5 6 Musculoesquelético Envolvimento articular 6 Domínios e critérios clínicos Escore Renal Proteinúria > 0,5 g/24 h Nefrite lúpica classe II ou V Nefrite lúpica classe III ou IV 4 8 10 Anticorpos antifosfolípides Anticardiolipina ou anti-BGP1 Ou anticoagulante lúpico 2 Complemento C3 ou C4 baixo C3 e C4 baixos 3 4 Anticorpos específicos para LES Anti-dsDNA ou anti-Sm 6 LES - CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS (ACR/EULAR - 2019) Fonte: American College of Rheumatology (ACR) e The European League Against Rheumatism (EULAR), 2019. Observação: a anemia hemolítica autoimune faz parte dos critérios diagnósticos do LES. Apesar de ser mais comum em pacientes lúpicos, a anemia por doença crônica ou de qualquer outra etiologia NÃO é critério (costuma ser pegadinha de prova). 16 Colagenoses O critério de 2019 da ACR/EULAR apresentou aumento na sensibilidade e na especificidade para o diagnóstico de lúpus em comparação aos critérios anteriores. Esse critério requer um anticorpo antinuclear ou fator antinuclear ≥ 1:80 como critério de entrada. Caso seja abaixo desse valor ou negativo, não classificamos como lúpus. Porém, caso seja maior ou igual, deveremos empregar os critérios adicionais. Cada item dos critérios de classificação possui uma pontuação específica. Se a soma dessas pontuações for igual ou superior a 10 e houver a presença de um critério clínico, podemos diagnosticar o caso como lúpus eritematoso sistêmico. Não se preocupe em memorizar cada detalhe específico de cada item; o entendimento central é o mais importante, sendo suficiente para responder às questões que possam ser feitas sobre o assunto. Não se esqueça que muitos sintomas comuns do LES não estão entre os critérios classificatórios: linfadenopatia, endocardite de Libman-Sacks (endocardite estéril), esplenomegalia, hepatomegalia, fenômeno de Raynaud, doença tromboembólica, envolvimento pulmonar (exceto as serosites), miocardite, síndrome de Evans, ceratoconjuntivite seca (Sjögren secundário) e outras manifestações oftalmológicas. 1.6 Tratamento e prognóstico Podemos classificar o LES em: • Lúpus brando → apenas pele, mucosas, articulações e serosas. • Lúpus moderado → anteriores + hematológico. • Lúpus grave → anteriores + renal e/ou neurológico/psiquiátrico. Entre os pacientes com LES de qualquer grau e com qualquer tipo de atividade da doença, sugere-se a administração de hidroxicloroquina ou cloroquina, a menos que exista uma contraindicação. Esta medicação diminui o número de crises, reduz os sintomas constitucionais, mucocutâneos e musculoesqueléticos, além de impactar na redução da mortalidade. Observação: o efeito colateral mais famoso da hidroxicloroquina/cloroquina e mais lembrado pelas bancas é a retinotoxicidade, dessa forma, a avaliação anual com um oftalmologista se faz necessária. Além disso, pode cursar com o prolongamento do intervalo QT. Por falar em crises, é útil acompanhar os testes que indicam o estado de envolvimento orgânico, a fim também de estimar o risco/prognóstico. Isso inclui a urinálise para detecção de hematúria e proteinúria, determinação dos níveis de hemoglobina, contagem de plaquetas e determinação dos níveis séricos de creatinina ou albumina. O corticoide pode estar presente também, seja por meio da prednisona (via oral), metilprednisolona (via parenteral, inclusive em pulsoterapia) ou hidrocortisona e betametasona (via tópica). Outras medicações que podem ser utilizadas são os citotóxicos, como ciclofosfamida, micofenolato ou azatioprina, sendo empregados em casos graves da doença. 17 Colagenoses Algumas questões podem enfatizar as complicações relacionadas ao tratamento prolongado. Reveja se há corticoide crônico, pois osteoporose, catarata, hipertensão, hiperglicemia, síndrome de Cushing e a temida osteonecrose do fêmur estão entre as complicações mais frequentemente relacionadas a essa terapêutica. Além disso, na maioria das pessoas com nefrite lúpica, a aterosclerose acelerada torna-se importante após vários anos de doença. Deve-se dar atenção ao controle da inflamação sistêmica, da pressão arterial, da hiperlipidemia e da hiperglicemia. 1.7 Lúpus e gestação É relativamente comum que as provas apresentem situações em que devemos analisar uma paciente gestante e com lúpus, um grande desafio na prática, que configura, por si só, uma gravidez de risco. Destacamos a seguir, de forma bem direta, alguns CCQs que podem ser importantes: • A taxa de perda fetal é aumentada (cerca de 2-3 vezes) em mulheres com LES. • A morte fetal é mais alta em mães com alta atividade da doença, anticorpos antifosfolipídios (sobretudo anticoagulante lúpico), hipertensão e/ou nefrite ativa. • A doença em atividade deverá ser controlada com hidroxicloroquina e, quando necessário, prednisona/prednisolona nas menores doses efetivas pelo menor período possível. A azatioprina pode ser adicionada quando esses tratamentos não suprimirem a atividade da doença. • Se houver perdas fetais prévias, devemos lembrar de introduzir heparina + AAS em doses baixas. • A presença de anti-Ro (lembra do lúpus neonatal?) torna necessário o monitoramento cuidadoso da frequência cardíaca fetal. 1.8 Lúpus fármaco-induzido Vários medicamentos podem induzir o desenvolvimento de lúpus. Neste grupo, destacam-se: hidralazina (mais cobrado em provas e frequentemente utilizado na prática), procainamida, isoniazida, fenitoína, clorpromazina, d-penicilamina, metildopa, entre outros. Entretanto, esse lúpus é diferente. Suas características são: • Sua forma clínica é branda. • Raramente acomete o rim ou o sistema nervoso central. • Não consome complemento. • O FAN é positivo em altos títulos (padrão nuclear homogêneo). • Anticorpos anti-histona estão presentes em mais de 95% dos casos. 18 Colagenoses 2. Síndrome do anticorpo antifosfolipídio A síndrome do anticorpo antifosfolipídio (SAF ou SAAF) ocorre em até 35% dos pacientes com LES. No entanto, também pode acometer pacientes sem outras comorbidades (SAF primária). Simplificadamente, o paciente apresenta autoanticorpos contra os fosfolipídios (ou as proteínas ligadas a eles) presentes na membrana celular. A SAF se caracteriza por trombose venosa ou arterial em pessoas jovens sem outra explicação para o evento e/ou resultado adverso na gravidez. Para o diagnóstico, alémdesses critérios clínicos, são necessários pelo menos dois testes positivos para anticorpos antifosfolipídios (critérios laboratoriais). 2.1 Critérios clínicos Trombose vascular: um ou mais episódios de trombose arterial, venosa ou de pequenos vasos em qualquer órgão ou tecido, confirmada por Doppler ou exame histopatológico. Morbidade gestacional: a morbidade gravídica considerada para o diagnóstico de SAF é: • Uma ou mais mortes inexplicadas de um feto morfologicamente normal ≥ 10 semanas de gestação; Ou • Um ou mais nascimentos prematuros de um neonato morfologicamente normal antes de 34 semanas de gestação devido à eclâmpsia, pré-eclâmpsia ou insuficiência placentária; Ou • Três ou mais perdas espontâneas consecutivas de gravidezAs duas principais manifestações clínicas são a doença pulmonar intersticial (fibrose pulmonar) e a doença vascular pulmonar (menos comum), resultando em hipertensão arterial pulmonar (HAP). A HAP é mais evidenciada na forma CREST, enquanto a fibrose pulmonar é mais comum na forma cutânea difusa. A lesão renal pela ES, embora seja comum (60 a 80% em biópsias), geralmente não evolui para doença renal crônica em estágio terminal. Atenção total à crise renal esclerodérmica, tema frequentemente destacado em provas. Essa crise ocorre de maneira rápida, mais comumente na forma cutânea difusa da esclerose sistêmica, podendo ocorrer próximo ao diagnóstico. Apresenta semelhanças com uma emergência hipertensiva, caracterizada por hipertensão, presença de cilindros hemáticos na urina, oligúria, anemia microangiopática e trombocitopenia. O tratamento direciona-se ao controle da pressão arterial com inibidores da ECA, como captopril e enalapril. É importante ressaltar que dentro de um período de 72 horas o objetivo é alcançar níveis basais de pressão arterial. É crucial destacar uma armadilha possível: o uso de corticoides pode desencadear a crise renal esclerodérmica - isso evidencia que nem todos os tratamentos na Reumatologia são baseados no uso de corticoides! Alterações cutâneas vistas na ES são compostas por esclerodactilia, dificuldade de mobilidade dos dedos, redução da expressão facial e de abertura da boca (microstomia), nariz afilado, despigmentação da pele em “sal e pimenta”, telangiectasias, úlceras nos dedos e calcinose. Esclerodactilia Fonte: desconhecida. 24 Colagenoses Calcinose Fonte: Harrison’s Principles of Internal Medicine, 2022. 3.5 Diagnóstico O diagnóstico é baseado no quadro clínico, presença de autoanticorpos (anticentrômero e antitopoisomerase 1) e capilaroscopia do leito ungueal. Até existem critérios diagnósticos adotados pelas Sociedades de Reumatologia, mas como nunca aparecem em provas, vamos te poupar dessa! 3.6 Tratamento Sobre o tratamento, é importante ter em mente que a evolução da doença é constante, pois a fibrose já estabelecida é irreversível e não há cura no momento. Assim, o espectro clínico e a gravidade da doença são importantes para direcionar o tratamento. A forma esclerose sistêmica difusa tem mais acometimento pulmonar, cardíaco e renal, enquanto a forma limitada apresenta mais vasculite, como Raynaud, telangiectasia e HAP. A gravidade, no entanto, pode ser bem diferente entre elas. Infelizmente, após diversos estudos, foram identificadas poucas medicações para evitar a progressão da doença e, ainda assim, com benefício modesto. Veja algumas terapias possíveis para as principais manifestações: • Fenômeno de Raynaud e úlceras digitais: bloqueadores de canais de cálcio. • Comprometimento cutâneo: micofenolato ou metotrexato. • Esofagopatia e refluxo: inibidores de bomba de próton, procinéticos e medidas comportamentais. • Hipertensão pulmonar: complicação grave, responsável por até 30% das mortes nesses pacientes, podendo ser tratada com inibidor de fosfodiesterase-5 (sildenafil) ou antagonista do receptor de endotelina-1 (bosentana). 25 Colagenoses Os imunossupressores, como a ciclofosfamida, são reservados para quatro situações: 1. Acometimento difuso, grave e progressivo da pele. 2. Doença intersticial pulmonar. 3. Miocardite. 4. Miosite e artropatia graves e deformantes em evolução. 4. Polimiosite e dermatomiosite Vamos falar agora de outras doenças autoimunes importantes, com CCQs bem tranquilos para as provas. Polimiosite (PM) e dermatomiosite (DM) são as duas principais miopatias inflamatórias idiopáticas, doenças que cursam com inflamação muscular crônica com causa desconhecida. E por que abordamos as duas condições juntas? Porque elas apresentam um acometimento muscular semelhante. A diferença é que a dermatomiosite, como o nome sugere, apresenta, além do acometimento muscular, manifestações cutâneas. 4.1 Clínica Responder na plataforma Questão 05 O paciente apresenta fraqueza muscular proximal e simétrica com evolução insidiosa. Costuma afetar músculos do pescoço e poupa musculatura ocular e facial. Sintomas constitucionais podem estar presentes (febre, mialgia, perda ponderal), semelhante ao que ocorre com outras doenças autoimunes. Como falamos anteriormente, o paciente com dermatomiosite apresenta, além do acometimento muscular, manifestações cutâneas. São as duas mais específicas: • Heliotropo: rash eritematoso e/ou violáceo em pálpebras superiores. • Pápulas de Gottron: rash eritematoso em região extensora dos dedos. https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=628DBFDB7B850B0D028AB082 26 Colagenoses Heliotropo Fonte: desconhecida. Pápulas de Gottron Fonte: desconhecida. 27 Colagenoses 4.2 Diagnóstico O diagnóstico é realizado a partir da clínica e de exames complementares - como principais, podemos destacar o aumento de creatinoquinase (CK) e presença de autoanticorpos. É importante ressaltar que o padrão-ouro para o diagnóstico dessas patologias é a biópsia muscular, porém, esta não é realizada rotineiramente. Os autoanticorpos mais frequentemente associados a essas doenças são o anti-Jo 1, anti-Mi 2 e anti-SRP. Embora não sejam específicos, quando presentes em associação com os sintomas clínicos, auxiliam no fechamento do diagnóstico. O rastreamento de neoplasias ocultas na dermatomiosite é uma área crucial na prática reumatológica, visando à detecção precoce de malignidades associadas a essa condição. A incidência de neoplasia maligna em indivíduos com dermatomiosite é de 2 a 3 vezes maior do que na população geral, podendo ser identificada antes, durante ou após o diagnóstico da doença. Por isso, uma abordagem estratégica para identificar sinais precoces de câncer é necessária. Recomenda-se uma avaliação sistemática, incluindo exames de imagem específicos, como tomografia computadorizada e ultrassonografia, bem como a busca por biomarcadores tumorais. Embora não haja um protocolo bem definido, o procedimento básico incluiria avaliação por ultrassonografia transvaginal, tomografia de pelve/ abdome/tórax e rastreamento direcionado de acordo com a idade e risco do paciente (por exemplo, rastreamento de câncer de mama, cólon, pulmão, entre outros). Além disso, é fundamental manter uma vigilância atenta aos sintomas atípicos ou inexplicados, a fim de direcionar investigações adicionais. Para além do Pareto 4.3 Tratamento A base do tratamento consiste na corticoterapia em doses elevadas, geralmente na ordem de 1 mg/kg/dia. Os pacientes geralmente são mantidos nesse regime até que a força muscular se normalize ou até que a melhora atinja um patamar estável, o que normalmente ocorre em um período de 3 a 6 meses. Posteriormente, é recomendado reduzir a dose de corticoide de forma lenta e gradual. Em casos refratários (que falham em apresentar melhora significativa após 2 a 4 meses de tratamento ou aqueles em que não se consegue diminuir a dose de prednisona), um agente de segunda linha é adicionado: metotrexato, azatioprina ou ciclofosfamida. 28 Colagenoses Os níveis séricos de CK são monitorados; no entanto, os ajustes de dose de prednisona e outras imunoterapias são baseados principalmente na avaliação clínica objetiva, e não apenas nos níveis de CK ou na resposta subjetiva dos pacientes. É fundamental destacar a importância de realizar o rastreamento de neoplasias ocultas nesses pacientes, dado a associação dessas condições com colagenoses. Tal procedimento visa identificar precocemente possíveis malignidades associadas a essas doenças. 5. Síndrome de Sjögren Apesar de aparecer menos do que o LES em provas, acomete cerca de 1% da população mundial - é a colagenose mais prevalente! Os pacientes com a síndrome de Sjögren apresentam deposição de imunocomplexos em praticamente todos os órgãos (os principais afetados são pulmões, rins, pele e fígado) e invasão das glândulas exócrinas por linfócitos. Em última instância, são esses fenômenosque levam às manifestações clínicas. É comum a ocorrência de outras doenças autoimunes concomitantes, como artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, esclerodermia, doença mista do tecido conectivo, cirrose biliar primária e tireoidopatia autoimune. Fique atento, pois isso pode ser uma pista tanto na prática quanto nos enunciados. 5.1 Clínica A síndrome de Sjögren é também chamada de “síndrome seca”. Os pacientes apresentam disfunção das glândulas exócrinas. São manifestações típicas: • Xeroftalmia: o ressecamento ocular pode ser tão intenso a ponto de cursar com redução da acuidade visual e predisposição a infecções. • Xerostomia: o ressecamento da boca pode ocasionar a formação de cáries e halitose. Além disso, o paciente pode apresentar disfagia. • Constipação intestinal e acloridria: manifestações muito menos cobradas em provas. O quadro pode evoluir para uma gastrite crônica atrófica. 5.2 Diagnóstico É importante salientar que, felizmente, esse tema não costuma ser uma preocupação significativa nas provas. O diagnóstico dessas condições é realizado principalmente por meio da avaliação clínica, considerando manifestações oculares, orais e outros sintomas característicos, juntamente com exames complementares. Vamos relatar os pontos principais, com os quais conseguimos acertar quase todas as questões sobre esse tópico. 5.2.1 Exames complementares • Autoanticorpos: embora não sejam específicos, como os anticorpos anti-Ro (SS-A) e anti-L a (SS-B), estão presentes em cerca de 60% e 40% dos pacientes, respectivamente, com síndrome de Sjögren. 29 Colagenoses • Envolvimento de glândula salivar: é caracterizado pela presença de um infiltrado linfocitário, que pode ser verificado por meio de biópsia. • Teste de Schirmer: é um método utilizado para avaliar a produção das glândulas lacrimais. Consiste em colocar uma fita sobre a pálpebra inferior por 5 minutos. Se a parte umedecida da fita for menor que 5 mm, sugere uma redução na secreção lacrimal. • Escore de rosa bengala: é um procedimento em que o corante chamado “rosa bengala” é utilizado para corar as áreas lesadas no epitélio da córnea, auxiliando na identificação de lesões oculares associadas à síndrome de Sjögren. Teste de Schirmer Fonte: Aristo. Observação: não é necessário identificar todas as manifestações clínicas e exames complementares para fazer o diagnóstico. Normalmente, temos nas questões um paciente com xeroftalmia e/ou xerostomia com um ou dois exames complementares positivos. 5.3 Tratamento Por ter um curso benigno na maioria dos pacientes, estes são manejados para o controle dos seus sintomas. Para isso, podemos utilizar colírios de “lágrima artificial” (lubrificantes oculares), medicamentos colinérgicos e corticoterapia nos casos refratários. Um conceito que pode ser cobrado é o aumento do risco de linfoma nos pacientes com essa síndrome, que chega a ser de 5 a 10 vezes maior que na população geral. 30 Colagenoses Esperamos que, ao final desse guia, você esteja muito mais confortável com esse grande tema da Clínica Médica. Sabemos que há muita decoreba, mas isso não será um desafio para você com o direcionamento e o treinamento ativo em série. Ótimos estudos! Referências bibliográficas 1. BAER, A. N. & HAMMITT, K. M. Sjögren’s Disease, Not Syndrome. Arthritis Rheumatol. 2021. 73(7):1347- 1348. doi: 10.1002/art.41676. Epub 2021 Jun 1. PMID: 33559389. 2. BORBA, E. F.; et al. Consenso de Lúpus Eritematoso Sistêmico. Revista Brasileira de Reumatologia. v.48, n.4, p.196-207, 2008. 3. DÖRNER, T. & FURIE, R. Novel Paradigms in systemic lupus erythematosus. The Lancet. v.393, n.1, p.2344-2358, 2019. 4. HOSPITAL DAS CLÍNICAS. Novo manual do residente de clínica médica. 3.ª ed. 2023. 5. LOSCALZO, J.; et al. Harrison’s Principles of Internal Medicine. 21.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill Education, 2022. Disponível em: https://accessmedicine.mhmedical.com/content. aspx?bookid=3095§ionid=2. 6. PONS-ESTEL, B. A. et al. First Latin American clinical practice guidelines for the treatment of systemic lupus erythematosus: Latin American Group for the Study of Lupus (GLADEL, Grupo Latino Americano de Estudio del Lupus) – Pan-American League of Associations of Rheumatology (PANLAR). Annals of the Rheumatic Diseases. v.77, n.11, p. 1549-1557, 2018. 7. SOUZA, B. C. & SANCHES, J. A. Manifestações cutâneas no lúpus eritematoso: o que o clínico precisa saber. Diagnóstico e tratamento. v. 26, n.2, p. 65-72, 2021. 8. WEST, Sterling G. Rheumatology Secrets. 4th Edition - october 13, 2019. 32 Colagenoses (IAMSPE - SP - 2019) Mulher de 20 anos apresenta artralgias, febre baixa, mal-estar e fenômeno de Raynaud. Ao exame físico: PA 150 x 95 mmHg, FC 96 bpm, temperatura de 37,9 °C. Eritema malar e livedo reticulares estão presentes, sopro sistólico ao exame cardíaco, articulações metacarpofalangianas e interfalangianas proximais inchadas. Apresenta edema em tornozelo 2+/4+. Laboratório: hematócrito 25%, plaqueta 100.000, ureia 80 mg/dL, C3 41, C4 9, FAN positivo 1/640, anti-DNA positivo 1/840, urina com proteína 4+, hemoglobina 3+, hemácias 15 por campo, cilindros hemáticos, proteinúria de 7 g/24h. O achado histológico provável, no caso de uma biópsia renal, é a) Nefropatia membranosa por lúpus. b) Nefrite lúpica mesangial. c) Nefrite lúpica proliferativa focal. d) Nefrite lúpica proliferativa difusa. e) Glomeruloesclerose focal e segmentar. Questão 01 CCQ: A nefrite lúpica proliferativa difusa é a nefropatia mais comumente associada ao lúpus e leva a um quadro grave O paciente apresenta hematúria, proteinúria maciça, edema e hipertensão arterial. Agora, devemos determinar se estamos lidando com uma síndrome nefrítica ou nefrótica. Dado que há características de ambas, podemos classificar essa síndrome como mista, resultado de uma glomerulonefrite grave, como a forma proliferativa difusa. Um dado crucial é a presença de FAN e anti-DNA positivos, juntamente com outras manifestações, como artralgia com artrite e rash malar. Isso nos faz pensar em lúpus eritematoso sistêmico. Qual é a forma mais comum de lesão renal no lúpus? É a nefrite lúpica proliferativa difusa, conforme sugerem os exames laboratoriais; lembrando que a presença do anticorpo anti-DNA está relacionada à nefrite lúpica. Para fins de revisão, é importante destacar que as duas classes de nefrite lúpica mais frequentemente cobradas são as IV e V: • Classe IV proliferativa difusa (a mais grave e comum de lesão renal, apresentando síndrome nefrítica franca e ocasionalmente nefrótica) —> “4 = quanto sangue nessa urina!”. O tratamento envolve pulsoterapia com metilprednisolona + ciclofosfamida ou micofenolato, seguido de manutenção com azatioprina e corticoides em baixa dose. 33 Colagenoses • Classe V nefropatia membranosa (caracterizada por síndrome nefrótica clássica, com aumento apenas da proteinúria) —> tratamento com corticosteroide + inibidor da ECA para controle da pressão arterial e da proteinúria (quando a função renal é normal), ou corticoides + ciclofosfamida (se houver síndrome nefrótica). Agora, analisando as opções: Alternativa A - Incorreta: A nefropatia membranosa não é a forma mais comum de lesão renal no lúpus e não justificaria as manifestações nefríticas mencionadas. Alternativa B - Incorreta: A forma mesangial não explicaria a clínica da síndrome nefrítica. Alternativa C - Incorreta: Nesta forma, teríamos apenas as manifestações nefróticas, não as nefríticas. Alternativa D - Correta: Como mencionado anteriormente, a forma proliferativa difusa é a mais comumente associada ao lúpus e é a mais grave em termos de lesão renal. Alternativa E - Incorreta: Ma is uma vez, desta forma ter íamos apenas as manifestações nefróticas. Portanto, o gabarito é a letra D! Retornar ao tópico Pular tópico 34 Colagenoses (EMCM - RN - 2022) Uma mulher de 27 anos, de etnia afrodescendente, retorna ao ambulatório de clínica médica para mostrar os resultados dos exames complementaressolicitados na última consulta. A paciente havia sido atendida em função de sintomas constitucionais (febre intermitente, mal-estar, anorexia, desânimo e artralgias) e importante queda de cabelos. Ao exame físico, havia sido observada a presença de sinovite em punhos, cotovelos, joelhos e tornozelos. Além de padrão de alopecia generalizada (eflúvio telógeno). Havia histórico familiar de artrite reumatoide, lúpus eritematoso e tireoidite de Hashimoto. A paciente negava tabagismo e etilismo, referindo apenas uso regular de contraceptivo hormonal oral. Os resultados dos exames complementares solicitados à ocasião da 1.ª consulta revelaram: hemoglobina = 10,2 g/dL (valor de referência: 12 a 15,5 g/dL); contagem de plaquetas = 102.000/mm³ (valor de referência: 150.000 a 400.000/mm³); leucograma (incluindo diferencial) normal; TSH = 8 UI/ml (valor de referência: 0,9 a 1,9 ng/dL); FAN = presente em título 1:640 (valor de referênciao quadro clínico é de acometimento do esqueleto axial, não há correlação com esofagopatia ou manifestações cutâneas como as citadas. Portanto, o gabarito é a letra A! 38 Colagenoses (HC-UFPR - 2022) Qual das doenças reumatológicas abaixo apresenta a maior associação com o fenômeno de Raynaud? a) Artrite reumatoide. b) Dermatomiosite. c) Esclerose sistêmica. d) Lúpus eritematoso sistêmico. e) Síndrome de Sjögren. Questão 04 CCQ: O fenômeno de Raynaud apresenta grande associação com a esclerose sistêmica O fenômeno de Raynaud é uma resposta vascular exagerada ao frio ou estresse emocional. Ele é considerado primário se esses sintomas ocorrerem isoladamente, sem evidência de qualquer distúrbio associado. Já a doença secundária refere-se à presença de Raynaud em associação com uma doença relacionada, entre elas a esclerose sistêmica (esclerodermia). Veja abaixo algumas doenças reumatológicas autoimunes associadas ao fenômeno de Raynaud: • Esclerodermia. • Lúpus eritematoso sistêmico. • Polimiosite/dermatomiosite. • Síndrome de Sjögren. • Doença indiferenciada do tecido conjuntivo. • Doença mista do tecido conjuntivo. Entretanto, a questão nos pergunta qual delas apresenta mais associação com Raynaud. Essa doença é a esclerose sistêmica. Lembre-se: a primeira manifestação clínica na esclerose sistêmica é o fenômeno de Raynaud, que ocorre em mais de 90% dos pacientes e constitui um achado bastante importante para o diagnóstico precoce da doença. Sinais e sintomas do fenômeno de Raynaud: • Mudança de cor digital: palidez seguida de cianose e eritema. • Dor. • Livedo reticular. 39 Colagenoses Retornar ao tópico Pular tópico • Fatores precipitantes: • Exposição ao frio. • Estresse emocional. Vamos analisar as alternativas: Alternativa A - Incorreta: O fenômeno de Raynaud pode estar associado com a artrite reumatoide (AR), mas apresenta maior associação com esclerose sistêmica. Os sintomas mais comuns da AR são os da artrite em qualquer articulação do corpo, sobretudo mãos e punhos. Alternativa B - Incorreta: Como visto acima, o fenômeno de Raynaud pode estar associado à dermatomiosite, mas apresenta maior associação com esclerose sistêmica. Aqui, devemos lembrar das pápulas e sinal de Gottron (patognomônicos da doença). Alternativa C - Correta: Como visto acima, a primeira manifestação clínica na esclerose sistêmica é o fenômeno de Raynaud, que ocorre em mais de 90% dos pacientes e constitui um achado bastante importante para o diagnóstico precoce da doença. Alternativa D - Incorreta: O fenômeno de Raynaud pode estar associado ao LES, mas apresenta maior associação com a esclerose sistêmica. As manifestações clínicas mais frequentes são lesões de pele (80% dos casos). Lembre-se da lesão em asa de borboleta. Alternativa E - Incorreta: O fenômeno de Raynaud pode estar associado ao Sjögren, mas apresenta maior associação com esclerose sistêmica. Lembre-se que é uma doença autoimune que se caracteriza principalmente pela manifestação de olhos e boca secos (sicca, ou síndrome sicca). Assim, o gabarito é a letra C! 40 Colagenoses (SES-GO - 2022) Mulher de 43 anos, queixando-se de dificuldade em pentear os cabelos, subir escadas e disfagia. Clinicamente, apresentava eritema róseo-violáceo nas pálpebras, região malar, fronte e têmporas com edema periorbitário. Nas mãos, apresentava placas eritematosas sobre as articulações interfalangeanas e máculas eritemato-violáceas na região do V do decote. Os exames laboratoriais demonstravam aumento dos níveis séricos de creatinofosfoquinase, aldolase, transaminases (ALT, AST) e desidrogenase láctica. Nesse caso, o diagnóstico da paciente é: a) Esclerose sistêmica. b) Dermatomiosite. c) Lúpus eritematoso discoide. d) Lúpus eritematoso subagudo. Questão 05 CCQ: Fraqueza muscular simétrica + pápulas de Gottron + heliotropo são achados que sugerem o diagnóstico de dermatomiosite Estamos diante de uma paciente com achados muito característicos de uma doença reumatológica, a dermatomiosite. A dermatomiosite (DM) é uma doença inflamatória idiopática que acomete musculatura e pele, sendo prevalente em mulheres de meia-idade. Podemos destacar que a fraqueza muscular é a principal manifestação clínica, é simétrica, tem início insidioso e predomínio proximal. No que diz respeito às manifestações cutâneas, destacam-se dois achados considerados PATOGNOMÔNICOS. • Pápulas de Gottron: presença de exantema nos “nós” dos dedos das mãos. Pápulas de Gottron Fonte: desconhecida. 41 Colagenoses • Heliotropo: coloração roxo-azulada nas pálpebras, com ou sem edema. Outros achados cutâneos: • Poiquilodermia em “V” do decote (sinal do xale): são máculas eritêmato-poiquilodérmicas distribuídas nos ombros, braços, V do decote ou dorso. Poiquilodermia em “V” do decote (sinal do xale) Fonte: Dermatomiosite. Scielo, 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abd/a/L8TqXmckhCrMdSypGtzhkPQ/?lang=pt#. Eritema e edema periorbitário (heliotropo), acompanhados de fotossensibilidade Fonte: Dermatomiosite. Scielo, 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abd/a/L8TqXmckhCrMdSypGtzhkPQ/?lang=pt#. Voltando ao caso: note que a paciente apresenta achados típicos (patognomônicos) dessa doença que são as pápulas de Gottron (manchas avermelhadas no dorso das mãos) e o heliotropo (manchas avermelhadas nas pálpebras). Além disso, também apresenta poiquilodermia em V (sinal do xale) e fraqueza muscular simétrica, que é a principal manifestação clínica da doença. 42 Colagenoses Algo a mais: a principal manifestação pulmonar na polimiosite é a pneumonia aspirativa. Agora que entendemos o tema, vamos às alternativas? Alternativa A - Incorreta: A esclerose sistêmica é uma colagenose caracterizada pela produção em excesso e deposição de colágeno nos tecidos acometidos, além de promover disfunção microvascular, gerando fibrose, principalmente cutânea. Pode ter diferentes formas de acometimento: cutânea difusa, cutânea limitada e visceral. Pensaríamos nessa doença como possibilidade diagnóstica diante da presença de espessamento cutâneo, fenômeno de Raynaud, esclerodactilia, esofagopatia, acometimento pulmonar, dentre outras manifestações. Alternativa B - Correta: A paciente apresenta achados típicos (patognomônicos) da dermatomiosite, que são as pápulas de Gottron e o heliotropo. Além disso, também apresenta poiquilodermia em V e fraqueza muscular simétrica, que é a principal manifestação clínica da doença. Alternativa C - Incorreta: No lúpus discoide esperaríamos encontrar lesões infiltradas, inicialmente eritematosas e com escamas aderentes que evoluem com atrofia e cicatrizes. Acomete principalmente couro cabeludo, pálpebras, sobrancelhas, pavilhão auricular, entre outros locais. Alternativa D - Incorreta: No lúpus cutâneo subagudo esperaríamos encontrar dois tipos de lesões, as psoriasiformes e as anulares. O surgimento dessas lesões pode ser precipitado pelo uso de medicações, consumo de alguns alimentos, tabaco e infecções. Dessa forma, o gabarito é a letra B! Retornar ao tópico Pular tópico Colagenoses Colagenoses Colagenoses Sumário 1. Lúpus eritematoso sistêmico (LES) 1.1 Epidemiologia 1.2 Fisiopatologia 1.3 Quadro clínico 1.3.1 Manifestações mucocutâneas 1.3.2 Manifestações renais Questão 01 1.3.3 Manifestações musculoesqueléticas 1.3.4 Serosites 1.3.5 Manifestações psiquiátricas e neurológicas 1.3.6 Hematológico 1.4 Autoanticorpos Questão 02 1.5 Critérios diagnósticos 1.6 Tratamento e prognóstico 1.7 Lúpus e gestação 1.8 Lúpus fármaco-induzido 2. Síndrome do anticorpo antifosfolipídio 2.1 Critérios clínicos 2.2 Critérios laboratoriais 2.3 Tratamento 3. Esclerose sistêmica (ES) 3.1 Epidemiologia 3.2 Fisiopatologia 3.3 Clínica e classificação Questão 03 3.3.1 Fenômeno de Raynaud Questão 04 3.4 Envolvimento de órgãos internos 3.5 Diagnóstico 3.6 Tratamento 4. Polimiosite e dermatomiosite 4.1 Clínica Questão 05 4.2 Diagnóstico 4.3 Tratamento5. Síndrome de Sjögren 5.1 Clínica 5.2 Diagnóstico 5.2.1 Exames complementares 5.3 Tratamento