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Antes de julgar moralmente uma ação, é necessário compreender como ela é simbolicamente construída no discurso. Paul Ricoeur (1988) propõe que o agir humano deve ser analisado a partir da linguagem que o expressa, pois é no “dizer do fazer” que se revelam as intenções, as estratégias e os sentidos da ação. Essa abordagem desloca o foco da normatividade para a compreensão prévia do agir como experiência interpretada. Leia o trecho a seguir: “É aqui que proponho uma investigação prévia à própria ética, a saber, uma descrição e uma análise dos discursos em que o homem diz o seu fazer, abstraindo do louvor e da censura pelos quais qualifica o seu fazer em termos de moralidade. O dizer do fazer pode também considerar-se a vários níveis: nível dos conceitos empregues na descrição da ação; nível das proposições em que a própria ação vem enunciar-se; nível dos argumentos em que se articula uma estratégia de ação” (Ricoeur, 1988. p. 11). De que maneira o pensamento de Paul Ricoeur contribui para uma compreensão mais profunda do agir ético? A. Considera a ética como dependente da linguagem e da forma como o sujeito enuncia sua ação, valorizando os níveis conceituais, descritivos e argumentativos do discurso. B. Assume que a ética é um produto de julgamentos de valor previamente definidos por sistemas morais coletivos que influenciam de forma unidireconal os sujeitos. C. Entende a ética como uma prática fundamentada e na espontaneidade das ações e, portanto, constantemente mutáveis e diferentes na percepção de um sujeito para outro. D. Reduz a ética ao campo das intenções subjetivas, já que a dimensão das ações comunicadas ou justificadas no espaço público compreende a moral, ou seja, os valores baseados nas ações. E. Vincula a ética à aplicação direta de normas jurídicas, considerando o rigor do formato da norma em detrimento da maleabilidade de seu conteúdo. image1.wmf