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Processos Cognitivos 
e Aprendizagem
Unidade 2
Atenção, Percepção, Memória e Emoção
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria
CLÁUDIA M. C. DIAS
AUTORIA
Cláudia M. C. Dias
Sou formada em Pedagogia e Doutora em Ciências da Educação 
pela Universidade de Alicante. Possuo experiência como psicopedagoga 
e docente a mais de 29 anos. Sou apaixonada pelo que faço e adoro 
transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas 
profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu 
elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você 
nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Atenção - percepção e memória .......................................................... 12
O que é atenção? ........................................................................................................................... 12
Conceito de atenção ................................................................................................. 13
Atenção seletiva: o que é? .................................................................................... 13
Atenção sustentada ................................................................................................... 14
Atenção focalizada...................................................................................................... 15
Atenção dividida ........................................................................................................... 15
Percepção ............................................................................................................................................. 15
A Memória ........................................................................................................................................... 18
Um pouco de história................................................................................................ 18
Esquemas: os estudos de Bartlett .................................................................. 20
Memória uma questão cerebral ...........................................................................................23
Emoção - conceitos e categorização ................................................ 25
Emoção .................................................................................................................................................28
O desenvolvimento emocional ........................................................................ 30
A expressão emocional ............................................................................................................... 31
Funções executivas - resolução de problemas e linguagem ..34
O que são as funções executivas? ....................................................................................34
Primeira infância: o que é? ....................................................................................37
Primeira Infância no Brasil ....................................................................................37
Resolução de problemas ......................................................................................................... 38
Perspectiva histórica ................................................................................................. 39
Estratégias para resolver problemas ............................................................ 40
Linguagem ........................................................................................................................................... 41
Linguagem e psicologia cognitiva ..................................................................42
O processo escolar de ensino-aprendizagem ................................44
A cognição na escola ...................................................................................................................44
Conceito de aprendizagem ..................................................................................47
Aprendizagem e suas definições ....................................................................47
Como aprendemos? ..................................................................................................................... 49
Como ensinamos? .......................................................................................................................... 51
Concepções de aprendizagem ............................................................................................52
9
UNIDADE
02
Processos Cognitivos e Aprendizagem
10
INTRODUÇÃO
Você sabia que os processos cognitivos estão relacionados à vida 
escolar de nossos alunos? Já parou para pensar que o desenvolvimento 
cognitivo deve ser trabalhado na escola desde os primeiros dias de aula? 
Pensando nisso, convidamos você para a conhecer e analisar uma revisão 
da literatura sobre esse tema, visando contribuir para a compreensão dos 
processos cognitivos. Nesta unidade serão apresentados os conceitos de 
atenção, percepção e memória. Sobre a atenção, iremos apresentar sua 
definição e conhecer suas características. A partir disso, estudaremos a 
percepção e aprofundaremos nossos conhecimentos sobre a memória. 
Na sequência, vamos conhecer os conceitos e algumas categorizações 
da emoção. Esses temas são relevantes para entendermos as funções 
executivas e como elas estão ligadas à resolução de problemas e ao 
desenvolvimento cognitivo da linguagem, temas do terceiro tópico 
desse capítulo. No último tópico conheceremos algumas teorias de 
aprendizagem e alguns conceitos relacionados ao processo de ensino 
aprendizagem. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
11
OBJETIVOS
Olá, seja bem-vindo à Unidade 2. Nosso objetivo é auxiliar você à 
atingir os objetivos previstos para esta unidade de estudos, são eles:
1. Explicar os conceitos de atenção, percepção e memória. 
2. Interpretar teorias do desenvolvimento da emoção no indivíduo. 
3. Identificar funções executivas, resolução de problemas e 
linguagem.
4. Interpretar o processo de ensino-aprendizagem, conceitos e 
características. 
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho!
Processos Cognitivos e Aprendizagem
12
Atenção - percepção e memória
OBJETIVO:
Ao término do estudo deste capítulo você será capaz 
de analisar os conceitos de atenção e percepção sob 
a perspectiva da psicologia cognitiva. Conhecer os 
estudos sobre a memória e suas relações com a atenção 
e a percepção. E então? Motivado para desenvolver essa 
competência? Então vamos lá.
O que é atenção? 
Considerada como uma das funções mais importantes de nosso 
cérebro, a atenção é reconhecida como uma temáticaestudante e na vida real, que busca induzir o raciocínio 
estatístico por meio da discussão crítica.
5. Simulações situadas: os alunos se envolvem, colaborativamente, 
na resolução de problemas simulados ou casos tomados da vida 
real. 
6. Aprendizagem in loco: baseia-se no modelo contemporâneo 
de cognição situada, que toma a forma de uma aprendizagem 
cognitiva, a qual busca desenvolver habilidades e conhecimentos 
próprios da profissão, assim como a participação na solução de 
problemas sociais ou da comunidade a que pertença. 
As estratégias em todas as perspectivas são importantes para 
definir uma linha metodológica de trabalho. Assim, Cescon (2016) destaca 
algumas estratégias de ensino situado: ´
 • Aprendizagem centrada na solução de problemas autênticos.
 • Análise de casos. 
 • Métodos de projetos.
 • Práticas situadas ou aprendizagem in loco em cenários reais. 
 • Aprendizagem no serviço (service learning).
 • Exercícios, demonstrações e simulações situadas. 
 • Aprendizagem mediada pelas novas tecnologias da informação e 
comunicação (NTIC). 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
55
RESUMINDO:
Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo? Agora, 
só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo desse capítulo, vamos resumir tudo o que 
vimos. Você deve ter aprendido que o desenvolvimento dos 
estudos sobre a linguagem desencadeia pesquisas sobre 
o processo escolar de ensino-aprendizagem. Logo, se fez 
necessário dar sentido e significado ao termo aprendizagem 
para entender o contexto escolar a partir dos paradigmas 
da psicologia e da pedagogia. Também, verificamos que 
algumas concepções de aprendizagem se fundamentam 
em teorias do desenvolvimento humano e estas, por 
sua vez, intervêm no processo escolar para contribuir na 
compreensão do processo ensino-aprendizagem.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
56
REFERÊNCIAS
ALMEIDA et al. Dicionário Escolar de Filosofia. São Paulo: Ed. 
Plátano, 2009.
BADDELEY, A. D. Working memory. England: Oxford University 
Press, 1986.
BADDELEY, A. D. e HITCH, G. Working Memory: Recent advances in 
learning and motivation. New York: Academic Press, 1974.
BARTLETT, F. C. Remembering: A study in experimental and social 
psychology. Cambridge: Cambridge University Press, 1932.
BEST, J. B. Psicologia Cognitiva, Madrid: Thomson Editores, 2001.
BRUNING, R. H; SCHRAW, G. J; NORBY, M. Psicología cognitiva y de 
la instrucción. Madrid: Pearson Educación, 2012.
CESCON, E. Cognição situada e aprendizagem em contextos 
escolares. Caxias do Sul: UCS, 2016. Versão online Disponível em: 
https://bit.ly/3r7nIMW. Acesso em: 05 fev.2021.
CHAUÍ, M. Convite à Filosofia. São Paulo: Ed. Ática, 2000.
DIAZ, F. O processo de aprendizagem e seus transtornos. São 
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FALCÃO, J. Matrizes do pensamento psicológico. Petrópolis: 
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GAGNÉ, E. D. La psicología cognitiva del aprendizaje escolar. São 
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GARDNER, H. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Porto 
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GIUSTA, A. S. (2013). Concepções de aprendizagem e práticas 
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RAAIJMAKERS, J. G. W.; SHIFFRIN, R. M. SAM: A theory of probabilistic 
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Processos Cognitivos e Aprendizagem
57
KUBO. O. et al. Ensino-aprendizagem: uma interação entre os 
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Acesso em: 05 fev.2021.
LEZAK M. D. Principles of Neuropsychological Assessment 
In: Feinberg, T. E. and Farah, M. J. Behavioural Neurology and 
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LURIA, A. R. El cérebro em acción. Barcelona: Editora Manole,1977.
MAJOLINO, E. FUNZIONI Esecutive: Specificazione, Aspetti 
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PASSMORE, J. O conceito de ensino. London: Duckworth, 1980 p. 
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Pergher G.K. et al. Estudos sobre a memória na depressăo: achados 
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OLIVA, A. D., OTTA, E., RIBEIRO, F. L., BUSSAB, V. S. R., Lopes, F. A., 
Yamamoto, M. E., & Moura, M. L. S. 2006. Razão, emoção e ação em cena: a 
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PALHOÇO, A. R. M. S. Estudo da empatia e da percepção de 
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PINHEIRO, M. Aspectos históricos da neuropsicologia: subsídios 
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ROSELLÓ, C; LLERA, J. B; MARTINEZ, F. R. Psicología de la 
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Processos Cognitivos e Aprendizagem
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SAARNI, C. et al. Children understanding of emotion. USA: 
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SANCOVSCHI, B. & KASTRUP, V. 2013. Práticas de estudo 
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WATSON, J. B. Psychology from the standpoint of a behaviorist. 
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Processos Cognitivos e Aprendizagem
	_1t3h5sf
	_GoBack
	_3rdcrjn
	_Hlk63748789
	Atenção - percepção e memória
	O que é atenção? 
	Conceito de atenção
	Atenção seletiva: o que é?
	Atenção sustentada
	Atenção focalizada
	Atenção dividida
	Percepção
	A Memória 
	Um pouco de história
	Esquemas: os estudos de Bartlett
	Memória uma questão cerebral
	Emoção - conceitos e categorização 
	Emoção 
	O desenvolvimento emocional 
	A expressão emocional
	Funções executivas - resolução de problemas e linguagem
	O que são as funções executivas? 
	Primeira infância: o que é?
	Primeira Infância no Brasil 
	Resolução de problemas
	Perspectiva histórica
	Estratégias para resolver problemas
	Linguagem
	Linguagem e psicologia cognitiva
	O processo escolar de ensino-aprendizagem
	A cognição na escola
	Conceito de aprendizagem
	Aprendizagem e suas definições 
	Como aprendemos?
	Como ensinamos?
	Concepções de aprendizagemde máxima 
importância por muitos pesquisadores. A atenção é uma das atividades 
mais complexas do cérebro e para estudá-la é necessário que estejamos 
atentos. Nossa vida e realidade estão cheias de símbolos que nos 
remetem a um determinado momento ou ponto de atenção. 
Figura 1: Ponto de atenção 
Fonte: Pixabay
Processos Cognitivos e Aprendizagem
13
Pois bem, atenção é dar foco a determinado acontecimento, aspecto 
ou fato em detrimento de outras situações que estão acontecendo. Você 
está prestando atenção? Quantas vezes já te fizeram essa pergunta? 
Vamos conhecer o conceito de atenção?
Conceito de atenção
Atenção se refere à concentração e ao foco da atividade mental 
(MATLIN, 1983 apud BEST, 2001, p. 41). Em outras palavras, é o esforço 
mental que se realiza conscientemente para eleger um determinado 
estímulo. 
Segundo Luria (1984) a atenção é o fator responsável por extrair 
os elementos essenciais para a atividade mental, um processo que 
mantém uma vigilância sobre o curso preciso e organizado da atividade 
mental. Já William James destaca a seletividade como um parâmetro de 
possessão pela mente, de forma clara e vívida, de um entre vários objetos 
ou pensamentos que podem aparecer simultaneamente (REBOLLO et al., 
2006). 
REBOLLO et al., (2006) sinalizam e incluem alguns aspectos sobre 
a atenção denominados de preparação, que é conhecido como memória 
de funcionamento ou como memória seletiva. O autor classifica a atenção 
como: atenção seletiva, atenção sustentada, atenção focalizada e atenção 
dividida. Agora vamos conhecer os tipos de atenção.
Atenção seletiva: o que é?
São necessárias duas perguntas prévias para iniciar o estudo e 
denominar o que é a atenção seletiva: Você consegue dirigir e dançar ao 
mesmo tempo que está falando por telefone? É fácil? Talvez você seja um 
craque em comer e cantar ao mesmo tempo em que realiza exercícios 
de yoga? Parecem ideias e ações controversas, mas na realidade, pode 
ser que consigamos executar uma atividade ou outra, desde que não 
tenhamos nenhum estímulo que desvie nossa atenção. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
14
Quando selecionamos um estímulo principal e descartamos 
outros, ou seja, aqueles que consideramos secundários para completar 
uma tarefa ou ação, estamos categorizando nossa atenção. Então, essa 
escolha seletiva se caracteriza pela seleção de uma mensagem principal 
em detrimento de um conjunto de informações que denominamos como 
secundário. Por isso, chamamos esse tipo de seleção da informação de 
atenção seletiva. 
Atenção sustentada
Quantas horas de estudo você consegue manter em uma rotina 
diária? Podemos afirmar que a atenção sustentada está relacionada à 
quantidade de tempo que o indivíduo consegue focalizar sua atenção em 
uma tarefa. 
A atenção sustentada nos permite investigar a temporalidade e 
qualidade da atenção de um determinado indivíduo. Sancovschi e Kastrup 
(2013) afirmam que:
o problema da sustentação da atenção resume-se a 
como fazer com que a atenção se mantenha de maneira a 
garantir que a tarefa seja realizada com eficiência. Portanto, 
trata-se, de uma questão de performance e não de um 
tempo necessário à experiência de estudo. (SANCOVSCHI 
E KASTRUP, 2013, p. 195) 
As autoras apresentam em seus estudos as duas possibilidades que 
foram analisadas por W. James para sustentar a atenção: a via do esforço e 
a via do interesse. De acordo as os estudos de W. James, o tempo que um 
indivíduo deve dedicar aos estudos dependerá exclusivamente de seu 
interesse pela tarefa que será executada. 
 A preocupação central no estudo sobre a atenção sustentada está 
baseada, fundamentalmente, na análise de como esse tipo de atenção 
influencia no desempenho da realização de uma tarefa pelo indivíduo. 
Um exemplo de atenção sustentada é manter-se concentrado por 
três a quatro horas em determinada atividade como ler um livro, assistir 
uma palestra ou um filme.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
15
Atenção focalizada
A atenção focalizada ou concentrada está relacionada a situações 
em que, ao contrário da atenção seletiva, o foco se dá a apenas uma 
atividade ou situação. Nesse caso, a atenção está voltada para uma 
única ação e não conta com a intervenção de fatores externos. Nesses 
casos, a pessoas se desligam completamente do ambiente e focam 
exclusivamente na atividade que estão realizando naquele momento.
Atenção dividida
A atenção dividida ou alternada permite que o indivíduo realize 
mais de uma atividade ao mesmo tempo. É necessário cuidar para não 
confundir com falta de foco. Para muitas pessoas, por exemplo, é fácil 
estudar e ouvir música ao mesmo tempo, pois consideram que sejam 
tarefas complementares. No entanto, para algumas pessoas isso resulta 
em algo extremadamente difícil, às vezes sendo impossível realizar duas 
atividades ao mesmo tempo. 
Agora que já conhecemos um pouco sobre os tipos de atenção, 
vamos entender o conceito de percepção. Você já parou para pensar no 
significado de percepção? Vamos ver o que alguns autores falam sobre a 
percepção?
Percepção
Segundo o dicionário Aurélio percepção é: ação ou efeito de 
perceber, de compreender o sentido de algo por meio das sensações ou 
da inteligência, percepção do sofrimento, do clima, entre outros.
Em outras palavras, sempre que entendemos o frio ou o calor, o 
quente ou o gelado, o triste ou o feliz estamos passando por situações 
de percepções. 
De acordo com Chauí (2000), a percepção da sensação, conforme 
a tradição filosófica do século XX, se dá pelo grau de complexidade. 
Enquanto a sensação é definida como uma reação corporal imediata a 
um estímulo ou excitação externa, sem que seja possível distinguir no 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
16
momento da sensação o estímulo exterior e interior. Assim, quando um 
sujeito verbaliza que algo está quente, por exemplo, quer dizer que a 
comida está quente, isto é, as qualidades são sentidas de forma mais 
ampla e complexa do que uma sensação isolada. Concluindo, só existem 
sensações sob a forma de percepções, isto é, sínteses de sensações 
(CHAUÍ, 2000). 
Chauí (2000) explica que a sensação seria um ponto do objeto 
externo que entra em contato com algum dos sentidos para chegar ao 
cérebro e retornar ao ponto de origem sensorial. A causa do conhecimento 
sensível é a coisa externa, de modo que a sensação e a percepção são 
efeitos passivos de uma atividade dos corpos exteriores sobre o nosso 
corpo (CHAUÍ, 2000, p 152). Chauí (2000) expõe que o termo alemão 
Gestalt significa: configuração, figura, estrutura, forma. 
A percepção é o modo como tomamos consciência dos objetos, em 
especial sobre aquilo que nos é dado pelos sentidos (ALMEIDA et al., 2009, 
p. 201). A pergunta que muitos filósofos colocam acerca da percepção 
é a seguinte: será que o fato de percebermos objetos é suficiente para 
justificar a nossa crença na sua existência fora da nossa consciência? 
A percepção apresenta as seguintes características em torno do 
seu conceito, de acordo com Chauí (2000): 
 • Uma experiência dotada de significação.
 • A organização de formas e estruturas do mundo que estão dotadas 
de sentido.
 • Uma relação do sujeito com o mundo exterior e não uma reação 
físico-fisiológica de um sujeito físico-fisiológico a um conjunto de 
estímulos externos (empirismo), nem uma ideia formulada pelo 
sujeito (intelectualismo).
 • Forma de comunicação que estabelecemos com os outros e com 
as coisas. 
 • Um campo perceptivo que indica a relação entre o corpo, sujeito 
e objetos num campo de significações visuais, tácteis, olfativas, 
gustativas, sonoras, motrizes, espaciais, temporais e linguísticas.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
17
 • Envolvimento de contextos: personalidade, história pessoal, 
afetividade, desejos, paixões como forma fundamental do ser 
humano estar no mundo. 
 • Envolvimento social, sociedade e grupo. 
 • Uma maneirade ter ideias sensíveis ou significações perceptivas.
 • Estar sujeito ao erro: ilusão. 
Além das características apresentadas pela autora, vamos conhecer 
outras definições de “percepção”. Aqui faremos uma exposição sobre 
diferentes concepções do termo, conforme a corrente teórica: 
1. Empiristas: a percepção seria advinda de uma associação 
de sensações. As sensações se dariam no estímulo externo, 
em contato com os órgãos dos sentidos e seria processada 
organicamente, dando origem à percepção. 
2. Intelectualistas: a percepção é considerada a interpretação dada 
por um sujeito ativo, das situações vivenciadas. Em outras palavras, 
depende das condições particulares do sujeito e está passível de 
equívocos.
A partir do século XX, essas concepções são ampliadas com 
contribuições da filosofia e da psicologia, dando origem a duas outras 
correntes, que não diferenciam sensação de percepção, sendo elas: 
3. Fenomenologia do conhecimento: a percepção é considerada 
como origem e parte principal do conhecimento humano, mas 
é compreendida pela subjetividade do sujeito construída na sua 
relação com o ambiente. 
4. Psicologia da forma (ou Gestalt): considera a relação entre os 
estímulos e como os percebemos, difere o todo das partes para 
construirmos uma percepção. 
Antes de passarmos para nosso próximo tópico de estudo que é 
a memória, observe uma imagem da psicologia Gestalt, nessa imagem 
algumas pessoas visualizam dois rostos enquanto outras visualizam um 
vaso, esse é um exemplo de percepção visual.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
18
Figura 2 – Imagem da Psicologia da Forma (ou Gestalt)
 
Fonte: Pixabay
A Memória 
Certamente você já deve ter parado para pensar nas histórias 
mais emocionantes de sua vida. Bem, não nos colocaremos nostálgicos, 
porque falar sobre memória irá ampliar nossas considerações profissionais 
e pessoais. Por exemplo, você se recorda do primeiro dia de escola? Qual 
foi a primeira palavra que disse no entorno familiar?
Um pouco de história
Vamos conhecer um pouco sobre o trabalho de um filósofo e 
psicólogo chamado Hermann Ebbinghaus (1850 – 1909). Suas pesquisas 
contribuíram para o desenvolvimento de um vasto campo de estudos 
sobre a memória. Ebbinghaus decidiu estudar a memória a partir de 
novos conhecimentos. Um de seus experimentos consistia em estudar 
uma combinação de sílabas sem sentido, com o objetivo de aprender e 
recordar. Como um grande pesquisador experimental, controlou o estudo 
de cada sílaba com um metrônomo que marcava o ritmo a cada dois a dois 
e meio segundos, dependendo do tipo de estudo (BADDELEY, 1986 apud 
BEST, 2001). Em linhas gerais, para verificar a efetividade do experimento, 
desenvolveu um método para avaliar os resultados e elaborou o que ficou 
conhecido como curva do esquecimento.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
19
Figura 3 – Hermann Eddinghaus
Fonte: Wikimedia Commons
Depois da grande colaboração de Ebbinghaus que até hoje recebe 
admiração em diversos contextos profissionais, veremos que o enfoque 
do processamento de informação da memória ganha grande espaço 
como campo de investigação e pesquisa. 
Pois bem, dentro do enfoque do processamento de informação, 
entendemos como funciona um sistema de componentes que deposita 
ou armazena dados que são possíveis de ser representados e que 
recebem o nome de códigos cognitivos. É importante destacar que essa 
perspectiva descreve que os códigos cognitivos podem ser transferidos 
de um depósito a outro, chamados de processo de controle e que um 
desses “armazéns” é denominado registro sensorial (BEST, 2001, p. 88). 
REFLITA:
Agora imagine quanta informação recebemos ao longo 
de uma hora, um dia e um ano, ou melhor, durante nossa 
vida. Existe espaço suficiente para armazenar toda essa 
informação? Quais os tipos de estímulos sensoriais que 
recebem informação constantemente? Pense! Para cada 
registro sensorial há um sentido e toda a informação 
recebida é alterada pelo fator tempo. Afinal, quantas 
memórias realmente possuímos?
Processos Cognitivos e Aprendizagem
20
É importante lembrar que falar da quantidade de componentes de 
nossa memória nos faz perceber que existem inúmeras lembranças e que 
recuperá-las ou guardá-las, às vezes, não é tarefa nada fácil. 
 Observe no quadro a seguir algumas pesquisas que relatam tipos 
de memória e os autores que desenvolveram essas pesquisas.
Quadro 1: Estudos contemporâneos sobre a Memória
Fonte: Elaborado pela Autora (2021).
Já que estamos falando de pesquisa, vamos conhecer o estudo de 
Bartlett? Ele, assim como outros pesquisadores, dedicou suas pesquisas 
ao estudo da memória e desenvolveu um teste de memória. Vamos ver o 
que ele descobriu?
Esquemas: os estudos de Bartlett
Bartlett (1932) realizou diversos estudos com amigos e estudantes 
universitários na Inglaterra e definiu o esquema como “uma organização 
ativa das reações ou experiências passadas” (BARTLETT, 1932 apud 
BEST, 2001). Seu objetivo era verificar como se armazenava e conservava 
a informação significativa na memória do sujeito. Os materiais utilizados 
foram: contos populares, fábulas, entre outros. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
21
Exemplo: Leia duas vezes a história que aparece na tabela estória 
da Guerra dos Fantasmas a seguir. Descanse por 15 minutos. Logo em 
seguida, escreva tudo que puder lembrar com riqueza de detalhes. Por 
último, compare seu resultado com os resultados dos indivíduos de 
Bartlett no quadro 3. 
 Quadro 2: Estória da “Guerra dos fantasmas”
Uma noite, dois jovens de Egulac desceram ao rio para caçar focas e 
enquanto estavam por ali, o rio se cobriu de bruma e de silêncio. Logo ouviram 
gritos de guerra e disseram: “Pode ser que seja de uma reunião de guerra”. 
Correram até a margem do rio e se esconderam atrás de uma árvore. Agora, 
as canoas remetiam-se ao rio e eles escutavam o som dos remos e viram uma 
canoa que vinha em sua direção. Havia cinco homens na canoa que disseram:
“Que opinam? Gostaríamos de levá-los conosco. Estamos regressando 
ao rio para guerrear com outros”. Um dos jovens disse: “Não temos flechas”. 
Eles disseram: “Levamos flechas na canoa”.
“Não irei com vocês. Podem matar-me. Meus parentes não sabem onde 
fui. Mas você”, disse voltando-se a seu companheiro, “pode ir com eles”.
Um dos jovens foi com os guerreiros, mas o outro voltou para casa.
Os guerreiros regressaram ao rio e chegaram a um povoado do outro 
lado de Kalama. As pessoas desceram ao rio e começaram a lutar, muitos 
morreram. Mas, na contenda o jovem ouviu dizer a um dos guerreiros: “Rápido, 
voltemos para casa: esse índio foi alcançado”. O companheiro ferido pensou: 
“Oh, são fantasmas”. Não se sentiu enfermo. “Eles disseram que eu estava 
ferido, mas não me senti enfermo”. 
Contou tudo e logo ficou tranquilo. Quando saiu o sol, caiu. Algo negro 
saía de sua boca. Sua face estava desencaixada. As pessoas saltavam e 
gritavam. Estava morto.
Fonte: Adaptado e traduzido de Bartlett, 1932 apud Best (2001, p. 124) 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
22
Quadro 3: Esforço de um dos sujeitos de Bartlett (1932) 
para reproduzir a história “Guerra dos fantasmas”
Primeira reprodução 15 minutos após ouvir a história:
Dois jovens de Egulac saíram para caçar focas. Acreditaram ouvir gritos 
de guerra e em um minuto ouviram ruídos de remos de canoa. Em uma destas 
canoas havia cinco nativos, que se dirigiram para onde eles estavam. Um dos 
nativos gritou: “Venha conosco: vamos guerrear com os nativos da parte alta 
do rio”. Os dois jovens responderam “Não temos flechas”. “Têm flechas nas 
nossas canoas”, responderam. Então, um dos jovens disse: “Meus conhecidos 
não sabem aonde fui”, mas voltando a seu companheiro disse: “você pode ir”. 
Portanto, um voltou enquanto o outro resolveu ir com os nativos.
O grupo regressou ao rio até um povoado ao lado de Kalam, onde 
desembarcaram. Os nativos dessa parte desceram ao riopara enfrentá-los. 
Produziu-se uma carnificina e muitos índios, dos dois lados, acabaram mortos. 
Logo, um dos nativos que dirigiu a expedição rio acima gritou “Regressaremos: 
o índio caiu”. Tentou persuadir o jovem para que regressasse, dizendo-lhe que 
estava ferido, mesmo que ele não se sentisse enfermo. Logo, pensou que 
enxergava fantasmas a sua volta. 
Quando regressaram, o jovem contou a todos os seus amigos o que 
havia ocorrido. Descreveu como muitos haviam morrido em ambos os lados. 
Estava a ponto de amanhecer quando o jovem se sentiu muito enfermo. 
Quando começou a sair o sol, uma substância negra começou a sair de sua 
boca e os nativos diziam: “Está morto”.
Fonte: Adaptado e traduzido de Bartlett, 1932 apud Best (2001, p. 124) 
Existem muitas observações a respeito dessa pesquisa e de outras. 
Como resultado da pesquisa, Bartlett identificou que as memórias mais 
acuradas eram exceção, sendo que a maioria não lembrava de vários 
trechos da estória. 
Agora é com você! Reflita sobre o estudo de Bartlett (1932), faça o 
teste e escreva suas impressões. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
23
Memória uma questão cerebral
Agora que já sabemos um pouco sobre o contexto histórico das 
pesquisas sobre a memória, ampliaremos nossos estudos para aspectos 
mais atuais. A partir de Lashley ampliam-se as pesquisas sobre os 
processos que envolvem a memória e o cérebro, aliados ao grande 
desenvolvimento tecnológico. A tecnologia nos permite avançar e 
observar o cérebro com grande precisão, isso a partir de técnicas como a 
tomografia computadorizada. 
 Atualmente, pesquisadores cognitivos utilizam técnicas de neuro 
imagem para compreender o processo de funcionamento psíquico, como 
a memória (VIEIRA, et al., 2007). 
 Figura 4 – Tomografia computadorizada
 
Fonte: Wikimedia Commons
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar nesse tema? Recomendamos o acesso 
à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo 
“Aspectos históricos da neuropsicologia: subsídios para a 
formação de educadores” (PINHEIRO, 2005). Clique aqui.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
https://bit.ly/3aGc57O
24
RESUMINDO:
Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente 
entendeu o tema de estudo desse capítulo, vamos resumir 
tudo o que vimos. Inicialmente, foi possível analisar os 
conceitos de atenção, percepção e memória relacionados 
às perspectivas da psicologia cognitiva. Pudemos conhecer 
também o conceito de “percepção”, a partir de uma 
perspectiva filosófica. Por último, revisamos o conceito de 
memória e suas características sobre o processamento da 
informação.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
25
Emoção - conceitos e categorização 
OBJETIVO:
Ao término do estudo deste capítulo você será capaz de 
conhecer um pouco da história que fundamenta os estudos 
e pesquisas sobre a emoção. Relacionar alguns conceitos, 
sob a perspectiva da emoção, para a prática de ensino-
aprendizagem. E então? Motivado para desenvolver essa 
competência? Então vamos lá.
Para estudar a emoção muitas ideias nos vêm à mente. Antes 
de mais nada é necessário verificar que a emoção não é um conceito 
que aparece no final do século passado. Desde que o homem decidiu 
pensar e refletir sobre o seu conhecimento e sua atuação no mundo e 
com os demais indivíduos, muitos filósofos se interessaram pelo tema das 
emoções, mas, talvez, não como a conhecemos nos dias atuais. Assim 
estudaremos, o que o contexto histórico nos ensina sobre as emoções. 
Vejamos com atenção!
Na Grécia antiga, muitos filósofos questionaram a transcendência 
humana. A razão, o desejo, o espírito e a alma são temas retratados nos 
escritos de Platão e Aristóteles, embora com pensamentos diferenciados 
sobre a forma de compreender cada assunto. Aristóteles, um grande e 
incansável filósofo, escreve uma obra dedicada aos sentidos (os cinco 
sentidos) como forma de conhecer o mundo físico fazendo alusão ao 
comportamento humano. 
Um salto na história, séculos mais tarde e nos encontraremos com 
René Descartes que realiza um estudo sobre as paixões, resultado de 
uma publicação em 1649 intitulada Les passions del’áme (As paixões da 
alma). Descartes apresenta em sua obra uma análise criteriosa sobre as 
paixões ou emoções primitivas ou básicas. 
Agora, vamos analisar o tema das emoções a partir da obra The 
expression of the emoticons in man and animals do naturalista britânico 
Charles Robert Darwin (1809 -1882). Para o contexto da psicologia 
cognitiva, a obra de Darwin representa um avanço no que se conhece 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
26
sobre o tema, relacionando-o às perspectivas dos psicólogos condutistas, 
porque incide na questão comportamental.
 O trabalho de William James (1842 -1910), concordando com 
Descartes, afirma que não choramos porque estamos tristes e sim que 
estamos tristes porque choramos. Postula que “as mudanças corporais 
seguem diretamente a percepção do fato desencadeante e que nossa 
sensação dessas mudanças, de acordo e como vão se produzindo, é a 
emoção” (JAMES, 1890, p. 449-450). Simultaneamente, Carl Georg Lange 
(1834 – 1900), realiza estudos similares e destaca que o aspecto expressivo 
das emoções, fortalece os sentimentos que as desencadeiam. 
John Broadus Watson (1878 – 1958), fundador do Condutismo 
reconhece, a partir de sua teoria, três emoções inatas: medo, raiva (ira 
e cólera) e o amor, deixando claro que estas emoções são a base e o 
núcleo de outras reações emocionais. Analisemos algumas respostas 
inatas estudadas por Watson:
 • Medo: pausa na respiração, seguida de uma respiração acelerada, 
com pronunciados câmbios vasomotores, fechar o olho de modo 
repentino, apertar os punhos e franzir os lábios.
 • Ira: gritar, agitar, rigidez de todo o corpo, movimentos desordenados 
das extremidades superiores e inferiores e reter a respiração.
 • Amor: sorriso e abraços. 
Watson (1919), define sua teoria condutista da emoção como: 
Uma emoção é um modelo de reação hereditário, que 
envolve profundas mudanças nos mecanismos corporais 
e, de modo geral e particular, nos sistemas viscerais e 
glandulares. (WATSON, 1919, p. 195) 
Na sequência dos fatos, Walter Bradford Cannon, trouxe sua 
contribuição para o tema, com severas críticas aos pressupostos teóricos 
de James e Lange. Seu principal aporte às teorias sobre a emoção vieram 
à tona com a divulgação de Homeostasis. Mas foram os estudos de seu 
aluno Phillip Bard (1898-1977), que ampliaram as considerações sobre 
como se compreendia as emoções de uma perspectiva fisiológica. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
27
Atualmente, conhecemos essa perspectiva teórica como Cannon-
Bard, a qual considera que o tálamo é a essência biológica da expressão 
física e da experiência emocional. Já o hipotálamo é a essência biológica 
responsável pelo comportamento emocional. 
Figura 5 – Circuito Emocional de Cannon-Bard. 
Sentimento
Córtex cerebral
tálamo hipotálamo
estilo emocional reação física
Fonte: Elaborado pelo autor (2021).
Considerando os avanços e estudos sobre as questões neurais do 
cérebro e sua relação com as emoções, James Wenceslas Papez (1883-
1958), partidário das teorias de Cannon-Bard, aposta na investigação da 
essência das emoções e do comportamento emocional. Ele reafirma 
os estudos anteriores sobre o caminho percorrido no cérebro, pelo 
que chamamos de emoções. Paul D. Maclean (1913-2007) contribuiu 
significativamente com as investigações nesse campo e descreveu, 
em suas teorias, que o cérebro humano é composto por três unidades 
funcionais, a saber:
1. Cérebro Réptil: determina nosso comportamento para preservar a 
espécie, promove reflexos simples e instintivos.
2. Cérebro Límbico: responsável por nossos comportamentos 
programados para nossa sobrevivência e por controlar o nosso 
comportamento emocional.
3. Neocórtex: um tipo de cérebro mais evoluído que está composto 
pordois hemisférios (esquerdo e direito) e que nos permite pensar, 
falar, perceber, emocionar, imaginar, estudar, refletir e manter 
nossas relações de modo civilizado, entre outros. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
28
Para finalizar essa relação histórica, estudaremos as perspectivas 
e as investigações de António C. R. Damásio, lisboense nascido em 1944. 
Suas investigações estão determinadas pelas bases neurológicas da 
mente, principalmente nas funções da memória, linguagem, emoções e 
o processamento de decisões. Ele afirma a impossibilidade de separar 
razão e emoção. 
SAIBA MAIS:
Recomendamos a leitura da publicação: O erro de 
Descartes de António R. Damásio, Companhia das Letras 
(2012). Clique aqui.
Emoção 
Onde anda você
(Vinicius de Morais)
E por falar em saudade
Onde anda você
Onde andam os seus olhos
Que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou morto
De tanto prazer
E por falar em beleza
Onde anda a canção
Que se ouvia na noite
Dos bares de então
Onde a gente ficava
Onde a gente se amava
Em total solidão
Processos Cognitivos e Aprendizagem
https://bit.ly/2YOrjlS
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Hoje eu saio na noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares
Que apesar dos pesares
Me trazem você
E por falar em paixão
Em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares
Na noite, nos bares
Onde anda você
Buscamos com essa canção compreender um dos temas mais 
interessantes e que iremos estudar nessa unidade, a emoção. As 
pesquisas sobre a emoção cresceram nos últimos anos, o que significa 
que o interesse sobre o tema tem suscitado muitos estudos nas áreas de 
educação e psicologia. Em psicologia experimental, a emoção refere-se 
ao estado afetivo-fisiológico que um indivíduo apresenta na vigência de 
um teste de memória sob condições de estresse (BADDELEY, 1986 apud 
PERGHER et al., 2005, p. 65). 
Mas, você já observou que de acordo com o estímulo externo nossa 
emoção irá buscar uma relação direta ou indireta com a memória? Oliva et 
al. (2006) indica um dos livros de Darwin (1872) em que os filósofos mais 
recentes como Espinoza e Descartes, escreveram intensamente sobre o 
assunto e finalizam que na literatura de ficção, assim como nos mitos, as 
emoções humanas desempenham um papel central (OLIVA et al. 2006).
Recentemente, Gardner (1985) em seus estudos, nos esclarece que:
há decisão deliberada de diminuir a ênfase de certos 
fatores que podem ser importantes para o funcionamento 
cognitivo, mas cuja inclusão nesse momento complicaria 
de forma desnecessária o empreendimento científico-
cognitivo. Esses fatores incluem a influência de fatores 
afetivos ou emoções. (GARDNER, 1995, p.6)
Processos Cognitivos e Aprendizagem
30
O que demonstra uma certa resistência de alguns pesquisadores 
em estudar um tema tão complexo, que se refere a processos subjetivos 
e que não são o enfoque das pesquisas da psicologia cognitiva. 
Mas, de acordo com Oliva et al. (2006), a psicologia evolucionista 
colocou o estudo das emoções em foco, entendendo-as como 
programas superordenados, que coordenam muitos outros, ou seja, como 
soluções de problemas adaptativos de mecanismos de orquestração: 
organizam percepções, atenção, inferência, aprendizagem, memória, 
escolha de objetivos, prioridades motivacionais, estruturas conceituais, 
categorizações, reações fisiológicas, reflexos, decisões comportamentais, 
processos de comunicação, níveis de energia e de alocação de esforços, 
coloração afetiva de eventos e de estímulos, avaliações da situação, 
valores, variáveis reguladoras (como autoestima) e assim por diante 
(OLIVA et al., 2006).
SAIBA MAIS:
Recomendamos a leitura da publicação: O lugar das 
Emoções na Ética e na Metaética. Clique aqui.
O desenvolvimento emocional 
Gradativamente, as emoções abandonam o status de coadjuvante 
e assumem um grande protagonismo nos estudos dos processos 
cognitivos. Por exemplo, quando os bebês choram ou demonstram 
alegria, observamos que expressam suas emoções. Com o passar dos 
anos e em virtude de seu desenvolvimento, essas emoções passam a 
ser mais específicas. Pode-se observar a alegria, a tristeza, a surpresa, o 
nervoso, o medo, a ansiedade, entre outros. Estas emoções iniciam-se 
quando somos muito jovens e nos acompanham durante toda a vida. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
https://bit.ly/2YLxgQz
31
Quadro 4: Características das emoções autoconscientes ou sócio morais
Fonte: Elaborado pelo autor (Adaptado de Saarni et al., 1998)
No quadro observamos que as emoções autoconscientes se 
referem a tudo que uma pessoa pode descobrir de si mesma. De modo 
contrário, tudo aquilo que se manifesta e estabelece relação social com 
outras pessoas seriam as emoções sócio morais. 
A expressão emocional
Expressar-se emocionalmente é uma das tarefas mais demandadas 
em nossa atualidade, em distintos campos de conhecimento e em 
variadas áreas de atividade profissional. 
Atualmente, temos à nossa disposição vários recursos e estratégias 
que facilitam a compreensão de nossas emoções. Sabemos que desde 
pequenos demonstramos nossas emoções com gestos, expressões e 
feições faciais. Em média, a partir dos três anos selecionamos os sinais 
que desejamos expressar emocionalmente, mantendo uma interação 
com a figura de apego. Mas, as grandes mudanças com respeito às 
expressões emocionais são definidas com o início da linguagem. É aí que 
ampliamos nossa rede social e a expressão emocional passa a ser uma 
grande ferramenta socializadora.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
32
Figura 6 – Retrato de vários rostos ou emoções
 
Fonte: Freepik
Empatia 
“A empatia diz respeito à capacidade de compreender o outro 
através do seu ponto de referência” (PALHOÇO, 2011). Como sabemos 
que uma pessoa é empática? Pois bem, é por meio da linguagem, 
comunicação não verbal e verbal que averiguamos a empatia no outro. No 
entanto, se observamos estas prerrogativas iremos identificar dois fatores 
básicos: o cognitivo e o emocional. Nesse sentido, estes fatores podem 
nos ajudar a atuar com empatia diante de uma determinada situação. 
Nas pesquisas sobre o desenvolvimento infantil é possível verificar 
e reconhecer que as relações empáticas se tornam mais evidentes, a 
partir do desenvolvimento da linguagem. As crianças são mais propensas 
a colocar-se no lugar de outros devido aos vínculos afetivos que foram 
gerados desde a primeira infância. 
Palhoço (2011) afirma que as crianças manifestam desde cedo 
sinais de empatia, nomeadamente ao nível do contágio emocional, pois 
na maternidade os bebês choram em resposta ao choro dos outros e as 
crianças de um ano que veem o sofrimento de outra criança, procuram 
confortá-la (ZAHN-WAXLER et al. apud PALHOÇO, 2011).
Processos Cognitivos e Aprendizagem
33
RESUMINDO:
Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo? Agora, 
só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo desse capítulo, vamos resumir tudo o que 
vimos. Primeiro, você observou que a emoção é um dos 
temas de pesquisa mais desenvolvidos nos últimos anos. 
É um tema que provoca até hoje curiosidade de muitos 
investigadores, isso porque muitas vezes não sabemos 
qual é o verdadeiro caminho percorrido para justificar uma 
emoção ou outra. As pesquisas sobre emoção são antigas 
e atualmente ampliamos nossos conhecimentos a respeito 
dos processos, características e meios utilizados por 
nosso cérebro para memorizar uma informação ou outra. 
Também é importante destacar que as emoções básicas 
podem influenciar de certa maneira nossa conduta, atitude 
ou habilidade para desenvolver uma tarefa. Terceiro, a 
empatia nos permite reconhecer e compreender o outro 
sendo essa uma capacidade diretamente relacionada ao 
desenvolvimento das emoções.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
34
Funções executivas - resolução de 
problemas e linguagem
OBJETIVO:
Ao término do estudo deste capítulo você será capazde identificar o conceito de funções executivas e sua 
importância para o desenvolvimento das habilidades do 
ser humano. Valorizar o período da primeira infância como 
primordial ao desenvolvimento das habilidades do ser 
humano. Identificar a linguagem como um processo no 
desenvolvimento sob a perspectiva da psicologia cognitiva. 
E então? Motivado para desenvolver essa competência? 
Então vamos lá.
O que são as funções executivas? 
As funções executivas representam um conjunto de habilidades 
específicas dos seres humanos. Lezak (1997) distingue-as entre 
funções cognitivas, percepção, memória e pensamento e outras 
formas de cognição que regulam o comportamento humano, a saber: 
comportamento emocional e funções executivas.
Se você observar a literatura sobre o tema, irá encontrar uma 
variedade de sinônimos, por exemplo: funções de supervisão, funções 
frontais, funções de controle, entre outros. Majolino (2000) considera 
que existe uma variedade de processos e funções, como por exemplo: 
resolução de problemas, organização estratégica, decisão, inibição seletiva 
de comportamento, seleção, verificação e controle da execução de uma 
dada ação, flexibilidade cognitiva, memória operacional, entre outras.
Nesse ponto de nossas atividades, observe que você tem a 
capacidade de organizar, reflexionar e analisar todas as informações 
que foram recebidas até aqui, inclusive os erros, as observações e as 
inferências. Essa habilidade, além de trazer uma formação qualificada, 
promove a capacidade de contextualizar estes conhecimentos com sua 
vida acadêmica, profissional e pessoal. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
35
Assim, quando falamos sobre as funções executivas entende-se 
que estamos pesquisando sobre processos cognitivos distintos: 
 • Conhecimento.
 • Comportamento.
 • Capacidades e habilidades para executar alguma tarefa, sequência, 
organização e aplicação de uma determinada atividade. 
 Figura 7: Função executiva
 
 Fonte: Pixabay
O Núcleo Ciência pela Infância, em seus estudos sobre as 
Funções executivas e Desenvolvimento na Primeira Infância, descreve as 
habilidades necessárias para a autonomia e apresenta um estudo sobre 
essa temática em que indica o conceito de funções executivas e nos 
auxilia como referência para ampliar nossos conhecimentos. Vamos ver o 
que eles descobriram:
De acordo com o Comitê Científico do Núcleo Ciência pela Infância 
em 2016, as funções executivas constituem um conjunto de habilidades 
que possibilitam uma reflexão atenta, isto é, deliberada e intencionada a 
alcançar um objetivo. O bom funcionamento executivo permite ao indivíduo 
refletir antes de agir, trabalhar diferentes ideias mentalmente, solucionar 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
36
desafios inesperados, pensar sob diferentes ângulos, reconsiderar 
opiniões e evitar distrações. Assim, essas habilidades são fundamentais 
para tomar decisões, viver e pensar com autonomia. Seu principal 
desenvolvimento ocorre de zero a seis anos, período que corresponde à 
primeira infância e é fortemente influenciado pela qualidade e quantidade 
de experiências que as crianças podem ter, inclusive relacionadas aos 
aspectos biológicos e emocionais 
SAIBA MAIS:
Entenda mais sobre o assunto, Clique aqui. Ministério do 
Desenvolvimento Social (MDS). 2016.
De acordo com esse documento, as Funções executivas apresentam 
três dimensões que, apesar de distintas, estão interligadas: 
 • Memória de trabalho: permite armazenar, relacionar e pensar 
informações no curto prazo. Exemplo: você se lembra do que 
estava fazendo antes de voltar a estudar esse capítulo?
 • Controle inibitório: possibilita controlar e filtrar pensamentos, 
ter o domínio sobre a atenção, o pensamento, as emoções e o 
comportamento. Exemplo: Você consegue ler um livro com a 
televisão ligada em um reality show?
 • Flexibilidade cognitiva: permite mudar de perspectiva no momento 
de pensar e agir e considerar diferentes ângulos na tomada de 
decisão. Exemplo: quando um aluno realiza uma multiplicação e 
se equivoca, percebe o seu erro para logo realizar a correção.
Existe uma relação entre funções executivas e autorregulação. 
Inclusive, alguns pesquisadores realizaram estudos sobre as duas 
terminologias. Indicaremos o que diz o Comitê Científico do Núcleo 
de Ciência pela Infância, a saber: a autorregulação é uma habilidade 
que está interligada às funções executivas. Sua definição equipara-se, 
em larga medida, ao controle inibitório. Porém, o campo de estudo da 
autorregulação compreende mais aspectos. Enquanto pesquisadores 
de funções executivas se concentram mais em pensamentos, atenção e 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
https://bit.ly/3oSU63h
37
ações, os pensadores de autorregulação consideram mais as emoções. 
A pesquisa em autorregulação também se diferencia por compreender a 
importância da motivação e do empenho nas respostas às emoções. Assim, 
o conceito de autorregulação é mais amplo e abrange o monitoramento a 
regulação e o controle dos estados emocionais, motivacionais e cognitivos 
do indivíduo. 
Primeira infância: o que é?
Podemos definir o termo primeira infância como: 
Primeira infância representa o período de vida 
compreendido do nascimento até os seis anos e constitui 
um período sensível para o desenvolvimento de diversas 
habilidades de acordo com o Comitê Científico do Núcleo 
Ciência pela Infância. 
Em outras palavras, esse período de vida concentra grandes 
possibilidades de desenvolvimento cognitivo. Você, como profissional, deve 
conhecer a potencialidade do desenvolvimento nessa fase da infância. 
Figura 8 – Primeira infância
Fonte: Pixabay
Primeira Infância no Brasil 
A primeira infância é objeto de estudo e um tema de elevada 
importância para que a sociedade possa alcançar os objetivos de 
desenvolvimento sustentável do milênio. Com isso em mente, vamos 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
38
verificar que, desde 2004, o Comitê dos Direitos da Criança das Nações 
Unidas elaborou documentos de referência para que políticos e 
profissionais de todo o mundo pudessem compreender as necessidades 
das crianças nesse período de desenvolvimento. 
No Brasil, muitos pesquisadores aderiram à mesma causa e 
ampliaram o raio de suas pesquisas com a finalidade de proporcionar 
qualidade ao desenvolvimento cognitivo, educacional e social dos 
indivíduos dessa faixa-etária. Mesmo assim, sabemos que não foi 
possível alcançar todos os objetivos previstos pelos órgãos nacionais e 
internacionais. Não obstante, estamos sofrendo uma queda significativa 
nas discussões sobre o tema. 
Embora enfrentemos dificuldades, nossa contribuição é zelar para 
garantir a atenção adequada às crianças na primeira infância. Por isso, 
é importante organizar tanto a sociedade como os profissionais para 
melhorar os índices de desenvolvimento infantil do país. 
Resolução de problemas
Quantos problemas enfrentamos no dia a dia? Qual é o problema 
que você precisa resolver hoje? Quais são os seus objetivos profissionais?
Lembre-se que resolver todos os problemas de uma vez não é o 
importante, mas sim aprender como resolvê-los. Primeiro, você sabe o 
que significa ou como se configura o conceito de problema? Segundo, 
você já parou para pensar quais são as características de um problema? 
Enfim, vamos tentar nos organizar para compreender qual o significado de 
resolver problemas.
Observe: 
1. Os problemas de um indivíduo não são iguais ao de outro.
2. Os problemas possuem dimensões diferentes e que podem variar 
de acordo com o indivíduo e sua cultura.
3. Os problemas dos adultos não são os mesmos que de uma criança.
4. Existem estratégias para resolver os problemas.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
39
5. Cada problema apresenta uma estrutura específica.
6. Para encontrar uma resolução adequada, o problema precisa ser 
bem definido.
Perspectiva histórica
Assistimos, a partir do século XX, um grandeinteresse dos educadores 
e psicólogos sobre a resolução de problemas. Um dos pioneiros foi E. 
L. Thorndike (1911), que concluiu que a resolução de problemas está 
baseada em condutas de ensaio e erro e logo, uma solução. Contrastando 
com Thorndike, John Dewey considerou a resolução de problemas como 
um processo consciente e deliberado, que demonstra a organização por 
parte do indivíduo para solucionar o problema. Essa organização ocorre 
de modo natural e obedece a uma seleção de passos a seguir, são eles: 
1. Apresentação do problema.
2. Definição do problema.
3. Desenvolvimento de hipóteses.
4. Colocar em prática a hipótese ou hipóteses.
5. Selecionar a melhor hipótese.
De outro modo, Wolfang Köhler (1887-1967), depois de várias 
pesquisas com chimpanzés, afirmou que para a resolução de qualquer 
problema existe uma conduta (ou melhor, um insigth) que leva à resposta. 
Isto quer dizer que para resolver um problema não necessitamos de vários 
ensaios e erros para encontrar a solução. 
Desde a década de 50 surgiram novas pesquisas e modelos sobre 
a resolução de problemas. A partir desse período, contamos também 
com as inovações na psicologia cognitiva, garantindo outros tipos de 
considerações sobre o processamento da informação. Apesar disso, a 
maioria das teorias sobre a resolução de problemas leva em consideração 
as etapas descritas por Dewey. 
Por exemplo, quando observamos a imagem de um labirinto, que 
caminho escolhemos para atravessá-lo? 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
40
 Figura 9 – O problema do labirinto 
Fonte: Pixabay
Estratégias para resolver problemas
Para cada problema, uma solução. Best (2001) indica uma definição 
moderna sobre o conceito de estratégia, vejamos: 
As estratégias se definem como um movimento, ou 
prova, ou tentativa destinada a mudar algo e promover a 
informação sobre determinado problema. Os psicólogos 
cognitivos descrevem duas classes de estratégias: 
heurísticas e algoritmos: 
Algoritmo: procedimento que oferece garantia de produzir 
uma resposta a um problema.
Heurístico: são aplicadas regras empíricas a partir da 
experiência para a resolução de um problema. (BEST, 
2001, p. 413)
Newell e Simon (1958 -1978) desenvolveram uma teoria muito 
popular entre os psicólogos cognitivos. Criaram em 1957 um programa 
de computador que propunha resolver problemas gerais. Sua teoria, 
conhecida como a teoria de processamento de informação, parte do 
conceito da apresentação do problema com dois tipos de representação. 
De acordo com estes autores, o ser humano busca estratégias similares 
e, a partir disso, concebe que o processamento de informação não é tão 
complexo. É importante ressaltar que, segundo essa teoria, o problema 
deve ser analisado em profundidade e com a máxima neutralidade 
possível, o que se postulou a chamar de entorno operativo. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
41
Lembre-se que, ao tentar resolver um problema (dentro dessa 
perspectiva) é necessário organizar informações sobre o entorno do 
problema ou o porquê? Depois, é necessário reconhecer que algumas 
representações são mais importantes que outras. Os autores entendem 
que o espaço do problema é aquele em que se justifica pela falta de 
conhecimento de todas as variáveis. A partir do quadro, analise e tente 
resolver alguns dos problemas dentro dessa perspectiva. 
Quadro 5: Métodos e resolução de problemas
Fonte: Elaborada pelo Autor, adaptado de Best (2001).
Linguagem
A compreensão e a aquisição da linguagem são dois temas muito 
controversos e presentes em nossa dinâmica e condição humana. Não é 
possível nos imaginar sem estas habilidades. 
Chauí (2000) cita o que afirma Aristóteles em sua obra Política, a 
saber: 
O homem é um animal político, isto é, social e cívico, 
porque somente ele é dotado de linguagem. Escreve 
Aristóteles: os outros animais possuem voz (phone) e com 
ela exprimem dor e prazer, mas o homem possui a palavra 
(logos) e com ela, exprime o bom e o mau, o justo e o 
injusto. (CHAUÍ, 2000)
Processos Cognitivos e Aprendizagem
42
Então, o que significa linguagem? Para simplificar, os componentes 
ou dimensões para compreender em sentido amplo o termo linguagem, 
são eles: 
 • Semântica: estuda o significado das palavras e orações.
 • Fonologia e sintaxe: estuda o material sonoro da linguagem no ser 
humano (fonemas, combinações de fonemas, entoação, sotaque, 
entre outros) e a ordem e relações de dependência que devem 
existir entre os elementos da oração.
 • Pragmática: está relacionada com o uso de nosso conhecimento 
social. Por exemplo, como expressamos nossas intenções, como 
introduzimos modificações em nosso modo de falar dependendo 
do grupo em que estamos, como escolhemos informações em 
função do nosso interlocutor ou também em função da informação 
que supomos que possui o interlocutor, entre eles. 
Bloom e Lahey (1978) resumem estas dimensões em três: conteúdo 
(semântica), forma (fonologia e morfossintaxe) e usabilidade (pragmática).
A linguagem não pode ser compreendida como mero processo de 
comunicação Dessa forma, não entenderíamos a variedade e o poder do 
homem quando emite uma mensagem. 
Linguagem e psicologia cognitiva
Sabemos que algumas das teorias e estudos que dizem respeito 
à linguagem se desenvolveram junto com a evolução da psicologia 
cognitiva. De outro modo, os psicólogos estiveram interessados nas 
pesquisas e estudos da área de linguística, dando origem à disciplina de 
psicolinguística. Os linguistas e os psicolinguistas compartilham interesses 
e contribuem com pesquisas nas duas áreas. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
43
SAIBA MAIS:
Avram Noam Chomsky é um linguista, filósofo, Politólogo 
e ativista americano. Professor emérito do instituto 
tecnológico de Massachusetts (MIT) que propôs a gramática 
generativa no centro das pesquisas sobre linguística. Leia 
um de seus livros: “A Ciência da Linguagem: Conversas com 
James McGilvray”
RESUMINDO:
Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente 
entendeu o tema de estudo desse capítulo, vamos resumir 
tudo o que vimos. Com esse capítulo aprendemos o 
conceito de Funções executivas e o que representam 
para o desenvolvimento humano. Analisamos o termo 
“primeira infância” e seu significado e importância. Além 
disso, tecemos alguns questionamentos sobre a primeira 
infância no Brasil e como devemos valorizá-la. Fechamos 
o tópico pontuando a importância das funções executivas 
no desenvolvimento da primeira infância. Apresentamos 
a resolução de problemas a partir de uma perspectiva 
histórica e algumas das estratégias utilizadas para resolver 
problemas. O capítulo é concluido abordando aspectos 
sobre a linguagem, seu significado e quais os componentes 
ou dimensões para compreender o processo de linguagem. 
Além disso, analisamos o desenvolvimento da linguagem 
sob a perspectiva da psicologia cognitiva.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
44
O processo escolar de ensino-
aprendizagem
OBJETIVO:
Ao término do estudo deste capítulo você será capaz de 
reconhecer o desenvolvimento das teorias da psicologia 
que trazem contribuições para a compreensão dos 
processos de ensino-aprendizagem. Compreender o 
processo de aprender e ensinar a partir das concepções de 
aprendizagem que definem seu significado.
A cognição na escola
O desenvolvimento de investigações sobre a linguagem permitiu que 
muitos pesquisadores produzissem uma rede de informações a respeito 
do tema. Além disso, essas pesquisas e estudos provocaram grande 
interesse sobre a área da aprendizagem, principalmente explicações 
sobre o processo de aquisição da linguagem e as competências escolares 
básicas. 
Atualmente, os pesquisadores seguem fascinados pelo tema da 
linguagem e estudam fenômenos como a consciência infantil sobre o 
uso da palavra impressa e a natureza dos debates na aula. Por exemplo, 
alguns pesquisadores defendemque esses temas estão estritamente 
relacionados com o uso social da linguagem onde convivem as crianças 
ou em suas comunidades e nas escolas (BRUNING, 2012, p. 256). 
O domínio da linguagem é essencial para enfrentar os desafios 
sociais na escola. Praticamente todos os alunos possuem a capacidade 
linguística básica para aprender a ler e escrever. Mesmo assim, enfrentam 
muitos desafios para avançar com sucesso nas etapas escolares. Estes 
desafios podem ser culturais, sociais e cognitivos.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
45
Figura 10: Desafio de aprender
Fonte: Pixabay
Essa imagem nos remete à seguinte pergunta: Como ocorre o 
processo de ensino-aprendizagem? Para responder a essa pergunta, 
revisitamos a década de 60 porque, de acordo com Kubo e Botomé 
(2001), esse período de nossa história recente está marcado por lesões 
profundas em nosso país. Segundo os autores, foi um período em que a 
visão sobre as contribuições de Paulo Freire, reconhecido mundialmente 
por sua Proposta de Alfabetização de Adultos, passaram a ser rechaçadas 
pelas políticas educacionais. 
Em contrapartida às teorias, relacionadas ao comportamentalismo, 
passam a influenciar uma proposta pedagógica denominada Pedagogia 
Tecnicista, cada vez mais utilizada nas escolas e que traz propostas como 
Programação de Condições de Ensino de Carolina M. Bori, entre outros 
pesquisadores comportamentalistas.
As pesquisas na psicologia escolar dividem, distintas concepções 
de como se dá a compreensão dos processos ensino-aprendizagem. 
Entre outros, vamos conhecer o modelo ambientalista e o modelo 
interacionista. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
46
Como representante do modelo ambientalista, desenvolvendo uma 
proposta pedagógica tecnicista, baseada na teoria do comportamentalismo, 
destaca-se o trabalho de Carolina M. Bori, que propôs uma metodologia 
de ensino centrada nas perspectivas científicas, principalmente na área de 
psicologia. Um dos seus objetivos era levar o aluno ao centro do trabalho 
de ensino. Carolina Bori iniciou suas experiências na Universidade de São 
Paulo. A colaboração de seu trabalho tinha como finalidade:
colocar o aluno no centro de seu processo de aprendizagem 
e seus princípios eram: o ensino deveria ser definido pela 
atuação do aluno. A aprendizagem deveria ser feita em 
etapas pequenas, de acordo com as características do 
aluno e de suas possibilidades de aprendizagem. O aluno 
deveria poder prosseguir de acordo com seu ritmo. A 
cada aprendizagem dos alunos e os procedimentos do 
professor deveriam ser objeto de estudo constante e no 
próprio curso, de forma a fornecer conhecimento para o 
aperfeiçoamento, não apenas das técnicas mas também 
dos conceitos fundamentais envolvidos nos processos de 
ensinar e de aprender. (KUBO e BOTOMÉ, 2001)
Esse conceito de aprendizagem tecnicista apresenta como objetivo 
principal formar o indivíduo para o mercado de trabalho.
Dentro do modelo Interacionista, como forma de compreender o 
processo ensino-aprendizagem, consideramos que Paulo Freire trouxe 
uma proposta inovadora e para além de um simples método. Por exemplo, 
podemos citar a alfabetização de adultos, a pedagogia do oprimido, entre 
outras. Freire nos indica algumas proposições, tais como reconhecer a 
importância do contexto do aluno no processo de ensinar, que desafiem o 
aluno a pensar criticamente e que apresentem um currículo significativo, 
expressos em uma Pedagogia Crítica. Segundo Kubo e Botomé (2001), 
Paulo Freire
Apresenta em seus textos uma concepção sobre como 
fazer a mediação entre o conhecimento e a relação da 
pessoa com a sua realidade de inserção, sua vida concreta, 
fora dos limites temporais e geográficos das condições 
de ensino e isso vai além do seu denominado Método de 
Alfabetização de Adultos. (KUBO e BOTOMÉ, 2001)
Processos Cognitivos e Aprendizagem
47
Conceito de aprendizagem
Podemos definir o termo “aprendizagem”, dentro do contexto da 
psicologia do comportamento, da seguinte maneira:
DEFINIÇÃO:
Aprendizagem é a mudança de comportamento resultante 
do treino ou da experiência” (GIUSTA, 2013).
Em outras palavras, esse conceito está fundamentado nas 
investigações empiristas da Psicologia, citadas anteriormente no modelo 
ambientalista. Estas pesquisas em sua maioria estão baseadas no 
associacionismo, um dos seus expoentes é o behaviorismo, que define a 
psicologia como uma ciência do comportamento.
Aprendizagem e suas definições 
Na realidade, o termo aprendizagem recebe outras definições que 
vão variar conforme o modelo teórico. O que não podemos esquecer é 
que todas defendem a aprendizagem como um importante processo para 
o desenvolvimento cognitivo. 
Por isso, ampliamos um pouco nossas considerações sobre o 
significado da aprendizagem. “Não é só a aprendizagem que provoca 
alterações na conduta [...] também a motivação, as reações inatas 
cerebrais, as drogas, a fadiga, entre outros” (BRAGHIROLLI, 1999, p. 119 
apud DÍAZ, 2011). 
Ver é uma propriedade fisiológica inata do sistema 
visual, portanto, não se aprende. Logo, a aprendizagem 
pressupõe uma modificação externa, de tipo físico (no 
comportamento), produto de outra interna (psicológica), o 
que permite alcançar determinado objetivo e só podemos 
considerar aprendizagem se a modificação for adequada 
e estável na atividade que surge, graças a uma atividade 
precedente e não provocada diretamente por reações 
fisiológicas e inatas do organismo (DIAZ, 2011).
Processos Cognitivos e Aprendizagem
48
Figura 11 - Aprendizagem como um processo 
Aprendizagem
Aprendizagem
Conhecimentos
Fonte: Elaborado pelo autor (2021).
Figura 12 – Organograma de aprendizagem como um processo 
Habilidades Atitudes
Indivíduo
Valores
Mundo
Capacidades
Mundo
Fonte: Elaborado pelo autor (2021).
Conclui-se que o processo ensino-aprendizagem é um processo 
complexo, no qual estão presentes os fatores psíquicos, orgânicos, sociais 
e afetivos. A consideração sobre como esses fatores vão se relacionar 
para a concepção desse fenômeno e varia conforme o modelo de 
desenvolvimento psíquico estudado. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
49
Como aprendemos?
A partir das diferentes concepções de aprendizagem surgem 
também as características sobre a forma ou método de como aprender. 
Díaz (2011) apresenta alguns tipos e formas de aprendizado seguindo uma 
revisão bibliográfica baseada em autores de referência sobre o tema, a 
saber: 
1. Aprendizagem por Condicionamento Simples: produz-se a partir 
da relação entre os reflexos incondicionados (inatos) e os reflexos 
condicionados (adquiridos). Constitui uma aprendizagem simples 
em seu procedimento e elementar em seu resultado, baseia-
se na famosa relação estímulo – resposta (E-R), resultado das 
investigações de Pavlov (Reflexologia) e posteriormente por 
Watson, criador do Behaviorismo ou comportamentalismo.
2. Aprendizagem por Condicionamento Operante: é conhecida 
também como Aprendizagem Instrumental e foi descrita por 
Skinner, psicólogo behaviorista que, partindo do esquema E-R, 
desenvolveu um conceito muito importante nessa proposta e 
que tem grande aplicação nas ciências humanas: o reforço do 
comportamento aprendido (positivo ou negativo). 
3. Aprendizagem por Ensino e Erro: refere-se àquela que é produzida 
testando diferentes alternativas de respostas, uma a uma, até 
encontrar a resposta que satisfaz a exigência (ou estímulo) que 
desencadeou a ação do sujeito, depois de sucessivas respostas 
erradas. 
4. Aprendizagem por Imitação: não é entendida como mera e simples 
repetição mecânica. Vygotsky foi um dos primeiros pesquisadores 
a priorizar o estudo da imitação humana, como uma recriação 
do meio social, acumulado historicamente. A criança, nas 
relações sociais, se apropria de informações, as processa em sua 
subjetividade e se expressa, sendo um processo dinâmico e de 
construção do conhecimento. 
ProcessosCognitivos e Aprendizagem
50
5. Aprendizagem por observação: alguns autores não diferenciam a 
observação e a imitação. Isto posto, Bandura (!960), por exemplo, 
considera que a observação que um sujeito realiza para aprender, 
por ser uma operação de maior concentração mental e de mais 
dedicação motivacional, propicia uma aprendizagem de maior 
precisão funcional, ou seja, mais qualitativa. Assim, ele nos fala de 
modelação, ou seja, aprendizagem por meio de observação de 
modelos que, segundo ele, consistem da forma mais frequente de 
aprender. (BANDURA, 1960 apud FALCÃO, 2001, p. 170). 
6. Aprendizagem por Insight: tradicionalmente, esse termo é 
considerado como uma revelação. A aprendizagem por insight pode 
ser interpretada da seguinte maneira: aquela em que um sujeito, 
repentinamente e de forma rápida, estabelece determinadas 
associações num set determinado, relacionando determinados 
componentes que antes estavam (aparentemente) desconexos 
entre si e que, nesse momento, se conectam solucionando um 
problema e produzindo a aprendizagem correspondente. 
7. Aprendizagem por Raciocínio: descrita por alguns autores como 
Aprendizagem Racional ou Intelectual. Aqui o sujeito utiliza as 
operações mentais básicas do pensamento humano para solucionar 
as exigências estimulantes de uma forma organizada, com um 
fim previamente determinado (aprender algo) e principalmente 
implica em uma grande atividade biológica, psicológica e social, 
manifestada no esforço do sujeito para aprender. 
EXPLICANDO MELHOR:
A situação de aprendizagem é o momento em que o 
sujeito enfrenta um desafio interno ou externo relacionado 
ao objeto que deseja aprender. Entendemos que a 
etapa de aprendizagem propriamente dita representa a 
motivação individual que cada um tem por aprender algo. 
Aprendizagem, refere-se ao conhecimento, habilidade, 
valor, experiência, entre outros.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
51
Como ensinamos?
Como você ensina um determinado tema à outra pessoa? Como 
ensinamos um tema a um grupo de pessoas ou um indivíduo em concreto? 
Kubo e Batomé (2001), antes de qualquer definição, primeiro classificam 
“ensinar” como um verbo. Segundo, por ser um verbo se caracteriza por 
uma ação. Terceiro, definem o que um professor faz em um processo 
de ensino-aprendizagem para, a partir disso, analisar essa categoria de 
comportamentos que deve ser estudada de forma indissociada, pois não 
existe ensino sem aprendizagem.
Não é tarefa fácil dar respostas a estas questões, por mais simples 
que possam parecer. Tão pouco podemos simplificar o verbo “ensinar” às 
figuras de um determinado profissional e sua relação com outro sujeito. 
Então, Sheffler apud Passmore (1980) escreve sobre ensinar: pode 
ser caracterizada como uma atividade que visa promover a aprendizagem 
e que é praticada de modo a respeitar a integridade intelectual do aluno 
e a sua capacidade para julgar de modo independente (SHEFFLER, 1973, 
apud PASSMORE, 1980).
Isto posto, vejamos alguns dos fatores que intervém na ação de 
ensinar: 
1. Políticas educacionais: é necessário oferecer uma política que 
aporte subsídios para a qualidade do processo de ensinar.
2. Métodos educacionais: devem ser claros e orientados com base 
em conceitos de ensino.
3. Métodos pedagógicos: é necessário pesquisar sobre a qualidade 
e efetividade de métodos pedagógicos que atendam às 
necessidades de nossos alunos.
4. As atividades: devem apresentar um reflexo do momento histórico 
e cultural da sociedade. Também, ter como finalidade básica a 
formação de um cidadão.
5. Profissional: orientado para considerar o processo de ensinar em 
um contexto macro e micro.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
52
6. Aluno: buscar a responsabilidade sobre os fatores que intervêm 
em seu processo de ensinar.
7. Pesquisas: é necessário que você possa buscar estratégias para 
pesquisar sobre como se ensina.
Concepções de aprendizagem
Giusta (2013) pontua que o conceito de aprendizagem emergiu das 
investigações empiristas em Psicologia, ou seja, de investigações levadas 
a termo com base no pressuposto de que todo conhecimento provém 
da experiência. Assim, as pesquisas e teóricos que defendem essa 
perspectiva eram denominados associacionistas e uma das vertentes 
mais conhecidas até os dias de hoje é o behaviorismo. Nessa linha, a 
aprendizagem é resultado de um comportamento controlado e modelado 
por algumas variáveis. 
Por outro lado, nasce na Alemanha uma corrente (Gestalt) que se 
opõe à concepção anterior de aprendizagem, mas que se desenvolve 
nos Estados Unidos. Completamente oposta ao behaviorismo, a Gestalt 
fundamenta-se em um viés racionalista porque acredita que todo o 
conhecimento antecede qualquer experiência de aprendizagem. 
Percebemos que os pensadores behavioristas dispensam qualquer 
influência de questões racionais sobre o objeto, enquanto o racionalismo 
prioriza essa posição. Você pode observar que a “Gestalt rejeita a tese 
de que o conhecimento seja fruto da aprendizagem. De acordo com 
seus adeptos, os sujeitos reagem não a estímulos específicos, mas a 
configurações perceptuais. As gestaltens (configurações) são as legítimas 
unidades mentais e por elas a psicologia deve voltar-se (GIUSTA, 2013). 
Percebe-se que a Gestalt observa as estruturas mentais em detrimento 
da experiência do sujeito.
Atualmente, destacamos o paradigma da cognição situada como 
uma das mais representativas concepções da teoria e da atividade 
sociocultural (DANIELS, 2003 apud CESCON, 2016). A cognição situada 
assume diferentes formas e nomes, diretamente vinculados com 
conceitos como: aprendizagem situada, participação periférica legítima, 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
53
aprendizagem cognitiva (cognitive apprenticeship) ou aprendizagem 
artesanal (CESCON, 2016). 
Essa perspectiva recente e com enfoque instrucional, o ensino 
situado, prioriza a atividade e o contexto para a aprendizagem e reconhece 
que a aprendizagem escolar está determinada por um processo de 
enculturação, no qual os estudantes partilham a ideia de que aprender 
e fazer são ações inseparáveis. Assim, os teóricos da cognição situada 
defendem um ensino centrado em práticas educativas, coerentes, 
significativas e propositivas. 
Cescon (2016) apresenta um exemplo que ilustra as diversas opções 
de ensino da matéria estatística no curso de Psicologia. Esse exemplo 
vincula a noção de aprendizagem significativa com as ideias da visão 
sociocultural e o modelo de cognição situada, com o seguinte enunciado 
instrucional-motivacional:
A propensão e as capacidades dos estudantes para 
raciocinar estatisticamente em cenários autênticos (da 
vida real) pode ser, consideravelmente, melhorada por 
meio de duas dimensões: 
a) Dimensão da relevância cultural. Uma instrução que 
empregue exemplos ilustrações, analogias, discussões e 
demonstrações que sejam relevantes para as culturas as 
quais os estudantes pertencem ou esperam pertencer.
b) Dimensão da atividade social. Uma participação 
tutelada num contexto social e colaborativo de solução de 
problemas, com a ajuda de mediadores como a discussão 
em sala, o debate, o jogo de papéis e a descoberta guiada. 
(CESCON, 2016, p.42) 
Cescon (2016), a partir destas dimensões, indica seis possíveis 
enfoques: 
1. Instrução descontextualizada: centrada no professor que 
basicamente transmite as regras e fórmulas para o cálculo 
estatístico. 
2. Análise colaborativa de dados inventados: assume que é melhor 
que o aluno faça algo, em vez de só ser receptor.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
54
3. Instrução baseada em leituras com exemplos relevantes: adapta o 
estilo de leitura de textos estatísticos, com conteúdos relevantes 
e significativos, que os estudantes podem relacionar com os 
conceitos e procedimentos estatísticos mais importantes.
4. Análise colaborativa de dados relevantes: modelo instrucional 
centrado no

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