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1 SUMÁRIO ASSISTÊNCIA DA ENFERMAGEM VOLTADA A ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA ..................................................................................................... 3 CUIDADOS ESPECÍFICOS ........................................................................ 9 Preparo do paciente .................................................................................. 10 3.1 Providências anteriores à colocação do aparelho gessado ................ 11 SECAGEM DO APARELHO GESSADO................................................... 12 Fratura ...................................................................................................... 15 FRATURAS E LESÕES ............................................................................ 17 DOR E SEU CONTROLE ......................................................................... 18 História da Dor .......................................................................................... 18 8.1 Grau de Gravidade e Contaminação da Fratura Exposta................... 19 8.2 Infecção .............................................................................................. 19 8.3 Tratamento Inicial ............................................................................... 20 8.4 Exames .............................................................................................. 20 8.5 Antibióticos e Tétano .......................................................................... 21 8.6 Testes ................................................................................................. 21 8.7 Tratamento ......................................................................................... 22 8.8 Desbridamento e irrigação ................................................................. 22 8.9 Tratamento da Fratura........................................................................ 24 8.10 A fixação externa ............................................................................ 24 8.11 Complicações .................................................................................. 25 8.12 Raio-x do osso do braço com osteomielite...................................... 27 8.13 Como tratar a osteomielite .............................................................. 28 8.14 Amputação para osteomielite .......................................................... 28 8.15 Outras complicações da osteomielite .............................................. 28 8.16 Sintomas de osteomielite ................................................................ 28 2 PRÉ-OPERATÓRIO ................................................................................. 29 PÓS-OPERATÓRIO .............................................................................. 31 PARTICIPAÇÃO DO PACIENTE ........................................................... 36 ALTA HOSPITALAR .............................................................................. 36 BIBLIOGRAFIA ............................................................................................... 38 3 ASSISTÊNCIA DA ENFERMAGEM VOLTADA A ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA Fonte: www.einstein.br ...” Todos nós temos problemas que não gostamos de lembrar, que achamos feios, doloridos, sujos, e os escondemos dos outros como feridas feias e infectadas. Alguns colocam ataduras que envolvem as estruturas vizinhas para camuflá-las, tal como um tornozelo enfaixado...” “.... Também estas feridas necessitam de tratamento, embora o tempo se comprometa, na maioria das vezes, a cicatrizá-las por segunda intenção. Se expusermos nossas feridas, realizaremos as limpezas necessárias em nossas mentes se em nosso interior, poderemos abreviar o tempo do sofrimento. Algumas vezes ficarão cicatrizes, que irão para sempre nos lembrar as lições que a vida nos ofertou...”Para o tratamento de feridas alguns requisitos básicos são necessários: conhecimento, dedicação, paciência, determinação, carinho e amor...” (SILVEIRA, 2006) http://www.einstein.br/ 4 Ortopedia é a especialidade médica que utiliza métodos clínicos, físicos e cirúrgicos para tratar, corrigir enfermidades, lesões e deformidades ósseas, dos músculos, dos tendões, articulações e ligamentos, e tudo o que relaciona-se ao aparelho locomotor, ao sistema esquelético e estruturas associadas. (TEIXEIRA, 2014). A Ortopedia abrange doentes em todas as idades e todas as patologias, desde crianças recém-nascidas com o pé boto ou luxação congênita da anca, até fraturas do colo do fêmur em idosos. Por isso, os enfermeiros em Ortopedia devem estar preparados para responder eficazmente a todas as situações que lhes são apresentadas. Parece haver, no entanto, uma tendência para desvalorizar a inclusão de temas relacionados com a Ortopedia, sobretudo, as técnicas de execução dos vários cuidados de enfermagem. O objetivo principal da atuação do Enfermeiro de Ortopedia e Traumatologia é prevenir, promover e restabelecer a saúde dos indivíduos que podem vir a desenvolver ou já desenvolveram alterações musculoesqueléticas. O Curso de Pós- Graduação em Enfermagem de Ortopedia e Traumatologia proporciona ao Enfermeiro competências para atuar na prevenção e correção de alterações no âmbito do sistema musculoesquelético, orientando o exercício dos cuidados, no sentido de trabalhar em colaboração e articulação numa equipe multidisciplinar, assegurando a partilha, reciprocidade e complementaridade de conhecimentos e práticas de trabalho eficazes, assim como incorpora, na sua prática, os conhecimentos e técnicas adequados à prestação de Cuidados de Enfermagem em Ortopedia e Traumatologia.As duas vertentes principais da ortopedia são concentradas na prevenção e correção das lesões que poderá ser abordada com o tratamento não cirúrgico ou cirúrgico. Inicialmente a Ortopedia era focada no cuidado com crianças que apresentavam deformidades dos membros e problemas na coluna. Atualmente, pessoas com diversas faixas etárias são encaminhadas para acompanhamento e tratamento ortopédico principalmente devido ao aumento do número de praticantes de alguma atividade física e envelhecimento populacional progressivo. A doença ortopédica tem evolução lenta, geralmente dolorosa, e compromete as atividades diárias e a qualidade de vida do seu portador. Os traumas ortopédicos têm surgimento súbito e podem trazer grandes comprometimentos físicos, emocionais e sociais. Essas injúrias ao sistema musculoesquelético podem desencadear eventos 5 que comprometem direta ou indiretamente outros sistemas e, por isso, devem sofrer intervenção imediata. Conhecer os aspectos que podem influenciar a aprendizagem e a qualidade da assistência de enfermagem traumato-ortopédica permitirá reavaliação do processo ensino-aprendizagem no curso de graduação, a partir das reais necessidades do estudante e da assistência na especialidade. A enfermagem tráumato-ortopédica é uma área especializada, relacionada à assistência em situações de doenças, processos congênitos e do desenvolvimento, traumas, distúrbios metabólicos, doenças degenerativas, infecções e outros comprometimentos que atingem o sistema musculoesquelético, articular e o tecido conjuntivo de suporte. Essa área compreende problemas de saúde clínicos, cirúrgicos e de reabilitação, que podem ser classificados em agudos, crônicos ou inabilitantes (CAMERON; ARAÚJO, 2011) O estudo em enfermagem traumato-ortopédica foi apontado como tendo importância significativa na formação do futuro enfermeiro. Entre os diversos aspectos da aprendizagem do estudante universitário destacam-se o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais, de suas habilidades humanas e profissionais, bem como e atitudes e valores integrantes à vida profissional. Assim, se estabelece que uma base bem estruturada de conhecimento é fundamental para cuidar,com segurança e eficiência, em enfermagem traumato-ortopédica, significando que não é possível o desempenho do cuidado a esse tipo de clientela, sem preparação prévia. O encontro dos estudantes de Enfermagem com as diversas faces do cuidar permite a inserção do novo, pela aquisição de conhecimentos, até nos momentos de apreensão e medo relacionados ao seu enfrentamento. Sem que eles percebam, as experiências boas e as ruins os enriquecem como pessoas e futuros profissionais. A internalização do cuidado como valor requer progresso sequencial que se desenvolve com o tempo, enquanto os estudantes evoluem na sua formação, de prática guiada a uma prática de cuidado independente. É bastante frequente, ouvir-se comentários de enfermeiras e de estudantes de enfermagem, de que sua atuação nas unidades de Ortopedia e Traumatologia é limitada e se resume numa rotina a ser obedecida. Diante desta conceituação, achamos oportuno tecer algumas considerações sobre a atuação dos enfermeiros nesta especialidade, tendo em vista que este campo está ainda pouco explorado. Julgamos que uma das causas do desconhecimento deste campo por parte dos 6 enfermeiros e estudantes seja a reformulação do Currículo Mínimo nas escolas de enfermagem, que incluiu a Enfermagem em Ortopedia dentro da disciplina de enfermagem Médico-Cirúrgica. Por outro lado, as escolas de enfermagem para atingirem seus objetivos precisam oferecer ao estudante, oportunidade para estágio em todas as especialidades. Isto nos parece natural, uma vez que o enfermeiro precisa acompanhar o progresso científico. Em consequência da atual distribuição, é comum verificar-se que o período de experiência na unidade de Ortopedia fica representado na vida do estudante, apenas como "uma passagem", um "estágio de observação”. É do conhecimento geral, que atualmente os acidentes de trânsito são muito mais numerosos e violentos, fazendo um número elevado de vítimas que necessitam de cuidados especiais incluindo os recebidos na unidade de Traumatologia e Ortopedia. E, como assistir esse paciente e sua família, em tais circunstâncias? Estamos preparados para oferecer o que o paciente e sua família esperam receber do Hospital? As informações e oportunidades oferecidas pelas escolas de enfermagem durante o estudo da disciplina Médico-Cirúrgica são suficientes para dar à enfermeira (o) segurança para atuar junto ao paciente? Poderão ser estas informações, fundamentais para a escolha do campo de trabalho, pelo profissional recém-formado? Um dos primeiros aspectos a ser considerado numa unidade de Traumatologia, é que o indivíduo que ocupa o leito hospitalar era salvo algumas exceções, sadio e ativo, até o momento em que ocorreu o acidente. As consequências podem ser mais ou menos graves para o indivíduo, dependendo da violência do impacto. O diagnóstico médico pode variar desde fraturas simples até fraturas complicadas de membros, coluna, bacia ou costelas, sem esquecer-se de mencionar os extensos e graves ferimentos descolantes e as amputações traumáticas. 7 Fonte: www.congregar.acsc.org.br Numa lógica de parceria terapêutica estabelecida, sempre que possível, com a pessoa doente ou cuidadores, o Enfermeiro planeja de forma sistemática os cuidados, enfatizando os seguintes aspectos: - Alívio da dor; - Alterações da mobilidade; - Integridade cutânea; - Estado nutricional; - Variações dos sinais neurovasculares dos segmentos; - Autonomia; - Identificação e controlo de risco; - Apoio familiar e social; - Educação para a saúde; - Estratégias de coping. O grande Risco de infecção, Integridade da pele prejudicada e Integridade tissular prejudicada, associados, devem ser motivo de atenção especial para a equipe de enfermagem. A avaliação periódica de lesões, incisões cirúrgicas, inserção de drenos e trações, seguida da prescrição adequada de curativos de acordo com a evolução do paciente deve ser prioridade para o enfermeiro. Na busca de melhor atender esta clientela, o enfermeiro deve utilizar-se diagnósticos de enfermagem em pacientes internados pela clínica ortopédica em unidade médica-cirúrgica, com o 8 objetivo de melhorar cada vez mais a qualidade do seu trabalho, fundamentado em conhecimentos científicos, uma vez que os diagnósticos de enfermagem permitem a identificação das necessidades de cuidados sobre os quais é preciso intervir. Merece atenção especial, os pacientes politraumatizados que além de fraturas múltiplas, estão sujeitos a apresentar comprometimento neurológico - pelo trauma craniano; urológico - pelo trauma da pelve; respiratória pelo trauma de tórax, circulatório - em consequência da própria fratura e/ou deslocamento, ou ainda lesão dos órgãos internos - pela violência do choque. Sabe-se que o paciente traumatizado, apesar de apresentar fraturas aparentemente simples, está sujeito a complicações tardias no seu funcionamento geral e, o que dizer dos politraumatizados? Ambos necessitam receber, por parte do enfermeiro, uma atuação efetiva e segura que, através de observação acurada, poderá detectar sinais e sintomas que exijam ação imediata do médico assistente. Nesta fase, muitas vezes o tratamento traumatológico se limita à aplicação de medidas de urgência, que permitem uma imobilização provisória do membro ou região afetada, tendo como objetivos reduzir a dor e favorecer a melhoria do estado geral. É aqui, junto ao paciente, que o enfermeiro precisa aplicar seus conhecimentos de enfermagem geral, que, concomitantemente aos recursos terapêuticos poderão decidir sobre o futuro daquele indivíduo sadio, que assumiu bruscamente o papel de paciente. Ultrapassada a fase crítica, o paciente é submetido ao tratamento traumatológico específico, sob forma de tração trans-esquelética, cirurgia ou colocação de aparelho de gesso, ou ainda, de dois ou mais tratamentos combinados. É nossa intenção, proceder a uma abordagem de enfermagem em relação aos tratamentos acima mencionados, procurando dessa forma, contribuir para complementar as informações recebidas nos cursos de Enfermagem. Nesta oportunidade, abordaremos aspectos da assistência de enfermagem a ser prestada aos pacientes com aparelho gessado, tendo em vista a identificação das suas necessidades. 9 CUIDADOS ESPECÍFICOS Fonte:irp-cdn.multiscreensite.com A Ortopedia e Traumatologia foi dentre os diversos ramos da medicina um dos que mais precocemente surgiu na evolução histórica. A imobilização dos segmentos corpóreos comprometidos passou por diversas fases até que Antonius Mathijsen, em 1852, introduziu a atadura gessada, método este que se mostrou de tal maneira eficiente que ainda não encontrou substituto ideal até nossos dias. O gesso é constituído por sulfato de cálcio, retirado da natureza, que por processo especial o gesso em pó é distribuído entre as ataduras de malha que serve de suporte. A água aquecida é ainda o processo acelerador de melhor resultado. (CAMPOS, 2016) 10 PREPARO DO PACIENTE O período de imobilização com um aparelho de gesso, em geral é longo e é necessário que o paciente seja ajudado pela enfermeira, a compreender e suportar esta modalidade de tratamento. O sentimento de aprisionamento, a impossibilidade de locomoção quando são mobilizados os membros inferiores e/ou bacia, levando a uma situação de dependência para atendimento de algumas necessidades fisiológicas, são os fatores que mais assustam o paciente. Na fase que antecede a colocação do aparelho de gesso a enfermeira precisa interpretar para o paciente e família a importância do tratamento, com vistas na recuperação do seu funcionamento efetivo. Uma atitude serena e compreensiva pode encorajar o paciente a expor suas ansiedades relativas ao tratamento e possibilitar à enfermeira, melhores condições para ajudá-lo nas suas dificuldades futuras.- Preparo da pele - a limpeza rigorosa e cuidadosa da região que vai ser imobilizada com aparelho de gesso, é a próxima etapa do trabalho. Somente após a remoção da sujeira, com água e sabão, é que o paciente está pronto para receber o aparelho gessado. No caso de imobilização de membro inferior, as unhas dos pés devem ser aparadas e limpas. Merecem atenção específica, a limpeza e secagem dos espaços interdigitais evidência de qualquer ferimento ou de lesão dermatológica localizada na região a ser imobilizada, assim como de lesão sistêmica, o médico deverá ser informado, antes da confecção do aparelho de gesso. As principais indicações dos aparelhos gessados podem ser resumidas em: 1. Imobilizar provisoriamente uma fratura. 2. Imobilizar uma fratura reduzida. 3. Imobilizar membro com traumatismo mesmo sem fratura. 4. Imobilizar articulação com processo infeccioso. 5. Imobilizar mantendo correção de deformidades. 6. Imobilizar uma região operada. 11 3.1 Providências anteriores à colocação do aparelho gessado - Antecedendo a aplicação das ataduras gessadas, é necessário proteger a pele da região a ser imobilizada, contra possíveis lesões posteriores. Utiliza-se malha tubular e algodão ortopédico bem distribuído, para revestir a região. As proeminências ósseas merecem atenção especial por estarem mais sujeitas à compressão; o acolchoamento com algodão ortopédico ou feltro poroso oferece a proteção desejada. O acabamento das bordas do aparelho gessado merece cuidado especial, com o propósito de prevenir escoriações na pele e enfraquecimento do gesso. Rebate-se a extremidade da malha tubular sobre as bordas do gesso e passa-se nova camada de atadura gessada, para fixar as extremidades da malha. - Transporte e acomodação do paciente, as condições do leito no qual vai ser acomodado um paciente com aparelho gessado, são de relevante importância no seu tratamento. Em se tratando de paciente com aparelho que envolve grande área corporal-pelvi-podálico, calção gessado, colete gessado, minerva gessada - é de se esperar que o peso do seu corpo acrescido do peso do aparelho exerça grande pressão sobre o colchão. Este deve ser firme e estar apoiado sobre estrado também firme, para prevenir afundamento das áreas mais pesadas. A cama deve ser do tipo ortopédico - alta e com trapézio - de modo a facilitar o trabalho executado pelo pessoal de enfermagem. Uma vez selecionada a cama e o colchão, é necessário reservar travesseiros revestidos de plástico, para ajudar a manter a forma do aparelho gessado e apoiar o corpo do paciente. O aparelho gessado, quando molhado, está sujeito a sofrer alteração na sua modelagem, portanto, a manipulação do paciente com aparelho recentemente confeccionado precisa ser bastante cuidadosa, para evitar áreas de compressão. Estas, produzindo deformidades no gesso, podem levar a consequências às vezes gravíssimas, tais como lesões vasculares, neurológicos e de pele. Recomenda-se, portanto, que ao recebermos um paciente com aparelho molhado, se solicite a participação de outras pessoas para acomodá-lo no leito; estas devem suportar a região envolvida pelo aparelho de gesso, com as mãos espalmadas e os dedos levemente fletidos; assim procedendo, o peso do paciente é distribuído entre as pessoas, sem haver excesso de solicitação de força, o que poderia levar a flexão dos 12 dedos; além disto, proporciona-se segurança ao paciente e protege-se as pessoas que o manipulam. Uma vez acamado o paciente, deve-se apoiá-lo com travesseiros, procurando sempre manter as posições exigidas pela modelagem do aparelho. É necessário reconhecer, que na maioria das vezes, as posições exigidas pelo tratamento podem levar o paciente a um enorme desconforto, como no caso de colete ou aparelho minerca em posição de hiperextensão. As manifestações de ansiedade, inquietação ou irritabilidade exigem da enfermeira: compreensão, solicitude e observação acurada. Quando é colocado aparelho gessado nos membros, as extremidades devem permanecer elevadas, de forma a favorecer a circulação de retorno e reduzir as possibilidades de edema e compressão. SECAGEM DO APARELHO GESSADO Para favorecer a evaporação da água e ajudar a secagem do aparelho, é necessário deixá-lo descoberto. As partes do corpo não incluídas no aparelho, pelo contrário, deverão estar protegidas ou cobertas, incluindo os artelhos, que podem ser envolvidos com algodão ortopédico. Assim procedendo, estamos prevenindo perda de calor corporal. Além da aeração, o calor ambiente favorece a secagem mais rápida do aparelho, portanto, sempre que possível, deve-se levar o paciente ao sol. Uma vez terminada a secagem de uma das faces do aparelho, deve-se mudar a posição do paciente, para completar a evaporação da água na outra face. - Mudanças de posição - Sabe-se que a permanência contínua numa mesma posição pode ocasionar uma série de distúrbios. Estes podem ser mais sérios no paciente imobilizado com aparelho gessado; apesar do seu revestimento interno ser de algodão, é possível a formação de escaras nas regiões encobertas pelo aparelho. Por vezes o paciente recusa-se a mudar de decúbito, por receio de cansar-se mais facilmente. Para oferecer-lhe maior segurança, devem-se planejar com ele mudanças frequentes de decúbito, de forma a alternar a compressão das áreas corporais. O conforto do paciente depende da utilização de travesseiros e coxins que servem para 13 suportar as várias regiões do corpo, independente do tipo de aparelho para ele indicado. Fonte: .researchgate Um paciente com pelvipodálico (imagem acima) ou calção gessado poderá permanecer em posição ventral, desde que sejam mantidas as curvaturas do aparelho e seu corpo fique relaxado no leito. Isto se consegue, colocando-se um travesseiro sob o tronco e outro apoiando os membros inferiores, deixando os artelhos livres do contato com o colchão. Sempre que se vai mudar o decúbito do paciente com aparelho pelvipodálico ou calção, deve-se fazê-lo girar, sobre o lado não afetado. Este critério deve também ser adotado, quando se coloca o paciente em decúbito lateral. - Conservação do aparelho - A eficiência do tratamento através do uso de aparelho gessado depende dos cuidados que devem ser dispensados para manter a sua dureza e integridade. Um aparelho amolecido ou quebrado pode alterar totalmente o curso do tratamento. É importante que, ao serem atendidas as necessidades de higiene e eliminação do paciente, seu aparelho seja protegido contra a umidade. Proporciona-se melhor proteção, nos pacientes com aparelhos que incluam a pelve, colocando-se um impermeável e papel absorvente na parte posterior do recorte do aparelho, quando há necessidade de usar a comadre. Nesta ocasião, eleva-se a cabeceira da cama e apoia-se a região dorso-lombar com um travesseiro 14 colocado no sentido longitudinal. Este recurso, além de reduzir o desconforto pelo uso da comadre, favorece a eliminação, através da ação da gravidade e evita que o aparelho entre em contato com fezes e urina. Caso o aparelho fique molhado ou sujo, a secagem e redução dos odores são conseguidas através das mudanças de decúbito e exposição do paciente ao sol. Quando não é utilizada malha tubular para confecção do aparelho, deve-se aplicar nas suas bordas tiras justapostas de esparadrapo. Estas, pelo fato de fixarem também o algodão interno, impedem o enfraquecimento dos bordos, pela fricção contínua do aparelho no leito. Para proporcionar uma assistência eficiente ao paciente em Ortopedia, é indispensável que o enfermeiro desenvolva habilidade para identificar sinais e sintomas das complicações a que os mesmos estão sujeitos. A manipulação das partes do corpo do paciente, durante o preparo do aparelho gessado, pode condicionar a dor, no entanto, não é suficiente conhecer este aspecto,é necessário que as reações globais do paciente sejam acompanhadas pela enfermeira. A presença de dor pode estar relacionada também a compressão ou garroteamento que talvez tenha ocorrido no momento de aplicar o algodão e as ataduras. É indispensável, portanto, verificar nos pacientes cujos membros estão inclusos no aparelho, a coloração das extremidades - cianose ou palidez, possível alteração de temperatura local em relação ao outro membro, alteração da sensibilidade, presença de edema, possibilidade de movimentação dos artelhos e possíveis manchas de sangue no aparelho gessado. Uma vez que se identifique qualquer sinal de alteração, embora o paciente não se queixe de dor, o médico precisa ser imediatamente informado, pois pode estar ocorrendo alguma complicação, cuja consequência pode ser lesão nervosa ou vascular. É desnecessário comentar sobre a importância das anotações completas e precisas que devem ser feitas no prontuário, sobre as observações realizadas e as providências tomadas. Com muita frequência, a intervenção médica se limita a um período inicial de observação, quando todos os controles mencionados devem ser rigorosamente registrados, de forma a seguir a evolução do problema. A partir de então, o médico decide sobre a próxima conduta. 15 Fonte: www.brasil.gov.br FRATURA A Fratura é uma condição caracterizada pela solução de continuidade e do tecido ósseo. A característica morfológica de uma fratura depende da energia envolvida no trauma. A fórmula da energia cinética é o que melhor permite entender as variáveis envolvidas na magnitude de um trauma. A velocidade com que ocorre o impacto é mais relevante do que a massa do objeto que colide com o osso. isso é o que explica traumas de alta energia proporcionados por projéteis de arma de fogo, que apresentam baixa massa e alta velocidade. (MOTA; apud BARROS, 2017) Conforme dito acima,uma fratura exposta em geral ocorre devido a um trauma de alta energia, isso provoca além da fratura uma intensa lesão nas partes moles, em alguns casos a lesão de partes moles é tão grave que mesmo com a cura do osso o membro não volta ao seu status, ou seja, não volta exatamente o que era antes e o paciente fica com uma sequela. E toda fratura onde ocorre comunicação dos fragmentos dos ossos quebrados com o meio externo. No caso das fraturas de bacia a perfuração do Reto, da Vagina e do intestino também são consideradas fraturas expostas. Não há a necessidade do osso ficar aparecendo, basta que o fragmento ósseo tenha perfurado a pele já é uma fratura exposta. Podemos dizer que os maiores problemas são dois. Primeiro o risco de infecção, importantíssimo e a lesão de partes moles. As fraturas expostas frequentemente envolvem mais danos aos músculos, tendões e ligamentos que as fraturas fechadas, eles têm um maior risco de complicações e levam mais tempo para curar. Este tipo de fratura é particularmente http://www.brasil.gov.br/ 16 grave, porque uma vez que a pele é lesada, uma infecção da ferida ou osso pode ocorrer. As fraturas expostas são causadas por trauma de alta energia, geralmente a partir de um trauma direto, como a de uma colisão de automóveis ou queda de uma moto ao mesmo um acidente no esporte. Na fratura exposta, a extremidade quebrada do osso rasga os tecidos moles e sai através da pele. Por causa da energia necessária para causar esses tipos de fraturas, os pacientes muitas vezes têm lesões adicionais - alguns com potencial risco de vida - e que necessitam de tratamento. Há uma taxa de 40% a 70% de trauma associado em outras partes do corpo, quando existe uma fratura exposta. As fraturas expostas podem variar significativamente em termos de gravidade. Por exemplo, uma fratura exposta pode ser uma ferida pequena, um pontinho apenas alguns milímetros de diâmetro. O osso pode ou não ser visível na ferida. Outras fraturas expostas podem expor ossos e músculos e pode danificar seriamente os nervos e os vasos sanguíneos circundantes. As fraturas expostas representam um espectro de lesões: Em primeiro lugar, o problema subjacente básico de uma fratura; em segundo lugar, a exposição do osso quebrado e exposto no ambiente e, por conseguinte, a contaminação do local da fratura. Fonte: www.idoctor.com.br 17 FRATURAS E LESÕES Fonte:www.alongamento-osseo.med.br Vários fatores podem influenciar a gravidade da fratura exposta. Por exemplo, os ossos podem ser quebrados transversalmente, longitudinalmente, e em vários pedaços (Fratura cominutiva). Quanto maior a energia cinética, mais a quantidade de fragmentos se torna maior a lesão de partes moles associada. Um trauma direto pode rasgar e esmagar pele e os tecidos moles, bem como osso. Se o osso quebra, pode haver um grande número de fragmentos que podem penetrar nos tecidos neurovasculares e tecidos moles circundantes causando uma lesão ainda mais grave e propagando a contaminação. 18 DOR E SEU CONTROLE Fonte: pilates.com.br/tratamentodador A dor é uma experiência universal. Todos os seres humanos, exceto os portadores de insensibilidade congênita a dor, um raro distúrbio genético, experimentam tal sensação uma infinidade de vezes durante sua existência. A Internacional Association for the Study of Pain (IASP) define a dor como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a uma lesão real ou potencial dos tecidos. Na ausência de sensibilidade dolorosa, estímulos nocivos evoluem com danos para o organismo, ou seja, a dor exerce uma função protetora fundamental para os seres vivos. (MOTA; apud BARROS, 2017) HISTÓRIA DA DOR Segundo Mota, a dor era entendida, nas culturas mais remotas, como manifestação de uma invasão do corpo por forças sobrenaturais como demônios e espíritos. Provavelmente, o fenômeno transcultural da trepanação craniana era realizado nesse contexto histórico, e há, inclusive, evidências do uso de folhas de coca como anestésico local durante o procedimento em culturas peruanas. No Egito antigo, várias invocações a Horus e outras divindades eram feitas para aliviar cefaleias 19 unilaterais. Egípcios, gregos, romanos e asiáticos utilizavam ópio, um derivado da semente de papoula, como analgésico. Gregos e romanos promoviam terapias elétricas com enguias em membros dolorosos, submersas ou acopladas a um ponto dolorosos de cefaleia. 8.1 Grau de Gravidade e Contaminação da Fratura Exposta O ambiente onde ocorre a fratura exposta afetará o grau de contaminação - sujeira, cacos de vidro ou tecido, pode ser conduzido para dentro da ferida. Saber onde ocorreu a lesão - um curral, local industrial, rua da cidade, campo de batalha - dá ao seu médico uma visão sobre quais os tipos de contaminantes a fratura pode ter sido exposta. 8.2 Infecção Embora fraturas abertas estejam associados com um aumento da taxa de infecção, este depende de muitas variáveis. Em geral, quanto maior o dano ao osso, tecidos moles, nervos e vasos sanguíneos, maior o risco de infecção. Uma infecção óssea pode ser difícil de eliminar. Ele pode requerer tratamento com antibióticos a longo prazo, bem como várias cirurgias. Em alguns casos graves, amputar o membro infectado é a única maneira de parar a infecção. A prevenção da infecção é o foco do tratamento precoce para as fraturas expostas. 20 Fonte: www.clinicaecirurgiadope.com.br 8.3 Tratamento Inicial Na sala de emergência, um médico irá avaliar e estabilizar todos os sinais vitais e verificar se há lesões adicionais. O médico irá perguntar como ocorreu o acidente e como era o local, além de questionar sobre outros problemas médicos, tais como diabetes. O seu médico também necessita saber se o paciente toma qualquer medicação. 8.4 Exames A maioria das fraturas abertas são óbvias porque o osso é visível - ou saliente através da pele ou dentro de uma ferida.Algumas fraturas expostas são mais sutis. Portanto, quando há qualquer ferida na mesma área do que uma fratura, presume-se ser uma fratura exposta, a saída de sangue com gotículas de gordura confirma o diagnóstico. Uma fratura exposta deve ser tratada o mais breve possível. O objetivo de seu médico é evitar a infecção, pois a infecção pode impedir ou atrasar a cicatrização da fratura. http://www.clinicaecirurgiadope.com.br/artigos/20 21 8.5 Antibióticos e Tétano Os antibióticos são iniciados o mais cedo possível na sala de emergência. A gravidade da lesão determina quais os antibióticos são administrados. A vacinação contra o tétano também deverá ser checada. Fonte: www.vivamelhoronline.com 8.6 Testes Raios-X vai mostrar o seu médico o quão complexo é a fratura. Estas imagens mostram quantos pedaços de osso existem, assim como a extensão do deslocamento (lacunas entre as peças quebradas). 22 Fonte: www.quadrilcirurgia.com.br 8.7 Tratamento Os objetivos do tratamento para fraturas expostas são para prevenir a infecção, colar os ossos quebrados e restaurar a função. 8.8 Desbridamento e irrigação http://www.quadrilcirurgia.com.br/ 23 Fonte: gramhane Os primeiros passos para controlar o risco de infecção é o desbridamento e a irrigação. Desbridamento. Durante este procedimento, o cirurgião irá remover toda a sujeira, bem como toda a pele contaminada e morta, músculos e outros tecidos moles conforme ilustração acima. O osso também é limpo de toda a sujeira e outros materiais estranhos. Quaisquer peças soltas de osso são removidas. Fragmentos ósseos severamente contaminados também são descartados. Esta perda de massa óssea pode ser corrigida mais tarde com cirurgias adicionais. Irrigação. Após desbridamento, a ferida é lavada e irrigada com vários litros de solução salina. 24 8.9 Tratamento da Fratura É importante estabilizar os ossos quebrados, logo que possível para evitar mais danos nos tecidos moles. Os ossos quebrados em uma fratura exposta normalmente são mantidos no lugar através de métodos de fixação externa ou interna. Estes métodos necessitam de cirurgia. A fixação interna. Durante a operação, os fragmentos do osso são reposicionados primeiro (reduzida) para o seu alinhamento normal, e, em seguida, realizada uma osteossintese com os parafusos especiais ligando placas de metal com superfície externa do osso. Os fragmentos também podem ser mantidos juntos através da inserção de hastes da medula do osso, no centro do osso. Este método de tratamento pode reposicionar os fragmentos da fratura. Fraturas expostas podem incluir danos nos tecidos e ser acompanhada de lesões adicionais, pode demorar algum tempo antes que possamos realizar a cirurgia de fixação interna com segurança. 8.10 A fixação externa Dependendo da lesão, o ortopedista pode usar a fixação externa para prender osso em um alinhamento geral. Na fixação externa, pinos ou parafusos são colocados no osso partido acima e abaixo do local da fatura. Em seguida, o cirurgião ortopédico reposiciona os fragmentos ósseos. Os pinos ou parafusos estão ligados a uma barra de metal ou barras de fora da pele. Este dispositivo é um quadro de estabilização que mantém os ossos na posição adequada. 25 Fonte: www.rbcp.org.br Fraturas expostas menores. Para lesões menos graves com contaminação mínima, a fratura pode ser estabilizada com fixação interna uma vez que a ferida foi completamente debridado. Fraturas expostas graves. Fraturas expostas mais graves são normalmente primeiro estabilizadas usando fixação externa. Este tratamento vai manter os ossos no lugar até que a ferida possa tolerar um procedimento de fixação interna. Feridas complexas. Em alguns casos de fraturas abertas, uma grande quantidade de tecidos moles é lesada e a ferida é demasiada grande para ser fechado. Esta fratura exposta não pode ser fechada com pontos. Dependendo da quantidade de partes moles perdidas, estas feridas complexas podem ser cobertas por meio externos e de locais distantes. 8.11 Complicações As fraturas expostas são lesões graves e, portanto, complicações graves estão associadas com elas. A infecção é a complicação mais comum de fraturas expostas. A infecção pode ocorrer mais cedo, durante a fase de cicatrização da fratura, ou mesmo mais tarde. Em geral, quanto maior a extensão dos danos no tecido mole, 26 maior é o risco de infecção. Se uma infecção se torna crônica (osteomielite), pode levar a novas cirurgias e amputações. As fraturas expostas podem ter dificuldade de cicatrização. Se a sua fratura não cicatriza, uma nova cirurgia pode ser necessária. Cirurgia para promover a cura normalmente inclui a colocação de um enxerto de osso ao longo da fatura, bem como novos componentes de fixação interna Síndrome compartimental aguda pode se desenvolver. Esta é uma condição dolorosa que ocorre quando a pressão no interior dos músculos constrói a níveis perigosos. A não ser que a pressão é aliviada mais rapidamente, invalidez e morte do tecido pode ocorrer. O sucesso do tratamento de uma fratura também depende muito da cooperação do paciente. Exercícios durante o processo de cura e, após a cura de ossos são essenciais para ajudar a restaurar a força muscular normal, mobilidade articular e flexibilidade. O seu médico irá fornecer-lhe um plano de exercícios de reabilitação, ou recomendar visitas de fisioterapia, não aceite sugestões de leigos e de pessoas que não lhe estão acompanhando. O seu médico irá conversar com você sobre as suas preocupações e expectativas razoáveis e também poderá discutir o impacto que sua lesão pode ter sobre as atividades da vida diária, trabalho, responsabilidades familiares, e realidades recreativas. Fonte: www.gazetadopovo.com.br 27 Abordar a assistência de enfermagem no pré e pós-operatório pode parecer desnecessário e até repetitivo, pelo fato de ser um dos primeiros assuntos enfatizados na disciplina de Enfermagem Médica Cirúrgica, além de ser um dos problemas do nosso dia a dia de trabalho. Da mesma forma que há uma série de aspectos invariáveis na assistência ao paciente cirúrgico, há também uma gama de particularidades a serem consideradas. Ao mesmo tempo em que estamos atentas para os quatro obstáculos mais sérios que podem ocorrer e que devem ser vencidas pelo paciente - ansiedade, dor, hemorragia e infecção - devemos também estar atentas para os objetivos a serem estabelecidos, a fim de ajudá-lo nessa fase. Como vamos discorrer sobre Ortopedia, é necessário lembrar que um dos mais importantes, senão o mais importante objetivo da assistência de enfermagem é o que se refere à prevenção de infecção; a importância se fundamenta no fato de que o tratamento das infecções ósseas é demorado, podendo facilmente levar à cronicidade, instalando-se um quadro secundário - a osteomielite. A osteomielite é uma infecção no osso causada por uma bactéria, vírus ou fungo, que pode afetar crianças, mais frequentemente nos ossos das pernas ou braços, ou adultos, afetando geralmente os ossos da coluna, quadril e pés. A osteomielite tem cura quando o tratamento é feito o mais rapidamente possível e corretamente. O tratamento pode ser feito com antibióticos para combater a infeção ou cirurgia para drenar a área afetada ou remover as partes do osso que estão infectadas. Dependendo do tempo de desenvolvimento, a doença pode ser classificada em osteomielite aguda, quando dura cerca de 4 semanas, ou osteomielite crônica, quando se desenvolve por mais de 6 semanas. 8.12 Raio-x do osso do braço com osteomielite A osteomielite, geralmente, é causada por uma infecção de uma ferida ou parte do corpo que se espalha pelo sangue até ao osso, por fraturas expostas, utilização de próteses metálicas ou no pós-operatório de cirurgia aos ossos, não sendo,por isso, hereditária, ou seja, não passando de pais para filhos. 28 8.13 Como tratar a osteomielite O tratamento para osteomielite pode ser feito em casa com a ingestão de antibióticos orais, como Oxacilina ou Clindamicina, por exemplo, por cerca de 4 a 6 semanas. No entanto, em alguns casos, o médico pode recomendar o internamento para o paciente receber os antibióticos pela veia, até poder iniciar o tratamento oral, que geralmente acontece por volta das 2 semanas. Nos casos mais graves de osteomielite, pode ser utilizada cirurgia para drenar o local afetado ou retirar as partes do osso infectadas, substituindo com excertos ou próteses. 8.14 Amputação para osteomielite A amputação para osteomielite só é feita quando ocorre morte do osso, que acontece quando o tratamento não é feito e a infecção agrava-se, impedindo a circulação de sangue dentro do osso, que acaba por morrer. Caso a morte do osso só afete pequenas partes do osso, pode ser possível removê-las através da cirurgia, evitando uma amputação. Porém, quando uma grande área do osso morreu, a amputação é recomendada para a infecção não se espalhar. 8.15 Outras complicações da osteomielite Além da morte do osso, podem ocorrer outras complicações da osteomielite, que ocorrem quando o tratamento não é feito, como a artrite séptica, por exemplo, em que a infecção se espalha para as articulações ou restrição de crescimento nas crianças. Saiba mais sobre a artrite séptica em: Artrite séptica. Além disso, e embora raro, a osteomielite pode causar câncer de pele, quando a infecção óssea resultou de uma ferida aberta com pus, que afetou a pele. 8.16 Sintomas de osteomielite Os sintomas de osteomielite incluem: Dor nos ossos; Febre acima de 38º; 29 Inchaço e vermelhidão do local afetado; Calafrios. O diagnóstico da osteomielite pode ser feito através de exame de sangue, raio X, tomografia computadorizada, ressonância magnética ou biópsia do osso para identificar qual o microrganismo causador da infeção óssea. Considerados esses fatores para a determinação dos objetivos da enfermeira, outros fatores devem ser lembrados, independentemente do tratamento médico indicado. PRÉ-OPERATÓRIO Fonte: www.felipepatrus.com.br Em traumatologia, o preparo do paciente depende muito do espaço de tempo entre o diagnóstico e o ato cirúrgico. Muitas vezes esse espaço é apenas o suficiente para o preparo da área operatória e o imediato encaminhamento do paciente à sala cirúrgica. Embora seja necessário executar o trabalho rapidamente, se o paciente estiver em condições, deve-se, ao mesmo tempo em que se procede a limpeza e tricotomia da região, informá-lo sobre a cirurgia a que vai ser submetido. Entretanto, se o paciente permanece alguns dias internado, antes que seja realizado o tratamento 30 cirúrgico, algumas medidas, se adotadas, poderão contribuir grandemente para o bom êxito do tratamento. Qualquer cirurgia, geralmente, causa apreensão ao paciente, ainda que represente o restabelecimento desejado. Ouvi-lo, procurar conhecer as suas preocupações e tentar esclarecê-lo, pode contribuir para aumentar a sua confiança no tratamento proposto. Vários estudos têm demonstrado que o paciente reage mais cooperativamente após a cirurgia, quando é antecipadamente esclarecido e tem oportunidade de expressar suas preocupações relativas a ela. É de fundamental importância que o paciente esteja consciente de que o sucesso da cirurgia depende em grande parte da sua participação ativa no momento adequado. Embora a perda de líquidos possa ser compensada terapeuticamente, deve-se estimular a hidratação, oferecendo-se maior quantidade de sucos nos dias que precedem o ato cirúrgico. Se o paciente se apresenta em condições físicas satisfatórias, é de se esperar que sua recuperação se processe de forma rápida e natural. Quando há indicação de fleet Enema, a sua administração deve ser feita cerca de 12 horas antes da cirurgia. Preparo da área operatória: - O preparo da área operatória deve ser cuidadosamente executado, pois este é um dos fatores que contribui para a prevenção de infecção. O procedimento pode variar de um serviço para outro, entretanto, a limpeza rigorosa e a remoção dos pelos é parte inerente do preparo. Água, esfregão e sabão, provavelmente são os melhores agentes para a remoção de gorduras e detritos da pele. Depois da limpeza, procede-se a tricotomia, atendendo-se a dois aspectos fundamentais: remoção completa dos pelos e manutenção da integridade da pele. A pele íntegra, sem lesão, é considerada como uma barreira mecânica, que impede a penetração de bactérias; este procedimento deve, portanto, ser executado sem pressa e com material de boa qualidade. As unhas devem ser aparadas e rigorosamente limpas; o esmalte deve ser removido, porque impede a verificação de cianose, se esta ocorrer. Para o preparo específico dos pés, devemos colocá-los em solução morna de água e sabão, para facilitar a remoção das células mortas; o uso de "ralinho" próprio proporciona segurança no preparo da região, ao contrário da lâmina, que pode vir a provocar lesões locais. O preparo dos pés deve ser iniciado alguns dias antes da cirurgia, pois desta forma é possível tratar alguma lesão micótica porventura existente. 31 A área a ser preparada é designada pelo médico. As mais comumente indicadas para as intervenções cirúrgicas traumatológicas, apresentam cada uma, suas peculiaridades: a cirurgia de pé requer preparo a partir do joelho; a de tornozelo, estende-se do pé até a metade da coxa; para cirurgia de joelho prepara-se a pele desde os artelhos até a raiz da coxa; nas cirurgias de fêmur e bacia, o preparo estende-se do joelho (inclusive), até à borda da costela inferior e, lateralmente, vai da coluna à linha umbilical. Quando se faz necessária a retirada de material para enxerto, - pele ou osso - a área doadora deve ser igualmente preparada. Para as cirurgias articulares, recomenda-se incluir no preparo, as articulações mais próximas, para o caso de haver necessidade de ampliação da área operatória. Alguns ortopedistas poderão indicar, como parte do preparo da área, a aplicação de compressas esterilizadas embebidas com solução antisséptica. PÓS-OPERATÓRIO Fonte: www.paraiba.pb.gov.br Com as facilidades oferecidas por alguns hospitais mais modernos, através das suas unidades pós-operatórias, a assistência do paciente nesta fase é mais individualizada e, certamente, mais eficiente. Muitas complicações pós-operatórias 32 podem ser prevenidas, quando o paciente recebe assistência adequada neste período. Em qualquer circunstância, com ou sem sinais de alarme, é fundamental que se observe e se registre todos os dados identificados, para que se tenha um parâmetro progressivo. Ê conveniente lembrar, que a expressão "observar" em ortopedia tem valor decisivo na conduta médica posterior à verificação. Quando, por exemplo, a conduta for “ofender o gesso”, ou "abrir o enfaixamento", a atuação da enfermeira deverá estar estritamente dentro dos limites predeterminados; solicita-se ao médico que, com um lápis comum ou caneta, delimite no gesso ou no enfaixamento, a área a ser fendida, além de registrar a ordem no prontuário. O passo seguinte é o cumprimento imediato da ordem, sob o risco de agravar os efeitos da compressão. Após fender o aparelho gessado, cuidadosamente e com o auxílio de uma tesoura de Lister (ponta achatada), cortam-se e afastam as ataduras e o algodão ortopédico, até que se visualize a pele, em toda a extensão da fenda. Esta recomendação é de importância fundamental, pois é a forma de eliminar o possível garroteamento existente. Feito isto, o médico deve ser prontamente informado e devem ser registrados os dados identificados - coloração da pele. Sangramento, edema, flictenas íntegras ou não, odor, e outros possíveissinais. Evidentemente temos que oferecer as mais seguras condições para prevenir contaminações da área operada; uma das recomendações é que seja passada uma atadura de crepe sobre a área fendida do aparelho de gesso, evitando-se desta forma, a manipulação por parte do paciente e a exposição da região operada. Durante todo o período de permanência com aparelho gessado ou com enfaixamento compressivo - reforçamos - é necessário manter o membro elevado, como prevenção de problemas, e, caso estes existam, como parte do tratamento dos referidos problemas; neste caso, recomenda-se aumentar o grau de elevação do segmento corporal comprometido, através do uso de outros travesseiros. 33 Fonte: www.tecimobortopedica.blogspot.com.br Transporte do paciente: - O procedimento de acamar o paciente adulto O prontuário é instrumento de defesa e de acusação. É muito lembrada a frase: “O que não está escrito no prontuário não aconteceu”. Por conseguinte, é pertinente anotar as dificuldades no atendimento ao doente, seja pela demora com que a medicação é feita, seja pelo plantão tumultuado, que atinge psicologicamente o médico assistente. A falta de condições hospitalares, a ausência de infraestrutura de atendimento, a privação de material apropriado para procedimentos e o consequente uso de substitutos inadequados, a carência de medicamentos e outras anormalidades devem ser anotadas. Tal iniciativa não desobriga o profissional a comunicar as irregularidades à chefia imediata. Para evitar aborrecimentos e questionamentos no ambiente judicial, descrever com precisão, clareza e localização anatômica lesões subsequentes à violência em pacientes atendidos em serviço de pronto-socorro, não é raro e exige a participação de três ou mais elementos do Serviço de Enfermagem (BACELAR, 2017) Justifica-se isto, pelo fato de ser necessário transportá-lo como um todo. Nas cirurgias de membros inferiores, uma das pessoas deverá segurar o segmento operado, com as mãos espalmadas suportando as grandes articulações; nas cirurgias de membros superiores, estes devem ser mantidos junto ao corpo. Nas cirurgias de 34 coluna cervical, uma das pessoas deve suportar a cabeça do paciente, mantendo-a no alinhamento predeterminado na sala de cirurgia. Tanto nas cirurgias de segmentos como nas de coluna, é sempre mais seguro transportar o paciente como um todo, juntamente com o lençol da maca. Para efeito de segurança do paciente e menor esforço do pessoal de Enfermagem, é conveniente que trabalhem quatro pessoas, duas de cada lado. Caso a altura do leito não corresponda à altura da maca - o que é muito comum - aconselha-se reduzir o desnível, colocando-se travesseiros, coxins ou cobertor enrolado no sentido do comprimento, sob o lençol da maca e junto ao colchão. Desta forma, quando o corpo do paciente for deslocado, não sofrerá o impacto com o colchão; evidentemente que todo o procedimento deverá ser feito com segurança, delicadeza e coordenação de movimentos. Dependendo da cirurgia e do tipo de anestesia, pode-se solicitar alguma ajuda ao paciente. Observação e registro de sintomas e sinais: - A observação de sinais de choque, de hemorragia, de obstrução das vias aéreas superiores e da expansão pulmonar nos pacientes com cirurgias torácica ou cervical é de vital importância. Retenção urinaria e distensão abdominal também podem ocorrer, como nas demais cirurgias. Quando o membro operado é imobilizado com aparelho gessado ou com enfaixamento compressivo, deve-se apoiá-lo sobre travesseiros, para facilitar a circulação de retorno. Verifica-se, de imediato, se os dedos estão visíveis, para que seja possível identificar sinais de complicação que, geralmente são: cianose, palidez, edema, perda ou diminuição da sensibilidade. Estes sinais podem representar a presença de compressão provocada pelas bordas do algodão ortopédico, ou das próprias ataduras - de crepe ou de gesso. A presença de tais sinais pode não ocorrer nas primeiras horas após a cirurgia, e sim, mais tardiamente. Nesse caso, pode-se tratar de compressão decorrente da aderência na pele, do algodão sujo de sangue já desidratado. Nas cirurgias que não requerem imobilização posterior, geralmente é feito um enfaixamento simples, que mantém o curativo e protege a região. A ocorrência de perda de sangue, neste caso, pode ser identificada pelas manchas que aparecem na face externa do enfaixamento e no lençol colocado sob o paciente. Em qualquer das situações, uma vez identificados sinais de hemorragia, notifica-se o médico. 35 Posição do paciente no leito: - Nas cirurgias de membros superiores, o decúbito do paciente no leito pode ser dorsal ou lateral, desde que não seja exercida pressão sobre o membro operado, e que este permaneça ligeiramente elevado. Nas cirurgias do membro inferior, o paciente deve permanecer em decúbito dorsal, com o membro operado em posição neutra. Quando, nas intervenções da articulação coxofemoral, há tendência' para rotação externa ou interna do membro - o que não é raro e pode prejudicar a cirurgia- o ortopedista geralmente fixa, no pé, com auxílio de atadura, uma trave de madeira em forma de "T" (envolvida em algodão ortopédico). Nos casos em que a rotação é necessária, o ortopedista coloca uma trave inclinada, para manter o membro na posição desejada. A haste transversal da trave é assentada na altura do calcâneo, de forma a impedir a rotação do membro. Para prevenir edema e desconforto, pode-se colocar um coxim macio, de cerca de 0,05 cm de altura, desde a região poplítea, até o terço inferior da perna, deixando o calcâneo livre; as extremidades da haste transversal devem ficar suficientemente apoiadas, de forma a manter o membro na posição indicada. Os pacientes submetidos a cirurgia de membros inferiores, depois de bem despertos, podem ser colocados em posição lateral sobre o lado não operado; o membro operado deverá ficar suportado por travesseiros, e mantido em posição funcional. Quando a cirurgia envolver a articulação coxofemoral, se não houver contraindicação médica, no primeiro dia pós-operatório, pode-se também colocar o paciente em posição para-lateral, sobre o lado não operado; para mantê-lo em posição funcional colocam-se travesseiros que apoiem a região dorso-lombar-sacra e a perna correspondente ao quadril operado, tomando-se o cuidado de manter a perna e o quadril em alinhamento. Durante a mobilização do paciente, deve-se manter a imobilização da articulação operada. De acordo com o tipo de cirurgia realizada é possível que o paciente também obtenha permissão para, nesse mesmo dia, sentar-se no leito. Aqueles que têm essa permissão, podem ter a cabeceira da cama elevada, e podem também ser colocados em posição lateral, algumas vezes por dia. Sintomas e sinais de complicações: - Uma das complicações que pode ocorrer após a cirurgia é a embolia gordurosa. Esta, usualmente, ocorre dentro das primeiras 24 horas, entretanto, como em geral não ocorre antes das primeiras 12 horas, seus sintomas podem ser facilmente diferenciados dos sintomas do choque. 36 Aos sintomas de aumento da frequência respiratória, taquicardia e palidez, seguida de cianose, o médico precisa ser notificado com urgência. Broncopneumonia, tromboflebite e embolia pulmonar são complicações imediatas que também podem ocorrer no pós-operatório de cirurgias traumatológicas. As medidas de enfermagem relativas a essas complicações e às demais, relacionadas com o pós-operatório, são as mesmas adotadas nas cirurgias em geral. PARTICIPAÇÃO DO PACIENTE Fonte:www.blogdomarcogeib.blogspot.com.br Para que a fase de dependência decorrente do tratamento cirúrgico não se estenda, e o paciente possa reassumir suas atividades o mais precocemente possível, a assistência de Enfermagem deve ser dinâmica. Levá-lo a participar progressivamente das atividades deenfermagem, para ele programadas, além de devolver-lhe a confiança, será uma forma de acelerar a sua recuperação física. ALTA HOSPITALAR Antes de deixar o hospital, se o tratamento não se completou, o paciente e seus familiares devem ser informados sobre a sua continuidade. Além dessas informações, pacientes e familiares devem ser esclarecidos sobre as atividades permitidas e as 37 limitações impostas pelo tratamento, principalmente nas cirurgias de membro inferior, que envolvem deambulação e descarga de peso. Orientar o paciente e familiar quanto aos cuidados em domicilio, enfatizando o autocuidado, alimentação, hidratação e higiene corporal. (SILVA, 2009). 38 BIBLIOGRAFIA Cameron LE. Enfermagem Traumato-Ortopédica. Programa de Atualização de Enfermagem: saúde do adulto (PROENF) Ciclo 5, Módulo 1. Porto Alegre (RS): Artmed/Panamericana Editora; 2010. p. 45-85. CAMERON, Lys Eiras; ARAÚJO, Sílvia Teresa Carvalho de. Enfermagem em Ortopedia. O estudante de graduação e a assistência em enfermagem tráumato- ortopédica, Rio de Janeiro, p. 1-7, 21 dez. 2011. CAMPOS, Maria Genilde das Chagas Araújo Campos. Enfermagem em Ortopedia. Feridas complexas e Estomias, João Pessoa, n. 1-398, p. 1-398, 8 out. 2016. BACELAR, Simônides da Silva. Enfermagem em Ortopedia. PRONTUÁRIO MÉDICO DO PACIENTE, Brasilia, p. 1-86, 9 out. 2017. ENFERMAGEM em Ortopedia. Curso de Imobilização Ortopédica, Bahia, p. 1-24, 8 ago. 2018. Fleuri, RM. Prefácio. In: Santos I, Gauthier J, Figueiredo NMA, Petit SH. Prática da Pesquisa nas Ciências Humanas e Sociais: Abordagem Sociopoética. São Paulo: Editora Atheneu; 2005. 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