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23/08/2023
1
EFUSÕES CAVITÁRIAS
UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL
CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA
PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA
Profa. Luciana L. Dias de Castro
Efusões cavitárias
o Função
Lubrificação
Nutrição
Excreção de catabólitos
o Líquido acumula-se nas cavidades corpóreas em
consequência de processo fisiológico ou patológico.
Efusões cavitárias
◦ O exame do fluído é altamente
recomendado.
◦ A avaliação física, química e
citológica apresentam grande valor
diagnóstico e possibilitam inclusive o
diagnóstico etiológico, ou a
identificação do distúrbio de base
que levou à efusão cavitária.
Fisiologia
Fenda capilar
Fluído intersticial
Cél. endoteliaisCél. endoteliais
Água e solutos
Fisiologia
Equação de Starling
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2
A
rt
e
ri
o
la
r
V
e
n
u
la
r
Pressão de reabsorção
-6 mmHG
Pressão de filtração
7 mmHG
Diferença de 
filtração e 
reabsorção
1 mmHG
Sist. Linfático
Mecanismos de formação
1. Obstrução linfática 
2. Diminuição da pressão oncótica capilar (↓ reabsorção)
3. Aumento da pressão hidrostática capilar (↑ filtração)
4. Aumento da permeabilidade capilar
Mecanismos de obstrução linfática
Obstrução linfáticaObstrução linfática
↓ fluxo linfático↓ fluxo linfático
↑ o líquido intersticial↑ o líquido intersticial[↑] de PT no interstício [↑] de PT no interstício 
Retenção de líquido 
no interstício 
Retenção de líquido 
no interstício 
1.
C
a
p
ila
r
Linfócitos
Proteínas
Cél. epiteliais
Causas de obstrução linfática
◦ Linfangite
◦ Tumores e/ou metástases
◦ Compressão de outros órgãos
◦ Retirada cirúrgica da cadeia linfática
◦ Abcesso
1. Mecanismo da ↓ pressão oncótica
[↓] proteína plasmática[↓] proteína plasmática
[↓] pressão oncótica[↓] pressão oncótica
↑ do volume de 
líquido intersticial
↑ do volume de 
líquido intersticial
2.
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3
PPT .
Diminuição da pressão oncótica
◦ Distúrbios hepáticos 
◦ Perdas
◦ Falta de ingestão
2.
Mecanismo do ↑ pressão hidrostática
↑ da pressão↑ da pressão
↑ da pressão hidrostática 
capilar
↑ da pressão hidrostática 
capilar
↑ do volume de 
líquido intersticial
↑ do volume de 
líquido intersticial
3. Aumento da pressão hidrostática
 Obstrução
 compressão ou bloqueio
 Hérnia diafragmática
 ICC
 Hipertensão portal
 Pericardiopatia
3.
Mecanismo do aumento da permeabilidade
Lesão ou reação antigênica Lesão ou reação antigênica 
↑ Permeabilidade capilar↑ Permeabilidade capilar
[↑] intersticial de proteínas [↑] intersticial de proteínas 
↑ filtração ↑ filtração 
↑ do volume de líquido 
intersticial
↑ do volume de líquido 
intersticial
4.
Substâncias 
vasoativas e 
quimiotactantes
Fenda 
capilar
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4
Aumento da permeabilidade vascular
◦ Processos inflamatórios
◦ Reações alérgicas
◦ Substâncias tóxicas
◦ Queimaduras
4. Coleta
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Coleta
Tubo com EDTA
Impede a coagulação 
Contagem de células 
nucleadas e análise citológica.
Mensuração de proteínas.
Tubo sem EDTA
(sem ativador)
Análise bioquímica
Mensuração de proteínas pós 
centrifugação.
Técnicas de coleta
1. Toracocentese
Efusão pleural/torácica
Técnicas de coleta
1. Toracocentese
Muito cuidado 
Espaço intercostal – 6 ao 8
Borda cranial da costela
Técnicas de coleta
1. Toracocentese
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5
Técnicas de coleta
2. Abdominocentese
Efusão 
abdominal/peritoneal
Técnicas de coleta
2. Abdominocentese
Técnicas de coleta
3. Pericardiocentese
Sedação
Decúbito lateral esquerdo
4 e 5 EIC - Direito
Monitorar ECG
Pericárdio
Efusão 
pericárdica 1. Exame físico
◦ Cor – variação de acordo com os componentes presentes 
◦ Odor (desuso) – pouco valor diagnóstico
◦ Aspecto – relacionado com a celularidade
◦ Densidade – varia com a concentração de solutos
2. Exame químico
a) pH – desuso (inflamação 7,3 neoplasia)
b) Proteína – refratometria
2. Exame químico
c) Sangue oculto – positivo
d) Glicose – presente/ausente 
(> 20 mg/dL)
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6
3. Exame citológico
◦ Contagem de células nucleadas
◦ Diferencial de células
◦ Morfologia celular
◦ Microrganismos
Células encontradas nas efusões
Célula mesotelial Neutrófilo Macrófago
Eosinófilos MastócitoLinfócito
Achados do exame citológico
Cristal de 
hematoidina Leucofagocitose Eritrofagocitose
Pigmento biliar HemossiderinaPlaquetas
Células neoplásicas encontradas nas efusões 
4. Análises bioquímicas
◦ Bilirrubina (peritonite biliar)
◦ Creatinina (uroperitônio)
◦ Triglicérides (efusão quilosa)
◦ Colesterol (pseudoquilosa)
◦ Amilase/Lipase (pancreatite)
ALTERAÇÃO:
Concentração 2-3 vezes o 
valor encontrado no soro 
Dosar sempre 
no soro tb
Efusão abdominal, 
torácica/pleural 
ou pericárdica
Efusão abdominal, 
torácica/pleural 
ou pericárdica
[pt total] e células 
nucleadas 
[pt total] e células 
nucleadas 
Pt. 3,0 g/dL
> 7.000 células 
nucleadas/µL
Pt. > 3,0 g/dL
> 7.000 células 
nucleadas/µL
Transudato puroTransudato puro Transudato modificadoTransudato modificado ExsudatoExsudato
Classificação das Efusões
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Classificação
◦ Transudato puro
Coloração Incolores/amarelados
Aspecto Límpido a amarelado
Proteína 3,0g/dL
Células nucleadas >7.000
pH Ácido
Densidade >1.025
Células predominantes
Neutrófilos, macrófagos e células mesoteliais
Exsudato
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8
Classificação
◦ Exsudato
Séptico Asséptico
Células degeneradas, 
presença de bactérias e 
fungos
Células íntegras, ausência 
de bactérias e fungos
Líquidos cavitários
Efusões especiais
1. Efusão hemorrágica
2. Efusão rica em linfócitos (quilosa)
3. Uroperitônio
4. Peritonite biliar
5. Peritonite infecciosa felina (PIF)
6. Efusões neoplásicas
1. Efusão hemorrágica
◦ Hematócrito da efusão > 3% ou 10% – 25%
◦Ausência ou baixa qtdade de plaquetas
◦ Contaminação iatrogênica 
◦ Hematócrito efusão = sangue periférico
◦ Punção esplênica
◦ Ht efusão > Ht de sangue periférico 
1. Efusão hemorrágica
◦ Diferenciar de contaminação
Hemorragia Contaminação iatrogênica 
Eritrofagocitose, cristal de 
hematoidina e hemossiderina
Presença de plaquetas inicialmente
Coagulação
Cristal de hematoidinaCristal de hematoidina HemossiderinaHemossiderinaEritrofagocitoseEritrofagocitose
2. Efusão rica em linfócitos (quilosa)
Efusão leitosa
◦ Triglicérides líquido (normal no soro)
◦ Extravasamento de linfa
Causas
◦ Trauma – ruptura do ducto torácico
◦ Hérnia diafragmática
◦ Neoplasia
◦ Cardiomiopatia - gato
◦ Idiopática
Efusão quilosa x Pseudoquilosa
Linfa (quilomicrons)
Linfócitos
Rico em TRIGLICERÍDEOS
(2 – 3 vezes que no soro)
Debris celulares
Raro em animais
Rico em COLESTEROL
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9
3. Uroperitôneo
Irritação química 
◦ Claro – âmbar 
◦ Baixa celularidade e PT - diluição
◦ Creatinina x Uréia
Ruptura 
◦Vesícula urinária
◦ Uretra 
◦ Ureter
4. Efusão biliar
Ruptura 
◦ Vesícula biliar
◦ Ducto biliar
Coloração 
◦ Esverdeada
◦ Amarelo-alaranjado
Peritonite 
química
Peritonite 
química
[Bilirrubina]
2x maior na 
efusão do que 
no soro.
5. Peritonite infecciosa felina
◦ Límpida a turva
◦ Discreta a intensamente amarelada
◦ Asséptica
◦ Grumos de fibrina◦ Celularidade variável
◦Alta concentração de proteína
◦ Razão A:G Inferior 0,8 
6. Efusões neoplásica
◦ Linfoma
◦ Mastocitoma
◦ Mesotelioma x mesoteliais reativas
◦ Carcinomas 
◦ Adenocarcinomas
◦ Sarcomas 
Considerações finais
A avaliação de efusões/líquidos cavitários auxilia no
diagnóstico e no prognóstico, ajudando o médico veterinário
decidir qual a conduta a ser tomada com o paciente.
REFERÊNCIAS
Stockham S. L. & Scott M. A. 2011. Fundamentos de Patologia Clínica Veterinária. 2.ed. 
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 729p.
Rose E. Raskin, Denny J. Meyer. 2011. Citologia Clínica de Cães & Gatos. Atlas colorido e 
guia de interpretação. 2. ed. Rio de Janeiro: Saunders Elsevier.
KLEIN B. G Cunningham. 2014. Tratado de Fisiologia Veterinária 5. ed. Rio de Janeiro: 
Saunders Elsevier.
Fotos e esquemas gentilmente cedidos pela Profa. Raqueli T. França
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CASOS CLÍNICOS
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• Canino, fêmea, Fox, 13 anos de idade
• Anamnese
Dispneia e tosse há um mês
• Exame físico
Taquicardia/Taquipneia
Ausculta cardíaca e pulmonar abafada
Nódulos mamários
CASO CLÍNICO 1
• Exames complementares
Rx de tórax
Hemograma
Bioquímicos
Análise de líquido pleural
CASO CLÍNICO 1
Eritrograma
Valores 
encontrados
Valores de 
referência
Hemácias (x106) 7,39 5,5 – 8,5
Hemoglobina (g/dL) 18,0 12,0 – 18,0
Hematócrito (%) 51,8 37 - 55
VCM (fl) 70,1 60 – 77
CHCM (%) 35,9 32 - 36
Proteínas plasmáticas(g/dL) 8,0 6,0 – 8,0
CASO CLÍNICO 1
Valores encontrados Valores de referência
Leucócitos totais/µL 18.100 6.000 – 17.000
Segmentados/µL 15.204 3.000 - 11.500
Linfócitos/µL 724 1.000 – 4.800
Monócitos/µL 1.991 150 – 1.350
Eosinófilos/µL 181 150 – 1.250
Leucograma
Leucocitose por neutrofilia com linfopenia e monocitose
Leucograma de estresse (Gl. Adrenal → Glicocorticóide)
CASO CLÍNICO 1
Bioquímica Sérica
Resultados Valores de 
referência
ALT UI/L 110,98 21 – 102
Creatinina mg/dL 0,85 0,5 – 1,5
Fosfatase Alcalina UI/L 307,68 20 – 156
Uréia mg/dL 41,65 21,4 – 59,92
CASO CLÍNICO 1
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11
CASO CLÍNICO 1
Volume: 7 mL pH: 6,5
Cor Vermelho Proteína 5,0 g/dL
Aspecto Turvo Glicose Negativo
Densidade 1.015 Sangue +++
Células nucleadas 6.100
Citologia
Presença de grande quantidade de clusters de células epiteliais neoplásicas,
apresentando vários critérios de malignidade: basofilia e vacuolização
citoplasmática, anisocitose, anisocariose, grande quantidade de figuras de
mitose bizarras, células multinucleadas, cromatina nuclear frouxa, nucléolos
angulares múltiplos e evidentes.
CASO CLÍNICO 1
CASO CLÍNICO 1
Diagnóstico citológico: 
Neoplasia de origem epitelial
Diagnóstico histopatológico: 
Carcinoma de origem indeterminada
CASO CLÍNICO 1
Canino fêmea, 2 anos de idade, sem raça definida.
Foi atropelado por um carro.
Após uma semana, o animal apresentava-se apático, com 
vocalização ao toque do dono e anorexia. 
O veterinário responsável realizou o exame clínico e 
evidenciou presença de líquido abdominal.
Exames complementares: Hemograma e análise de líquido 
peritoneal.
CASO CLÍNICO 2
Eritrograma
Valores 
encontrados
Valores de 
referência
Hemácias (x106) 3,62 5,5 – 8,5
Hemoglobina (g/dL) 9,2 12,0 – 18,0
Hematócrito (%) 30 37 - 55
VCM (fl) 82,87 60 – 77
CHCM (%) 30,66 32 - 36
Proteínas plasmáticas(g/dL) 8,0 6,0 – 8,0
Anemia macrocítica hipocrômica
CASO CLÍNICO 2
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12
Valores 
encontrados
Valores de 
referência
Leucócitos totais/µL 18.000 6.000 – 17.000
Bastonete/µL 400 0 - 300
Segmentados/µL 14.900 3.000 - 11.500
Linfócitos/µL 980 1.000 – 4.800
Monócitos/µL 1.700 150 – 1.350
Eosinófilos/µL 20 150 – 1.250
Leucograma
CASO CLÍNICO 2
Leucograma de estresse por corticoide endógeno ou processo 
inflamatório ?
Volume: 15 mL pH: 6,5
Cor Âmbar esverdeado Proteína 4,4 g/dL
Aspecto Turvo Glicose +
Densidade 1.030 Sangue +++
Células nucleadas 8.500
Citologia
Neutrófilos não degenerados (93%), células mesoteliais reativas (2%), macrófagos (3%)
e linfócitos (2%). Presença de pigmento verde-enegrecido no interior do citoplasma
dos macrófagos, sugestivo de bile.
CASO CLÍNICO 2
Efusão Biliar
Peritonite
Bilirrubina total soro: 0,6 
líquido: 1,2
CASO CLÍNICO 2
Canino fêmea, de 5 anos, SRD, pesando 32kg.
O proprietário relata que o animal apresentava aumento
abdominal, achando que estivesse prenhe.
Afirma estar muito cansada.
Defecando e comendo normal.
Polidipsia porém não visualizaram urinar.
Nega tosse, mas tem dificuldades respiratórias.
CASO CLÍNICO 3
ABDOMINOCENTESE
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Exame físico Exame químico Avaliação citológica
Volume: 7 mL Glicose: (+)
Células nucleadas: 
2.200/µL
Cor: branco leitoso pH: 7,5
Aspecto: turvo Proteínas: 12 g/dL
Consistência: fluída Sangue oculto: 3+
Densidade: 1.012
Bioquímica
Líquido abdominal Soro
Colesterol 28,36 mg/dL
94,30 mg/dL
(135-270 mg/dL)
Triglicerídeos 678,14 mg/dL 
39,24 mg/dL
(32-138 mg/dL)
Equino, fêmea, com 10 anos de idade
Apresentando dor abdominal e cabeça voltada para o flanco.
Exame clínico:
Febre (temperatura retal 39,8°C)
Distensão abdominal.
Médico veterinário responsável drenou o líquido abdominal e o
enviou ao laboratório, juntamente com uma amostra de
sangue, para a realização da análise do líquido
peritoneal/abdominal e do hemograma.
CASO CLÍNICO 4 CASO CLÍNICO 4
Eritrograma
Valores 
encontrados
Valores de 
referência
Hemácias 9,6 6,5 – 12,5
Hemoglobina (g/dL) 16,5 11,0 – 19,0
Hematócrito (%) 46 32 - 52
VCM (fl) 47,91 36 – 52
CHCM (%) 35,86 31 - 36
Proteínas plasmáticas(g/dL) 9,0 5,8 – 8,7
Fibrinogênio (mg/dL) 800 100 – 400
CASO CLÍNICO 4
Valores encontrados Valores de referência
Leucócitos totais/µL 20.000 5.400 – 14.300
Metamielócitos 1.400 0
Bastonete/µL 4.600 0 - 100
Segmentados/µL 10.000 2.700 - 8.500
Linfócitos/µL 1.600 1.500 – 7.700
Monócitos/µL 400 0 – 1.000
Eosinófilos/µL 400 0 – 1.000
Basofilia citoplasmática (+++), corpúsculos de Dölhe (++) e granulações 
tóxicas nos neutrófilos segmentados, bastonetes e metamielócitos (+)
Leucograma
CASO CLÍNICO 4
Exame físico Exame químico Avaliação citológica
Volume: 20 mL Glicose: (+) Células nucleadas: 30.000/µL
Cor: Âmbar pH: 6,0 Neutrófilos degenerados (60%)
Aspecto: turvo Proteínas: 6,2 g/dL Células mesoteliais reativas 
(10%)Odor: fétido Sangue oculto: 2+
Densidade: 1.034 Macrófago (20%)
Linfócito (10%)
Líquido Cavitário
23/08/2023
14
CASO CLÍNICO 4
Líquido Cavitário
Fotos: Med. Vet. Tatiane Ascari (Virtus Análises)
Obrigada!