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FLUIDOS BIOLÓGICOS
Desvendando o Líquido Ascítico: Fisiologia, Análise e Correlação Clínica
Biomedicina - Sílvia Caldara
1
Objetivos de Aprendizagem
Fisiologia e Coleta
Identificar a fisiologia e os procedimentos de coleta do líquido ascítico.
Parâmetros de Análise
Descrever os parâmetros de análise laboratorial do líquido ascítico.
Correlação Clínico-Laboratorial
Realizar a correlação entre achados clínicos e laboratoriais do líquido ascítico.
2
Introdução ao Líquido Ascítico
O líquido ascítico é um dos principais fluidos serosos do corpo, essencial para a proteção e transporte de metabólitos na cavidade abdominal. Ele atua como um valioso aliado diagnóstico em diversas condições clínicas.
3
Fisiologia do Líquido Ascítico
A cavidade peritoneal, revestida pelo peritônio (membranas parietal e visceral), abriga órgãos abdominais. Para minimizar o atrito durante a movimentação, existe uma pequena quantidade de líquido ascítico, cerca de 50 ml, com aspecto similar ao soro.
Este fluido, formado pela ultrafiltração do plasma, também transporta células, medeia respostas inflamatórias, repara tecidos e protege contra microrganismos. Seu equilíbrio é regulado por pressões hidrostáticas, coloidosmóticas e vasos linfáticos.
4
Ascite: Acúmulo e Paracentese
Acúmulo de Líquido
O desequilíbrio na produção ou remoção do líquido ascítico leva à ascite (derrame peritoneal), frequentemente associada a:
Aumento da pressão hidrostática (ex: patologia renal, circulatória).
Processos inflamatórios/infecciosos.
Procedimento de Paracentese
A coleta do líquido ascítico é feita pela paracentese, um procedimento médico crucial para a análise diagnóstica. Inclui:
Exame de imagem (ex: ultrassonografia) para localização.
Posicionamento adequado do paciente.
Cuidados e Contraindicações
Realizada com agulha fina e assepsia, a paracentese é geralmente segura, mas pode haver complicações raras. Contraindicada em:
Gravidez.
Infecções de pele.
Pacientes não colaborativos.
5
Análise Laboratorial: Primeiro Olhar
O objetivo principal da análise do líquido ascítico é detectar inflamações, infecções, sangramentos e neoplasias. O ideal é coletar em três tubos para diferentes análises e processar rapidamente.
Coleta
Tubo com anticoagulante para citologia.
Tubo sem anticoagulante para análises físicas, bioquímicas e imunológicas.
Tubo estéril para microbiologia.
Análise Física
Avaliação macroscópica da amostra para cor e turbidez:
Normal: Amarelo-claro, límpido.
Anormal: Avermelhada (sangue), xantocrômica (bilirrubina), esverdeada (sepse/perfuração).
Aspecto
Mudanças no aspecto indicam patologias:
Enevoado, turvo, leitoso (gorduras).
Purulento (leucócitos), oleoso (contraste), coagulado.
A diferenciação entre acidente de punção e ascite hemorrágica é crucial. A centrifugação da amostra pode ajudar na distinção.
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Análise Bioquímica e Citológica
Parâmetros Chave
Proteínas totais, albumina e GASA: Diferenciam transudato e exsudato.
Glicose e LDH: Indicam infecções ou processos inflamatórios. Baixa glicose e alta LDH sugerem peritonite bacteriana.
Amilase: Elevada em casos de pancreatite aguda e perfurações.
Lipídios: Diferenciam derrames quilosos de pseudoquilosos.
Análise Citológica
A contagem celular global e diferencial é feita para quantificar eritrócitos e células nucleadas (leucócitos, macrófagos). A presença de células neoplásicas é um achado crítico.
7
Análise Microbiológica e Imunológica
Microbiologia
Identificação de microrganismos por microscopia (Gram) e cultura. Recomenda-se inoculação prévia em frascos de hemocultura para maior sensibilidade.
Meios comuns: Ágar MacConkey (gram-negativos), Ágar Sangue (gram-positivos).
Suspeitas específicas: Ziehl-Neelsen para Mycobacterium tuberculosis.
Imunologia
Testes imunológicos são menos rotineiros, mas fornecem dados adicionais para a etiologia da ascite.
PCR (Proteína C Reativa): Principal marcador analisado, indicando inflamação.
A PCR é uma proteína de fase aguda produzida no fígado, útil para avaliar o envolvimento inflamatório do derrame.
8
Correlação Clínica: Entendendo as Causas da Ascite
Classificação e Etiologia
A ascite pode ser descomplicada, complicada ou refratária. Embora grave, a causa base é o fator mais crítico. As causas mais comuns incluem:
Cirrose e hipertensão portal.
Insuficiência cardíaca, nefropatias.
Pancreatites, tuberculose.
Peritonites bacterianas, neoplasias (mama, ovário).
Transudato vs. Exsudato
A análise de transudato e exsudato, junto com o GASA, é fundamental para o diagnóstico diferencial:
Transudatos: Associados a distúrbios sistêmicos (ex: cirrose), GASA ≥ 1,1 g/dl.
Exsudatos: Associados a processos inflamatórios/infecciosos, GASA

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