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UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA 
CURSO DE BACHARELADO EM BIOMEDICINA 
 
 
 
JULIANA FIGUEIREDO DA SILVA 
LARISSA THAIS SILVA PINTO 
TAINÁ MÁRCIA PINHEIRO PANTOJA 
 
 
 
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE CASOS DE SÍFILIS ADQUIRIDA NO PERÍODO DE 
2012 A 2021 NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM - PA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ananindeua - PA 
Novembro/2023 
JULIANA FIGUEIREDO DA SILVA 
LARISSA THAIS SILVA PINTO 
TAINÁ MÁRCIA PINHEIRO PANTOJA 
 
 
 
 
 
 
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE CASOS DE SÍFILIS ADQUIRIDA NO PERÍODO DE 
2012 A 2021 NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM - PA 
 
 
 
 
Projeto de Trabalho de Conclusão de 
Curso (TCC) submetido como requisito 
parcial para obtenção do grau de Bacharel 
em Biomedicina. 
Orientadora: Prof.ª Msc. Maria Eduarda de 
Sousa Avelino. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ananindeua - PA 
Novembro/2023 
JULIANA FIGUEIREDO DA SILVA 
LARISSA THAIS SILVA PINTO 
TAINÁ MÁRCIA PINHEIRO PANTOJA 
 
 
 
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE CASOS DE SÍFILIS ADQUIRIDA NO PERÍODO DE 
2012 A 2021 NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM - PA 
 
 
 
Projeto de Trabalho de Conclusão de 
Curso (TCC) submetido como requisito 
parcial para obtenção do grau de Bacharel 
em Biomedicina. 
Orientadora: Prof.ª Msc. Maria Eduarda de 
Sousa Avelino. 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
_______________________________________________ 
Prof. Dr. Bruno José Martins (titular) 
Universidade da Amazônia 
 
 
________________________________________________ 
Prof.ª Msc Carolinne de Jesus Santos e Santos (titular) 
Instituto Evandro Chagas 
 
 
_______________________________________________ 
Prof.ª Dra. Maria Karoliny da Silva Torres (suplente) 
Universidade da Amazônia 
 
 
 
 
Ananindeua - PA 
Novembro/2023 
 
RESUMO 
 
A sífilis está entre as patologias transmissíveis mais comuns, exclusiva do ser 
humano, e é causada pela bactéria Treponema pallidum. No Brasil, foram constatados 
167 mil novos casos de sífilis adquirida no ano de 2021; em gestantes, foram 
notificados cerca de 74 mil casos. Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar 
o perfil epidemiológico de casos de sífilis adquirida no período de 2012 a 2021 na 
Região Metropolitana de Belém, Pará, Brasil. Trata-se de uma análise retrospectiva 
com enfoque quantitativo e epidemiológico, realizado por meio de coleta de dados no 
DATASUS e SINAN. Foi realizada a análise de estatística descritiva dos dados, 
através da elaboração de tabelas, apresentando as frequências absolutas e relativas. 
Dentre a população, o número de casos de sífilis adquirida, segundo o sexo, foi mais 
expressivo no sexo masculino com um total de 2.942 casos, com relação à cor/raça 
foi evidenciado maior número entre a população parda, com um total de 3.117 casos. 
Os casos de sífilis adquirida foram mais frequentes na faixa etária de 20 a 39 anos, já 
pertinente ao nível de escolaridade, a maioria possuía o ensino médio completo de 
1.253. A capital do Pará, Belém, foi a mais atingida pela infecção no período analisado 
com 247 casos. Portanto, é necessária uma política pública que inclua promoção da 
saúde e medidas preventivas contra as IST. Como benefícios, o estudo traça o perfil 
epidemiológico de casos de sífilis adquirida na Região Metropolitana de Belém, no 
período de 2012 a 2021, podendo servir de base para a formulação de políticas de 
Saúde Pública e outras ações. 
Palavras-chave: Sífilis; Infecções Sexualmente Transmissíveis; Epidemiologia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
Syphilis is among the most common transmissible pathologies, exclusive to humans, 
and is caused by the bacterium Treponema pallidum. In Brazil, 167 thousand new 
cases of acquired syphilis were found in 2021; in pregnant women, around 74 thousand 
cases were reported. Therefore, this study aims to analyze the epidemiological profile 
of cases of syphilis acquired between 2012 and 2021 in the Metropolitan Region of 
Belém, Pará, Brazil. This is a retrospective analysis with a quantitative and 
epidemiological focus, carried out through data collection in DATASUS and SINAN. 
Descriptive statistical analysis of the data was carried out, through the creation of 
tables, presenting the absolute and relative frequencies. Among the population, the 
number of cases of acquired syphilis, according to sex, was more significant in males, 
with a total of 2,942 cases. In relation to color/race, a higher number was found among 
the brown population, with a total of 3,117 cases. Cases of acquired syphilis were more 
frequent in the age group of 20 to 39 years, which is already relevant to the level of 
education, the majority had completed secondary education of 1,253. The capital of 
Pará, Belém, was the most affected by the infection in the period analyzed with 247 
cases. Therefore, a public policy that includes health promotion and preventive 
measures against STIs is necessary. As benefits, the study outlines the 
epidemiological profile of cases of syphilis acquired in the Metropolitan Region of 
Belém, from 2012 to 2021, and can serve as a basis for the formulation of Public Health 
policies and other actions. 
Keywords: Syphilis; Sexually Transmitted Infections; Epidemiology. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 1 - Estrutura celular de uma bactéria ............................................................. 10 
Figura 2 - Microscopia da bactéria Treponema pallidum, demonstrando a sua 
morfologia de espiroqueta ......................................................................................... 13 
Figura 3 - Lesão característica da sífilis primária, denominada “cancro duro”, na região 
peniana ..................................................................................................................... 14 
Figura 4 - Lesão característica da sífilis secundária na região palmar ...................... 15 
Figura 5 - Lesão característica da sífilis terciária na região dos membros inferiores 16 
Figura 6 - Casos de sífilis adquirida segundo região de residênia por ano de 
diagnóstico no Brasil (2012-2021) ............................................................................. 18 
Figura 7 - Casos de sífilis adquirida segundo faixa etaria por ano de diagnóstico no 
Brasil (2012-2021) ..................................................................................................... 18 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
file:///C:/Users/Juliana/Documents/AJE%20Assessoria%20Acadêmica%20e%20Empresarial/UNAMA/2023/Projeto%20de%20pesquisa_Larissa_Biomedicina/Perfil%20epidemiologico%20de%20casos%20de%20sifilis%20em%20Belem_Larissa%20e%20equipe_30052023.docx%23_Toc136391038
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file:///C:/Users/Juliana/Documents/AJE%20Assessoria%20Acadêmica%20e%20Empresarial/UNAMA/2023/Projeto%20de%20pesquisa_Larissa_Biomedicina/Perfil%20epidemiologico%20de%20casos%20de%20sifilis%20em%20Belem_Larissa%20e%20equipe_30052023.docx%23_Toc136391040
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 7 
1.1 JUSTIFICATIVA .................................................................................................... 8 
1.2 OBJETIVOS .......................................................................................................... 9 
1.2.1 Geral .................................................................................................................. 9 
1.2.2 Específicos ....................................................................................................... 9 
2 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................... 10 
2.1 INFECÇÕESdo Sul. 2009. 70f. Tese (Doutorado em Ciências 
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https://sbmt.org.br/sifilis-estudo-genetico-revela-que-doenca-esta-de-volta/#:~:text=Segundo%20a%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20de,pessoa%20ser%20infectada%20pelo%20HIV
https://sbmt.org.br/sifilis-estudo-genetico-revela-que-doenca-esta-de-volta/#:~:text=Segundo%20a%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20de,pessoa%20ser%20infectada%20pelo%20HIV
https://sbmt.org.br/sifilis-estudo-genetico-revela-que-doenca-esta-de-volta/#:~:text=Segundo%20a%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20de,pessoa%20ser%20infectada%20pelo%20HIV
https://sbmt.org.br/sifilis-estudo-genetico-revela-que-doenca-esta-de-volta/#:~:text=Segundo%20a%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20de,pessoa%20ser%20infectada%20pelo%20HIV
29 
 
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16, n. 2, p. 94-98, 2018. 
30 
 
SPLENDORE, C. O. Bacteriologia clínica. Londrina: Editora e Distribuidora S.A., 
2018.DE ORIGEM BACTERIANA .......................................................... 10 
2.2 INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (IST) ................................... 12 
2.3 SÍFILIS ................................................................................................................ 13 
2.4 EPIDEMIOLOGIA DA SÍFILIS ............................................................................ 17 
2.5 POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS PARA O CONTROLE E PREVENÇÃO DA 
SÍFILIS ..................................................................................................................... 19 
3 MATERIAL E MÉTODOS ..................................................................................... 23 
3.1 TIPO DE ESTUDO E ASPECTOS ÉTICOS ....................................................... 23 
3.2 ESTRATÉGIA DE BUSCA, EXTRAÇÃO DE DADOS E CRITÉRIOS DE 
SELEÇÃO ................................................................................................................. 23 
3.3 ANÁLISE DOS DADOS ...................................................................................... 24 
3.4 RISCOS E BENEFÍCIOS .................................................................................... 24 
4 APRESENTAÇÃO DO ARTIGO ........................................................................... 24 
5 MANUSCRITO ........................................................................................................25 
REFERÊNCIAS 
7 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A sífilis está entre as patologias transmissíveis mais comuns, exclusiva do ser 
humano, e é causada pela bactéria Treponema pallidum. É curável, porém, se não 
tratada, evolui para estágios de gravidade variada. É caracterizada pela formação de 
lesões, as quais podem configurar-se como uma porta de entrada para outras 
infecções (PINTO et al., 2018). Essa patologia não confere imunidade protetora, o que 
significa que pode ocorrer infecção tantas vezes que a pessoa for exposta, por conta 
disso, a única forma de profilaxia é por meio do uso de preservativos, visto que ainda 
não existe vacina (MCINTOSH, 2020). 
Desde 2010, a partir da Portaria nº 2.472 de 31 de agosto de 2010, o Brasil 
vem adotando medidas para o controle da sífilis, como por exemplo, tornando esse 
agravo passivo de notificação compulsória (BRASIL, 2010). Além disso, o Ministério 
da Saúde (MS) estabeleceu protocolos clínicos, manual de diagnóstico e ampliação 
de exames de triagem, como os testes rápidos para o combate à sífilis adquirida e a 
interrupção da cadeia de transmissão (MIRANDA et al., 2021). 
No Brasil, foram constatados 167 mil novos casos de sífilis adquirida no ano de 
2021; em gestantes, foram notificados cerca de 74 mil casos. Até meados de junho 
de 2022, foram registrados 122 mil novos casos da doença (BRASIL, 2023). 
Corroborando com essas informações, segundo dados da Secretaria de Estado de 
Saúde Pública do Pará (SESPA), foram registrados 2.351 casos de sífilis adquirida 
em 2020 no Pará, e até setembro de 2021, foram notificados 2.149 casos de sífilis 
adquirida (SESPA, 2021). 
O governo do Pará intensifica esforços no combate a sífilis. Entre as ações 
desenvolvidas estão a conscientização e a prevenção da doença, para minimizar os 
impactos gerados pela infecção em todo o estado. Além disso, são distribuídos os 
testes rápidos para os postos de saúde do estado, para que haja a detecção precoce 
da doença; o governo investe ainda em capacitações dos profissionais da área da 
saúde da atenção básica, que atuam nos centros regionais, orientando e sensibilizar 
a sociedade para o combate à sífilis (MENEZES, 2021). 
Embora haja ações de combate a doença, de acordo com Santos et al., (2019) 
a sífilis voltou a ser compreendida como uma doença de alta prevalência, 
configurando-se como um sério problema de saúde pública. Observa-se um aumento 
de notificações de sífilis, principalmente entre pessoas jovens, com baixa escolaridade 
8 
 
e limitação de acesso a serviços de saúde, além disso, há uma maior proporção da 
doença em mulheres, particularmente pardas/pretas (CONCEIÇÃO et al., 2020). 
Diante disso, torna-se fundamental conhecer o perfil epidemiológico da sífilis 
adquirida no Pará, bem como detectar as áreas com maior prevalência e 
vulnerabilidade para esse agravo, para que se possa adotar melhores medidas de 
combate a essa infecção. Nessa perspectiva, o objetivo do presente projeto será 
analisar o perfil epidemiológico de casos de sífilis adquirida no período de 2012 a 2021 
na Região Metropolitana de Belém (PA). 
 
1.1 JUSTIFICATIVA 
 
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a sífilis chega a atingir 
cerca de 12 milhões de pessoas no mundo todo. Isso se justifica pelo aumento dos 
casos de comportamento sexual irrestrito e, principalmente, desprotegido. No ano de 
2017, o coeficiente de mortalidade da doença foi de 7,6/100.000 nascidos vivos, o que 
representa um aumento de 8,5% em relação a 2018 (OMS, 2022). 
A situação da sífilis no Brasil não é diferente da de outros países. No Boletim 
Epidemiológico Sífilis 2019, observa-se que a sífilis adquirida, agravo de notificação 
compulsória desde 2010, teve sua taxa de detecção aumentada de 59,1 casos por 
100.000 habitantes, em 2017, para 75,8 casos por 100.000 habitantes, em 2018. Em 
2019, foram notificados 152.915 casos de sífilis adquirida (taxa de detecção de 72,8 
casos/100.000 habitantes) (BRASIL, 2021). 
Na estratificação por regiões, observaram-se que a região com mais incidênca 
é a Sudeste com 46% dos casos notificados na região; na região Norte, notificaram-
se 6,9% dos casos (BRASIL, 2021). Um estudo realizado por Carneiro et al., (2023) 
revelou que a população mais afetada por casos de sífilis no Brasil é a jovem, com 
idade entre 15 a 29 anos, representando cerca de 360 mil casos; o ano de 2019 foi o 
mais representativo, com mais de 91 mil casos da doença entre essa população. 
Além dos prejuízos na saúde, a sífilis também gera impactos no setor 
econômico, social e sanitário. No Brasil, entre o período de 2013 a 2017, foram gastos 
quase que R$10 milhões com tratamento da sífilis; o Nordeste foi a região em que 
teve maior valor expressivo, mais de R$ 2,2 milhões, entre o período informado. Isso 
mostra a importância de políticas públicas que possam subsidiar a educação sexual e 
9 
 
proporcionar melhores condições de acesso aos serviços de saúde (PEREIRA et al., 
2023). 
A partir do conhecimento do agravamento desses dados este estudo terá como 
objetivo descrever dados relevantes sobre a prevalência da sífilis na população da 
Região Metropolitana de Belém. Será uma forma de auxiliar no direcionamento das 
políticas públicas para grupos que necessitem de atendimento especial e avaliação 
da eficácia dos programas de prevenção, tratamento e campanhas de 
conscientização, que possam contribuir com a diminuição dos casos de sífilis na 
Região Metropolitana de Belém (PA). 
 
1.2 OBJETIVOS 
 
1.2.1 Objetivo Geral 
 
Analisar o perfil epidemiológico de casos de sífilis adquirida no período de 2012 
a 2021 na Região Metropolitana de Belém, Pará, Brasil. 
 
1.2.2 Objetivo Específicos 
 
- Investigar o perfil sociodemográfico (idade; gênero; escolaridade; etnia; 
munícipio de diagnóstico) dos acometidos por sífilis no período no período de 2012 a 
2021 na Região Metropolitana de Belém; 
- Identificar o perfil clínico/laboratorial (cura; óbito pelo agravo; diagnóstico 
clínico e diagnóstico laboratorial) dos indivíduos acometidos por sífilis no período 
analisado; 
- Identificar o nível cura do agravo por faixa etária, no período analisado; 
 
 
 
 
 
 
10 
 
2 REFERENCIAL TEÓRICO 
 
As bactérias (Figura 1) são organismos procariontes unicelulares, 
apresentando uma parede celular composta por peptideoglicano. De acordo com a 
coloração de Gram, podem ser classificadas em gram-positivas e gram-negativas. 
Apresentam reproduçãoassexuada, podendo viver isoladas ou em colônias, 
ocupando diferentes tipos de ambientes. As suas exigências metabólicas podem 
variar de acordo com a espécie, podem ser anaeróbicas restritas, aeróbicas e 
aeróbicas facultativas (ROSAS et al., 2019). 
 
Figura 1 - Estrutura celular de uma bactéria 
 
Fonte: Santos (2023) 
 
Esses microrganismos podem apresentar diferentes morfologias, mas as 
formas mais comuns são: 1) Espiroqueta: lembram muito um espiral e/ou ondulado; 
2) Bacilos: tem formatos de bastões; 3) Cocos: apresentam formato esféricos; 4) 
Víbrio: formato semelhante a uma “vírgula”. Além disso, podem ser benéficas ou 
patogênicas. As bactérias benéficas podem estar relacionadas a diversos processos 
humanos, mas estão principalmente relacionadas a formação da microbiota, 
auxiliando em processos de absorção de nutrientes e aumentando as defesas, tais 
como os lactobacilos e as bifidobactéria (MURRAY, 2018). 
 
2.1 INFECÇÕES DE ORIGEM BACTERIANA 
 
11 
 
Bactérias patogênicas são responsáveis pelos processos infecciosos no 
organismo humano. De modo geral, causam algum dano, ou seja, escapam do 
sistema imune, invadindo células do hospedeiro, resultando em alterações fisiológicas 
e anatômicas. Sendo assim, a infecção ocorre quando agentes externos, 
microrganismos, invadem o hospedeiro, resultando na sua multiplicação no 
organismo. O hospedeiro é capaz de combater infecções através do sistema imune, 
desenvolvendo respostas da imunidade inata e adaptativa (INSTITUTO BUTANTAN, 
2021). 
O processo infeccioso bacteriano corresponde a invasão no organismo, 
podendo causar danos. Esse processo está diretamente relacionado às estruturas 
moleculares denominadas de fatores de virulência. Os fatores de virulência são 
estruturas e moléculas que auxiliam no processo de invasão, escape do sistema 
imune e/ou indução do processo patogênico, aumentando os danos à defesa do 
hospedeiro (LIMA, 2022). 
De acordo com Abrantes e Nogueira (2021) algumas cepas produzem as 
cápsulas e o biofilme, as quais são responsáveis pelo bloqueio da fagocitose e 
resistência aos antimicrobianos. Há proteínas bacterianas que possuem atividade 
enzimática, que facilitam a entrada e disseminam os microrganismos no tecido local. 
Outro fator de virulência são as toxinas produzidas pelos patógenos, podendo ser 
exotoxinas ou endotoxinas. 
Um exemplo de endotoxinas são os lipopolissacarídeos (LPS), que estão 
presentes na parte das membranas em bactérias gram-negativas, desencadeando um 
mecanismo envolvido na coagulação, via complemento e outros, sendo responsáveis 
pela morbidade de casos de sepse por bactérias gram-negativas. As infecções de 
origem bacteriana são causadas por bactérias patogênicas, ocasionadas, de modo 
geral, por contato com secreções e fluidos infectados, alimentos, água ou objetos 
contaminados (BUSH, 2022) 
Pode-se citar como patologias causadas por bactérias Gram-negativas: a 
Gonorreia, a Cólera, a Coqueluche e outras. Em relação as bactérias Gram-positivas, 
pode citar: Difteria, Colite, pneumocócicas e outras. Essas infecções pode ser 
classificas de acordo com a forma de transmissão, tais como infecções respiratórias 
e infecções veiculadas a alimentos (ANVISA, 2013). Além disso, das infecções 
ocasionadas por bactérias, pode-se citar as denominadas Infecções Sexualmente 
Transmissíveis (IST), substituindo a expressão DST (Doenças Sexualmente 
12 
 
Transmissíveis), visto que, uma pessoa pode ter a infecção e transmitir, mesmo não 
apresentando sinais e sintomas (SPLENDORE, 2018). 
 
2.2 INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (IST) 
 
Segundo o MS, as IST são definidas como a implantação, crescimento e a 
multiplicação do microrganismo, por meio da resposta do hospedeiro à presença do 
agente infeccioso ou de seus produtos. Podem causar lesões no tecido, 
principalmente, no órgão genital, resultando feridas, corrimentos e verrugas nessa 
região. No entanto, podem outras partes do corpo, como a palma das mãos, olhos e 
língua, ou podendo ser assintomático durante algum tempo (BRASIL, 2020). 
Essas infecções são transmitidas por meio de contato sexual (anal, oral ou 
vaginal) ou por contato de mucosas ou pele não integra com fluidos corporais 
contaminados. Outras formas de contaminação é a transmissão vertical (mãe para o 
filho), durante o parto ou na amamentação (BRASIL, 2020). Apresentam como fatores 
de risco o não uso de preservativos, início precoce da atividade sexual, relações 
sexuais com múltiplos parceiros, pessoas relacionadas à prostituição e a falta de 
higiene íntima (BRASIL, 2022). 
As IST estão entre os problemas de saúde pública mais comuns em todo o 
mundo, com uma estimativa de 244 mil casos novos por ano. No Brasil, foi instituído 
a Vigilância Epidemiológica (VE) com a finalidade de analisar os casos de IST, casos 
do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), das hepatites virais e coinfecções para 
medidas destinadas a prevenção, promoção e recuperação. Além disso, visa a 
geração de dados para avaliação de recursos e a gestão para ação de estratégias 
públicas (BRASIL, 2019). 
Segundo Gandra (2021), foram diagnosticados 16.619 mil casos de HIV, e 
152.615 mil casos de Sífilis, num total de 169.234 mil casos durante o ano. Em 2020, 
os valores diminuíram de forma significativa, pois foram diagnosticados 6.692 mil 
casos de casos de AIDS e 49.154 mil casos de Sífilis, totalizando-se 55.846 mil casos 
nesse ano. Ao todo, estima-se uma redução de 33% das infecções sexualmente 
transmissíveis, representando uma diminuição significativa em questões de saúde 
pública, visto que essas infecções geram um gasto considerável das verbas 
destinadas à saúde. 
13 
 
Existem diversos tipos de infecções sexualmente transmissíveis, os mais 
frequentes são: Herpes genital, Papilomavírus Humano (HPV), HIV/AIDS e Hepatites 
virais B, Doença Inflamatória Pélvica (DIP), Gonorreia e infecção por Clamídia, 
Linfogranuloma venéreo (LGV), Infecção pelo Vírus Linfotrópico de Células T 
Humanas (HTLV), Tricomoníase e Sífilis. Com o tratamento adequado e o diagnóstico 
precoce, pessoas infectadas melhoram a qualidade de vida e interrompe a cadeia de 
transmissão (BRASIL, 2022). 
 
2.3 SÍFILIS 
 
A Sífilis é uma doença que se espalhou pela Europa no final do século XV, no 
período marcado pelas grandes navegações. Foram quase 500 anos de história e 
pesquisas científicas até a descoberta da penicilina, resultando na cura para a doença. 
Apesar de ser curável, a sua ocorrência apresenta números significativos. A OMS 
aponta que são registrados mais de 7 milhões de novos casos da doença em todo o 
mundo. O Treponema pallidum (Figura 2) é o agente etiológico da Sífilis, membro da 
ordem Spirochaetales, da família Spirochaetaceae e do gênero Treponema. Essa 
bactéria apresenta a morfologia de espiroqueta, variando de 0,10 a 0,18 mm de 
diâmetro e de 6 a 20 mm de comprimento (SIQUEIRA et al., 2017). 
 
Figura 2 - Microscopia da bactéria Treponema pallidum, demonstrando a sua 
morfologia de espiroqueta 
 
Fonte: Loureiro (2009, p. 17) 
 
14 
 
É gram-negativa e tem pouca possibilidade de crescer em condições de cultura 
in vitro. A prática clínica de visualização da bactéria é por meio de microscopia de 
campo escuro. A sua superfície apresenta poucas proteínas, possibilitando escapar 
da resposta imune do hospedeiro, fazendo a doença permanecer no corpo do 
hospedeiro por anos ou até mesmo décadas. A sífilis é uma IST e exclusiva do ser 
humano; pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios: sífilis 
primária, secundária, latente e terciária (GUERRA et al., 2017). 
A evolução da doença pode mudar por alguns fatores, como o estado 
imunológico do hospedeiro e a administração de medicações antimicrobianas para 
outros patógenos, que podem se efetivas contra o treponema. As manifestações 
clínicas da sífilis favorecem a suspeita, mas não há sinalou sintoma exclusivo, 
podendo gerar confusão com outras patologias, dificultando o diagnóstico correto 
(SIQUEIRA et al., 2017). 
A Sífilis primária (Figura 3) apresenta o tempo de incubação e de 3 a 90 dias. 
Ocorrem lesões, chamadas de “cancro duro”, geralmente única e indolor, com borda 
bem definida e regular, base endurecida e fundo limpo, podendo no pênis, vulva, 
vagina, colo uterino, ânus, boca, entre outros locais do tegumento. Essas lesões 
permanecem durante aproximadamente 3 a 6 semanas, sumindo sem deixar 
cicatrizes (ROCHA et al., 2020). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Avelleira e Bottino (2006). 
 
Figura 3 - Lesão característica da sífilis primária, denominada “cancro 
duro”, na região peniana 
15 
 
A Sífilis Secundária (Figura 4) ocorre em média de 3 a 12 semanas após o 
desaparecimento do “cancro duro” (fase primária). Sua aparição ocorre em 
concomitância com a manifestação primária, apresentando lesões mais explicitas, 
atingindo a região plantar e palmar, com uma escamação visível. Esses sintomas 
podem durar em média 4 a 12 semanas (ANDRADE et al., 2019). 
 
Figura 4 - Lesão característica da sífilis secundária na região palmar 
 
Fonte: Santos e Pereira (2018) 
 
A sífilis latente é um período em que não se apresenta nenhum sinal, ou seja, 
sendo assintomática. O seu diagnóstico só pode ser constatado através da reatividade 
dos testes treponêmicos e não treponêmicos (RIBEIRO, 2019). A sífilis terciária 
(Figura 5) é o período de ápice da doença, podendo ser observada entre 1 a 40 anos 
após o início da infecção. Nesse estágio, a inflamação causada pela infecção provoca 
destruição do tecido, atingindo o sistema nervoso e cardiovascular. Verifica-se a 
formação de nódulos sifilíticos (tumores com lise tecidual necrosado), podendo se 
localizar na pele, mucosas ou qualquer tecido (SILVA et al., 2015). 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Minasse et al., (2021). 
 
Diante disso, o processo de diagnóstico torna-se fundamental para o controle 
da patologia. O diagnóstico é feito por ensaio imunocromático (teste rápido), 
disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). São de fácil execução e o resultado é 
obtido em menos de 30 minutos, sem precisar da estrutura de um laboratório. Caso o 
resultado seja positivo (reagente), deverá ser coletada uma amostra de sangue, sendo 
direcionada a um laboratório para realizar a confirmação do diagnóstico; em 
gestantes, o tratamento tem que ser iniciado apenas com o primeiro teste (BRASIL, 
2022). 
É recomendado que o paciente portador da infecção seja acompanhado 
durante o ano realizando testes não treponêmicos para verificar se houve queda dos 
patógenos. Os principais testes são: Floculação (VDRL, RPR, USR, TRUST); 
Imunoenzimáticos (ELISA); Imunocromático. Em relação ao tratamento, a penicilina 
age em todos os estágios da doença, pois a bactéria é sensível a droga, levando a 
uma resposta rápida nas lesões primárias e secundárias, com apenas o uso de uma 
dose (BRASIL, 2015). 
Assim, o tratamento é feito basicamente com antibióticos e são encontrados 
nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Em caso de gestantes, o tratamento deve 
iniciar depois do teste positivo, pois a infecção coloca em risco a mãe e o feto durante 
a gestação. Além disso, o tratamento da doença varia de acordo com o estágio e da 
Figura 5 - Lesão característica da sífilis terciária na região dos membros 
inferiores 
17 
 
avaliação clínica, podendo variar de 1 a 14 dias; pacientes alérgicos a substância da 
penicilina, podem iniciar outros tratamentos com novos antibióticos (BRASIL, 2015). 
Conforme o MS, a terapia medicamentosa pode ser feita com doxicilina via oral, 
porém é contraindicado para gestantes. Dessa forma, a penicilina passa a ser a única 
medicação usada para o tratamento em gestantes, a qual pode atravessar a placenta, 
de modo a tratar o feto. Vale ressaltar, que parceiros de pacientes devem também 
fazer o tratamento para evitar a infecção (BRASIL, 2020). 
 
2.4 EPIDEMIOLOGIA DA SÍFILIS 
 
Disseminada há décadas, a Sífilis continua sendo um importante problema de 
saúde pública em grupos sociais de qualquer faixa etária. No entanto, estudos 
recentes mostram que a faixa etária de 15 a 29 anos (Figura 7) é mais suscetível à 
exposição a infecção, em decorrência da falta de orientação durante o início da vida 
sexual. Entre os fatores que podem ser destacados para elencar os altos índices de 
casos, também podem ser citados: falta de prevenção, baixa condição econômica, 
constrangimento sobre a sexualidade, múltiplos parceiros e diagnostico tardio 
(SOUZA et al., 2018). 
Em 2021, foram registrados no Brasil mais de 167 mil novos casos de sífilis 
adquirida, destacando-se 74 mil casos em gestantes. Observou-se 27 mil diagnósticos 
de sífilis congênita e, aproximadamente, 192 óbitos decorrente esse tipo de sífilis. Até 
a metade de 2022, foram constatados 79,5 mil casos de sífilis adquirida, 31 mil 
registros de sífilis em gestantes e 12 mil diagnósticos de sífilis congênita no país 
(BRASIL, 2021). 
 A sífilis apresenta uma prevalência elevada e crescente em populações 
vulnerabilidades em contextos de baixa escolaridade e limitação de acesso a serviços 
de saúde, trabalhadoras do sexo, pessoas privadas de liberdade e homossexuais 
masculinos. Há uma maior proporção da doença em mulheres, particularmente 
pardas/pretas (BRASIL, 2022). 
 
18 
 
Figura 6 - Casos de sífilis adquirida segundo região de residência por ano de 
diagnóstico no Brasil (2012-2021) 
 
Fonte: SINAN (2022). 
 
Figura 7 - Casos de sífilis adquirida segundo faixa etária por ano de diagnóstico no 
Brasil (2012-2021) 
 
Fonte: SINAN (2022). 
 
Destaca-se que no Estado do Pará foram registrados 2.351 casos de sífilis 
adquirida no Pará em 2020 (Figura 6). Até setembro de 2021, foram notificados 2.149 
casos de sífilis adquirida, reforçando a necessidade de políticas públicas a nível 
nacional e estadual (BRASIL, 2022). 
 
19 
 
2.5 POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS PARA O CONTROLE E PREVENÇÃO DA 
SÍFILIS 
 
Políticas públicas voltadas para o controle e prevenção da sífilis são essenciais 
para reduzir sua propagação e a garantia do tratamento em tempo hábil. Desta forma, 
as campanhas de conscientização são fundamentais, pois visam divulgar informações 
sobre a doença e promover comportamentos sexuais saudáveis que possam reduzir 
o risco de infecção, principalmente entre jovens que apresenta maior prevalência das 
infecções sexualmente transmissíveis (SANTANA, 2022). 
Através da Portaria MS/SVS nº. 33, de 14 de julho de 2005, a sífilis obteve a 
ficha de investigação e liberação para digitação no Sistema Nacional de Agravos de 
Notificação (SINAN). No ano de 2010, a Portaria nº 2.472, de 31 de agosto, incluiu a 
sífilis adquirida na Lista de Notificação Compulsória; o objetivo dessa portaria é de 
reduzir as infecções virais e realizar o acompanhamento de gestante no pré-natal 
(BRASIL, 2010). 
Além disso, a portaria em questão estabelece os diagnósticos por testes 
rápidos (TR); a administração de penicilina e benzatina na atenção primaria, após os 
testes positivos; e, qualificação para profissionais na temática da sífilis. Do mesmo 
modo, é possível realizar ações em locais carentes sobre conhecimentos que possam 
incentivar a prevenção; introduzir comitês de investigação de transmissão vertical de 
HIV e sífilis, nos estados e municípios; e manter informações atualizadas sobre a 
doença (BRASIL, 2010). 
O MS juntamente com a Universidade do Rio Grande do Norte (UFRN) 
elaboraram ações interfederativas para disseminar informações a população, tais 
como o projeto “Sífilis vamos cuidar agora”. Esse projeto tem como objetivo alertar as 
pessoas sobre importância a prevenção precocemente para que a doença não se 
agrave. Essa campanha é voltada para grávidas, puérperas,profissionais e gestores 
da saúde, alertando sobre a sífilis congênita para a diminuição de casos no Brasil 
(KAUSS, 2017). 
 A campanha “Sífilis não: teste, trate e cure” tem como finalidade o incentivo 
no período do carnaval sobre o uso de camisinhas, pois é o único método eficaz de 
não se contrair a bactéria. O projeto “Sífilis eu sei, você sabe? ” é uma campanha feita 
entre o MS, a UFRN e o Laboratório de Inovação Tecnológico em Saúde (LAIS), com 
o objetivo de mostrar a importância do diagnóstico precoce e o tratamento, 
20 
 
estimulando a população e profissionais da área da saúde a contribuir para esse 
projeto (RIBEIRO et al., 2021). 
Outra ação pública importante é a campanha “Lembre de se cuidar”, a qual 
utiliza as mídias sociais para chamar atenção do público jovem, onde as informações 
são passadas de modo mais interativo para chamar a atenção e mostrar como é 
transmitida, a prevenção e o tratamento. Para que essas ações públicas tornem-se 
efetivas, é importante o monitoramento do perfil dos grupos acometidos por essa 
patologia, principalmente aqueles que estão na fase inicial da vida sexual, 
principalmente a população mais jovem (RIBEIRO et al., 2021). 
No Pará, a SESPA desenvolve, no mês de julho, o chamado “Julho Amarelo”, 
cujo objetivo é de realizar testes rápidos para hepatites e outras IST. A instituição leva 
a campanha, principalmente para pontos específicos do estado e onde os casos de 
IST são mais frequentes. É evidenciado ainda, a importância de cumprir com o 
calendário de vacinação, de forma a garantir uma prevenção mais segura (SESPA, 
2021). 
Nesse aspecto, Pontes et al., (2020) evidencia que a desinformação sobre o 
assunto e a falta de preparo familiar para orientar seus jovens sobre sexualidade (que 
pode estar relacionado ao constrangimento), à falta de conhecimentos sobre a Sífilis 
e IST, e a pouca liberdade de diálogo entre pais e filhos, são fatores elencados como 
responsáveis pelos índices de contaminação. Sendo assim, as campanhas educativas 
promoverão espaços de produção do cuidado com vistas ao incentivo de atitudes 
saudáveis por parte dos jovens, tornando-os protagonistas de seus próprios cuidados 
(BARBOSA et al., 2022). 
O Sistema De Informação De Agravos De Notificação conhecido como SINAN 
é um sistema de informações de agravos de notificação, que serve para notificar casos 
de doenças de notificação compulsória além de controlar o registro e o processamento 
desses dados em todo o território nacional, fornecendo informações para análise do 
perfil da morbidade. Sua utilização efetiva permite a realização do diagnóstico 
dinâmico da ocorrência de um evento na população, podendo fornecer subsídios para 
explicações causais dos agravos de notificação compulsória, além de vir a indicar 
riscos aos quais as pessoas estão sujeitas, contribuindo assim, para a identificação 
da realidade epidemiológica de determinada área geográfica. O seu uso sistemático, 
de forma descentralizada, contribui para a democratização da informação, permitindo 
que todos os profissionais de saúde tenham acesso à informação e as tornem 
21 
 
disponíveis para a comunidade. É um instrumento relevante para auxiliar o 
planejamento da saúde, definir prioridades de intervenção, além de permitir que seja 
avaliado o impacto das intervenções. O funcionamento pode ser operacionalizado ao 
nível administrativo mais periférico, ou seja, nas unidades de saúde, seguindo a 
orientação de descentralização do SUS. A maioria das notificações é digitada nas 
Secretarias municipais de saúde. Se o município não dispõe de computadores, os 
dados são incluídos no sistema nas regionais de Saúde. 
A Ficha Individual de Notificação (FIN) é preenchida pelas unidades 
assistenciais para cada paciente quando da suspeita da ocorrência de problema de 
saúde de notificação compulsória ou de interesse nacional, estadual ou municipal. 
Esse instrumento deve ser encaminhado aos serviços responsáveis pela informação 
e/ou vigilância epidemiológica das Secretarias Municipais, que devem repassar 
semanalmente os arquivos em meio magnético para as Secretarias Estaduais de 
Saúde (SES). A comunicação das SES com a SVS deverá ocorrer quinzenalmente, 
de acordo com o cronograma definido pela SVS no início de cada ano. Caso não 
ocorra nenhuma suspeita de doença, as unidades de saúde precisam preencher o 
formulário de notificação negativa, que tem os mesmos prazos de entrega. Essa é 
uma estratégia criada para demonstrar que os profissionais e o sistema de vigilância 
da área estão alertas para a ocorrência de tais eventos e evitar a subnotificação. Caso 
os municípios não alimentem o banco de dados do Sinan, por dois meses 
consecutivos, são suspensos os recursos do Piso de Assistência Básica - PAB, 
conforme Portaria N.º 1882/GM de 16/12/1997. Além da Ficha Individual de 
Notificação (FIN), e da Notificação Negativa, o Sistema ainda disponibiliza a Ficha 
Individual de Investigação (FII), que é um roteiro de investigação, que possibilita a 
identificação da fonte de infecção, os mecanismos de transmissão da doença e a 
confirmação ou descarte da suspeita. Ainda são utilizados para a coleta de dados a 
Planilha de surtos e os Boletins de acompanhamento de casos de Hanseníase e 
Tuberculose. 
 
2.6 REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM 
 
 Conhecida também como Grande Belém, a Região Metropolitana de Belém é 
constituída por oito Municípios sendo eles: Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides, 
22 
 
Santa Bárbara do Pará, Santa Izabel do Pará, Castanhal e Barcarena por um processo 
de conurbação. 
 Em 1973, por meio da Lei Complementar nº 14 que constituiu a Região 
metropolitana de Belém, e a única da Região Metropolitana do Norte do País, 
formanda inicialmente pelos Municípios de Belém e Ananindeua (Tabela 1). Em 1995, 
mais três Municípios passaram a compor a Região Metropolitana de Belém: 
Benevides, Marituba e Santa Barbara por meio da Lei Complementar nº27. Após a 
aprovação na Assembleia Legislativa Estadual, o Município de Santa Izabel do Pará 
passa a compor a Região Metropolitana por meio da Lei Complementar nº72, de 2009. 
Lei Complementar 76, de 2011 aprova participação do Município de Castanhal. Em 
abril de 2023, por meio da Lei Complementar n°164, Município de Barcarena constitui 
o oitavo município da Região de Belém. 
 
Tabela 1- Distribuição demográfica da Região Metropolitana de Belém 
Município Código Área (km²) Habitantes Faixa etária 
(Predominante) 
Ananindeua 1500800 190,581 478.778 (20-29) 
95,138 
Belém 1501402 1.059,466 1.303.389 (30-39) 
250,445 
Barcarena 1501303 1.310,338 126.650 (20-29) 
25,363 
Benevides 1501501 187,826 63.567 (20-29) 
12,072 
Castanhal 1502400 1.029,300 192.262 (20-29) 
37,483 
Marituba 1504422 103,214 110.515 (20-29) 
26,725 
Santa Izabel do Pará 1506500 717,662 73.019 (20-29) 
13,770 
Santa Barbara do Pará 1506351 278,154 21.089 (20-29) 
3,983 
 
23 
 
3 MATERIAL E MÉTODOS 
 
3.1 TIPO DE ESTUDO E ASPECTOS ÉTICOS 
 
A metodologia desse projeto trata-se de uma análise retrospectiva com enfoque 
quantitativo e epidemiológico, realizado por meio da análise de dados secundários de 
sífilis adquirida na Região metropolitana de Belém, no período 2012 a 2021. 
A pesquisa será realizada através de dados do Departamento de Informática 
do Sistema de Saúde (DATASUS), no endereço eletrônico 
(https://datasus.saude.gov.br/) e do Painel de Indicadores e Dados Básicos da Sífilis 
nos Municípios de Belém, Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara, Benevides, 
Castanhal, Barcarena e Santa Izabel do Pará, disponível no endereço eletrônico 
(http://indicadoressifilis.aids.gov.br/), os quais possuem levantamento epidemiológico 
informatizado pelo SINAN. 
Diante disso, o projeto segue as recomendações da Resolução N° 466/2012 do 
Conselho Nacional de Saúde, que define as diretrizes e normas regulamentadoras de 
pesquisas envolvendo seres humanos.O projeto não precisará ser submetido ao 
Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), por se tratar de dados públicos presentes em 
bancos de dados de forma aberta, sem identificação dos indivíduos envolvidos na 
pesquisa. 
 
3.2 ESTRATÉGIA DE BUSCA, EXTRAÇÃO DE DADOS E CRITÉRIOS DE 
SELEÇÃO 
 
A busca dos dados no banco do DATASUS, sobre Sífilis Adquirida, será feita 
por meio dos filtros para pesquisa: “Estado do Pará”, “Ano de Notificação” (período de 
2012 a 2021); “Escolaridade”, “Raça”, “Faixa Etária”, “Cura” e “Sexo”. Além disso, na 
secção “Municípios Residenciais” será selecionado “Belém”, “Ananindeua”, 
“Marituba”, “Benevides”, “Santa Barbara do Pará”, “Barcarena”, “Castanhal” e “Santa 
Izabel do Pará”. 
Em relação a busca no Painel de Indicadores e Dados Básicos da Sífilis, será 
selecionado no item “Abrangência dos dados”, o estado do Pará e, em seguida, na 
“subcategoria” serão escolhidos os municípios de Belém, Ananindeua, Marituba, 
24 
 
Santa Bárbara do Pará, Santa Izabel do Pará, Castanhal, Barcarena e Benevides, 
para coleta dos dados e posterior análise. 
Vale ressaltar, que serão consideradas as seguintes variáveis: gênero, faixa 
etária, municípios, raça/cor, escolaridade e evolução/cura. Será utilizado como 
critérios de inclusão os dados publicados de casos de Sífilis adquirida na Região 
Metropolitana de Belém, referente ao ano de 2012 a 2021. Como critério de exclusão 
serão todos os dados tidos como incoerentes ou irrelevantes ao tema. 
 
3.3 ANÁLISE DOS DADOS 
 
Os dados obtidos foram armazenados em planilhas no Microsoft Excel®, 
conforme as variáveis descritas na seção 3.1. Após isso, foi realizada a análise 
descritiva dos dados, através da elaboração de tabelas, apresentando as frequências 
absolutas e relativas. As variáveis quantitativas das quais foram avaliadas 
estatisticamente de forma descritiva através do software BioEstat 5.0 (AYRES et al., 
2007), utilizando o teste G, para a verificação da frequência de ocorrência das 
mesmas nos sujeitos estudados, com o nível de significância de 5% (pa sífilis adquirida, agravo de notificação 
compulsória desde 2010, teve sua taxa de detecção aumentada de 59,1 casos por 100.000 
habitantes, em 2017, para 75,8 casos por 100.000 habitantes, em 2018. Em 2019, foram 
notificados 152.915 casos de sífilis adquirida (taxa de detecção de 72,8 casos/100.000 
habitantes)5. 
Diante disso, este estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico de 
casos de sífilis adquirida no período de 2012 a 2021 na Região Metropolitana de Belém, 
Pará, Brasil. Para se alcançar tal objetivo, foram traçados os objetivos especificos: a) 
Investigar o perfil sociodemográfico dos indivíduos acometidos por sífilis; b) Identificar 
o perfil clínico/laboratorial; c) Identificar o nível de cura do agravo por faixa etária, no 
período analisado. 
MATERIAIS E MÉTODOS 
A metodologia deste estudo trata-se de uma análise retrospectiva com enfoque 
quantitativo e epidemiológico, realizado por meio da análise de dados secundários de sífilis 
adquirida na Região metropolitana de Belém, no período 2012 a 2021. 
A pesquisa foi realizada através de dados do Departamento de Informática do Sistema 
de Saúde (DATASUS), no endereço eletrônico (https://datasus.saude.gov.br/) e do Painel de 
Indicadores e Dados Básicos da Sífilis nos Municípios de Belém, Ananindeua, Marituba, Santa 
Bárbara, Benevides, Castanhal, Barcarena e Santa Izabel do Pará, disponível no endereço 
eletrônico (http://indicadoressifilis.aids.gov.br/), os quais possuem levantamento 
epidemiológico informatizado pelo SINAN. 
Diante disso, o artigo segue as recomendações da Resolução N° 466/2012 do Conselho 
Nacional de Saúde, que define as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas 
envolvendo seres humanos. O projeto não foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa 
(CEP), por se tratar de dados públicos presentes em bancos de dados de forma aberta, sem 
identificação dos indivíduos envolvidos na pesquisa. 
A busca dos dados no banco do DATASUS, sobre Sífilis Adquirida, foi feita por meio 
dos filtros para pesquisa: “Estado do Pará”, “Ano de Notificação” (período de 2012 a 2021); 
“Escolaridade”, “Raça”, “Faixa Etária”, “Cura” e “Sexo”. Além disso, na secção “Municípios 
 
 
 
 
Residenciais” foi selecionado “Belém”, “Ananindeua”, “Marituba”, “Benevides”, “Santa 
Barbara do Pará”, “Barcarena”, “Castanhal” e “Santa Izabel do Pará”. 
Em relação a busca no Painel de Indicadores e Dados Básicos da Sífilis, foi 
selecionado no item “Abrangência dos dados”, o estado do Pará e, em seguida, na 
“subcategoria” foram escolhidos os municípios de Belém, Ananindeua, Marituba, Santa 
Bárbara do Pará, Santa Izabel do Pará, Castanhal, Barcarena e Benevides, para coleta dos 
dados e posterior análise. 
Vale ressaltar, que foram consideradas as seguintes variáveis: gênero, faixa etária, 
municípios, raça/cor, escolaridade e evolução/cura. Foi utilizado como critérios de inclusão os 
dados publicados de casos de Sífilis adquirida na Região Metropolitana de Belém, referente 
ao ano de 2012 a 2021. O critério de exclusão serão todos os dados tidos como incoerentes ou 
irrelevantes ao tema. 
Foi realizada a análise descritiva dos dados, através da elaboração de tabelas, 
apresentando as frequências absolutas e relativas. As variáveis quantitativas das quais foram 
avaliadas estatisticamente de forma descritiva, com o auxilio do software BioEstat 5.0, 
utilizando o teste G, para a verificação da frequência de ocorrência das mesmas nos sujeitos 
estudados, com o nível de significância de 5% (pquanto ao perfil sociodemográfico, os 
resultados demonstram que faixa etária dos adultos jovens (20-39 anos) foi a mais 
prevalente em ambos os sexos, assim como a etnia parda e a escolaridade de ensino médio 
completo. As variáveis sociodemográficas observou-se a exposição ao risco de IST 
significativamente maior entre os homens (p=0,0001) em relação às mulheres. 
 
DISCUSSÃO 
 
O aumento da sífilis adquirida no Brasil nos últimos anos é inegável. Os resultados 
apresentados mostram um aumento no número de casos de 2012 para 2021, cerca de 8,5 
vezes, saltando de 9,3 para 77,8 casos por 100 mil habitantes. A sífilis é uma infecção 
sexualmente transmissível que pode se espalhar rapidamente se não forem tomadas 
medidas de proteção para preveni-la. 
 Podem existir várias razões explicativas para o aumento, entre outras, o aumento 
dos testes de rastreio, que, além dos realizados nas consultas de nível primário, permitem 
um diagnóstico rápido e um início imediato, o que acarreta custos menos onerosos para o 
orçamento do Estado 6,7. 
Outro motivo que pode explicar isso são os hábitos sexuais sem uso de 
preservativo, o que pode aumentar o número de novos casos de sífilis. Além do parto, 
identificar a mulher infectada e, assim, encontrar um companheiro no âmbito das 
consultas de gravidez. Neste contexto, o conhecimento do perfil epidemiológico da 
população é essencial para criar novas estratégias de saúde para pacientes com sífilis no 
Brasil7. 
O maior número de casos, segundo a pesquisa realizada, ocorreu no sexo 
masculino, aproximadamente 64,80% em relação ao sexo feminino (35,20%). O gênero 
masculino tende a protelar mais idas nos consultórios médicos, pois postergam seus 
atendimentos a situações, nos quais os sintomas se tornam prejudiciais à sua qualidade de 
vida. Isso justifica a ida, somente em casos mais avançados da doença, no qual a 
disseminação pessoa-pessoa já ocorreu a sua propagação8. 
Esse resultado pode estar relacionado com o fato de haver maior adesão do sexo 
feminino às ações de promoção à saúde, como exames de rotina e tratamentos. Ainda, 
prevalece a ideia de que as demandas dos serviços de saúde são destinadas às mulheres, 
crianças e idosos, o que pode justificar a pouca presença masculina nesses ambientes que, 
somada a desvalorização do homem ao seu autocuidado, o que resulta em escassas ações 
de prevenção às IST por essa população9. 
A literatura anterior também observou que os parceiros podem muitas vezes 
questionar a necessidade das mulheres usarem preservativos, citando potencial 
desconfiança na fidelidade, permissividade e contaminação 10,11. 
A infecção pode permanecer latente ou assintomática. Portanto, sem os devidos 
cuidados, métodos preventivos de IST e tratamento adequado, a doença continua em uma 
cadeia cíclica de transmissão 12,13. 
Racialmente, a cor parda foi a mais acometida pela sífilis no período estudado, 
enquanto a cor preta ficou em último lugar no número de casos. A literatura sugere que a 
maioria dos indivíduos brancos e pardos são diagnosticados com sífilis, o que corrobora 
este estudo13. A desigualdade social ainda faz parte dessa observação, sendo que a raça 
negra continua a ter o menor poder econômico, menor escolaridade e segregação social13. 
Esses fatores reduzem as consultas médicas, o acesso aos serviços de saúde e o 
conhecimento sobre o estado de saúde do indivíduo. Esses fatores podem reduzir a 
 
 
 
 
participação negra devido à dificuldade de acompanhamento dos cuidados de saúde 14. 
Portanto, é necessária uma política pública que inclua promoção da saúde e 
medidas preventivas contra as IST. Desde o ano de 2010, a notificação de sífilis passou a 
ser obrigatória, portanto a detecção de novos casos é obrigatória. A introdução dos testes 
rápidos permitiu examinar rapidamente a doença sem esperar muito pelos exames 
laboratoriais, o que melhorou o início do tratamento 15. 
Esta pesquisa demonstra a necessidade do desenvolvimento de ações voltadas ao 
controle da sífilis, assim como a educação em saúde para a população. A contribuição 
deste estudo emerge por permitir a reflexão acerca de ações à nível de equipe Inter 
profissional frente às IST, de modo que possa viabilizar a identificação de indivíduos 
vulneráveis e intensificar a atenção aos sintomas e métodos de diagnóstico da infecção, 
coordenando a implantação de ações específicas a tal população. Ainda, este estudo 
contribui para a implantação de política de prevenção adequada às variáveis 
sociodemográficas da população atingida 15. 
 
CONCLUSÃO 
 
Ao analisar o perfil epidemiológico de casos notificados de infecção por sífilis 
adquirida na Região Metropolitana de Belém, Pará, Brasi, percebe-se que o número de 
casos aumentou substancialmente no período analisado, sendo a prevalência da infecção 
no sexo masculino, foi o mais frequente. 
No que se refere ao nível de escolaridade, a maioria possuía o ensino médio 
completo. Com relação à variável cor/raça foi evidenciado maior número entre a 
população parda. Quanto ao perfil clínico laboratorial os resultados demonstraram que 
em ambos os sexos a evolução de cura dos anos de 2012 a 2021 obteve um índice de cura 
de quase 100%. 
A faixa etária que obteve maior cura foi a de 20-39 anos, todavia a exposição ao 
risco de IST significativamente maior entre os homens em relação às mulheres. Apesar 
de ser uma doença com baixa letalidade, as consequências a longo prazo podem ser 
devastadoras, com o seu tratamento inadequado. 
 
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