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È uma espécie de negócio jurídico que se distingui, pois, exige a presença de ao
menos duas partes. (negócio jurídico bilateral ou plurilateral)
Aula 1 - 20/03 | Teoria Geral dos Contratos - Revisão
1.Conceito de Contrato
È uma espécie de negócio jurídico que se distingui, pois, exige a presença de ao menos
duas partes. (negócio jurídico bilateral ou plurilateral)
Contrato = negócio jurídico bilateral ou plurilateral, que exige a presença de ao
menos duas partes.
• É um acordo de vontades com finalidade patrimonial.
• Exige manifestação de vontade, mas não basta: deve gerar efeitos jurídicos
relevantes.
Exemplo concreto: Compra de um carro usado.
O comprador e o vendedor expressam vontades distintas, mas convergentes, com efeitos
patrimoniais. Há troca de valor.
Contrato vs. Atividade Contratual
Mudança de paradigma:
Antigamente, o foco era o acordo firmado (estático). Hoje, o foco é o comportamento
ao longo do tempo (dinâmico)= programa contratual.
• O contrato se torna relacional e processual.
Exemplo prático: Contrato de prestação de serviços de internet.
O importante não é só o que está no papel, mas como a empresa se comporta ao longo
da relação (atendimento, manutenção etc.).
Patrimonialidade: requisito do contrato?
Sim, segundo a doutrina majoritária.
Patrimônio = elemento distintivo do contrato.
• Quando o objeto não pode ser reduzido a valor econômico, não há contrato, mas sim
um direito existencial.
Exemplo relevante:
Débito conjugal no casamento.
Não se pode exigir judicialmente relações sexuais entre cônjuges. Isso é da esfera
existencial — não patrimonial — e, portanto, não contratualizável.
2. Classificações dos Contratos
2.1- Unilateral x Bilateral
◦ Unilateral: só uma parte tem obrigação (ex: doação pura).
◦ Bilateral: geram obrigações recíprocas (ex: compra e venda, não só geram obrigações
para ambas as partes (SINAGMA) como geram obrigações opostas).
OBS: obrigações sintagmáticas tem como exemplo a compra e venda, e precisam ser
proporcionais e não pode fingir ser uma doação para que não tenham impostos.
2.2 - Oneroso x Gratuito
◦ Oneroso: ambas as partes ganham (ex: aluguel). (quando geram
vantagens/desvantagens para as duas partes (Afeta a ambos)
◦ Gratuito: só uma parte se beneficia (ex: empréstimo sem juros).
OBS: Contrato de fiança sempre será um contrato acessório.
EX: Obrigação de A é deixar morar e de B pagar o preço. O B não tem renda fixa, e A
só quer alugar se ele arrumar fiador, C celebra um contrato com A para garantir a
dividida do B perante esse seria um CONTRATO GRATUITO (Entre A e C, só gera
vantagens para A) (Mas perguntar na quinta.)
2.3 - Comutativo x Aleatório
◦ Comutativo: as partes sabem o que vão receber (ex: prestação de serviço).
◦ Aleatório: depende do acaso (ex: seguro, jogo, aposta). (emptio spei – Venda de rede
de pesca) (Art.458 a 461 CC)
Ex: venda de rede de pesca – Você é um fornecedor de peixe e contra pescador para
revender para restaurante, e fala que paga 50 mil se ele for em um local específico jogar
a rede de pesca e você vai querer tudo que vier (lagosta, sardinha). No caso você está
comprando a esperança e se a rede voltar vazia está dentro do contrato. O mero tentar
já é o adimplemento.
OBS: Kinder ovo (você sabe que tem algo dentro, mas não sabe o que é) tem relação
com contrato aleatório.
2.4 - Paritário x Adesão
◦ Paritário: negociação igualitária das cláusulas (raro). (Habilidade dos contratados de
negociar com o mesmo poder de negociação do contratante.)
◦ Adesão: cláusulas impostas por uma parte (não se tem o mesmo poder, Art.423 e 424.)
(ex: contrato de banco).
OBS: Contrato de saúde e de educação são de adesão. (em vias de duvidas pro “réu”
(menos favorecido) de acordo com a jurisprudência.
2.5 - Típico x Atípico
◦ Típico: previsto no Código Civil (ex: comodato, compra e venda).
◦ Atípico: combinação de tipos legais ou sem previsão direta (ex: contrato de franquia).
OBS: a regra no direito brasileiro é a atipicidade contratual, e pode fazer um contrato
misto (um pouco e compra e venda e um pouco de outra coisa.) Pode-se combinar as
espécies contratuais e fazer novos contratos (Art.425)
EXCEÇÃO: Existem contratos que não aceitam atipicidade
2.6- Contrato de Consumo
◦ Profissional fornece bem/serviço a consumidor final (ex: compra em e-commerce).
OBS: caracterizado pelo elemento vulnerabilidade, não a do CPC, e sim
hipossuficiência no sentido de ser pobre.
Aula 2 - 27/03 | Princípios Contratuais Clássicos
3.Princípios Fundamentais
3.1- Liberdade de contratar
3.2- Relatividade dos efeitos (res inter alios acta)
◦ Só obriga quem contratou.
OBS: Zeca pagodinho e a cerveja – existe um artigo do contrato de prestação de
serviços (e a tutela do crédito vem da expansão do artigo que trate disso,), e ele era
garoto propaganda de uma empresa, e a outra empresa ofereceu um valor maior, e se a
pessoa tiver um problema com aquele antigo contrato, é um problema entre eles.
3.3- Pacta sunt servanda (força obrigatória ou intangibilidade do conteúdo do
contrato)
◦ O contrato tem força obrigatória.
OBS: tem sofrido cada vez mais exceções e afastamento
EX: me comprometo a entregar bolo todo mês por 100 reais, mas ocorre um problema
no canal de cacau e a pessoa continua querendo por esse valor
Novos princípios contratuais:
OBS: Boa fé subjetiva é se a pessoa sabia ou não sabia; A má fé subjetiva precisa olhar
a intenção de prejudicar.
3.4- Boa-fé objetiva (Art.432, 113 e 187 CC)
- (Art.432) vai olhar a pessoa externamente, e olhar para o objeto pessoa e relação e
dize o que está acontecendo ali, e dispensa esse exame de consciência, e é apenas uma
norma e precisa se comportar de acordo com aquela norma.
➔ Tríplice função:
◦ Função interpretativa (Art.113 CC) se tem duas interpretações da mesma cláusula
que é impossível e a outra interpretação é possível então vai seguir a viável.
◦ Função limitadora ao exercício de direitos (Art.187 CC) boa fé e abuso do direito
as ideias parecidas, e tem origens diferentes.
◦ Criadora de deveres anexos.
Exemplo prático:
Contrato de transporte por aplicativo.
Se a empresa cancela viagens repetidamente, viola a boa-fé, mesmo sem
cláusula.
Obs: Em via de regra, a boa fé e a sua violação não são vícios do negócio jurídico, mas
sim um problema de eficácia e de indenização.
-- tendencias jurisprudenciais: A BF passa a atuar também na validade do contrato, não
somente na eficácia.
3.5- Função Social do Contrato (Art. 421) Se dividi em 4 correntes:
1. Theodoro júnior
2. Negreiro
3. Tepedino
4. Konder
• O contrato não pode prejudicar o interesse coletivo.
• Limite à autonomia privada.
Exemplo clássico:
Hospital inadimplente com conta de luz. Mesmo devendo, não pode ter luz cortada →
prevalece o interesse público sobre o direito do credor.
3.6- Equilíbrio Contratual (Art. 421-A)
• Protege a paridade de condições entre as partes, mesmo nos contratos empresariais.
Art. 421-A. Os contratos civis e empresariais presumem-se paritários e
simétricos até a presença de elementos concretos que justifiquem o afastamento
dessa presunção, ressalvados os regimes jurídicos previstos em leis especiais,
garantido também que: (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
I - as partes negociantes poderão estabelecer parâmetros objetivos para a
interpretação das cláusulas negociais e de seus pressupostos de revisão ou de
resolução; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
II - a alocação de riscos definida pelas partes deve ser respeitada e observada; e
(Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
III - a revisão contratual somente ocorreráde maneira excepcional e limitada.
(Incluído pela Lei nº 13.874, de
2019)
4- Formação do Contrato
4.1- Período pré-contratual
◦ Responsabilidade por negociações rompidas sem motivo (culpa in contrahendo).
4.2- Oferta e proposta
◦ Proponente x oblato.
◦ Momento e local da conclusão (inclusive online).
4.3- Aceitação e momento de formação do contrato (Art. 431)
4.4- Lugar de conclusão do contrato (435)
Art. 435. Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto.
- obs: Na internet (Art. 434)
Art. 434. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a
aceitação é expedida, exceto:
I - no caso do artigo antecedente;
II - se o proponente se houver comprometido a esperar resposta;
III - se ela não chegar no prazo convencionado.
5- Extinção dos Contratos
• Resilição (distrato): comum acordo.
• Resolução por inadimplemento: cláusulas resolutivas (tácita ou expressa).
• Cláusulas resolutivas (tácita ou expressa).
Inicio de outra matéria (vamos começar a falar sobre contratos em espécie)
+ Contratos em Espécie (entrega da coisa = início dos efeitos)
1) Empréstimo (Art.579 a 592 CC 593 a 609 CC)
É o contrato pelo qual uma das partes entrega a outra coisa fungível ou infungível,
com a obrigação de restituí-la
• O empréstimo, em qualquer uma das suas modalidades, pertence a categoria dos
contratos que tem por objeto a entrega de uma coisa. Quem a recebe fica
obrigado a restituí-la, tal como acontece na locação.
A- Comodato (Art. 579-592)
ENTÃO O contrato de comodato sempre é gratuito e trata de bens moveis infungíveis e
imóveis
(ex: empréstimo de violino raro).
Art. 579. O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis.
Perfaz-se com a tradição do objeto.
OBS: Comodato é o empréstimo gratuito de coisa não fungível, e tem a dica que é um
contrato real (perfectibiliza com a TRADIÇÃO da coisa) então se eu nunca emprestei a
coisa para a pessoa , nunca teve contrato.
A.1) Objeto
1- Bens imóveis ou móveis infungíveis (não podem ser substituídos por um de mesma
espécie, qualidade e quantidade)
2- Bens ad pompam vel ostentationem (Ex: do comodato de garrafas de vinho francês
como decoração)
Exemplo curioso: Comodato de garrafas de vinho francês para decoração.
Objeto tem valor estético e não patrimonial direto = bem ad pompam vel
ostentationem.
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PROVA FINAL: disserte sobre o problema dos bens ad pompom… e a sua tênue linha entre mútuo e
comodato: esses bens são fungíveis, e são muito fungíveis como garrafa de vinho, florzinha de plástico e o
pompom e ostentações adornam as coisas e decoram .
A expressão "bens ad pompom" não é técnica do Direito, mas é usada de forma lúdica e didática para representar bens
decorativos, simbólicos ou personalizados, como:
• Um pompom numa roupa;
• Uma garrafa de vinho especial;
• Uma flor de plástico colocada por estilo ou carinho.
Esses bens são geralmente considerados fungíveis (ou seja, podem ser substituídos por outro do mesmo gênero,
qualidade e quantidade), mas, por causa do contexto ou da intenção das partes, ganham um caráter especial,
simbólico ou afetivo, transformando-se em infungíveis.
Contrato
Natureza
do bem
Gratuito ou
oneroso?
Tem que devolver o mesmo bem?
Mútuo (art.
586 CC)
Bem
fungível
Gratuito ou
oneroso
Não precisa devolver o mesmo objeto,
só algo equivalente
Comodato
(art. 579 CC)
Bem
infungível
Sempre
gratuito
Deve devolver o mesmo bem
emprestado
Alguns bens que seriam fungíveis por natureza (ex: uma garrafa de vinho, uma camiseta básica) podem se tornar
infungíveis por convenção entre as partes ou por causa do valor simbólico/afetivo/decorativo que lhes é atribuído.
O que define se é mútuo ou comodato é a intenção e o tipo de devolução esperada:
ENTÃO: O problema dos bens "ad pompom" está na aparente fungibilidade, mas que se torna infungibilidade na
prática, por causa do valor simbólico, decorativo ou afetivo do bem. Isso afeta a classificação do contrato: um bem
que seria próprio para mútuo pode, por acordo ou natureza do empréstimo, gerar um comodato.
Assim, a linha entre mútuo e comodato é a natureza da coisa e a intenção das partes quanto à devolução: se for
para consumir e devolver outro igual, é mútuo (bem fungível); se for para devolver o mesmo bem, é comodato (bem
infungível). No caso dos bens “ad pompom”, mesmo que o bem pareça fungível, o acordo pode torná-lo infungível e
exigir sua devolução específica.
A.2) Características do comodato
1. Real → aquele que se perfaz com a tradição do bem
2. Intuitu personae → como a vontade do proprietário precisa ser livre e obedecida, não
se pode emprestar para outra pessoa, nem um cantor, tutor, pode emprestar algo de seu
curatelado, tutelado.
3. Gratuito
4. Temporário
5. Solidário, quando simultâneo
6. Não Solene → Não tem forma prevista em lei
A.3) Obrigações do Comodatário
1- Conservação da coisa
◦ Deve cuidar como se fosse sua. (Mesmo em caso fortuito, tem que tentar salvar,)
Em caso de incêndio, por exemplo, a bicicleta emprestada deve ser uma das
primeiras coisas a serem salvas.
- Se era possível salvar e não salvou, há responsabilidade.
- Se não havia como salvar nada, não há responsabilização.
z
Exemplo:
Uma amiga te empresta a mala de viagem dela. Há um incêndio no local onde a mala
está. Você consegue salvar seu notebook e roupas, mas deixa a mala. Se o juiz entender
que dava pra levar a mala também, você pode ter que indenizar.
2- Uso adequado da coisa
◦ Usar conforme o acordo contratual. Se estiver omisso, usa-se a finalidade natural.
Exemplo: Você pede emprestado um livro jurídico para estudar, mas começa a usar
como apoio de porta. Se estragar, você responde.
3- Restituição no prazo correto
◦ Se há prazo definido, mora é automática (ex re).
◦ Se não há prazo, só após notificação (ex persona) . se não houver prazo fixado seria
mora ex persona que não é automática, deve ser cobrada judicial ou extrajudicialmente.
•
Exemplo:
Você pega emprestado um violão até o fim do semestre. Se não devolver no
prazo, está automaticamente em mora.
OBS: Importante sobre Benfeitorias
As benfeitorias estão abarcadas no Art 584?
• Doutrina majoritária entende que não estão incluídas no art. 584 do CC. Logo,
comodatário não tem direito a indenização automática.
→ Então Mesmo que a caneta bic seja fungível, será um comodato e não mútuo. A
caixa do roteador é dada em comodato, pois quando acabar o contrato você tem que
entregá-la.
Se pega um livro, devolve o livro e ele não se deteriorou aqui se terá o empréstimo de uso e se a coisa se
consome, vai ter o empréstimo de consumo
✓ COMODATO → EMPRÉSTIMO PARA USO
✓ MÚTUO → EMPRÉSTIMO PARA CONSUMO
B- Locação
A locação sempre é onerosa e trata de bens fungíveis (ex: aluguel de carro).
Aula 3 - 28/03
C- Mútuo (arts. 586-592)
C.1) Objeto:
Empréstimo de bens fungíveis (que podem ser substituídos por outros do mesmo
tipo)
→ Empréstimo de coisas fungíveis (mesmo gênero, qualidade e quantidade). O domínio
do bem é do mutuário, diferente do comodato.
1) O mútuo pode ser gratuito ou oneroso e trata de bens fungíveis
(ex: empréstimo de dinheiro).
C.2) Características do mútuo
1- Fungibilidade
◦ Ex: Dinheiro, arroz, gasolina
2-Transferência de domínio
◦ A propriedade vai para o mutuário
3- Gratuito ou Oneroso
◦ Pode ser com ou sem juros (mútuo feneratício - art. 591)
4 - Real, Unilateral e Não solene
- Alguns doutrinadores chamam de BilateralImperfeito
◦ Há prestação de um lado só, mas pode haver deveres do outro lado depois (ex:
devolução com juros)
(Alguns doutrinadores não entendem como unilateral perfeito, pois existiria a
contraprestação.Entretanto, podemos chamar tanto de bilateral quanto de unilateral
imperfeito)
- Exemplo concreto:
OBS: Mútuo Feneratício (art 591) - Aquele em que há contraprestação de juros.
Art 588 - obrigação natural, em que há schuld (débito), mas não haftung
(responsabilidade).
Art 589 - se o menor tem bens para adimplir, ele pode ser demandado em juízo para
adimplir, mas não poderia ser condenado a pagar além do que tem, atingindo aos pais.
art 590 - vencimento antecipado da dívida.
Você pega emprestado R$1.000 com um amigo para pagar depois. Ele te dá o dinheiro.
Você se torna dono desse valor e deverá devolver outro R$1.000 (mesmo valor e
espécie).
Se combinar juros, vira mútuo feneratício.
⚠️ Ponto polêmico
Art. 588: Se for obrigação natural (schuld sem haftung), há dívida moral, mas sem
execução forçada.
2) Prestação de Serviços (arts. 593-609)
2.1) Natureza Residual
• Aplicável quando não há legislação específica (Ex: não se aplica a relações
celetistas, PJ, médicos, advogados, que têm regramento próprio)
2.2) Objeto
→ casos que não forem regulados por lei especial
A) Natureza → A prestação de serviços tem natureza residual, pelos motivos
comentados anteriormente.
Art. 593 “A prestação de serviço, que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei
especial, reger-se-á pelas disposições deste Capítulo”
2.3) Características
1- Contrato bilateral e não solene
2- Sempre oneroso (Existe uma questão doutrinária se haveria a possibilidade de
haver prestação de serviços gratuitos regidos por esta legislação geral. Art 596, caso
seja gratuito, precisa estar explícito, pois o prestador pode, de má fé, cobrar
remuneração por arbitramento.)
3- Tempo determinado (até 4 anos)
◦ Indeterminado implicaria vínculo eterno, o que fere a dignidade (escravidão)
4- Pode ser material ou imaterial (intelectual)
- Exemplo real:
Um estudante de Direito presta serviço de digitação para um professor por 3 meses. Se
combinam que será gratuito, isso deve estar por escrito, senão poderá ser arbitrado
judicialmente um valor por enriquecimento sem causa.
5- o prestador específico Prestador deve ser específico (adv presta serviços
advocatícios), mas se ele não possui título de habilitação ou se não satisfizer requisitos
atribuídos por lei, o prestador não pode cobrar normalmente pelo serviço prestado. E o
serviço beneficiar a outra parte, o juiz deve atribuir a quem prestou, uma compensação
razoável, desde que tenha agido com boa fé sem enriquecimento sem causa.
6- Assinatura a rogo
Se uma das partes não souber ler ou escrever, o papel do contrato pode ser
assinado a rogo (outra pessoa assina) desde que tenham duas testemunhas
2.4) Extinção
→ demissão com justa causa ou com injusta causa.
O contrato de trabalho vai poder ter uma resolução, que é uma resolução imotivada a
vontade de uma das partes, ela precisa ser notificada e o direito civil chama de aviso
prévio.
Existe também uma hipótese de extinção do contrato que se chama demissão. Se é
com culpa, é com justa causa, e se é sem justa causa.
1 Justa causa (descumprimento grave)
2 Injusta causa (pode gerar indenização)
2.5) Terceiro cúmplice ou aliciamento
Aula 5 - 10/04 📚
Continuação: Terceiro cúmplice e aliciamento
2.5) Aliciamento (Art. 608, CC)
• Consiste em interferir no contrato, convencendo o prestador de serviço a abandonar
seu contratante original.
• Antes era chamado de sedução (mudou para evitar conotação sexual).
• Exemplo famoso: Caso Zeca Pagodinho (Brahma "roubou" da Nova Schin).
• Responsável pela indenização: quem alicia, não o prestador.
OBS: Discussão: responsabilidade contratual ou extracontratual?
Anteriormente, essa discussão era meramente teórica e doutrinária pois o prazo
prescricional contratual era igual ao extracontratual, porém o STJ recentemente decidiu
que o prazo prescricional contratual é de 10 anos.
Isso significa que definir se a responsabilidade é contratual ou não é peça chave para
definir o prazo prescricional que a parte lesada tem para ingressar com uma
ação de indenização em face do aliciador.
◦ Importante porque o prazo prescricional muda:
▪ Contratual: 10 anos.
▪ Extracontratual: 3 anos.
A) Prestação de serviço agrícola (Art. 609, CC)
• Se o dono das terras vende para outra pessoa, o prestador de serviço escolhe:
◦ Continuar com o dono antigo;
◦ Ou com o novo proprietário, mesmo sem anuência dele.
Direito potestativo do prestador (não cabe contestação).
3) Empreitada (Arts. 610 a 626, CC)
Definição:
Definição doutrinária (Orlando Gomes): contrato por meio do qual o empreiteiro se
compromete a executar determinada obra pessoalmente ou por terceiros em troca de
remuneração fixa paga por outro contratante de acordo com instruções deste e sem
relações de subordinação.
• Contrato para realizar obra sem subordinação, com pagamento fixo. (Empreitada é
um contrato de prestação de serviços peculiares.)
3.1) Características:
• ⚖️ Bilateral (obrigações para ambos);
• 💰 Oneroso (envolve pagamento);
• 🗣 Não solene (pode ser verbal);
• 👤 Impessoal, mas pode ser personalizado.
→ Isso significa que, em regra, ela é impessoal porém pode ser estipulado que uma
pessoa em especial será aquela a realizar o trabalho.
OBS: Por exemplo, se há a contratação do Oscar Niemeyer em específico para realizar a
obra, apenas a pessoa dele deve realizar a empreitada.
O Art. 626, CC estipula que o contrato de empreitada não se extingue com o
falecimento de uma das partes, devido ao caráter impessoal da empreitada. Isso a
diferencia da prestação de serviços que acaba com a morte de uma das partes.
3.2) Classificações da Empreitada
• 🧮 Empreitada a preço fixo/global ou integral: preço fechado pela obra inteira.
Caso seja permitida a alteração do preço é chamada de empreitada global relativa, se
não permitir, empreitada global absoluta.
• 📏 Empreitada Por medida/ad mensuram ou parcial: preço por etapas.
- Por exemplo, alguém quer fazer uma reforma no quarto, depois cozinha e depois sala.
É fixo o preço para cada uma das etapas, para mão de obra e pros materiais
proporcionalmente e pago ao longo do tempo que a obra está sendo feita.
• 📈 Empreitada a Preço reajustável: varia conforme custo dos materiais ou da mão
de obra.
• 🚫 Empreitada a Preço máximo: limite de valor (não muito usado no Brasil).
Limite de preço que não pode ser ultrapassado, mas dá uma discricionariedade maior
para o empreiteiro fazer o que ele quiser
• 🛠 Empreitada a Preço de custo: empreiteiro gerencia, mas contratante paga.
O empreiteiro funciona como um gerente de obras, realiza um trabalho com um preço
pré estabelecido e fica responsável de fornecer os materiais e a mão de obra, mas no
final o contratante vai pagar pelos materiais que foram usados.
• Empreitada de Lavor: valor só trabalho. (Art. 610)
Art. 610. O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou
com ele e os materiais. § 1ºA obrigação de fornecer os materiais não se presume;
resulta da lei ou da vontade das partes.
§ 2ºO contrato para elaboração de um projeto não implica a obrigação de
executá-lo, ou de fiscalizar lhe a execução.
Essa primeira parte do caput é o que a doutrina chama de empreitada de lavor, e é o meu
contrato de empreiteiro e o empreiteiro vai ser só a mão de obra. O saco de cimento
tudo fui eu que comprei
• Empreitada Mista: trabalho + materiais da obra e embute isso no valor final.
A mista é que não sabe onde vende tijolo no RJ, e deixa o empreiteiro ficar responsável
pelo material e pode escolher o material, e vai pagar apenaso valor. Obrigação de
fornecer os materiais ({1) e dizer que essa obrigação vai ser do empreiteiro e não do
dono da obra, empreiteiro contribui com a obra e os materiais
No §1o está estipulado que a obrigação de fornecer materiais não se presume, já o §2º
diz que, por exemplo, se contrato o Oscar Niemeyer para projetar uma catedral, era só
pra elaboração do projeto, se quiser que ele vistorie e realize, é um contrato a parte
que deve ser feito.
A empreitada mista também é chamada de empreitada de lavor e materiais. Ela é
uma obrigação de resultado e isso atrai maiores riscos pro empreiteiro pois ele é
obrigado a de fato produzir resultados materiais, como colocar o prédio que é o objetivo
da empreitada, em pé.
Por oposição, a empreitada de materiais é uma obrigação de meios. Em termos
práticos, a empreitada de maior valor será a empreitada mistapois o risco é muito maior.
Além disso, a regra é que o empreiteiro assume o risco sobre a obra e sobre os
materiais.
◦ Obrigação de resultado (maior risco para empreiteiro).
Importante: Art 613 CC
• Em caso de força maior (ex: meteoro) na empreitada mista, o empreiteiro perde o
direito ao pagamento (regra "Res perit domino").
• Exceção: se provar que os materiais fornecidos pelo dono da obra eram de má
qualidade e ele foi avisado.
O art. 611, CC determina que quando se trata de empreitada mista, os riscos dos
materiais ficam por conta do empreiteiro até o momento da tradição, a não ser que a
pessoa que deveria ter recebido a obra atrasou o recebimento da mesma de propósito.
Por fim, o art. 612, CC diz que se o empreiteiro só forneceu mão de obra, aqueles riscos
que comprovadamente são de sua culpa, ele assume, caso contrário, não.
Aula 6 - 11/04 📚
3.3) Obrigações do Empreiteiro
1- Entregar no prazo e conforme o combinado. (nem todo atraso será considerado
inadimplemento)
(inadimplemento = descumprimento + culpa + risco)
2 Responde por perdas e danos se parar a obra sem justificativa. (responde por
perdas e danos)
◦ (Art.625) Não responde se: for Culpa do dono; Força maior; Modificação excessiva
pelo dono forem desproprocionais ao projeto acordado
3 - Culpa por mau uso dos materiais (imperícia, negligência, imprudência).
4 –Art.615 e 616: Deve seguir o plano e as regras técnicas. (caso não o faça, o dono
pode rejeitá-la ou recebê-la com abatimento do preço)
5 Art. 618 – Garantia da Solidez e Segurança da Obra (Empreitada Mista)
Empreiteiro que fornece materiais e executa a obra (empreitada mista) responde
pela solidez e segurança da construção.Prazo de garantia: 5 anos (contados da entrega
da obra).
• Este é um prazo legal irredutível – ou seja, não pode ser afastado por acordo
entre as partes.
• Se surgir um vício ou defeito, o dono da obra tem 180 dias (prazo decadencial)
a partir do conhecimento do problema para ajuizar ação contra o empreiteiro.
.
6- Art. 619 – Modificações no Projeto e Ajustes no Preço
Ao aceitar executar a obra, o empreiteiro assume os riscos do projeto principal. Se o
dono da obra solicitar alterações, o preço pode ser reajustado, mesmo sem contrato
por escrito, desde que:
• O dono esteja presente,
• Veja as modificações,
• E não se oponha (isso caracteriza aceitação tácita).
• Se as mudanças não forem feitas por solicitação do dono, o empreiteiro não
tem direito a reajuste.
7- Art. 620 – Revisão por Quebra da Base do Negócio
Se houver uma mudança significativa que reduza o valor da obra, o dono pode
pedir revisão do contrato para acertar a diferença de valores.
• Trata-se de uma proteção ao equilíbrio contratual, aplicável quando há
onerosidade excessiva para o dono.
8) Pagamento pelo Dono da Obra – Art. 614 e Consequências
A principal obrigação do dono da obra é pagar o preço acordado.
• Conforme o Art. 614, se a obra é feita por etapas, o pagamento também pode ser
feito por partes (ex: quarto, depois cozinha, etc.).
• Se o dono paga sem verificar a qualidade, ele tem 30 dias após o pagamento
para reclamar defeitos.
• Passado esse prazo sem manifestação, presume-se que ele aceitou o serviço
como satisfatório.
9) Art. 621 – Modificações no Projeto e Responsabilidade do Autor (Arquiteto)
O projeto não pode ser alterado sem a anuência do arquiteto/autor, salvo se: A alteração
for necessária por inconveniência, ou Houver excessiva onerosidade na execução do
projeto original.
Se a obra for passada a terceiros (subempreitada), o autor do projeto só responde
por danos relacionados a vícios estruturais (Art. 618), desde que não tenha
assumido direção ou fiscalização da obra.
10) Suspensão da Obra pelo Dono – Limites e Deveres
O dono da obra pode suspender a empreitada. No entanto, se suspender sem
justificativa, deve pagar pelos serviços já executados até aquele momento.
📚 Aula 7 – 17/04
4) Depósito (Art. 627 a 652 do CC)
Conceito Geral
Não há diferença entre contrato de depósito e contrato de garagem, pois este
último não é regulado pelo Código Civil.
O depósito consiste na entrega de um bem móvel para guarda até que o depositante o
reclame de volta.
4.1) Características do Contrato de Depósito
1- Refere-se a bem móvel e infungível (regra geral); (não pode ser substituída por
outra do mesmo gênero, quantidade e qualidade.)
2- É um contrato real, só se aperfeiçoa com a tradição do bem;
3- Gera obrigação para apenas uma das partes (restituir o bem), sendo quase
unilateral; ((o depositário) para que esta guarde e conserve, e devolva quando for
exigida.)
4- É um contrato pessoal (intuitu personae) – baseia-se na confiança;
5- A gratuidade é a regra, salvo estipulação em contrário.
4.2) Classificação
1) Voluntário – deriva da vontade das partes.
• O art. 64 exige prova escrita, mas há divergência doutrinária:
◦ Parte entende que é não solene e a forma escrita seria apenas para fins de prova
(eficácia);
◦ Outra parte entende que a forma escrita é requisito de validade.
A) Depósito Voluntário
1) Obrigações do Depositário
1- Guardar a coisa – obrigação principal e inerente;
2- Se não puder guardá-la, deve:
◦ Devolvê-la ao depositante ou
◦ Depositar judicialmente (consignação em pagamento);
3- Conservar o bem como se fosse seu; Não responde por força maior, mas
deve prová-la – sob pena de reparação;
4- Se perder o bem e receber outro em seu lugar, deve:
◦ Restituir e ceder ações ao depositante.
Herança: se o herdeiro do depositário vende a coisa de boa-fé, deve cooperar com
a reivindicação e ressarcir o comprador.
• O bem deve ser devolvido quando solicitado, com frutos, acrescidos e no mesmo
estado da entrega.
1.1) Compensação
• Regra: não pode compensar com dívidas da obrigação (ex: despesas extras);
• Pode reter a coisa até que o pagamento seja feito.
• Se as dívidas forem aprovadas ou ilíquidas, pode exigir caução idônea ou remoção
para depósito público.
🚫 Recusa à restituição
• O depositário não pode recusar a devolução sob alegação de que o bem não pertence
ao depositante;
• Não pode opor compensação por outro contrato – salvo entre depósitos similares.
B) Depósito Irregular
• Ex: dinheiro em banco consta como pagamento e não como deposito, mas se fosse na
poupança seria mútuo –
📦 Diferença importante
• Comodato → empréstimo para uso
• Depósito → custódia/guarda
📚 Aula 8 – 24/04
Continuação: Depósito
2) Obrigações do Depositante
1- Reembolsar as despesas com a guarda do bem (ex: cachorro doente na creche);
2- Arcar com os custos para restringir ou recuperar a coisa e retirá-la no local da
guarda, salvo ajuste em contrário;
3 Cumprir todas as obrigações correlatas às do depositário (a contrario sensu).
2)Necessário – decorre da lei, que o regula.
B) Depósito Necessário (presunção de onerosidade)
1- Tipos:
• Depósito Legal → por imposição da lei;
• Depósito Miserável(ou humanitário) → em casos de calamidade pública (ex:
enchente, uso de propriedade particular para abrigo);
• Depósito Hospedeiro (Art. 649 CC) → bens deixados por hóspedes nas hospedarias:
◦ Responsabilidade por furtos ou roubos cometidos por funcionários ou terceiros
admitidos no local;
◦ Exceção: não responde se provar que o fato não poderia ser evitado (força maior).
💰 Presunção de onerosidade
O depósito necessário é, em regra, oneroso (Art. 651), diferentemente do voluntário,
que é gratuito por presunção.
• Ex: o valor da diária do hotel deve incluir a responsabilidade pelo depósito dos bens
do hóspede