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È uma espécie de negócio jurídico que se distingui, pois, exige a presença de ao 
menos duas partes. (negócio jurídico bilateral ou plurilateral) 
 
 
 Aula 1 - 20/03 | Teoria Geral dos Contratos - Revisão 
 
1.Conceito de Contrato 
È uma espécie de negócio jurídico que se distingui, pois, exige a presença de ao menos 
duas partes. (negócio jurídico bilateral ou plurilateral) 
 
Contrato = negócio jurídico bilateral ou plurilateral, que exige a presença de ao 
menos duas partes. 
• É um acordo de vontades com finalidade patrimonial. 
• Exige manifestação de vontade, mas não basta: deve gerar efeitos jurídicos 
relevantes. 
 
Exemplo concreto: Compra de um carro usado. 
O comprador e o vendedor expressam vontades distintas, mas convergentes, com efeitos 
patrimoniais. Há troca de valor. 
 
 Contrato vs. Atividade Contratual 
 
Mudança de paradigma: 
Antigamente, o foco era o acordo firmado (estático). Hoje, o foco é o comportamento 
ao longo do tempo (dinâmico)= programa contratual. 
• O contrato se torna relacional e processual. 
 
Exemplo prático: Contrato de prestação de serviços de internet. 
O importante não é só o que está no papel, mas como a empresa se comporta ao longo 
da relação (atendimento, manutenção etc.). 
 
 Patrimonialidade: requisito do contrato? 
Sim, segundo a doutrina majoritária. 
Patrimônio = elemento distintivo do contrato. 
• Quando o objeto não pode ser reduzido a valor econômico, não há contrato, mas sim 
um direito existencial. 
 
Exemplo relevante: 
Débito conjugal no casamento. 
 
 
 
 
Não se pode exigir judicialmente relações sexuais entre cônjuges. Isso é da esfera 
existencial — não patrimonial — e, portanto, não contratualizável. 
 
 
2. Classificações dos Contratos 
 
2.1- Unilateral x Bilateral 
◦ Unilateral: só uma parte tem obrigação (ex: doação pura). 
◦ Bilateral: geram obrigações recíprocas (ex: compra e venda, não só geram obrigações 
para ambas as partes (SINAGMA) como geram obrigações opostas). 
OBS: obrigações sintagmáticas tem como exemplo a compra e venda, e precisam ser 
proporcionais e não pode fingir ser uma doação para que não tenham impostos. 
2.2 - Oneroso x Gratuito 
◦ Oneroso: ambas as partes ganham (ex: aluguel). (quando geram 
vantagens/desvantagens para as duas partes (Afeta a ambos) 
◦ Gratuito: só uma parte se beneficia (ex: empréstimo sem juros). 
OBS: Contrato de fiança sempre será um contrato acessório. 
EX: Obrigação de A é deixar morar e de B pagar o preço. O B não tem renda fixa, e A 
só quer alugar se ele arrumar fiador, C celebra um contrato com A para garantir a 
dividida do B perante esse seria um CONTRATO GRATUITO (Entre A e C, só gera 
vantagens para A) (Mas perguntar na quinta.) 
2.3 - Comutativo x Aleatório 
◦ Comutativo: as partes sabem o que vão receber (ex: prestação de serviço). 
◦ Aleatório: depende do acaso (ex: seguro, jogo, aposta). (emptio spei – Venda de rede 
de pesca) (Art.458 a 461 CC) 
Ex: venda de rede de pesca – Você é um fornecedor de peixe e contra pescador para 
revender para restaurante, e fala que paga 50 mil se ele for em um local específico jogar 
a rede de pesca e você vai querer tudo que vier (lagosta, sardinha). No caso você está 
comprando a esperança e se a rede voltar vazia está dentro do contrato. O mero tentar 
já é o adimplemento. 
OBS: Kinder ovo (você sabe que tem algo dentro, mas não sabe o que é) tem relação 
com contrato aleatório. 
2.4 - Paritário x Adesão 
◦ Paritário: negociação igualitária das cláusulas (raro). (Habilidade dos contratados de 
negociar com o mesmo poder de negociação do contratante.) 
◦ Adesão: cláusulas impostas por uma parte (não se tem o mesmo poder, Art.423 e 424.) 
(ex: contrato de banco). 
 
 
 
 
OBS: Contrato de saúde e de educação são de adesão. (em vias de duvidas pro “réu” 
(menos favorecido) de acordo com a jurisprudência. 
2.5 - Típico x Atípico 
◦ Típico: previsto no Código Civil (ex: comodato, compra e venda). 
◦ Atípico: combinação de tipos legais ou sem previsão direta (ex: contrato de franquia). 
OBS: a regra no direito brasileiro é a atipicidade contratual, e pode fazer um contrato 
misto (um pouco e compra e venda e um pouco de outra coisa.) Pode-se combinar as 
espécies contratuais e fazer novos contratos (Art.425) 
EXCEÇÃO: Existem contratos que não aceitam atipicidade 
2.6- Contrato de Consumo 
◦ Profissional fornece bem/serviço a consumidor final (ex: compra em e-commerce). 
OBS: caracterizado pelo elemento vulnerabilidade, não a do CPC, e sim 
hipossuficiência no sentido de ser pobre. 
 
 Aula 2 - 27/03 | Princípios Contratuais Clássicos 
 
3.Princípios Fundamentais 
3.1- Liberdade de contratar 
3.2- Relatividade dos efeitos (res inter alios acta) 
◦ Só obriga quem contratou. 
OBS: Zeca pagodinho e a cerveja – existe um artigo do contrato de prestação de 
serviços (e a tutela do crédito vem da expansão do artigo que trate disso,), e ele era 
garoto propaganda de uma empresa, e a outra empresa ofereceu um valor maior, e se a 
pessoa tiver um problema com aquele antigo contrato, é um problema entre eles. 
 
3.3- Pacta sunt servanda (força obrigatória ou intangibilidade do conteúdo do 
contrato) 
◦ O contrato tem força obrigatória. 
OBS: tem sofrido cada vez mais exceções e afastamento 
EX: me comprometo a entregar bolo todo mês por 100 reais, mas ocorre um problema 
no canal de cacau e a pessoa continua querendo por esse valor 
Novos princípios contratuais: 
OBS: Boa fé subjetiva é se a pessoa sabia ou não sabia; A má fé subjetiva precisa olhar 
a intenção de prejudicar. 
3.4- Boa-fé objetiva (Art.432, 113 e 187 CC) 
 
 
 
 
- (Art.432) vai olhar a pessoa externamente, e olhar para o objeto pessoa e relação e 
dize o que está acontecendo ali, e dispensa esse exame de consciência, e é apenas uma 
norma e precisa se comportar de acordo com aquela norma. 
 
➔ Tríplice função: 
◦ Função interpretativa (Art.113 CC) se tem duas interpretações da mesma cláusula 
que é impossível e a outra interpretação é possível então vai seguir a viável. 
◦ Função limitadora ao exercício de direitos (Art.187 CC) boa fé e abuso do direito 
as ideias parecidas, e tem origens diferentes. 
◦ Criadora de deveres anexos. 
 
Exemplo prático: 
Contrato de transporte por aplicativo. 
Se a empresa cancela viagens repetidamente, viola a boa-fé, mesmo sem 
cláusula. 
Obs: Em via de regra, a boa fé e a sua violação não são vícios do negócio jurídico, mas 
sim um problema de eficácia e de indenização. 
-- tendencias jurisprudenciais: A BF passa a atuar também na validade do contrato, não 
somente na eficácia. 
3.5- Função Social do Contrato (Art. 421) Se dividi em 4 correntes: 
1. Theodoro júnior 
2. Negreiro 
3. Tepedino 
4. Konder 
• O contrato não pode prejudicar o interesse coletivo. 
• Limite à autonomia privada. 
Exemplo clássico: 
Hospital inadimplente com conta de luz. Mesmo devendo, não pode ter luz cortada → 
prevalece o interesse público sobre o direito do credor. 
 
3.6- Equilíbrio Contratual (Art. 421-A) 
• Protege a paridade de condições entre as partes, mesmo nos contratos empresariais. 
Art. 421-A. Os contratos civis e empresariais presumem-se paritários e 
simétricos até a presença de elementos concretos que justifiquem o afastamento 
 
 
 
 
dessa presunção, ressalvados os regimes jurídicos previstos em leis especiais, 
garantido também que: (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
I - as partes negociantes poderão estabelecer parâmetros objetivos para a 
interpretação das cláusulas negociais e de seus pressupostos de revisão ou de 
resolução; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
II - a alocação de riscos definida pelas partes deve ser respeitada e observada; e 
(Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
III - a revisão contratual somente ocorreráde maneira excepcional e limitada. 
(Incluído pela Lei nº 13.874, de 
2019) 
 
 
4- Formação do Contrato 
4.1- Período pré-contratual 
◦ Responsabilidade por negociações rompidas sem motivo (culpa in contrahendo). 
4.2- Oferta e proposta 
◦ Proponente x oblato. 
◦ Momento e local da conclusão (inclusive online). 
4.3- Aceitação e momento de formação do contrato (Art. 431) 
4.4- Lugar de conclusão do contrato (435) 
Art. 435. Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto. 
- obs: Na internet (Art. 434) 
Art. 434. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a 
aceitação é expedida, exceto: 
I - no caso do artigo antecedente; 
II - se o proponente se houver comprometido a esperar resposta; 
III - se ela não chegar no prazo convencionado. 
 
 
5- Extinção dos Contratos 
 
• Resilição (distrato): comum acordo. 
• Resolução por inadimplemento: cláusulas resolutivas (tácita ou expressa). 
• Cláusulas resolutivas (tácita ou expressa). 
Inicio de outra matéria (vamos começar a falar sobre contratos em espécie) 
 
 
 
 
 
+ Contratos em Espécie (entrega da coisa = início dos efeitos) 
 
1) Empréstimo (Art.579 a 592 CC 593 a 609 CC) 
É o contrato pelo qual uma das partes entrega a outra coisa fungível ou infungível, 
com a obrigação de restituí-la 
• O empréstimo, em qualquer uma das suas modalidades, pertence a categoria dos 
contratos que tem por objeto a entrega de uma coisa. Quem a recebe fica 
obrigado a restituí-la, tal como acontece na locação. 
 
A- Comodato (Art. 579-592) 
 
 
ENTÃO O contrato de comodato sempre é gratuito e trata de bens moveis infungíveis e 
imóveis 
(ex: empréstimo de violino raro). 
 
Art. 579. O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. 
Perfaz-se com a tradição do objeto. 
OBS: Comodato é o empréstimo gratuito de coisa não fungível, e tem a dica que é um 
contrato real (perfectibiliza com a TRADIÇÃO da coisa) então se eu nunca emprestei a 
coisa para a pessoa , nunca teve contrato. 
 
A.1) Objeto 
1- Bens imóveis ou móveis infungíveis (não podem ser substituídos por um de mesma 
espécie, qualidade e quantidade) 
 
2- Bens ad pompam vel ostentationem (Ex: do comodato de garrafas de vinho francês 
como decoração) 
 
 
Exemplo curioso: Comodato de garrafas de vinho francês para decoração. 
Objeto tem valor estético e não patrimonial direto = bem ad pompam vel 
ostentationem. 
---- 
PROVA FINAL: disserte sobre o problema dos bens ad pompom… e a sua tênue linha entre mútuo e 
comodato: esses bens são fungíveis, e são muito fungíveis como garrafa de vinho, florzinha de plástico e o 
pompom e ostentações adornam as coisas e decoram . 
 
 
 
 
A expressão "bens ad pompom" não é técnica do Direito, mas é usada de forma lúdica e didática para representar bens 
decorativos, simbólicos ou personalizados, como: 
• Um pompom numa roupa; 
• Uma garrafa de vinho especial; 
• Uma flor de plástico colocada por estilo ou carinho. 
Esses bens são geralmente considerados fungíveis (ou seja, podem ser substituídos por outro do mesmo gênero, 
qualidade e quantidade), mas, por causa do contexto ou da intenção das partes, ganham um caráter especial, 
simbólico ou afetivo, transformando-se em infungíveis. 
Contrato 
Natureza 
do bem 
Gratuito ou 
oneroso? 
Tem que devolver o mesmo bem? 
Mútuo (art. 
586 CC) 
Bem 
fungível 
Gratuito ou 
oneroso 
Não precisa devolver o mesmo objeto, 
só algo equivalente 
Comodato 
(art. 579 CC) 
Bem 
infungível 
Sempre 
gratuito 
Deve devolver o mesmo bem 
emprestado 
Alguns bens que seriam fungíveis por natureza (ex: uma garrafa de vinho, uma camiseta básica) podem se tornar 
infungíveis por convenção entre as partes ou por causa do valor simbólico/afetivo/decorativo que lhes é atribuído. 
 O que define se é mútuo ou comodato é a intenção e o tipo de devolução esperada: 
ENTÃO: O problema dos bens "ad pompom" está na aparente fungibilidade, mas que se torna infungibilidade na 
prática, por causa do valor simbólico, decorativo ou afetivo do bem. Isso afeta a classificação do contrato: um bem 
que seria próprio para mútuo pode, por acordo ou natureza do empréstimo, gerar um comodato. 
Assim, a linha entre mútuo e comodato é a natureza da coisa e a intenção das partes quanto à devolução: se for 
para consumir e devolver outro igual, é mútuo (bem fungível); se for para devolver o mesmo bem, é comodato (bem 
infungível). No caso dos bens “ad pompom”, mesmo que o bem pareça fungível, o acordo pode torná-lo infungível e 
exigir sua devolução específica. 
 
 
 
A.2) Características do comodato 
 
 
1. Real → aquele que se perfaz com a tradição do bem 
 
2. Intuitu personae → como a vontade do proprietário precisa ser livre e obedecida, não 
se pode emprestar para outra pessoa, nem um cantor, tutor, pode emprestar algo de seu 
curatelado, tutelado. 
 
3. Gratuito 
 
4. Temporário 
 
5. Solidário, quando simultâneo 
 
 
 
 
 
6. Não Solene → Não tem forma prevista em lei 
 
 
A.3) Obrigações do Comodatário 
 
 
1- Conservação da coisa 
◦ Deve cuidar como se fosse sua. (Mesmo em caso fortuito, tem que tentar salvar,) 
Em caso de incêndio, por exemplo, a bicicleta emprestada deve ser uma das 
primeiras coisas a serem salvas. 
- Se era possível salvar e não salvou, há responsabilidade. 
- Se não havia como salvar nada, não há responsabilização. 
 z 
Exemplo: 
Uma amiga te empresta a mala de viagem dela. Há um incêndio no local onde a mala 
está. Você consegue salvar seu notebook e roupas, mas deixa a mala. Se o juiz entender 
que dava pra levar a mala também, você pode ter que indenizar. 
 
2- Uso adequado da coisa 
◦ Usar conforme o acordo contratual. Se estiver omisso, usa-se a finalidade natural. 
 
Exemplo: Você pede emprestado um livro jurídico para estudar, mas começa a usar 
como apoio de porta. Se estragar, você responde. 
 
3- Restituição no prazo correto 
◦ Se há prazo definido, mora é automática (ex re). 
◦ Se não há prazo, só após notificação (ex persona) . se não houver prazo fixado seria 
mora ex persona que não é automática, deve ser cobrada judicial ou extrajudicialmente. 
• 
Exemplo: 
Você pega emprestado um violão até o fim do semestre. Se não devolver no 
prazo, está automaticamente em mora. 
 
OBS: Importante sobre Benfeitorias 
As benfeitorias estão abarcadas no Art 584? 
• Doutrina majoritária entende que não estão incluídas no art. 584 do CC. Logo, 
comodatário não tem direito a indenização automática. 
→ Então Mesmo que a caneta bic seja fungível, será um comodato e não mútuo. A 
caixa do roteador é dada em comodato, pois quando acabar o contrato você tem que 
entregá-la. 
 
Se pega um livro, devolve o livro e ele não se deteriorou aqui se terá o empréstimo de uso e se a coisa se 
consome, vai ter o empréstimo de consumo 
 
 
 
 
✓ COMODATO → EMPRÉSTIMO PARA USO 
✓ MÚTUO → EMPRÉSTIMO PARA CONSUMO 
 
 
B- Locação 
 A locação sempre é onerosa e trata de bens fungíveis (ex: aluguel de carro). 
Aula 3 - 28/03 
 
C- Mútuo (arts. 586-592) 
 
C.1) Objeto: 
Empréstimo de bens fungíveis (que podem ser substituídos por outros do mesmo 
tipo) 
→ Empréstimo de coisas fungíveis (mesmo gênero, qualidade e quantidade). O domínio 
do bem é do mutuário, diferente do comodato. 
 
1) O mútuo pode ser gratuito ou oneroso e trata de bens fungíveis 
 (ex: empréstimo de dinheiro). 
 
 
C.2) Características do mútuo 
 
 
1- Fungibilidade 
◦ Ex: Dinheiro, arroz, gasolina 
 
2-Transferência de domínio 
◦ A propriedade vai para o mutuário 
 
3- Gratuito ou Oneroso 
◦ Pode ser com ou sem juros (mútuo feneratício - art. 591) 
 
4 - Real, Unilateral e Não solene 
- Alguns doutrinadores chamam de BilateralImperfeito 
◦ Há prestação de um lado só, mas pode haver deveres do outro lado depois (ex: 
devolução com juros) 
(Alguns doutrinadores não entendem como unilateral perfeito, pois existiria a 
contraprestação.Entretanto, podemos chamar tanto de bilateral quanto de unilateral 
imperfeito) 
 
 
 
 
 
- Exemplo concreto: 
OBS: Mútuo Feneratício (art 591) - Aquele em que há contraprestação de juros. 
 
Art 588 - obrigação natural, em que há schuld (débito), mas não haftung 
(responsabilidade). 
 
Art 589 - se o menor tem bens para adimplir, ele pode ser demandado em juízo para 
adimplir, mas não poderia ser condenado a pagar além do que tem, atingindo aos pais. 
 
art 590 - vencimento antecipado da dívida. 
 
Você pega emprestado R$1.000 com um amigo para pagar depois. Ele te dá o dinheiro. 
Você se torna dono desse valor e deverá devolver outro R$1.000 (mesmo valor e 
espécie). 
Se combinar juros, vira mútuo feneratício. 
 
⚠️ Ponto polêmico 
Art. 588: Se for obrigação natural (schuld sem haftung), há dívida moral, mas sem 
execução forçada. 
 
 
2) Prestação de Serviços (arts. 593-609) 
 
2.1) Natureza Residual 
• Aplicável quando não há legislação específica (Ex: não se aplica a relações 
celetistas, PJ, médicos, advogados, que têm regramento próprio) 
 
2.2) Objeto 
→ casos que não forem regulados por lei especial 
 
A) Natureza → A prestação de serviços tem natureza residual, pelos motivos 
comentados anteriormente. 
Art. 593 “A prestação de serviço, que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei 
especial, reger-se-á pelas disposições deste Capítulo” 
 
2.3) Características 
 
1- Contrato bilateral e não solene 
 
2- Sempre oneroso (Existe uma questão doutrinária se haveria a possibilidade de 
haver prestação de serviços gratuitos regidos por esta legislação geral. Art 596, caso 
 
 
 
 
seja gratuito, precisa estar explícito, pois o prestador pode, de má fé, cobrar 
remuneração por arbitramento.) 
3- Tempo determinado (até 4 anos) 
◦ Indeterminado implicaria vínculo eterno, o que fere a dignidade (escravidão) 
 
4- Pode ser material ou imaterial (intelectual) 
 
- Exemplo real: 
Um estudante de Direito presta serviço de digitação para um professor por 3 meses. Se 
combinam que será gratuito, isso deve estar por escrito, senão poderá ser arbitrado 
judicialmente um valor por enriquecimento sem causa. 
 
5- o prestador específico Prestador deve ser específico (adv presta serviços 
advocatícios), mas se ele não possui título de habilitação ou se não satisfizer requisitos 
atribuídos por lei, o prestador não pode cobrar normalmente pelo serviço prestado. E o 
serviço beneficiar a outra parte, o juiz deve atribuir a quem prestou, uma compensação 
razoável, desde que tenha agido com boa fé sem enriquecimento sem causa. 
 
6- Assinatura a rogo 
Se uma das partes não souber ler ou escrever, o papel do contrato pode ser 
assinado a rogo (outra pessoa assina) desde que tenham duas testemunhas 
 
 
2.4) Extinção 
→ demissão com justa causa ou com injusta causa. 
 
O contrato de trabalho vai poder ter uma resolução, que é uma resolução imotivada a 
vontade de uma das partes, ela precisa ser notificada e o direito civil chama de aviso 
prévio. 
 
Existe também uma hipótese de extinção do contrato que se chama demissão. Se é 
com culpa, é com justa causa, e se é sem justa causa. 
 
1 Justa causa (descumprimento grave) 
2 Injusta causa (pode gerar indenização) 
 
2.5) Terceiro cúmplice ou aliciamento 
 
 
Aula 5 - 10/04 📚 
 
Continuação: Terceiro cúmplice e aliciamento 
 
 
 
 
 
2.5) Aliciamento (Art. 608, CC) 
• Consiste em interferir no contrato, convencendo o prestador de serviço a abandonar 
seu contratante original. 
 
• Antes era chamado de sedução (mudou para evitar conotação sexual). 
 
• Exemplo famoso: Caso Zeca Pagodinho (Brahma "roubou" da Nova Schin). 
• Responsável pela indenização: quem alicia, não o prestador. 
 
OBS: Discussão: responsabilidade contratual ou extracontratual? 
Anteriormente, essa discussão era meramente teórica e doutrinária pois o prazo 
prescricional contratual era igual ao extracontratual, porém o STJ recentemente decidiu 
que o prazo prescricional contratual é de 10 anos. 
 
 Isso significa que definir se a responsabilidade é contratual ou não é peça chave para 
definir o prazo prescricional que a parte lesada tem para ingressar com uma 
ação de indenização em face do aliciador. 
 
◦ Importante porque o prazo prescricional muda: 
▪ Contratual: 10 anos. 
▪ Extracontratual: 3 anos. 
 
 
A) Prestação de serviço agrícola (Art. 609, CC) 
 
• Se o dono das terras vende para outra pessoa, o prestador de serviço escolhe: 
◦ Continuar com o dono antigo; 
◦ Ou com o novo proprietário, mesmo sem anuência dele. 
 
Direito potestativo do prestador (não cabe contestação). 
 
 
 
3) Empreitada (Arts. 610 a 626, CC) 
 
Definição: 
Definição doutrinária (Orlando Gomes): contrato por meio do qual o empreiteiro se 
compromete a executar determinada obra pessoalmente ou por terceiros em troca de 
remuneração fixa paga por outro contratante de acordo com instruções deste e sem 
relações de subordinação. 
 
• Contrato para realizar obra sem subordinação, com pagamento fixo. (Empreitada é 
um contrato de prestação de serviços peculiares.) 
 
 
 
 
 
3.1) Características: 
 
• ⚖️ Bilateral (obrigações para ambos); 
• 💰 Oneroso (envolve pagamento); 
• 🗣 Não solene (pode ser verbal); 
• 👤 Impessoal, mas pode ser personalizado. 
 
→ Isso significa que, em regra, ela é impessoal porém pode ser estipulado que uma 
pessoa em especial será aquela a realizar o trabalho. 
 
OBS: Por exemplo, se há a contratação do Oscar Niemeyer em específico para realizar a 
obra, apenas a pessoa dele deve realizar a empreitada. 
 
 O Art. 626, CC estipula que o contrato de empreitada não se extingue com o 
falecimento de uma das partes, devido ao caráter impessoal da empreitada. Isso a 
diferencia da prestação de serviços que acaba com a morte de uma das partes. 
 
 
 3.2) Classificações da Empreitada 
 
• 🧮 Empreitada a preço fixo/global ou integral: preço fechado pela obra inteira. 
Caso seja permitida a alteração do preço é chamada de empreitada global relativa, se 
não permitir, empreitada global absoluta. 
 
• 📏 Empreitada Por medida/ad mensuram ou parcial: preço por etapas. 
- Por exemplo, alguém quer fazer uma reforma no quarto, depois cozinha e depois sala. 
É fixo o preço para cada uma das etapas, para mão de obra e pros materiais 
proporcionalmente e pago ao longo do tempo que a obra está sendo feita. 
 
 
• 📈 Empreitada a Preço reajustável: varia conforme custo dos materiais ou da mão 
de obra. 
 
• 🚫 Empreitada a Preço máximo: limite de valor (não muito usado no Brasil). 
Limite de preço que não pode ser ultrapassado, mas dá uma discricionariedade maior 
para o empreiteiro fazer o que ele quiser 
 
• 🛠 Empreitada a Preço de custo: empreiteiro gerencia, mas contratante paga. 
 
 
 
 
 
O empreiteiro funciona como um gerente de obras, realiza um trabalho com um preço 
pré estabelecido e fica responsável de fornecer os materiais e a mão de obra, mas no 
final o contratante vai pagar pelos materiais que foram usados. 
 
 
• Empreitada de Lavor: valor só trabalho. (Art. 610) 
Art. 610. O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou 
com ele e os materiais. § 1ºA obrigação de fornecer os materiais não se presume; 
resulta da lei ou da vontade das partes. 
§ 2ºO contrato para elaboração de um projeto não implica a obrigação de 
executá-lo, ou de fiscalizar lhe a execução. 
Essa primeira parte do caput é o que a doutrina chama de empreitada de lavor, e é o meu 
contrato de empreiteiro e o empreiteiro vai ser só a mão de obra. O saco de cimento 
tudo fui eu que comprei 
 
• Empreitada Mista: trabalho + materiais da obra e embute isso no valor final. 
 
A mista é que não sabe onde vende tijolo no RJ, e deixa o empreiteiro ficar responsável 
pelo material e pode escolher o material, e vai pagar apenaso valor. Obrigação de 
fornecer os materiais ({1) e dizer que essa obrigação vai ser do empreiteiro e não do 
dono da obra, empreiteiro contribui com a obra e os materiais 
 
No §1o está estipulado que a obrigação de fornecer materiais não se presume, já o §2º 
diz que, por exemplo, se contrato o Oscar Niemeyer para projetar uma catedral, era só 
pra elaboração do projeto, se quiser que ele vistorie e realize, é um contrato a parte 
que deve ser feito. 
 
A empreitada mista também é chamada de empreitada de lavor e materiais. Ela é 
uma obrigação de resultado e isso atrai maiores riscos pro empreiteiro pois ele é 
obrigado a de fato produzir resultados materiais, como colocar o prédio que é o objetivo 
da empreitada, em pé. 
 
Por oposição, a empreitada de materiais é uma obrigação de meios. Em termos 
práticos, a empreitada de maior valor será a empreitada mistapois o risco é muito maior. 
 
Além disso, a regra é que o empreiteiro assume o risco sobre a obra e sobre os 
materiais. 
 
◦ Obrigação de resultado (maior risco para empreiteiro). 
 
Importante: Art 613 CC 
• Em caso de força maior (ex: meteoro) na empreitada mista, o empreiteiro perde o 
direito ao pagamento (regra "Res perit domino"). 
 
• Exceção: se provar que os materiais fornecidos pelo dono da obra eram de má 
qualidade e ele foi avisado. 
 
 
 
 
O art. 611, CC determina que quando se trata de empreitada mista, os riscos dos 
materiais ficam por conta do empreiteiro até o momento da tradição, a não ser que a 
pessoa que deveria ter recebido a obra atrasou o recebimento da mesma de propósito. 
Por fim, o art. 612, CC diz que se o empreiteiro só forneceu mão de obra, aqueles riscos 
que comprovadamente são de sua culpa, ele assume, caso contrário, não. 
 
 
Aula 6 - 11/04 📚 
 
3.3) Obrigações do Empreiteiro 
 
1- Entregar no prazo e conforme o combinado. (nem todo atraso será considerado 
inadimplemento) 
(inadimplemento = descumprimento + culpa + risco) 
 
2 Responde por perdas e danos se parar a obra sem justificativa. (responde por 
perdas e danos) 
 
◦ (Art.625) Não responde se: for Culpa do dono; Força maior; Modificação excessiva 
pelo dono forem desproprocionais ao projeto acordado 
 
3 - Culpa por mau uso dos materiais (imperícia, negligência, imprudência). 
 
4 –Art.615 e 616: Deve seguir o plano e as regras técnicas. (caso não o faça, o dono 
pode rejeitá-la ou recebê-la com abatimento do preço) 
 
5 Art. 618 – Garantia da Solidez e Segurança da Obra (Empreitada Mista) 
Empreiteiro que fornece materiais e executa a obra (empreitada mista) responde 
pela solidez e segurança da construção.Prazo de garantia: 5 anos (contados da entrega 
da obra). 
• Este é um prazo legal irredutível – ou seja, não pode ser afastado por acordo 
entre as partes. 
• Se surgir um vício ou defeito, o dono da obra tem 180 dias (prazo decadencial) 
a partir do conhecimento do problema para ajuizar ação contra o empreiteiro. 
 
. 
6- Art. 619 – Modificações no Projeto e Ajustes no Preço 
Ao aceitar executar a obra, o empreiteiro assume os riscos do projeto principal. Se o 
dono da obra solicitar alterações, o preço pode ser reajustado, mesmo sem contrato 
por escrito, desde que: 
 
 
 
 
• O dono esteja presente, 
• Veja as modificações, 
• E não se oponha (isso caracteriza aceitação tácita). 
• Se as mudanças não forem feitas por solicitação do dono, o empreiteiro não 
tem direito a reajuste. 
 
7- Art. 620 – Revisão por Quebra da Base do Negócio 
 
Se houver uma mudança significativa que reduza o valor da obra, o dono pode 
pedir revisão do contrato para acertar a diferença de valores. 
• Trata-se de uma proteção ao equilíbrio contratual, aplicável quando há 
onerosidade excessiva para o dono. 
8) Pagamento pelo Dono da Obra – Art. 614 e Consequências 
A principal obrigação do dono da obra é pagar o preço acordado. 
• Conforme o Art. 614, se a obra é feita por etapas, o pagamento também pode ser 
feito por partes (ex: quarto, depois cozinha, etc.). 
• Se o dono paga sem verificar a qualidade, ele tem 30 dias após o pagamento 
para reclamar defeitos. 
• Passado esse prazo sem manifestação, presume-se que ele aceitou o serviço 
como satisfatório. 
9) Art. 621 – Modificações no Projeto e Responsabilidade do Autor (Arquiteto) 
O projeto não pode ser alterado sem a anuência do arquiteto/autor, salvo se: A alteração 
for necessária por inconveniência, ou Houver excessiva onerosidade na execução do 
projeto original. 
Se a obra for passada a terceiros (subempreitada), o autor do projeto só responde 
por danos relacionados a vícios estruturais (Art. 618), desde que não tenha 
assumido direção ou fiscalização da obra. 
 
10) Suspensão da Obra pelo Dono – Limites e Deveres 
O dono da obra pode suspender a empreitada. No entanto, se suspender sem 
justificativa, deve pagar pelos serviços já executados até aquele momento. 
 
 
📚 Aula 7 – 17/04 
 
4) Depósito (Art. 627 a 652 do CC) 
 
 
 
 
 
Conceito Geral 
Não há diferença entre contrato de depósito e contrato de garagem, pois este 
último não é regulado pelo Código Civil. 
O depósito consiste na entrega de um bem móvel para guarda até que o depositante o 
reclame de volta. 
 
4.1) Características do Contrato de Depósito 
 
1- Refere-se a bem móvel e infungível (regra geral); (não pode ser substituída por 
outra do mesmo gênero, quantidade e qualidade.) 
 
2- É um contrato real, só se aperfeiçoa com a tradição do bem; 
 
3- Gera obrigação para apenas uma das partes (restituir o bem), sendo quase 
unilateral; ((o depositário) para que esta guarde e conserve, e devolva quando for 
exigida.) 
 
4- É um contrato pessoal (intuitu personae) – baseia-se na confiança; 
 
5- A gratuidade é a regra, salvo estipulação em contrário. 
 
 
4.2) Classificação 
 
1) Voluntário – deriva da vontade das partes. 
• O art. 64 exige prova escrita, mas há divergência doutrinária: 
◦ Parte entende que é não solene e a forma escrita seria apenas para fins de prova 
(eficácia); 
◦ Outra parte entende que a forma escrita é requisito de validade. 
 
A) Depósito Voluntário 
 
1) Obrigações do Depositário 
1- Guardar a coisa – obrigação principal e inerente; 
 
2- Se não puder guardá-la, deve: 
◦ Devolvê-la ao depositante ou 
◦ Depositar judicialmente (consignação em pagamento); 
 
3- Conservar o bem como se fosse seu; Não responde por força maior, mas 
deve prová-la – sob pena de reparação; 
 
 
 
 
 
4- Se perder o bem e receber outro em seu lugar, deve: 
◦ Restituir e ceder ações ao depositante. 
 
Herança: se o herdeiro do depositário vende a coisa de boa-fé, deve cooperar com 
a reivindicação e ressarcir o comprador. 
• O bem deve ser devolvido quando solicitado, com frutos, acrescidos e no mesmo 
estado da entrega. 
 
1.1) Compensação 
• Regra: não pode compensar com dívidas da obrigação (ex: despesas extras); 
• Pode reter a coisa até que o pagamento seja feito. 
• Se as dívidas forem aprovadas ou ilíquidas, pode exigir caução idônea ou remoção 
para depósito público. 
 
🚫 Recusa à restituição 
• O depositário não pode recusar a devolução sob alegação de que o bem não pertence 
ao depositante; 
• Não pode opor compensação por outro contrato – salvo entre depósitos similares. 
 
B) Depósito Irregular 
 
 
• Ex: dinheiro em banco consta como pagamento e não como deposito, mas se fosse na 
poupança seria mútuo – 
 
📦 Diferença importante 
• Comodato → empréstimo para uso 
• Depósito → custódia/guarda 
 
📚 Aula 8 – 24/04 
 
Continuação: Depósito 
 
2) Obrigações do Depositante 
 
1- Reembolsar as despesas com a guarda do bem (ex: cachorro doente na creche); 
 
2- Arcar com os custos para restringir ou recuperar a coisa e retirá-la no local da 
guarda, salvo ajuste em contrário; 
 
3 Cumprir todas as obrigações correlatas às do depositário (a contrario sensu). 
 
 
 
 
 
2)Necessário – decorre da lei, que o regula. 
 
B) Depósito Necessário (presunção de onerosidade) 
 
1- Tipos: 
• Depósito Legal → por imposição da lei; 
 
• Depósito Miserável(ou humanitário) → em casos de calamidade pública (ex: 
enchente, uso de propriedade particular para abrigo); 
 
• Depósito Hospedeiro (Art. 649 CC) → bens deixados por hóspedes nas hospedarias: 
◦ Responsabilidade por furtos ou roubos cometidos por funcionários ou terceiros 
admitidos no local; 
◦ Exceção: não responde se provar que o fato não poderia ser evitado (força maior). 
 
💰 Presunção de onerosidade 
 
O depósito necessário é, em regra, oneroso (Art. 651), diferentemente do voluntário, 
que é gratuito por presunção. 
 
• Ex: o valor da diária do hotel deve incluir a responsabilidade pelo depósito dos bens 
do hóspede

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