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FACULDADE PORTO UNIÃO 
 
 
 
ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO E EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
 
 
 
LUDMILA GONÇALVES DA SILVEIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
UM OLHAR REFLEXIVO SOBRE O CAMINHO LEGISLATIVO DA EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RIBEIRÃO DAS NEVES, 
2021 
 
 
 
 
 
 
UM OLHAR REFLEXIVO SOBRE O CAMINHO LEGISLATIVO DA EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA 
Autor1, 
 
 
Declaro que sou autor(a)¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o mesmo 
foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial ou 
integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente 
referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de investigações empíricas por 
mim realizadas para fins de produção deste trabalho. 
Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e 
administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação aos 
direitos autorais. (Consulte a 3ª Cláusula, § 4º, do Contrato de Prestação de Serviços). 
 
RESUMO- O presente artigo tem o intuito de gerar reflexões sobre o caminho legislativo no campo da 
Educação Inclusiva, ressaltando e mencionando as principais leis que contribuíram para que a educação 
no cenário brasileiro seja efetivamente inclusiva, reiterando que tal efetividade depende de estratégias, 
propostas e ações que materializam as leis no sistema educacional. Através do levantamento dos marcos 
históricos de forma bibliográfica citando autores e leis que configuram o percurso da legislação da 
Educação Inclusiva. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1986 e a Declaração de 
Salamanca de 1994 iniciaram avanços importantes na legislação para a efetivação da inclusão escolar. 
Para que haja de fato uma educação que seja plenamente inclusiva também é necessária a participação 
de todos os sujeitos sociais envolvidos no processo educacional, como também, torna-se necessário uma 
prática que dá vida ao discurso, que cria cenários e espaços para a aplicação dos direitos. Ou seja, é 
necessária uma prática que dialoga e seja repensada na procura de melhores alternativas e estratégias 
baseando-se na busca por mudanças que promovem adaptação a realidade e atendimento a novas 
demandas que possam surgir. 
 
 
PALAVRAS-CHAVE: Educação Inclusiva. Politicas de Inclusão. Direito à educação escolar. Inclusão 
escolar. 
 
 
 
 
1
 ludmilagsilveira@gmail.com 
 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
O presente trabalho monográfico traz à reflexão e discussão alguns 
apontamentos teóricos, legislativos, históricos e práticos em torno da Educação 
Inclusiva, especificamente sobre o caminho legislativo que foi percorrido no cenário 
brasileiro e também levantar reflexões sobre a importância da vivência da legislação 
através de ações e práticas que se fazem para que a educação seja efetivamente 
inclusiva. 
A Educação Inclusiva para pessoas com necessidades especiais é um direito 
garantido pela constituição federal e, assim como todos os processos educacionais, 
traz diversos desafios, desta forma, com o objetivo de superar esses desafios e 
melhorar os aspectos que envolvem a educação inclusiva, foi implantado nas escolas 
públicas o Atendimento Educacional Especializado (AEE). De forma generalista, a 
legislação atual ampara as pessoas com necessidades especiais, partindo da prática da 
educação especial e os desafios de acolher o acesso deste público nas escolas 
possibilitando espaços e programas que favoreçam o acesso livre no ambiente escolar. 
Diante do cenário brasileiro, como que são realizadas as ações e estratégias da 
Educação Inclusiva sob o viés legislativo e que reflexões pode-se obter através do 
levantamento histórico dos direitos conquistados através da luta para que a educação 
seja plenamente inclusiva e que de fato seja um direito para todos, são os 
questionamentos que o presente artigo monográfico procura responder ao longo de seu 
desenvolvimento. 
Ressaltando que a educação é um direito de todos e que o sistema educacional 
devem se adaptar para atender o recebimento de alunos sem qualquer tipo de 
distinção, surgiram vários estudos, diretrizes e documentos políticos e filosóficos, com o 
objetivo de garantir este acesso a uma educação de qualidade sem preconceitos ou 
discriminações, respeitando a diversidade e singularidade da pessoa humana. Todavia, 
somente a mudança e evolução nas políticas públicas e educacionais não garantem a 
efetivação desta prática inovadora que deve ocorrer diariamente e progressivamente na 
realidade escolar. 
 
 
 
 
Ressaltando-se o estudo de autores importantes, como Mantoan, que 
desenvolve conceitos fundamentais acerca da inclusão escolar considerando as 
diferentes realidades escolares e baseando-se na constituição do processo de inclusão, 
referindo-se também a elementos da LDB/96, da Constituição Federal de1988 que dão 
ênfase no acesso a educação inclusiva. A inclusão escolar vem para recolocar as 
questões da igualdade e diferença além do universo escolar. 
Justificando-se que é importante destacar que a inclusão escolar é um processo 
continuo e participativo nos âmbitos culturais, sociais e políticos. E buscando teorizar as 
demandas que surgem no campo escolar aliando a práticas que possibilitam uma 
proposta de inclusão efetiva. 
O presente artigo estrutura-se em pesquisa bibliográfica e legislativa acerca do 
tema com o intuito de explanar os marcos históricos e legislativos quanto a Educação 
Inclusiva bem também refletir sobre a aplicação da legislação através da prática que 
favoreça e possibilita de fato uma inclusão escolar. 
2 DESENVOLVIMENTO 
A medida em que a sociedade brasileira luta por direitos frente as causas sociais, 
se conquista leis que se façam valer a redução de danos do impacto das desigualdades 
sociais. Os problemas sociais são porta-vozes como indicativos de demandas a suprir. 
No campo da educação, a luta por igualdade a todos se faz através da luta por 
uma educação mais inclusiva que seja acolhedora e adaptativa. O marco desta luta 
perpassa pela construção da Educação Inclusiva, que pode ser entendida mais do que 
apenas uma característica do termo Educação como um todo. Mas, também é um 
movimento escolar que se faz como um atendimento ao direito de educação para todos. 
Em outras palavras podemos compreender que à medida que avançamos na 
busca de melhorias e evolução no atendimento educacional especializado no campo da 
Educação Inclusiva a conquistas por direitos que favoreça uma educação que acolhe e 
integra, traça-se um caminho mais igualitário que minimiza as desigualdades não 
somente educacionais, mas também sociais, uma luta por promoção de igualdade e 
garantia de direitos em todas as esferas cívicas e sociais. 
 
 
 
 
Dentro do movimento da Educação Inclusiva, se cumpre as leis específicas para 
que as pessoas com necessidades especiais possam exercer os mesmos direitos de 
educação a todos sob as mesmas condições dos demais cidadãos, porém é importante 
ressaltar que no campo das ações, há um longo trajeto que ainda necessita ser 
percorrido, como descrito na Cartilha IBDD: 
―A luta das pessoas com deficiência pelo 
acesso a seus direitos começa, de alguma forma, a ganhar força. 
Como resultado de pressões institucionais e sociais diversas, 
podemos observar mais atenção da sociedade e do Estado e uma 
maior — mas ainda insuficiente — da legislação‖. 
(Cartilha IBDD dos direitos da pessoa com deficiência,2005.p.5) 
 
Logo, podemos compreender que o movimento de inclusão na rede regular de 
ensino exige uma re-organização no sistema educacional como um todo, através da 
busca constante de transformação nas suas ações, suas relações, suas práticas, seus 
conceitos, com o objetivo de garantir o direitoà educação de qualidade para todos, 
essencialmente na modalidade da Educação Inclusiva e Especial. Tais mudanças são 
necessárias, todavia, devem ocorrer por meio da reflexão coletiva, levando à percepção 
de que ser diferente é uma característica humana e comum a todos. Como diz Mantoan 
(2006, p. 206): 
―Certamente não existe uma regra geral para construirmos esta 
escola que queremos – uma escola para todos. Mas podemo-nos 
aproximar cada vez mais dela, se encararmos as transformações 
das escolas que existem hoje da forma mais realística possível, 
abolindo tudo que nos faz pensá-las e organizá-las de acordo com 
modelos que as ―idealizam‖, como temos feito até então.‖ 
 
Reforça-se então que é totalmente necessária a ideia de que refletir sobre 
formas de oportunizar uma educação de qualidade valorizando as diferenças é um 
passo importante para a concretização de uma realidade mais inclusiva. 
 
 
 
 
 
 
 De acordo com a Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional – 9394/96, 
art. 58, a educação especial é “a modalidade de educação escolar, oferecida 
preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de 
necessidades especiais”(LDB, 1996, cap. V, art. 58). 
Desta forma, a inclusão escolar tem como objetivo de promover o acolhimento de 
todos os alunos sem exceção, sendo que aquele sistema de ensino que recusar-se a 
receber pessoas com necessidades especiais, é considerado ilegal sua prática, bem 
como a prática de criar uma outra turma que funcione exclusivamente com pessoas 
com necessidades especiais, é inadmissível dentro dos princípios da Inclusão presente 
na legislação atual. 
A Lei nº 7.853/89 dispõe sobre o apoio às pessoas com necessidades especiais 
e sua integração social, definindo como crime recusar, suspender, adiar, cancelar ou 
extinguir a matrícula de um estudante por causa de sua deficiência, em qualquer curso 
ou nível de ensino, seja ele público ou privado. A pena para o infrator pode variar de um 
a quatro anos de prisão, mais multa. 
Deste modo, é essencial e obrigatório que a rede de ensino, de forma geral, 
ofereça a rede de apoio e suporte adequada e tenha em seu quadro docente: 
professores qualificados para o apoio a esses alunos. O planejamento deve ser 
adaptado às necessidades específicas dos alunos com alguma deficiência, envolvendo 
atividades que levem em consideração suas necessidades e potencialidades, 
possibilitando a inclusão em classes comuns. O artigo 208 da Constituição Brasileira 
especifica que é um dever do Estado garantir “atendimento educacional especializado 
aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”. 
Ressalta-se que não somente em escolas, como também em todos os espaços 
públicos deve haver mudanças para promoção da acessibilidade que assegurem o 
direito de ir e vir da pessoa com necessidades especiais livremente. Acima de qualquer 
diferença, somos todos cidadãos com deveres e direitos a serem cumpridos e 
assegurados pela sociedade. 
O interesse pela realização de uma educação efetivamente inclusiva é baseado 
em princípios políticos, culturais, sociais e pedagógicos, em defesa do direito que todos 
os alunos têm, de estarem juntos, interagindo, aprendendo e participando, sem nenhum 
tipo de discriminação. Fundamentada na concepção de direitos humanos, esta forma de 
 
 
 
 
educação valoriza as diferenças e propõe a eqüidade de direitos, evitando práticas 
excludentes dentro e fora do universo escolar. 
Um dos princípios fundamentais da escola com práticas inclusivas, ressaltado 
pela Unesco, é o de que “todas as crianças devem aprender juntas, sempre que 
possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam 
ter” (UNESCO, 1994, p.4). 
Por tudo isso a inclusão implica uma mudança de perspectiva educacional, pois 
não se limita somente aos alunos com deficiência e aos que apresentam dificuldade de 
aprender, mas a todos os demais, para que obtenham sucesso na corrente educativa 
geral. (MANTOAN, 2003, p.24) 
A educação inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção. É para o estudante 
com deficiência física, para os que têm comprometimento mental, para os 
superdotados, para todas as minorias e para a criança que é discriminada por qualquer 
outro motivo. Costumo dizer que estar junto é se aglomerar no cinema, no ônibus e até 
na sala de aula com pessoas que não conhecemos. Já inclusão é estar com, é interagir 
com o outro. (MANTOAN, in REVISTA NOVA ESCOLA, 2014, p.01). 
O pesquisador Sassaki (1997, página 167) cita o conceito de inclusão social 
como: 
―Processo pelo qual a sociedade e o portador de deficiência 
procuram adaptar-se mutuamente, tendo em vista a equiparação 
de oportunidade e, conseqüentemente, uma sociedade para todos 
(…) A inclusão significa que a sociedade deve adaptar-se às 
necessidades da pessoa com deficiência para que esta possa 
desenvolver-se em todos os aspectos de sua vida.‖ 
 
2.1 INCLUSÃO: MARCOS HISTORICOS NA SOCIEDADE E NA AREA 
EDUCACIONAL 
Ao longo da trajetória da luta e do movimento pela Educação Inclusiva houve 
muitos fatos que marcaram como novas conquistas de direitos na perspectiva da 
educação para todos, conforme é mencionado a seguir: 
 
 
 
 
A educação especial foi constituindo-se como sistema paralelo ao sistema 
educacional geral, até que, por motivos morais, lógicos, científicos, políticos, 
econômicos e legais, surgiram às bases para uma proposta de unificação. Então, nas 
décadas de 60 e 70 houve um grande movimento de desinstitucionalização retirando as 
pessoas com deficiências das instituições e inserindo na comunidade (MENDES, 2006, 
p. 388). 
Em 1977 ocorreu uma medida política que causou impacto na área de educação 
promologada como parte de uma lei pública nos Estados Unidos (USA, 1977), 
assegurando a educação pública como apropriada para todas as crianças com 
deficiências, instituindo oficialmente, em âmbito nacional (MENDES, 2006, p.389). 
No cenário brasileiro, a educação inclusiva ganhou espaço e relevância a partir 
da década de 1980, com a divulgação de dados alarmantes sobre o fracasso, a evasão 
e a repetência escolar. Consequentemente, devido ao aumento dessas demandas 
surgiu a necessidade de se criar classes e escolas especiais. Assim, a proposta para 
referida educação aparece no Art.208 da nossa constituição: 
Art. 208. O dever do estado com a educação 
será efetivado mediante a garantia de: I- educação básica 
obrigatória e gratuita dos 4(quatro) aos 17(dezessete) anos de 
idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que 
a ela não tiveram acesso na idade própria; II- progressiva 
universalização do ensino médio gratuito; III- atendimento 
educacional especializado aos portadores de deficiência, 
preferencialmente na rede regular de ensino. 
 
O pesquisador Mazzota (1999) cita que a educação especial no Brasil é marcada 
por dois períodos, sendo o primeiro de 1854 a 1856 por iniciativa de oficiais e 
particulares isolada e o segundo de 1957 a 1993 com iniciativas oficiais de âmbito 
nacional. 
Dessa forma, a partir de 1990, devido às propostas e discussões acerca da 
educação inclusiva no Brasil se ampliarem, houve iniciativas da sociedade civil e do 
Estado na tentativa de buscar cumprir os compromissos nos encontros promovidos pela 
Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para 
 
 
 
 
tratar da Educação para todos. Sendo assim, a educação brasileira passa a defender 
as teorias e práticas acerca da inclusão, se mobilizando na reformulação de seus 
currículos, nas formas de avaliação, na capacitação dos professores e nas estruturas 
físicas, visando uma educação democrática. (MENDES, 2006). 
Ainda no cenário brasileiro, a Constituição Federal de 1988 e a Lei Federal nº 
9.394/96, estabelecem que a educação é um direito de todos e que as pessoas com 
necessidades educacionais especiaisdevem ter atendimento educacional 
especializado, preferencialmente na rede regular de ensino. Assim, as esferas dos 
sistemas estaduais e municipais, anunciaram as diretrizes políticas de reforma pelos 
princípios da inclusão, mas, no entanto, a legislação não menciona sobre 
procedimentos de avaliação, comprometendo o processo de implementação das 
propostas. 
Referente aos marcos históricos da Educação Inclusiva nota-se que ocorreram 
mudanças importantes tanto na sociedade e bem como no campo educacional, em 
benefício e melhoria do atendimento aos alunos com necessidades educacionais 
especais. Essencialmente, é importante ressaltar que os marcos históricos sobre a 
educação inclusiva envolveu também diversas ações de vários países em prol dos 
direitos humanos e da efetivação da inclusão escolar. 
2.2 A GARANTIA DA INCLUSÃO ESCOLAR: FUNDAMENTOS LEGISLATIVOS 
O caminho legislativo em busca de uma Educação Inclusiva, que seja 
efetivamente inclusiva, é atravessado por propostas políticas e pedagógicas, com a 
finalidade pautada na transformação cultural escolar junto a inclusão escolar referindo-
se ao acesso a bens de serviços educacionais. Desta forma, o atendimento específico 
as pessoas com necessidades especiais recebe a nomeação de Educação Especial, 
cujo o atendimento é garantido pela a Constituição Federal (1988), pela Lei de nº 
9394/96 e a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1984) que estabelecem que a 
educação é direito de todos e deve ser garantido o atendimento educacional 
especializado aos alunos com deficiência. 
Sendo assim, a educação inclusiva tem como objetivo promover o 
desenvolvimento de pessoas com necessidades educativas especiais, contemplando 
 
 
 
 
diferentes níveis de educação e ensino de educação básica e nível superior (Parecer 
CNE/CEB Nº.17/2001). 
 Tem como referenciais teóricos as leis que garantem a inclusão, com base na: 
 Lei n°. 853/89 que dispõe sobre o apoio às pessoas com deficiências, sua 
integração social, assegurando o pleno exercício de seus direitos 
individuais e sociais; 
 Declaração Universal dos Direitos Humanos (1984) que assegura o direito 
de todos à educação; 
 Lei n°. 8.069/90 que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. 
O Estatuto da Criança e do Adolescente, entre outras determinações, 
estabelece, no § 1o do Artigo 2º: “A criança e o adolescente portadores de 
deficiências receberão atendimento especializado". 
 Declaração Mundial de Educação para Todos na Tailândia, em 1990, 
Conferência Mundial de Educação para todos, que estabeleceu o plano de 
ação para universalizar o acesso à educação e promover a equidade de 
oportunidades a todos; 
 Declaração de Salamanca (Espanha, 1994) na Conferência Mundial sobre 
Necessidades Educacionais Especiais - Acesso e Qualidade: “as pessoas 
com necessidades educacionais especiais devem ter acesso às escolas 
comuns que deverão integrá-las numa pedagogia centralizada na criança, 
capaz de atender a essas necessidades"; 
 Lei n°. 9.394/96 que estabelece as diretrizes e bases da educação 
nacional. Art. 4º, III – atendimento educacional especializado gratuito aos 
educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede 
regular de ensino; 
 Portaria MEC n°. 1.679/99 que dispõe sobre os requisitos de 
acessibilidade a pessoas portadoras de deficiências para instruir 
processos de autorização e de reconhecimento de cursos e de 
credenciamento de instituições; 
 Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação Básica, 
(Resolução CNE/CEB Nº 02/2001, determina que as escolas se 
 
 
 
 
organizem para o atendimento, em classes comuns, elaborando projetos 
políticos pedagógicos em consonância com a política de inclusão; 
 Resolução CNE/CEB nº4/2009, Art. 3º e 4º que define a educação 
especial como uma modalidade de ensino transversal a todos os níveis, 
etapas e modalidades, e teve disponibilizar recursos e serviços para 
realizar o Atendimento Especial Especializado de forma complementar ou 
suplementar à formação do seguinte público alvo: alunos com deficiência- 
aqueles que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, 
intelectual, mental ou sensorial; Alunos com transtornos globais do 
desenvolvimento- aqueles que apresentam um quadro de alterações no 
desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento nas relações 
sociais, na comunicação ou estereotipias motoras. Incluem-se nessa 
definição alunos com autismo clássico, síndrome de Asperger, síndrome 
de Rett, transtorno desintegrativo da infância (psicoses) e transtornos 
invasivos sem outra especificação. 
 
Sobre as leis mencionadas, percebe-se que ao longo das décadas houve 
envolvimento e participação de vários países a favor dos direitos humanos, na busca e 
promoção de melhorias para que seja feita realmente uma educação inclusiva de 
qualidade. Estas leis ressaltam também, principalmente, a busca por garantia de 
condições no atendimento aos alunos com necessidades educativas especiais, bem 
como a conquista de direitos na busca da preservação da premissa "Educação para 
todos". Desta forma, a luta na busca em prol de ofertar uma educação democrática que 
garanta a inclusão de todos vem de longa data e são de extrema importância essas 
legislações e declarações, pois são garantias legais que determinam todas as ações 
para que a inclusão ocorra de forma verdadeiramente efetiva e plena. 
2.3 A LEGISLAÇÃO NA PRÁTICA 
A partir que se ressalta a legislação vigente, que respalda a garantia de uma 
Educação Inclusiva, vamos de encontro à reflexão se na prática a teoria encontra vida 
através de ações que favoreçam realmente uma educação que seja plenamente 
 
 
 
 
inclusiva. Para que a inclusão escolar ocorra de fato, torna-se necessário, cada vez 
mais, uma transformação no espaço escolar, para que se consiga quebrar e vencer os 
paradigmas, em prol de atender à diversidade humana com ajuda de recursos 
materiais, humanos e financeiros. 
Intrinsicamente, quando partimos sobre o olhar do cenário real da inclusão 
escolar e visto as ações praticadas no campo das políticas públicas no contexto atual, 
percebe-se que há uma defasagem, pois os investimentos em recursos materiais e 
humanos em prol dessa demanda são insuficientes, o que torna um grande desafio 
para aqueles que são a linha de frente na Educação Inclusiva. Desta forma, a realidade 
da Educação Inclusiva torna-se um caminho desafiador para o gestor, pedagogo e 
educador criarem estratégias de acolhimento, bem como efetivar práticas condizentes 
com as necessidades desses alunos devido à carência de recursos. Ressalta-se que já 
existiu um projeto de lei para que nas escolas tenha os profissionais como psicólogos e 
assistentes sociais, mas infelizmente ainda não se concretizou, ocasionando atrasos 
para que a verdadeira inclusão aconteça, e importante ressaltar também a importância 
destes profissionais para que realmente ocorra uma educação que atenda as pessoas 
com necessidades especiais de forma integral e efetivamente inclusiva. 
Ressalta-se que uma legislação que tem como premissa que a educação é um 
direito de todos, deve ser também um dever de toda sociedade, em fazer-se que a 
premissa seja colocada em prática. Segundo Delors(1996) educação é um processo de 
desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano. Desta forma, 
a educação ao longo do processo de desenvolvimento humano é uma construção 
contínua do ser humano de forma integral, do seu saber e das aptidões, mas também 
da sua capacidade de discernir e agir. A educação deve contribuir de forma a favorecer 
o Ser, enquanto Ser existente, a aprender a ser, ou seja, a tomar consciência de si 
próprio, do meio em que vive e a desempenhar o papel social que lhe cabe no mundo. 
Reforça-se que a Lei Federal nº 9394/96 (BRASIL, 1996), afirma que a educação 
é um de direito de todos e dever do Estado e em seu capítulo V,Art. 59, inciso I, 
declara que os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades 
especiais: currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específica, 
para atender às suas necessidades educativas. 
 
 
 
 
Silva (2010), afirma que os desafios frente à inclusão são vários, mas é preciso 
ter sabedoria e descobrir as possibilidades para a garantia de uma educação para 
todos. Entre elas destaca-se: 
 Investimento em recursos materiais didáticos adaptados, equipamentos 
tecnológicos, estrutura dos prédios escolares adaptados, com mobiliários 
adequados para atender os alunos com necessidades educativas; 
 Investimento na formação permanente dos docentes para se 
especializarem com objetivo de atender a diversidade de alunos em sala 
de aula; 
 Adequar um projeto político pedagógico que possa ser planejado e 
desenvolvido de acordo com as necessidades especiais dos alunos; 
 Contratação de profissionais especializados como psicólogo e assistente 
social na possibilidade de trabalhar em equipe com os educadores, 
planejando e implementando estratégias para a efetivação da inclusão; 
 A integração da família junto à escola. 
 
Dentre as possibilidades mencionadas, a prática da Educação Inclusiva de forma 
plena e efetiva no cenário brasileiro depende de fatores, como na promoção da 
conscientização e de esforço coletivo de todos envolvidos do sistema educativo e ciclo 
educacional. Essencialmente, torna-se também necessário uma revisão do 
envolvimento e conjunto de ações interligadas de todos os autores e atores do campo 
da Educação Inclusiva: pesquisadores, políticos, educadores, gestores, profissionais 
especializados, família e das pessoas com necessidades educativas especiais na 
garantia de uma educação de qualidade para todos. 
Ressalta-se também o dever do Poder Executivo brasileiro em proporcionar 
acesso efetivo à educação com qualidade, para que toda sociedade possa usufruir da 
capacitação intelectual e profissional para todos os cidadãos. 
 
 
 
 
3 CONCLUSÃO 
Diante do levantamento dos marcos históricos e legislativos ao longo da 
construção do movimento da Educação Inclusiva no cenário brasileiro, podemos 
concluir, que para a mesma acontecer de forma plena é desafiante, pois inicialmente as 
escolas não foram pensadas para atender as diferenças, e a sociedade e a escola 
precisam produzir espaços reflexivos e de estratégia de trabalho para lançar um novo 
olhar para as práticas educativas. 
Através da exposição a reflexões sobre a prática no atendimento da legislação e 
efetivamente a educação seja inclusiva demanda ação política, cultural, motivação 
social e sobretudo, pedagógica. Proporcionar educação a todos, sem nenhum tipo de 
discriminação, é conferir validade a direito humano fundamental. Desta forma, a 
participação de todos os atores e autores do sistema educacional é necessária para a 
construção de uma cultura social respeitadora dos Direitos Humanos, bem como 
consolidar uma base social que garanta o êxito das políticas de inclusão. 
A partir da luta de uma causa, se minimiza um pouco das demais desigualdades, 
através da construção de uma sociedade mais inclusiva. Porém, para a minimização 
destas desigualdades e diferenças, mais do que apresentar teorias e legislar, torna-se 
necessário uma prática que dá vida ao discurso, que cria cenários e espaços para a 
aplicação dos direitos. Ou seja, é necessária uma prática que dialoga e seja repensada 
na procura de melhores alternativas e estratégias baseando-se na busca por mudanças 
que promovem adaptação a realidade e que atenda novas demandas que possam 
surgir. Uma prática que esteja em constante avaliação: quais as medidas que estão 
surtindo efeitos positivos e quais necessitam de melhorar. 
A teoria caminha lado a lado da prática e que esta prática seja o corpo material 
que as leis ganham vida e materialidade. Torna-se necessário obtermos mais 
conhecimento das leis que regem o país e assim, buscarmos desvendar as 
possibilidades do trabalho educacional brasileiro para uma qualidade eficaz. 
 
 
 
 
 
4 REFERÊNCIAS 
 
DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, 
1996. 
GOTTI, M. O. Integração e Inclusão: nova perspectiva sobre a prática da 
educação especial. In: MARQUEZINE, M. C. et al. (Org.). Perspectivas 
multidisciplinares em educação especial. Londrina: Ed. UEL, 1998. 
MACIEL, Diva Albuquerque e RAPOSO, Mírian Barbosa Tavares. Metodologia e 
construção do conhecimento: contribuições para o estudo da inclusão. In: 
KELMAN, Celeste Azulay, et. al. Desenvolvimento humano, educação e inclusão 
escolar. Brasília: Editora UnB, 2010. 
MACIEL. Maria Regina Cazzaniga. Portadores de eficiência a questão da 
inclusão social. São Paulo perspec. vol.14 no. 2 abril./junho 2000. 
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por quê? como 
fazer?. São Paulo: Moderna, 2003. 
__________ Inclusão promove justiça. 2005. Disponível em: 
https://novaescola.org.br/conteudo/902/inclusao-promove-a-justica Acesso em: 12 de 
dezembro de 2020. 
MAZZOTTA, Marcos José da Silveira. Educação Especial no Brasil: História e 
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