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FACULDADE PORTO UNIÃO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO E EDUCAÇÃO INCLUSIVA LUDMILA GONÇALVES DA SILVEIRA UM OLHAR REFLEXIVO SOBRE O CAMINHO LEGISLATIVO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA RIBEIRÃO DAS NEVES, 2021 UM OLHAR REFLEXIVO SOBRE O CAMINHO LEGISLATIVO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Autor1, Declaro que sou autor(a)¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial ou integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de investigações empíricas por mim realizadas para fins de produção deste trabalho. Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação aos direitos autorais. (Consulte a 3ª Cláusula, § 4º, do Contrato de Prestação de Serviços). RESUMO- O presente artigo tem o intuito de gerar reflexões sobre o caminho legislativo no campo da Educação Inclusiva, ressaltando e mencionando as principais leis que contribuíram para que a educação no cenário brasileiro seja efetivamente inclusiva, reiterando que tal efetividade depende de estratégias, propostas e ações que materializam as leis no sistema educacional. Através do levantamento dos marcos históricos de forma bibliográfica citando autores e leis que configuram o percurso da legislação da Educação Inclusiva. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1986 e a Declaração de Salamanca de 1994 iniciaram avanços importantes na legislação para a efetivação da inclusão escolar. Para que haja de fato uma educação que seja plenamente inclusiva também é necessária a participação de todos os sujeitos sociais envolvidos no processo educacional, como também, torna-se necessário uma prática que dá vida ao discurso, que cria cenários e espaços para a aplicação dos direitos. Ou seja, é necessária uma prática que dialoga e seja repensada na procura de melhores alternativas e estratégias baseando-se na busca por mudanças que promovem adaptação a realidade e atendimento a novas demandas que possam surgir. PALAVRAS-CHAVE: Educação Inclusiva. Politicas de Inclusão. Direito à educação escolar. Inclusão escolar. 1 ludmilagsilveira@gmail.com 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho monográfico traz à reflexão e discussão alguns apontamentos teóricos, legislativos, históricos e práticos em torno da Educação Inclusiva, especificamente sobre o caminho legislativo que foi percorrido no cenário brasileiro e também levantar reflexões sobre a importância da vivência da legislação através de ações e práticas que se fazem para que a educação seja efetivamente inclusiva. A Educação Inclusiva para pessoas com necessidades especiais é um direito garantido pela constituição federal e, assim como todos os processos educacionais, traz diversos desafios, desta forma, com o objetivo de superar esses desafios e melhorar os aspectos que envolvem a educação inclusiva, foi implantado nas escolas públicas o Atendimento Educacional Especializado (AEE). De forma generalista, a legislação atual ampara as pessoas com necessidades especiais, partindo da prática da educação especial e os desafios de acolher o acesso deste público nas escolas possibilitando espaços e programas que favoreçam o acesso livre no ambiente escolar. Diante do cenário brasileiro, como que são realizadas as ações e estratégias da Educação Inclusiva sob o viés legislativo e que reflexões pode-se obter através do levantamento histórico dos direitos conquistados através da luta para que a educação seja plenamente inclusiva e que de fato seja um direito para todos, são os questionamentos que o presente artigo monográfico procura responder ao longo de seu desenvolvimento. Ressaltando que a educação é um direito de todos e que o sistema educacional devem se adaptar para atender o recebimento de alunos sem qualquer tipo de distinção, surgiram vários estudos, diretrizes e documentos políticos e filosóficos, com o objetivo de garantir este acesso a uma educação de qualidade sem preconceitos ou discriminações, respeitando a diversidade e singularidade da pessoa humana. Todavia, somente a mudança e evolução nas políticas públicas e educacionais não garantem a efetivação desta prática inovadora que deve ocorrer diariamente e progressivamente na realidade escolar. Ressaltando-se o estudo de autores importantes, como Mantoan, que desenvolve conceitos fundamentais acerca da inclusão escolar considerando as diferentes realidades escolares e baseando-se na constituição do processo de inclusão, referindo-se também a elementos da LDB/96, da Constituição Federal de1988 que dão ênfase no acesso a educação inclusiva. A inclusão escolar vem para recolocar as questões da igualdade e diferença além do universo escolar. Justificando-se que é importante destacar que a inclusão escolar é um processo continuo e participativo nos âmbitos culturais, sociais e políticos. E buscando teorizar as demandas que surgem no campo escolar aliando a práticas que possibilitam uma proposta de inclusão efetiva. O presente artigo estrutura-se em pesquisa bibliográfica e legislativa acerca do tema com o intuito de explanar os marcos históricos e legislativos quanto a Educação Inclusiva bem também refletir sobre a aplicação da legislação através da prática que favoreça e possibilita de fato uma inclusão escolar. 2 DESENVOLVIMENTO A medida em que a sociedade brasileira luta por direitos frente as causas sociais, se conquista leis que se façam valer a redução de danos do impacto das desigualdades sociais. Os problemas sociais são porta-vozes como indicativos de demandas a suprir. No campo da educação, a luta por igualdade a todos se faz através da luta por uma educação mais inclusiva que seja acolhedora e adaptativa. O marco desta luta perpassa pela construção da Educação Inclusiva, que pode ser entendida mais do que apenas uma característica do termo Educação como um todo. Mas, também é um movimento escolar que se faz como um atendimento ao direito de educação para todos. Em outras palavras podemos compreender que à medida que avançamos na busca de melhorias e evolução no atendimento educacional especializado no campo da Educação Inclusiva a conquistas por direitos que favoreça uma educação que acolhe e integra, traça-se um caminho mais igualitário que minimiza as desigualdades não somente educacionais, mas também sociais, uma luta por promoção de igualdade e garantia de direitos em todas as esferas cívicas e sociais. Dentro do movimento da Educação Inclusiva, se cumpre as leis específicas para que as pessoas com necessidades especiais possam exercer os mesmos direitos de educação a todos sob as mesmas condições dos demais cidadãos, porém é importante ressaltar que no campo das ações, há um longo trajeto que ainda necessita ser percorrido, como descrito na Cartilha IBDD: ―A luta das pessoas com deficiência pelo acesso a seus direitos começa, de alguma forma, a ganhar força. Como resultado de pressões institucionais e sociais diversas, podemos observar mais atenção da sociedade e do Estado e uma maior — mas ainda insuficiente — da legislação‖. (Cartilha IBDD dos direitos da pessoa com deficiência,2005.p.5) Logo, podemos compreender que o movimento de inclusão na rede regular de ensino exige uma re-organização no sistema educacional como um todo, através da busca constante de transformação nas suas ações, suas relações, suas práticas, seus conceitos, com o objetivo de garantir o direitoà educação de qualidade para todos, essencialmente na modalidade da Educação Inclusiva e Especial. Tais mudanças são necessárias, todavia, devem ocorrer por meio da reflexão coletiva, levando à percepção de que ser diferente é uma característica humana e comum a todos. Como diz Mantoan (2006, p. 206): ―Certamente não existe uma regra geral para construirmos esta escola que queremos – uma escola para todos. Mas podemo-nos aproximar cada vez mais dela, se encararmos as transformações das escolas que existem hoje da forma mais realística possível, abolindo tudo que nos faz pensá-las e organizá-las de acordo com modelos que as ―idealizam‖, como temos feito até então.‖ Reforça-se então que é totalmente necessária a ideia de que refletir sobre formas de oportunizar uma educação de qualidade valorizando as diferenças é um passo importante para a concretização de uma realidade mais inclusiva. De acordo com a Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional – 9394/96, art. 58, a educação especial é “a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais”(LDB, 1996, cap. V, art. 58). Desta forma, a inclusão escolar tem como objetivo de promover o acolhimento de todos os alunos sem exceção, sendo que aquele sistema de ensino que recusar-se a receber pessoas com necessidades especiais, é considerado ilegal sua prática, bem como a prática de criar uma outra turma que funcione exclusivamente com pessoas com necessidades especiais, é inadmissível dentro dos princípios da Inclusão presente na legislação atual. A Lei nº 7.853/89 dispõe sobre o apoio às pessoas com necessidades especiais e sua integração social, definindo como crime recusar, suspender, adiar, cancelar ou extinguir a matrícula de um estudante por causa de sua deficiência, em qualquer curso ou nível de ensino, seja ele público ou privado. A pena para o infrator pode variar de um a quatro anos de prisão, mais multa. Deste modo, é essencial e obrigatório que a rede de ensino, de forma geral, ofereça a rede de apoio e suporte adequada e tenha em seu quadro docente: professores qualificados para o apoio a esses alunos. O planejamento deve ser adaptado às necessidades específicas dos alunos com alguma deficiência, envolvendo atividades que levem em consideração suas necessidades e potencialidades, possibilitando a inclusão em classes comuns. O artigo 208 da Constituição Brasileira especifica que é um dever do Estado garantir “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”. Ressalta-se que não somente em escolas, como também em todos os espaços públicos deve haver mudanças para promoção da acessibilidade que assegurem o direito de ir e vir da pessoa com necessidades especiais livremente. Acima de qualquer diferença, somos todos cidadãos com deveres e direitos a serem cumpridos e assegurados pela sociedade. O interesse pela realização de uma educação efetivamente inclusiva é baseado em princípios políticos, culturais, sociais e pedagógicos, em defesa do direito que todos os alunos têm, de estarem juntos, interagindo, aprendendo e participando, sem nenhum tipo de discriminação. Fundamentada na concepção de direitos humanos, esta forma de educação valoriza as diferenças e propõe a eqüidade de direitos, evitando práticas excludentes dentro e fora do universo escolar. Um dos princípios fundamentais da escola com práticas inclusivas, ressaltado pela Unesco, é o de que “todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter” (UNESCO, 1994, p.4). Por tudo isso a inclusão implica uma mudança de perspectiva educacional, pois não se limita somente aos alunos com deficiência e aos que apresentam dificuldade de aprender, mas a todos os demais, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral. (MANTOAN, 2003, p.24) A educação inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção. É para o estudante com deficiência física, para os que têm comprometimento mental, para os superdotados, para todas as minorias e para a criança que é discriminada por qualquer outro motivo. Costumo dizer que estar junto é se aglomerar no cinema, no ônibus e até na sala de aula com pessoas que não conhecemos. Já inclusão é estar com, é interagir com o outro. (MANTOAN, in REVISTA NOVA ESCOLA, 2014, p.01). O pesquisador Sassaki (1997, página 167) cita o conceito de inclusão social como: ―Processo pelo qual a sociedade e o portador de deficiência procuram adaptar-se mutuamente, tendo em vista a equiparação de oportunidade e, conseqüentemente, uma sociedade para todos (…) A inclusão significa que a sociedade deve adaptar-se às necessidades da pessoa com deficiência para que esta possa desenvolver-se em todos os aspectos de sua vida.‖ 2.1 INCLUSÃO: MARCOS HISTORICOS NA SOCIEDADE E NA AREA EDUCACIONAL Ao longo da trajetória da luta e do movimento pela Educação Inclusiva houve muitos fatos que marcaram como novas conquistas de direitos na perspectiva da educação para todos, conforme é mencionado a seguir: A educação especial foi constituindo-se como sistema paralelo ao sistema educacional geral, até que, por motivos morais, lógicos, científicos, políticos, econômicos e legais, surgiram às bases para uma proposta de unificação. Então, nas décadas de 60 e 70 houve um grande movimento de desinstitucionalização retirando as pessoas com deficiências das instituições e inserindo na comunidade (MENDES, 2006, p. 388). Em 1977 ocorreu uma medida política que causou impacto na área de educação promologada como parte de uma lei pública nos Estados Unidos (USA, 1977), assegurando a educação pública como apropriada para todas as crianças com deficiências, instituindo oficialmente, em âmbito nacional (MENDES, 2006, p.389). No cenário brasileiro, a educação inclusiva ganhou espaço e relevância a partir da década de 1980, com a divulgação de dados alarmantes sobre o fracasso, a evasão e a repetência escolar. Consequentemente, devido ao aumento dessas demandas surgiu a necessidade de se criar classes e escolas especiais. Assim, a proposta para referida educação aparece no Art.208 da nossa constituição: Art. 208. O dever do estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I- educação básica obrigatória e gratuita dos 4(quatro) aos 17(dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; II- progressiva universalização do ensino médio gratuito; III- atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. O pesquisador Mazzota (1999) cita que a educação especial no Brasil é marcada por dois períodos, sendo o primeiro de 1854 a 1856 por iniciativa de oficiais e particulares isolada e o segundo de 1957 a 1993 com iniciativas oficiais de âmbito nacional. Dessa forma, a partir de 1990, devido às propostas e discussões acerca da educação inclusiva no Brasil se ampliarem, houve iniciativas da sociedade civil e do Estado na tentativa de buscar cumprir os compromissos nos encontros promovidos pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para tratar da Educação para todos. Sendo assim, a educação brasileira passa a defender as teorias e práticas acerca da inclusão, se mobilizando na reformulação de seus currículos, nas formas de avaliação, na capacitação dos professores e nas estruturas físicas, visando uma educação democrática. (MENDES, 2006). Ainda no cenário brasileiro, a Constituição Federal de 1988 e a Lei Federal nº 9.394/96, estabelecem que a educação é um direito de todos e que as pessoas com necessidades educacionais especiaisdevem ter atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino. Assim, as esferas dos sistemas estaduais e municipais, anunciaram as diretrizes políticas de reforma pelos princípios da inclusão, mas, no entanto, a legislação não menciona sobre procedimentos de avaliação, comprometendo o processo de implementação das propostas. Referente aos marcos históricos da Educação Inclusiva nota-se que ocorreram mudanças importantes tanto na sociedade e bem como no campo educacional, em benefício e melhoria do atendimento aos alunos com necessidades educacionais especais. Essencialmente, é importante ressaltar que os marcos históricos sobre a educação inclusiva envolveu também diversas ações de vários países em prol dos direitos humanos e da efetivação da inclusão escolar. 2.2 A GARANTIA DA INCLUSÃO ESCOLAR: FUNDAMENTOS LEGISLATIVOS O caminho legislativo em busca de uma Educação Inclusiva, que seja efetivamente inclusiva, é atravessado por propostas políticas e pedagógicas, com a finalidade pautada na transformação cultural escolar junto a inclusão escolar referindo- se ao acesso a bens de serviços educacionais. Desta forma, o atendimento específico as pessoas com necessidades especiais recebe a nomeação de Educação Especial, cujo o atendimento é garantido pela a Constituição Federal (1988), pela Lei de nº 9394/96 e a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1984) que estabelecem que a educação é direito de todos e deve ser garantido o atendimento educacional especializado aos alunos com deficiência. Sendo assim, a educação inclusiva tem como objetivo promover o desenvolvimento de pessoas com necessidades educativas especiais, contemplando diferentes níveis de educação e ensino de educação básica e nível superior (Parecer CNE/CEB Nº.17/2001). Tem como referenciais teóricos as leis que garantem a inclusão, com base na: Lei n°. 853/89 que dispõe sobre o apoio às pessoas com deficiências, sua integração social, assegurando o pleno exercício de seus direitos individuais e sociais; Declaração Universal dos Direitos Humanos (1984) que assegura o direito de todos à educação; Lei n°. 8.069/90 que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. O Estatuto da Criança e do Adolescente, entre outras determinações, estabelece, no § 1o do Artigo 2º: “A criança e o adolescente portadores de deficiências receberão atendimento especializado". Declaração Mundial de Educação para Todos na Tailândia, em 1990, Conferência Mundial de Educação para todos, que estabeleceu o plano de ação para universalizar o acesso à educação e promover a equidade de oportunidades a todos; Declaração de Salamanca (Espanha, 1994) na Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais - Acesso e Qualidade: “as pessoas com necessidades educacionais especiais devem ter acesso às escolas comuns que deverão integrá-las numa pedagogia centralizada na criança, capaz de atender a essas necessidades"; Lei n°. 9.394/96 que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Art. 4º, III – atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino; Portaria MEC n°. 1.679/99 que dispõe sobre os requisitos de acessibilidade a pessoas portadoras de deficiências para instruir processos de autorização e de reconhecimento de cursos e de credenciamento de instituições; Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação Básica, (Resolução CNE/CEB Nº 02/2001, determina que as escolas se organizem para o atendimento, em classes comuns, elaborando projetos políticos pedagógicos em consonância com a política de inclusão; Resolução CNE/CEB nº4/2009, Art. 3º e 4º que define a educação especial como uma modalidade de ensino transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, e teve disponibilizar recursos e serviços para realizar o Atendimento Especial Especializado de forma complementar ou suplementar à formação do seguinte público alvo: alunos com deficiência- aqueles que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, intelectual, mental ou sensorial; Alunos com transtornos globais do desenvolvimento- aqueles que apresentam um quadro de alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento nas relações sociais, na comunicação ou estereotipias motoras. Incluem-se nessa definição alunos com autismo clássico, síndrome de Asperger, síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da infância (psicoses) e transtornos invasivos sem outra especificação. Sobre as leis mencionadas, percebe-se que ao longo das décadas houve envolvimento e participação de vários países a favor dos direitos humanos, na busca e promoção de melhorias para que seja feita realmente uma educação inclusiva de qualidade. Estas leis ressaltam também, principalmente, a busca por garantia de condições no atendimento aos alunos com necessidades educativas especiais, bem como a conquista de direitos na busca da preservação da premissa "Educação para todos". Desta forma, a luta na busca em prol de ofertar uma educação democrática que garanta a inclusão de todos vem de longa data e são de extrema importância essas legislações e declarações, pois são garantias legais que determinam todas as ações para que a inclusão ocorra de forma verdadeiramente efetiva e plena. 2.3 A LEGISLAÇÃO NA PRÁTICA A partir que se ressalta a legislação vigente, que respalda a garantia de uma Educação Inclusiva, vamos de encontro à reflexão se na prática a teoria encontra vida através de ações que favoreçam realmente uma educação que seja plenamente inclusiva. Para que a inclusão escolar ocorra de fato, torna-se necessário, cada vez mais, uma transformação no espaço escolar, para que se consiga quebrar e vencer os paradigmas, em prol de atender à diversidade humana com ajuda de recursos materiais, humanos e financeiros. Intrinsicamente, quando partimos sobre o olhar do cenário real da inclusão escolar e visto as ações praticadas no campo das políticas públicas no contexto atual, percebe-se que há uma defasagem, pois os investimentos em recursos materiais e humanos em prol dessa demanda são insuficientes, o que torna um grande desafio para aqueles que são a linha de frente na Educação Inclusiva. Desta forma, a realidade da Educação Inclusiva torna-se um caminho desafiador para o gestor, pedagogo e educador criarem estratégias de acolhimento, bem como efetivar práticas condizentes com as necessidades desses alunos devido à carência de recursos. Ressalta-se que já existiu um projeto de lei para que nas escolas tenha os profissionais como psicólogos e assistentes sociais, mas infelizmente ainda não se concretizou, ocasionando atrasos para que a verdadeira inclusão aconteça, e importante ressaltar também a importância destes profissionais para que realmente ocorra uma educação que atenda as pessoas com necessidades especiais de forma integral e efetivamente inclusiva. Ressalta-se que uma legislação que tem como premissa que a educação é um direito de todos, deve ser também um dever de toda sociedade, em fazer-se que a premissa seja colocada em prática. Segundo Delors(1996) educação é um processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano. Desta forma, a educação ao longo do processo de desenvolvimento humano é uma construção contínua do ser humano de forma integral, do seu saber e das aptidões, mas também da sua capacidade de discernir e agir. A educação deve contribuir de forma a favorecer o Ser, enquanto Ser existente, a aprender a ser, ou seja, a tomar consciência de si próprio, do meio em que vive e a desempenhar o papel social que lhe cabe no mundo. Reforça-se que a Lei Federal nº 9394/96 (BRASIL, 1996), afirma que a educação é um de direito de todos e dever do Estado e em seu capítulo V,Art. 59, inciso I, declara que os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específica, para atender às suas necessidades educativas. Silva (2010), afirma que os desafios frente à inclusão são vários, mas é preciso ter sabedoria e descobrir as possibilidades para a garantia de uma educação para todos. Entre elas destaca-se: Investimento em recursos materiais didáticos adaptados, equipamentos tecnológicos, estrutura dos prédios escolares adaptados, com mobiliários adequados para atender os alunos com necessidades educativas; Investimento na formação permanente dos docentes para se especializarem com objetivo de atender a diversidade de alunos em sala de aula; Adequar um projeto político pedagógico que possa ser planejado e desenvolvido de acordo com as necessidades especiais dos alunos; Contratação de profissionais especializados como psicólogo e assistente social na possibilidade de trabalhar em equipe com os educadores, planejando e implementando estratégias para a efetivação da inclusão; A integração da família junto à escola. Dentre as possibilidades mencionadas, a prática da Educação Inclusiva de forma plena e efetiva no cenário brasileiro depende de fatores, como na promoção da conscientização e de esforço coletivo de todos envolvidos do sistema educativo e ciclo educacional. Essencialmente, torna-se também necessário uma revisão do envolvimento e conjunto de ações interligadas de todos os autores e atores do campo da Educação Inclusiva: pesquisadores, políticos, educadores, gestores, profissionais especializados, família e das pessoas com necessidades educativas especiais na garantia de uma educação de qualidade para todos. Ressalta-se também o dever do Poder Executivo brasileiro em proporcionar acesso efetivo à educação com qualidade, para que toda sociedade possa usufruir da capacitação intelectual e profissional para todos os cidadãos. 3 CONCLUSÃO Diante do levantamento dos marcos históricos e legislativos ao longo da construção do movimento da Educação Inclusiva no cenário brasileiro, podemos concluir, que para a mesma acontecer de forma plena é desafiante, pois inicialmente as escolas não foram pensadas para atender as diferenças, e a sociedade e a escola precisam produzir espaços reflexivos e de estratégia de trabalho para lançar um novo olhar para as práticas educativas. Através da exposição a reflexões sobre a prática no atendimento da legislação e efetivamente a educação seja inclusiva demanda ação política, cultural, motivação social e sobretudo, pedagógica. Proporcionar educação a todos, sem nenhum tipo de discriminação, é conferir validade a direito humano fundamental. Desta forma, a participação de todos os atores e autores do sistema educacional é necessária para a construção de uma cultura social respeitadora dos Direitos Humanos, bem como consolidar uma base social que garanta o êxito das políticas de inclusão. A partir da luta de uma causa, se minimiza um pouco das demais desigualdades, através da construção de uma sociedade mais inclusiva. Porém, para a minimização destas desigualdades e diferenças, mais do que apresentar teorias e legislar, torna-se necessário uma prática que dá vida ao discurso, que cria cenários e espaços para a aplicação dos direitos. Ou seja, é necessária uma prática que dialoga e seja repensada na procura de melhores alternativas e estratégias baseando-se na busca por mudanças que promovem adaptação a realidade e que atenda novas demandas que possam surgir. Uma prática que esteja em constante avaliação: quais as medidas que estão surtindo efeitos positivos e quais necessitam de melhorar. A teoria caminha lado a lado da prática e que esta prática seja o corpo material que as leis ganham vida e materialidade. Torna-se necessário obtermos mais conhecimento das leis que regem o país e assim, buscarmos desvendar as possibilidades do trabalho educacional brasileiro para uma qualidade eficaz. 4 REFERÊNCIAS DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, 1996. GOTTI, M. O. Integração e Inclusão: nova perspectiva sobre a prática da educação especial. In: MARQUEZINE, M. C. et al. (Org.). Perspectivas multidisciplinares em educação especial. Londrina: Ed. UEL, 1998. MACIEL, Diva Albuquerque e RAPOSO, Mírian Barbosa Tavares. Metodologia e construção do conhecimento: contribuições para o estudo da inclusão. In: KELMAN, Celeste Azulay, et. al. Desenvolvimento humano, educação e inclusão escolar. Brasília: Editora UnB, 2010. MACIEL. Maria Regina Cazzaniga. Portadores de eficiência a questão da inclusão social. São Paulo perspec. vol.14 no. 2 abril./junho 2000. 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