Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1 
A CRONOLOGIA DA CRUCIFIXÃO: 
Uma Visão Adventista Atualizada 
por André Reis, Ph.D. 
 
Autores adventistas consideram a crucifixão de Cristo em 31 AD como uma “âncora” que 
comprova a interpretação historicista dos períodos proféticos de Daniel começando em 457 a.C.1 
O presente artigo fornece uma abordagem interdisciplinar para a cronologia da crucifixão a partir 
de uma leitura atenta do texto bíblico, o calendário lunar judaico do primeiro século AD e 
aspectos astronômicos do calendário lunar. 
 
Dados Cronológicos nos Evangelhos 
 
A fim de abordar adequadamente as questões relacionadas com a data da crucifixão, é 
importante considerar certos aspectos cronológicos encontradas no Novo Testamento. 
 
1. Mateus 2: 1, 19: E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes”; 
“Morto, porém, Herodes” (ACRF). 
2. Lucas 3:1–2: “No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos 
governador da Judéia, Herodes, tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe, tetrarca da região da Ituréia 
e Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene, sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra 
de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. 
3. Lucas 3:23: “Ora, tinha Jesus cerca de trinta anos ao começar o seu ministério…” 
4. João 2:20: “Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, 
em três dias, o levantarás? 
Abaixo analisamos esses detalhes brevemente, pois afetam a cronologia da crucifixão. 
 
 
 
––André Reis, Ph.D. é bacharel em Teologia pelo UNASP e doutor em Novo Testamento pela 
Universidade Adventista de Avondale. 
 
1 Veja Grace Amadon, “Ancient Jewish Calendar Construction,” Ministry Magazine, March–April issues (1944); ibid., “The 
‘Wednesday’ Crucifixion Argument,” Ministry Magazine, May–June (1942); ibid., “The Crucifixion Calendar,” Journal of 
Biblical Literature 63/2 (June 1944): 177–190; ibid., “Ancient Jewish Calendation,” Journal of Biblical Literature 61/4 (Dec 1942): 
227–280; C. Mervyn Maxwell, God Cares, vol. 1 (Boise, ID: Pacific Press Publishing Association, 1981), 260–3; Juarez R. de 
Oliveira, Chronological Studies Related to Daniel 8:14 and 9:24–27 (Engenheiro Coelho, SP, Brasil: Imprensa Universitária 
Adventista, 2004), 46; Henderson Velten e Juarez de Oliveira, A Astronomia e a Glória do Adventismo: Um Estudo Sobre a Precisão 
do Cálculo Profético de Daniel 8:14 e 9:24–27 (Laranja da Terra, Brazil: Editora Luz do Mundo, 2019), 187–235. 
 2 
1. l=k~ëÅáãÉåíç=ÇÉ=gÉëìë=É=~=jçêíÉ=ÇÉ=eÉêçÇÉë 
O ano 4 a.C. como o ano da morte de Herodes foi inicialmente proposto por Emil Schürer 
no final do século XIX. No entanto, muitos estudiosos têm questionado essa conclusão.2 Por 
exemplo, Paul Maier propôs o ano 1 a.C. como o ano da morte de Herodes, João Pratt 1 AD e 
Andrew Steinmann 1 a.C.3 Esses desafios são baseados em parte nas informações fornecidas por 
Josefo. Em primeiro lugar, Josefo diz que Herodes tinha quase setenta anos de idade quando 
morreu, enquanto em 4 aC, teria 67. Segundo, Josefo fala de um eclipse lunar pouco antes da 
morte de Herodes, geralmente aceito como o eclipse de 13 março 4 aC, mas o tempo entre este 
eclipse e Páscoa em 4 aC tem sido chamado de “o mês impossível” porque Josefo descreve uma 
série de eventos entre a morte de Herodes e a próxima Páscoa que exige muito mais do que os 29 
dias permitidos em 4 a.C. (com uma Páscoa na lua cheia de 11 de abril).4 O próximo eclipse 
lunar que permitiria tempo suficiente para todos os eventos antes da Páscoa poderia ser o eclipse 
de 10 de janeiro, 1 a.C., que permite um total de 92 dias antes da Páscoa.5 Neste caso, Jesus 
poderia ter nascido no ano 2 a.C. o que se encaixa bem com os 30 anos de Jesus no 15º ano de 
Tibério, ano esse que analisaremos em seguida. 
 
2. l=a¨Åáãç=nìáåíç=^åç=ÇÉ=qáĨêáç 
Lucas oferece talvez a mais importante informação cronológica sobre o ministério de Cristo 
quando diz que João Batista começou seu ministério no décimo quinto ano do imperador romano 
Tibério. A datação adventista tradicional desse ano baseia-se numa suposta corregência com 
Augusto em 11–12 AD, que poria seu 15o ano entre 26–27 AD. Essa datação foi inicialmente 
proposta pelo padre católico James Ussher, no século XVI.6 No entanto, este cálculo também tem 
sido questionado recentemente porque, embora existam registros de um período no qual o 
 
2 Emil Schürer, A History of the Jewish People in the Time of Jesus Christ, 5 vols. (New York, NY: Scribners, 1896). Veja Ormond 
Edwards, “Herodian Chronology” Palestine Exploration Quarterly 114 (1982) 29–42; W. E. Filmer, “Chronology of the Reign of 
Herod the Great,” Journal of Theological Studies 17 (1966): 283–298; Paul Keresztes, Imperial Rome and the Christians: From 
Herod the Great to About 200 AD (Lanham, MD: University Press of America, 1989), 1–43; Ernest L. Martin, The Birth of Christ 
Recalculated, 2nd ed. (Pasadena, CA: Foundation for Biblical Research, 1980); ibid., “The Nativity and Herod’s Death,” in 
Chronos, Kairos, Christos: Nativity and Chronological Studies Presented to Jack Finegan, ed. Jerry Vardaman and Edwin M. 
Yamauchi (Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1989), 85–92. 
3 Paul Maier, “Sejanus, Pilate and the Date of the Crucifixion,” Church History 37/1 (1968): 3–13; John Pratt, “Yet Another 
Eclipse for Herod,” The Planetarian 19/4 (Dec. 1990): 8–14; Andrew E. Steinmann, “When Did Herod the Great Reign?” Novum 
Testamentum 51 (2009): 1–29; Josefo, Guerras dos Judeus, 1:646; Antiguidades dos Judeus, 17:191. 
4 Pratt, “Another Eclipse,” 9; Josefo, Antiquities of the Jews 17.168–205. Este eventos são: (1) a enfermidade de Herodes se agrava; 
(2) Herodes é levado 16 km a um lugar de águas termais mas volta ainda doente; (3) Herodes chama a todos os oficiais de todas 
as aldeias (100–120 km); (4) Seu filho Antipater é executado e Herodes morre 5 dias depois; (5) um funeral suntuoso é planejado 
e executado; seu cuerpo é levado 40 km e enterrado; (6) um luto de 7 dias começa, seguido de uma festa; (7) outro luto público 
para os patriotas assassinados por Herodes antes do eclipse. Cf. Steinmann, “When Did Herod the Great Reign?”; Ernest L. 
Martin, (The Birth of Christ Recalculated [Pasadena, CA.: Foundation for Biblical Research, 1980], 29–34) e Timothy David 
Barnes (“The Date of Herod’s Death,” Journal of Theological Studies 19 [1968]: 204–19), propõem 54 e 60 dias respectivamente. 
5 W. Filmer, “Chronology of the Reign of Herod the Great,” Journal of Theological Studies 17 (1966): 283–298. 
6 Veja I. Howard Marshall, The Gospel of Luke: A Commentary on the Greek Text. The New International Greek Testament 
Commentary (Exeter: Paternoster Press, 1978), 133. 
 3 
Senado atribuiu funções especiais a Tibério (tribunicia potestas e imperium maius), não há 
evidências de que o reinado de Tibério tenha sido calculado a partir de nenhuma outra data 
exceto da morte de Augusto (Agosto–setembro de 14 AD).7 Josefo, por exemplo, considera Tibério 
como imperador somente após a morte de Augusto.8 Evidências arqueológicas também 
confirmam que o primeiro ano de Tibério começou em 14 AD.9 O historiador romano Tácito 
relata que Tibério morreu no ano 23 do seu reinado e Suetônio relata que ele tinha 78 anos de 
idade, quando morreu em 37 AD.10 Considerando a forte evidência do nascimento de Cristo por 
volta do ano 2 aC, as informações fornecidas por Lucas 3:23 os “cerca de trinta anos” de Jesus 
quando começou seu ministério se encaixam bem com o décimo quinto ano de Tibério no ano 
29–30 AD. Portanto, seu décimo quinto ano no cálculo de Lucas provavelmente acompanhou o 
cômputo Juliano, começando em 14 AD. Em 29–30 AD, João começou a pregar e Jesus seguiu 
pouco depois, completando um ministério de 3,5 anos (4 Páscoas) de acordo com o Evangelho 
de João. Os estudiosos também apontaram que o termo usado por Lucas para se referir a Teófilo, 
“kratiste,” “excelente” é reservado aos oficiais romanos no livro de Atos (23:26, 24:2), o que 
indicaria que Teófilo como possíveloficial romano seguiria essa datação do reinado de Tibério.11 
Portanto, o cálculo do reinado de Tibério a partir de uma suposta corregência com Augusto 
baseado em um cálculo bastante sombrio de Siro-Macedonio é, no melhor dos casos, 
especulativo. Ao comentar as evidências em favor do 29 AD Como o começo do ministério de 
João, Richard W. Husband concluiu mais de um século atrás: 
 
A opinião, portanto, de que o verso de Lucas definindo o momento em que a palavra do Senhor veio a 
João, refere-se ao ano 26, é contrário à opinião dos historiadores sobre a data do início do reinado de 
Tibério, é contrária à opinião da igreja primitiva, é contrária à opinião de Josefo e Filo, é refutada pela 
evidência de papiros e inscrições, não tem apoio do uso da palavra ἡγεμονία [de Tibério] ... Portanto, o 
versículo de Lucas deve ser interpretado naturalmente, o que torna a evidência conclusiva de que o 
ministério de Jesus não poderia ter começado até o 29º ano, no mínimo.12 
 
3. môåÅáç=máä~íçë=å~=gìǨá~ 
Josefo afirma que Pilatos foi nomeado procurador da Judéia 11 anos após o início do reinado 
de Tibério e permaneceu lá por 10 anos, quando foi convocado a Roma em 36 AD. Este período 
 
7 Veja Brian Messner, “In the Fifteenth Year” Reconsidered: A Study of Luke 3:1,” Stone-Campbell Journal 1/2 (1998): 201–211. 
8 Josefo, Ant., 18.33. 
9 Husband, “The Year of the Crucifixion,” 26, cita a inscrição em homenagem a um certo Germanicus que morreu em 19 AD: 
Anno V Ti. Caes(aris), i.e., “No 5o ano de Tibério César.” 
10 Annals, 4:1; 6.45, 50, 51; Tiberius 73:1; Veja The Lives of the Twelve Caesars by C. Suetonius Tranquillus, Loeb Classical 
Library, 1913), 397. 
11 Marshall, The Gospel of Luke: A Commentary on the Greek Text, 43; Jacques Doukhan, Drinking at the Sources (Boise, ID: 
Pacific Press, 1981), 135. 
12 Richard W. Husband, “The Year of the Crucifixion,” Transactions and Proceedings of the American Philological Association 46 
(1915): 26. 
 4 
é geralmente aceito como 26–36 AD.13 Seu período na Judéia teve duas fases, uma de confronto 
aos costumes judaicos, seguida de uma fase de tolerância.14 Estudiosos argumentam que a 
tolerância de Pilatos em relação aos judeus começou após a morte de seu protetor em Roma, 
Sejano, um notório anti-semita, que foi executado como traidor por Tibério em 18 de outubro de 
31 AD.15 Maier argumenta que essa dependência de Sejano é evidente na ameaça dos judeus de 
denunciá-lo a Tibério, possivelmente por causa de conluio com Sejano (veja João 19:12). A perda 
do status de amicus Caesaris (“amigo de César”) era uma sentença de morte. 
Por fim, as moedas do período de Pilatos também mostram uma mudança na política após 31 
AD, o que pode indicar o consentimento de Pilatos aos judeus após 31 AD. A instituição do 
costume de libertar um prisioneiro antes da Páscoa pode inclusive ser uma evidência disso.16 
 
4. ^=`çåëíêì´©ç=Çç=qÉãéäç=eÉêçÇá~åç 
João 2:20 estabelece o início do ministério de Cristo aproximadamente 46 anos depois da 
construção do templo de Herodes. Josefo diz que a obra inicial de restauração do templo começou 
cerca de 10 anos após a guerra de Áctio (2 de setembro de 31 a.C.), ou seja, no final de 21 ou na 
primavera 20 aC, e foi concluída cerca de 18 meses mais tarde, entre fins de 18 a.C. e a primavera 
de 17 a.C., estabelecendo assim o ano 46 da sua conclusão antes da Páscoa, 30 AD (considerando-
se que não há um ano 0).17 A restauração continuou depois disso e só foi finalizada em 64 AD, 6 
anos antes da sua devastação pelos Romanos. 
Assim, a informação histórica fornecida nos Evangelhos questiona a cronologia tradicional e 
coloca o início do ministério de Cristo de forma bastante decisiva entre 29 e 30 AD. Com isso 
em mente, agora nos concentramos no impacto desses dados na cronologia da semana da Paixão. 
 
A Cronologia da Páscoa no Primeiro Século AD 
 
Esta seção trata dos temas que giram em torno da cronologia da Páscoa como encontrada nas 
Escrituras. De acordo com o Antigo Testamento e a tradição judaica no tempo de Jesus, o 
seguinte era o cronograma da Páscoa, de 13–16 de Nisã, os dias mais importantes para os nossos 
propósitos neste estudo. Os leitores devem ter em mente que o dia judaico começava ao 
 
13 Josefo, Ant., 18.33–35, 89. 
14 Ibid., 18.3, 1, 55–59; Guerras, 2.9, 2–3. 
15 Veja Paul Maier, “Sejanus, Pilate and the Date of the Crucifixion,” Church History 37/1 (1968): 3–13; Harold Hoehner, 
“Pontius Pilate,” Dictionary of Jesus and the Gospels, 615; Everett Ferguson, Backgrounds of Early Christianity (3ed.; Grand 
Rapids: Eerdmans, 2003), 32; Craig Keener, The Gospel according to John: A Commentary (Peabody, MA: Hendrickson, 2003) 
2:1128; E. Mary Smallwood, The Jews under Roman Rule: From Pompey to Diocletian (Leiden: Brill, 1976), 167–170; Brian E. 
Messner, “ ‘No friend of Caesar’: Jesus, Pilate, Sejanus, and Tiberius,” Stone-Campbell Journal 11/1 (2008): 47–57. Suetonius 
Tiberius 61.2; Tacitus Annals, 6.18–19 and Dio Cassius 58.14.1. 
16 Ethelbert Stauffer, “Zur Münzprägung und Judenpolitik des Pontius Pilatus,” La Nouvelle Clio, I & II (1949–1950), 495–514 
citado por Paul Maier, “Sejanus, Pilate and the Date of the Crucifixion,” Church History 37/1 (1968): 3–13. 
17 Josefo, Ant., 15.354; 421; Guerras, 1.398–399. 
 5 
entardecer. Este diagrama não é uma lista exaustiva e não possui os dias da semana, os quais são 
complementados posteriormente neste artigo após a análise dos dados. 
 
A CRONOLOGIA DA PÁSCOA –- PRIMEIRO SÉCULO AD 
13 de Nisã 
14 de Nisã 
Erev Pesach = “véspera da Páscoa” 
“dia da preparação dos judeus” 
15 de Nisã 
Páscoa – Pães Asmos 
16 de Nisã 
Festa das Primícias 
Noite Dia Noite Dia Noite Dia Noite Dia 
Fermento tirado das casas à 
noite à luz de velas e 
queimado 
 
 
 
 
Fermento 
queimado até o 
meio dia 
 
Trabalho 
permitido até o 
meio 
 
Cordeiro pascal 
sacrificado à 
tarde 
 
 
 
*Cordeiro 
pascal comido 
depois do pôr 
do sol 
 
*Primeiro dia 
da Páscoa 
 
* Festa dos 
Pães Asmos 
começa e dura 
7 dias 
“Santa 
convocação” 
(Êxo 12:16) 
“grande dia” 
de sábado = 
“santa 
convocação” 
do primeiro 
dia da Páscoa 
(Êxo 12:16) 
 
Festa das 
Primícias: molho 
de cevada 
apresentado no 
templo 
 
 
A questão que está em jogo na determinação da cronologia da Semana da Paixão é se Jesus 
foi crucificado no próprio dia da Páscoa (15 de Nisã) ou “véspera da Páscoa” (14 de Nisã) quando 
o cordeiro a Páscoa era sacrificado. A aparente discrepância é criada pela cronologia de Marcos 
(seguida por Mateus e Lucas) que parece indicar que Jesus e os discípulos celebraram a Páscoa 
na quinta-feira, enquanto João afirma que os judeus ainda não tinha comido o cordeiro pascal na 
sexta-feira pela manhã (João 18:28; 19:14, 31). Todos os evangelhos indicam que Cristo morreu 
no dia anterior ao sábado semanal (Marcos 15:42; Mateus 27:62; Lucas 23:54; João 19:42). 
Em seguida, analisaremos as evidências dos Evangelhos segundo uma leitura mais provável 
dos Sinóticos em relação a João. 
 
A “Última Ceia” nos Evangelhos Sinóticos 
 
A primeira questão que devemos abordar ao tentar datar a crucifixão é se a Última Ceia nos 
Evangelhos Sinóticos foi realmente uma celebração completa da Páscoa com cordeiro e tudo, ou 
um jantar diferente. Estudiosos têm reconhecido que a seqüência de eventos da Paixão, como 
descrito na cronologia de Marcos (seguido por Mateus e Lucas) e o Evangelho de João não parece 
ser uma correspondência exata com João, se os Sinóticos são tomados de forma rígida. Em uma 
tentativa de conciliar os Sinóticos com o Evangelho de João, Annie Jaubert argumentou que Jesus 
celebrou a Páscoa na quinta-feira como o calendário essênio segundo os Sinóticos, enquanto a 
Páscoa em João ocorre de acordo com o calendário oficial do templo segundo o qual o cordeiro 
era sacrificado no templo antes do pôr do sol em 14 de Nisã e o comido depois do anoitecer, na 
tarde do dia 15 de Nisã. Na década de 1940, a pesquisadora adventista Grace Amadon––em6 
contravenção à prática judaica aceita e a fim de acomodar sua leitura dos relatos Sinóticos e 
Joanino–– argumentou que o cordeiro da Páscoa era sacrificado antes do pôr do sol em Nisã 13.18 
Ambas ideias foram amplamente rejeitadas por estudiosos.19 
Lido muito rapidamente, Marcos parece indicar que Jesus celebrou a Páscoa na noite de 
quinta-feira. No entanto, há sérios problemas com esta leitura, como delineados abaixo: 
 
a. Os judeus não queriam crucificar Jesus durante a “festa” da Páscoa (Marcos 14:2); 
b. Nenhuma menção é feita ao sacrifício do cordeiro pascal para a Última Ceia; 
c. Barrabás teria sido liberto depois que a Páscoa já havia começado, o que criaria um 
anacronismo (Marcos 15:6–20); 
d. Jesus teria sido preso, julgado e crucificado num dia de Páscoa, um dia de “santa 
convocação” e um sábado festivo para os judeus; 
e. José de Arimatéia compra um pano de linho durante um sábado de Páscoa (Marcos 15:46, 
veja João 13:26); 
f. A crucifixão em 15 de Nisã quebra a tipologia do cordeiro pascal, que era morto em 14 de 
Nisã; 
g. A ressurreição de Jesus no domingo quebra a tipologia da Festa das Primícias, que teria 
acontecido no sábado de manhã, 16 de Nisã de acordo com uma sexta-feira 15 de Nisã 
 
Assim, embora a cronologia da Paixão no Evangelho de Marcos parece indicar que Jesus celebrou 
a Páscoa com seus discípulos, esta não parece ser a leitura mais plausível do texto por várias razões 
e uma conclusão alternativa deve ser oferecida. 
Primeiramente, a declaração de Marcos: “ E, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, 
quando se fazia o sacrifício do cordeiro pascal, disseram-lhe seus discípulos: Onde queres que 
vamos fazer os preparativos para comeres a Páscoa?” (14:12), pode indicar que se trata do dia em 
que os preparativos eram feitos para a Festa dos Pães Asmos (13 de Nisã) e o dia 14 começaria ao 
pôr-do-sol daquela tarde. Curiosamente, enquanto Lucas mantém a explicação “quando eles 
sacrificaram o cordeiro pascal,” Mateus a elimina. Como o dia judaico começa ao anoitecer, os 
Sinóticos pode estar indicando que a Última Ceia ocorreu na noite de 14 de Nisã (quinta-feira), 
o primeiro dia do festival. Em segundo lugar, nenhum dos Sinóticos afirma que eles “comeram” 
a Páscoa, isto é, o cordeiro, mas simplesmente o prepararam, o que provavelmente significa que 
os eventos foram organizados para o que ocorreria no dia seguinte, 14 de Nisã.20 A ausência de 
elementos de Páscoa nos Evangelhos Sinóticos––e a completa ausência de qualquer menção da 
 
18 Amadon., “Ancient Jewish Calendation,” 245. Veja a crítica das idéiade de Amadon em Richard A. Parker, “Ancient Jewish 
Calendation: A Criticism,” Journal of Biblical Literature 63/2 (June 1944): 173–176. 
19 Annie Jaubert, The Date of the Last Supper (New York: Alba House, 1965). Veja also Barry D. Smith, “The Chronology of the 
Last Supper,” Westminster Theological Journal 53 (1991): 29–45; Veja Massey Shepherd Jr., “Are Both the Synoptics and John 
Correct about the Date of Jesus’ Death?” Journal of Biblical Literature (1961): 123–132; Veja Livro dos Jubileos, 49:1, 2, 10–12. 
20 Veja Yaakov Meir Strauss, “The Erev Pesach Chagigah-Offering,” in Three Special Days: A Young Boy and His Family Celebrate 
Pesach During the Time of the Second Temple (Jerusalem/New York: Feldheim Publishers, 2003), 146–161. 
 7 
Páscoa na Última Ceia em João––têm levado estudiosos a entender que os preparativos para a 
Páscoa descritos nos Sinóticos referem-se aos preparativos necessários para os judeus nos dias 13–
14 de Nisã, sendo que o 14 constitui o que ainda é chamado no judaísmo de Erev Pesach, a 
“véspera da Páscoa.” 
O Talmude de Jerusalém Pesachim 1:1 também indica que os preparativos para a Páscoa 
começavam com a remoção do fermento na noite de 13 de Nisã ao pôr do sol: “Na noite antes 
do décimo quarto [13 de Nisã] procuram fermento luz de velas.” Assim, a preparação da sala onde 
a Última Ceia aconteceu, pelos discípulos durante o dia quinta-feira 13 de Nisã, encaixa bem 
como a remoção do fermento e outros preparativos para a festa. Em terceiro lugar, todo judeu 
tinha que fornecer seu próprio cordeiro pascal (isto não poderia ser delegado a outra pessoa), e o 
complexo processo necessário para sacrificá-lo incluía obter um cordeiro, ir ao templo, esperar 
horas––devido ao grande número de sacrifícios oferecidos––trazer o cordeiro de volta para casa 
para assá-lo e comê-lo, sem falar dos preparativos adicionais, tais como amassar e assar o pão sem 
fermento, preparar ervas amargas, obter os oinos (vinho), etc. Não há nos Sinóticos nenhuma 
indicação de que Jesus e os outros discípulos tenham passado por esse processo e sacrificado o 
cordeiro no templo naquele dia. 
Que tipo de celebração os Sinóticos descrevem então, se não foi a Páscoa? Quando lemos os 
Sinóticos em comparação com João––que coloca a Última Ceia “antes da Páscoa” (João 13:1)–– 
esta refeição não poderia ter sido a Páscoa, mas sim uma refeição particular de Jesus com os 
discípulos em preparação para as festividades da Páscoa em estilo da refeição judaica seudat 
mitzvah.21 Podemos encontrar evidência disso em duas declarações feitas por Jesus em Mateus 
26:18: “E ele lhes respondeu: Ide à cidade ter com certo homem e dizei-lhe: O Mestre manda 
dizer: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos”; e 
Lucas 22:15: “E disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes do 
meu sofrimento.” Essas duas declarações indicam uma celebração privada com os discípulos 
“antes” do sacrifício do cordeiro pascal; Jesus, sabendo que iria cumprir a tipologia da Páscoa no 
dia seguinte, instituiu a Última Ceia enquanto ainda havia tempo.22 
Esta leitura da Última Ceia como se encontra nos Sinóticos remove as aparentes discrepâncias 
entre a cronologia de Marcos e a cronologia do Evangelho de João, como vemos a seguir. 
 
A Paixão no Evangelho de João 
 
João oferece os seguintes dados cronológicos da Paixão: 
 
a. A Última Ceia acontece “antes da festa da Páscoa” (João 13:1); 
 
21 Veja David H. Stern, Jewish New Testament Commentary (Clarksville, MD: Jewish New Testament Publications, Inc., 1992), 
77. 
22 Além disso, há evidências que a igreja primitiva celebrava a Santa Ceia como uma “refeição agape” que era uma celebração 
da vida cristã para comunhão e ação de graças sem referência à Páscoa. 
 8 
b. Os discípulos entendem que Jesus instruiu Judas a comprar algo para a festa, mas os 
mercados estariam fechados para o sábado de Páscoa 15 de Nisã (João 13:26); 
c. João 18:28 indica que no dia em que Jesus foi crucificado os judeus ainda não tinham 
comido o cordeiro pascal; 
c. João 19:14, 31 colocam a crucifixão antes do sábado semanal––em uma sexta-feira, “a 
parasceve pascal” (19:14, ARA)––que naquele ano coincidiu com o sábado do primeiro dia da 
Páscoa (15 de Nisã): “ 
e. João 19:42 reitera que Jesus foi crucificado na “preparação dos judeus,” isto é, antes do 
sábado semanal 
 
Há quem defenda que a festa da Páscoa já havia começado na noite de quinta-feira e que os 
judeus não queriam se contaminar para continuar celebrando a Páscoa na sexta-feira. Mas esta 
leitura cria uma série de problemas. Primeiro, a expressão “comer a Páscoa” em João 18:28 refere-
se inequivocamente a comer o cordeiro pascal no dia 15 de Nisã logo após o pôr do sol. Segundo, 
os líderes judeus queriam evitar matar Jesus durante a Páscoa, como lemos em Marcos 14:1–2: 
“Dali a dois dias, era a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos; e os principais sacerdotes e os escribas 
procuravam como o prenderiam, à traição, e o matariam. Pois diziam: Não durante a festa, para 
que não haja tumulto entre o povo.” Esse receio pode ser visto nos esforços por parte dos judeus 
de evitar transgredir as celebrações da Páscoa, na maneira em que se apressaram para julgar Jesus 
tarde da noite na quinta e na madrugada da sexta-feira, agilizaram uma crucifixão antes do início 
da Páscoa e do sábado e pediram a remoção doscorpos da cruz para evitar profanar tanto o sábado 
quanto a Páscoa. Há que lembrar que o dia 15 de Nisã era um dia de descanso sabático e a idéia 
de que os judeus iriam participar em um julgamento e uma crucifixão no primeiro dia de Páscoa 
e ainda um sábado de “santa convocação” (Exod 12:16) é simplesmente insustentável. 
 
1. A “preparação da Páscoa.” João 19:14 diz: “E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; 
e disse aos judeus: Eis aqui o vosso Rei.” Há quem sustente que a “preparação para a Páscoa” era 
simplemente uma “sexta-feira da semana da Páscoa.” Mas o termo técnico para o dia da semana 
judaica entendida como “sexta-feira” não é realmente paraskeue (lit. “preparação”), mas 
prosábbaton, “antes de sábado,” conforme explicado em Marcos 15:42: “Ao cair da tarde, por ser 
o dia da preparação [paraskeue], isto é, a véspera do sábado [prosábbaton].” Além disso, se 
paraskeue por si só é um” termo técnico para sexta-feira, devemos perguntar por que João 
acrescenta tou pascha (“da Páscoa”) para a expressão se ele já havia indicado em 18:28 que esses 
eventos estavam acontecendo durante a Páscoa. Por essa razão, deve haver uma explicação mais 
convincente para esta nota explicativa de João.23 
O fato é que tomar paraskeue tou pascha como “sexta-feira da semana da Páscoa” remove um 
importante contexto semítico dessa expressão. Devemos ter em mente que o Novo Testamento 
foi escrito em grego por judeus palestinos que freqüentemente pensavam em hebraico e 
 
23 Alberto Treiyer, “The Chronology of Passover and the Passion According to the Bible, the Astronomy, and the Spirit of 
Prophecy,” (manuscrito não-publicado, 2019). 
 9 
aramaico, mas escreviam em grego, o que produzia construções sintáticas que os gregos não 
escreveriam. Muitas vezes, o grego do NT deve ser traduzido em aramaico ou hebraico para 
esclarecimento. Um bom exemplo é o livro de Apocalipse, que está cheio de hebraísmos.24 Como 
muitos comentaristas de João indicam, a frase grega paraskeue tou pascha em João 19:14 
provavelmente tem a frase técnica hebraica erev pesach, lit. “a véspera da Páscoa” (cf. a ARA 
“parasceve pascal”) como pano de fundo, que se refere ao dia anterior à festa da Páscoa––14 de 
Nisã––quando o cordeiro pascal era sacrificado.25 Os regulamentos para o que ainda é observado 
como o Erev Pesach são encontrados no antigo livro de leis judaicas, o Mishnah, e permanecem 
em vigor até hoje no judaísmo.26 
Além de Erev Pesach, também parece claro que João usa paraskeue para se referir aos 
preparativos para o sábado semanal em João 19:31 e 42, onde ele usa “paraskeue ton Ioudaion,” 
“a preparação dos judeus” para o sábado semanal. Aqui, novamente, devemos nos perguntar se 
seria necessário adicionar o adjetivo “judeu” se paraskeue por si só significasse “sexta-feira.” O 
que emerge aqui é que estamos lidando com diferentes significados da palavra paraskeue, regidos 
pelo genitivo tou pascha e ton Ioudaion. Isso indica que João tem diferentes aplicações para a 
palavra em mente: um paraskeue se aplica à “véspera da Páscoa” e o outro se aplica ao sábado 
judaico. Tomado em conjunto, portanto, o uso de paraskeue por João para tanto a “véspera da 
Páscoa”/Erev Pessach bem como para o “dia judeu de preparação” para o sábado semanal indica 
inequivocamente que a Páscoa/15 de Nisã nesse ano caiu no sábado e não sexta-feira. 
E há uma razão teológica muito importante pela qual João destaca os eventos que acontecem 
na “véspera da Páscoa”: Jesus morreu exatamente quando os cordeiros pascais estavam sendo 
sacrificados no templo, demonstrando que Ele cumpriu a tipologia de cordeiro da Páscoa como 
“o cordeiro de Deus” (João 1:29, 36; cf. 19:36). Até a hora da crucifixão é relevante para João: 
enquanto Marcos coloca a crucifixão de Jesus na terceira hora, ou seja, 9:00 da manhã (cf. Mar 
15:25), João atrasa sua liberação para ser crucificado para o “meio-dia” (cf. 19:14). A partir deste 
momento, até que chegasse ao Gólgota carregando a cruz e morresse, deve ter levado várias horas, 
o que justapõe a sua morte ao momento em que os cordeiros eram oferecidos no templo antes do 
pôr do sol de 14 de Nisã. Gerald L. Borchert declara sobre este ponto: “Esse dia era o dia em que 
o Cordeiro de Deus seria sacrificado para a última Páscoa. Esse dia era o mesmo em que o povo 
 
24 Veja Salomon Glassius, Philologiae sacrae qua totius sacrosanctae Veteris & Novi Testamenti, scripturae, tum stylus & Literatura, 
tum sensus & genuinae interpretationis ratio expenditur, 5 vols., 5th ed. (Frankfurt: 1623); G. Adolf Deissmann, Bible Studies: 
Contributions Chiefly from Papyri and Inscriptions to the History of the Language, the Literature, and the Religion of Hellenistic 
Judaism and Primitive Christianity, 2nd ed., trans. Alexander Grieve (Edinburgh, 1909); James W. Voelz, “The Language of the 
New Testament,” ANRW II.25.2: 894–977; Max Wilcox, “Semitisms in the New Testament,” ANRW II.25.2: 977–1029; Steven 
Thompson, Apocalypse and Semitic Syntax (Cambridge, UK: Cambridge University Press, 1985), 1. 
25 Solomon Zeitlin, “The Date of the Crucifixion According to the Fourth Gospel,” Journal of Biblical Literature 51/3 (1932): 
268. 
26 Veja Shulchan Aruch Orach Chayim, Misnah Berurah: The Classic Commentary to Shulchan Aruch Orach Chayim Comprising 
the Laws of Jewish Conduct, ed. Rabbi Aviel Orenstein, vol. 5B (Jerusalem: Pisgah Foundation, 1995), 225–257. 
 10 
de Israel sacrificava o cordeiro, preparando-se para a celebração da Páscoa. O simbolismo é tão 
poderoso que é quase irresistível em suas implicações.”27 
 
2. O “grande dia” de sábado. João 19:31 diz: “Então, os judeus, para que no sábado não ficassem 
os corpos na cruz, visto como era a preparação, pois era grande o dia daquele sábado, rogaram a 
Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados.” Há quem diga, por exemplo, que a 
festa da Páscoa não era um sábado completo portanto, este “grande dia” de sábado em João 19:31 
é um sábado especial porque ocorreu dentro da semana da Páscoa e que o sábado semanal era 
mais sagrado do que o sábado de Páscoa, dia de santa convocação. O objetivo desse argumento é 
tenta minimizar este “grande dia” de santa convocação a fim de manter 15 de Nisã na sexta-feira. 
Mas este argumento ignora que a referência a este “grande dia” de sábado (megale hemera ekeinou 
tou sabatou) é derivado de Êxo 12:16, que diz sobre a Páscoa: “Ao primeiro dia, haverá para vós 
outros santa assembléia; também, ao sétimo dia, tereis santa assembléia; nenhuma obra se fará 
nele, exceto o que diz respeito ao comer; somente isso podereis fazer.”28 O texto de Isa 1:13 na 
LXX usa exatamente a mesma expressão como João quando trata tanto de um sábado como um 
“grande dia” como diferentes eventos: “e também as Festas da Lua Nova, os sábados [ta sabbata], 
e a convocação das congregações [kai hemeran megalen]; não posso suportar iniqüidade associada 
ao ajuntamento solene.” Portanto, é muito provável que João esteja usando a linguagem de Isaías 
para coincidir o sábado semanal juntamente a “santa convocação” convocada para o primeiro dia 
da Páscoa, 15 de Nisã, que começaria ao pôr do sol daquela sexta-feira até o pôr do sol de sábado. 
Finalmente, o pedido por parte dos líderes judeus para que os corpos fossem removidos da 
cruz para este “grande dia” sábado e primeiro dia da Páscoa coloca um outro desafio para a idéia 
de que Jesus foi crucificado no primeiro dia de Páscoa visto que um julgamento capital e uma 
crucifixão neste dia de sábado seriam tão objetáveis quanto permitir que os corpos crucificados 
passassem a noite na cruz (cf. Deut 21:22–23). George R. Beasley-Murray conclui corretamente: 
“Para os líderes judeus era duplamente importante que esta lei fosse observada nesta ocasião, já 
que era um sábado e o dia da Páscoa.”29 
 
3. Alusão ao cordeiro pascal. João 19:36 oferece talvez o argumento mais claro de que ele 
entendeu que Jesus cumpriu a tipologia do cordeiro pascal. Na passagem que descreve o 
quebramentodas pernas dos ladrões crucificados com Jesus, João explica que suas pernas não 
foram quebradas em conformidade com a tipologia do cordeiro pascal “E isto aconteceu para se 
cumprir a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado.” Há aqui uma alusão a Núm 9:12, 
onde lemos sobre o cordeiro pascal: “Não deixarão sobrar nada até o amanhecer e não quebrarão 
 
27 Gerald L. Borchert, John 12–21, vol. 25B, The New American Commentary (Nashville: Broadman & Holman Publishers, 
2002), 257. 
28 Veja Encyclopaedia Judaica, eds. Fred Skolnik, and Michael Berenbaum, 2nd ed., vol. 15 (Detroit/Jerusalem: Thomson 
Gale/Keter Publishing House, 2007), 678. 
29 George R. Beasley-Murray, John, Word Biblical Commentary, vol. 36 (Dallas, TX: Word, Incorporated, 2002), 353. 
 11 
nenhum osso do cordeiro” (NIV; cf. Êxo 12:10, Sal 34:20). Tal alusão ao cordeiro pascal não teria 
sentido se a morte de Jesus não tivesse cumprido sua tipologia. 
 
O Testemunho da Igreja Primitiva em Apoio à Cronologia de João 
 
O entendimento de que Jesus foi crucificado no mesmo dia em que os cordeiros da Páscoa 
eram oferecidos no templo, 14 de Nisã, segundo João, era fundamental para a igreja primitiva. 
Várias linhas de evidências canônicas e não canônicas demonstram isso: 
 
1. Paulo. Ao escrever aos coríntios, Paulo compara Jesus ao cordeiro pascal: “Pois Cristo, nosso 
Cordeiro pascal, foi sacrificado.” (1 Cor 5:7). Este paralelo não teria sentido se Jesus tivesse sido 
sacrificado após o sacrifício do cordeiro, quebrando assim a tipologia. Mais tarde, na mesma carta, 
Paulo concorda com João quando não menciona uma tipologia de Páscoa na Última Ceia, mas 
simplesmente diz que essa ceia aconteceu “na noite em que foi traído” (1 Cor 11:23). Além disso, 
ainda de acordo com a tipologia da Páscoa, Paulo vê a ressurreição de Jesus como o cumprimento 
da oferta das Primícias no templo de manhã depois da Páscoa (16 de Nisã): “Mas de fato Cristo 
ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dentre aqueles que dormiram” e “mas cada 
um por sua vez: Cristo, a primícia; depois, quando ele vier, os que lhe pertencem” (1 Cor 15:20, 
23). A Festa das Primícias foi criada em conexão com Páscoa como lemos em Lev 23: 10–11: 
“Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando entrardes na terra, que vos dou, e segardes a sua 
messe, então, trareis um molho das primícias da vossa messe ao sacerdote; este moverá o molho 
perante o SENHOR, para que sejais aceitos.” Aqui, novamente, os paralelos da Páscoa traçados 
por Paulo não teriam sentido se os eventos da morte e ressurreição de Jesus não coincidissem com 
os eventos. 
 
2. As Primícias em Mateus. A ressurreição dos “santos” no momento da ressurreição, conforme 
descrita em Mateus 27:51–53 corrobora a interpretação Paulina de que a ressurreição de Jesus 
cumpriu a tipologia da Festa das Primícias no dia 16 de Nisã: “Eis que o véu do santuário se 
rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas; abriram-se os 
sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram; e, saindo dos sepulcros depois 
da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos.” Esta cena indica uma 
tradição muito antiga que interpretava a ressurreição como cumprindo a tipologia da Festa das 
Primícias. 
 
3. A controvérsia Quartodécima. O historiador Eusébio de Cesaréia fala da controvérsia 
“Quartodécima” (do dia 14 de Nisã) que surgiu no segundo século, porque todas as igrejas da 
Ásia celebrada a Ceia do Senhor em 14 de Nisã, de acordo com o Evangelho de João. Eusébio 
escreve: 
 
Naquele tempo houve uma grande controvérsia, porque todas as dioceses da Ásia consideravam correto, como 
uma tradição mais antiga, observavam a festa da Páscoa do Salvador no décimo quarto dia da lua, como se havia 
 12 
ordenado aos judeus sacrificar o cordeiro. Portanto, era necessário terminar o jejum naquele dia, não importa o 
dia da semana.30 
 
O bispo de Éfeso, Polícrates, argumentou junto com seus colegas bispos que eles deveriam 
“manter o costume que haviam recebido do passado.” Em sua carta a Vítor, o bispo de Roma, 
que queria excomungá-los, escreve: 
 
Nós, portanto, mantemos o dia sem alterá-lo, sem tirar nem pôr. De fato, na Ásia, grandes luminares 
adormeceram, como aqueles que ressuscitarão no dia da vinda do Senhor, quando ele vier com a glória do céu 
para procurar todos os seus santos; [tacomo] Filipe, um dos doze apóstolos, que adormeceu em Hierápolis, 
[também] as suas duas filhas que envelheceram virgens, e sua outra filha que vivia no Espírito Santo e repousa 
em Éfeso; e também João, que deitou sobre o peito do Senhor, que era [o ‘se tornou’] um sacerdote vestido de 
pétala tanto uma testemunha e um professor. Ele jaz em Éfeso. Além disso, também em Esmirna Policarpo, 
bispo e mártir, e Tráseas, bispo e mártir, Eumenia, mártir, que jaz em Esmirna. Por que eu deveria mencionar 
Sagáris, bispo e mártir, que jaz em Laodicéia, ou o bendito Papirius, ou Melito, o eunuco que em todas as coisas 
vivia pelo Espírito Santo, que jaz em Sardes aguardando a visita do céu, quando ele ressuscitará dos mortos? 
Todos estes observaram o décimo quarto dia para a Páscoa de acordo com o Evangelho, em nada se desviam 
dele, mas seguem a regra da fé.31 
 
A menção do Apóstolo João por Polícrates é bastante relevante e indica que a cronologia de 
uma crucifixão em 14 de Nisã é realmente a intenção do Evangelho de João. Em sua prática de 
defesa pelas igrejas da Ásia para celebrar a crucifixão em 14 de Nisã, Irineu apela ao mártir da 
Igreja do século II, Policarpo: “Como ele sempre tinha feito na companhia de João, discípulo de 
nosso Senhor e dos outros apóstolos com quem ele havia se associado.”32 Em sua resposta carta, 
os bispos da Palestina também apoiam 14 de Nisã quando dizem: “Deixamos claro que em 
Alexandria também a celebram no mesmo dia, como nós, porque cartas foram enviadas, para que 
possamos observar o dia santo em harmonia e juntos.”33 
 
4. O Didache. Os capítulos 9–10 do Didache, um documento cristão do primeiro século AD, 
refletem uma tradição joanina que relaciona a Última Ceia com a Páscoa (Eucaristia), mas com 
um estilo refeição “ágape,” do Grego “amor,” que tem o sentido de “comunhão cristã.” 
 
5. Sobre a Páscoa de Melito de Sárdis. Em sua homilia sobre a Páscoa Peri To Pascha, Melito, 
bispo de Sardes no segundo século, apóia a data Nisã 14 como o dia da crucifixão, quando escreve: 
 
Mas enquanto as ovelhas são abatidas e a pascha é comida [o cordeiro] 
E o mistério está sendo realizado, 
 
30 Historia Eclesiastica, 5.3. 
31 Ibid., 5.24.2–8. Veja a análise sobre a controvérsia Quartodécima em John Behr, John the Theologian & His Paschal Gospel: A 
Prologue to Theology (Oxford: Oxford University Press, 2019), 77–98; Dorothy Lee, “Paschal Imagery in the Gospel of John: A 
Narrative and Symbolic Reading,” Pacifica: Journal of the Melbourne College of Divinity (2011): 13–29. 
32 Ibid., 5.24.16. 
33 Ibid., 5.25. 
 13 
e as pessoas regozijam-se [euphrainetai]. (16) 
 
Matastes o Senhor na grande festa 
E festejastes [euphrainomenos], enquanto ele estava morrendo de fome; 
Tínheis vinho para beber e pão para comer, ele tinha vinagre e fel (80).34 
 
O uso do mesmo termo para “regozijar-se” (euphraino) para o dia 14 de Nisã indica que o 
autor tem em mente o mesmo evento que coincide com a morte de Cristo. 
 
6. Fontes adicionais em favor da cronologia de João. Além do cânon bíblico e da história da igreja, 
fontes históricas adicionais apontam para a crucifixão em 14 de Nisã. 
 
a. O Talmude Babilônico. O tratado Sinédrio 43a do Talmude Babilônico diz: 
 
Na véspera da Páscoa, eles enforcaram Yeshu [o nazareno]. Durante quarenta dias antes de realizada a 
execução, um arauto saiu e gritou: “Vai ser apedrejado porque praticou feitiçaria e induziu Israel à 
apostasia. Qualquer um que possa dizer qualquer coisa a seu favor, permita que ele se apresente e implore 
por ele.” Mas desde que nada foi apresentadoem seu favor, ele foi enforcado na véspera da Páscoa.35 
 
b. O Evangelho de Pedro. O autor do livro não-canônico o Evangelho de Pedro também segue a 
cronologia de João quando escreve, “E lhe entregaram ao povo no dia anterior pães asmos, na 
festa.” 
 
Em suma, estas fontes históricas fornecer um importante testemunho histórico das primeiras 
fontes cristãs em apoio da cronologia da crucifixão em Nisã 14. Próxima de João, abordamos os 
fatores astronômicos que afetam o namoro da crucifixão. 
 
Fatores Astronômicos da Data da Crucifixão 
 
Como exploramos em nossa seção anterior, tudo indica que o ministério de Jesus não tenha 
começado antes de 29 AD, possivelmente em 30 AD, o que torna sua morte na primavera de 31 
AD muito cedo, de acordo com a cronologia de João (4 Páscoas). Além disso, os dados 
astronômicos das fases lunares, bem como as práticas do calendário judaico do primeiro século, 
constituem um obstáculo praticamente intransponível para que o ano 31 AD seja o ano da 
crucifixão.36 
 
34 Veja Stuart George Hall, Melito of Sardis On Pascha and Fragments (Oxford: Clarendon Press, 1979), 43; Clemens Leonhard, 
The Jewish Pesach and the Origins of the Christian Easter (Berlin/New York: Walter de Gruyter, 2006), 42–55. 
35 A expressão “o Nazareno” encontra-se somente no manuscrito de Munique. 
36 Veja a introdução a este tema em C. Phillip Nothaft, Dating the Passion: The Life of Jesus and the Emergence of Scientific 
Chronology (200–1600) (Leiden/Boston: Brill, 2012), 20–33. 
 14 
Para entender os problemas astronômicos que 
circundam o ano da crucifixão, devemos lembrar 
que o ano judaico segue um calendário lunar no 
qual o mês começa com a primeira lua crescente ao 
anoitecer. Se a primeira lua crescente estiver muito 
perto do sol poente para ser vista (durante a 
conjunção), o começo do mês é atrasado no máximo 
para o dia seguinte, já que a duração máxima de um 
mês judaico é de 30 dias. As condições climáticas 
para ver a crescente não costumam ser um obstáculo 
na Palestina, uma vez que os céus de sua região 
desértica oferecem noites claras para a observação da 
lua crescente durante os meses de março a abril. 
Além disso, como explicado por Sacha Stern: 
 
É bem sabido que o calendário rabínico era 
originalmente baseado no aparecimento da lua 
nova, implicando um procedimento 
observacional (como descrito em detalhes no 
Mishnah RoshHashanah); e que mais tarde, foi 
substituído por um calendário calculado, baseado 
na conjunção do meio (ou molad).37 
 
Papiros de Elefantina (V século a.C.) mostram que os judeus naquela época pareciam 
haver sido treinados no cálculo das fases da lua, o que pode indicar que a duração do mês lunar 
poderia ter sido “calculada” já no primeiro século AD.38 Este método, sem dúvida, os judeus 
aprenderam durante o exílio babilônico––especialmente considerando os nomes babilônicos dos 
meses adotados pelos judeus após o exílio––que a partir do século VII a.C. já se preocupavam em 
prever a lua crescente, independentemente de sua observação.39 A lua crescente era usada para 
“consagrar” os cálculos astronômicos anteriormente esperados, segundo registra um rabino no 
Talmud de Jerusalém: “Não se presta muita atenção para as testemunhas sobre a lua nova 
 
37 Sacha Stern, Calendar and Community: A History of the Jewish Calendar: 2nd Century BCE–10th Century CE (Oxford: Oxford 
University Press, 2001), 103. 
38 Segal, “Intercalation and the Hebrew Calendar,” 285, 288; Veja Mishnah Rosh haShanah 1.6; Sanhedrin 1:2; Rosh haShanah 
3:1; 2:6, b. Talmud Sanhedrin 10b, 11; b. Talmud Rosh haShanah 2:8; 31; 19b; 20a, Arakhin 9b. Veja a discussão da prática 
Rabínica em Reimund Leicht, “Observing the Moon: Astronomical and Cosmological Aspects in the Rabbinic New Moon 
Procedure,” in Time, Astronomy, and Calendars in the Jewish Tradition, eds. Sacha Stern and Charles Burnett (Leiden/Boston: 
Brill, 2014), 27–39. 
39 Veja o registro extenso compilado por A. J. Sachs and H. Hunger, Astronomical Diaries and Related Texts from Babylon; ibid.,: 
Diaries from 652 B.C. to 262 B.C. (Vienna, 1988); ibid. Diaries from 261 B.C. to 165 B.C. (Vienna, 1989) and ibid., Diaries from 
164 B.C. to 61 B.C. (Vienna, 1996); veja também Louay J. Fatoohi, F. Richard Stephenson and Shetha S. Al-Dargazelli, “The 
Babylonian First Visibility of the Lunar Crescent: Data and Criterion,” in Journal of the History of Astronomy (1999). 
A lua crescente iniciava o mês judeu. 
Foto de Marek Nikodem 
 15 
[crescente]” sugerindo que eles já sabiam o que era astronomicamente plausível.40 Outras 
passagens no Tosefta também indicam que “em certos casos, o novo mês teria sido declarado, 
independentemente de quando a lua nova tivesse sido vista,” explica Sacha Stern.41 
É importante também considerar o tema da intercalação de um mês adicional ao calendário 
judaico. Como o ano lunar é mais curto do que o solar (cada mês lunar é de cerca de 29.5 dias, 
o que torna o ano 11 dias mais curtos do que o dia solar), a cada dois ou três anos, os judeus 
intercalavam um 13º mês após o mês de Adar, um Adar II (ou Adar Sheni, sempre com 29 dias), 
a fim de encaixar o calendário lunar com o solar e para que a Páscoa não caísse antes do equinócio 
vernal. O mês Adar II é adicionado no dia 30 do mês de Adar e, por essa razão, o Adar II nunca 
tem mais de 29 dias (até mesmo o Adar I também pode ter apenas 29 dias).42 
De acordo com a literatura rabínica, a decisão de adicionar um mês adicional era tomada 
pelo menos 30 dias antes da Páscoa, durante a Festa de Purim (fevereiro–março), e era baseada 
principalmente em três fatores, de acordo com os rabinos: “Três sinais que deixam claro que o 
ano deve ser intercalado: o estado prematuro das culturas cevada, o estado embrionário da árvore 
e o atraso do equinócio [vernal] [t’qufah, 21 de março]).”43 A relevância do equinócio vernal na 
decisão de intercalar um Adar II parece óbvia porque, embora os judeus não pudesse prever se o 
grão estaria maduro para a cerimônia das Primícias (quando o sumo sacerdote agitava um ramo 
de cevada “perante o Senhor” no dia 16 de Nisã, Lev 23:10–11), o que dependia de variáveis 
meteorológicas, os judeus podiam calcular o equinócio vernal que acompanhava o 
amadurecimento do grão. Esta “regra do equinócio” era bem conhecido pelos judeus, como 
indicado por Filo, quando ele diz que as Escrituras “acham apropriado calcular o ciclo dos meses 
segundo o equinócio vernal” e “o equinócio da primavera deve ser considerado como o início do 
ciclo dos meses.”44 Segundo Josefo, a Páscoa ocorre quando o sol está no zodíaco de Áries, o que 
também indica o equinócio vernal.45 Se esses cálculos indicassem que o 16 de Nisã cairia antes 
do equinócio vernal, o Adar II era automaticamente intercalado após o Adar (um ano com o mês 
 
40 y. Talmud Shebiith 10:2. 
41 Sacha Stern, Calendar and Community, 159` 
42 Veja b. Talmud Rosh haShanah 19b: “E no nome de nosso mestre, disseram: um [Adar] é siempre completo [30 dias] e o outro 
sempre defeituoso [29 dias], até que sejais informados de que o novo mês não se atrasou [i.e, os dois podem ter 29 dias]. Enviaram 
a Mar ʿUqva [uma mensagem]: Adar adjacente a Nisã é sempre defeituoso [com 29 dias].” Veja Chaim Pearl, “Adar,” in Oxford 
Dictionary of the Jewish Religion, ed. Adele Martin, 2nd edition (Oxford: Oxford University Press, 2011), 18. 
43 Tosefta Sanhedrin 2:2, 2:13. Judah Ben-Zion Segal, “Intercalation and the Hebrew Calendar,” Vetus Testamentum 7/3 (July 1, 
1957): 266, dice: “A incidência do solstício e do equinócio era, de fato, o fator primário pelo qual a intercalação era regulamentada 
entre os judeu nesse tempo––ou até mesmo antes.” Veja b. Talmud Sanhedrin, 11b; cf. Julian Morgenstern, “The Three 
Calendars of Ancient Israel,” Hebrew Union College Annual 1 (1924): 13–78; ibid., “Additional notes on “the three calendars of 
ancient Israel,” Hebrew Union College Annual 3 (January 1, 1926): 77–107. M. Sprengling, “Chronological Notes from the 
Aramaic Papyri:The Jewish Calendar; Dates of the Achaemenians (Cyrus-Darius II),” The American Journal of Semitic Languages 
and Literatures 27/3 (Abril 1911): 252, demonstrou que Nisã poderia começar até em 17 de março segundo os Papiros Elefantinos. 
Veja Mishnah Eduyoth 7.7; b. Talmud Shekalim 1.1; Sanhedrin 12b. 
44 Quaest et. solui Exodum, 1.1. 
45 Josefo, Ant., 3.10.5. 
 16 
adicional é chamado embolísmico ou ano bissexto). Esta regra do equinócio vernal tornava os 
dias 6–7 de março no calendário juliano o limite absoluto para o dia 1 de Nisã, para que a Páscoa 
caísse depois do equinócio vernal.46 
No Pentateuco, a Páscoa foi prescrita para o mês de Abibe (heb. aviv, que se refere à madurez 
dos grãos de cevada na primavera) como lemos em Êxodo 13:4; 23:15: “Hoje, mês de abibe, estais 
saindo. ... Guardarás a Festa dos Pães Asmos; sete dias comerás pães asmos, como te ordenei, ao 
tempo apontado no mês de abibe.” Por esta razão, o mês de Abibe/Nisã sempre deve coincidir 
com a chegada da primavera. Tem-se argumentado que os judeus não permitiam a Páscoa no 
mês de março porque a cevada não estaria madura para a Festa das Primícias. Jacob Milgrom, no 
entanto, afirma que “em geral, a cevada não estava madura para o dia 16 de Nisã… ou para 
qualquer um dos dois sábados seguintes… particularmente se eles caíssem no final de março ou 
no início de abril.”47 A solução para esse problema é o fato de que a cevada amadurece em 
diferentes períodos e lugares na Palestina e os sacerdotes permitiam que fosse trazido um punhado 
de cevada de qualquer parte da Judéia para a cerimônia das Primícias como indicado no 
Mishnah.48 Não era necessário que toda a colheita estivesse madura, mas apenas que os primeiros 
grãos colhidos, mesmo que não totalmente maduros, fossem apresentados. Em 2019, encontrou-
se cevada madura no Vale do Jordão no dia 6 de março.49 
Por fim, além da equinócio vernal e a maturidade da cevada, dois fatores adicionais 
impactavam o acréscimo de um Adar II de acordo com as regras encontrados em Tosefta do 
Sinédrio: (1) não pode haver dois anos bisextos consecutivos (com Adar II) e; (2) um ano sabático 
(a cada 7 anos) não poderia ser um ano bissexto, nem o ano após o ano sabático, apenas no ano 
anterior. 
Com base na discussão anterior sobre as regras do calendário judaico, voltamos agora para o 
calendário lunar do ano 31. O astrônomo Bradley Schaefer (NASA) compilou todas as luas 
crescentes de acordo com seu coeficiente de visibilidade por volta da Páscoa em Jerusalém 
durante o governo de Pilatos (26–36 AD).50 No ano 31, o mês de Adar começou com a lua 
crescente na noite de domingo 11 de fevereiro e durou 29 dias. A lua crescente na segunda-feira, 
12 de março não foi visível de acordo com Schaefer (-1.3R),51 no entanto, quando aplicamos as 
regras do calendário judaico, vemos que o mês de Adar antes de Nisã nunca tinha mais do que 
 
46 Tosefta Sanhedrin 2:8, 9: “Não podem intercalar anos succesivos … E não podem intercalar um ano sabático, nem o ano 
seguinte a ele. Nesses casos, o costume é intercarlar o ano anterior ao ano sabático.” 
47 Jacob Milgrom, Leviticus 17–23, The Anchor Bible (New York: Doubleday, 2001), 1983. O Talmude de Jerusalém Shebiith 1:2 
afirma que a cevada “não está nem tenra, nem seca, mas num meio termo.” 
48 Cf. Mishnah Menahot 10.2–3. 
49 Veja https://yrm.org/2019-abib-confirmed/. 
50 Bradley Schaefer, “Lunar Visibility and the Crucifixion,” The Quarterly Journal of the Royal Astronomical Society 31/81 (March 
1990): 57. 
51 Fator de visibilidade 1.3R: valores em torno ou acima de 1.0R indicam visibilidade, valores negativos indicam que não há 
avistamento 
 17 
29 dias (cf. Talmude Babilônico Rosh Hashaná 19b). Portanto, o mês de Nisã começou com uma 
lua nova do dia 12 de março. Como a Páscoa cairia naturalmente após o equinócio vernal––
fornecendo cevada madura para a Festa das Primícias––concluímos que o ano 31 não precisou 
de um mês Adar II.52 Portanto, o dia 1 de Nisã começou em 29 de Adar, 12 de março, colocando 
a lua cheia da Páscoa 14 dias depois, na segunda-feira, 26 de março de 31 AD ao pôr do sol (veja 
a Figura 1).53 
Para fins de verificação, permitamos um Adar II hipotético no ano de 31. Como o primeiro 
mês de Adar começou com a lua crescente na noite de domingo 11 de fevereiro (1.3R 
visibilidade) e teve um máximo de 30 dias (poderia ter 29 também), o 1º dia de Adar II começou 
na noite desta terça-feira 13 de março. Nisã 1 começaria exatamente 29 dias depois (Adar II 
sempre tinha 29 dias), com a lua crescente visível na quarta-feira, 11 de abril, colocando assim a 
Páscoa/15 de Nisã impreterivelmente e mais tardar ao pôr do sol da quarta-feira, 25 de abril de 31 
AD (veja a Figura 2). O que descobrimos é que, mesmo com Adar II, o ano 31 ainda não satisfaz 
os critérios porque um Adar II (29 dias) não permite um atraso de um dia adicional para encaixar 
o início de 15 de Nisã na quinta-feira à noite, muito menos um atraso de dois dias para ajustar a 
um 15 de Nisã na sexta-feira à noite de acordo com o Evangelho de João. A Páscoa de abril de 31 
AD ainda cairia dois dias antes da cronologia dos Evangelhos, o que é insustentável. 
Podemos até mesmo aplicar um teste final para a data da crucifixão comparando os nossos 
resultados com as regras judaicas de intercalação, a lista de anos sabáticos compilada por Ben 
Wacholder (do mês civil judaico de Tishri 1 a Elul 30, de outono a outono) e a lista de luas 
crescentes de Schaefer para os anos 29–33 AD, que cobre a Páscoa da semana da paixão. (Lembre-
se que o ano lunar é aproximadamente 11 dias mais curto que o ano solar). Na lista de Schaefer 
para o ano 30 AD, vemos que que a lua de 23 de março/1 de Nisã não tem visibilidade suficiente 
(-0.6R), no entanto, como o mês Adar antes de Nisã nunca tem mais do que 29 dias, isso requer 
que Nisã inicie sem o avistamento da lua em 23 de março (na lua nova), e a Páscoa cai no dia 5 
de abril. O ano 31, como vimos, não precisou do Adar II porque o dia 1 de Nisã caiu em 12 de 
março, o que colocou a Páscoa naturalmente após o equinócio vernal, na terça-feira 26 de março. 
Em seguida, passamos ao ano 32 e verificamos que Nisã 1 cairia em 1 de março e, portanto, muito 
antes do equinócio vernal, o que levou à intercalação de um Adar II (com 29 dias) e moveu o 1 
dia de Nisã ao pôr do sol de 31 de março e a Páscoa em 14 de abril de 32. Como o ano 32 foi 
bissexto (com Adar II), o 31 e o 33 não foram anos bisextos (de acordo com a regra de não 
intercalar anos consecutivos e só no ano anterior ao ano sabático), isso coloca 1 de Nisã no ano 
33 no dia 20 de março e a Páscoa/15 de Nisã na sexta-feira, 3 de abril de 33 AD. 
O ano 31 AD como o ano da crucifixão foi originalmente descartado por Isaac Newton, 
porque a tentativa de reconciliar a Páscoa com a lua cheia naquele ano gera “erros enormes, que 
 
52 Mishnah Menahot 10.2. O problema também ocorria durante a Festa das Semanas/Pentecostes, sete semanas a partir de 16 de 
Nisã, quando era apresentados pães feitos de trigo da safra anterior; cf. Talmud Babilônico Menahot 10:33: “Os dois pães: é 
necessário trazê-los da nova safra, mas se não houver nenhum, pode-se trazê-los do armazém.” 
53 Esta informação pode ser confirmada ao comparar os calendários disponíveis nos sites www.hebcal.com e 
www.timeanddate.com/calendar mudando-se o ano para 31 etc., e o país para Israel, exceto que estes calendários não consideram 
as regras de intercalação judaicas, como a dos anos sabáticos. 
 18 
seriam claramente visíveis nos céus, mesmo para o olho inexperiente.”54 Apesar deste fato 
inescapável, autores adventistas ainda defendem a crucifixão em uma sexta-feira, 15 de Nisã em 
31 AD, mas para isso têm que aceitar certas pressuposições e ignorar importantes dados históricos, 
cronológicos e até mesmo científicos. Um certo autor adventista, por exemplo, conclui 
errôneamente que o ano 31 como o ano da crucifixão possui “impressionante confirmação 
astronômica.”55 C. Mervyn Maxwell é umpouco mais cuidadoso ao aceitar a crucifixão em 14 de 
Nisã, mas somente com um atraso do início do mês de Nisã em 3 dias, de terça a sexta-feira, o 
que é insustentável segundo as regras discutidas aqui. Maxwell admite que o ano 31 pode ser um 
candidato como o ano da crucifixão apenas “se condições meteorológicas e astronômicas 
combinaram para colocar 1 de Nisã naquele ano com um intervalo máximo depois da lua nova,” 
isto é, “aceitando-se algumas pressuposições não provadas mas razoáveis.”56 Mas, como vimos, tais 
pressuposições não são “razoáveis” em absoluto, mas sim diretamente contrariadas pelos dados 
astronômicos e pelo calendário judeu da Palestina do primeiro século. 
Por sua vez, Juarez de Oliveira defende a crucifixão em 15 de Nisã mas numa quinta-feira, 
26 de abril, 31 AD.57 Em um livro recente intitulado A Astronomia e a Glória do Adventistmo––
ainda usando as questionáveis datas de Parker e Dubberstein––Velten e Oliveira ignoram vários 
fatores discutidos nesse artigo e defendem a Páscoa no dia 27 de abril 31, o que, como vimos, é 
uma conclusão absolutamente insustentável (veja Tabela e Figura 1).58 
 
 
O Ano da Crucifixão: 33 AD 
 
Como o ano 31 AD deve ser descartado pelas razões consideradas em detalhes acima, é 
necessário buscar um ano que se encaixe com os dados cronológicos disponíveis nos Evangelhos, 
como o início do ministério de Jesus no 15º ano de Tibério (29–30 AD), quatro Páscoas durante 
o ministério de Jesus, de acordo com João (2:13; 6:51; 11:51; 19:14, 31, 42), o calendário judaico 
do primeiro século e dados astronômicos para permitir a “véspera da Páscoa”/14 de Nisã em uma 
sexta-feira. 
De acordo com a tabela das luas crescentes para o período de 26–36 AD de Schaefer, a lua 
crescente de 1 de Nisã que cai numa sexta-feira durante o ministério de Jesus foi a da sexta-feira, 
20 de março do ano 33––começando no pôr do sol de 29 de Adar––com visibilidade de 2.0R. 
 
54 Isaac Newton, Observations on the Prophecies of Daniel and the Apocalypse (London: Darby & Browne, 1733), 164. 
55 Treiyer, “The Chronology,” 15. 
56 Maxwell, God Cares, 263; de Oliveira, Chronological Studies, 46. 
57 Veja Richard A. Parker and Waldo H. Dubberstein, Babylonian Chronology (Chicago, IL: University of Chicago Press, 1942). 
58 Velten e de Oliveira, A Astronomia e a Glória do Adventismo, 209. 
 19 
Com isso a lua cheia da Páscoa/15 de Nisã caiu no entardecer de sexta-feira, 3 de abril de 33.59 
Como prova adicional, a lista de anos sabáticos de Wacholder confirma que, como o ano 32 foi 
um ano bissexto, o ano 33 não foi, o que coloca impreterivelmente a data da Páscoa ao pôr do sol 
da sexta 3 de abril. 
Isaac Newton foi o primeiro a chegar à sexta-feira, 3 de abril de 33 AD como a provável data 
da crucifixão (mas optou pela sexta-feira, 23 de abril de 34 AD porque ele defendia cinco páscoas 
em João).60 No início do século XX, a mesma data foi calculada por J.K. Fotheringham e no 
início da década de 1980, Humphreys e Waddington, com base no trabalho de Fotheringham, 
também defenderam 33 AD, especialmente por causa do eclipse lunar de Jerusalém naquele dia, 
ao qual Pedro pode ter aludido em seu sermão registrado em Atos 2:20 como o cumprimento da 
predição encontrada em Joel 2:31.61 Schaefer, no entanto, adverte que esse eclipse não foi visível 
em Jerusalém nesta data.62 Seja como for, com ou sem a evidência adicional do eclipse, o ano 33 
AD ainda é o ano mais provável da crucifixão, levando em consideração todas as evidências 
discutidas aqui. Na edição revisada de seu Manual da Cronologia Bíblica, Jack Finegan também 
vota em 3 de abril de 33 AD.63 
Esta data é bastante atraente porque passa em todos os testes analisados aqui, especialmente 
porque o início da Páscoa/15 de Nisã no entardecer da sexta-feira 3 de abril de 33 tem o respaldo 
do Evangelho de João, o que permite o cumprimento da tipologia de Jesus como “o Cordeiro de 
Deus que tira o pecado do mundo”(João 1:29, 36). Como “a nossa Páscoa” (1 Coríntios 5:7), 
Cristo morreu precisamente quando os cordeiros eram sacrificados no templo naquela sexta-feira. 
Consequentemente, este ano também permite a tipologia da Festa de Primícias oferecidas no 
segundo dia de Páscoa no templo (domingo, 16 de Nisã no ano 33), de acordo com Levítico 
23:10–11 e Paulo (1 Cor 15:20, 23).64 
 
 
Ellen White e o ano 31 AD 
 
Como Ellen White lida frequentemente com todos os assuntos do adventismo, algumas de 
suas declarações são brevemente revisadas aqui. Em O Grande Conflito (399), ela escreve: 
 
59 Schaefer, Lunar Visibility, 57. 
60 Veja John Pratt, “Newton’s Date for the Crucifixion,” Quarterly Journal of Royal Astronomical Society 32 (Sept 1991): 301–304. 
61 J. K. Fotheringham, “The Evidence of Astronomy and Technical Chronology for the Date of the Crucifixion,” Journal of 
Theological Studies 35 (1934): 146–62; ibid., “Astronomical Evidence for the Date of the Crucifixion,” The Journal of Theological 
Studies 12 (1910): 120–27. 
62 Schaefer, “Lunar Visibility,” 62–66. 
63 Jack Finegan, Handbook of Biblical Chronology (Revised Edition; Peabody, MA: Hendrickson, 1998), 353–369. 
64 As objeções de Roger T. Beckwith, Calendar and Chronology, Jewish and Christian (Leiden/Boston: Brill, 2001), 289–296, 
contra o uso da astronomia para definir o ano da crucifixão podem ser refutadas facilmente com a evidência analisada neste artigo. 
 20 
Aqueles símbolos se cumpriram, não somente quanto ao acontecimento mas também quanto ao tempo. No dia 
catorze do primeiro mês judaico, no mesmo dia e mês em que, durante quinze longos séculos, o cordeiro pascal 
havia sido morto, Cristo, tendo comido a Páscoa com os discípulos, instituiu a solenidade que deveria 
comemorar Sua própria morte como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” Naquela mesma noite 
Ele foi tomado por mãos ímpias, para ser crucificado e morto. 
“Naquela noite” significa que os eventos ocorreram na noite de 14 de Nisã, a “véspera da Páscoa” 
quando o cordeiro da Páscoa era sacrificado. Além disso, em O Desejado de Todas as Nações 
(555) ele escreve: “Cristo ressurgiu dos mortos como as primícias dos que dormem. Era 
representado pelo molho movido, e Sua ressurreição teve lugar no próprio dia em que o mesmo 
devia ser apresentado perante o Senhor. Por mais de mil anos esta simbólica cerimônia fora 
realizada.” Estes cumprimentos tipológicos não teriam sido possível se Jesus morreu na sexta-feira, 
15 de Nisã e resuscitou no domingo, 15 de Nisã no ano 31, porque o cordeiro pascal era 
sacrificado no dia 14 de Nisã e a Primícia apresentada ao Senhor em 16 de Nisã. Como temos 
mostrado de forma conclusiva, os dias 14–16 de Nisã caíram de terça-feira a quinta-feira e nunca 
de sexta a domingo, como lemos nos Evangelhos (ver Figura 1). 
Portanto, enquanto Ellen White concorda com João e Paulo quando ressalta que a tipologia 
do cordeiro pascal e da Festa das Primícias se cumpriram na crucifixão e ressurreição de acordo 
com o “evento” e o “tempo,” uma crucifixão no ano 31 AD em última análise, nega esse 
importante princípio. 
 
 
Conclusão 
 
Como analisado aqui, ignorar a cronologia da crucifixão na “véspera da Páscoa” como lemos 
em João cria uma infinidade de discrepâncias teológicas, cronológicas e astronômicas. Em 
resumo, o ano 31 AD só poderia ser o ano da crucifixão se tivesse sido um ano bisexto (descartado 
pelas regras judaicas), dito mês adicional de Adar II tinha 30 dias (não permitido) e a crucifixão 
ocorreu no dia da Páscoa/15 de Nisã, um sábado semanal e dia de Páscoa (inconcebível). Por 
estas razões, o ano 31 AD deve ser sumariamente descartado como o ano da crucifixão. 
Tendo analisado várias linhas de evidência para estabelecer a cronologia da Paixão, podemos 
agora revisar o diagrama da Páscoa que vimos anteriormente, agora com os dias corretos da 
Semana da Paixão de Nosso Senhor acrescentados com base na cronologia de João, que aponta 
para uma crucifixão na sexta-feira, 3 de abril de 33 AD (veja a próximapágina). 
 
 21 
 
CRONOLOGIA DA CRUCIFIXÃO NO ANO 33 AD 
 
Quinta-feira, 2 de abril 
(12 am a 12 am) 
Sexta-feira, 3 de abril 
(12 am–12 am) 
Sábado, 4 de abril 
(12 am – 12 am) 
Domingo, 5 de abril 
(12 am–12 am) 
Nisan 13 
Nisan 14 
Erev Pesach = “véspera de la Pascua” 
“Dia de preparação dos judeus” 
Nisan 15 
Páscoa – Pães Asmos – Sábado 
Nisan 16 
Festa das Primícias 
Noite Dia Noite Dia Noite Dia Noite Dia 
* Fermento tirado das casas 
à noite à luz de velas 
 
*Os discípulos preparam 
para a Páscoa durante o dia 
 
*Última Ceia 
“antes da 
Páscoa” 
(João 13: 1) 
 
*Jesus preso 
 
*Os judeus ainda 
não tinham 
comido o 
cordeiro 
(João 18:28) 
 
* Cordeiro 
pascal sacrificado 
 
* Jesus julgado e 
crucificado 
 
 
* Cordeiro 
pascal comido 
 
* Primeiro dia 
da Páscoa 
 
* A Festa dos 
Pães Asmos 
começa e dura 
7 dias 
“grande dia” 
de sábado = 
“santa 
convocação” 
(Êxo 12:16) 
 
 
* Festa das 
Primícias 
 
*RESSURREIÇÃO 
(1 Cor 15:20, 23) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
q~ÄÉä~=K Lista de anos bisextos (+) em relação a anos sabáticos 
(Ben Zion Wacholder, “The Calendar of Sabbatical Cycles During the Second Temple and the Early Rabbinic Period,” 
190) 
Anos Julianos (AD) 
(Ano judeu de Tishri 1 – Elul 30, outono a outono) 
Sequencia de Anos Sabáticos 
27/28 Ano Sabático 
28/29 1 
29/30 (+) 2 
30/31 3 
31/32 (+) 4 
32/33 5 
33/34 (+) 6 
34/35 Ano Sabático 
 22 
Figura 1. Páscoa em março de 31 AD 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2. Páscoa hipotética em abril de 31 AD 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 23 
Figura 3. Páscoa em abril de 33 AD 
 
 24 
Figura 4: Luas crescentes antes da Páscoa, 26–36 AD 
(Schaefer, “Lunar Visibility,” 57)

Mais conteúdos dessa disciplina